sexta-feira, 29 de agosto de 2014

170 - Oh filho que história é essa de sair a mãe...

Mariana
Hoje acordei com a neura, ainda assim controlei-me ao máximo, afinal no intimo do meu ser sei que o Ruben tem razão e o melhor para o Filipe é frequentar a creche, mas isso não significa que é fácil deixá-lo com pessoas que não conhece.
- Mor… oh Mari… - olhei para o Ruben – também não é razão para chorares desta forma! Até parece que deixamos o menino ao “Deus dará”
- Tu cala-te! – resmunguei
- Oh mor… - interrompi
- Já chega! Levaste a melhor e acabei por concordar em que viesse para a creche mas isso não significa que não me dói deixá-lo… respeita pelo menos a minha dor de mãe e deixa-me sossegada, se choro ou se faço o pino o problema é meu, estamos entendidos???
- Achas que não me custa também?
- Acho! Aliás tenho a certeza! Sim que tu já estás habituado a deixá-lo…
- O que é que estás a querer dizer?
- Que ao contrário de mim, já estás habituado a deixá-lo… oh Ruben sei que te custa mas já tens o mestrado feito no que respeita a deixá-lo com outras pessoas… tiveste que habituar-te a essa ideia desde o início porque não o podes levar contigo para os estágios… mas eu não… isto para mim é novidade e sim não sei como lidar com o sentimento de abandono…
- Não o estás a abandonar, estás sim a dar-lhe a oportunidade de socializar, oh mor não penses pelo lado negativo mas sim pelo positivo.
 - Uma coisa de cada vez… já concordei em deixa-lo frequentar a creche por isso vai lá com calma e deixa-me curtir a minha dor sossegada!
O Ruben sorriu ligeiramente e não insistiu mais, deixou-me em casa e seguiu para o Seixal, para mais um treino.

Ruben
Deixar o Filipe na creche custou-me mais do que imaginei, ainda assim tentei não dar parte fraca, primeiro porque a Mari já estava mal o suficiente e depois porque se o desse, era bem capaz da louca da minha mulher não deixar que o nosso menino ficasse na creche.
Deixei a Mari em casa e só Deus sabe o que me custou, sinceramente não sei o que doeu mais, se deixar o Filipe na creche ou deixar a Mariana a chorar porque não tinha o nosso filho do seu lado, só sei que conduzi de casa ao Seixal em piloto automático, estacionei e saí do carro com intenção de ir direto ao balneário, tanto que e ao contrário do habitual nem olhei em volta para ver quem já tinha chegado, por isso mesmo
- Oh seu mal educado já nem se fala!! - assim que ouvi a voz da Maria olhei para trás e encontrei-a com os meninos e ao lado do João que não escondia o sorriso
- Está tudo bem? - perguntei ao aproximar-me deles e já depois de ter o Guigas ao meu colo - Novidades no paraíso??
- Conta lá aqui uma coisa à prima… quem levou o Filipe à creche?? - suspirei e apesar de perceber que desviou o assunto de propósito, respondi
- Ambos… a tua prima fez questão de ir mas saiu de lá a chorar… aliás deixei-a em casa e continuava a chorar…
- É normal… a Maria também chorou durante um mês!
- Pois foi… custa imenso deixarmos os filhos… e para a Mari ainda deve custar mais… sei lá mas a ligação que criou com o Filipe foi pra lá do que se possa apelidar de “laços de sangue” e olha que esses já são fortíssimos… dá-lhe tempo!
- Não sei… se for assim todos os dias mais depressa fica o Filipe em casa! A tua prima não se pode enervar desta forma… já começo a pensar que não foi boa ideia…
- Hey não penses disparates! Ruben desta vez tens toda a razão e apesar de custar, nos primeiros tempos, é o melhor para o menino!
- Falas isso porque não viste o estado da tua prima… 
Acabei por desabafar durante mais uns minutos e devo ter alarmado a Maria porque informou que ia até nossa casa par ver da prima, algo que desagradou ao João e aos pequenos que queriam ver o treino, mas confesso que a mim deixou-me bem mais tranquilo. Dei as chaves de casa com receio que a Mari não lhe abrisse a porta e depois fui para o balneário
- Sério puto?! Tinhas mesmo de estragar-me os planos?
- Meu não me fodas o juízo que hoje não é um bom dia!
O João não respondeu mas mesmo que o fizesse acho que não ouviria…

Mariana
Estava agarrada ao peluche preferido do Filipe quando reparei na presença da Maria e dos meninos que olhavam-me intrigados.
- O que fazem aqui? - perguntei depois de limpar as lágrimas
- Guiguas mimo madinha… madinha tiste pipipo colinha… guigas gota colinha
- O Guigas tem razão - olhei para a meia leca de gente - o Filipe vai adorar a escolinha, não fiques triste - o Gustavo sentou-se ao meu lado - sabes eu já pedi à mamã Bea que tá sempre a ver a gente para cuidar do Pipipo 
Não consegui aguentar as lágrimas perante a maturidade que o pequeno revelou
- Madinha chora nah… Guigas nah gota!
- Oh filho a tua madrinha hoje está armada em chorona mas isto já lhe passa… sim prima levanta esse rabo gordo do sofá que vamos dar um passeio!!!
- A gorda está muito bem aqui!
- Eich… modera essa azia que não tenho culpa, além disso ninguém morre por deixar um filho na creche, sim sei que custa e que achamos ser o fim do mundo mas é só mais uma etapa na vida dos nossos filhos, por isso habitua-te que tens pelo menos mais dois bebés a caminho por isso…
Não respondi mas a Maria também não desistiu até convencer-me a sair de casa, fiz-lhe a vontade e só quando estávamos a chegar é que percebi onde estava
- Sério?
- Deixa de ser casmurra que isto não está a ser dificil só para ti! Sim que estava aqui, com os meninos, quando o Ruben chegou e vi bem o seu estado… ah e fica a saber que não sei o que lhe está a custar mais se o primeiro dia do Filipe na creche ou o ter a mãe dele a fazer um filme de todo o tamanho… prima por muito que custe é bom que penses que tens mais dois dentro de ti…
Olhei mas não respondi, preferi ignorar o “abre-olhos” da Maria e fui até à bancada de mão dada aos dois piolhos que estavam eléctricos por verem o treino, ao contrário de mim que só queria que terminasse, pois seria sinal que as horas já tinha passado.
Os fedelhos vibraram com o treino, a Maria estava completamente aluada e eu… bem eu só pensava que o raio dos ponteiros do relógio não andavam…
Estava perdida em pensamentos quando do nada o meu afilhado surpreendeu
- Madinha… oh madinha… - olhei para baixo, depois do Guigas puxar-me a camisola
- Diz amor!
- Papa e mamã domi com Guigas e Gugas - olhei para o pequeno
- O que é que estás a dizer? - perguntei com uma vontade enorme de rir e o meu afilhado lá explicou, mas para ter a certeza - estás a contar à madrinha que dormiste na mesma cama que o papá e a mamã?
- Xim… e Gugas - o menino estava todo contente
- E gostaste?
- Xim…
Desviei o olhar para a Maria que nos observava
- É desta que fazes a vontade a todos? Sim que não é só o Guigas que quer os pais juntos… nós também queremos mas principalmente vocês QUEREM!!!
- Oh prima… - não sei o que ia dizer mas
- É que nem venhas com cenas! Não tens como negar que dormiste com o teu homem! - olhou-me aborrecida - E estás a olhar-me com olhos de carneiro mal morto porquê?
- Não quero falar…
- Pois não… o que queres é mesmo pinocar com o pai do meu afilhado! Deixa-te de falsos moralismos para cima de mim! Além disso é tão bom voltarmos a estar com o homem que amamos… - suspirei - sim é estranho e muitas vezes sentimo-nos estranhas porque é algo que queremos mas no fim o raio da dúvida aparece e o medo de voltarmos a sofrer faz com que neguemos o que o coração quer… por cobardia fugimos e uns dias depois lá escorregamos novamente… oh prima não vou dar-te sermão nenhum e nem estou a querer que confirmes o que sei por experiência própria - olhou-me - só quero que estejas ciente que quando quiseres falar estarei aqui para te ouvir… mesmo em dias como o de hoje que estou com a cabeça noutro lado… Maria sei bem que estes primeiros tempos são uma montanha russa de sentimentos por isso prefiro não insistir contigo, sei que precisas do teu tempo para assimilares e voltares a ganhar confiança em ti, nele e no vosso amor… passei por algo semelhante e também precisei do meu espaço… também obriguei o Ruben a negar muitas vezes o que se passava, logo percebo que o queiras fazer… agora não esperes é que finja que não vejo!
A Maria não abriu a boca e acabei por desafia-la a ir até ao bar, estava com fome.
Estava a terminar de comer quando o Ruben, o Rui e o João apareceram, vinham animados mas assim que se aproximaram
- Nem te precisas de sentar!! Está na hora de o irmos buscar! - resmunguei de imediato e a olhar para o relógio
- Ainda falta uma hora para a hora que nos avisaram que o podíamos ir buscar por ser a primeira semana do menino na creche! - respondeu-me calmamente
- Mas podemos ir andando!!! - retorqui, levando a Maria a gargalhar pela primeira vez
- Oh mor nem dez minutos demoramos a chegar… anda cá – o Ruben sentou-se e – oh mor anda lá… - acabou por puxar-me para o seu colo e depois de dar-me alguns miminhos na barriga, sob o olhar atento dos nossos amigos - toma! 
Tirou um envelope do bolso das calças e entregou-me, assim que o abri
- És tão parvinho!!!
- Vais dizer que não queres?
- Quero… - sorri – mas confesso que não esperava que te fosses lembrar de tal coisa…
- Assim até ofendes!
- Oh deixa-te de falsos amuos… 
O Ruben sorriu e acabou por ganhar uns minos, sim o meu excelentissimo esposo sabe bem como dar-me a volta… e desde que estou grávida “derreto-me” ainda com mais facilidade.
O pessoal ainda mandou umas boquinhas mas ignoramos e consegui por alguns minutos sossegar o meu coração de mãe mas bastou olhar para o relógio do Ruben para
- Vamos mas é buscar o Filipe!
- Vamos lá… até porque enquanto não o vires não descansas!
Despedimo-nos dos nossos amigos e seguimos para a creche, onde o nosso pequenino assim que me viu sorriu e apesar de não ser indicado não resisti em pegar-lhe ao colo e levá-lo até ao carro…

Maria 
Como é óbvio cedi ao pedido dos 3 Gaiatos. Sim dos 3 porque se os dois mais pequenos estavam animados o maior ficou todo felizinho. Acabei por me despachar tranquilamente já que o papá tomou para ele o tratar dos dois pestinhas.
Estar ali trazia-me várias recordações e uma sensação esquisita de saudade de algo que nunca vivi. Vesti-me e quando cheguei a cozinha o meu pequenino mais velho ajudava o pai a colocar a mesa enquanto o pequenino mais novo assim que me viu
- Xupeza mamã!!!
 O João olhou-me sorriu e tinha um banquete no lugar do pequeno almoço
- Mas quem é que vai comer isto tudo? Ahhh já sei é o Guilherme...
- Guigas nã mamã Guigas ueitinho come mais - mostrou-me o biberão que o João já lhe tinha dado
- Oh filho que história é essa de sair a mãe... tens de comer para ficar forte como o papá
- Mas qual é o teu problema oh aspirador? - ele olhou e gargalhou - o menino come o que quiser agora e a mamã leva um lanchinho para ele... e sair a Mae é muito bom tá?!
- Oh mamã chamar aspirador ao papá é verdade ele parece.... olha... - o Gustavo falava enquanto o João comia
- Oh puto!
- Parece  não parece?! Nem sei como não fica mal disposto no treino...
- Olha eu tenho dois filhos e a mamã deles para tomar conta tenho de estar bem alimentado!
- Desculpas…
- A conversa tá maravilhosa mas o papá está atrasado, vamos? - pegou no Guilherme e eu segui-o com o Gustavo quando chegamos junto dos carros ele foi para o dele e eu para o meu - então? - falou a rir
- No meu ou no teu?? - perguntei num tom supostamente sexy que nos fez gargalhar
- No meu!
- Ok…
Instalamos os meninos e lá fomos nós assim que chegamos ao Seixal fomos até ao bar
- Ah e tal não como nada de manhã e depois vou directa ao bar
- Café!!
- Temos maquina em casa sabias?
- Que tens maquina na tua casa? Sabia fui eu que a comprei! - mostrei a lingua
Sentamos-nos numa das mesas do bar e foi por ai que ficamos até vermos o Ruben chegar.
Assim que ele disse que a Mariana se estava a passar e vi a preocupação dele nem pensei para desagrado óbvio do João que assim que me ouviu dizer que ia buscar a Mariana fechou a cara, ele e os meninos, mas esse vieram comigo
- Guilherme agora vamos buscar a madrinha que está triste 
- Madinha tixte quê?
- Porque ficou sozinha o Filipe já está um menino grande e foi para a escola e por isso a madrinha está com saudades…
- Ahh Guigas miminhos madinha, madinha boa!
Falou no momento que parei o carro.
Depois de algum trabalho a Mariana lá acedeu a ir connosco, mas estava tão metida no seu sofrimento que nem comentou o facto de eu estar com o carro do João e de irmos ver o treino dele.
Quando chegamos às bancadas o estado dela mantinha-se já o Ruben sorriu aliviado quando nos viu. O Ruben e o João que passou o tempo a ser incentivado pelos miúdos que passaram o treino todo a gritar por ele de tal forma que foi a gargalhada geral quando durante a peladinha o Guilherme resolveu começar a gritar sempre que o João tocava na bola
- Golooooooooooooooooooooo papá!!!!
Estava tudo animadissimo até que o menino Guilherme resolveu ir dar uma de cusca e contar à madrinha com quem dormiu ou seja que dormimos todos juntos, apteceu-me desmenti-lo, mas já não tenho a idade dele e o resultado foi um valente “abre olhos” da minha prima que me disse exactamente tudo o que estou a sentir e me aconselhou a seguir o seu exemplo.
Fiquei a penser no que ela me disse até ao momento em que ela resolveu ir ao bar e os meninos aproveitaram para pedirem mimos doces. Como um dia não são dias lá os deixei deliciarem-se e fiquei a “babá-los” a brincarem os dois até que os papás chegaram e vi a Mariana preparar-se para ir buscar o Filipe algo que o Ruben conseguiu acalmar
-  Mas contem lá o que se passa ai? - quem voltou as atenções para mim e para o João foi o Rui
- Aqui o mesmo que ai… 
- Oh João… tu não me atires areia para os olhos! Que tu nunca marcaste tantos golos na vida… e vens sempre sozinho…
- Mas hoje veio acompanhado, problemas??
- Não não dona Maria! E a senhora o que faz aqui? A Micas disse-me que tinhas ido de viagem ontem com os miudos…
- A Micas desde que arranjou namorado apanhou-lhe a doença e não diz nada de jeito… coitada… - disse a rir
- Me engana que eu gosto…
O Rui continuaria a falar mas aproximou-se de nós o treinador deles que estava também no bar
- Sim senhor menino João que boa…- olhou para mim - bonita… famila… - aproximou-se dos meninos que cumprimentou e quando se aproximou
- És o professor do papá? - o Guga questionou-o
- Não sei quem é o teu pai!!
- Sou eu! - o João respondeu de imediato
- Tu?! E quem é a mãe? Que ai com a Maria só tens o minorca - despenteou o Guilherme
- A minha mamã morreu - quando o Gustavo falou acho que todos perdemos a respiração, todos menos o Ruben e a Mariana que estavam no mundo deles - e a mamã Maria e o papá João tomam conta de mim…
- Ah… não sabia… então voltem sempre… - falou com os miúdos - e tu vê se ensinas aos miúdos o que é um golo! - dito isto afastou-se no mesmo momento que o Rui Costa se aproxima
- Bom dia familia!!! - cumprimentou-me com dois beijos
- Bom dia.. - sorri - O que foi Guga? - questionei quando vi o Gustavo a tentar calar o Guilherme
- Gugas deixa eu falar!
- E o que é que tu queres dizer piolho da mamã?
- Guigas gota pxor papá não!!! - dizia enquanto abanava a cabeça em sinal de negação e franzia a cara como se tivesse chupado um limão verde claro está que a gargalhada foi geral
- As crianças não mentem… - disse com tom de gozo - vamos? - apressei o João enquanto me levantava
- Sim vamos… - levantou-se despediu-se dos colegas e seguimos para o carro
Quando chegamos a porta de casa dele e de imediato meti os meninos no meu carro e quando ia a entrar
- Não queres subir? Podemos almoçar e vermos um filme com os meninos…
- Não… obrigada… João eu ontem reagi por impulso, por medo… mas hoje os fantasmas voltaram todos… desculpa… não consigo…
- Como amigos Maria, não pedi mais nada…só companhia… eu vou ficar sozinho e podia ter a melhor companhia do Mundo a tua e a dos meninos… eu prometo que não me aproximo sequer…
- Ok mas temos de ir ao supermercado porque não sei o que é mais vergonhoso se abrir o teu frigorífico ou a tua dispensa… e como é óbvio eu escolho o filme!
- Tudo o que quiseres… - sorriu
Tirei os meninos do carro e quando perceberam que íamos continuar com o João ficaram eufóricos. Íamos a caminhar pelo Parque da Nações até ao Vasco da Gama quando tive que me impor
- Parou os dois já! - os meninos pararam e olharam-me muito sérios - Viemos a pé para virmos a brincar todos mas vocês não podem ir a correr assim e muito menos a zangarem-se! Guilherme agora quando comeres vais dormir! 
- Guigas domi não!
- Dormes sim que o teu mal é sono! - o João gargalhou e acabou por colocar o Guilherme às cavalitas eu dei a mão ao Gustavo e fomos agora sim os quatro a partilhar conversas e gargalhadas com as conversas dos meninos.
Chegamos e em vez de nos dirigirmos ao supermercado fomos para a zona de alimentação onde almoçamos sempre em clima animado e foi impossível não reparar em alguns pares de olhos mais curiosos que nos olhavam, mas não ligamos.
Quando terminamos o almoço seguimos para o supermercado a meu pedido, abastecemos-nos de algumas guloseimas para nos acompanharem enquanto vemos o filme. Regressamos a casa e meti mesmo os meninos a dormirem a sesta já que estavam a ficar impertinentes e quando voltei a sala o João estava no computador
- Adormeceram…eu sei que os querias a fazer companhia, mas se não dormissem agora…
- Uiii imagino como estariam daqui a pouco…
- É melhor nem pensar… - sorri - estavas a fazer alguma coisa importante?
- Nop só mesmo a dar uma olhadela nas redes sociais…
- Importaste que também espreite?
- Claro que não... força… - passou-me o portátil.
Sentei-me no sofá e enquanto “passeava” pelas redes sociais encontrei uma imagem que não resisti em partilhar
medo.jpg


MariaMMendes @MMAmorim afinal eu não sou um ET só tenho um conjunto de sintomas que enquadram nesta patologia! 

MMAmorim @MariaMMendes as patologias curam-se e tu tens o remédio disponivel é só quereres tomar

MariaMMendes @MMAmorim neste momento o remédio tem ainda muitos efeitos nocivos...

JP47 @MariaMendes e @MMAmorim não vos sabia especialistas em Medicina… pensava que nesse campo quem dominava era a @AnaDr

Olhei-o e ele sorriu. Acabamos por ficar sentados na sala sem dizermos uma única palavra. Foram longos minutos assim embora tal não estivesse a ser completamente desconfortável era esquisito, ambos queríamos falar, eu sabia que ele queria e eu tinha tantas coisas que queria dizer. Estava perdida na indecisão de dizer ou não que nem dei por ele se ter levantado, só mesmo quando o ouvi
- Toma! - despertei e ao olhá-lo foi impossível não sorrir - vá pega lá no comando que este silencio está a confundir-me!
- Queres perder né? - ele sorriu e começamos a jogar, não tinham passado 2 minutos e eu num impulso - João?
- Eu sabia… - sorriu - diz lá o que estas ai a magicar desde que te sentaste…
- Nunca mais a viste?
- A quem?
- A… - senti-me envergonhada - a Carmen…
- Porque raio te foste lembrar dela agora?
- A questão correcta é quando é que te esqueces dela?
- Maria…
- João é mais forte que eu… mas não respondeste…
- Não nunca mais a vi! Não desde que fui com ela ao médico e descobri que mais uma vez fui enganado com o mesmo truque…
- Só foste enganado porque te meteste a jeito ela nunca poderia usar tal truque se não tivesses dado razões para isso…
- Maria queres mesmo ter esta conversa?
- Querer não sei se quero, mas preciso disso cada vez tenho menos duvida
- E o que queres saber?
- Tudo!
- Oh Maria nós estávamos… nem sei como…
- Bem?
- Bem?! Achas que estávamos bem?
- Sim… para quem tinha um bebé de meses e vivia a centenas de km’s sim…
- Maria eu não podia aproximar-me que tu me enxotavas logo com as tuas manias…
- Manias?! Eu estava com um problema sério! Sabes que há quem nunca consiga superar uma depressão pós-parto??
- Sabes que nunca disseste não sabes?
- Sabes que quem está metido numa coisa dessas não tem noção disso e que mais que orgasmos precisa de mimos… de carinho… de compreensão!
- Desculpa…
- Não! Desculpas outra vez não! Só queria mesmo saber se a tinhas voltado a encontrar…
- Não Maria não!
- E a Mónica?
- Não Maria nunca mais vi, nem quero ver nenhuma delas…
- Não?
- Porque haveria de querer?
- Ai…- respirei fundo - sei lá! Eu já não sei de nada… - calei-me e continuamos a jogar sem abrir mais a boca e quando o jogo terminou - GANHEIIIIIII!!!!!

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- IIIIIhhhh Guigas a mamã ganhou ao papá!!! - olhamos para a porta e tínhamos os dois pestinhas ainda com cara de sono a olharem-nos na sala - mamã ensinas-me a jogar?
- Claro que sim! Mas agora vamos ver o filme para o papá não ficar triste…
- Ah Ah piada! - o João fingiu-se amuado - vamos lá ver o que a mamã escolheu para vermos! - carreguei no play - Tinha de ser - gargalhou e poucos minutos depois chegou uma cena que marca todo o filme


Olhei para o Gustavo e percebi que o menino tinha ficado emocionado, muito provavelmente lembrou-se da Bea, mas foi o mais novo que nos deixou aflitos



depois de conseguirmos acalma-lo voltamos ao filme e a tarde foi bem divertida.
Quando o filme terminou resolvi que era o momento de voltarmos a realidade e por isso peguei nas nossas coisas e voltei com os meninos para casa.

****

Já estava deitada e a tentar assimilar tudo o que tinha acontecido nas ultimas 72horas quando recebo uma notificação


JP47 @MariaMMendes a @MMAmorim só conseguiu avançar quando fez este tratamento… estou certo prima?? #ReiLeão #TardeMaravilhosaa4 #Remédio #HakunaMatata

Se o sono estava longe assim desapareceu mesmo passei o resto da noite envolvida em pensamentos.

E agora? O que fará a Maria?
Como continuará a correr a gravidez da Mariana?

sábado, 23 de agosto de 2014

169 - "Onde é que vais de almofada?"

Maria
Os anos do Ruben foram demorados de mais e muito difíceis de passar principalmente porque o "passado" esteve sempre presente e foi difícil dividir o mesmo espaço que o João. Na primeira oportunidade que tive peguei nos meninos e fui até casa.
Os dias seguintes foram passados finalmente de forma tranquila numa rotina agradável entre trabalho e o cuidado dos meninos.

***

Um dia estranho... decididamente 31 de Janeiro e eu relaxada e de folga isto é mesmo esquisito.
A porta de casa abriu e fechou não liguei pensei que fosse a Micas a chegar
- A sério prima? - olhei para a porta onde encontrei a Mari com o Filipe
- O que foi? Combinamos alguma coisa?!
- Não, não combinamos nada, mas... quer dizer de pijama no sofá da sala em pleno dia de trabalho...
- Mas tu sabes que dia é hoje???
- 31 de Janeiro?!
- Exatamente sabes há quantos anos eu não posso fazer isto neste dia mesmo que seja domingo? Pois hoje decretei folga! Nunca mais trabalho a 31 de Janeiro nem a 31 de Agosto. - ela gargalhou
- Estás no teu direito... mas... - calou-se percebi que queria dizer algo mas não sabia como
- Mas?? Mas o quê??? Mariana fala!!!
- Prima não sabes...
- O quê? Fala e deixa-te de rodeios!!!
- O João teve a falar com o Ruben... parece que ele tem uma proposta...
- Uma proposta?! - senti o coração a mirrar como no dia em que ele me falou que ia para valência
- Turquia...
- Turquia?! - engoli o desespero - mais uma aventura internacional...
- Maria deixa-te de fingir que sei que ficaste num caco! 
- Não tenho nada com isso há um ano...
- Olha lá mas eu tenho burra escrito na testa??? Sei perfeitamente que tem estado mais próximos e sei que deves andar mortinha por lhe saltares em cima e o voltares a ter na tua cama todos os dias e isto só vai atrapalhar
- Mas tu andas na bebida? Olha que faz mal aos bebés!
- Pronto... eu fiz o que achei que devia e falei contigo a tempo de poderes fazer o que achares melhor... agora vou andando que o pequenote tem de ir dormir.
- Obrigada pela visita! 
Vi-a mimar o afilhado dei uns beijos ao Filipe e eles saíram, tentei através de alguns contactos confirmar a informação mas ninguém me sabia dizer até que ponto era verdade ou só boato.
Andei as voltas pela casa toda a tarde, recordei o dia em que soube que ia para Espanha e tudo o que passei desde essa altura, o bom e o mau e acabei a relembrar as diversas vezes em que a Mari e o Rúben me acusaram de ser egoísta algo que tive que assumir como verdade e nesse momento tomei uma decisão, que não deixava de ser de egoísmo.

João
Este dia tem sido a loucura só se fala na minha possível ida para a Turquia.
Acabei de tomar em conjunto com o clube a minha decisão fui de imediato para casa.
Tinha acabado de fechar a porta quando a campainha começa a tocar de forma insistente. Bufei e barafustei mas fui abrir nem vi quem era mas era urgente de certeza e passados poucos minutos tinha a porta do elevador a abrir e de imediato o Guilherme saiu a correr
- Papa! Papa!
- João!!! - atrás dele o Gustavo
- Mas o que fazem aqui?? Que animação é esta???
- Desculpa... - olhei e vi a Maria - mas eu não consigo... não posso deixar-te ir para longe outra vez... por isso bem... - ela voltou a trás e reapareceu com três malas de viagem - se não te importares nos vamos contigo! 
- Papa... mama... Guigas... Gugas... vião... casa nova... lonxe... - olhei para a Maria
- Vais para a Turquia nós vamos contigo! - gargalhei - não queres diz não gozes!
- Quem te disse?? 
- A minha prima...
- Anda cá... entrem... - os meninos correram para a sala e nós - senta-te... - ela sentou-se impaciente - calma...
- Como queres que tenha?! Já sabes que não consigo! 
- Maria cheguei agora do estádio... obrigado! Muito obrigado mesmo... teres vindo e trazido os meninos e estares disposta a ir também foi muito bom, mas...
- Já tens outra pessoa... que vai contigo... vais criar uma família nova...
- Psiuuu olha o disparate! - dei-lhe um pequeno beijo e nem tive tensões de evitar os seus lábios antes pelos contrario - não vai ninguém comigo... porque eu não vou a lado nenhum! - um sorriso lindo apareceu - mas não podia ter gostado mais da surpresa! E já que fizeste as malas... - levantei-me peguei nelas - ... os quartos são aqui!!

Maria
Assim que ele me disse que não ia saiu-me uma tonelada de cima do corpo não resisti a segui-lo quando se levantou e pegou nas malas e me “ensinou” o caminho para os quartos e quando entrei no dele um calafrio me percorreu o corpo…
- João não é boa ideia… eu vou…
- Ei! Então só tinha direito a companhia se fosse para longe?? Vais castigar-me por ficar aqui?!
- Não é isso… mas também não é…
- Pronto relaxa… passem só cá a noite afinal os meninos achavam que iam viajar… se ficares melhor eu vou para a sala ou…
- Não!!! Se fico… não te livras de dividir a cama! - senti-me corar e vi-o sorrir
- Cumpro o castigo com muito gosto… - aproximou-se abraçou-me e puxou-me a cabeça para perto do seu peito fez-me algumas festas e - mas antes devíamos ir deitar os terroristas não?
Gargalhei depois de ouvir o João assim que ouvimos o Gustavo a chamar por mim a fazer queixas do Guigas
- Antes de os deitar-mos… temos de lhes dar de comer… - falei envergonhada pelas horas que eram e eu ainda não lhes ter dado o jantar - é que…
- Que?
- Tinha medo de não chegar a tempo e por isso saímos de casa sem comer… - voltou a gargalhar
- Ahhh - foi a vez dele ficar envergonhado, coçou a cabeça - achas que eles podem comer pizza? É que não tenho nada de jeito… só mesmo pedindo… não esperava visitas…
- O Gustavo só hoje pode… o Guilherme era melhor não… não tens mesmo nada…
- Posso ter sopa que a minha mãe traz em quantidades industriais…
- Então sopa da avó Té para o Guigas e nós e o Guga vamos para as pizzas… pedes enquanto trato da sopa?
- Claro!
Deixei-o no quarto e fui até à cozinha, tirei a sopa do congelador e já a aquecia quando o João me volta a abraçar desta vez por trás
- As pizzas vêm a caminho… - beijou-me o pescoço e depois sentou-se numa das cadeiras da cozinha a observar-me minuciosamente… algo que me esta a irritar
- O que foi?
- Tou a olhar para ti não posso?!
- Dessa maneira não! É assustador!
- Assutador?! Estou só a ver como é bom, nós os quatros juntos e sozinhos em nossa casa! - voltou a levantar-se
- João… menos por favor… isso não é assim tão claro e a casa é tua e não nossa…
- Maria…
- A sopa está… vou dar-lhe já se não depois não nos deixa comer…
Fugi para a sala onde dei a sopa ao Guilherme sempre sobre o olhar extremamente atento do João. Se tivesse sido programado não calharia tão bem tinha terminado de dar a sopa ao pequeno reguila quando as pizzas chegaram. O João recebeu-as e colocou na mesa de centro da sala, sentamos-nos no chão na companhia do Gustavo e jantamos entre brincadeiras com os meninos, o Gustavo que também comia e o Guilherme que com ciumes e falta de atenção saltava do meu colo para o do pai pedindo mimos. Quando finalmente terminamos de comer
- E agora meus diabinho… xixi cama!!!
- Já Maria? Eu queria jogar o jogo com o João…. - apontou para a playstation
- Guigas domi nã!
- Gustavo está na hora, jogam amanhã sim? - o menino concordou e levantou-se - E tu queres dormir sim! Vá vamos! A mamã e o papá vau deitar-te sim? - o João pegou-lhe enquanto eu levava o Guga comigo
- Mama… Papa domi Guigas e Guga?!! - o pequenino perguntava todo contente
- Não… tu e o Guga dormem no teu quarto de bebé e a mamã dorme no quarto do papá…
- Guigas domi mamã papá!
- Não! - o João respondeu - O Guigas dorme na caminha dele e a mama na caminha do papa e o papa vai dormir na sala…
- OH Guigas qué!! - já os tínhamos aos dois de pijama e nas respectivas camas
- Guilherme tá na hora de dormir queres que a mamã conte a história?
- Nã! Caxa papá papá conta! Tória Guigas Gugas e mamã!!!
- Combinado - o João pegou num dos livros de historias infantis que tinha no quarto do menino e começou a contar a história o Gustavo adormeceu logo já o Guilherme deu mais luta. - E viveram felizes para sempre… - sorriu quando viu que todos já dormiam e eu também quase dormia o que o fez rir - a bebé grande quer colinho para ir para a caminha quer?
- Não obrigada… mas se quiseres ajudar a vestir o pijama… - felei a rir e sem perceber de onde me vinha tanto relaxamento e tanto à vontade ele sorriu de traçado e saímos deixando os meninos a dormir.

João
A Maria assim que sugeriu que a ajudasse com o pijama ficou ligeiramente avermelhada o que me deu um certo gozo, mas preferi não a provocar e acabei mesmo por ignorar tal proposta.
Assim que cheguei ao nosso quarto deixei-a entrar e vi-a dirigir-se á mala para de imediato se aproximar da cómoda onde só estão t-shirts minha, muito calmamente escolheu uma tirou-a olhou para mim riu-se
- Vou usar…
- E se eu não emprestar?
- Eu roubo na mesma!
Apenas sorri e continuei com o plano que tinha decidido, aproximei-me do armário peguei na minha almofada e já estava perto da porta quando
- Onde é que vais de almofada? - olhei pela primeira vez para ela e fiquei um bocado bloqueado, sim adora vê-la numa lengerie provocante ou num pijama sexy, mas vê-la assim só com uma t-shirt minha, cabelo mal apanhado e cara de sono tem praticamente o mesmo efeito em mim - Então não respondes?? - insistiu já da casa de banho, apesar da vontade não a segui
- Vou para o sofá! Foi o que disse aos meninos… - falei mais alto para que ouvisse
- Deixa-te de cenas e deita-te na cama! Não faz sentido nenhum ires para o sofá! - falou voltando ao quarto e passando por mim já em direcção da cama
-Não te importas?
 - Não, para ser sincera faço questão... - encolheu os ombros, e assim que eu lhe agarrei pela cintura deu uma gargalhada - essa cabeça só pensa nisso né?? - virou a cara deu-me um pequeno encosto nos lábios e empurrou-me para a cama, deitou-se ao meu lado muito devagarinho e ficou com a cabeça no meu peito, puxou a minha mão e colocou no seu cabelo, não precisava dizer nada queria miminhos, mas ela disse - não é que fosse má ideia - sentia rir-se - mas desde que a minha prima rebentou a bomba lá em casa que fiquei desorientada… até chegar aqui e negares… nem sei muito bem como fiz tudo, como decidi vir… foi tudo culpa da adrenalina… e agora que ela se foi embora e que sinto que tenho menos uma tonelada em cima dos ombros… bem parece que fui atropelada por uma manada de elefantes… tou tão cansada… -falou a bocejar
- Então dorme! 
Dei-lhe um beijo na cabeça e continuei a dar-lhe os miminhos que sei que adora, ela foi ficando cada vez mais mole e quando percebeu que me mexi para aproximar o intercomunicador mais de mim
- Podes deixar aqui… eu sei que o mundo pode cair enquanto durmo que não acordo, mas se forem eles nem que seja a suspirar acordo logo… dizem que é o instinto maternal… - falou num tom cômico entre o sono e o sério
- Mas assim fica mais perto dos dois… ouvimos melhor e se tu por acaso não acordadres eu acordo… - olhou para mim levantando a cabeça do meu peito sorriu deu-me um novo encosto de lábios e virou-se na cama ficando de costas para mim, para no segundo seguinte puxar-me de forma a ficarmos completamente enroscados um no outro.
Acordei com o som do intercomunicador era a voz do Guigas
- Papá!!! Oh papá!!! - chamava-me mas não chorava nem gritava, parecia que me dizia um segredo mexi-me e assim que o fiz
- Tava a ver que não!!! É melhores ir lá que ele já tá a chamar pelo papá há um bocadinho - a Maria riu e assim que me levantei veio atrás, ficando na porta do quarto
- Então pestinha o que foi??
- Guigas codá e quia papá! Papá diz Guigas choa não papá ouve texone… - apontou para o intercomunicador - xim Guigas coda não Gugas… - sorri ao lembrar-me que lhe disse que se acordasse com medo não precisava chorar que o ouviria pelo intercomunicador
- E ouvi!! vez?! já estou aqui!
- Mentira Guilherme quem ouviu foi a mamã!
- Mamã!!!! Guigas qué domi mamã e domi papá!!!
- Queres dormir connosco? 
- Xim!!!!!! 
- Tá bem! Pega lá no teu filho que eu levo o Guga…
- Mas o menino está a dormir?! 
- Pois está, mas isto aqui é uma família de ciganos onde vai um vão todos!!!
- Foi por isso que vieram de malas aviadas para a Turquia??
- Vês como sabes?! - sorriu deu-me um beijo na bochecha e seguiu com o menino ao colo para a cama, deitou-se numa das pontas e aconchegou o Gustavo e fez sinal para que a ele juntasse o Guilherme que assim que viu que íamos dormir todos juntos ficou eufórico acabei por me deitar enquanto fazia cocegas no pequenino - Mau! Mas é para dormir ou para a galhofa?! - tentou parecer zangada
- Fofa mamã!! - rimos os três
- A fofa fica para outro dia que agora o Guga tá a dormir e mamã também quer
- Xim mamã!!
O Guilherme acalmou e passado pouco tempo já todos dormiam, ainda fiquei bastante tempo apenas a observa-los até que não resisti peguei no telemóvel e tirei uma selfie, que guardei



Sentei-me na cama e depois de alguma ginástica para não os acordar consegui tirar outra


voltei a deitar-me e
- É bom que essa fotografias só sejam partilhadas com o meu telemóvel através de mms ou bluetooth! - gargalhei - Shiu os meninos tão a dormir e eu também estava se alguém parasse quieto!
- Desculpa, mas estava a vê-los dormir e não resisti!!
- Sim… sim..
- Maria?
- Hum?
- Tava aqui a pensar…
- Bem me cheirou a queimado!
- Parva!
- Olha a violência com as visitas!
- Vocês não são visitas!
- Pior ainda deixa de ser falta de educação para passar a ser crime! Sim que violência verbal também é violência domestica!! - mostrou-me a língua  - mas vá diz lá o que nos fez quase morrer intoxicados
- Quando decoraste a casa achei esta cama enorme… só para nós os dois… mas agora acho que devia ser maior para cabermos todos!
- João nós estamos aqui todos!
- Agora sim, mas e quando a menina nascer?
- Qual menina?!
- A nossa!!
- João dorme que o teu mal é sono… além disso para ti sozinho a cama é boa de mais… - percebi que queria fugir ao assunto por isso calei-me, mas só durante uns minutos
- Maria?
- Hum?
- Esta cama é grande de mais só para mim! Sinto-me tão sozinho sem ti aqui todas as noites é uma sensação tão estranha…
- Nada que se compare a estar grávida e sozinha neta cama… com medo que as aguas rebentem e a pessoa mais próxima estivesse em Braga… ou que fosse o único sitio onde me esconder quando o Guilherme dava 5 minutos de sossego e eu só precisava de uns mimos, mas upss… sozinha outra vez… ou quando me deitei aqui depois de voltar de Valência… ai então nunca achei tão grande nem nunca me senti tão sozinha… mas aiii oh João não vamos entrar por ai!
- Tu é que para não variar levaste para ai a conversa….
- E achas que gosto?! Mas não consigo…
- Perdoar… já percebi…
- Perdoar já perdoei há muito tempo!!! O que não consigo é esquecer… se vamos mas é dormir que ainda acordamos os meninos
Abraçou-os aos dois aconchegou a cara no travesseiro e fechou os olhos, preferi fazer o mesmo e não levar a conversa para caminhos mais perigosos.

Maria
A melhor opção naquele momento foi mesmo fingir que dormia… para não variar e ao contrario de tudo o que tinha feito desde que a minha prima me tinha dito que ele iria para a Turquia a cabeça começou a mandar mais que o instinto e por isso o melhor seria mesmo fechar os olhos. Passado pouco tempo apesar de não estar a dormir já não estava muito acordada muito menos com capacidade de reagir e por isso nem me mexi quando depois de muitas voltas senti o João dar um beijo a cada um de nós e levantar-se.
Minutos foi o tempo que o Gustavo demorou a acordar
- Ei o que se passa?
- Porque tamos na cama do João?
- Porque o Guilherme acordou e quis vir dormir connosco e eu trouxe-te a ti também!
- A sério? Tou a dormir contigo o João e o Guigas? - perguntou todo animado
- Sim… mas o João levantou-se por isso vamos ter de trocar os lugares porque tu como és o homenzinho tens de ficar no outro lado para…
- O Guigas não cair - falou enquanto saltava já para o lugar onde antes tinha estado o João
- Mau mas uma pessoa já não pode ir a casa de banho que roubam logo o lugar?? - o João voltou e meteu-se logo com o Gustavo que se riu - não te rias! chega mas é esse cu gordo para lá para eu caber!
O Gustavo fez o que o João mandou no meio de gargalhadas e quando já estávamos todos a adormecer novamente senti os lábios dele na minha bochecha e logo de seguida quase me fazer derreter em lágrimas quando
- Obrigado!!!
- Tás a agradecer o quê meia dose?
- Tu disseste que no ano novo quando pedimos desejos eles realizam-se e tinhas razão!!
- Tinha?? - fiquei surpreendida pelo que ele tinha ido lembrar-se
- Sim eu pedi uma família a sério e ganhei logo uma mamã!!! Tu!!! 
- Oh Gustavo…
- Não te preocupes eu sonhei com a mamã Bea e ela diz que não fica triste, até fica contente e disse que eu era muito sortudo porque tinha duas mamãs a mamã Bea e a mamã Maria! - fiquei sem saber o que lhe dizer, mas ele não - e deste-me um mano que eu gosto muito - deu um beijo no Guilherme que dormia serenamente - e também um papá!! - abraçou-se ao João que como eu ficou paralisado - posso chamar-te papá não posso?
- Podes… claro que podes… mas…
- Eu sei que não és o meu papá a sério mas és o papá do mano e…
- E??? - dissemos os dois ao mesmo tempo
- Os papás dos meus amigos vão buscá-los à escola, como o João vai a mim e ao mano e levam eles a passear como o João leva eu… e… e…
- Fala campeão… - o João que já tava com a lágrima no canto do olho incentivou o Gustavo a continuar quando percebemos que estava com vergonha
- E eles dizem que os papás deles dão beijinhos e dormem com as mamãs, como o papá João e a mamã Maria… - foi impossível não gargalharmos e darmos miminhos ao pequenote o que fez o Guilherme acordar
- Mamã papá mimos Gugas quê? Gugas tiste tia Bea nã volta?
- Também campeão… - sentei-me na cama com o Guilherme ao colo e o João fez o mesmo com o Gustava - mas o Gustavo estava a dizer que já tinha um papá, uma mamã e um mano novos…
- Gugas ter eles deixá Guigas…
- Não o meu mano és tu! - o Gustavo respondeu quando viu o Guigas a fazer beicinho de choro - queres ser o meu mano?
- Guigas qué!!! - Deu um pulinho e abraçou o Gustavo e depois - E o teu papá e a tua mamã xão papa e mamã?
- Sim!!
- Guigas qué, mas Guigas qué também mano bebé barriga mamã como Pipipo barriga madinha!!!!
- Sim eu também! - disse o Gustavo - Pode ser mamã?
- Uma coisa de cada vez pode ser?
Eles refilaram, mas lá concordaram enquanto o João apenas ria como um parvo para quando os pestinhas finalmente acalmaram voltar a sair da cama, desta vez percebi perfeitamente que tinha ido até a cozinha de onde voltou com um copo de leite na mão e depois de puxar o Gustavo e o Guilherme para a ponta da cama onde antes estava vir-me empurrar a mim também para ficarmos de novo em conchinha, tava tudo tão perfeito que nem reclamei e quando ele começou a fazer uns miminhos simples e sem segundas inteções o Guga voltar a levantar-se pular por cima do Guilherme e dar um beijo a cada um seguido de um
- Obrigado!!!
- Oh filhote - o João falou com ele como fala com o Guilherme - não precisas voltar a agradecer nunca mais...nós é que temos de agradecer tu quereres ser nosso filho, não é maria?
- Claro
- Não é isso… é obrigado por tarem a fazer o mano nós pedimos?
- Hã?!
- Sim os meus amigos também disseram que os papas deles fizeram os manos assim… dormiram na mesma cama e o papa deu miminho à mamã! - foi impossível não gargalhar
- Ahhhhh mas isso são outros miminhos… são miminhos especiais que o papá só dá à mamã quando estão sozinhos…
- Oh… - o menino não disfarçou a desilusão - tenho de dizer ao Guigas que não podemos vir dormir com vocês se queremos um mano… boa noite… -voltou ao seu lugar fechou os olhos e voltou a dormir já eu quando ia tentar fazer o mesmo ouço o despertador do João
- A sério?! - refilei
- Ah pois é! Podem ficar a dormir que que vou para o treino…
- Guigas qué teino papá… padinho… tio Ui!

Será que a Maria cede ao pedido do Guilherme?
 Como estará o casal depois desta noite?

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

168 - "Oh sogrinho está a tentar intimidar-me com esse ar?!"

Ruben
O treino da tarde correu bem e no fim o João pediu-me ajuda para surpreender a Maria, o que proporcionou algumas gargalhadas, uma vez que mais parecia um menininho… tal era a falta de ideias…
Quando consegui ver-me livre do meu amigo, fui até casa da minha mãe uma vez que a Mari enviou mensagem a avisar que estava lá com o Filipe.
Entrei com a minha chave e assim que cheguei à sala tive que rir quando vi a nossa família e amigos próximos.
- PARABÉNS amor!!!! - a Mari aproximou-se beijando-me
- Tinhas mesmo de…
- Shiu! Bebé não faz birra não! E só porque já estás com um ar mais apresentável e de homenzinho até mereces uns mimos extra… logo trato do assunto – falou ao meu ouvido, o que fez com que gargalhasse, só mesmo a Mariana.
Voltei a receber os parabéns dos que ao longo do dia tinham ligado ou enviado mensagem e depois aproximei-me novamente da Mari que estava sentada com o Filipe ao colo…
O jantar foi animado com muita conversa e piadas, não esquecendo uma ou outra provocação.
O momento dos parabéns chegou e assim que a minha mãe avisou que ia buscar o bolo
- Nem pense!!! - olhei para a Mari e nesse exato momento tive a certeza que podia começar a cavar um buraco para esconder-me, sim que aquela carinha… - Quem vai buscar o bolo sou eu!!!!
- Oh prima deve ser em grandeeeeee - a Maria que até então esteve “ausente” manifestou-se - para não teres deixado ninguém ver o bolo….
- O bolo vê-se quando vem para a mesa e não quando os abelhudos querem espreitar!

A Mariana levantou-se e saiu, regressando depois com o bolo e assim que o colocou à minha frente foi impossível conter a gargalhada estridente
- Nem pensem que a piada fica só entre vocês os dois!!! - olhei para o João
- Sim que já deu para perceber que isso não é o retrato do presente!!!!!
- Puto recordas-te da conversa ao almoço??? Pois está relacionado com a parte do “menino” – o João riu
- Mau… mas afinal do que é que tiveram a falar??? – o meu amor questionou, olhei-a e sorri ao recordar o que se passou à 12 anos atrás…
Recordação
Tinha acabado de chegar a casa depois de mais um treino mas ao contrário dos outros dias vinha triste, afinal o dia estava a terminar e a Mariana ainda não tinha dito nada, logo hoje que faço os dezoito, ela resolve ignorar-me à força toda, nem a típica mensagem de “bom dia” recebi.
Coloquei a chave à porta e quando a abri achei estranho estar tudo às escuras, àquela hora a minha mãe e irmão já deveriam estar em casa, ainda assim não dei grande importância e quando acendi a luz da sala
- PARABÉNS!!!!
Ouvi a várias vozes mas o que fez-me sorrir foi o abraço apertado que recebi da Mariana acompanhado por um longo beijinho no meu rosto e
- Parabéns meu fofinho - falou junto do meu ouvido - que faças muitos - olhou-me nos olhos - e que esteja sempre aqui do teu lado para os festejar - inevitavelmente senti-me no paraíso, ouvi-la a afirmar que quer estar sempre do meu lado deixou-me radiante…
Os minutos seguintes foram para receber os beijinhos de parabéns da Maria, da minha irmã Cátia, da minha mãe e os abraços do João, do Mauro e do meu pai.
***
Depois do jantar de aniversário preparado pela minha mãe, ficamos todos à conversa, inicialmente na sala mas pouco tempo depois fomos para o meu quarto, onde ficamos até o meu pai se vir despedir e levar com ele a minha irmã. O Mauro ainda ficou connosco durante um bocado mas também saiu, deixando-nos aos quatro sozinhos. Lógico que as brincadeiras e conversas rapidamente mudaram de tom, connosco a implicar uns com os outros, o que já era normal, a verdade é que desde que conheci as primas Mendes o meu dia-a-dia ganhou um novo animo, quando estou do lado da Mariana é impossível estar aborrecido e quando o dia está a correr pior, basta ouvir a sua voz ou ler uma simples mensagem para sorrir…
Quando estamos todos juntos perdemos facilmente a noção das horas, tanto que só percebemos que já era tardíssimo quando a minha mãe pediu autorização para entrar no quarto
- Minhas meninas e menino - os meus amigos sorriram ao ouvi-la - acabei de falar com os vossos pais para os avisar que ficam cá a dormir que isto já não são horas para andarem na rua - a Mariana sorriu, mal sabe a minha mãe que a Mari sai à noite sem os seus pais sonharem - o João pode ficar na sala e vocês meninas ficam no quarto de hóspedes.
- D. Anabela não se precisa de incomodar, estou com carro e posso deixá-las em casa!
- Eich oh João deixa de inventar! - saiu-me sem controlo, o que os deixou a todos a olharem-me - Agora que a minha mãe já se deu ao trabalho de falar com os vossos pais e que concordaram podem ficar todos cá!
- É… concordo! - a Mariana alinhou comigo - Assim podemos ficar com o Bebezinho mais tempo, não vá a criança ter pesadelos durante a noite! - gozou o que os fez rirem
- Ok… nós ficamos!
A minha mãe saiu e nós retomamos a conversa interrompida, ficamos os quatro no meu quarto até de madrugada mas o cansaço levou a melhor e acabamos por nos despedirmos para dormir um pouco.
Fui com as primas Mendes até ao seu quarto e depois regressei ao meu, onde me deitei tranquilamente.
Estava às voltas na cama sem conseguir dormir e por isso mesmo fui até à cozinha beber um copo de leite, foi quando estava de costas para a porta que a Mariana entrou e sem contar abraçou-me.
- Acordada? - sorriu-me
- A minha prima já rouca logo não consigo adormecer! Mas parece que não sou a única a não ter sono… - não sei o que lhe estava a dar mas a Mari levou as mãos até ao interior da camisola do meu pijama e sem problemas tocou-me nos abdominais, o que fez com que me arrepiasse todo
- Ó Mari o que é que estás a fazer?
- A aquecer as mãos! - sorriu
Não respondi, mas acabei por afastar-me com a desculpa de ir buscar o leite, ofereci mas a Mari afirmou não ter fome, no entanto ficou a observar-me, o que deixou-me novamente desconfortável, mas um desconfortável estranho…
Ainda ficamos uns minutos à conversa mas acabei por afirmar que ia deitar-me, a Mari avisou que também se ia deitar, acompanhei-a até à porta do quarto e mais uma vez recebi um beijinho seu que deixou-me com um sorriso no rosto.
Fui até ao meu quarto e nem um minuto depois a porta abriu para ver a Mariana a entrar de almofada debaixo do braço.
- O que é que estás aqui a fazer? - questionei ao vê-la a fechar a porta
- Naquele quarto é impossível adormecer! - esclareceu quando já estava a desviar os lençóis da minha cama para se deitar
- Oh Mariana… - olhou-me
- O que foi? Não me dás um espacinho para dormir?
- Não é isso… é que… - a Mariana sorriu
- Fica descansado que não te vou violar! - gargalhou baixinho
- Lá estás tu a gozar com a minha cara!
- Quantas vezes preciso de dizer que respeito o facto de quereres manteres-te fiel aos teus princípios! Se não o queres fazer por fazer acho muito bem que não o faças! - sorriu - E agora dá aí um espacinho! - cheguei-me para um dos lados da cama e vi-a a deitar-se
Tê-la ali na minha cama deixou-me inquieto mas rapidamente percebi que a Mariana queria só dormir, tanto que se virou de costas para mim e sem pensar aproximei-me dela, colando mesmo os nossos corpos, algo que a deve ter surpreendido e sem que tivesse a contar a Mariana virou-se, ficando mesmo por cima de mim, acendendo de imediato a luz
- O que foi? - perguntei calmamente sem saber bem como o consegui fazer quando continuava a tê-la meio deitada em cima de mim
- Nada… - sorriu - só estava a ver se estavas acordado ou a sonhar, é que isto de te aproximares assim é novidade!
- A culpa é tua… caso não tenhas reparado a minha cama é de solteiro por isso espaço é coisa que não abunda!
- Estás a chamar-me de gorda, é?
- Gorda é coisa que não és… - involuntariamente suspirei e vi-a a sorrir - e nem sei porquê que falaste isso, porque se há coisa que tens noção é do corpo que tens e em como dás a volta à cabeça dos gajos quando passas…
A Mariana sorriu mas não respondeu, voltou a acomodar-se e quando já estávamos novamente às escuras, sem que previsse a Mariana agarrou no meu braço colocando-o sobre a sua cintura e foi assim abraçados que ficamos nos minutos seguintes, não consegui adormecer de imediato e por isso a determinado momento percebi que o respirar dela estava diferente, mais profundo, sinal que provavelmente já dormia, não resisti e acendi a luz, perdi-me a observá-la, a Mariana é linda…
Dei comigo a pensar em tudo o que vivemos desde que nos conhecemos mas principalmente em como me sinto quando estou perto dela… fiquei a divagar ou melhor a sonhar acordado durante uns minutos
- Ruben o que se passa contigo? - a Mariana voltou-se na cama, ficando de barriga para cima e a olhar-me
- Nada… pensava que já dormias…
- Não… não dormia - olhou-me - e agora vou embora!
- Porquê?
- Já percebi que não conseguirás dormir comigo na tua cama - olhei-a - estás com medinho que a mamã te apanhe - gozou - tanto que até acendes a luz!
- Não acendi a luz por isso… - atirei de imediato mas arrependi-me quando
- Então foi porquê? Não me digas que só consegues contar gambuzinos com a luz acesa!
- Piadinha! Mas fica a saber que é contar carneirinhos!
- Carneirinhos é para os meninos - sorriu
- Estás a insinuar que sou menino, é?
- Insinuar? Eu? Nah… tou mesmo a afirmar
O que falou aliado ao sorriso de torça dela, fez com que reagisse por impulso e sem perceber bem como
deite-me sobre ela e teria beijando-a se a Mariana não tivesse virado a cara
- Ruben…
- Shiu… - levei os dedos aos seus lábios, ficamos a olhar-nos sem dizermos uma única palavra e a cada segundo que passava a vontade de beijá-la era maior, algo que acabou mesmo por acontecer e o que começou por um simples encosto de lábios, tomou outras proporções e quando dei por mim já o fazia com uma naturalidade tão grande que inevitavelmente a minha língua juntou-se à dela, sem saber bem o que fazer… simplesmente deixei que acontecesse por si só
Até ao momento que a Mariana colocou fim à troca de beijos e assim que o fez voltei a deitar-me na cama sem a conseguir olhar, tanto que
- Ruben… oh Rubinho olha para mim… - não resisti ao seu pedido e olhei-a
- Desculpa… - a Mariana sorriu de uma forma que deixou-me sem saber o que fazer
- Não tens de pedir desculpas mas… - não a deixei terminar
- Mas não estás para desemburrar-me!
- Deixa de ser parvo! Ruben o que está em causa não é o facto de seres virgem mas sim o teor da nossa relação - obrigou-me a olhá-la - Ruben és o meu melhor amigo, conquistaste um lugar especial no meu coração e não posso nem quero perder-te! Preciso de ti porque sim… não sei explicar, só sei que preciso por isso o melhor é pararmos, primeiro porque não quero que te arrependas amanhã e depois porque sei que nunca mais seria o mesmo porque nunca mais olharia para ti da mesma forma, pois querendo ou não serias só mais um na minha lista e não quero esse rótulo para ti, és muito mais especial na minha vida, entendes?
- Sim…
A Mariana sorriu e instintivamente abracei-a
e foi assim que adormecemos...
Fim de recordação
Voltei ao presente quando
- Vamos lá cantar os parabéns!
- Mariana nem penses!!!! - a Ana - também quero saber!
- Queres… queres… cantar os parabéns ao pai do teu afilhado!
Enquanto o pessoal insistia em saber o que representava o bolo, a nossa família observava-nos, nomeadamente o meu sogro, não resisti e
- Oh sogrinho está a tentar intimidar-me com esse ar?! - a Mari olhou para o pai e gargalhou
- Estou… estou… enganaram-me tão bem seus sacanas! - voltei a gargalhar acompanhado pela Mari
- Pai você não me difame o homem! Tadinho - olhou-me - o Ruben sempre se portou que nem homenzinho - suspirou - sempre me respeitou mais do que eu própria me respeitava… mas acabou a conversa!
Apesar de continuarem a insistir o pessoal lá se conformou e cantaram-me os parabéns, cortei o bolo e enchi os copos para o brinde
- Priminho posso assumir esta parte????
- NÃOOOOOOOOOO - o Fábio, o João e a Ana falaram ao mesmo tempo o que provocou o riso aos restantes
- É… vejam lá…
- Prima deixa lá…
- Só deixo se fores tu a assumir o papel!!!
- Que seja… - olhei para a Mari e bastou para perceber que vinha coisa… - Ruben - olhou para a Maria que riu - Um brinde a nós, - tanto eu como o João, a Ana e o Fábio encolhemos os ombros ao perceber que a Mari ia fazer o mesmo brinde - duas eternas crianças - a Maria franziu a testa - que nem sempre soubemos dar valor ao que nos unia - os que conheciam o brinde gargalharam ao perceber que a Mari o estava a adaptar à nossa vida - que o meu coração seja teu, que o teu seja meu, e que os nossos sejam dos nossos filhos - deixei de olhar em volta, agora estava de olhos postos na Mariana - que os nossos filhos tenham um pai rico e mãe gostosa!!! - gargalhamos acompanhados pelos outros 4 - Bebo porque vejo no fundo deste copo a imagem do homem amado… Que a fonte nunca seque e que minha sogra esteja sempre presente como esteve há 12 anos… - sorri pela ligação que a Mari fez - Menino da mamã é 1, envergonhadinho é 2, amigo é 3, a minha vida é 4, e acima de 5 eu to pegando! - voltamos a rir que nem perdidos pela forma como a Mari conseguiu dar a volta ao brinde - Que o amor nos sobre, nunca nos falte, e que a gente dê conta de todos os percalços que surgiram na nossa vida - tocou com o seu copo no meu -  amém!!!! - Sorriu para depois - Agora a sério - voltou-se para a prima - sim que isto foi só para te calar - meteu a língua de fora - Ruben desejo para ti o que desejo para mim, que os anos passem devagarinho e que os possa aproveitar ao máximo do lado da pessoa que amo, aquela que conheci num dia em que fui ver um - desviou o olhar para o João - caceteiro a jogar, aquele menino tímido, acanhado, aquele que desapareceu depois de o beijar, aquele que desafiou-me quando tentou impedir que me aproximasse, aquele com quem partilhei tanto e que me ensinou imenso, aquele que esteve sempre do meu lado como amigo e como o coitadinho que sofria nas minhas mãos quando na verdade… - a Mari desviou o olhar para o que sobrava do bolo, o que fez com que sorrisse - se foi soltando e provando que estava enganada, que havia muito mais para além do que conhecia, havia mimo, carinho, atenção, amizade, desejo puro, amor… A vida é curta para ser desperdiçada e nós desperdiçamos tanto… mas ainda fomos a tempo de perceber que não somos ninguém sem aquele que nos completa, sem a outra metade de nós… amo-te
O que começou por ser um brinde terminou como uma declaração, ainda assim foi o brinde mais lindo que alguma vez me fizeram, tocou-me bem no fundo por sentir o peso de casa palavrinha...

Mariana
Depois do brinde e de comermos o bolo fomos até à sala, sentei-me ao colo do meu amor, algo que aproveitou para
- Obrigado…
- Não sejas tonto - beijei-o
- Psiu… vocês os dois - olhamos para o João - nós continuamos à espera de saber o porquê que o Ruben gargalhou ao ver o bolo!!
- Fónix… até parece que não sabem que lhe fiz a vida negra…
- Priminha do meu coração isso nós sabemos e se o bolo fosse uma gaja ao colo de um gajo nós nem sequer daríamos outro significado ao bolo porque associávamos imediatamente ao vosso dia-a-dia mas na CAMA?! Desculpa mas essa vão ter de explicar! - se a Maria fez a massa do bolo e o colocou no forno
- Sim que aqui ninguém é burro para pensar que aquilo seja um momento após o vosso reencontro… - a Ana meteu a cobertura
- Ah e não digam que foi a noite em que tiraste a honra ao Ruben porque essa nós sabemos quando e onde foi e não foi numa cama de certeza! - e o João colocou a cereja em cima do bolo
- Já terminaram? - perguntei serenamente
- Já!!! E estamos à espera de sermos esclarecidos! - olhei para o Ruben que se riu - Pah temos que correr com os mais velhos, é?
- Não Fábio… - o Ruben falou tranquilamente - não é preciso! - olhei-o e achei estranho estar a rir para a mãe dele - até porque a Belinha sabe…
- É o quê? - saiu-me imediatamente e ouvi a gargalhada da minha sogra
- É isso que ouviste… mor a minha mãe sempre soube…
- Como? - olhei para a Anabela que se riu
- Naquela manhã antes de sair fui ao quarto do Ruben para lhe dar um recado, achei estranho a porta estar trancada e por isso fui buscar a chave extra, qual não é o meu espanto quando entro e vos vejo a dormir serenamente e agarradinhos…
O pessoal riu, incluindo os meus pais que hoje em dia já aceitaram que a filha tenha sido arisca…
- Desde quando é que sabes? - olhei para o Ruben
- Desde sempre… a minha mãe nesse dia à noite quando chegou do trabalho chamou-me e conversou comigo… disse-lhe que não se tinha passado nada mas nunca acreditou - olhei para a Anabela - tanto que tive de passar pela vergonha da minha mãe dar-me uma caixa de preservativos e afirmar que se fosse para os usar que o fizesse no meu quarto…
Gargalhei mas não gargalhei sozinha, afinal a Maria e o João partilharam o momento da gargalhada comigo
- Não tens vergonha nessa cara! - o Ruben olhou-me - Além de não os usares no teu quarto nem sequer os tinhas quando foi preciso!
- Para quê que andaria com preservativos na carteira quando tinha consciência que se algum dia acontecesse que tinha dos teus? - olhei-o boquiaberta - Sim que acompanhei-te mais que uma vez quando precisavas de os comprares!
- Pshiuuu oh vocês os dois calem-se antes que se enterrem ainda mais!!!
- Oh Maria… enterrados já eles estão… - ouvimos a Ana
- Sim daqui a nada fica público o local e hora onde finalmente aconteceu… - e depois o Fábio
- O local acredito que só o grupinho dos seis sabem, a hora provavelmente só vocês os dois sabem - ao ouvir a voz da minha mãe olhamos para ela - agora o dia… o dia cá me parece que pelo menos mais duas pessoas sabem - olhou para a Anabela e riram as duas
- Mau… não estou a gostar nada da conversa!
- Filho - a Anabela falou - sempre desconfiei em que noite foi - o Ruben olhava-a - desde essa noite não foste mais o mesmo… e posso esclarecer-vos que hoje sei que a Mariana também mudou exatamente a partir dessa noite - as nossas mães sorriram
- Ai agora vai ter que explicar isso muito bem! - resmunguei
- Filha desde essa noite que mudaste o teu comportamento e juro que pensei mais que uma vez tirar satisfações com o Ruben, porque andei anos a pensar que depois de lhe teres entregue… - a minha mãe calou-se o que fez com que sorrisse - sabes do que falo - voltei a rir - que ele se tivesse afastado, porque a verdade é que nas semanas a seguir deixei de o ver lá em casa e sempre que perguntava por ele eras demasiado vaga nas respostas… mas afinal parece que estava enganada e o motivo da tua mudança não foi te teres entregue ao Ruben mas sim teres descoberto que afinal era mais do que pensavas…
- Isso é tudo muito bonito mas como é que a Anabela sabia que você também sabia?
- Ah isso… nós comentamos uma com a outra e chegamos à conclusão que deve ter sido mesmo nessa noite!
O pessoal gargalhou e nós… bem nós não abrimos mais o bico.
A conversa retomou agora sem o tema sexo ao barulho e com o passar das horas a família foi saindo, para o fim ficou o pessoal e assim que a Anabela saiu da sala levando o Filipe que há muito dormia ao colo do Ruben
- Oh prima - olhei para a Maria - agora aqui só para nós… em que noite é que a Belinha vos apanhou na cama? - gargalhou
- Fónix… chatos! - o Ruben resmungou - Mas só para se calarem foi na manhã do dia 28 de janeiro de 2003…
- Mas isso foi 4 meses depois de…
- De nos conhecermos… sim Ana, foi!
- Ok… por esta não esperava - o João manifestou-se - o menino envergonhado…
- João pára lá com isso - pedi - não se passou nada…
- Ya Mariana quem queres enganar?
- Fábio vocês sabem perfeitamente em que noite é que aconteceu…
- Ya Ruben pode ter só acontecido naquela noite mas vais dizer que a Mari não tentou? É que tipo ninguém acredita que a Mari se enfia na tua cama só para dormir!
Olhei para o Ruben e sorrimos
- Nós beijamo-nos mas não passou disso e muito provavelmente porque a Mari o impediu
- QUÊ?
- Eich… vejam lá… qual é a admiração?
- Cá para mim impediu porque tiveste azar e tava naqueles dias!
Conforme o Fábio fala a Ana deu-lhe um tabefe o que nos fez rir, acabando por desviar o assunto que não voltou a ser tema de conversa…
O resto da noite foi animada, no entanto percebi que a Maria estava ausente, ainda pensei meter conversa mas desisti mesmo antes de tentar, uma vez que foi a primeira a bazar…
Como será os próximos dias?
João e Maria terão futuro?
E a Mariana reagirá bem ao primeiro dia do Filipe na creche?