terça-feira, 21 de agosto de 2012

003 - "Abre as pernas"


(Mariana)

- Até tens uma certa razão - notei que estava a ceder - e como até me apetece rir, alinho.
Ainda ficamos a trocar algumas palavras mas foi quando o João reparou num pequeno detalhe que o “picanço” regressou.
- Vê se logo que não tens nenhum irmão - olhei-o.
- Porquê?
- Falta aqui uma playstation para jogarmos.
- Falta mesmo - pela primeira vez o Ruben falou sem ter que ser puxado a ferros, algo que não deixei passar.
- Não seja por isso a minha prima pode ir buscar a dela, né prima - pedinchei.
- Mas tu bateste com a cabeça, foi? Detestas jogar, aliás nem sabes e agora queres que vá buscar a minha para jogarmos?
- Oh vai lá, posso não saber jogar mas ainda vou a tempo de aprender, isto é se algum dos meninos não se importar de tentar explicar-me, sim porque com a minha prima não vou longe, ela não tem paciência para ensinar-me.
- Sabes que jogar não é para quem quer mas sim para quem pode - o Ruben manifestou-se o que deixou a Maria e o João a rir.
- Olha só por causa dessa boca agora vais ser tu a vitima e vais ensinar-me - falei a apontar-lhe o dedo à cara - ah e não saímos daqui até estar pró nesse jogo que tanto gostam de jogar.
- Não achas que devias perguntar primeiro se quero?
- Oh vá lá, também não te custa muito - fiz beicinho o que foi suficiente para o menino ceder.
- Tudo bem, posso tentar - sorri vitoriosa.
- Prima vai lá buscar a playstation e o jogo, please.
- Ainda vais explicar-me com as letras todas o motivo disto, ai vais vais - refilou enquanto se calçava.
- Deixa de ser chata e mexe mas é essas perninhas.
- Já estou a ir.
- Não queres ajuda? - o João perguntou num tom de gozo - É que pode ser muito peso para a menina.
- Até é capaz de ser por isso tu não serás grande ajuda.
- Ó prima não sejas assim - olharam-me os três - deixa lá o João ir contigo, ainda assim não fica aqui a fazer nada - a Maria olhou-me escandalizada.
- Só podes estar a gozar com a minha cara.
- Maria incomoda-te tanto que vá contigo? Tens medo de alguma coisa? - o João insistiu.
- Não, ela não tem medo de nada e para provar isso vai deixar que a acompanhes, não é prima - olhei-a daquela forma muito própria nossa que usamos quando queremos pedir muito algo à outra mas não queremos que as pessoas à nossa volta percebam, o que foi suficiente para ela ceder.
- Tudo bem mas que fique nítido que só vais porque a minha prima está a pedir.
- Ok - o João sorriu para se levantar no instante seguinte do sofá.
- Ei - ouvimos o Ruben - também posso ir?
- Não tu ficas - o João atirou imediatamente - para trazer uma playstation chega um e depois não vais deixar aí a Mariana sozinha, não é?
- Pelo que vejo ela não deve ter problemas em ir até à rua e trazer qualquer um para lhe fazer companhia - a Maria sorriu.
- Estás a insinuar alguma coisa? - olhei-o.
- Falei alguma mentira, foi? Oferecida como és não deves ter dificuldade de arranjares companhia.
- Oferecida eu? Fica a saber que só vivo a vida já aí o menino nem beijar uma miúda sabe - o Ruben baixou o olhar o que levou-me a rir, afinal basta tocar na ferida para o menino ficar sem resposta.
- Bem nós vamos lá buscar a playstation mas não mates aí o meu mano até voltarmos - o João gozou e só não teve resposta porque saiu da sala.
Fiquei calada a observar o Ruben, percebi que por algum motivo o rapaz ficou incomodado por estar no mesmo espaço que eu, algo que só serviu para atrofiar ainda mais com o menino, levantei o rabo do outro sofá e fui sentar-me bem do seu lado.
- O que é que pensas que estás a fazer? - perguntou-me ao mesmo tempo que se tentava afastar, tarefa essa dificultada por mim uma vez que lhe agarrei o braço.
- Eu nada mas tu vais fazer - olhou-me - para começar - aproximei-me ainda mais dele - vais deixar esse nervosismo porque no máximo dou umas mordidelas mas fica descansado que não tiro bocado nenhum - o Ruben baixou o olhar o que fez com que sorrisse, afinal já tinha conseguido o meu objetivo, envergonhá-lo.
- Mariana pára - tentou mais uma vez soltar-se de mim - ainda não entendes-te que não quero nada contigo?
- Ui, essa até tinha doído se soubesse que seria mesmo essa a razão - olhou-me - Ruben confessa lá a verdadeira razão, só estamos aqui os dois - aproximei aos poucos o meu rosto do dele.
- Chega mas afinal o que queres? - olhamo-nos por alguns segundos.
- Quero saber o motivo pelo qual foges de mim como o diabo foge da cruz.
- Mariana a sério pára com esta conversa.
- Porquê?
- Porque estou a pedir.
- Ruben alguma vez namoraste?
- Sim - sorri por não ter acreditado nisso - estás a rir porquê?
- Porque algo me diz que mentiste ou então que esse namoro não passou de uma cena de crianças.
- Porquê que falas isso? - a forma bruta como falou só fez com que a vontade de saltar para o seu colo aumentasse - Porquê que achas que sou esse menino de coro que falas? Só porque não alinho nuns jogos de treta como o verdade ou consequência? Ou porque não ando a comer tudo o que é miúda, é? Ou será porque ainda não te saltei para cima? - fiquei a olhá-lo - Perdeste o piu foi?
- Não, mas queres mesmo saber porque não falei?
- Quero - desafiou-me.
- Então depois não te queixes.
- O que queres dizer com isso?
- Que não acredito em nada do que falaste e vou provar isso mesmo agora - não lhe dei tempo para reagir e sem que tivesse à espera sentei-me no seu colo beijando-o.
- Mas tu és louca - falou assim que conseguiu afastar-me.
- Louca não, diz antes que sou atenta e percebi mal meti os olhos em cima de ti que pertences a um grupo mínimo de rapazes que ficam sem saber o que fazer quando uma miúda se aproxima, porquê que não admites que não tens grande experiência? Não é vergonha nenhuma e sabes que até podia ajudar-te nesse aspeto.
- Deves achar-te muito boa - olhei-o - mas esqueceste do pequeno detalhe que posso não querer - interrompi-o.
- Isso é tudo por causa daquela miúda que estava contigo no outro dia? - o Ruben baixou o olhar - Sabes que ela não precisa de saber, fica só uma cena entre os dois, até porque não me apetece ter a minha prima a chagar-me o juízo e depois aquela com quem estavas não tem ar de ser virgem imaculada queres mesmo correr o risco de meteres os pés pelas mãos com ela? - levei a mão ao seu rosto e fi-lo olhar para mim - digamos que ajudo-te a desemburrar e ainda te dou uma dicas de como a podes conquistar em troca divirto-me um bocado porque não sou miúda de agarrar-me a ninguém, quero mesmo é curtir a vida.
O Ruben não chegou a responder porque ouvimos a porta a abrir, voltei a sentar-me no sofá mas mantive-me do seu lado.
- Finalmente - entrei a “matar” assim que os vi - estava a ver que vos tinha de ir chamar mas afinal o que estiveram a fazer?
- Nada - a minha prima respondeu e pelo seu tom de voz percebi que se tinha passado alguma coisa mas resolvi não insistir.
A Maria ligou a PS à televisão e quando já estava tudo a postos veio sentar-se ao nosso lado, o João reclamou porque ficou apertado mas depressa resolvi o problema.
- Abre as pernas - falei para o Ruben que ficou a olhar-me sem entender o motivo pelo qual falei - fogo custa muito fazer isto - coloquei as minhas mãos nas suas pernas e forcei ligeiramente de modo a afastá-las, sentando-me no espaço vazio - pronto agora já dá para todos - a Maria e o João olharam-me, já o Ruben parece não se ter importado muito, ainda assim esclareci-os - o que foi? Assim o Ruben ensina-me melhor - a minha prima sorriu e o João começou a escolher a equipa, o primeiro jogo seria um contra o outro, lógico que foi o típico derby Sporting - Benfica.
Eles os dois estavam demasiados atentos ao jogo porque nenhum queria perder mas ainda assim passaram-no a embirrar um com o outro, confesso que abstraí-me um pouco da partida no momento que senti o Ruben a encostar o seu peito às minhas costas, olhei-o de fugida e encontrei-o de olhos postos em mim, tentei fingir que não tinha percebido aquela subtil aproximação mas a tarefa revelou-se complicada porque o Ruben não desgrudou.
O jogo entre aqueles dois terminou com a vitória da minha prima, o que foi motivo para nós os três gozarmos com o João, o que originou momentos cómicos mas o pesadelo veio logo depois ou não fosse o jogo seguinte ser entre mim e a minha prima, lógico que com a ajuda do Ruben que tentou ao máximo elucidar-me sobre a quantidade de botões e para o que serviam, foi uma tarefa falhada até porque estava mais atenta às suas mãos sobre as minhas ou a ouvir a sua voz bem junto do meu ouvido direito uma vez que estávamos literalmente colados.
Não foi difícil à minha prima ganhar-me e como tal a próxima vitima foi o Ruben, o jogo deles terminou empatado, já estava um pouco farta daquilo e por isso avisei que iria mudar de roupa, ninguém se opôs e por isso sai finalmente do meio das pernas do Ruben, ainda o tentei aliciar só com o olhar a seguir-me mas o rapaz é mais lento que caracol e não percebeu o que pretendia.
Fui até ao quarto e assim que lá entrei comecei a despir a roupa que tinha, fui até ao armário para escolher o que iria usar, as calças foi fácil mas a camisola revelou-se uma tarefa algo complicada, olhava para todas e não me apetecia vestir nenhuma, já estava numa de mandar um berro à Maria para vir ajudar-me quando se fez luz e percebi que não seria a melhor opção, continuei por isso a experimentar todas as que tinha pré-selecionado. Estava a meio da tarefa quando reparei que tinha um espectador atento, o Ruben estava parado à porta do meu quarto a olhar-me.
- Podes entrar - olhei-o mas o Ruben não se mexeu- anda - puxei-o pela mão e fechei a porta do quarto, o que fez com que o rapaz desse um ligeiro salto - tem calma que não te vou violar - gargalhei - só preciso de ajuda para escolher o que vestir - sorri ao vê-lo novamente envergonhado, talvez porque foi apanhado a espiar-me - esta ou esta? - perguntei com duas camisolas nas mãos.
- Não tenho grande jeito para escolher roupa - falou.
- Pois realmente - respondi a olhá-lo - aí está outra coisa que temos de mudar em ti.
- Mas será que não há nada em mim que gostes? - a pergunta dele surpreendeu-me.
- Sinceramente? - aproximei-me dele deixando-o constrangido, até porque mantinha-me só com o soutien vestido - confesso o teu “acanhamento” mexe comigo de uma forma estranha.
- Lá estás tu a gozar com a minha cara - barafustou afastando-se e sentando-se na cama - será assim tão fora do normal não andar com tudo o que é rapariga?
- Não - vesti uma das camisolas que tinha em cima da cama - até acho fofinho - sentei-me do seu lado - mas não deixa de ser estranho - olhou-me - Ruben, os rapazes da nossa idade querem é noite e gajas mas tu pareces ser o oposto - interrompeu-me.
- E isso é mau? - sorri.
- Não, é diferente e algo que não estou habituada, normalmente não levo negas - estávamos o olharmo-nos - talvez seja isso que me dá pica para te provocar - levantou-se - onde vais? - perguntei quando percebi que iria sair do meu quarto.
- Embora, não sou burro por isso já percebi que estás só a ser simpática porque queres gozar comigo, não preciso de uma rapariga que ande comigo só porque pensa que pode usar e deitar fora - olhava-o - Mariana, posso ser acanhado e até envergonhado, não saber bem como lidar convosco mas não sou estúpido por isso já entendi qual é a tua, queres simplesmente divertires-te com a minha cara e depois quando te cansares jogas fora como se fosse um brinquedo estragado - levantei-me e caminhei até ao Ruben - a sério deixa-me no meu canto, podemos ser amigos mas mais do que isso não, percebe que não preciso de ninguém que me desemburre porque sei que quando chegar o momento isso acontece, não acredito nas cenas forçadas e isso é o que estás a tentar fazer.
- Ok, tu é que sabes - aproximei-me ainda mais dele dando-lhe um beijo no rosto - mas acho que se gostas mesmo daquela rapariga devias fazer alguma coisa para a conquistares e nisso posso ajudar-te, a sério acho que precisas mesmo de umas dicas, pensa no assunto e depois diz qualquer coisa.
O Ruben olhou-me durante uns segundos mas acabou por sair do quarto, aproveitei para colocar um pouco de ordem na bagunça que estava a minha cama e quando tinha a roupa arrumada regressei para a sala, eles estavam já há minha espera logo não demoramos muito a sair de casa.

Como terá corrido a ida à casa da Maria? Terá feito o João alguma?

8 comentários:

  1. Olá :D
    Adorei meninas! Esta história vai ser um enorme sucesso!
    Quero mais :p
    Beijinhos
    Ritááá xD

    ResponderEliminar
  2. Olá!
    Juro que já não vivo sem esta história. FANTÁSTICO é pouco para descrever!
    Amei!

    Adoro esta irreverência da Mariana, completamente antagonica ao Ruben, que o imagino como um verdadeiro nerd (desculpem mas e como o imagino ahahahah)

    Mas aquela saida do Joao e da maria deixou me com a pulga atras da orelha... Quero saber o que se passou!
    Espero o proximo!!!

    Beijo
    Ana

    ResponderEliminar
  3. Hi =)

    Gostei e fiquei realmente curiosa sobre o que se passou na casa da Maria xD

    Beijos

    ResponderEliminar
  4. Olá :)
    Tenho de confessar que ao ver o título do capitulo de hoje fiquei com "medo" e ao mesmo tempo MUITO curiosa para saber o que os M&M´S tinham escrito xD
    Como é óbvio ADOREI!
    3 capítulos vossos e já me viciaram :P
    Fico à espera de mais ;)
    Beijinhos
    Rita

    ResponderEliminar
  5. Adoro!
    Esta fic está a ficar interessante mesmo!
    lol
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  6. Estou a adorar a vossa história :)
    Se comecei a adorar o Rúben Amorim, e a seguir todos os jogos dele é graças a vocês que me cativaram com as vossas Fic's, tanto de uma como da outra. :D
    Vocês escrevem mesmo muito bem, cada vez que leio um capítulo vosso dá vontade de continuar a ler mais e mais, e quando chega ao fim, a ansiedade de ler um novo capítulo é mesmo muita.
    Continuem com o vosso brilhante trabalho, e adorei a ideia de as duas se juntarem para criarem este magnifica Fic, que apesar de estar no inicio, promete.
    Beijinhos as duas. :)

    Magui

    http://mythougsnf.blogspot.pt/ - Visitem o meu cantinho, adicionei-vos aos meus favoritos, de forma a divulgar a vossa história em conjunto, também está os vossos blogs individuais. :)

    ResponderEliminar
  7. Isto tá mesmo muito bom, o Ruben tá mesmo lixado com a Mariana, a miúda é fogo, de momento acho mesmo que ela é areia demais para a camioneta dele.
    Adorei, tá espectacular.

    Beijocas

    Fernanda

    ResponderEliminar
  8. Fiquei com curiosidade para saber o que aconteceu na casa da Maria por isso vou já ler o próximo!!

    ResponderEliminar