quarta-feira, 20 de agosto de 2014

168 - "Oh sogrinho está a tentar intimidar-me com esse ar?!"

Ruben
O treino da tarde correu bem e no fim o João pediu-me ajuda para surpreender a Maria, o que proporcionou algumas gargalhadas, uma vez que mais parecia um menininho… tal era a falta de ideias…
Quando consegui ver-me livre do meu amigo, fui até casa da minha mãe uma vez que a Mari enviou mensagem a avisar que estava lá com o Filipe.
Entrei com a minha chave e assim que cheguei à sala tive que rir quando vi a nossa família e amigos próximos.
- PARABÉNS amor!!!! - a Mari aproximou-se beijando-me
- Tinhas mesmo de…
- Shiu! Bebé não faz birra não! E só porque já estás com um ar mais apresentável e de homenzinho até mereces uns mimos extra… logo trato do assunto – falou ao meu ouvido, o que fez com que gargalhasse, só mesmo a Mariana.
Voltei a receber os parabéns dos que ao longo do dia tinham ligado ou enviado mensagem e depois aproximei-me novamente da Mari que estava sentada com o Filipe ao colo…
O jantar foi animado com muita conversa e piadas, não esquecendo uma ou outra provocação.
O momento dos parabéns chegou e assim que a minha mãe avisou que ia buscar o bolo
- Nem pense!!! - olhei para a Mari e nesse exato momento tive a certeza que podia começar a cavar um buraco para esconder-me, sim que aquela carinha… - Quem vai buscar o bolo sou eu!!!!
- Oh prima deve ser em grandeeeeee - a Maria que até então esteve “ausente” manifestou-se - para não teres deixado ninguém ver o bolo….
- O bolo vê-se quando vem para a mesa e não quando os abelhudos querem espreitar!

A Mariana levantou-se e saiu, regressando depois com o bolo e assim que o colocou à minha frente foi impossível conter a gargalhada estridente
- Nem pensem que a piada fica só entre vocês os dois!!! - olhei para o João
- Sim que já deu para perceber que isso não é o retrato do presente!!!!!
- Puto recordas-te da conversa ao almoço??? Pois está relacionado com a parte do “menino” – o João riu
- Mau… mas afinal do que é que tiveram a falar??? – o meu amor questionou, olhei-a e sorri ao recordar o que se passou à 12 anos atrás…
Recordação
Tinha acabado de chegar a casa depois de mais um treino mas ao contrário dos outros dias vinha triste, afinal o dia estava a terminar e a Mariana ainda não tinha dito nada, logo hoje que faço os dezoito, ela resolve ignorar-me à força toda, nem a típica mensagem de “bom dia” recebi.
Coloquei a chave à porta e quando a abri achei estranho estar tudo às escuras, àquela hora a minha mãe e irmão já deveriam estar em casa, ainda assim não dei grande importância e quando acendi a luz da sala
- PARABÉNS!!!!
Ouvi a várias vozes mas o que fez-me sorrir foi o abraço apertado que recebi da Mariana acompanhado por um longo beijinho no meu rosto e
- Parabéns meu fofinho - falou junto do meu ouvido - que faças muitos - olhou-me nos olhos - e que esteja sempre aqui do teu lado para os festejar - inevitavelmente senti-me no paraíso, ouvi-la a afirmar que quer estar sempre do meu lado deixou-me radiante…
Os minutos seguintes foram para receber os beijinhos de parabéns da Maria, da minha irmã Cátia, da minha mãe e os abraços do João, do Mauro e do meu pai.
***
Depois do jantar de aniversário preparado pela minha mãe, ficamos todos à conversa, inicialmente na sala mas pouco tempo depois fomos para o meu quarto, onde ficamos até o meu pai se vir despedir e levar com ele a minha irmã. O Mauro ainda ficou connosco durante um bocado mas também saiu, deixando-nos aos quatro sozinhos. Lógico que as brincadeiras e conversas rapidamente mudaram de tom, connosco a implicar uns com os outros, o que já era normal, a verdade é que desde que conheci as primas Mendes o meu dia-a-dia ganhou um novo animo, quando estou do lado da Mariana é impossível estar aborrecido e quando o dia está a correr pior, basta ouvir a sua voz ou ler uma simples mensagem para sorrir…
Quando estamos todos juntos perdemos facilmente a noção das horas, tanto que só percebemos que já era tardíssimo quando a minha mãe pediu autorização para entrar no quarto
- Minhas meninas e menino - os meus amigos sorriram ao ouvi-la - acabei de falar com os vossos pais para os avisar que ficam cá a dormir que isto já não são horas para andarem na rua - a Mariana sorriu, mal sabe a minha mãe que a Mari sai à noite sem os seus pais sonharem - o João pode ficar na sala e vocês meninas ficam no quarto de hóspedes.
- D. Anabela não se precisa de incomodar, estou com carro e posso deixá-las em casa!
- Eich oh João deixa de inventar! - saiu-me sem controlo, o que os deixou a todos a olharem-me - Agora que a minha mãe já se deu ao trabalho de falar com os vossos pais e que concordaram podem ficar todos cá!
- É… concordo! - a Mariana alinhou comigo - Assim podemos ficar com o Bebezinho mais tempo, não vá a criança ter pesadelos durante a noite! - gozou o que os fez rirem
- Ok… nós ficamos!
A minha mãe saiu e nós retomamos a conversa interrompida, ficamos os quatro no meu quarto até de madrugada mas o cansaço levou a melhor e acabamos por nos despedirmos para dormir um pouco.
Fui com as primas Mendes até ao seu quarto e depois regressei ao meu, onde me deitei tranquilamente.
Estava às voltas na cama sem conseguir dormir e por isso mesmo fui até à cozinha beber um copo de leite, foi quando estava de costas para a porta que a Mariana entrou e sem contar abraçou-me.
- Acordada? - sorriu-me
- A minha prima já rouca logo não consigo adormecer! Mas parece que não sou a única a não ter sono… - não sei o que lhe estava a dar mas a Mari levou as mãos até ao interior da camisola do meu pijama e sem problemas tocou-me nos abdominais, o que fez com que me arrepiasse todo
- Ó Mari o que é que estás a fazer?
- A aquecer as mãos! - sorriu
Não respondi, mas acabei por afastar-me com a desculpa de ir buscar o leite, ofereci mas a Mari afirmou não ter fome, no entanto ficou a observar-me, o que deixou-me novamente desconfortável, mas um desconfortável estranho…
Ainda ficamos uns minutos à conversa mas acabei por afirmar que ia deitar-me, a Mari avisou que também se ia deitar, acompanhei-a até à porta do quarto e mais uma vez recebi um beijinho seu que deixou-me com um sorriso no rosto.
Fui até ao meu quarto e nem um minuto depois a porta abriu para ver a Mariana a entrar de almofada debaixo do braço.
- O que é que estás aqui a fazer? - questionei ao vê-la a fechar a porta
- Naquele quarto é impossível adormecer! - esclareceu quando já estava a desviar os lençóis da minha cama para se deitar
- Oh Mariana… - olhou-me
- O que foi? Não me dás um espacinho para dormir?
- Não é isso… é que… - a Mariana sorriu
- Fica descansado que não te vou violar! - gargalhou baixinho
- Lá estás tu a gozar com a minha cara!
- Quantas vezes preciso de dizer que respeito o facto de quereres manteres-te fiel aos teus princípios! Se não o queres fazer por fazer acho muito bem que não o faças! - sorriu - E agora dá aí um espacinho! - cheguei-me para um dos lados da cama e vi-a a deitar-se
Tê-la ali na minha cama deixou-me inquieto mas rapidamente percebi que a Mariana queria só dormir, tanto que se virou de costas para mim e sem pensar aproximei-me dela, colando mesmo os nossos corpos, algo que a deve ter surpreendido e sem que tivesse a contar a Mariana virou-se, ficando mesmo por cima de mim, acendendo de imediato a luz
- O que foi? - perguntei calmamente sem saber bem como o consegui fazer quando continuava a tê-la meio deitada em cima de mim
- Nada… - sorriu - só estava a ver se estavas acordado ou a sonhar, é que isto de te aproximares assim é novidade!
- A culpa é tua… caso não tenhas reparado a minha cama é de solteiro por isso espaço é coisa que não abunda!
- Estás a chamar-me de gorda, é?
- Gorda é coisa que não és… - involuntariamente suspirei e vi-a a sorrir - e nem sei porquê que falaste isso, porque se há coisa que tens noção é do corpo que tens e em como dás a volta à cabeça dos gajos quando passas…
A Mariana sorriu mas não respondeu, voltou a acomodar-se e quando já estávamos novamente às escuras, sem que previsse a Mariana agarrou no meu braço colocando-o sobre a sua cintura e foi assim abraçados que ficamos nos minutos seguintes, não consegui adormecer de imediato e por isso a determinado momento percebi que o respirar dela estava diferente, mais profundo, sinal que provavelmente já dormia, não resisti e acendi a luz, perdi-me a observá-la, a Mariana é linda…
Dei comigo a pensar em tudo o que vivemos desde que nos conhecemos mas principalmente em como me sinto quando estou perto dela… fiquei a divagar ou melhor a sonhar acordado durante uns minutos
- Ruben o que se passa contigo? - a Mariana voltou-se na cama, ficando de barriga para cima e a olhar-me
- Nada… pensava que já dormias…
- Não… não dormia - olhou-me - e agora vou embora!
- Porquê?
- Já percebi que não conseguirás dormir comigo na tua cama - olhei-a - estás com medinho que a mamã te apanhe - gozou - tanto que até acendes a luz!
- Não acendi a luz por isso… - atirei de imediato mas arrependi-me quando
- Então foi porquê? Não me digas que só consegues contar gambuzinos com a luz acesa!
- Piadinha! Mas fica a saber que é contar carneirinhos!
- Carneirinhos é para os meninos - sorriu
- Estás a insinuar que sou menino, é?
- Insinuar? Eu? Nah… tou mesmo a afirmar
O que falou aliado ao sorriso de torça dela, fez com que reagisse por impulso e sem perceber bem como
deite-me sobre ela e teria beijando-a se a Mariana não tivesse virado a cara
- Ruben…
- Shiu… - levei os dedos aos seus lábios, ficamos a olhar-nos sem dizermos uma única palavra e a cada segundo que passava a vontade de beijá-la era maior, algo que acabou mesmo por acontecer e o que começou por um simples encosto de lábios, tomou outras proporções e quando dei por mim já o fazia com uma naturalidade tão grande que inevitavelmente a minha língua juntou-se à dela, sem saber bem o que fazer… simplesmente deixei que acontecesse por si só
Até ao momento que a Mariana colocou fim à troca de beijos e assim que o fez voltei a deitar-me na cama sem a conseguir olhar, tanto que
- Ruben… oh Rubinho olha para mim… - não resisti ao seu pedido e olhei-a
- Desculpa… - a Mariana sorriu de uma forma que deixou-me sem saber o que fazer
- Não tens de pedir desculpas mas… - não a deixei terminar
- Mas não estás para desemburrar-me!
- Deixa de ser parvo! Ruben o que está em causa não é o facto de seres virgem mas sim o teor da nossa relação - obrigou-me a olhá-la - Ruben és o meu melhor amigo, conquistaste um lugar especial no meu coração e não posso nem quero perder-te! Preciso de ti porque sim… não sei explicar, só sei que preciso por isso o melhor é pararmos, primeiro porque não quero que te arrependas amanhã e depois porque sei que nunca mais seria o mesmo porque nunca mais olharia para ti da mesma forma, pois querendo ou não serias só mais um na minha lista e não quero esse rótulo para ti, és muito mais especial na minha vida, entendes?
- Sim…
A Mariana sorriu e instintivamente abracei-a
e foi assim que adormecemos...
Fim de recordação
Voltei ao presente quando
- Vamos lá cantar os parabéns!
- Mariana nem penses!!!! - a Ana - também quero saber!
- Queres… queres… cantar os parabéns ao pai do teu afilhado!
Enquanto o pessoal insistia em saber o que representava o bolo, a nossa família observava-nos, nomeadamente o meu sogro, não resisti e
- Oh sogrinho está a tentar intimidar-me com esse ar?! - a Mari olhou para o pai e gargalhou
- Estou… estou… enganaram-me tão bem seus sacanas! - voltei a gargalhar acompanhado pela Mari
- Pai você não me difame o homem! Tadinho - olhou-me - o Ruben sempre se portou que nem homenzinho - suspirou - sempre me respeitou mais do que eu própria me respeitava… mas acabou a conversa!
Apesar de continuarem a insistir o pessoal lá se conformou e cantaram-me os parabéns, cortei o bolo e enchi os copos para o brinde
- Priminho posso assumir esta parte????
- NÃOOOOOOOOOO - o Fábio, o João e a Ana falaram ao mesmo tempo o que provocou o riso aos restantes
- É… vejam lá…
- Prima deixa lá…
- Só deixo se fores tu a assumir o papel!!!
- Que seja… - olhei para a Mari e bastou para perceber que vinha coisa… - Ruben - olhou para a Maria que riu - Um brinde a nós, - tanto eu como o João, a Ana e o Fábio encolhemos os ombros ao perceber que a Mari ia fazer o mesmo brinde - duas eternas crianças - a Maria franziu a testa - que nem sempre soubemos dar valor ao que nos unia - os que conheciam o brinde gargalharam ao perceber que a Mari o estava a adaptar à nossa vida - que o meu coração seja teu, que o teu seja meu, e que os nossos sejam dos nossos filhos - deixei de olhar em volta, agora estava de olhos postos na Mariana - que os nossos filhos tenham um pai rico e mãe gostosa!!! - gargalhamos acompanhados pelos outros 4 - Bebo porque vejo no fundo deste copo a imagem do homem amado… Que a fonte nunca seque e que minha sogra esteja sempre presente como esteve há 12 anos… - sorri pela ligação que a Mari fez - Menino da mamã é 1, envergonhadinho é 2, amigo é 3, a minha vida é 4, e acima de 5 eu to pegando! - voltamos a rir que nem perdidos pela forma como a Mari conseguiu dar a volta ao brinde - Que o amor nos sobre, nunca nos falte, e que a gente dê conta de todos os percalços que surgiram na nossa vida - tocou com o seu copo no meu -  amém!!!! - Sorriu para depois - Agora a sério - voltou-se para a prima - sim que isto foi só para te calar - meteu a língua de fora - Ruben desejo para ti o que desejo para mim, que os anos passem devagarinho e que os possa aproveitar ao máximo do lado da pessoa que amo, aquela que conheci num dia em que fui ver um - desviou o olhar para o João - caceteiro a jogar, aquele menino tímido, acanhado, aquele que desapareceu depois de o beijar, aquele que desafiou-me quando tentou impedir que me aproximasse, aquele com quem partilhei tanto e que me ensinou imenso, aquele que esteve sempre do meu lado como amigo e como o coitadinho que sofria nas minhas mãos quando na verdade… - a Mari desviou o olhar para o que sobrava do bolo, o que fez com que sorrisse - se foi soltando e provando que estava enganada, que havia muito mais para além do que conhecia, havia mimo, carinho, atenção, amizade, desejo puro, amor… A vida é curta para ser desperdiçada e nós desperdiçamos tanto… mas ainda fomos a tempo de perceber que não somos ninguém sem aquele que nos completa, sem a outra metade de nós… amo-te
O que começou por ser um brinde terminou como uma declaração, ainda assim foi o brinde mais lindo que alguma vez me fizeram, tocou-me bem no fundo por sentir o peso de casa palavrinha...

Mariana
Depois do brinde e de comermos o bolo fomos até à sala, sentei-me ao colo do meu amor, algo que aproveitou para
- Obrigado…
- Não sejas tonto - beijei-o
- Psiu… vocês os dois - olhamos para o João - nós continuamos à espera de saber o porquê que o Ruben gargalhou ao ver o bolo!!
- Fónix… até parece que não sabem que lhe fiz a vida negra…
- Priminha do meu coração isso nós sabemos e se o bolo fosse uma gaja ao colo de um gajo nós nem sequer daríamos outro significado ao bolo porque associávamos imediatamente ao vosso dia-a-dia mas na CAMA?! Desculpa mas essa vão ter de explicar! - se a Maria fez a massa do bolo e o colocou no forno
- Sim que aqui ninguém é burro para pensar que aquilo seja um momento após o vosso reencontro… - a Ana meteu a cobertura
- Ah e não digam que foi a noite em que tiraste a honra ao Ruben porque essa nós sabemos quando e onde foi e não foi numa cama de certeza! - e o João colocou a cereja em cima do bolo
- Já terminaram? - perguntei serenamente
- Já!!! E estamos à espera de sermos esclarecidos! - olhei para o Ruben que se riu - Pah temos que correr com os mais velhos, é?
- Não Fábio… - o Ruben falou tranquilamente - não é preciso! - olhei-o e achei estranho estar a rir para a mãe dele - até porque a Belinha sabe…
- É o quê? - saiu-me imediatamente e ouvi a gargalhada da minha sogra
- É isso que ouviste… mor a minha mãe sempre soube…
- Como? - olhei para a Anabela que se riu
- Naquela manhã antes de sair fui ao quarto do Ruben para lhe dar um recado, achei estranho a porta estar trancada e por isso fui buscar a chave extra, qual não é o meu espanto quando entro e vos vejo a dormir serenamente e agarradinhos…
O pessoal riu, incluindo os meus pais que hoje em dia já aceitaram que a filha tenha sido arisca…
- Desde quando é que sabes? - olhei para o Ruben
- Desde sempre… a minha mãe nesse dia à noite quando chegou do trabalho chamou-me e conversou comigo… disse-lhe que não se tinha passado nada mas nunca acreditou - olhei para a Anabela - tanto que tive de passar pela vergonha da minha mãe dar-me uma caixa de preservativos e afirmar que se fosse para os usar que o fizesse no meu quarto…
Gargalhei mas não gargalhei sozinha, afinal a Maria e o João partilharam o momento da gargalhada comigo
- Não tens vergonha nessa cara! - o Ruben olhou-me - Além de não os usares no teu quarto nem sequer os tinhas quando foi preciso!
- Para quê que andaria com preservativos na carteira quando tinha consciência que se algum dia acontecesse que tinha dos teus? - olhei-o boquiaberta - Sim que acompanhei-te mais que uma vez quando precisavas de os comprares!
- Pshiuuu oh vocês os dois calem-se antes que se enterrem ainda mais!!!
- Oh Maria… enterrados já eles estão… - ouvimos a Ana
- Sim daqui a nada fica público o local e hora onde finalmente aconteceu… - e depois o Fábio
- O local acredito que só o grupinho dos seis sabem, a hora provavelmente só vocês os dois sabem - ao ouvir a voz da minha mãe olhamos para ela - agora o dia… o dia cá me parece que pelo menos mais duas pessoas sabem - olhou para a Anabela e riram as duas
- Mau… não estou a gostar nada da conversa!
- Filho - a Anabela falou - sempre desconfiei em que noite foi - o Ruben olhava-a - desde essa noite não foste mais o mesmo… e posso esclarecer-vos que hoje sei que a Mariana também mudou exatamente a partir dessa noite - as nossas mães sorriram
- Ai agora vai ter que explicar isso muito bem! - resmunguei
- Filha desde essa noite que mudaste o teu comportamento e juro que pensei mais que uma vez tirar satisfações com o Ruben, porque andei anos a pensar que depois de lhe teres entregue… - a minha mãe calou-se o que fez com que sorrisse - sabes do que falo - voltei a rir - que ele se tivesse afastado, porque a verdade é que nas semanas a seguir deixei de o ver lá em casa e sempre que perguntava por ele eras demasiado vaga nas respostas… mas afinal parece que estava enganada e o motivo da tua mudança não foi te teres entregue ao Ruben mas sim teres descoberto que afinal era mais do que pensavas…
- Isso é tudo muito bonito mas como é que a Anabela sabia que você também sabia?
- Ah isso… nós comentamos uma com a outra e chegamos à conclusão que deve ter sido mesmo nessa noite!
O pessoal gargalhou e nós… bem nós não abrimos mais o bico.
A conversa retomou agora sem o tema sexo ao barulho e com o passar das horas a família foi saindo, para o fim ficou o pessoal e assim que a Anabela saiu da sala levando o Filipe que há muito dormia ao colo do Ruben
- Oh prima - olhei para a Maria - agora aqui só para nós… em que noite é que a Belinha vos apanhou na cama? - gargalhou
- Fónix… chatos! - o Ruben resmungou - Mas só para se calarem foi na manhã do dia 28 de janeiro de 2003…
- Mas isso foi 4 meses depois de…
- De nos conhecermos… sim Ana, foi!
- Ok… por esta não esperava - o João manifestou-se - o menino envergonhado…
- João pára lá com isso - pedi - não se passou nada…
- Ya Mariana quem queres enganar?
- Fábio vocês sabem perfeitamente em que noite é que aconteceu…
- Ya Ruben pode ter só acontecido naquela noite mas vais dizer que a Mari não tentou? É que tipo ninguém acredita que a Mari se enfia na tua cama só para dormir!
Olhei para o Ruben e sorrimos
- Nós beijamo-nos mas não passou disso e muito provavelmente porque a Mari o impediu
- QUÊ?
- Eich… vejam lá… qual é a admiração?
- Cá para mim impediu porque tiveste azar e tava naqueles dias!
Conforme o Fábio fala a Ana deu-lhe um tabefe o que nos fez rir, acabando por desviar o assunto que não voltou a ser tema de conversa…
O resto da noite foi animada, no entanto percebi que a Maria estava ausente, ainda pensei meter conversa mas desisti mesmo antes de tentar, uma vez que foi a primeira a bazar…
Como será os próximos dias?
João e Maria terão futuro?
E a Mariana reagirá bem ao primeiro dia do Filipe na creche?

3 comentários:

  1. Olá!

    Eu sabia que o Ruben não ia levantar cabelo com a festa surpresa (agora também já não levanta muito afinal já cortou a franja maravilha), ela faz-se de difícil mas depois como foi a Mari que organizou tudo ele derrete-se todo.
    A Mari é terrível, o que ela se foi lembrar para decoração do bolo, os outros como são todos uma cambada de cuscos ficaram em pulgas para saberem o que é que aquilo queria dizer, mas no final a surpreendida foi a Mari, porque a Anabela sabia de tudo e o Ruben nunca lhe disse que a mãe sabia. Gostei da recordação, afinal o homem não é assim tão sonsinho como o pintam, só não passou de uns beijos e amassos porque por incrível que pareça a Mari teve um momento de lucidez e bom senso e ficou-se só por isso.
    Adorei o brinde, e de uma maneira muito subtil ficou no ar um recadinho para o João e para a Maria "A vida é curta para ser desperdiçada e nós desperdiçamos tanto… mas ainda fomos a tempo de perceber que não somos ninguém sem aquele que nos completa, sem a outra metade de nós… amo-te", adorei, só espero que eles se lembrem disso e sigam o exemplo deles.
    Como sempre os cuscos tinham que saber o significado do bolo e o porquê do Ruben se rir tanto quando o viu, para esta gente a palavra intimidade não existe, o que ninguém estava à espera é que para além do grupinho da vida airada houvesse mais duas pessoas a saberem o dia em que o Ruben e a Mariana se envolveram, ah! pois é bebé, ás mães não se consegue esconder nada, elas sabem sempre tudo ou quase tudo, e elas conseguiram calá-los, e confesso que me deu gozo imaginar a Mari a ficar sem pio, não é de todo normal isso acontecer.
    Eu amei este capitulo onde se recordou o passado, viveu o presente e planeou-se o futuro, destes dois, e de uma certa maneira também o dos amigos e familiares.
    Em relação ás perguntinhas da praxe espero que os próximos dias corram bem, apesar de ficar de pé atrás porque a pergunta deixa-me com a pulga atrás da orelha, acho mesmo que traz água no bico. Em relação ao João e à Maria, espero sinceramente que tenham futuro, mas vão ter um longo caminho a percorrer até que isso aconteça, já a Mari com o 1º dia do Filipe na creche, acho que ela vai ter uma reação digna de uma Mariana Mendes, seja lá o que isso fôr, se não se der um terramoto ou rebentar a 3ª guerra mundial acho que já é uma sorte, mas gostava que ela me surpreendesse pela positiva, do tipo conhecer a escolinha do puto, finalmente ganhar coragem (sim que como ela anda precisa mesmo de coragem para o deixar lá) e deixá-lo na creche com a educadora e os coleguinhas, e quando sair pode chorar à vontade, porque isso sim é uma reação perfeitamente normal, qual é a mãe que não fica a chorar depois de deixar a sua cria num ambiente totalmente desconhecido para a criança? são todas iguais, e eu conheço algumas.
    Agora só falta mesmo uma coisa, o próximo capitulo, assim lindo e maravilhoso como este.
    Beijocas

    Fernanda

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  2. Olá!
    Peço imensa desculpa a demora pois já tinha lido o capitulo e (para "variar") está fantástico!
    Adorei a festa a que o Rúben teve direito especialmente o bolo e de toda história que estás por detrás dele loool
    Isto do menino ir para a creche deixa-me demasiado curiosa!!
    Quero o proximo sff!
    Beijinhos

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  3. Olá meninas:
    Vou redimir-me!!!! :D
    Vou comentar aqui os 2 capítulos, 167 e 168 ;)
    Bem do 167 o que tenho a dizer é simples :) fiquei de queixo caído com a cena do João e da Maria.... sim senhora a espalhar magia.... amei aquela cena da escola.... E a conversa dos rapazes!!! Demais!
    Isto promete!!! Vamos a ver o que a Maria ainda nos reserva....
    Agora o 168, bem quando penso que já li tudo do meu casalinho sou logo surpreendida!!!!!
    Aquela recordação é mel, que situação mais apaixonante, faz sonhar qualquer um. É impossível não recuar no tempo, eu acabei de ler e pareceu-me que estava a ver à minha frente situações da minha adolescência.
    Não estou a dizer que tive situações iguais, quero sim dizer que tal passagem nos leva a fazer uma viagem no tempo!!! Amei.
    Grande aniversário o do Ruben e lindo bolo :D :D
    Espero que a saída à francesa da Maria não anuncie stresses.
    Adoro, adoro, adoro!!! Quero mais!!!!
    Beijinhos.

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