(Mariana)
Nos últimos dias tenho tentado organizar-me o melhor que
consigo para passar o máximo de tempo com o Ruben, tenho essa necessidade e nem
sei explicar o motivo mas algo dentro de mim faz com que saia do trabalho e vá
directa ter com ele, nem mesmo o facto de o Ruben ter fugido ao assunto “nós”
quando o avisei que ou bem que nos decidíamos ou então seriamos unicamente
amigos fez com que nos afastássemos até pelo contrário, nestes dias temo-nos
aproximado ainda mais no entanto nunca passamos a barreira da amizade e muito
menos voltamos a falar sobre a revelação que fiz na noite da passagem de ano,
para mim esse assunto estava morto e enterrado.
Hoje é dia de aniversário da Maria e amanhã é a vez do Ruben
por isso resolvi colocar os três dias, que faltam para a semana terminar, de
férias mas não comuniquei a nenhum dos dois, queria preparar um miminho à Maria
para que quando chegasse a casa já ter tudo orientado e ser só mimar-se a ela
própria para estar linda e maravilhosa para o “seu” João.
Estava a terminar o nosso jantar quando ouvi a porta e logo
depois vi a minha prima, disse-lhe que estava tudo pronto e que podia ir
despachar-se mas antes de o fazer informou-me que o Ruben estava a fazer birra
e acabou por pedir-me para o ir buscar, não pensei duas vezes e acatei o pedido
da aniversariante.
Cheguei a casa do Ruben e em vez de tocar à campainha resolvi
usar a chave que tinha, entrei sem avisar e encontrei-o na sala a ver
televisão, não resisti e tapei-lhe os olhos mas não lhe foi difícil adivinhar
quem era. Ainda perdi uns minutos a convencê-lo mas o Ruben acabou por ceder e
foi quando estava a ajuda-lo no duche que fomos interrompidos pela Anabela, a
mãe dele ainda mandou algumas bocas que deixaram-me ligeiramente melindrada
talvez por estar cada vez mais certa que o quero mesmo só para mim. O Ruben
ainda pediu desculpas mas a conversa não avançou muito mais, ele ainda informou
a mãe para não o esperar que vinha tarde e que depois o ajudava a deitar-se,
isso só serviu para a Anabela voltar à carga o que deixou-me com a nítida
sensação que a mãe dele o está a “empurrar” para mim, ainda assim não comentei
nada.
O caminho até ao apartamento foi rápido e quando entramos
estranhamos o silêncio, mas não liguei muito no entanto fomos apanhados de
surpresa ao encontrar o João e a Maria completamente enroscados no sofá da
sala, ora a visão que tivemos foi suficiente para darmos umas belas gargalhadas
que fizeram a minha prima saltar que nem pulga, a Maria ficou tão envergonhada
que acabei por “salvá-la” do momento de piada que o Ruben tentou iniciar.
O jantar foi animado sempre com muita conversa e brincadeira
mas o momento “alto” chegou quando a minha prima resolveu fazer o nosso brinde,
os rapazes não gostaram muito mas nós as duas ainda demos algumas gargalhadas,
estava tudo a correr bem até o João começar a querer dar numa de pai e retirar
o copo das mãos da Maria, ela não gostou e depois de dar os parabéns ao Ruben
avisou que se ia deitar mas o João acabou por segui-la.
- A Maria não gostou nem
um pouco que o João lhe retirasse o copo - olhei para o Ruben - só espero que não dê confusão...
- Achas? Opa aqueles
dois adoram-se... até podem amuar mas depressa resolvem os seus problemas...
mas deixando os problemas deles de lado - olhei-o - PARABÉNS! Que faças muitos e que possa estar do teu lado em todos! -
sorriu.
- Obrigado pelos
parabéns - tocou com o seu copo no meu - quanto a estares comigo do meu lado nos próximos aniversários - o
Ruben olhava-me sem pestanejar - só
depende de ti...
- Estás enganado...
depende dos dois porque se não quiseres não vou impor a minha presença!
- Ainda tens dúvidas que
te quero? Mariana se há algo de bom neste calvário que estou a atravessar é ter
percebido quem são os meus verdadeiros amigos, aqueles com quem poderei sempre
contar e tu és sem duvida uma dessas pessoas.
- Sempre fui tua amiga
mesmo nos anos que estive em Faro nunca te esqueci... mas vamos deixar estas
lamechices de lado.
- Hum... e o que queres
fazer - sorriu - sim porque já deu
para perceber que aqueles já não saem do quarto...
- Só temos duas
hipóteses ou ficamos por aqui mais um bocado ou vamos até à tua casa porque a
chover como está não dá para irmos muito longe!
- Prefiro a segunda
- sorriu - assim não corremos o risco de
ouvir os festejos daqueles dois - gargalhei perante a insinuação do Ruben -
e depois confesso que já esticava as
pernas - suspirou.
- Ok, deixa-me só dar
uma arrumadela nisto e já vamos.
O Ruben concordou e nos minutos que levei a arrumar tudo
estivemos sempre na conversa, no final fui ao meu quarto buscar o casaco e a
prenda dele para depois seguirmos até à sua casa.
Chegamos relativamente rápido e a pedido do Ruben fomos
directos ao seu quarto, ajudei-o a mudar de roupa para que se pudesse deitar e
quando estava minimamente confortável dei-lhe o embrulho.
- Toma!
- Não era preciso
nada... estares aqui é suficiente - agarrou-me na mão.
- Deixa-te de tretas -
retirei a minha mão debaixo da dele - todos
gostamos de receber prendas no aniversário e além disso não é nada de especial
- sorriu - é só uma lembrança... espero
que gostes.
O Ruben abriu e foi impossível não dar umas valentes
gargalhadas afinal era uma moldura digital com fotos de diversos momentos que
partilhamos em conjunto ao longo do tempo, mas dei ênfase aos dezassete anos
dele, nesse ano com a ajuda da Maria e do João prepararmos-lhe um jantar
surpresa seguido de uma saída para um dos bares de Lisboa, nessa noite gozamos
tanto com ele por ser tão “menino da mamã” que ainda hoje quando recordo é
impossível não fazer comparações entre o antes e o depois.
- Gostas? -
perguntei por o ver tão calado a olhar para as fotos.
- Tinhas mesmo que ir ao
baú retirar estas fotos?
- Porquê? Não gostas de
ver o antes e o depois?
- O que queres dizer com
isso?
- Então... o antes é o
“menino de coro” e o depois é o “gajo jeitoso que come tudo o que é gaja”.
- Estás enganada... o
que falas ser o depois é neste momento o intermédio - falou com uma
segurança tremenda.
- Essa é para rir? Tudo
bem neste momento não podes ir à caça... mas não deixas de ser um predador!
- Continuas enganada...
neste momento não sou predador mas sim presa...
- Sabes que mais... vai
mas é dormir que já não falas coisa com coisa!
- Fica comigo!
- Desculpa? Desde quando
é que precisas de companhia para dormir?
- Não é para dormir que
preciso de companhia - olhei-o - é
mais porque posso precisar de alguma coisa e não tenho cá ninguém...
- Ah! Tudo bem -
sorriu - se é por esse motivo fico cá
mas preciso de roupa...
- Isso não é problema...
escolhe o que quiseres - sorriu - se
bem que ficas melhor sem nada mesmo!
- Ruben!
- Que foi? Até parece
que não gostas que diga estas coisas... vais começar a dar numa de virgem
ofendida é?
- Não... mas somos SÓ
AMIGOS... por isso modera lá essas insinuações - pedi ao retirar um pijama
dele do armário - e vê se dormes porque
vou fazer o mesmo, qualquer coisa chama que estou no quarto ao lado! -
falei enquanto aproximava-me dele para despedir-me.
- Qual foi a parte que
quero companhia que ainda não entendeste?
- Ruben pára -
hesitei por segundos mas acabei por falar o que tinha entalado há quase um mês
- nós somos só dois amigos que já fomos
para a cama mas que não vai voltar a acontecer, mete isso na cabeça. Desculpa
mas não consigo envolver-me contigo por muito que queira e que sinta falta do
teu toque, dos teus beijos, de te sentir dentro de mim não dá... não depois de
teres olhado para mim com desprezo, diria mesmo que sentiste nojo de teres ido
para a cama comigo quando soubeste que envolvi-me com outro sem tomar as
devidas precauções, magoaste-me quando nem sequer deste a oportunidade de pelo
menos tentar justificar-me, não te importaste minimamente com o que senti
naquela altura como também não ligaste nenhuma quando ainda no hospital te
disse que já não sei o que sinto por ti, voltaste a gozar comigo e agora vens
querer que me deite contigo? Desculpa mas não sou uma boneca nas tuas mãos e
sinceramente quero muito continuar tua amiga por isso o melhor é mesmo não
misturarmos mais a nossa amizade com sexo.
- E se não for só
sexo... se te disser que tens razão, que quando contaste o drama pelo qual
passaste que senti mesmo repulsa mas que se o senti foi porque gosto e sempre
gostei de ti, que nunca te consegui esquecer, que te quero SÓ PARA MIM mas que
tenho medo que o que sentes por mim não seja suficiente para fazer com que
mudes e que atines de vez - estava sem reacção por não esperar ouvir tal
confissão - Mariana será que consegues
ser mulher de um homem só? Será que consegues deixar de fugir ao que sentes e
entregares-te a mim verdadeiramente? Porra será que nunca percebeste que te
amo? - o Ruben calou-se talvez à espera de uma resposta minha mas esta
tardou a chegar, afinal as palavras dele tiveram um impacto enorme em mim,
nunca pensei ouvi-lo a admitir que gosta assim tanto de mim e por isso fiquei
simplesmente a olhá-lo - não respondes?
- Tens mesmo a certeza
do que acabaste de falar?
- Que te amo? É dessa
certeza que falas não é? - não me deu tempo para responder - sim tenho, é verdade que nem sempre a tive
e que neguei até ao máximo mas neste momento não dá mesmo para continuar a
fingir... Mariana custa-me ver o pessoal todo a assentar e nós andamos nesta
vida, não é isto que quero para mim.
- O que é que estás a
querer dizer?
- Que quero mais...
Mariana será que é muito se te pedir para tentarmos juntos dar um rumo
diferente às nossas vidas? Nós gostamos um do outro à nossa maneira mas
gostamos por isso não deve ser assim tão complicado conseguirmos ser só um do
outro sem mais ninguém pelo meio.
- Nunca fui muito boa
com essa cena do compromisso...
- Também não mas por
isso mesmo é que quero tentar contigo pelo menos uma coisa temos em comum... a
forma de pensar e levar a vida se não conseguirmos atinar seguimos cada um o
seu caminho e continuamos amigos.
- Isso não é assim tão
linear... confessaste que amas-me mas eu continuo sem saber muito bem aquilo
que sinto por ti, é verdade que não é só amizade porque se fosse isso conseguia
estar do teu lado sem ter esta vontade louca de te beijar mas também não sei se
é suficiente para fazer promessas, Ruben a última coisa que quero é magoar-te,
já basta tê-lo feito no passado.
- O teu problema não é
teres duvidas do que sentes mas sim medo do compromisso no entanto podias fazer
um esforço e dares-nos uma hipótese de tentarmos construir algo juntos -
agarrou-me nas mãos e inclinou o seu tronco de forma a ficar mais próximo de
mim - Mariana não vou andar atrás de ti
se quiseres tentar estou disposto a isso mas se preferires que sejamos só
amigos assim será - suspirei.
- Ruben se for para
tentarmos é para se levar a sério caso contrário fica como está e continuamos
amigos - sorriu - falei alguma
piada?
- Não mas fiquei com a
sensação que acabaste de pedir-me em namoro ainda que de forma distorcida.
- Tens algum problema
com isso? - sorriu.
- Tenho... porque
supostamente esta é aquela parte em que devia colocar-me de joelhos e pedir-te
em namoro com aquelas lamechices bonitinhas mas para as quais não tenho
jeitinho nenhum e muito menos os joelhos permitem - gargalhei.
- Só mesmo tu... deixa
de ser parvo que não preciso nada disso aliás a única coisa que exijo neste
momento é...
Não consegui concluir o meu pedido porque o Ruben adivinhou
qual seria e uniu finalmente os nossos lábios num beijo diferente de todos os
que já demos, este transmitiu-me uma sensação de paz interior que nunca antes
tinha sentido. Ficamos numa de nos mimarmos sem segundas intenções, estávamos
simplesmente a namorar sem qualquer pressa nem urgências. Acabei por deitar-me
do seu lado e adormecer com a cabeça no seu peito enquanto o Ruben fazia-me um
cafuné delicioso.
(Ruben)
Depois de confessar que a amo e de finalmente acertar “agulhas
com a Mariana” ficamos a falar e partilhar alguns mimos até que a vi adormecer,
fiquei a observá-la durante algum tempo e houve momentos em que parecia estar a
viver um sonho, a verdade é que durante anos sonhei com este dia, apesar de
nunca o ter confessado a ninguém e de negar sempre que insinuavam tal coisa o
certo é que nunca a consegui esquecer, de alguma forma aquela vez que nos
envolvemos ainda quando éramos dois adolescentes marcou-me talvez porque
despertou em mim o sentimento que andava ofuscado com a ideia que éramos só
dois bons amigos.
Acordei da mesma forma que adormeci, a pensar na Mariana, olhei
para o lado e encontrei-a ainda a dormir serenamente, fiquei a observá-la mas
não durou mais que uns minutos uma vez que a vontade de sentir os seus lábios
contra os meus falou mais alto e acabei por despertá-la com algumas carícias.
- Bom dia - sorriu
para logo depois abraçar-me - dormiste
bem?
- Ya e tinha continuado
a dormir se o menino não tivesse feito das suas - reclamou.
- Sabes... aqui o menino
está com fome - olhou-me - e como
minha enfermeira - arqueou as sobrancelhas - tens que ajudar-me a levantar-me!
- Hum... peço desculpa
pela minha falta de profissionalismo - foi notório no seu tom de voz que
iria arrepender-me mais tarde por ter levado a conversa para o lado da
“enfermeira” - mas vou já ajudá-lo -
saiu da cama e pegou imediatamente na sua roupa caminhando para a casa de
banho.
- Hey - olhou - onde pensas que vais?
- Vestir-me porquê?
- Podes fazê-lo aqui!
- Isso não seria muito
ético... afinal sou a sua enfermeira... - piscou-me o olho e fechou a porta
para regressar uns minutos depois já vestida - hum... o aniversariante tem alguma preferência na roupa?
- O aniversariante quer
é mesmo comer... Mariana vamos até à cozinha que visto-me depois.
- Fogo estás assim com
tanta fome?
- Tou!
- Ok - sorriu - não quero que o meu bebé morra de fome.
A Mariana colocou a cadeira ao lado da cama e depois de
sentar-me empurrou-a até à cozinha onde fiquei a vê-la a preparar o nosso
pequeno-almoço.
- É verdade não tens de
ir trabalhar?
- Nop... tou de férias.
- A sério?
- Ya mas porquê a
admiração?
- Oh não esperava -
sorriu - mas já que tás de férias isso
quer dizer que podemos passar o dia juntos?
- Hum... isso depende do
que tiveres para a troca... - sentou-se do meu lado algo que aproveitei
para saciar o desejo de beijá-la.
- Dado as limitações...
não posso oferecer muita coisa mas gostava de passar o dia contigo!
- Tadinho dele - apertou-me
as bochechas - tá carente é?? -
beijou-me - sabes que ficas ainda mais
fofinho assim nesta versão de menino da mamã que está habituado a ter os mimos
todos para ele - gargalhou.
- É mas foi este menino
da mamã que despertou a curiosidade em ti há uns anos atrás!
- Pois... mas foi o
actual Ruben que conquistou-me...
- Onde queres chegar?
- A lado nenhum -
sorriu - mas não nego que foi o Ruben do
presente que deu-me a volta à cabeça, que faz com que o deseje sempre mais e
mais, que destruiu o escudo de protecção que tinha e que ajudava-me a não
misturar sentimentos.
- E isso é bom certo?
- Como assim?
- A parte do escudo...
espero que te sintas confortável com isso...
- O tempo o dirá... mas
agora também não quero pensar muito no assunto... um dia de cada vez e o que
tiver que ser será!
- Mariana promete-me que
se em algum momento não te sentires confortável com alguma coisa ou situação
que falas - olhou-me - tenho consciência
que nem sempre sou fácil de aturar... que tenho as minhas manias...
A Mariana não respondeu porque fomos interrompidos pela entrada
da minha mãe na cozinha, cumprimentou-nos e não deixou de fazer as suas
observações mas que felizmente foram bem mais contidas do que as de ontem.
Comemos em silêncio mas numa troca constante de olhares e no fim regressamos ao
quarto, a Mari ajudou-me a vestir as calças e quando já estava minimamente
apresentável convenceu-me a ir até ao Seixal ter com o pessoal, quem estranhou
foi a minha mãe talvez porque nos dias anteriores nunca quis sair e agora
bastou a Mari dar a ideia para aceitá-la numa boa.
Passei o dia com rodeado do pessoal e quando regressei a casa
só lá estive o tempo de tomar um duche e mudar de roupa uma vez que a minha mãe
resolveu fazer um jantar de aniversário com os amigos mais próximos na sua
casa.
Acabei por ir com a Mari até ao seu apartamento onde também ela
mudou de roupa, sim porque o banho esse tinha sido na minha casa junto comigo.
Estávamos no seu quarto quando a Maria entrou sem pedir e por isso apanhou-nos
aos beijos.
- Ah... desculpem
pensava que não tava cá ninguém... prima emprestas-me aquele teu lenço de
limpar as lentes? - a Mariana gargalhou fortemente.
- Tira... mas tu vê lá a
quem é que vais limpar as lentes...
- Não te preocupes...
que não limpo lentes alheias... - voltaram a gargalhar para logo depois a
Maria retirar do armário o que julguei ser um vestido normalíssimo mas só
quando a vi com aquilo vestido é que percebi que de normal não tinha nada.
- Mas tu usas isto?
- manifestei-me imediatamente.
- Ya... se queres mesmo
saber rendeu bem... digamos que os camones caiam que nem tordos aos meus pés...
rico tempo... aquilo sim foi faturar... que saudades do tempo em que estive em
Faro... - olhei-a mas nem sequer respondi... se o fizesse a coisa não
terminaria lá muito bem e quando tivéssemos só os dois logo resolveria o
assunto.
- Prima... dás-me
boleia?
A Mariana concordou e seguimos viagem até à casa da minha mãe,
quando lá chegamos já estava alguns amigos nossos foi notório o quanto a Maria
chamou a atenção de alguns.
- Isto vai dar confusão
- murmurei ainda assim a Mari ouviu.
- Não te metas onde não
és chamado... ela já é grandinha por isso é bem capaz de arcar com as
consequências das suas escolhas!
- Tal como tu és? -
olhou-me - Se te pedir para meteres
aquele esboço de vestido no lixo metes?
- Posso saber qual é
mesmo o motivo desse pedido?
- Mariana - suspirei
- não tenho nada a haver com o que
fizeste no passado, também fiz e também gozei bastante mas se agora estamos
juntos gostava que contasses com a minha opinião.
- Espera aí... estás a
insinuar que antes de sair de casa tens que aprovar o meu look?? É que se
estás... aviso já que vais dar com o burro nas couves... é que nem o meu pai
opina sobre a minha roupa!
- Também não estou a
pedir que mudes radicalmente mas tens que concordar que aquilo não é vestido...
- olhou-me - e sim incomoda-me ver os
outros a olharem para ti... já fazia-me confusão quando éramos só amigos por
isso agora ainda vai fazer mais... sei que não sou teu dono nem quero ser mas
não gosto de ver os outros a babarem quando passas e se puderes evitar isso não
usando certo tipo de roupa agradecia - suspirei - mas a decisão será só tua.
- Hum... ok
convenceste-me - sorriu - não vou
usar mais o vestido.
- Também não precisas
ser de extremos... podes usá-lo só lá em casa - sussurrei-lhe ao ouvido uma
vez que já estávamos na sala e sentados lado a lado.
- Sabes muito... mas
para ti tenho outro tipo de vestimenta... a menos que te contentes só com um
vestido... - respondeu-me do mesmo modo para no fim trincar-me a orelha.
Não lhe respondi porque a entrada do João interrompeu-nos,
recebi novamente os parabéns do meu amigo e teria continuado à conversa com ele
se a Maria não tivesse entrado na sala, assim que o João a viu foi notório o
quanto ficou incomodado e não levou mais que uns segundos a demonstrá-lo quando
a Maria se aproximou, eles acabaram por se afastar o que fez a Mari sorrir.
- Não sei onde está a
piada!
- Fofinho... é que por
momentos imaginei a tua cara se tivesses no lugar do João - gargalhou e
teria respondido mas mais uma vez fomos interrompidos, desta feita pelo meu
irmão que começou com as bocas por estar muito animado mas não liguei nenhuma e
por isso continuei a conviver com os meus amigos.
Os minutos passaram e a minha mãe chamou-nos para a mesa, mais
uma vez foi a Mari que ajudou-me, jantamos lado a lado e animados, já há um mês
que não ria tanto, algo que todos repararam mas que não me incomodou
minimamente.
Acabamos de jantar e o momento que se seguiu foi o de cantarem
os parabéns, soprei as velas e quando preparava-me para o partir a Mari
levantou-se.
- Espera... antes de
contribuíres para mais umas calorias que vou ingerir temos que brindar!
- Shiii não tenho
jeitinho nenhum para isso... - reclamei levando-a a rir.
- Por saber que não tens
é que vou ser eu a fazê-lo... isto se permitires... - sorriu-me.
- Força!
- Então aqui vai...
Ruben,
O tempo passa rapidamente, por isso ama, brinca, ri, chora, esquece os
momentos menos bons e deixa as tristezas de lado. Aproveita cada momento, cada
sorriso, cada pessoa que entra na tua vida… porque o tempo não pára nem volta,
ele segue e tanto as coisas boas como as más simplesmente passam! Nunca percas
a vontade de dar esse amor que existe no teu coração mesmo sabendo que muitas
vezes será submetido a provas e até rejeitado! Lembra-te que sentimentos mudam,
paixões diminuem, namoradas vem e vão mas que a amizade é eterna e a vida é uma
só por isso não percas tempo… VIVE!
A Mariana falou sempre a olhar-me, nunca desviou o seu olhar do
meu um milímetro que fosse e no momento que se calou o pessoal levantou os
copos para brindarmos, brinde feito parti o bolo e uns minutos depois já
estávamos todos na sala, sentei-me no sofá para jogar um pouco com os rapazes
enquanto as raparigas metiam a conversa em dia, no entanto as palavras da Mari
não saiam de forma alguma do meu pensamento, aquele brinde deixou-me inquieto e
assim que tive oportunidade chamei-a.
- Precisas de alguma
coisa?
- Sim... - hesitei.
- Ruben passa-se alguma
coisa? Pareces preocupado...
E agora será que o Ruben falará?

Olá!
ResponderEliminarBem eu poderia dizer que ADOREI e que estava fantástico mas com os vossos capítulos só me vem uma palavra à cabeça: FANTABOLÁSTICO!
É que é tão bom que até crio novas palavras lool
Adorei mesmo,especialmente a reacção do Rúben aquele "vestido" xD
Mas deixaram-me foi curiosa o que será que ele "precisa" lol
Espero por mais um e bem rápido!
Beijinhos
Rita
Lindo!!
ResponderEliminarFinalmente estes dois se declararam :D
Beijinhos**
Amei!
ResponderEliminarEsta Maria... Mas também, o João mereceu! lol
Estou muito curiosa para saber o que o Rúben fará.
Continuem!
Beijinhos
fabuloso...
ResponderEliminarquero mais... agora fiquei super curiosa para ver o proximo...
continua...
Adorei!!!
ResponderEliminarContinuem, beijinhos ;)
Bruna
Esta fantastica adorei.bjs
ResponderEliminarOlá meninas :D
ResponderEliminarMais um capítulo fantástico! Amei como sempre :D
Agora estou muito curiosa para saber o que irá dizer o Ruben!
Quero mais ;)
Beijinhos
Ritááá xD
Finalmente o Ruben assumiu que entre os dois há mais do que amizade. A Mariana abusa, o rapaz tem razão aquilo não é um vestido, é só meio vestido porque esqueceram-se do resto do tecido, ai os ciúmes a apertarem...
ResponderEliminarAo menos o rapaz anda mais animado, mas este brinde deixou-o inquieto, será que ele tá com medo dela ter mudado de ideias? e afinal só quer mesmo ser amiga dele? Até eu ao ler aquelas palavras fico a pensar isso...ai estes dois...
Beijocas
Fernanda