sexta-feira, 31 de outubro de 2014

181 - "vai-te lixar com F grande!"

Micas

O Jantar com o Joca só me confundiu ainda mais. Já não sei o que realmente sinto pelo Rui e ando cada vez mais desmotivada em relação ao nosso namoro, embora ao mesmo tempo sempre que passo um dia sem o ver ou mais horas que o “normal” sem falar com ele sinta uma saudade enorme de o ter pertinho ou de pelo menos ouvir a sua voz nem que seja num simples “bom dia”.
Hoje há jogo na Luz, derby, clássico ou o raio… nunca fui grande fã de futebol, tirando os jogos da selecção pouco me interesso pelo assunto e por isso mais uma vez acabei por me chatear com o Rui ao tentar explicar-lhe que nos encontraríamos depois do jogo e que iria aproveitar o dia para começar a tratar da mudança de casa. Acabei por lhe dizer que não iria ao jogo de forma nenhuma embora tenha acabado por ir depois de passar o dia a empacotar coisas, para ajudar a Maria e a Mariana com os meninos, sim que estão cada vez mais irrequietos.
Apenas no final do jogo é que nos encontramos
- Isso é tudo saudades minhas? Não acredito… - falou irónico
- Boa noite para ti também!
- Não, não são saudades… ou melhor não são só… vim a trabalho… - sorri quando a Maria me olhou com cara de má - e pensei juntar o util ao agradável e esperei por ti, mas já me arrependi - tencionava ir-me embora, mas ele prendeu-me pelo braço e beijou-me, claro está que não refilei nem mais um minutos
- Desculpa, mas foste tão casmurra quando falamos que não te esperava encontrar além disso agora tens sempre a noite ocupada com o teu amigo…
- Nem te vou responder a sério porque se o fizer já sei que vai acabar mal, bem mal mesmo!
- Desculpa… prometo que não volto a tocar no assunto… pelo menos não esta noite… desculpas?
- Desculpo Rui… sabes que sim… agora tu já fazias qualquer coisa para deixares de pedir desculpa de 5 em 5 segundos…- desta vez fui eu quem o beijei até sermos interrompidos
- Oh Casalinho fofinho e apaixonadinho - o João falava em tom de gozo enquanto com a ajuda dos miudos nos afastava - vamos jantar?
- Vamos quem?? És meu pai? Hoje é dia de jantares com os teus filhos… - respondeu-lhe o Rui
- Lá está… sou mais que teu pai eu!! Deixa-te de cenas tristes e vamos?
- Ai oh João pára de ser chato! - a Maria aproximou-se - tu não vês que eles querem ir trabalhar para o Rui receber prendas para o ano…
- Maria!!! - dissemos os dois ao mesmo tempo
- Pronto não digo mais nada… - ela levantou as mãos ao ar - mas vamos??
- Sim… - acabei por responder - mas vamos onde?
- O João hoje cede-nos a casa... compramos qualquer coisa pelo caminho...

Ruben
Estava no balneário, já depois do aquecimento, a vestir o equipamento quando ouvi o meu telemóvel, agarrei nele e ao abri o instagram foi impossível não sorrir

MMAmorim_ Porque ser pai é muito mais do que fazer um filho… é mais do que somente cumprir um papel dentro da família e da sociedade… Ser pai é acima de tudo ser o amigo de todas as horas... é estar sempre próximo, acessível, é guiar o filho pelas curvas e contra curvas da vida… é amar incondicionalmente, é aceitar as responsabilidades que ultrapassem o limite das forças, é cair mas levantar de imediato, é lutar e vencer… é ficar para segundo plano para bem do filho…
Ser pai é além de educar estar constantemente ao lado do filho, abdicando muitas vezes de responsabilidades para desfrutar um jogo de bola, brincar de carrinhos, andar de mãos dadas, ver um sorriso, receber um abracinho e um beijinho...
Ser pai é vencer o cansaço de um treino ou jogo, chegar a casa e sentar com o filho para ver um desenho animado, ouví-lo a falar as primeiras palavras, vê-lo a dar os primeiros passos, ser trocado e deixado para trás só porque entrou na sala a mamã…
Hoje sei que nem todos os homens nasceram para ser pais… mas felizmente tenho na minha vida dois homens que são a definição perfeita do que é SER PAI @RAMendes e @ManuelMendes FELIZ DIA DOS PAIS

Ainda assimilava o que tinha lido quando o Rui avisou para me despachar pois tinha alguém a querer falar comigo, não dei grande importância mas quando saí do balneário, voltei a rir ao ver a Mari de costas e o nosso piolho de mãos dadas à mãe, sim que o nosso pequenino já está um homenzinho e por isso adora estar de pé, desde que se sinta seguro, ou seja desde que nós o agarremos pelas mãos.
Não resisti e aproximei-me, pegando de imediato no Filipe que quando me viu riu, dei-lhe alguns beijinhos e mimos, sob o olhar atento da Mariana
- Não esperava ver-vos aqui - olhou mas não respondeu, isto porque chamaram-me para entrar em campo, acabei por levar o Filipe comigo. O meu filho estava todo bem disposto, bem disposto até demais porque envergonhou-me no momento que os jogadores do Sporting nos vieram cumprimentar, sim o fedelho ao ver o André Martins não esteve de modas e esticou os bracinhos, pedindo colo, algo que o lagarto aproveitou para gozar com a minha cara, pois tirou-me o Filipe dos braços e levou-o consigo… lógico que deixei por o André ser nosso amigo e também só por isso é que o Filipe o reconheceu e fez algo que é normal, pediu brincadeira…
- Não tens vergonha? Além de fugir do teu colo ainda o deixas ir com um lagarto! - a Mari implicou comigo quando entreguei o Filipe, sim que depois da brincadeira o André entregou-mo
- Nem comeces! - a Mariana sorriu e sem que esperasse puxou-me pela camisola, beijando-me
- Bom jogo…
Confesso que a atitude da Mariana surpreendeu-me mas fui obrigado a esquecer por 90 minutos, afinal tinha o jogo... que correu muito bem, tanto que o ganhamos por três bolas a zero.
Do relvado fui para o balneário e do balneário para a sala das famílias, onde vi a Mariana sentada e assim que me aproximei
- O que se passa? - perguntei ao vê-la a respirar fundo
- Nada demais… estou só com um sério dilema… - olhava-a atento - não sei quem está a vibrar mais com a vitória, se o pai ou as filhas! - gargalhei para depois
- Oh amores do pai aliviem aí a mamã… - já falava para a barriga da Mari enquanto a acariciava, desviei o olhar para o meu amor e vi o seu sorriso - o pai sabe que isto de ganharmos aos lagartos é assim algo brutal, estupendo e maravilhoso mas minhas meninas tenham lá um pouco de contenção nos festejos que não queremos a vossa mamã mal humorada, né? - conforme falei a Mari bateu-me no braço e tentou… sim tentou fazer cara de má mas acabou a gargalhar junto comigo - oh filhas pelo menos podiam fingir que ouvem o vosso pai, né! - reclamei o que fez a Mari rir ainda mais - Ri… ri… quando nascerem e vierem com o teu feitiozinho depois choras! - atirei - Sim que já deu para perceber que só fazem aquilo que querem… tão mas tão Mariana Mendes!
- A isso chama-se “ter personalidade”!
- Só espero que as nossas piolhas venham só com um terço dessa tal de “personalidade”, sim que já tive a minha dose de “Mari louca”...
- Tás… tás aqui tás ali! - gargalhei - Auuu…
- Vês… vês… isso são as nossas filhas a defenderem o pai delas!!!
- Não encorajes as miúdas! - sorrimos para depois ouvi-la a queixar-se novamente
- Mas está assim tão mau?
- Mais ou menos… passei o dia indisposta mas isso já não é novidade...
- E o que te fez mudar de ideias? - olhou-me - mor saí de casa contigo ainda aborrecida e agora parece que nada se passou... 
- Apesar de tudo sei que amas o Filipe tanto quanto o amo... tiveste uma saída infeliz mas hoje em conversa com a tua irmã percebi que saídas infelizes já ambos tivemos e muitas... mas conseguimos contorná-las sempre... esta é mais uma...
- Tiveste à conversa com a Cátia? Como é que está?
- Sinceramente? Acho que se passa alguma coisa... até porque a desculpa das saudades não me convenceu, ainda assim não perguntei... amanhã vê se almoças com ela que algo me diz que está a precisar do colinho do mano!
- Mas...
- Sim... a Cátia apareceu lá em casa... e quando lhe perguntei o motivo disse que estava com saudades mas fiquei com a impressão que algo mais se passa...
A conversa terminou assim que chegamos a casa, o meu amor foi-se deitar, enquanto fui dar de comer ao Filipe.

Maria
O facto de o João ter jogo hoje fez com que a minha surpresa tenha de ser adiada para amanhã, mesmo assim deixei tudo pronto e só depois voltei a casa.
- Mas já estás nisso?
- Oh… hoje tenho tempo…
- Como é que estás?
- Bem…
- E as coisas com o Rui?
- Na mesma… uma discussão pegada…
- Mas porquê?
- Agora porque eu hoje não vou ao jogo… eu disse-lhe que nos encontramos aqui ou em casa dele ou em qualquer lado no final, mas ele resolveu amuar…
- É normal… não deixa de ser um jogo mais emotivo para ele… afinal é o Sporting onde jogou muitos anos, onde cresceu…
- É… não tinha pensado nisso… e tu toda animada para o jogo… é tudo sportinguismo ou será mesmo o estar com o papá dos meninos?
- Sabes perfeitamente que adoro futebol e que sou do Sporting por isso não estou a ver onde está a duvida?
- Maria… a sério que vocês não pensam em atinar? Andam tão próximos… pensei que…
- Antes de tudo o mais somos AMIGOS e temos dois filhos em comum que nos irão forçar a conviver o resto da vida, podíamos ser um casal divorciado que não se fala? Podíamos, mas acho que é melhor para todos que mantenhamos uma relação de amizade que crie um bom ambiente...
A conversa continuou, embora tenha conseguido fugir ao assunto, perto da hora do jogo
- Maria?
- Diz?
- A que horas vamos?
- Vamos?
- Ao jogo… não precisas que te ajude com os meninos - gargalhei - onde está a piada??
- Oh pá ajudar-me com os meninos foi a melhor desculpa que arranjaste para ir ver o Rui?
- Oh… não faltava mais nada a não ser dizer-lhe que dei o braço a torcer… - gargalhei
- Vamos lá então…  oh meninos vamos!!!
Saímos de casa e quando chegamos ao estádio lá tive de ir até ao balneário para entregar os meninos ao pai, que já nos esperava
- Não podias ter demorado mais?
- Mau… - revirei os olhos assim que o ouvi
- Papá!!!! - o Guigas saltou-lhe para o colo
- Muitos carros a mamã não conseguia chegar… nem estacionar… - o Gustavo explicou o nosso “atraso”
- Satisfeito?! 
- Vais ficar chateada comigo? - perguntou enquanto tentava dar-me um beijo
- Se tencionas fazer um bom jogo, sim vou… e agora afasta-te…
- Nem unzinho?? - falava fazendo careta de quem pede um beijo
- Não te estiques… não estamos sozinhos… vê mas é se o jogo acaba
- João!! - ouvimos o Rui Costa chamar e olhamos - Ah olá Maria tudo bem?
- Respondo-te no final do jogo pode ser?
- Eish que a lagarta vem afinadinha!! Mas tu não resolves isto?
- Sr director eu não tenho nada com isso
- Isso sou eu?? 
- Ei ei… pronto… João leva lá os miudos que já só faltas tu! - o João antes de se afastar deu-me um beijo na bochecha
- Boa sorte! - desejei como a ele desejo sempre
- Ah afinal vocês rosnam um com o outro mas não mordem… - o Rui riu-se e afastou-se também
O momento da subida ao relvado foi engraçado, o Guilherme foi o tempo todo agarrado ao pescoço do pai com a sua cabeça em modo radar a olhar para todos os lados e a tentar absorver tudo o que se passava enquanto o Gustavo seguia de mão dada com o João com um ar muito sério e sem grandes demonstrações de animação já o Filipe acabou por preferir o André ao pai o que me fez ir ao delírio
- Ah ganda puto!! Assim mesmo é que é!
- Maria tu cala-te!
- O que é que eu fiz?
- Oh Maria fora de brincadeiras! Isto hoje não está facil que aqui as pestinhas estão a fazer uma rave e aquele ainda me vai trocar o pai… deve ser bonita a azia! - acabei por gargalhar ao ouvir a Mariana
- Pronto eu não lhe digo nada… agora… porque depois do jogo não prometo! - nesse instante as crias são nos devolvidas e finalmente podemos ir para o camarote que nos estava destinado
- Boa noite! - assim que entrei ouvi enquanto me raptavam os minimeus e só podia ser uma pessoa, o avô paterno que fugiu logo com eles
- Boa noite! - a Teresa acabou por sorrir - Vieste mesmo…
- Oh Teresa eu disse que vinha
- Pois disseste… mas eu conheço muito bem a minha norinha… - fiz cara de má - cara feia para mim é fome! Mas sim temi que fosse desculpa para eu não os ir buscar e eles não virem…
- Oh Teresa eu nunca faria isso…
- Eu sei… eu sei… e foi tão lindo ver os nossos 3 homens…
- Nossos e 3? Há qualquer coisa ai que não bate certo, meus são só 2!!!
- Oh vais-me dizer que…
- Amigos Teresa! Pelo bem dos meninos, amigos… 
- Oh… - a Teresa mostrou algum desanimo enquanto se afastou para junto do marido e dos netos
- Não tens vergonha? - ouvi a minha prima
- De?
- Mentires assim descaradamente… tu viste como a Teresa ficou triste?
- Tu não me lixes! Foste a primeira a dar-me apoio e agora vens fazer-me sentir pior?! Tu deves saber bem o que custa, afinal já o fizeste!
- Mas tá a correr bem não está? - sorriu
- Sim… - devo ter feito uma cara de tal forma que
- Se não queres ser apanhada tira essa cara de estupida apaixonada que está a ver o amor a jogar…
- Tipo essa que tens é?
- Basicamente…
- Posso saber o que as minha sobrinhas tanto cochicham uma com a outra? - assim que o ouvimos saltamos as duas
- Ai tio que me mata de coração!
- Maria a dramática!
- Fora de brincadeiras assustei-me
- Acredito! Afinal o jogo já começou e ainda mal olhaste para o campo, nem parece teu… - concordei e foquei-me no jogo
O jogo foi calmo, apesar de o Sporting estar a perder, mas já perto do fim depois de uma bola dividida e sem que nada o fizesse prever o João ficou caído no relvado
- Que fiteiro! - disse assim que percebi que não se levantava
- Mamã!!! - ouvi o Guilherme que até agora estava ao colo do avô
- Diz bebé? - o menino já choramingava
- Papá dódói!!! Guigas não papá dódói… Mamã éva Guigas papá… Guigas jinhos papá dódói nã!!!
- Oh Guilherme então… o papá caiu mas fez só um arranhão como o Guigas fez nas escolinha lembras-te? - o menino fez que sim mas continuou
- Mas Guigas levanta… Guga ajuda Guigas levanta… papá chão! Padinho ajuda papá levanta não… - nesse momento voltei a olhar para o relvado e realmente o Ruben mantinha-se perto do João, mas também já chegava a maca para o retirar de campo, confesso que ai sim me assutei - Guigas papá!!! 
- Guilherme pára!!!- acabei por falar mais alto e todos me olharam a Teresa pegou no Guilherme e tentou ela explicar-lhe novamente que não seria nada
- Prima respira… - olhei para a Mari - a sério Maria nunca te tinha visto perder a calma só porque o João caiu… aliás assim que viste chamaste-o fiteiro…
- E não era fita..
- Eish deixa lá os remorsos… respira… sim o teu homem pode estar incapacitado, mas tanto quanto sei hoje é dia do pai… quanto muito iam passar a noite a 4… não me parece que te faça diferença!
- Mariana vai-te lixar com F grande! 
- Fala!
- Assustei-me… não estou habituada a vê-lo assim… e o Guilherme… o miudo está em panico! - ouvi o apito do arbitro
- Já acabou vamos já para baixo para sabermos de alguma coisa
Descemos para a zona das garagens e pouco tempo depois, felizmente, o João aproximou-se a coxear ligeiramente
- Papá!!!! - o Guilherme correu para o seu colo e o Gustavo acompanhou-o e foi mesmo o nosso piolho mais velho que explicou ao pai todo o medo do irmão. O João deu-lhe alguns mimos, acalmou-o e finalmente se aproximou de mim
- Isso tudo é azia por teres levado 3 secas? - só o olhei - Brincadeira! O que tens?
- Isto de vir ver jogos teus ainda mais com os miudos foi uma experiencia unica!
- Foi assim tão divertido?
- Divertido?! Tu não tinhas mais jogo nenhum para fazeres fita? O Guilherme passou-se!
- Ei ei! Parou! - passou o Guilherme para o colo da mãe e pegou-me pelo braço - O que é que se passa?
- Passei-me ok?! - falei antes de me encontrar numa parede e tapar as mãos com a cara, senti-o aproximar-se e sabia que se não evitasse bye-bye segredo - Afasta-te - respirei fundo - pensei que estivesse a queimar tempo, não liguei nenhuma quando te vi no chão e depois o Guilherme começou a chorar foquei nele e quando voltei a olhar para o campo estavas a sair de maca, não consegui perceber o que se passava, assustei-me e tinha o Guilherme a chorar…
- Pronto… já passou… 
- Passou nada! Vinhas a coxear que eu vi! E tás com cara de dor!!
- Maria pára fofa! Não foi a primeira vez que cai num jogo, aliás só ás custas das tuas entradas já me estatelei muitas vezes e o campo da escola era pelado - rimos os dois com a recordação - também não foi a primeira vez que me lesionei, mas não é nada grave… um estiramento … duas semanas e estou como novo… vá tira lá essa cara e vamos jantar…
- Não me apetece… quero sossego…
- Então e há sitio mais sossegado que a nossa casa? Anda lá vamos lá para casa jantamos os quatro…
- Podemos ser seis?
- Seis?
- Aqueles dois… - apontei para a Micas e para o Rui - Aquilo não está famoso e queria ver até que ponto chega o buraco…
- Mas somos pais deles?
- Não, mas a Micas é a minha menina…
- Quem te ouve parece que a viste nascer…
- Não mas trouxe-a para cá… tirei-a do mundo dela…
- Vá anda lá chama-los… mas não tenho comida para esta gente toda… - gargalhei
- Anda anda compramos pelo caminho
Convidamos os pombinhos, mas parece que a noite deles iria ser realmente em clima in love e por isso seguimos destinos diferentes.
Acabamos por não comprar nada para o jantar já que em vez de irmos para casa do João seguimos para a minha.

O jantar foi animado com pai e filhos em troca constante de mimos, que continuou até a hora das pestinhas irem dormir, algo que o João assumiu como responsabilidade propria. Aproveitei para tomar um duche e vestir o pijama
- Então?! - olhei para a porta do quarto e estava ele parado a olhar - agora deixas a visitas sozinhas e vens vestir… - aproximou-se e meteu as mãos rapidamente na bainha da camisola que tinha vestida - sabes perfeitamente que aqui para a visita isso só atrapalha… - deu-me um beijo no pescoço que me arrepiou e que o levou a gargalhar - andas mesmo a subir paredes não andas?
- Não me lixes!
- Eish mau humor!
- Não tás lesionado?!
- Tou… mas o musculo é outro… 
- Mas o descanso é para todos!
- Só me canso se tu fores mazinha!!!
- Desculpa??
- Então podias ser uma fofinha… e teres tu o trabalhinho todo…
- E porque o faria?
- Porque… eu tou a pedir… tu estás mortinha por fazê-lo e… e pronto quer dizer eu e tu tu e eu… a coisa corre sempre muitooo bem!
Acabou de falar e deitou-se na cama arrastando-me com ele, claro está que palavras trocadas já não houve o clima já estava mesmo muito quente quando o meu telemóvel tocou ignorei a 1º, a 2º e a 3ª chamada mas na quarta vez tive mesmo de ver quem era já que estava a dar-me cabo da concentração ainda para mais hoje que o trabalho era todo meu e eu queria que fosse inesquecível. Quando olhei para o visor vi “Ruben”
- Filho da mãe…
- Quem é?
- O Ruben!
- Deixa-o… 
Segui como era obvio a sugestão e ignorei mais esta chamada até que o telemovel volta a dar sinal desta vez a minha prima, sabia-o só pelo toque
- Tenho mesmo de atender… é a Mari
- RÁPIDO! - gargalhei com o desespero dele e atendi pronta a despachar a Mariana algo que foi de todo impossível
Porque estarão Ruben e Mariana a ligar com tanta insistência??
Como acabará a noite dos três casais?

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

180 - "João tira-o daqui!!!"

Micas 

- Explica-me lá o que viemos cá fazer mesmo?
- Os meninos vieram ver o treino do pai deles…
- Os miudos? Sei Maria… sei…
- Olha o Rui! Tá ali!
- Bom pra ele… 
- Não queres ir lá?
- Ai oh Maria… não me quero chatear
- Perdi alguma coisa?? - a Maria perguntou enquanto nos sentávamos na bancada para assistir ao treino
- Nada… não perdeste nada…
- Então o que se passa não estou a perceber?
- Não se passa nada Maria o problema é esse!
- Explica-te melhor… vá deita cá pra fora!
- Oh… - encolhi os ombros e acabei por abrir mesmo tudo o que tinha preso - As coisas com o Rui entraram em velocidade cruzeiro e acabamos mesmo por cair na rotina, continuo a adorá-lo, continuo a sentir borboletas no estômago, mas toda a agitação na vida nas vossas vidas e o final do semestre para mim só ajudaram a afastarmos-nos, não estou a falar que vocês nos atrapalharam o que estou a dizer é que tivemos de olhar mais além do que o nosso umbigo… e estarmos juntos já não passa mais do que um habito, às vezes parece mesmo obrigação…
- Oh Micas… sabes que todas as relações passam por periodos assim… tu mesmo disseste as razões para tal acontecer… em vez de fugires como fizeste agora fala com ele!
- Eu sei que devia fazê-lo, mas…
- Micas!!! - olhei quando ouvi chamarem-me
- Tu aqui? A sério?
- Isso pergunto eu! - gargalhou - Eu jogo cá!
- E eu vim a trabalho - a Maria franziu a cara - Tás a ver as pestinhas? Sou babá!
- A sério? Estás então a viver em Lisboa?
- Sim há uns meses…
- Vou ter que ir treinar, mas o que dizes de um jantarzinho para meter a conversa em dia?
- Parece-me bem!
Acabamos por trocar os nossos números e vi-os afastar-se
- Quem é aquele?
- É o João, um amigo…
- Amigo?
- Sim… ou melhor ex-namorado de uma amiga minha a Maggy
- Hum…
- Sim?
- Vais jantar com eles onde?
- Eles?
- Este teu amigo e o Rui…
- Achas mesmo que o Rui vai? Só se for para ficar amuado o tempo todo que é o que faz sempre que estamos com os meus amigos...
- Tu é que sabes… qualquer coisa…
- Maria eu queria falar contigo sobre outra coisa…
- Diz?
- Os meninos passam a maior parte do tempo deles na escola e quando saem ficam contigo ou com o João ou com os dois… já não faz muito sentido que continue a ser tua babá…
- Arranjaste outro emprego? Consegues manter as aulas?
- Não, não arranjei, mas sinto-me mais a tua filha mais velha… que ainda por cima recebe uma mesada altíssima
- Parva!
- A sério Maria… vivo em tua casa, como em tua casa e ainda me pagas…
- O que é que estás a pensar fazer?
- Arranjar um emprego e…
- E?
-  Ir viver com duas colegas minhas… elas têm um quarto livre em casa delas… mas sempre que precisares fico com os meninos… adoro-os
- Sentes-te mesmo mal né?
- Sim…
- Tenho uma solução… - tentei falar - ouve! A Patrícia vai para o estrangeiro, arranjou algo na area dela, preciso de alguém na loja… o que dizes? 
- A sério?
- Sim!
- Aceito! Vou ligar-lhes a contar - assim que me levantei bati em alguém - O que fazes aqui?
- Ola! Bom dia para ti também!
- Olá! Estava distraída… nem percebi que tinha acabado o treino, desculpa! - em bicos de pés dei-lhe um beijo - vou só ligar a elas já falamos
Liguei para a Cristina e contei-lhe que iria mudar-me para casa delas, algo que já tinhamos pré-combinado, voltei para onde antes estava a Maria com os meninos e já só encontrei o Rui
- A Maria?
- Foram andando com o João…
- Ah… dás-me boleia?
- Nem precisavas perguntar…
- Oh…
- O que se passa de tão importante que tinhas que ligar e não podia esperar?
- Podemos almoçar?
- Não podemos, vamos mesmo… - enquanto falávamos aproximamos-nos do carro dele

***

- Não vais dizer o que se passa? Já vamos na sobremesa e nem sobre o tempo falaste
- Vou viver com a Cristina e a Teresa
- Vais o quê?
- Viver com elas… não faz sentido continuar em casa da Maria… ela não precisa de nenhuma ama e é desconfortável para mim manter-me lá a comer e viver às contas dela
- E vais para casa da Cristina e da Teresa? 
- Sim, expliquei-me a Maria ela convidou-me para trabalhar na loja e assim posso pagar as minhas contas com o dinheiro do meu trabalho e não com a mesada da Maria, sim que agora era só uma mesada mesmo afinal não fazia nada…
- E vais para casa da Cristina e da Teresa?
- Sim… - repeti enquanto ele me olhava de cara fechada
- A serio?
- Sim! 
- Quer dizer eu peço-te que venhas morar comigo, e nem era para dividir as despesas, no dia dos namorados depois de ter passado não sei quanto tempo a preparar o jantar e tu… tu recusas porque não vais deixar a Maria e os meninos e mais não sei o quê… e depois vais viver com as tuas amiguinhas?
- Podes falar normalmente?
- Eu estou a falar normalmente só gostava de perceber…
- Queres uma mulher a dias contrata! Não me olhes assim! Passo noites em tua casa para quê? Para lavar roupa, limpar cozinhar… e tu? Ah já sei! Estás a jogar ou a ver tv… e quando finalmente acaba… estas a dormir…
- Ou estás tu?
- O que queres? Tenho as aulas, os trabalhos e ainda te trato da casa… desculpa não sou a super mulher!
- Desculpa… já te disse várias vezes para deixares tudo que eu trato, mas não me ouves…
- Ai… podemos não discutir por isto? Eu sei que querias que fosse viver contigo, mas eu acho que é dar um passo maior que a perna…- ele tentou falar - eu preciso mesmo amor! Ouve-me… eu sai de casa dos meus pais para casa onde trabalhei e depois vim com a Maria… eu preciso mesmo de viver uns dias por mim… sem ninguém a “proteger-me” preciso de viver um bocado sozinha… acho que se saísse de casa da Maria para a tua as coisas iam correr muito mal, principalmente agora…
- O que tem agora?
- Oh Rui tu já viste que discutimos até por causa do tempo? Não mudou nada do que sinto, mas acho que isto está…
- Já percebi… se achas que é o melhor para ti tudo bem… mas eu preferia que…
Ele não acabou de falar porque o meu telemóvel tocou, era o João, atendi e combinamos de nos encontrar perto da hora do jantar. Assim que desliguei a conversa com o Rui ganhou outro rumo e acabamos mesmo por ir dar uma volta para passar o tempo até perto da hora da hora do jantar
- Deixas-me em casa?
- Já? Tinha pensado que jantávamos e passávamos a noite juntos…
- Hoje não vai dar… já combinei com o João…
- Com o João?!
- Não é esse João é um amigo meu do Porto que também está cá em Lisboa… marcamos jantar hoje para meter a conversa em dia…
- E não te tinhas lembrado de me dizer?
- Ai oh Rui!
- Oh Rui?! Oh Rui Micaela?
- Pronto ok… esqueci-me de dizer mas também não morre ninguém! Fazemos assim vou jantar e depois vou ter lá a casa pode ser?
- Como quiseres…
Deixou-me em casa onde tomei um duche e me despachei para passado pouco tempo ir até ao restaurante onde combinei com o João o jantar foi agradável e serviu para colocar a conversa em dia. Contou-me que se tinha mudado para Lisboa e que entretanto tinha terminado de vez com a Meggy, sim de vez já que até onde sabia apesar de terem terminado ainda se encontravam de quando em vez. Contei-lhe no geral como tinha vindo parar a Lisboa mas omiti certos detalhes, como as identidades das pessoas envolvidas e ainda a do meu namorado. Não sei porque o fiz, mas fi-lo.
O jantar terminou e o Joca, como o tratamos, fez questão de me levar a casa.
Assim que abri a porta ouvi gargalhadas vindas da sala, sem duvida eram os meninos e a Maria, mas havia mais fui directa para lá e quando me aproximei pude ver a Maria estatelada no chão com os meninos e o João a enchê-la  de cocegas enquanto ela já chorava de tanto rir, foi impossivel não sorrir
- Boa noite! - os adultos olharam-me assustados
- O que fazes aqui?
- Desculpa Maria… pensava que podia ficar até ao fim do mês para fazer a mudança…
- E podes… mas como tinhas dito que ias ter com o Rui… está tudo bem?
- Ah… sim…- tinha-me esquecido de ir ter com ele - mas jantamos aqui perto e amanhã entro cedo… bem vou deitar-me e não vos atrapalho mais…

Mariana
Depois do Ruben sair voltei para a cama, hoje estou particularmente cansada e enfadada, mas não fiquei deitada muito tempo, afinal o Filipe acordou e resmungou por atenção…
Estava a dar-lhe a papa quando senti uma pontada na barriga, nada que me tenha preocupado muito, afinal nestes últimos dias é algo que sinto com alguma frequência, as meninas não estão propriamente a ser uns amores de bebés e têm feito a mãe delas sofrerem…
Já estava na sala com o meu amor e a vê-lo brincar quando ouvi a campainha, fui abrir e 
- Olá cunhada!!!
- Oi… mas o que fazes aqui? Não era suposto estares em Nova Iorque?
- Sim mas as saudades apertaram e resolvi visitar a família - sorriu - bem estás linda, assim barriguda!!
- Deixa de exagerar e entra que o Filipe está sozinho na sala!
A Cátia entrou e quando chegamos à sala foi direita ao sobrinho, enchendo-o de beijinhos, algo que o menino resmungou, pois queria brincar e a tia agarrou nele
- Este não sai nada ao pai dele! - olhei-a - sim que o Ruben adora um bom miminho… - sentou-se do meu lado - e por falar no meu irmão, onde é que está?
- No Seixal… têm jogo…
A Cátia sorriu mas não respondeu, aliás juntou-se ao Filipe que brincava no chão… foi enquanto os observava que dei comigo a recordar o passado

*** Recordação ***
- Mãezinha do meu coração!!!! - entrei na cozinha onde estava a minha cota a preparar o meu lanche
- O que é que fizeste, agora? - gargalhei e dei-lhe um beijinho repenicado no seu rosto, acompanhado por um forte abraço
- Nada… mãe… nada… - sorriu - mas posso vir a fazer se deixares!!!
- Mau…
- Não é nada de grave… prometo!!!
- Diz lá!
- Oh… hoje é dia do pai - olhou-me - e como o meu não está cá, pensei que podia deixar-me fazer a boa acção do dia!!!
- Onde queres chegar?
- Oh mãe… é o Ruben… - parou de fazer o sumo e olhou-me muito atenta -  desde que o seu pai se separou da mãe da Cátia que a relação deles nunca mais foi a mesma e que só continua a falar com ele por causa da irmã… - encolhi os ombros - é demasiado bom coração para deixar a miúda passar por isto tudo sozinha - suspirei - e hoje sei que vão jantar com o Virgílio e isto está a dar conta do juízo do meu amigo… e pronto pensei que a mãe podia deixar-me ir jantar com eles!!!!
- Mariana! Filha… - não a deixei continuar
- Oh mãezinha… vá lá… o papá nem cá está… só regressa na próxima semana!!! E o Ruben vai precisar de mim… eu sei que vai… e vocês sempre ensinaram que devemos ajudar a família e amigos…
- Gostas mesmo dele… - sorriu
- É o meu melhor amigo depois da Maria!!!
- Amigo? - olhei-a intrigada - Só amigo?
- Sim… ai credo mãe! Eu e o Ruben???? Nem pensar! Para mim é como um mano que a mãe e o pai nunca me deram! E é por isso que a mãe vai deixar-me ir jantar com ele, né????
- Jantar com ele? - olhei-a com aquele olhar de cadelinha abandonada -  Não será antes jantar com o Virgílio, a Cátia e o Ruben?
- Sim… mas foi isso que falei!
- Então não há problema em ligar para o pai dele para garantir que não atrapalhas?
- Tome… - dei-lhe o meu telemóvel - é só carregar no verde!!!! - a minha mãe olhou-me surpreendida - Que foi? Já sabia que ia querer falar com ele… afinal não confia na sua filha… - suspirou
- Vai lá… mas juízo e quero-te em casa no máximo à meia-noite! Ah e o teu pai que não descubra esta tua boa acção… - sorri vitoriosa
- Obrigada mamã!!!! Prometo que às onze estou de regresso e deitada na cama!!!!

***

- Tu??? - sorri quando o Ruben abriu a porta só de calças de ganga…
- Oi!!! - dei-lhe um beijinho
- Entra… - sorriu - e se quiseres vir até ao meu quarto, vem… é que tenho que me despachar para ir buscar a Cátia - encolheu os ombros - a pequenina teimou que só janta com o pai se for eu a ir buscá-la…
- E o Mauro? - olhou-me - Não vai mesmo ao jantar?
- Não… às vezes gostava de ser como ele e…
- És demasiado bom coração… - levantei-me da cama e aproximei-me dele que continuava só em calças - e agora chega pra lá - dei-lhe um encontrão - hum… veste esta que a Cátia adora esta tua t-shirt! - mandei-lhe a t-shirt para a cara
- Como sabes? - gargalhei
- Coisas de cunhadas!!! - atirei e surpreendentemente o Ruben agarrou-me pela cintura quando já me afastava
- Coisas de cunhadas???? - gargalhou também - Mas agora andas com o meu irmão, é???
- Aiiii - levei a mão à cabeça - falha a minha… esqueci o a fingir… sim… Cunhadas a fingir… - voltei a rir - opa a tua irmã não existe e a última vez que teve connosco, quando foste à casa de banho, não desistiu até que prometesse que serei sempre a sua cunhada a fingir… - voltei a rir ao recordar-me da conversa
- A miúda senão existisse tinha que ser inventada… - sorriu
- Pois… mas agora larga lá as minhas curvas e veste a t-shirt preferida da tua irmã para a irmos buscar!
- Irmos? - perguntou surpreendido
- Sim… vais levar comigo o resto da tarde e noite!
- Ãh??
- Achas mesmo que te ia deixar sozinho???? Amigo sei bem o que te custa… além disso o meu pai ausentou-se em trabalho, como tal dei a volta à minha mãe e concordou em que viesse jantar convosco… isto se quiseres claro!
- Isso nem se pergunta!!!! - falou com um enorme sorriso
- Só por esse sorriso já vale a pena olhar para as trombas do teu pai…

***

Chegamos a casa da mãe da Cátia e assim que a Rute nos abriu a porta sorriu, cumprimentamo-la e quando entramos na sala
- Mano trouxeste a Mari!!!! - falou animada e se duvidas houvessem do quanto a miúda gostou de me ver, teriam sido dissipadas quando em vez de abraçar o irmão em primeiro lugar, abraçou-me a mim - Também vens jantar com a gente!!! Vem lá por favor, vens!!!!!
- Filha… - ouvimos a Rute - hoje vais jantar só com o teu papá e com o mano Ruben… - interrompeu a mãe
- Se o mano Mauro não vai porque não quer eu também posso não ir! - bateu o pé de forma vincada, o que me fez sorrir ainda que disfarçadamente… aquela determinação conheço bem… e talvez por isso meti-me num assunto e conversa que não são meus
- Oh piolha - olhou-me - o mano Mauro é assim um bocadinho maniento… tem mania que é rebelde - desviei por segundos o olhar para o Ruben que sorriu - vê lá tu… mas sabes que lá bem no fundo… bem mas mesmo bem no fundinho ele é só um menino assustado com tudo o que se está a passar por isso é que tens de ser muito forte e tal como o mano Ruben mostrares ao mano Mauro que ele é que tá errado…
- Tás a dizer que o meu papa fez é certo? - perguntou confusa
- Não… Cátia não podemos julgar o teu papá… ele fez o que o seu coração mandou… bem ou mal… só ele é que te pode responder mas independentemente dele já não gostar da tua mamã como gostou um dia… continua a gostar de ti e dos teus manos da mesma forma, por isso é que hoje quer jantar convosco…
- Mas ele foi mau para a minha mamã!! - tal afirmação fez com que olhasse em volta e encontrei o Ruben abraçado à Rute… aquilo fez-me sentir pequenina… mais uma vez demonstrava o excelente coração que tem, afinal não deixa de estar a apoiar a mulher que no passado também roubou o seu pai à sua mãe…
- Sabes… sou mais crescida e também não percebo… acho que não é mesmo para perceber mas para aceitar… às vezes fazemos coisas que magoa pessoas muito importantes para nós e muitas vezes sem sabermos o porquê… talvez tenha sido isso que aconteceu com o teu papá… 
- Também já magoaste o meu mano Ruben?
- Oh piolha e irmos andando? - o Ruben interveio - Que dizes de um gelado? - piscou-lhe o olho - Daqueles da gelataria junto da praia???
- Fixe mano!!!! - olhou-me - Mas só se a Mari vier!!!
- Ui… piolha não te preocupes que vais apanhar um enjoo de mim - olhou-me confusa - também vou jantar convosco…
- Sério???? Bué fixe!!! Vou buscar a minha mala e casaco!!!
- Não fique assim… - falei para a Rute - tudo se há-de compor… 
- Obrigada aos dois… - agradeceu emocionada
- Não tem nada de agradecer… se o Ruben é irmão e o faz acima de tudo pelos laços familiares, eu faço-o porque adoro a Cátia, é uma menina cheia de alegria e vivacidade, que está a passar por uma fase em que precisa de atenção e de muito mimo!
A miúda regressou, alegre e bem disposta, agarrou-me na mão e depois de dar um beijinho à mãe puxou-me…
- Mano tás de carro!!!!
- É piolha… vê lá tu que a tia Anabela deixou aqui o Rubinho trazer o carro…
- Não sei se é boa ideia… - olhamo-la - oh Mari é seguro andar com o mano de carro?
Gargalhei forte e feio, ao ponto das lágrimas aparecerem de tanto rir, a saída expontanea da miúda só por si já tinha sido top mas a cara do Ruben ao ouvir a irmã foi o explendor… 

***

A tarde foi animada… com a miúda volta e meia a chatear o irmão com a história de sermos namorados, o que acaba sempre connosco a rirmos perante o desagrado e ao mesmo tempo tentativas dela para que assumíssemos uma coisa que só se passava na sua cabeça…
Já o momento do jantar foi tenso… o Ruben estava contrariado, a miúda acima de tudo magoada com tudo o que se passa, que apesar de criança percebe que a atitude do pai magoou muito a sua mãe, o Virgílio estava nitidamente desconfortável perante a minha presença mas com isso posso bem e nem mesmo quando o Ruben se afastou para atender o telemóvel e a Cátia avisou que ia à casa de banho me incomodou
- Porquê que vieste? - olhei-o
- Porque gosto demasiado dos seus filhos! - atirei e sem perder tempo continuei -  E não… isto não significa que mudei de opinião a respeito do que lhe disse quando teve o displante de procurar-me para convencer o Ruben a perdoá-lo, mantenho a minha opinião a seu respeito, você é asqueroso e não merece os filhos que têm e menos ainda a Anabela e a Rute… é mesmo canalha! Sim porque só um canalha é que tem a lata de trair a Anabela com a Rute para mais tarde trair a Rute com outra qualquer sem pensar nos três filhos que tem… esqueça nem aqui nem no raio que o parta vou mexer um dedo que seja para convencer o Ruben a aceitar o que fez… se o seu filho está aqui hoje, é por amor à Cátia e nunca a si!
Felizmente a menina regressou à mesa e pouco depois o Ruben também apareceu, terminamos a sobremesa e depois do Ruben pagar a minha parte ao pai, uma vez que fez questão de não ficar a dever favores ao pai saímos finalmente do restaurante
- Então adeus - a Cátia que vinha de mão dada ao Ruben e outra a mim falou - pai… - olhamo-la e antes do Ruben ter tempo para a repreender - Mano tou cansada… e tenho sono levas-me para casa!
O meu amigo olhou-me e incentivei-o com o olhar para que cedesse ao pedido da irmã, afinal já tinham feito o seu papel de filhos e se estava mesmo a ser um frete para os dois, não havia razões para o prolongar… o pai deles não gostou mas aceitou…
- Mari - olhei para trás - sobes? - perguntou quando o Ruben estacionou o carro em frente à porta do seu prédio
- Subo… - olhei para o Ruben que sorriu - mas dou-te um beijinho e desço logo que tenho de apanhar o autocarro que prometi à minha mãe chegar cedo!!
- Ohhh…
Saímos do carro e quando já estávamos no elevador, senti a mão do Ruben na minha cintura e as minhas costas a embaterem no seu peito, ele tinha reduzido por completo a distancia que nos separava
- Obrigado… - sussurrou-me, desviei ligeiramente o rosto e as nossas bocas ficaram perigosamente perto, estávamos a olhar-nos, olhos nos olhos quando
- Beijo… beijo…. - acordamos para a realidade ao ouvi-la, o Ruben afastou-se de imediato e - Ohhh eu quero ver um beijo!!! - resmungou
- Queres… queres… ir para a caminha que o teu mal é sono! - o irmão falou e depois saímos do elevador, à nossa espera estava a Rute
- Mas eu quero!!! - voltou a insistir
- Queres o quê filha? - a menina sorriu para a mãe
- Nada mãe… - encolheu os ombros - é uma coisa nossa né mano e Mari?
- É… e agora xixi cama! - falei
- Vens comigo? - achei estranho o pedido mas segui-a - Porquê que não namoras com o meu mano?
- Desculpa?
- Oh… ele gosta de ti… eu sei… és a única menina que o deixa assim… assim estranho - sorri ao ouvir a pequena
- Cátia, nós somos só amigos, os melhores amigos, é só isso! E o que viste no elevador não foi nada de especial - olhou-me confusa - sei que pensaste que o Ruben ia dar-me um beijinho mas o teu irmão estava só a agradecer-me tudo o que fiz por ti e por ele hoje, nós somos assim…
- Vocês são estranhos!!! - gargalhei e depois de vestir o pijama dei-lhe um beijinho e deixei-a na cama

***

- A minha irmã disse alguma coisa? - perguntou assim que entramos no elevador, agora sozinhos
- Nada de especial… expliquei que somos só amigos e depois dei-lhe um beijinho de boa noite
- Então e queres ir beber um copo? - senti a sua mão no fundo das minhas costas depois da porta do elevador abrir no rés-do-chão
- Não posso… - olhou-me - prometi à minha mãe que chegava antes das 23h!
- E desde quando é que cumpres com essas promessas?
- Desde que preciso que confie em mim… - olhou-me surpreendido - a menos que para a próxima queiras jantar sozinho com o teu pai e irmã… 
- Mas ainda tens tempo… são agora 22horas… 
- Estás a esquecer-te que tenho o autocarro para… - calei-me porque senti os seus dedos nos meus lábios e a olhar-me nos olhos
- Estou de carro… - abriu-me a porta - levo-te a casa e assim ganhamos uns minutos…
Entrei no carro e quando já tinha o cinto posto e o Ruben sentado ao meu lado
- O que é que se passa contigo? A tua água tinha alguma coisa… só pode!
O Ruben sorriu mas não respondeu, iniciou a condução que nos levou até à minha margem, mas em vez de ir direto ao apartamento dos meus pais, desviou caminho… não disse nada… estava curiosa para saber o que lhe ia no pensamento e quando percebi
- Belém??? Numa sexta-feira??? - sorriu
- Anda!! Vamos dar uma volta a pé que estou a precisar de arejar a cabeça… 
Saiu do carro e deu a volta, abriu-me a porta e iniciamos uma caminhada, lado a lado mas remetidos ao silêncio… um silêncio estranhamente bom… estava perdida em pensamentos… as palavras da miúda eram como pregos a espetarem-me o cérebro… estava tão absorvida pelos meus próprios pensamentos quando senti a mão do Ruben na minha… e a reação foi a de entrelaçar os meus dedos nos dele… sem uma única palavra trocada fomos e regressamos ao carro…
- O que é que estás a fazer? - perguntei ao vê-lo a sair do carro
- Vou subir! - falou determinado
- Porquê?
Sorriu mas não respondeu… algo que deixou-me curiosa não nego, até porque o meu amigo hoje estava muito estranho…
Entrei no apartamento e percebi que a luz da sala estava acessa, sinal que tinha a minha mãe à minha espera… suspirei e senti novamente a sua mão na minha, olhei-o e encontrei-o com um sorriso entupidamente atraente naqueles lábios… o Ruben simplesmente deu um passo em frente, puxando-me pela mão mas ao aproximar da porta da sala separou-as
- Boa noite D. Fernanda - cumprimentou-a com dois beijinhos
- Boa noite Ruben… - olhou-me e antes que tivesse tempo para repreender-me
- Desculpe só ter trazido a Mari agora, sei que já passa uma hora daquela imposta por si e duas da que a Mariana garantiu que regressava mas a culpa é minha… perdi a noção do tempo… é uma das consequências que sofro quando sou obrigado a conviver com situações que mexem demasiado comigo… mais uma vez desculpe… 
- Não faz mal… O facto de saber que a Mariana saiu de casa para ir ter contigo, já era uma certeza que não chegaria nem às 23h nem à meia-noite mas tive de impor um limite para não passar a noite toda à sua espera! E aproveito para dizer que terás todo o meu apoio para quando precisares de raptar a minha filha… se isso te faz sentir menos mal… agora vou deitar-me e Mariana isto é uma excepção mas acima de tudo uma prova de confiança que te dou, não abuses!
- O que é que ela quis dizer?
- A mãe é tua e perguntas-me a mim?
- Pois… olha queres comer ou beber alguma coisa?
- Posso invadir a cozinha da tua mãe? - olhei-o desconfiada ainda assim
- Podes…
Fiquei na sala, a seu pedido e uns minutos depois quando o voltei a ver trazia nas mãos duas canecas
- O que é isso?
- A minha especialidade… 
- Medo… - sorriu e depois entregou-me uma caneca de chocolate quente - Hummm… delicioso… - sorriu novamente - sim senhor… gostei da especialidade do menino
O Ruben passou o seu braço disponível pelas minhas costas, abraçando-me e depositou um beijo na minha testa
- Obrigado por tudo… - suspirou - pela tarde, pela paciência que tens com a minha irmã, pelo jantar a que foste mesmo sem teres obrigação, pela caminhada que te obriguei a fazer… mas acima de tudo por seres quem és e por estares sempre presente…
Não respondi, limitei-me a afastar-me dele, peguei num cobertor, reaproximei-me, dei-lhe a mão e puxei-o até à varanda, onde nos sentamos e depois de cobertos, aconcheguei-me finalmente nos seus braços…

- Bem que sorriso… - despertei com o comentário da Cátia - aposto que estavas a pensar no meu maninho… sim que essa cara de parva não engana… aliás nunca enganou… sim que a miúda era eu mas sempre disse que ainda ias ser minha cunhada!!! - gargalhei - e agora que falo nisso… opa tira-me uma dúvida - olhei-a - na altura em que os meus pais se separaram e que passei a ter mais convívio contigo, vocês já andavam enrolados?
- Continuas a mesma curiosa… raio da fedelha! - atirei com uma almofada à cara
- Ohhh diz lá! Acho que mereço saber…
- Nunca te menti… nós não namorávamos!
- Oh Mari na altura ainda conseguias dar-me a volta mas agora… vai atirar areia para os olhos de outra… sim que aqueles abraços, troca de olhares, as mãozinhas dadas por baixo da mesa ou mesmo aquelas vezes todas que entrava na sala e parecia que tinha interrompido alguma coisa…
- É complicado… nós sempre gostamos um do outro mas nunca o admitimos ao outro, apesar da troca de carinho e mimos se ter intensificado bastante, nunca falamos abertamente sobre o que sentíamos mas sim… tens razão nessa altura muita coisa se passou e acabou por ganhar uma proporção gigantesca… a verdade é que fugiu por completo ao nosso controlo e no fim não correu muito bem…
- Não correu muito bem? Oh Mari vai gozar com outra! Porra vocês amam-se da forma que se amam, tiveram anos afastados e não conseguiram esquecer o outro, lutaram contra o teu pai, venceram todos os obstáculos e hoje estão casados, mas acima de tudo felizes… se isso não é correr bem, então não sei o que seja!
Não respondi… mas fiquei a pensar no que falou, para uns minutos depois lhe pedir que ficasse com o sobrinho, afinal estava mesmo a precisar de esticar o corpo…
Fui até ao quarto e assim que fiquei sozinha… foi impossível não pensar no Ruben e no quanto injusta tenho sido, é verdade que doeu ouvir o que falou mas no fundo sei que não o disse com a intensão que atribuí… tanto que após uns minutos a ponderar acabei por…

Maria
O tempo tem passado calmamente, finalmente, a paz e tranquilidade voltaram aos meus lados.
Hoje quando cheguei ao portão do infantário dos meninos o João chegava no mesmo instante
- João!! - chamei e ele esperou por mim - Não sabia que vinhas!
- Oh… sai do treino e como tinha saudades vossas… - aproximou-se vertiginosamente de mim - o meu beijo? - ia juntar os nossos lábios quando num movimento rápido voltei a cara para que os seus labios tocassem na minha face ao invés dos meus lábio - a sério?
- Sério o quê?
- Que nem um beijinho??
- Aqui??
- Oh… tou carente… - gargalhei
- Anda vamos lá buscá-los que quanto mais depressa os apanharmos mais depressa vamos lá para casa… sim também quero o meu beijo!
Os meninos quiseram ir no carro com o João dei uma volta maior para passar numa pastelaria para animar o nosso lanche e quando cheguei a casa tinha os meus homens todos parados na porta do prédio a brincar com um gato.
- O que se passa aqui?
- Mamã Guigas tinho!!
- O quê?
- Oh mamã eu e o mano queremos ficar com um dos gatinhos! - olhei para onde ele apontava

- Não… - olharam-me e fizeram aqueles olhinhos de cão abandonado - nem pensem em olhar-me assim que já disse que não!
- Oh Maria… - o João tentou intervir
- Não!!!! JOÃO!!! Não deixes!!! - entrei em panico quando olhei para o Gustavo

- Calma Maria o menino está só a brincar com o gato!
- O Gustavo está colado a um saco de pelo e pulgas… no minimo! Vá todos para cima que vão já para o banho!
-Oh mamã!!!
-Vá os dois já!
- Eu qué tato!
Só olhei para ele e continuei. Ouvi o João a dizer ao Guilherme que depois falava comigo. Quando chegamos aproveitei que a Micas ainda lá esta para lhe pedir que desse banho imediato aos dois de preferência com álcool para desinfectar e fui tratar do lanche.
Estava a acabar de meter tudo na mesa quando senti as mãos do João nas minhas ancas.
- Tava a ver que não ganhava o meu beijo - beijou-me
- Não achas que exageraste? Os meninos queriam um animal... - olhei-o pelo canto do olho - oh Maria um gato é das coisas mais normais... e se eles te pedissem um porco...
- Não! Não tenho vida para animais! E...
- Sabes que os gatos são animais caseiros?
- Não! - gargalhou
- Mas continuas com medo?? Ainda não passou?

João
***Recordação * * *
A Mariana hoje está doente por isso passei o dia com a Maria que estava super entediada já que desde que torceu o calcanhar nem jogar pode. 
Conversamos bastante e ri-me muito a Maria com mau feitio fica sem filtro entre a cabeça e a boca e por isso sempre que a abre diz o que realmente pensa e as vezes é com cada comparação...
 Estava ela a explicar-me mais uma das suas mirabolantes teorias quando a minha mãe me liga para que passe em casa da minha avó. Desafiei a Maria a vir comigo algo que acabou por aceitar uma vez que ficava em caminho de sua casa.
Quando chegamos a casa da minha avó assim que ela nos abriu a porta o Tareco de imediato resolveu mostrar de forma bem clara que não tinha gostado da visita de estranhos. Mostrando o seu pelo eriçado e mostrando os dentes à Maria que de imediato se afastou. Quando nos sentamos esperando que a minha avo terminasse o lanche que nos ofereceu o Tareco mais habituado com a Maria resolveu pedir-lhe mimo e ai surpreendi-me ao vê-la encolher-se com a aproximação e quando o gato saltou para o seu colo 
- João tira-o daqui!!! - pediu-me a tremer e a chorar - tira!!
- Calma! - afastei o tareco - pronto... calma... oh Maria é só um gato!
- Eu acho que sou alérgica... e se não sou devia ser... eu não gosto de gatos... eu - arrepiou-se - tenho medo!
- Medo??
- Sim! Ainda para mais esse é preto!!
- Acreditas nisso?? - gargalhei
- Jo no creo en Brujas Pêro que las ai las ai!!
- Avó nos voltamos depois que a Maria tem alergia a gatos
Saímos e ela explicou-me o seu pânico perante animais, principalmente gatos

- Porque passaria??
- Porque não é muito normal!
- Tás a chamar-me anormal?? - o seu ar indignado fez-me rir
- Não… estou a constatar que esse teu medo de gatos não é algo normal…
- Se é ou não normal não interessa o que interessa é que eu já disse que não e tu não vais desautorizar-me em frente dos meninos e muito menos fazer-me mudar de ideias!
- Feitiozinho… - olhou-me com cara de má e só não me respondeu porque os meninos entraram na cozinha com a Micas.
Enquanto lanchávamos os miúdos aproveitaram para contar à Micas que tinham estado a brincar com os gatinhos abandonados e que queriam um. A Micas tal como eu achou uma excelente ideia e ainda deu uma data de informações sobre os benefícios para as crianças por terem um animal de estimação.
Enquanto a Micas falava os meninos só diziam “vês mamã?” ou “Guigas qué tato!” já a Maria apenas revirava os olhos e respirava fundo, quando a Micas terminou
- Isso é tudo muito giro e eu percebo, mas eu já disse que não! Eu não gosto de gatos e não quero um aqui em casa e acabou a conversa!
- Então e um cão mamã? - o Gustavo foi rápido - a Micas disse cão ou gato… também não gostas de cães mamã?
- Cão… ão-ão?? Guigas qué!!! 
- Meninos não temos condições para ter um cão cá em casa… a mamã sai cedo e leva-vos para a escola e já chegamos todos tarde e cansados e um cão, ou qualquer outro animal exige que tenhamos tempo para tomar conta dele… levá-lo a passear, limpar o que sujar… ensiná-lo a portar-se… e nós não temos tempo para isso além disso o senhorio não sei se aceitará animais aqui em casa…
A Maria lá explicou aos meninos o que era um senhorio e depois sentou-se com ele ao pc e mostrou tudo o que são os cuidados essenciais a qualquer animal, dizendo sempre que não tinha tempo para que conseguisse prestá-los tentando convencer os meninos que não era boa ideia adoptar um animal.

Maria
Desde que apareceu a “bem-dita” caixa de gatos abandonados, há uma semana, que os meninos não falam em mais nada que não em terem um animal. O Gustavo já não fala em gatos, para ele um cão é o ideal porque e usando as suas palavras “os cães brincam com agente e os gatos fogem”, já o Guilherme acha que o animal de estimação ideal para nós seria um gato verde, e é isso que me está a tentar explicar ao olhar para os animas que se encontram em “exposição” em mais uma das várias feiras de adopção que se realizam aqui perto de casa e que tiveram que vir visitar
- Xim mamã tato vede!
- Não há gatos verdes!! - desta vez já era o Gustavo a responder-lhe - a mamã já disse! E porque queres que seja verde?
- Mamã gota poting, poting vede… tato vede mamã gota - foi impossível não gargalhar

MariaMMendes_ O meu G mais novo acha que este será o animal de estimação ideal para a nossa familia e porquê? “Mamã gota poting, poting vede… tato vede mamã gota” 

JP47 @MariaMMendes_ sou obrigado a concordar que não deixa de ter uma certa lógica… arranja lá um gato verde ao menino!

MariaMMendes_ @JP47 não me provoques!!

AnaDr sem me querer intrometer na discussão do casal… desculpem dos papás @MariaMMendes_ e @JP47 um animal de estimação é bastante benéfico para as crianças…

MariaMMendes_ @AnaDr leva um para tua casa o Miguel vai adorar

- Mau feitio!!! - ouvi a voz do João, foi impossível não sorrir
- O que fazes aqui?
- Vim ver os meus amores não posso?
- Só ver?
- Dar uns beijinhos também… - beijou-me e quando o ar nos faltou
- Tás maluco? Os meninos podiam ver!
- E?? Ficavam mais contentes com a novidade do que com um gato verde! - gargalhamos os dois
- Oh pa a sério! Foste tu que lhe deste esta teoria não foste?
- Eu? Nop… não vou insistir com a ideia do gato… mas um cão oh Maria um cão podias muito bem ter… e não venhas com tangas que tens muito bem condições e tempo…
- Não sou fã de animais e sabes disso…
- Pronto… olha e irmos até casa que quero uns beijinhos antes de ir para estágio?
- O que eu não faço por ti…
Os meninos assim que deram um intervalo aos animais e viram o pai mudaram o foco da atenção por isso finalmente subimos até casa onde acabamos todos na sala na brincadeira até que
Bom tenho mesmo de ir..
- Papá Guigas penda papá cola
- Tá calado a prenda é só para dar amanhã que é dia do pai! - o Gustavo repreendeu o Guilherme - Eu também tenho uma papá, era surpresa… mas só podemos dar amanhã que a professora disse - o João sorriu
- Então amanhã dão-me… no jogo…
- Dão onde?
- Oh Maria o pessoal vai todo entrar com os filhos…
- Ai de ti que um deles tenha nem que seja uma bandeirinha de plástico com o emblema do Benfica!
- Isso é um sim? - revirei os olhos - Vais levá-los?
- A tua sorte é que quero ver o jogo!
- Sim… sim…  - puxou-me e deu-me um beijo
- Guigas!! O papá e a mamã tão a dar beijinhos!!!
- Guigas vê!!! - fuzilei o João com os olhos e ele riu
- Meninos vocês não viram nada!
- Eu vi papá!
- Não Gustavo o papá estava a fazer cocegas a mamã para ver se ela não muda de ideias e amanhã leva vocês ao jogo
- Foi papá? - o menino perguntou desanimado
- Foi…
- Oh… - disseram os dois em simultâneo
- Bom agora vou mesmo… - despediu-se dos meninos e quando o acompanhei até à porta voltamos a beijar-nos - temos de falar com eles…
- Vamos com calma…
O João saiu e os meninos voltaram a conversa do animal.

***

Hoje é dia do pai, os meninos vão entrar em campo com o João, mas de manhã fomos às compras afinal tinham a prenda para comprar. Andamos pelo shopping e lá voltou o assunto animal de estimação assim que passamos numa petshop.

***

Deixei os meninos com a Teresa durante o almoço e sai para comprar a minha prenda para o papá dos meninos. Prenda que pedi que entregassem em casa no dia seguinte.

Que surpresa terá a Maria a preparar?
O que a Mariana terá feito?   

domingo, 21 de setembro de 2014

179 - "É as meninas que querem nascer?"

Mariana
Dois dias passaram desde o aniversário do Filipe e hoje tivemos mais uma aula de preparação para o parto.
Cheguei a casa e depois de dar alguns mimos ao meu pequenino, fui até ao meu quarto e pela milésima vez verifiquei se tinha tudo no saco que tenho preparado para levar comigo no dia que as princesas quiserem nascer e por isso não dei pela entrada do Ruben.
- O que trazes aí? - perguntei ao vê-lo com um saco de papel do Benfica
- Toma!!! - sorriu
Abri o saco e assim que vi o conteúdo gargalhei
- Mesmo sério? Oh Ruben isto é para???
- Então… esses vão ser os primeiros body’s que as nossas filhas vão usar!
- Enlouqueceste… só pode!
- Porquê?
- Deves querer que as tuas filhas se percam dentro dos body’s… mor até parece que não sabes que as meninas são pequeninas… - suspirei
- São pequeninas agora mas depois crescem e se não usarem na maternidade, usam depois!
- Usam se deixar! Sim que as minhas filhas não serão réplicas da Maria… futebol bem longe delas!!!! Estamos entendidos!
- Sim… mas não vais tirar os boby´s do saco para veres como são fofinhos…

Gargalhei mas fiz-lhe a vontade, tirei os boby’s
e assim que o fiz encontrei
- Como vês pensei em tudo… se os body’s são grandes… as chupetas não!
- Ruben Filipe tu tás a testar-me a paciência?
- Oh mor não sejas assim… as chupetas até são rosas… são mesmo à menina
- Não acredito nisto…
- Deixa de ser dramática… - agarrou nas chupetas e colocou-as no saco da maternidade
- Quando foi com o Filipe não foste tão chato! - resmunguei já com alguma brutalidade por estar farta do assunto mas ouvi algo que não esperava e que magoou
- Porque a Leonor e a Carolina são as nossas filhas e quero o melhor para elas!
- És tão camelo… - atirei antes de virar as costas e sair do nosso quarto
- Mari…
- Cala-te! Não abras mais a boca porque por hoje já atingiste o teu limite da estupidez! Sinceramente ouviste bem o que falaste?
- Oh mor foi forma de dizer…
- Não não foi! E é isso que dói… como é que és capaz de insinuar que as meninas por serem minhas filhas de sangue merecem mais que o meu filho de coração? Pior… admitiste que a Leonor e a Carolina são muito mais importante que o Filipe…
- Não foi nada disso que falei!
- Não me faças de burra porque é coisa que não sou!
- O que quis dizer é que são momentos diferentes… - olhei-o - oh mor… quando foi para o Filipe não te tinha da forma que tenho hoje e… - interrompi-o
- Cala-te Ruben Filipe cala-te que só te estás a enterrar ainda mais! Sim que só falta dizeres que amas o Filipe por causa de mim… porque tens a plena noção que o amo como se tivesse nascido de mim! - o Ruben nada disse mas o simples gesto de ter desviado o olhar magoou mais do que muitas palavras - que desilusão… és um fraco e um cobarde… como é que és capaz de uma crueldade desse tamanho? O Filipe é teu filho, foste tu que o fizeste, o menino não tem culpa da tua irresponsabilidade e muito menos da mãe biológica que lhe arranjaste… pior ainda o nosso filho ama-te e tu… tu provavelmente sentes alguma coisa por ele porque foi através dele que conseguiste ter-me novamente… és asqueroso!
Calei-me e assim que o fiz, o Ruben simplesmente limpou as lágrimas de crocodilo, como se fosse essas que apagariam o que tinha ditou ou insinuado…
Fui até ao jardim apanhar ar e quando regressei à sala encontrei-o a brincar com o Filipe o que irritou-me mas preferi não dizer nada, até porque o meu piolho assim que me viu veio a gatinhar até mim e a chamar-me de mamã, o que encheu o meu coração de alegria.
- Amor da mãe! - sentei-me no sofá e depois peguei nele para lhe dar miminhos, foi enquanto o fazia que ouvimos a campainha e por isso o Ruben foi abrir
- Então como está a grávida? - sorri ao ouvir a Paula que vinha acompanhada pelo Mauro que trazia o Gabriel ao colo
- Podia estar melhor…
- Então? - o Mauro questionou de imediato
- Estou só num dia não… nada que não passe!
- Uii… sei bem como são esses dias - olhei para a Paula e depois para o Ruben com vontade de dizer que não sabe… aliás nem imagina porque de certeza que nunca ouviu o Mauro a insinuar que só ama o filho porque a ama a ela… mas mantive-me calada
Os minutos passaram com o Filipe a brincar com o Gabriel e nós á conversa, foi quando estava distraída a olhar para o meu pequenino que senti uma das meninas a mexerem-se e por isso levei a mão à barriga, algo que o pai delas aproveitou para se aproximar, colocando a sua mão na minha barriga mas hoje… hoje aquele gesto meteu-me nojo e por isso retirei-lhe a mão, o Ruben não insistiu até porque fui sentar-me noutro sofá, no sofá de um lugar.
Voltei-me a perder em pensamentos e só voltei à realidade quando ouvi o meu piolho a chorar, isto porque o primo tirou-lhe um dos seus brinquedos favoritos e quando preparava-me para repreender o Gabriel a Paula antecipou-se, ainda assim não resisti em dar colinho ao meu amor que veio fazer queixinhas da forma que sabe, ou seja gatinhou até mim e pediu colo, mas a birra durou muito pouco e o Filipe voltou para o chão, algo que aproveitei para ir até à cozinha beber água mas antes
- Paula e Mauro querem um café?
- Sim pode ser!
- Trago já!
- Podes trazer para mim também - olhei-o - por favor…

Ruben
- Puto o que é que se passa convosco? - olhei para o meu irmão assim que a Mari saiu para ir buscar os cafés
- Prefiro não falar…
- Discutiram?
- Não Paula… - suspirei - antes tivesse sido mas como disse não quero falar
Eles não insistiram. Estava com o meu filho ao colo quando a Mari regressou com os cafés, entregou um ao Mauro, outro à Paula e para o fim ficou o meu, o meu amor simplesmente o colocou na mesa de centro da sala, o que fez com que a tampa me saltasse e
- Vais continuar a ignorar-me? - olhou-me
- Ignorar? Se tivesse a ignorar-te nem sequer tinha trazido o café! - sentou-se o mais afastada de mim que conseguiu - Ah e para que conste não me chamo Ruben, logo não sei fingir sentimentos… sim estou lixada contigo e só de olhar para a tua cara dá-me vontade de te jogar janela fora por isso agradeço que não provoques!
- Bem… nós vamos andando… - a Paula falou o que fez a Mari olhá-la
- Desculpem… por terem assistido a esta cena! Mas fiquem mais um pouco… os meninos estão a brincar.
- Os meninos podem brincar noutro dia! - olhei para o Mauro - E vocês aproveitem para falarem…
- Falar?! Há muito pouco a falar depois do que ouvi, sim que o teu querido irmão teve o desplante de…
- Cala-te Mariana!
- Calo-me? Mas quem julgas que és? Pior que mural tens para me mandares calar! Aqui o único que tem de estar calado és tu…
- Será assim tão difícil deixares que explique o que quis dizer?
- Explicar? Como se tivesse explicação possível… e agora desculpem mas vou deitar-me!
A Mariana despediu-se deles e saiu.
- Puto… o que é que foi isto?
- Nada! Não foi nada…
- Vou à casa de banho!
Percebi imediatamente qual foi a ideia da Paula, basicamente quis deixar-me a sós com o meu irmão e assim que saiu
- Mano o que é que se passou? Vocês têm andado tão bem… - olhei-o - não queres mesmo desabafar…
- Resumindo hoje disse uma cena que magoou a Mari e o pior é que tem razão para estar lixada comigo… e não não sei como dar a volta a isso…
- Mas o que é que falaste?
- Oh… ando entusiasmado com a preparação da vinda das meninas e pronto confesso que por vezes exagero e hoje a Mari falou que quando foi com o Filipe não me viu com esta animação toda e - hesitei por saber que assim que contasse que o ouviria mas acabei por desabafar - deixei escapar que é diferente porque as meninas são nossas filhas e quero o melhor para elas… a Mari passou-se e acusou-me de não amar o Filipe… acha que só o aceitei porque percebi que através dele conseguia tê-la novamente…
- Falou isso com as letras todas?
- Sim…
- Bem… a minha cunhada sempre a surpreender! - olhei-o - Puto não me olhes com essa cara…
- Estás a fazer piada, é?
- Não! Estou só surpreendido porque nunca pensei que a Mari tivesse coragem de dizer aquilo que todos pensamos…
- Desculpa?
- Ruben não te faças de ofendido que tens plena noção que senão fosse a Mari a ter ficado do teu lado mas principalmente do lado do menino que dificilmente o terias aceitado, apesar de ser sangue do teu sangue! E é por teres essa consciência que te dói tanto as verdades que a Mari te possa ter dito… puto se há algo que ninguém duvida é o amor que a minha cunhada tem pelo Filipe e tu basicamente afirmaste que amas mais as meninas que o Filipe…
- Podes parar! Já chega! Já percebi que fui e sou um otário, não preciso de voltar a ouvir…
O Mauro calou-se e quando a Paula regressou despediram-se e foram embora.
- Ai filho que tens um pai que só faz asneiras… - o menino que ainda brincava olhou-me - vamos dormir que já passa da tua hora…
Peguei no menino e fui deitá-lo, só saí do quarto depois de ter adormecido e quando cheguei ao meu encontrei-a ainda acordada. Ainda tentei conversar com a Mariana mas a seu pedido desisti, uma vez que o meu amor alegou que precisa de tempo para “digerir” o dia de hoje… respeitei e não insisti.

Mariana
Depois de deixar a sala, fui para o quarto, estava deitada quando a Paula pediu licença para entrar.
- Estás bem?
- Sim…
- Não insisto mas se precisares de falar… - suspirei
- Foi o Ruben… - sorriu como que me incentivando a falar, algo que fiz e no fim
- É normal - olhei-a - as meninas - tocou-me na barriga - foram geradas com amor, são desejadas desde o primeiro momento, o Ruben imagina tal como imaginas como será o rostinho delas, se são parecidas com ele ou contigo, mas isso não significa que ame mais as meninas do que o Filipe, significa que está a viver a paternidade de forma mais intensa porque desta vez é com a mulher que ama.
- Mas magoa… caramba agradeço todos os dias o privilégio que tenho em ter Filipe como filho, sinto-me amada pelo menino, sou capaz de fazer tudo por ele… não percebo como é que o Ruben consegue dizer que as meninas por serem minhas filhas de sangue merecem mais!
- Estás a levar muito a peito o que falou - olhei-a
- E não é para levar? Será que sou só eu que tenho noção da gravidade da situação?
- Estás a exagerar! Mariana, o Ruben ama o Filipe e tens perfeita noção disso.
- Estás a tentar desculpá-lo?
- Não, estou a tentar que admitas que as meninas são muito mais sortudas que o Filipe porque foram concebidas com amor e desejadas desde o primeiro segundo - olhei-a - é normal que o Ruben queira viver o que não viveu quando foi com o Filipe, Mariana o que está em causa não é se as minhas sobrinhas são mais amadas que o Filipe, mas sim o momento distinto em que o meu cunhado viveu a paternidade. O Ruben quando vocês andaram às compras para o Filipe estava um farrapo… já para não dizer que de todos talvez sejas aquela que melhor noção tem do quanto se condena por ter rejeitado o menino durante a gravidez e nos primeiros dias de vida. Mariana tens perfeita noção do quanto o Ruben ama o Filipe e que só falou a verdade - voltei a olhá-la - sim porque por muito que tenhas amado o Filipe desde os primeiros dias de vida dele de certeza que quando foram às compras para ele que não sentiste o mesmo que sentes quando é para a Leonor e a Carolina, o que é normal porque vocês estão noutro momento das vossas vidas, vocês estão casados, a amarem-se loucamente, tens as vossas filhas a desenvolverem-se dentro de ti, sentes o entusiasmo das meninas quando ouvem a tua voz ou a do pai, dás contigo a imaginar os seus rostinhos ou os primeiros dias de vida delas, por isso é tudo diferente… e isso não significa que ames mais as minhas sobrinhas, isso significa que estás a viver uma nova experiência, que é o mesmo que está a acontecer com o Ruben, ele pode não ter escolhido as melhores palavras para se expressar mas ambas sabemos que ama o Filipe e que no passado o simples gesto de comprar uma roupinha não tinha o impacto que tem no presente, como não terá no futuro… Mariana não sei se pensam ter mais filhos mas garanto que se foram ao quarto que quando chegar o momento de lhe prepararem o enxoval o vosso entusiasmo será diferente mas isso não significa que amam menos o Filipe e as meninas, significa simplesmente que estão a preparar a chegada de mais um filho!
- Paula coloca-te no meu lugar e diz-me como mãe como é que te sentirias se o Mauro fizesse distinção entre os filhos?
- O Ruben não está a fazer distinção e sabes bem disso!
- Foi o que ele fez!
- Não… não foi! O Ruben simplesmente está mais entusiasmado, o que é normal, sabes melhor do que eu o quanto sempre quis ser pai ou melhor o quanto sonhou em ser pai dos teus filhos, é normal que viva muito mais as emoções, porque vê de dia para dia a tua barriga crescer, mas isso não significa que não ame o Filipe… se errou provavelmente sim… errou na escolha das palavras mas não o podes acusar de não amar o menino, o Ruben vive para a família, vive para ti e agora para os vossos filhos, nunca te esqueças disso!
Não respondi, talvez por ter noção que a Paula tinha razão mas o que ouvi magoou-me a sério, algo que partilhei com o Ruben quando entrou no quarto e tentou resolver as cenas… acabei por pedir espaço e tempo para aceitar o que ouvi…
***
Já se passou uns dias e continuo com o Ruben “atravessado” e talvez por ter consciência disso, tem andado ainda mais atento ao menino e a mim… ele bem que se esforça para apagar o que disse mas confesso que a “telha” ainda não passou, talvez por isso agora tudo o que faz ou deixa de fazer irrita-me severamente…
Esta noite foi mais uma em que acordei diversas vezes, a verdade é que se torna cada vez mais difícil dormir porque não encontro posição para estar deitada, já para não falar que por vezes custa-me respirar e que ando constantemente na casa de banho.
Estava na sala quando o Ruben apareceu
- Bom dia… - aproximou-se e beijou-me - voltaste a não conseguir dormir?
- O que é que achas? - tenho noção que fui bruta e talvez por isso
- A isto chama-se começar mal o dia - resmungou ao sair da sala
Acabei por ir até à cozinha onde comi para seguir até ao quarto, estava a vestir-me quando entrou para se despachar.
De casa fomos diretos ao consultório da Graça para a consulta da 33ª semana, sim que agora as consultas são semanais…
- Tens descansado?
- Sim… mas está cada vez mais difícil manter-me deitada
- É normal mas o repouso é fundamental nestas últimas semanas…
A Graça ainda fez mais algumas recomendações e no fim pudemos ver as nossas meninas, algo que serviu para comprovarmos que uma das meninas já deu a volta.
- Muito descanso e serenidade é o que recomendo - a Graça falou quando já nos despedíamo-nos.
***
A última semana foi um martírio no que respeita a dormir de noite, já para não falar do sentimento de inutilidade que a cada dia se revela mais, agora até o simples acto de brincar com o Filipe custa...
Voltei a acordar de madrugada para ir à casa de banho e mais uma vez fiquei piursa quando pisei os seus chinelos
- Acorda Ruben Filipe!
- O que é que se passa? - coitado... o Ruben deu literalmente um salto na cama, levantando-se imediatamente - É as meninas que querem nascer? - já o tinha de volta de mim todo preocupado - Estás bem?
- Bem?! Mas tu ainda gozas comigo? Que merda é esta no chão do quarto!
- Sério que me acordaste por causa dos chinelos?!
- Não! Acordei-te porque voltaste a deixar as tuas coisas espalhadas! - respirou fundo - Custa assim tanto meteres os chinelos junto da cama e de preferência do teu lado?
- Se queres saber custa… custa aturar esse mau feitio todo, andas insuportável mas ainda assim não consigo culpar-te - suspirei - talvez por ter a noção que estás no limite, que te custa imenso não poderes dar mais de ti ao Filipe porque as nossas filhas querem nascer antes de tempo mas porra Mariana filtra só um pouco esse stress todo e já nem o peço por mim mas sim pelo vosso bem - levou a mão à minha barriga - amor andas irritada com cenas sem lógica nenhuma, nunca ligaste para o facto dos meus chinelos não ficarem junto da cama.
- Achas pouco? Sou eu que mais pareço uma bola de futebol de tão redonda que estou a ficar e que se tenho o azar de entropeçar na merda dos teus chinelos caio redondinha no chão…
- É que não faltava mais nada do que começares com ideias de que estás gorda…
- Não são ideias! É a realidade!
- Ai é da realidade que queres falar? Então tudo bem… vamos lá falar de coisas bem reais… que tal começarmos pelo facto de ter virado teu escravo, sim porque agora é Oh Ruben faz isto… oh Ruben faz aquilo… porra esforço-me ao máximo para que esteja tudo como gostas, chego cansado dos treinos e jogos mas ainda assim não recuso nem mostro má vontade em satisfazer as tuas ordens ou desejos ou lá o que quiseres chamar, será que não podes aliviar só um bocadinho e parares de implicar e de me acordar só porque deixei a porcaria dos chinelos espalhados pelo quarto
Não consegui responder, talvez porque tenho consciência que ando mesmo a esticar a corda e por isso “fugi”, fui para a casa de banho e por lá fiquei até o Ruben vir-me buscar.
- Sério que agora vais ficar a chorar? - falou ao encontrar-me a soluçar
- O que queres? Não consigo evitar… por muito que queira não consigo…
- Amor… - o Ruben ajoelhou-se diante de mim, uma vez que estava sentada em cima do tampo da sanita - não estou a pedir nada que seja impossível… só quero que deixes de implicar comigo quando faço algo que não gostes mas que nem sequer tive culpa… deixa-me descansar, deixa-me dormir porque preciso de estar bem fisicamente para conseguir treinar e jogar, pára de me acordar durante a noite da forma como fizeste hoje, porque de cada vez que o fazes assustas-me, nunca sei se queres só implicar comigo ou se estás a sentir alguma coisa…
- Se quiseres posso ir embora…
- Chega!! Estás a passar todos os limites e mais alguns! Não vou permitir que te afastes de mim, bem podes tentar mas não conseguirás porque agora tenho mais certezas do que alguma vez tive, quero-te para todo o sempre, és tu a outra parte de mim e por muito complicado que esteja a ser esta fase vou ficar e aguentar para que daqui a um tempo possamos olhar para trás e rir de toda esta situação.
Não lhe respondi, preferi ir deitar-me e assim que o fiz, ouvimos o Filipe
- Deixa-te ficar que vou lá!
- Mas tens de dormir amanhã tens jogo…
- Eu sei… eu sei - suspirou - mas quero que descanses
Acabei por obedecer e fiquei na cama mas não resisti em ir até ao quarto do Filipe quando percebi a demora do Ruben e assim que entrei no quarto do nosso filho percebi que o Ruben já dormia serenamente na cama que temos no quarto do Filipe e que usamos para dormir nas noites que o menino está mais chorão.
Suspirei pesadamente, doeu perceber que o Ruben já prefere dormir no quarto do filho do que comigo mas também da forma como ando insuportável não é de estranhar… já para não falar que desde que o acusei de não amar verdadeiramente o Filipe que as coisas entre nós não foram mais as mesmas…

Ruben
Depois de ser acordado da forma que fui, tive uma conversa com a Mariana mas sinceramente já perdi a esperança que atine, resta-me esperar que estas últimas semanas passem depressa e que tudo volte à normalidade…
Acabei por usar como desculpa o Filipe ter acordado para sair do quarto, adormeci o nosso filho e não resisti em ficar no seu quarto para poder dormir descansado e assim que deitei-me na cama adormeci...
Acordei cedo uma vez que tinha de ir para o Seixal por causa do jogo mas quando cheguei à cozinha já lá estava a Mari
- Bom dia - dei dois beijinhos na sua barriga e outro nos seus lábios que não foi totalmente correspondido - desculpa por ter adormecido no quarto do Filipe…
A Mari simplesmente encolheu os ombros e continuou a comer, algo que também fiz e quando terminei saí com destino ao Seixal...
Ficará a Mariana aborrecida com o Ruben durante muito tempo?