Micas
- Explica-me lá o que viemos cá fazer mesmo?
- Os meninos vieram ver o treino do pai deles…
- Os miudos? Sei Maria… sei…
- Olha o Rui! Tá ali!
- Bom pra ele…
- Não queres ir lá?
- Ai oh Maria… não me quero chatear
- Perdi alguma coisa?? - a Maria perguntou enquanto nos sentávamos na bancada para assistir ao treino
- Nada… não perdeste nada…
- Então o que se passa não estou a perceber?
- Não se passa nada Maria o problema é esse!
- Explica-te melhor… vá deita cá pra fora!
- Oh… - encolhi os ombros e acabei por abrir mesmo tudo o que tinha preso - As coisas com o Rui entraram em velocidade cruzeiro e acabamos mesmo por cair na rotina, continuo a adorá-lo, continuo a sentir borboletas no estômago, mas toda a agitação na vida nas vossas vidas e o final do semestre para mim só ajudaram a afastarmos-nos, não estou a falar que vocês nos atrapalharam o que estou a dizer é que tivemos de olhar mais além do que o nosso umbigo… e estarmos juntos já não passa mais do que um habito, às vezes parece mesmo obrigação…
- Oh Micas… sabes que todas as relações passam por periodos assim… tu mesmo disseste as razões para tal acontecer… em vez de fugires como fizeste agora fala com ele!
- Eu sei que devia fazê-lo, mas…
- Micas!!! - olhei quando ouvi chamarem-me
- Tu aqui? A sério?
- Isso pergunto eu! - gargalhou - Eu jogo cá!
- E eu vim a trabalho - a Maria franziu a cara - Tás a ver as pestinhas? Sou babá!
- A sério? Estás então a viver em Lisboa?
- Sim há uns meses…
- Vou ter que ir treinar, mas o que dizes de um jantarzinho para meter a conversa em dia?
- Parece-me bem!
Acabamos por trocar os nossos números e vi-os afastar-se
- Quem é aquele?
- É o João, um amigo…
- Amigo?
- Sim… ou melhor ex-namorado de uma amiga minha a Maggy
- Hum…
- Sim?
- Vais jantar com eles onde?
- Eles?
- Este teu amigo e o Rui…
- Achas mesmo que o Rui vai? Só se for para ficar amuado o tempo todo que é o que faz sempre que estamos com os meus amigos...
- Tu é que sabes… qualquer coisa…
- Maria eu queria falar contigo sobre outra coisa…
- Diz?
- Os meninos passam a maior parte do tempo deles na escola e quando saem ficam contigo ou com o João ou com os dois… já não faz muito sentido que continue a ser tua babá…
- Arranjaste outro emprego? Consegues manter as aulas?
- Não, não arranjei, mas sinto-me mais a tua filha mais velha… que ainda por cima recebe uma mesada altíssima
- Parva!
- A sério Maria… vivo em tua casa, como em tua casa e ainda me pagas…
- O que é que estás a pensar fazer?
- Arranjar um emprego e…
- E?
- Ir viver com duas colegas minhas… elas têm um quarto livre em casa delas… mas sempre que precisares fico com os meninos… adoro-os
- Sentes-te mesmo mal né?
- Sim…
- Tenho uma solução… - tentei falar - ouve! A Patrícia vai para o estrangeiro, arranjou algo na area dela, preciso de alguém na loja… o que dizes?
- A sério?
- Sim!
- Aceito! Vou ligar-lhes a contar - assim que me levantei bati em alguém - O que fazes aqui?
- Ola! Bom dia para ti também!
- Olá! Estava distraída… nem percebi que tinha acabado o treino, desculpa! - em bicos de pés dei-lhe um beijo - vou só ligar a elas já falamos
Liguei para a Cristina e contei-lhe que iria mudar-me para casa delas, algo que já tinhamos pré-combinado, voltei para onde antes estava a Maria com os meninos e já só encontrei o Rui
- A Maria?
- Foram andando com o João…
- Ah… dás-me boleia?
- Nem precisavas perguntar…
- Oh…
- O que se passa de tão importante que tinhas que ligar e não podia esperar?
- Podemos almoçar?
- Não podemos, vamos mesmo… - enquanto falávamos aproximamos-nos do carro dele
***
- Não vais dizer o que se passa? Já vamos na sobremesa e nem sobre o tempo falaste
- Vou viver com a Cristina e a Teresa
- Vais o quê?
- Viver com elas… não faz sentido continuar em casa da Maria… ela não precisa de nenhuma ama e é desconfortável para mim manter-me lá a comer e viver às contas dela
- E vais para casa da Cristina e da Teresa?
- Sim, expliquei-me a Maria ela convidou-me para trabalhar na loja e assim posso pagar as minhas contas com o dinheiro do meu trabalho e não com a mesada da Maria, sim que agora era só uma mesada mesmo afinal não fazia nada…
- E vais para casa da Cristina e da Teresa?
- Sim… - repeti enquanto ele me olhava de cara fechada
- A serio?
- Sim!
- Quer dizer eu peço-te que venhas morar comigo, e nem era para dividir as despesas, no dia dos namorados depois de ter passado não sei quanto tempo a preparar o jantar e tu… tu recusas porque não vais deixar a Maria e os meninos e mais não sei o quê… e depois vais viver com as tuas amiguinhas?
- Podes falar normalmente?
- Eu estou a falar normalmente só gostava de perceber…
- Queres uma mulher a dias contrata! Não me olhes assim! Passo noites em tua casa para quê? Para lavar roupa, limpar cozinhar… e tu? Ah já sei! Estás a jogar ou a ver tv… e quando finalmente acaba… estas a dormir…
- Ou estás tu?
- O que queres? Tenho as aulas, os trabalhos e ainda te trato da casa… desculpa não sou a super mulher!
- Desculpa… já te disse várias vezes para deixares tudo que eu trato, mas não me ouves…
- Ai… podemos não discutir por isto? Eu sei que querias que fosse viver contigo, mas eu acho que é dar um passo maior que a perna…- ele tentou falar - eu preciso mesmo amor! Ouve-me… eu sai de casa dos meus pais para casa onde trabalhei e depois vim com a Maria… eu preciso mesmo de viver uns dias por mim… sem ninguém a “proteger-me” preciso de viver um bocado sozinha… acho que se saísse de casa da Maria para a tua as coisas iam correr muito mal, principalmente agora…
- O que tem agora?
- Oh Rui tu já viste que discutimos até por causa do tempo? Não mudou nada do que sinto, mas acho que isto está…
- Já percebi… se achas que é o melhor para ti tudo bem… mas eu preferia que…
Ele não acabou de falar porque o meu telemóvel tocou, era o João, atendi e combinamos de nos encontrar perto da hora do jantar. Assim que desliguei a conversa com o Rui ganhou outro rumo e acabamos mesmo por ir dar uma volta para passar o tempo até perto da hora da hora do jantar
- Deixas-me em casa?
- Já? Tinha pensado que jantávamos e passávamos a noite juntos…
- Hoje não vai dar… já combinei com o João…
- Com o João?!
- Não é esse João é um amigo meu do Porto que também está cá em Lisboa… marcamos jantar hoje para meter a conversa em dia…
- E não te tinhas lembrado de me dizer?
- Ai oh Rui!
- Oh Rui?! Oh Rui Micaela?
- Pronto ok… esqueci-me de dizer mas também não morre ninguém! Fazemos assim vou jantar e depois vou ter lá a casa pode ser?
- Como quiseres…
Deixou-me em casa onde tomei um duche e me despachei para passado pouco tempo ir até ao restaurante onde combinei com o João o jantar foi agradável e serviu para colocar a conversa em dia. Contou-me que se tinha mudado para Lisboa e que entretanto tinha terminado de vez com a Meggy, sim de vez já que até onde sabia apesar de terem terminado ainda se encontravam de quando em vez. Contei-lhe no geral como tinha vindo parar a Lisboa mas omiti certos detalhes, como as identidades das pessoas envolvidas e ainda a do meu namorado. Não sei porque o fiz, mas fi-lo.
O jantar terminou e o Joca, como o tratamos, fez questão de me levar a casa.
Assim que abri a porta ouvi gargalhadas vindas da sala, sem duvida eram os meninos e a Maria, mas havia mais fui directa para lá e quando me aproximei pude ver a Maria estatelada no chão com os meninos e o João a enchê-la de cocegas enquanto ela já chorava de tanto rir, foi impossivel não sorrir
- Boa noite! - os adultos olharam-me assustados
- O que fazes aqui?
- Desculpa Maria… pensava que podia ficar até ao fim do mês para fazer a mudança…
- E podes… mas como tinhas dito que ias ter com o Rui… está tudo bem?
- Ah… sim…- tinha-me esquecido de ir ter com ele - mas jantamos aqui perto e amanhã entro cedo… bem vou deitar-me e não vos atrapalho mais…
Chegamos a casa da mãe da Cátia e assim que a Rute nos abriu a porta sorriu, cumprimentamo-la e quando entramos na sala
- Bem que sorriso… - despertei com o comentário da Cátia - aposto que estavas a pensar no meu maninho… sim que essa cara de parva não engana… aliás nunca enganou… sim que a miúda era eu mas sempre disse que ainda ias ser minha cunhada!!! - gargalhei - e agora que falo nisso… opa tira-me uma dúvida - olhei-a - na altura em que os meus pais se separaram e que passei a ter mais convívio contigo, vocês já andavam enrolados?
Maria
O tempo tem passado calmamente, finalmente, a paz e tranquilidade voltaram aos meus lados.
Hoje quando cheguei ao portão do infantário dos meninos o João chegava no mesmo instante
- João!! - chamei e ele esperou por mim - Não sabia que vinhas!
- Oh… sai do treino e como tinha saudades vossas… - aproximou-se vertiginosamente de mim - o meu beijo? - ia juntar os nossos lábios quando num movimento rápido voltei a cara para que os seus labios tocassem na minha face ao invés dos meus lábio - a sério?
- Sério o quê?
- Que nem um beijinho??
- Aqui??
- Oh… tou carente… - gargalhei
- Anda vamos lá buscá-los que quanto mais depressa os apanharmos mais depressa vamos lá para casa… sim também quero o meu beijo!
Os meninos quiseram ir no carro com o João dei uma volta maior para passar numa pastelaria para animar o nosso lanche e quando cheguei a casa tinha os meus homens todos parados na porta do prédio a brincar com um gato.
- O que se passa aqui?
- Mamã Guigas tinho!!
- O quê?
- Oh mamã eu e o mano queremos ficar com um dos gatinhos! - olhei para onde ele apontava
- Não… - olharam-me e fizeram aqueles olhinhos de cão abandonado - nem pensem em olhar-me assim que já disse que não!
- Oh Maria… - o João tentou intervir
- Não!!!! JOÃO!!! Não deixes!!! - entrei em panico quando olhei para o Gustavo
- Calma Maria o menino está só a brincar com o gato!
- O Gustavo está colado a um saco de pelo e pulgas… no minimo! Vá todos para cima que vão já para o banho!
-Oh mamã!!!
-Vá os dois já!
- Eu qué tato!
Só olhei para ele e continuei. Ouvi o João a dizer ao Guilherme que depois falava comigo. Quando chegamos aproveitei que a Micas ainda lá esta para lhe pedir que desse banho imediato aos dois de preferência com álcool para desinfectar e fui tratar do lanche.
Estava a acabar de meter tudo na mesa quando senti as mãos do João nas minhas ancas.
- Tava a ver que não ganhava o meu beijo - beijou-me
- Não achas que exageraste? Os meninos queriam um animal... - olhei-o pelo canto do olho - oh Maria um gato é das coisas mais normais... e se eles te pedissem um porco...
- Não! Não tenho vida para animais! E...
- Sabes que os gatos são animais caseiros?
- Não! - gargalhou
- Mas continuas com medo?? Ainda não passou?
João
***Recordação * * *
A Mariana hoje está doente por isso passei o dia com a Maria que estava super entediada já que desde que torceu o calcanhar nem jogar pode.
Conversamos bastante e ri-me muito a Maria com mau feitio fica sem filtro entre a cabeça e a boca e por isso sempre que a abre diz o que realmente pensa e as vezes é com cada comparação...
Estava ela a explicar-me mais uma das suas mirabolantes teorias quando a minha mãe me liga para que passe em casa da minha avó. Desafiei a Maria a vir comigo algo que acabou por aceitar uma vez que ficava em caminho de sua casa.
Quando chegamos a casa da minha avó assim que ela nos abriu a porta o Tareco de imediato resolveu mostrar de forma bem clara que não tinha gostado da visita de estranhos. Mostrando o seu pelo eriçado e mostrando os dentes à Maria que de imediato se afastou. Quando nos sentamos esperando que a minha avo terminasse o lanche que nos ofereceu o Tareco mais habituado com a Maria resolveu pedir-lhe mimo e ai surpreendi-me ao vê-la encolher-se com a aproximação e quando o gato saltou para o seu colo
- João tira-o daqui!!! - pediu-me a tremer e a chorar - tira!!
- Calma! - afastei o tareco - pronto... calma... oh Maria é só um gato!
- Eu acho que sou alérgica... e se não sou devia ser... eu não gosto de gatos... eu - arrepiou-se - tenho medo!
- Medo??
- Sim! Ainda para mais esse é preto!!
- Acreditas nisso?? - gargalhei
- Jo no creo en Brujas Pêro que las ai las ai!!
- Avó nos voltamos depois que a Maria tem alergia a gatos
Saímos e ela explicou-me o seu pânico perante animais, principalmente gatos
- Porque passaria??
- Porque não é muito normal!
- Tás a chamar-me anormal?? - o seu ar indignado fez-me rir
- Não… estou a constatar que esse teu medo de gatos não é algo normal…
- Se é ou não normal não interessa o que interessa é que eu já disse que não e tu não vais desautorizar-me em frente dos meninos e muito menos fazer-me mudar de ideias!
- Feitiozinho… - olhou-me com cara de má e só não me respondeu porque os meninos entraram na cozinha com a Micas.
Enquanto lanchávamos os miúdos aproveitaram para contar à Micas que tinham estado a brincar com os gatinhos abandonados e que queriam um. A Micas tal como eu achou uma excelente ideia e ainda deu uma data de informações sobre os benefícios para as crianças por terem um animal de estimação.
Enquanto a Micas falava os meninos só diziam “vês mamã?” ou “Guigas qué tato!” já a Maria apenas revirava os olhos e respirava fundo, quando a Micas terminou
- Isso é tudo muito giro e eu percebo, mas eu já disse que não! Eu não gosto de gatos e não quero um aqui em casa e acabou a conversa!
- Então e um cão mamã? - o Gustavo foi rápido - a Micas disse cão ou gato… também não gostas de cães mamã?
- Cão… ão-ão?? Guigas qué!!!
- Meninos não temos condições para ter um cão cá em casa… a mamã sai cedo e leva-vos para a escola e já chegamos todos tarde e cansados e um cão, ou qualquer outro animal exige que tenhamos tempo para tomar conta dele… levá-lo a passear, limpar o que sujar… ensiná-lo a portar-se… e nós não temos tempo para isso além disso o senhorio não sei se aceitará animais aqui em casa…
A Maria lá explicou aos meninos o que era um senhorio e depois sentou-se com ele ao pc e mostrou tudo o que são os cuidados essenciais a qualquer animal, dizendo sempre que não tinha tempo para que conseguisse prestá-los tentando convencer os meninos que não era boa ideia adoptar um animal.
Maria
Desde que apareceu a “bem-dita” caixa de gatos abandonados, há uma semana, que os meninos não falam em mais nada que não em terem um animal. O Gustavo já não fala em gatos, para ele um cão é o ideal porque e usando as suas palavras “os cães brincam com agente e os gatos fogem”, já o Guilherme acha que o animal de estimação ideal para nós seria um gato verde, e é isso que me está a tentar explicar ao olhar para os animas que se encontram em “exposição” em mais uma das várias feiras de adopção que se realizam aqui perto de casa e que tiveram que vir visitar
- Xim mamã tato vede!
- Não há gatos verdes!! - desta vez já era o Gustavo a responder-lhe - a mamã já disse! E porque queres que seja verde?
- Mamã gota poting, poting vede… tato vede mamã gota - foi impossível não gargalhar
- Mau feitio!!! - ouvi a voz do João, foi impossível não sorrir
- O que fazes aqui?
- Vim ver os meus amores não posso?
- Só ver?
- Dar uns beijinhos também… - beijou-me e quando o ar nos faltou
- Tás maluco? Os meninos podiam ver!
- E?? Ficavam mais contentes com a novidade do que com um gato verde! - gargalhamos os dois
- Oh pa a sério! Foste tu que lhe deste esta teoria não foste?
- Eu? Nop… não vou insistir com a ideia do gato… mas um cão oh Maria um cão podias muito bem ter… e não venhas com tangas que tens muito bem condições e tempo…
- Não sou fã de animais e sabes disso…
- Pronto… olha e irmos até casa que quero uns beijinhos antes de ir para estágio?
- O que eu não faço por ti…
Os meninos assim que deram um intervalo aos animais e viram o pai mudaram o foco da atenção por isso finalmente subimos até casa onde acabamos todos na sala na brincadeira até que
Bom tenho mesmo de ir..
- Papá Guigas penda papá cola
- Tá calado a prenda é só para dar amanhã que é dia do pai! - o Gustavo repreendeu o Guilherme - Eu também tenho uma papá, era surpresa… mas só podemos dar amanhã que a professora disse - o João sorriu
- Então amanhã dão-me… no jogo…
- Dão onde?
- Oh Maria o pessoal vai todo entrar com os filhos…
- Ai de ti que um deles tenha nem que seja uma bandeirinha de plástico com o emblema do Benfica!
- Isso é um sim? - revirei os olhos - Vais levá-los?
- A tua sorte é que quero ver o jogo!
- Sim… sim… - puxou-me e deu-me um beijo
- Guigas!! O papá e a mamã tão a dar beijinhos!!!
- Guigas vê!!! - fuzilei o João com os olhos e ele riu
- Meninos vocês não viram nada!
- Eu vi papá!
- Não Gustavo o papá estava a fazer cocegas a mamã para ver se ela não muda de ideias e amanhã leva vocês ao jogo
- Foi papá? - o menino perguntou desanimado
- Foi…
- Oh… - disseram os dois em simultâneo
- Bom agora vou mesmo… - despediu-se dos meninos e quando o acompanhei até à porta voltamos a beijar-nos - temos de falar com eles…
- Vamos com calma…
O João saiu e os meninos voltaram a conversa do animal.
***
Hoje é dia do pai, os meninos vão entrar em campo com o João, mas de manhã fomos às compras afinal tinham a prenda para comprar. Andamos pelo shopping e lá voltou o assunto animal de estimação assim que passamos numa petshop.
***
- Explica-me lá o que viemos cá fazer mesmo?
- Os meninos vieram ver o treino do pai deles…
- Os miudos? Sei Maria… sei…
- Olha o Rui! Tá ali!
- Bom pra ele…
- Não queres ir lá?
- Ai oh Maria… não me quero chatear
- Perdi alguma coisa?? - a Maria perguntou enquanto nos sentávamos na bancada para assistir ao treino
- Nada… não perdeste nada…
- Então o que se passa não estou a perceber?
- Não se passa nada Maria o problema é esse!
- Explica-te melhor… vá deita cá pra fora!
- Oh… - encolhi os ombros e acabei por abrir mesmo tudo o que tinha preso - As coisas com o Rui entraram em velocidade cruzeiro e acabamos mesmo por cair na rotina, continuo a adorá-lo, continuo a sentir borboletas no estômago, mas toda a agitação na vida nas vossas vidas e o final do semestre para mim só ajudaram a afastarmos-nos, não estou a falar que vocês nos atrapalharam o que estou a dizer é que tivemos de olhar mais além do que o nosso umbigo… e estarmos juntos já não passa mais do que um habito, às vezes parece mesmo obrigação…
- Oh Micas… sabes que todas as relações passam por periodos assim… tu mesmo disseste as razões para tal acontecer… em vez de fugires como fizeste agora fala com ele!
- Eu sei que devia fazê-lo, mas…
- Micas!!! - olhei quando ouvi chamarem-me
- Tu aqui? A sério?
- Isso pergunto eu! - gargalhou - Eu jogo cá!
- E eu vim a trabalho - a Maria franziu a cara - Tás a ver as pestinhas? Sou babá!
- A sério? Estás então a viver em Lisboa?
- Sim há uns meses…
- Vou ter que ir treinar, mas o que dizes de um jantarzinho para meter a conversa em dia?
- Parece-me bem!
Acabamos por trocar os nossos números e vi-os afastar-se
- Quem é aquele?
- É o João, um amigo…
- Amigo?
- Sim… ou melhor ex-namorado de uma amiga minha a Maggy
- Hum…
- Sim?
- Vais jantar com eles onde?
- Eles?
- Este teu amigo e o Rui…
- Achas mesmo que o Rui vai? Só se for para ficar amuado o tempo todo que é o que faz sempre que estamos com os meus amigos...
- Tu é que sabes… qualquer coisa…
- Maria eu queria falar contigo sobre outra coisa…
- Diz?
- Os meninos passam a maior parte do tempo deles na escola e quando saem ficam contigo ou com o João ou com os dois… já não faz muito sentido que continue a ser tua babá…
- Arranjaste outro emprego? Consegues manter as aulas?
- Não, não arranjei, mas sinto-me mais a tua filha mais velha… que ainda por cima recebe uma mesada altíssima
- Parva!
- A sério Maria… vivo em tua casa, como em tua casa e ainda me pagas…
- O que é que estás a pensar fazer?
- Arranjar um emprego e…
- E?
- Ir viver com duas colegas minhas… elas têm um quarto livre em casa delas… mas sempre que precisares fico com os meninos… adoro-os
- Sentes-te mesmo mal né?
- Sim…
- Tenho uma solução… - tentei falar - ouve! A Patrícia vai para o estrangeiro, arranjou algo na area dela, preciso de alguém na loja… o que dizes?
- A sério?
- Sim!
- Aceito! Vou ligar-lhes a contar - assim que me levantei bati em alguém - O que fazes aqui?
- Ola! Bom dia para ti também!
- Olá! Estava distraída… nem percebi que tinha acabado o treino, desculpa! - em bicos de pés dei-lhe um beijo - vou só ligar a elas já falamos
Liguei para a Cristina e contei-lhe que iria mudar-me para casa delas, algo que já tinhamos pré-combinado, voltei para onde antes estava a Maria com os meninos e já só encontrei o Rui
- A Maria?
- Foram andando com o João…
- Ah… dás-me boleia?
- Nem precisavas perguntar…
- Oh…
- O que se passa de tão importante que tinhas que ligar e não podia esperar?
- Podemos almoçar?
- Não podemos, vamos mesmo… - enquanto falávamos aproximamos-nos do carro dele
***
- Não vais dizer o que se passa? Já vamos na sobremesa e nem sobre o tempo falaste
- Vou viver com a Cristina e a Teresa
- Vais o quê?
- Viver com elas… não faz sentido continuar em casa da Maria… ela não precisa de nenhuma ama e é desconfortável para mim manter-me lá a comer e viver às contas dela
- E vais para casa da Cristina e da Teresa?
- Sim, expliquei-me a Maria ela convidou-me para trabalhar na loja e assim posso pagar as minhas contas com o dinheiro do meu trabalho e não com a mesada da Maria, sim que agora era só uma mesada mesmo afinal não fazia nada…
- E vais para casa da Cristina e da Teresa?
- Sim… - repeti enquanto ele me olhava de cara fechada
- A serio?
- Sim!
- Quer dizer eu peço-te que venhas morar comigo, e nem era para dividir as despesas, no dia dos namorados depois de ter passado não sei quanto tempo a preparar o jantar e tu… tu recusas porque não vais deixar a Maria e os meninos e mais não sei o quê… e depois vais viver com as tuas amiguinhas?
- Podes falar normalmente?
- Eu estou a falar normalmente só gostava de perceber…
- Queres uma mulher a dias contrata! Não me olhes assim! Passo noites em tua casa para quê? Para lavar roupa, limpar cozinhar… e tu? Ah já sei! Estás a jogar ou a ver tv… e quando finalmente acaba… estas a dormir…
- Ou estás tu?
- O que queres? Tenho as aulas, os trabalhos e ainda te trato da casa… desculpa não sou a super mulher!
- Desculpa… já te disse várias vezes para deixares tudo que eu trato, mas não me ouves…
- Ai… podemos não discutir por isto? Eu sei que querias que fosse viver contigo, mas eu acho que é dar um passo maior que a perna…- ele tentou falar - eu preciso mesmo amor! Ouve-me… eu sai de casa dos meus pais para casa onde trabalhei e depois vim com a Maria… eu preciso mesmo de viver uns dias por mim… sem ninguém a “proteger-me” preciso de viver um bocado sozinha… acho que se saísse de casa da Maria para a tua as coisas iam correr muito mal, principalmente agora…
- O que tem agora?
- Oh Rui tu já viste que discutimos até por causa do tempo? Não mudou nada do que sinto, mas acho que isto está…
- Já percebi… se achas que é o melhor para ti tudo bem… mas eu preferia que…
Ele não acabou de falar porque o meu telemóvel tocou, era o João, atendi e combinamos de nos encontrar perto da hora do jantar. Assim que desliguei a conversa com o Rui ganhou outro rumo e acabamos mesmo por ir dar uma volta para passar o tempo até perto da hora da hora do jantar
- Deixas-me em casa?
- Já? Tinha pensado que jantávamos e passávamos a noite juntos…
- Hoje não vai dar… já combinei com o João…
- Com o João?!
- Não é esse João é um amigo meu do Porto que também está cá em Lisboa… marcamos jantar hoje para meter a conversa em dia…
- E não te tinhas lembrado de me dizer?
- Ai oh Rui!
- Oh Rui?! Oh Rui Micaela?
- Pronto ok… esqueci-me de dizer mas também não morre ninguém! Fazemos assim vou jantar e depois vou ter lá a casa pode ser?
- Como quiseres…
Deixou-me em casa onde tomei um duche e me despachei para passado pouco tempo ir até ao restaurante onde combinei com o João o jantar foi agradável e serviu para colocar a conversa em dia. Contou-me que se tinha mudado para Lisboa e que entretanto tinha terminado de vez com a Meggy, sim de vez já que até onde sabia apesar de terem terminado ainda se encontravam de quando em vez. Contei-lhe no geral como tinha vindo parar a Lisboa mas omiti certos detalhes, como as identidades das pessoas envolvidas e ainda a do meu namorado. Não sei porque o fiz, mas fi-lo.
O jantar terminou e o Joca, como o tratamos, fez questão de me levar a casa.
Assim que abri a porta ouvi gargalhadas vindas da sala, sem duvida eram os meninos e a Maria, mas havia mais fui directa para lá e quando me aproximei pude ver a Maria estatelada no chão com os meninos e o João a enchê-la de cocegas enquanto ela já chorava de tanto rir, foi impossivel não sorrir
- Boa noite! - os adultos olharam-me assustados
- O que fazes aqui?
- Desculpa Maria… pensava que podia ficar até ao fim do mês para fazer a mudança…
- E podes… mas como tinhas dito que ias ter com o Rui… está tudo bem?
- Ah… sim…- tinha-me esquecido de ir ter com ele - mas jantamos aqui perto e amanhã entro cedo… bem vou deitar-me e não vos atrapalho mais…
Mariana
Depois do Ruben sair voltei para a cama, hoje estou particularmente cansada e enfadada, mas não fiquei deitada muito tempo, afinal o Filipe acordou e resmungou por atenção…
Estava a dar-lhe a papa quando senti uma pontada na barriga, nada que me tenha preocupado muito, afinal nestes últimos dias é algo que sinto com alguma frequência, as meninas não estão propriamente a ser uns amores de bebés e têm feito a mãe delas sofrerem…
Já estava na sala com o meu amor e a vê-lo brincar quando ouvi a campainha, fui abrir e
- Olá cunhada!!!
- Oi… mas o que fazes aqui? Não era suposto estares em Nova Iorque?
- Sim mas as saudades apertaram e resolvi visitar a família - sorriu - bem estás linda, assim barriguda!!
- Deixa de exagerar e entra que o Filipe está sozinho na sala!
A Cátia entrou e quando chegamos à sala foi direita ao sobrinho, enchendo-o de beijinhos, algo que o menino resmungou, pois queria brincar e a tia agarrou nele
- Este não sai nada ao pai dele! - olhei-a - sim que o Ruben adora um bom miminho… - sentou-se do meu lado - e por falar no meu irmão, onde é que está?
- No Seixal… têm jogo…
A Cátia sorriu mas não respondeu, aliás juntou-se ao Filipe que brincava no chão… foi enquanto os observava que dei comigo a recordar o passado
*** Recordação ***
- Mãezinha do meu coração!!!! - entrei na cozinha onde estava a minha cota a preparar o meu lanche
- O que é que fizeste, agora? - gargalhei e dei-lhe um beijinho repenicado no seu rosto, acompanhado por um forte abraço
- Nada… mãe… nada… - sorriu - mas posso vir a fazer se deixares!!!
- Mau…
- Não é nada de grave… prometo!!!
- Diz lá!
- Oh… hoje é dia do pai - olhou-me - e como o meu não está cá, pensei que podia deixar-me fazer a boa acção do dia!!!
- Onde queres chegar?
- Oh mãe… é o Ruben… - parou de fazer o sumo e olhou-me muito atenta - desde que o seu pai se separou da mãe da Cátia que a relação deles nunca mais foi a mesma e que só continua a falar com ele por causa da irmã… - encolhi os ombros - é demasiado bom coração para deixar a miúda passar por isto tudo sozinha - suspirei - e hoje sei que vão jantar com o Virgílio e isto está a dar conta do juízo do meu amigo… e pronto pensei que a mãe podia deixar-me ir jantar com eles!!!!
- Mariana! Filha… - não a deixei continuar
- Oh mãezinha… vá lá… o papá nem cá está… só regressa na próxima semana!!! E o Ruben vai precisar de mim… eu sei que vai… e vocês sempre ensinaram que devemos ajudar a família e amigos…
- Gostas mesmo dele… - sorriu
- É o meu melhor amigo depois da Maria!!!
- Amigo? - olhei-a intrigada - Só amigo?
- Sim… ai credo mãe! Eu e o Ruben???? Nem pensar! Para mim é como um mano que a mãe e o pai nunca me deram! E é por isso que a mãe vai deixar-me ir jantar com ele, né????
- Jantar com ele? - olhei-a com aquele olhar de cadelinha abandonada - Não será antes jantar com o Virgílio, a Cátia e o Ruben?
- Sim… mas foi isso que falei!
- Então não há problema em ligar para o pai dele para garantir que não atrapalhas?
- Tome… - dei-lhe o meu telemóvel - é só carregar no verde!!!! - a minha mãe olhou-me surpreendida - Que foi? Já sabia que ia querer falar com ele… afinal não confia na sua filha… - suspirou
- Vai lá… mas juízo e quero-te em casa no máximo à meia-noite! Ah e o teu pai que não descubra esta tua boa acção… - sorri vitoriosa
- Obrigada mamã!!!! Prometo que às onze estou de regresso e deitada na cama!!!!
***
- Tu??? - sorri quando o Ruben abriu a porta só de calças de ganga…
- Oi!!! - dei-lhe um beijinho
- Entra… - sorriu - e se quiseres vir até ao meu quarto, vem… é que tenho que me despachar para ir buscar a Cátia - encolheu os ombros - a pequenina teimou que só janta com o pai se for eu a ir buscá-la…
- E o Mauro? - olhou-me - Não vai mesmo ao jantar?
- Não… às vezes gostava de ser como ele e…
- És demasiado bom coração… - levantei-me da cama e aproximei-me dele que continuava só em calças - e agora chega pra lá - dei-lhe um encontrão - hum… veste esta que a Cátia adora esta tua t-shirt! - mandei-lhe a t-shirt para a cara
- Como sabes? - gargalhei
- Coisas de cunhadas!!! - atirei e surpreendentemente o Ruben agarrou-me pela cintura quando já me afastava
- Coisas de cunhadas???? - gargalhou também - Mas agora andas com o meu irmão, é???
- Aiiii - levei a mão à cabeça - falha a minha… esqueci o a fingir… sim… Cunhadas a fingir… - voltei a rir - opa a tua irmã não existe e a última vez que teve connosco, quando foste à casa de banho, não desistiu até que prometesse que serei sempre a sua cunhada a fingir… - voltei a rir ao recordar-me da conversa
- A miúda senão existisse tinha que ser inventada… - sorriu
- Pois… mas agora larga lá as minhas curvas e veste a t-shirt preferida da tua irmã para a irmos buscar!
- Irmos? - perguntou surpreendido
- Sim… vais levar comigo o resto da tarde e noite!
- Ãh??
- Achas mesmo que te ia deixar sozinho???? Amigo sei bem o que te custa… além disso o meu pai ausentou-se em trabalho, como tal dei a volta à minha mãe e concordou em que viesse jantar convosco… isto se quiseres claro!
- Isso nem se pergunta!!!! - falou com um enorme sorriso
- Só por esse sorriso já vale a pena olhar para as trombas do teu pai…
***
Chegamos a casa da mãe da Cátia e assim que a Rute nos abriu a porta sorriu, cumprimentamo-la e quando entramos na sala
- Mano trouxeste a Mari!!!! - falou animada e se duvidas houvessem do quanto a miúda gostou de me ver, teriam sido dissipadas quando em vez de abraçar o irmão em primeiro lugar, abraçou-me a mim - Também vens jantar com a gente!!! Vem lá por favor, vens!!!!!
- Filha… - ouvimos a Rute - hoje vais jantar só com o teu papá e com o mano Ruben… - interrompeu a mãe
- Se o mano Mauro não vai porque não quer eu também posso não ir! - bateu o pé de forma vincada, o que me fez sorrir ainda que disfarçadamente… aquela determinação conheço bem… e talvez por isso meti-me num assunto e conversa que não são meus
- Oh piolha - olhou-me - o mano Mauro é assim um bocadinho maniento… tem mania que é rebelde - desviei por segundos o olhar para o Ruben que sorriu - vê lá tu… mas sabes que lá bem no fundo… bem mas mesmo bem no fundinho ele é só um menino assustado com tudo o que se está a passar por isso é que tens de ser muito forte e tal como o mano Ruben mostrares ao mano Mauro que ele é que tá errado…
- Tás a dizer que o meu papa fez é certo? - perguntou confusa
- Não… Cátia não podemos julgar o teu papá… ele fez o que o seu coração mandou… bem ou mal… só ele é que te pode responder mas independentemente dele já não gostar da tua mamã como gostou um dia… continua a gostar de ti e dos teus manos da mesma forma, por isso é que hoje quer jantar convosco…
- Mas ele foi mau para a minha mamã!! - tal afirmação fez com que olhasse em volta e encontrei o Ruben abraçado à Rute… aquilo fez-me sentir pequenina… mais uma vez demonstrava o excelente coração que tem, afinal não deixa de estar a apoiar a mulher que no passado também roubou o seu pai à sua mãe…
- Sabes… sou mais crescida e também não percebo… acho que não é mesmo para perceber mas para aceitar… às vezes fazemos coisas que magoa pessoas muito importantes para nós e muitas vezes sem sabermos o porquê… talvez tenha sido isso que aconteceu com o teu papá…
- Também já magoaste o meu mano Ruben?
- Oh piolha e irmos andando? - o Ruben interveio - Que dizes de um gelado? - piscou-lhe o olho - Daqueles da gelataria junto da praia???
- Fixe mano!!!! - olhou-me - Mas só se a Mari vier!!!
- Ui… piolha não te preocupes que vais apanhar um enjoo de mim - olhou-me confusa - também vou jantar convosco…
- Sério???? Bué fixe!!! Vou buscar a minha mala e casaco!!!
- Não fique assim… - falei para a Rute - tudo se há-de compor…
- Obrigada aos dois… - agradeceu emocionada
- Não tem nada de agradecer… se o Ruben é irmão e o faz acima de tudo pelos laços familiares, eu faço-o porque adoro a Cátia, é uma menina cheia de alegria e vivacidade, que está a passar por uma fase em que precisa de atenção e de muito mimo!
A miúda regressou, alegre e bem disposta, agarrou-me na mão e depois de dar um beijinho à mãe puxou-me…
- Mano tás de carro!!!!
- É piolha… vê lá tu que a tia Anabela deixou aqui o Rubinho trazer o carro…
- Não sei se é boa ideia… - olhamo-la - oh Mari é seguro andar com o mano de carro?
Gargalhei forte e feio, ao ponto das lágrimas aparecerem de tanto rir, a saída expontanea da miúda só por si já tinha sido top mas a cara do Ruben ao ouvir a irmã foi o explendor…
***
A tarde foi animada… com a miúda volta e meia a chatear o irmão com a história de sermos namorados, o que acaba sempre connosco a rirmos perante o desagrado e ao mesmo tempo tentativas dela para que assumíssemos uma coisa que só se passava na sua cabeça…
Já o momento do jantar foi tenso… o Ruben estava contrariado, a miúda acima de tudo magoada com tudo o que se passa, que apesar de criança percebe que a atitude do pai magoou muito a sua mãe, o Virgílio estava nitidamente desconfortável perante a minha presença mas com isso posso bem e nem mesmo quando o Ruben se afastou para atender o telemóvel e a Cátia avisou que ia à casa de banho me incomodou
- Porquê que vieste? - olhei-o
- Porque gosto demasiado dos seus filhos! - atirei e sem perder tempo continuei - E não… isto não significa que mudei de opinião a respeito do que lhe disse quando teve o displante de procurar-me para convencer o Ruben a perdoá-lo, mantenho a minha opinião a seu respeito, você é asqueroso e não merece os filhos que têm e menos ainda a Anabela e a Rute… é mesmo canalha! Sim porque só um canalha é que tem a lata de trair a Anabela com a Rute para mais tarde trair a Rute com outra qualquer sem pensar nos três filhos que tem… esqueça nem aqui nem no raio que o parta vou mexer um dedo que seja para convencer o Ruben a aceitar o que fez… se o seu filho está aqui hoje, é por amor à Cátia e nunca a si!
Felizmente a menina regressou à mesa e pouco depois o Ruben também apareceu, terminamos a sobremesa e depois do Ruben pagar a minha parte ao pai, uma vez que fez questão de não ficar a dever favores ao pai saímos finalmente do restaurante
- Então adeus - a Cátia que vinha de mão dada ao Ruben e outra a mim falou - pai… - olhamo-la e antes do Ruben ter tempo para a repreender - Mano tou cansada… e tenho sono levas-me para casa!
O meu amigo olhou-me e incentivei-o com o olhar para que cedesse ao pedido da irmã, afinal já tinham feito o seu papel de filhos e se estava mesmo a ser um frete para os dois, não havia razões para o prolongar… o pai deles não gostou mas aceitou…
- Mari - olhei para trás - sobes? - perguntou quando o Ruben estacionou o carro em frente à porta do seu prédio
- Subo… - olhei para o Ruben que sorriu - mas dou-te um beijinho e desço logo que tenho de apanhar o autocarro que prometi à minha mãe chegar cedo!!
- Ohhh…
Saímos do carro e quando já estávamos no elevador, senti a mão do Ruben na minha cintura e as minhas costas a embaterem no seu peito, ele tinha reduzido por completo a distancia que nos separava
- Obrigado… - sussurrou-me, desviei ligeiramente o rosto e as nossas bocas ficaram perigosamente perto, estávamos a olhar-nos, olhos nos olhos quando
- Beijo… beijo…. - acordamos para a realidade ao ouvi-la, o Ruben afastou-se de imediato e - Ohhh eu quero ver um beijo!!! - resmungou
- Queres… queres… ir para a caminha que o teu mal é sono! - o irmão falou e depois saímos do elevador, à nossa espera estava a Rute
- Mas eu quero!!! - voltou a insistir
- Queres o quê filha? - a menina sorriu para a mãe
- Nada mãe… - encolheu os ombros - é uma coisa nossa né mano e Mari?
- É… e agora xixi cama! - falei
- Vens comigo? - achei estranho o pedido mas segui-a - Porquê que não namoras com o meu mano?
- Desculpa?
- Oh… ele gosta de ti… eu sei… és a única menina que o deixa assim… assim estranho - sorri ao ouvir a pequena
- Cátia, nós somos só amigos, os melhores amigos, é só isso! E o que viste no elevador não foi nada de especial - olhou-me confusa - sei que pensaste que o Ruben ia dar-me um beijinho mas o teu irmão estava só a agradecer-me tudo o que fiz por ti e por ele hoje, nós somos assim…
- Vocês são estranhos!!! - gargalhei e depois de vestir o pijama dei-lhe um beijinho e deixei-a na cama
***
- A minha irmã disse alguma coisa? - perguntou assim que entramos no elevador, agora sozinhos
- Nada de especial… expliquei que somos só amigos e depois dei-lhe um beijinho de boa noite
- Então e queres ir beber um copo? - senti a sua mão no fundo das minhas costas depois da porta do elevador abrir no rés-do-chão
- Não posso… - olhou-me - prometi à minha mãe que chegava antes das 23h!
- E desde quando é que cumpres com essas promessas?
- Desde que preciso que confie em mim… - olhou-me surpreendido - a menos que para a próxima queiras jantar sozinho com o teu pai e irmã…
- Mas ainda tens tempo… são agora 22horas…
- Estás a esquecer-te que tenho o autocarro para… - calei-me porque senti os seus dedos nos meus lábios e a olhar-me nos olhos
- Estou de carro… - abriu-me a porta - levo-te a casa e assim ganhamos uns minutos…
Entrei no carro e quando já tinha o cinto posto e o Ruben sentado ao meu lado
- O que é que se passa contigo? A tua água tinha alguma coisa… só pode!
O Ruben sorriu mas não respondeu, iniciou a condução que nos levou até à minha margem, mas em vez de ir direto ao apartamento dos meus pais, desviou caminho… não disse nada… estava curiosa para saber o que lhe ia no pensamento e quando percebi
- Belém??? Numa sexta-feira??? - sorriu
- Anda!! Vamos dar uma volta a pé que estou a precisar de arejar a cabeça…
Saiu do carro e deu a volta, abriu-me a porta e iniciamos uma caminhada, lado a lado mas remetidos ao silêncio… um silêncio estranhamente bom… estava perdida em pensamentos… as palavras da miúda eram como pregos a espetarem-me o cérebro… estava tão absorvida pelos meus próprios pensamentos quando senti a mão do Ruben na minha… e a reação foi a de entrelaçar os meus dedos nos dele… sem uma única palavra trocada fomos e regressamos ao carro…
- O que é que estás a fazer? - perguntei ao vê-lo a sair do carro
- Vou subir! - falou determinado
- Porquê?
Sorriu mas não respondeu… algo que deixou-me curiosa não nego, até porque o meu amigo hoje estava muito estranho…
Entrei no apartamento e percebi que a luz da sala estava acessa, sinal que tinha a minha mãe à minha espera… suspirei e senti novamente a sua mão na minha, olhei-o e encontrei-o com um sorriso entupidamente atraente naqueles lábios… o Ruben simplesmente deu um passo em frente, puxando-me pela mão mas ao aproximar da porta da sala separou-as
- Boa noite D. Fernanda - cumprimentou-a com dois beijinhos
- Boa noite Ruben… - olhou-me e antes que tivesse tempo para repreender-me
- Desculpe só ter trazido a Mari agora, sei que já passa uma hora daquela imposta por si e duas da que a Mariana garantiu que regressava mas a culpa é minha… perdi a noção do tempo… é uma das consequências que sofro quando sou obrigado a conviver com situações que mexem demasiado comigo… mais uma vez desculpe…
- Não faz mal… O facto de saber que a Mariana saiu de casa para ir ter contigo, já era uma certeza que não chegaria nem às 23h nem à meia-noite mas tive de impor um limite para não passar a noite toda à sua espera! E aproveito para dizer que terás todo o meu apoio para quando precisares de raptar a minha filha… se isso te faz sentir menos mal… agora vou deitar-me e Mariana isto é uma excepção mas acima de tudo uma prova de confiança que te dou, não abuses!
- O que é que ela quis dizer?
- A mãe é tua e perguntas-me a mim?
- Pois… olha queres comer ou beber alguma coisa?
- Posso invadir a cozinha da tua mãe? - olhei-o desconfiada ainda assim
- Podes…
Fiquei na sala, a seu pedido e uns minutos depois quando o voltei a ver trazia nas mãos duas canecas
- O que é isso?
- A minha especialidade…
- Medo… - sorriu e depois entregou-me uma caneca de chocolate quente - Hummm… delicioso… - sorriu novamente - sim senhor… gostei da especialidade do menino
O Ruben passou o seu braço disponível pelas minhas costas, abraçando-me e depositou um beijo na minha testa
- Obrigado por tudo… - suspirou - pela tarde, pela paciência que tens com a minha irmã, pelo jantar a que foste mesmo sem teres obrigação, pela caminhada que te obriguei a fazer… mas acima de tudo por seres quem és e por estares sempre presente…
Não respondi, limitei-me a afastar-me dele, peguei num cobertor, reaproximei-me, dei-lhe a mão e puxei-o até à varanda, onde nos sentamos e depois de cobertos, aconcheguei-me finalmente nos seus braços…
- Bem que sorriso… - despertei com o comentário da Cátia - aposto que estavas a pensar no meu maninho… sim que essa cara de parva não engana… aliás nunca enganou… sim que a miúda era eu mas sempre disse que ainda ias ser minha cunhada!!! - gargalhei - e agora que falo nisso… opa tira-me uma dúvida - olhei-a - na altura em que os meus pais se separaram e que passei a ter mais convívio contigo, vocês já andavam enrolados?
- Continuas a mesma curiosa… raio da fedelha! - atirei com uma almofada à cara
- Ohhh diz lá! Acho que mereço saber…
- Nunca te menti… nós não namorávamos!
- Oh Mari na altura ainda conseguias dar-me a volta mas agora… vai atirar areia para os olhos de outra… sim que aqueles abraços, troca de olhares, as mãozinhas dadas por baixo da mesa ou mesmo aquelas vezes todas que entrava na sala e parecia que tinha interrompido alguma coisa…
- É complicado… nós sempre gostamos um do outro mas nunca o admitimos ao outro, apesar da troca de carinho e mimos se ter intensificado bastante, nunca falamos abertamente sobre o que sentíamos mas sim… tens razão nessa altura muita coisa se passou e acabou por ganhar uma proporção gigantesca… a verdade é que fugiu por completo ao nosso controlo e no fim não correu muito bem…
- Não correu muito bem? Oh Mari vai gozar com outra! Porra vocês amam-se da forma que se amam, tiveram anos afastados e não conseguiram esquecer o outro, lutaram contra o teu pai, venceram todos os obstáculos e hoje estão casados, mas acima de tudo felizes… se isso não é correr bem, então não sei o que seja!
Não respondi… mas fiquei a pensar no que falou, para uns minutos depois lhe pedir que ficasse com o sobrinho, afinal estava mesmo a precisar de esticar o corpo…
Fui até ao quarto e assim que fiquei sozinha… foi impossível não pensar no Ruben e no quanto injusta tenho sido, é verdade que doeu ouvir o que falou mas no fundo sei que não o disse com a intensão que atribuí… tanto que após uns minutos a ponderar acabei por…
Maria
O tempo tem passado calmamente, finalmente, a paz e tranquilidade voltaram aos meus lados.
Hoje quando cheguei ao portão do infantário dos meninos o João chegava no mesmo instante
- João!! - chamei e ele esperou por mim - Não sabia que vinhas!
- Oh… sai do treino e como tinha saudades vossas… - aproximou-se vertiginosamente de mim - o meu beijo? - ia juntar os nossos lábios quando num movimento rápido voltei a cara para que os seus labios tocassem na minha face ao invés dos meus lábio - a sério?
- Sério o quê?
- Que nem um beijinho??
- Aqui??
- Oh… tou carente… - gargalhei
- Anda vamos lá buscá-los que quanto mais depressa os apanharmos mais depressa vamos lá para casa… sim também quero o meu beijo!
Os meninos quiseram ir no carro com o João dei uma volta maior para passar numa pastelaria para animar o nosso lanche e quando cheguei a casa tinha os meus homens todos parados na porta do prédio a brincar com um gato.
- O que se passa aqui?
- Mamã Guigas tinho!!
- O quê?
- Oh mamã eu e o mano queremos ficar com um dos gatinhos! - olhei para onde ele apontava
- Não… - olharam-me e fizeram aqueles olhinhos de cão abandonado - nem pensem em olhar-me assim que já disse que não!
- Oh Maria… - o João tentou intervir
- Não!!!! JOÃO!!! Não deixes!!! - entrei em panico quando olhei para o Gustavo
- Calma Maria o menino está só a brincar com o gato!
- O Gustavo está colado a um saco de pelo e pulgas… no minimo! Vá todos para cima que vão já para o banho!
-Oh mamã!!!
-Vá os dois já!
- Eu qué tato!
Só olhei para ele e continuei. Ouvi o João a dizer ao Guilherme que depois falava comigo. Quando chegamos aproveitei que a Micas ainda lá esta para lhe pedir que desse banho imediato aos dois de preferência com álcool para desinfectar e fui tratar do lanche.
Estava a acabar de meter tudo na mesa quando senti as mãos do João nas minhas ancas.
- Tava a ver que não ganhava o meu beijo - beijou-me
- Não achas que exageraste? Os meninos queriam um animal... - olhei-o pelo canto do olho - oh Maria um gato é das coisas mais normais... e se eles te pedissem um porco...
- Não! Não tenho vida para animais! E...
- Sabes que os gatos são animais caseiros?
- Não! - gargalhou
- Mas continuas com medo?? Ainda não passou?
João
***Recordação * * *
A Mariana hoje está doente por isso passei o dia com a Maria que estava super entediada já que desde que torceu o calcanhar nem jogar pode.
Conversamos bastante e ri-me muito a Maria com mau feitio fica sem filtro entre a cabeça e a boca e por isso sempre que a abre diz o que realmente pensa e as vezes é com cada comparação...
Estava ela a explicar-me mais uma das suas mirabolantes teorias quando a minha mãe me liga para que passe em casa da minha avó. Desafiei a Maria a vir comigo algo que acabou por aceitar uma vez que ficava em caminho de sua casa.
Quando chegamos a casa da minha avó assim que ela nos abriu a porta o Tareco de imediato resolveu mostrar de forma bem clara que não tinha gostado da visita de estranhos. Mostrando o seu pelo eriçado e mostrando os dentes à Maria que de imediato se afastou. Quando nos sentamos esperando que a minha avo terminasse o lanche que nos ofereceu o Tareco mais habituado com a Maria resolveu pedir-lhe mimo e ai surpreendi-me ao vê-la encolher-se com a aproximação e quando o gato saltou para o seu colo
- João tira-o daqui!!! - pediu-me a tremer e a chorar - tira!!
- Calma! - afastei o tareco - pronto... calma... oh Maria é só um gato!
- Eu acho que sou alérgica... e se não sou devia ser... eu não gosto de gatos... eu - arrepiou-se - tenho medo!
- Medo??
- Sim! Ainda para mais esse é preto!!
- Acreditas nisso?? - gargalhei
- Jo no creo en Brujas Pêro que las ai las ai!!
- Avó nos voltamos depois que a Maria tem alergia a gatos
Saímos e ela explicou-me o seu pânico perante animais, principalmente gatos
- Porque passaria??
- Porque não é muito normal!
- Tás a chamar-me anormal?? - o seu ar indignado fez-me rir
- Não… estou a constatar que esse teu medo de gatos não é algo normal…
- Se é ou não normal não interessa o que interessa é que eu já disse que não e tu não vais desautorizar-me em frente dos meninos e muito menos fazer-me mudar de ideias!
- Feitiozinho… - olhou-me com cara de má e só não me respondeu porque os meninos entraram na cozinha com a Micas.
Enquanto lanchávamos os miúdos aproveitaram para contar à Micas que tinham estado a brincar com os gatinhos abandonados e que queriam um. A Micas tal como eu achou uma excelente ideia e ainda deu uma data de informações sobre os benefícios para as crianças por terem um animal de estimação.
Enquanto a Micas falava os meninos só diziam “vês mamã?” ou “Guigas qué tato!” já a Maria apenas revirava os olhos e respirava fundo, quando a Micas terminou
- Isso é tudo muito giro e eu percebo, mas eu já disse que não! Eu não gosto de gatos e não quero um aqui em casa e acabou a conversa!
- Então e um cão mamã? - o Gustavo foi rápido - a Micas disse cão ou gato… também não gostas de cães mamã?
- Cão… ão-ão?? Guigas qué!!!
- Meninos não temos condições para ter um cão cá em casa… a mamã sai cedo e leva-vos para a escola e já chegamos todos tarde e cansados e um cão, ou qualquer outro animal exige que tenhamos tempo para tomar conta dele… levá-lo a passear, limpar o que sujar… ensiná-lo a portar-se… e nós não temos tempo para isso além disso o senhorio não sei se aceitará animais aqui em casa…
A Maria lá explicou aos meninos o que era um senhorio e depois sentou-se com ele ao pc e mostrou tudo o que são os cuidados essenciais a qualquer animal, dizendo sempre que não tinha tempo para que conseguisse prestá-los tentando convencer os meninos que não era boa ideia adoptar um animal.
Maria
Desde que apareceu a “bem-dita” caixa de gatos abandonados, há uma semana, que os meninos não falam em mais nada que não em terem um animal. O Gustavo já não fala em gatos, para ele um cão é o ideal porque e usando as suas palavras “os cães brincam com agente e os gatos fogem”, já o Guilherme acha que o animal de estimação ideal para nós seria um gato verde, e é isso que me está a tentar explicar ao olhar para os animas que se encontram em “exposição” em mais uma das várias feiras de adopção que se realizam aqui perto de casa e que tiveram que vir visitar
- Xim mamã tato vede!
- Não há gatos verdes!! - desta vez já era o Gustavo a responder-lhe - a mamã já disse! E porque queres que seja verde?
- Mamã gota poting, poting vede… tato vede mamã gota - foi impossível não gargalhar
MariaMMendes_ O meu G mais novo acha que este será o animal de estimação ideal para a nossa familia e porquê? “Mamã gota poting, poting vede… tato vede mamã gota”
JP47 @MariaMMendes_ sou obrigado a concordar que não deixa de ter uma certa lógica… arranja lá um gato verde ao menino!
MariaMMendes_ @JP47 não me provoques!!
AnaDr sem me querer intrometer na discussão do casal… desculpem dos papás @MariaMMendes_ e @JP47 um animal de estimação é bastante benéfico para as crianças…
MariaMMendes_ @AnaDr leva um para tua casa o Miguel vai adorar
- O que fazes aqui?
- Vim ver os meus amores não posso?
- Só ver?
- Dar uns beijinhos também… - beijou-me e quando o ar nos faltou
- Tás maluco? Os meninos podiam ver!
- E?? Ficavam mais contentes com a novidade do que com um gato verde! - gargalhamos os dois
- Oh pa a sério! Foste tu que lhe deste esta teoria não foste?
- Eu? Nop… não vou insistir com a ideia do gato… mas um cão oh Maria um cão podias muito bem ter… e não venhas com tangas que tens muito bem condições e tempo…
- Não sou fã de animais e sabes disso…
- Pronto… olha e irmos até casa que quero uns beijinhos antes de ir para estágio?
- O que eu não faço por ti…
Os meninos assim que deram um intervalo aos animais e viram o pai mudaram o foco da atenção por isso finalmente subimos até casa onde acabamos todos na sala na brincadeira até que
Bom tenho mesmo de ir..
- Papá Guigas penda papá cola
- Tá calado a prenda é só para dar amanhã que é dia do pai! - o Gustavo repreendeu o Guilherme - Eu também tenho uma papá, era surpresa… mas só podemos dar amanhã que a professora disse - o João sorriu
- Então amanhã dão-me… no jogo…
- Dão onde?
- Oh Maria o pessoal vai todo entrar com os filhos…
- Ai de ti que um deles tenha nem que seja uma bandeirinha de plástico com o emblema do Benfica!
- Isso é um sim? - revirei os olhos - Vais levá-los?
- A tua sorte é que quero ver o jogo!
- Sim… sim… - puxou-me e deu-me um beijo
- Guigas!! O papá e a mamã tão a dar beijinhos!!!
- Guigas vê!!! - fuzilei o João com os olhos e ele riu
- Meninos vocês não viram nada!
- Eu vi papá!
- Não Gustavo o papá estava a fazer cocegas a mamã para ver se ela não muda de ideias e amanhã leva vocês ao jogo
- Foi papá? - o menino perguntou desanimado
- Foi…
- Oh… - disseram os dois em simultâneo
- Bom agora vou mesmo… - despediu-se dos meninos e quando o acompanhei até à porta voltamos a beijar-nos - temos de falar com eles…
- Vamos com calma…
O João saiu e os meninos voltaram a conversa do animal.
***
Hoje é dia do pai, os meninos vão entrar em campo com o João, mas de manhã fomos às compras afinal tinham a prenda para comprar. Andamos pelo shopping e lá voltou o assunto animal de estimação assim que passamos numa petshop.
***
Deixei os meninos com a Teresa durante o almoço e sai para comprar a minha prenda para o papá dos meninos. Prenda que pedi que entregassem em casa no dia seguinte.
Que surpresa terá a Maria a preparar?
O que a Mariana terá feito?



Olá meninas!
ResponderEliminarAdorei, é que tava mesmo a precisar de ler um capitulo vosso!
O que me ri com estas recordações e então esta historia do gato verde xD está demais!
Espero pelo proximo e que venha rapido sff :D
Beijinhos
Olá!!!
ResponderEliminarMeninas, já estava com saudades da fic, amei o capítulo!!! Agora algo não cheira bem com a chegada desse Joca e acho que a Micas deveria pelo menos ligar para Rui avisando que não ia, isso ainda vai dar confusão e das grandes!
Gosto muito quando tem esses flashback no meio, me faz entender melhor a história... Achei muito nobre a atitude da Mari em ir junto ao jantar e Ruben também. Se eu fosse irmã de Ruben não queria ver o meu pai nem pintado de ouro! E estou ansiosa para saber o que ela vai fazer...
E em relação à Maria, concordo com ela, nada de gato ou cachorro, o medo que sinto por ambos influência um pouco [muito], um peixinho está bom! ;)
Aguardo o próximo!
Beijinhos!!!
Lari Lima
Olá meninas;
ResponderEliminarAdorei o capitulo, já estava com saudades de ler ;)
Desculpem só hoje comentar... :)
Estou com a Maria, uma bola de pêlo que gosta de roçar nas nossas pernas, não por favor.... pior verde :D :D :D
Amo estas recordações ;) E o que será que a Mari foi inventar???!!!! Super curiosa.
Quero mais, por favor!!!!
Beijinhos
Olá!
ResponderEliminarPrecisei de fazer uma leitura na diagonal porque li isto na sexta e depois com o fds acabei por não comentar!
Ui rui e micaela está a ferver no muito mau sentido. Mas eu estou curiosa e entusiasmada com isto. Quero ver o que acontece a seguir. Deve ser por não seguir a história deles que não mexe tanto comigo estar intermitências! Estou para ver!
Eu não ser se já disse, mas eu gosto destas recordações do passado. Dá sempre para conhecer melhor as personagens! E pelos vistos meteu juízo na cabeça da Mariana! Ou não... Não sei o que pensar sobre o que ela decidiu fazer. Não imagino o que seja!
Cães? Gatos? Gatos não! Cães é melhor. Mais fiéis! Gatos são como os homens: só querem saber de nós para comer! Já que toda a gente deu opinião, eu também dou! Sou portuguesa, tenho sempre algo a dizer.
E neste caso tenho a dizer que já espero o próximo ;-)
Ana Santos
Olá!
ResponderEliminarEm primeiro lugar quero pedir mil desculpas pela demora em comentar, eu sei que as desculpas não se pedem evitam-se, mas não tenho conseguido vir aqui.
Em relação ao capitulo, mais uma vez adorei. Esta história da Micas e do Rui não vai acabar bem, porque é que ela não segue os conselhos da Maria e fala com ele? e agora ainda por cima com este Joca a rondar... o Rui vai se passar com os ciúmes, e ainda por cima ela combina de ir a casa dele depois do jantar e esquece-se? ao menos que lhe ligue.
Adoro as recordações deles, e mais uma vez vimos uma Mariana muito "amorosa" e preocupada com o seu "amiguinho do peito", quem nunca perdeu a esperança de os ver juntos foi mesmo a cunhadinha a fingir, a essa é que eles nunca enganaram.
A Maria sempre armada em durona tem medo de gatos? Eu sei que não são propriamente os animais mais fiéis, mais meigos, e digo-o com experiência própria porque nunca fui fã de gatos até ao dia em que um se cruzou no meu caminho e me escolheu como dona dele, e foi com ele que aprendi a gostar de gatos, e também foi com ele que sofri ao vê-lo doente e para curar o desgosto de o ter perdido nada melhor do que uma gatinha amorosa, fofinha que se veio a revelar uma tigresa, uma maluca que eu adoro, são mais independentes do que os cães, mas concordo que faz bem ás crianças crescerem junto a animais, eu sempre tive cães, e adoro. Acho que a Maria vai acabar por ceder e não sei até que ponto a prenda do dia do pai, não é um cão, já que na casa dela ela não quer, na casa do pai não faz mal nenhum, e as crianças ficam na mesma com o seu animal de estimação e a Maria assim não tem o trabalho de o educar.
Adorei, e quero muito ler o próximo, sei que não tenho moralidade nenhuma para vos pedir um capitulo novo, despois da minha demora em comentar, mas como quem não pede não ouve Deus, venha de lá o próximo.
Beijocas
Fernanda