domingo, 23 de setembro de 2012

021 - "Fica tranquilo que não serás pai pelo menos de um filho meu..."

(Mariana)

Não consegui negar o convite do Ruben e por isso aceitei continuar a fazer-lhe companhia, entramos e fomos diretos para a sala.
- Bebes? - perguntou quando estava a servir-se.
- Ya… sabes que nunca nego nada.
- Isso não é bem assim - rematou imediatamente - já por diversas vezes ouvi-te a negar…
Não sei o que me deu mas naquele momento a certeza que o queria só para mim invadiu o meu pensamento e por isso calei-o com um beijo, que depressa passou de um encosto a uma exploração minuciosa da sua boca com a minha língua, o Ruben reagiu de imediato e puxou-me para o seu colo, não ofereci resistência e sentei-me de frente para ele, continuamos naquela brincadeira de línguas e narizes, até que as nossas mãos se juntaram, o Ruben apertava-me contra o seu corpo talvez com medo que fugisse e isso só estava a deixar-me cada vez mais fora de mim, senti os seus lábios a percorreram o meu rosto para uns segundos depois com a sua língua deixar um rasto de saliva no meu pescoço, deixei-me levar, afinal queria aquilo tanto quanto ele e acabei por lhe retirar a camisola para no instante seguinte lhe desapertar os botões das suas calças, acariciei-o por cima do tecido dos seus boxers ainda assim ouvi ligeiros gemidos, não satisfeita deixei-me escorregar pelo seu corpo e enquanto a minha boca saboreava aqueles abdominais a minha mão massajava-o para uns segundos depois juntar a minha língua, passei-a suavemente e percebi o quanto estava a agradar-lhe tal “mimo” continuei a beijá-lo e a lambe-lo para acabar por abrir a boca abocanhando-o, os movimentos ora suaves ora mais rápidos levaram-no ao limite, o Ruben já não conseguia controlar os gemidos e quanto mais gemia mais rápido eram as carícias que só pararam quando puxou-me para cima, despindo-me a roupa em segundos e “atirar-me” para cima do sofá, agora era a vez dele de saborear todo o meu corpo, começou pela boca, rosto, pescoço, peito onde passou vários minutos ora a beijá-lo ora lambê-lo dando ainda algumas trincas mas sem nunca magoar-me e enquanto esteve a brincar com a boca as suas mãos continuaram a acariciar-me o corpo, inicialmente no tronco descendo até às pernas, subindo para as nádegas e terminando na parte mais sensível do corpo de uma mulher, o Ruben levou-me ao extremo só com os seus dedos, a forma como acariciava-me, como me desejava ou mesmo como beijava-me fez com que me sentisse única, já tinha atingido o primeiro orgasmo da noite ali naquele sofá quando o meu amigo levou-me novamente ao auge, a boca dele percorreu o meu corpo todo, encontrava-se agora nos pés e com a sua língua fez o caminho todo até chegar às coxas, passando para as virilhas e quando já desesperava por ser penetrada pelo seu membro o Ruben fê-lo com a sua língua, foi nesse momento que deixei os gemidos para passar aos ligeiros gritos tal era o prazer que estava a sentir, o Ruben sorriu vitorioso para voltar a unir as nossas bocas em mais uns quantos beijos selvagens, sempre acompanhados pela estimulação que os seus dedos continuavam a fazer. Resolvi vingar-me mas a adrenalina que corria-me nas veias era tanta que não consegui prosseguir com as minhas intenções e acabei por implorar-lhe para ser penetrada, no entanto aquele sacana não fez-me a vontade e levou-me novamente ao limite, para depois unir finalmente os nossos corpos, o Ruben entrou em mim a uma velocidade alucinante e manteve o mesmo ritmo, bastou uns segundos para gemermos em conjunto, atingimos o limite máximo do prazer ao mesmo tempo mas ainda assim não conseguimos parar, continuamos noite dentro e nas mais diversas posições, corremos ainda algumas divisões daquela casa acabando no seu quarto sem forças nenhumas.
Acordei primeiro que o Ruben e ao olhá-lo a dormir serenamente não consegui evitar um certo arrependimento, aquilo não tinha sido correto e foi quando pensava nisso que o Ruben despertou.
- Bom dia - beijou-me o ombro uma vez que estava sentada na cama e de costas para ele - vens comigo para o banho? - aliciou-me.
- Oi - olhei-o - não sei se será boa ideia - baixei o olhar razão suficiente para o Ruben agarrar no meu queixo obrigando-me a olhá-lo.
- Estás arrependida? - perguntou a medo.
- Não, mas também não estou orgulhosa - suspirei - Ruben isto não está correto e ambos sabemos disso.
- Não está correto porquê? Mariana, fartamo-nos de o fazer com outras pessoas.
- Mas os outros não são o meu melhor amigo - beijou-me.
- Também não são eles que te levam ao limite como te levei, que te conhecem como conheço e muito menos os desejas como me desejaste ontem - olhei-o - Mariana já te vi a engatar muitos mas nunca te vi descontrolada como ontem, isso deve querer dizer alguma coisa, não?
- Talvez - levantei-me - mas de qualquer forma não é para voltar a acontecer - gargalhou.
- Só quando nos apetecer novamente - sorriu vitorioso - ou achas que depois de termos cedido a primeira vez não o voltaremos a fazer quantas vezes assim o desejarmos?
- Prefiro não pensar muito no assunto… e agora vou para o banho.
Tentei pirar-me sozinha mas o Ruben colou-se a mim e acabamos por partilhar um duche a dois ainda assim não houve qualquer contacto físico, só mesmo umas trocas de olhares intensas e que em certos momentos quase fizeram com que vacilasse mas aguentei-me e foi quando já estávamos à mesa a comer o pequeno-almoço que o Ruben tocou numa assunto que surpreendeu-me.
- Mariana tomas a pilula certo?
- Hã? O que é que tens a ver com o assunto?
- Tenho desde o momento que ontem não nos precavemos - olhou-me - caso não te recordas ontem estávamos tão envolvidos que nenhum dos dois se lembrou desse detalhe.
- Fica tranquilo que não serás pai pelo menos de um filho meu - levantei-me chateada comigo mesmo afinal o que falou fez-me recordar algo que não gosto - e quanto a doenças podes ficar descansado que não tenho nenhuma - atirei sem o mínimo cuidado.
- Vais ficar aborrecida comigo por ter tocado no assunto? - já o tinha colado a mim - Mariana não quis insinuar nada…
- Pois não só quiseste ter a certeza… primeiro divertiste-te e agora vens com cobranças.
- Não são cobranças - virou-me para ele - desculpa se te ofendi com a pergunta mas confesso que um filho neste momento não está nos meus planos e duvido muito que esteja nos teus, quanto insinuar que pudesses ter alguma doença isso nem passou-me pela cabeça, não és irresponsável a esse ponto - baixei o olhar - e já que tocaste no assunto também não tenho doença nenhuma.
- É por estas e por outras que nunca devia ter acontecido, nós somos o ponto de equilibro um do outro mas parece que juntos só nos desequilibramos.
- Nós juntos podemos ser muita coisa e se for para voltar a ter momentos como os de ontem desequilibro-me tantas vezes quanto as necessárias - gargalhou.
- Parvo.
- Posso ser aquilo tudo que quiseres mas fica a saber que sou um parvo completamente satisfeito…
- Ai sim? - sorri o Ruben tem uma capacidade nata para conseguir fazer os problemas desapareceram e mais uma vez conseguiu que colocasse de lado tudo o que senti ao recordar-me do passado - Também te contentas com muito pouco!
Provoquei mas arrependi-me no instante seguinte ou não fosse o Ruben ter pegado-me de jeito e feito de mim o que quis, acabamos por saciar novamente todo o desejo que tínhamos ali mesmo na cozinha em cima da mesa.
- Isto a continuar assim não sei onde acabamos! - gargalhei ao ouvi-lo.
- Já estás cansadito, é? - puxou-me para o seu colo quando tentava vestir novamente a minha lingeri.
- Estás a insinuar que não tenho pedalada para ti?
- Quem colocou essa hipótese foste tu - beijei-o - mas se ficas mais tranquilo... podes respirar de alivio porque não só tens pedalada para mim como também surpreendeste-me e muito pela positiva - o Ruben olhava-me atento - foi uma das melhores noites que tive até hoje - sorriu timidamente o que fez com que gargalhasse - ui que o meu Ruben continua aí escondido algures por detrás dessa armadura de playboy que o menino tenta envergar.
- Gosto disso!
- Do quê?
- De ser o teu Ruben - sorri ao ouvi-lo.
- Não fiques muito convencido que quanto sei és meu e de mais não sei quantas...
- Sabes que isso pode mudar...
- Ruben... - calou-me com um beijo.
- Pshiu... sei que não queres nenhum relacionamento, que não te sentes preparada e para ser sincero - sorriu - acho que para darmos tal passo teríamos que estar os dois certos daquilo que sentimos algo que não acontece... mas não nego que adorei ouvir-te a dizer “o meu Ruben” dá-me uma sensação de paz interior enorme.
- O estranho é que sinto-me exactamente igual a ti - suspirei - o meu medo é de um dia perder o “meu Ruben” por não lhe ter dado o devido valor.
- Hum... podes ser minha as vezes que quiseres...
- Estás a propor-me algum pacto? - gargalhou.
- É... talvez... fazemos assim cada um segue com a sua vida, é livre de sair com quem quiser, não nos metemos nas noites de sexo um do outro e quando quisermos matar saudades combinamos algo juntos... tipo uma noite a dois... assim seremos eternamente um do outro mas sem o peso do compromisso...
- Olha que a ideia não é má de todo - gargalhamos - mas para resultar tem que haver regras...
- Quais?
- A primeira e essencial é que o acordo fique só entre os dois, ninguém pode saber disto ou afugentamos as nossas vítimas, a segunda é que se algum dia toda esta situação começar a fugir do controlo o acordo termina sem ressentimentos, a terceira e última não é bem uma regra é mais uma exigência - olhou-me na expectativa - que o que aconteceu connosco ontem não aconteça com mais ninguém, Ruben nós fomos duas autênticas crianças imaturas quando não usamos preservativo.
- Concordo que tenha sido uma falha enorme... ainda para mais sabendo nós que não somos propriamente santos mas não me arrependo de não ter usado.
- O que é que estás a querer dizer com isso? Ruben aviso já que ontem foi uma excepção à regra - gargalhou.
- Ontem e hoje já aqui em cima desta mesa - sorriu - Mariana será que ainda não percebeste que quando estamos os dois juntos perdemos a noção da realidade?
- Pois mas não pode ser...
- Ok, para a próxima vou tentar lembrar-me disso - gargalhou - mas isto serve para os dois... sim porque se fui com o cântaro à fonte sem a tampa foi porque a dona da fonte permitiu...
Não respondi à provocação do Ruben e saí mesmo do seu colo para terminar de reunir a minha roupa que continuava espalhada pela sua cozinha, vestimo-nos e resolvemos ficar por casa.
O dia passou em modo lamechas e meloso algo que nunca antes tinha provado mas confesso que até gostei, foi um dia diferente de todos os outros que já tive. Mas como tudo o que é bom acaba tive que despedir-me do Ruben com mais uns quantos beijos para depois conduzir até casa, onde há minha espera tinha um bilhete da Maria na porta do frigorífico
“ Mariana,
Já cheguei e já fui outra vez qualquer coisa estou no Algarve
Bjs”

***

Quinze dias passaram e sem o Ruben em Lisboa porque tinha ido de férias com o David resolvi aceitar o convite dos meus pais para os acompanhar numas mini-férias, da minha prima pouco sabia a não ser que continuava a mil devido ao seu trabalho e como sempre respeitamos o espaço uma da outra nunca lhe cobrei a ausência.
Hoje acordei animadissima com o regresso do Ruben, resolvi preparar-lhe um mimo e invadi a sua casa com as chaves que me tinha dado antes de ir de férias, segundo ele para ir lá de vez em quando passar a “revista” como se a mãe dele não o fizesse, aquilo foi a desculpa mais reles que arranjou para dar-me livre acesso aos seus aposentos, cá para mim espera ser acordado a meio da noite...
- Bem vindo - agarrei-me ao pescoço dele beijando-o sem demoras assim que entrou em casa.
- Ena... assim vale a pena passar quinze dias maravilhosos com as outras - gargalhou.
- Piada!
- Vais dizer que não aproveitaste para temperar o corpo com os outros...
- Bem! Olha o nível da conversa a descer... - beijou-me enquanto nos encaminhava até ao seu quarto - Ruben... o lanche...
- Tenho fome sim mas é de ti...
Não consegui reunir forças para ir contra os seus argumentos, acabei por ceder e tivemos mais uma maravilhosa tarde de sexo, afinal não resistimos a matar as saudades todas. A noite não foi muito diferente da tarde, começou com um jantar a dois seguido de uma saída nocturna para terminar no meu apartamento e na manhã seguinte fomos apanhados pela minha prima que ao contrário do que tinha dito regressou a Lisboa mais cedo mas não ligou nenhuma para o facto do Ruben estar lá em casa àquela hora da manhã.
Almoçamos juntos e estava com ele quando lhe ligaram a informar que tinha de viajar o quanto antes para a África do Sul, uma vez que por lesão de um dos convocados seria ele o contemplado, lógico que foi motivo para mais um dos nossos momentos uma vez que entre o fazer uma mala e outra demos assas à imaginação e comemoramos a chamada dele à selecção.

***

As semanas passaram e com o regresso da selecção a Portugal voltei a estar com o Ruben no entanto não nos envolvemos apesar da proximidade roçar os níveis da provocação mutua nunca ultrapassamos os limites.
Os meses passaram e o Ruben estava a ter uma época péssima a nível pessoal, as lesões constantes estavam a dar-lhe dores de cabeça já para não falar das físicas, por muitos tratamentos que fizesse aos joelhos nada parecia ter resultados definitivos e isso deixava-o cada vez mais abatido, cheguei a passar uns dias com o Ruben que só serviram para darmos motivos a falatórios e acabamos por ficar com a fama sem termos o proveito, uma vez que não se passou nada entre nós além de um reforçar da amizade, aliás cheguei mesmo a ver a casa dele a ser frequentada pela sua mais recente conquista.
Nestas últimas semanas o Ruben tem andado mais animado, muito por culpa do SPA que irá inaugurar dentro de dias e que será gerido pela sua mãe.
- Mariana despacha-te - ouvi a Maria a reclamar talvez porque mais uma vez estava à minha espera - olha que se não te despachas chegas atrasada à inauguração do SPA da tua sogrinha - meteu-se comigo.
- Mas será que vocês não vão parar de mandar bocas - reclamei ao entrar na sala e encontra-la acompanhada pelos nossos dois mosqueteiros, ao contrário do que tinha ficado combinado o Ruben apareceu lá por casa.
- Se vocês assumissem nós parávamos - o João atirou sem demora.
- Não seja por isso... - tanto o João como a Maria olharam-nos e antes que o Ruben tivesse tempo para dizer o que quer que fosse uni os nossos lábios num beijo rápido - satisfeitos?
- Até ficava... se soubesse que é verdade mas como tua prima sei bem que beijaste o Ruben só para atrofiares connosco - gargalhei acompanhada pelo Ruben mas não respondi, dei-lhe a mão e saímos do apartamento.
- Devem pensar que acreditamos nessa farsa - olhei para o João - isto só dura o tempo de chegarmos até aos carros - sorrimos os dois, apesar de não ser nada combinado o Ruben alinhou de imediato na minha brincadeira.
- Estás enganado... lamento amigo mas estás mais perto de ser convidado para padrinho de casamento do que o nosso namoro terminar - tive que controlar-me para não rir afinal o Ruben falou com uma serenidade que até a mim conseguia enganar se não soubesse a verdade.
A brincadeira continuou até chegarmos junto dos carros, o Ruben raptou-me imediatamente para o dele sem dar hipótese de ouvir um não e seguimos viagem até ao hotel onde seria a inauguração do SPA. A viagem foi animada connosco a rir da cara daqueles dois quando o Ruben falou em casamento mas quando chegamos a animação resfriou ou não fosse ter logo dado de caras com o aparato de jornalistas.
- Se não quiseres entrar comigo é na boa.
- Posso não gostar de ter as objectivas direccionadas para mim mas também não vou deixar que o dono do SPA entre sozinho - o Ruben gargalhou - além disso somos amigos e nunca o negamos, não vejo mal nenhum em entrar contigo a menos que estejas com medo que te afugente alguma vítima...
- Hoje deixo-te afugentá-las todas desde que no fim a minha noiva - gargalhamos - vá até aos meus aposentos - a mão do Ruben começou a subir pela minha perna - tenho saudades tuas - sossurou-me ao ouvido - aceitas?
- No final decidimos isso - aproveitei a proximidade dos nossos rostos para o beijar mas ao contrário do beijo que demos na presença dos nossos amigos este não foi nem um pouco contido e só o interrompemos quando ouvimos bater no vidro da janela do condutor, olhamos e sorrimos - bem é melhor irmos ou aqueles dois ainda começam a acreditar que é verdade - gargalhamos.
- A acreditarem é sinal que já andaram nos copos e não nos convidaram - voltei a sorrir para sentir logo depois os lábios do Ruben contra os meus.
- Estava difícil saírem do carro - o João implicou mas não obteve resposta, o Ruben colocou o braço nas minhas costas e caminhamos assim até próximo da entrada mas acabamos por nos separar no momento que os jornalistas deram pela nossa presença.
- Anda - puxou-me pela mão e nem tive tempo de refilar - vamos já despachar isto.
O Ruben posou para os fotógrafos comigo do seu lado e no fim agarrou-me novamente pela cintura para que não pudesse fugir, respondeu a algumas perguntas relacionadas com o negócio que iria abrir juntamente com a mãe e o irmão, para no fim falar um pouco da sua vida pessoal e profissional.
- Ruben, o seu nome foi recentemente ligado a um possível caso, não quer comentar?
- A única coisa que posso e vou dizer é que quando tiver namorada não o vou esconder até lá espero que respeitem a minha privacidade.
- Mas não o incomoda?
- Neste momento a única coisa que incomoda-me são as lesões que têm dificultado o meu trabalho - olhou-me - de resto não comento e muito menos incomoda-me.
O Ruben ainda respondeu a outras perguntas mas acabamos por prosseguir caminho, fui com ele cumprimentar alguns dos nossos amigos e acabei por ficar inserida no grupo que se formou enquanto o Ruben andou a espalhar o seu charme.
A noite estava a ser animada e o palhacito do Ruben a divertir-se, pela primeira vez em semanas vi-o animado e de sorriso no rosto, por diversas vezes perdi-me a observa-lo e em algumas fui apanhada pelo próprio, sorriamos e voltávamos a desviar o olhar. A noite já ia avançada quando o meu amigo se veio sentar do meu lado e instintivamente abraçou-me, não recusei mas mais uma vez fomos alvos de piada, ignorámo-las e continuamos a divertirmo-nos.
- Mariana podes chegar ali? - sussurrou-me ao ouvido.
- O que é que estás a tramar?
- Nada, só preciso de uns minutos a sós contigo…
- Que se passa?
- Tenho um convite para te fazer.
Levantei-me desconfiada do género de convite que podia vir dali, ainda mais estando nós num hotel mas assim que ficamos mais afastados do pessoal o Ruben abriu o jogo e disse-me o teor do convite, acabei por aceitar com a condição de ser só um apoio nos momentos que precisassem, afinal não estava nos meus planos aplicar os meus conhecimentos adquiridos durante anos no curso de gestão de empresas no SPA do Ruben.
A noite acabou na casa do Ruben, não resisti aos avanços que fez depois de ficarmos a sós e cedi em fazer-lhe companhia, tivemos mais uma noite das nossas e só regressei a casa de manhã, ao contrário do que esperava não encontrei a minha prima mas nem liguei, uma vez que as suspeitas de que ela e o João estavam juntos eram quase uma certeza.

Os meses passam e a paz mantém-se... mas será para continuar?

terça-feira, 18 de setembro de 2012

020 - “e aqui está uma foto a comprovar a alegria e a felicidade vividas nas férias romanticas do casal mais apaixonado do pais e do mundo... quem sabe do universo! A Maria e o seu Amor”

(Maria)

Aquela manhã em casa do João foi a primeira de muitas em que acabamos também por acordar juntos, sempre em casa dele para evitar que a Mariana desconfiasse. Normalmente encontrávamos-nos  ao fim do dia e acabávamos  por jantar e passar as noites juntos.
Acredito que tanto a Mariana como o Ruben já saibam o que se passa, mas têm respeitado o nosso espaço, afinal sempre que estamos na presença de terceiros não há qualquer contacto físico e  as  conversas são perfeitamente normais, dou  por mim a acreditar que isto de ser segredo nos dá uma adrenalina extra há já normal de qualquer relação.
Já chegamos ao verão e  este é verão de Mundial, o nome do João consta da primeira lista de  50 (sim 50!) pré-convocados e hoje é dia de convocatória definitiva dos 23 que irão até à Africa do Sul.  Gostava de poder estar com o João, mas neste momento estou em Espanha a finalizar uma transferência.
-  Perdóname Maria, pero se siente bien?
- Sí... si Solo soy curiosa saber el equipo de Portugal se debe conocer ahora y además de interés profesional, tengo algún interés personal, ya que tengo dos grandes amigos, con la posibilidad de ser llamado
- Si quieres podemos parar aquí y usted puede ir y ver lo que está sucediendo
- Aceptó el ofrecimiento,  me comprometo a ser muy rápida.
Agradeci silenciosamente que o meu interluctor fosse tão simpático e corri até ao quarto do hotel para assistir pela internet à divulgação dos nomes.
Infelizmente nem o João, nem o Ruben constavam  da lista dos 23 seleccionados. Enviei uma sms ao Ruben e liguei para o João que só me atendeu na segunda tentativa
- Não fui  convocado se é isso que queres saber - disparou assim que atendi
- Eu sei! Consegui interromper a reunião para ver... - ouvi algum barulho de fundo -  onde estás?
- Em casa dos meus pais... vim para cá não queria estar sozinho... - este estava a mostrar-se o primeiro teste à nossa relação, o João estava de férias, mas eu andava numa roda viva - tás ai?
-  Estou João... - falei desanimada
- O que é que tens?
- Queria estar ai contigo, mas não deu... isto aqui atrasou-se...
- Psiiiuuu... deixa lá... sabes quando vens? 
- Com um bocadinho de sorte ainda consigo ir hoje... porquê?
- Podíamos ir uns dias para o Algarve e levavas o  teu escritório atrás... 
-  É... podíamos, mas assim para um sitio calminho...
- Escolhe tu! Afinal tiveste lá tanto tempo deves conhecer alguma coisa
- Combinado... agora tenho mesmo de desligar que tenho um Presidente lá em baixo à espera para  uma contratação....beijoooo!!
- Não te esqueças de dizer quando fores para o aeroporto! Beijooooo!!
Desliguei  a chamada e voltei para a reunião felizmente apenas faltavam mesmo as assinaturas. Assim que esta terminou apressei-me a pegar na bagagem e seguir rumo ao aeroporto, avisei ao João que estava já de partida e também que se preparasse para seguirmos viagem no dia seguinte até ao Algarve.  Não entrei em detalhes  mas sabia já muito bem para onde iríamos e consegui fazer as reservas ainda antes de levantar voo.
Quando cheguei a Lisboa tive a surpresa de o ter à minha espera.
- Que saudades! - abracei-o com muita força e ouvi-o rir - qual é a piada?
- Não contamos nada a ninguém nem aos dois da vida airada e depois no sitio com mais paparazzi por metro quadrado...
- Olha tenho saudades sim?! Além disso onde é que diz que dois amigos não  se abraçam quando um deles chega de viagem? E vamos lá sair daqui depressa que eu quero um beijo! - ia falando e andando lado-a-lado com o João de forma a sair o mais depressa possível daquele sitio cheio de gente e poder descansar junto do João.
- Para tua ou para minha? 
- Para a minha! Tenho de ir arranjar as malas amanhã quero sair daqui cedo!
- Humm e posso saber onde vamos?
- Sim vamos para Moncarapacho! - sabia que ele  não saberia onde é
- Ahhh isso é Albufeira não é?
- Nop...  isso é Montechoro!
- E isso para onde vamos é?
- Mon-cara-pacho
- Moncarapaacho fica onde?
- humm não sei!
O  João resolveu amuar por eu não entrar em mais detalhes e o caminho até minha casa foi feito em silencio.
Assim que cheguei a casa gritei pela Mariana, como não obtive resposta apenas confirmei que não estava e mesmo ali na entrada joguei as malas para o chão e joguei-me a mim nos braços do João para matar saudades, ele não se fez rogado e pela primeira vez em meses pude adormecer e acordar ao lado dele, depois de nos termos  entregue ao prazer sem limites, sem ter que sair a correr para passar por casa e mudar de roupa, desta vez acordei devagarinho com beijinhos  nas bochechas
- Para quem queria sair de cá cedo - disse a rir  olhei para o relógio e vi que eram já 10:30h
- A culpa é tua! - dei-lhe um beijo - mas agora vamos a despachar que temos a viagem para fazer... e a minha prima!
- A tua prima?!
- Sim nem demos por ela  ter chegado e já deve estar por ai...
- A tua prima se esteve cá voltou a sair... enquanto fazia isto - apontou para um tabuleiro com o pequeno almoço - percebi que a casa estava vazia...
- Foste tu que fizeste? Claro que foste! Leite com chocolate  e torradas com manteiga... um menu com dificuldade de execução enorme! - dei uma gargalhada - só podes ter sido mesmo tu!
- Quer dizer uma pessoa tenta fazer um agrado e ainda é assim que agradeces?
- Amor, tens a certeza que não pegaste fogo na cozinha enquanto fazias as torradas?
- O que é que acabaste de dizer?!
- Perguntei-te se tinhas a certeza que não pegaste fogo na cozinha enquanto …
- Isso nem vou responder... estou a perguntar antes... o que é que me chamaste?
- Ah isso!! Chamei-te aquilo que és! 
- E o que é que eu sou?
- Tu és o MEU A-M-O-RRRRRRR!!! - falei terminando com o inicio de um beijo que nos levou a mais um momento de entrega para só depois nos despacharmos e partirmos até ao Algarve.
Como apenas eu conhecia o destino conduzi eu. Paramos a meio do caminho para almoçar e estávamos a meio da tarde quando já no Algarve, na A22, ao ver a saida que iria utilizar
- Oh Maria onde é que estamos?!
- No interior algarvio...
- Ou seja?! Perto de quê? Ainda falta muito?
- És pior que os putos tu! Estamos mesmo a chegar e estamos algures entre Olhão e Tavira satisfeito?
- Não a 100% Ainda falta saber onde é que vamos e porque é que no Algarve só vejo agua lá ao fundoooooooooo hum?
- Porque eu disse que vínhamos para um sitio calmo e por isso não nos ia meter num daqueles hoteis “dentro de agua”! 
- Então viemos para cá e nem vou ver  agua?
- Exagerado a praia fica a 10 min! Além disso...  olha logo vês estamos já a chegar.
Assim que parei o carro sai e o João acompanhou-me, fez questão de pegar ele nas malas e seguimos até à recepção indicaram-nos o quarto e todos aquelas borucracias de check-in assim que fechei a porta do quarto
- Bem isto é demais!
- Eu sei!
- Já cá tinhas estado?
- Sim no casamento de uma amiga, mas só na festa... adorei esta ideia da inspiração árabe... e é super relaxante...
- Hum-hum... -concordou comigo enquanto me abraçava - não sei se será relaxante a mim está a enerver-me...
- A enervar porquê?
- Porque é um stress não conseguir  decidir se quero dar um mergulho na piscina, ou se quero experimentar a cama primeiro... - falou apertando o abraço e iniciando uma sequência de  beijos
- Se o problema é esse está resolvido!
- Está?!
- Sim... vais  dar o teu mergulho enquanto eu arrumo as minhas coisa e tenho de me  ligar ao mundo - peguei no portátil - para ver se aconteceu alguma coisa...- fez beicinho - só vou mesmo espreitar o mail e os jornais e já vou ter contigo! Além disso a sugestão de trazer o escritório atrás foi tua!
- Se não fosse assim não vinhas...
- Ossos do oficio meu caro... ossos do oficio!
O João deu-me um beijo e acabou por ir até à piscina e eu depois de desfazer as malas e de dar um olho pelo “mundo” sabendo que tudo corria como tinha programado lá me juntei a ele.
- Tava a ver que não
- Eu fui rápida!! - mergulhei entrando na piscina e ficando junto dele
- Mesmo assim trouxeste companhia - apontou os dois telemóveis que tinha deixado na  espreguiçadeira
- Eles são parte de mim...  se não estiverem perto não respiro!
- Respiras sim que eu faço respiração boca-a-boca...
- Tu não sabes fazer isso...
-  Anda cá! - puxou-me e pela primeira vez beijamos-nos sem pudores em plena luz  do dia e em publico. O beijo durou enquanto tivemos folego
- Vês... se não fossem  os meus telemóveis morria! Porque tu só conseguiste roubar o oxigénio que eu tinha... mas se quiseres ir praticando eu não me importo de ser cobaia!
- Os seus desejos são ordens! 
Ainda ficamos a namorar durante alguns longos minutos dentro de agua onde aproveitamos para tirar algumas fotografias antes de acabarmos por voltar para a suite onde depois de um duche a dois com direito a amarmos-nos debaixo de agua nos preparar-mos para jantar no restaurante do hotel.
Estávamos já  no restaurante  quando um dos meus telemoveis dá sinal de vida, olhei e  vi que era a Mariana admirei-me de não me ter dito nada antes, será que só agora tinha visto o bilhete que lhe deixei?!
- É a minha prima... - atendi - Priminha linda do meu coração!!
- Tás-me  a gozar certo?!
-  O que foi?
- Deixas um papel a dizer que vais para o Algarve uma pessoa pensa que vais a trabalho e depois tem de ver fotografias da menina de piscina num sitio lindo!
- Fotografias minhas nas piscina?! - olhei o João que ria às gargalhadas com a minha cara de má - Onde é  que tu viste isso?
- No perfil do João! Olha e manda-o lá ai calar-se que eu não estou a brincar! - foi a minha vez de rir - Tás-te a rir? É agora que  vocês vão assumir finalmente que namoram?
- Nós namorar?! Mas tu andas a tomar os medicamentos a horas? Nós namoramos e tu e o Ruben são marido e mulher!
- Tinha que vir o Ruben!
- Pronto já não falo mais no menino! - enquanto falava com a Mariana acedia ao  facebook pelo telemóvel - e para que conste eu vim  para cá porque nesta altura do ano o Algarve tem mais cromos por metro quadrado que uma caderneta e o João como não tinha planos aceitou vir comigo... sabes os amigos também tiram férias juntos!
- Pois sim se tu o dizes... Divirtam-se e protejam-se!
- Agora nós - apontei o dedo indicador aleternando-o entre nós - que fotografias são estas e ainda por cima publicadas on-line?
- Tenho o perfil bloqueado... só vê o pessoal...
- Sim o pessoal como a minha prima que já tirou as conclusões dela...
- E foi agora que ela chegou lá queres ver?
- Não, não foi... mas para a próxima deixas-me escolher eu as fotos... não gosto desta!
Referia-me a uma foto que ele tinha comigo apenas a “boiar” na piscina
que antecedia uma que sabia que ele tinha tirado pois tinha ficado a mandar um beijo de propósito e que ele lengendou
- Feio és tu e não te proibem de sair à rua!
Passei para a seguinte e vi uma foto tirada mesmo antes de sair-mos do quarto que ele legendou
“e aqui está uma foto a comprovar a alegria e a felicidade vividas nas férias românticas do casal mais apaixonado do pais e do mundo... quem sabe do universo! A Maria e o seu Amor”
- Muito engraçadinho! 
-Escrevi alguma mentira? Aposto que se eu e o portatil estivéssemos a cais da varanda tu apanhavas o portatil!
- Mas isso é obvio! Tu tens mãos para quê? Para te segurares! E o meu  Jervasio Anacleto não!
- Jervásio Anacleto?! O computador tem nome?
- Claro como é que eu me chateava quando a net falha ou ele fica lento ou perco algum documento?!
O João tinha começado a rir descontroladamente e eu também já não controlava muito a minha gargalhada até que me levantei de repente e sentei-me no colo dele tirando uma foto com o meu telemóvel que de imediato publiquei
Só tive tempo de voltar para o meu lugar quando recebo a notificação de dois comentários o primeiro da Mariana “Prima onde é que tu estás sentada?!” e o segundo do Ruben “onde é que vocês  andam os  dois que nem para convidar uma pessoa... é que pelos vistos a coisa está boa!” respondi um dois em um “Prima estou sentada numa cadeira onde mais?! Oh invejoso deixa-te de tangas que eu sei que estás prós lados do estrangeiro! E sim a coisa por aqui está 5*”
- Ah e tal fotos publicadas e não sei  quê?
- Tá “monita”... num tá? - imitei uma criança e fiz um biquinho para de imediato receber um beijo que acabou por nos levar para o quarto onde tivemos mais uma noite cheia  de momentos a dois.
A primeira semana passou toda dentro do mesmo ritmo, de manhã piscina, de tarde praia, à noite um passeio pelas cidades algarvias, muitos momentos de puro prazer partilhados e claro muitas horas só a ver o João dentro de agua enquanto atendia chamadas ou trocava documentos importantes online.
Durante o fim de semana a agitação foi maior avisei quem de direito que iria ficar off-line  e desliguei todos os contactos profissionais apenas acedi ao meu telemóvel redes sociais pessoais embora poucas vezes o tenha feito já que o João se encarregou de preencher o fim de semana de actividades e encontros com colegas que  se encontravam também  de férias, acabei por  o acompanhar mantendo sempre a distancia de segurança em publico já não o fazíamos  de propósito,  mas sim naturalmente.
A segunda semana foi diferente com o aproximar do Mundial e conhecidos os vários convocados o mercado ficou louco!
Passei manhãs sem nem tomar o pequeno-almoço agarrada ao portatil e aos telefones, cheguei a atender os dois ao mesmo tempo e estava na terceira manhã a este ritmo depois de uma directa também a ritmo alucinante quando o João se qualquer consentimento prévio me fecha o pc e desliga os dois telemóveis guardando-os
- Mas tu tás parvo?!
- Não parva tás tu! Desde o lanche de ontem que não comes, estás há praticamente 24h ligada a tudo e todos se não tivesse  feito isto paravas  quando?  Quando caísses para o lado?
- João  isto  não é uma brincadeira e isso que estás a fazer pode por em risco a carreira de um colega teu! Imagina que tinham feito  isso enquanto estava em contactos com o Sporting em Janeiro... se calhar não tinhas o contrato  que  tens nem  sequer tinhas vindo!
- Agora vais jogar isso em cara é?! Que só estou onde estou e como estou porque tu o fizeste?!
- Eu não disse isso! 
- Pois não, foi parecido!
- Não, não foi e tu sabes! Agora se não te importas eu tenho mesmo que acabar este assunto se quero ver o sol hoje...
Voltei a abrir o portatil e acabei de enviar o e-mail que tinha a meio, ouvi a porta a abrir e vi o João sair, mas nem liguei muito não tinha gostado da conversa e preferi voltar ao trabalho. Felizmente ele antes de sair deixou os  telefones em cima da cama e pude voltar a liga-los,  entre as várias chamadas uma apenas era realmente importante retornei a ligação e quando já estava a terminar o João voltou a entrar no quarto com um enorme carrinho de comida.
- O que é isso?
- Já que vais ficar aqui agarrada ao computador pelo menos comes qualquer coisa! - dei uma gargalhada
- Obrigada... e sim vou passar a tarde aqui e agarrada, mas vai ser a ti! Já resolvi o ultimo assunto urgente...
Nem disse mais nada acabei por me agarrar a ele, mas a fadiga era tanta que adormeci com as primeiras caricias. Acordei  horas depois com o telemóvel a tocar e não eram grandes noticias, tinha de ir imediatamente para Lisboa para resolver um processo mais complicado, acordei o João e expliquei-lhe ele não gostou, mas também não refilou. E nessa noite voltamos para cima a meio da viagem e depois de desligar uma chamada em alta-voz
- Sabes nestes  dias aprendi duas coisas!
- Ai sim quais?
- Viver contigo é garantia de ter mais informação que  A Bola, o Record e O Jogo juntos e ainda  por cima informação verdadeira... - comecei-me a rir - a segunda é que para vocês tratarem de transferencia ou venderem melões  é o mesmo!
- Tás a ser injusto! Se fosse assim não tinha um terço dos problemas  que tenho só falava em numeros e pronto...
- É um bocadinho assume!
- Pronto nalguns casos sim- sorri a concordar com ele
- E agora para me compensares de ter terminado as férias mais cedo passas cá a noite!
- Oh que castigo tão grande! - falei já dentro do prédio.
Voltamos a passar a noite juntos, mas no dia seguinte bem cedo tive de passar por casa para vestir algo de profissional e acabei por dar de caras com o Ruben, ainda pensei fazer vários comentários ao assunto, mas como estava atrasada e tinha as fotos nas redes sociais a denunciarem-me preferi  abster-me de comentários e deixei os pombinhos  para trás. Acabei por passar o dia enfiada no escritório e só já perto da hora do jantar é que voltei a casa e consegui falar com o  João.

***

Os dias que se seguiram passaram ao mesmo ritmo embora os tenha passado praticamente sozinha já que a Mariana foi passar uns dias fora com uns colegas e o Ruben tinha sido chamado à Selecção para substituir um colega.
O João estava a passar-se por ficar em Lisboa com o pessoal todo a gozar as  férias.
- Estava muito bom como sempre...-  falava do jantar que tinha preparado à  pressa para os  dois
- Oh não  tava nada de especial atrasei-me...
- Eu gostei!
- E isso é que importa -  dei-lhe um beijo  e puxei-o para o sofá  da sala - mas tinhas qualquer  coisa para me contar...
- Amanhã vou viajar... - olhei-o admirada - vou passar uns dias a Las Vegas com o Fábio
- Desculpa... acho que não percebi
-  São só uns dias... ele vai com uns amigos e um deles desistiu e ele convidou-me, como estou farto de cá estar...
- E não te passou pela cabeça comentares qualquer coisa sobre isso antes?
- Foi tudo decidido esta semana
- Claro... e a que horas  vais?
- Saímos as 8h da manhã
- Então...  vai lá já deves ter feito a mala mas há sempre qualquer coisa para arrumar e deves querer descansar...
- Por acaso tenho a mala no carro e tinha pensado ficar cá esta noite para nos despedir-mos como deve ser e sempre estou mais perto do aeroporto
- Se quiseres passar a noite cá em casa é sem problemas dormes no  meu  quarto eu fico no da Mariana... amanhã de manhã sabes o lugar das coisas. - levantei-me controlando o resto de calma que ainda me restava -  boa noite,  dorme bem e faz boa viagem - dei-lhe um beijo leve nos lábios e sai da sala
Estava já no meu quarto apenas a trocar de roupa quando sinto as mãos do João na minha cintura
- Podias ter esperado que eu te ajudava...
- Não tenho 2 anos sei trocar de roupa sozinha! - retirei as mãos dele e afastei-me
- Ficaste chateada?
- Não...
- Então porque disseste que ias dormir no quarto da Mariana e porque é que estás a evitar-me?
- Eu não disse que ia eu vou.  Estou cansada quero dormir e vai ser difícil porque estou à espera de mais chamadas durante a noite por isso não te vou incomodar,  dorme e descansa porque amanhã a viagem é longa.
Acabei de me vestir e preparava-me para sair quando o meu telemóvel tocou. Atendi logo ali a chamada que sabia iria  ser longa e enquanto retirava da minha mala o meu caderno de notas o João despiu-se e quando eu ia mesmo a sair do quarto pegou em mim por trás ao colo e sentou-se comigo na cama ficando no centro das  suas pernas. Claro está que acabei por me recostar no seu peito e fiquei a trabalhar ali mesmo enquanto o João tentava embaraçar-me de quando em vez com caricias mais atrevidas que me levavam a engolir qualquer reacção. Com o passar do tempo senti os movimentos do João diminuir  e quando o olhei num momento mais calmo da discussão telefónica vi que dormia, lentamente me levantei e deitei-o acabando por me voltar a sentar-me junto a ele. Quando a chamada terminou e finalmente pude fechar os olhos o alarme do telemóvel do João começou a tocar e toda a “raiva” que tinha daquela  viagem voltou ao de cima em mim. Aquele apito irritante continuava e o João nem se mexia, acabei por lhe dar um abanão forte
- ACORDA!!! - quando o vi  reagir - Desliga essa porcaria e desaparece rápido daqui que eu quero dormir!
Ele não me disse nada, levantou-se e preparou-se para sair pude ouvir todos os barulhinhos que ia fazendo isso tirava-me do sério. Até que os sons acabaram e senti-o voltar a entrar no quarto deixei-me fingir que dormia e passados alguns segundo tinha-o a beijar-me a face e sussurrou-me
- Dorme bem... eu vou, mas volto logo nem vais sentir a minha falta... 
- Vai já... boa viagem...
Ele  saiu e passado pouco tempo eu estava de volta à rotina.

Como correrão os próximos tempos?

domingo, 16 de setembro de 2012

019 - "....não sou igual às outras, não sonho com um namoro, casamento, filhos..."

(Ruben)

Nunca pensei que conseguisse falar o que andava há anos a esconder mas naquele momento não consegui evitar mais, senti que tinha de ser honesto primeiro comigo e depois com a Mariana, admiti que o que me une a ela é muito mais do que amizade no entanto não obtive qualquer reação da sua parte, a Mariana ficou estática a olhar-me para uns minutos depois “acordar para a realidade” ao tentar sair da cozinha.
- Onde vais? - agarrei-lhe o braço.
- Embora...
- Ou seja vais fugir tal como fugi no passado! - parou de andar e olhou-me.
- Não estou a fugir... simplesmente não tenho mais nada para dizer.
- Não tens? Mariana acabei de admitir que gosto de ti - aproximei-me dela - e tu não tens nada para dizer?
- Ruben - respirou profundamente - a última coisa que quero é magoar-te e neste momento se continuar aqui é o que vai acabar por acontecer.
- Porquê?
- Porque ao contrário de ti não tenho certezas de nada...
- E por isso foges - olhei-a nos olhos - em vez de tentares obter essas certezas que tanto precisas...
- Antes de obter essas certezas preciso de entender se as quero ter - suspirou - Ruben entre ter a tua amizade ou não ter nada prefiro a amizade.
- Mas se podes ter as duas... porquê que continuas a fugir... será assim tão complicado admitires que gostas de mim?
- É... porque sei que mais tarde ou mais cedo nos vamos chatear e afastar, pior que isso é ter a certeza que não estou preparada para ter qualquer coisa contigo sem ser amizade, o problema não és tu mas sim meu, sei que agora não entendes mas talvez um dia venhas a perceber.
- Ajudava se fosses directa ao assunto!
- Esquece... é algo que não me orgulho e que não quero falar... Ruben é verdade que gosto muito de ti, que és meu amigo e em circunstâncias normais até poderias ser mais mas eu não sou normal, não sou igual às outras, não sonho com um namoro, casamento, filhos e nem tenho perfil para isso, sou extremamente dona do meu nariz, não tolero que digam ou opinem sobre nada do que faço ou quero, logo não estou minimamente preparada para namorar com ninguém e nem estou disposta a fazer um esforço para mudar isso, talvez daqui a uns anos isto mude mas neste momento não quero nem posso prender-me a ninguém, por muito que me sinta bem do teu lado não consigo - olhou-me - a verdade é que sempre que agarras na minha mão, abraças-me, beijas-me ou simplesmente olhas-me sinto-me estranha é como se tudo o resto desapareça... provavelmente é isto que chamam de paixão ou até mesmo amor, não sei nem quero saber, porque mesmo sentido isto tudo tenho consciência que não sou a mulher que precisas porque não estou disposta a mudar, não consigo... só a ideia de estar “presa” a alguém faz com que afaste imediatamente tal ideia.
- Podíamos tentar...
- Sim, podíamos mas só iria estar a iludir-te e no fim acabávamos novamente por nos magoar como foi no passado, Ruben percebe que ao contrário de ti que estás cheio de certezas eu não, estou confusa, com medo, já não me reconheço e enquanto andar assim não vou assumir compromisso nenhum, nem contigo nem com ninguém...
- Tudo bem... não insisto mais mas não vai ser por isso que vou conseguir apagar o que sinto por ti... Mariana estivemos anos sem nos falarmos, sem saber nada de ti e nunca consegui esquecer-te por isso não vai ser agora que nos cruzamos constantemente que vou conseguir fazê-lo, nem mesmo o facto de te ver com outros diminui o que sinto, talvez porque no fundo compreendo-te e partilho contigo a mesma opção de vida, vou divertindo-me com as outras e amando-te em silêncio - suspirei - o pior nisto tudo é que acredito que sentes o mesmo por mim mas não o consegues admitir... por isso juro que não toco nunca mais neste assunto - olhei-a - mas espero que tudo o que foi dito aqui não interfira com a nossa amizade, quero recuperar os anos que estivemos afastados, quero a minha amiga de volta.
- E vais tê-la... porque também quero e muito ter o meu amigo de volta, faz-me bem e do teu lado sinto-me segura, além que és o único que sempre me deu na cabeça e que ouvia, é verdade que não o demonstrava mas ouvia e por momentos até tentava fazer o que dizias mas a louca da Mari acabava sempre por levar a melhor - sorri ao ouvi-la - posso dar-te um abraço?
- Anda cá - abri os braços e acolhi-a - sabes - afastei-me ligeiramente para olhá-la - no fundo é isto que sempre fomos e seremos... amigos! - sorrimos.
- É tens razão - deu-me um beijo repenicado no meu rosto tal como fazia quando éramos dois adolescentes - por isso mesmo aqui a tua amiga vai acabar o jantar - soltou-se dos meus braços e virou-se para a bancada.
Fiquei a observá-la e no fim jantamos com alguma animação à mistura, acabamos por contar alguns momentos engraçados que ocorreram nas nossas vidas durante os últimos anos e no fim de arrumarmos a cozinha decidimos ir beber um copo, passamos pela casa da Mariana para mudar de roupa e seguimos para a noite.
Divertimos-nos os dois mas sem arranjarmos companhia extra, foi simplesmente uma saída entre dois amigos e no final deixei-a em casa com a promessa que a noite que tivemos será para ser repetida mais vezes.

(Mariana)

Quinze dias passaram e depois da conversa franca que tive com o Ruben já conseguimos partilhar o mesmo espaço sem as constantes provocações, acordamos que iríamos deixar o passado no seu lugar e seguir em frente, acabamos por conseguir recuperar a cumplicidade que em tempos tivemos e actualmente já nenhum dos dois toca no assunto.
Estava já a sair de casa para ir ter com os meus dois mosqueteiros uma vez que o Ruben conseguiu convencer-me a alinhar numa saída a três quando a Maria chega vinda do Porto e assim que lhe disse para onde ia colocou-se imediatamente. Esperei por sua alteza e depois seguimos juntas no carro dela.
Entramos no bar e assim que vimos o Ruben percebi que algo se passava, a cara que fez ao ver a Maria comigo denunciou-o imediatamente.
- O que é que se passa? - perguntei no momneto que o cumprimentei.
- O João está acompanhado - respondeu-me no mesmo tom - mas tanto quanto sei é só uma amiga.
- Isto vai dar confusão...
- Anda - agarrou-me a mão puxando-me, caminhamos até à mesa onde já se encontrava o João com a minha prima a seguir-nos sem evitar o sorriso sempre que desviava o olhar para ela.
O ambiente ficou um bocado estranho assim que a Maria teve conhecimento da presença da outra, ainda assim controlou-se e tolerou a presença da flana até conseguir mas acabou por sair assim que eles foram dançar os dois, ainda tentei segui-la mas o Ruben agarrou-me.
- Deixa-me ir...
- Não, fica! - pediu-me ao ouvido.
- Mas a Maria tá lixada...
- Por isso mesmo deixa-a... ela deve querer ficar sozinha...
- Mas eu vim com ela!
- Deixa-te de coisas que apiada não ficas - sorriu - anda - puxou-me pela mão - vamos dançar.
Acabei por lhe fazer a vontade e passamos os minutos seguintes a dançar até que o João fez sinal que também ia embora, despedimo-nos dele e ainda ficamos durante alguns minutos no bar mas acabei por pedir ao Ruben para levar-me a casa algo que ele fez sem refilar.
- Olha lá - o Ruben desviou o olhar da estrada por meros segundos - mas afinal quem é mesmo a gaja que tava com o João?
- Alguém do Sporting... não entendi bem.
- Mas anda a sair com ela? É sério?
- Achas - sorriu - só há uma pessoa que pode vir a ter essa importância na vida do João e essa conhecemos nós bem...
- Pois... talvez.
Continuamos à conversa até sermos obrigados a despedirmo-nos uma vez que já estávamos diante do prédio.
- Tens planos para amanhã?
- Porquê?
- Lembrei-me que podíamos fazer qualquer juntos.
- Só se for assim uma sessão de cinema caseira porque não está a apetecer-me mais nada.
- Tudo bem - sorriu - apareces lá em casa a que horas?
- Olha lá e porquê que não é o menino a vir ter comigo?
- Porque quero estar só contigo - atirou sem o minimo cuidado - e aqui existe a probabilidade da tua prima aparecer!
- Ruben não estejas com ideias...
- Fica descansada que não estou com ideias de te levar para a cama ou algo do género - olhou-me - só quero estar com a minha amiga sem ter ninguém a mandar piadas.
- Ah... ok.
- Então aparece lá em casa quando quiseres.
Ficamos ainda uns minutos à conversa mas acabei por despedir-me do Ruben e no momento que virei o rosto para lhe dar o outro beijinho olhamo-nos com uma intensidade tremenda, foi de tal ordem que senti um arrepio ainda assim disfarcei e apressei-me a sair do carro.
Entrei no prédio sem olhar para trás e subi até ao apartamento, assim que entrei cruzei-me com a Maria que ia a sair, não questionei até porque com a cara que estava o melhor era mesmo nem perguntar.

****
Acordei com energia e por isso decidi ir dar uma volta, ainda foi ao quarto da Maria para ver se arranjava companhia mas não a encontrei, resolvi ir na mesma e passei a manhã toda à beira rio, ora a andar, a correr ou simplesmente sentada a observar não sei o quê.
Dei comigo a pensar no Ruben e nos momentos que temos partilhado nestes últimos dias, aos poucos e poucos temos vindo a recuperar a cumplicidade que em tempos tivemos e isso deixa-me serena.
Resolvi regressar a casa onde tomei um duche relaxante e depois preparei algo leve para o meu almoço, no fim de almoçar mudei de roupa e segui para a casa do Ruben.
- Oi - deu-lhe os dois beijinhos da praxe.
- Entra - sorriu quando passei por ele.
- Ena levaste mesmo a sério o que falei de sessão de cinema caseira - sorrimos - até temos pipocas e tudo - falei ao agarrar em algumas e a levá-las à boca.
- É... se ainda não perdeste o vício... só vês um filme se tiveres uma taça de pipocas no colo.
- Pois... - sentei-me do seu lado - e que filme é que vamos ver?
- Uma comédia que andamos a precisar de rir...
Não coloquei entrave nenhum e por isso começamos a ver o filme, uns minutos bastaram para as gargalhadas começarem, o que foi uma constante ao longo do filme e quando este terminou dei comigo abraçada ao Ruben, deixei-me ficar, ali sentia-me bem e protegida.
As horas passaram e depois de muita conversa jogada fora decidimos ir jantar fora, o Ruben escolheu o restaurante e deu para entender que teve em conta a nossa privacidade uma vez que estávamos mais afastados dos outros clientes.
A noite revelou-se animada mas terminou cedo, afinal ambos tínhamos que trabalhar do dia seguinte, no entanto ainda houve tempo para um momento embaraçoso, este aconteceu quando nos despedimos ou não fosse o Ruben ter beijado-me no canto dos meus lábios, não sei o porquê mas tal atrevimento deixou-me sem saber o que fazer e por isso limitei-me a entrar no meu carro e seguir viagem até casa.

****
Os meses “voaram” connosco a aproveitar ao máximo todas as oportunidades para estarmos juntos, saímos várias vezes a quatro mas houve muitas ocasiões que encontrávamos o pessoal todo com quem partilhávamos momentos engraçados.
Ultimamente tenho saído com o Ruben e com os colegas de equipa dele, bem como com as namoradas o que por diversas vezes já nos trouxe momentos divertidissimos uma vez que as fãs dele facilmente confundem-me com a suposta namorada que o Ruben tem mas que nem ele sabe quem é.
As noitadas muitas vezes terminam a quatro porque os colegas vão embora e nós ficamos no entanto normalmente encontramos companhia, temos aproveitado imenso esta nova amizade que por vezes torna-se um pouco mais colorida mas até ao momento sempre conseguimos controlar o desejo que partilhamos em comum mas que insistimos em negar, tenho consciência que sou transparente para o Ruben tal como ele é para mim, ainda assim insistimos em fingir que não o sabemos.
A Maria é que sempre que pode dá-me na cabeça, diz que ando a brincar com o fogo e que algum dia acabo queimada.

****
Hoje acordei ansiosa, finalmente será revelada a lista dos jogadores que irão ao Mundial, combinei com o Ruben estar do seu lado no momento e por isso passei o tempo todo a olhar para o relógio até que chegou finalmente o momento de ir ter com o meu amigo.
- Oi - dei-lhe um beijo no seu rosto seguido de um abraço - nervoso? - sorriu.
- Não dá para negar - fez-me um carinho no rosto - conheces-me bem demais para te mentir - gargalhamos os dois - mas entra que na sala já estão a minha mãe e o meu irmão.
- Ui… se não tivesse é que admirava-me - gargalhei - afinal nunca vais deixar de ser o menino da mamã… - não consegui continuar a falar o Ruben deu dois passos em frente e ao colocar um braço na minha cintura puxou-me contra o seu peito para no segundo seguinte unir as nossas bocas - Ruben... - ainda tentei acabar com aquilo mas não consegui, ele voltou a unir as nossas bocas e acabei por deixar as nossas línguas se encontrarem para no mesmo instante sentir as suas mãos nas minha nádegas, o Ruben encostou-me à parede e uns minutos depois já tinha as pernas em torno da sua cintura, sem nunca descolarmos as nossas bocas, aquilo já estava a sair do controlo com o Ruben a acariciar-me o peito com uma das suas mãos quando ao ouvirmos a voz da Anabela despertamos para a realidade, separamos as nossas bocas e sorrimos para os meus pés voltarem a tocar o chão logo depois.
- Mais calmo? - gozei após o Ruben ter respondido à mãe dizendo que já íamos.
- Calmo estou… - beijou-me o pescoço - agora quero ver é como disfarço o resto… - gargalhei ao mesmo tempo que fez-me um ligeiro chupão - andamos a brincar com o fogo - sorrimos os dois.
- Deixa-te de coisas - tentei desviar o assunto talvez por não saber o que dizer depois do que se passou - e vamos mas é até à sala - demos as mãos e foi assim que entramos na sala, cumprimentei a família do Ruben e sentei-me do seu lado, era visível a ansiedade do meu amigo e por isso mesmo não me privei de lhe dar alguns mimos ainda que muito subtis.
Os minutos passaram e o momento do anúncio chegou, dei-lhe a mão e foi assim que presenciei a desilusão do meu amigo, o Ruben ao perceber que não tinha sido convocado não conseguiu esconder a tristeza, o irmão e a mãe foram os primeiros a tentar animá-lo mas sem grande efeito, o Ruben pediu para ficar sozinho e se a família respeitou o mesmo não posso dizer de mim, não o iria deixar sozinho, acabei por conseguir vencê-lo pelo cansaço e arranquei-o de casa, fomos dar um passeio e acabamos no Castelo de S. Jorge, mais uma vez a recordar o passado e foi no meio de recordações que o Ruben puxou-me para o seu colo.
- Sabes o que me apetece agora?
- Sei - gargalhei - apetece-te ir procurar mais uma vítima - sorriu.
- Estás enganada - a sua mão que até então estava sobre o meu joelho começou a subir pela perna - a vítima já encontrei - o Ruben não deu tempo para que reagisse e beijou-me fugazmente - só não sei se estás disposta a sê-lo…
- Ruben - suspirei - alinho numa saída a dois mas como amigos mais que isso não.
- Tudo bem - resignou-se e voltei para o banco.
Ficamos no castelo durante algum tempo mas acabamos por ir embora, levou-me a casa para despachar-me e depois vinha buscar-me uma vez que o meu carro tinha ficado na sua casa.
A noite começou como tantas outras com um jantar animado entre dois amigos e prosseguiu com uma ida a um bar mas ao contrário das outras o Ruben não estava lá muito animado e deu mesmo o fora a algumas raparigas que se aproximaram à procura de divertimento por uma noite só, como o meu amigo não estava com disposição para continuar pelo bar acabamos por sair.
- Entras? - perguntou-me quando chegamos a sua casa.

Será que a Mariana aceita? Se sim... como acabará a noite?

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

018 - "Sabes eu vou contar-te um segredo... Eu sou noiva..."

(Maria)

Acordei no dia seguinte (sábado) ainda cedo e como senti que tinha excesso de energia a querer saltar-me pelos poros, vesti um fato de treino, peguei no telemóvel e nos fones e fui dar uma corrida junto ao rio. Quando voltei a casa resolvi  arrumar tudo o que precisava para a viagem, iria viajar apenas no domingo ao fim do dia, mas gostava de preparar-me com antecedência e assim com a(s) mala(s) já prontas poderia debruçar-me sobre os processos individuais de cada um dos atletas com que iria reunir e seriam alguns, já para não falar de dirigentes de clubes.
Durante o fim de semana o Sporting jogou fora e eu passei-o a trabalhar não sem voltar a dar por mim a pensar  que o João não me tinha dito mais  nada.
Domingo final do dia e eu a chegar a casa do Ruben que me tinha  obrigado a passar por lá antes de ir de viagem.
- Olá!! - disse assim que abriu a porta
- Olá! Olá! Aqui me tens! Para que tinhas tanta urgência?
- Para nada queria mesmo só despedir-me de ti, não vás tu resolver ficar-te lá pelo norte...
- Engraçadinho! Vá dá cá dois beijos que ainda tenho de ir para cima hoje que amanhã às 9h tenho reunião no Dragão - foi impossível não fazer uma careta correspondida por ele e seguida de uma gargalhada de ambos
- Vai lá então e porta-te bem!
- Sim paizinho!!! - ia a sair - Olha lá tu fizeste-me vir cá só mesmo para isto?!
- Sim!
- Tás a gozar certo Ruben? 
- Não!
- Pois da próxima vez que me pedires para cá vir eu logo te digo... - falei com ar ameaçador
- Ah... é que eu...
- Tu?
- Eu já pedi ao João e queria também pedir-te a ti - olhei-o na expectativa - pedir desculpa pelo que se passou na noite dos anos dele... abusei... acabei por arruinar a noite do pessoal...
- Mas tu tás parvo?! Não tens nada que pedir desculpa pelo menos não a mim! Porque eu não acho que tenhas nada de que te desculpar, se podia ter sido um bocadinho mais comedido podias, mas tendo em conta que estamos a falar na minha prima... moderação é algo que não existe no dicionário dela... e já que falamos nisso e é mesmo a ultima coisa que te digo antes de me ir... fala com ela... ou melhor conversa! Fala e ouve! Vocês devem isso a vocês próprios mas se isso não for suficiente façam-no porque me devem a mim e ao João! - ele ia ripostar, mas não o deixei - Bom adeuzinho - dei-lhe dois beijos - algum recado para o norte?
- Não, foge lá agora que a conversa podia cair sobre ti e o João... - sorriu - para o norte não tenho recado nenhum... boa viagem
Ao arrancar com o carro apercebo-me que outro fazia manobra para estacionar no lugar vago ao lado, mas a sua manobra impedia a minha. Instintivamente voltei-me de forma a refilar com o condutor quando dou de caras com o João ao vê-lo acabei por não barafustar fiquei apenas parada a observa-lo, até que tambem ele se deu conta de que era eu, e acabou por me mostrar um sorriso amarelo e super forçado e fazer um “tchau” respondi da mesma forma e arranquei. Não tinha gostado daquela forma de despedida, mas sinceramente não sabia o que deveria fazer. Se a primeira ideia que tive foi sair do carro e dar-lhe um beijo, como só conseguia ter com ele, antes de viajar ou se fingia que não se tinha passado nada, foi ele que acabou por decidir.
A viagem até ao Porto foi toda passada a pensar na noite que tinha passado com o João, no quanto me custou tê-lo deixado a dormir sozinho quando só queria ter ficado aninhada com ele, em como parecia uma parva quando o telefone tocava e esperava que fosse ele ou nas palavras da Mariana que garantia que também ele poderia estar interessado em mim mas se assim fosse porque não teria dito mais nada? porque teria feito aquele sorriso tão forçado? será que não tinha lido o meu bilhete?
Estas questões acompanharam-me durante toda a viagem e ainda durante os 15 dias que permaneci a norte em que as noites foram um verdadeiro calvário pois assim que chegava ao hotel e deixava o trabalho para trás as duvidas voltavam a assolar-me.
Finalmente chegou o dia de voltar a Lisboa e assim que coloquei os pés em casa encontrei a Mariana pronta para sair, disse-me que ia beber um copo com “os rapazes” pedi-lhe que me esperasse e num instante tomei um duche revigorante vesti-me e estava pronta para ir também assim que lá cheguei o Ruben pareceu-me surpreendido de mais, ficou mesmo com aquela típica cara de “e agora o que é que eu faço?” que foi explicada com a chegada do João acompanhado por uma “amiga”. O momento que se seguiu foi no minimo constrangedor
- Não sabia que já tinhas voltado...
- Cheguei à um par de horas...
O João cumprimentou a Mariana e o Ruben e voltou a ficar parado a olhar-me a amiga tinha-se auto-apresentado aos restantes e quando o iria fazer a mim vendo que estávamos em outro planeta forçou um tossicar que despertou o João
- Maria é a Constança Marquez... Constança é a Maria Mendes
- Muito gosto! Maria Mendes da gesti...
- Essa mesmo, mas já nos conhecemos?
- Falamos algumas vezes ao telefone... Constança Marquez da Sporting SAD? - disse-me como se fosse suposto lembrar-me
- Desculpe mas não estou a reconhecer o nome... 
A conversa felizmente ficou por ali, mas confesso que me arrependi de ter saído passei a noite a remoer as perguntas de sempre e a tentar perceber se havia alguma coisa entre a Constança e o João. Contacto era decididamente algo que não tinha com o João principalmente o verbal que estranhamente foi evitado por ambos. Aparentemente não houve qualquer contacto físico que indicasse alguma relação mais intima. Mas quando resolveram ir dançar o meu desagrado deve ter sido bem visível. Acabei por me despedir e seguir para casa onde tomei uma decisão no dia seguinte iria falar com o João... no dia seguinte, porquê? Se poderia ir lá hoje?!
Voltei a sair da cama e vesti qualquer coisa rápida para sair rapidamente ainda me cruzei com a Mariana, mas nem lhe disse nada apenas entrei no carro e conduzi directa até casa dele. Quando lá cheguei e vi que tinha luz estremeci... e se ele não tivesse vindo para casa sozinho? E se ela estivesse com ele?
Respirei fundo e toquei na campainha correspondente ao seu apartamento, e passado alguns segundos
- Maria?! - ouvi-o questionar pelo interfone, percebi que deveria ter visto pelo video
- Eu mesma... desculpa, mas... - não terminei de falar e ouvi a porta a destrancar.
Os minutos que esperei o elevador e que demorei a subir serviram para me auto-repreender por ter ido até lá, mas já era tarde para voltar atrás, assim que o elevador parou e a porta destranca é aberta, saltei ao ver o João do lado de fora a abri-la, descalço sem blusa apenas de jeans e já entreabertos, ao vê-lo do lado de fora do apartamento e naquele preparo só consegui pensar que tinha vindo interromper alguma coisa alem de ridícula, senti um certo gozo em estar a empatar.
- Desculpa... não devia ter vindo... estou a atrapalhar juro que não foi essa a intenção... eu volto depois... - primi de novo o botão do elevador e fiz-lhe sinal para que largasse a porta, ele continuou a segura-la
- Maria não estás a atrapalhar nada a não ser o vizinho que está a chamar o elevador lá em baixo e ele não desce... 
- Não desce porque tu não largas a porta
- Maria isto está um bocadinho de frio... se não te importasses de sair dai e entrasses ali em casa eu agradecia.
- João eu vou-me embora já te disse que não devia ter vindo e pedi desculpa pelo incomodo
- Maria Micaela sai-me já desse elevador e entra em minha casa antes que eu tenha que entrar ai contigo e vá dar as boas noites ao vizinhos neste estado!
A convicção com que falou levou-me a não “pagar para ver”
- Ok eu saio, mas só porque exibicionismo é crime e eu não quero o meu nome manchado por cumplicidade em crimes desse nível 
Aproveitei esta oportunidade para tentar através de uma piada mais ou menos forçada aliviar o ambiente, ou pelo menos o meu estado de ansiedade que aumentava a cada segundo que passava. Acabei por entrar em casa dele e sentamos-nos no sofá, ficamos apenas a olhar-nos até que
- Não quero parecer que te quero expulsar, mas é tarde e tou cansado, vieste cá a esta hora porque....?
- Porque gosto de ti! - vi-o saltar no sofá e colocar-se direito e procurei os seus olhos com os meus, tinha que abrir o jogo e tinha de ser agora e não sabia outra forma se não usar as palavras todas - Gosto muito de ti! Se te amo? Não sei! Se estou apaixonada? Acho que sim. Como cheguei a esta conclusão sinto a tua falta a toda a hora, senti-me super mal quando tive de sair daqui sem falarmos, quando nos cruzamos na porta do Ruben só me apeteceu sair do carro e correr para os teus braços e depois vejo-te a dar-me aquele sorriso “por caridade” passei 15 dias horríveis a revê-lo e hoje... hoje quando te vi com a tua amiga - respirei fundo - sou sincera e a primeira coisa que me apeteceu fazer, só não fiz porque tenho um auto-controlo que desconhecia, foi jogar-me ao pescoço dela! Fazer uma cena à “La Mariana” e enxuta-la dali - parei novamente para respirar e desta vez dei-me ao luxo de demorar mais tempo de forma a observa-lo e tentar perceber o que estaria a pensar, para meu espanto ele estava impávido e sereno e quando ia recomeçar a falar ele do nada dá uma gargalhada - a sério João?! Esperei todas as reacções vindas de ti mas gozar-me escandalosamente na cara não estava na minha lista... só espero que consigas esquecer tudo o que te disse e que possamos continuar amigos... desculpa a hora, tem uma boa noite! - levantei-me com a intenção de abandonar aquela casa, mas o João imitou-me o gesto e travou-me o caminho ficamos “cara-a-cara” e ele começou a falar
- Nunca na vida me passou pela cabeça gozar-te, mas ao imaginar-te a incorporares a tua prima e fazeres uma “cena à la Mariana” foi impossível conter a gargalhada... se te dei um sorriso “por caridade” foi porque pensei que te tivesses arrependido e não queria nem quero nunca deixar de ser teu amigo. Achas que estás apaixonada por mim?! Desde que te vi naquele bar nos teus anos que espero ouvir-te dizer isso. Custou-te deixares-me aqui?! Podias ter-me acordado... podias ter-te despedido... - quando terminou beijou-me sem dizer mais nada ficamos assim por alguns longos minutos, talvez horas entregues aos braços e beijos um do outro
- João tenho de ir embora... - olhou-me com cara de cachorro abandonado - é sério já é super tarde eu vou tar de folga mas tu tens treino e tens de descansar e eu tou toda rota da viagem, já só sou boa companhia para a almofada e para o colchão
- Vais tar de folga é? - acenei afirmativamente - eu só tenho treino de tarde... - levantou-se do sofá pegou-me na mão e puxou-me -  anda... estás a dever-me um acordar juntos! 
Nem pensei em reclamar segui-o e quando ele se deitou apenas de boxer’s fiquei a olha-lo em pé encostada à porta
- Vais ficar ai a segurar na porta para não cair?
- Tava a pensar nisso... nisso e no facto de não ser nada confortável dormir de jeans e com este top...
- Ahhh isso é um top?! Eu que pensava que te tinhas enrolado num pano da cozinha...
- Olha lá tás a dizer que o meu top tem cara de pano de pratos?
- Não tou a dizer que tem o tamanho de um!
- Pois... como eu estava a dizer este top é desconfortável para dormir e as calças também...
- Tira!
- E fico em lingerie? 
- Lembro-me muito bem que quando fugiste estavas ainda menos vestida e não tiveste tantos pudores! - falou terminando a mostrar-me a língua
- Foi, não foi?!
Ele confirmou com a cabeça percebi perfeitamente que tal como eu estava fisicamente esgotado, mas mesmo assim não deixei de o provocar e comecei a tirar a roupa lentamente, quando fiquei apenas com as cuecas e o soutien aproximei-me bem devagarzinho da cama e assim que me sentei na mesma enquanto me cobria com os lençóis o João sentou-se e abraçou-me por trás espalhou alguns beijos pelo meu pescoço e ao longo da espinha para me sussurrar ao ouvido
- Agora anda vamos dormir - voltou a deitar-se e puxou-me consigo, ficando eu com a cabeça sobre o seu peito acompanhada pelas minhas mãos - mas amanhã de manhã conversamos - olhei para ele e demos mais alguns beijinhos sem segundas intenções mas com muita emoção.
Foi nesta troca suave de carinhos que adormeci e ele também. Embora poucas horas depois tenha ouvido o meu telemóvel ecoar por toda a casa, libertei-me lentamente do abraço do João e fui encontrar o meu "bichinho" na sala atendi aquela que já devia ser a 10°tentativa de chamada
- Tou... Bom dia
- Não sei se me chateio primeiro como chefe se como tio!
- O que é que aconteceu?!
- já estás em Lisboa?
- Sim já cheguei ontem na hora do jantar 
- Podias ter  avisado!
- Tou a falar com o tio ou com o chefe? - falei entrando novamente no quarto onde encontrei o João sentado na cama a fazer beicinho sentei-me forçando-o a afastar as pernas para que me pudesse recostar no seu peito
- Com os dois! - gargalhou
- Então ao tio tenho de relembrar que já sou maior e vacinada e  que não preciso fazer um anuncio à família cada vez que espirro -falei a rir- mas tendo em conta que o tio me pediu para avisar quando chegasse tenho de pedir desculpa mas mal cheguei a casa voltei a sair com a destravada da tua sobrinha Mariana e não me lembrei mais.  Ao chefe tenho a dizer que estou de folga e que caso aceda à sua caixa de e-mails encontrará os relatórios todos desde as 17h de ontem. Mais alguma coisa?!
- Não nada aproveita a folga... Beijinhos sobrinha
- Pode crer que vou aproveitar muito bem. - olhei para cima do ombro para o  João que desde que  me tinha sentado junto dele estava a encher-me de beijos nos ombros e pescoço e de caricias por todo o corpo - Beijinhos tio.
Desliguei a chamada, joguei o telefone para longe e voltei-me de forma a matar as saudades que já sentia de um beijo
- Pensava que tinhas fugido outra vez... Afinal era só mesmo um tio com sentido de oportunidade apurado...
- Engraçadinho... Mas agora que o meu tio nos acordou o que é que querias falar mesmo comigo agora de manhã? - falei espalhando pequenos beijinhos ao longo do seu pescoço até que ele me volta ficando eu deitada na cama e ele por cima de mim em menos de um piscar de olhos foram as poucas peças de roupa que nos cobriam e impediam a entrega total.
Assim que nos foi possível juntar os nossos corpos foi o que fizemos e  entregam-nos ao prazer absoluto durante toda a manhã para já perto da hora do almoço o João se ir despachar para o treino enquanto eu improvisei algo comestível. Acabamos por almoçar entregues aos mimos e às conversas leves e divertidas até que
- Maria?
- Oui c’est moi
- Eu e tu, tu e eu somos...?
- Amigos
- Amigos?! Pensava que podíamos ser... -interrompi-o
- Sabes eu vou contar-te um segredo... Eu sou noiva...
Quando falei o João gargalhou para depois voltar a unir os nossos lábios
- Eu não sou ciumento...
- Falando agora a sério... Vamos deixar ver onde isto vai dar sem grandes pressões nem rótulos 
- Concordo... E o pessoal  a tua prima o Ruben?
- Eles sabem antes de nós... Além disso se queremos manter-nos longe da pressão aqueles dois não são aliados indicados...
- É... Achas que eles se acertam? 
- Já acreditei mais, mas também já acreditei menos.
- Tou muito bem aqui mas tenho o mister à espera... 
- Vai lá - fiz cara de choro - eu também tenho de ir... Afinal amanhã já volto ao trabalho e as malas não se arrumam sozinhas.
Acabamos por sair de casa do João juntos e apenas nos despedimos junto do meu carro com alguns beijinhos rápidos.

Como correrá esta relação não assumida dos dois? Conseguirão manter o segredo perante os amigos? 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

017 - "...hoje sou um salta-pocinhas tal como também o és..."

(Mariana)

Os dias passaram e como ao sábado não trabalho estava estatelada no sofá sem fazer nenhum quando ouvi a campainha, levantei-me e fui até à porta.
- Mãe… Pai… - exclamei surpreendida.
- Filha, isso é tudo vontade de nos veres?
- Ó pai não diga isso - encolhi os ombros - só não vos esperava.
- Mas viemos incomodar?
- Ó mãe desde quando é que incomodam - sorri - mas entrem.
- A tua prima não está?
- Não saiu para resolver qualquer coisa porque como vai para o Norte… Então e vocês querem beber ou comer alguma coisa? - perguntei ao entrarmos na sala.
- Não, nós viemos cá convidar-te para lancharmos os três mas fora daqui.
- Tem mesmo que ser? - perguntei com voz de molengona.
- Filha, desde que voltaste que ainda não tivemos quase tempo nenhum juntos…
- Ok, vou vestir-me.
Acabei por fazer a vontade aos meus pais e nos minutos seguintes estive trancada no quarto a despachar-me.
Os meus pais quiseram ir a um café novo que segundo eles estava a ser muito falado, concordei com uma única exigência… ir com eles, não estava a apetecer-me conduzir.
- Filha - desviei os olhos da carta dos gelados e olhei-a - estás a pensar visitar Faro?
- Hã?
- Então é natural que tenhas lá deixado amigos - sorri com a insinuação da minha mãe.
- Ó mãe poupe-me que sabe bem que não sofro desse mal nem quero sofrer.
- Mariana mas já não és nenhuma adolescente por isso deves ter alguém.
- Pai mas afinal o que quer? Já vos disse que não tenho ninguém e estou muito bem assim - resmunguei.
- Pronto filha não precisas encrespares-te tanto ou será caso para dizer onde há fumo há fogo.
- Mau… estão a ficar sozinhos na tarda muito… parem com esta conversa a vida é minha se não quero ter ninguém não tenho e acabou a conversa - rematei já chateada.
- Sempre pensei que o mau feitio era só comigo… - saltei na cadeira assim que ouvi a voz do Ruben atrás de mim.
- Deves pensar que tens a exclusividade de… - ripostei mas ao olhar para trás arrependi-me afinal com o Ruben estava a sua mãe - boa tarde D. Anabela - falei agora num tom afável - está tudo bem consigo? - cumprimentei a mãe dele com dois beijinhos enquanto o Ruben cumprimentou e trocou algumas palavras com os meus pais.
- Sim - sorriu - então e contigo? Nunca mais soube nada a teu respeito - desviei o olhar para o Ruben - desde o dia que te foste despedir do Ruben porque ias para Faro estudar que deixei de saber novidades tuas aliás tuas e da tua prima.
- Pois… acabamos por nos afastar - desviei o olhar do Ruben - mas deixe-me apresentá-la aos meus pais - sorri e apresentei-os para logo a seguir ouvir a minha mãe a convidá-los para se juntarem a nós, naquele momento se pudesse tinha ido embora.
- Então e tu meu rapaz continuas o mesmo introvertido - gargalhei.
- Ó pai aqui o Ruben mudou tanto que o melhor é ficar mesmo calado…
- Para quem estava com mau feitio… agora estás cheia de piada - picou-me aproveitando para colocar o seu braço por cima dos meus ombros.
- Sabes como é… tens esse poder em mim desde da nossa adolescência… - olhamo-nos - afinal sempre foste o bobo da corte - sorri vitoriosa e retirei o seu braço dos meus ombros.
- Filha - ouvi o meu pai.
- Ai ó pai já não tenho idade para repreender-me e além disso não falei nada que não fosse verdade.
- É realmente a sua filha tem razão… - olhei para o Ruben - naquela altura fui mesmo o bobo da corte… vezes demais até… mas abri os olhos e hoje só goza comigo quem eu deixo e não quem quer…
- Ui… está mesmo convencido que há alguém a querer gozar com ele - murmurei mas ainda assim o Ruben ouviu.
- Não estou convencido… tenho a certeza… e uma delas és tu - respondeu-me no mesmo tom e aproveitando o facto de os nossos pais estarem a falar.
- Só em sonhos… - ripostei.
- Sim - sorriu - em sonhos… por isso é que da última vez estavas bem acordada… Mariana admite que ganhei!
- Ui… desde quando é que virou jogo??
- Desde que voltaste… que deste-me aquele estalo… e desde que andas a inventar desculpas atrás de desculpas para fugires de mim - o Ruben voltou a aproximar-se colocando novamente o braço sobre os meus ombros - será assim tão complicado admitires?
- Admitir o quê?
- Ai não sabes? Então logo aparece pela minha casa que refrescamos essa memória… - o Ruben deixou cair o seu braço pelas minhas costas e sem que estivesse à espera apalpou-me sorrindo como se nada fosse.
- Se fosse a ti esperava sentado… não perco mais o meu tempo com meninos da mamã!
- O que é que falaste?
- Que não perco tempo com meninos da mamã… e tu nitidamente continuas a ser um…
- Vais arrepender-te amargamente do que me chamaste! - ameaçou junto do meu ouvido.
- Ruben! - o meu pai chamou-o - espero que ainda te lembres do aviso que fiz há uns anos… - sorri com o “aviso / ameaça” do meu pai, isto porque para o meu cota os jogadores de futebol só se querem divertir mal sabe ele que a filha também só se quer divertir.
- Não se preocupe… nunca toquei com um dedo que fosse na sua filha - atirou com o maior desplante.
- Deixa de ser mentiroso - ripostei levando o Ruben a olhar bem como os nossos pais - sabes bem que tocaste e não foi pouco… - gargalhei ao ver a cara do Ruben - Pai até lhe digo mais… o aviso daquela noite não sortiu efeito nenhum - o Ruben olhava-me “chocado”
- Mariana! - o meu pai encrespou-se
- Ai tenha lá calma… olhe o seu coração… bem sei que não tem problemas mas nunca se sabe - gargalhei - paizinho… mas já que toquei no assunto fiquem os três a saber que o Ruben tocou tanta vez que perdi a conta… afinal ao longo de quase dois anos… os beijinhos, os abracinhos, as festinhas foram mais que muitos - o Ruben estava sem reação - mas também não entendo o motivo de tanto espanto… éramos amigos… passávamos tanto tempo juntos… no mínimo tínhamos que nos tocar mais que não fosse no momento de nos cumprimentar… sim porque vocês ensinaram-me que devo sempre ser educada e cumprimentar as pessoas - gargalhei - mesmo sério o pai pensou que pudesse ter tido alguma coisa com o Ruben…
- Nunca se sabe o que os jovens fazem.
- Pai, você sabe que tem uma filha que sabe muito bem o que faz e o que quer - olhei o Ruben pelo canto do olho - logo não precisa estar a dar numa de pai galinha… até porque se quiser fazer faço e você nem chega a saber!
O meu pai teria respondido mas aproximou-se da nossa mesa um menino a pedir um autografo ao Ruben e acabamos por ficar a ver a interação deles.
Continuamos à conversa mas agora coisas banais até que o momento das despedidas chegou, estávamos já junto dos carros quando ao ver os meus pais a despedirem-se da D. Anabela provoquei o Ruben.
- Ainda falas que não és menino da mamã… não sei como é que não te deu o treco quando falei que não ligaste nenhuma ao aviso do meu pai - sorri vitoriosa - como vês continuas a cheirar a leitinho!
- Mariana não estiques a corda… que ela rebenta!
- Ui… isso é o melhor que consegues…
- Que se lixe - respirou fundo e entrou no carro
- Oh assim não mete pica… contínuas a não dar luta! - sabia que estava a abusar mas também sabia que o Ruben não iria fazer nada diante dos nossos pais.
- Mas afinal o que queres? - voltou a sair do carro - Dares comigo em louco, é? Lamento mas não consegues… fiquei vacinado há uns anos atrás!
- Será que ficaste? - olhou-me - Se fosse verdade as bocas passavam-te ao lado…
- O problema não é as bocas… o problema é que um gajo não é de ferro - proferiu ao olhar-me de cima a baixo - e tu sabes muito bem disso… pior ainda jogas com isso a teu favor - respirou fundo - e sim… deixas-me fora de mim mas não é pelas razões que pensas.
- Então que razões são essas? - aproximei-me ainda mais dele, o Ruben encontrava-se encostado ao seu carro e do lado oposto estava os nossos pais à conversa e completamente alheios ao que se passava connosco - Será que alguma vez vamos conseguir ter um conversa franca sobre essas razões? - o Ruben aproveitou a nossa proximidade para agarrar na minha mão.
- Vem até lá a casa - olhava-me de uma forma que desconcentrou-me - podíamos falar… ou acabar o que deixamos pendente no passado - sorriu.
- Ruben… entende que não vou para a cama contigo!
- Vais com todos e não vais comigo porquê?
- Porquê já o fizemos no passado e não resultou.
- Esquece o passado… nós já não somos adolescentes…
- O problema não é esse - suspirei - nós somos amigos e não amantes!
- Também és amiga do Fábio e no entanto sei que se comeram tanto no passado como no outro dia - atirou de rajada largando-me a mão.
- É verdade no passado tivemos mesmo alguma coisa mas no dia do aniversário do João não aconteceu nada além de uns beijos - o Ruben olhou-me com alguma admiração - e quanto a também ser meu amigo… sim é verdade mas o Fábio não é especial para mim como tu o és - voltei a agarrar-lhe a mão - entende que foste, és e serás sempre alguém especial para mim - olhávamo-nos com uma intensidade tremenda - e por isso não consigo cometer o mesmo erro do passado, nós não devíamos ter chegado tão longe - baixei o olhar.
- Porquê que te arrependes tanto? - perguntou-me agora colado a mim e com a sua mão no meu rosto obrigando-me a olhá-lo nos olhos - foi assim tão péssimo? - sorri.
- Não… Ruben não foste péssimo… foste o único que fez-me sentir diferente e só consegui descobrir isso tarde demais.
- Podemos sempre tentar novamente…
- Desculpa mas não… Ruben não é por ti… o problema não é teu mas sim meu… não consigo magoar-te gratuitamente.
O Ruben teria respondido mas fomos interrompidos pelo meu pai que queria ir embora, respirei fundo e despedi-me da D. Anabela e quando aproximei-me do Ruben para repetir o gesto fui surpreendida por ele.
- Sr. Mário não se preocupe que deixo a sua filha em casa - olhou-me - vamos?
- Ó Ruben as nossas casas ficam para lados opostos.
- Então e depois? Tenho o resto da tarde livre - sorriu - só tenho de deixar a minha mãe em casa e estou por tua conta - olhei-o - anda lá…
- Ok - aceitei - pai vou mesmo aceitar a boleia do Ruben - despedi-me dos meus pais e quando voltei-me para entrar no carro percebi que a mãe do Ruben deixou o lugar do pendura para mim, respirei fundo e entrei.
A curta viagem até à casa da mãe do Ruben foi feita quase no silêncio ou melhor eles estavam os dois a combinar qualquer coisa mas como era assunto de família não meti o bedelho.
- Agora nós - o Ruben olhou-me assim que a mãe dele entrou em casa - onde é que queres ir?
- Para casa, não foi isso que disseste ao meu pai… que deixavas-me em casa - sorriu.
- E não menti… vou mesmo deixar-te em casa mas isso só depois de jantarmos…
- Não inventes.
- Mariana prometo que não tento sequer beijar-te quanto mais saltar para cima de ti mas aceita passar o resto da tarde comigo.
- Amanhã não tens jogo? - sorriu.
- Não, jogamos ontem - abanou a cabeça - realmente tu e a tua prima são o oposto - gargalhou.
- Pára de rir e vamos embora.
- Preciso saber se aceitas o convite que te fiz.
- Aceito com uma condição.
- Diz.
- Vamos para a tua casa - olhou-me admirado - não estou para levar depois com o interrogatório da Maria.
- Tudo bem - sorriu para logo depois começar a conduzir - mas posso saber o motivo de teres que levar com o interrogatório da tua prima? Até parece que não sou amigo das duas.
- A Maria não é parva… sabe bem que entre nós há uma tensão qualquer originada por algo que ficou mal resolvido no passado e está constantemente a mandar piadas sobre isso.
- Nunca lhe contaste?
- Não - olhei-o - porquê tu contaste ao João?
- Não.
- Então não sei porquê o espanto de não ter contado nada à Maria… à espera já sei… nunca duvidaste que irias ser objeto de gozo…
O Ruben não respondeu e por isso o resto da viagem foi feito em silêncio absoluto.
- Entra e fica à vontade… podes retirar os sapatos como tanto gostas - sorri-lhe.
- Ainda te lembras…
- Ya, como recordo que quando estás por casa preferes uma roupa mais confortável - o seu olhar percorreu todo o meu corpo - por isso podes ir até ao meu quarto, retira o que quiseres do armário para vestires…
- Deixa… não quero incomodar.
- Mariana não é incomodo nenhum mas faz como quiseres, vou até à cozinha buscar uns sumos para bebermos.
- Ok.
Sentei-me no sofá mas acabei por aceitar a oferta do Ruben e fui mesmo até ao seu quarto, abri a porta do armário e quando estava a retirar uma camisola e umas calças reparei numa caixa no fundo do armário em que por cima tinha roupa, a curiosidade foi enorme e acabei por abri-la, ao espreitar o conteúdo gelei por completo, aquilo estava cheio de recordações da nossa adolescência, desde fotos até a pequenas lembranças que lhe dei, voltei a fechar a caixa e regressei à sala.
- Realmente não mudas mesmo - olhei-o - até para escolheres uma camisola e umas calças minhas levaste uma eternidade!
- Vai gozar com outra - gargalhou.
- Até ia mas não está cá mais ninguém!
- Vai passear macacos e deixa-me em paz - olhamo-nos por alguns segundos.
- Posso fazer-te uma pergunta? - foi ele que quebrou o silêncio.
- Chuta!
- Achas que a tua prima e o João atinam?
- A minha prima sempre foi atinada... a sem juízo da família sempre fui eu!
- Oh sabes perfeitamente do que falo...
- Ruben... nós sabemos ou melhor sempre desconfiamos com quase 100% de certeza que aquilo não era só amizade mas daí a eles assumirem alguma coisa já tenho as minhas dúvidas... cá para mim vão andar naquele chove não molha e tu o que achas? - desviei o olhar da televisão e encontrei-o a olhar-me atento.
- Não concordo contigo... para mim eles vão assumir sim... pode levar algum tempo mas acabam por admitir o que todos sabemos.
- O que te leva a dizer isso?
- O facto de serem o oposto de nós... e não terem destruído as memórias de quase dois anos de convívio.
- Ruben não destruí nada - suspirei - tudo o que vivemos sempre esteve bem presente, nunca consegui desligar-me por muito que tenha dito o contrário mas aprendi a seguir em frente, são recordações que quero sempre manter mas que não vão passar disso.
- Ficaste assim tão aborrecida comigo por ter tido aquela reação?
- Fiquei lixada comigo mesma... Ruben durante meses andei a condenar-me por ter permitido que acontecesse o que aconteceu, pela primeira vez senti-me lixo, usada e só uns anos depois é que entendi o porquê - calei-me e desviei o olhar do dele.
- Continua...
- Hã?
- Estavas a falar e paraste.
- Já falei tudo.
- Mariana - senti as mãos do Ruben a agarrar as minhas - fui mesmo especial para ti?
- Já disse que sim.
- Porquê?
- Porque foste o primeiro com quem senti algo mais sem ser sexo... porque no fundo amei-te durante aquele tempo que estivemos juntos... porque pensei ser possível construirmos algo juntos para no fim perceber que usaste-me.
- Isso não é verdade!
- É... caso contrário não tinhas fugido.
- Querias o quê? Sabes perfeitamente que nunca tinha estado com ninguém que foste tu que de uma forma ou de outra escolhi e que se fugi foi porquê mais uma vez faltou-me a coragem para admitir que queria mais, tive medo que não tivesses gostado, que fosse gozado por ti ou que não tivesse dado prazer nenhum.
- Gozado? Mesmo sério achas que ia gozar contigo?
- Não seria a primeira vez!
- Ah ok... não digas mais nada... usaste isto tipo vingança, foi?
- Não, não foi... eu quis aquilo tal como quero hoje - olhei-o - mas se hoje sei como dar e receber naquela altura não sabia... sabes que não foi assim tão confortável quanto isso saber que estava com alguém entendido no assunto quando eu nem a porcaria do preservativo consegui colocar.
- Responde-me só a uma cena... quanto tempo é que levou esta tua transformação? - sorriu.
- Depois de ires para Faro andei uns meses quieto no meu canto mas com o tempo e picado com as fotos e comentários que ia vendo no hi5 acabei por soltar-me... a pouco e pouco fui ganhando o jeito... depois a cena de ser jogador de futebol também ajudou à festa principalmente quando deixei o Belenenses e regressei ao Benfica.
- Como é que foi o teu regresso? Afinal sempre foi o que quiseste... vingar na equipa principal.
- Foi bom... a realização de mais um objetivo e motivo de orgulho - sorriu - agora é a tua vez.
- O que queres saber?
- Onde é que estás a trabalhar e se é mesmo isto que querias.
Passamos os minutos seguintes a falarmos de nós e dos nossos objetivos futuros para regressarmos ao passado e contamos como foram os anos que estivemos afastados, mas agora sem ressentimentos, senti pela primeira vez depois do meu regresso que conversava com o meu amigo e não com alguém que quer levar-me à força toda para a cama.
As horas passaram em amena cavaqueira e só reparei que já ali estávamos há imenso tempo quando o Ruben avisou que iria mandar vir o jantar.
- Se deixares que invada a tua cozinha posso fazer algo para os dois - sorriu.
- Nunca precisaste do meu consentimento para nada por isso não vai ser agora que vais começar a pedir autorização para fazeres o que te apetece… mas vou contigo - olhei-o - que foi? Posso não ser grande espada na cozinha mas ainda consigo ajudar.
- Ok, mas já sabes que não sou a minha prima e que os meus dotes culinários ficam um bocado longe dos dela - gargalhamos para logo depois nos levantarmos e assim que o fizemos foi impossível não nos olharmos mutuamente, afinal ficamos a escassos centímetros um do outro.
- Vamos? - o Ruben sorriu o que foi suficiente para perder um pouco a noção da realidade e pior fiquei quando agarrou-me na mão e entrelaçou os seus dedos nos meus puxando-me então para a cozinha, fui praticamente em piloto automático, o toque do Ruben tem um efeito estranho em mim e deixa-me fragilizada.
Resolvi fazer algo prático e rápido, até porque a concentração não era nenhuma sempre com o Ruben de volta de mim, aproveitamos para continuar à conversa e o assunto Maria e João voltou.
- Nunca pensei que o João se afiambrar-se à Maria durante o jogo - gargalhei ao recordar o momento - é que pronto... nós sabíamos mas o resto do pessoal nem por isso ou pelo menos não tinha a certeza.
- Oh... aqueles dois já não conseguem disfarçar... apesar de não admitirem também não disfarçam...
- E nós? - atirou de rajada aproximando-se perigosamente de mim.
- Nós... - senti a sua mão na minha cara - Ruben... - afastou-se.
- Desculpa mas fica difícil estar do teu lado e disfarçar que não te desejo, que desde que nos reencontramos que não me sais da cabeça, que até sonhar contigo já sonhei - o Ruben admitia-o a encarar-me - como é que consegues controlar-te? - sorri com a pergunta.
- Não controlo... quando quero muito faço... - fui impedida de concluir o meu pensamento, o Ruben reduziu completamente a distância e beijou-me com uma vivacidade tremenda mas acabei por conseguir afastá-lo - isto não está certo!
- Porquê? Mariana conheço-te e por isso sei que queres tanto quanto eu…
- Ruben por muito que queira não consigo talvez porque a recordação do passado ainda está presente, sabes que doeu bastante o nosso afastamento, antes que tudo eras meu amigo, eras o único que a seguir à minha prima sabia tudo o que se passava comigo, era convosco que desabafava, foste tu que de uma forma ou de outra mudaste alguma coisa em mim ou será que nunca reparaste que uns meses depois de te conhecer acalmei ligeiramente - olhávamo-nos intensamente - e depois por um erro cometido numa noite em que ambos já tínhamos bebido mais do que seria suposto perdi tudo isso - o Ruben interrompeu-me.
- Para ti foi um erro? - já estávamos novamente próximos.
- Foi porque nos afastamos.
- Mariana se pudesse regressar ao passado a única coisa que alterava seria só a minha reação, se fosse hoje não fugiria mas naquela altura estava confuso, não sabia o que sentia por ti, entende que foi complicado aceitar que aquela rapariga que até então era só a minha melhor amiga e a única que consegui deixar que se aproximasse de mim passou de amiga a algo mais, isto porque ao longo dos meses criamos uma relação única que sempre pensei que fosse amizade mas que depois do que se passou connosco percebi que era algo muito mais forte… tão forte que até hoje não consegui senti-lo de novo por mais nenhuma rapariga, nós tínhamos uma ligação especial, bastava olhar-te nos olhos para adivinhar o que te ia no pensamento e isto faz-me falta, eras o meu ponto de equilibro e de um momento para o outro fiquei sem ele, acabei por tornar-me na pessoa que sou hoje talvez porque foi a forma que encontrei para estar mais próximo de ti - olhei-o perplexa - pelo menos hoje sei aquilo que sentes e entendo-te perfeitamente, também não consigo apegar-me a ninguém, talvez porque fui, sou e serei eternamente teu - o Ruben agarrou-me pela cintura - posso ir para a cama com todas as mulheres do mundo mas és a única de quem gosto - arrepiei-me - mas ainda assim sei que dificilmente iremos conseguir construir alguma coisa em comum, és demasiado casmurra para admitires o que sentes, não te julgo porque também andei anos a negar o que sentia por ti e durante esse tempo andei a iludir alguém que não merecia, estive numa relação durante bastante tempo, ela amava-me e apesar de lhe dizer que era reciproco no fundo sabia que estava a mentir, ela nunca conseguiu que sentisse nem metade do que senti quando nos envolvemos, arrastei a situação porque apesar de tudo sentia-me bem do seu lado mas no dia que a vi a fazer planos para o futuro não consegui continuar com a farsa, acabei com ela, sei que sofreu e condeno-me por isso, podia ter feito as cenas de outra forma mas agora não há volta a dar, é por isto tudo que hoje sou um salta-pocinhas tal como também o és, não nos sentimos preparados para iniciar uma relação daí andarmos nesta vida.

E agora o que será que a Mariana responde? Será que estes dois alguma vez se acertam?