Mariana
Entrar em casa da Maria e dar de caras com o Ruben só serviu para ter a
confirmação de algo que já sabia, o dia seria longo… bem longo.
Cumprimentei-o com um beijo, sim só um porque se tivesse que cruzar o meu
rosto com o dele correria o risco de não resistir a beijá-lo e foi esse o
motivo que fez com que fugisse mas infelizmente o Ruben seguiu-me, não pude
afastá-lo afinal é o padrinho do Guigas.
Vesti o meu menino e quando terminei a minha tarefa de madrinha o fotografo
de serviço pediu ao padrinho para se aproximar de forma a ficar no foto, senti
as minhas pernas a tremerem assim que o Ruben colocou o seu braço por trás das
minhas costas e a sua mão na minha cintura, engoli em seco e tentei bloquear os
meus cinco sentidos, o olfato para não cheirar o seu perfume, a visão para não
ver o seu sorriso, a audição para não ouvir a sua respiração ligeiramente
irregular, o tato para não largar o meu afilhado e agarrar o Ruben ali mesmo e
por último o paladar para não cair na tentação de o beijar, afinal senti todo o
esforço que fiz durante os últimos dois meses para o esquecer a ir pelo “cano
abaixo”, estava a minutos de ceder por completo mas fui salva pela entrada do
Rui no quarto e na primeira oportunidade que tive fugi para os seus braços, o
meu amigo percebeu que era disso que necessitava e não hesitou em abraçar-me
assim que a proximidade dos nossos corpos permitiu.
- Respira – sussurrou – já
passou! – deu-me um beijo na nuca, um sinal da ligação pura que nos une
- Não sei se aguento… - confessei o
meu maior receio também num sussurro
- Aguentas sim… estou aqui do teu lado.
- Obrigada.
- Pshiu não agradeças… - sorrimos cumplicemente um para o outro.
***
A cerimónia religiosa foi novamente um martírio, fiquei do lado do Ruben e
não sei se foi propositadamente só sei que passei o tempo todo a sentir alguma
parte do seu corpo contra o meu, ou era a perna dele contra a minha ou o braço
a roçar no meu, só sei que o Ruben não fazia nada para o evitar e quanto mais
tentava evitar o contato menos conseguia.
Respirei de alívio assim que a cerimónia terminou e voltei a correr para os
braços daquele que dá-me forças, o Rui simplesmente sorriu e passou o seu braço
sobre os meus ombros. Seguimos para o restaurante onde seria o almoço e mais
uma vez foi na sua companhia que fui.
***
A tarde revelou-se animada e não destrutiva, afinal consegui evitar um
contato de maior com o padrinho do meu Guigas, o Ruben manteve-se distante até
porque o Rui fez-me o favor de se manter por perto, no entanto senti a
necessidade de ter os meus “cinco minutos solitários” e por isso avisei o Rui
que estaria na rua, só para que não ficasse preocupado.
Estava a apreciar o pôr-do-sol quando pressenti alguém a aproximar-se, não
dei importância e mantive-me na minha até ao instante que vi o Ruben a sentar-se
do meu lado.
- Podemos falar?
- Adianta dizer que não?! – ripostei
- Não vou obrigar-te – suspirou – mas
temos que falar mais cedo ou mais tarde...
- Amorim – olhei-o e
por isso percebi que a distância que impus ao chamá-lo pelo apelido o magoou – a
única coisa que tenho a dizer ou a pedir tanto faz... é que devolvas o que é
meu e que continua no teu apartamento, cá em Lisboa. Ah e as tuas cenas estão
em caixotes há espera que as vás buscar, julgo que ainda tens a chave por isso
vai lá quando quiseres e no fim devolve a chave à Maria... mas não leves muito
tempo porque iremos colocar o apartamento à venda...
- À venda?! Então e onde é que vais viver? – perguntou-me de imediato
- E desde quando é que te devo explicações?!
- Mariana...
- Nem Mariana e meio Mariana, se não consegues lidar com as tuas próprias
escolhas problema teu... fiz aquilo que pediste, segui em frente por isso
lamento mas não tens nada com o assunto... – tentei ser o mais segura que consegui mas a verdade é que não sentia nem
um bocadinho do que falava, muito pelo contrário
- Estás mesmo com o Rui? – percebi que lhe custou dizer o nome do meu amigo – É por isso que
vais vender o apartamento... é verdade que já vives com ele...
- Isso é mesmo uma pergunta ou é uma afirmação? – questionei de forma fria, juro que não sei como o
consegui fazer quando por dentro estava a definhar tal era o desejo de lhe
saltar para os braços.
- É verdade?!
- Já te disse... não tens rigorosamente nada com o assunto... a sério faz
um favor aos dois e deixa-me sozinha – caí no erro de suspirar o que demonstrou a minha fragilidade que o Ruben
aproveitou
- Até podes estar com aquele palhaço – aproximou-se ainda mais – mas continuas a desejar-me – tocou-me
com as pontas dos seus dedos na minha face o que fez com que fechasse os olhos,
sentir o seu toque fez todo o meu sangue fervilhar e o ritmo cardíaco aumentar
– continuas a querer beijar-me – engoli em seco, o Ruben conhecia-me e
não adiantaria negar – sabes... – mudou ligeiramente de posição, agora
sentou-se de frente para mim com uma perna de cada lado do banco – que o
podes fazer... – senti a sua respiração a embater no meu rosto e a sua mão
na minha perna
- Chega – afastei-o
não sei como mas consegui soltar-me das amarras do desejo – não sou boneco...
tenho sentimentos – as lágrimas saltaram dos meus olhos – não me faças
isto... – implorei ao pouco bom senso que acredito que ainda tenha – dói
saber que tens outra mas dói mais estar diante de ti e não puder beijar-te...
dói acordar todos os dias e sentir-me oca por dentro, dói respirar, dói ter que
comer, dói ter que olhar para o Guigas, dói ter que ser a segunda mãe dele
sabendo que nunca serei a primeira de ninguém, dói comemorar cada mês de vida
do nosso afilhado, dói relembrar a forma estúpida como perdi a razão do meu
viver, dói olhar para o Rui e ver a compaixão no seu
olhar, dói ter que fingir que quero continuar a viver quando estou morta por
dentro, dói saber que por minha culpa tanta gente já sofreu, doeu receber as
minhas coisas dentro daqueles caixotes e encontrar lá a roupa que já tinha
comprado para usar na gravidez ou as poucas roupinhas que os minimeus já
tinham, doeu ler a merda de email que mandaste, doeu perceber que afinal o amor
que dizias ter por mim evaporou, doeu voltar a deitar-me na marquesa da Ana
para olhar um monitor agora vazio, doeu ter que simplesmente aprender a viver
sem sentimentos por isso desaparece... DEIXA-ME EM PAZ – exaltei-me – deixa-me
continuar a matar esta merda de amor que sinto por ti, deixa-me sobreviver,
deixa-me simplesmente DEIXA-ME...
- Desculpa... – o Ruben
voltou a aproximar-se e a envolver-me nos seus braços talvez por ver-me
completamente desesperada, só sei que voltei a sentir-me no céu, o seu cheiro,
o seu toque, o seu respirar acalmou-me mas ainda assim não impediu que
continuasse a chorar – Desculpa... – também o Ruben já chorava – Desculpa
por ter sido incapaz de ficar do teu lado, fugi por não conseguir olhar-te sem
sentir-me culpado por teres perdido os nossos filhos, sim a culpa a existir foi
dos dois... devia ter ficado contigo mas não... fui mais uma vez a correr ter
com a Maria... ter consciência que enquanto vi o Guilherme a nascer estavas
sozinha acabou comigo... não consigo perdoar-me a mim mesmo... não consigo...
- o Ruben calou-se, ficámos os dois a curtir a ressaca da perda dos nossos
filhos, o que deveríamos ter feito em conjunto na devida altura estávamos agora
a fazê-lo, mergulhei num mar de dor, de desilusão, de sentimentos de culpa e
quando emergi senti a necessidade de afastar o Ruben – espera...
Ainda o ouvi chamar-me mas não parei, aliás corri ainda mais depressa,
entrei na sala do restaurante onde estava aquele que me acompanhou dia após dia
dos últimos 60 dias, que testemunhou as minhas noites de choro, que
provavelmente acordou com os meus pesadelos, sim não há noite nenhuma que não
os tenhas, que não chame o Ruben, que não deseje ter aquilo que jamais será
recuperado e atirei-me para os seus braços, o impacto foi de tal ordem que o
Rui deu uns quantos passos atrás, naquele momento não quis saber o que poderiam
achar, a única coisa que precisei encontrei no instante que senti o calor do
corpo do meu amigo... PAZ.., foi isso que encontrei.
- Pshiuuu – o Rui tentou
acalmar-me... aprendeu a fazê-lo noite após noite, não sei o tempo que levei
até conseguir regular novamente a respiração e muito menos o que pensavam
aqueles que assistiam a toda uma cena deprimente, só sei que quando voltei a
mim, estava sentada ao colo do Rui e com a Maria do meu lado
- Oh prima... – a Maria
abraçou-me – vai passar...
Não consegui dizer nada, olhei para cada um dos presentes e encontrei no
rosto de todos o sentimento mais nojento que conheço, pena, foi isso que vi no
olhar de cada um, aquilo revoltou-me, algo que o Rui percebeu e antes que
voltasse a quebrar novamente o meu amigo simplesmente retirou-me daquele
ambiente. Caminhamos para o jardim, onde nos sentamos na relva, comigo no meio
das suas pernas e encostada ao seu tronco, foi assim que passei as horas
seguintes, sim horas porque quando voltei a cair em mim já era de noite.
Ruben
Aproximei-me da Mariana com a intenção de perceber se ela e o Rui estão
juntos mas acabei por escorregar numa das muitas cascas de banana que temos ao
longo do caminho, caí no erro de brincar com as suas fraquezas e ouvi o
inesperado, a Mariana deitou cá para fora tudo o que tinha entalado, ter a
perceção do quanto está magoada fez-me sentir lixo, mais uma vez revivi tudo o
que tentava esquecer, acabei também por admitir que não estou bem,
principalmente admiti as razões que levaram que tivesse tomado a decisão de a
abandonar o que contribuiu para uma aproximação nossa, mas o que é bom acaba
depressa e a Mariana assim que caiu em si afastou-me, correndo para dentro do
restaurante.
Fui atrás mas arrependi-me amargamente quando testemunhei a forma como Rui
a acalmou, percebi que afinal há outro que já consegue ter esse feito da Mari,
percebi naquele momento que a estava a perder mas fui incapaz de lutar para
tentar recuperar a ainda razão do meu viver.
***
Mês e meio passou e muita coisa mudou, começando no meu regresso a Lisboa,
ao Benfica, passando pela renovação do contrato e terminando na mudança da
Sofia para Lisboa, tudo aconteceu a uma velocidade louca mas a verdade é que
sinto-me bem do seu lado e por isso aproveitamos a oportunidade de emprego que
lhe surgiu para tentarmos construir uma vida a dois, é estranho perceber que
todo o amor que dizia sentir pela Mariana desapareceu mas a verdade é que já
não penso nela, a Sofia ajudou-me a seguir em frente, apesar de não ter o apoio
da minha família nesta fase da minha vida, é verdade a D. Anabela não aceita a
minha separação da Mariana, aliás sei que ainda hoje mantém contato com a
rapariga, algo que não faz com a minha atual namorada mas também não faço nada
para mudar a situação, pelo menos assim não tenho a minha mãe a meter-se onde
não é chamada.
***
O João e a Maria escolheram o dia 15 de Agosto para se casarem por ser um
dia especial na vida de ambos afinal faz um ano que fizeram o Guigas, mas antes
ainda há o jogo da seleção e por isso, infelizmente, tive tempo para pensar no
que não devia e a nostalgia apoderou-se de mim, Faro é sinónimo de bons
momentos, senti saudades desse tempo, dos dias de férias que passei com a
Mariana, recordei o Verão em que as Mendes regressaram a Faro depois da sua ida
para Lisboa, nessas semanas conheci um pouco do que foi a vida da Mari durante
os anos que estudou cá, convivi com alguns amigos e vi pela primeira vez a
Mariana a lutar pelo sentimento que nos unia, quando dei por mim já sorria
feito parvo ao recordar esses dias, a forma como a Mari se negou a fazer amor
comigo só porque queria a certeza de que não seria só sexo, a nossa noite após
uns dias às turras ou ainda a forma como a Ana e o Fábio perceberam finalmente
o que os unia, foi um Verão animado e que deixou saudades...
Afastei tais pensamentos e fui ter com os meus colegas, pelo menos mantinha
a cabeça ocupada até ao jogo e quando este terminou acabei por trocar algumas
palavras com a Maria e com o João para depois seguirmos viagem até ao
apartamento das Mendes, no entanto tive que tolerar a presença do Rui no carro
da Maria, também ele ficaria lá em casa.
Assim que entramos no apartamento, o Rui foi de imediato chamado pela Mari,
doeu perceber que seria ele a dormir no seu quarto e não eu, mas afastei tais
pensamentos e juntei-me ao João e à Maria na sala. Estávamos à conversa quando
a Mari entrou na sala e assim que a vi o meu coração voltou a bater
descompassadamente, não... não podia... esforcei-me para afastar tal ideia e
cumprimentei a Mariana com dois beijinhos, um em cada face, que foram
totalmente correspondidos.
- Então a Sofia não veio? – a forma descontraída como perguntou pela minha atual namorada fez-me
olhá-la numa tentativa de perceber se fingia não se importar ou se simplesmente
tal como eu seguiu em frente, não consegui decifrar o seu olhar, estava mudado
– Então?! O gato comeu-te a língua, foi? – brincou com a situação
- Ah... não... a Sofia vem só amanhã... como hoje tinha o jogo...
- Hum... pensei que viesse ao jogo... – a Mariana encolheu os ombros num claro sinal de indiferença para depois
se ir sentar com o Guigas ao colo.
Mariana
Um mês e meio foi o tempo que passou desde a última vez que vi o Ruben,
quarenta e cinco dias, foi esse o tempo que levei a dar um novo rumo à minha
vida, arranjei emprego numa multinacional o que faz com que passe algum tempo
longe de Portugal vou frequentemente às outras sucursais espalhadas pela Europa
e isso tem ajudado para que mantenha a cabeça ocupada, pelo menos enquanto
trabalho não penso no Ruben e em como refez a sua vida tão rapidamente, em como
tão abruptamente substituiu-me por outra, infelizmente tudo se sabe e o facto
de ele já morar com a Sofia foi notícia nas revistas cor-de-rosa que fizeram
disso um negócio.
Hoje tenho pela frente uma dura prova, com o casamento da Maria e do João
ficarei frente a frente com o Ruben e com a sua namorada, não sei como
aguentarei, só sei que não posso dar-me ao luxo de demonstrar o farrapo em que
me tornei, terei que arranjar forças para sorrir quando só quero chorar, mas
principalmente não poderei dar parte fraca, vou ter que presenciar a felicidade
daquele que um dia foi meu mas que já não é, talvez um dia consiga encontrar
uma nova razão para sorrir com vontade mas até esse dia chegar serei falsa
porque recuso a demonstrar o quanto no ludo estou.
***
Estava no quarto quando ouvi a porta a abrir, sinal que tinham chegado do
estádio, ou seja o Ruben e o Rui estavam a escassos metros de mim, resolvi chamar
o Rui e o rapaz apareceu no meu quarto.
- Boas! - dei-lhe dois
beijinhos e um abracinho - olha podes acomodar-te à vontade que será aqui
quer dormirás!
- Mas isto não é o teu quarto?!
- Ya... mas fica descansado que vou dormir no apartamento do lado - meti a língua de fora - e agora vou ali até à
sala cumprimentar a visita!
- Queres que vá contigo?
- Deixa... - suspirei - é algo que terei que fazer sozinha...
- Ok... já lá apareço, vou só ligar aos meus pais que já não falo com eles
há uns dias...
Deixei-o no meu quarto e fui até à sala, não sei como mas cumprimentei o
Ruben com algum distanciamento e ainda tive coragem para perguntar pela sua
namorada, para ser esclarecida que só virá amanha, menos mal assim é menos umas
horas a presenciar o homem que amo nos braços de outra. Acabei por sentar-me
com o Guigas ao colo numa tentativa de isolar-me do meu mundo mas o Ruben
seguiu-me e meteu-se a brincar com o menino, sentado bem do meu lado, o que
voltou a fragilizar-me e antes que quebrasse aproveitei a entrada do Rui para
- Opa está mesmo a apetecer dar um giro...
- Ui... - o meu primo
manifestou-se
- Dói-te alguma coisa oh João?
- Nada... nada... mas parece-me que queres apresentar a noite de Faro ao
Rui...
- Alinhas?! - virei-me par
ao Rui
- Bora! - respondeu de
imediato
- Prima... prima... tem mas é juízo!
Não respondi e saí da sala acompanhada pelo Rui. A noite foi animada, o meu amigo divertiu-se a
descobri o meu lado mais louco e já regressamos a casa tardíssimo, tanto que o
rapaz foi direto ao meu apartamento para se deitar, despedi-me dele e entrei no
apartamento do Rodry, a intenção seria isolar-me, a ideia de passar a noite
sozinha era para preparar-me mentalmente para o dia seguinte, tentei dormir mas
por mais que tenha tentado não consegui, desisti e fui até à varanda, fiquei a
olhar para o céu, estava estrelado e a lua cheia dava-lhe um encanto ainda mais
especial.
- Insónia?! - assustei-me por não esperar ouvir a sua voz, o
Ruben estava atrás de mim - desculpa não
te queria assustar...
- O que fazes aqui?
- Ah... não estava a conseguir
dormir...
- Ao que parece somos dois... – respondi
- É... – ficamos a
olhar-nos sem dizer uma única palavra mas o silêncio foi quebrado pelo Ruben – estás
a gostar do novo emprego? – ouvir tal pergunta fez-me despertar para a
realidade
- Sim... É diferente mas perfeito para o meu novo “eu” - respondi secamente.
- E que “eu” é esse?
- Não tens rigorosamente nada com o assunto!
- Desculpa... só queria certificar-me que seguiste em frente tal como
segui... – senti um nó
na garganta ao ouvir tais palavras que só provaram que não tenho mais o meu
espaço na vida do Ruben
- Faço por isso... – deixei
escapar o que seria um desabafo só meu mas que o Ruben ouviu
- Com o tempo vais conseguir... acredita!
- Não deixa de ser irónico... - o Ruben olhou-me - a forma tão leviana como
conseguiste colocar outra no meu lugar... à espera... esse lugar nunca foi meu
- falei com desprezo - só tive o desprazer de o ocupar durante mais tempo
que as anteriores... mas ainda bem que estás feliz...
- Quem te disse que estou feliz?! - o Ruben aproximou-se - É impossível estar
feliz quando as nossas vidas deram uma volta de 180º e simplesmente perdemos o
controlo... já não somos nós que seguramos as rédeas da nossa vida... largamo-las
e enquanto não as conseguirmos recuperar nunca teremos a certeza de nada – o que falava fazia todo o sentido aos meus ouvidos
e talvez por isso suspirei
- É... talvez tenhas razão e o que nos falta mesmo para conseguirmos seguir
verdadeiramente em frente é voltar a recuperar as rédeas da nossa vida...
- Seria tão mais fácil se soubéssemos como o fazer...
- E desde quando é que soubemos fazer o que quer que fosse com cabeça,
tronco e membros?
- Nunca... - constatou um facto - mas ainda vamos a tempo de mudar isso..
anda... vem ter comigo – senti o meu
coração a bater mais depressa assim que o Ruben agarrou nas minhas mãos e puxou-me
até à cozinha
- O que é que vais fazer? - perguntei ao vê-lo a abrir os armários
- Um chocolate quente... para
bebermos enquanto conversamos... lembraste quando o fazíamos no passado...
quando ainda eramos só dois adolescentes... - sorri ao relembrar as tardes de inverno que passamos com uma caneca de
chocolate quente preparado por ele nas mãos e à conversa
- Sim... - o Ruben sorriu
- Sem açúcar, certo?
- Yap... nem sei porquê que perguntas... – falei ao encostar-me na bancada da cozinha ao lado do fogão onde o Ruben
já preparava a nossa bebida quentinha – ou será que já esqueceste... –
olhou-me e senti borboletas onde não devia, acabei por desviar o olhar antes
que fizesse algo que mais tarde poderia arrepender-me
- Não... não esqueci – suspirou – e
se queres saber duvido que algum dia esqueça o que quer que seja do que
partilhamos – o Ruben largou por momentos o que fazia e agarrou-me nas mãos
– foi bom enquanto durou e luto para que só as boas recordações perdurem
eternamente... – duas lágrimas teimosas saltaram dos meus olhos – não
chores – limpou-me o rosto molhado com os seus dedos – porque se começas
seremos dois... e ainda alagamos Faro – sorri com o disparate que falou – ficas
muito mais bonita quando sorris...
- Ruben... – afastei-me
dele – é melhor deixar o chocolate para outro dia... – tentei sair o
quanto antes mas o Ruben dificultou ao segurar-me pelo braço
- Somos adultos – olhei-o sem
saber onde pretendia chegar com aquela conversa – e não duas crianças...
acho que devíamos falar para enterrarmos de vez o passado...
- Falar só nos magoará e sinceramente acho que já nos magoamos o
suficiente, seguiste em frente...
- Achas que segui em frente?! – aproximou-se
- Sim... tens a Sofia...
- Posso fazer-te uma pergunta?!
- Sim...
- Não sentes falta de algo?
- Como assim?
- Quando... – o Ruben
baixou o olhar
- Quando o quê? Desembucha!
- Quando estás com outros não sentes falta de nada? – ainda estava a assimilar o que perguntou para
tentar perceber do que falava quando o Ruben foi explicito – Quando vais
para a cama com outros o que sentes? – olhei-o estupefacta, sei que não fui
santa no passado mas daí a andar a dormir com outros no presente vai uma grande
distância
- Ruben! Sinceramente... – sorriu perante a minha indignação
- Afinal não sou o único a sentir única e exclusivamente uma descarda
hormonal! E de adrenalina... - bloqueei perante o desplante dele em afirmar
que ando com outros quando continuo a chorar todas as noites por ele - E no
final é como se não se tivesse passado nada aquela situação de alguém agarrado
a nós, nú... não significa nada... normalmente não sinto mais nada a não ser
vazio e às vezes, mais do que as que gostava... arrependimento e remorso... não
amo a Sofia e nunca a amarei – senti as mãos do Ruben no meu rosto
- CHEGA! – afastei-me do
Ruben – tens outra pessoa na tua vida...
- Porra mas é contigo que quero fazer amor – o Ruben voltou a aproximar-se de mim fazendo-me recuar
até embater na parede, fiquei encurralada, senti a sua respiração contra a
pele do meu pescoço, sim o Ruben não falava... ele sussurrava ao meu ouvido – preciso
de voltar a sentir-me vivo... – a sua boca humedeceu a pele do meu pescoço
– Mariana uma última vez... é só o que te peço... - os seus lábios
encontraram-se com os meus e foi impossível resistir, acabei por ser eu a
procurar algo mais naquele beijo deixando as nossas línguas voltarem a
entrelaçarem, a explorar algo que conheciam tão bem mas como o iniciei também o
parei
- Não... não podemos! Tens outra pessoa...
- Esquece... é só mero peão na minha vida e sabe disso...
Ouvi-lo fez com que perdesse o pouco autocontrolo que ainda mantinha e
deixei de ter forças para lutar contra algo tão errado, sabia que no fim iria
arrepender-me mas fui incapaz de lhe negar amor, sim foi amor o que fizemos,
foi tão mas tão bom... senti-me novamente viva, amada, desejada, senti-me
completa e isso só o Ruben consegue, amamo-nos madrugada dentro, foi perfeito e
acabei por adormecer nos seus braços...
Ruben
Desde que cheguei a Faro que as recordações de um passado feliz não me
abandonaram mais e tudo piorou quando entrei no mundo das Mendes, estar naquele
apartamento onde fui tão feliz, fez-me perder o discernimento e fiz algo que
não devia, depois do Rui regressar da noite e ao perceber que a Mari não veio
com ele, fui fraco e não resisti à tentação de ir até ao apartamento do lado,
sabia que era lá que se encontrava, afinal ouvi sem querer a Maria a comentar
com o João que a prima avisou que dormiria lá para não ter que partilhar o
mesmo espaço que eu.
Sei que não devia mas peguei nas chaves da Maria, afinal continua a ter no
porta-chaves as chaves do apartamento do lado e entrei no apartamento do
Rodrigo, assim que o fiz um calafrio percorreu o meu corpo, um arrepio estranho
deixou-me com os cabelos ouriçados, infelizmente sei bem o motivo para tal ter
acontecido, recordei em segundos a primeira noite que amei a Mariana como seu
namorado, a recordação parecia tão real que por momentos senti o cheiro do
nosso jantar, como é possível tal acontecer... voltei a abanar a cabeça
negativamente para que deixasse de pensar asneiras mas de nada serviu porque no
momento que vi a Mari na varanda deixei de agir racionalmente, deixei que o
sentimento que tenho por ela vencesse a razão e acabei por arrastar-nos para
uma armadilha sem salvação possível, o certo é que quando percebi já a tinha
amado durante horas.
O tempo em que tive a Mari nos meus braços foi indiscritível mas como lhe
tinha pedido foi unicamente a despedida...
Terá sido só
mesmo a despedida?
E o casamento
da Maria e do João como irá correr?
Olá!
ResponderEliminarAi este Ruben da-me vontade de lhe bater! Ele é um autentico hijo de puta, verdade seja dita!!! Ai tira-me do serio. E depois divide-me! Nos momentos mais proximos com a Mari nem sei o que quero: se quero que ela ceda ou se quero que ela lhe de uma valente chapada!
Mas pronto...despedida? Hum hum sim sim...
Venha daí o proximo!!!
Beso
Ana Santos
Despedida? Não!!! Nãoooooooo! Tipo, não mesmo!!
ResponderEliminarNão pode ser a despedida, mas afinal o que é que eles estam a fazer separados?!? Eles andam sempre a lamentar-se, estão só separados porque querem!! Por amor de Deus, quando é que eles percebem que só estão bem quando estão felizes!! O Ruben é mesmo parvo! Foi ele que fez merda, então lembrou-se de acabar com a Mari por e-mail!! Que burro meu Deus! Ai isto irrita-me mesmo. Por favor eles que abram os olhos, ou então alguem que lhos abra! Então o Rubén acabou com a Mari como acabou e depois ainda vem com falinhas mansas!?! Mas ele deve gostar mesmo de a torturar. E já estou mesmo a ver a cena no dia seguinte a Mariana vai acordar já sozinha, é tipico!
Ok peço desculpa pela linguagem utilizada, mas tinha que descarregar.
Fico á espera do próximo! :)
Kiss
O Ruben as vezes parece-me um verdadeiro RATO!! grrr q parvo! sabe q n gosta da outra, esta a usa-la, fazê-la sofrer, sofrer a Mariana e a ele proprio.
ResponderEliminarDespedida? A sério? Sim, pois, so vai fazer a mariana voltar a sofrer outravez e a arrepender-se...
nao sei como e que estes dois se vao entender depois de tanto disparate.
beijinhos.
Oh não... Despedida não!! (A fazer beicinho)
ResponderEliminarQuero estes dois juntos!!
Aodrei! Que mais posso dizer? Ah, sim! Próximo!
Beijinhos
Terá sido só mesmo a despedida? Quando comecei a ler achei que sim, que tinha acabado, que ambos tinham seguido em frente, e sinceramente, não achei mal, tanto ela como ele merecem ser felizes e ás vezes só longe de quem amamos é que isso acontece, pode não ser uma felicidade plena mas é melhor que um sofrimento acompanhado. Mas no seguimento do capítulo percebi que talvez não seja o fim de nada, talvez seja um recomeço, afinal todas nos lembramos o que aconteceu à 1 ano atrás naquele mesmo sítio :)
ResponderEliminarE o casamento da Maria e do João como irá correr? Bem, muito bem. Lindo e romântico como eles merecem. Vai ser a confirmação do amor que sentem e da família que são (assim o espero).
Abreijos
PatríciaQ
Despedida?:o
ResponderEliminarÉ óbvio que não!!!
O Ruben está a ser um parvo!! Mas que grande cobarde! Ele deve ter algum disturbio mental ou coisa assim! Só pode, é que ele gosta de ver as pessoas sofrer e isso não é normal! Já pensaram em leva-lo a um hospital psiquiátrico? É que talvez ele precise! Então ele está a fazer sofrer a Mari (principalmente), a Sofia (coitada foi apanhada no meio da situação), todas as pessoas que gostam deles e ainda ele próprio (mas aí é ele que deve se masoquista!) Bem com tanta gente a que ele faz mal ele devia ganhar um prémio de reconhecimento nacional, ou ir preso (no minimo). Já agora eu gostava de saber quais foram os motivos mesmo de ele ter acabado tudo! Foi porque a Mariana perdeu os bebés? Foi porque a "trocou" pela Maria? Foi porque não se preocupou o suficiente? Porquê? Sente-se culpado? Ai que peninha que tenho dele! (ironia)
Estou aqui a descarregar no Ruben mas a Mari tambem tem a sua culpa! Ela quando recebeu o e-mail devia ter logo ido falar com ele, resolver as coisas! Mas não, deixou-se ficar no lodo! Ficou á espera que a felicidade viesse ter com ela! Hello se queres felicidade então corre atrás dela!! Mas que coisa, que gente casmurra! As pessoas perdem tanto tempo a pensar. A pensar morreu um burro!
Bem eles devem estar a precisar é de um abre olhos! Eu queria ver se a Mari leva-se um tiro como é que o Ruben ficava. Ou vice-versa! (lá estou eu a exagerar xD)
Bem estou ansiosa pelo próximo, quero casamento \o/
Próximo rápidoooooo
Uma coisa eles não podem negar, a vida deles dê as voltas que der, vai sempre dar ao mesmo sítio, ao encontro dos dois e disso eles não conseguem fugir, e nem querem, porque podem negar à vontade, arranjar as mais variadas desculpas, porque o que eles querem mesmo é estar perto um do outro, por isso qual despedida qual quê. Eles são viciados um no outro, quando estão no mesmo local por mais que tentem algo os aproxima sempre, não adianta fugir. Escondem o que sentem atrás de desculpas esfarrapadas (nova namorada, novo emprego, nova amizade que mais parece outra coisa aos olhos dos outros, etc), erguem à volta deles escudos protetores para que ninguém consiga descodificar os seus sentimentos, mas nós sabemos bem aquilo que eles querem e aquilo que eles sentem, o grande problema dos dois é serem tão casmurros , e é isso que os magoa. A conversa que tiveram no dia do batizado é um exemplo disso, deixaram passar tempo demais, o que só os fez sofrer, quando podiam ter resolvido tudo como dois adultos,mas ás vezes eles mais parecem duas crianças mimadas e teimosas. O Ruben tem razão quando diz que eles perderam o controle das vidas deles, perderam as rédeas, é verdade, e só voltarão a ter esse controle no dia em que assumirem que continuam a amar-se e que não conseguem viver um sem o outro e que precisam um do outro, quando isso acontecer, e espero que aconteça, é que eles vão conseguir ser felizes.
ResponderEliminarEm relação ao casamento, espero que corra tudo bem, porque o João e a Maria merecem.
Fiquei curiosa de como a Mari e o Ruben vão ficar um com o outro depois desta noite juntos, por isso o próximo capitulo é de carácter urgente.
Já me esquecia de uma coisa muito importante, ADOREI, continuem.
Beijocas
Fernanda
Olá!!:D
ResponderEliminarPosso dizer que valeu muito a pena voltar a colocar a leitura em dia.
Primeiro não achei muito piada ao Amorim continuar com estas coisas que como diz a Marta,"chapadas era pouco" mas vê-lhos outra vez a amarem-se só mostra que eles ficam tão bem é juntinhos!! :P
E não há cá despedidas,pelo o contrário!lool
Espero pelo o proximo!:D
Beijinhos
Rita
E já estou completamente actualizada :D
ResponderEliminarBem mas não estava nada à espera disto.... nem sei o que é pior se a Mariana ter perdido os bébes se se ter separado... ai que nervos Ruben!!!
Mas agora não gosto nada da proximidade com a lagartagem... ;)
Só espero que este momento abra os olhos ao casalinho... agora o que eu queria mesmo era um capitulo novinho... uma prendinha para mim ;)
Beijinhos
Adriana
Olá!
ResponderEliminarSerá que posso mandar o Rúben para o c@ra&#o ?
"sinto-me bem do seu lado e por isso aproveitamos a oportunidade de emprego que lhe surgiu para tentarmos construir uma vida a dois, é estranho perceber que todo o amor que dizia sentir pela Mariana desapareceu mas a verdade é que já não penso nela"
Desapareceu o amor assim tão facilmente? E depois pronto, quando está com a Mariana é o que se vê.
Mas quero o próximo.
Ai Ruben, ultimamente só me decepciona, credo. Quer dizer, tem a cara de pau de falar que o amor pela Mariana desapareceu e que já nem pensa nela... depois quer uma... despedida (?)
ResponderEliminarHomens,... homens... depois as mulheres é que são complicadas. Mas como entender esse Amorim?
Quero muito saber como será o acordar deles, e claro, quais vão ser as consequências dessa ''despedida'' e quero muito saber o que vai acontecer depois também. Esses dois não podem ficar assim :/
Beijinhos :*
Gabi
Quando é que voltam a publicar?
ResponderEliminarDesistiram da FIC?
ResponderEliminarNão vos entendo, se têm poucos comentário reclamam porque desmotivam (e acredito que sim) mas quando comentamos (como foi o caso deste capítulo que já vai com 12) resolvem deixar-nos sem novidades tanto tempo :/
Digam alguma coisa, até porque se querem ver o vosso trabalho reconhecido é bom que não se esqueçam que também têm "obrigações" perante as leitoras
Aguardo novidades
quando pulicam?
ResponderEliminarquando publicas ??
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