segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

186 - "É uma longa história…"

Maria
Desde que a minha prima teve as miúdas que o João anda esquisito, já tentei falar com ele, mas de nada serviu. Diz que não é nada que está tudo normal, que anda cansado. Desculpas que não pegam, mas também não vou insistir, se quiser contar que conte.
Hoje mais uma vez me deu uma desculpa esfarrapada para não almoçarmos juntos e também não foi buscar os miúdos como tínhamos combinado. Acabei por ir eu ao infantário e tinha acabado os banhos quando a campainha tocou olhei pelo video-porteiro e vi-o, abri a porta e esperei que subisse, dei-lhe um pequeno beijo só porque realmente tenho muitas saudades porque ele merecia era que o deixasse no “vácuo”  e fomos logo abalroados pelos miudos que quiseram a sua companhia
- Jantas connosco?
- Já que insistes…
- Não, não insisto… se quiseres optimo se não bom também…
- Sim janto… o que tens?
- Eu nada… - encolhi os ombros - tou cansada… sabes como é os treinos…
- Olha a ironia…
Apenas o olhei e segui para a cozinha enquanto ele foi para a sala com os pestinhas que fizeram a festas. Depois de um jantar animado voltei a deixa-los sozinhos e fui arrumar a cozinha e foi nesse momento que a campainha tocou novamente ao abrir dei de caras com o meu primo e o pequeno Filipe que fez as delicias do Guilherme que adora ter a companhia do primo para brincar.
Voltei a cozinha, mas fiquei sozinha pouco tempo já que se alguém me podia dizer o que se passava com o João esse alguém era o Ruben, chamei-o
- Se queres ajuda com a loiça esquece! Nem sequer me ofereceste jantar!
- Tivesses chegado mais cedo!
- E cheguei quando o baixinho chegou já estava lá em baixo - olhei-o intrigada - a falar com o Rui… distrai-me
- ah… não o tenho visto… mas também não foi para isso que te chamei… queres comer alguma coisa?
- Nop, jantei antes de vir… mas vá pergunta lá o que queres saber…
- O que é que ele tem??
- Pergunta-lhe
- Achas que já não o fiz?!
- Oh Maria não sei como te dizer isto… - ele falou sério e eu fiquei inquieta para o ver depois gargalhar - ele anda com ciumes… MEUS!
- Desculpa?!
- Sim… diz que não lhe ligo! - gargalhou
- Tou a falar a sério Ruben!
- Eu também! Achei-o esquisito e perguntei-lhe! - não disfarcei que não me satisfez a resposta e por isso - prima tou a falar a sério! 
- E como tem ciumes teus afasta-se de mim?! Ruben ele apareceu aqui agora, mas… só está com os miúdos…
- Oh… deves ser tu com macaquinhos!
- Não, não sou… - ouvimos os miúdos a gargalhar
- Vou lá ver… vais ficar ai?
- Vou acabar isto - apontei para a loiças que ainda tinha - e já lá vou
Ele saiu em direcção a sala ainda os ouvi falar durante um tempo.
Quando voltei a sala encontrei o Guigas e o Filipe sentados no tapete a olhar para a tv enquanto na porta que dava acesso aos quartos estava um Gustavo com cara de caso
- O que foi Gustavo?
- Nada!
- O papá e o tio Ruben?
- Não sei… o papá pediu eu tomar conta meninos…
- Mas saíram?
- Quarto mamã
Achei esquisito e fui até ao meu quarto quando lá cheguei, um medo percorreu-me a espinha e em vez de abrir a porta preferi tentar ouvir sei que não se faz, mas foi mais forte que eu
- Desculpa… mas não sei mesmo o que pensar e o que fazer… - ouvi o João a falar parecia confuso e preocupado
- Essa decisão é tua...  - a resposta no mesmo tom do Ruben ainda mais assustada me deixou e ao perceber que iriam sair resolvi abrir a porta como acabada de chegar
- Posso saber o que fazem aqui fechados?!
- Viemos dar uma… - a resposta pronta do Ruben fez-me gargalhar o que chamou a atenção dos miúdos
Agora na minha presença tinha não um mais dois esquisitos, olhavam-se cúmplices e centravam as conversas nas crianças não dando espaço para que eu tentasse saber o que se passava e assim que o Ruben informou que se ia embora também o João o fez.

 ***

Com o passar dos dias o João foi ficando cada vez mais esquisito, tinha a sensação que queria dizer-me algo, mas que tinha medo. Tudo me passou pela cabeça, desde uma mudança de clube a uma nova traição. Mas neste momento quem me preocupa ainda mais é o Gustavo
- Maria o que foi? Vai ficar assim comigo? Já disse que não vou mudar de clube e que não tenho ninguém… Maria mesmo que quisesse  - olhei-o com má cara - se quisesse que NÃO QUERO, não tinha tempo… - aproveitou o Guga estar atento aos bonecos e o Guigas ter adormecido para me dar um pequeno beijo -  por isso deixa lá esse bico de amuo e dá mimos…
- Infelizmente o mundo não gira a tua volta! O que me está a preocupar é o Gustavo… não o achas tristonho?
- Sim… achei… mas não me pareceu nada de especial…
- Mas é… ele anda inquieto… triste e não tem dormido bem… os sonos são agitados… não sei o que se passa e ele não quer falar comigo… podias tentar…

Julieta
O Ruben acordou extremamente bem-disposto mas também preocupado, afinal a Mariana regressa hoje a casa no entanto as meninas ficam no hospital.
Estávamos a comer o pequeno-almoço, quando o rapaz nos convidou para o acompanhar até ao hospital, algo que negamos e demos como desculpa não querermos incomodar a Mariana, por ser um momento difícil para ela, afinal terá que deixar as meninas. O Ruben não insistiu e agradeci mentalmente, até porque mentimos, dado que o verdadeiro motivo é outro, hoje mais uma vez vamos visitar a nossa neta.
Estava à espera que o Augusto se despachasse quando mais uma vez recordei a primeira visita que fizemos à Sofia

Entramos e tivemos de aguardar uns minutos numa sala onde já estavam outras reclusas e por diversas vezes senti arrepios... aquelas mulheres... aquele meio…
- Vocês??? - ouvimos a sua voz e olhamo-la
- Oh meus Deus... estás tão magra...
- O que é que vieram cá fazer?
- Ver-te... somos teus avós - interrompeu o Augusto
- Nunca fui neta... - a Sofia estava tão serena, tão diferente daquela Sofia que sempre conheci - sempre vos tratei mal... porquê que vieram?
- É verdade que sempre nos rejeitaste, sempre nos trataste mal e nunca quiseste saber de nós - baixou o olhar - mas mesmo assim és nossa neta e continuamos a gostar de ti da mesma forma... apesar de tudo... acredito que não nos queres mal...
- Se o que diz é verdade porquê que só agora é que vieram? - olhei para o Augusto
- Porque tivemos receio que nos tratasses mal - fui sincera
- E agora já não têm?
- Temos mas resolvemos arriscar.
- E vieram de Braga de propósito para verem-me?
- Não… - hesitei por saber que o assunto era delicado - nós já não vivemos em Braga.
- Como?
- É uma longa história… Quando foste presa - baixou o olhar - nós ficamos a saber da existência do Filipe - assim que falei o nome do menino, a Sofia olhou - mas nunca conseguimos ter coragem para procurar o Ruben, passamos meses a imaginar como seria o menino e se estava bem, até que uns dias antes do Natal passou uma reportagem na televisão sobre o Ruben e a Rute mostrou-nos… o rapaz falou dele, da... - hesitei com receio que a Sofia se exaltasse mas
- Da Mariana...
- Sim da Mariana e do Filipe... pela primeira vez vimos o nosso bisneto, ficamos ainda com mais vontade de os procurar mas ao mesmo tempo o medo de não sermos bem recebidos fez com que continuássemos quietos... mas o destino... o Ruben e a Mariana foram à Doçaria dos pais da Rute... Nós estávamos lá e quando a Mariana soube quem éramos pegou no Filipe e aproximou-se, desde esse dia que mantivemos o contacto com eles... eles ligavam frequentemente para saberem de nós e quando a avó foi internada com uma pneumonia, a Mariana foi a Braga buscar-nos... cuidou do avô enquanto tive internada e depois quando tive alta, ficamos a viver com eles... eles acolheram-nos e tratam-nos como família… e nós retribuímos o amor que nos dão…
- Não quero saber! E se vêem para aqui defendê-los e acusar-me a mim podem ir embora! - falou magoada - Por causa dela é que estou aqui e se gostam tanto dela então não voltem mais!
- Estás aqui por tua culpa! Sofia, foste tu que atropelaste a Mariana, a rapariga estava simplesmente a viver a vida dela - interrompeu
- Ela robou-me o Ruben!
- Não foi isso que nos contaram, é verdade que quando conheceste o Ruben, o rapaz já não estava com a Mariana mas será que nunca percebeste que não te amava? Nem mesmo quando passou a desprezar-te? Pelo que nos contaram, ameaçaste-o, usaste a gravidez para o prender e quando percebeste que tinhas perdido nem do menino quiseste saber, por isso a Mariana não tem culpa nenhuma, a única coisa que fez foi ficar do lado do Filipe, aprendeu a amá-lo como se tivesse nascido dela.
- Ya… ela é a princesa enquanto sou a bruxa…
- Não foi isso que falei, Sofia és nossa neta e ninguém vai substituir-te mas temos de ser justos, a Mariana merece todo o respeito, admiração e amor, porque não nos julgou, não nos afastou, muito pelo contrário, faz questão que o Filipe conviva connosco, mas principalmente porque o ama de forma incondicional.
- Ainda bem… que seja muito feliz com o miúdo que não quero saber dele para nada - olhámo-la desiludidos - que foi? É verdade! Engravidei com um objectivo que não consegui atingir, além disso nunca serei a mãe que o Filipe precisa, estou presa e quando sair, serei só mais uma ex-condenada, para quem vão olhar de lado…

João
Falar com o Ruben não adiantou nada, mas pelo menos não tenho a sensação de guardar sozinho uma bomba.
A Maria cada dia que passa mostra mais que não acha piada a perceber que tenho um segredo, mas sinceramente não imagino como partilhar com ela o que suspeito, principalmente porque não passa de suspeita.
Os fins de tarde agora resumem-se a isto, os miúdos a dormir no sofá enquanto a tv está ligada num dos canais deles e nós apenas partilhamos o mesmo sofá enquanto não sou expulso de casa deles, mas hoje a Maria está ainda mais quieta do que o costume, tentei disfarçar a minha suspeita, mas fiquei a saber que a causa era o Gustavo.
- Queres que fale com ele?
- Já falei João
- Mas sabes que há coisas que não se contam às mães… tipo coisas de homens!
- O miudo tem 5 anos!
- E?? Sabes que na sala dele há umas loirinhas…
- João Pedro!!
- Que foi?
- Nem penses em meter essas ideias na cabeça do miúdo!
 - Eu?! - sorri - Agora a sério vou falar com ele enquanto fazes o jantar…
A Maria tentou refilar e acabou a despertar o Guilherme que quis porque quis visitar o Pipipo e a madrinha
- Então vamos!
- Oh João a minha prima quer descanso
- A tua prima precisa ocupar o tempo que não pode estar no hospital… eu trato do Gustavo e tu do Guilherme - pisquei-lhe o olho - Vamos Gugas vamos mudar de roupa para ir a casa dos tios
O menino seguiu-me, dei-lhe banho sempre a tentar brincar com ele, mas ele manteve-se sempre muito sério
- Gustavo o papá e a mamã estão preocupados contigo
- Comigo poquê?
- Porque já percebemos que andas triste… e não falas conosco… estás zangado? Fizemos alguma coisa que não gostaste?
- Não…
- Então… passa-se alguma coisa na escola? Voltaram a dizer que não és nosso filho?
- Não é nada…
- De certeza?
- Sim…
- Prometes-me uma coisa?
- Sim…
- Quando tiveres um problema falas com o papá ou com a mamã?
- Sim…
- De mindinho?


Fizemos o gesto e no mesmo momento a Maria e o Guilherme juntaram-se a nós já prontos.

***

No final do jantar bastante animado o Gustavo voltou a dar sinais de estar ausente e por isso a Mariana e o Ruben também tentaram falar com ele.
Mas ele nada disse, pelo menos a nós já que assim que conseguiu desapareceu com a Mariana.

Mariana
Hoje acordei angustiada... deram-me alta mas vou ter de deixar as meninas no hospital... estava a arrumar o meu saco quando o Ruben chegou
- Como estás?
- Triste…
O Ruben tentou animar-me mas não conseguiu, a única coisa que deixou-me de sorriso no rosto, foi o momento em que fomos ver as nossas meninas e que pela primeira vez pude pegar na Carolina. Por mim não a largava mas tenho consciência que o Ruben também gosta de pegar nas nossas filhas e só por isso é que deixei.
Estava com a Leonor ao colo quando a menina começou a rabujar, tentei acalma-la mas cada vez estava mais agitada, olhei para o relógio e deduzi que fosse fome, por isso mesmo pedi ajuda à enfermeira, uma vez que sabia que tinha leite guardado para elas.
- A mãe não quer experimentar dar o peito? - olhei-a desconfiada, afinal desde que nasceram nunca deixaram que desse de mamar a nenhuma das duas - vá… a mamã consegue… - olhei para o Ruben que se aproximou com a nossa Carolina - mamã não tenha medo…
- Olhe lá… tenho nome próprio! - refilei já aborrecida por em menos de três minutos ser três vezes tratada por mamã, o que levou o Ruben a rir e a Ana que entrou sem ter percebido a gargalhar, já a coitada da enfermeira ficou tão sem jeito que só não desapareceu porque não podia
- Fátima se quer um conselho… é melhor não contrariar a mamã - olhei para a Ana que se riu - mas deixemo-nos de conversas que aqui a pequenina já está com fome…
Ao início foi complicado, a Leonor demorou a pegar no peito mas com algumas dicas da enfermeira e muita paciência lá começou a puxar o leite. Estava completamente babada a olhar para a minha pequenina quando ao desviar por segundos o olhar, vi o Ruben de lágrimas nos olhos, sorri e estiquei a mão, num sinal claro que o queria ainda mais perto.
Os minutos seguintes foram só nossos, a sensação que tive era que o resto do mundo tinha desaparecido, tal era a cumplicidade existente entre nós os quatro...
Se a tarefa de dar de mamar foi inteiramente minha e um momento inesquecível, a seguinte calhou ao pai, foi o Ruben que fez questão de colocar a Leonor a arrotar, aliás quase que batia na enfermeira quando a senhora o tentou fazer, o que fez a Ana rir, enquanto eu… bem… eu fiquei simplesmente a observá-lo… o meu amor tratou de lhe mudar a fralda.
- Dá cá a menina… - reclamei porque a Leonor já estava há demasiado tempo no seu colo
- Não dou… é minha!
- É nossa!!!! E tu não me irrites!!!
A Ana voltou a rir e o Ruben fez-me a vontade, aproximou-se de mim, ainda assim ficou com a menina ao colo, momento esse desta vez captado pela nossa amiga que continuava deliciada a olhar-nos

Estava no paraíso e a observar a Leonor que continuava ao colo do Ruben quando voltei a pegar na Carolina, que finalmente pode estar mais do que uns minutos fora da incubadora.
Aproveitamos ao máximo o tempo mas assim que as deixei sozinha, senti um aperto enorme no peito. A viagem até casa foi rápida e quando cheguei, tinha à minha espera o Filipe.
Dediquei-me em exclusivo ao menino, o que ajudou a passar as horas mas ainda assim continuava a sentir um aperto no peito que agravou quando chegou o momento de dormir…

Ruben
Acordei com a Mari a mexer-se, não dei grande importância mas com o passar dos minutos e dado que não parava de dar voltas na cama
- Estás bem? - acendi a luz
- Desculpa acordei-te…
- Hey o que se passa - abracei-a uma vez que chorava
- Não consigo... não consigo ficar aqui sem as nossas filhas!
- Mor também me custa mas tem de ser... elas ainda não podem vir para casa
- Mas não consigo ficar aqui...
A Mariana chorava cada vez mais, dei-lhe uns minutos para ver se se acalmava mas como não resultou, passei para o plano B
- Anda!
Saí da cama e puxei-a pela mão até ao quarto do nosso filho
- Mor sei que custa deixar as nossas filhas mas é para o bem delas... Nós já vivemos isto tudo com o Filipe e hoje temos o nosso filho cheio de saúde, com as meninas vai ser igual...
- Isto é horrível... sinto que estou a abandonar as nossas filhas... com o Filipe já custou mas agora está a ser pior...
- É normal... mas não penses mais nisso, concentra-te no nosso filho, dá-lhe ainda mais mimo que isso ajuda a passar o tempo... pelo menos comigo resulta, nestes dias que ficaste no hospital foi o Filipe que me deu força.
A Mariana não respondeu mas pelo menos acalmou, ainda ficamos um bocado a olhar para o nosso filho mas acabei por conseguir convencê-la a ir até ao quarto.

***

- Então como correu a noite? - o João meteu-se comigo mal entrei no balneário
- Se queres mesmo saber correu mal...
- Então??
- A Mari não está a lidar bem com a ideia de deixar as meninas no hospital...
- Mas há motivos para nos preocupar ou é algo passageiro?
- Espero que seja passageiro... ontem depois consegui acalmá-la...
- Vai correr bem... foi por ser a primeira noite...
- Espero que tenhas razão...

***

O treino foi puxado mas assim que terminou corri para o balneário, com a intensão de despachar-me rapidamente para ir ter com a Mariana ao hospital. Encontrei-a junto das meninas e muito mais serena. Aproveitamos o tempo para mimar as nossas filhas e quando reparei já eram horas de ir buscar o Filipe à creche, avisei o meu amor e ouvi algo que não esperava
- Vou contigo!
- Não queres ficar mais um bocado?
- Querer quero mas o Filipe também precisa de mim - suspirou - tens razão,  não posso focar-me só nelas, por isso vamos buscar o menino.
Saímos do hospital diretos à creche e assim que o nosso filho nos viu aos dois sorriu num sinal nítido de satisfação. Fomos para casa onde brincamos com ele e quando a Mari já pensava no que ia fazer para o jantar ouvimos a campainha, fui abrir e vi o João, acompanhado pela Maria e pelos piolhos.
- O Pipipo? - o Guigas falou assim que abri a porta
- Está com a tua madrinha na sala - o pirralho assim que ouviu o que queria correu até à sala - Bem que pressa…
- Não sabes tu o que nos chateou para que viéssemos cá
- E também foi imposição dele que o meia leca viesse junto!
- Tão engraçado… - o João passou por mim e foi até à sala
Acabamos por seguir o João e quando entramos na sala, foi impossível não rir, o Guigas tentava dar um beijinho ao Filipe mas o meu filho estava numa de dificultar a tarefa, ao empurrar o primo.

Mariana
Ver a alegria do meu filho quando percebeu que teria a minha companhia depois da creche encheu-me o coração.
Dediquei algumas horas ao meu pequenino e só o deixei quando fui preparar o jantar na companhia da minha prima
- Como estão as miúdas?
- Estáveis... o que é muito bom...
- Oh prima anima-te! As princesas são Mendes e Mendes é sinónimo de vencedoras por isso quando menos esperares já estão em casa!
- É o que mais quero! Mas agora tu - olhou - o que se passa? Sim que essa do Guigas fazer birra porque queria brincar com o primo não me convenceu!
- É o João... anda estranho e sempre que pergunto o que se passa, diz que estou a exagerar...
- Desde quando está assim?
- Olha desde o dia que as meninas nasceram! - gargalhei - Onde está a piada?
- Por acaso já te passou pela cabeça que pode estar assim porque o nascimento das minhas filhas despertou nele a vontade de ser pai novamente?!
- Achas???
- Não sei mas é possível... - sorriu - hey parou tudo!!!!! Que sorriso é esse???
- Ohhh
- Ohhh???
- Que foi?
- Que foi pergunto eu! Estás a pensar nisso?
- A ideia agrada mas não será para já.
- Hum... hum... despacha mas é isso que estás deserta para que aconteça!
- Não - suspirou - podes achar a ideia maluca mas se for para engravidar, terá de ser uma decisão a dois!
- A ideia não é nada maluca, muito pelo contrário, só não entendo onde está o problema,  o João quando falares no assunto vai delirar!
- Tenho medo - olhei-a - e se acontece o mesmo...
- Parou! Maria vocês estão juntos e tu mesmo já o falaste, a engravidares será uma decisão dos dois, por isso será uma gravidez com contornos diferentes!
- Pois... mas mesmo assim tem de ser bem pensado!
- Nisso concordo contigo!

***

O jantar foi agradável mas o Gugas parecia distante, ainda perguntamos o que tinha mas o menino não quis falar. No final fomos até à sala, onde o Guigas se entreteve com Filipe, enquanto o Guga preferiu ficar junto da janela a olhar as estrelas
- Mas afinal o que é que o puto tem?
- Não sei... mas está mesmo estranho - a Maria concordou com o Ruben
- Só há uma forma de se saber... - o João interrompeu-me
- Nós já perguntamos e o puto disse que não é nada
- Então insistimos!!! Ou vais continuar sem saber - retorqui
A Maria concordou comigo e chamou-o
- Sim...
- Anda cá se faz favor
- Que foi?
- Senta aqui - o menino sentou-se ao colo dela - o que é que se passa? Oh lindo já percebemos que estás preocupado com alguma coisa, podes falar connosco
- Não é nada!
A Maria voltou a insistir e o resultado foi desastroso, uma vez que o menino começou a chorar
- Pronto não precisas ficar assim - falei - não queres dizer não digas mas nós assim ficamos preocupados contigo, percebes?
- Sim tia mas eu não quero falar!
- Oh puto - olhou para o Ruben - Estás assim por causa de uma miúda? - gargalhei
- Porquê que a tia riu? - perguntou de imediato
- Porquê? Porque lembrei-me da altura que conheci o Ruben... sabes ele nessa altura era assim muitoooooo envergonhado e também ficava como estás agora... não sabia o que dizer!
- Que piada!!!
- É mentira queres ver!!!
O meu amor acabou por não responder porque o Gugas antecipou-se
- Como é que conheceste o tio Ruben?
- Uiiiiii isso já foi há muito tempo, mas foi o teu papá que nos apresentou
- E ficaram logo amigos?
- Sim... - olhei para o Ruben e sorrimos
- E ficaram logo namorados?
- Não... isso levou muito tempo!
- Ah...
Acabei por resumir a nossa história e no fim foi a vez da Maria contar a parte da história dela com o João, o que agradou ao menino, pelo menos já não estava com aquela carinha de preocupado.
Com tudo isto, as horas passaram e o Filipe começou com a birra do sono, foi quando lhe mudava a fralda para o deitar que vi o Gugas à porta do quarto
- Podes entrar - o menino aproximou-se e ficou a olhar para mim
- Que foi? Queres perguntar alguma coisa?
- Não...
- Diz lá! A tia já percebeu que estás preocupado com alguma coisa e podes falar comigo!
- Mas eu não posso...
- Porquê?
- Porque não é um segredo meu - falou com o olhar baixo
- Hum... é algum amigo teu que está com um problema?
- Não...
Estava cada vez mais intrigada e por isso depois de deitar o Filipe no berço,  fui até ao meu quarto, pedi ao miúdo que se sentasse ao meu colo e
- Gustavo sabes que podes confiar em nós,  que gostamos muito de ti, não sabes?
- Sim...
- Então porquê que não falas? Sabes a mamã Bea sempre que tinha um problema, falava comigo ou com a Maria, por isso também podes falar
- Mas eu não posso porque é sobre uma conversa que ouvi mas eu não percebi bem e não quero que o pai João e o tio Ruben fiquem zangados comigo
- Então é por isso que estás assim?
- É... eu não percebi bem mas acho que é mau e eu não quero ficar sem o pai João e a mãe Maria
- Isso não vai acontecer! Oh Guga os teus papás gostam muito de ti!
- Mas o pai João sabe uma coisa má e o tio Ruben não quer que ele conte e se a mamã descobre depois pode ficar zangada...
- Não te preocupes com isso, de certeza que o João vai contar porque é o que fazemos sempre... ao inicio podemos ficar na duvida se contamos ou não mas depois dizemos porque entre nós os quatro não há segredos e quando um está com problemas os outros ajudam!
- Tás a mentir! Se fosse verdade a tia não se tinha chateado com o tio e o Filipe não tinha nascido - a dedução do puto surpreendeu - e o pai João não tinha estragado tudo com a mãe - encolheu os ombros - eu já percebo as coisas, posso ser pequeno mas eu percebo - suspirou
- Sabes que tudo isso aconteceu numa fase má, originada na falta de comunicação, nós achamos que conseguíamos lidar com os problemas e que não precisávamos de falar porque o outro entendia, mas isso não é verdade e nós aprendemos com os erros,  por isso é que insistimos contigo para que fales connosco, entendes?
O menino ficou a olhar para mim durante uns segundos e depois saiu do meu colo, deu alguns passos mas antes de sair do quarto pediu para não comentar com os outros a nossa conversa.

Irá a Mariana cumprir com o pedido do menino?
Será verdade e elas são irmãs?
Irá o João contar o que suspeita a Maria?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

185 - "Espera aí... estás a insinuar que podem ser irmãs?"

Ruben
Os últimos dois dias têm sido bem diferentes do que estava habituado, agora desdobro-me entre os treinos, o cuidar do Filipe e as visitas ao hospital.
Saí do treino direto ao hospital
- Como te sentes?
- Bem… ainda tenho dores mas já as suporto melhor… e o Filipe como está?
- Hoje quando o fui deixar na creche fez birra - a Mari que já tirava leite, olhou - queria a mamã… mas logo trago-o novamente
- Tens de lhe dar mais atenção… o menino ainda não percebe mas sente falta… - falou esmorecida
- Sei que não te posso substituir mas o nosso filho está bem e daqui a uns dias já regressas a casa…
- Eu vou mas elas ficam…
Teria dito algo para a animar mas não foi preciso, afinal a Graça entrou no quarto e liberou finalmente a Mariana, que ao tomar consciência que ia ver as nossas filhas animou de imediato. Fiz questão de a ajudar a sentar-se na cadeira de rodas e depois empurrei.
Passarmos pelos procedimentos de desinfestação e finalmente aproximarmo-nos das nossas princesas, o meu amor emocionou-se… ou melhor emocionamo-nos, afinal são as nossas filhas…
- Ruben ajuda-me… - desviei o olhar da Carolina e encarei-a
- Mor é melhor não forçares… - falei quando a vi a tentar levantar-se - levaste pontos…
- Quero lá saber dos pontos! Quero ver as minhas filhas de pé!
Ainda a tentei convencer a estar quieta mas foi impossível, o meu amor levantou-se e esteve uns minutos em pé a observar as nossas princesas, tocou nas duas e quando já estava novamente sentada na cadeira
- Não sei qual dos dois o mais babado! - olhamos para a Ana e sorrimos - mas pronto… até tem motivos para babar, afinal aqui a minha amiga fez um trabalhinho prefeito e as meninas são lindas!
- Olha agora ofendeste! Sim que também tive trabalho!
- Trabalho? Olha e eu a pensar que foi prazer - olhamos para a Mari que falou serenamente e enquanto fazia festinhas na mãozinha da Carolina
- Tão engraçadinha!!!
- Menti, queres ver?
- Não mas… - fui interrompido pela Ana
- Vocês calem-se os dois antes que deixem o pessoal médico escandalizado! - olhamos para a Ana e sorrimos
Ficámos simplesmente a babar as nossas filhas até ao momento que uma das enfermeiras perguntou qual dos dois queria dar o leite à Leonor
- Eu!!!! - a Mariana nem deu hipótese para me manifestar
- Porque será que isso não surpreende… - a Ana falou enquanto uma das enfermeiras tirava a Leonor da incubadora, entregando-a nos braços da Mari, algo que fez com que regressasse novamente ao passado mas só por breves segundos
- E a Carolina? Posso dar-lhe o leite?
Esmorecemos quando nos explicaram que a Carolina continuará a ser alimentada através da sonda.
A Leonor teve alguma dificuldade ao início, uma vez que até ao momento também tinha sido alimentada através da sonda, mas após alguma insistência, lá começou a sugar o leite, bem devagarinho mas e no fim pude pegar na minha princesa…
Infelizmente o que é bom acaba depressa e tivemos que nos despedir das meninas, a Mariana precisava de descansar e preferi acompanhá-la, sei que é importante para a mulher sentir que tem o apoio do pai das suas filhas.
Fiquei mais um bocado com a Mariana mas tive que sair, uma vez que tinha treino. Este correu bem e quando já estava a despachar-me para ir buscar o meu pirralho, reparei que o João estava aluado, aliás tem andado aluado e por isso
- O que se passa contigo?
- Nada…
- Nada?! Achas que sou cego e não vi já que estás estranho?
- A sério?! - olhei-o - A sério que reparaste que estou estranho?
- Mas estás parvo??
- Ah agora sou parvo? Tu é que ultimamente nem tempo para os amigos tens!
- Nem resposta mereces! Mas ainda assim quando quiseres falar basta que o digas e agora vou buscar o meu filho para levá-lo a ver a mãe e as irmãs.
Saí do balneário aborrecido, afinal o João sabe o que passamos até chegarmos aqui e resolve dar numa de ciumento, enfim…
Quando cheguei à creche e assim que o meu filho me viu, veio até mim e
- Mamã… mamã… - fazia beicinho enquanto falava
- Oh filho já vamos ter com a mamã - peguei nele e dei-lhe alguns beijinhos para de alguma forma compensar a ausência da Mariana
Troquei algumas palavras com a educadora e fiquei a saber que o meu piolho passou o dia a chamar pela mãe, senti o meu coração a mirrar, afinal o nosso filho está a sentir ainda mais a falta da mãe do que pensávamos.
Passei por casa, onde dei o lanche ao meu pequenino e depois segui para o hospital. Entrei com o Filipe no quarto da Mariana e assim que o menino a viu
- Mamã… mamã… - começou a chama-la, o que fez o meu amor sorrir
- Amor… - a Mariana emocionou-se ao vê-lo - anda cá amor… - a Mari deu colo ao Filipe, que assim que foi para os braços da mãe parou de imediato de fazer beicinho - a mamã tinha tantas saudades tuas… - o meu amor encheu o nosso filho de beijinhos e de cócegas, tanto que o menino gargalhou, não resisti e tirei uma foto, partilhando-a
RAMendes_ E não há nada melhor no mundo que o sorriso de um filho… acho que concordas @JP_47
- O que é que fizeste?
- Nada… partilhei uma foto do menino!
- Mostra! - assim que a Mariana viu a legenda - o que é que perdi? - sorri e acabei por lhe contar da ciumeira do João - Só mesmo aquela amostra de gente para amuar - gargalhei e o assunto caiu no esquecimento, até porque perguntei pelas meninas - A Leonor fez birra e só se calou quando peguei nela - sorriu
- É… estás a habituá-la mal - olhou-me desagradada - oh mor se as habituas ao teu colo depois… - interrompeu
- Vai rosnar para outro lado! Além disso tenho de ocupar o tempo…
- Hum… - aproximei-me dela com a intenção de lhe dar um beijo - por falar em ocupar o tempo… - a Mari sorriu - Podíamos aproveitar para…
- Podíamos… podíamos… mas as tuas filhas estão com saudades tuas e do mano! - sorriu
Acabamos por ir até à unidade de neonatologia e assim que entramos não resisti em pegar na Leonor e assim que o fiz, o Filipe que nos olhava muito atento começou a chorar e por incrível que pareça, o meu amor não o conseguiu calar, só mesmo quando deitei a Leonor, novamente na incubadora e que lhe peguei ao colo é que o Filipe se calou
- Ui… ciumes… - olhamos e vimos a Ana a sorrir
- O menino está só a estranhar… né filho? - olhou-me - é as manas!
Dei alguns mimos ao Filipe e depois da Mariana dar colo à Leonor e de dar miminhos à Carolina, acabamos por ir até ao quarto do meu amor, uma vez que o Filipe estava mesmo ciumento e não quisemos agravar ainda mais.
- Não vai ser nada fácil… - a Mariana falou esmorecida
- Mor quando tivermos na nossa casa, todos juntos, isso passa-lhe!
- Tenho receio que não seja assim tão simples - suspirou - o menino ainda é muito pequeno, não percebe
- Cada coisa a seu tempo, não te quero a pensar nisso, aproveita sim para dar-lhe mimo…
A Mariana conformou-se e dedicou-se ao Filipe, enquanto fiquei simplesmente a assistir, a verdade é que com a ciumeira do nosso filho e o nascimento das meninas, fui atirado para quarto plano…


João
Já se passou alguns dias mas não consigo tirar da cabeça o raio da recordação, o mais provável é estar a alucinar mas já são coincidências a mais...
Quem já percebeu que ando a esconder alguma coisa foi a Maria e isso já nos trouxe problemas, nada de sério mas se não resolvo isto, sei que haverá consequências graves, afinal ainda estou a conquistar a confiança da Maria. A juntar à festa, ainda há o Ruben que agora só vê a Mariana e os filhos, já nem almoçar juntos, almoçamos… agora todos os bocadinhos livres que tem entre os treinos passa-os no hospital a bajular a Mariana, como se ela fosse de cristal e se partisse, só porque ele não está constantemente do seu lado...
Estava em casa a remoer mais uma vez no assunto, quando resolvi sair para esquecer e quando dei por mim estava em frente à porta do prédio da Maria. Estacionei o carro e quando ia a sair reparei que o Ruben chegava com o Filipe, ainda pensei aproximar-me mas vi o Rui e fiquei sossegado, a observar a cena, o meu amigo todo de sorrisinhos com o ex da Maria, aquilo deu-me a volta ao estomago, ainda assim não foi o suficiente para desistir de ver os meus filhos
- Boa noite! - falei assim que cheguei junto deles que continuavam à conversa, ainda assim interromperam para retribuirem-me o cumprimento, no entanto assim que o fizeram, o Ruben continuou a falar da meninas e em como são lindas e mais não sei o quê…
Acabei por tocar à campainha e assim que a porta abriu, entrei sem olhar mais para aquele a quem sempre chamei de amigo e que parece que se esqueceu que o outro atrasado meteu-se entre mim e a Maria.
Saí do elevador e à minha espera estava a Maria, que me recebeu com um beijo discreto, até porque ouvimos os miúdos a correr e segundos depois já tinha os dois de volta das minhas pernas. Fui até à sala para brincar com eles, enquanto a Maria foi para a cozinhe, isto depois de convidar-me para jantar.
***
Estava na brincadeira quando ouvi a campainha e uns minutos depois
- Pipipo… Pipipo… - vi o meu filho a delirar de contentamente ao ver o primo a entrar na sala pela mão do Ruben
Segundos… segundos foi o tempo que demorou para que os meus filhos me trocassem pelo Filipe, estava a observá-los quando
- Já te passou a birra? - olhei-o - Ou devo dizer a ciumeira? - riu literalmente na minha cara para depois e já com um ar sério - Meu o que é que se passa? Sim que não andas bem… não podes andar nada bem para teres ciumes meus e do tempo que passo com a minha família… é a minha prima e tua mulher que não te anda a dar mimos, é?
Olhei mas não respondi, até porque a Maria chamou o Ruben, que foi ter com ela. Quando regressou, sentou-se no chão a brincar com os pequenos e assim que o fez, o Filipe sentou-se logo ao seu colo
- Oh filho andas mesmo ciumento - falava enquanto fazia algumas cócegas ao menino - mas tu ainda tens motivos… agora um certo graúdo… - olhou-me e riu
Voltei a não responder mas com o passar dos minutos, a necessidade de desabafar foi superior ao resto e pedi para falarmos, mas como não queria que os miúdos ouvissem, principalmente o Gugas, fomos até ao quarto da Maria, mas antes pedi ao mais velho para cuidar dos mais novos.
- Fala de uma vez!
- Não sei por onde começar… Está relacionado com o passado... - olhou-me - lembraste  quando a Maria ficou com varicela?
- Sim... a Mari só descansou quando apanhou também, aliás elas falaram disso recentemente... mas o que é que isso tem?
- No dia que as fomos visitar ouvi uma conversa entre a mãe da Mari e o pai da Maria, naquela altura não dei importância mas agora isso não me sai da cabeça... o que ouvi aliado ao facto de terem o mesmo tipo de sangue...
- Fala de uma vez!
- Então o que ouvi foi...
- Vê se controlas a tua filha!
- Desculpa?! O que é que estás a querer insinuar? As miúdas sempre foram próximas e nunca demonstraste ter problemas com isso!
- Só quero evitar problemas...
- Problemas?? Realmente não és nem um pouco parecido com o teu irmão...
- Nunca te enganei, aliás sempre soubeste que nunca seria mais do que foi...
- Não é isso que está em causa! Nunca cobrei nada mas também não admito que venhas agora querer afastar as miúdas!
- Não quero afastar ninguém mas a fixação que a Mariana tem pela Maria não é normal e está mais do que visto que não tens mão nela!
- Elas cresceram juntas e têm muito mais em comum do que pensam, é normal que sejam tão unidas e sinceramente não entendo o drama...
- Não percebes que tenho receio que...
- Chega! Cala-te! Esse assunto está bem enterrado, deixa-o quieto ou ainda arranjas problemas para todos!
- Se elas descobrem...
- Ninguém vai descobrir porque não há nada para descobrir, a Mariana é filha do Manel e o assunto morre aqui
- Percebes agora o porquê que ando inquieto?
- Espera aí... estás a insinuar que podem ser irmãs?
- Não sei... mas a Mari não é filha do Manuel e agora descobrimos que têm o mesmo tipo de sangue, que por sinal é raro e igual ao do pai da Maria... para te ser sincero não sei mais o que pensar...
- Não penses... João esquece o assunto, para bem de todos esquece isso
- Elas podem ser irmãs!
- Chega!!! A Mariana já sofreu muito por não ser filha de sangue do Manuel, não precisa sofrer mais! Além disso se for verdade podes destruir uma família...
- Elas têm o direito de saber a verdade!
- Já pensaste que isso pode não passar de uma ideia estapafúrdia? E já agora como estás a pensar abordar o tema? Por acaso não estás a pensar juntar as duas e contares isso, pois não?
- Não sou louco a esse ponto mas podias falar com a tua sogra...
- Quê?! Só podes estar a gozar! João esquece o assunto, se for verdade pode afetar muita gente incluindo nós os dois, puto uma revelação dessas destrói tudo à sua volta.
- Estás disposto a compactuar com a mentira?
- A questão não é essa... João só eu sei o quanto a Mari sofreu quando descobriu que o pai não era quem pensava, por isso não peças ajuda... deixo nas tuas mãos a decisão de revelar ou não o que ouviste, só te peço que penses bem no que vais fazer! E agora diz-me uma cena, é por causa disto que tens andado estranho comigo?
- Meu… isto anda a dar-me volta ao miolo… já não sei o que pensar e depois agora parece que não vês mais nada à frente…
- João sinceramente… não achas que estás a exagerar! Meu bastava que pedisses para falarmos que no mesmo minuto o fazíamos, agora não esperes que esteja sempre disponível, ainda mais nesta fase da minha vida, a minha família precisa de mim mais do que nunca, caso ainda não percebeste o Filipe sente cada vez mais a falta da Mariana e quando nos vê com as irmãs arma o berreiro, isto não está fácil, por isso lógico que tento passar o máximo de tempo com o meu filho!
- Desculpa… mas não sei mesmo o que pensar e o que fazer…
- Essa decisão é tua...  

O João falará com as primas? Se sim qual será o impacto? E terá o João razão e elas são irmãs?

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

184 - "Anda para o quarto que já te conto"


João
A noite foi agitada, mas o momento em que a Ana veio chamar a Maria e ficamos a saber que as primas partilham o mesmo tipo de sangue, raro, por coincidência deixou-me inquieto.
A Maria demorou um bom bocado a “aparecer” perto de nós e quando o fez não descansou enquanto não conheceu as meninas e viu a prima.
O despertar da Mariana fez-nos voar no tempo novamente e a minha iquietação só aumentou.
Quando finalmente conseguiram expulsar-nos do quarto
- Levas-me a casa?
- Claro que sim… vamos dormir um bocadinho antes dos meninos acordarem
- Vamos?! … Vamos, vamos… cada um na sua cama!
- Oh…
- Os miudos João…
- Podiamos pegar neles e ir lá para casa… eles distriam-se e nós sempre podiamos aproveitar um bocadinho… lá a casa ninguem vai…
- Pode ser
- Estás bem?
- Sim… tirei sangue… não tive uma hemorragia…
- Não é isso… é que aceitaste assim de caras, sem te fazeres de difícil…
- Mudo já de ideias…
- Nem penses! - aproveitei que paramos num semáforo para lhe dar um beijo, e vi-a sorrir descontraída
Assim que chegamos a casa da Maria ela de imediato foi acordar os meninos tentei ir com ela mas não me deixou passar das portas dos quartos e foi só dizer-lhes algo ao ouvido que os dos preguiçosos se levantaram num flash. A Maria ajudou-os a vestir e em menos de uma hora já saiamos em direcção a minha casa.
- Chegamos!! - a Maria assim que entrou jogou-se no sofá - eu decididamente tenho muito bom gosto… - só pude gargalhar - tás-te a rir? Olha para esta decoração… e este sofá?! Das melhores compras da minha vida!!! - gargalhei olhei em volta e vi os dois meia lecas já a entrarem no quarto dos brinquedos por isso aproximei-me
- E eu a pensar que estavas a falar na escolha para pai dos teus filhos…
- Pois… - fez cara séria - esse e a excepção que confirma a regra… do estilo uma escolha mal feita para mostrar que todas as outras são boa… - falou a rir
- Escolha mal feita é? - perguntei já a colar os nossos lábios
A Maria não refilou nem um bocadinho e enquanto os meninos brincavam nós ficamos enroscados no sofá a trocar mimos até que a campainha tocou
- Vamos para lá que não vai lá ninguém - falou a gozar comigo e depois surpreendeu-me - Meninos! Chegou!! - assim que falou com eles entraram a correr na sala e cada um pegou numa das minhas mão - Tás a olhar assim porquê? Achavas mesmo que te livravas da prenda do dia do pai? Chega atrasada mas chega… vai abrir
Acabei por ir até junto da porta e quando abri tinha um estafeta com uma pequena caia plástica perfurada parecia uma caia de animais, passou-ma para as mãos e saiu
- Abe papá! Abe!!
O Guilherme saltava e o Gustavo olhava expectante já a Maria olhava-me com ar de quem tinha feito das dela e para que não restassem duvidas tinha o telemovel em punho mesmo em posição de fotografar, pousei a caixa no tapete da sala e sentei-me com os miudos à sua volta
- Pimeiro cata Guigas e Guga creveram
- Não fomos nós foi a mamã, mas nós dizer o que a mamã escreveu
Abri o pequeno envelope e de lá tirei uma folha branca dobrada em quatro quando abri
Papá,
Nós queriamos muito dar presente ti. Mamã ajudou e comprou mas não diz o que é. Esperamos que gostes
Gargalhei quando percebi que ele também não sabiam o que era
Sim fui eu que escolhi! Culpada!
Sei que acertei porque já tinhas dito que querias muito e no fundo disses-te-o de várias formas… Se a memória não me falha falaste em mais filhos… e sabes que eu não tos nego… portanto… aqui está mais um e para não fugir à regra dos “G” ao abrires a caixa vais conhecer o Gugu!!
Ahhh outra das razões que me faz ter a certeza que acertei é o facto de ele ser a “tua cara”!!
Beijinnhos
Guigas, Gugas e Maria
Abri a caixa com medo, confesso que temi que de lá saisse um sapo ou algo do género, mas não assim que tirei a tampa de lá surgiu a cabeça de um pequeno cachorro, os miudos foram ao delirio a Maria fotografou e eu só consegui rir-me
- A minha cara?!
- Sim nunca ouviste dizer “fuchinho um do outro”?
- Também gosto muito de ti!!
- Sim… sim… - ouvimos o cão dar um pequeno latido e ao olharmos vimos que o Guilherme já o espalmava todo - eu se fosse a ti salvava o teu filho mais novo…
- Nosso Maria… nosso
- Nosso uma ova! Eu não quero cá animais! Além disso eu se tivesse um cão era um cão a sério tipo Labrador ou Pastor alemão e chamava-se Rex ou assim e não era cá uma bola de pelo enrugada chamada “Gugu”!!! - gargalhou
- Aposto que foste tu que escolheu o cão e o nome…
- E não perdias a aposta… - voltou a gargalhar
Fui obrigado a deixar a animada conversa com a Maria para salvar o Gugu das “garras” dos manos e acabei por me juntar a eles a brincar com o pequeno cachorro enquanto ia conversando com os miudos onde ele iria dormir e quem tomaria conta dele quando eu estivesse fora. O momento só foi interrompido pelo toque do meu telemovél
 
MariaMMendes_ Olá! A “tia” Maria emprestou o perfil dela para me apresentar já que o meu papá @JP47 não o faz! Sou o Gugu e desde há alguns minutos que sou o mais novo filho do João… fui a prenda do papá no dia dele. O Pipipo deu ao tio Ruben a Carolina e a Leonor e o Guigas e o Gugas deram ao papá eu! ão-ão Gugu
MariaMMendes_ #BemVindoGugu
Fabinhooooo ahahahahah Gugu bem-vindo! És a carinho do teu pai benzá-Deus! @JP47 é mesmo assim a aumentar a a ninhada, quer dizer a familia em grande ritmo! @MariaMMendes_ “tia”?! Sei… és grande amiga! Quero morrer teu amigo! #BemVindoGugu
AnaDr @MariaMMendes_ ao poder! Não perdoas uma! @JP47 só posso concordar com o @Fabinhooo é igualzinho a ti! Felicidades!!! #BemVindoGugu
MMAmorim @MariaMMendes_ oh prima não faças isto que eu não posso rir olha os pontos!!! @JP47 decididamente “cara de um…” #BemVindoGugu
RAMendes @MariaMMendes_ “tia”?! O Gugu enganou-se ele queria escrever “mamã”, mas como lhe emprestaste o perfil… @JP47 Parabéns mano! Sim eu também queria dizer que ele é igual a ti, mas sabes que não te minto… e ele é muitooooooo mais bonito! #BemVindoGugu


Maria
Depois da agitação do nascimentos das meninas da minha prima  a ida até casa do João começou exactamente como eu queria calma, tranquila, com muito mimo e em familia até que a campainha tocou e finalmente a minha surpresa chegou.
Os miúdos ficaram radiantes e o pai depois de refilar parecia mais puto que os filhos de roda do animal e por isso mesmo fui eu que o apresentei ao mundo através das redes sociais, claro está que o grupo do costume não demorou a comentar a chegada do mais recente elemento da família e estava a rir dos comentários quando chegou o do João
 
JP47 @MariaMMendes estás muito animada… quero ver se no proximo jogo fora quando o Gugu ficar em casa da mamã, desculpa, da tia com os manos se vais achar tanta piada!
@RAMendes e @MMAmorim a vocês não respondo porque sei perfeitamente que estão a usar o meu filho mais novo para libertar o stress e nem vos vou ligar!
@Fabinhooo e @AnaDr não se preocupem que eu deixo o Miguel brincar com o Gugu
#BemVindoGugu

- Nem sonhes João Pedro!!! - gargalhou - estou a falar a sério o saco de pulgas fica aqui e não vai lá para casa!
- Oh Maria deixo o animal aqui?
- Leva para a tua mãe
- A sério? Olha os miúdos!
- João eu sabia que os miúdos iam adorar por isso te dei a ti! Sabes perfeitamente que eu… eu nem sempre reajo bem à presença de animais… e lá em casa não por favor!!
- Pronto tá bem… mimada… betinha… flor de estufa! - vinha-me insultando enquanto se aproximava e aproveitou os miúdos estarem distraídos para  me dar um beijo - bem e agora temos de ir às compras… - olhamos todos para ele - sim o Gugu não tem nada!
- Ah.. vamos então.
Saímos de casa do João e seguimos para o Shopping mais próximo, demos uma volta por todos os corredores fomos à pet-shop e depois de alimentarmos as pequenas feras que chamamos de filhos entramos num espaço comercial onde  decorria um concerto e ficamos todos entretidos com a musica da cantora que eu pessoalmente gosto bastante.
Quando o mini-concerto terminou seguiu cada um para sua casa, e os meninos como é obvio acompanharam o pai. Eu fui até ao hospital ver as minhas primas e já estava de regresso a casa quando o meu telemovel deu sinal de notificação abri e

Não Me Deixes À Porta Da Escola - Luísa Sobral
https://www.youtube.com/watch?v=hmMuNhO4z2Y&feature=youtu.be
(por motivos técnicos apenas conseguimos partilhar o link)
JP47 Eu conheci esta miúda!!!
AnaDr @JP47 eu também conheço… sim que não mudou muito, mas não acuso a @MariaMMendes!
JP47 @AnaDr quem fala em nomes és tu, não eu :p

João - Luísa Sobral
http://youtu.be/X-wvVQ7ssNU
(por motivos técnicos apenas conseguimos partilhar o link)
MariaMMendes_ "Eu saio da escola sempre à mesma hora
Vejo o joão que sai também
Já me fiz de distraída, sorri meio atrevida
Mas o joão finge que não vê
Todas na escola gostam do joão
Propõem namorar num papel com sim ou não
Sei que é difícil com tanta escolha assim
Que vai fazer o joão gostar de mim
Sou a mais bonita e nunca sou escolhida
Quando fazem equipas para o futebol
Se alguém fica doente entro para suplente
Fico sentadinha a apanhar sol
Todas na escola gostam do joão
Propõem namorar num papel com sim ou não
Sei que é difícil com tanta escolha assim
Que vai fazer o joão gostar de mim
Todas na escola gostam do joão
Propõem namorar num papel com sim ou não
Sei que é difícil com tanta escolha assim
Que vai fazer o joão gostar de mim
O joão olhar para mim
O joão gostar de mim
Ele está a olhar para mim"
MariaMMendes_ Adorei apanhar de surpresa este concerto hoje… e bem que mais dizer… eu conheci este miudo!!
 
AnaDr @MariaMMendes eu também! Musica autobiográfica ãh? Só que para mal de um certo João, @JP47 falo de ti sim, a miúda arrasava no futebol e não ficava só no banco em caso de doenças…
 
JP47 @AnaDr “para mal” não sei onde! Sabes que isto dos jogos de futebol dão origens a apostas e pagar apostas pode dar inicio a… @MariaMMendes foi mesmo uma surpresa agradável… até as pestinhas gostaram!
Optei por não responder pois seria impossível fazê-lo sem levantar suspeitas.  Liguei ao Ruben para saber como estavam as nossas três bebés e não adormeci sem voltar a pensar no quão curioso era ter o mesmo tipo de sangue da Mariana e ainda como o João tinha ficado tão estranho quando nos relembramos do passado.


Mariana
Depois de tirar leite, despedi-me da Maria e do João, uma vez que não podiam ficar, ainda assim pedi que voltassem à hora da visita.
O Ruben passou os minutos seguintes a dar-me miminhos, tanto que acabei por adormecer e quando acordei, perguntei de imediato pelas nossas filhas
- Vim de lá à pouco, a Carolina é a mais calminha mas a Leonor também é sossegadinha
- Quero tanto vê-las…
- Oh mor... tens de ter força…
- Mas dói... sinto que as estou a abandonar…
- Hey... não estás nada... mor simplesmente tens de recuperar, o parto não foi fácil... tive tanto medo de vos perder…
- Mas não perdeste... e agora não quero falar mais sobre isso...
***
A hora da visita chegou e os primeiros a entrar foram os meus pais, perguntaram como estava e se precisava que trouxessem alguma coisa, ainda tiveram uns minutos connosco mas acabaram por sair, de forma a dar o lugar a outra visita.
Quem se seguiu foi a minha sogra, que vinha acompanhada pelo pai do Ruben, o que nos surpreendeu, afinal passou a gravidez toda sem demonstrar interesse e muito menos alegria pela vinda das netas... Estiveram uns minutos connosco mas também acabaram por sair. O entra e sai foi constante, desde família a amigos todos quiseram dar-lhe um beijinho e felicitar-nos pelas princesas.
- Desculpa… mil desculpa prima por só vir agora mas o atrasado do João conseguiu distrair-me… - o João defendeu-se e nós rimos
- Agora sou atrasado mas à pouco pedias por mais…
- Eich… oh priminho dispenso detalhes… ainda mais agora que me dói tudo e estou impossibilitada de pedir por mais aqui ao bebe água…
- Ena que o Rubinho já conseguiu amansar a fera e deixou-a muito engraçada! - a Maria refilou - nem parece que foste mãe à umas horas…
- Não digas nada… parece que passou um camião TIR por cima de mim…
- Ah pensavas que era só fazê-los?!
- Não mas também não era preciso passar por isto tudo
- Prima pensa pelo lado positivo - encolheu os ombros - agora já és Mendes de sangue!
- Não sei onde está a piada! Quase perdi a tua prima! - o Ruben reagiu
- Hey - olharam - parem com isso!
Os ânimos acalmaram e os minutos seguintes foram de muita galhofa, que foi interrompida pela entrada da enfermeira a pedir que a Maria e o João saíssem porque estava muito barulho mas prometemos que nos controlavamos e por isso ficaram mais um bocado.
- Olha esta a pensar que nos expulsava! - olhei para a Maria - Coitada! Pensava que conseguia fazer o que os nossos pais nunca conseguiram, afinal quando uma ficava doente a outra não arredava pé!
Acabei por recordar um episódio do passado e por isso sorri
Cheguei a casa e fui direta ao apartamento da minha prima, precisava dos mimos dela mas a minha tia não deixou que entrasse, isto porque a Maria estava com varicela...
Entrei em casa e fui para o quarto, liguei à Maria e após uns minutos a falarmos ao telemóvel, tive uma ideia para conseguir ver a minha prima, pedi-lhe que arranjasse forma de tirar a minha tia de casa por uns minutos, algo que a Maria conseguiu ao pedir um mil-folhas para o lanche.
- Que cara é essa? A doente sou eu e tu é que estás mal encarada! - falou assim que abriu a porta
- Anda para o quarto que já te conto
Contei que me tinha chateado com o Ruben e
- Mais um arrufo de namorados...
- Deves querer ficar sozinha!!!
- Pronto... não precisas de amuar - sorriu - mas podias admitir que o Rubinho mexe contigo!
- O Rubinho mexe tanto comigo como o porta-chaves do João mexe contigo!
- Porta-chaves???
- Sim.... aquilo só mesmo para porta-chaves... sim que com aquele tamanho não dá para mais... - a Maria gargalhou
- Porta chaves é lindo!!!! - continuava a rir
- É lindo é... então e quando é que lhe dás a tua chave para o minorca juntar à sua colecção...
- Agora estás a ser estúpida! Sabes bem que não penso como tu...
- Vais dizer que não tens curiosidade???
- Podes parar com esta conversa?
- Pronto... mas continuo a dizer que não sabes o que perdes!!!
- Pelo menos não corro o risco de passar pelo mesmo que passaste...
- Cala-te!! Sabes o quanto esse assunto... - interrompeu
- Te magoa? Sei e também sei que jurei nunca contar o que se passou, que jurei apoiar-te sempre mas prima não sei se a forma que arranjaste para lidar com isso seja a melhor...
- O corpo é meu... faço dele o que quero...
A conversa provavelmente teria continuado mas ouvimos a porta do apartamento, por isso escondi-me debaixo da cama para não ser apanhada pela minha tia. E uns segundos depois ouvi a porta do quarto a abrir, a minha prima agradeceu o bolo que a mãe tinha ido buscar e quando ficamos novamente sozinhas, partilhou o mil folhas comigo.
Ficámos a tarde toda na conversa e quando começou a anoitecer
- E agora como sais daqui?
- Não saio!!
- Hã?
- Durmo aqui!!!Ah e vê se arranjas forma de jantar que tou com fome!
- E o que vais dizer aos teus pais?
- Isso é fácil...
***
Avisei a minha mãe que ficava na casa da Ana e depois voltei a esconder-me, para que a minha prima pedisse o jantar. Partilhou comigo e depois da mãe vir buscar o tabuleiro, pude finalmente deitar-me ao seu lado.
Estávamos na conversa quando ouvimos a campainha e a porta a abrir, não demos importância, pelo menos até ao momento que tentaram abrir a porta do quarto da Maria, que estava fechada à chave
- E agora?
- Agora abres a porta!
- E o que digo? - olhei-a
- Aiiii tanto drama! - sai da cama e abri a porta
- Posso saber porquê que mentiste?? - a minha mãe não perdeu tempo
- Porquê? Porque a minha prima está doente e vocês não iam deixar que a visse!
- Mariana a Maria está com varicela e tu nunca tiveste por isso - interrompi
- Não quero saber disso!
***
Lógico que acabei a noite no meu quarto e de castigo, juro que não percebo, somos primas e a única coisa que fiz foi ficar do lado da minha amiga e prima.
Acordei com febre, o que fez com que risse, afinal doente já posso ficar com a Maria... a verdade é que ficamos as duas de "molho"...
***
Hoje quem ficou connosco foi o meu tio, sim as nossas mães não deixaram que ficássemos sozinhas, algo que não nos irritou, afinal no quarto da Maria ninguém nos chateia...
A manhã passou em modo preguiça, não saímos da cama a não ser para comer. Já a tarde estava a ser uma seca tremenda.
Estávamos a ver um filme quando ouvimos bater na porta, a Maria deu ordem para entrar e quando a porta abriu
- Vocês? - falamos as duas ao mesmo tempo
- Não vos chega a varicela? Ainda falam ao mesmo tempo!
- Vai-te lixar! - resmunguei com o Ruben
- Uiiui é só amor...
Atirei com uma almofada à cara do João e a partir daí iniciamos uma luta de almofadas que nos levou às gargalhadas
****
- Maria tenho sede!
- E eu com isso?
- Tipo estou na tua casa...
- Ai oh João conheces os cantos à casa por isso desenrasca-te!
- O teu pai... - interrompi
- Uiii que tá com medo do sogrinho
- É puto - olhamos para o Ruben - nunca pensei dar razão à Mari mas...
- Mau!!!
- Que foi prima?
- Não te faças de santa!!
- Pronto... já parei com a brincadeira
Mudei o assunto antes que a Maria se chateasse e o João acabou mesmo por ir até à cozinha beber água.
Voltei à realidade quando a Maria e o João se despediram.
- Mor - olhou-me - vai para casa
- Prefiro ficar contigo!
- Estou bem e prefiro que fiques com o Filipe.
- Tudo bem mas regresso mais logo!
- Acho bem! - sorriu
- Queres que o traga?
- Isso nem se pergunta!


O que fará o João ficar esquisito, afinal é só uma recordação simples?
 Como estarão as gemeas e a Mariana?