(Mariana)
O inesperado reencontro com o João fez com que perdesse o meu “bote salva vidas” para aquela noite, afinal o tal de Paulo não deve ter gostado de ficar para segundo plano e por isso nunca mais o vi. Estava novamente a entrar em tédio e a observar a minha prima e o João na mera cavaqueira o que no fundo deixou-me feliz, nós perdermos o contato com o João de uma forma parva e agora tanto ano depois parece que nunca nos tínhamos separado.
Estava perdida nestes pensamentos quando decidi acabar com a conversa daqueles dois.
- Ó meus queridos não tenho vocação para segurar vela- a minha prima fuzilou-me com o olhar - por isso vou bater perna por aí - o João gargalhou - que foi?
- Nada mas já deu para perceber que continuas igual?
- Achas? - a Maria meteu-se na conversa - Igual nada, ela está é trinta mil vezes pior.
- Maria Micaela - o João gargalhou fortemente - porra não precisas ofender mesmo sério trinta mil vezes pior?
- Pronto ok desculpa - olhou-me - quinhentas mil vezes está melhor?
- Assim já gosto mais - gargalhamos as duas que nem perdidas, o João olhava-nos à vez.
- Ui que é desta que Lisboa vem a baixo, qual terramoto de 1755 qual quê - gargalhou - quem tem as M&M’s tem o fim do mundo às portas.
- É piadinha - dei-lhe um calduço - vê lá se te cai o dentinho.
Ainda fiquei na brincadeira com eles durante uns minutos mas acabei por os deixar sozinhos e ir dar uma volta pelo espaço, afinal ainda nunca tinha lá entrado e não sou de desperdiçar oportunidades. Estava já a regressar para junto deles quando percebi que já não estavam sozinhos, a minha prima e o João encontravam-se agora rodeados por um grupo de pessoas mas o que despertou-me a atenção foi o rapaz com quem a Maria estava à conversa, esta parecia bem animada uma vez que a minha prima sorria e chegou mesmo a abraça-lo, aproximei-me com a curiosidade ao máximo e foi quando estava a escassos passos deles que percebi tratar-se do Ruben, hesitei em continuar, não sabia como iria reagir à minha presença mas acabei por abandonar os pensamentos negativos e reduzi a distância que apesar de ser só uns meros passos foi suficiente para a “louca da Mari” descer em mim e sem pré-aviso fiz das minhas.
- Olha quem é ele - falei depois de lhe dar um tremendo apalpão o que fez o Ruben deixar cair o copo que tinha na mão e saltar que nem louco, já o pessoal que estava com eles olhou tudo sem perceber o que se passava - está tudo bem?
- Comigo está - olhou-me de cima a baixo sem o mínimo cuidado em disfarçar para logo depois colocar um braço na minha cintura e puxar-me para si, algo que apanhou-me de surpresa, o olhar do Ruben era de desafio e o sorriso, ai o sorriso era de safado mesmo - agora contigo já deu para perceber que está tudo igual - sussurrou-me agora ao ouvido, isto depois de ter colado os seus lábios na face direita do meu rosto - contínuas sem conhecer limites - gargalhei.
- E tu continuas a pular que nem canguru - gozei.
- Vê lá se este canguru não te salta em cima - atirou de rajada.
- Isso é uma ameaça para ser concretizável quando mesmo? - desafiei-o, olharmo-nos mutuamente e numa proximidade reduzida o que permitia que falássemos num volume só audível aos dois.
- Quando e onde quiseres - gargalhei despertando novamente a curiosidade do pessoal que o acompanhava.
- Ena deixamos de ter menino da mamã para ter garanhão foi?
- Sou suspeito para falar - o Ruben aproximou os seus lábios do meu ouvido e sussurrou-me - por isso o melhor é mesmo experimentares para tirares a prova dos noves.
- Sempre gostei de matemática - sorrimos os dois - adoro somar momentos de prazer e subtrair dores de cabeça, multiplicar as vezes todas quanto as que quiser repetir para depois dividir com o mundo - gargalhou.
- Bem consegues estar ainda pior - admitiu entre gargalhadas.
- Olha quem fala que desde que cheguei ainda não parou de se atirar a mim.
- A culpa é tua - olhou-me - aliás sempre foi tua - iria jurar que o vi a suspirar - dás-me a volta à cabeça em segundos - gargalhei por não o ter levado a sério.
- Que piropo tão fraquinho - gozei - não és capaz de melhor? - desafiei-o.
- Sou - sorriu - mas para isso precisas vir comigo - desafiou-me novamente.
- Olha lá mas estás com os copos, é?
- Estás a insinuar que só nos envolvemos naquela noite porque estava com os copos? - o Ruben falava agora sério e o sorriso tinha desaparecido.
- Queres mesmo falar sobre o passado?
- Estás com medo de alguma coisa, é?
- E tu estás a insinuar alguma coisa?
- Quem começou com as insinuações foste tu - olhou-me - ao mencionares o álcool quando sabes perfeitamente que não foi a bebida a responsável pelo que se passou.
- E porquê que estamos a falar disso?
- Talvez porque o assunto nunca ficou esclarecido - atirou de rajada.
- E a culpa foi de quem? Minha não foi de certeza afinal quem fugiu foste tu.
- Querias o quê? Que ficasse a assistir ao momento que irias colocar o meu nome na tua longa lista ou melhor na tua lista infindável, sim porque naquela altura já era longa então agora deve ser impossível encontrar o início - fiquei sem reacção, o Ruben em segundos mudou completamente de postura - ou então que ficasse para participar no momento de troça que se adivinhava.
- Troça? Como assim?
- Mariana não tentes passar-me um atestado de burrice, há muito que abri os olhos, sabes durante estes anos que andaste a divertir-te em Faro, não fiquei só a ver o corso carnavalesco que de cada vez que o via já existia mais um palhaço, também fiz o meu próprio carnaval.
- O que é que queres dizer com isso?
- Que este palhaço não está para ser usado por ti - olhei-o - Mariana ensinaste-me muito, incluindo a saber distinguir uma mulher de uma criança imatura que só se quer divertir, lamento mas se queres umas horas de prazer vais ter que ir procurar a outro lado, ah para a próxima dispenso os apalpões, porque em mim só toca quem deixo e não quem quer tocar.
- Desculpa se te ofendi alguma vez - olhou-me - mas fica a saber que nunca gozei contigo e que ainda hoje recordo o nosso momento, marcaste-me é verdade mas lamento se te desiludi ao ter continuado em frente. Ruben nós seguimos rumos diferentes, achas mesmo que iria esperar por ti quando nos meus últimos meses em Lisboa fartei-me de tentar falar contigo sem obter sequer um ai que fosse, achaste no direito de atiras-me à cara que te usei então e tu o que é que fizeste? É que se pararmos para a analisar o que se passou entre nós é para fazê-lo de forma justa e aqui quem usou foste tu, afinal quem ignorou o outro depois de termos feito sexo não fui eu e muito menos sou a responsável por ter começado com aquilo tudo, limitei-me a deixar que acontecesse e se queres saber gostei do que se passou mesmo contigo a não conseguires levar-me ao limite aliás nem perto de lá chegar estive - interrompeu-me.
- Não mintas, confessa que fui só mais um, aliás tanto que fui que não precisaste de muito tempo para arranjares outro para substituir o meu lugar.
- Nunca te iludi, já sabias à partida que serias só mais um, não venhas com tretas porque sempre falei que não queria namorar com ninguém e já agora qual é mesmo o motivo para estarmos a atirar isto tudo à cara um do outro tantos anos depois?
- O motivo, é isso que queres saber? - sorriu de forma cínica - Talvez seja o mesmo que levou-me a deixar de responder às tuas mensagens e chamadas - respirou profundamente - só precisaste de umas miseras horas em Faro para arranjares outro, tinhas acabado de deixar um palhaço em Lisboa plantado à tua espera e já estavas agarrado a outro em Faro - fiquei estática a olhá-lo - sim porque podia não ser dependente do hi5 e actualmente do face e twitter mas naquela altura tinhas-me nos teus amigos do hi5 nunca te passou pela cabeça que iria ver as fotos?
- Foi por isso que cortaste qualquer tipo de contacto?
- Achas pouco?
- Ruben, nós não namorávamos, não tínhamos rigorosamente nada por isso não vejo onde é que está o mal daquelas fotos.
- Ok, esquece - encolheu os ombros - continua a ser do povo que é o que gostas.
Passei-me no momento que o Ruben insinuou tal coisa e quando dei por mim já tinha os meus dedos marcados nas trombas dele, saí daquele espaço sem dar tempo à minha prima de acompanhar-me, deixei-a para trás precisava de ficar sozinha para libertar a raiva que sentia naquele momento.
Tinha acabado de destrancar o carro e entrado quando abriram a porta do pendura, apanhei o maior susto da minha vida e só por isso não reagi de imeditado.
- Estás parvo, sai já - gritei, estava fula da vida com o Ruben e ele ainda teve o desplante de vir atrás de mim.
- Achas mesmo que dás-me um estalo em frente de tanta gente e vou-me ficar?
- E tu, achas que chamas-me de puta e não tens retaliação, é? - gritei, estava mesmo furiosa e talvez por ter usado um termo tão vulgar fez com que o Ruben baixasse o olhar - Sim posso já ter ido para a cama com muitos gajos então e depois? O corpo não é meu? Então faço com ele aquilo que quero e não tens nada que te meter no assunto, não me és nada nem nunca foste, cai na real e desaparece-me da frente.
- Reconheço que excedi-me - interrompi-o.
- Cala-te já não te posso ouvir.
- Porquê?
- Hã? Porquê o quê?
- Porquê que tens de ser assim - sorri cinicamente.
- Assim como puta, é? Olha mas foi aqui com esta puta que escolheste para deixares de ser menino...
Não consegui concluir porque o Ruben abriu a porta e saiu do carro sem dizer mais nada, agradeci por o ter feito e arranquei a toda a velocidade, ainda às voltas pela cidade e perdi a noção das horas, quando cheguei a casa tinha a Maria a fazer-me uma espera.
- Agora não - barafustei antes que abrisse a boca para melgar-me o juízo - vou dormir.
A minha prima não insistiu e por isso fui deitar-me, após umas voltas na cama acabei por adormecer e quando acordei já passava das três da tarde. Tomei um duche, vesti uma roupa quentinha e fui dar uma volta, acabei no Castelo de S. Jorge, sitio para onde ia sempre que precisava de colocar as ideias em ordem, a observar Lisboa. As horas passaram e o momento de regressar a casa tinha chegado, respirei fundo e entrei no carro.
(Maria)
A chegada da Mariana ao contrario do que esperava teve tudo menos algreia e saudade!
A Mariana “jogou-se” ao Ruben como sempre, mas a reacção dele foi para mim inesperada!
- Ok eu já tinha percebido que o Ruben menino de coro já não existe muita coisa, mas vê-lo responder à letra à Mariana está a surpreender-me
O João riu-se com o meu desabafo
- Tu não imaginas o que o Ruben mudou... não imaginas mesmo!
- Não pode ter sido assim tanto...
- Ai não.. não pode... olha que houve noites que se estivesse-mos aqui e eu fosse ali buscar uma bebida ele rodava 3 ou 4 antes de eu voltar!! - olhava-o abismado - mas agora pelo que percebi acalmou já aguenta com a mesma uma noite inteira, isto claro sem contar com a namorada... esta agora está a conseguir bater um record e já está com ele há 15 dias!
O João acabou de falar e nem lhe consegui responder pois nesse exacto momento a Mariana deu um valente estaladão no Ruben ainda tentei segui-la, mas o Ruben antecipou-se e o João fez-me sinal que o deixasse ir
- Isto não vai acabar bem...
- É melhor eles resolverem sozinhos... foram muitos anos a guardar arrependimentos e desejos...
- Talvez tenhas razão... e com isto já estou a ver que fiquei sei boleia... vim com a Mariana
- Se quiseres ir agora eu levo-te afinal amanhã tenho treino não posso ficar mais
- Se não te incomodar...
- Incomoda agora... voltas-te para casa dos teus pais?
- Nop estamos a viver no Parque das Nações
- Estamos?! Então ele não veio porquê?
- Ele quem?
- O teu namorado!
- Eu não tenho namorado... e podias ter perguntado isso directamente escusavas de rodeios. Moro com a Mariana como é óbvio!
Rimos-nos os dois. Abandonamos o bar e quando já íamos quase a chegar
- E tu voltaste para casa dos teus pais?
- Não... para já aluguei um apartamento perto da Academia...
- Humm... olha amanhã já tens planos para o jantar?
- Não, nada...
- Podias falar com o Ruben e virem jantar lá a casa. Sempre metíamos a conversa em dia com calma...
- Parece-me uma excelente ideia...
- Podes parar aqui... é já neste aqui
- Entregue...
- Amanhã ás 20h 3ºDtº
- Cá estaremos!
Despedimos-nos com dois beijos e subi. Quando percebi que a Mariana ainda não tinha chegado decidi esperar por ela, passado mais de uma hora ela chegou e percebi que não valeria a pena tentar falar-lhe nem mesmo para agradecer o ter-me arrastado o que provocou este reencontro.
Adormeci a pensar em como na prática quando estávamos juntos os anos pareciam não ter passado.
Acordei poucas horas depois mas não podia dar-me ao luxo de dormir a poucos dias do fecho do mercado de inverno. Não tinha a meu cargo a gestão da carreira de nenhum jogador de “1ªlinha” mas tinha alguns negócios para finalizar. Naturalmente quando sai de casa ainda a Mariana dormia e por isso nem a avisei que teríamos visitas ao jantar.
Como reagirá a Mariana aos convidados? Como correrá a noite?
Olá :D
ResponderEliminarAdorei!
Espero que o Ruben e a Mariana se entendam! E que a noite corra bem!
Beijinhos
Ritááá xD
Bem eu estou de boca aberta com o Ruben :o
ResponderEliminarE não sei se vão achar muita piada ao jantar :3
Mas espero que se entendam os a =)
Quero o próximo ;D
Beijinhos
Eu bem me parecia que este encontro não ia correr bem.O Ruben que a Mariana conheceu não existe mais, este é um novo Ruben, secalhar um bocadinho por culpa da Mariana.
ResponderEliminarGostei muito, e gostei acima de tudo da atitude do Ruben, não se intimidou com a atitude da Mariana, pelo contrário respondeu-lhe à letra,e até lhe disse o que ela não esperava ouvir.Gostei quando ele disse "dispenso apalpões,em mim só toca quem deixo e não quem quer tocar",gostei mesmo. A Maria e o João tiveram muito bem, mas este jantar...não irão voar pratos pelo ar? Quando o assunto mete Mariana, todo o cuidado é pouco.
Agora conseguiram deixar-me curiosa, por isso bandeiem-se.
Beijocas
Fernanda
Olá!
ResponderEliminarAi meninas, como diz o João "qual terramoto de 1755 qual quê"! Isto é que foi de pôr qualquer um a abanar? E o nosso nerd Ruben? :O He's gone! xD
Bem, aquilo foi uma discussao e eu que pensei que ia dar numa noite caliente e a unica coisa que ficou caliente foi mesmo a cara do menino Amorim.
Ja o Joao e a Maria continuam iguais, parece que nao houve nem tempo nem distancia!
Espero por esse jantar ansiosamente!
Beijo
Ana
Olaaaa :)
ResponderEliminarAdoreiiii a vossa fic :D
Beijinhos
Anne M
Oh my...
ResponderEliminarIsto é que foi...
Poça, o Rúben foi um estúpido, mas eu ainda gosto dele. lol
Bah. agora a sério. Adorei e queria o próximo com alguma urgência se pudesse ser, lol
Beijinhos! :)
Vão postar hoje? (:
ResponderEliminarEstou a adorar a história!
Adorei!
ResponderEliminarO Ruben foi mauzinho! Mas acho que também provou que tinha mudado e que nao era mais o menino da mama.
Ele e a Mariana até que fazem um casalinho jeitoso! A Maria e o Joao também!
Quero muito ve-los juntinhos, sim pq nao me esqueci do casamento do Joao e da Maria, e aposto que os padrinhos sao os outros dois hehe
Postam hoje??
p.s.continuem com esta excelente história!
Beijinhos*