Maria
- A Bea… a Bea…
está no hospital…
- Mãe fica com o
menino… - o João falou e quando o voltei a
sentir foi ao puxar-me pela mão - anda vou contigo…
- Não deixa, vou
sozinha… não precisas…
- Maria!
- Ok ok…
Entrei no carro dele e ao contrário do
normal achei que ele conduzia muito devagar o que aproveitei para lhe dizer
- Porra tu tás a
fazer de propósito só pode! Andas sempre a assapar hoje mais devagar só se
andasses para trás!!!
- Maria eu já
passei o excesso de velocidade há muito tempo… estamos já a chegar
Olhei pela janela e vi a entrada do
hospital nem esperei que o João estacionasse e numa pequena paragem para que
outro carro acabasse a manobra sai do carro sem que ele tivesse tempo para
algo, corri para a recepção identifiquei-me e já esperava pela Paula quando
- Tu tás maluca?!
Viste como saíste do carro? E se eu tivesse arrancado? - olhei-o - Pronto
ok desculpa… mas no teu estado tu não podes estar nesse stress… não podes… -
voltei a olha-lo e sei que se fosse fisicamente possível tinha-o fuzilado
- Eu não tenho
nenhum estado quem tem é a Bea!
- Maria…
- Ah Maria… - a Paula interrompeu-o e ainda bem - Maria… - ela escolhia as palavras… - Maria desta vez a coisa está mesmo feia…
desculpa a franqueza, mas sei que podemos meter os nomes nos bois sei que tanto
tu como a Bea assim o preferem e por isso é o que vou fazer…
- Por favor Paula
para de rodeios… fala!!!
- A Bea está….
bem ela está com uma infecção respiratória… e bem nós já falamos sobre os
riscos de uma qualquer infecção na condição dela…
- Posso vê-la?
- Podes... ela
pediu que fosse vê-la...
- E o Gustavo? - ouvi o João questionar e só então percebi que
não sabia dele o meu desespero deve ter sido bem visível já que
- Calma Maria...
ele veio com a Beatriz e agora está na zona Lúdica de pediatria, está
acompanhado...
- Então vamos?
A Paula levou-me ao quarto da Bea e asas
que entrei encontrei-a entubada e com mascara de oxigénio. Ela fez um esforço
para sorrir e a Paula deixou-nos sozinhas. Ficamos muito tempo só. A olhar uma
para a outra acho que ambas tínhamos medo de falar, mas ela acabou por tomar a
iniciativa.
- Maria... desta
vez não me safo
- Tás parva?! Nem
Brinques...
- Maria foste a
melhor amiga que podia ter tido nesta situação fizeste tudo o que podias... e
nem mesmo com a tua vida do avesso deixaste que me faltasse nada...
- Bea pára!
- Maria eu
preciso falar e não posso muito porque canso... - calei-me - agora
que vou deixar de ser um dos teus problemas por favor amiga sê feliz... deixa
aquele porco do Pedro... não digo que voltes para o João apesar de saber que só
ele te fez e te fará feliz, mas larga o Pedro, conversa com a Mari e sê feliz
por nós duas... - não controlava as lágrima e quando a Bea depois de
recuperar o fôlego ia voltar a falar somos interrompidas
- Dona Beatriz
aqui está o Advogado como pediu... e eu e os meus colegas para gravarmos e
testemunharmos - um enfermeiro
entrou seguido de um indivíduo de fato e de mais colegas, vindo de máquina de
filmar na mão.
- Maria
importaste de sair?
- Mas isto é o
quê??
- Na altura certa
saberás... agora dá-me cá um abraço e um beijo...
Fiz o que me pediu e senti-me
esquisita... uma sensação de perda enorme e quando nos separamos sai do quarto
e fui até onde estava o Gustavo e já o encontrei acompanhado pelo João que
brincava com ele com os jogos que
existiam no espaço. Observei-os por uns minutos até que o João deu pela minha
presença.
- Então como ela
está?
- Mal… - comecei a chorar compulsivamente e o João
acabou por me acolher nos seus braços…
- Vais ver que é
só mais um susto…
- Ela falou… ela
estava com uma conversa… ela… ela despediu-se João!
- Despediu-se?
- Sim! Disse-me
que estava mal, que desta não se safa… agradeceu o que fiz por ela e deu-me nas
orelhas… no fundo disse tudo o que me precisava dizer… Eu tenho medo!!! Eu
quero ficar ao lado dela!
- Mas porque é
que saíste?
- Porque chegaram
lá com um advogado e com alguns enfermeiros… parece que foi a Bea que pediu… e
iam filmar…
- Filmar?!
- Sim ela disse
que saberia o que se trata assim que fosse para saber…
João
Este Natal foi uma turbilhão, a Maria
está um caco e esta gravidez… mesmo ela não querendo aceitar é óbvia está a
deixa-la ainda mais sensível. Pensava que tinha conseguido acalma-la, mas a
noticia do internamento da Bea descontrolou-a completamente, depois de ver a
Bea e de me contar o que se passava ou o que sabia a Maria sentou-se numa das
cadeiras da sala de espera e de um momento para o outro pareceu que tinha
abandonado ali o corpo, não fazia ideia do que sentia o seu ar era de completo
alheamento da realidade estava assustado e ia tentar trazê-la de volta quando a
Paula, médica da Bea se aproxima,
- João certo?
- Sim
- A Bea pediu que
o chamasse…
- A mim?
- Sim…
Segui a Dra. e quando entrei no quarto
percebi o medo da Maria, ver a Bea toda entubada não era fácil
- João… chega-te
aqui bem perto… não consigo falar muito nem muito alto e preciso que oiças bem… - aproximei-me dela, ficando mesmo na sua
cabeceira, puxei uma cadeira e sentei-me - Obrigada
- olhei-a admirado - por estares aqui… e
por estares aqui com a Maria… eu sei… eu vi nos olhos dela que está com medo…
mas eu avisei-a… eu sabia que este momento ia chegar… eu já sabia… mas ela não
quis ouvir… sabes como ela é quando mete uma coisa na cabeça… - acabamos
por sorrir os dois - sei que não nos
conhecemos muitos bem, mas precisava de te pedir uma coisa, eu sei que é
meter-me onde não devo, mas a Maria teve presente nos momentos mais difíceis da
minha vida, a morte dos meus pais e agora… - a Bea pela primeira vez
deixava as lágrimas escorrerem-lhe pela face - desculpa chorar, mas… - parou engoliu em seco e continuou - João eu sei que acaba tudo aqui, mas também
sei… tal como tu o motivo dos enjoos da Maria…
- Bea...
- Eu sei que o
que te vou pedir é difícil, mas por favor não a deixes sozinha, mesmo que ela
se enfie no trabalho e se feche em casa que é o que vai fazer, não a deixes…
ela sozinha não vai aguentar…
- Bea…
- João aquele
bebe é do outro… mas nós sabemos que o outro só apareceu pelo medo dela, não
sabemos?
- Sabemos… mas eu
não posso lutar contra isso… e também já não tenho muita força… eu nunca vou
deixa-la sozinha, mas também só irei até onde me deixar…
- Prometes?
- Prometo!
- Posso pedir-te
só mais uma coisa?
- Claro…
- O Gustavo…
- Ele vai ficar
bem
- Obrig… - a Bea não acabou de falar e eu entrei em pânico.
Chamei de imediato a enfermeira que assim
que entrou
- Saia por favor
- Mas…
- A Dra. Paula já
dará informações…
Deixei o quarto e segui para a sala de
espera onde a Maria se mantinha no mesmo estado e eu confesso que me estava a
assustar bastante, acabei por ligar para a única pessoa que estaria por perto e
me poderia ajudar e minutos depois tinha a Ana ao pé de mim
- Então?
- Está assim… há
mais de uma hora… tentei falar com ela mas não responde e de vez em quando
ri-se sozinha…
- Ela está em
choque… e deve estar a reviver alguns momentos com a Bea, é uma forma de fugir
da realidade… e a Bea…
- Olá Ana! - a Dra. Paula aproximava-se finalmente de nós - ainda bem que aqui está! -
cumprimentaram-se - A situação é
complicada, a Maria? - olhamos na direcção em que ela se encontrava e a Dra.
Paula suspirou - Ok tal como temia ela
também já percebeu o que se está a passar, a infecção da Bea está fora do
controlo e o que aconteceu quando falava com o João foi uma perda de sentidos,
mas infelizmente ainda não recuperou… tivemos de ligar os ventiladores e agora
os sinais vitais estão estáveis mas muito fracos…
- Isso quer dizer
que…
- Ana optamos por
ligar as maquinas, mas não sei se será por muito tempo nem se terão algum
efeito… e… bem a Bea assinou a documentação dizendo que não quer passar mais do
que 48h nestas circunstâncias, por isso… bem é uma questão de esperar-mos e
rezar-mos para que ela reaja… quanto à Maria… nós temos Psicólogos…
- Não é
necessário obrigado - interrompi e a
Ana olhou-me - a Maria já é seguida por
um, amanhã trato de entrar em contacto…
A Paula afastou-se
- A Maria é
acompanhada?! E tu sabes? O que é que eu perdi?
- Ana… a sério…
não me faças contar algo que não posso… ela… ela é acompanhada e eu tenho o
contacto e trato disso… faz-me só o favor de a chamar á terra porque não
consigo vê-la assim…. eu vou ver o Gustavo…
Maria
Depois de falar com o João senti a
necessidade de me sentar, estava cansada, parecia que tinha sido atropelada por
uma manada, sentei-me na sala de espera e nesse momento todos os momentos que
tinha vivido com a Bea me passaram pela cabeça, parecia um filme, desde que nos
conhecemos, os momentos na tuna, as noitadas de folia e de estudo, o
afastamento, o reencontro e o agora. Quando cheguei ao agora senti-me mirrar
não podia ser ela não podia estar ali… senti a cara molhada e uns braços a
rodearem-me e minutos depois
- Amiga calma… - a voz da Ana suou suave nos meus ouvidos - Maria já sabíamos que podia acontecer algo
assim… mas vamos ter calma e fé sim? - deu-me um beijo na bochecha - além disso no teu estado este stress todo
faz-te mal
- Mas qual
estado? - gritei
- Maria sou
médica… ginecologista…
- E deves ter
fumado qualquer coisa estranha!
- Os enjoos e o
maus feitio…
- Stress e
cansaço já ouviste falar?!! Foi a abertura da loja e o estado da Bea… achas que
não é suficiente??
- Se tu dizes…
- O João?
- Foi ver o
Gustavo…
- A Bea?
- A Dra. Paula já
veio dizer que o que aconteceu quando o João estava lá dentro…
- O João esteve
lá dentro porquê?!
- Maria não deste
por nada??
- Não…
- A Bea pediu
para falar com ele e quando o estava a fazer… - a Ana escolhia as palavras - bem ela perdeu os sentidos… a coisa foi
séria e tiveram de lhe ligar o ventilador e tudo o resto… e agora… bem os
sinais são fracos…
- Não brinques!!!
- Maria não estou
a brincar ela está inconsciente
- Mas recupera
não é? Há quem recupere anos depois… e assim pode ser que ganhe tempo para
encontrar dador, aqui assim protegida…
- Maria… a Bea…
amiga...nada disso que dizes infelizmente funciona assim e… a Bea não vai ficar
anos assim porque…
- Porque?
- Ela assinou…
- Não, não
assinou eu disse-lhe que não assinasse!
- Maria… é a vida
dela e ela escolheu!
- Mas… Ana…
- Chora amiga…
chora…
- A Bea é tudo o
que eu tenho…
- Maria… e eu? o
Fábio? a Micas? o Rui? Já para não falar no João, no Ruben e na tua prima!
- Vocês… eu a
vocês perdi-os… eu sei que tenho feito muita merda…
- Maria nem
penses! Podes ter-nos obrigado a afastar, mas perder não perdeste… estamos aqui
não estamos?
- A minha prima
não…
- Ela não sabe…
preferimos que ela chegue e depois falamos com ela, nos estado dela…
- Mesmo assim… no
Natal… Ana eu levei-lhe os figos que ela tinha desejo! Desejo Ana! Eu voltei
atrás quando já ia a caminho para lhe levar e ela nem um ai me disse e u Ruben…
bem o Ruben, mais-valia nem me ter dito nada, que para me deixar mal eu sozinha
chego não preciso de ninguém a bater na ceguinha… e olha que era Natal, paz
amor e essas tangas todas….
- Ele disse
alguma mentira?
- Não…
- Então agradece!
Agradece que ele te tenha dito e vê se percebes que se o disse foi porque gosta
muito de ti, gosta tanto que em vez de pura e simplesmente te cortar da vida
dele te chamou um bocadinho à razão…
- Tou tão
cansada… - falei, as emoções estavam a deixar-me
completamente de rastos
- Vamos, eu
levo-te a casa… - ouvi a voz do
João que estava já sentado ao meu lado bem como o Fábio -
- Não quero sair
daqui, não posso deixa-la sozinha… o que ela queria contigo?
- era comigo… foi
uma conversa nossa…
- João!
- Não tenho medo
da tua cara feia! Anda vamos… levo-te a casa e descansas e amanhã de manhã
voltamos…
- Eu
não saio daqui! Aquela louca assinou os malditos papéis por isso ela tem mesmo
de acordar!! Eu tenho de cá estar!!!
- Maria!
- Nem Maria nem
meio Maria… Fábio eu não a vou deixar sozinha!!
- Então pelo
menos encosta-te aqui! - o João bateu
com a mão no peito - descansa…
E eu não tive força para contrariar o
desejo de o fazer e foi com o compasso do seu coração nos meus ouvidos que
consegui relaxar e adormecer…
João
A Maria finalmente adormeceu
- Ana - falei baixo
- o que achas que vai acontecer? A sério?
- Ai João não
sei, mas num caso destes e com a Beatriz a assinar o tal papel…
- Já percebi!
- Já falaram com
a Mari e com o Ruben?
- Não… a Maria
acho que nem se lembrou e eu sinceramente tenho medo…
- Mas temos de
contar…
- Olha Fábio até
ai já cheguei!
- Não precisas de
ser parvo!
- Clama meninos
calma… realmente tem que se dizer com cuidado… falar com a Mariana de forma
tranquila…
- Eu ligo ao
Ruben…
- Olá Paixão! Que saudades tuas meu amor!
- o Ruben falava em tom de gozo e ouvi a
Mariana gargalhar e mandar uma boca qualquer sobre o Rodrigo
- Ruben a conversa é séria!
- Tás grávido!
- Vai-te…
- Eish esse mau humor é tudo falta é?
- Mas qual foi a parte de “a conversa é
séria!” que não percebeste?!
- Ok ok fala
- A Bea está em coma… ligada às máquinas
- Tá nada ela saiu com a Maria de manhã e
ia ligeiramente constipada mas bem
- O ligeiramente constipada era uma
infecção respiratória… ela piorou veio para o hospital e de cá ligaram para a
Maria viemos logo
- Viemos?! Estavam juntos é? Muito me
contas…
- Sim viemos, sim estávamos juntos, não
não é nada do que tás para ai a pensar… seja como for a Bea assinou uns papéis
que se caso isto acontecesse se ela não recuperar em 48h desligam tudo…
- Tás a querer dizer que…
- Que não sei como queres dizer á Mari…
- Eu? Dizer?
- Queres que seja eu?? - confesso que fiquei em pânico com a ideia
- Não… tu és um cavalo ainda era pior
- Tás ai com quem?
- Com a Maria, a Ana e o Fábio
- A Ana!!! É ela que vai dizer!!
- Mas esse namoro tá demorado hã? Tão a
dar uma pelo telefone é?? - ouvi a Mariana
- Vamos ai ter então… ainda vamos a
caminho de Lisboa…
- Ok… - desliguei - Aninhas….
- Já percebi… eu
falo com ela, mas na presença de todos…
- Todos não! A
Maria não tem condições de assistir… a Maria não ia aguentar ver a prima frágil…
não depois do que aconteceu no dia do nascimento do Bruno…
- É tens razão…
O resto da noite passou lentamente os
ponteiros do relógio demoravam a mexer-se, o Ruben e a Mari chegaram, deixei a
Maria sozinha a dormir no banco da sala de espera de onde se recusou a sair. Ao
contrário do que esperava a Mariana não reagiu muito mal, ficou mexida como é óbvio,
mas confessou que já se andava a preparar para a notícia mais dia, menos dia
chegar.
- João como está
a minha prima? - olhei-a
- Como vês a
dormir…
- Deixa-te de
ironias…
- Mariana ela tá
ali a dormir no banco, não quer sair daqui por nada… nem pelo Bruninho quis
sair como achas que está?
- Não sei qual é
o teu problema comigo, mas se quiseres responder respondes se não deixas de
falsos moralismos! Sim que ela não tem tido uma atitude muito normal, mas tu
tens a tua culpa…
- Mariana sabes
que a conversa da defensora da tua prima quando nem um obrigada pelo presente
de natal lhe foste capaz de dizer… te tira um bocado a moral… mas se estás tão
interessada a tua prima está feita num caco e não é só pelo estado da Bea,
aliás esse é só a gota de água no copo a transbordar… a tua prima anda
completamente a perdida… porque por completamente alucinada que sempre tenhas
sido sempre foste a bússola dela e agora? Agora anda passo a passo a encontrar
o caminho dela… e não sei se te interessa mas já deu valentes quedas e se
enfiou por becos sem saída, mas tem tido na Bea um enorme apoio… um mapa que a
ajudou a encontrar sempre as saídas… por isso percebo que grávida te relembres
mais ainda do que aconteceu no dia do nascimento do teu afilhado, mas não te
esqueças que se a Maria errou foi por querer estar ao teu lado e por querer
proteger-te! E sim já sei que sou um canalha do pior e que não tenho moral
nenhuma para falar, mas tu perguntaste e insististe por uma resposta por isso
aqui a tens e… se não tiveres nada de minimamente simpático para dizeres á tua
prima não te aproximes dela, nem do seu raio de visão porque mal já ela está
não precisa de se sentir humilhada… sim foi assim que a tua prima se sentiu no
natal humilhada… em nome dela muito obrigado!
Acabei de falar e sai da sala fui até à
zona da pediatria onde o Gustavo dormia num quartinho que me explicaram ser
para os enfermeiros de serviço. Deixei-o descansar e procurei a Dra. Paula
- Queria falar
comigo João?
- A Beatriz…
- O estado dela
está inalterado…
- Não era isso… a
Maria falou-me num vídeo que ela terá feito…
- Sim ela gravou
algumas coisas que queria… o vídeo está em meu poder… mas só a ele terão acesso
quem e quando ela autorizou…
- Não me pode só
adiantar do que se trata?
- João lamento,
mas…
- Ok desculpe…
Passei pela sala de espera e a Maria
continuava a dormir, afastei-me e
- João… - olhei e vi o Ruben
- Se me vens
encher os ouvidos pelo que disse à Mariana podes parar não sou de ferro nem
nenhum boneco… e não ando aqui a apanhar bonés….
- Não ia dizer
nada… também disse o que sentia à Maria acho que é bom fazer fica tudo em
pratos limpos… vinha só perguntar pelo meu afilhado…
- Ficou em casa
dos meus pais… era lá que estávamos… Ruben tou preocupado com ela… - olhei para a Maria e vi a Mariana a
aproximar-se - não deixes Ruben…
- Elas precisam…
- A Maria não vai
aguentar!
Mariana
Por ordem minha tínhamos parado numa área
de serviço para esticar as pernas e também por questões fisiológicas quando o
João ligou ao Ruben, num primeiro instante julguei tratar-se de mais um momento
de brincadeira mas assim que o Ruben se afastou ligeiramente e que a sua
expressão facial mudou percebi que algo se passava, ainda assim acabei por mandar
nova piada mas que não teve resposta.
- Vamos?
- Sim... - olhei-o por uns minutos - o que se passa?
- A Bea está
internada...
- É grave?
- Ainda não se
sabe...
Algo no seu tom de voz fez-me temer o
pior e ter a certeza que estava a ocultar algo, ainda assim resolvi não
insistir.
Estava perdida em pensamentos, a recordar
tudo o que vive e partilhei com a Bea quando sinto o Ruben a agarrar-me a mão,
despertei para a realidade e ao olha-lo
- Não queres ir
ainda mais depressa? A Bea já está a morrer não preciso morrer também!
O Ruben não respondeu mas levantou o pé
do acelerador.
***
Deixamos o Filipe com a Anabela e
seguimos para o hospital. Assim que entramos na sala de espera foi impossível
não reparar na Maria que dormia.
- Amiga... - a Ana aproximou-se
- É muito grave? - fui directa
- Sim... - a Ana explicou o que se passava com a saúde da
Bea
- Ela recupera! - tentei ser optimista mas
- Amiga a Bea
assinou os papéis e se não houver melhoras dentro de 48h... - interrompi
- Já entendi... - suspirei pesadamente
- Estás bem? - o meu amor falou
- Sim... triste
mas no fundo acho que nestas últimas semanas fui-me mentalizando para este
momento - olharam-me como se tivesse falado
algum disparate - que foi? Será que fui
a única a perceber que a Bea estava a piorar? Ruben ontem estava mesmo muito em
baixo...
O meu amor não respondeu, simplesmente
tentou reconfortar-me. Acabei por perguntar ao João pela Maria e assim que o fiz
ouvi uma reprimenda enorme, sei que o João tem a sua razão até porque na
verdade todos erramos e todos temos culpa, ninguém é santo e por isso é que
aproximei-me da minha prima na primeira oportunidade que tive...
Como reagirá a Maria à presença da Mariana?
E a Bea terá melhoras?
