quinta-feira, 1 de novembro de 2012

026 - "...não dá mais para continuar afastada de ti..."

(Ruben)

Desde que a Mariana revelou que tinha sido completamente inconsciente no passado nunca mais estivemos juntos, aliás evitei sempre qualquer contacto mesmo que esse fosse por telemóvel, algo que ela acabou por respeitar até ao momento que descobriu da minha operação.
Confesso que custou-me os quinze dias de afastamento mas precisei deles para colocar as ideias em ordem e apesar de continuar ressentido com ela por ter descoberto daquela forma o calvário que passou por ser inconsciente quando a vi entrar no quarto daquele hospital uma parte de mim ficou feliz mas a revolta depressa tomou conta de mim e falei o que não queria no entanto a Mariana teve uma calma enorme e talvez por isso não nos chateamos a sério.
A Mariana acabou por se despedir quando a minha família entrou, estive alguns minutos à conversa com eles mas depois pedi para saírem queria descansar mas acima de tudo pensar no que a Mari falou, não consegui chegar a conclusão nenhuma e acabei por adormecer para acordar de manhã animado por saber que iria regressar a casa.
A minha mãe ajudou-me a vestir e quando já estava despachado e com a alta dada pude finalmente deixar o hospital, a meu pedido fomos para a minha casa apesar da minha mãe querer ir para a sua acabou por fazer-me a vontade quando argumentei que sentia-me melhor no meu “habitat natural”.
Estava no quarto sozinho e foi impossível não recordar as palavras da Mariana quando foi ver-me, ela do seu jeito admitiu que não lhe sou indiferente e a verdade seja dita o sentimento é recíproco ainda assim o receio de magoar-me novamente estava a impedir-me de tomar uma atitude por isso mais uma vez “fugi” ao que sinto e distraí-me a ler um livro até ser interrompido pela entrada da Mari no quarto.

(Mariana)
Cheguei a casa do Ruben mas não consegui tocar imediatamente à campainha, fiquei uns minutos no carro a pensar no que iria dizer-lhe mas desisti quando percebi que podia ficar ali o resto da noite que não iria conseguir encontrar as palavras certas por isso ganhei coragem e fui ver se estava em casa.
- Boa tarde - cumprimentei a mãe do Ruben assim que abriu a porta - como é que ele está? - perguntei imediatamente afinal foi para saber do Ruben que passei pela casa dele.
- Está mais conformado mas ainda continua chateado.
- É compreensível afinal esta época é para esquecer.
- Pois... mas vai até ao quarto dele pode ser que o consigas animar.
- Duvido... - a Anabela sorriu-me.
- Tem paciência com o Ruben, ele até pode refilar e mandar-te embora mas no fundo sei que te quer do seu lado - olhou-me - sempre quis...
- O que é que quer dizer com isso?
- Mariana - sorriu - apesar do Ruben nunca o ter admitido nem no passado e muito menos no presente sei bem que és uma amiga especial para ele, vocês já em adolescentes tinham uma ligação muito forte e agora com o vosso reencontro não só a retomaram como ainda reforçaram mais essa vossa amizade especial - sorriu novamente.
- Bem... vou ter com ele - perante a insinuação da Anabela senti a necessidade de esquivar-me algo que deve ter entendido porque não me impediu de seguir caminho.
Cheguei à porta do seu quanto e ao olhar para dentro viu-o entretido a ler um livro, bati na porta e assim que os nossos olhares se cruzaram um ligeiro sorriso apareceu no rosto do Ruben, achei estranho mas aproximei-me da sua cama.
- Entra - falou ao fechar o livro colocando-o na mesa de cabeceira do seu lado direito.
- Como é que estás? - perguntei para depois o cumprimentar com dois beijos no rosto.
- Preso nestas quatro paredes - falou desanimado - à espera que os dias passem...
- Hey... que desanimo é esse? Ruben compreendo que não gostes desta situação mas tens de pensar positivo e concentrares-te na recuperação - olhou-me - para daqui a uns meses poder ir ao estádio e ver-te a jogar - sorriu ligeiramente - já para não dizer que daqui a uns dias quero o meu Ruben de volta - olhei-o bem no fundo dos seus olhos - não dá mais para continuar afastada de ti, dói saber que precisas de todo o apoio e que por um erro meu que não revelei imediatamente o calvário que atravessei no passado estás magoado comigo.
- Obrigado!
- Estás a agradecer o quê?
- O facto de estares aqui depois de ontem não ter sido propriamente simpático contigo - suspirou.
- Esquece porque já esqueci...
- Já mesmo?
- Sim mas porquê?
- Mariana... - hesitou - ontem sei que fui um bocado bruto na forma como falei mas quero que saibas que não guardo ressentimento pelo que se passou há uns anos, confesso que na altura doeu mas a verdade é que sempre foste sincera e nunca prometeste nada, aliás sempre foste muito transparente ao afirmares que não querias prender-te a ninguém e quanto ao que revelaste sim fiquei chateado por saber daquela forma mas também já percebi que não deve ser fácil para ti falar do assunto e que muito provavelmente só o fizeste porque estávamos naquela onda de revelarmos algo que mais ninguém sabia.
- Ruben a tua mãe disse-me uma coisa que faz todo o sentido - sorri ao vê-lo na expectativa - ela afirmou que  apesar de nunca o teres admitido que sabe que a nossa amizade sempre foi especial e desde que regressei que nós a reforçamos ainda mais - olhei-o por segundos - o que não deixa de ser verdade, nós estamos muito mais próximos e o que te disse ontem não foi da boca para fora - suspirei - estou confusa... se por um lado quando olho para ti vejo o amigo com quem sei que posso contar sempre mesmo que fique uns anos sem te ver por outro sinto uma atracção enorme, não sei se é isto que as pessoas apelidam de estar apaixonada... só sei que nunca o senti por nenhum rapaz o que sinto quando estou contigo, quando nos envolvemos ou mesmo quando estamos assim como agora simplesmente à conversa... - desviei o assunto para o que queria mesmo esclarecer uma vez que a revelação essa já estava mais do que arrumada.
- Não tenho como negar que és especial, que gosto de estar contigo e que foi por isso que reagi tão mal ao ouvir aquilo que contastes mas apesar de sentir-me bem quando nos envolvemos não quero compromisso nenhum - pegou na minha mão - neste momento pretendo dedicar-me inteiramente à minha recuperação... sabes que ficar privado de fazer algo que é como um balão de oxigénio para mim fez-me perceber que há muito mais para além de levar raparigas para a cama.
- Na boa - sorri - também não vim cá à procura de mais do que amizade - olhei-o - até porque a bem da verdade não estás propriamente apto para grandes “voltinhas”...
- Voltinhas... estamos muito engraçadas - gargalhou - vê lá se não engoles essas palavras uma por uma daqui a umas semanas...
- Não corro esse risco... afinal somos SÓ amigos - piquei-o.
- Há sempre uma ou outra excepção à regra...
- Muito me contas - sorriu.
- Não falei mentira nenhuma...
- Pois... sabes muito mas quem falou que a nossa amizade vai ser igual à que tens com a Maria foste tu!
- Ah... isso deve ter sido por estar sob o efeito da anestesia - sorriu - afinal uns beijinhos de vez em quando não fazem mal a ninguém...
- É, é... não te metas com ideias!
- Porquê? Não serias capaz de fazer essa boa acção... nem por um acamado?
- Não... até porque quanto sei não estás acamado, podes e deves levantar o cu da cama!
- Ya... levanto da cama para o sentar na cadeira de rodas e depois no sofá... sim porque o sofá da sala é o sítio mais longe que posso ir.
- Estás a ser parvo! Ruben nada te impede de saíres de casa, tanto quanto sei desde que não abuses podes ir muito bem apanhar ar!
- Ya... e vou dar esse gosto aos jornais... já estou mesmo a imaginar as manchetes.
- Já estiveste a falar melhor... deixa de ser picuinhas! E desde quando é que ligas ao que escrevem sobre ti? Ruben, foste operado e estás em recuperação dentro de umas semanas já estás de pé novamente.
- Fogo mas não gosto de estar fechado em casa apesar de ter cá a minha mãe isto está a ser uma seca e ainda só cá estou à umas horas... - suspirou - não estou habituado a estar dependente de ninguém e muito menos a estar sem fazer nenhum porque mesmo que vá arejar as ideias continuo sem poder fazer grande coisa...
- Compreendo o que queres dizer mas não tens outra solução que não ser esperar que esta primeira fase passe.
- Isso não serve de grande consolo!
- Hum... e amanhã se vier cá para dar uma volta contigo no final do dia já ajuda?
- Não quero estar a dar trabalho e se for para ir dar uma volta a minha mãe também vai comigo.
- Ah é sempre bom saber que dispensas a minha companhia assim...
- Oh não é nada disso... mas tens a tua vida.
- E?
- E não tens obrigação de andar a passear-me!
- Deixa de ser parvo... primeiro não é uma obrigação e segundo não estou a fazer nada que não fizesse por outro amigo qualquer mas se não queres tudo bem ficamos mesmo por casa.
- Estás a informar-me que vou ter que levar contigo de qualquer forma, é?
- Ahhh... o teu problema é mesmo teres que levar comigo... não seja por isso vou já embora - por saber que estava a brincar entrei na onda e fingi um amuo - xau! - tentei levantar-me mas o Ruben puxou-me pela mão.
- Fica... estava a meter-me contigo - sorri ao ouvi-lo - sabes que não resisto em atrofiar contigo... - fez-me uma carícia no rosto.
- É agora dá graxa!
O Ruben respondeu-me e iniciou-se assim mais uma troca de palavras animadas o que contribuiu para darmos algumas gargalhadas que só foram interrompidas pela entrada da mãe do Ruben no quarto.
- Precisa de alguma coisa? - o Ruben questionou-a ao vê-la a olhar para nós.
- Vim perguntar se a Mariana janta connosco.
- Aceitas? - o Ruben perguntou imediatamente.
- Pode ser... assim janto com companhia uma vez que a minha prima não deve estar em casa! - a Anabela retirou-se deixando-nos novamente sozinhos.
- Pois este mês é complicado para ela.
- Ya... anda louca - o Ruben gargalhou - e mete qualquer um também doido.
- Olha o João não se queixa...
- Pois... mas está cá a parecer-me que ao João ela recompensa de outra forma...
- Quando é que será que eles assumem de uma vez que estão juntos?
- Não sei mas desde que estejam bem o resto não interessa.
O Ruben concordou comigo e continuamos à conversa até sermos novamente interrompidos pela Anabela que veio avisar que o jantar estava pronto, o filho ainda atirou o “barro à parede” para a mãezinha lhe trazer o comer à cama mas não deixei.
- Nem penses... vais sair dessa cama e jantas connosco à mesa!
- Olha lá a minha mãe é aquela senhora que está ali...
- Então e depois também não quero ser tua mãe! - sorri vitoriosa - Além disso a cama tem que arejar e pronto confesso que jantar sem o palhaço de serviço não tem a mesma piada!
- Engraçadinha!
- Vá anda lá que ajudo-te - fui buscar a cadeira para que o Ruben se conseguisse sentar nela.
- Olha lá... tens carta para conduzir veículos de duas rodas? É que pronto... não quero morrer hoje!
- Fica descansado que não te mato... até porque se o faço depois não tenho com quem brincar! - o Ruben olhou-me e sorriu, o que foi suficiente para nos termos perdido durante alguns segundos um no outro e quando regressamos à realidade tínhamos a sua mãe a olhar-nos de sorriso no rosto - Vamos?
- Ya bora!
Empurrei a cadeira até à mesa e quando o Ruben já estava devidamente instalado sentei-me do seu lado com a sua mãe à minha frente, jantamos com alguma conversa de circunstância e no fim ainda tentei ajudar a Anabela a limpar a cozinha mas fui dispensada de tal tarefa o que fez com que ficasse com o Ruben.
- Ajudas-me a regressar ao quarto?
- Ao quarto? Só podes estar doido... vamos mas é até ao sofá!
- Não me apetece e além disso tenho que esticar as pernas.
- Se o problema é esticares as pernas tens muito espaço no sofá...
- Prefiro a cama!
- E eu prefiro o sofá... como precisas de ajuda... vais para onde quero e acabou a conversa!
- Vais mesmo dar numa de mãe, é?
- Se for preciso dou, tens dúvidas, é?
- Não - sorrimos - vamos então.
Ajudei-o e quando já estava devidamente “instalado” no sofá fui até à cozinha a pedido do Ruben para buscar gelo para colocar nos joelhos e só depois de lhe entregar o mesmo é que sentei-me do seu lado.
- Vais ficar mesmo a fazer de ama? - olhei-o
- Não queres? Preferes ficar só com a mãezinha, é?
- Não... a companhia da mãe é boa mas confesso que a tua é bem melhor - o Ruben virou a cara para o meu lado enquanto falava o que fez com que ficássemos com os rostos próximos uma vez que estávamos sentados lado a lado e sem espaço nenhum a separar-nos - mas deves ter coisas para fazer...
- Ya... servir de ama a um amigo que é pior que criança... rabugento como só os miúdos sabem ser!
- A sério Mariana se tiveres que ir embora vai depois a minha mãe ajuda-me a regressar ao quarto.
- Deixa de ser teimoso se estou aqui é porque quero - afirmei convicta e talvez por isso o Ruben vacilou e reduziu ainda mais a distância que separava os nossos lábios mas no momento que ia uni-los - o que achas de vermos um filme para passar o tempo?
- Pode ser - falou agora já mais afastado - escolhe o que queres ver.
- Hum... tens algum que ainda não viste?
- Os da prateleira de cima ainda não vi.
- Ok.
Escolhi o filme e quando ia a sentar-me o Ruben pediu só para ir buscar uma manta que estava com frio, fui até ao seu quarto e quando regressei ocupei o lugar vago ao seu lado, colocando a manta sobre as nossas pernas.
O filme era de acção mas isso não impediu que uns minutos depois deste começar o Ruben tenha colocado a sua mão na minha perna, olhei-o pelo canto do olho e vi que sorria, não resisti e coloquei a cabeça no seu ombro, estávamos tão concentrados no filme que nem demos pela entrada da Anabela, só mesmo quando falou é que percebemos que já não estávamos sozinhos.
- Filho vou aproveitar que a Mariana está cá para ir até casa, pode ser?
- Sim... mesmo que ela vá embora deixa-me no quarto! - a mãe dele gargalhou o que deixou-me ligeiramente incomodada e o Ruben ao perceber sorriu.
- Agora nós... tinhas mesmo que falar que te deixava no quarto? - refilei assim que ficamos a sós.
- É mentira? Serias capaz de deixar-me aqui à espera da minha mãe e ir embora?
- Não mas era escusado afirmares tal coisa!
- Não sei onde está o mal... não falei nada de especial!
- Lá porquê... a tua mãe nem gargalhou nem nada!
- Deixa-te de coisas.
- A tua mãe ficou a pensar coisas que não são verdade caso contrário não teria gargalhado daquela forma.
- Nunca pensei que ficasses incomodada com o que a minha mãe pode pensar - sorriu enquanto colocava o seu braço por trás das minhas costas - além disso comigo neste estado não podemos fazer nada de extraordinário...
- Sabes que quando se quer muito uma coisa arranja-se sempre forma de o conseguir.
- Não provoques!
- Ah estou a provocar? Essa é boa... tanto quanto sei não fui eu que coloquei a minha mão na tua perna e muito menos te abracei!
- Au... essa doeu! - sorriu.
- É para veres se aprendes - olhei-o - Ruben posso ser muita coisa mas não sou um brinquedo nas tuas mãos, isto de dizeres uma coisa para umas horas depois já ser o oposto não dá para mim ou bem que andamos neste chove não molha ou então seremos só amigos mas agora ser ao sabor dos desejos do menino não dá porque não vou andar nesta indecisão.

(Ruben)
Desde que tive a confirmação que seria operado que tenho andado impossível de aturar, tenho noção disso mas ainda assim não o consigo evitar, tão depressa quero uma coisa como logo depois quero o inverso e a Mariana tem sido vítima disso mesmo, primeiro quando foi visitar-me ao hospital e hoje quando veio ter comigo. Houve uma parte de mim que queria mais, muito mais mesmo, mas havia outra que não deixou que acontecesse, talvez por ter consciência que estamos a entrar por um caminho perigoso, a Mariana já confessou que já não sabe aquilo que sente por mim e antes que esta brincadeira destrua a nossa amizade resolvi esfriar as cenas, no entanto custa-me estar tão perto dela e não procurar por mais talvez por isso quando a Mariana pediu para decidir-me entre continuarmos no chove não molha ou sermos só amigos acabei por ir pelo caminho mais fácil e fugi com o “rabo à seringa” ao desviar o assunto.
A Mariana não insistiu e ficamos a falar numa boa até ter pedido ajuda para regressar ao quarto, queria deitar-me algo que ela percebeu. Já estava devidamente instalado na cama quando a minha mãe regressou e assim que a Mariana percebeu que já não estava sozinho despediu-se e foi embora.
Os dias que se seguiram passei-os em casa sempre com alguém por perto e com visitas constantes do pessoal, principalmente da Mariana que fez questão de passar todos os dias pela minha casa, o que muitas vezes servia para melhorar o meu humor, afinal a Mari tem um efeito estranho em mim, com ela do meu lado parece que esqueço tudo o resto, conseguimos ficar horas à conversa sem darmos por isso.

****

Estava sozinho porque a minha mãe teve que ir ao SPA quando ouvi a porta a abrir e por achar que seria ela nem olhei mas bastou uns segundos para perceber que quem tinha entrado foi a Mariana, afinal o toque das suas mãos reconheceria em qualquer lugar.
- Oi - sorri ao vê-la sentar-se do meu lado - tudo bem?
- Tudo mal... - olhei-a - o que é que o menino está a fazer assim vestido a uma hora destas?
- Qual é o mal de estar de foto de treino?
- O mal não é nenhum mas vais assim aos anos da Maria?
- Já avisei a tua prima que não vou!
- E porquê que achas que estou aqui? Caso não saibas já a tive a aturar por tua culpa... digamos que encarregou-me de vir buscar sua excelência porque segundo a Maria sou a única que consigo arrancar-te de casa e como exige a tua presença não tens outra solução que não a de compareceres.
- Não me apetece ir!
- Olha a Maria que não te oiça a dizer isso que fica chateada e com razão - olhei-a novamente - afinal porquê que não vais?
- Só vou dar trabalho - desviei o olhar para a cadeira - e estou sem grande disposição para festejos!
- Estás a ser parvo primeiro porque não dás trabalho nenhum e segundo deixa-te de tretas porque não vai ser festa nenhuma, é só um jantar a quatro.
- Esquece... a minha mãe não está cá e hoje ainda não tomei banho!
- Não seja por isso - olhei-a - vá senta lá o cu na cadeira - ordenou quando já a tinha ido buscar e colocado ao lado do sofá de modo que conseguisse sentar-me - que não tens nada aí que não conheça por isso posso muito bem ajudar-te!
- Nem penses!
- Porquê? Estás com medo que tire algum pedaço, é?
- Não vais mesmo desistir pois não?
- Queres mesmo que responda? Senta mas é o cu na cadeira que quanto mais depressa fores para o banho mais depressa chegamos ao jantar.
Acabei por acatar a ordem dela e sentei-me na cadeira, a Mariana empurrou-a até à casa de banho do meu quarto e ajudou-me a despir-me para logo depois auxiliar-me no duche. Estava a meio do mesmo quando a porta abriu e a minha mãe ao ver-nos juntos saiu-se com uma que não esperava de todo.
- Ah... afinal já aranjaste enfermeira melhor que a mãe ou será que devo dizer namorada?
- Mãe! - refilei ao ver a Mari ligeiramente incomodada.
- Ruben não falei nada de especial... só disse a verdade que está aos olhos de todos mas que vocês teimam em negar, além disso não parecem nada incomodados com a situação...
- Mãe pode sair se faz favor?
A minha mãe sorriu mas fez o que pedi no entanto ainda teve tempo de perguntar se jantava, avisei-a que não e quando finalmente saiu olhei para a Mari.
- Desculpa - respirei fundo - não sei o que é que deu à minha mãe para dizer aquilo.
- Não é difícil adivinhar o que lhe passou pela cabeça mas também não vou ficar a remoer nisso... nós somos só amigos.
- Amigos? - olhou-me - Só se for íntimos porque não deixo mais nenhuma amiga minha ajudar-me na minha higiene...
- Também não ias com mais nenhuma amiga tua para a cama... - atirou sem demoras e foi impossível não sorrir - pára de rir que temos que nos despachar!
- Então passa aí a toalha - pedi e depois de limpar a água que escorria do meu corpo regressamos ao quarto, onde a Mari escolheu a minha roupa porque segundo ela se não o fizesse demoraríamos mais uma eternidade e depois ajudou-me a vestir - sabes que era capaz de habituar-me a isto...
- Hã?
- Era capaz de habituar-me à tua ajuda!
- Deixa-te de balelas e vamos embora que a Maria já nos vai lixar a cabeça!
Não insisti no assunto mais tarde voltava à carga porque se é verdade que lhe disse que não queria nada para além da amizade também é verdade que nestes dias tenho pensado imenso na Mariana e em como poderá resultar se ambos assim desejarmos, no entanto esta será uma conversa para ter com tempo e não com pressa. Saímos do meu quarto e ao passarmos pela sala encontramos a minha mãe que ao ver-nos sorriu.
- Mãe não espere por mim que não sei a que horas regresso.
- Mas precisas de ajuda quando chegares.
- Não se preocupe que quando trouxer o Ruben ajudo-o.
- Sendo assim vou dormir a casa - olhou-nos - filho amanhã queres-me cá a que horas? - notei um certo tom de gozo na voz da minha mãe e por isso respondi de imediato.
- Há hora que costumo levantar-me e agora temos que ir!
A minha mãe já não abriu mais a boca e a Mariana aproveitou para se despedir dela, para logo de seguida empurrar a cadeira até ao elevador, descemos até à garagem e depois de estar devidamente sentado no seu carro seguimos viagem até à casa das M&M’s.
Chegamos ao nosso destino rapidamente afinal não havia transito e depois de nova ajuda consegui sentar-me na cadeira, mais uma vez a Mariana empurrou a mesma e depois de subirmos de elevador entramos finalmente em casa dela.
- Que silêncio... - comentei por achar estranho afinal o João já lá estava pelo menos o seu carro estava na garagem.
- Devem estar na cozinha e por isso não os ouvimos mas vamos até à sala que já os vou procurar.
Acabei por concordar com a Mari e por isso assim que entramos na sala deparamo-nos com algo que apesar de já sabermos não deixou de ser surpresa.

O que terá acontecido?

8 comentários:

  1. Adorei adorei adorei.bjs

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  2. Adorei!!! Continuam
    Quero muito saber o que eles viram...
    Beijinhos as duas

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  3. Olá meninas :D
    Adorei o capítulo! Espero que o Ruben e a Mariana se resolvam de uma vez :p
    Agora estou muito curiosa para saber o que aconteceu :o
    Quero mais ;)
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  4. he he he
    Que fofinhos que eles andam!
    Fartei-me de rir com a parte da Anabela. lol
    Adorei
    Bjs

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  5. Olá
    Bem isto está cada vez melhor! :D
    Quero é sabes o que terá acontecido !
    Postem rapido sim?
    Beijinhos
    Rita

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  6. fabuloso...

    quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...

    continua...

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  7. Olá :)
    Gostei MUITO x)
    Já desconfio o que eles viram :p
    Quero o próximo ;)

    Beijinhos

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  8. Prometi que ia atualizar a leitura e por isso faço questão de comentar cada capitulo.
    Isto é que é uma verdadeira amizade, é o que se chama "amiguinhos do peito", até dá banhinho ao menino e tudo, muito bem, adorei. Este jantar promete...
    Beijocas

    Fernanda

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