terça-feira, 29 de julho de 2014

162 - "Maria não deste por nada??"

Maria
- A Bea… a Bea… está no hospital…
- Mãe fica com o menino… - o João falou e quando o voltei a sentir foi ao puxar-me pela mão - anda vou contigo…
- Não deixa, vou sozinha… não precisas…
- Maria!
- Ok ok…
Entrei no carro dele e ao contrário do normal achei que ele conduzia muito devagar o que aproveitei para lhe dizer
- Porra tu tás a fazer de propósito só pode! Andas sempre a assapar hoje mais devagar só se andasses para trás!!!
- Maria eu já passei o excesso de velocidade há muito tempo… estamos já a chegar
Olhei pela janela e vi a entrada do hospital nem esperei que o João estacionasse e numa pequena paragem para que outro carro acabasse a manobra sai do carro sem que ele tivesse tempo para algo, corri para a recepção identifiquei-me e já esperava pela Paula quando
- Tu tás maluca?! Viste como saíste do carro? E se eu tivesse arrancado? - olhei-o - Pronto ok desculpa… mas no teu estado tu não podes estar nesse stress… não podes… - voltei a olha-lo e sei que se fosse fisicamente possível tinha-o fuzilado
- Eu não tenho nenhum estado quem tem é a Bea!
- Maria…
- Ah Maria… - a Paula interrompeu-o e ainda bem - Maria… - ela escolhia as palavras… - Maria desta vez a coisa está mesmo feia… desculpa a franqueza, mas sei que podemos meter os nomes nos bois sei que tanto tu como a Bea assim o preferem e por isso é o que vou fazer…
- Por favor Paula para de rodeios… fala!!!
- A Bea está…. bem ela está com uma infecção respiratória… e bem nós já falamos sobre os riscos de uma qualquer infecção na condição dela…
- Posso vê-la?
- Podes... ela pediu que fosse vê-la...
- E o Gustavo? - ouvi o João questionar e só então percebi que não sabia dele o meu desespero deve ter sido bem visível já que
- Calma Maria... ele veio com a Beatriz e agora está na zona Lúdica de pediatria, está acompanhado...
- Então vamos?
A Paula levou-me ao quarto da Bea e asas que entrei encontrei-a entubada e com mascara de oxigénio. Ela fez um esforço para sorrir e a Paula deixou-nos sozinhas. Ficamos muito tempo só. A olhar uma para a outra acho que ambas tínhamos medo de falar, mas ela acabou por tomar a iniciativa.
- Maria... desta vez não me safo
- Tás parva?! Nem Brinques...
- Maria foste a melhor amiga que podia ter tido nesta situação fizeste tudo o que podias... e nem mesmo com a tua vida do avesso deixaste que me faltasse nada...
- Bea pára!
- Maria eu preciso falar e não posso muito porque canso... - calei-me - agora que vou deixar de ser um dos teus problemas por favor amiga sê feliz... deixa aquele porco do Pedro... não digo que voltes para o João apesar de saber que só ele te fez e te fará feliz, mas larga o Pedro, conversa com a Mari e sê feliz por nós duas... - não controlava as lágrima e quando a Bea depois de recuperar o fôlego ia voltar a falar somos interrompidas
- Dona Beatriz aqui está o Advogado como pediu... e eu e os meus colegas para gravarmos e testemunharmos - um enfermeiro entrou seguido de um indivíduo de fato e de mais colegas, vindo de máquina de filmar na mão.
- Maria importaste de sair?
- Mas isto é o quê??
- Na altura certa saberás... agora dá-me cá um abraço e um beijo...
Fiz o que me pediu e senti-me esquisita... uma sensação de perda enorme e quando nos separamos sai do quarto e fui até onde estava o Gustavo e já o encontrei acompanhado pelo João que brincava com ele com  os jogos que existiam no espaço. Observei-os por uns minutos até que o João deu pela minha presença.
- Então como ela está?
- Mal… - comecei a chorar compulsivamente e o João acabou por me acolher nos seus braços…
- Vais ver que é só mais um susto…
- Ela falou… ela estava com uma conversa… ela… ela despediu-se João!
- Despediu-se?
- Sim! Disse-me que estava mal, que desta não se safa… agradeceu o que fiz por ela e deu-me nas orelhas… no fundo disse tudo o que me precisava dizer… Eu tenho medo!!! Eu quero ficar ao lado dela!
- Mas porque é que saíste?
- Porque chegaram lá com um advogado e com alguns enfermeiros… parece que foi a Bea que pediu… e iam filmar…
- Filmar?!
- Sim ela disse que saberia o que se trata assim que fosse para saber…

João
Este Natal foi uma turbilhão, a Maria está um caco e esta gravidez… mesmo ela não querendo aceitar é óbvia está a deixa-la ainda mais sensível. Pensava que tinha conseguido acalma-la, mas a noticia do internamento da Bea descontrolou-a completamente, depois de ver a Bea e de me contar o que se passava ou o que sabia a Maria sentou-se numa das cadeiras da sala de espera e de um momento para o outro pareceu que tinha abandonado ali o corpo, não fazia ideia do que sentia o seu ar era de completo alheamento da realidade estava assustado e ia tentar trazê-la de volta quando a Paula, médica da Bea se aproxima,
- João certo?
- Sim
- A Bea pediu que o chamasse…
- A mim?
- Sim…
Segui a Dra. e quando entrei no quarto percebi o medo da Maria, ver a Bea toda entubada não era fácil
- João… chega-te aqui bem perto… não consigo falar muito nem muito alto e preciso que oiças bem… - aproximei-me dela, ficando mesmo na sua cabeceira, puxei uma cadeira e sentei-me - Obrigada - olhei-a admirado - por estares aqui… e por estares aqui com a Maria… eu sei… eu vi nos olhos dela que está com medo… mas eu avisei-a… eu sabia que este momento ia chegar… eu já sabia… mas ela não quis ouvir… sabes como ela é quando mete uma coisa na cabeça… - acabamos por sorrir os dois - sei que não nos conhecemos muitos bem, mas precisava de te pedir uma coisa, eu sei que é meter-me onde não devo, mas a Maria teve presente nos momentos mais difíceis da minha vida, a morte dos meus pais e agora… - a Bea pela primeira vez deixava as lágrimas escorrerem-lhe pela face - desculpa chorar, mas… - parou engoliu em seco e continuou - João eu sei que acaba tudo aqui, mas também sei… tal como tu o motivo dos enjoos da Maria…
- Bea...
- Eu sei que o que te vou pedir é difícil, mas por favor não a deixes sozinha, mesmo que ela se enfie no trabalho e se feche em casa que é o que vai fazer, não a deixes… ela sozinha não vai aguentar…
- Bea…
- João aquele bebe é do outro… mas nós sabemos que o outro só apareceu pelo medo dela, não sabemos?
- Sabemos… mas eu não posso lutar contra isso… e também já não tenho muita força… eu nunca vou deixa-la sozinha, mas também só irei até onde me deixar…
- Prometes?
- Prometo!
- Posso pedir-te só mais uma coisa?
- Claro…
- O Gustavo…
- Ele vai ficar bem
- Obrig… - a Bea não acabou de falar e eu entrei em pânico.
Chamei de imediato a enfermeira que assim que entrou
- Saia por favor
- Mas…
- A Dra. Paula já dará informações…
Deixei o quarto e segui para a sala de espera onde a Maria se mantinha no mesmo estado e eu confesso que me estava a assustar bastante, acabei por ligar para a única pessoa que estaria por perto e me poderia ajudar e minutos depois tinha a Ana ao pé de mim
- Então?
- Está assim… há mais de uma hora… tentei falar com ela mas não responde e de vez em quando ri-se sozinha…
- Ela está em choque… e deve estar a reviver alguns momentos com a Bea, é uma forma de fugir da realidade… e a Bea…
- Olá Ana! - a Dra. Paula aproximava-se finalmente de nós - ainda bem que aqui está! - cumprimentaram-se - A situação é complicada, a Maria? - olhamos na direcção em que ela se encontrava e a Dra. Paula suspirou - Ok tal como temia ela também já percebeu o que se está a passar, a infecção da Bea está fora do controlo e o que aconteceu quando falava com o João foi uma perda de sentidos, mas infelizmente ainda não recuperou… tivemos de ligar os ventiladores e agora os sinais vitais estão estáveis mas muito fracos…
- Isso quer dizer que…
- Ana optamos por ligar as maquinas, mas não sei se será por muito tempo nem se terão algum efeito… e… bem a Bea assinou a documentação dizendo que não quer passar mais do que 48h nestas circunstâncias, por isso… bem é uma questão de esperar-mos e rezar-mos para que ela reaja… quanto à Maria… nós temos Psicólogos…
- Não é necessário obrigado - interrompi e a Ana olhou-me - a Maria já é seguida por um, amanhã trato de entrar em contacto…
A Paula afastou-se
- A Maria é acompanhada?! E tu sabes? O que é que eu perdi?
- Ana… a sério… não me faças contar algo que não posso… ela… ela é acompanhada e eu tenho o contacto e trato disso… faz-me só o favor de a chamar á terra porque não consigo vê-la assim…. eu vou ver o Gustavo…

Maria
Depois de falar com o João senti a necessidade de me sentar, estava cansada, parecia que tinha sido atropelada por uma manada, sentei-me na sala de espera e nesse momento todos os momentos que tinha vivido com a Bea me passaram pela cabeça, parecia um filme, desde que nos conhecemos, os momentos na tuna, as noitadas de folia e de estudo, o afastamento, o reencontro e o agora. Quando cheguei ao agora senti-me mirrar não podia ser ela não podia estar ali… senti a cara molhada e uns braços a rodearem-me e minutos depois
- Amiga calma… - a voz da Ana suou suave nos meus ouvidos - Maria já sabíamos que podia acontecer algo assim… mas vamos ter calma e fé sim? - deu-me um beijo na bochecha - além disso no teu estado este stress todo faz-te mal
- Mas qual estado? - gritei
- Maria sou médica… ginecologista…
- E deves ter fumado qualquer coisa estranha!
- Os enjoos e o maus feitio…
- Stress e cansaço já ouviste falar?!! Foi a abertura da loja e o estado da Bea… achas que não é suficiente??
- Se tu dizes…
- O João?
- Foi ver o Gustavo…
- A Bea?
- A Dra. Paula já veio dizer que o que aconteceu quando o João estava lá dentro…
- O João esteve lá dentro porquê?!
- Maria não deste por nada??
- Não…
- A Bea pediu para falar com ele e quando o estava a fazer… - a Ana escolhia as palavras - bem ela perdeu os sentidos… a coisa foi séria e tiveram de lhe ligar o ventilador e tudo o resto… e agora… bem os sinais são fracos…
- Não brinques!!!
- Maria não estou a brincar ela está inconsciente
- Mas recupera não é? Há quem recupere anos depois… e assim pode ser que ganhe tempo para encontrar dador, aqui assim protegida…
- Maria… a Bea… amiga...nada disso que dizes infelizmente funciona assim e… a Bea não vai ficar anos assim porque…
- Porque?
- Ela assinou…
- Não, não assinou eu disse-lhe que não assinasse!
- Maria… é a vida dela e ela escolheu!
- Mas… Ana…
- Chora amiga… chora…
- A Bea é tudo o que eu tenho…
- Maria… e eu? o Fábio? a Micas? o Rui? Já para não falar no João, no Ruben e na tua prima!
- Vocês… eu a vocês perdi-os… eu sei que tenho feito muita merda…
- Maria nem penses! Podes ter-nos obrigado a afastar, mas perder não perdeste… estamos aqui não estamos?
- A minha prima não…
- Ela não sabe… preferimos que ela chegue e depois falamos com ela, nos estado dela…
- Mesmo assim… no Natal… Ana eu levei-lhe os figos que ela tinha desejo! Desejo Ana! Eu voltei atrás quando já ia a caminho para lhe levar e ela nem um ai me disse e u Ruben… bem o Ruben, mais-valia nem me ter dito nada, que para me deixar mal eu sozinha chego não preciso de ninguém a bater na ceguinha… e olha que era Natal, paz amor e essas  tangas todas….
- Ele disse alguma mentira?
- Não…
- Então agradece! Agradece que ele te tenha dito e vê se percebes que se o disse foi porque gosta muito de ti, gosta tanto que em vez de pura e simplesmente te cortar da vida dele te chamou um bocadinho à razão…
- Tou tão cansada… - falei, as emoções estavam a deixar-me completamente de rastos
- Vamos, eu levo-te a casa… - ouvi a voz do João que estava já sentado ao meu lado bem como o Fábio -
- Não quero sair daqui, não posso deixa-la sozinha… o que ela queria contigo?
- era comigo… foi uma conversa nossa…
- João!
- Não tenho medo da tua cara feia! Anda vamos… levo-te a casa e descansas e amanhã de manhã voltamos…
- Eu não saio daqui! Aquela louca assinou os malditos papéis por isso ela tem mesmo de acordar!! Eu tenho de cá estar!!!
- Maria!
- Nem Maria nem meio Maria… Fábio eu não a vou deixar sozinha!!
- Então pelo menos encosta-te aqui! - o João bateu com a mão no peito - descansa…
E eu não tive força para contrariar o desejo de o fazer e foi com o compasso do seu coração nos meus ouvidos que consegui relaxar e adormecer…

João
A Maria finalmente adormeceu
- Ana - falei baixo  -  o que achas que vai acontecer? A sério?
- Ai João não sei, mas num caso destes e com a Beatriz a assinar o tal papel…
- Já percebi!
- Já falaram com a Mari e com o Ruben?
- Não… a Maria acho que nem se lembrou e eu sinceramente tenho medo…
- Mas temos de contar…
- Olha Fábio até ai já cheguei!
- Não precisas de ser parvo!
- Clama meninos calma… realmente tem que se dizer com cuidado… falar com a Mariana de forma tranquila…
- Eu ligo ao Ruben…
- Olá Paixão! Que saudades tuas meu amor! - o Ruben falava em tom de gozo e ouvi a Mariana gargalhar e mandar uma boca qualquer sobre o Rodrigo
- Ruben a conversa é séria!
- Tás grávido!
- Vai-te…
- Eish esse mau humor é tudo falta é?
- Mas qual foi a parte de “a conversa é séria!” que não percebeste?!
- Ok ok fala
- A Bea está em coma… ligada às máquinas
- Tá nada ela saiu com a Maria de manhã e ia ligeiramente constipada mas bem
- O ligeiramente constipada era uma infecção respiratória… ela piorou veio para o hospital e de cá ligaram para a Maria viemos logo
- Viemos?! Estavam juntos é? Muito me contas…
- Sim viemos, sim estávamos juntos, não não é nada do que tás para ai a pensar… seja como for a Bea assinou uns papéis que se caso isto acontecesse se ela não recuperar em 48h desligam tudo…
- Tás a querer dizer que…
- Que não sei como queres dizer á Mari…
- Eu? Dizer?
- Queres que seja eu?? - confesso que fiquei em pânico com a ideia
- Não… tu és um cavalo ainda era pior
- Tás ai com quem?
- Com a Maria, a Ana e o Fábio
- A Ana!!! É ela que vai dizer!!
- Mas esse namoro tá demorado hã? Tão a dar uma pelo telefone é?? - ouvi a Mariana
- Vamos ai ter então… ainda vamos a caminho de Lisboa…
- Ok… - desliguei - Aninhas….
- Já percebi… eu falo com ela, mas na presença de todos…
- Todos não! A Maria não tem condições de assistir… a Maria não ia aguentar ver a prima frágil… não depois do que aconteceu no dia do nascimento do Bruno…
- É tens razão…
O resto da noite passou lentamente os ponteiros do relógio demoravam a mexer-se, o Ruben e a Mari chegaram, deixei a Maria sozinha a dormir no banco da sala de espera de onde se recusou a sair. Ao contrário do que esperava a Mariana não reagiu muito mal, ficou mexida como é óbvio, mas confessou que já se andava a preparar para a notícia mais dia, menos dia chegar.
- João como está a minha prima? - olhei-a
- Como vês a dormir…
- Deixa-te de ironias…
- Mariana ela tá ali a dormir no banco, não quer sair daqui por nada… nem pelo Bruninho quis sair como achas que está?
- Não sei qual é o teu problema comigo, mas se quiseres responder respondes se não deixas de falsos moralismos! Sim que ela não tem tido uma atitude muito normal, mas tu tens a tua culpa…
- Mariana sabes que a conversa da defensora da tua prima quando nem um obrigada pelo presente de natal lhe foste capaz de dizer… te tira um bocado a moral… mas se estás tão interessada a tua prima está feita num caco e não é só pelo estado da Bea, aliás esse é só a gota de água no copo a transbordar… a tua prima anda completamente a perdida… porque por completamente alucinada que sempre tenhas sido sempre foste a bússola dela e agora? Agora anda passo a passo a encontrar o caminho dela… e não sei se te interessa mas já deu valentes quedas e se enfiou por becos sem saída, mas tem tido na Bea um enorme apoio… um mapa que a ajudou a encontrar sempre as saídas… por isso percebo que grávida te relembres mais ainda do que aconteceu no dia do nascimento do teu afilhado, mas não te esqueças que se a Maria errou foi por querer estar ao teu lado e por querer proteger-te! E sim já sei que sou um canalha do pior e que não tenho moral nenhuma para falar, mas tu perguntaste e insististe por uma resposta por isso aqui a tens e… se não tiveres nada de minimamente simpático para dizeres á tua prima não te aproximes dela, nem do seu raio de visão porque mal já ela está não precisa de se sentir humilhada… sim foi assim que a tua prima se sentiu no natal humilhada… em nome dela muito obrigado!
Acabei de falar e sai da sala fui até à zona da pediatria onde o Gustavo dormia num quartinho que me explicaram ser para os enfermeiros de serviço. Deixei-o descansar e procurei a Dra. Paula
- Queria falar comigo João?
- A Beatriz…
- O estado dela está inalterado…
- Não era isso… a Maria falou-me num vídeo que ela terá feito…
- Sim ela gravou algumas coisas que queria… o vídeo está em meu poder… mas só a ele terão acesso quem e quando ela autorizou…
- Não me pode só adiantar do que se trata?
- João lamento, mas…
- Ok desculpe…
Passei pela sala de espera e a Maria continuava a dormir, afastei-me e
- João… - olhei e vi o Ruben
- Se me vens encher os ouvidos pelo que disse à Mariana podes parar não sou de ferro nem nenhum boneco… e não ando aqui a apanhar bonés….
- Não ia dizer nada… também disse o que sentia à Maria acho que é bom fazer fica tudo em pratos limpos… vinha só perguntar pelo meu afilhado…
- Ficou em casa dos meus pais… era lá que estávamos… Ruben tou preocupado com ela… - olhei para a Maria e vi a Mariana a aproximar-se - não deixes Ruben…
- Elas precisam…
- A Maria não vai aguentar!

Mariana
Por ordem minha tínhamos parado numa área de serviço para esticar as pernas e também por questões fisiológicas quando o João ligou ao Ruben, num primeiro instante julguei tratar-se de mais um momento de brincadeira mas assim que o Ruben se afastou ligeiramente e que a sua expressão facial mudou percebi que algo se passava, ainda assim acabei por mandar nova piada mas que não teve resposta.
- Vamos?
- Sim... - olhei-o por uns minutos - o que se passa?
- A Bea está internada...
- É grave?
- Ainda não se sabe...
Algo no seu tom de voz fez-me temer o pior e ter a certeza que estava a ocultar algo, ainda assim resolvi não insistir.
Estava perdida em pensamentos, a recordar tudo o que vive e partilhei com a Bea quando sinto o Ruben a agarrar-me a mão, despertei para a realidade e ao olha-lo
- Não queres ir ainda mais depressa? A Bea já está a morrer não preciso morrer também!
O Ruben não respondeu mas levantou o pé do acelerador.
***
Deixamos o Filipe com a Anabela e seguimos para o hospital. Assim que entramos na sala de espera foi impossível não reparar na Maria que dormia.
- Amiga... - a Ana aproximou-se
- É muito grave? - fui directa
- Sim... - a Ana explicou o que se passava com a saúde da Bea
- Ela recupera! - tentei ser optimista mas
- Amiga a Bea assinou os papéis e se não houver melhoras dentro de 48h... - interrompi
- Já entendi... - suspirei pesadamente
- Estás bem? - o meu amor falou
- Sim... triste mas no fundo acho que nestas últimas semanas fui-me mentalizando para este momento - olharam-me como se tivesse falado algum disparate - que foi? Será que fui a única a perceber que a Bea estava a piorar? Ruben ontem estava mesmo muito em baixo...
O meu amor não respondeu, simplesmente tentou reconfortar-me. Acabei por perguntar ao João pela Maria e assim que o fiz ouvi uma reprimenda enorme, sei que o João tem a sua razão até porque na verdade todos erramos e todos temos culpa, ninguém é santo e por isso é que aproximei-me da minha prima na primeira oportunidade que tive...

Como reagirá a Maria à presença da Mariana?

E a Bea terá melhoras?

terça-feira, 22 de julho de 2014

161 - "um estômago novo! Se souberes onde comprar agradeço!"

Ruben
Depois do momento da troca de prendas e da Mari se deliciar com as estrelas de figo, não demorou muito para a Maria se afastar novamente com a desculpa de ter que regressar cedo para Lisboa. Despediu-se de todos e quando se aproximou de nós simplemente lhe dissemos um tchau.
A Mari pouco depois seguiu o exemplo da Maria e também avisou que se ia deitar, algo que serviu de mote para que fossemos todos para os respectivos quartos, o meu amor acompanhou a D. Julieta e o Sr. Augusto até ao quarto enquanto fui até à cozinha beber água, foi quando caminhava já para o quarto e ao passar pela sala vi o telemóvel da Maria a piscar, não resisti e agarrei no mesmo, fui até ao seu quarto e entreguei-o, para sair de imediato. Caminhava até ao meu quarto quando ao entrar nas redes sociais vi o post do João, rapidamente percebi a destinatária e como tal voltei para trás.
Entrei sem anunciar a minha presença e tal como temi encontrei a Maria fragilizada, não aguentei e apesar de continuar magoado com ela aproximei-me, abraçando-a para depois lhe dizer algumas verdades, saindo de seguida com a esperança de tê-la deixado a pensar...
Adormeci com a cabeça da Mari no meu peito para acordar horas depois com o som proveniente da casa de banho, levantei-me da cama e fui até lá



- Precisas de alguma coisa?
- De um estomâgo novo! Se souberes onde comprar agradeço!
- A sorte é que não perdes o humor… - a Mariana olhou-me e acho que só não refilou porque voltou a vomitar ou melhor a fazer o esforço porque o que tinha no estomâgo já devia ter saído à muito…
Fui à cozinha preparar-lhe um chá e umas torradas para ver se depois de vomitar conseguia comer alguma coisa e quando regressei ainda estava no mesmo sítio. Ajudei-a deitar-se e depois perguntei se não queria comer, o meu amor aceitou as torradas mas dispensou o chá, para no fim se recostar em mim e foi assim bem juntinhos que ficamos…

Mariana
Acordei com a sensação que tinha passado um camião por cima de mim, o que só por si deixou-me aborrecida e para agravar ainda mais a situação percebi que o Ruben já se tinha levantado, logo hoje que me apetecia tanto miminhos ao acordar…
Acabei por sair da cama uma vez que estava cheia de fome, desci as escadas e encontrei na sala a D. Julieta e o Sr. Augusto sentados a verem televisão
- Bom dia - sorriram e deram-me os bons-dias - já acordados?
- Nós já não conseguimos ficar muito tempo deitados - sorri ao ouvir a D. Julieta
- Hum… e já comeram?
- Não.
- Então venham comigo
Fomos até à cozinha e para meu contentamento tinha o Ruben de volta do fogão a preparar crepes.
- Bom dia coisa boa!!! - não tive qualquer problema em beijá-lo para depois sentir as suas mãos na minha barriga
- Já não estás enjoada? - perguntou quando separamos as nossas bocas e antes de dar os dois beijinhos na minha barriga
- Já passou… - sorriu
- Então senta-te que já vos sirvo o pequeno-almoço!
- Aiiii gosto tanto quando acordas assim decidido a mimar-me! - o meu amor gargalhou
Sentei-me confortavelmente mas não resisti em ficar a observá-lo
- O Ruben costuma cozinhar? - sorri perante a admiração da D. Julieta
- Sim…
- Que sorte!
- Sorte nada! Deu-me muito trabalhinho educa-lo! Sim que era o tipico menino da mamã que vivia sozinho mas que ia almoçar e jantar a casa dela todos os dias! - o Ruben que estava de costas olhou, já a D. Julieta sorriu mas não insistiu mais no assunto.
O meu amor assim que terminou os crepes juntou-se a nós e foi já quando comíamos que a D. Julieta abordou um tema que nos surpreendeu, uma vez que não esperávamos que puxasse o tema
- Pelo que percebi da entrevista conhecem-se desde crianças - olhei para o Ruben que sorriu e depois respondi tranquilamente
- Conhecemos-nos através de um amigo em comum, o pai do Guigas e já lá vão 12 anos de encontros e desencontros…
- Mas nunca se deixaram de amar! - afirmou com convicção
- Tivemos alturas complicadas e sofremos bastante mas finalmente encontramos o nosso rumo.
- Posso fazer uma pergunta? - olhei-a
- Sim…
- O que fez com que ficasse do lado do meu neto quando nasceu?
- Sinceramente não sei… nessa altura estava afastada do Ruben e muito magoada com tudo o que se passou mas o raio do coração foi teimoso - sorriu - e quando o Ruben pediu uma última oportunidade cedi… quando o menino nasceu éramos só amigos no entanto nesse dia estávamos juntos quando o Ruben recebeu a notícia que a Sofia tinha dado entrada no hospital, acompanhei-o e vivi de perto aquele momento, quando o avisaram que já era pai senti um misto de sentimentos e acabei por o acompanhar quando foi ver o filho pela primeira vez… o Filipe era tão pequenino, fez-me muita impressão e mais ainda quando percebi que o Ruben não estava a reagir… foi dias complicados mas posso garantir que o seu neto conquistou-me desde o primeiro segundo, não consegui ficar indiferente e com o passar dos dias fui afeiçoando-me ao Filipe e quando caí em mim já o amava como sendo uma parte de mim…
- Isso percebe-se… têm uma ligação enorme um ao outro - sorri ao ouvi-la
- Para mim tornou-se impensável passar um dia sem visitá-lo no hospital e quando teve alta continuei presente…
- E agora são uma família!
- Sempre o fomos… apesar de ao inicio fingir que não o eramos no fundo tanto eu como o Ruben tínhamos consciência que este dia chegaria, foi complicado porque tivemos que superar muita coisa mas do nosso jeito e respeitando o tempo de cada um lá conseguimos…
- É preciso ter-se um coração enorme para aceitar um filho que não é nosso, amá-lo e cuidar dele da forma que a Mariana faz!
- Tive um excelente professor no que respeita a isso - olhou-me e percebi que não tinha entendido - não sou Mendes de sangue… 
- Ah não sabia… 
- É normal, não é algo que fale até porque para mim o meu pai é quem me deu amor e educação, quem esteve sempre do meu lado e não quem contribuiu para que nascesse… posso dizer-lhe que foi complicado quando descobri a verdade e que doeu bastante até aceitar e compreender os motivos pelos quais os meus pais sempre esconderam de mim a verdade mas pode ter certeza que tenho o melhor pai do mundo!
- Tencionam contar a verdade ao Filipe? - olhei-a
- Depois de passar pelo que passei prefiro que o meu filho cresça a saber que não nasceu de mim mas que sempre o amei, quando for maiorzinho quero que saiba a verdade.
A conversa continuou e quando estávamos a terminar de comer ouvimos o Filipe, o meu amor foi busca-lo enquanto preparei a papa para lhe dar. Estava a termina-la quando
- Beijinho à mamã! - sorri ao ver o nosso campeão e depois de o encher de beijinhos - e agora beijinho à avó e ao avô - o meu amor aproximou-se deles e permitiu que também dessem um beijinho ao Filipe, sentando-se depois com o menino ao colo para lhe dar a papa.

*** 

Estávamos todos na sala quando avisei que ia fazer a minha caminhada matinal.
- Vou só vestir o Filipe e vamos contigo!
- Ok… e vocês vêem também!
- Mariana nós preferimos ficar aqui…
- Qual ficam aqui! Sr. Augusto caminhar faz bem, areja o tico e o teco para além do exercício!
- Mas nós já não temos a vossa energia e não queremos atrapalhar…
- D. Julieta você acha que com esta barriga vou correr a meia maratona? Venham lá que nós vamos devagarinho e quando tiverem cansados paramos!
A D. Julieta foi ao quarto buscar os seus casacos e quando regressou saímos finalmente.
Já estávamos a caminhar a alguns minutos quando paramos para que pudessem descansar um pouco, algo que o Ruben aproveitou para fazer palhaçadas o que fez o nosso filho gargalhar.
- Oh mor já chega!
- Mas agora não posso brincar com o meu filho sem que a mãe dele reclame!
- Brincar podes… traumatizar o meu filho é que não!
Nos minutos seguintes perdemo-nos a trocar “mimos” e só paramos quando percebemos que a D. Julieta e o Sr. Augusto nos olhavam divertidos
- Oh mor o melhor é pararmos ou ainda dizem que somos loucos! - o Ruben gargalhou
- E não somos?? Somos loucos um pelo outro - sorri com o que ouvi - e ainda mais pelo nosso filho!
- Eich… lamechas!
- Gostas pouco… - gargalhei
- Sabes bem que gosto… 
O Ruben não teve qualquer acanhamento em beijar-me e no fim regressamos à nossa caminhada, que hoje foi mais curta porque não os queríamos cansar.
Chegamos a casa e encontramos os meus pais e tios na sala, ficamos à conversa e com o passar dos minutos dei pela falta do meu afilhado mas assim que perguntei pelo menino fui informada que a Maria já tinha regressado a Lisboa…

*** 

Estava entretida a brincar com o Filipe quando percebi que precisava de mudar a fralda.
- Oh Ruben - olhou-me, uma vez que estava à conversa com o Sr. Augusto - o menino precisa da fralda mudada!
- Eich que já cheira mal! - gargalhei
- Não o fizeste? Então agora limpa! Além disso não é vossa excelência que não me deixa pegar no menino ao colo sem que esteja sentada… então…
- Sabes muito!
Não respondi porque o Ruben saiu da sala com o menino. Regressando minutos depois
- Aqui está o príncipe já limpinho e cheiroso!
- Vamos almoçar que a minha mãe já chamou! - o Ruben seguiu-me e foi ele que deu a sopa ao Filipe.

***

A tarde do dia 25 de Dezembro revelou-se uma verdadeira tarde de inverno, estava a chover torrencialmente, ainda assim fui até ao jardim, adoro sentir o cheiro de terra molhada.
Estava abrigada da chuva quando o meu amor se aproximou, abraçando-me. Aproveitamos para namorar um pouco longe dos olhares de terceiros e quando regressamos para junto da família já o Sr. Augusto e a D. Julieta estavam de malas “aviadas” à espera para que os fossemos levar, algo que o Ruben acabou por fazer…

Maria
Não dormi nada, passei a noite às voltas na cama, a ideia de poder estar grávida, a musica que o João partilhou, a forma como a minha prima pouco reagiu ao facto de lhe ter trazido o que desejava, as palavras do Ruben… tudo me ecoava na cabeça e a única coisa que conseguia era chorar, não soluçava, não me falhava o ar, apenas me escorriam as lágrimas pela cara enquanto olhava o meu anjinho a dormir tranquilamente. Acabei por passar pelas brasas não mais que alguns minutos e quando acordei sobressaltada pensava que estava atrasada, que já não chegaria a Lisboa a tempo, mas ainda era cedíssimo. Levantei-me e aproveitei mesmo para me despachar e antes de ficar pronta para algumas horas de viagem resolvi partilhar o look que tinha preparado para usar, uma vez que quando o vi em cima da cama me senti muitos anos mais nova e parece que não fui a única…

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MariaMMendes_ Dia de regressar a casa… muitas horas de viagem exigem conforto!!! #LookForToday

AnaDr @MariaMMendes_ Vens a conduzir ou a correr??

Fabiooo @MariaMMendes_ vem com cuidado! 

MariaMMendes @AnaDr conforto é conforto para correr ou conduzir! @Fabiooo sim paizinho!

JP47 @MariaMMendes vem devagar que não há pressa… e… porque será que me senti com 15 anos ao ver a foto??? Vai uma futebolada??

MariaMMendes @JP47 diz que quando precisamos de “mimo” voltamos às memórias que nos fizeram felizes… prepara-te que o teu filho a dormir como está algo me diz que vai ter as pilhas todas o resto do dia! ;)

- Bem com quem é que tanto trocas mensagens? - olhei para a porta e vi a Bea, pousei o telemóvel e comecei a vestir-me
- Não eram mensagens… eram comentários no instagram… com o João, a Ana e o Fabio…
- Ahhhh o João ai está a razão do sorriso… se o Pedro te visse… - assim que ela falou no nome do outro sai a correr para o wc - Maria o que se passa?
- Nada… nada… devo ter abusado ontem estou ligeiramente mal disposta… vou apanhar ar enquanto o menino não acorda… queres vir?
- Não… vou descer… comer qualquer coisa… o Ruben estava a descer agora, porque não vens também?
- Não… agora não consigo… ainda por cima com o Ruben… e deve tar a Mari também por lá… não me apetece…
- Tu é que sabes… eu vou…
Ela saiu e eu fui até uma das varandas da casa e por lá fiquei até que o vicio foi novamente mais forte

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MariaMMendes_ Uns momentos no paraíso… fora da realidade… fazem sempre bem, mas está na hora de voltar

Enquanto escrevia a legenda ouvi
- MAMÃ!!!
- Sim amor… bom dia! - dei-lhe um beijo
- Dia mamã!!! Vamox Papá e Vó!!!!
Sorri e acrescentei novo comentário

MariaMMendes_  @JP47 prepara-te que alguém acordou a pedir pelo Papá! e vamos já a caminho

Preparei o meu menino e desci quando cheguei à sala estavam todos menos os padrinhos do Guigas
- Padinho? Madinha?
- Os teus padrinhos foram dar um passeio voltam já…
- Pipipo?
- O Filipe também… 
- Vá bebé vamos que o papá tá a espera…
- Madinha… padinho… Pipipipo…
- Depois logos estás com eles, agora não podemos esperar porque o papá está á espera… vamos Bea? Guga?
- Vamos… - responderam os dois
Despedi-me de todos
- Não te vais despedir da tua prima? Eles devem estar a voltar…
- Ai oh tio…
- Jorge, deixa-as - o meu tio Manuel interrompeu, pensei que a seguir dissesse que ia proibir-me de ver a Mari como fazia quando éramos pequenas e nos portávamos mal, mas surpreendeu-me - Elas são as duas crescidas… e não deixaram de se adorar, mas ambas precisam deste momento “maluco” para perceberem isso… a minha Mari está uma mulher e a “nossa Maria” - adorava quando ele falava assim sabia que tinha 2 pais e não só 1 a tomar conta de mim - está aos pouquinhos a voltar e ainda bem porque já tínhamos saudades é que aquela Maria que por ai andava era intragável… -sorriu - agora vai lá que ainda tens a viagem pela frente… mas antes o meu beijinho -  gargalhamos aproximei-me e dei-lhe dois beijinhos como se tivesse a idade da Matilde
- Obrigada tio… - sussurei ao ouvido
- Vai com cuidado e… dá tempo ao tempo, quando tiver que ser será… vais ver que quando menos esperares estarão juntas novamente
- Já acreditei mais nisso… mas agora vou…
Sai e depois de todos no carro a viagem foi tranquila a Bea anda mais fragil e cansada ultimamente por isso dormitou quase toda a viagem bem como os pequenos. Assim que chegamos a Lisboa deixei-a em casa e segui para casa da Teresa e ainda não tinha o carro desligado já tinha pai e avós babados na porta de casa e o pequenote correu na direcção deles. Já estava ao colo do pai quando cheguei
- Boa tarde… desculpem a demora, mas vinha com o carro cheio de dorminhocos e por isso vim mais devagar para não adormecer também…
- Não há problema… entramos? - perguntou a Teresa já depois de me dar dois beijos
- Obrigada, mas não vos atraso mais o almoço… - e dei o primeiro passo de regresso ao carro
- Maria para onde pensas que vais? - ouvi pela primeira vez o João
- Para casa…
- Nem penses! Temos “aquilo” para fazer… 
- Aquilo?? - a Teresa perguntou 
- Não ligue ao seu filho quer trabalhar agora… oh João falamos amanhã lá na loja
- Ah… trabalho… - a Teresa parecia desanimada - oh Maria, mas eu contava contigo, para nos fazeres companhia… além disso sei que tens toda a família no Geres, fica… - o medo de ficar sozinha e de o Pedro aparecer, além do conforto que sentia naquela casa fez-me aceitar
- A serio que não incomodo?
- Nem te vou responder! - a Teresa falou entrando em casa, seguia e quando cheguei a sala tive de me desculpar e fugir para o wc
- Está tudo bem? - o pai do João questionou-me assim que voltei a sala
- Estou só um pouco indisposta… acho que ontem abusei… - o João fuzilou-me com os olhos
- Queres que te faça algo?
- Não Teresa, se não se importam eu fico aqui no sofá… mais afastada da comida…
- Vê lá se quiseres um chá…
- Obrigada…
Eles lá se sentaram a almoçar e fiquei apenas a observar como o meu pequenino estava rodeado de mimos e no final do almoço quando chegou a hora da  sobremesa todo o meu mal estar passou ao ver a Teresa aproximar-se da mesa com o seu bolo especial de mousse de chocolate e clara em castelo e por isso nesse instante aproximei-me da mesa…
- Há ainda um lugarzinho para mim na mesa?
- Mamã doidoi não?
- Não bebé a mamã não tem doidoi quando se trata do bolo da avó… - o João gozou
Peguei no telemóvel tirei uma foto ao bolo antes de ser partido

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MariaMMendes_ Natal que é Natal tem jantar de familia, tio mascarado de Pai Natal, prendas… e bolo de chocolate da vó Teté!!!! :D @JP47 tens a 3ª melhor mãe do Mundo porque a 1ª é a minha e a 2ª é a tia Fernanda - @MMAmorim - e em terceiro a tua…

O João gargalhou e comentou de imediato

JP47 @MariaMMendes e @MMAmorim desculpem mas a minha mãe é a 1ª Melhor do Mundo em igualdade pontual com a mãe do meu filho!!!

Olhei para ele que sorriu enquanto me dava uma fatia enorme, sentei-me comi e quando já partia a segunda fatia
- Oh Maria! - olhei para a Teresa - querida não te via comer o meu bolo assim tão feliz desde a gravidez do Guilherme…
Não aguentei levantei-me da mesa e corri para a varanda a chorar
- Oh Maria… vamos fazer o teste, tenho ali…
- Tens ali?!
- Eu disseste que hoje fazias… e vais fazer…
- Maria…
- Maria querida desculpa, disse alguma coisa que não devia?
- Não Teresa desculpe eu e o Natal é que andamos muito emocionais… -desculpei-me a aproveitei para fugir ao João
Depois de comer o bolo sim que podia chorar, podia não ter conseguido comer nada todo o dia, mas o bolo para isso sim tinha muito apetite.
Quando terminei de comer olhei em volta e já só tinha a Teresa a lenvatar a mesa
- Oh foram-se todos embora?! Deixaram-na sozinha com as coisas? Eu ajudo!
- Estavas mesmo deliciada… E ainda se ofereceram para ajudar, mas tu sabes o que a casa gasta e não me apetecia loiça partida pelo chão… - rimos as duas - agora vai lá… junta-te a eles - falou olhando para o João e para o Guilherme que brincavam 
Acabei por me aproximar do sofá onde me sentei e ouvi o João a tentar convencer o menino a “acalamar” gargalhei e ele olhou-me
- Qual é a piada?
- O PDI é lixado… já não tens pedalada para o puto….
- Cheia de piada! Vem cá tu! - enquanto falávamos o João sentou-se perto de mim no sofá
- Papá binca… - o Guilherme aproximou-se a esfregar os olhos…
- Oh bebe da mamã tu tas com soninho, vamos dormir a sesta?
- Guigas xonino nã! Guigas domi papá bora… Guigas qué papá…
- O papá não se vai embora… 
- mamã Guigas caja papa fica… - o menino estava cheio de sono, o normal depois da viagem e da agitação dos últimos dias
- Anda cá ao papá… vamos fazer assim tu vens aqui para o colinho e dormes a sesta aqui com o papá e a mamã pode ser?
- Papá mamã domi sesta tamem?
- Sim…
Com as palavras do João o menino acabou por vir para o sofá e aninhar-se no meio dos dois e passados poucos minutos já dormia
- Tava mesmo cansado… - o João falou ao fim de quase 10 minutos ali sentados 
- É normal foi muita agitação…
- E tu?
- Eu?
- Não te faças de parva… como estás? Não conseguiste almoçar… depois atacaste o bolo… como estás Maria?
- Não quero falar… não quero - comecei a chorar
- Sabes que tens de fazer um teste não sabes? - não consegui responder só me encostei melhor no sofá - Maria não podes ficar nessa duvida… - o choro itensificou-se - pronto, pronto… - ele meteu o Guilherme no seu colo e aproximou-se mais de mim abraçando-me - pronto… calma, vamos dormir nós também anda… 
Puxou a minha cabeça para o seu ombro e acabei por acalmar ao ritmo da respiração dele. Não sei bem quanto tempo dormi, mas quando acordei ainda os dois dormiam, levantei-me devagar embora tenha sido complicado “livrar-me” dos braços do João, quando já estava em pé debrocei-me e dei um beijo no Guilherme e não resisti a juntar os meus lábios na bochecha do João que também ele dormia serenamente. E quando finalmente me afastei
- Ai Teresa que susto!!! Estava ai há muito tempo? - perguntei ao vê-la parada na porta da sala
- Cheguei quando voltavas a colocar o João confortável e não quis interromper… Maria passei aqui e ainda dormiam e fiquei com uma certeza, pelas caras de calma e os pequenos sorrisos nos vossos lábios e o enorme sorriso na cara do meu neto, não tenho duvidas que esta sesta foi a melhor prenda que podiam ter recebido este Natal… estou errada?
- Ai oh Teresa eu…
- Não queres não fales… não vou insistir… e… - calou-se
- E?
- Esse mau estar?
- Não é nada… ou melhor é só o stress com a abertura da loja e o cansaço com as viagens…
- Ok tu é que sabes….
Nesse momento o meu telemóvel tocou e estranhei ao ver o numero do Hospital onde a Bea é seguida, atendi
- Sim?
- Maria é a Paula - a médica da Bea
- Paula? O que aconteceu? - fiquei imediatamente em pânico
- Sinceramente tinha pensado ligar para desejar festas felizes, mas os acontecimentos ultrapassaram-me, Maria a Bea deu entrada agora… ela mesma ligou para o INEM e as prespectivas não são as melhores…
- Estou ai em 20 minutos no maximo!
Desliguei e 
- O que aconteceu? - saltei com a voz do João atrás de mim
- A Bea foi para o hospital e parece que… - desatei a chorar


Como terminará o dia da Maria?
Serão mesmo sinais de Gravidez?
Como estará a Bea?