Ruben
O dia hoje não começou da melhor forma mas a verdade é que
depois da indirecta da Mariana quando estávamos os dois no mar percebi que se
não agisse nunca iria tê-la da forma que mais quero, por isso mesmo na primeira
oportunidade que tive provei que a quero do meu lado ao afirmar perante os
nossos amigos que namoramos.
A notícia não apanhou ninguém de surpresa no entanto vi no
olhar da Ana um misto de mágoa e revolta ainda assim quando a Mariana tentou
afastar-se para ir ter com a prima impedi-a e só a libertei quando nos beijamos
e trocamos algumas palavras.
Os minutos que estive longe dela serviram para o João nos
elucidar sobre o motivo que levou a Maria a abandonar-nos, ouvimo-lo e demos
alguns conselhos mas estes só surgiram depois da Ana se ter afastado com o
Pedro. O João acabou por entender que está a querer ir depressa de mais e
quando elas regressaram agiu como se nada fosse iniciando uma brincadeira com a
Maria, que os levou a afastarem-se e foi nesse tempo que estive acompanhado
pela Mariana e pelo Fábio que revelaram-me algo que nunca pensei ser possível
de ouvir, afinal a Mariana tentou aproximar-se de mim durante o tempo que
esteve em Faro mas que por apanhar-me a curtir com alguém se afastou.
O Fábio ter revelado isso ajudou-me a perceber a reacção dela
ao afirmar que se quero mesmo alguma coisa tenho de o provar, por isso mesmo
quando a Mariana quis ir dar uma volta só comigo não hesitei um segundo que
fosse, caminhamos à beira mar e acabamos por nos sentar numa ponta da praia
onde podíamos ter alguma privacidade.
- Fui mesmo otário!
- olhou-me para logo depois gargalhar que nem perdida.
- A sério? Mas mesmo
sério só agora é que chegaste a essa conclusão! - tê-la a gozar comigo foi
mais do que suficiente para vingar-me da única forma que sei que detesta,
iniciei um ataque de cócegas que depressa se tornou em mais um momento de
cumplicidade e troca de mimos, estávamos os dois deitados nas nossas toalhas e
completamente alheios ao que se passava ao nosso redor que não reparamos que
tínhamos dois miúdos ao nosso lado, só mesmo quando o seu pai os veio chamar é
que despertamos para a realidade, o senhor ainda pediu desculpas perante o
atrevimento dos pequenos que desafiaram-me para jogar mas de nada adiantou uma
vez que acabei mesmo por me juntar aos putos onde dei alguns toques na bola
sempre sob o olhar atento da Mariana - Ah
já regressaste foi... - pregou assim que sentei-me novamente do seu lado.
- Oh mau feitio... estás
a mandar postas de pescada para quê? Sei bem que adoras ver-me com uma bola nos
pés!
- A tua sorte é que não
tenho ciumes daquela ali - apontou para a bola que os miúdos tinham - sim porque aviso já que das outras todas
tenho - a Mariana estava demasiado séria - e não não estou a brincar se sonho que andas a olhar para outras gajas
sou menina de deixar-te incapacitado para o resto da tua vida e sem direito a
propagação de Rubenzinhos neste planeta, entendeste??
- Ui... não te conhecia
a faceta de ciumenta!
- Há muita coisa que
desconheces!
- Pois... para isso
mesmo é que serve o namoro - olhou-me - para nos conhecermos um ao outro, para aprendermos a respeitar o outro
tal como é e até mesmo para mudarmos alguma coisa em nós de forma a nos
adaptarmos um ao outro, Mariana gosto de ti mas não sou inconsciente ao ponto
de afirmar que será tudo um mar de rosas, temos feitios especiais e por isso
mesmo temos que aprender a ceder mutuamente ou então não irá resultar.
- Ruben promete-me só
uma coisa.
- Diz!
- Se algum dia o que
sentes por mim diminuir quero que sejas sincero comigo, não me faças o mesmo
que fizeste à Ana - desviou o olhar para o mar - Ruben não quero ser enganada e muito menos viver na ilusão.
- Não vais viver na
ilusão porque o que temos é real e bem real caso contrário não terias lutado
tanto contra o que sentimos, tinhas facilitado como sempre facilitaste com os
outros, tinhas ido para a cama comigo à primeira oportunidade, Mariana não
tenhas medo...
- Ruben não tenho
medo... tenho pavor - suspirou - nunca
assumi relacionamento nenhum e sempre tentei negar para mim mesmo o que sinto
por ti com receio de perder a minha identidade, não sou dessas que adoram ser
bajuladas pelos namorados, não tenho feitio para andar tipo cadelinha atrás de
ti, acompanhar-te em festas e coisas do género, muito menos sou capaz de estar
sempre disponível para quando precisares esteja lá, por exemplo quando
assumiste que namoramos em frente ao pessoal senti-me como um peixe se deve
sentir fora de água por momento senti até falta de ar e não foi por medo do
compromisso foi com medo de te perder, tenho medo de querer o universo quando
só devo ter a Terra - sorri ao ouvi-la - és demasiado importante para te perder para sempre, só eu sei o que
doeu estes anos todos de ausência, foram anos e anos sem ouvir a tua voz, sem
receber uma mensagem a desejar boa noite, sem ver o teu sorriso, sem sentir o
teu toque mas principalmente foram anos de espera, de desejos, de sonhos, de
tristeza, de saudade, de tudo o que possas imaginar e agora que estás aqui do
meu lado só de pensar que posso vir a passar por tudo novamente... - não a
deixei terminar colocando os meus dedos nos seus lábios.
- Não estás a dar-me
novidade nenhuma... sei bem que para ti não é fácil por isso mesmo é que não
fiz questão de assumir de imediato que namoramos, queria dar-te tempo para
assimilares tudo, para gerires as emoções porque acredita que a única coisa que
quero é construir uma vida em comum contigo pedra sobre pedra, é lógico que sei
que não será sempre fácil mas desde que sejamos sinceros um com o outro vamos
conseguir, Mariana não quero uma mulher perfeita mas sim uma mulher que goste
verdadeiramente de mim ou seja quero-te a ti com todos os teus defeitos, medos
e virtudes!
A Mariana não respondeu simplesmente enroscou-se no meu corpo e
apesar de estarmos na praia mantivemo-nos assim durante algum tempo, tanto que
só demos pelas horas passarem quando o Fábio mandou uma mensagem a perguntar se
nos tínhamos perdido, acabamos por gargalhar e só depois fomos ao encontro
deles.
- Então já vens mais
aliviado? - Ana perguntou assim que nos juntamos aos restantes - Que foi? Até parece que não queres só sexo!
- atirou sem o mínimo cuidado.
- O que quero ou deixo
de querer há muito que não te diz respeito - respondi ao deitar-me na
toalha.
- Ui tão politicamente
correcto que ele está... pena é não teres agido sempre assim!
- Mas afinal o que
queres?
- Nada... só acho piada
a essa vossa relação perfeita... só quero ver até quando dura!
- Dura o tempo que durar
e não tens nada que meter o bedelho - a Mariana falou pela primeira vez
desde que chegamos junto deles - Ana não
tenho culpa de namorar com o teu ex por isso espero sinceramente que te
comportes e não armes barraca nenhuma!
- Ui... como ela enche a
boca para falar que namora... oh Ruben abre os olhos antes que tenhas um par de
cornos!
- Chega! - a Mariana
elevou a voz o que provocou o riso cínico tanto na Ana como no Pedro.
- Calma Mariana...
afinal a Ana não disse mentira nenhuma... adoras uma boa foda mas daí a fazê-lo
sempre com o mesmo... não és mulher para te contentares só com um...
- Pedro... lá porque não
foste homem suficiente para segurares a minha prima e muito menos satisfazê-la
ao máximo não quer dizer que o Ruben não seja HOMEM, sim ele ao contrário de ti
não precisa de forçar nada, sou dele de livre e espontânea vontade tal como a minha
prima é do João... eles os dois sim são homens enquanto tu... não passas de um
rato de esgoto que se esconde atrás de outra ressabiada com a intenção de
estragarem-nos as férias só ainda não entenderam que por muito que tentem não
vão conseguir... o que une o meu destino ao do Ruben é o mesmo que une aqueles
dois que estão ali na água... é o AMOR que é coisa que vocês nunca sentiram por
parte dos respectivos! Ana, abre os olhos, esse daí só quer usar-te mas vendo
bem as coisas até gostas de ser usada... Sabes posso ter sido de muitos mas
sempre o foi de livre vontade, se fui usada por eles... sim fui mas e depois?
Se fui usada foi porque também usei... ah e não estou minimamente arrependida,
fiz o que quis e com quem quis para agora estar com a única pessoa de quem sempre gostei e
que também sente o mesmo por mim, tudo o resto são favas contadas!
- Não tens mesmo
vergonha na cara pois não?
- Não tenho motivos
nenhuns para sentir vergonha!
- Será que não? Nem
quando o teu passado vier para revistas e jornais? O que irá pensar a tua
família? Ou melhor o teu pai afinal pensa que tem a filha perfeita e quando for
a ver tem é uma galdéria.
- Juro que não entendo o
teu ódio por mim, Ana sempre soubeste que o que me ligava ao Ruben era
especial, já na nossa adolescência querias algo com ele e sempre levaste com os
pés, já não é segredo nenhum que foi comigo que o Ruben teve a sua primeira
experiência mas talvez penses que a iniciativa tenha sido minha no entanto não
foi, o Ruben é que procurou a oportunidade e o momento, se queres mesmo saber
foi perfeito e senti-me como nunca antes tinha-me sentido, sabes aquela
sensação de completa harmonia, de sentires o prazer de cada beijo, de cada
carícia, de te sentires única e completa... pois foi assim que me senti, o
Ruben é muito mais do que um objecto para sentir prazer, ele é o único capaz de
mudar alguma coisa em mim e garanto que por ele enfrento o mundo, logo
enfrentarei o meu pai como a restante família, se tiver que sofrer represálias
sofro-as porque no final terei o Ruben à minha espera disposto a reconfortar-me
e a relembrar-me em cada beijo e carícia o porquê que tive de passar por esse
calvário!
A Ana provavelmente teria respondido mas a chegada da Maria e
do João impediu isso mesmo até porque houve um “pequenino” pormenor que saltou
de imediato à vista da Mariana.
- Oh prima o que é que
fizeste ou melhor não fizeste aí ao primo?? É que pronto anda para aí uns
“levantamentos” um bocado estranhos!
Com a saída da Mariana desmanchamos-nos todos a rir, foi
inevitável não o termos feito perante a cara que ambos fizeram, só a troca de
olhares chegou para percebermos o quão animado foi o tempo que tiveram no mar
mas acabamos por não nos alongarmos muito nos comentários para não dar hipótese
ao outro de mandar alguma boca.
- Olhem lá... vocês as
duas que conhecem Faro de uma ponta à outra digam lá o que vamos fazer logo?
- Fabinho... queres ir à
procura de alguma vitima, é?
- Marianinha... sabes
como é... tenho essa necessidade - gargalharam os dois.
- Não seja por isso...
tenho o sítio indicado para irmos... é assim calminho e pode ser que te
safes...
- Hey... mas ficas desde
já avisado que lá para casa não vais! - manifestei-me de imediato o que
levou-os a rir.
- Fica tranquilo que
esta noite não serei empata - sorriu - vocês
sabem melhor do que eu!
- Fabinho... amor do meu
coração - só pelo tom de voz da Mariana adivinhei que vinha algo forte - o ditado diz empata fodas... mas no nosso
caso é mais empata amor - beijou-me - que
fica bem mais fofinho já para não falar que é o que se irá passar... -
enroscou-se ainda mais em mim.
- Ui... isto está
bonito... oh se está!
- Maria... priminha não
abras muito a boca ou terei que mencionar a actividade extrema em que andaste a
noite passada... sim porque no meu quarto fomos três a não conseguir dormir...
mas pior que isso foi ter partilhado casa tanto ano aqui em Faro contigo e
nunca ter percebido que afinal temos leoa na cama... hum... tá-me cá a parecer
que o problema não era teu...
Lógico que gargalhei perante a boca da Mariana principalmente
depois de ver o ar de chocada da Maria.
- É prima... tenho de
concordar com a Mariana... vocês ontem estavam numa de testar os alicerces lá
de casa!
- Oh seu camelo... desde
quando é que te dei autorização para me tratares por prima??
- Camelo é o senhor seu
namorado - a Mariana meteu-se.
- Ena prima... estás
mesmo enamorada - sorrimos - mas
tenho a dizer que adoro ver-te assim... calminha... sossegadinha... e
finalmente a ganhar juízo! - desta foi a vez da Maria e do João gargalharem
- É sabes que isto de
namorar com um menino da mamã disfarçado de diabinho tem destas coisas...
- Olha lá... estás a
colocar alguma coisa em causa? - fiz-me de ofendido!
- Nada... nadinha de
nada... se queres mesmo saber és como o vinho do porto quanto mais velho mais
apurado...
A Mariana não deu qualquer hipótese para lhe responder uma vez
que uniu de imediato as nossas bocas e em segundos as nossas línguas, desliguei
por completo no instante que senti o seu corpo em cima do meu, a Mariana ainda
teve o descaramento de nos tentar tapar com a sua toalha e assim continuar com
uma troca de mimos mais intensa, tive mesmo que interromper as intenções dela
ou ainda ficaria no mesmo estado que o João, no entanto a Mari achou por bem
manter-se sentada em cima de mim e uns segundos bastaram para que retomasse a
troca de mimos mas agora inocentes que duraram até sermos interrompidos pela
Maria ao anunciar que estava na hora de irmos embora.
- Vamos para o banho?
- a Mariana literalmente arrastou-me com ela assim que entramos em casa.
- Hey... isso é para
despachar que há mais gente a querer tomar banho! - a Maria refilou ao qual
a Mariana respondeu de uma forma muito “adulta” colocando a língua de fora.
- Ruben... Rubinho...
pára! - refilou assim que tentei algo mais - Fofinho... não temos tempo para isso!
- Fogo! Mariana ou é o
tempo que é curto ou é porque o Fábio resolve ir dormir para o nosso quarto ou
então porque não te apetece ou ainda porque meteste na cabeça que te tinha de
provar o que quer que fosse... caramba não achas que já estás a exagerar! -
a Mariana acabou por gargalhar - Ainda
gozas!
- Desculpa -
abraçou-me - mas ficas ainda mais cómico
assim stressado - beijou-me - Ruben
também quero... e sim também já ando a desesperar - sorriu - mas ouviste a minha prima e se demoramos
mais do que o suposto podes ter a certeza que ela é menina para vir bater na
porta...
- Tudo bem! Mas não sou
de ferro!
- Eu sei... oh se sei...
- suspirou - mas agora despacha-te!
Acabei por fazer o que pediu e despachamo-nos ainda assim
quando abrimos a porta tínhamos a Maria já pronta para fazer um “escândalo”.
- Priminha já tens a
casa de banho por tua conta... - a Mariana picou-a - por tua e do João...
A Maria não respondeu e por isso seguimos até ao quarto onde
nos vestimos para no fim dedicarmos algum tempo um ao outro e finalmente a sós.
Estávamos numa de namorar quando a Mariana resolveu dar numa de cozinheira e se
lembrar que tinha o jantar para fazer, acabei por acompanhá-la e até ajudá-la.
- Ui... morreu um burro!
- olhámos os dois para a Ana que mal entrou falou - Tu na cozinha? Epa essa é novidade!
- Tens algum problema
com isso?
- Não... mas tendo em
conta que enquanto namoramos nem uma torrada com um copo de leite conseguias
preparar... agora até o jantar fazes!
- Ana sabes que o amor
tem destas coisas! - atirei por já estar farto de a ouvir - E quanto mais depressa entenderes isso
melhor vai ser, não falo por mim ou pela Mariana porque está nítido que nos
estamos a borrifar para ti... falo por ti que já está mais do que na hora de
esqueceres de uma vez que algum dia nos envolvemos... faz um favor a ti própria
e parte para outro! Desencalha de uma vez! E se não for pedir muito desaparece,
regressa para Lisboa e deixa de atrapalhar!
- Ruben! Já chega! -
ouvi o Fábio e só aí é que percebi que tinha sido demasiado duro.
- Desculpa Ana -
falei ao vê-la de lágrimas nos olhos - mas
sinceramente começo a perder a paciência para as tuas infantilidades... entende
de uma vez por todas que finalmente a minha vida ganhou sentido, que namoro com
quem sempre quis e que julguei ser impossível, caramba gosto da Mariana e
espero sinceramente que encontres alguém que te faça feliz porque mesmo que a
minha relação com a Mariana não resulte nós nunca iremos ter mais nada... já
errei uma vez por isso garanto que não erro a segunda, nós somos só dois bons
amigos, apoiaste-me numa das alturas que mais precisei, é verdade que foste tu
que tiveste no meu lado quando a Mariana veio para cá mas nós não mandamos no
nosso coração e sabes perfeitamente que o meu nunca foi teu! E agora faz-me só
um último favor, a mim, ao resto do pessoal mas principalmente a ti... manda o
Pedro passear - aproximei-me dela - Ana
não te desejo mal muito pelo contrário por isso afasta-te daquele animal sem
escrúpulos, não sou parvo e já percebi que só o fizeste para atingires a Maria
talvez por saberes que seria a única forma de magoares a Mariana mas pensa bem
no que andas a fazer... só te estás a magoar a ti... abre os olhos... e de
certeza que encontrarás outro alguém disposto a amar-te!
- Ruben - a Mariana
chamou-me assim que a Ana saiu da cozinha - onde é que me perdi mesmo?
- Hã?
- Que indirecta foi essa
que deste à Ana? - sorri ao ouvi-la.
- Indirecta? Eu a pensar
que tinha sido mesmo directa!
- Continuo a apanhar
bonés!
- Esquece... -
beijei-a - depois falamos -
sussurrei por não querer que o Fábio ouvisse - e agora vamos lá acabar o jantar.
A Mariana já não insistiu e uns segundos depois ficamos
novamente sozinhos, estávamos já a terminar de colocar a mesa quando a Maria e
o João resolveram aparecer, ficamos os quatro à conversa e só quando estávamos
os seis é que começamos a comer. O jantar foi animado mas ainda assim rápido,
as raparigas estavam com a pedalada toda e pela animação deu para entender que
a noite seria longa.
Mariana
Confesso que fiquei surpreendida com a forma como o Ruben falou
com a Ana quando na cozinha tentou chatear-nos mais uma vez a cabeça mas fiquei
ainda mais curiosa com a indirecta que segundo o Ruben foi mesmo directa, não
tinha entendido o conselho que o Ruben deu à Ana e por isso voltei a perguntar
na primeira oportunidade que tive.
- Deixa de ser
curiosa... a seu tempo saberás!
- Agora tens segredos
para mim? - perguntei enquanto caminhávamos até ao bar.
- Não... mas é que não
passa de um palpite!
- Conta! -
coloquei-me diante dele impedindo que continuasse a andar.
- Se andares atenta
chegas lá!
- Atenta ando eu e até
demais... afinal abutres a quererem tirar-te um pedaço não faltam por aí -
gargalhou - ainda achas piada?
- Admito que nunca
pensei ver-te com ciúmes ainda mais por mim!
- É - suspirei - a vida dá mesmo muita volta! - sorriu e
aproveitou uma distracção minha para beijar-me - hum... anda! - puxei-o pela mão ao perceber que tínhamos ficado
para trás e quando chegamos ao bar vimos a Maria e a Ana abraçadas - parece que o abre olhos que deste à Ana já
começou a ter efeito!
- É... e se ela levar em
conta tudo o que lhe disse pode ser que daqui a uns meses esteja tão bem quanto
nós! - abraçou-me e foi assim que caminhamos até junto do pessoal.
Sentamo-nos todos numa mesa e por lá ficamos na conversa até ao
momento em que avisei que iria ao WC. No regresso à mesa que resolvi passar
pelo bar e pedir mais uma bebida, estava a curtir a música ambiente enquanto
esperava ser atendida quando alguém chamou-me à realidade tocando-me no ombro,
olhei para trás e encontrei alguém que já não via desde há uns anos.
- Oi - falei animada
ao mesmo tempo que o abracei e cumprimentei com dois beijinhos no rosto - bem à quanto tempo... o que é que foi feito
de ti? - estava mesmo contente por o ver, apesar de tudo as boas
recordações conseguiram apagar o pior momento da minha vida.
- Como sabes depois do
que nos aconteceu precisei de um tempo para colocar as ideias em ordem, andei
pelo mundo mas agora resolvi assentar e regressei para terminar o curso -
sorriu - foi quando descobri que as
primas Mendes tinham regressado a Lisboa.
- Eh né! É lá que temos
a família...
- E namorados! -
olhei-o surpreendida.
- Como é que sabes?
- Sinceramente... isso
nem parece teu... mesmo sério achas que regressas a Faro e que ninguém comenta
o facto da Mariana Gonçalves Mendes andar na área - gargalhei - ainda para mais quando chegas cá já
acompanhada...
- Estou a ver que andas
mesmo bem informado... foi o Pedro?
- Népia!
- Quem foi? Só estive
com ele!
- A Vanessa...
- Hã? Ainda nem sequer a
vi!
- Pois mas parece que
ela te viu a ti na praia algo animada com um desconhecido - gargalhei, só
mesmo aquela lunática para não ter reconhecido o Ruben.
- Podia ter implicado...
já tenho saudades daquela louca!
- Pois... se assim é...
podes matar saudades do nosso grupinho - sorriu - o pessoal está cá tudo!
- Bora! - abracei o
António sem segundas intenções mas a verdade é que depois de tudo o que
passamos ficamos ligados para sempre e agora que o tinha diante de mim só
pensei em matar saudades do meu amigo.
Caminhamos até à mesa onde estava o pessoal e como seria de
esperar “perdi-me” durante largos minutos à conversa com eles e só despertei
para a realidade quando recebi uma mensagem do Ruben mais seca que o deserto do
Saara a perguntar onde andava, no mesmo instante deixei o pessoal e regressei
para a mesa onde o tinha deixado.
- O Ruben? -
perguntei de imediato ao não encontra-lo.
- Não sabemos! -
responderam em conjunto.
- Como assim não sabem?
- Mariana ele estava
aqui mas bazou sem dizer nada!
Não insisti mais e fui à procura dele, percorri o bar de uma
ponta à outra mas não o encontrei, resolvi por isso ir até ao exterior daquele
espaço nocturno e foi lá que o vi.
- O que é que estás aqui
a fazer? - perguntei ao tentar abraça-lo mas o Ruben desviou-se - O que é se passa?
- Ainda tens o
descaramento de perguntar o que se passa? - olhei-o sem entender.
- Deixa-te de rodeios e
diz o que se passa!
- O que se passa é que
te vi toda animadinha agarrada a um gajo qualquer e depois ainda desapareces
este tempo todo! - sorri ao vê-lo ruído de ciúmes e antes que continuasse
com os disparates “curtei caminho” impedindo de falar.
- Ruben como só abracei
um gajo sei exactamente de quem falas - aproximei-me - é o António...
- António!? Aquele
que...
- Sim esse todo! Ruben
já não o via há anos...
- Ah... então agora que
o viste percebeste que tens muitas saudades dele e da porcaria que te fez!
- Estás a ser estúpido!
Ruben apesar de tudo o que passamos ficámos amigos e se queres mesmo saber
quando o António decidiu afastar-se de Faro, interromper os estudos e
“desaparecer” por esse mundo fora fiquei triste, ele era um dos meus
confidentes e amigo por isso não te admito que venhas agora ao fim de tanto ano
meter isso em causa!
Ruben nunca menti,
ocultei ou atirei areia para os teus olhos, sabes perfeitamente que dormi com
muitos e se vais fazer uma cena sempre que abraçar um deles o nosso namoro não
irá resultar. Tenho um passado que concordes ou não com ele é o que tenho, é
meu e não o posso mudar por isso compreende que não é por abraçar alguém que
estou a trair-te ou a ponderar fazê-lo, se estou contigo é porque gosto de ti e
não pelo simples prazer se assim fosse já te tinha dado o que tanto queres
- olhou-me - uma noite de sexo!
Foi incapaz de segurar as lágrimas, a desconfiança do Ruben
magoou-me mais do que alguma vez pensei ser possível e a falta da reacção dele
perante o meu desabafo ainda conseguiu melindrar-me mais, baixei o olhar e
virei costas com a intenção de regressar para junto dos meus amigos mas o Ruben
impediu-me ao segurar-me pela cintura para no instante seguinte sentir a sua
mão a desviar o meu cabelo do ombro direito onde acabou por colocar o queixo.
- Não tinha o direito de
agir assim - suspirou - mas o que é
que queres - virou-me para ele - só
a ideia de te aproximares de outro mexe comigo e não é por falta de confiança
em ti - olhei-o - mas é que ter a
consciência que outros já te tiveram como te tenho mexe comigo! Sim tenho
ciúmes mas o medo de te perder para qualquer um deles é muito maior que os
ciúmes, Mariana quando te vi abraçada a outro fiquei inseguro - sorri ao
ouvi-lo por momentos relembrei as imensas conversas que tive com o Ruben sobre
as inseguranças dele - a sensação que
tive é que tinha regressado ao passado e que era novamente um puto acanhado e
sem saber o que fazer!
- Oh... tadinho dele...
um puto acanhado e sem saber o que fazer - abracei-o - engraçado... não é essa a última lembrança que tenho de ti -
beijei-o serenamente - sabes... que
acanhado foi coisa que não foste na noite do baile... naquela que foi a
primeira de muitas que nos tão reservadas! - apertei ainda mais o abraço,
precisava de senti-lo bem junto de mim - Ruben
durante estas semanas irás conhecer alguns dos meus amigos e amigas aqui de
Faro e se te deixar mais sereno não tenho qualquer problema em esclarecer-te
com quem fui ou não fui para a cama mas garanto que quase todos aqueles com
quem me envolvi hoje têm namorada e tal como eu estão felizes, Rubinho quero
que esqueças essas inseguranças porque não tem razão de ser!
O Ruben prometeu que iria tentar e ainda ficamos uns minutos na
esplanada a curtir a música ambiente e a namorar mas acabamos por regressar
para junto dos nossos amigos. Foi no exacto momento em que chegamos junto do
pessoal que começamos a ouvir os primeiros acordes de uma música e uns segundos
bastaram para sentir os braços do Ruben a rodearem a minha cintura.
- A menina dá-me o
prazer desta dança? - sussurrou-me ao ouvido.
- Endoidaste foi? -
voltei-me para ele e sorri ao ver a sua cara - já chegou a noite do baile... os meus pés sofreram tudo o que tinham
para sofrer nessa noite!
- Shiu... anda lá!
Foi impossível recusar tal pedido, aquela era a nossa música, a
última que dançamos no baile de finalistas e que foi o mote para o que se
passou a seguir, deixei-me levar ao som da letra mas acima de tudo pelo Ruben,
ele ao contrário da noite do baile estava a dançar perfeitamente pelo menos não
senti pisadela nenhuma e confesso que tê-lo tão perto de mim mas acima de tudo
sereno, sem se importar com o facto de estarmos a ser o centro das atenções fez
com que desligasse completamente, naquele momento éramos só nós, dancei vidrada
nele, os nossos olhares mesmo que quiséssemos não descolariam um do outro.
Ainda a música ia a meio e já estava com as lágrimas nos olhos, sim senti-me
novamente uma adolescente em fase de descoberta ao ponto de ter simplesmente
anulado por completo os milímetros de distância que nos separavam e ter fechado
os olhos, deixando as lágrimas caírem e aproveitando assim todos os segundos
daquele momento vivido a dois mas presenciados por várias pessoas.
A música terminou e o momento de regressar à realidade chegou no
entanto mantive-me sempre o mais próxima possível do Ruben, aliás foi mesmo
quando o estava a beijar que o António chegou por trás de mim e implicou.
- Ah agora está
explicado! Fugiste da malta para vires para a boa vida! - gargalhei e
depois vi o António a cumprimentar a Maria que ficou surpreendida por o ver.
- Oh paixão - o
António olhou-me - quero apresentar-te o
Ruben - sorri ao ver o ar misterioso do meu amigo - Ruben é o António! percebi o esforço que o Ruben fez para não
demonstrar o desagrado dele ainda assim cumprimentou o meu amigo.
- Mari... - olhei
para o António - assim só por mero
acaso... aí o Amorim é sinónimo de
Rubinho? - gargalhei.
- Fogo... já fui
apanhada!
- Oh rapariga... só se
fosse muito cego é que não percebia... - o Ruben olhava-nos algo confuso - afinal o brilho que tens no olhar é o mesmo
com que ficavas sempre que falavas do teu Rubinho daquele que sempre foi o
responsável por nunca teres conseguido assentar!
Sorri perante a dedução do meu amigo e ainda ficamos uns
minutos à conversa sempre sob o olhar atento do Ruben mas fomos interrompidos
ou não fosse o pessoal que estava com o António também se ter aproximado, o que
resultou em alguns momentos cómicos quando a malta começou numa de relembrar os
tempos da faculdade. Mas se eu e a Maria nos divertimos, os rapazes ficaram de
cabelos em pé ou não fosse em menos de duas horas terem descoberto o que
andamos a fazer por Faro, desde os momentos ditos sérios ou seja as noitadas a
estudar e aqueles de pura loucura que aconteciam sempre depois de mais um exame
feito ou então só porque nos apetecia.
A noite vai animada mas será que termina bem?
Uau brutal!
ResponderEliminarEsses ciumees!
Quero mais beijinhos!
ResponderEliminarNão sei porque mas estou cá com a ideia de que não termina bem.
ResponderEliminarAdorei lindas....
ResponderEliminarPróximo rápido....
Quero mais.bjs
ResponderEliminarAmei! (Mas há algum capítulo vosso que eu não ame??)
ResponderEliminarQuero mais. Cá para mim essa noite ainda promete...
Beijinhos
Olá :)
ResponderEliminarTenho andado desligada da net e já não lia a muito :s
Mas o que posso dizer destes ultimos capitulos ??
AMEI <3
Beijinhos
Lindo, para não variar... mas cá pra mim... o Ruben em toda razão no que disse lá em cima... essa noite ainda vai ser bastante longa... espero que eles não tenham surpresas ruins :S
ResponderEliminarContinuem, please *-*
Beijinhos. GabiiS.
Espero que a noite seja longa (:
ResponderEliminarBeijinhos
Vocês conseguem sempre surpreender!
ResponderEliminarEstá lindo.
Espero que postem rapidinhoooo
Beijinhos!
Lindo! Tá melhor a cada capítulo que passa.
ResponderEliminarAi os ciumes, porque é que eles tinham que ir de férias para Faro? se fosse para outro local evitavam estas cenas, mas por outro lado acabam as desconfianças e ficam a saber o que as M&M andaram a fazer nos seus tempos de estudantes. A noite vai mesmo ser longa, só espero que os homens resistam a tanta revelação.
Beijocas
Fernanda