sexta-feira, 13 de junho de 2014

148 - "Paizão do meu coração vá mas é para a igreja e não seja abelhudo!"

João
A Maria assusta-me a cada dia que passa. A forma como confrontou o Vasco com tudo o que se passava foi mais um momento de puro descontrolo da parte dela, sim que a Maria no seu estado normal nunca o faria da forma que fez, mas mesmo assim quando a vi afastar depois das palavras do Ruben não fui capaz de ficar calado e foi a minha vez de o confrontar a ele
- Mas tu tás parvo? – olhou-me admirado – Qual e a tua de dizeres aquilo à…
- Nem continues! Vê se ganhas um bocado de amor-próprio que tá mais que visto que ela está noutra!
- Ei ei… não mudes de assunto! Desde quando falas com a Maria assim?! Tás com problemas com a Mari resolve-os com ela
- Eu não tenho problema nenhum com a Mari! A Maria é que depois de prometer uma coisa fez exatamente o contrário! E sinceramente começo a fartar-me das suas birras de menina mimada! E nem me olhes assim! Que se foste burro e fizeste merda ela também fez e já tem idade para assumir em vez de se fazer de puta ofendida!
Percebi que o Ruben tinha mesmo ficado com a Maria entalada e por isso optei por nem responder.

Mariana
O Ruben chegou a casa aborrecido e ao explicar o motivo
- Esquece... mor sinceramente já ando a perder a paciência com a Maria
- Ya... mas custa... vocês sempre foram próximas  e agora está armada em parva.
- Ignora... e agora anda cá...
Bati com a mão no sofá e em segundos já o tinha a dar-me mimo que só terminaram quando fomos jantar...
***
Acordei ansiosa e quando olhei para o lado rapidamente percebi que não era a única, uma vez que o Ruben olhava-me, conheço-o na perfeição para perceber que os nervos também o atacaram.
- É hoje!!! - sorri ao ouvi-lo
- É… o nosso piolho receberá o batismo e os pais deles a devida bênção…
Ainda ficamos na cama uns minutos mas o tempo começava a escassear por isso mesmo enquanto o Ruben foi dar banho ao Filipe, fui comer para depois abrir a porta à cabeleireira e maquilhadora.
A hora seguinte foi uma seca autêntica, parecia que nunca mais terminava, mas felizmente consegui ficar despachada a tempo e quando a Ana e o Fábio chegaram para vestir o afilhado já não havia vestígios delas.
- Ainda vão explicar o motivo pelo qual estão tão nervosos! - olhei para a Ana - Afinal é só o batizado do Filipe!
Nenhum dos dois respondemos e a Ana também não insistiu mais, até porque tinha que vestir o Filipe. Os momentos seguintes foram exclusivamente dedicados às fotos para mais tarde recordarmos o grande dia…
A confusão estava instalada, afinal o nosso apartamento revelou-se pequeno para receber a nossa família e amigos mais chegados, pior ainda quando todos quiseram pegar no Filipe e registar o momento com uma foto.
- Bem chegou o momento… vão lá andando para a igreja que nós vamos logo logo atrás…
- Desculpa mas não podemos esperar por vocês?
- Népia! Andor violeta!
- Mariana Andréia o que é que estás a tramar? - gargalhei ao ouvir o meu pai
- Paizão do meu coração vá mas é para a igreja e não seja abelhudo!
Bem que refilaram mas de nada adiantou, corri com o pessoal e quando finalmente consegui, fui até ao quarto onde com a ajuda do Ruben troquei de roupa e vi-o a fazer o mesmo.
- Vamos?!
- Sim… - sorri ao passar pelo meu amor - tenho um noivo muito gato!
O Ruben gargalhou e foi de mãos dadas que fomos buscar o nosso filho que estava a brincar no seu berço, o menino foi ao colo do Ruben que o colocou na sua cadeirinha e depois ajudou-me a entrar para o carro.
- Opa gostava de ser mosca para ter visto a reação deles…
- Mor não te preocupes que no vídeo depois dá para ver! - gargalhamos
O Ruben conduziu tranquilamente até à igreja onde decorrerá a cerimónia religiosa. Assim que chegamos ao nosso destino fomos informados que os convidados já nos esperavam no interior da igreja e por isso mesmo não perdemos muito mais tempo, novamente com a ajuda do Ruben saí do carro e depois de ajeitar-me o vestido, retirou o Filipe do carro, levando-o ao seu colo.
- Rui onde está os nossos meninos das alianças - perguntei por não ver as crianças, o que fez com que sorrisse
- Tem calma que a Micas foi buscá-los… - gargalhou
- Onde é que está a piada?
- Estás nervosa sem necessidade… vai correr tudo bem…
Não respondi porque vi a Matilde e o Cristianinho de mão dada acompanhados pela Micas que trazia o Guigas ao colo
- Aqui estão os meninos das alianças!
- Prima tás tão linda - os olhos da Matilde brilhavam
- Obrigada piolha - baixei-me para lhe dar um beijinho
- Eu vou ser a tua menina das alianças? - perguntou animada
- Sim… vão ser os três!
- E onde está aquilo que leva as alianças? - sorri e depois apontei - Oh prima!!!
- Originalidade não vos falta… - olhamos para o Rui mas não respondemos porque já estavam mais do que na hora.
Caminhamos de braço dado até à porta da igreja e só entramos quando ouvimos o coro a cantar a música que escolhemos para nos acompanhar até ao altar…

Rui
Confesso que quando o Ruben e a Mari partilharam comigo e com a Micas o seu desejo fiquei surpreendido, afinal de todos os seus amigos somos os mais “recentes”, sempre pensei que seria o João ou o Fábio bem como a Maria ou a Ana a estar do lado deles no dia que se casassem mas afinal fui o escolhido. A justificação foi simples e ouvi-a da boca do Ruben o que provocou maior impacto, afinal ouvi algo como “foste um dos anjos da guarda da Mari quando mais precisou, não estiveste sempre presente mas tiveste sempre que precisou, nem que fosse à distância de um telefonema, tiveste quando perdeu os gémeos e voltaste a estar um ano depois quando ligaste a avisar-me que a Mari precisava de mim, senão o tivesses feito talvez hoje não estivéssemos aqui a convidar-te para padrinho de casamento”, lógico que depois destas palavras aceitei sem hesitar, algo que a Micas também fez, afinal a Mari convidou-a para madrinha.
As semanas seguintes foram para os ajudar no que precisaram, uma vez que resolveram manter o casamento em segredo, usando o batizado do Filipe como desculpa para a comemoração.
Quando cheguei ao apartamento deles tive que controlar-me para não rir, sim que aqueles dois estavam vestidos como se fossem efetivamente só para o batizado do filho, agiram como tal e só quando correram literalmente com os convidados é que levantaram a dúvida na cabeça dos mesmos.
Fomos até à igreja, tal como pediram, e quando chegamos ao nosso destino já tínhamos à nossa espera os “paparazzi” que os noivos contrataram para registar o momento.
- Ainda estou para saber o motivo pelo qual aqueles dois nos mandaram vir antes!
- Oh Maria até parece que não conheces a tua prima!
- A Maria tem razão… a Mari já deixou de ser louca à muito tempo! - a Ana comentou a observação do João
- Ya… mas nestas últimas semanas tem andado estranha! - já o Fábio foi de encontro ao que o João falou.
O pessoal continuou a falar, começavam finalmente a desconfiar de algo, mas ainda assim mantinham-se a milhas de distância. Acabaram por entrar para a igreja a pedido de um dos fotógrafos, enquanto eu e a Micas nos mantivemos no exterior da igreja.
Depois da Micas ter entregue os meninos das alianças regressamos para a igreja e assim que nos sentamos ouvimos o coro e uns segundos depois os noivos apareceram à porta da igreja, foi impossível não sorrir ao vê-los…

Mauro
Já tinha percebido que o meu irmão andava estranho mas nunca me passou pela cabeça vê-lo a entrar na igreja vestido de noivo, com o Filipe ao colo e de braço dado à Mari.
Só mesmo aqueles dois para armarem uma destas… mas foi impossível não ficar emocionado, o sorriso no rosto daqueles dois era indescritível, caminharam lado a lado até ao altar, onde à espera dos noivos estava o padre que de imediato esclareceu os presentes, informando que foi desejo dos pais do Filipe receberem a bênção do matrimónio antes de batizarem o Filipe.
A cerimónia decorria ao ritmo normal e com algumas lágrimas à mistura mas a parte onde a emoção foi geral foi sem dúvida quando ouvimos o padre
- Mariana e Ruben, viestes aqui para celebrar o vosso Matrimónio. É de vossa livre vontade e de todo o coração que pretendeis faze-lo?
- É, sim.
- Vós que seguis o caminho do Matrimónio, estais decididos a amar-vos e a respeitar-vos, ao longo de toda a vossa vida?
- Estou sim - voltaram a responder em completa sintonia
- Estais dispostos a receber amorosamente os filhos como dom de Deus e a educa-los segundo a lei de Cristo e da sua Igreja? - a Mari olhou para o Filipe que já se encontrava ao colo do Fábio e de seguida para o Ruben e mais uma vez responderam ao mesmo tempo
- Estou, sim.
- Uma vez que é vosso propósito contrair o santo Matrimónio, uni as mãos direitas e manifestai o vosso consentimento na presença de Deus e da sua Igreja
O momento que se seguiu foi de uma intensidade enorme ou não fosse terem manifestado a vontade em unirem as suas vidas a olharem nos olhos um do outro
- Eu, Ruben, recebo-te por minha esposa a ti Mariana, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.
- Eu, Mariana, recebo-te por meu esposo a ti Ruben, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.
A sensação que tive, foi que nenhum dos dois ouviu o que o padre falou a seguir, só despertaram quando ouviram a inevitável gargalhada por parte dos convidados que estavam nas primeiras filas, que ao repararem que as alianças vinham presas ao fatinho do Filipe riram
- Abençoai Senhor estas alianças que a Mariana e o Ruben vão usar; dai-lhes a graça de se amarem e de serem fiéis um ao outro.

- Mariana, recebe esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade. Em nome do Pai do Filho e do Espirito Santo.
- Ruben, recebe esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade. Em nome do Pai do Filho e do Espirito Santo.
O momento que se seguiu foi bem ao estilo da velha Mariana Mendes, sim que não teve qualquer problema em estar em frente a um padre e literalmente afiambrou-se ao Ruben, mal o padre disse que se podiam beijar.
O resto da cerimónia foi pacífica, depois de os casar o padre batizou o Filipe e assim que terminou, depressa os convidados saíram da igreja, enquanto eles assinavam os papéis, na rua preparávamos a “chuva de arroz” e assim que saíram atiramos com tudo para cima deles
Ruben
A cerimónia foi emotiva e no fim fomos diretos para a quinta onde acabamos por tirar fotos com os convidados e depois seguiu-se o momento dos “comes e bebes”. Lógico que o pessoal não nos deixou sossegados e fomos obrigados por diversas vezes a beijar-nos, já que os nossos queridos amigos assim o pediam, como se fosse um sacrífico tremendo para nós.
No fim de comermos, saímos de fininho atrás do fotógrafo, fomos tirar mais fotos, agora a dois para mais tarde recordar e quando regressamos tivemos que inaugurar o “baile” mas no lugar da famosa valsa, escolhemos outra música… aquela música… dançamo-la de olhos postos um no outro, aquele momento foi só nosso, aquela música e a Mari nos meus braços fez-me recuar no tempo… para a noite do baile de finalistas…
Quando a lua tentar me encontrar
Diga a ela que eu me perdi
Na neblina que cobre o mar
mas me deixa te ver partir

Um Instante, um olhar
Vi o sol acordar
por de trás do seu sorriso
me fazendo lembrar

Que eu posso tentar te esquecer
Mas você sempre será
A onda que me arrasta
que me leva pro teu mar

Sinto a calma em volta de mim
o teu vento vem me perturbar
me envolve e me leva daqui
me afoga de novo no mar

Um Instante, um olhar
Vi o sol acordar
por de trás do seu sorriso
me fazendo lembrar

Que eu posso tentar te esquecer
Mas você sempre será
A onda que me arrasta
que me leva pro teu mar

Me perco nos teus olhos
E mergulho sem pensar
se voltarei...

Posso tentar te esquecer
Mas você sempre será
A onda que me arrasta
que me leva pro teu mar
laia laralai laralaia
Me envolve e me leva
Pra longe daqui

Me perco nos teus olhos
E mergulho sem pensar
se voltarei.. se voltarei.

Dançamos de olhos postos um no outro e por isso mesmo vi o quanto o meu amor estava emocionada. Depois da primeira seguiram-se outras que escolhemos com um único objetivo, recordar a nossa adolescência e tudo o que passamos
Era tão estranho
Te olhar dentro dos olhos
E ver na minha frente
Tudo que eu sempre quis
Eu era diferente
Dos outros caras de vinte anos
Você era uma chance
Para eu ser feliz

Eu era simplesmente
Mais um cara apaixonado
No seu coração
Não ia ser ninguém
Mas é exatamente
Quando a gente tá cansado
Que o coração distraí
Então a sorte vem

Faz assim
Te dou meu telefone
Você me diz seu nome
E a gente então se vê
Não faz assim
Não diz que vai ligar e some
Me deixa ser seu homem
E venha ser
Uma mulher pra mim

De mãos atadas, de pés descalços
Com você meu mundo andava de pernas pro ar
Sempre armada, segui seus passos
Atei seus braços pra você não me abandonar

(REFRÃO I )

Já nem lembro seu nome, seu telefone eu fiz questão de apagar
Aceitei os meus erros, me reinventei e virei a página
Agora eu tô em outra....

(REFRÃO II)

Tô nem aí, Tô nem aí...
Pode ficar com seu mundinho eu não to nem aí
Tô nem aí, Tô nem aí...
Não vem falar dos seus problemas que eu não vou ouvir..

Boca fechada, sem embaraços
Já te dei todas as chances de ser um bom rapaz
Mas fui vencida pelo cansaço
Nosso amor foi enterrado e descansa em paz

(REFRÃO I)

Já nem lembro seu nome, seu telefone eu fiz questão de apagar
Aceitei os meus erros, me reinventei e virei a página
Agora eu tô em outra...

(REFRÃO II)

Tô nem aí, Tô nem aí...
Pode ficar com seu mundinho eu não to nem aí
Tô nem aí, Tô nem aí...
Não vem falar dos seus problemas que eu não vou ouvir..

Tô nem aí, Tô nem aí
Tô nem aí, Tô nem aí
Tô nem aí, Tô nem aí, pode ficar com seu mundinho eu não to nem aí

Tô nem aí, Tô nem aí
Não vem falar dos seus problemas que eu não vou ouvir..

Já sei namorar
Já sei beijar de língua
Agora só me resta sonhar
Já sei aonde ir
Já sei onde ficar
Agora só me falta sair

Não tenho paciência pra televisão
Eu não sou audiência para a solidão
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo e
Todo mundo me quer bem
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo e
Todo mundo é meu também

Já sei namorar
Já sei chutar a bola
Agora só me falta ganhar
Não tem um juíz
Se você quer a vida em jogo
Eu quero é ser feliz

Não tenho paciência pra televisão
Eu não sou audiência para solidão
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo e
Todo mundo me quer bem
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo e
Todo mundo é meu também

Tô te querendo
Como ninguém
Tô te querendo
Como Deus quiser
Tô te querendo
Como eu te quero
Tô te querendo
Como se quer

Aproveitamos ao máximos os minutos que tivemos nos braços um do outro e só nos afastamos quando ouvimos
- Padinho Madinha - olhamos para o nosso afilhado que trazia na mão o meu telemóvel - tia Ana deu
Olhei para a Mariana e depois para a Ana que se estava a rir
- Vamos até lá?!
- Bora! - o meu amor deu-me a mão e aproximamo-nos
- Antes que perguntem… vê o instagram!
- O que é que vocês aprontaram?
- Nós nada… só um miminho para quatro cabeçudos!!!!
Desbloqueei o telemóvel e fui ao instagram para encontrar
Fabinhoo_ Eich… a música que eles escolheram para a primeira dança depois de casados… @MariaMMendes JP47 @AnaDr estão recordados?
AnaDR_ amor @Fabinhoo então não?! Foi literalmente uma viagem ao passado… à noite do baile… À NOITE deles e não só… né @MariaMMendes e @JP47????
- Vocês são tramados! - a Mariana comentou
- Oh… já que eles nunca mais se despacham… nós empurramos!
Olhei para a Mari e sorrimos ou não fosse nós também ainda termos algo preparado…
- Que sorriso foi esse?
- Nada… - gargalhamos - digamos que daqui até ao fim a música ambiente foi escolhida a dedo…
- E nós é que somos tramados…
- Não temos culpa que as nossas músicas sejam as deles também!
- Pois…
Gargalhamos os quatro e depois regressamos para a pista de dança improvisada. As horas foram passando sempre connosco a aproveitar todas as oportunidades para estarmos juntinhos ou não fosse o pessoal estar constantemente a interromper, mais que não fosse para mandar uma piada qualquer.
Foi quando estava à conversa com o Jorge que a Mariana chamou-me, percebi que o momento tinha chegado e por isso rapidamente aproximei-me dela. Ajudei-a a subir para o palco improvisado e assim que nos deram o microfone a Mariana falou
- Maltinha fixe nós temos algo que queremos partilhar convosco…

João
Nos últimos tempos tenho-me dedicado exclusivamente à escola de futebol com o apoio do Rui e com uns toques do Ruben, poucos porque anda ocupado de mais para “pequenezas” e o apoio especializado do Fábio no que toca às burocracias.
Hoje é o batizado do Filipe e algo me diz que os pais dele preparam alguma ou não fosse o stress em que o Ruben tem andado e ainda a forma como nos meteram a andar de sua casa.
Fiz o caminho até a igreja com um certo receio de reencontrar a família Mendes onde sei que não sou bem-vindo, mas o Ruben e a Mariana são meus amigos, parei o carro respirei fundo e assim que sai
- Papá!!! – olhei e foi impossível não sorrir
 
- Oh campeão tu vens lindo!! Foi a mamã que te vestiu assim? –quando perguntei levantei-me com o menino ao colo e vi a Maria bufar

- Nã… Guigas penda madinha!
- A tua roupa é prenda da Madrinha?!
- Xim madinha poupa Guigas…
O menino não quis continuar ao meu colo já que o que não lhe faltava era crianças para brincar e assim que o meti no chão correu para perto da Matilde e nós os adultos ainda ficamos a comentar o que se passaria para ficar com a certeza que a Micas e o Rui sabem já que tentaram mudar o assunto e de repente obrigaram-nos todos a entrar na igreja, acabamos por fazê-lo e ai novamente algo estranho se passou
- João
- Sim? – olhei a Micas assim que a ouvi
- Tu ficas deste lado – apontou para o lado oposto ao que estavam os restantes amigos e onde apenas estavam alguns familiares do Ruben
- Porquê?
- Ai oh João faz-me só esse favor e depois percebes… Guilherme, Matilde? Vamos!
A Micas pegou no menino sobre protestos da Maria que apenas parou de refilar quando ouvimos os primeiros acordes de uma música e ai demos todos pela presença de um coro

Maria
Tudo o que se passou em torno da saída do Ruben da empresa deixou-me na azia, mas acabei por esquecer de tudo e centrar-me no meu projeto, todos pensam que tenho alguém e que por isso ando tão afasta, mas não é nada disso que se passa. Além do trabalho que me tem ocupado muitíssimo tempo tenho evitado ao máximo encontros com o pessoal, porque sei que acabo por criar mau ambiente para todos pela minha posição face ao João, mas o certo é que não consigo estar perto dele, as saudades são muitas, mas não consigo olhá-lo sem odia-lo pelo que me fez e sem me odiar a mim pelo que nos fiz.
Hoje não vou poder fugir ao convívio afinal é o batizado do Filipe, preparei-me, mas sem grande vontade nem grande produção
 Achei a minha prima muito esquisita nos últimos tempos e depois da roupa que me obrigou a vestir ao Guilherme então achei que dai vinha confusão, era sobre isso que falávamos na porta da igreja quando a Micas e o Rui nos obrigaram a entrar e sentaram-nos nos sítios onde eles achavam que seriam os corretos, fiquei num dos lados do corredor junto com o resto da família e amigos e vi o João ser empurrado pela Micas para perto de alguns familiares do Ruben, entre os quais o pai dele, não percebi mas agradeci silenciosamente e passado uns segundos a Micas tirou-me o Guilherme
- Ei onde vais?
- Vou só ali
- E para que levas os miúdos?
- Ai Maria não me chateeis já vês!
- Mau… o João foi para aquele lado e agora leva o Guilherme
- Faz-te falta o João é Maria? – o Fábio foi irónico e senti os olhos dos meus pais cravados em mim
- Não Fábio mas que isto está cada vez mais esquisito lá isso está! Olhem vocês aqui no meio dos convidados?
O Fábio ter-me ia respondido se não começasse a tocar os primeiros acordos de uma musica a que se juntaram as vozes de um coro que não tinha dado pela presença, nesse momento olhei para a porta da igreja e não podia acreditar que eles nos estivessem a fazer tal coisa.
Desde a musica escolhida para a entrada 
Eu e você
Não é assim tão complicado
Não é difícil perceber
Quem de nós dois
Vai dizer que é impossível
O amor acontecer
Se eu disser que já nem sinto nada
Que a estrada sem você é mais segura
Eu sei você vai rir da minha cara
Eu já conheço o teu sorriso, leio teu olhar
Teu sorriso é só disfarce
E eu já nem preciso
Sinto dizer
Que amo mesmo, tá ruim pra disfarçar
Entre nós dois
Não cabe mais nenhum segredo
Além do que já combinamos
No vão das coisas que a gente disse
Não cabe mais sermos somente amigos
E quando eu falo que eu já nem quero
A frase fica pelo avesso
Meio na contra-mão
E quando finjo que esqueço
Eu não esqueci nada
E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro
Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na tua vida
Eu procurei qualquer desculpa pra não te encarar
Pra não dizer de novo e sempre a mesma coisa
Falar só por falar
Que eu já não tô nem aí pra essa conversa
Que a história de nós dois não me interessa
Se eu tento esconder meias verdades
Você conhece o meu sorriso
Leu no meu olhar
Meu sorriso é só disfarce
Por que eu já nem preciso
E toda a cerimónia foi-me deixando a cada minuto que passava mais frágil, lembrei-me de toda a nossa adolescência e do meu casamento
- Filha tá tudo bem?
- Sim, mãe porque não estaria? - sussurrei
- Porque estás a chorar!
- Oh é o casamento da Mariana mummy…
- E esse mummy não me engana, deves estar a recordar muitas coisas não é filhota?
- Oh…
- O João…?
- Tu não te lembras do teu casamento sempre que estás num?
- Lembro-me filha, mas eu continuo aqui de mão dada com o teu pai! - sorri ao confirmar que era verdade que após tantos anos mantinham estes pequenos gestos de cumplicidade
- E eu estou aqui… e ele ali… e só restam as recordações… as musicas… e a culpa…
- Shiu mas vocês calam-se - o meu pai reclamou
Calei-me continuei no meu mundo e foi assim que segui para o local da festa, tentei afastar-me ao máximo de todos e consegui, já que felizmente o João, a Micas e a Ana foram dando um olhinho ao Guilherme e as lembranças foram acalmando até ao momento da música de abertura do baile, decididamente eles prepararam tudo ao detalhe e comecei a sentir o coração novamente a mirrar.
Mas a gota de água foi a piadinha do Fábio nas redes sociais. Será que não me podem deixar em paz?! Tava sentada na mesma mesa que eles e por isso assim que vi os pombinhos dirigirem-se a nós levantei-me
- Que piadinha a vossa? E tratarem do vosso filho em vez de se meterem no que não vos diz respeito… têm recordações? Opimo falem delas mas deixem-me a mim fora dessas palhaçadas!
Sai e deixei todos a olharem para mim, segui até à mesa onde estavam os meus pais e tios e foi lá que me sentei ao colo do meu pai
- Olha que isto… com 30 anos no cu vem pedir mimo ao papá!
- Isso é inveja? - respondi a tentar sorrir para a minha mãe
- Não é orgulho na minha família! - nesse momento ouvi a gargalhada do meu filho olhei e vi-o a “voar” nos braços do João, acabei por baixar o olhar
- Maria? - olhei para o meu tio - colo do tio? - gargalhamos todos
- Eish momento histórico! Em 30 anos o meu tio vai-me dar colo a 1ªvez! - falei enquanto passei para o seu colo - a que se deve a honra?
- Não posso mimar as minha sobrinhas?
- Podes! Podes!
- Como estás? - perguntou-me ao ouvido quando os restantes focaram-se noutros assuntos
- Eu? Bem porquê?
- Já sabias disto?
- Nop
- E estás bem com a surpresa?
- Tirando não ter o vestido que teria escolhido se soubesse ao que vinha sim!
- Maria eu vi o que o Fábio publicou e não precisava de ver para perceber que se as escolhas eram especiais para eles, tem significado também para ti e para…
- Tá tudo bem!! - sai do seu colo para terminar com a conversa e vi-o dirigir-se ao Ruben e passados poucos momentos os noivos tomaram da palavra e…

O que dirão os noivos?
A Maria e o João reagirão bem a toda a festa?

6 comentários:

  1. Olá!

    Eu gostei tanto mas tanto deste capitulo que nem sei bem o que dizer. Eu sabia que ia haver surpresa, mas desta vez tava mesmo em branco, não fazia a mínima ideia do que eles tinham preparado, mas amei, todos os detalhes, o acordar deles no grande dia, a preparação para o batismo do Filipe, o receber os convidados, todo o suspense à volta de cerimónia, o trabalho de se terem arranjado só para os convidados não suspeitarem de nada e depois irem arranjar-se como dois noivos, adorei tudo e ainda gostei mais do pormenor das alianças irem presas à roupa do Filipe.
    Até vos perdoo uma coisa, que a Mariana já sabe o que é, mas como nunca aconteceu (pelo menos que me lembre), são as letras das músicas, mas neste caso acho que até fazem sentido, para melhor entendermos o seu real significado na vida destes dois. Algumas já têm uns bons aninhos, mas o que se pretendia era que fossem músicas do tempo de escola deles, e quem não se lembra da novela New Wave? que quando eu via era Malhação, as músicas encaixam na perfeição na vida destas alminhas (quando digo alminhas, é porque não atinge só a Mari e o Ruben), mas confesso que a que mais gostei foi a da entrada na igreja, essa diz mesmo tudo se bem que também podia ser para o JP e para a Maria.
    Depois de tantos encontros e desencontros acho que é mais do que merecida uma cerimónia destas.
    Juro que não percebo a atitude da Maria, logo ela que deveria de ficar feliz pela prima, não, mais uma vez conseguiu centrar tudo nela, até parece que foi de propósito a escolha das músicas, é que ninguém tem culpa que elas tenham vivido situações semelhantes durante a mesma altura, acho melhor ela atinar as ideias ou então o dia ainda vai acabar mal. Agora já tem saudades do JP, pois é, agora aguente, era bom que ela olhasse para a prima e aprendesse alguma coisa.
    Eu nem vou dar palpites do que os noivos vão dizer, embora gostasse que eles anunciassem a gravidez, mas vou ficar na espectativa, em relação à Maria e ao JP, sinceramente já espero tudo, da maneira que ela anda.
    Amei, e agora quero muito, mas muito mesmo o próximo quero saber como vai acabar a festa.
    Beijocas

    Fernanda

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  2. ADOREI!FANTÁSTICO!AMEI!
    Desculpem a emoção mas o capitulo está brutal!
    O Rúben e a Mariana são mesmo o casal mais fofinho que eu já vi! E quanto à Maria e o João cada vez mais torço para que as coisas entre eles acabem bem!
    Mas não é justo acabar assim!!!looool
    Quero o resto rapidamente sff! :P
    Beijinhos
    Rita

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  3. Fantástico...

    Quero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...

    Continua...

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  4. Olá meninas:
    Bem que no capitulo passado me pareceu que havia coisa.... muito bem ;)
    O casalinho deu-nos um grande momento, adorei, foi mesmo uma grande surpresa ;)
    Agora acho que ainda vem aí mais surpresas que eu não consigo perceber o que se passa com a Maria.
    Adoro, adoro!!!
    Quero mais!!!!
    Beijinhos.

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  5. Olá meninas : )
    Desculpem não comentar regularmente, mas o tempo é pouco e agora em época de exames ainda pior!
    Adorei mais este capitulo, bem este casamento sem ninguem esperar, é mesmo tipico da Mari e do Ruben!
    E a Maria que projeto é esse afinal :o Que se passa com ela?
    Estou curiosa para ler os proximos capitulos!
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  6. Um casamento com convidados que não sabiam para o que iam. Se não fosse assim, também não seriam a Mari e o Rúben!
    Adorei a ideia do casamento com a banda sonora da adolescência deles (é a banda sonora da minha infância, é impossível não adorar! xD)
    Opá! Como eu já tenho dito, a Maria qualquer dia explode! Mas o que é que ela anda a preparar???? Vocês deixam uma pessoa fora de si com tanta curiosidade!
    Quero o próximo!

    PS: Adorei o fato do Guigas! :)

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