(Mariana)
A melhor coisa que podia ter-me acontecido foi a vinda do
Rodrigo para Lisboa, ele junto com a minha prima são as pessoas que mais sabem
da minha vida. Nós temos passado bastante tempo juntos, o Rodrigo continua lá
em casa mas agora já andamos à procura de um apartamento para se mudar, algo
que os rapazes ainda não sabem, porque pedi por tudo para a Maria não comentar
com o João, não queria que o Ruben ficasse a saber, se quer informações da
minha vida que venha directo à “fonte”.
O clima entre nós tem andado estranho se por um lado falo com o
Ruben como se fosse um amigo comum por outro sempre que partilhamos o mesmo
espaço a vontade de o puxar para um canto e resolver tudo é enorme.
Hoje e ao contrário do que tinha falado com o João não iria ter
o meu amigo do meu lado, o Rodrigo cortou-se à última hora, só não sei se foi
de propósito para que resolva de uma vez as cenas com o Ruben ou se tem mesmo
companhia durante a noite para “temperar o corpo”.
Cheguei à casa do João já muito depois da hora combinada e por
isso quando entrei verifiquei que fui mesmo a última, cumprimentei o pessoal
com um “boa noite” geral deixando os beijinhos só para o aniversariante, no
entanto percebi que o Ruben estava a observar-me, ignorei e tive com ele o
mesmo comportamento que tive com os restantes amigos, falei numa boa mas sem
grandes conversas, esquivei-me sempre que pude e para isso andei constantemente
a fugir dele, algo que a minha prima percebeu.
- O que é que se passou
para o Rodrigo não vir? - perguntou-me quando teve oportunidade.
- Arranjou companhia...
sabes como é... o nosso amigo já andava a desesperar - gargalhamos
despertando a curiosidade dos presentes - que
não consegui segurá-lo.
- Ainda bem... -
olhei-a sem entender o que quis dizer -
afinal é bom para o nosso amigo e espero que seja para ti - desviou o olhar
para o Ruben - e para aquele que está
ruído apesar de não admitir!
- Não quero saber... já
falei que o Ruben é só um amigo, nós os dois juntos não funcionamos!
- Prima... não digas
isso - olhei-a - se estavas disposta
a tentar é porque o Ruben não é só mais um.
- Sabes que não basta
amar... é preciso ser amada!
A Maria teria respondido mas o João aproximou-se e logo depois
fomos para a mesa, o jantar estava a ser animado até ao momento que a Ana
resolveu meter-se comigo.
- Oh Mari ouvi dizer que
tens amigo novo?
- Novo? Não é... se
queres mesmo saber é um ano mais velho do que eu!
- Deixa-te de cenas...
mas estás com problemas em apresentá-lo ao pessoal?
- Não, aliás o Rodrigo
já conhece quase todos... não tenho a culpa de andares assim tão ocupada que já
não consegues sair com o pessoal!
- Oh... mas hoje vim e
sempre pensei que o trouxesses afinal andam tão amigos...
- Onde é que queres
chegar?
- Estou só curiosa para
conhecer a tua mais recente vitima - sorriu cinicamente.
- Não tens nada com o
assunto mas aproveito para deixar esclarecido a todos que a minha relação com o
Rodrigo é estritamente de amizade! - o Ruben gargalhou ao ouvir-me - Que foi? - perguntei-lhe directamente.
- Nada... nada... só
achei piada à anedota que acabaste de contar!
- Desculpa?
- Mesmo sério achas que
a malta acredita que não lhe saltaste já para cima? Logo tu que não perdes uma
boa oportunidade? E convenhamos que com ele a dormir no teu quarto
oportunidades é coisa que não faltam!
- Ruben se o exame fosse
só teórico tinhas acabado de passar... afinal estás bem informado pena é que na
prática a coisa não funciona assim...
- Ui... vais dizer que
andas a fazer celibato??
- Não tens nada com o
assunto... mas as oportunidades que falas só existem na tua cabeça!
- Hoje estás mesmo numa
de nos fazeres rir, só pode! Admite de uma vez que tens andado ocupada com ele!
- Ya... tenho andado tão
ocupada com ele que o Rodrigo só tem olhos para ti... sim ele gosta do mesmo
que eu... de TI! - a Maria gargalhou fortemente ao ver a cara do pessoal e
o meu desplante - e se queres um
conselho devias experimentar... talvez com ele consigas assumir um compromisso
sem recuares quando te perguntarem se namoras com ele ou depois de afirmares
que o amas! É que acredito cada vez mais que essa tua macheza é só para “inglês
ver”
O pessoal calou-se todo se até aqui ouvia-se uns cochichos no
momento que terminei de falar já estavam todos a olhar para mim e para o Ruben.
- Não te admito isso!
- O quê? Que duvide da
tua sexualidade? Ó amigo as atitudes são tuas... há uns anos fugiste e
recentemente, quando a Ana te perguntou, negaste que estávamos juntos isso só
leva a crer que não estás assim tão certo das tuas escolhas... é que até podia
dizer que é só comigo mas tanto quanto sei nunca tiveste muito tempo com a
mesma rapariga e a única relação douradora que tiveste acabaste com tudo no
momento que ela quis dar o passo seguinte... ora juntando as peças do puzzle...
o resultado final é uma experiência gratuita com o Rodrigo para tirares a prova
dos noves! - o Ruben ia para falar mas impedi-o de continuar - e para terminar aqui com a conversa posso
afirmar que ele está disponível... é só quereres dar uma voltinha!
- Só falta falares que
queres estar no meio de nós!
- Lamento Ruben mas
não... no passado estive com muitos homens mas orgulho-me de ter sido sempre de
um homem só e no presente não sou de ninguém a não ser de mim mesma - olhei
directamente nos seus olhos - ao
contrário do que pensas há vinte e nove dias que não beijo rapaz nenhum e há
quase dois meses que não faço sexo com ninguém... agora faz as contas e
facilmente percebes quem foi o último com quem estive!
Não dei tempo ao Ruben para sequer abrir a boca quanto mais
para dizer o que quer que fosse, pedi licença e saí imediatamente da mesa,
estava a precisar de sentir o vento a bater na minha cara para acalmar-me, o
bate boca com o Ruben diante dos nossos amigos mexeu comigo mais do que poderia
imaginar. Estava sentada num canto do jardim na esperança de ninguém dar comigo
mas a minha prima conhece-me e facilmente encontrou-me.
- Prima como é que
estás?
- Na merda Maria! Como é
que achas que estou! - falei sem nunca olhar para ela dado que estava com
as lágrimas nos olhos e só em situações extremas é que deixo que alguém me veja
a chorar.
- Na merda não estás...
o que estás é a amar pela primeira vez e sem saberes lidar com isso!
- O que estou é louca e
cada vez convenço-me mais disso - a Maria sorriu.
- Prima porquê que não
falas com o Ruben, vocês precisam de conversar para resolverem de uma vez o que
quer que tenham.
- Será que ainda não
entendeste que nós não temos nada... aliás nunca tivemos, o Ruben andou este
tempo todo a gozar com a minha cara.
- Não digas isso...
porque não é verdade e tu melhor que ninguém sabes ou será que de todas as
vezes que dormiste com ele não sentiste nada de diferente?
- Chega! Desisto... não
sou capaz de continuar a viver na ilusão que algum dia o Ruben vai querer algo mais
do que sexo até porque na primeira todos caem, na segunda cai os otários e na
terceira caem é mesmo os parvos, já caí duas vezes garanto que não haverá a
terceira, já chegou há uns anos quando pensei que tinha encontrado o príncipe
mas afinal encontrei foi um sapo e agora recentemente quando julguei que ele
estava a ser sincero ao afirmar que era muito mais do que aquelas com quem já
foi para a cama!
- Já pensaste que para o
Ruben também não deve ser fácil?
- O que queres dizer com
isso?
- Mariana, desde sempre
o Ruben habituou-se à ideia de saltares de poleiro em poleiro com uma
facilidade tremenda, é perfeitamente aceitável que ele tenha duvidas, caramba o
rapaz gosta de ti - impedi-a de continuar.
- Gosta de mim? A sério?
Olha se gosta tem uma maneira muito própria de demonstrar... é que só o
demonstrava quando estávamos a sós e de preferência depois de aliviado...
- Estás a ser injusta,
prima o Ruben já demonstrou muitas vezes que gosta de ti... aliás as atitudes
dele são prova disso, o rapaz roí-se todo de ciúmes só de pensar que tu e o
Rodrigo partilham a mesma cama.
- Só prova que os
sentimentos do Ruben por mim não são nobres... para mim o que ele apelida de
amor ou gostar não passa de sentimento de posse, ele quer que esteja sempre
disponível para o menino quando lhe apetecer dar uma - suspirei - mas para isso não estou interessada, se é
para ter sexo posso tê-lo com outro qualquer e sem chatices.
- Já lhe falaste isso?
Já lhe disseste com as letras todas que gostas mesmo dele, que com ele não é só
sexo? Prima alguma vez já admitiste em voz alta que o amas? Que nunca
conseguiste esquecer a noite do baile? Que levaste vários meses a conseguir
estar com outro depois dele?
- Se estás mesmo
interessada... sim já respondi a essas perguntas todas, o Ruben sabe que sempre
foi especial para mim, agora quanto a gritar aos sete ventos que o amo a
história já é outra... sabes perfeitamente que há coisas e situações que só
faço quando sinto-me verdadeiramente confortável e assumir que o amo para o
mundo todo ouvir não me deixa confortável porque o Ruben ainda não demonstrou
que quer mesmo que a nossa relação resulte, aliás ele já provou o contrário
quando negou que estávamos juntos!
- O que é que o Ruben
precisa fazer para te deixar confortável? Para demonstrar que gosta tanto ou
mais de ti como gostas dele? Prima, vocês têm que atinar, isto não é vida para
nenhum dos dois!
- Atinada já ando eu...
Maria jurei para mim mesma que vou deixar de ser a Mari do povo... aliás já o
estou a fazer - olhei para a Maria - prima
podes ter a certeza que o Ruben foi o último a quem abri as pernas... agora só
o volto a fazer quando tiver certezas de algo, ter sexo por ter já não me diz
nada por isso vou dedicar-me aos meus amigos e família, concentrar-me no
trabalho e quem sabe procurar mesmo um novo rumo...
- Espera... estás a
ponderar mudar de ares? Prima vais aceitar a proposta do tio?
- Quem sabe... neste
momento acredito cada vez mais que não devia ter regressado a Lisboa -
suspirei - só regredi em vez de
progredir, quero e vou apostar na minha formação.
- Ou seja estás mesmo a
pensar em ires até terras de nuestros hermanos?
A ideia era responder à minha prima mas ouvimos um barulho de
algo a cair e ao olhar para trás encontrei o Ruben a tentar apanhar uma das
suas duas “amantes” do chão, não sei ao tempo que ali estava só sei que demos
pela sua presença porque deixou cair uma muleta o que vez barulho
denunciando-o. A minha prima é que aproveitou a oportunidade para deixar-nos
sozinhos e saiu de fininho quando aproximei-me dele para o ajudar,
entreguei-lhe a moleta e tentei sair dali o quanto antes mas o Ruben agarrou-me
o braço.
- Espera...
- O que é que queres!
- Vais mesmo para
Espanha?
- Não te devo
explicações... somos só amigos ou talvez nem isso sejamos mais... por isso
quando chegar o momento irás saber tal como os restantes.
- Vais fugir novamente?
- Fugir? O meu nome não
é Ruben Filipe Marques Amorim - ripostei em tom de gozo - tanto quanto sei foste sempre tu a fugir
mas isso já não interessa... o passado já lá vai e o que interessa agora é o
presente e futuro.
- O que queres dizer com
isso?
- Que não estou
satisfeita com o meu presente e se quero um futuro diferente tenho de fazer por
isso... logo vou apostar na minha formação profissional e dar um rumo
definitivo à minha vida, se há alguma coisa que aprendi no último ano é que não
posso esperar dos outros o “mundo” quando eu própria me sinto deslocada nele...
preciso de encontrar o meu rumo e quanto mais depressa melhor.
- Fica! - olhei-o
incrédula - Mariana não vás... não fujas
porque isso não resolve nada.
- Fala aquele que é
perito em fugir!
- Por isso mesmo é que
estou a dizer para não cometeres o mesmo erro que eu... sei que agi mal, que
devia ter admitido à Ana que gostamos um do outro e que estávamos juntos mas
não consegui... Mariana ainda era tudo muito recente e nós nem sequer tínhamos
definido bem as cenas... - interrompi-o.
- Só podes estar a
gozar... Ruben tiveste em menos de 48 horas muito mais que outro teve em meses?
- afastei-me dele - Mas o que dói
nem é isso... o que dói é saber que nós nunca vamos resultar, Ruben por muito
que goste de ti nunca vai ser suficiente... vais sempre duvidar, irás colocar
constantemente em causa os meus sentimentos por ti tal como colocaste na noite
do baile e não venhas com a desculpa que eras inexperiente porque essa já não
cola, posso ter sido a tua primeira, podias não saber bem o que fazer ao início
mas depois as cenas fluíram e entreguei-me a ti como nunca tinha entregue a
mais nenhum, naquela noite não procurei a minha satisfação mas sim a nossa,
amei-te sem perceber como, só mais tarde quando me vi longe de ti é que entendi
que sempre te amei, tu com o teu jeito trapalhão e tímido conquistaste-me sem
ter a noção disso, quando percebi a Mariana que só queria uma noite de sexo já
não existia, deixei de me reconhecer durante meses até que percebi que muito
dificilmente iríamos voltar a falar e só aí é que iniciei uma luta contra mim mesma
para esquecer tudo o que senti naquela noite, acabei por conseguir adormecer
dentro de mim o sentimento que nutria por ti e que no fundo tinha esperança de
ser reciproco, passei os anos seguintes a fingir que nada se tinha passado mas
a verdade é que ano após ano senti-me mais “seca”, enterrei os sentimentos e
simplesmente vivi um dia de cada vez... até que chegou o dia de regressar -
suspirei - no momento que coloquei a
última mala no carro para iniciar a viagem até Lisboa fi-lo consciente de que
estava a dar um passo atrás... sabia que podia reencontrar-te a qualquer
momento e que os sentimentos que durante anos oprimi iriam abrir feridas, no
fundo sempre soube que no momento em que metesse os meus olhos em ti seria
impossível o passado não vir ao de cima atropelar o meu presente.
Naquela noite no bar
quando te vi a vontade de abraçar-te, de dizer simplesmente “nunca te esqueci”
foi enorme mas quando aproximei-me e tiveste aquela reacção de safado percebi
que não eras mais o “Meu Ruben” tinhas mudado ainda assim senti que algures
dentro de ti continuava aquele menino que tinha conhecido e que até ao momento
é dono do meu coração... mas isto não chega... preciso de muito mais do que
umas noites de sexo ou umas palavras bonitas ditas quando estamos só os dois!
Ruben já não sou uma adolescente inconsciente, sei que errei muito, que não
devia ter andado a saltar de cama em cama mas ainda assim não estou
arrependida, foi uma opção que fiz, aproveitei a vida e se pudesse voltar a
trás provavelmente faria a mesma coisa, mas actualmente não estou disposta a
continuar com esta vida, quero mais para mim, quero crescer profissionalmente,
quero um dia olhar para trás e perceber que fiz alguma coisa de útil, se
entretanto encontrar alguém com quem consiga manter uma relação não irei virar
a cara mas até lá vou dedicar-me exclusivamente a mim.
- Estás a desistir de
nós? - perguntou cabisbaixo.
- Ruben o nós não existe
- olhou-me.
- Amas-me? - a
pergunta dele deixou-me surpresa mas ao mesmo tempo triste.
- Vês... é isso que
falo... Ruben não acreditas em mim e muito menos nos meus sentimentos caso
contrário não farias essa pergunta porque já terias percebido que te amo.
- Fica difícil acreditar
quando à primeira oportunidade metes outro no teu quarto e nem venhas com aquela
treta dele ser gay!
- É verdade Ruben... o
Rodrigo gosta de homens mas não é isso que o faz menos homem muito pelo
contrário ele tem mais tomates que tu... pelo menos o Rodrigo assume os seus
sentimentos, luta por eles mesmo muitas vezes sofrendo na pele as consequências
mais estúpidas não desiste daquele que ama! E só para perceberes o quanto
estúpido estás a ser... não partilho o quarto muito menos a cama com o Rodrigo,
é verdade que ele está no meu quarto mas também é verdade que desde que chegou
que durmo com a Maria no quarto dela, é essa a razão pela qual o João nunca
mais lá ficou em casa, como vês existe respeito entre nós os três, o Rodrigo
foi a pessoa que mais me apoiou depois da Maria quando mais precisei, ele não
me virou a cara quando percebeu que podia estar infectada, ele não me julgou
como tu o julgaste, por isso não venhas falar de uma pessoa que para mim tem e
terá sempre a minha amizade mas acima de tudo o meu respeito!
Assim que acabei de falar virei costas e deixei-o sozinho,
regressei para o interior da casa onde encontrei o pessoal na sala a conviver
alegremente, troquei um olhar cúmplice com a minha prima algo que foi
suficiente para ela entender que nós não nos tínhamos “acertado”. Sentei-me no
sofá vago remetida ao silêncio e foi assim que fiquei até o João se vir meter
comigo.
- Priminha... -
sorri perante a forma como me chamou - dá-lhe
um desconto!
- Esquece! João não
precisas vir em defesa do Ruben, ele já é adulto e responsável pelos seus actos
e palavras, já lhe disse tudo o que tinha para dizer e de hoje em diante será
só uma pessoa que conheço.
- Mari... não faças
isso, não o ignores por favor!
- Ah eu não o posso
ignorar mas o contrário já é permitido? Tanto quanto sei foi o Ruben que negou
a nossa relação.
- Tu ainda não
entendeste pois não?
- Não entendi o quê?
- O motivo pelo qual ele
negou o vosso namoro à Ana!
- O Ruben negou porque
não quer nada assumido, ele quer a vida que tive estes anos todos mas que agora
estou farta dela, juro que o compreendo mas já não estou nessa onda.
- Mariana se falares
disto a alguém nego tudo - olhei-o - o
Ruben tem uma razão para ter reagido assim...
O João calou-se no momento que o Ruben entrou na sala, ainda
tentei saber que motivo era esse mas o meu priminho não se descoseu, afirmou
que falávamos depois quando estivesse-mos só os dois, respeitei o seu pedido e
mantive-me no meu canto. O João acabou por ir ter com a Maria deixando assim um
lugar vago no sofá, lugar esse que acabou por ser ocupado pelo Ruben pois era o
único vago, sentamo-nos lado a lado mas sem grandes conversas, talvez pela
primeira vez em tanto ano tive com ele o que se chama de conversa de
circunstância, o assunto nós não voltou a ser falado e assim continuou a noite
toda.
As horas passaram e a animação foi diminuindo à medida que o
pessoal foi saindo, para o fim ficou o nosso grupinho e no momento de ir embora
o Fábio, o João e a Maria armaram para cima de mim e do Ruben, o que obrigou-me
a levá-lo a casa uma vez que a Maria não permitiu que o João o fosse levar e o
Fábio desculpou-se com a Ana, uma vez que ela tinha vindo com ele e o seu carro
é só de dois lugares.
(Ruben)
Ao contrário do que esperava a Mariana apareceu sozinha no
jantar de aniversário do João, a alforreca não veio alapado a ela mas ainda
assim o seu nome veio à baila, a Ana quis saber o motivo pelo qual a Mariana
veio sozinha e perguntou, lógico que acabou por descambar porque não resisti a
mandar algumas bocas, a Mari não se ficou e quando dei por isso já ela se tinha
retirado da mesa, isto depois de ter atirado-me à cara que só não estamos
juntos porque menti à Ana.
- És mesmo otário! -
a Maria ripostou ao levantar-se da mesa para ir atrás da prima, fingi que não
se tinha passado nada e continuei a comer mas durou só uns segundos ou não
fosse o João pedir que fosse com ele, segui-o até à sala.
- Quando é que vais
revelar aquilo que todos sabemos à excepção da Maria e da Mariana?
- Não há nada para ser
revelado... é passado e por sinal está mais do que resolvido!
- Será? Puto se fosse verdade a esta hora estavas
com a Mariana como sempre tiveste com outras...
- O que queres dizer com
isso?
- Ruben deixa de ser
criança... abre os olhos... aliás desde que a Mariana regressou que sempre que
estão minimamente bem à qualquer cena que a Ana faz que vos afasta novamente...
- Isso não tem sentido
nenhum... porque as cenas entre nós ficaram resolvidas!
- Ya... até a Mari
aparecer! Ruben a Ana aceitou sempre numa boa todas as outras porque no fundo
sabia o mesmo que nós todos... tu nunca amas-te nenhuma daquelas que levaste
para a cama, daí a Ana não se sentir melindrada com a situação, ela sabia que
era só puro divertimento teu mas agora é diferente... tu amas a Mariana e se
até ao regresso dela conseguiste camuflar esse sentimento agora já não
consegues, está diante dos nossos olhos... basta ver a forma como se olham ou
mesmo como se pegam... faz hoje precisamente um ano que vocês se pegaram forte
e feio diante de nós, há um ano não foi mais longe porque a Teresa não deixou e
desde daí sempre que estás próximo da Mariana a Ana arranja forma de vos
afastar, ela sabe que a Mariana não se sente confortável com a ideia de assumir
uma relação e joga com isso a seu favor... cabe a ti não deixares que isso
aconteça, impõe-te mas só o vais conseguir fazer quando revelares toda a
verdade à Mariana.
- Não vou remexer no
passado!
- Tudo bem... tu é que
sabes, a vida é tua mas depois não venhas lamentar-te, no entanto ficava-te bem
falares com a Mari e pedires desculpas pela tua falta de coragem! Ruben, já não
és um puto! Acorda para a vida e admite que a amas, tenta pelo menos resolver
as cenas para que consigam coabitar no mesmo espaço sem andarem às bocas!
O João saiu da sala assim que terminou de falar, fiquei uns
segundos a pensar nas palavras dele e em vez de regressar para a mesa fui até
ao jardim, algo me dizia que seria lá que a Mariana estava. Não foi difícil
encontrá-la uma vez que ouvi a sua voz, ela falava com a prima e ao perceber
que o assunto éramos nós fiquei a ouvir, doeu escutar o seu desabafo
principalmente aquele que teve depois da minha presença ser notada, senti pela
primeira vez que foi o mais sincera possível enquanto eu não consegui fazê-lo.
A Mariana acabou por deixar-me sozinho, fiquei uns minutos no
jardim mas regressei à sala onde acabei sentado ao seu lado, o resto da noite
foi animado mas de poucas palavras entre nós os dois até que o momento de ir
embora chegou e por culpa da Maria, do João e Fábio quem foi levar-me a casa
foi a Mariana que não se importou apesar de não demonstrar muita vontade em
partilhar o mesmo espaço comigo. A viagem até à minha casa foi feita em
silêncio e só foi interrompido quando chegamos.
- Precisas de ajuda ou
já consegues desenrascar-te sozinho? - olhei-a e percebi que estava a ser
sincera, estava simplesmente preocupada comigo.
- Se quiseres podes
entrar... - interrompeu-me.
- Se precisares de
alguma coisa entro caso contrário vou embora que estou cansada!
- Fica cá!
- Ruben se estás a
precisar de aliviar o que quer que seja liga a uma das tuas “amigas”... já não
estou disponível para esse tipo de aventuras!
- Não quero ir para a
cama contigo! Mas gostava que ficasses...
- Não sou uma boneca nas
tuas mãos... posso ter sido nas mãos de outros mas nas tuas não consigo!
- Nem quero que sejas
- levei a mão ao seu rosto e fi-la olhar para mim - desculpa por não ter sido sempre o mais correcto e sincero contigo mas
há uma parte do meu passado que desconheces - suspirei - e que em certa medida justifica a minha
atitude quando a Ana questionou se estávamos juntos... - calei-me talvez
por saber que assim que revelasse o que havia para ser dito muita coisa poderia
mudar.
- Não estou interessada
em saber - encolheu os ombros - tiveste
a tua oportunidade e desperdiçaste-a por isso agora de nada adianta revelares o
que quer que seja, não é isso que vai apagar a tua atitude!
- Tens razão não apaga
mesmo mas pelo menos ficas a perceber...
- Não quero perceber
nada... porque sempre que tento acabo por desiludir-me um pouco mais -
suspirou - ninguém é perfeito, eu
própria tenho os meus defeitos e não são tão poucos mas neste momento a única
coisa que quero é manter a nossa amizade - olhou-me - por isso é que estou a pensar seriamente em afastar-me, em apostar em
mim, vou aceitar o convite que o meu tio fez, vou trabalhar com ele mas para
isso preciso abrir os meus horizontes porque se quero efectuar um trabalho de
excelência na Polaris vou ter que apostar em formação e neste campo estou a
ponderar ir procurá-la fora de Portugal, será só uns meses - olhou-me - antes do Verão estou de regresso e aí se
quiseres conversamos, explicas tudo o que achares que deves explicar mas
garanto que seremos só amigos, não vou misturar mais os sentimentos, estou
farta de ter sentimentos, eles só servem para nos magoarmos!
Fiquei sem reacção perante a confissão da Mariana pela primeira
vez percebi que estava realmente a sofrer com esta história toda, que o
sentimento dela por mim é amor ainda que muito verde.
Acabei por sair do carro sem dizer mais nada, simplesmente
despedi-me dela e agradeci a boleia. Assim que entrei em casa fui directo para
o quarto, deitei-me e passei a noite toda a pensar nas últimas palavras da
Mariana.
Como será os próximos tempos? Irá o casal resolver os seus problemas?
Ola
ResponderEliminarEu fui uma chata mas a verdade era que queria mesmo muito ler este capitulo :P
Mas isto é que foi um capitulo,cheio de emoção!Se bem que não gosto de os ver assim a discutir só que espero que "resolução" destes problemas seja em grande ;D
Fico à espera de mais!
Continuem!!!
Beijinhos
Rita
Oh my God! Que capítulo foi esse? Conseguiu me por a chorar :O
ResponderEliminarSofro junto com eles, :( haha pfvr, que perfeição. Não existe nem mais palavras para definir o turbilhão de sentimentos que sentir ao ler, e infelizmente chegou ao fim :(( Ah não lol
Quero mais, por favor, rapidinho!!
Beijos!
GabiiS.
Olá meninas!
ResponderEliminarMais um capítulo adorável :D
Bem agr as coisas entre o Ruben e a Mariana estão mesmo feias :x gosto tanto dos ver juntos!
Quero mais ;)
Beijinhos
Ritááá xD
Bem me parecia que a Ana tinha alguma coisa haver com esta historia...cobra.
ResponderEliminarAgora a Mariana vai embora :( nao é justo. o toto do Ruben nao pode desistir!!
Beijinhos*
Nao...nao pode ser. Para além do capitulo ter acabado eles acabam separados ;o
ResponderEliminarEu toda contente a pensar que eles acabam pelo menos "acertados" no fim deste capitulo e pumba, para alem de isso nao acontecer aconteceu pior, a Mari vai embora ;c
Já sabem que quero muitooooooooo o próximo ;b
Beijinhos
Nii'i
Olá :)
ResponderEliminarAs confissões da Mariana deixaram-me emocionada...
Estou ansiosa por saber o que vai acontecer e o que o Ruben vai fazer ;)
Beijinhos
Bem... isso é que foi um capítulo intenso. Mas não vão nos deixar curiosa por muito tempo, pois não? Mais, please!
ResponderEliminarOh eu já nem comento xD
ResponderEliminarIsto só me faz sofrer! Mas será assim tão dificil abrirem o jogo de uma vez por todas?! Que complicação! Até me descontrolam, pah! xD Enervei-me mesmo!
Quero o proximo, mas so com coisinhas boas sff, que aqui, nós, leitoras, também merecemos!!!
Beijo
Ana
Oh... Já acabou...
ResponderEliminarEu gostei muito, apesar da decisão da Mariana e da estupidez do Rúben, mas gostei imenso!
Quero mais!
Beijinhos
Finalmente a Mariana abriu o saco e deitou tudo cá para fora, assumiu o que o seu coração sente.
ResponderEliminarCom uma amiga como a Ana quem é que precisa de inimigos? Eu achava estranho as atitudes dela mas agora tá tudo explicado.Gostei da atitude da Mariana deixou o menino em casa mas não cedeu ao seu pedido para passar a noite, mas é lógico que não gosto de os ver afastados. Foi emocionante,adorei.
Beijocas
Fernanda