quarta-feira, 21 de novembro de 2012

034 - "Mariana... linda... quando é que vais liberar?"


Mariana

Ao contrário do que seria de esperar o jantar de aniversário do meu amigo ajudou-me a decidir o rumo a dar à minha vida, naquela noite decidi apostar em mim e aceitar o convite do meu tio, isso implicou sair de Portugal à procura de formação, estive três meses afastada mas sempre que pude vim a Portugal e de todas as vezes estive com o Ruben, nós mantivemos o contacto, era comum falar com ele todos os dias por telefone ou pela net e sempre que vinha a Portugal arranjava nem que fosse cinco minutos para beber um café com ele, ainda assim durante este tempo nunca passamos a barreira da amizade e muito menos tocamos no assunto “nós”.
- Tu! - o Ruben sorriu talvez pela minha admiração de o ver no aeroporto.
- Ouvi dizer que alguém regressava hoje a casa depois de três meses a queimar pestanas e por isso resolvi vir buscá-la - sorriu para logo depois dar-me os dois beijinhos da praxe.
- Esperava a minha prima ou mesmo o meu tio... agora tu não!
- Pois mas a tua prima não pode vir e pediu-me para vir mas se preferes ir de táxi é na boa - colocou as mãos nos bolsos dos calções.
- Hum... sendo assim é mesmo melhor ir procurar um táxi... - agarrei nas minhas malas e comecei a andar.
- Onde pensas que vais... - fui impedida de continuar a andar uma vez que o Ruben puxou-me pela cintura o que fez com que embatesse contra o seu corpo, desviei o olhar e encontrei-o a olhar-me de uma forma que há muito não via - temos uma conversa pendente - levou a sua mão ao meu rosto desviando uma madeixa de cabelo que teimava encobrir o meu rosto - dei-te o tempo que pediste mas não esqueci que deixamos uma conversa a meio...
- Larga-me - pedi por saber que iríamos acabar por despertar a curiosidade dos transeuntes.
- Só se prometeres que dás-me uma oportunidade para me justificar!
- Isso ficou prometido na noite do aniversário do João!
- Então anda... - agarrou nas minhas malas e começou a andar, segui-o até ao seu carro onde o ajudei a colocar as malas na bagageira para depois seguirmos viagem, esta foi rápida mas ainda assim feita praticamente no silêncio.
Assim que entrei no meu “mundo” atirei-me para cima da cama e sem que esperasse o Ruben deitou-se ao meu lado.
- Hey... mas que confianças são estas? - olhou-me - Desde quando é que te deitas na minha cama sem te dar autorização?
- Até parece que foi a primeira vez!
- Pode não ter sido a primeira mas vai ser a última! Ruben somos só amigos não confundas as coisas!
- Mariana - o Ruben sentou-se na cama mas de forma a olhar-me nos olhos - desculpa... sei que magoei-te ao não assumir que estávamos juntos mas só  não o fiz porque... . interrompi o Ruben.
- Já explicaste... e se a memória não me atraiçoa falaste algo do género de não saberes bem o que nós tínhamos...
- A relação douradora que tive no passado e da qual já te falei foi com a Ana - disparou de uma vez só apanhando-me completamente de surpresa, talvez por isso não consegui reagir dando-lhe hipótese de prosseguir - é essa a razão pela qual não admiti que estávamos juntos, o que tínhamos estava no início e custou-me admitir perante a Ana que já nos tínhamos acertado sem a mínima preparação, apesar de tê-la usado porque foi mesmo isso que andei a fazer ainda que de forma inconsciente, tenho noção que a nossa história a marcou imenso e só por isso é que neguei qualquer tipo de relação contigo para além do que ela já tinha visto. Desculpa se mais uma vez fugi mas nunca pensei que fosse ter as consequências que teve.
- O teu mal é esse... nunca pensas nas consequências! Esquece... Ruben o “nós” é passado e não vai ser por revelares que namoraste com a Ana e que negaste que estávamos juntos por respeito a ela que vai mudar alguma coisa... até porque respeito é o que nunca demonstraste ter pela Ana caso contrário não a tinhas usado mas pior que isso evitavas enrolar-te com outras à frente dela como sempre fizeste... só não entendo é porquê que quando estava disposta a assumir algo contigo não quiseste!
- Tive medo - gargalhei - que a Ana não conseguisse lidar com a situação.
- Que lindo... já pensaste que essa preocupação toda pode ser amor... tu vê lá... talvez andes enganado e em vez de quereres alguma coisa comigo queres com a Ana...
- Chega!
- Para mim já chegou há muito... tu é que puxaste o assunto!
- Porque quero resolver as cenas de uma vez por todas.
- Para mim está mais do que resolvido - levantei-me da cama - nós só funcionamos bem como amigos e é assim que quero que seja!
- Não tenho direito a ter uma palavra, a ter vontade própria, a querer mais do que amizade - o Ruben encontrava-se agora diante de mim - Mariana nós gostamos um do outro...
- Quem te disse a ti? Já te esqueci...
- Não acredito...
- Mas é verdade! - tentei ser firme mas a verdade é que a proximidade dos nossos corpos e olhar do Ruben estava a desconcentrar-me.
- Não, não é... e vou provar-te!
Não consegui reagir o Ruben assim que terminou de falar reduziu por completo a distância que nos separava e uniu as nossas bocas, foi impossível resistir, primeiro porque não o esqueci muito pelo contrário estes meses de ausência só serviram para ter a certeza que o quero para mim e segundo porque a vontade de saciar o meu desejo foi muito superior à razão.
- Ruben pára! - falei ao empurra-lo quando já estávamos deitados na cama e a enveredar por um caminho sem retorno.
- Shiu - beijou-me novamente - queres tanto quanto eu - falou junto do meu ouvido aproveitando para depositar naquele sítio mais uns quantos beijos - tenho tantas saudades tuas - o Ruben sabia bem como provocar e estava a conseguir tirar-me do sério mas antes que atingisse os seus objectivos afastei-o ao fazer pressão no seu peito com as minhas mãos, assim que o seu corpo saiu de cima do meu levantei-me imediatamente e comecei a compor a minha roupa - o que se passa? - voltou a abraçar-me - e não digas que não queres porque os teus olhos dizem o contrário - falou agora calmamente, não estava numa de provocar mas sim de entender o porquê que lhe estava a dar uma nega quando também queria tanto quanto ele.
- Ruben - suspirei - se fosse há uns meses atrás não pensava duas vezes mas a Mariana que conheceste mudou... nestes três meses pensei muito no rumo a dar à minha vida e agora se queres realmente ter alguma coisa comigo tens de provar que és digno da minha confiança, garanto-te que não vais conseguir levar-me para a cama assim tão facilmente porque para quem estava habituada a ter sexo regularmente já não o fazer há praticamente cinco meses é porque está mesmo disposta a mudar alguma coisa! Gosto muito de ti, é verdade que te desejo, que te quero mas também é verdade que se há coisa que aprendi desde que regressei a Lisboa foi a ter amor próprio... deixei de ser tão leviana agora se queres realmente algo sério comigo terás que demonstrar primeiro!
- Como assim?
- Usa a cabeça para pensar que chegas lá!
- Queres que te prove que gosto de ti, é isso?
- Não... quero provas de que não estás comigo só pelo sexo!
- Mariana se fosse só pelo sexo não estava sequer aqui... ou achas que preciso de ti para isso? Nenhum dos dois precisa do outro nesse campo, se fosse uma questão de sexo depressa arranjávamos quem nos aliviasse - voltou a aproximar-se e desta vez agarrou-me o rosto - contigo é muito mais do que sexo e prova disso foi ter-te revelado que a Ana é a tal rapariga quando nós juramos todos e quando digo todos é o pessoal no geral que este assunto não seria nunca desenterrado, do nosso grupo só duas pessoas não sabiam, tu e a tua prima porque de resto todos acompanharam o nosso namoro mas quando acabou pedimos para esquecerem que alguma vez existiu, nem eu nem a Ana voltamos a falar nisso, houve um tempo que foi difícil fingir que nada se passou mas acabou por se tornar cada vez mais fácil à medida que o tempo passou, só há uma coisa que me arrependo e essa foi ter deixado ir tão longe a minha história com a Ana, ela acabou por sofrer...
- Deves querer dizer que ainda sofre - olhou-me - se até contares nunca percebi as bocas que mandava agora está nítido como a água... ela continua a gostar de ti e está a sentir-se ameaçada pela minha presença, com o meu regresso meti-me no meio de vocês.
- Estás enganada... se alguém se meteu no meio foi ela e por culpa minha que a arrastei para isto, nunca devia ter namorado com ela mas não posso mudar o passado e para ser sincero passei bons momentos com ela, houve alturas que pensei mesmo que pudesse resultar mas não deu porque nunca te esqueci.
- Isso é tudo muito bonito mas não muda a tua atitude...
- Vais continuar a mandar-me isso à cara? É que se for prefiro desistir já de provar-te o que quer que seja... Mariana estás mesmo disposta a construíres algo comigo? Sê sincera - olhou-me - o que sentes por mim?
- Sinceramente não sei - suspirei - Ruben o que sinto por ti nunca senti por ninguém mas também não te sei dizer se é isto que os comuns mortais chamam de amor... mas que é algo forte que empurra-me constantemente para ti isso é...
O Ruben sorriu para no segundo seguinte beijar-me calmamente, tão calmamente que transmitiu-me um paz interior enorme, algo naquele beijo fez-me perceber que o Ruben tinha entendido tudo o que tinha acabado de dizer.
Acabamos sentados no puff ou melhor ele sentou-se porque eu sentei-me mesmo nas suas pernas, já estávamos há vários minutos naquela posição e numa troca de mimos sem segundas intenções quando me lembrei de algo.
- Ruben - chamei-o ao separar as nossas bocas.
- Diz!
- Eu posso estar assim aqui?
- Hã? Não entendi! - sorri ao ver o seu ar de confuso.
- Oh jeitoso o que quis perguntar é se não há problema de estar assim sentada em cima dos teus joelhos...
- Ah... os meus joelhos estão quase prontos para outra - bati-lhe no braço ao ouvi-lo - ai... isso é violência doméstica! - falou a rir.
- É para aprenderes a não brincares com assuntos sérios... Ruben espero nunca mais voltar a ver-te lesionado ou pelo menos com esta gravidade.
- Linda - olhei-o de lado - que foi também não te posso chamar de linda?
- Não... o meu nome é Mariana... quanto muito chamas-me por Mari agora linda nem em sonhos!
- Sim... sim... depois vemos isso - beijou-me - mas voltando ao assunto inicial - sorriu - não há problema de estares sentada ao meu colo, a recuperação está a correr melhor do que esperava e se continuar assim pode ser que já consiga integrar a pré época.
- Como assim?
- Então se conseguir recuperar a 100% começo a época em “pé de igualdade” com os meus colegas.
- Hum... e se isso não acontecer?
- Depois torna-se mais difícil apanhar o comboio mas de qualquer forma não vou desistir e muito menos vou estar a perder muito tempo a pensar nisso... pelo menos por enquanto, agora só quero recuperar na totalidade.
Continuamos a falar da sua recuperação e quando esse assunto se esgotou o Ruben quis que contasse com pormenores o que andei a fazer por terras de nuestros hermanos para no fim dizer-lhe em que consistia este meu novo emprego. A conversa fluiu tão bem entre nós que só demos pelas horas passarem quando ligaram ao Ruben a perguntar onde andava, afinal ele estava atrasado para a fisioterapia o que fez com que desse umas belas gargalhadas que acabaram por ser acompanhadas pelo Ruben.
- Queres vir? - perguntou-me quando estávamos à espera do elevador.
- Fazer o quê? Ruben vais trabalhar para a tua recuperação acho que não vou lá fazer nada...
- Vais ver-me - abraçou-me - e depois podíamos jantar...
- Ruben combinamos isso para outro dia... hoje estou mais morta que viva.
- Oh... queria que viesses comigo! As sessões estão a tornar-se uma seca... são sempre iguais.
- Ah... queres que vá numa de palhaço de serviço é?
- Não quero que vás como minha futura namorada - sorriu - já que queres ir com calma... vais só como uma amiga muito especial que quero que esteja do meu lado hoje e sempre que possível - confesso que senti um ligeiro arrepio talvez porque nunca tinha colocado as coisas neste prisma de “para todo o sempre” - aceitas?

Ruben

Depois de três meses a adiar o assunto que mais queria resolver consegui finalmente fazê-lo, a Mariana ao início ainda tentou esquivar-se mas acabou por ouvir tudo, no fundo sei que entendeu o meu lado mas ainda assim vou ter que ser paciente e dar-lhe o tempo que necessita para voltar a confiar plenamente em mim.
A conversa foi longa mas terminou como mais desejava, a Mari cedeu às minhas tentativas de aproximação e acabamos sentados no puff a trocar mimos acompanhados por uma boa conversa, foi de tal ordem que perdi a noção das horas e só despertamos para a realidade quando ligaram do Seixal a perguntar o motivo de estar atrasado para a sessão de fisioterapia, pedi desculpa e informei-os que iria o mais rápido possível.
Tentei convencer a Mariana a acompanhar mas não consegui, desculpou-se com o facto de estar cansada da viagem, algo que acreditei afinal sei bem o que são viagens de avião mas fi-la prometer que irá noutro dia.
A sessão de trabalhos correu bem e quando já estava em casa liguei para a Mariana, voltei a desafiá-la para jantar mas cortou-se novamente ao avisar que a prima já estava a preparar o comer delas.
Os dias foram passando e nós estávamos cada vez mais próximos apesar de continuarmos a fingir que não se passava nada, aliás sempre que alguém perguntava nós negávamos no entanto estava a tornar-se cada vez mais complicado ocultar a nossa relação, pelo facto de dia para dia a vontade de simplesmente chegar junto dela e beijá-la aumenta cada vez mais.
Hoje tive finalmente a companhia da Mariana na sessão de trabalhos que realizei à tarde, lógico que cruzamo-nos com os meus colegas no Seixal e alguns deles mandaram umas bocas assim que apanharam-me sozinho mas ignorei ao tentar despachar-me o mais rápido possível para sair daquele balneário.
- Fogo estava a ver que tinha de te ir chamar... - a Mariana refilou assim que entrei no carro onde já estava à minha espera.
- Desculpa a demora mas os rapazes começaram com as cenas deles...
- Mais uma razão para te despachares mais depressa - olhou-me
- Sabes uma cena?
- Não!
- Também gosto muito de ti - sorriu - por isso em vez de refilares - aproximei-me dela - se me desses um beijo não era bem melhor?
- O melhor que tens a fazer é conduzires... quanto mais depressa sairmos daqui mais depressa tens os teus beijos.
Não lhe respondi, simplesmente liguei o carro e conduzi até à minha casa, já tínhamos concordado em jantarmos juntos e seria lá para não darmos muita cana.
- Entra... - assim que abri a porta desviei-me para que pudesse entrar mas mal passou por mim agarrei-a pela cintura, beijando imediatamente o seu pescoço.
- Oh Rubinho.... sossega lá essa vontade porque não vim cá para testar os alicerces da tua casa... mas sim para jantar!
A Mariana teve o desplante de dar-me mais uma nega para juntar a todas as que já tinha tido, sim ela está a cumprir com o que disse e desde que nos acertamos já lá vão quase três semana e ainda não tive direito a nada para além de uns beijos.
- Mariana... linda... quando é que vais liberar? - perguntei continuando com os beijos no seu pescoço.
- Quando provares que mereces...
- Só posso provar se deixares - fiz-lhe um ligeiro chupão o que resultou num belo empurrão.
- Olha para esta merda... - falou a olhar-se ao espelho que tenho no hall de entrada - isto amanhã está marcado!
- É para saberem que tens homem em casa! - atirei já aborrecido - E agora vou preparar qualquer coisa para o jantar!
Fui até à cozinha e quando estava entretido a preparar o nosso comer pressenti a Mariana a entrar ainda assim fingi que não tinha dado por isso e só quando ela se aproximou abraçando-me é que falei.
- Precisas de alguma coisa?
- Sim... de pedir desculpas! - olhei-a - Podia ter reagido de outra forma mas detesto ficar com marcas!
- Não exageres... primeiro duvido que fique assim uma marca tão grande e segundo está num sítio que facilmente tapas!
- Hum... - olhei-a - queres ajuda?
- Não... podes ir até à sala se quiseres.
- Prefiro ficar aqui contigo.
Não insisti para que fosse para a sala e por isso ficamos à conversa, algo que se prolongou pela noite dentro e já connosco completamente enrolados no sofá da sala, a Mariana hoje estava mais mole que cobra ao sol e por isso ficamos por casa depois do jantar.
A conversa é que com o tempo foi dando lugar a uma troca de mimos cada vez mais intensa mas onde nenhum dos dois demonstrava muita vontade em terminar até ao momento que tentei retirar-lhe a t-shirt, a Mariana aí acordou para a realidade e mais uma vez não deixou que avançasse, no entanto cedeu ao meu pedido e pela primeira vez em três semanas passou a noite comigo, adormeci abraçado a ela para acordar com os seus beijos. Passamos a manhã toda na ronha e só saímos da cama para almoçar. Durante a tarde tive a sua ajuda para fazer a mala para as nossas férias e no fim foi a minha vez de a ajudar, fomos até ao seu apartamento onde nos entretemos a preparar a sua mala.
- Prima ainda demoras muito? - a Maria entrou de rompante no quarto - Nós estamos todos à tua espera... só para não variar, né!
- Prima tem lá calma que o stress faz rugas!
- Dou-te as rugas... vá toca a mexer!
A Mariana já não respondeu, até porque agarrei na mala e saí do quarto com elas atrás de mim.
- Quem vai com quem?
- Então... a Maria e a Ana vão comigo e tu levas a Mari e o Fábio - o João deu uma ideia que foi de imediato aceite por mim, já a Ana ainda tentou trocar com o Fábio mas este não lhe deu hipótese.
A viagem para baixo foi animada, a troca de bocas entre nós os três foi uma constante até porque o Fábio também quis tirar nabos da púcara ao tentar saber se nós andávamos ou não.
Com  a chegada a Faro mais uma discussão se gerou... quem dormia com quem dado que num quarto ficava o João e a Maria e os outros quatros teriam que se dividir pela sala e pelo outro quarto.
- Não quero saber... o quarto é meu e vou dormir na minha cama! - a Mariana foi peremptória ao afirmar que iria ficar no quarto.
- Hey... não sejas assim - olhamos para o Fábio - o Ruben é que está em recuperação... por isso ele é que tem de ficar na cama...
- Grande lata... agora falas por ele, é? - a Mariana ripostou.
- Então... na guerra tudo serve - gargalhou - e dado que entre nós só existe um casal... nós os quatro temos que dividir cama... sendo assim fica rapazes com rapazes e raparigas com raparigas!
- Deves estar a alucinar! Primeiro a cama é minha e segundo desde quando é que não podemos fazer um misto?
- Por mim é na boa - olhamos todos para a Ana que não perdeu a oportunidade para falar - e já que tu e o Fábio têm histórico de andarem na cama um do outro... o Ruben fica comigo - sorriu.
- Engraçado... também tenho histórico com o Ruben - a Mariana ripostou de forma automática - se o critério de desempate é esse lamento mas não serve!
- Pois... mas eu não vou dormir com o Fábio porque nunca o fiz!
- Agora não entendi... estás a dizer que já dormiste com o Ruben, é? - olhei para a Mariana, ela sabia bem a resposta mas mesmo assim teve que colocar o dedo na ferida - mas independentemente disso o Ruben fica no quarto comigo... como o Fábio disse e muito bem está a recuperar.
A Mariana não deu tempo para mais ninguém contradizer a decisão dela e puxou-me pela mão até ao quarto. Assim que entramos naquela divisão que iria ser nossa nas próximas três semanas fechei imediatamente a porta.
- Quer dizer que a menina está muito preocupada comigo porque estou em recuperação...
- É sabes que sou muito protectora em relação aos fracos e oprimidos...
- Fracos? - a Mariana que já estava a desfazer a sua mala gargalhou perante a minha indignação - ainda tens o desplante de gozar?
- É verdade!
- Já te digo o que é verdade!
Ainda não tinha acabado de falar e já estava a agarra-la, aproveitei que estava junto da cama para a atirar para cima da mesma sentando-me imediatamente em cima dela prendendo-lhe as pernas e iniciando um ataque de cócegas, estávamos os dois na brincadeira quando sem contarmos com isso a cama desmontou-se, caímos redondos no chão e o estrondo foi enorme, ainda estávamos a tentar perceber o que se tinha passado quando os nossos amigos entraram no quarto deparando-se com tal cenário.
- Ena... para quem há e tal nós nem pensar... até a cama partem! - o Fábio foi o primeiro a falar.
- Oh priminha tem cuidado olha que ainda desmontas o rapaz... - a Maria ajudou à festa - sim porque ele está em recuperação - gargalhou - foi por isso que vinha dormir na tua cama, certo???
- Olhem e em vez de gozarem se nos ajudassem não seria bem melhor?
- Ajudar?? Desde quando é que precisam de ajudam? - olhamos para o João - acabem mas é o que estavam a começar a fazer aí mesmo no chão que assim já não há perigo de desmontarem a cama novamente... - gargalharam todos
- Cala a boca! - respondemos os dois ao mesmo tempo o que originou nova gargalhada
- Que fofinhos já falam ao mesmo tempo e tudo...
- Maria já chega! - a Mariana falou ao levantar-se, isto depois de ter saído de cima dela - e tu sai daí que quero perceber o que se passou aqui! - fiz o que pediu e levantei-me também.
A Mariana começou a olhar para o cenário que tínhamos diante dos nossos olhos e após uns minutos.
- Faltam os parafusos... - falou algo confusa
- Oh prima não tens uma desculpa mais esfarrapada para arranjares? Opa admite logo que o Ruben foi com a sede toda ao pote e olha... a cama fez catrapuz!
- Maria Micaela - a Mariana olhou-a fula da vida - onde é que meteste os parafusos? E já agora porquê que fizeste isto?
- Ah... agora eu é que tenho a culpa que o Ruben seja um bruto...
A Mariana teria respondido mas o facto de os rapazes se aproximarem e verificarem o mesmo que nós fez com que aquele bate boca terminasse, afinal o que se tinha passado mesmo foi que alguém tirou os parafusos da cama da Mariana. Nos minutos iniciais ficamos todos à nora sem entender o porquê daquilo até que a Maria se lembrou que a alforreca tinha estado em Faro nos dias antes e que sabia que viríamos para cá, depressa deduziram que aquilo seria obra dele e ligaram-lhe.
- Eu mato aquele gajo... ó se mato! - a Mariana estava irritadissima com ele - quando o vir não sei o que lhe faça!
- Hey... foi só uma brincadeira.
- Maria é brincadeira porque não foi na tua cama!
- Prima... o Rodry sabe bem qual das camas é que tem os parafusos mais largos...
Todos percebemos a indirecta da Maria mas ninguém respondeu até porque a Mariana  pediu-nos ajuda para montar a cama uma vez que a alforreca tinha dito onde estavam os parafusos, nós, os homens, tratamos do assunto enquanto a Maria e a Ana foram até à cozinha preparar o nosso jantar.
A Mariana ficou connosco e assim que terminamos de montar a cama basicamente correu com os rapazes do quarto, ajudei-a a colocar os lençóis na cama e depois deitamo-nos um pouco, estávamos a namorar quando o João bateu na porta e pediu para entrar.
- Ui tão amorosos que eles estão deitados lado a lado.
- Olha e deixares as piadas para depois... diz lá o que vieste fazer!
- Rubinho... não stress que tens a noite toda para tentares a tua sorte - gargalhou mas não respondemos - e agora venham jantar que a Maria já chamou.
Fomos jantar e no final calhou aos rapazes arrumarem a cozinha enquanto as raparigas foram até à sala, quando terminamos juntamo-nos a elas mas só encontramos as Mendes.
- A Ana? - perguntei assim que sentei-me junto da Mariana.
- Foi ao nosso quarto - sorri ao ouvir a Mariana a referir-se ao quarto como nosso - mudar de roupa porque vai sair!
- Gosto disso!
- Do quê?
- De teres dito o nosso quarto - sorriu - e da Ana ir sair.
- Posso saber porquê?
- Porque podemos estar mais à vontade.
- Não venhas que não tens!
- Mari... não inventes! Não vim passar férias contigo para andar o tempo todo a fingir que somos só amigos... até porque não vou aguentar muito mais esta situação!
- Tanto quanto sei está nas tuas mãos saíres dela...
Teria respondido mas o João teve que implicar connosco.
- Oh... pshiu... vocês aí... que tanto segredam??
- Mete-te na tua vida e deixa a nossa em paz! - a Mariana ripostou.
- Ena... isso aos poucos vai lá... - olhamo-lo sem entender - aos pouquinhos vão assumindo que estão juntos... - sorriu - já é a nossa vida - gargalhou - sim senhor estou a gostar dos progressos!
Não respondemos se por um lado a Mariana não queria assumir nada por outro sei que também já anda farta de mentir, talvez por isso tenha ignorado o João exemplo que segui. O nosso amigo lá se calou e quando já estávamos a jogar uma partida de PES a Ana entrou na sala e foi impossível não a olhar de alto a baixo, estava de facto um arraso mas ainda assim não foi o suficiente para conseguir convencer-nos a acompanhá-la e por isso continuamos com o nosso campeonato de PES a três, sim por estranho que pareça a Maria não alinhou por ter trabalho a fazer e a Mariana tem aversão aos comandos da play.
Os jogos sucederam-se uns atrás dos outros e por estar entretido confesso que não dei grande atenção à Mari, só quando perdi e tive que passar o comando para o João é que percebi que já não estava na sala.
- A tua prima? - perguntei à Maria.
- Não sei... ela já saiu daqui à bué...
Saí da sala e percorri as diversas divisões da casa mas não a encontrei, fui por isso até à varanda e lá estava ela sentada no chão com o olhar perdido.
- Estás aborrecida?
- Não...
- Mariana tenho dois olhos na cara - interrompeu-me
- A sério? Olha e eu a julgar que eles tinham caído...
- Hã?
- Para bom entendedor meia palavra basta! - assim que terminou de falar levantou-se.
- Espera... - agarrei-a pela mão - podes explicar o que se passa? Fiz alguma coisa que não devia?
- Não sei... diz-me tu...
- Se soubesse não estava a perguntar!
- Mete a mão na consciência e talvez chegues lá!
- Estás assim porque estive este tempo todo a jogar?
- Não!
- Então?
- Então nada... esquece!
A Mariana entrou na sala mas isso não foi impedimento para continuar a tentar descobri o motivo pelo qual estava amuada comigo.
- Esqueço nada... - agarrei-a novamente pelo braço o que despertou a curiosidade do pessoal ainda assim não a larguei - fala de uma vez!
A Mariana não cedeu e talvez por isso o Fábio sugeriu um jogo de verdade ou consequência para relembrar os tempos passados, acabamos por concordar e os momentos que se seguiram foi mais do mesmo, preferíamos as consequências uma vez que as verdade já não metem gozo por não haver segredos a desvendar.
O jogo estava a ser animado até ao momento que o João escolheu como consequência ter que cantar uma música em que a escolha ficou entregue à Maria, assim que vi qual era ainda tentei esquivar-me dado que a letra assentava que nem luva na minha história com a Mariana, talvez por isso quando mandou a piada de que não sabia cantar nenhuma não resisti em desafiá-la a opinar no fim e assim que comecei a ouvir a música fixei o meu olhar no dela, naquele momento foi como se fossemos só os dois naquela sala, cantei verso por verso e vi a Mari a “derreter” completamente joguei com isso a meu favor e no final dei-lhe a mão puxando-a para mim beijando-a imediatamente, o beijo esse foi tudo menos discreto, as nossas línguas envolveram-se num bailado perfeito e só o interrompemos quando a Maria falou que havia menores na sala, a partir desse instante foi a comédia completa com a gravidez imaginária dela.
Estávamos a “gozar o prato” quando a Ana entrou na sala e ao ouvir parte da conversa presumiu que fosse verdade dando de imediato os parabéns aos papás, a Maria ainda tentou explicar que não passava de uma brincadeira mas uma voz desconhecida fez-se notar e bastou uns segundos para tanto eu como o João percebermos quem era. E se a Maria reagiu mal a Mariana ainda ficou pior, tive mesmo que a agarrar para não ir às “trombas” ao tal de Pedro e assim que a Maria saiu disparada da sala fomos os três atrás dela. A Mariana, tal como eu e o João tentamos suavizar a situação mas acredito que para a Maria não seja fácil reencontrar aquele animal, no entanto acabamos por deixar a Maria e o João sozinhos no quarto.
- Onde é que vais? - agarrei-a pela cintura quando já ia em direcção à sala.
- Correr com aquele animal cá de casa!
- Não, não vais! - olhou-me - Mariana se fores lá vai dar confusão e a tua prima foi a própria a pedir para termos calma...
- Ruben... - calei-a com um beijo que foi totalmente correspondido por ela
- Não vás... a Ana e o Fábio não sabem de nada por isso o melhor é mesmo nem sequer nos aproximarmos da sala.
- Não vou deixá-lo ficar cá! A Ana se quiser que vá com ele para o raio que a parta mas na minha casa só entra quem eu quero e o Pedro não está de todo na lista dos bem-vindos!

Como irá terminar esta noite? E os próximos dias?

11 comentários:

  1. Olá!
    O mais importante a reter depois de ler o vosso capitulo lool:
    -ADOREI!;
    -Não se acaba desta forma-o que me deixou MUITO curiosa;
    -E QUERO MAIS!
    Beijinhos
    Rita

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  2. fabuloso...

    quero mais... agora tou super curiosa para ver o proximo...

    continua...

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  3. Adoro adoro adoro esta fantastico.bjs

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  4. Olá :)
    Gosto tanta desta aproximação do Rú e da Mari *.*
    Agora a brincar a brincar acertei no "convidado"...
    Estou ansiosa por saber como corre o resto da noite :)
    E os próximos dias :P

    Beijinhos

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  5. AMEI!!
    Mais, mais, mais...
    Por favor...
    Beijinhos*

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  6. Adorei!!
    Quero mais , mais , mais ...
    Bjs

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  7. Opaaa afora esta fic!
    Não se termina assim então?
    Quero o próximo!
    Beijinhos

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  8. Venha o próximo...
    Que eu quero mais...
    Beijinhos e continuem

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  9. Adorei!!
    He he he, a parte da cama está demais!
    Vou ler o próximo para descobrir o que vai acontecer ao "outro".
    Beijinhos

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  10. Eu sabia que a noite ia acabar mal, então como se não bastasse terem de ir de férias com a melga da Ana, esta ainda leva como convidado o Pedro? Haja paciência, concordo com a Mariana, na nossa casa entra quem nós queremos, e este Pedro não é de todo bem vindo.
    Adoro os momentos do Ruben e da Mariana, isto aos poucos a coisa dá-se.
    Beijocas

    Fernanda

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