sábado, 24 de novembro de 2012

036 - "Sabes... há um ditado antigo que diz... quem não arrisca não petisca!"


Mariana

A chegada ao Algarve foi algo atribulada desde o princípio mas a presença do Pedro ainda veio piorar mais um pouco. O Ruben tentou convencer-me a não ir à sala correr com o Pedro a pontapés e acabou por conseguir levar a melhor ou não fosse ter unido de novo as nossas bocas e uns segundos bastaram para que as nossas mãos começassem a passear pelo corpo um do outro, as trocas de mimos aumentaram e quando dei por mim já estávamos os dois no quarto com os níveis de animação algo elevados.
- Ruben... - tentei abrandar mas ele não deu sequer hipótese beijando-me novamente, por muito que quisesse resistir tornou-se impossível e acabei por ceder, estávamos já deitados na cama e em brincadeiras nada decentes quando fomos interrompidos.
- Não acredito nisto... - foi impossível não gargalhar perante o desabafo do Ruben ainda assim dei permissão a quem bateu na porta para entrar.
- Posso?
- O que é que se passa?
- Venho pedir guarida - olhei para ele sem entender - a Ana está numa de se alapar ao outro...
- Não estás a pensar em vires dormir para aqui pois não? - o Ruben falou quase em desespero de causa o que deu-me vontade de rir - É que a cama é pequena demais para três pessoas!
- Oh... não o vamos deixar a assistir de camarote a uma cena deprimente... amigo se não te importares de dormir no chão podes ficar aqui no quarto!
- Mas... - o Ruben olhou-me incrédulo
- Que foi? Dói-te alguma coisa, é?
- Não... o quarto é teu por isso tu decides! - o Ruben levantou-se da cama e saiu do quarto todo lixado.
- É impressão minha ou vim estragar os planos do Ruben? - o Fábio perguntou a rir.
- Vamos lá improvisar uma cama para ti - desconversei.
Estava a terminar de fazer a sua cama de improviso quando o Ruben entrou só em boxers já pronto para dormir e ao perceber que o Fábio iria mesmo dormir no nosso quarto demonstrou o seu desagrado.
- Seria bem mais fácil correr cá de casa com aquele animal! - olhei-o - Que foi? Duvido muito que a tua prima vá gostar de acordar amanhã e dar de caras com ele!
- Ruben, amanhã resolvemos isso - olhou-me - agora deita-te e dorme!
O Ruben fez o que pedi, deitou-se ainda que de trombas mas não lhe dei importância nenhuma saindo do quarto em direcção à casa de banho, fiz a minha higiene e quando regressei ao quarto o Ruben manifestou-se imediatamente.
- Oh Mariana... não tinhas nada para vestires?
- Quem te ouvir ainda pensa que estou nua...
O Ruben não respondeu, virou-se na cama de forma a ficar de costas para mim, algo que o Fábio aproveitou para perguntar num murmúrio se a minha intenção seria acabar com o Ruben, simplesmente sorri e encolhi os ombros, deitando-me logo depois na cama. Foi quando apaguei a luz que aproximei-me do Ruben, tentei abraça-lo mas ele retirou o meu braço.
- Rubinho... - sussurrei - não podia deixar o Fábio na sala - tentei que percebesse a situação.
- Pois mas a mim já podes deixar-me na mão - ripostou mas de forma a que o Fábio não ouvisse - e ainda tens o descaramento de vires assim vestida - sorri perante os ciúmes dele e agradeci o facto de estarmos às escuras.
- Aposto que se o Fábio não tivesse aqui já não vias mal nenhum nisso...
- A sério Mariana...
- Juro que não entendo... o Fábio na praia vê-me com menos roupa - ouvi o Ruben a suspirar - Rubinho... - aproximei-me ainda mais colocando o meu braço por cima do seu tronco - é só hoje - beijei-lhe o ombro - amanhã falo com a Ana e digo-lhe para não trazer mais ninguém cá para casa - a minha mão desceu até ao elástico dos seus boxers - se fores um menino bem comportado serás recompensado - senti-o a encolher-se - estou perdoada?
O Ruben não respondeu por palavras mas sim por actos, virou-se finalmente para o meu lado abraçando-me e unindo os nossos lábios num beijo calmo. Estávamos numa troca de mimos nada de muito atrevido até porque tínhamos consciência que não estávamos sozinhos quando começamos a ouvir uns barulhos suspeitos vindos do quarto ao lado.
- Hey... não acredito nisto! - o Fábio foi o primeiro a manifestar-se - quer dizer venho para aqui porque na sala aqueles estavam-se a comer e afinal agora tenho de ouvir estes!
- Fábio juro que não somos nós! - respondi ao acender a luz o que provocou a gargalhada no Fábio - o que foi?
- Nada... nada... só acabaste de assumir que até podiam ser vocês! - desta foi a vez do Ruben gargalhar.
- Bem mas a animação ali para aqueles lados está em alta! - comentei para desviar a conversa.
- É agora disfarça... até quando é que vocês vão insistir em negar aquilo que o pessoal já sabe há muito! - olhei para o Ruben.
- E o que é que o pessoal já sabe? - o Ruben perguntou.
- Que vocês fazem faísca por tudo o que é lado! E que só não estão juntos porque são os dois teimosos e não admitem que sempre foram loucos um pelo outro... ou acham mesmo que aquela vossa picardia toda na adolescência era só porque gostavam de embirrar um com o outro? Já para não falar que o pessoal percebeu todo que naquela noite do baile de finalistas se passou alguma coisa entre os dois e com o teu regresso só tivemos a confirmação, amigos o vosso reencontro no bar deixou tudo muito nítido - sorriu - vocês gostam um do outro e não é tão pouco quanto isso, aliás nos anos do João todos percebemos que desde que a Mari regressou que vocês já se enrolaram com direito a promessas porque nessa noite estavas lixada com ele por ter negado à Ana que estavam juntos - olhou-nos à vez - a sério façam um favor a vocês mesmos e aproveitem as férias para resolverem a vossa situação - tanto eu como o Ruben sorrimos - ou será que já resolveram e estão numa de manter segredo? - o Ruben olhou-me e bastou um olhar para adivinhar que ia abrir o jogo.
- Nós - sorri para o Ruben - já resolvemos a nossa situação - o Ruben abraçou-me - estamos juntos no entanto ainda não contamos a ninguém, és o primeiro a saber!
- Fico feliz pelos dois mas preparem-se porque nem todos vão reagir bem... - o Ruben interrompeu-o
- A Mariana sabe... - o Fábio ficou surpreendido - não podia continuar a ocultar isso quando sabia que mais tarde ou mais cedo seria descoberto, além disso faz parte do meu passado.
- Passado esse que sei muito pouco! - o Ruben olhou-me.
- Não deves estar à espera que te vá dar detalhes da minha relação com a Ana, não é?
- Não sei porquê! Se estamos juntos não vejo mal nisso.
- Ya... dou pormenores de como foi a minha relação com a Ana e tu dás-me sobre o que revelaste na noite da passagem de ano!
O Ruben disparou automaticamente e nem deve ter medido bem as palavras no entanto foram as suficientes para ter saído do quarto.

Ruben

Não achei piada nenhuma ao facto da Mariana permitir que o Fábio dormisse no nosso quarto especialmente quando já estava “animado” com as brincadeiras pouco inocentes que ela estava a fazer mas não tive outro remédio que aceitar a sua decisão e adiar mais uma vez a plena entrega. Mas se ao início fiquei chateado depois passou quando pediu-me desculpa, estávamos a namorar ainda que muito discretamente devido à presença do nosso amigo quando ouvimos a animação vinda do quarto ao lado, acabamos por gargalhar quando a Mariana afirmou que não errámos nós, daí até confirmarmos ao Fábio que estamos juntos foi uma questão de minutos, o que sinceramente agradou-me dado que já ando farto de esconder o nosso envolvimento do pessoal. No entanto vi a Mari a sair disparada do quarto quando mencionei a revelação que fez na passagem de ano como forma de escapar ao pedido para falar da minha relação com a Ana.
- O que é que lhe deu? - o Fábio falou assim que a Mari saiu.
- Esquece!
- Esqueço nada... saiu daqui lixada contigo porque referiste qualquer coisa sobre a passagem de ano.
- Vou ver onde é que se enfiou...
Assim que respondi ao Fábio saí do quarto e não foi difícil adivinhar que estava na cozinha porque vi a luz acesa.
- Desculpa... - tentei aproximar-me mas assim que dei alguns passos na sua direcção a Mariana andou no sentido contrário - sei que não devia falar no assunto - estava agora encostada à bancada a beber um pouco de água - mas também não gosto de falar sobre a Ana - coloquei-me na sua frente, bem próximo e apesar de não negar também não demonstrou grande vontade em manter-se assim próxima de mim.
- Ruben vai dormir! - ordenou no mesmo segundo que coloquei as minhas mãos na sua cintura.
- Não vou enquanto não resolvermos as cenas!
- Quais cenas? Aquelas que provocas por falares sem pensar? A sério não estou chateada contigo mas também não posso dizer que esteja a rejubilar de alegria e como não quero aborrecer-me mas principalmente afastar-me novamente de ti prefiro não falar mais no assunto - aproximei-me ainda mais dela anulando assim qualquer distância que havia a separar os nossos corpos - nem penses! - afastou-me, virando-me imediatamente as costas - Ruben, isto não é assim... falas sem pensar e depois achas que se pedires desculpa esqueço tudo, é?
- Não...
- Então vai dormir porque hoje não te safas para o meu lado! - a Mariana falou com os níveis de segurança elevados ao máximo e por isso mesmo fiz exactamente o contrário do que ordenou em vez de ir para o quarto reduzi novamente a distância - o que pensas que vens fazer? - questionou quando já estava de novo a agarrá-la.
- Dar-te um beijo...
Não lhe dei hipótese de fugir ao abraça-la para unir logo depois os nossos lábios e o que começou por ser um beijo inocente transformou-se em mais um momento intenso entre nós mas que ainda assim não chegou nem de perto ao que tanto ansiava, a Mariana não deixou avançar e como desculpa usou o Fábio, acabei por ter que concordar com ela uma vez que não estávamos no sítio mais adequado e podíamos ser apanhados por qualquer um dos nossos amigos.
- Anda - puxou-me pela mão - dormir que algo me diz que amanhã o dia vai ser longo.
- Continuo a dizer que devíamos ter corrido com o Pedro!
- Amanhã resolvemos o assunto agora vamos dormir...
- Dormir? - olhou-me - tens noção que por mim fazíamos tudo menos dormir! - sorriu
- Temos pena...
Não respondi até porque entramos no quarto e não queria acordar o nosso amigo que ao que tudo indicava já dormia, deitamos-nos e assim que a Mari apagou a luz puxei-a para mim, adormecemos nos braços um do outro para acordarmos com os primeiros raios de sol a invadirem o quarto.
- Bom dia - beijou-me - dormiu bem o meu menino? - sorri ao ouvi-la dizer meu menino - Estás muito sorridente!
- É né - beijei-a demoradamente.
- E posso saber o motivo de tanto sorriso?
- Hum... - virei-me na cama deixando-a por baixo de mim - talvez ser acordado desta forma - voltei a unir as nossas bocas - o estar finalmente a sós contigo - comentei ao verificar que o Fábio já não se encontrava no quarto - e por fim o estarmos aqui assim a namorar...
A Mariana sorriu e foi dela a iniciativa para uma troca de mimos, já estávamos os dois a entrar noutra dimensão quando o Fábio entrou sem bater apanhando a Mariana já sem pijama.
- Oh seu atrasado mental não se bate na porta! - a Mariana refilou imediatamente ao mesmo tempo que puxou os lençóis e cobriu os nossos corpos com o mesmo.
- Desculpem! Pensei que ainda estivessem a dormir.
- Pensaste mal! - refilou - E agora baza!
O Fábio simplesmente saiu do quarto fechando a porta e assim que ficamos os dois sozinhos tentei recomeçar de onde tínhamos parado mas a Mariana não deixou, preferiu antes arrastar-me para um duche a dois, não era bem o que tinha em mente mas fiz-lhe a vontade, até porque ou era isso ou não era nada. Durante os minutos que estivemos na casa de banho os mimos foram mais que muitos no entanto controlamo-nos por sabermos que o pessoal já andava de pé e não queríamos ser o “João e Maria 2”.
- Estás a pensar no quê? - perguntei quando já estávamos no quarto a vestirmo-nos.
- Na confusão que está preste a ser iniciada...
- Ah! Mas aquele otário que nem pense em estragar-nos as férias...
- Ya e vais fazer o quê? Bater-lhe, é?
- Olha se for preciso...
- Ruben se for para lhe ir às trombas sou eu... não te quero metido numa confusão que não é tua!
- Essa é boa... a Maria é minha amiga!
- Pois mas não foste tu que estiveste cá quando ela precisou! - atirou sem demoras.
- Hey... - aproximei-me dela - tens razão falhei em afastar-me de vocês mas já paguei pelo meu erro mas juro que não volto a repetir a proeza - olhou-me - podes ter a certeza que não vou afastar-me novamente da Maria e muito menos de ti.
- Ruben não faças promessas que não sabes se podes cumprir!
- E porquê que não posso? Sabes quando se quer muito uma coisa...
- Sabes... - baixou o olhar - ainda há momentos que tenho dúvidas se é mesmo isso que queres.
- Porquê? - fi-la olhar para mim - De onde é que vem essas duvidas?
- Ruben a verdade é que no momento que a Ana te perguntou tu negaste e depois será que és capaz de assumir o que quer que tenhamos perante terceiros quando sabes de antemão que já fui para a cama com imensos gajos?
- Que conversa é esta?
- Ruben será que ainda não entendeste que preciso de algumas certezas? Que enquanto não as tiver não consigo deixar as cenas fluírem!
- Que certezas são essas? E como é que posso dar-te?
- Queres mesmo namorar comigo? Ou só queres alguém com quem possas passar bons momentos? Ruben, entende que contigo não consigo ser só a Mari que gosta de sexo...
- Mariana só te peço uma oportunidade para que consiga provar-te que quero mesmo que as cenas resultem - aproximei-me mais dela - quanto a conseguir ou não lidar com o teu passado isso nem se coloca em causa até porque também tive o meu... - não me deixou continuar.
- Pois tiveste e nesse passado assumiste uma relação com a Ana... - interrompi-a.
- Isso são ciúmes?
- E se for? - sorri ao vê-la talvez pela primeira vez ligeiramente envergonhada.
- Não tens motivos nenhuns para teres ciúmes - puxei-a para mim e acabamos sentados na cama - a minha história com a Ana terminou há mais de dois anos...
- Mas pelo que vejo para ela as cenas não estão completamente acabadas!
- Mariana isso é problema dela - olhou-me - quando a Ana começou com a conversa de querer casar sempre lhe disse que não estava nos meus planos, que ainda éramos demasiados novos para isso, no entanto chegamos a viver juntos - a Mariana esbogalhou os olhos perante a revelação - e talvez tenha sido mesmo por isso que acabei tudo - olhava-me atentamente - foi só depois de partilharmos casa que percebi que não era com a Ana que queria passar o resto dos meus dias, com o tempo fui percebendo que o que sentia por ela era um enorme carinho e talvez desejo mas o amor não existia, pelo menos da minha parte, foi isso que lhe disse no dia que coloquei um ponto final no namoro.
Ao início não foi fácil para ela aceitar isso e se queres saber nem para os nossos amigos, o pessoal ficou do lado dela mas com o passar dos meses e quando a Ana finalmente percebeu que não seriamos felizes um com o outro as cenas acalmaram, desde essa altura que fizemos todos uma espécie de juramento, prometemos que este assunto morreria ali mesmo, que não iríamos tocar mais nele, desde esse dia e até ao teu regresso nunca mais falamos sobre o meu namoro com a Ana, ela nunca demonstrou o seu desagrado perante as “amigas” que fui arranjando para passar o tempo mas contigo foi diferente, talvez por saber que és a única pessoa de quem gosto - vi um sorriso tímido aparecer no rosto da Mari - quanto a não ter assumido que estávamos juntos quando a Ana perguntou já te expliquei, nós ainda não tínhamos definido a nossa relação, não sabia se querias mesmo assumir perante os nossos amigos e família por isso neguei, não quis levantar um problema quando à partida não sabia o que querias fazer, Mariana no fundo só quis evitar uma confusão de maior quando sabia que não estavas preparada para a enfrentar.
- Porquê que achas que não estava preparada para enfrentar essa “confusão”?
- Pelo mesmo motivo que continuas a não estar preparada - franziu a testa o que levou-me a sorrir - Mariana estás disposta a ver a tua vida a ser falada? A deixares de ter privacidade? A saíres à noite e sentires-te observada? A estares rodeada de amigos do sexo oposto e no dia seguinte ouvires comentários menos próprios só porque tens um passado algo intenso? Já para não falar nas nossas famílias que quando souberem não nos vão deixar em paz, falo pela minha mãe que sempre nos quis ver juntos, ela quando tiver a certeza que namoramos acho que faz a festa do século - a Mariana gargalhou - já para não dizer que no momento que confirmarmos à Ana que namoramos o nosso grupo vai sofrer...
- Tudo bem... lá sabes o que é mais importante... se achas que o bem do grupo está acima de nós... dizes tudo!
A Mariana saiu do meu colo e consequentemente do quarto, fui atrás dela e quando entramos na cozinha já lá estava o Fábio, a Ana e o outro.
- Mariana... - aproximei-me dela que estava a fingir que barrava uma das tostas com doce de morango - Mariana - voltei a chamar e mais uma vez voltei a ser ignorado por ela - ok se é assim que queres é assim que vai ser - sussurrei-lhe ao ouvido antes de voltar-me para os presentes com vontade em esclarecer que namoro com ela mas no momento que o ia a fazer a Maria entrou acompanhada pelo João e daí em diante gerou-se um bate boca que culminou com a Maria a revelar o porquê que não suporta o Pedro, ainda assim a Ana não quis saber e tentou mesmo criar mau ambiente no entanto não conseguiu uma vez que o Fábio interviu ao pedir para irmos até à praia.
- Posso deitar-me ao teu lado? - perguntei quando chegamos à praia e no momento que a malta estendia as toalhas.
- Oh Ruben - olhei para o Pedro - se perguntares se podes saltar-lhe para cima de certeza que aceita - sorriu cinicamente - agora se for só para ficares ao seu lado arriscas ouvir um não!
Teria respondido mas a Mariana reagiu de uma forma que não esperava, afinal não é nada dela fugir aos confrontos mas o certo é que levantou-se da toalha e caminhou até ao mar, mergulhando de imediato, algo que também acabei por fazer juntando-me a ela.
- Continuas amuada comigo? - perguntei assim que parou de fingir que nadava.
- Não estou amuada... estou desiludida! - atirou.
- Queres assumir? Se é isso diz com as letras todas porque garanto que não o faço se não pedires - olhou-me - Mariana não tenho qualquer problema em chegar ali e confirmar as suspeitas deles mas se o fizer garanto que não será só para o nosso grupo, se o fizer será para os nossos amigos, família e para os desconhecidos! Estou farto de andar constantemente atrás de ti só porque não falas com as letras todas o que queres e que por causa disso nunca sei como hei-de reagir!
- Sabes... há um ditado antigo que diz... quem não arrisca não petisca!
A Mariana não deu tempo para dizer mais nada simplesmente saiu do mar, deitando-se na sua toalha, segui-a e só voltamos a trocar algumas palavras quando o pessoal nos desafiou para um jogo, lógico que foi para chorar a rir e de dor afinal a Mari tem tanto jeito para jogar com os pés como tem com as mãos, resumindo é um perigo quer com um comando nas mãos quer com uma bola nos pés e prova disso foi as nossas canelas que sofreram até não aguentarmos mais e resolvermos acabar com o jogo.

Mariana

As primeiras horas em Faro revelaram-se o oposto do que tinha imaginado para as nossas férias, afinal é cada vez mais frequente aborrecer-me com o Ruben e isso mexe demasiado comigo, talvez porque cada vez menos me reconheço, a Mariana de há uns meses não era assim, não ficava melindrada à primeira contrariedade e muito menos o demonstrava mas a verdade é que o Ruben exerce um poder estranho sobre mim e que faz com que reaja intempestivamente.
Passei a manhã toda amuada com ele mas com o passar das horas fui esquecendo e no momento do almoço já estava novamente bem, tanto que quando a Maria pediu para o Sr. do restaurante nos tirar uma foto sentei-me no colo do Ruben sem pensar duas vezes no entanto notei alguma surpresa nos rostos dos nossos amigos.
Lógico que a foto depressa foi parar ao facebook da Maria que teve direito a uma boca da minha parte ao ver o comentário que fez à mesma, o pessoal quis ver e por isso o meu telemóvel andou a circular de mãos em mãos acabando nas do Ruben, não me importei e nem liguei à demora dele em devolvê-lo, só mesmo quando a minha prima perguntou desde quando é que deixo outros comentarem fotos com o meu face é que percebi que tinha feito alguma, tentei ver mas fui elucidada de imediato pelo Ruben quando se manifestou e afirmou que não era qualquer um mas sim o meu namorado, estava a comer uma fatia de pão com manteiga o que fez com que me engasgasse perante a afirmação dele, o Ruben não se preocupou minimamente com o facto de termos duas pessoas estranhas ao grupo e muito menos teve qualquer cuidado em revelar tal novidade, fê-lo como se fosse algo normalíssimo mas que apanhou todos de surpresas, os que já sabiam e tinham a certeza e aqueles que apenas desconfiavam, no entanto o assunto morreu ali com a chegada do nosso almoço.
Estávamos a partilhar talvez o momento mais pacato desde a nossa chegada a Faro quando de um momento para o outro percebemos que a conversa que a minha prima mantinha com o João atingia contornos menos próprios e que terminou com a saída da Maria da mesa.
- Oh João o que é falaste que deixaste a Maria com os cabelos em pé? - perguntei de imediato.
- Se queres saber pergunta-lhe! - ripostou.
- Olha e é mesmo isso que vou fazer! - falei já a levantar-me e quando preparava-me para ir ter com a minha prima fui travada pelo Ruben que agarrou-me o braço - o que foi?
- Onde vais?
- Ter com a Maria... boa?
- Até podes ir mas... - sorriu-me - só te deixo ir quando receber um beijo teu - fiquei estática a olhá-lo e talvez por isso o Ruben puxou-me para o seu colo, unindo as nossas bocas, aquilo foi suficiente para esquecer por momentos que a minha prima estava a precisar de mim e entreguei-me completamente ao momento que só foi interrompido quando precisamos de ar - nunca duvides que gosto de ti! - falou com o seu olhar preso no meu e com uma segurança enorme - e agora vai lá acalmar a fera que já deu para ver que este daqui - deu um calduço ao João que se mantinha ao nosso lado e a observar toda a cena impávido e sereno - fez porcaria da grossa!
O João ainda tentou defender-se mas ficou mesmo a falar sozinho uma vez que voltei a unir os meus lábios aos do Ruben e de seguida fui ter com a minha prima. Como esperava encontrei-a completamente “perdida” nos seus pensamentos daí não ter sido complicado adivinhar que estava a sentir-se egoísta, algo que acabei por confirmar na curta conversa que tivemos, ouvi-a e pedi-lhe que falasse com o João mas com calma para que conseguissem resolver a situação.
A Maria acabou por concordar comigo e antes de regressarmos para junto do pessoal teve que mandar uma boca sobre o Ruben, boca essa que foi o rastilho para mais uma brincadeira nossa que durou até chegarmos à mesa ou não fossemos ter passado o caminho todo a mandar areia e a fugir uma da outra mas a sua última bola acabou nas costas do João porque refugiei-me atrás do Ruben, algo que ele aproveitou para agarrar-me.
- Estamos muito animadas... - comentou comigo depois de ter-me sentado ao seu colo e ao ver a brincadeira que o João tinha iniciado com a Maria que os levou a saírem da mesa.
- É né... e a culpa é de um menino - sorriu - que resolveu colocar os pontos nos i’s!
- Espero que agora não fujas mais! - falou já com o seu rosto demasiado perto do meu - Mariana sempre te quis e agora que finalmente vejo o meu maior desejo realizado não tenciono perder-te novamente!
- Hey... oh vocês aí... - olhamos para o Fábio - deixem as lamechices para depois... - gargalhamos perante o ar de indignado do nosso amigo.
- Oh Fabinho... estas com ciúmes é? - meti-me com o nosso amigo e sem esperar ouvi uma revelação do passado que só podia ser feita por nós os dois, uma vez que nem a Maria tinha conhecimento de tal coisa.
- Mariana sinto muita coisa por ti mas ciúmes não é de certeza uma delas, porque isso pressupõe que exista qualquer sentimento para além da amizade e ambos sabemos que esse nunca existiu... é verdade que nos envolvemos no passado e nunca o escondemos mas não passou de uma cena física, talvez por isso tenha resultado tão bem... rapariga sempre soube que o Ruben era o dono do teu coração, ainda não tinhas percebido isso e já eu sabia, a forma como falavas dele sempre que estávamos a sós, as vezes todas durante os anos que estiveste aqui e que perguntaste como ele estava, aquela tua ida a Lisboa uns meses depois de aqui estares não foi mais do que para o veres - olhei para o Ruben e vi que se encontrava estático a ouvir - infelizmente escolheste mal o dia e foste dar com ele a curtir com outra, sim Ruben tiveste tanto tempo sossegado no teu canto e quando finalmente a Mariana ganhou coragem para ir até Lisboa resolver as cenas encontrou-te na “boa vida” quando andei meses e meses a dizer-lhe que estavas na lama!
- Isto é verdade? - olhei para o Ruben - Tu foste mesmo a Lisboa?
- Fui! Mas encontrei-te aparentemente feliz e não tive coragem para aproximar-me, fugi e regressei a Faro, foi depois disso que resolvi seguir com a minha vida mas nunca te esqueci, o Fábio ao longo destes anos sempre disse como estavas no entanto ocultou-me a história com a Ana - desviei o olhar do Ruben e incidiu no Fábio - posso saber porquê?
- Sinceramente? - olhou para nós antes de responder - Mariana nunca tive grande fé no namoro deles, aliás o Ruben deve-se lembrar do que lhe disse mais que uma vez ao início - olhei para o Ruben.
- Ele por diversas vezes disse-me que andava iludido mas nunca fiz caso e depois terminou da forma que já sabes!
- Pois... vocês são os dois teimosos e orgulhosos mas espero sinceramente que agora atinem porque gostam um do outro tal como aqueles dois que estão ali no areal... - olhamos e vimos o João e a Maria a falarem - sim que aqueles são outros dois...
- Estás enganado... Fábio ao contrário de mim a Maria não andou a perguntar pelo João durante os anos que teve aqui!
- Pois não... mas não é por isso que não gostava dele... ela só conseguiu foi disfarçar melhor... o pior é que escolheu um canalha para o fazer!
- Fábio vamos esquecer isso! Estava presente e sei bem o que vi mas principalmente o que senti e garanto que se o assunto tornar-se frequente que ainda lhe vou às trombas, aquele nem o ar que respira merece quanto mais partilhá-lo connosco!
- Pois... mas parece que vamos ter que levar com ele - o Ruben falou ao ver a Ana a aproximar-se com ele - juro que não entendo o que a Ana viu nele.
- Isso é simples... viu uma forma de atingir-nos porque já percebeu que atingindo a Maria consegue atingir-nos a nós!
Os rapazes concordaram comigo e mudamos mesmo de assunto para que os outros dois não percebessem que estávamos a falar deles. Os minutos seguintes foram dedicados ao Ruben uma vez que resolvi pegar no gelado que tinha escolhido para sobremesa e arrasta-lo comigo para um passeio a dois, ter que partilhar o mesmo ar que o Pedro estava a dar-me voltas ao estômago e além disso queria ficar uns minutos a sós com o Ruben.

Como irá correr estes minutos? E agora que a Ana já tem a confirmação que eles namoram como irá reagir?

10 comentários:

  1. Amei!
    Continuem.
    Quero saber o que é que eles vão aprontar a seguir.
    lol
    Beijinhos

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  2. Olá
    "Novidade" do dia-ADOREIIIIIIIII!!!!!!
    Eu quero mais!
    E bem rápido ;)
    Continuem.
    Beijinhos
    Rita

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  3. Adorei... estou a espera do proximo...
    continua estas maravilhosa estas historia...
    Bjs

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  4. Olá meninas :D
    Amei o capítulo é claro!
    Quero mais :p
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  5. Awn, que liiiiindo. Estou apaixonada por esses dois *-* Continuem, pfvr haha :P
    Beijinhos.

    GabiiS.

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  6. Uh! Estou para ver o próximo!
    Cá pra mim vai ser para rebentar com tudo!
    Quando vao postar?
    Beijinhos*

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  7. Que capitulo lindo e cheio de emoções!
    Postem rápidooo por favor! (:

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  8. Aleluia! Até que enfim que estes dois se assumem, mas tava difícil. Tive pena do desgraçado do Fábio, esta história de servir de vela é lixado, já uma pessoa não pode passar uma noite descansada.
    Adorei, mas este Pedro é bom que desapareça e leve a Ana com ele, porque agora que eles se assumiram ela ainda vai destilar mais veneno.
    Beijocas

    Fernanda

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