(Maria)
Por ser domingo tudo estava calmo tratei dos últimos detalhes de umas trasferências e no caminho de casa parei no centro comercial para fazer algumas compras para o jantar.
Comecei por algo para vestir. E quando me apercebi eram horas de almoço fiquei-me por uma salada na zona da restauração e depois supermercado com ela. Não fazia ideia do que fazer acabei por optar por uma saída “airosa” e pouco trabalhosa Lasanha! Além da Lasanha comprei bebidas e alguns salgados para entrada. Estava já a chegar à caixa quando me lembro da sobremesa resolvi pegar em gelados de menta e nata e ainda em tudo o que iria precisar para confeccionar a minha especialidade Petit gâteau com gelado para sobremesa.
Terminei tudo eram quase 19h mesmo a tempo de um duche e de uma produçãozinha.
Ouvi a campainha pensei que pudesse ser a Mariana que não tivesse levado as chaves, mas não eram já os rapazes.
- Olá! Sejam bem-vindos
- Boa noite! - disseram em coro
- Ai mas que afinadinhos!
Sorrimos os três e em seguida apresentei-lhes a casa.
- A Mariana?
- Não sei quando saí para trabalhar ela ainda dormia e quando regressei já não estava em casa
- Fugiu... tão óbvio... e depois o “menino” sou eu
- Ruben eu não sei o que se passou ontem mas ela nem sabes que vocês estão cá, nem isso lhe disse
- Olha lá ainda não mostras-te onde tens a play... ou será que além de trocares as sapatilhas pelos saltos também abandonaste a playstation?!
- Achas que sim bora, está na sala... Para começar uma mano-a-mano dos antigos e quem ganhar joga com o Ruben!
- Txiii a moral da mulher!
- É assim mesmo joguem entre vocês que o Pro fica a avaliar a concorrência!
Acabei por jogar com o João foi renhido e esteve sempre empatado, fomos a prolongamento e estávamos a chegar aos penalties quando a Mariana finalmente chegou a casa.
A chegada da Mariana gerou logo um certo desconforto no Ruben e a presença dele também não a deixava muito confortável olhei para o João e consegui perceber que ele tinha reparado no mesmo por isso mesmo assim que a Mariana meteu conversa sobre as mudanças ao longo dos anos o João aproveitou
- Eu não arranjei uma que me ature, fui arranjando várias poupei-as dividindo o mal pelas aldeias... - sorriu - estive este tempo apenas focado na minha carreira, quando sai do Benfica e fui para Barcelos sabia que era bom para mim, mas passei muitas noites a pensar que tinha saído do maior clube do mundo - olhei-o indignada e ele como resposta mostrou-me a língua - para um... oh pá... por um mais pequeno e menos visível, sem competições europeias, sem capas de jornais, sem nada do que é o “mundo de sonho” do futebolista, custou a adaptar-me mas consegui e acabei por ter aquilo que queria jogava e estava bem, surgiu a hipótese Braga e lá fui eu... o Braga já é outro assunto e neste momento não sendo um grande está lá perto... e agora estou aqui...
- Aqui?! - Provoquei-o
- No Sporting! De volta aos grandes palcos e às luzes da ribalta, mas o que eu quero mesmo é conseguir consolidar ainda mais a minha carreira e sim a selecção era uma boa ideia...
- Grandes palcos tadinho a inteligência foi-se com os cabelos! No maior palco estou eu!! - quando o Ruben falou eu e o João atiramos-lhe ao mesmo tempo cada um uma almofada do sofá que deu direito a galhofa - e se em vez de me atacarem a Maria nos contasse por onde andou e que raio andas a fazer para trabalhares ao domingo?
- Não tenho muito para contar... Quando cheguei a Faro resolvi que também tinha direito a umas farras e tive a sorte de ter uma excelente mestre no assunto para me acompanhar, aproveitei-as muito e passados dois anos com o inicio do namoro assentei acabei a licenciatura em Gestão e acabei por fazer logo o mestrado e agora trabalho numa empresa de Gestão de Carreiras - preferi não entrar em detalhes já que, por exemplo a transferencia do João me tinha passado pelas mãos - Desde que comecei a trabalhar em Agosto que voltei a Lisboa e antes que perguntem quando voltei já não tinha ninguém as coisas não acabaram muito bem... e agora o que quero mesmo é chegar o mais longe possível a nível profissional.
Assim que terminei seguiu-se a Mariana e depois o Ruben e claro está que as farpas começaram a saltar. Olhei para o João e
- Olha lá mas eu fui convidado para jantar e comida que é bom nada... já tenho uma certa fome!
- Tens razão meninos vamos para a mesa!
O jantar não foi fácil mas pelo menos não descambou, assim que todos terminamos resolvi levantar a mesa e o João ofereceu-se para ajudar bem como os outros dois. Claro está que apenas aceitei a oferta do João.
Seguimos para a cozinha e tinha acabado de pousar a loiça no lava loiça quando sinto-me apertada contra a bancada da cozinha.
- João?!
- Xiu... eu preciso disto para ter a certeza que não fui eu que sonhei, ou que a memória me traiu e deixou tudo melhor que o real.
Não me deixou responder e juntou os nossos lábios ainda pensei em resistir, mas passados poucos segundos fui eu a intensificar o beijo juntando as nossas línguas quando nos faltou o ar separamos as bocas mas mantivemos-nos colados já que as nossas mão já se tinham juntado à festa.
Vi-o sorrir e depois
- Eu sabia...
- Sabias?
- Que tinha boa memória... ou então espera sou capaz de ter má porque o que me lembrava não era tão bom...- aproximou-se de novo
- Parou! Não vamos entrar por este caminho...
- Não?! Porquê?
- Porque nem devias estar a fazer testes de memória porque o que acontece no baile fica no baile certo?
- Errado...
- João ajuda-me com a sobremesa deixa-los tanto tempo sozinhos não é seguro
Ele não respondeu e voltou a repetir a “graça” e eu acabei por ceder completamente e já estava sentada na bancada da cozinha com as pernas em volta da cintura dele, até que percebi que se não parasse as coisas iriam ganhar contornos muito perigosos
- João... sobremesa...- falei aproveitando que tinha soltado a minha boca e estava entretido com o meu pescoço
- Sobre-a-mesa?! Preferes?! É onde quiseres... -surriu com o ar mais sacana possível e sem pensar pegou-me ao colo e soltou-me em cima da mesa da cozinha - os seus desejos são ordens...
Uniu novamente os seus lábios e eu acabei por me render definitivamente aquilo só iria terminar de uma maneira e se era assim não seria na cozinha afinal tínhamos companhia
- Quarto... - consegui sussurrar no meio dos beijos e caricias com que nos brindávamos
- Hum??
- Vamos para o meu quarto aqui eles podem entrar...
O João não hesitou voltou a pegar-me no colo e com o máximo cuidado possível entre gargalhadas abafadas em beijos ardentes seguimos da cozinha para o meu quarto sem sermos apanhados. Assim que entramos no quarto
- Põe-me no chão!
Ele não refilou, colocou-me no chão sem me largar, fechei a porta e dei uma volta na chave. Tomei o comando da situação e empurrei-o para a cama. A surpresa não o deixou reagir e ele ficou deitado, coloquei-me por cima dele e iniciei um percurso de beijos molhados a começar na boca e seguindo a trilha de botões da camisa que ia desabotoando. Se de inicio ainda refilou sensivelmente a partir da zona do peito o João já não dizia nada com coerência e assim que terminei os botões da camisa imediatamente encontrei o cinto e num ápice o botão e o zipper das calças já estavam também abertos. Ele bem tentou inverter posições, mas não permiti e vi-o perder a vontade de o fazer quando ainda por cima do tecido dos boxers o acariciei, para logo de seguida ainda com a barreira de tecido o beijar e o ouvir gemer
- Psiuuu... baixinho olha que não estamos sozinhos... ou baixas o volume ou acaba-se a brincadeira!
Ele apenas sorriu e eu não pensei duas vezes vi-me livre dos seus boxer’s e brindei-o com alguns beijos e lambidelas para passado pouco tempo aprofundar de vez as caricias apenas parando quando tive a certeza que ele tinha atingido o seu máximo. Fui incapaz de não sorrir antes de iniciar o percurso contrario dos beijos terminando em mais um de tirar o fôlego
- As amigas servem para isto... para darem boas memorias
Disse-lhe antes que ele me virasse na cama ficasse agora no comando e nesse exacto momento o meu telemóvel tocou pelo toque sabia quem era e tinha mesmo de atender
- João pára tenho mesmo de atender! - ele olhou-me sem achar piada, sorri-lhe - é o chefe tem mesmo de ser...
Ele deu-me espaço mas as caricias começaram a ser espalhadas pelo resto do corpo
IDL
- Boa noite Boss!
- Boa noite sobrinha desculpa a hora...
- Sem problemas
- Tu e a Mariana estão em casa?
- Sim estamos...- não me deixou dizer que estávamos acompanhadas e
- Optimo em 15 minutos tou ai!
- 15 minutos?
- Nem tanto - e desligou
FDL
Assim que desliguei a chamada o João tentou retomar a coisa do ponto onde estávamos, mas infelizmente tive de cortar a situação
- Desculpa, mas temos mesmo de ficar por aqui... tenho 15 minutos para estar com um ar minimamente apresentável na sala para receber o meu tio e patrão
- Que é um senhor com um sentido de oportunidade brutal!
Não pude deixar de gargalhar e acabei por o deixar para trás e ir até à casa de banho garantir que estaria apresentável e assim que sai o João imitou-me o gesto não sem antes lhe dar um pequeno beijo e informar que estaria à sua espera na cozinha.
Tratei das sobremesas e quando o João se juntou a mim resolvemos voltar para a sala e assim que entramos percebemos que não tínhamos sido só nós a animarmos-nos o que nos valeu umas valentes gargalhadas!
(Mariana)
Fiz a viagem de regresso a casa sem grande vontade, pois conhecendo a minha prima como conheço já sabia que iria ouvir os seus sábios conselhos mas quando entrei em casa e fechei a porta percebi que afinal não estava sozinha e que por isso os meus ricos ouvidos podiam ter mais uns minutos de descanso.
Não foi difícil identificar o dono da voz que provinha da sala por isso mesmo hesitei em aproximar-me daquela divisão, mas acabei por fazê-lo mesmo correndo o risco de interromper alguma coisa entre aqueles dois, sim era a voz do João que ouvi.
Entrei na sala a mexer no meu telemóvel estava a actualizar o meu twitter “Mariana Mendes @M&M_ o meu novo lema…ignorar e bola para a frente”
- Mari, Mari sempre no vício - sorri ao ouvir o João.
- Sou mulher de muitos vícios - fiz uma pausa para ler as respostas ao meu tweet e acabei mesmo por responder ao da Ana que perguntava o que tinha acontecido “@Ana_nada de especial, descobri só que há pessoas que não merecem sequer o ar que respiram” sorri sozinha ao ler o que tinha escrito, sabia que ia dar polémica mas era mesmo disso que estava a precisar para distrair-me - como estava a dizer - voltei a falar ao mesmo tempo que desviei o olhar do telemóvel e por isso vi que não era só o João que estava na sala - posso ter muitos vício mas pelo menos este ainda é decente e não podem acusar-me de ser do povo - a tirei sem demoras e a olhar para o Ruben que se mantinha calado a observar-me, tal como fazia no passado.
- Hã? Essa não entendi - o João manifestou-se.
- Deixa lá também não perdes muito - aproximei-me dele e cumprimentei-o com os dois beijinhos da praxe - bem vou até ao quarto.
- Vais onde? Prima não inventes - olhei-a - senta-te aí - apontou para o sofá onde o Ruben se encontrava sentado.
- Não me parece - olhei para o Ruben e teria mandado alguma boca se não tivesse sido interrompida pelo João.
- Hey não te vais enfiar no quarto - olhei novamente para o Ruben e ao perceber que estava desconfortável, talvez por ter sido arrastado para algo sem saber, resolvi mudar de ideias.
- Tudo bem, fico convosco - sentei-me no sofá ao lado do Ruben mas numa de o ignorar completamente - mas quero saber o que andaste estes anos todos a fazer nomeadamente se já conseguiste encontrar alguém que te ature - mudei o jogo a meu favor para desagrado da minha prima mas a verdade é que nos minutos seguintes o assunto foi a vida do João ao longo dos anos, depois passou para a da Maria, chegando a mim que fiz questão de não esconder nada do que fiz em Faro - Ui a minha vida em Faro foi assim uma montanha russa, teve de tudo, momentos de croma que só via livros à frente, outros de desleixada e que por isso recorreu às cabulas para fazer os exames mas aqueles que considero como auge são os que partilhei com as mais diversas pessoas - fiz uma pequena pausa - ah com pessoas estou a referir-me aos gajos que andei a comer durante estes anos todos, posso mesmo assegurar que rodei as mais diversas nacionalidades e cheguei à conclusão que aquele ditado que diz que o que é Nacional é que é bom até se aplica, lógico que teve as suas excepções mas… no geral conseguiram todos satisfazerem-me - o João olhava-me atónico com o meu desplante - tirando a versão Mari a do povo também fui a Mari louca por uma boa jantarada entre amigos ou ainda a Mari que apesar de não demonstrar sentiu a falta aqui do amigo João - gargalhamos.
- Não mudas mesmo, és completamente louca.
- É sabes que louca é o meu nome do meio.
- E quando é que pensas assentar? - gargalhei fortemente - onde é que está a piada?
- Amigo, esse dia está longe muito longe - calei-me e voltei a mexer no telemóvel, estava a ver as últimas quando ouvi a Maria.
- Ruben é a tua vez, sim que não pensas que te escapas sem contares como é que se dá a transição de menino de coro para este novo Ruben que está diante de nós.
- O que é que queres mesmo saber? - ouvi pela primeira vez a voz do Ruben.
- Tudo.
- Tudo mas mesmo tudo?
- Ó Maria se fosse a ti pedia só o resumo - o João meteu-se - sim que se os rapazes de Lisboa e arredores acalmaram com a ida da Mari para Faro em contrapartida as raparigas começaram a andar num rodopio doido - o Ruben gargalhou à descarada.
- Deixa de ser exagerado.
- Exagerado? Ó Maria como é que te vou explicar - fez uma pausa - digamos que existe dois Ruben’s o antes e o depois, o que tu conheceste é o oposto daquele que está aqui nesta sala connosco, boa?
- Que filme que vai para aí - o Ruben refilou - só porque acordei para a vida - olhei para ele - abri os olhos tarde mas por isso mesmo é que tive de recuperar o tempo perdido.
- Bem quem é que foi a responsável desse feito - a Maria falou e só tive vontade de a esganar, apesar de nunca o ter admitido tinha quase a certeza que ela sabia que entre mim e o Ruben tinha acontecido alguma coisa.
- Quem foi não interessa até porque não passou mesmo de uma cena de momento sem grande importância - não estava para ouvir aquilo e por isso levantei-me - então vais-te embora? - desafiou-me - Agora que vou contar os meus feitos? Não tens nem um pouco de curiosidade para saber como é que foi a vida aqui do teu - o Ruben estava a provocar-me - amigo ou quem é que o desemburrou - respirei fundo, voltei-me para ele e respondi.
- Há uma frase que diz se o arrependimento matasse... pois mas não mata e a prova viva disso sou eu - olhávamo-nos - só há um nome que se pudesse regressar ao passado apagava da minha lista infindável e não seria pelo seu fraco desempenho afinal era mesmo marinheiro de primeira viagem seria mesmo porque foram as duas horas mais mal empregues da minha vida.
O Ruben teria respondido mas talvez por saberem que iria descambar de vez, a Maria e o João meteram-se no meio e habilmente desviaram o assunto, no entanto ficou um ambiente estranho entre nós.
Durante o jantar não dirigi a palavra uma única vez ao Ruben, o que foi recíproco, no entanto o momento partilhado com o João e a Maria estava a ser bem bacana e por diversas vezes relembrei momentos da nossa adolescência, sempre que isso acontecia tentava afastar de imediato tais pensamentos, foi nesta luta interior que jantei.
- Bem vou buscar a sobremesa - a minha prima levantou-se e começou a reunir os pratos.
- Eu ajudo-te - o João ofereceu-se imediatamente e ao ver que ia ficar sozinha com o Ruben também ofereci os meus préstimos o que originou mais um momento de gargalhada por parte daqueles dois ou não fosse eu e o Ruben termos falado ao mesmo tempo que também ajudávamos.
- Deixem-se estar - olhei para a Maria - o João foi o primeiro a oferecer-se por isso é ele que ajuda.
Não reclamei por saber que não adiantava de nada, há muito que tinha entendido o motivo do jantar, sim porque por muito que quisessem que acreditasse que era para recuperarmos o tempo perdido sabia que a razão principal era para ver se eu e o Ruben nos entendíamos. Estava a oscilar o meu olhar entre os ponteiros do relógio e a televisão quando não aguentei mais e tive que questionar o Ruben.
- Odeias-me assim tanto? - olhou-me
- Quem que te disse que odeio-te? - falou calmamente.
- Se não odeias então o que é que sentes por mim? - fui direta ao assunto e mais uma vez vi o Ruben desviar o olhar do meu, sorri ao recordar o passado
- Saudade - não esperava tal resposta - saudade de estar contigo numa boa, de ouvir-te a dares-me na cabeça, do meu porto de abrigo - já olhávamo-nos novamente - de ser aquele menino de coro que não sabia como reagir sempre que a amiga resolvia envergonhá-lo.
- E porque é que não pode voltar a ser assim?! Eu estou cá para te envergonhar sempre que quiseres - sorriu
- Tens noção que já não sou o menino que conheceste e que se queres envergonhar-me vais ter que te empenhar muito mais - senti uma provocaçãozinha no seu tom de voz.
- Sabes - aproximei-me dele - isso ainda torna o desafio mais interessante - o Ruben reduziu ainda mais a distância.
- Então só para ficar ainda mais interessante - o olhar do Ruben oscilava entre o meu e os meus lábios - vai uma aposta que não consegues? - gargalhou
- E qual vai ser mesmo o meu prémio por ganhar a aposta? - sussurrei-lhe ao ouvido.
- Como sei que vais perder deixo-te escolher o prémio - o tom de voz do Ruben e a forma como o olhar dele penetrava o meu estavam a deixar-me fora de mim.
- Não sei se será boa ideia - não resisti e a minha mão foi até à sua perna.
- Então e porquê? - o sorriso dele era de sacana - Estás com medo de não teres pedalada, é? - gargalhei.
- Não provoques - senti o braço do Ruben no fundo das minhas costas puxando-me ainda mais para si.
- Porquê? Não te consegues controlar, é? - sussurrou ao meu ouvido aproveitando para depositar uns beijinhos “inocentes” no meu pescoço.
- A questão é se terás resistência para aguentares - o Ruben olhou-me de uma forma que deixou-me arrepiada - e também não acho que a tua namorada vá gostar dessa ideia - afastei-me afinal a proximidade dos nossos rostos estava a arruinar com o meu autocontrolo e não queria ceder, pelo não para já.
- Estás a ver aqui alguém? - olhou em volta para aproximar-se novamente de mim - é que eu só te vejo a ti.
- Posso ser muita coisa mas não sou destruidora de relações.
- Como é que sabes que tenho alguém? - falou já com os seus lábios a milímetros dos meus.
- Não sabia, por isso atirei o barro à parede e tu tal como os outros todos caíste - sorri vitoriosa para afastar-me logo depois - como vês continuas a ser um menino perto de mim - joguei sujo no momento que levei a mão ao seu rosto, passando os dedos pelos seus lábios, descendo pelo tronco e só terminando no zipper das suas calças - para a próxima não penses só com a cabeça de baixo - apertei ligeiramente o que fez o Ruben conter a respiração - estes anos serviram para subir um pouco a parada - colei os meus lábios ao seu ouvido direito - agora escolho aqueles que demonstram ter alguma inteligência, fartei-me de broncos - arrastei os lábios pelo seu rosto chegando ao canto dos seus lábios - é que isto de ter só sexo e depois ficar com um mono ao lado não está com nada.
- Vais engolir uma por uma as palavras que acabaste de dizer - gargalhei.
- Menino - provoquei ao voltar a aproximar as nossas bocas - adoro quando amuas - trinquei o lábio - ficas ainda mais fofinho - o Ruben tentou beijar-me mas não permiti ao virar a cara - na na ni na não - enquanto negava com a cabeça, a minha mão direita demonstrava bem o contrário, abrir-lhe o zipper - lembra-te que tens namorada - acariciei-o - e que na minha lista não consta gajos com otárias que pensam que eles são fieis - levantei-me pois se continuasse ali quem não iria aguentar muito mais tempo seria eu
- Hey onde vais? - reclamou.
- Ver o motivo da demora daqueles dois
- Ai não vais não - o tom autoritário dele fez com que gargalhasse.
- Ai não? E posso saber porquê?
- Nem penses que fazes o que fazes e deixas-me assim - desviei o olhar.
- És mesmo fraquinho - gozei ao ver o estado que o tinha deixado com tão pouco - mas isso resolvesse - sorri - como sei que é desconfortável para vocês ficarem assim - sentei-me no seu colo de frente para ele - vamos já resolver o problema - o Ruben tentou mais uma vez unir as nossas bocas mas voltou a não ter sorte nenhuma no entanto sorriu quando o voltei a acariciar para no segundo seguinte agarrar em dois cubos de gelo e lhe atirar para dentro das calças.
Conforme larguei o gelo dentro das calças do Ruben a minha prima e o João regressavam à sala, por isso presenciaram tal cena e não conseguiram evitar as gargalhadas bem audíveis enquanto andava a correr em volta da mesa para fugir ao Ruben.
- Vais paga-las bem caras - protestava - e com juros incluídos - gargalhei e sem que ele tivesse à espera parei, levando de imediato as mãos ao seu peito e encostando-o à parede.
- Meu menino lembra-te de uma coisa por muito que tenhas rodado Lisboa e arredores nunca vais atingir o meu patamar - deitei-lhe a língua de fora - a menos que fique inactiva até alcançares-me, é que os anos de avanço que levo não permitem que esta competição seja leal - o João manifestou-se.
- Bem a tua prima não está para brincadeiras.
- É ainda não viste tu metade - ouvi o comentário da Maria mas ignorei-os.
- Tens mesmo a certeza que queres manter de pé a aposta? - o Ruben olhava-me.
- Estás com medo?
- Não.
- Então a aposta mantêm-se.
- Ok - sorrimos os dois.
- Podemos saber que aposta é essa?
- Não - respondemos ao mesmo tempo à pergunta da Maria.
- Sendo assim vamos comer a sobremesa - concordamos com ela e por isso sentamo-nos.
Estávamos a terminar de comer quando ouvimos a campainha, a Maria levantou-se imediatamente para ir abrir mas antes avisou-me que era o nosso tio, ora não pensei duas vezes e fiz das minhas.
O que terá feito a Mariana? E os rapazes como irão reagir ao saberem quem é o tio delas?
Por ser domingo tudo estava calmo tratei dos últimos detalhes de umas trasferências e no caminho de casa parei no centro comercial para fazer algumas compras para o jantar.
Comecei por algo para vestir. E quando me apercebi eram horas de almoço fiquei-me por uma salada na zona da restauração e depois supermercado com ela. Não fazia ideia do que fazer acabei por optar por uma saída “airosa” e pouco trabalhosa Lasanha! Além da Lasanha comprei bebidas e alguns salgados para entrada. Estava já a chegar à caixa quando me lembro da sobremesa resolvi pegar em gelados de menta e nata e ainda em tudo o que iria precisar para confeccionar a minha especialidade Petit gâteau com gelado para sobremesa.
Quando cheguei a casa a Mariana não estava estranhei, mas acabei por lembrar-me que no estado em que chegou a casa deveria ter ido até ao nosso refugio colocar as ideias no lugar.
Arrumei todas as compras e tratei logo de decorar a mesa, segui depois para a cozinha onde preparei a lasanha o acompanhamento e ainda os pequenos bolos para a sobremesa.Terminei tudo eram quase 19h mesmo a tempo de um duche e de uma produçãozinha.
Ouvi a campainha pensei que pudesse ser a Mariana que não tivesse levado as chaves, mas não eram já os rapazes.
- Olá! Sejam bem-vindos
- Boa noite! - disseram em coro
- Ai mas que afinadinhos!
Sorrimos os três e em seguida apresentei-lhes a casa.
- A Mariana?
- Não sei quando saí para trabalhar ela ainda dormia e quando regressei já não estava em casa
- Fugiu... tão óbvio... e depois o “menino” sou eu
- Ruben eu não sei o que se passou ontem mas ela nem sabes que vocês estão cá, nem isso lhe disse
- Olha lá ainda não mostras-te onde tens a play... ou será que além de trocares as sapatilhas pelos saltos também abandonaste a playstation?!
- Achas que sim bora, está na sala... Para começar uma mano-a-mano dos antigos e quem ganhar joga com o Ruben!
- Txiii a moral da mulher!
- É assim mesmo joguem entre vocês que o Pro fica a avaliar a concorrência!
Acabei por jogar com o João foi renhido e esteve sempre empatado, fomos a prolongamento e estávamos a chegar aos penalties quando a Mariana finalmente chegou a casa.
A chegada da Mariana gerou logo um certo desconforto no Ruben e a presença dele também não a deixava muito confortável olhei para o João e consegui perceber que ele tinha reparado no mesmo por isso mesmo assim que a Mariana meteu conversa sobre as mudanças ao longo dos anos o João aproveitou
- Eu não arranjei uma que me ature, fui arranjando várias poupei-as dividindo o mal pelas aldeias... - sorriu - estive este tempo apenas focado na minha carreira, quando sai do Benfica e fui para Barcelos sabia que era bom para mim, mas passei muitas noites a pensar que tinha saído do maior clube do mundo - olhei-o indignada e ele como resposta mostrou-me a língua - para um... oh pá... por um mais pequeno e menos visível, sem competições europeias, sem capas de jornais, sem nada do que é o “mundo de sonho” do futebolista, custou a adaptar-me mas consegui e acabei por ter aquilo que queria jogava e estava bem, surgiu a hipótese Braga e lá fui eu... o Braga já é outro assunto e neste momento não sendo um grande está lá perto... e agora estou aqui...
- Aqui?! - Provoquei-o
- No Sporting! De volta aos grandes palcos e às luzes da ribalta, mas o que eu quero mesmo é conseguir consolidar ainda mais a minha carreira e sim a selecção era uma boa ideia...
- Grandes palcos tadinho a inteligência foi-se com os cabelos! No maior palco estou eu!! - quando o Ruben falou eu e o João atiramos-lhe ao mesmo tempo cada um uma almofada do sofá que deu direito a galhofa - e se em vez de me atacarem a Maria nos contasse por onde andou e que raio andas a fazer para trabalhares ao domingo?
- Não tenho muito para contar... Quando cheguei a Faro resolvi que também tinha direito a umas farras e tive a sorte de ter uma excelente mestre no assunto para me acompanhar, aproveitei-as muito e passados dois anos com o inicio do namoro assentei acabei a licenciatura em Gestão e acabei por fazer logo o mestrado e agora trabalho numa empresa de Gestão de Carreiras - preferi não entrar em detalhes já que, por exemplo a transferencia do João me tinha passado pelas mãos - Desde que comecei a trabalhar em Agosto que voltei a Lisboa e antes que perguntem quando voltei já não tinha ninguém as coisas não acabaram muito bem... e agora o que quero mesmo é chegar o mais longe possível a nível profissional.
Assim que terminei seguiu-se a Mariana e depois o Ruben e claro está que as farpas começaram a saltar. Olhei para o João e
- Olha lá mas eu fui convidado para jantar e comida que é bom nada... já tenho uma certa fome!
- Tens razão meninos vamos para a mesa!
O jantar não foi fácil mas pelo menos não descambou, assim que todos terminamos resolvi levantar a mesa e o João ofereceu-se para ajudar bem como os outros dois. Claro está que apenas aceitei a oferta do João.
Seguimos para a cozinha e tinha acabado de pousar a loiça no lava loiça quando sinto-me apertada contra a bancada da cozinha.
- João?!
- Xiu... eu preciso disto para ter a certeza que não fui eu que sonhei, ou que a memória me traiu e deixou tudo melhor que o real.
Não me deixou responder e juntou os nossos lábios ainda pensei em resistir, mas passados poucos segundos fui eu a intensificar o beijo juntando as nossas línguas quando nos faltou o ar separamos as bocas mas mantivemos-nos colados já que as nossas mão já se tinham juntado à festa.
Vi-o sorrir e depois
- Eu sabia...
- Sabias?
- Que tinha boa memória... ou então espera sou capaz de ter má porque o que me lembrava não era tão bom...- aproximou-se de novo
- Parou! Não vamos entrar por este caminho...
- Não?! Porquê?
- Porque nem devias estar a fazer testes de memória porque o que acontece no baile fica no baile certo?
- Errado...
- João ajuda-me com a sobremesa deixa-los tanto tempo sozinhos não é seguro
Ele não respondeu e voltou a repetir a “graça” e eu acabei por ceder completamente e já estava sentada na bancada da cozinha com as pernas em volta da cintura dele, até que percebi que se não parasse as coisas iriam ganhar contornos muito perigosos
- João... sobremesa...- falei aproveitando que tinha soltado a minha boca e estava entretido com o meu pescoço
- Sobre-a-mesa?! Preferes?! É onde quiseres... -surriu com o ar mais sacana possível e sem pensar pegou-me ao colo e soltou-me em cima da mesa da cozinha - os seus desejos são ordens...
Uniu novamente os seus lábios e eu acabei por me render definitivamente aquilo só iria terminar de uma maneira e se era assim não seria na cozinha afinal tínhamos companhia
- Quarto... - consegui sussurrar no meio dos beijos e caricias com que nos brindávamos
- Hum??
- Vamos para o meu quarto aqui eles podem entrar...
O João não hesitou voltou a pegar-me no colo e com o máximo cuidado possível entre gargalhadas abafadas em beijos ardentes seguimos da cozinha para o meu quarto sem sermos apanhados. Assim que entramos no quarto
- Põe-me no chão!
Ele não refilou, colocou-me no chão sem me largar, fechei a porta e dei uma volta na chave. Tomei o comando da situação e empurrei-o para a cama. A surpresa não o deixou reagir e ele ficou deitado, coloquei-me por cima dele e iniciei um percurso de beijos molhados a começar na boca e seguindo a trilha de botões da camisa que ia desabotoando. Se de inicio ainda refilou sensivelmente a partir da zona do peito o João já não dizia nada com coerência e assim que terminei os botões da camisa imediatamente encontrei o cinto e num ápice o botão e o zipper das calças já estavam também abertos. Ele bem tentou inverter posições, mas não permiti e vi-o perder a vontade de o fazer quando ainda por cima do tecido dos boxers o acariciei, para logo de seguida ainda com a barreira de tecido o beijar e o ouvir gemer
- Psiuuu... baixinho olha que não estamos sozinhos... ou baixas o volume ou acaba-se a brincadeira!
Ele apenas sorriu e eu não pensei duas vezes vi-me livre dos seus boxer’s e brindei-o com alguns beijos e lambidelas para passado pouco tempo aprofundar de vez as caricias apenas parando quando tive a certeza que ele tinha atingido o seu máximo. Fui incapaz de não sorrir antes de iniciar o percurso contrario dos beijos terminando em mais um de tirar o fôlego
- As amigas servem para isto... para darem boas memorias
Disse-lhe antes que ele me virasse na cama ficasse agora no comando e nesse exacto momento o meu telemóvel tocou pelo toque sabia quem era e tinha mesmo de atender
- João pára tenho mesmo de atender! - ele olhou-me sem achar piada, sorri-lhe - é o chefe tem mesmo de ser...
Ele deu-me espaço mas as caricias começaram a ser espalhadas pelo resto do corpo
IDL
- Boa noite Boss!
- Boa noite sobrinha desculpa a hora...
- Sem problemas
- Tu e a Mariana estão em casa?
- Sim estamos...- não me deixou dizer que estávamos acompanhadas e
- Optimo em 15 minutos tou ai!
- 15 minutos?
- Nem tanto - e desligou
FDL
Assim que desliguei a chamada o João tentou retomar a coisa do ponto onde estávamos, mas infelizmente tive de cortar a situação
- Desculpa, mas temos mesmo de ficar por aqui... tenho 15 minutos para estar com um ar minimamente apresentável na sala para receber o meu tio e patrão
- Que é um senhor com um sentido de oportunidade brutal!
Não pude deixar de gargalhar e acabei por o deixar para trás e ir até à casa de banho garantir que estaria apresentável e assim que sai o João imitou-me o gesto não sem antes lhe dar um pequeno beijo e informar que estaria à sua espera na cozinha.
Tratei das sobremesas e quando o João se juntou a mim resolvemos voltar para a sala e assim que entramos percebemos que não tínhamos sido só nós a animarmos-nos o que nos valeu umas valentes gargalhadas!
(Mariana)
Fiz a viagem de regresso a casa sem grande vontade, pois conhecendo a minha prima como conheço já sabia que iria ouvir os seus sábios conselhos mas quando entrei em casa e fechei a porta percebi que afinal não estava sozinha e que por isso os meus ricos ouvidos podiam ter mais uns minutos de descanso.
Não foi difícil identificar o dono da voz que provinha da sala por isso mesmo hesitei em aproximar-me daquela divisão, mas acabei por fazê-lo mesmo correndo o risco de interromper alguma coisa entre aqueles dois, sim era a voz do João que ouvi.
Entrei na sala a mexer no meu telemóvel estava a actualizar o meu twitter “Mariana Mendes @M&M_ o meu novo lema…ignorar e bola para a frente”
- Mari, Mari sempre no vício - sorri ao ouvir o João.
- Sou mulher de muitos vícios - fiz uma pausa para ler as respostas ao meu tweet e acabei mesmo por responder ao da Ana que perguntava o que tinha acontecido “@Ana_nada de especial, descobri só que há pessoas que não merecem sequer o ar que respiram” sorri sozinha ao ler o que tinha escrito, sabia que ia dar polémica mas era mesmo disso que estava a precisar para distrair-me - como estava a dizer - voltei a falar ao mesmo tempo que desviei o olhar do telemóvel e por isso vi que não era só o João que estava na sala - posso ter muitos vício mas pelo menos este ainda é decente e não podem acusar-me de ser do povo - a tirei sem demoras e a olhar para o Ruben que se mantinha calado a observar-me, tal como fazia no passado.
- Hã? Essa não entendi - o João manifestou-se.
- Deixa lá também não perdes muito - aproximei-me dele e cumprimentei-o com os dois beijinhos da praxe - bem vou até ao quarto.
- Vais onde? Prima não inventes - olhei-a - senta-te aí - apontou para o sofá onde o Ruben se encontrava sentado.
- Não me parece - olhei para o Ruben e teria mandado alguma boca se não tivesse sido interrompida pelo João.
- Hey não te vais enfiar no quarto - olhei novamente para o Ruben e ao perceber que estava desconfortável, talvez por ter sido arrastado para algo sem saber, resolvi mudar de ideias.
- Tudo bem, fico convosco - sentei-me no sofá ao lado do Ruben mas numa de o ignorar completamente - mas quero saber o que andaste estes anos todos a fazer nomeadamente se já conseguiste encontrar alguém que te ature - mudei o jogo a meu favor para desagrado da minha prima mas a verdade é que nos minutos seguintes o assunto foi a vida do João ao longo dos anos, depois passou para a da Maria, chegando a mim que fiz questão de não esconder nada do que fiz em Faro - Ui a minha vida em Faro foi assim uma montanha russa, teve de tudo, momentos de croma que só via livros à frente, outros de desleixada e que por isso recorreu às cabulas para fazer os exames mas aqueles que considero como auge são os que partilhei com as mais diversas pessoas - fiz uma pequena pausa - ah com pessoas estou a referir-me aos gajos que andei a comer durante estes anos todos, posso mesmo assegurar que rodei as mais diversas nacionalidades e cheguei à conclusão que aquele ditado que diz que o que é Nacional é que é bom até se aplica, lógico que teve as suas excepções mas… no geral conseguiram todos satisfazerem-me - o João olhava-me atónico com o meu desplante - tirando a versão Mari a do povo também fui a Mari louca por uma boa jantarada entre amigos ou ainda a Mari que apesar de não demonstrar sentiu a falta aqui do amigo João - gargalhamos.
- Não mudas mesmo, és completamente louca.
- É sabes que louca é o meu nome do meio.
- E quando é que pensas assentar? - gargalhei fortemente - onde é que está a piada?
- Amigo, esse dia está longe muito longe - calei-me e voltei a mexer no telemóvel, estava a ver as últimas quando ouvi a Maria.
- Ruben é a tua vez, sim que não pensas que te escapas sem contares como é que se dá a transição de menino de coro para este novo Ruben que está diante de nós.
- O que é que queres mesmo saber? - ouvi pela primeira vez a voz do Ruben.
- Tudo.
- Tudo mas mesmo tudo?
- Ó Maria se fosse a ti pedia só o resumo - o João meteu-se - sim que se os rapazes de Lisboa e arredores acalmaram com a ida da Mari para Faro em contrapartida as raparigas começaram a andar num rodopio doido - o Ruben gargalhou à descarada.
- Deixa de ser exagerado.
- Exagerado? Ó Maria como é que te vou explicar - fez uma pausa - digamos que existe dois Ruben’s o antes e o depois, o que tu conheceste é o oposto daquele que está aqui nesta sala connosco, boa?
- Que filme que vai para aí - o Ruben refilou - só porque acordei para a vida - olhei para ele - abri os olhos tarde mas por isso mesmo é que tive de recuperar o tempo perdido.
- Bem quem é que foi a responsável desse feito - a Maria falou e só tive vontade de a esganar, apesar de nunca o ter admitido tinha quase a certeza que ela sabia que entre mim e o Ruben tinha acontecido alguma coisa.
- Quem foi não interessa até porque não passou mesmo de uma cena de momento sem grande importância - não estava para ouvir aquilo e por isso levantei-me - então vais-te embora? - desafiou-me - Agora que vou contar os meus feitos? Não tens nem um pouco de curiosidade para saber como é que foi a vida aqui do teu - o Ruben estava a provocar-me - amigo ou quem é que o desemburrou - respirei fundo, voltei-me para ele e respondi.
- Há uma frase que diz se o arrependimento matasse... pois mas não mata e a prova viva disso sou eu - olhávamo-nos - só há um nome que se pudesse regressar ao passado apagava da minha lista infindável e não seria pelo seu fraco desempenho afinal era mesmo marinheiro de primeira viagem seria mesmo porque foram as duas horas mais mal empregues da minha vida.
O Ruben teria respondido mas talvez por saberem que iria descambar de vez, a Maria e o João meteram-se no meio e habilmente desviaram o assunto, no entanto ficou um ambiente estranho entre nós.
Durante o jantar não dirigi a palavra uma única vez ao Ruben, o que foi recíproco, no entanto o momento partilhado com o João e a Maria estava a ser bem bacana e por diversas vezes relembrei momentos da nossa adolescência, sempre que isso acontecia tentava afastar de imediato tais pensamentos, foi nesta luta interior que jantei.
- Bem vou buscar a sobremesa - a minha prima levantou-se e começou a reunir os pratos.
- Eu ajudo-te - o João ofereceu-se imediatamente e ao ver que ia ficar sozinha com o Ruben também ofereci os meus préstimos o que originou mais um momento de gargalhada por parte daqueles dois ou não fosse eu e o Ruben termos falado ao mesmo tempo que também ajudávamos.
- Deixem-se estar - olhei para a Maria - o João foi o primeiro a oferecer-se por isso é ele que ajuda.
Não reclamei por saber que não adiantava de nada, há muito que tinha entendido o motivo do jantar, sim porque por muito que quisessem que acreditasse que era para recuperarmos o tempo perdido sabia que a razão principal era para ver se eu e o Ruben nos entendíamos. Estava a oscilar o meu olhar entre os ponteiros do relógio e a televisão quando não aguentei mais e tive que questionar o Ruben.
- Odeias-me assim tanto? - olhou-me
- Quem que te disse que odeio-te? - falou calmamente.
- Se não odeias então o que é que sentes por mim? - fui direta ao assunto e mais uma vez vi o Ruben desviar o olhar do meu, sorri ao recordar o passado
- Saudade - não esperava tal resposta - saudade de estar contigo numa boa, de ouvir-te a dares-me na cabeça, do meu porto de abrigo - já olhávamo-nos novamente - de ser aquele menino de coro que não sabia como reagir sempre que a amiga resolvia envergonhá-lo.
- E porque é que não pode voltar a ser assim?! Eu estou cá para te envergonhar sempre que quiseres - sorriu
- Tens noção que já não sou o menino que conheceste e que se queres envergonhar-me vais ter que te empenhar muito mais - senti uma provocaçãozinha no seu tom de voz.
- Sabes - aproximei-me dele - isso ainda torna o desafio mais interessante - o Ruben reduziu ainda mais a distância.
- Então só para ficar ainda mais interessante - o olhar do Ruben oscilava entre o meu e os meus lábios - vai uma aposta que não consegues? - gargalhou
- E qual vai ser mesmo o meu prémio por ganhar a aposta? - sussurrei-lhe ao ouvido.
- Como sei que vais perder deixo-te escolher o prémio - o tom de voz do Ruben e a forma como o olhar dele penetrava o meu estavam a deixar-me fora de mim.
- Não sei se será boa ideia - não resisti e a minha mão foi até à sua perna.
- Então e porquê? - o sorriso dele era de sacana - Estás com medo de não teres pedalada, é? - gargalhei.
- Não provoques - senti o braço do Ruben no fundo das minhas costas puxando-me ainda mais para si.
- Porquê? Não te consegues controlar, é? - sussurrou ao meu ouvido aproveitando para depositar uns beijinhos “inocentes” no meu pescoço.
- A questão é se terás resistência para aguentares - o Ruben olhou-me de uma forma que deixou-me arrepiada - e também não acho que a tua namorada vá gostar dessa ideia - afastei-me afinal a proximidade dos nossos rostos estava a arruinar com o meu autocontrolo e não queria ceder, pelo não para já.
- Estás a ver aqui alguém? - olhou em volta para aproximar-se novamente de mim - é que eu só te vejo a ti.
- Posso ser muita coisa mas não sou destruidora de relações.
- Como é que sabes que tenho alguém? - falou já com os seus lábios a milímetros dos meus.
- Não sabia, por isso atirei o barro à parede e tu tal como os outros todos caíste - sorri vitoriosa para afastar-me logo depois - como vês continuas a ser um menino perto de mim - joguei sujo no momento que levei a mão ao seu rosto, passando os dedos pelos seus lábios, descendo pelo tronco e só terminando no zipper das suas calças - para a próxima não penses só com a cabeça de baixo - apertei ligeiramente o que fez o Ruben conter a respiração - estes anos serviram para subir um pouco a parada - colei os meus lábios ao seu ouvido direito - agora escolho aqueles que demonstram ter alguma inteligência, fartei-me de broncos - arrastei os lábios pelo seu rosto chegando ao canto dos seus lábios - é que isto de ter só sexo e depois ficar com um mono ao lado não está com nada.
- Vais engolir uma por uma as palavras que acabaste de dizer - gargalhei.
- Menino - provoquei ao voltar a aproximar as nossas bocas - adoro quando amuas - trinquei o lábio - ficas ainda mais fofinho - o Ruben tentou beijar-me mas não permiti ao virar a cara - na na ni na não - enquanto negava com a cabeça, a minha mão direita demonstrava bem o contrário, abrir-lhe o zipper - lembra-te que tens namorada - acariciei-o - e que na minha lista não consta gajos com otárias que pensam que eles são fieis - levantei-me pois se continuasse ali quem não iria aguentar muito mais tempo seria eu
- Hey onde vais? - reclamou.
- Ver o motivo da demora daqueles dois
- Ai não vais não - o tom autoritário dele fez com que gargalhasse.
- Ai não? E posso saber porquê?
- Nem penses que fazes o que fazes e deixas-me assim - desviei o olhar.
- És mesmo fraquinho - gozei ao ver o estado que o tinha deixado com tão pouco - mas isso resolvesse - sorri - como sei que é desconfortável para vocês ficarem assim - sentei-me no seu colo de frente para ele - vamos já resolver o problema - o Ruben tentou mais uma vez unir as nossas bocas mas voltou a não ter sorte nenhuma no entanto sorriu quando o voltei a acariciar para no segundo seguinte agarrar em dois cubos de gelo e lhe atirar para dentro das calças.
Conforme larguei o gelo dentro das calças do Ruben a minha prima e o João regressavam à sala, por isso presenciaram tal cena e não conseguiram evitar as gargalhadas bem audíveis enquanto andava a correr em volta da mesa para fugir ao Ruben.
- Vais paga-las bem caras - protestava - e com juros incluídos - gargalhei e sem que ele tivesse à espera parei, levando de imediato as mãos ao seu peito e encostando-o à parede.
- Meu menino lembra-te de uma coisa por muito que tenhas rodado Lisboa e arredores nunca vais atingir o meu patamar - deitei-lhe a língua de fora - a menos que fique inactiva até alcançares-me, é que os anos de avanço que levo não permitem que esta competição seja leal - o João manifestou-se.
- Bem a tua prima não está para brincadeiras.
- É ainda não viste tu metade - ouvi o comentário da Maria mas ignorei-os.
- Tens mesmo a certeza que queres manter de pé a aposta? - o Ruben olhava-me.
- Estás com medo?
- Não.
- Então a aposta mantêm-se.
- Ok - sorrimos os dois.
- Podemos saber que aposta é essa?
- Não - respondemos ao mesmo tempo à pergunta da Maria.
- Sendo assim vamos comer a sobremesa - concordamos com ela e por isso sentamo-nos.
Estávamos a terminar de comer quando ouvimos a campainha, a Maria levantou-se imediatamente para ir abrir mas antes avisou-me que era o nosso tio, ora não pensei duas vezes e fiz das minhas.
O que terá feito a Mariana? E os rapazes como irão reagir ao saberem quem é o tio delas?

Ao menos um capítulo vosso já me animou o dia!
ResponderEliminarAdorei!
Parabéns, foram as únicas que conseguiram que ficasse de bom humor durante um bom bocado.
Beijinhos! lol
Adorei ja estou a espera do proximo.bjs
ResponderEliminarOlá!
ResponderEliminarUi ui que aquela casa está on fire! M&M ao poder!
AMEI! Perfeito como sempre! Eu desconfio que vem aí uma mini tempestade com o tio das meninas, mas aguardo...Aguardo mas com pressa. Arranjem-me o 12 rápido! xD
Beijo
Ana
Definitivamente acho q a mariana e o ruben foram feitos um para o outro, sem em tempos o ruben era o menino, esse menino transformou-se e ja provou estar ao nivel da Mariana.
ResponderEliminarA Maria e o Joao, ja do inicio que gostava deles, sobretudo depois da conversa do baile. O tio e que podia ter esperado mais um tempinho para ligar, interrompeu-os!
Bem, nao tendo mais nada acrescentar, resta-me pedir-vos o proximo!
Beijinhos
Bem que as M&M estão cada vez "piores" xD
ResponderEliminarSó espero é que os casais se tornem nisso mesmo e não levem a brincadeira para "apenas mais uma" ...
Estou ansiosa pelo próximo capitulo ;D
Beijinhos
Olá meninas!
ResponderEliminarAdorei, o jantar já esperava que fosse "interessante", mas a sobremesa essa prometia ser bem hot, mas não passou disso mesmo, de uma promessa, porque o telefonema nada oportuno do tio mudou tudo.
A Mariana é fogo mas acho que desta vez ela corre sérios riscos de se queimar, porque o Ruben tá bem à altura dela, a troca de mimos é constante, eu quero ver o que é que ela vai aprontar.
Tou curiosa com a reação dos meninos quando souberem quem é o tio das M&M, mas para isso preciso do próximo.
Beijocas
Fernanda
Mais um capítulo fantástico. Estou viciada na vossa história. :D
ResponderEliminarEstou super curiosa para ver como vai acabar a noite destes 4, quer dizer, com a visita inoportuna do tio delas, dos 5 :)
Estou ansiosa pelo próximo capítulo. (:
Beijinhos