sexta-feira, 16 de novembro de 2012

032 - "Espera... estás a ponderar mudar de ares? Prima vais aceitar a proposta do tio?"


(Mariana)

A melhor coisa que podia ter-me acontecido foi a vinda do Rodrigo para Lisboa, ele junto com a minha prima são as pessoas que mais sabem da minha vida. Nós temos passado bastante tempo juntos, o Rodrigo continua lá em casa mas agora já andamos à procura de um apartamento para se mudar, algo que os rapazes ainda não sabem, porque pedi por tudo para a Maria não comentar com o João, não queria que o Ruben ficasse a saber, se quer informações da minha vida que venha directo à “fonte”.
O clima entre nós tem andado estranho se por um lado falo com o Ruben como se fosse um amigo comum por outro sempre que partilhamos o mesmo espaço a vontade de o puxar para um canto e resolver tudo é enorme.
Hoje e ao contrário do que tinha falado com o João não iria ter o meu amigo do meu lado, o Rodrigo cortou-se à última hora, só não sei se foi de propósito para que resolva de uma vez as cenas com o Ruben ou se tem mesmo companhia durante a noite para “temperar o corpo”.
Cheguei à casa do João já muito depois da hora combinada e por isso quando entrei verifiquei que fui mesmo a última, cumprimentei o pessoal com um “boa noite” geral deixando os beijinhos só para o aniversariante, no entanto percebi que o Ruben estava a observar-me, ignorei e tive com ele o mesmo comportamento que tive com os restantes amigos, falei numa boa mas sem grandes conversas, esquivei-me sempre que pude e para isso andei constantemente a fugir dele, algo que a minha prima percebeu.
- O que é que se passou para o Rodrigo não vir? - perguntou-me quando teve oportunidade.
- Arranjou companhia... sabes como é... o nosso amigo já andava a desesperar - gargalhamos despertando a curiosidade dos presentes - que não consegui segurá-lo.
- Ainda bem... - olhei-a sem entender o que quis dizer - afinal é bom para o nosso amigo e espero que seja para ti - desviou o olhar para o Ruben - e para aquele que está ruído apesar de não admitir!
- Não quero saber... já falei que o Ruben é só um amigo, nós os dois juntos não funcionamos!
- Prima... não digas isso - olhei-a - se estavas disposta a tentar é porque o Ruben não é só mais um.
- Sabes que não basta amar... é preciso ser amada!
A Maria teria respondido mas o João aproximou-se e logo depois fomos para a mesa, o jantar estava a ser animado até ao momento que a Ana resolveu meter-se comigo.
- Oh Mari ouvi dizer que tens amigo novo?
- Novo? Não é... se queres mesmo saber é um ano mais velho do que eu!
- Deixa-te de cenas... mas estás com problemas em apresentá-lo ao pessoal?
- Não, aliás o Rodrigo já conhece quase todos... não tenho a culpa de andares assim tão ocupada que já não consegues sair com o pessoal!
- Oh... mas hoje vim e sempre pensei que o trouxesses afinal andam tão amigos...
- Onde é que queres chegar?
- Estou só curiosa para conhecer a tua mais recente vitima - sorriu cinicamente.
- Não tens nada com o assunto mas aproveito para deixar esclarecido a todos que a minha relação com o Rodrigo é estritamente de amizade! - o Ruben gargalhou ao ouvir-me - Que foi? - perguntei-lhe directamente.
- Nada... nada... só achei piada à anedota que acabaste de contar!
- Desculpa?
- Mesmo sério achas que a malta acredita que não lhe saltaste já para cima? Logo tu que não perdes uma boa oportunidade? E convenhamos que com ele a dormir no teu quarto oportunidades é coisa que não faltam!
- Ruben se o exame fosse só teórico tinhas acabado de passar... afinal estás bem informado pena é que na prática a coisa não funciona assim...
- Ui... vais dizer que andas a fazer celibato??
- Não tens nada com o assunto... mas as oportunidades que falas só existem na tua cabeça!
- Hoje estás mesmo numa de nos fazeres rir, só pode! Admite de uma vez que tens andado ocupada com ele!
- Ya... tenho andado tão ocupada com ele que o Rodrigo só tem olhos para ti... sim ele gosta do mesmo que eu... de TI! - a Maria gargalhou fortemente ao ver a cara do pessoal e o meu desplante - e se queres um conselho devias experimentar... talvez com ele consigas assumir um compromisso sem recuares quando te perguntarem se namoras com ele ou depois de afirmares que o amas! É que acredito cada vez mais que essa tua macheza é só para “inglês ver”
O pessoal calou-se todo se até aqui ouvia-se uns cochichos no momento que terminei de falar já estavam todos a olhar para mim e para o Ruben.
- Não te admito isso!
- O quê? Que duvide da tua sexualidade? Ó amigo as atitudes são tuas... há uns anos fugiste e recentemente, quando a Ana te perguntou, negaste que estávamos juntos isso só leva a crer que não estás assim tão certo das tuas escolhas... é que até podia dizer que é só comigo mas tanto quanto sei nunca tiveste muito tempo com a mesma rapariga e a única relação douradora que tiveste acabaste com tudo no momento que ela quis dar o passo seguinte... ora juntando as peças do puzzle... o resultado final é uma experiência gratuita com o Rodrigo para tirares a prova dos noves! - o Ruben ia para falar mas impedi-o de continuar - e para terminar aqui com a conversa posso afirmar que ele está disponível... é só quereres dar uma voltinha!
- Só falta falares que queres estar no meio de nós!
- Lamento Ruben mas não... no passado estive com muitos homens mas orgulho-me de ter sido sempre de um homem só e no presente não sou de ninguém a não ser de mim mesma - olhei directamente nos seus olhos - ao contrário do que pensas há vinte e nove dias que não beijo rapaz nenhum e há quase dois meses que não faço sexo com ninguém... agora faz as contas e facilmente percebes quem foi o último com quem estive!
Não dei tempo ao Ruben para sequer abrir a boca quanto mais para dizer o que quer que fosse, pedi licença e saí imediatamente da mesa, estava a precisar de sentir o vento a bater na minha cara para acalmar-me, o bate boca com o Ruben diante dos nossos amigos mexeu comigo mais do que poderia imaginar. Estava sentada num canto do jardim na esperança de ninguém dar comigo mas a minha prima conhece-me e facilmente encontrou-me.
- Prima como é que estás?
- Na merda Maria! Como é que achas que estou! - falei sem nunca olhar para ela dado que estava com as lágrimas nos olhos e só em situações extremas é que deixo que alguém me veja a chorar.
- Na merda não estás... o que estás é a amar pela primeira vez e sem saberes lidar com isso!
- O que estou é louca e cada vez convenço-me mais disso - a Maria sorriu.
- Prima porquê que não falas com o Ruben, vocês precisam de conversar para resolverem de uma vez o que quer que tenham.
- Será que ainda não entendeste que nós não temos nada... aliás nunca tivemos, o Ruben andou este tempo todo a gozar com a minha cara.
- Não digas isso... porque não é verdade e tu melhor que ninguém sabes ou será que de todas as vezes que dormiste com ele não sentiste nada de diferente?
- Chega! Desisto... não sou capaz de continuar a viver na ilusão que algum dia o Ruben vai querer algo mais do que sexo até porque na primeira todos caem, na segunda cai os otários e na terceira caem é mesmo os parvos, já caí duas vezes garanto que não haverá a terceira, já chegou há uns anos quando pensei que tinha encontrado o príncipe mas afinal encontrei foi um sapo e agora recentemente quando julguei que ele estava a ser sincero ao afirmar que era muito mais do que aquelas com quem já foi para a cama!
- Já pensaste que para o Ruben também não deve ser fácil?
- O que queres dizer com isso?
- Mariana, desde sempre o Ruben habituou-se à ideia de saltares de poleiro em poleiro com uma facilidade tremenda, é perfeitamente aceitável que ele tenha duvidas, caramba o rapaz gosta de ti - impedi-a de continuar.
- Gosta de mim? A sério? Olha se gosta tem uma maneira muito própria de demonstrar... é que só o demonstrava quando estávamos a sós e de preferência depois de aliviado...
- Estás a ser injusta, prima o Ruben já demonstrou muitas vezes que gosta de ti... aliás as atitudes dele são prova disso, o rapaz roí-se todo de ciúmes só de pensar que tu e o Rodrigo partilham a mesma cama.
- Só prova que os sentimentos do Ruben por mim não são nobres... para mim o que ele apelida de amor ou gostar não passa de sentimento de posse, ele quer que esteja sempre disponível para o menino quando lhe apetecer dar uma - suspirei - mas para isso não estou interessada, se é para ter sexo posso tê-lo com outro qualquer e sem chatices.
- Já lhe falaste isso? Já lhe disseste com as letras todas que gostas mesmo dele, que com ele não é só sexo? Prima alguma vez já admitiste em voz alta que o amas? Que nunca conseguiste esquecer a noite do baile? Que levaste vários meses a conseguir estar com outro depois dele?
- Se estás mesmo interessada... sim já respondi a essas perguntas todas, o Ruben sabe que sempre foi especial para mim, agora quanto a gritar aos sete ventos que o amo a história já é outra... sabes perfeitamente que há coisas e situações que só faço quando sinto-me verdadeiramente confortável e assumir que o amo para o mundo todo ouvir não me deixa confortável porque o Ruben ainda não demonstrou que quer mesmo que a nossa relação resulte, aliás ele já provou o contrário quando negou que estávamos juntos!
- O que é que o Ruben precisa fazer para te deixar confortável? Para demonstrar que gosta tanto ou mais de ti como gostas dele? Prima, vocês têm que atinar, isto não é vida para nenhum dos dois!
- Atinada já ando eu... Maria jurei para mim mesma que vou deixar de ser a Mari do povo... aliás já o estou a fazer - olhei para a Maria - prima podes ter a certeza que o Ruben foi o último a quem abri as pernas... agora só o volto a fazer quando tiver certezas de algo, ter sexo por ter já não me diz nada por isso vou dedicar-me aos meus amigos e família, concentrar-me no trabalho e quem sabe procurar mesmo um novo rumo...
- Espera... estás a ponderar mudar de ares? Prima vais aceitar a proposta do tio?
- Quem sabe... neste momento acredito cada vez mais que não devia ter regressado a Lisboa - suspirei - só regredi em vez de progredir, quero e vou apostar na minha formação.
- Ou seja estás mesmo a pensar em ires até terras de nuestros hermanos?
A ideia era responder à minha prima mas ouvimos um barulho de algo a cair e ao olhar para trás encontrei o Ruben a tentar apanhar uma das suas duas “amantes” do chão, não sei ao tempo que ali estava só sei que demos pela sua presença porque deixou cair uma muleta o que vez barulho denunciando-o. A minha prima é que aproveitou a oportunidade para deixar-nos sozinhos e saiu de fininho quando aproximei-me dele para o ajudar, entreguei-lhe a moleta e tentei sair dali o quanto antes mas o Ruben agarrou-me o braço.
- Espera...
- O que é que queres!
- Vais mesmo para Espanha?
- Não te devo explicações... somos só amigos ou talvez nem isso sejamos mais... por isso quando chegar o momento irás saber tal como os restantes.
- Vais fugir novamente?
- Fugir? O meu nome não é Ruben Filipe Marques Amorim - ripostei em tom de gozo - tanto quanto sei foste sempre tu a fugir mas isso já não interessa... o passado já lá vai e o que interessa agora é o presente e futuro.
- O que queres dizer com isso?
- Que não estou satisfeita com o meu presente e se quero um futuro diferente tenho de fazer por isso... logo vou apostar na minha formação profissional e dar um rumo definitivo à minha vida, se há alguma coisa que aprendi no último ano é que não posso esperar dos outros o “mundo” quando eu própria me sinto deslocada nele... preciso de encontrar o meu rumo e quanto mais depressa melhor.
- Fica! - olhei-o incrédula - Mariana não vás... não fujas porque isso não resolve nada.
- Fala aquele que é perito em fugir!
- Por isso mesmo é que estou a dizer para não cometeres o mesmo erro que eu... sei que agi mal, que devia ter admitido à Ana que gostamos um do outro e que estávamos juntos mas não consegui... Mariana ainda era tudo muito recente e nós nem sequer tínhamos definido bem as cenas... - interrompi-o.
- Só podes estar a gozar... Ruben tiveste em menos de 48 horas muito mais que outro teve em meses? - afastei-me dele - Mas o que dói nem é isso... o que dói é saber que nós nunca vamos resultar, Ruben por muito que goste de ti nunca vai ser suficiente... vais sempre duvidar, irás colocar constantemente em causa os meus sentimentos por ti tal como colocaste na noite do baile e não venhas com a desculpa que eras inexperiente porque essa já não cola, posso ter sido a tua primeira, podias não saber bem o que fazer ao início mas depois as cenas fluíram e entreguei-me a ti como nunca tinha entregue a mais nenhum, naquela noite não procurei a minha satisfação mas sim a nossa, amei-te sem perceber como, só mais tarde quando me vi longe de ti é que entendi que sempre te amei, tu com o teu jeito trapalhão e tímido conquistaste-me sem ter a noção disso, quando percebi a Mariana que só queria uma noite de sexo já não existia, deixei de me reconhecer durante meses até que percebi que muito dificilmente iríamos voltar a falar e só aí é que iniciei uma luta contra mim mesma para esquecer tudo o que senti naquela noite, acabei por conseguir adormecer dentro de mim o sentimento que nutria por ti e que no fundo tinha esperança de ser reciproco, passei os anos seguintes a fingir que nada se tinha passado mas a verdade é que ano após ano senti-me mais “seca”, enterrei os sentimentos e simplesmente vivi um dia de cada vez... até que chegou o dia de regressar - suspirei - no momento que coloquei a última mala no carro para iniciar a viagem até Lisboa fi-lo consciente de que estava a dar um passo atrás... sabia que podia reencontrar-te a qualquer momento e que os sentimentos que durante anos oprimi iriam abrir feridas, no fundo sempre soube que no momento em que metesse os meus olhos em ti seria impossível o passado não vir ao de cima atropelar o meu presente.
Naquela noite no bar quando te vi a vontade de abraçar-te, de dizer simplesmente “nunca te esqueci” foi enorme mas quando aproximei-me e tiveste aquela reacção de safado percebi que não eras mais o “Meu Ruben” tinhas mudado ainda assim senti que algures dentro de ti continuava aquele menino que tinha conhecido e que até ao momento é dono do meu coração... mas isto não chega... preciso de muito mais do que umas noites de sexo ou umas palavras bonitas ditas quando estamos só os dois! Ruben já não sou uma adolescente inconsciente, sei que errei muito, que não devia ter andado a saltar de cama em cama mas ainda assim não estou arrependida, foi uma opção que fiz, aproveitei a vida e se pudesse voltar a trás provavelmente faria a mesma coisa, mas actualmente não estou disposta a continuar com esta vida, quero mais para mim, quero crescer profissionalmente, quero um dia olhar para trás e perceber que fiz alguma coisa de útil, se entretanto encontrar alguém com quem consiga manter uma relação não irei virar a cara mas até lá vou dedicar-me exclusivamente a mim.
- Estás a desistir de nós? - perguntou cabisbaixo.
- Ruben o nós não existe - olhou-me.
- Amas-me? - a pergunta dele deixou-me surpresa mas ao mesmo tempo triste.
- Vês... é isso que falo... Ruben não acreditas em mim e muito menos nos meus sentimentos caso contrário não farias essa pergunta porque já terias percebido que te amo.
- Fica difícil acreditar quando à primeira oportunidade metes outro no teu quarto e nem venhas com aquela treta dele ser gay!
- É verdade Ruben... o Rodrigo gosta de homens mas não é isso que o faz menos homem muito pelo contrário ele tem mais tomates que tu... pelo menos o Rodrigo assume os seus sentimentos, luta por eles mesmo muitas vezes sofrendo na pele as consequências mais estúpidas não desiste daquele que ama! E só para perceberes o quanto estúpido estás a ser... não partilho o quarto muito menos a cama com o Rodrigo, é verdade que ele está no meu quarto mas também é verdade que desde que chegou que durmo com a Maria no quarto dela, é essa a razão pela qual o João nunca mais lá ficou em casa, como vês existe respeito entre nós os três, o Rodrigo foi a pessoa que mais me apoiou depois da Maria quando mais precisei, ele não me virou a cara quando percebeu que podia estar infectada, ele não me julgou como tu o julgaste, por isso não venhas falar de uma pessoa que para mim tem e terá sempre a minha amizade mas acima de tudo o meu respeito!
Assim que acabei de falar virei costas e deixei-o sozinho, regressei para o interior da casa onde encontrei o pessoal na sala a conviver alegremente, troquei um olhar cúmplice com a minha prima algo que foi suficiente para ela entender que nós não nos tínhamos “acertado”. Sentei-me no sofá vago remetida ao silêncio e foi assim que fiquei até o João se vir meter comigo.
- Priminha... - sorri perante a forma como me chamou - dá-lhe um desconto!
- Esquece! João não precisas vir em defesa do Ruben, ele já é adulto e responsável pelos seus actos e palavras, já lhe disse tudo o que tinha para dizer e de hoje em diante será só uma pessoa que conheço.
- Mari... não faças isso, não o ignores por favor!
- Ah eu não o posso ignorar mas o contrário já é permitido? Tanto quanto sei foi o Ruben que negou a nossa relação.
- Tu ainda não entendeste pois não?
- Não entendi o quê?
- O motivo pelo qual ele negou o vosso namoro à Ana!
- O Ruben negou porque não quer nada assumido, ele quer a vida que tive estes anos todos mas que agora estou farta dela, juro que o compreendo mas já não estou nessa onda.
- Mariana se falares disto a alguém nego tudo - olhei-o - o Ruben tem uma razão para ter reagido assim...
O João calou-se no momento que o Ruben entrou na sala, ainda tentei saber que motivo era esse mas o meu priminho não se descoseu, afirmou que falávamos depois quando estivesse-mos só os dois, respeitei o seu pedido e mantive-me no meu canto. O João acabou por ir ter com a Maria deixando assim um lugar vago no sofá, lugar esse que acabou por ser ocupado pelo Ruben pois era o único vago, sentamo-nos lado a lado mas sem grandes conversas, talvez pela primeira vez em tanto ano tive com ele o que se chama de conversa de circunstância, o assunto nós não voltou a ser falado e assim continuou a noite toda.
As horas passaram e a animação foi diminuindo à medida que o pessoal foi saindo, para o fim ficou o nosso grupinho e no momento de ir embora o Fábio, o João e a Maria armaram para cima de mim e do Ruben, o que obrigou-me a levá-lo a casa uma vez que a Maria não permitiu que o João o fosse levar e o Fábio desculpou-se com a Ana, uma vez que ela tinha vindo com ele e o seu carro é só de dois lugares.

(Ruben)

Ao contrário do que esperava a Mariana apareceu sozinha no jantar de aniversário do João, a alforreca não veio alapado a ela mas ainda assim o seu nome veio à baila, a Ana quis saber o motivo pelo qual a Mariana veio sozinha e perguntou, lógico que acabou por descambar porque não resisti a mandar algumas bocas, a Mari não se ficou e quando dei por isso já ela se tinha retirado da mesa, isto depois de ter atirado-me à cara que só não estamos juntos porque menti à Ana.
- És mesmo otário! - a Maria ripostou ao levantar-se da mesa para ir atrás da prima, fingi que não se tinha passado nada e continuei a comer mas durou só uns segundos ou não fosse o João pedir que fosse com ele, segui-o até à sala.
- Quando é que vais revelar aquilo que todos sabemos à excepção da Maria e da Mariana?
- Não há nada para ser revelado... é passado e por sinal está mais do que resolvido!
- Será? Puto se fosse verdade a esta hora estavas com a Mariana como sempre tiveste com outras...
- O que queres dizer com isso?
- Ruben deixa de ser criança... abre os olhos... aliás desde que a Mariana regressou que sempre que estão minimamente bem à qualquer cena que a Ana faz que vos afasta novamente...
- Isso não tem sentido nenhum... porque as cenas entre nós ficaram resolvidas!
- Ya... até a Mari aparecer! Ruben a Ana aceitou sempre numa boa todas as outras porque no fundo sabia o mesmo que nós todos... tu nunca amas-te nenhuma daquelas que levaste para a cama, daí a Ana não se sentir melindrada com a situação, ela sabia que era só puro divertimento teu mas agora é diferente... tu amas a Mariana e se até ao regresso dela conseguiste camuflar esse sentimento agora já não consegues, está diante dos nossos olhos... basta ver a forma como se olham ou mesmo como se pegam... faz hoje precisamente um ano que vocês se pegaram forte e feio diante de nós, há um ano não foi mais longe porque a Teresa não deixou e desde daí sempre que estás próximo da Mariana a Ana arranja forma de vos afastar, ela sabe que a Mariana não se sente confortável com a ideia de assumir uma relação e joga com isso a seu favor... cabe a ti não deixares que isso aconteça, impõe-te mas só o vais conseguir fazer quando revelares toda a verdade à Mariana.
- Não vou remexer no passado!
- Tudo bem... tu é que sabes, a vida é tua mas depois não venhas lamentar-te, no entanto ficava-te bem falares com a Mari e pedires desculpas pela tua falta de coragem! Ruben, já não és um puto! Acorda para a vida e admite que a amas, tenta pelo menos resolver as cenas para que consigam coabitar no mesmo espaço sem andarem às bocas!
O João saiu da sala assim que terminou de falar, fiquei uns segundos a pensar nas palavras dele e em vez de regressar para a mesa fui até ao jardim, algo me dizia que seria lá que a Mariana estava. Não foi difícil encontrá-la uma vez que ouvi a sua voz, ela falava com a prima e ao perceber que o assunto éramos nós fiquei a ouvir, doeu escutar o seu desabafo principalmente aquele que teve depois da minha presença ser notada, senti pela primeira vez que foi o mais sincera possível enquanto eu não consegui fazê-lo.
A Mariana acabou por deixar-me sozinho, fiquei uns minutos no jardim mas regressei à sala onde acabei sentado ao seu lado, o resto da noite foi animado mas de poucas palavras entre nós os dois até que o momento de ir embora chegou e por culpa da Maria, do João e Fábio quem foi levar-me a casa foi a Mariana que não se importou apesar de não demonstrar muita vontade em partilhar o mesmo espaço comigo. A viagem até à minha casa foi feita em silêncio e só foi interrompido quando chegamos.
- Precisas de ajuda ou já consegues desenrascar-te sozinho? - olhei-a e percebi que estava a ser sincera, estava simplesmente preocupada comigo.
- Se quiseres podes entrar... - interrompeu-me.
- Se precisares de alguma coisa entro caso contrário vou embora que estou cansada!
- Fica cá!
- Ruben se estás a precisar de aliviar o que quer que seja liga a uma das tuas “amigas”... já não estou disponível para esse tipo de aventuras!
- Não quero ir para a cama contigo! Mas gostava que ficasses...
- Não sou uma boneca nas tuas mãos... posso ter sido nas mãos de outros mas nas tuas não consigo!
- Nem quero que sejas - levei a mão ao seu rosto e fi-la olhar para mim - desculpa por não ter sido sempre o mais correcto e sincero contigo mas há uma parte do meu passado que desconheces - suspirei - e que em certa medida justifica a minha atitude quando a Ana questionou se estávamos juntos... - calei-me talvez por saber que assim que revelasse o que havia para ser dito muita coisa poderia mudar.
- Não estou interessada em saber - encolheu os ombros - tiveste a tua oportunidade e desperdiçaste-a por isso agora de nada adianta revelares o que quer que seja, não é isso que vai apagar a tua atitude!
- Tens razão não apaga mesmo mas pelo menos ficas a perceber...
- Não quero perceber nada... porque sempre que tento acabo por desiludir-me um pouco mais - suspirou - ninguém é perfeito, eu própria tenho os meus defeitos e não são tão poucos mas neste momento a única coisa que quero é manter a nossa amizade - olhou-me - por isso é que estou a pensar seriamente em afastar-me, em apostar em mim, vou aceitar o convite que o meu tio fez, vou trabalhar com ele mas para isso preciso abrir os meus horizontes porque se quero efectuar um trabalho de excelência na Polaris vou ter que apostar em formação e neste campo estou a ponderar ir procurá-la fora de Portugal, será só uns meses - olhou-me - antes do Verão estou de regresso e aí se quiseres conversamos, explicas tudo o que achares que deves explicar mas garanto que seremos só amigos, não vou misturar mais os sentimentos, estou farta de ter sentimentos, eles só servem para nos magoarmos!
Fiquei sem reacção perante a confissão da Mariana pela primeira vez percebi que estava realmente a sofrer com esta história toda, que o sentimento dela por mim é amor ainda que muito verde.
Acabei por sair do carro sem dizer mais nada, simplesmente despedi-me dela e agradeci a boleia. Assim que entrei em casa fui directo para o quarto, deitei-me e passei a noite toda a pensar nas últimas palavras da Mariana.

Como será os próximos tempos? Irá o casal resolver os seus problemas?

10 comentários:

  1. Ola
    Eu fui uma chata mas a verdade era que queria mesmo muito ler este capitulo :P
    Mas isto é que foi um capitulo,cheio de emoção!Se bem que não gosto de os ver assim a discutir só que espero que "resolução" destes problemas seja em grande ;D
    Fico à espera de mais!
    Continuem!!!
    Beijinhos
    Rita

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  2. Oh my God! Que capítulo foi esse? Conseguiu me por a chorar :O
    Sofro junto com eles, :( haha pfvr, que perfeição. Não existe nem mais palavras para definir o turbilhão de sentimentos que sentir ao ler, e infelizmente chegou ao fim :(( Ah não lol
    Quero mais, por favor, rapidinho!!
    Beijos!

    GabiiS.

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  3. Olá meninas!
    Mais um capítulo adorável :D
    Bem agr as coisas entre o Ruben e a Mariana estão mesmo feias :x gosto tanto dos ver juntos!
    Quero mais ;)
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  4. Bem me parecia que a Ana tinha alguma coisa haver com esta historia...cobra.
    Agora a Mariana vai embora :( nao é justo. o toto do Ruben nao pode desistir!!

    Beijinhos*

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  5. Nao...nao pode ser. Para além do capitulo ter acabado eles acabam separados ;o

    Eu toda contente a pensar que eles acabam pelo menos "acertados" no fim deste capitulo e pumba, para alem de isso nao acontecer aconteceu pior, a Mari vai embora ;c

    Já sabem que quero muitooooooooo o próximo ;b

    Beijinhos

    Nii'i

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  6. Olá :)
    As confissões da Mariana deixaram-me emocionada...
    Estou ansiosa por saber o que vai acontecer e o que o Ruben vai fazer ;)

    Beijinhos

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  7. Bem... isso é que foi um capítulo intenso. Mas não vão nos deixar curiosa por muito tempo, pois não? Mais, please!

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  8. Oh eu já nem comento xD
    Isto só me faz sofrer! Mas será assim tão dificil abrirem o jogo de uma vez por todas?! Que complicação! Até me descontrolam, pah! xD Enervei-me mesmo!
    Quero o proximo, mas so com coisinhas boas sff, que aqui, nós, leitoras, também merecemos!!!

    Beijo
    Ana

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  9. Oh... Já acabou...
    Eu gostei muito, apesar da decisão da Mariana e da estupidez do Rúben, mas gostei imenso!
    Quero mais!
    Beijinhos

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  10. Finalmente a Mariana abriu o saco e deitou tudo cá para fora, assumiu o que o seu coração sente.
    Com uma amiga como a Ana quem é que precisa de inimigos? Eu achava estranho as atitudes dela mas agora tá tudo explicado.Gostei da atitude da Mariana deixou o menino em casa mas não cedeu ao seu pedido para passar a noite, mas é lógico que não gosto de os ver afastados. Foi emocionante,adorei.
    Beijocas

    Fernanda

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