Ana
Assim que ouvimos a Mariana o barulhinho de fundo
cessou e ficamos todos a olhá-los mas bastou uns segundos para ouvirmos os
primeiros acordes da música seguinte e aí sim temi
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não
te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me
deito...
Eu gosto de você
E gosto de ficar
com você
Meu riso é tão
feliz contigo
O meu melhor
amigo
É o meu amor...
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se
cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha
infância...
Seus olhos meu
clarão
Me guiam dentro
da escuridão
Seus pés me abrem
o caminho
Eu sigo e nunca
me sinto só...
Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher
de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me
deito...
Eu gosto de você
E gosto de ficar
com você
Meu riso é tão
feliz contigo
O meu melhor
amigo
É o meu amor...
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se
cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha
infância...
Seus olhos meu
clarão
Me guiam dentro
da escuridão
Seus pés me abrem
o caminho
Eu sigo e nunca
me sinto só...
Você é assim
Um sonho pra mim
Você é assim...
Você é assim...
Você é assim...
"Você é
assim
Um sonho pra mim
E quando eu não
te vejo
Penso em você
Desde o amanhecer
Até quando me
deito
Eu gosto de você
Eu gosto de ficar
com você
Meu riso é tão
feliz contigo
O meu melhor
amigo
É o meu
amor"
o pior e agravou quando o Ruben começou a falar
- Nem todos
acompanharam a nossa história desde o início e mesmo os que acompanharam - o Ruben olhou diretamente para nós os quatro -
desconhecem certos e determinados
detalhes - a Mariana sorriu - mas
esses também não interessam, o que vos quero dizer é que tudo se resume ao
passado - olhou para a Maria e depois para o João - porque o futuro depende das escolhas do presente e não há presente
enquanto o passado estiver em aberto, esta é sem sombra de dúvidas a primeira
conclusão que retiro sempre que paro e penso no que foi a nossa vida nos
últimos doze anos - a Mariana sorriu - e
a segunda é sem dúvida a de que não olhei para os teus defeitos e muito menos para a tua aparência…
simplesmente te conheci, aceitei-te tal como eras e apaixonei-me… Hoje és o meu
sorriso, o brilho do meu olhar, o amor que faz o meu coração bater, hoje és a
minha vida…
O Ruben
beijou-a e depois foi a vez da Mariana
- Ruben, no amor não existe o “impossível”, mas sim provas
para serem superadas, existem desafios e obstáculos para serem contornados
sempre de mãos unidas porque uma hora ou outra o destino se ajeita.
A
intensidade com que se olhavam era tremenda e se já estava estarrecida perante
o que testemunhava quando os ouvi à vez
Ruben - Quando há amor
as coisas se acertam
Mariana - O passado
é esquecido
Ruben - As dores
cicatrizam.
Mariana - Quem tem
que ficar fica
Ruben - O que é
verdadeiro permanece e o que não é desaparece.
Mariana - Não tiveste
pressa
Ruben - Não guardaste
mágoas,
Mariana - Não quisestes
pouco,
Ruben - Procurei
sempre o melhor
Mariana - Mas esperaste na
tua
Ruben - Aprendi a ser
paciente e ouvir um não
Mariana - Aprendi a
ignorar o que me faz mal.
Ruben - Aprendi que amar
de verdade é dar liberdade a quem mais amo
Mariana - É estar
presente nas horas difíceis mesmo sem me chamares
Ruben - É muito mais que
falar, é muito mais que dizer
Mariana e Ruben - É
apoiar, é sentir, é chorar, é sorrir, é viver, é lutar, é AMAR-TE
A intensidade com que disseram a última frase deixou-nos
a todos com as lágrimas nos olhos, uns mais que outros…
Ruben
Depois do “mini” discurso rapidamente percebi que
tínhamos conseguido atingir o nosso objectivo, uma vez que o João na primeira
oportunidade que teve afastou-se, indo até ao exterior.
- Já volto - dei um beijinho à Mari e fui procurá-lo
- Aqui sozinho?! - olhou-me
- Vai-te lixar!
Tinhas mesmo que esfregar na minha cara que és o menino certinho e que
conseguiste ficar com a mulher que amas?
- Deixa de ser
otário!
- Ruben
sinceramente não esperava isto de ti!
- João esse
número de coitadinho para cima de mim não vale a pena! Mas já que estás numa de
ofendido então ficas a saber que só falei do passado porque estou farto de vos
ver infelizes, porque és cobarde e não lutaste por ela! Mas isso pode mudar - olhou-me - se assim quiseres, no entanto tens de fazer por isso, João faz-te homem
e luta pela mulher da tua vida! Não tenhas medo de ser humilhado ou
espezinhado! Demonstra à Maria que ainda podem ser felizes, reconquista-a! O
meu afilhado merece ter os pais juntos!
- É muito fácil
falar… - interrompi-o
- João estás a
esquecer-te que já estive desse lado? Não venhas com essa desculpa para cima de
mim!
- É diferente - olhei-o - a
Mariana não tinha ninguém…
- Não sabes do
que falas! Preferia mil vezes ter enfrentado outro gajo para recuperar a mulher
da minha vida, do que ter consciência que a Mariana deixou de viver durante
meses porque pura e simplesmente deixou de acreditar no amor… Tive que lutar
contra os medos e receios mais absurdos, enquanto tu só tens de reconquistar o
coração da Maria, reage!
O João não abriu mais a boca e o assunto acabou
por morrer até porque regressamos para dentro, encontrando a Mari sentada e por
isso aproximei-me
- Estás bem? - olhou e sorriu
- Sim… dói-me um
pouco os pés mas tirando isso está tudo muito bem - voltou a sorrir - O João disse alguma coisa?
- Nada que não
tivesse à espera e a Maria?
- Nem me atrevi a
chegar perto - sorri ao
ouvi-la mas não tive oportunidade para responder porque a Maria aproximou-se
- Vocês não
aprendem mesmo! - olhámos os
dois para a Maria
- O que é que
estás a insinuar?
- Que são dois
inconscientes e que fazem as cenas sem pensarem nos outros… - se fiquei a olhá-la sem reação, o mesmo não
aconteceu com a Mariana que literalmente lhe saltou a tampa
- Olha que bem…
fala a senhora da razão, aquela que nunca cometeu um erro, aquela que à mínima
contrariedade se isola, tipo bicho do mato, aquela que nem do filho cuidou,
aquela que só pensou em si e se borrifou para o sofrimento dos outros,
nomeadamente o sofrimento daquela que dizia ser a irmã que nunca teve - olhei para a Mariana surpreendido pelo rumo da
conversa mas não tive coragem para interromper - aquela que depois de perder os filhos ficou do lado de um bebé indefeso
porque a mãe dele não estava em condições de cuidar dele, só porque tinha uma
cicatriz que mal se nota - a Maria ouvia a prima sem dizer um ai que fosse
- sinceramente Maria juro que às vezes
só me apetece dar-te um par de estalos para ver se reages, quando o Guigas
nasceu choravas porque tinhas uma cicatriz enquanto eu chorava por ter perdido
os meus, por não ter uma cicatriz como a tua, chorava simplesmente por olhar
para o Guigas, chorava a mudar-lhe a fralda, a dar-lhe colo, até o simples
gesto de lhe colocar a chupeta magoava e mesmo assim fiquei do vosso lado,
aguentei o máximo que consegui sem dizer nada porque te amo mas parece que isso
não é importante… Deixa de olhar só para o teu umbigo, levanta os cornos
- Mor… - tentei terminar com o bate boca mas
- Deixa-a… afinal
tenho mesmo um par de cornos - a Maria atirou
magoada mas a Mari não se ficou
- Ai não duvides
que o tens e tens em parte por culpa tua - as lágrimas que a Maria segurava até ao momento molharam-lhe o
rosto mas nem isso fez a Mari abrandar - não
adianta chorares agora… isso não passa de lágrimas de crocodilo porque se
realmente amasses o João, se realmente tivesses a sofrer já tinhas feito algo
por ti, mas para não variar enterraste a cabeça na areia, não és ninguém para
me apontares o dedo muito menos para julgar a forma como organizei o MEU DIA,
lá porque fizeste do teu algo quase banal não significa que fizesse o mesmo!
Mete uma cena na tua cabeça ao contrário de ti que escolheste não viver a tua
vida eu optei por viver a minha, não digo que foi fácil aceitar e perdoar o que
o Ruben fez, ainda hoje recordo aquela tarde na clinica da Ana, o nosso bate
boca e as consequências que daí surgiram ou ainda o que passei no hospital ou o
email que recebi a pedir para seguir com a minha vida porque ia fazer o mesmo
ou ainda o que senti quando vi outra gaja agarrada a ele mas depois… depois
recordo a noite que passei com o Ruben na véspera do teu casamento, nessa noite
senti-me novamente viva mas acima de tudo percebi que o Ruben continuava a
amar-me, chama-me masoquista ou o que quiseres mas ter a certeza que nada tinha
mudado deu-me forças para continuar, apesar de horas depois o ter visto
novamente agarrado à Sofia ou semanas depois ouvir da boca dele que seria pai…
lógico que doeu, magoou, roguei não sei quantas pragas ao Ruben mas a raiva, a frustração,
a magoa acabou por passar e passou porque reconheço que não sou ninguém sem o
Ruben, porque não tenho medo de afirmar que o amo e muito menos tenho medo do
futuro, ninguém garante que não venha a passar por tudo novamente mas pelo
menos posso dizer que enquanto durou fui feliz, que lutei por algo em que
acredito, que me entreguei de corpo e alma à pessoa que amo, caramba inseguranças
todos temos mas já cheguei á conclusão que não és insegura, és mesmo burra
- a Maria pela primeira vez interrompeu
- Não te admito!
- Quem não admite
sou eu! Não te admito que continues a julgar-me só porque não tive medo do
futuro, só porque resolvi viver em vez de enterrar os cornos na areia, sim
porque não foste a única a levar a testa enfeitada, nós já não estávamos juntos
mas não foi por isso que doeu menos, logo não venhas fazer o papel de vitima
para cima de mim! Pah cresce! Faz-te à vida… admite o que todos sabemos, que
não és ninguém sem o João, que apesar dele te ter enfeitado a testa com aquela
que meteste na vossa casa que continuas a ama-lo, já chega! Esse papel de
coitadinha já enjoa! E para que conste não te escolhi para madrinha porque se o
fizesse o João seria o padrinho… foi por consideração a ti e a tudo o que
pudesses sentir que optei pelo Rui para padrinho porque lá está aqui a parva
pensa sempre nos outros, aquela que sempre foi acusada de não querer saber dos
outros afinal é a que mais se preocupa, até admito que por vezes a forma como o
demonstro não é a melhor mas a verdade é que quem se lixa no fim sou sempre eu,
como sempre por tabela… Mas fica a saber que só não foste madrinha porque sei
perfeitamente qual é a sensação de estar do lado da pessoa que amamos a
assistir à felicidade alheia e desejar por tudo que pudesse ser eu a estar a
viver tudo aquilo, foi por respeito e consideração a ti e ao João que
escolhemos o Rui e a Micas para padrinhos, faz o favor de não nos julgares
porque no fundo só te quisemos proteger e já agora começa a viver a tua vida e
deixa a minha em paz!
A Maria não conseguiu articular qualquer palavra,
limitou-se a virar as costas e sair em passo apressado, atrás dela seguiu o
João
- Aquilo ainda dá
merda… - comentei
- Olha que dê!
Que se matem um ao outro!
- Mor tem calma - abracei-a por trás colocando a mão na sua
barriga
- Calma estou eu…
até calma demais porque senão tivesse garanto que lhe tinha ido às trombas,
fónix que já irrita! Juro que não aturo mais nenhuma dela, quer dizer a menina
que não parte um prato, aquela que das primas Mendes sempre foi a que teve um
comportamento exemplar lixou a sua vida e quer lixar a dos outros? Ela que vá
passear e não me dê cabo dos cornos!
- Hey… mor… - olhou-me
- O que é que
foi? Até parece que não os tive já! - olhei-a sem
abrir a boca - Desculpa… mas se há coisa
que me irrita é a atitude daqueles dois… Caramba têm um filho lindo, amam-se,
têm tudo para ser feliz mas mesmo assim aquela ursa continua presa ao passado
- gargalhei
- Oh mor…
- É verdade! A
Maria nunca deu o devido valor ao João, é verdade que o rapaz errou mas caramba
a minha prima também não esteve bem e quanto mais depressa reconhecer isso mais
depressa deixa de ser infeliz!
- Oh mas o João
também podia fazer por isso…
- Ruben muito já
fez ele, o João veio para Lisboa, abdicou de um sonho pela família, fez o que a
Maria não foi capaz, ela nunca colocou a hipótese de ir para Valência quando o
João recebeu a proposta, nunca o apoiou na decisão, ficou à espera que ele
abdicasse de algo com que sempre sonhou. Além disso o João desde que regressou
insistiu até ao momento que a parva da minha prima lhe disse com as letras
todas para se afastar porque a presença dele a incomoda, quando na verdade o
que a incomoda é a distância! É a insegurança provocada por essa mesmo
distância que não a deixa ser feliz! Não estou a dizer que é fácil confiar
porque não é, uma traição deixa marcas para sempre mas tem de aprender a viver
com isso, tal como aprendeu a viver com os tabefes que os meus tios lhe deram
quando era pequena… - senti a
necessidade de a interromper
- Ainda ficas
insegura sempre que estou longe do teu olhar?
- Sim… a
insegurança estará sempre presente por muito que não queira depois de uma
traição nada é igual e a confiança inabalável desaparece…
- Mas pensas
muito nisso?
- Não… prefiro
ocupar o pensamento com outras coisas até porque não serás assim tão burro para
cometeres a mesma asneira duas vezes!
Sorri ao ouvi-la tão segura de si. Deixamo-nos
ficar à conversa até ao momento que a Ana nos interrompeu
- Oh amiga podias
ter evitado atirar as verdades todas de uma só vez à cara da Maria - olhámo-la - sim que ouvimos todos…
- Quero lá saber!
Sempre ouvi dizer que quem não tem cu não se meta a paneleiro! - gargalhamos - Que é o mesmo que dizer que senão queria ouvir não viesse pedir
satisfações! Estou farta de aturar a Maria e os seus dramas, que se faça à vida
e deixe a dos outros em paz! O mal dela é ocupar a cabeça com o que não deve!
- Eich… que tu
hoje estás no ponto…
- Oh Ana juro que
não a entendo, fónix depois de tudo o que passei qual é a dela vir com sete
pedras para cima de mim? É assim tão difícil perceberem que temos direito à
nossa privacidade, que talvez haja cenas que preferimos guardar para nós, como
por exemplo a razão pela qual organizamos o casamento em segredo - suspirou - nós simplesmente queremos viver a nossa vida sossegados, mais do que
querer é precisar de paz…
- Nós
compreendemos mas não deixa de ser estranho…
- Estranho? Ana
fui atropelada e não foi acidente, podia ter morrido ou ficado com alguma lesão
mas felizmente foi só um valente susto, ainda assim um susto suficientemente
grande para perceber que a vida são dois dias e o que agora é certo daqui a
segundos poderá não ser, porquê adiar para o futuro quando podemos viver no
presente…
- Mas ninguém
questiona isso mas sim a forma como o fizeram.
- Ana se
tivéssemos partilhado convosco com antecedência tinham feito deste dia o
acontecimento do ano e nós quisemos algo mais intimo, mais nosso, sem stress.
Por exemplo se a Anabela ou a minha mãe sonhassem tinham colocado o bedelho,
opinado em tudo e se há coisa que anda a irritar-me ultimamente é que opinem
sobre o que a nós dois diz respeito!
- Ok… não digo
mais nada! Ou melhor digo… digo que está tudo perfeito e que vocês os dois
irradiam felicidade.
Continuamos á conversa mas uns minutos a Ana
afastou-se porque o Fábio a convidou para dançar.
- Já venho!
- Onde vais?
- Ali até à mesa
dos doces que aquela baba de camelo está a gritar por mim, não ouves?!
Gargalhei prazerosamente afinal presenciava o
primeiro desejo do meu amor e fiz questão de a acompanhar. Fiquei simplesmente
a observá-la enquanto se deliciava e sem darmos por isso a Graça aproximou-se
- Mariana se
fosse a ti disfarçava é que estás mesmo com cara de grávida a saciar o seu
desejo!
- Quero lá saber!
Isto está mesmo a saber muito bemmmmmm - sorri
- Nota-se…
Por mim teria continuado abraçado à Mari mas o
Rui chamou-me e por isso afastei-me.
João
Toda a cerimónia estava a despertar-me
muitas lembranças, mas mais que isso estava a fazer o mesmo à Maria, que apesar
de tanta mudança no fundo continua exatamente a mesma menina assustada e frágil
que sempre se protegeu do mundo atrás da capa dura da prima que agora além de
não a proteger a “atacava” fui observando todas as suas reações ao longe até ao
momento em que os noivos fizeram o favor de “disparar a matar” e ai eu próprio
perdi capacidade de encaixe e optei por me afastar de tudo e de todos.
Algo que consegui até ao momento que o
Ruben resolveu vir escarafunchar na ferida que sabe que tenho aberta a conversa
durou uns minutos e quando entramos vi-o seguir para junto da Mari e poucos
segundos depois vi a Maria aproximar-se e ai sim percebi que o caldo ia
entornar, mesmo assim optei por aproximar-me sentando-me junto da Ana e do Fábio
- Como estás?
- Atropelado por
uma manada de elefantes?
- João…
- Ana não quero
falar… deixa-me perceber o que se passa ali! – apontei para as Mendes que falavam num tom baixo mas era visível que
o continuado não estava a ser agradável, via-se a magoa nos olhos de ambas, até
ao momento que a Mariana aumentou o som exatamente o mesmo em que as lágrimas
da Maria começaram a rola soltas
- Puto vai lá!
Vais deixar a Mariana continuar a dar cabo da Maria? E o Ruben não faz nada
- Fábio deixa-as!
Elas estavam a precisar de acertarem agulhas e o Ruben sabe disso… deixa-me
ouvir porque se me aproximar a coisa vai ser pior… - a Mariana disse tudo o que queria e a Maria
apenas a ouviu, ouviu tudo até ao fim e apesar de tentar contrapor a prima não
a deixou e assim que pode apenas virou costas e saiu da sala – eu vou! - disse quando vi a Ana e a
Micas a levantarem-se
Segui a Maria ao longe e vi-a sentar-se
numa zona escondida e apenas notava o seu corpo a soluçar, quando ganhei
coragem para me aproximar sou ultrapassado pelo meu filho que saiu da sala
disparado em direção da mãe, abrandei o passo e fiquei a ouvir
- Mãmã!
- Que estás aqui
a fazer sozinho?
- Mamã tiste?
Madinha má!!
- Não a mãe não
está triste… a Madrinha fez mal ao Guigas?
- Mamã tiste
choa! E madinha má mamã! Madinha gritou mamã! Mamã sozinha choa!!
- Deixa filho a
mamã não está triste com a Madrinha!
- Não?
- Não a mamã está
triste com a mamã… a mamã fez muitas asneiras…
- Não ligues ao
que a mamã diz! – intervi assim
que percebi que a Maria se iria desmanchar em lagrimas, olharam-me e sentei-me
perto deles – a mamã tá a chorar porque
tá feliz – o menino olhou-me admirado – quando ficamos muito contente com alguma coisa choramos e a mamã tá
muito feliz pelos padrinhos e pelo Pipipo… e a madrinha não tá zangada com a
mamã… foi só uma discussão… tu ontem não discutiste com o Gustavo? – o menino acenou
afirmativamente – e estavam zangados?
- Nã elhe só nã
quia vê os necos com o Guigas… madinha quia vê necos mamã?
- Não a Madrinha
não queria ver os bonecos com a mamã! - a Maria sorriu - olha a Matilde a chamar-te - a
Matilde veio chamar e levou o Guilherme com ela para junto da zona das
brincadeiras.
Passaram alguns minutos desde que o
Guilherme voltou para dentro
- Maria?
- Já sei que sou
louca e má… e que sou a culpada de tudo… podes poupar as tuas palavras e o teu
tempo!
- Maria…
- Não quero
falar!
- Mas precisamos!
- Não… não
precisamos!
- Para mim chega!
- olhou-me - A sério tou farto de tentar ser o homem perfeito… ser e fazer tudo o
que queres! Tou próximo da loucura porque não sei o que queres e sabes o que é
o pior?! É que nem tu sabes o que queres!
- Não sei o que
ainda fazes aqui se já percebeste isto tudo!
- Mas é assim tão
difícil perceberes que gosto de ti e que…
- Não disseste já
que para ti chega?? Então o que continuas aqui a fazer deixa-me sozinha! Custa
muito?
- Custa-me tanto
a mim deixar-te como te custa a ti estar longe de mim…
Maria
Ouvir tudo o que ouvi da minha prima foi
a gota de agua para me arruinar e quando tente isolar-me acabei por ter o meu
filho e o pai dele sempre perto, o João deve pensar que não dei por ele, mas
sei perfeitamente que me seguiu e que apenas se revelou porque teve medo que a
louca fizesse ou dissesse alguma coisa ao filho, mas quando o Guilherme entrou
não fazia sentido ele continuar ali muito menos com aquela conversa por isso
aproveitei aquilo de que o Ruben me acusou para acabar de vez com estas
tentativas
- Esquece… estás
completamente enganado… o Ruben já percebeu e já te deve ter dito que tenho
alguém…
- Sim… sim… o Rui
Jorge… oh Maria acabaram antes do Mundial!
- Não… não é o
Rui, nem interessa quem é! Não preciso que se metam mais na minha vida! Aliás
este foi o último “acontecimento” onde estivemos juntos, não tenciono voltar a
incomodar-vos com a minha presença tão nociva para a vossa felicidade…
- A tua prima tem
razão!
- É o que estou a
dizer desde que começamos esta conversa… - levantei-me
- É isso mesmo
que queres?
- Quantas vezes
já disse que sim?
- Que seja, como
sempre, - falou irónico - feita a vontade da menina…
Preferi não responder, entrei novamente
na sala e sentei-me a um canto a obrigar-me a suportar toda aquela alegria para
não ser acusada de estragar o dia dos outros, mas assim que me foi possível
aproximei-me da mesa dos meus pais de quem me despedi e depois da mesa dos meus
amigos de onde os noivos se tinham afastado, peguei na minha bolsa e nas coisas
do Guilherme
- Boa noite
- Maria já vais?
- E fico aqui a
fazer o quê? Ah já sei! Tu e o Fábio ainda não me insultaram e me deram o
relatório de todo o mal que vos fiz… desculpem mas a Bea não veio porque teve
em tratamento e eu estou preocupada com ela! - afastei-me e quando já fechava a porta do carro esta foi novamente
aberta - o que é?
- Oh amiga o que
se passa? Porque é que não falas connosco? Ou só comigo…
- Ana esquece! Eu
vou tratar da minha vidinha e não vos atrapalho mais!
- Maria! - voltou a forçar a porta - Não queres falar não fales, mas não nos acuses de coisas que apenas tu
tens a responsabilidade! Quando quiseres sabes como e onde me encontrar…
Finalmente fiquei sozinha e pude correr
para casa onde deitei o pequenino que já estava mais a dormir que acordado
depois de toda a agitação do dia e depois foi a minha vez de me enfiar na cama
onde organizei todas as ideias entre elas a de que afastar-me deles todos seria
o melhor para mim, mas principalmente para eles.
Como ficará a relação das primas depois
da Maria ouvir tanta verdade junta?
Afastar-se-á definitivamente a Maria de
tudo e todos?
Olá!
ResponderEliminarO capitulo soube tão bem,mas mesmo assim achei pequeno!!lol Continuei cheia de curiosidade!
Mas fogo não estava nada à espera que as coisas entre as primas ficassem desta maneira :O
Não quero que a Maria se afaste de todos...e acho mesmo que o deve fazer é viver a sua vida e aproveitar para estar com a sua familia (e refiro-me claro ao João e ao Gui!)
Vou desesperar pelo proximo!! loool
Beijinhos
Rita
Fogo! Agora fiquei com pena da Maria.
ResponderEliminarPor outro lado, até achei que o que a Mariana fez e disse até foi bem feito. Foi tipo uma terapia de choque. Doeu, mas foi necessário.
A relação das Mendes... Bem, eu acho que depois disto e estando a Maria tão em baixo e sendo ela tão casmurra, a relação com a prima vai ficar um bocado/muito afetada. Mas também, são as Mendes, não é verdade? É como Ana Santos! São imprevisíveis!
Próximo!!!
Beijokas!
Fabuloso...
ResponderEliminarQuero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...
Continua...
Fantástico...
ResponderEliminarAgora fiquei curiosa pelo próximo.
(ahhhh usei uma pequena parte do teu capitulo, o que o Ruben e a mariana dizem no inicio..esta fabuloso)
Estou á espera do próximo
Beijos
Fantastico adorei, estou curiosa pelo proximo...
ResponderEliminarÉ uma historia que nos envolve de tal maneira k so queremos ler mais e mais...continua
(ahhh usei uma parte do capitulo, aquela no inicio com o ruben e a mariana, é so no face, estava maravilhosa)
beijos
Olá!
ResponderEliminarO Ruben e a Mariana prepararam tudo ao pormenor, adorei, e aquele diálogo a dois arrasou, foi uma verdadeira declaração de amor. E arrasou principalmente com a Maria e com o João, a intenção também acabou por ser essa, que eles se sentissem.
Se o Ruben e o João trocaram uma palavras mais amargas, com a Mariana e a Mari, o caldo entornou mesmo. Sempre pensei que seria o Ruben a dizer umas verdades à Maria, porque a Mariana seria mais do que óbvio (era sempre a prima a dar-lhe nas orelhas), mas foi mesmo a Mari, e que sermão que a Maria ouviu. Se era suposto eu ficar com pena da Maria, lamento mas isso não aconteceu, pelo menos não desta vez, logo eu que sou uma manteiga derretida, que tenho pena de tudo e de todos. A Mari não lhe disse nenhuma mentira, a Maria é orgulhosa, cobarde (quando as coisas correm mal isola-se, é o que ela está a fazer agora) e egoista, e a cena do pós parto do Guigas é um bom exemplo disso, meteu na cabeça que "ai credo tenho uma cicatriz na barriga e agora não posso vestir biquini", mas esqueceu-se que a cicatriz da prima era bem maior, era no coração e nunca vai sarar, e no entanto a Mari ficou com ela apoiou-a tomou conta do Guigas quando a Maria mergulhava no abismo, quando ela própria tinha perdido os gémeos e o homem que amava tudo de uma só vez, enquanto a Maria não tratava do próprio filho e afastava o João, quando isto não é egoísmo então o que é? Já para não falar na ida do João para Valência em que mais uma vez ela ficou em primeiro lugar, nunca colocou a hipótese de ir com ele, ao contrário do João que pode ter errado e muito, porque errar é humano, fez o que ela deveria ter feito, pôs a familia em primeiro lugar, neste caso o filho, saiu de Valência e veio para Lisboa para ficar perto do filho. Ele vai levar o resto da vida a ouvir que a traiu, sim é verdade, mas será que não pagou já o suficiente por esse erro? Eu acho que já chega de tanto se castigar o rapaz, quando a culpa é dos dois.
Adorei a preocupação do Guigas com a mãe, deste é que eu tive pena, ninguem gosta de ver a mãe a chorar, mas o João teve bem e salvou a situação, em relação à conversa dos dois, o JP tá convencido que a Maria tem alguém e ela como era de prever não o contrariou, nem mesmo depois de ouvir o que ouviu mudou a atitude, muito pelo contrário assim que pôde fugiu com o rabinho entre as pernas. Ai Maria, Maria assim não vais longe.
Acho que a relação das duas vai ficar balançada, não pela Mari, mas pela Maria, não sei até que ponto é que ela vai ser capaz de encarar a prima e os amigos, espero que elas se entendam, que a Maria se oriente, ela disse o que quis e acabou por ouvir o que não queria. Se se vai afastar de todos? força, continue a dar uma de vítima, eu tou como a Mari, o que ela precisava era de um valente par de estalos para ver se acorda para vida, a continuar assim isto vai acabar mal, só espero que seja o JP a salvá-la.
Agora temos um problema, é que eu fiquei aqui ruidinha de curiosidade para ler o próximo, vá lá sejam umas boas meninas e não demorem muito com o próximo capitulo, combinado?
Adorei, continuem
Beijocas
Fernanda
Olá meninas:
ResponderEliminarTenho andado a mil e vim agora actualizar-me e reparei que ainda não tinha comentado este capitulo... mas este foi lido a tempo e horas ;)
Agora já nem consigo comentar, pois só penso em ir ler. É que este stress da Maria já me está a deixar com os nervos...
Adoro ;) vou ler :D
Beijinhos