João
Achei muito esquisito aquele convite chegar directamente a minha casa e não ao clube como acontece normalmente e mais esquisito achei todos os amigos e familia, sim os meus pais tambem, receberem. Por isso fiz questão de estar presente.
- Oh João não sabes mesmo quem convidou?
- Já disse que não mãe! - ela teria respondido, mas a chegada do neto roubou totalmente a sua atenção, vi-a falar com a Maria e uns minutos depois aproximou-se com o Bruninho no colo - tá aqui o papá!
- Papá!!! Guigas fica vó tesa hoxe!!
- Ficas com a avó Teresa?
- Xim!! Papá bém??
- Sim o papá também!
- Guigas binca! - ele apontou para uma zona de brincadeiras de criança e a minha mãe acabou por ir até lá com ele.
Nesse exacto momento uma das funcionárias do espaço que ninguém ainda sabia o nome começou a falar e o nosso grupinho juntou-se todo para ouvir, a excepção da Maria que como ultimamente preferiu a companhia da Bea e a nossa distancia, fui ouvindo o que a funcionária ia dizendo e quando a ouvi anunciar a “Boss” depois de uns segundos de choque tudo fez sentido, os convites chegarem a todos nós e toda a organização do espaço, a Maria tomou a palavra e tomei toda a atenção. Estava nervosa, senti-a insegura, mas lá acabou por na sua forma trapalhona se explicar e quando anunciou o nome foi impossível não sorrir, na sua forma trapalhona a Maria mostrava que ainda é a pessoa que conhecemos desde sempre e que a prima continua a ter uma importância vital, incluiu-nos também a nós naquele discurso e terminou fugindo do centro dos holofotes.
- Sabias disto?
- Eu Fábio?! Achas que se ela contasse a alguém ia ser a mim?
- Oh… - fez uma cara cómica - vamos lá?
- Vamos - a Ana falou - porque eu sei que a minha amiga tá a precisar “daquele” abraço e já que os primos sairam de fininho, vamos lá nós…
Aproximamos-nos e assim que a família se afastou “saltamos” para cima dela que sorriu para no final trocar umas breves palavrinhas comigo deixando bem claro que também ela ia deixar a festa, com a desculpa da Bea ia fugir para gozar em casa a magoa do desprezo absoluto da Mari e do Ruben.
Voltei a afastar-me tive uns minutos com a minha mãe
- Oh filho! Mas já não tinha decidido deixa-la viver a vida dela? Ela já não tem namorado? Deixa de a controlar…
- Tem? Onde que não o vi? Ai oh mãe a sério só estou preocupado com uma amiga que ainda por cima é a mãe do meu filho e que apesar de aparentar aquela alegria toda - falei enquanto a Maria falava e ria com alguns convidados - eu sei que está na lama pela situação em que está com a prima ela saiu definitivamente da loja - mãe leva o Bruninho? - não deixei responder - Eu depois já lá vou ter a casa…
Sai atrás da Maria, mas sem deixar ser notada a minha presença, vi-a deixar a Bea em casa e continuei até chegarmos a sua casa e no momento em que decidia se deveria subir e tentar que ela finalmente desabafasse tudo o que anda a guardar ou se deveria deixa-la como já tantas vezes me pediu vi o Pedro a aproximar-se a passos largos e num gesto brusco agarrou-a pelo braço. Deixei para trás todas as duvidas e aproximei-me devagar, percebi que ele a ameaçava e ouvi com todas as letras a resposta dela
- Larga-me! Não tenho medo de ti!!
- Não?! Mas devias porque não estou a ver aqui nem a tua prima, ah espera ela já não quer saber de ti… nem o meia-dose do teu ex-marido… para te defender… - deu uma gargalhada irónica - por isso acalma-te lá… eu vou fingir que tu não falaste comigo nesse tom e nós vamos subir - ele tentou abraça-la, mas ela empurrou-o - mau… vamos subir… - voltou a abraça-la e a Maria não teve força para se soltar - e vamos conversar… e fazer as pazes… e tu depois vais à policia tirar aquela queixa ridícula contra mim… e vamos voltar a ficar juntos…
Percebi que a Maria queria afastar-se, mas não conseguia por isso depois de os ver entrar no prédio, toquei na campainha de um dos vizinhos que me abriu a porta e subi no outro elevador do prédio chegando a porta do apartamento pouco depois deles, que a deixaram aberta
- LARGA-ME!!! - a Maria gritava desesperada aproximei-me e quando pensava que o iria ver a bater-lhe encontrei-o a despi-la, rasgou-lhe o vestido e atirou-a para o sofá e a Maria apenas chorava e implorava para que ele a largasse enquanto que ele ia-se rindo
- Então fofinha… queres tanto quanto eu… mas continua, continua a negar que só me deixas com mais vontade…
- Pedro por favor larga-me!!
- Então fofinha nós fizemos as pazes, não fizemos - quando a Maria lhe ia responder - lembra-te do que te disse no elevador… ou voltas para mim ou não voltas a ver aquela bola de ranho a quem chamas de filho
Acabei por deixar de pensar por uns segundos e já ia caminho dele quando tive um flash de lucidez e antes de o afastar dela fui até a cozinha liguei o 112 e expliquei o que se passava e informaram-me que estariam a chegar
Ainda tentei ficar apenas a observar enquanto a policia não chegava, mas quando vi o outro animal despir a Maria por completo e começar a despir-se a ele não consegui e quando dei por mim já tinha o meu punho no nariz dele, mas desta vez ao contrario da outra ele não fugiu ele pelo contrario revidou e apanhando-me mais preocupado em que a Maria saísse dali do que em defender-me acertou-me em cheio na face fazendo-me cair e apenas não fiquei pior porque nesse instante a policia chegou, prendeu-o em flagrante e dada a natureza dos vários crimes levou-o preso.
Ainda tentaram convencer-me a ir a um hospital, mas sentia-me bem, fizeram o mesmo com a Maria, mas a equipa do INEM que tinha sido chamada também ao local acabou por nos ver a ambos e dispensar-nos de tal. Quando horas depois todos saíram pude finalmente focar-me apenas na Maria que estava como esteve quase todo o tempo, enroscada no sofá de forma a tapar a maior parte do corpo que conseguia.
- Maria… - ela não reagiu - Maria eles já foram todos… - assim que disse que todos se tinha ido embora ela levantou-se e apressou-se em sair da sala em direcção ao seu quarto e antes de ouvir a porta do quarto a fechar-se
- Não saias dai eu não demoro - e não demorou, 5 minutos depois estava novamente ao pé de mim, de duche tomado e com o pijama vestido e uma caixa de primeiros socorros - desculpa não queria demorar tanto… deixa ver o teu olho…
- Maria estou bem… o enfermeiro já viu… só preciso de gelo…
- Vou buscar! - correu e voltou com gelo que ela própria fez questão de colocar - Desculpa… não devias estar a assistir a isto… ele não tinha nada que te meter na historia… isto era só entre nós…
- Entre vocês Maria?! Ele ameaçou o Bruno!
- Eu sei… mas ele não lhe ia fazer mal… era só eu dar-lhe o que ele queria e ele ficava satisfeito e deixava o menino em paz… - começou a chorar - ai oh João eu só queria viver a minha vida descansada sem andar sempre a meter toda a gente em confusões… - soluçou e parou uns segundos a ganhar fôlego - só faço porcaria… desde que… - calou-se percebi que queria falar mas ao mesmo tempo não conseguia
- Que?
- Ai ooh João!
- João nada! Maria fala por favor! Desabafa fala de uma vez que andamos todos preocupados!
- Desde que entraste no escritório a dizer que ias para Valência…
- Eu não disse nada disso!!
- Mas era o que querias eu sei não sou estúpida!
- Eu queria a tua opinião
- João tu querias que eu dissesse que toma-se a decisão que fosse melhor para ti e que eu iria contigo até ao fim do mundo - sorri ao ouvi-la - eu sei que sim eu conheço-te e tu… tu conheces-me para saber que só a ideia me deixa em pânico que só de pensar em afastar-me dos meus pais, da minha prima… - soluçou - e só consegui reagir como reagi e a partir dai… bem a partir desse dia nunca mais consegui ser eu… ter um dia inteiro em que me sinta eu própria e não um E.T dentro do meu corpo - confesso que não esperava que ela fosse “puxar o filme” tão atrás - e depois foi aquela noite em Faro… aquele acordar… o descobrir que estava gravida… os primeiros meses… o casamento dos outros dois… o afastamento da minha prima, nunca me tinha sentido tão perdida, o desespero por conseguir falar com ela, o nascimento do Guilherme, o divorcio deles, o medo de não ser mãe suficientemente boa, o medo de não imaginar o que estavas a fazer em Valência, a culpa pelo que aconteceu à minha prima, não há um único dia que eu não me lembre e não me responsabilize pela perda dos gémeos… e quando tudo parecia acalmar… eu… eu nem sei o que me passou pela cabeça… tu sabes que eu nunca tive nada dessas cenas de me meter com as tuas fãs… mas aquela… ai que ódio…
- Maria não precisas…
- Por favor deixa-me… João eu tenho tido consultas com um Psicólogo, e ele disse-me que o primeiro passo para realmente voltar a encontrar-me era conseguir verbalizar isto tudo de seguida e sem ser com ele… com alguém que me conheça que saiba o que aconteceu… - respirou fundo - como dizia não imagino porque achei que era boa ideia, mas achei… e quando eu precisava mais de colo e compreensão… João aquilo que chamam de birra foi um depressão pós-parto que atingiu um ponto assustador em que eu cheguei mesmo a pensar acabar com tudo… - olhei-a admirado e assustado- pois... eu sei e foi quando percebi aquilo em que pensava que procurei ajuda e desde ai que tenho sido sempre acompanhada, mas não consegui reencontrar-me e quando o Pedro me encontrou… só conseguia pensar que ele poderia ser realmente a forma de me reencontrar, alguém que me conhecia antes e que não acompanhou esta minha espiral destrutiva…
- Oh Maria… - tentei aproximar-me e fazer-lhe um carinho, mas quando me mexi percebi que alem da cara que estava visivelmente amachucada o corpo também estava dorido -aiii
- Tás bem? Onde é que te doi? É melhor chamar ajuda?
- Calma estou bem… ai… fiquei só ligeiramente tocado preciso só de um bocado de descanso… mas agora tu… fala… Maria fala agora e fala sempre… é tão assustador ver-te mudar…
- Já não consigo… não consigo dizer mais nada… falei de mais…
- Não Maria, não falaste, falaste o que precisavas e ainda precisas de mais… mas vais fazê-lo quando te sentires bem, não te vou obrigar, mas sei que vais querer falar, ainda precisas falar - olhou-me - da Bea e do que se passou aqui…
- Não isso não… - voltou a intensificar o choro - isso não… não consigo…
Ruben
Confesso que a Maria conseguiu surpreender, não esperava de todo que o “trabalho” dela estivesse relacionado a um projecto desta dimensão, ainda assim e depois dos últimos acontecimentos nem eu nem a Mari conseguimos nos aproximar para a felicitar, aliás a pedido do meu amor saímos de fininho.
No fundo entendo a Mari, depois de tudo o que fez pela Maria perceber que voltou para o Pedro e ainda ouvir da boca da prima que matou os gémeos foi demais… A verdade é que a Maria não é mais a mesma, aliás nenhum de nós é mais aquela alma inocente, todos mudamos mas se uns amadureceram no caso da Maria parece que regrediu no tempo e no espaço.
Já tentei que a Mari desabafasse mas o meu amor simplesmente alega que não há nada a dizer, que a prima não passa de mera desconhecida, apesar de não concordar e achar que devemos pelo menos tentar uma última vez chamar a Maria à razão sou incapaz de ir contra a vontade da Mariana que pediu para não insistir.
Hoje o meu amor acordou mal humorada e mesmo sem admitir sei que está a “remoer” na descoberta de ontem, preferi não alongar a conversa ao pequeno-almoço e no fim fui tratar de colocar as nossas malas no carro, uma vez que viajamos hoje para o Gerês, dado que a pedido da Matilde o natal este ano será lá, lógico que quem adorou foi a Mari e convenceu-me a irmos mais cedo.
***
Chegamos ao Gerês depois da hora de almoço e de tarde aproveitamos para descansar um pouco mas com o anoitecer acabei por rumar até à cozinha onde preparei um jantar leve, uma vez que a Mari não estava com muita fome.
As horas seguintes foram dedicadas a mimar a Mari e os bebés, uma vez que o Filipe adormeceu cedo, o meu amor acabou mesmo por adormecer…
Acordei com a Mari a sair da cama e por isso fui atrás, fiz-lhe companhia ao pequeno-almoço e quando o nosso filho acordou fui busca-lo enquanto o meu amor lhe preparou a papa. A manhã passou connosco a brincar com o Filipe que acordou extremamente bem disposto.
Depois do almoço a Mari aproveitou para descansar um pouco enquanto fiquei pela sala mas o descanso durou muito pouco, bastou uns minutos para vê-la a descer as escadas e
- Amor apetece-me Rosquinhas da Doçaria de São Vicente… - gargalhei ao vê-la literalmente a salivar - Não gozes!
- Oh mor desculpa mas mais um pouco e o melhor é usares um babete do Filipe…
- Vai gozar com outra! Não tenho culpa das rosquinhas terem aparecido assim que fechei os olhos… - voltei a rir
- Isso está mesmo mau…
- Apetece-me mesmo!! - foi impossível não sorri novamente, a Mari estava com carinha de criança a pedinchar por um doce
- Queres que vá buscar?
- Vamos todos - sorriu - o Filipe ainda deve estar acordado e mesmo que não esteja dorme no carro…
- Ok… vai lá preparar o saco dele que vou buscá-lo!
A Mariana foi até à cozinha preparar o lanche para levarmos e tudo o que o nosso pequenino precisa para comer. Fui ao nosso quarto, uma vez que decidimos que o menino dormiria no nosso quarto e como falou o Filipe ainda estava de olho aberto, mas assim que lhe peguei começou a chorar
- Oh filho o pai sabe que queres dormir mas as tuas manas deixaram a mãe de desejos e nós como bons homens de família temos que bajular as nossas princesas e rainha… - falava enquanto vestia uma roupinha mais quentinha ao Filipe e quando terminei dei uma volta ao saco das fraldas para confirmar que não nos faltava nada, para finalmente descer para a sala, onde encontrei a Mari já à nossa espera
- Ohhh os meus homens tão lindinhos - sorri e depois de nos beijarmos seguimos para a garagem, onde coloquei o Filipe na sua cadeirinha e finalmente seguimos viagem.
Conduzi calmamente até Braga, a viagem foi tranquila connosco a falar de assuntos banais, foi quando já estávamos a chegar que
- Mor também temos de ver a questão da casa!
- Da casa?
- Sim… oh meu totó quando os gémeos nascerem precisamos de mais espaço, boa!
- Ah… pois… - a Mari gargalhou
- Nunca te passou isso pela cabeça, pois não?
- Ohhh… sinceramente não mas também é para isso que casei contigo, sei que não preciso preocupar-me com os detalhes que vossa excelência está sempre atenta!
- É… agora puxa o lustro!
- Deixando a brincadeira de lado - olhou-me - tens preferência na zona?
- Para comprarmos casa?
- Sim… não é disso que falamos! - sorriu
- Hum… gosto da zona do Parque das Nações ou de Cascais mas sinceramente acho que o melhor é ficarmos pela Margem Sul - olhei-a surpreendido, afinal sei que nunca lhe agradou viver na Margem Sul
- Tens a certeza?
- Mor senão tivéssemos o Filipe e senão tivesse grávida de gémeos provavelmente bateria o pé até concordares em viver numa dessas zonas mas com o Filipe e daqui a uns meses com os bebés não será lá grande ideia nos afastarmos da tua mãe - voltei a desviar o olhar da estrada - Ruben nas primeiras semanas precisarei de ajuda, porque uma coisa é cuidar de um bebé outra bem diferente é de três, em que dois serão recém-nascidos, por isso o melhor é ficarmos perto da tua mãe, porque agora que se vão desfazer do SPA a Anabela terá mais tempo disponível e poderá ajudar-me, já que os meus pais neste momento estão no auge do seu negócio…
- Tens a certeza que queres a minha mãe a ajudar-nos? - sorriu
- Oh mor não percebeste o que quis dizer! Não quero a tua mãe enfiada lá em casa, quero a tua mãe perto para qualquer emergência chegar rápido, não tenciono ter cão de guarda mas sim sentir-me tranquila por saber que se precisar tenho alguém perto que pode ajudar!
- Ah bom… por momentos assustaste-me!
- Desculpa?! Pah onde é que enfiaste o meu marido? Aquele menino da mamã que primeiro que largasse as suas saias… - interrompi
- Ahahah piadinha!
- Tens de reconhecer que por momentos nem parecias tu a falar!
- Mariana desde que estejas confortável por mim ter ou não a minha mãe por perto é indiferente, até porque o centro de estágio é na Margem Sul, logo terei sempre facilidade de estar com o meu irmão ou com a minha mãe.
- Sim mas não há necessidade de nos mudarmos para longe… os meus pais já estão habituados a terem que atravessar a ponte para visitarem a filha - gargalhei
- Então quando regressarmos a Lisboa tratamos do assunto!
A conversa continuou até estacionar porque assim que parei a logística do tirar o carrinho do Filipe, de o abrir e por fim colocar o nosso menino confortavelmente no seu “ferrari” não nos permite ter grandes conversas.
Caminhamos lado a lado até à Doçaria de São Vivente e assim que entramos os olhos da Mari brilharam ao ver as famosas rosquinhas, voltei a rir e por isso o meu amor beliscou-me
- Fónix isso aleija!
- Temos pena! Estavas a gozar comigo!
- Oh mor não é gozar… é mesmo sentir-me feliz por poder satisfazer os teus desejos - sorriu-me embevecida
- Desta escapas!
Teria respondido mas aproximaram-se da mesa para que pudéssemos efectuar o nosso pedido, algo que a Mari fez pelos dois
- Como é que sabias o que queria?
- Ohhh porque de todas as vezes que aqui viemos pediste sempre o mesmo!
- É… - suspirei ao recordar o passado
- Apesar de tudo fomos felizes em Braga - olhei-a
- Mas também foi aqui que tudo terminou… - interrompeu-me
- Não terminou - olhei-a - quanto muito fizemos uma pausa… Ruben Braga estará sempre presente por diversos motivos… afinal foi aqui que nos casamos pela primeira vez, que nos divorciamos, que voltamos a ser felizes, que descobrimos que estava grávida, onde vivemos algumas semanas, onde jogaste e treinaste, para onde voltaste quando o nosso mundo desabou…
- Onde me perdi… - baixei o olhar
- Onde encontraste alguém que nos deu a maior riqueza que temos até ao momento - a Mariana levou a mão à minha cara e fez-me olhá-la - Ruben é verdade que a Sofia revelou toda a sua loucura e nos atormentou mas não podemos esquecer que nos deu o Filipe, se nos separou em determinado momento uniu-nos noutro, uniu-nos quando rejeitou o menino… não gosto muito de pensar nisso mas quem sabe onde estaríamos senão fosse o Filipe a unir-nos?
Não respondi porque vieram entregar o nosso pedido. Estava a observar a Mari a deliciar-se com as suas rosquinhas quando o Filipe acordou, o meu amor pegou-lhe ao colo e deu-lhe a provar as rosquinhas
- Mor! - repreendi-a
- Filho já viste isto… o badameco do teu pai a achar que manda… tadinho…
- Que lindo… a falar mal de mim ao nosso filho!
- Shiu… que grávida pode tudo! - gargalhei despertando as atenções - Satisfeito?
- Que olhem… estou-me a borrifar!
A Mari sorriu e continuou a comer para no fim dar a papinha de fruta que preparou para o Filipe antes de sairmos de casa.
Estava a olhar para a minha família quando vi entrar na Doçaria um casal de idosos, vinham de mãos dadas e quando se aproximaram de uma mesa que estava vaga, o senhor puxou a cadeira para que a sua mulher se sentasse, aquele gesto despertou a minha atenção e por isso fiquei a olhar, acabei mesmo por sorrir quando o meu olhar cruzou com o da senhora
- Mor estás a sorrir para quem?
- Foi um casal idoso que entrou e o senhor puxou a cadeira a mulher
- Então não te esqueças do que acabaste de ver e quando formos os dois velhinhos quero que faças o mesmo! - sorri
- Com todo o gosto! - aproximei-me da Mari e uni os nossos lábios num beijinho discreto mas que ainda assim não passou despercebido ao Filipe que colocou a sua mãozinha na minha cara e afastou os nossos rostos
- Olha que bem… mas agora já não posso dar um beijinho ao teu pai, é? - a Mari falou para o Filipe que se riu
- Será que percebeu?! - a Mari gargalhou
- És mesmo totó - voltou a sorrir - Oh mor o nosso filho sorriu porque reagiu ao facto de lhe ter dado atenção e não por ter percebido o que falei!
Continuamos na brincadeira enquanto a Mari lhe dava o resto da fruta e foi quando peguei no Filipe para o colocar a arrotar que reparei no casal de idosos, o senhor observava-nos atentamente e a senhora estava mesmo com as lágrimas nos olhos, algo que me tocou de forma inexplicável, tanto que acabei por comentar com a Mari e assim que o fiz o meu amor olhou na direção do casal que desviaram de imediato o olhar.
- Estranho…
- Ya…
- Provavelmente são só mais um casal de velhinhos a quem a família não dá carinho
- Fogo… deve ser triste criar filhos e netos para depois não quererem saber de nós.
- Infelizmente essa realidade é cada vez mais o pão nosso de cada dia…
Não disse mais nada e assim que o Filipe arrotou coloquei-o no carrinho para ver se ficava sossegadinho.
- E a menina já está satisfeita?
- Já! Mas pelo sim pelo não vou levar umas rosquinhas - gargalhei, voltando a despertar a curiosidade dos velhinhos - E ficas a saber que eras assim um fixe se fizesse o pedido enquanto vou aonde ninguém vai por mim!
A Mari deu-me um beijo rápido e foi ao WC, aproveitei que a rapariga passou pela nossa mesa para pedir que colasse numa caixa algumas rosquinhas.
Estava a brincar com o Filipe quando reparei que a Mari falava com a senhora que se encontrava ao balcão.
Mariana
Depois de satisfazer o meu desejo e de dar o lanche ao Filipe, tive que ir ao WC e foi quando regressava para junto dos meus amores que a senhora que se encontrava atrás do balcão me chamou
- Desculpe - olhei-a - Posso dar-lhe uma palavrinha? - achei estranho e provavelmente a minha cara revelou isso mesmo porque - É rápido.
- Diga…
- O meu homem - olhei para o lado e vi um senhor que devia ter a mesma idade da senhora e que poderia muito bem ser meu pai - disse que aquele rapaz é o Ruben Amorim
- Sim é! - respondi por uma questão de educação
- Não sei bem como lhe dizer…
- Olhe comece pelo inicio…
A senhora assim o fez e quando tomei consciência do que ouvi, fiquei uns segundos sem conseguir reagir, tudo aquilo parecia surreal e não sei se é por estar grávida e consequentemente mais sensível ou se foi mesmo pela história em si, só sei que quando voltei a mim rapidamente percebi o que tinha de fazer…
Achei muito esquisito aquele convite chegar directamente a minha casa e não ao clube como acontece normalmente e mais esquisito achei todos os amigos e familia, sim os meus pais tambem, receberem. Por isso fiz questão de estar presente.
- Oh João não sabes mesmo quem convidou?
- Já disse que não mãe! - ela teria respondido, mas a chegada do neto roubou totalmente a sua atenção, vi-a falar com a Maria e uns minutos depois aproximou-se com o Bruninho no colo - tá aqui o papá!
- Papá!!! Guigas fica vó tesa hoxe!!
- Ficas com a avó Teresa?
- Xim!! Papá bém??
- Sim o papá também!
- Guigas binca! - ele apontou para uma zona de brincadeiras de criança e a minha mãe acabou por ir até lá com ele.
Nesse exacto momento uma das funcionárias do espaço que ninguém ainda sabia o nome começou a falar e o nosso grupinho juntou-se todo para ouvir, a excepção da Maria que como ultimamente preferiu a companhia da Bea e a nossa distancia, fui ouvindo o que a funcionária ia dizendo e quando a ouvi anunciar a “Boss” depois de uns segundos de choque tudo fez sentido, os convites chegarem a todos nós e toda a organização do espaço, a Maria tomou a palavra e tomei toda a atenção. Estava nervosa, senti-a insegura, mas lá acabou por na sua forma trapalhona se explicar e quando anunciou o nome foi impossível não sorrir, na sua forma trapalhona a Maria mostrava que ainda é a pessoa que conhecemos desde sempre e que a prima continua a ter uma importância vital, incluiu-nos também a nós naquele discurso e terminou fugindo do centro dos holofotes.
- Sabias disto?
- Eu Fábio?! Achas que se ela contasse a alguém ia ser a mim?
- Oh… - fez uma cara cómica - vamos lá?
- Vamos - a Ana falou - porque eu sei que a minha amiga tá a precisar “daquele” abraço e já que os primos sairam de fininho, vamos lá nós…
Aproximamos-nos e assim que a família se afastou “saltamos” para cima dela que sorriu para no final trocar umas breves palavrinhas comigo deixando bem claro que também ela ia deixar a festa, com a desculpa da Bea ia fugir para gozar em casa a magoa do desprezo absoluto da Mari e do Ruben.
Voltei a afastar-me tive uns minutos com a minha mãe
- Oh filho! Mas já não tinha decidido deixa-la viver a vida dela? Ela já não tem namorado? Deixa de a controlar…
- Tem? Onde que não o vi? Ai oh mãe a sério só estou preocupado com uma amiga que ainda por cima é a mãe do meu filho e que apesar de aparentar aquela alegria toda - falei enquanto a Maria falava e ria com alguns convidados - eu sei que está na lama pela situação em que está com a prima ela saiu definitivamente da loja - mãe leva o Bruninho? - não deixei responder - Eu depois já lá vou ter a casa…
Sai atrás da Maria, mas sem deixar ser notada a minha presença, vi-a deixar a Bea em casa e continuei até chegarmos a sua casa e no momento em que decidia se deveria subir e tentar que ela finalmente desabafasse tudo o que anda a guardar ou se deveria deixa-la como já tantas vezes me pediu vi o Pedro a aproximar-se a passos largos e num gesto brusco agarrou-a pelo braço. Deixei para trás todas as duvidas e aproximei-me devagar, percebi que ele a ameaçava e ouvi com todas as letras a resposta dela
- Larga-me! Não tenho medo de ti!!
- Não?! Mas devias porque não estou a ver aqui nem a tua prima, ah espera ela já não quer saber de ti… nem o meia-dose do teu ex-marido… para te defender… - deu uma gargalhada irónica - por isso acalma-te lá… eu vou fingir que tu não falaste comigo nesse tom e nós vamos subir - ele tentou abraça-la, mas ela empurrou-o - mau… vamos subir… - voltou a abraça-la e a Maria não teve força para se soltar - e vamos conversar… e fazer as pazes… e tu depois vais à policia tirar aquela queixa ridícula contra mim… e vamos voltar a ficar juntos…
Percebi que a Maria queria afastar-se, mas não conseguia por isso depois de os ver entrar no prédio, toquei na campainha de um dos vizinhos que me abriu a porta e subi no outro elevador do prédio chegando a porta do apartamento pouco depois deles, que a deixaram aberta
- LARGA-ME!!! - a Maria gritava desesperada aproximei-me e quando pensava que o iria ver a bater-lhe encontrei-o a despi-la, rasgou-lhe o vestido e atirou-a para o sofá e a Maria apenas chorava e implorava para que ele a largasse enquanto que ele ia-se rindo
- Então fofinha… queres tanto quanto eu… mas continua, continua a negar que só me deixas com mais vontade…
- Pedro por favor larga-me!!
- Então fofinha nós fizemos as pazes, não fizemos - quando a Maria lhe ia responder - lembra-te do que te disse no elevador… ou voltas para mim ou não voltas a ver aquela bola de ranho a quem chamas de filho
Acabei por deixar de pensar por uns segundos e já ia caminho dele quando tive um flash de lucidez e antes de o afastar dela fui até a cozinha liguei o 112 e expliquei o que se passava e informaram-me que estariam a chegar
Ainda tentei ficar apenas a observar enquanto a policia não chegava, mas quando vi o outro animal despir a Maria por completo e começar a despir-se a ele não consegui e quando dei por mim já tinha o meu punho no nariz dele, mas desta vez ao contrario da outra ele não fugiu ele pelo contrario revidou e apanhando-me mais preocupado em que a Maria saísse dali do que em defender-me acertou-me em cheio na face fazendo-me cair e apenas não fiquei pior porque nesse instante a policia chegou, prendeu-o em flagrante e dada a natureza dos vários crimes levou-o preso.
Ainda tentaram convencer-me a ir a um hospital, mas sentia-me bem, fizeram o mesmo com a Maria, mas a equipa do INEM que tinha sido chamada também ao local acabou por nos ver a ambos e dispensar-nos de tal. Quando horas depois todos saíram pude finalmente focar-me apenas na Maria que estava como esteve quase todo o tempo, enroscada no sofá de forma a tapar a maior parte do corpo que conseguia.
- Maria… - ela não reagiu - Maria eles já foram todos… - assim que disse que todos se tinha ido embora ela levantou-se e apressou-se em sair da sala em direcção ao seu quarto e antes de ouvir a porta do quarto a fechar-se
- Não saias dai eu não demoro - e não demorou, 5 minutos depois estava novamente ao pé de mim, de duche tomado e com o pijama vestido e uma caixa de primeiros socorros - desculpa não queria demorar tanto… deixa ver o teu olho…
- Maria estou bem… o enfermeiro já viu… só preciso de gelo…
- Vou buscar! - correu e voltou com gelo que ela própria fez questão de colocar - Desculpa… não devias estar a assistir a isto… ele não tinha nada que te meter na historia… isto era só entre nós…
- Entre vocês Maria?! Ele ameaçou o Bruno!
- Eu sei… mas ele não lhe ia fazer mal… era só eu dar-lhe o que ele queria e ele ficava satisfeito e deixava o menino em paz… - começou a chorar - ai oh João eu só queria viver a minha vida descansada sem andar sempre a meter toda a gente em confusões… - soluçou e parou uns segundos a ganhar fôlego - só faço porcaria… desde que… - calou-se percebi que queria falar mas ao mesmo tempo não conseguia
- Que?
- Ai ooh João!
- João nada! Maria fala por favor! Desabafa fala de uma vez que andamos todos preocupados!
- Desde que entraste no escritório a dizer que ias para Valência…
- Eu não disse nada disso!!
- Mas era o que querias eu sei não sou estúpida!
- Eu queria a tua opinião
- João tu querias que eu dissesse que toma-se a decisão que fosse melhor para ti e que eu iria contigo até ao fim do mundo - sorri ao ouvi-la - eu sei que sim eu conheço-te e tu… tu conheces-me para saber que só a ideia me deixa em pânico que só de pensar em afastar-me dos meus pais, da minha prima… - soluçou - e só consegui reagir como reagi e a partir dai… bem a partir desse dia nunca mais consegui ser eu… ter um dia inteiro em que me sinta eu própria e não um E.T dentro do meu corpo - confesso que não esperava que ela fosse “puxar o filme” tão atrás - e depois foi aquela noite em Faro… aquele acordar… o descobrir que estava gravida… os primeiros meses… o casamento dos outros dois… o afastamento da minha prima, nunca me tinha sentido tão perdida, o desespero por conseguir falar com ela, o nascimento do Guilherme, o divorcio deles, o medo de não ser mãe suficientemente boa, o medo de não imaginar o que estavas a fazer em Valência, a culpa pelo que aconteceu à minha prima, não há um único dia que eu não me lembre e não me responsabilize pela perda dos gémeos… e quando tudo parecia acalmar… eu… eu nem sei o que me passou pela cabeça… tu sabes que eu nunca tive nada dessas cenas de me meter com as tuas fãs… mas aquela… ai que ódio…
- Maria não precisas…
- Por favor deixa-me… João eu tenho tido consultas com um Psicólogo, e ele disse-me que o primeiro passo para realmente voltar a encontrar-me era conseguir verbalizar isto tudo de seguida e sem ser com ele… com alguém que me conheça que saiba o que aconteceu… - respirou fundo - como dizia não imagino porque achei que era boa ideia, mas achei… e quando eu precisava mais de colo e compreensão… João aquilo que chamam de birra foi um depressão pós-parto que atingiu um ponto assustador em que eu cheguei mesmo a pensar acabar com tudo… - olhei-a admirado e assustado- pois... eu sei e foi quando percebi aquilo em que pensava que procurei ajuda e desde ai que tenho sido sempre acompanhada, mas não consegui reencontrar-me e quando o Pedro me encontrou… só conseguia pensar que ele poderia ser realmente a forma de me reencontrar, alguém que me conhecia antes e que não acompanhou esta minha espiral destrutiva…
- Oh Maria… - tentei aproximar-me e fazer-lhe um carinho, mas quando me mexi percebi que alem da cara que estava visivelmente amachucada o corpo também estava dorido -aiii
- Tás bem? Onde é que te doi? É melhor chamar ajuda?
- Calma estou bem… ai… fiquei só ligeiramente tocado preciso só de um bocado de descanso… mas agora tu… fala… Maria fala agora e fala sempre… é tão assustador ver-te mudar…
- Já não consigo… não consigo dizer mais nada… falei de mais…
- Não Maria, não falaste, falaste o que precisavas e ainda precisas de mais… mas vais fazê-lo quando te sentires bem, não te vou obrigar, mas sei que vais querer falar, ainda precisas falar - olhou-me - da Bea e do que se passou aqui…
- Não isso não… - voltou a intensificar o choro - isso não… não consigo…
Ruben
Confesso que a Maria conseguiu surpreender, não esperava de todo que o “trabalho” dela estivesse relacionado a um projecto desta dimensão, ainda assim e depois dos últimos acontecimentos nem eu nem a Mari conseguimos nos aproximar para a felicitar, aliás a pedido do meu amor saímos de fininho.
No fundo entendo a Mari, depois de tudo o que fez pela Maria perceber que voltou para o Pedro e ainda ouvir da boca da prima que matou os gémeos foi demais… A verdade é que a Maria não é mais a mesma, aliás nenhum de nós é mais aquela alma inocente, todos mudamos mas se uns amadureceram no caso da Maria parece que regrediu no tempo e no espaço.
Já tentei que a Mari desabafasse mas o meu amor simplesmente alega que não há nada a dizer, que a prima não passa de mera desconhecida, apesar de não concordar e achar que devemos pelo menos tentar uma última vez chamar a Maria à razão sou incapaz de ir contra a vontade da Mariana que pediu para não insistir.
Hoje o meu amor acordou mal humorada e mesmo sem admitir sei que está a “remoer” na descoberta de ontem, preferi não alongar a conversa ao pequeno-almoço e no fim fui tratar de colocar as nossas malas no carro, uma vez que viajamos hoje para o Gerês, dado que a pedido da Matilde o natal este ano será lá, lógico que quem adorou foi a Mari e convenceu-me a irmos mais cedo.
***
Chegamos ao Gerês depois da hora de almoço e de tarde aproveitamos para descansar um pouco mas com o anoitecer acabei por rumar até à cozinha onde preparei um jantar leve, uma vez que a Mari não estava com muita fome.
As horas seguintes foram dedicadas a mimar a Mari e os bebés, uma vez que o Filipe adormeceu cedo, o meu amor acabou mesmo por adormecer…
Acordei com a Mari a sair da cama e por isso fui atrás, fiz-lhe companhia ao pequeno-almoço e quando o nosso filho acordou fui busca-lo enquanto o meu amor lhe preparou a papa. A manhã passou connosco a brincar com o Filipe que acordou extremamente bem disposto.
Depois do almoço a Mari aproveitou para descansar um pouco enquanto fiquei pela sala mas o descanso durou muito pouco, bastou uns minutos para vê-la a descer as escadas e
- Amor apetece-me Rosquinhas da Doçaria de São Vicente… - gargalhei ao vê-la literalmente a salivar - Não gozes!
- Oh mor desculpa mas mais um pouco e o melhor é usares um babete do Filipe…
- Vai gozar com outra! Não tenho culpa das rosquinhas terem aparecido assim que fechei os olhos… - voltei a rir
- Isso está mesmo mau…
- Apetece-me mesmo!! - foi impossível não sorri novamente, a Mari estava com carinha de criança a pedinchar por um doce
- Queres que vá buscar?
- Vamos todos - sorriu - o Filipe ainda deve estar acordado e mesmo que não esteja dorme no carro…
- Ok… vai lá preparar o saco dele que vou buscá-lo!
A Mariana foi até à cozinha preparar o lanche para levarmos e tudo o que o nosso pequenino precisa para comer. Fui ao nosso quarto, uma vez que decidimos que o menino dormiria no nosso quarto e como falou o Filipe ainda estava de olho aberto, mas assim que lhe peguei começou a chorar
- Oh filho o pai sabe que queres dormir mas as tuas manas deixaram a mãe de desejos e nós como bons homens de família temos que bajular as nossas princesas e rainha… - falava enquanto vestia uma roupinha mais quentinha ao Filipe e quando terminei dei uma volta ao saco das fraldas para confirmar que não nos faltava nada, para finalmente descer para a sala, onde encontrei a Mari já à nossa espera
- Ohhh os meus homens tão lindinhos - sorri e depois de nos beijarmos seguimos para a garagem, onde coloquei o Filipe na sua cadeirinha e finalmente seguimos viagem.
Conduzi calmamente até Braga, a viagem foi tranquila connosco a falar de assuntos banais, foi quando já estávamos a chegar que
- Mor também temos de ver a questão da casa!
- Da casa?
- Sim… oh meu totó quando os gémeos nascerem precisamos de mais espaço, boa!
- Ah… pois… - a Mari gargalhou
- Nunca te passou isso pela cabeça, pois não?
- Ohhh… sinceramente não mas também é para isso que casei contigo, sei que não preciso preocupar-me com os detalhes que vossa excelência está sempre atenta!
- É… agora puxa o lustro!
- Deixando a brincadeira de lado - olhou-me - tens preferência na zona?
- Para comprarmos casa?
- Sim… não é disso que falamos! - sorriu
- Hum… gosto da zona do Parque das Nações ou de Cascais mas sinceramente acho que o melhor é ficarmos pela Margem Sul - olhei-a surpreendido, afinal sei que nunca lhe agradou viver na Margem Sul
- Tens a certeza?
- Mor senão tivéssemos o Filipe e senão tivesse grávida de gémeos provavelmente bateria o pé até concordares em viver numa dessas zonas mas com o Filipe e daqui a uns meses com os bebés não será lá grande ideia nos afastarmos da tua mãe - voltei a desviar o olhar da estrada - Ruben nas primeiras semanas precisarei de ajuda, porque uma coisa é cuidar de um bebé outra bem diferente é de três, em que dois serão recém-nascidos, por isso o melhor é ficarmos perto da tua mãe, porque agora que se vão desfazer do SPA a Anabela terá mais tempo disponível e poderá ajudar-me, já que os meus pais neste momento estão no auge do seu negócio…
- Tens a certeza que queres a minha mãe a ajudar-nos? - sorriu
- Oh mor não percebeste o que quis dizer! Não quero a tua mãe enfiada lá em casa, quero a tua mãe perto para qualquer emergência chegar rápido, não tenciono ter cão de guarda mas sim sentir-me tranquila por saber que se precisar tenho alguém perto que pode ajudar!
- Ah bom… por momentos assustaste-me!
- Desculpa?! Pah onde é que enfiaste o meu marido? Aquele menino da mamã que primeiro que largasse as suas saias… - interrompi
- Ahahah piadinha!
- Tens de reconhecer que por momentos nem parecias tu a falar!
- Mariana desde que estejas confortável por mim ter ou não a minha mãe por perto é indiferente, até porque o centro de estágio é na Margem Sul, logo terei sempre facilidade de estar com o meu irmão ou com a minha mãe.
- Sim mas não há necessidade de nos mudarmos para longe… os meus pais já estão habituados a terem que atravessar a ponte para visitarem a filha - gargalhei
- Então quando regressarmos a Lisboa tratamos do assunto!
A conversa continuou até estacionar porque assim que parei a logística do tirar o carrinho do Filipe, de o abrir e por fim colocar o nosso menino confortavelmente no seu “ferrari” não nos permite ter grandes conversas.
Caminhamos lado a lado até à Doçaria de São Vivente e assim que entramos os olhos da Mari brilharam ao ver as famosas rosquinhas, voltei a rir e por isso o meu amor beliscou-me
- Fónix isso aleija!
- Temos pena! Estavas a gozar comigo!
- Oh mor não é gozar… é mesmo sentir-me feliz por poder satisfazer os teus desejos - sorriu-me embevecida
- Desta escapas!
Teria respondido mas aproximaram-se da mesa para que pudéssemos efectuar o nosso pedido, algo que a Mari fez pelos dois
- Como é que sabias o que queria?
- Ohhh porque de todas as vezes que aqui viemos pediste sempre o mesmo!
- É… - suspirei ao recordar o passado
- Apesar de tudo fomos felizes em Braga - olhei-a
- Mas também foi aqui que tudo terminou… - interrompeu-me
- Não terminou - olhei-a - quanto muito fizemos uma pausa… Ruben Braga estará sempre presente por diversos motivos… afinal foi aqui que nos casamos pela primeira vez, que nos divorciamos, que voltamos a ser felizes, que descobrimos que estava grávida, onde vivemos algumas semanas, onde jogaste e treinaste, para onde voltaste quando o nosso mundo desabou…
- Onde me perdi… - baixei o olhar
- Onde encontraste alguém que nos deu a maior riqueza que temos até ao momento - a Mariana levou a mão à minha cara e fez-me olhá-la - Ruben é verdade que a Sofia revelou toda a sua loucura e nos atormentou mas não podemos esquecer que nos deu o Filipe, se nos separou em determinado momento uniu-nos noutro, uniu-nos quando rejeitou o menino… não gosto muito de pensar nisso mas quem sabe onde estaríamos senão fosse o Filipe a unir-nos?
Não respondi porque vieram entregar o nosso pedido. Estava a observar a Mari a deliciar-se com as suas rosquinhas quando o Filipe acordou, o meu amor pegou-lhe ao colo e deu-lhe a provar as rosquinhas
- Mor! - repreendi-a
- Filho já viste isto… o badameco do teu pai a achar que manda… tadinho…
- Que lindo… a falar mal de mim ao nosso filho!
- Shiu… que grávida pode tudo! - gargalhei despertando as atenções - Satisfeito?
- Que olhem… estou-me a borrifar!
A Mari sorriu e continuou a comer para no fim dar a papinha de fruta que preparou para o Filipe antes de sairmos de casa.
Estava a olhar para a minha família quando vi entrar na Doçaria um casal de idosos, vinham de mãos dadas e quando se aproximaram de uma mesa que estava vaga, o senhor puxou a cadeira para que a sua mulher se sentasse, aquele gesto despertou a minha atenção e por isso fiquei a olhar, acabei mesmo por sorrir quando o meu olhar cruzou com o da senhora
- Mor estás a sorrir para quem?
- Foi um casal idoso que entrou e o senhor puxou a cadeira a mulher
- Então não te esqueças do que acabaste de ver e quando formos os dois velhinhos quero que faças o mesmo! - sorri
- Com todo o gosto! - aproximei-me da Mari e uni os nossos lábios num beijinho discreto mas que ainda assim não passou despercebido ao Filipe que colocou a sua mãozinha na minha cara e afastou os nossos rostos
- Olha que bem… mas agora já não posso dar um beijinho ao teu pai, é? - a Mari falou para o Filipe que se riu
- Será que percebeu?! - a Mari gargalhou
- És mesmo totó - voltou a sorrir - Oh mor o nosso filho sorriu porque reagiu ao facto de lhe ter dado atenção e não por ter percebido o que falei!
Continuamos na brincadeira enquanto a Mari lhe dava o resto da fruta e foi quando peguei no Filipe para o colocar a arrotar que reparei no casal de idosos, o senhor observava-nos atentamente e a senhora estava mesmo com as lágrimas nos olhos, algo que me tocou de forma inexplicável, tanto que acabei por comentar com a Mari e assim que o fiz o meu amor olhou na direção do casal que desviaram de imediato o olhar.
- Estranho…
- Ya…
- Provavelmente são só mais um casal de velhinhos a quem a família não dá carinho
- Fogo… deve ser triste criar filhos e netos para depois não quererem saber de nós.
- Infelizmente essa realidade é cada vez mais o pão nosso de cada dia…
Não disse mais nada e assim que o Filipe arrotou coloquei-o no carrinho para ver se ficava sossegadinho.
- E a menina já está satisfeita?
- Já! Mas pelo sim pelo não vou levar umas rosquinhas - gargalhei, voltando a despertar a curiosidade dos velhinhos - E ficas a saber que eras assim um fixe se fizesse o pedido enquanto vou aonde ninguém vai por mim!
A Mari deu-me um beijo rápido e foi ao WC, aproveitei que a rapariga passou pela nossa mesa para pedir que colasse numa caixa algumas rosquinhas.
Estava a brincar com o Filipe quando reparei que a Mari falava com a senhora que se encontrava ao balcão.
Mariana
Depois de satisfazer o meu desejo e de dar o lanche ao Filipe, tive que ir ao WC e foi quando regressava para junto dos meus amores que a senhora que se encontrava atrás do balcão me chamou
- Desculpe - olhei-a - Posso dar-lhe uma palavrinha? - achei estranho e provavelmente a minha cara revelou isso mesmo porque - É rápido.
- Diga…
- O meu homem - olhei para o lado e vi um senhor que devia ter a mesma idade da senhora e que poderia muito bem ser meu pai - disse que aquele rapaz é o Ruben Amorim
- Sim é! - respondi por uma questão de educação
- Não sei bem como lhe dizer…
- Olhe comece pelo inicio…
A senhora assim o fez e quando tomei consciência do que ouvi, fiquei uns segundos sem conseguir reagir, tudo aquilo parecia surreal e não sei se é por estar grávida e consequentemente mais sensível ou se foi mesmo pela história em si, só sei que quando voltei a mim rapidamente percebi o que tinha de fazer…
Quem será o casal de velhinhos?
E o que terá dito a Sra. da Doçaria?
Continuará a Maria a desabafar?
Como reagirá a tudo o que aconteceu?
Olá!!!
Desde que este projecto começou, que fomos coleccionando "amigas", umas mais próximas e que se tornaram importantes e Tu foste uma delas.
Sabemos que te desiludimos bastante, mas já te explicamos porquê, seja como for hoje só queremos que tenhas um dia maravilhoso e que o mesmo se repita muitos e muitos anos!
Sabemos que te desiludimos bastante, mas já te explicamos porquê, seja como for hoje só queremos que tenhas um dia maravilhoso e que o mesmo se repita muitos e muitos anos!
Esperamos que gostes desta nossa humilde prendinha ;)
Beijinhos
Beijinhos
M&M's

Antes de mais peço imensa desculpa por todos os capitulos que tinha em atraso mas a verdade é que não consegui mesmo por a leitura em dia mais cedo...mas já está tudo lido e adorado!!!
ResponderEliminarBem eu nem sei por onde começar!
Quanto ao Rúben e à Mariana, eu acho que são uma familia tão fofinha!E agora que já se sabe que vem uma menina (o que deixou o pai babadissimo!!lool) falta é mesmo saber qual o sexo do outro bebé,espero que esteja para breve!!:P
Tenho também de dizer que adoro ler estes desejos da Mariana, que o Rúben não tem outro remédio a não ser os saciar!! loooool
Agora aquele Pedro....eu sabia que ele não devia estar com a Maria! É mesmo um estúpido, porco..o que não falta são adjectivos -.- Mas pelo menos que isto sirva para lhe mostrar quem realmente deve estar ao seu lado e lhe protege (joão é obvio!!!)
O projecto dela é uma ideia fantástica!É que adorei tudo até o nome! :P Será agora que as coisas vão começar a "endireitar" para o lado dela???
Tou demasiado curiosa (por diversas razões :P) e quero o proximo rapidamente!!
Beijinhos para as duas! :)
Olá meninas:
ResponderEliminarai ceus... estava à espera de tudo agora este Pedro passou todos os limites... ele é um criminoso, ponto.
Agora o João vai ter de tratar desta situação e da Maria ;) isto tem de ser resolvido ;)
Mas claro eu penso que a Maria vai se dar bem agora e já estou com medo do que se está a passar com a Mari... ou melhor quem será aquelas pessoas... já estou com medo!!!!
Quero mais, adoro, adoro.
Beijinhos meninas.
Olá!
ResponderEliminarTodos adoraram a ideia da Maria, todos a felicitaram menos quem ela mais queria, a Mari e o Ruben saíram de fininho sem dizer uma palavra à Maria, da Mari esperava essa atitude do Ruben não, mas acredito que a seu tempo eles irão resolver tudo.
Fui a favor da decisão do João quando ele resolveu fazer a vontade da Maria e se afastou dela, mas desta vez ainda bem que ele não o fez, apesar da chamada de atenção da mãe, ele sabia que a a Maria não estava bem e resolveu mesmo ir ver como ela estava, bendita a hora que o fez. O João teve a coragem e o sangue frio de esperar para ver até onde o outro ia, e fez aquilo que deveria de ter sido feito da outra vez, chamou as autoridades, só se passou quando a besta do Pedro tocou no nome do filho, e aí o João virou bicho e deu ao outro o que ele merecia um valente murro nos queixos, levou o troco, mas se calhar até foi "bom", porque o outro acabou por ser apanhado em flagrante pelas autoridades, e espero que o Pedro apodreça na cadeia, ele e todos os que são como ele.
Só de imaginar a cena degradante a que o João assistiu, dá-me nojo, era bom que todas as mulheres que são vitimas deste tipo de crime tivessem um anjo da guarda como a Maria teve, porque foi isso que o João foi para ela. Finalmente a Maria começou a soltar-se e começou a falar, a desabafar, faz-lhe bem falar no assunto, mas tenho que dizer uma coisa, ela disse que anda num psicólogo desde que teve a depressão pós-parto, mas que raio de psicólogo é este que a rapariga neste tempo todo ainda tá quase na mesma? Acho que é melhor ela mudar de psicólogo.
A Mari e o Ruben são aquele casalinho que eu adoro, é só paz e amor, tão bom. A Mari e os seus desejos, o Ruben e a sua prontidão em saciá-los com muito gozo à mistura ,sem esquecer o elemento mais novo da família, que nunca é esquecido, e as conversas de pai e filho, que são uma fofura "Oh filho o pai sabe que queres dormir mas as tuas manas deixaram a mãe de desejos e nós como bons homens de família temos que bajular as nossas princesas e rainha…", é engraçado pensar numa criança tão pequena como um homem de família, só podia ser coisa do menino Ruben, opah! adoro mesmo estes três.
Depois de ler toda a conversa que tiveram enquanto saciavam o desejo da Mari, toda a conversa em relação à importância de Braga na vida deles, acho que tenho uma pequena ideia de quem possa ser o casal de velhinhos, talvez os avós da Sofia e os bisavós do Filipe, daí o momento em que o Ruben reparou na emoção da idosa, e acho que deve ter sido isso que a senhora da Doçaria contou à Mari. Mas isto é só a minha ideia, vindo de vocês pode ser qualquer coisa, já tou por tudo.
Espero que a Maria continue com os seus desabafos, e pode ser que com um bocadinho de sorte e como é Natal e como pelos vistos é em casa do tio Jorge a família se reúna toda incluindo Maria e Mari e porque não o próprio JP (para passar o Natal com o filho), e num desses momentos a Mari ouça a Maria a falar com o JP, era só uma ideia, isto fui só eu a divagar...
Meninas eu adorei, fico feliz de pelo menos a Maria se ter visto livre da besta quadrada (pelo menos por enquanto), e agora o que eu preciso mesmo é do próximo capitulo, para saber mais novidades e de preferência boas destes 4 da vida airada.
Beijocas
Fernanda
Olá!
ResponderEliminarTodos adoraram a ideia da Maria, todos a felicitaram menos quem ela mais queria, a Mari e o Ruben saíram de fininho sem dizer uma palavra à Maria, da Mari esperava essa atitude do Ruben não, mas acredito que a seu tempo eles irão resolver tudo.
Fui a favor da decisão do João quando ele resolveu fazer a vontade da Maria e se afastou dela, mas desta vez ainda bem que ele não o fez, apesar da chamada de atenção da mãe, ele sabia que a a Maria não estava bem e resolveu mesmo ir ver como ela estava, bendita a hora que o fez. O João teve a coragem e o sangue frio de esperar para ver até onde o outro ia, e fez aquilo que deveria de ter sido feito da outra vez, chamou as autoridades, só se passou quando a besta do Pedro tocou no nome do filho, e aí o João virou bicho e deu ao outro o que ele merecia um valente murro nos queixos, levou o troco, mas se calhar até foi "bom", porque o outro acabou por ser apanhado em flagrante pelas autoridades, e espero que o Pedro apodreça na cadeia, ele e todos os que são como ele.
Só de imaginar a cena degradante a que o João assistiu, dá-me nojo, era bom que todas as mulheres que são vitimas deste tipo de crime tivessem um anjo da guarda como a Maria teve, porque foi isso que o João foi para ela. Finalmente a Maria começou a soltar-se e começou a falar, a desabafar, faz-lhe bem falar no assunto, mas tenho que dizer uma coisa, ela disse que anda num psicólogo desde que teve a depressão pós-parto, mas que raio de psicólogo é este que a rapariga neste tempo todo ainda tá quase na mesma? Acho que é melhor ela mudar de psicólogo.
A Mari e o Ruben são aquele casalinho que eu adoro, é só paz e amor, tão bom. A Mari e os seus desejos, o Ruben e a sua prontidão em saciá-los com muito gozo à mistura ,sem esquecer o elemento mais novo da família, que nunca é esquecido, e as conversas de pai e filho, que são uma fofura "Oh filho o pai sabe que queres dormir mas as tuas manas deixaram a mãe de desejos e nós como bons homens de família temos que bajular as nossas princesas e rainha…", é engraçado pensar numa criança tão pequena como um homem de família, só podia ser coisa do menino Ruben, opah! adoro mesmo estes três.
Depois de ler toda a conversa que tiveram enquanto saciavam o desejo da Mari, toda a conversa em relação à importância de Braga na vida deles, acho que tenho uma pequena ideia de quem possa ser o casal de velhinhos, talvez os avós da Sofia e os bisavós do Filipe, daí o momento em que o Ruben reparou na emoção da idosa, e acho que deve ter sido isso que a senhora da Doçaria contou à Mari. Mas isto é só a minha ideia, vindo de vocês pode ser qualquer coisa, já tou por tudo.
Espero que a Maria continue com os seus desabafos, e pode ser que com um bocadinho de sorte e como é Natal e como pelos vistos é em casa do tio Jorge a família se reúna toda incluindo Maria e Mari e porque não o próprio JP (para passar o Natal com o filho), e num desses momentos a Mari ouça a Maria a falar com o JP, era só uma ideia, isto fui só eu a divagar...
Meninas eu adorei, fico feliz de pelo menos a Maria se ter visto livre da besta quadrada (pelo menos por enquanto), e agora o que eu preciso mesmo é do próximo capitulo, para saber mais novidades e de preferência boas destes 4 da vida airada.
Beijocas
Fernanda
Olá
ResponderEliminarGosteiiiiiiiiiiiiiiiiii muito :)
Beijinhos
Catarina
Olá!
ResponderEliminarAi nao podia ir dormir sem comentar isto! Ja o li ontem, mas ainda nao tinha parado para comentar!
Em primeiro lugar, muchas gracias pela "dedicatoria"!
E depois... bem que capitulo! Espero que este Pedro esteja definitivamente arrumado, bem preso, que é onde ele tem de estar!
O Joao esta-me a deixar cada vez mais vulneralve *preocupante*
Quanto ao outro casal: o que raio vem aí? Isto estava a correr tao bem! Nao me digam que vem aí terramoto????
Espero o proximo! Mais uma vez, gracias :D
Ana Santos
Fabuloso...
ResponderEliminarQuero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...
Continua...