Mariana
Ao contrário do que seria de esperar o jantar de aniversário do
meu amigo ajudou-me a decidir o rumo a dar à minha vida, naquela noite decidi
apostar em mim e aceitar o convite do meu tio, isso implicou sair de Portugal à
procura de formação, estive três meses afastada mas sempre que pude vim a
Portugal e de todas as vezes estive com o Ruben, nós mantivemos o contacto, era
comum falar com ele todos os dias por telefone ou pela net e sempre que vinha a
Portugal arranjava nem que fosse cinco minutos para beber um café com ele,
ainda assim durante este tempo nunca passamos a barreira da amizade e muito
menos tocamos no assunto “nós”.
- Tu! - o Ruben
sorriu talvez pela minha admiração de o ver no aeroporto.
- Ouvi dizer que alguém
regressava hoje a casa depois de três meses a queimar pestanas e por isso
resolvi vir buscá-la - sorriu para logo depois dar-me os dois beijinhos da
praxe.
- Esperava a minha prima
ou mesmo o meu tio... agora tu não!
- Pois mas a tua prima
não pode vir e pediu-me para vir mas se preferes ir de táxi é na boa -
colocou as mãos nos bolsos dos calções.
- Hum... sendo assim é
mesmo melhor ir procurar um táxi... - agarrei nas minhas malas e comecei a
andar.
- Onde pensas que
vais... - fui impedida de continuar a andar uma vez que o Ruben puxou-me
pela cintura o que fez com que embatesse contra o seu corpo, desviei o olhar e
encontrei-o a olhar-me de uma forma que há muito não via - temos uma conversa pendente - levou a sua mão ao meu rosto
desviando uma madeixa de cabelo que teimava encobrir o meu rosto - dei-te o tempo que pediste mas não esqueci
que deixamos uma conversa a meio...
- Larga-me - pedi
por saber que iríamos acabar por despertar a curiosidade dos transeuntes.
- Só se prometeres que
dás-me uma oportunidade para me justificar!
- Isso ficou prometido
na noite do aniversário do João!
- Então anda... -
agarrou nas minhas malas e começou a andar, segui-o até ao seu carro onde o
ajudei a colocar as malas na bagageira para depois seguirmos viagem, esta foi
rápida mas ainda assim feita praticamente no silêncio.
Assim que entrei no meu “mundo” atirei-me para cima da cama e
sem que esperasse o Ruben deitou-se ao meu lado.
- Hey... mas que
confianças são estas? - olhou-me - Desde
quando é que te deitas na minha cama sem te dar autorização?
- Até parece que foi a
primeira vez!
- Pode não ter sido a
primeira mas vai ser a última! Ruben somos só amigos não confundas as coisas!
- Mariana - o Ruben
sentou-se na cama mas de forma a olhar-me nos olhos - desculpa... sei que magoei-te ao não assumir que estávamos juntos mas
só não o fiz porque... . interrompi
o Ruben.
- Já explicaste... e se
a memória não me atraiçoa falaste algo do género de não saberes bem o que nós
tínhamos...
- A relação douradora
que tive no passado e da qual já te falei foi com a Ana - disparou de uma
vez só apanhando-me completamente de surpresa, talvez por isso não consegui
reagir dando-lhe hipótese de prosseguir - é
essa a razão pela qual não admiti que estávamos juntos, o que tínhamos estava
no início e custou-me admitir perante a Ana que já nos tínhamos acertado sem a
mínima preparação, apesar de tê-la usado porque foi mesmo isso que andei a
fazer ainda que de forma inconsciente, tenho noção que a nossa história a
marcou imenso e só por isso é que neguei qualquer tipo de relação contigo para
além do que ela já tinha visto. Desculpa se mais uma vez fugi mas nunca pensei
que fosse ter as consequências que teve.
- O teu mal é esse...
nunca pensas nas consequências! Esquece... Ruben o “nós” é passado e não vai
ser por revelares que namoraste com a Ana e que negaste que estávamos juntos
por respeito a ela que vai mudar alguma coisa... até porque respeito é o que
nunca demonstraste ter pela Ana caso contrário não a tinhas usado mas pior que
isso evitavas enrolar-te com outras à frente dela como sempre fizeste... só não
entendo é porquê que quando estava disposta a assumir algo contigo não
quiseste!
- Tive medo -
gargalhei - que a Ana não conseguisse
lidar com a situação.
- Que lindo... já
pensaste que essa preocupação toda pode ser amor... tu vê lá... talvez andes
enganado e em vez de quereres alguma coisa comigo queres com a Ana...
- Chega!
- Para mim já chegou há
muito... tu é que puxaste o assunto!
- Porque quero resolver
as cenas de uma vez por todas.
- Para mim está mais do
que resolvido - levantei-me da cama - nós
só funcionamos bem como amigos e é assim que quero que seja!
- Não tenho direito a
ter uma palavra, a ter vontade própria, a querer mais do que amizade - o
Ruben encontrava-se agora diante de mim - Mariana
nós gostamos um do outro...
- Quem te disse a ti? Já
te esqueci...
- Não acredito...
- Mas é verdade! -
tentei ser firme mas a verdade é que a proximidade dos nossos corpos e olhar do
Ruben estava a desconcentrar-me.
- Não, não é... e vou
provar-te!
Não consegui reagir o Ruben assim que terminou de falar reduziu
por completo a distância que nos separava e uniu as nossas bocas, foi
impossível resistir, primeiro porque não o esqueci muito pelo contrário estes
meses de ausência só serviram para ter a certeza que o quero para mim e segundo
porque a vontade de saciar o meu desejo foi muito superior à razão.
- Ruben pára! -
falei ao empurra-lo quando já estávamos deitados na cama e a enveredar por um
caminho sem retorno.
- Shiu - beijou-me
novamente - queres tanto quanto eu -
falou junto do meu ouvido aproveitando para depositar naquele sítio mais uns
quantos beijos - tenho tantas saudades
tuas - o Ruben sabia bem como provocar e estava a conseguir tirar-me do
sério mas antes que atingisse os seus objectivos afastei-o ao fazer pressão no
seu peito com as minhas mãos, assim que o seu corpo saiu de cima do meu
levantei-me imediatamente e comecei a compor a minha roupa - o que se passa? - voltou a abraçar-me -
e não digas que não queres porque os
teus olhos dizem o contrário - falou agora calmamente, não estava numa de
provocar mas sim de entender o porquê que lhe estava a dar uma nega quando
também queria tanto quanto ele.
- Ruben - suspirei - se fosse há uns meses atrás não pensava
duas vezes mas a Mariana que conheceste mudou... nestes três meses pensei muito
no rumo a dar à minha vida e agora se queres realmente ter alguma coisa comigo
tens de provar que és digno da minha confiança, garanto-te que não vais
conseguir levar-me para a cama assim tão facilmente porque para quem estava
habituada a ter sexo regularmente já não o fazer há praticamente cinco meses é
porque está mesmo disposta a mudar alguma coisa! Gosto muito de ti, é verdade
que te desejo, que te quero mas também é verdade que se há coisa que aprendi
desde que regressei a Lisboa foi a ter amor próprio... deixei de ser tão
leviana agora se queres realmente algo sério comigo terás que demonstrar
primeiro!
- Como assim?
- Usa a cabeça para
pensar que chegas lá!
- Queres que te prove
que gosto de ti, é isso?
- Não... quero provas de
que não estás comigo só pelo sexo!
- Mariana se fosse só
pelo sexo não estava sequer aqui... ou achas que preciso de ti para isso?
Nenhum dos dois precisa do outro nesse campo, se fosse uma questão de sexo
depressa arranjávamos quem nos aliviasse - voltou a aproximar-se e desta
vez agarrou-me o rosto - contigo é muito
mais do que sexo e prova disso foi ter-te revelado que a Ana é a tal rapariga
quando nós juramos todos e quando digo todos é o pessoal no geral que este
assunto não seria nunca desenterrado, do nosso grupo só duas pessoas não
sabiam, tu e a tua prima porque de resto todos acompanharam o nosso namoro mas
quando acabou pedimos para esquecerem que alguma vez existiu, nem eu nem a Ana
voltamos a falar nisso, houve um tempo que foi difícil fingir que nada se
passou mas acabou por se tornar cada vez mais fácil à medida que o tempo
passou, só há uma coisa que me arrependo e essa foi ter deixado ir tão longe a
minha história com a Ana, ela acabou por sofrer...
- Deves querer dizer que
ainda sofre - olhou-me - se até
contares nunca percebi as bocas que mandava agora está nítido como a água...
ela continua a gostar de ti e está a sentir-se ameaçada pela minha presença,
com o meu regresso meti-me no meio de vocês.
- Estás enganada... se
alguém se meteu no meio foi ela e por culpa minha que a arrastei para isto,
nunca devia ter namorado com ela mas não posso mudar o passado e para ser
sincero passei bons momentos com ela, houve alturas que pensei mesmo que
pudesse resultar mas não deu porque nunca te esqueci.
- Isso é tudo muito
bonito mas não muda a tua atitude...
- Vais continuar a
mandar-me isso à cara? É que se for prefiro desistir já de provar-te o que quer
que seja... Mariana estás mesmo disposta a construíres algo comigo? Sê sincera
- olhou-me - o que sentes por mim?
- Sinceramente não sei
- suspirei - Ruben o que sinto por ti
nunca senti por ninguém mas também não te sei dizer se é isto que os comuns
mortais chamam de amor... mas que é algo forte que empurra-me constantemente
para ti isso é...
O Ruben sorriu para no segundo seguinte beijar-me calmamente,
tão calmamente que transmitiu-me um paz interior enorme, algo naquele beijo
fez-me perceber que o Ruben tinha entendido tudo o que tinha acabado de dizer.
Acabamos sentados no puff ou melhor ele sentou-se porque eu
sentei-me mesmo nas suas pernas, já estávamos há vários minutos naquela posição
e numa troca de mimos sem segundas intenções quando me lembrei de algo.
- Ruben - chamei-o
ao separar as nossas bocas.
- Diz!
- Eu posso estar assim
aqui?
- Hã? Não entendi! -
sorri ao ver o seu ar de confuso.
- Oh jeitoso o que quis
perguntar é se não há problema de estar assim sentada em cima dos teus
joelhos...
- Ah... os meus joelhos
estão quase prontos para outra - bati-lhe no braço ao ouvi-lo - ai... isso é violência doméstica! -
falou a rir.
- É para aprenderes a
não brincares com assuntos sérios... Ruben espero nunca mais voltar a ver-te
lesionado ou pelo menos com esta gravidade.
- Linda - olhei-o de
lado - que foi também não te posso
chamar de linda?
- Não... o meu nome é
Mariana... quanto muito chamas-me por Mari agora linda nem em sonhos!
- Sim... sim... depois
vemos isso - beijou-me - mas
voltando ao assunto inicial - sorriu - não
há problema de estares sentada ao meu colo, a recuperação está a correr melhor
do que esperava e se continuar assim pode ser que já consiga integrar a pré
época.
- Como assim?
- Então se conseguir
recuperar a 100% começo a época em “pé de igualdade” com os meus colegas.
- Hum... e se isso não
acontecer?
- Depois torna-se mais
difícil apanhar o comboio mas de qualquer forma não vou desistir e muito menos
vou estar a perder muito tempo a pensar nisso... pelo menos por enquanto, agora
só quero recuperar na totalidade.
Continuamos a falar da sua recuperação e quando esse assunto se
esgotou o Ruben quis que contasse com pormenores o que andei a fazer por terras
de nuestros hermanos para no fim dizer-lhe em que consistia este meu novo
emprego. A conversa fluiu tão bem entre nós que só demos pelas horas passarem
quando ligaram ao Ruben a perguntar onde andava, afinal ele estava atrasado
para a fisioterapia o que fez com que desse umas belas gargalhadas que acabaram
por ser acompanhadas pelo Ruben.
- Queres vir? -
perguntou-me quando estávamos à espera do elevador.
- Fazer o quê? Ruben
vais trabalhar para a tua recuperação acho que não vou lá fazer nada...
- Vais ver-me -
abraçou-me - e depois podíamos jantar...
- Ruben combinamos isso
para outro dia... hoje estou mais morta que viva.
- Oh... queria que
viesses comigo! As sessões estão a tornar-se uma seca... são sempre iguais.
- Ah... queres que vá
numa de palhaço de serviço é?
- Não quero que vás como
minha futura namorada - sorriu - já
que queres ir com calma... vais só como uma amiga muito especial que quero que
esteja do meu lado hoje e sempre que possível - confesso que senti um
ligeiro arrepio talvez porque nunca tinha colocado as coisas neste prisma de
“para todo o sempre” - aceitas?
Ruben
Depois de três meses a adiar o assunto que mais queria resolver
consegui finalmente fazê-lo, a Mariana ao início ainda tentou esquivar-se mas
acabou por ouvir tudo, no fundo sei que entendeu o meu lado mas ainda assim vou
ter que ser paciente e dar-lhe o tempo que necessita para voltar a confiar
plenamente em mim.
A conversa foi longa mas terminou como mais desejava, a Mari
cedeu às minhas tentativas de aproximação e acabamos sentados no puff a trocar
mimos acompanhados por uma boa conversa, foi de tal ordem que perdi a noção das
horas e só despertamos para a realidade quando ligaram do Seixal a perguntar o
motivo de estar atrasado para a sessão de fisioterapia, pedi desculpa e
informei-os que iria o mais rápido possível.
Tentei convencer a Mariana a acompanhar mas não consegui,
desculpou-se com o facto de estar cansada da viagem, algo que acreditei afinal
sei bem o que são viagens de avião mas fi-la prometer que irá noutro dia.
A sessão de trabalhos correu bem e quando já estava em casa
liguei para a Mariana, voltei a desafiá-la para jantar mas cortou-se novamente
ao avisar que a prima já estava a preparar o comer delas.
Os dias foram passando e nós estávamos cada vez mais próximos
apesar de continuarmos a fingir que não se passava nada, aliás sempre que
alguém perguntava nós negávamos no entanto estava a tornar-se cada vez mais
complicado ocultar a nossa relação, pelo facto de dia para dia a vontade de
simplesmente chegar junto dela e beijá-la aumenta cada vez mais.
Hoje tive finalmente a companhia da Mariana na sessão de
trabalhos que realizei à tarde, lógico que cruzamo-nos com os meus colegas no
Seixal e alguns deles mandaram umas bocas assim que apanharam-me sozinho mas
ignorei ao tentar despachar-me o mais rápido possível para sair daquele balneário.
- Fogo estava a ver que
tinha de te ir chamar... - a Mariana refilou assim que entrei no carro onde
já estava à minha espera.
- Desculpa a demora mas
os rapazes começaram com as cenas deles...
- Mais uma razão para te
despachares mais depressa - olhou-me
- Sabes uma cena?
- Não!
- Também gosto muito de
ti - sorriu - por isso em vez de
refilares - aproximei-me dela - se
me desses um beijo não era bem melhor?
- O melhor que tens a
fazer é conduzires... quanto mais depressa sairmos daqui mais depressa tens os
teus beijos.
Não lhe respondi, simplesmente liguei o carro e conduzi até à
minha casa, já tínhamos concordado em jantarmos juntos e seria lá para não
darmos muita cana.
- Entra... - assim
que abri a porta desviei-me para que pudesse entrar mas mal passou por mim
agarrei-a pela cintura, beijando imediatamente o seu pescoço.
- Oh Rubinho.... sossega
lá essa vontade porque não vim cá para testar os alicerces da tua casa... mas
sim para jantar!
A Mariana teve o desplante de dar-me mais uma nega para juntar
a todas as que já tinha tido, sim ela está a cumprir com o que disse e desde
que nos acertamos já lá vão quase três semana e ainda não tive direito a nada
para além de uns beijos.
- Mariana... linda...
quando é que vais liberar? - perguntei continuando com os beijos no seu
pescoço.
- Quando provares que
mereces...
- Só posso provar se
deixares - fiz-lhe um ligeiro chupão o que resultou num belo empurrão.
- Olha para esta
merda... - falou a olhar-se ao espelho que tenho no hall de entrada - isto amanhã está marcado!
- É para saberem que
tens homem em casa! - atirei já aborrecido - E agora vou preparar qualquer coisa para o jantar!
Fui até à cozinha e quando estava entretido a preparar o nosso
comer pressenti a Mariana a entrar ainda assim fingi que não tinha dado por
isso e só quando ela se aproximou abraçando-me é que falei.
- Precisas de alguma
coisa?
- Sim... de pedir
desculpas! - olhei-a - Podia ter
reagido de outra forma mas detesto ficar com marcas!
- Não exageres...
primeiro duvido que fique assim uma marca tão grande e segundo está num sítio
que facilmente tapas!
- Hum... - olhei-a -
queres ajuda?
- Não... podes ir até à
sala se quiseres.
- Prefiro ficar aqui
contigo.
Não insisti para que fosse para a sala e por isso ficamos à
conversa, algo que se prolongou pela noite dentro e já connosco completamente
enrolados no sofá da sala, a Mariana hoje estava mais mole que cobra ao sol e
por isso ficamos por casa depois do jantar.
A conversa é que com o tempo foi dando lugar a uma troca de
mimos cada vez mais intensa mas onde nenhum dos dois demonstrava muita vontade
em terminar até ao momento que tentei retirar-lhe a t-shirt, a Mariana aí
acordou para a realidade e mais uma vez não deixou que avançasse, no entanto
cedeu ao meu pedido e pela primeira vez em três semanas passou a noite comigo,
adormeci abraçado a ela para acordar com os seus beijos. Passamos a manhã toda
na ronha e só saímos da cama para almoçar. Durante a tarde tive a sua ajuda
para fazer a mala para as nossas férias e no fim foi a minha vez de a ajudar,
fomos até ao seu apartamento onde nos entretemos a preparar a sua mala.
- Prima ainda demoras
muito? - a Maria entrou de rompante no quarto - Nós estamos todos à tua espera... só para não variar, né!
- Prima tem lá calma que
o stress faz rugas!
- Dou-te as rugas... vá
toca a mexer!
A Mariana já não respondeu, até porque agarrei na mala e saí do
quarto com elas atrás de mim.
- Quem vai com quem?
- Então... a Maria e a
Ana vão comigo e tu levas a Mari e o Fábio - o João deu uma ideia que foi
de imediato aceite por mim, já a Ana ainda tentou trocar com o Fábio mas este
não lhe deu hipótese.
A viagem para baixo foi animada, a troca de bocas entre nós os
três foi uma constante até porque o Fábio também quis tirar nabos da púcara ao
tentar saber se nós andávamos ou não.
Com a chegada a Faro
mais uma discussão se gerou... quem dormia com quem dado que num quarto ficava
o João e a Maria e os outros quatros teriam que se dividir pela sala e pelo
outro quarto.
- Não quero saber... o
quarto é meu e vou dormir na minha cama! - a Mariana foi peremptória ao
afirmar que iria ficar no quarto.
- Hey... não sejas assim
- olhamos para o Fábio - o Ruben é que
está em recuperação... por isso ele é que tem de ficar na cama...
- Grande lata... agora
falas por ele, é? - a Mariana ripostou.
- Então... na guerra
tudo serve - gargalhou - e dado que
entre nós só existe um casal... nós os quatro temos que dividir cama... sendo
assim fica rapazes com rapazes e raparigas com raparigas!
- Deves estar a
alucinar! Primeiro a cama é minha e segundo desde quando é que não podemos
fazer um misto?
- Por mim é na boa -
olhamos todos para a Ana que não perdeu a oportunidade para falar - e já que tu e o Fábio têm histórico de
andarem na cama um do outro... o Ruben fica comigo - sorriu.
- Engraçado... também
tenho histórico com o Ruben - a Mariana ripostou de forma automática - se o critério de desempate é esse lamento
mas não serve!
- Pois... mas eu não vou
dormir com o Fábio porque nunca o fiz!
- Agora não entendi...
estás a dizer que já dormiste com o Ruben, é? - olhei para a Mariana, ela
sabia bem a resposta mas mesmo assim teve que colocar o dedo na ferida - mas independentemente disso o Ruben fica no
quarto comigo... como o Fábio disse e muito bem está a recuperar.
A Mariana não deu tempo para mais ninguém contradizer a decisão
dela e puxou-me pela mão até ao quarto. Assim que entramos naquela divisão que
iria ser nossa nas próximas três semanas fechei imediatamente a porta.
- Quer dizer que a
menina está muito preocupada comigo porque estou em recuperação...
- É sabes que sou muito
protectora em relação aos fracos e oprimidos...
- Fracos? - a
Mariana que já estava a desfazer a sua mala gargalhou perante a minha
indignação - ainda tens o desplante de
gozar?
- É verdade!
- Já te digo o que é
verdade!
Ainda não tinha acabado de falar e já estava a agarra-la,
aproveitei que estava junto da cama para a atirar para cima da mesma sentando-me
imediatamente em cima dela prendendo-lhe as pernas e iniciando um ataque de
cócegas, estávamos os dois na brincadeira quando sem contarmos com isso a cama
desmontou-se, caímos redondos no chão e o estrondo foi enorme, ainda estávamos
a tentar perceber o que se tinha passado quando os nossos amigos entraram no
quarto deparando-se com tal cenário.
- Ena... para quem há e
tal nós nem pensar... até a cama partem! - o Fábio foi o primeiro a falar.
- Oh priminha tem
cuidado olha que ainda desmontas o rapaz... - a Maria ajudou à festa - sim porque ele está em recuperação -
gargalhou - foi por isso que vinha
dormir na tua cama, certo???
- Olhem e em vez de
gozarem se nos ajudassem não seria bem melhor?
- Ajudar?? Desde quando
é que precisam de ajudam? - olhamos para o João - acabem mas é o que estavam a começar a fazer aí mesmo no chão que assim
já não há perigo de desmontarem a cama novamente... - gargalharam todos
- Cala a boca! -
respondemos os dois ao mesmo tempo o que originou nova gargalhada
- Que fofinhos já falam
ao mesmo tempo e tudo...
- Maria já chega! -
a Mariana falou ao levantar-se, isto depois de ter saído de cima dela - e tu sai daí que quero perceber o que se
passou aqui! - fiz o que pediu e levantei-me também.
A Mariana começou a olhar para o cenário que tínhamos diante
dos nossos olhos e após uns minutos.
- Faltam os parafusos...
- falou algo confusa
- Oh prima não tens uma
desculpa mais esfarrapada para arranjares? Opa admite logo que o Ruben foi com
a sede toda ao pote e olha... a cama fez catrapuz!
- Maria Micaela - a
Mariana olhou-a fula da vida - onde é
que meteste os parafusos? E já agora porquê que fizeste isto?
- Ah... agora eu é que
tenho a culpa que o Ruben seja um bruto...
A Mariana teria respondido mas o facto de os rapazes se
aproximarem e verificarem o mesmo que nós fez com que aquele bate boca
terminasse, afinal o que se tinha passado mesmo foi que alguém tirou os
parafusos da cama da Mariana. Nos minutos iniciais ficamos todos à nora sem
entender o porquê daquilo até que a Maria se lembrou que a alforreca tinha
estado em Faro nos dias antes e que sabia que viríamos para cá, depressa deduziram
que aquilo seria obra dele e ligaram-lhe.
- Eu mato aquele gajo...
ó se mato! - a Mariana estava irritadissima com ele - quando o vir não sei o que lhe faça!
- Hey... foi só uma
brincadeira.
- Maria é brincadeira
porque não foi na tua cama!
- Prima... o Rodry sabe
bem qual das camas é que tem os parafusos mais largos...
Todos percebemos a indirecta da Maria mas ninguém respondeu até
porque a Mariana pediu-nos ajuda para
montar a cama uma vez que a alforreca tinha dito onde estavam os parafusos,
nós, os homens, tratamos do assunto enquanto a Maria e a Ana foram até à
cozinha preparar o nosso jantar.
A Mariana ficou connosco e assim que terminamos de montar a
cama basicamente correu com os rapazes do quarto, ajudei-a a colocar os lençóis
na cama e depois deitamo-nos um pouco, estávamos a namorar quando o João bateu
na porta e pediu para entrar.
- Ui tão amorosos que
eles estão deitados lado a lado.
- Olha e deixares as
piadas para depois... diz lá o que vieste fazer!
- Rubinho... não stress que tens a noite toda para
tentares a tua sorte - gargalhou mas não respondemos - e agora venham jantar que a Maria já chamou.
Fomos jantar e no final calhou aos rapazes arrumarem a cozinha
enquanto as raparigas foram até à sala, quando terminamos juntamo-nos a elas
mas só encontramos as Mendes.
- A Ana? - perguntei
assim que sentei-me junto da Mariana.
- Foi ao nosso quarto
- sorri ao ouvir a Mariana a referir-se ao quarto como nosso - mudar de roupa porque vai sair!
- Gosto disso!
- Do quê?
- De teres dito o nosso
quarto - sorriu - e da Ana ir sair.
- Posso saber porquê?
- Porque podemos estar
mais à vontade.
- Não venhas que não
tens!
- Mari... não inventes!
Não vim passar férias contigo para andar o tempo todo a fingir que somos só
amigos... até porque não vou aguentar muito mais esta situação!
- Tanto quanto sei está
nas tuas mãos saíres dela...
Teria respondido mas o João teve que implicar connosco.
- Oh... pshiu... vocês
aí... que tanto segredam??
- Mete-te na tua vida e
deixa a nossa em paz! - a Mariana ripostou.
- Ena... isso aos poucos
vai lá... - olhamo-lo sem entender - aos
pouquinhos vão assumindo que estão juntos... - sorriu - já é a nossa vida - gargalhou - sim senhor estou a gostar dos progressos!
Não respondemos se por um lado a Mariana não queria assumir
nada por outro sei que também já anda farta de mentir, talvez por isso tenha
ignorado o João exemplo que segui. O nosso amigo lá se calou e quando já
estávamos a jogar uma partida de PES a Ana entrou na sala e foi impossível não
a olhar de alto a baixo, estava de facto um arraso mas ainda assim não foi o
suficiente para conseguir convencer-nos a acompanhá-la e por isso continuamos
com o nosso campeonato de PES a três, sim por estranho que pareça a Maria não
alinhou por ter trabalho a fazer e a Mariana tem aversão aos comandos da play.
Os jogos sucederam-se uns atrás dos outros e por estar
entretido confesso que não dei grande atenção à Mari, só quando perdi e tive
que passar o comando para o João é que percebi que já não estava na sala.
- A tua prima? -
perguntei à Maria.
- Não sei... ela já saiu
daqui à bué...
Saí da sala e percorri as diversas divisões da casa mas não a
encontrei, fui por isso até à varanda e lá estava ela sentada no chão com o
olhar perdido.
- Estás aborrecida?
- Não...
- Mariana tenho dois
olhos na cara - interrompeu-me
- A sério? Olha e eu a
julgar que eles tinham caído...
- Hã?
- Para bom entendedor
meia palavra basta! - assim que terminou de falar levantou-se.
- Espera... -
agarrei-a pela mão - podes explicar o
que se passa? Fiz alguma coisa que não devia?
- Não sei... diz-me
tu...
- Se soubesse não estava
a perguntar!
- Mete a mão na
consciência e talvez chegues lá!
- Estás assim porque
estive este tempo todo a jogar?
- Não!
- Então?
- Então nada... esquece!
A Mariana entrou na sala mas isso não foi impedimento para
continuar a tentar descobri o motivo pelo qual estava amuada comigo.
- Esqueço nada... -
agarrei-a novamente pelo braço o que despertou a curiosidade do pessoal ainda
assim não a larguei - fala de uma vez!
A Mariana não cedeu e talvez por isso o Fábio sugeriu um jogo
de verdade ou consequência para relembrar os tempos passados, acabamos por
concordar e os momentos que se seguiram foi mais do mesmo, preferíamos as
consequências uma vez que as verdade já não metem gozo por não haver segredos a
desvendar.
O jogo estava a ser animado até ao momento que o João escolheu
como consequência ter que cantar uma música em que a escolha ficou entregue à
Maria, assim que vi qual era ainda tentei esquivar-me dado que a letra
assentava que nem luva na minha história com a Mariana, talvez por isso quando
mandou a piada de que não sabia cantar nenhuma não resisti em desafiá-la a
opinar no fim e assim que comecei a ouvir a música fixei o meu olhar no dela,
naquele momento foi como se fossemos só os dois naquela sala, cantei verso por
verso e vi a Mari a “derreter” completamente joguei com isso a meu favor e no
final dei-lhe a mão puxando-a para mim beijando-a imediatamente, o beijo esse
foi tudo menos discreto, as nossas línguas envolveram-se num bailado perfeito e
só o interrompemos quando a Maria falou que havia menores na sala, a partir
desse instante foi a comédia completa com a gravidez imaginária dela.
Estávamos a “gozar o prato” quando a Ana entrou na sala e ao
ouvir parte da conversa presumiu que fosse verdade dando de imediato os
parabéns aos papás, a Maria ainda tentou explicar que não passava de uma
brincadeira mas uma voz desconhecida fez-se notar e bastou uns segundos para
tanto eu como o João percebermos quem era. E se a Maria reagiu mal a Mariana
ainda ficou pior, tive mesmo que a agarrar para não ir às “trombas” ao tal de
Pedro e assim que a Maria saiu disparada da sala fomos os três atrás dela. A
Mariana, tal como eu e o João tentamos suavizar a situação mas acredito que
para a Maria não seja fácil reencontrar aquele animal, no entanto acabamos por
deixar a Maria e o João sozinhos no quarto.
- Onde é que vais? -
agarrei-a pela cintura quando já ia em direcção à sala.
- Correr com aquele
animal cá de casa!
- Não, não vais! -
olhou-me - Mariana se fores lá vai dar
confusão e a tua prima foi a própria a pedir para termos calma...
- Ruben... - calei-a
com um beijo que foi totalmente correspondido por ela
- Não vás... a Ana e o
Fábio não sabem de nada por isso o melhor é mesmo nem sequer nos aproximarmos
da sala.
- Não vou deixá-lo ficar
cá! A Ana se quiser que vá com ele para o raio que a parta mas na minha casa só
entra quem eu quero e o Pedro não está de todo na lista dos bem-vindos!
Como irá terminar esta noite? E os próximos dias?
Olá!
ResponderEliminarO mais importante a reter depois de ler o vosso capitulo lool:
-ADOREI!;
-Não se acaba desta forma-o que me deixou MUITO curiosa;
-E QUERO MAIS!
Beijinhos
Rita
fabuloso...
ResponderEliminarquero mais... agora tou super curiosa para ver o proximo...
continua...
Adoro adoro adoro esta fantastico.bjs
ResponderEliminarOlá :)
ResponderEliminarGosto tanta desta aproximação do Rú e da Mari *.*
Agora a brincar a brincar acertei no "convidado"...
Estou ansiosa por saber como corre o resto da noite :)
E os próximos dias :P
Beijinhos
AMEI!!
ResponderEliminarMais, mais, mais...
Por favor...
Beijinhos*
Adorei!!
ResponderEliminarQuero mais , mais , mais ...
Bjs
Opaaa afora esta fic!
ResponderEliminarNão se termina assim então?
Quero o próximo!
Beijinhos
*Adoro
ResponderEliminarVenha o próximo...
ResponderEliminarQue eu quero mais...
Beijinhos e continuem
Adorei!!
ResponderEliminarHe he he, a parte da cama está demais!
Vou ler o próximo para descobrir o que vai acontecer ao "outro".
Beijinhos
Eu sabia que a noite ia acabar mal, então como se não bastasse terem de ir de férias com a melga da Ana, esta ainda leva como convidado o Pedro? Haja paciência, concordo com a Mariana, na nossa casa entra quem nós queremos, e este Pedro não é de todo bem vindo.
ResponderEliminarAdoro os momentos do Ruben e da Mariana, isto aos poucos a coisa dá-se.
Beijocas
Fernanda