quarta-feira, 24 de outubro de 2012

024 - "Oh bate amor bate... quanto mais me bates mais eu gosto de ti!"

(Maria)

O dia foi relativamente calmo, conseguimos fazer tudo como planeado a casa estava pronta e eu e a Mariana também já estávamos prontas a receber os convidados, no fundo eram apenas o grupo de amigos mais chegado, o núcleo duro do secundário que agora se tinha reencontrado e mais dois ou três “novos” amigos.
- Mariana a campainha!
- Vais lá?
- Até ia mas não posso deixar isto no forno mais tempo - estava a desenformar um bolo, sim adoro cozinhar é terapêutico e para os amigos então...
Ouvi a Mariana abrir a porta e passado pouco tempo senti-o aproximar-se e abraçar-me por trás apenas me recostei de modo a me aninhar melhor nos seus braços.
- Isto é assim?! - olhei-o - Já te vens recostando toda no primeiro que te abraça?!
- Eu sabia que eras tu...
- Ah sim e como é que sabias? Só o Ruben é que falou que eu não fiz barulho!
- Nunca ouviste falar no 6º sentido das mulheres?
- Uiii 6º sentido... - gozou-me
- Mas tu achas mesmo que eu não senti logo que eras tu? 
- Tretas eu cá se me chegar uma qualquer a abraçar por trás... só se ela falar é que vejo que não és tu...
- Pois por isso é que não te podes recostar como eu...
- Ai não, não posso!! Recosto-me e ainda faço mais qualquer coisinha! - disse a rir-se agradeci mentalmente a Mariana e o Ruben entreterem-se um ao outro e podermos estar ali assim - tinha saudades tuas...
- Eu também esta semana foi corrida... para ter tudo pronto hoje... mas...
- Mas?
- Esta semana não foi nada comparado com o mês de Janeiro que se prevê... algo me diz que vai ser a loucura...
- O que é que queres dizer com isso?
- Que não sei se vou ter muito tempo livre...
- Já esperava...-falou num tom calmo - e por isso ficas a saber que me vais ter aqui batido todas as noites para jantar!
- É preciso ter lata! Então eu estou a dizer que não vou ter tempo e tu ainda vens atrapalhar?
- Atrapalhar?! Eu venho é garantir que não ficas dias seguidos sem dormir e agarrada ao portátil e ao telemóvel isso sim!
- ahh se é para tomares conta de mim podes vir paizinho...
- paizinho?! oh fofinha na manhã de Natal chamaste-me coisas bem melhores e olha que o paizinho anda longe -  falou enquanto me tirava das mãos a travessa com o bolo pousando-a para finalmente desde que chegou nos  beijarmos
- Joãaaooo... - acabei por o chamar à razão de forma arrastada e molengona de quem dizia não querendo dizer que sim assim que vi que entravamos por caminhos perigosos para o ouvir
- Vês é assim... - deu-me um pequeno beijo nos lábios- é assim que  eu gosto que me chames...
- Parvo - disse enquanto lhe dava uma chapada no braço
- Ai que ela é má! - comecei a rir-me com a forma como ele imitou uma criança quando falou e continuei a dar-lhe pequenas chapadas nos braços - Oh bate  amor bate... quanto mais me bates mais eu gosto de ti! - aumentei a velocidade e um pouco de força com que lhe “batia” - continua fofinha “chapada de amor não doi não” - falou a imitar o sotaque brasileiro e continuando a rir. Não o queria magoar mas queria que ele parasse de gozar com a minha  pouca força por isso peguei a colher de pau que tinha perto e dei-lhe em cheio no braço- Ehhh!! Parou!! - voltei a repetir o gesto desta vez sem força - Vamos a parar se faz favor que isto assim já começa a mudar de figura e eu vou ser obrigado a reagir - falou a rir enquanto me agarrou nos braços para que eu não continuasse e o aleijasse a sério
O seu gesto trouxe-me automaticamente à memoria a ultima vez  que vi o Pedro e por isso a única coisa que consegui fazer foi afastá-lo e sair disparada da cozinha para o meu quarto passando pela sala sem nem se quer cumprimentar os  presentes.
O João não me seguiu acho que ficou tão surpreendido com a minha reacção que nem conseguiu reagir. E eu alguns minutos depois e “acordada” pelo som da campainha que indicava a chegada de mais pessoal acabei por retocar o make-up e regressar à sala vi que a Mariana já tinha terminado de colocar a mesa e por isso iria apenas preocupar-me em encontrar o João e tentar inventar qualquer coisa que servisse de desculpa uma vez que não queria tocar no  verdadeiro motivo. Não o consegui encontrar, por isso acabei por cumprimentar todos os que já tinham chegado deixando para ultimo o Ruben que estava acompanhado da Mariana
- Olá! Olá! 
- Boa noite! Tá tudo bem? - disse dando-me dois beijos
- Sim - forcei o sorriso
- Eu vou fingir que acredito,  mas qualquer coisa já sabes...
- Está tudo bem a sério...- o Ruben afastou-se para atender uma chamada
- O João? 
- Não sei ele teve aqui na sala e depois distrai-me e já não o vi... Maria ele não entrou em detalhes mas pelo que contou ele fez-te lembrar o que se passou não foi? 
- Foi automático aquela lembrança veio e quando consegui ter novamente noção da realidade já estava fechada no quarto
- Vais contar-lhe?
- Não quero falar sobre isso e não me parece que seja  realmente importante... digo-lhe que fiquei mal-disposta... é isso digo-lhe que vomitei e que agora passou
- Oh Maria vais mata-lo de susto! O desgraçado ainda pensa que vai ser pai!
- Piada e ele pensaria isso porque?
- Mas tu achas que eu sou burra? E não sei o que se anda a passar? 
- Não faço ideia do que falas - disse a rir - mas esta vai ser a desculpa!
Voltamos a ser interrompidas pela chegada de mais pessoas e  estava a conversar com alguns colegas quando vejo o João entrar na  sala vindo da varanda, quis aproximar-me mas foi  impossível não consegui cortar a conversa  que estava a ter e ele também se juntou logo a um grupo animado.
Foi da Mariana a iniciativa de jantar. Tínhamos organizado tudo para que cada um se servisse e se sentasse espalhado pela sala, fiz por isso tudo para me servir só depois do João e sentar-me “distraidamente” ao seu lado.
- Desculpa - disse quando o empurrei um pouco para dividir um ele um sofá de apenas um lugar
- Deixa eu saio, para ficares confortável
- Fica...estava a falar do que se passou à bocado...
- Desculpa é só o  que tens a dizer?
- Fiquei enjoada de repente e tinha mesmo que sair...
- Enjoada assim do nada? Isso tem-te acontecido muito? Tens notado mais alguma coisa de diferente?...- oh não! então não é que a Mariana acertou em cheio?! Só me apeteceu rir mas fiquei a ouvi-lo encher-me de perguntas cuja resposta só poderia indicar que estaria gravida, deixei-o falar e quando se calou
- Não João, eu não estou gravida... e sim João tenho a certeza absoluta! -sorri - passei o dia a mexer na comida e fui  experimentando de  tudo deve ter sido qualquer coisa que me caiu mal...
- Mas já tás melhor? 
- Sim! Olha lá o que é que tavas a fazer lá fora?
- Oh não quis ser vela dos pombinhos! - disse fazendo uma cara de nojo no fim
- Conta lá isso 
- Escuta vim para a sala ter  com eles e eles alaparam-se! - desatei a rir - tas a rir do quê?
- Da tua indignação até parece que é uma grande novidade?
- Não, não é mas depois do que vimos nos meus anos temi o pior - dei uma gargalhada daquelas mesmo sentidas que chamou como é óbvio atenção de todos incluindo dos visados na conversa que também se tinham sentado juntos.
O resto da noite passou-se entre conversas  e brincadeiras e foi impossível não reparar na constante troca de mimos entre a Mariana e o Ruben aqueles dois estavam decididamente a querer assumir-se perante todos.
A meia-noite chegou e foi celebrada por todos com grande animação, para depois  começarmos a ver partir os convidados ao poucos e perto das 3h da manhã apenas restava o quarteto do costume.

(João)

Depois da euforia da meia-noite todos começaram a dispersar e como já se tornava habito a noite acabou apenas com nós os quatro.
Assim que saíram os últimos convidados, sim que eu e o Ruben já fazemos parte da mobília,  a Mariana já estava outra vez alapada com o Ruben e a Maria jogou-se para cima de um puff ficando exactamente da forma que caiu foi impossível não nos rirmos da figurinha dela
- Tão a rir do quê?
- De ti! 
- Palhaços! Já não pode uma pessoa estar cansada sem ser gozada?
- Ahh se é por isso espera ai... - a Mariana levantou-se e atirou-se para cima da Maria - aiii estou tão cansada!!
Não tardou muito a que eu e o Ruben fizéssemos o mesmo e acabássemos em cima delas
- Oh pá seus elefantes saiam de cima de mim!! - a Maria gritava de baixo de nós mas não era muito credível porque também ela ria à gargalhada, como não saiamos ele forçou um movimento com o corpo que nos fez cair a todos no chão o que só fez aumentar as gargalhadas.
Ainda ficamos estendidos no chão sem nos mexer e só a rir durante uns minutos. Minutos esses que serviram para me lembrar da véspera  do baile de finalistas a que fomos e que passamos a tarde a jogar twister a tarde toda e que terminou numa cena semelhante quando me apercebo era o único que continuava a rir sozinho e tinha três pares de olhos postos em mim ainda gargalhei mais
- Mariana aponta ai na próxima festa comprar Champomy... que aqui o menino não aguenta a pressão...
- Está registado!
- Engraçadas! Uma pessoa já não se pode lembrar de nada sem ser gozada?
- Uma pessoa sim...  tu não..-desta foi o Ruben a gozar
- Pronto vá não gozamos mais com o menino! - a Maria acabou por sair em minha defesa ao mesmo tempo que  se sentava ao meu lado enquanto me fazia festas na cabeça como se faz a uma criança com  birra - Nós não gozamos mais, mas tu partilhas o que te fez rir
- Na boa... lembrei-me da véspera do baile em que acabamos todos assim...- não acabei de falar porque todos começaram a rir
- É foi a ultima vez em que estivemos realmente os quatro juntos...- a Mariana falou
- Sim porque desde esse dia até agora não nos tínhamos visto mais 
- O que a minha prima quis dizer foi que depois dessa tarde nada voltou a ser como antes...- olhei-a - nunca mais voltamos a estar nós sem defesas nem ataques sem capas e sem medos... e muitas vez nem sequer voltamos a estar fisicamente os quatro porque houve alturas principalmente neste últimos meses quase um ano em que muitas vezes um de nós faltou propositadamente para não ter que ser “ele próprio”... percebeu menino João?
- Percebi Dona Maria estás a querer dizer, estão as duas, que até essa tarde éramos transparentes uns para os outros, mas que esse fui o ultimo momento totalmente “puro” porque a partir dai começamos a misturar outras coisas... 
As duas resolveram meter o dedo na ferida e como sempre que se faz isso “ardeu”. Mas o Ruben ainda jogou álcool que foi mesmo para doer.
- E de quem foi a culpa? Quem é que deixou que isso acontecesse?
- Não entres por ai foste tu o primeiro que desapareceu!
- Não entrem por ai os dois... isso faz parte da idade! Todos deixamos de ser “crianças” e todos crescemos e por vários motivos crescemos separados e agora se o essencial se mantém porque a nossa personalidade já estava formada naquela altura, há pequenas coisas que mudaram pelas experiências que vivemos e por vezes reagimos de formas esquisitas a coisas que antes nem ligaríamos...
- Confessa lá Maria tu és psicóloga e não gestora...-o Ruben brincou - mas isso resolve-se
- Isso o quê? -  a Mariana verbalizou a duvida que pairava
- O não sabermos porque os outros passaram... é só contarmos! Cada um conta o que mudou...
-  Eish... nem pensem... passado é passado como tal é para estar morto e enterrado!
- Eu não me importo... começo eu? - sim aquela proposta do Ruben entusiasmou-me era para contar eu contava sem problemas
- É isso mesmo mano... chuta!
- Façam o que quiserem eu acho que é estar a procurar esqueletos nos quintais e a reabrir feridas...
- Eu também não me importo, mas sim podes começar tu - a Maria falou a olhar-me consegui descodificar-lhe uma enorme curiosidade no olhar
- Então o que é que querem saber?
- Já que vais falar conta tudo... mas salta a parte do currículo profissional  isso o pessoal vê na net! 
- Então já que da ultima vez que falamos sobre o passado não tive coragem de falar agora cá vai - olhei para a Maria e via a curiosidade dos olhos dela a aumentar - ao contrario do que vos disse eu não andei de “cama em cama” tive uma relação que durou quase tanto tempo como o que estive em Barcelos, - senti o corpo da Maria que estava muito perto do meu afastar-se e quando olhei vi-a a endireitar-se e olhar-me muito séria - mas acabou pouco tempo depois de ir para Braga ou melhor sensivelmente 6 meses depois...
- É que nem penses em parar começas-te agora acabas nós queremos saber! Não é Maria?
- Oh prima o João é que sabe se quer mesmo falar não sou eu...
- Eu continuo mas a partir de agora peço que só façam perguntas no fim... poucos sabem porque acabou e eu tinha enterrado esta história, mas hoje, já depois de ter chegado aqui aconteceu algo que me fez relembrar o que se passou - fiz uma pausa para ganhar coragem - A Cristiana, refilou um bocadinho quando mudei para Braga, ela como todos à nossa volta e confesso também eu, já tinhas silenciosamente definido que aquele namoro só acabaria no altar - foi impossível não ouvir o “ãhhh?!” que a Maria tentou sem êxito abafar - ela pensou que casaríamos nesse verão, mas eu não me cheguei à frente nem para um casamento nem para convida-la a que se mudasse comigo para Braga, as coisas para mim como estavam, estavam muito bem, mas ela queria mais, mas nunca o disse de forma clara. Tentou fazê-lo acontecer de forma menos recomendável... sem que eu soubesse ele deixou de tomar a pílula e quando eu voltei do estágio de pré-época anunciou que estava grávida, não era algo planeado por mim, mas também não fiquei chateado com isso, antes pelo contrário. - comecei a sentir a Maria inquieta - mas para meu espanto quando lhe pedi que viesse comigo para Braga para que pudesse acompanhar a 100% a gravidez ela recusou, alegou que queria ficar perto da mãe e ser acompanhada pela médica dela. Ainda tentei argumentar com a pouca distancia que separa Braga de Barcelos, mas ela usou o mesmo argumento como prova de que não era necessário a mudança. Acabei por concordar afinal ela estaria mais confortável numa fase mais sensível. Mas com os jogos, os treino e os horários dela deixamos de ter tempo para nos encontrar-mos, ela ia contando o que acontecia pelo telefone e mesmo eu pedindo esquecia-se sempre de me avisar das consultas, enviando-me depois as imagens da ecografia. Quando estávamos juntos estava sempre nervosa e evitava a todo o custo que eu lhe tocasse na barriga. Se eu não achava esquisito, achava mas...
- Mas?!
- Sempre ouvi dizer que as gravidas têm as suas manias e não insistia... até ao dia que tivemos uma “folga” surpresa no treino da tarde e como no dia seguinte só treinava de tarde resolvi ir ter com ela. Cheguei a casa dos seus pais e eles estavam de saída nem precisei tocar na campainha e mãe dela disse-me que ela estava com uma amiga no quarto e eu sem pensar duas vezes fui ter com ela... quando cheguei perto da porta do quarto ouvi a Cristiana agradecer os pais terem saído porque assim podia tirar “aquela porcaria” que só lhe dava calor enquanto que a outra lhe perguntava quando é que ela tava a pensar simular o aborto, não esperei mais um segundo entrei no quarto sem bater e encontrei a Cristiana de lingerie ainda mais magra que o normal e em cima da cama uma almofada com alças, que percebi ser supostamente a barriga dela. Como estavam de costas para a porta ainda continuaram a desenrolar todo o plano que tinham só se aperceberam da minha presença quando a Cristiana me enviou para o telemóvel mais uma imagem da eco que afinal era da amiga, essa sim grávida - parei de falar ali acho que a cara de espanto e pena que os três tinham enquanto me olhavam me fez sentir ainda mais otario do que na altura em que descobri - sim já sei que se estão a perguntar como não percebi antes... nem eu sei! Mas depois da Cristiana ai sim saltei de cama em cama... corri muitas em Braga, mas continuo a ser um menino perto de vocês dois - falei para o Ruben e para a Mariana
- Puto não sei se tou mais danado com essa fulana se contigo! Sim contigo que não contaste nada! Que ficaste ai a ruminar isso...
- Não gosto de falar nisto. Enterrei o assunto naquele dia quando acabei com ela e pronto
- E não tinham coisas já prontas... sei lá roupinhas e quarto do bebé? Onde é que meteste as coisas e não me digas que não tinhas comprado nada... - desta foi a Mariana que falou enquanto a Maria se mantinha impavidamente, sinceramente esperava que ela se atirasse ao ar e me chamasse de tudo por não ter percebido antes o que se passava
- Doei tudo! A uma associação lá de Braga logo no dia seguinte e nunca mais passei sequer perto de lojas com cenas dessas
- E o bichinho de seres pai também doaste?
- Não mano, não doei esse ficou cá... eu pensava que tinha morrido, mas ao mais pequeno sinal de que pudesse acontecer despertou... é esquisito - vi a Maria suster a respiração afinal ela sabia como eu daquilo que falava
- Mais alguma revelação bombástica? - ela interrompeu
- Não já acabei... - confesso que o desinteresse dela surpreendeu-me

(Maria)

Ouvir a história do João deixou-me meio confusa e tinha dispensado por completo aquela ultima declaração sobre paternidade, alem de me ter arrependido de ter falado em enjoo para fugir no inicio da noite, no entanto fiquei com mais vontade de contar aos meninos o que se tinha passado com o Pedro. Por isso fiz questão de terminar com o momento “desabafo do João” para iniciar o “desabafo da Maria”
- Então agora é a minha vez... quando vos contei como foram as coisas falei-vos de uma relação estável e duradoura que tive, o que não vos contei foi o porquê de ter chegado ao fim quando todos inclusive nós até data já tínhamos marcado para o casamento - o João olhou-me surpreendido - sim tinha a data marcada e disto nem a Mari sabe. Desculpa prima, mas o Pedro tratou de tudo e comunicou-me e a ideia era fazermos uma surpresa, mas depois... bem depois foi tudo por agua abaixo. Não, não era o grande amor da minha vida, nem uma paixão arrebatadora, mas era uma relação repleta de amor.... amor de amigos... de irmãos talvez, mas acima de tudo carinho, amizade, cumplicidades e respeito ou pelo menos assim eu pensava até ao dia em que eu apresentei a minha tese de Mestrado e o nosso tio nos convidou para trabalhar com ele, no mesmo instante eu sem pestanejar, quanto mais consultar fosse quem fosse, aceitei e assinei o contrato mudando de novo toda a minha vida para Lisboa. Durante toda a comemoração com a família o Pedro não se manifestou desagradado antes pelo contrario parecia contente e até orgulhoso, mas quando chegamos a casa e ficamos sozinhos as coisas mudaram ele fez questão de me dizer com todas as letras que não tinha gostado que tivesse tomado a decisão sem lhe pedir autorização...
- Pedires autorização?! Mas ele era teu pai?!
- Ruben deixa-a falar
- Obrigada prima, Ruben no fim percebes - olhei para o João que não reagia desde que tinha falado em data de casamento - bem como estava a dizer ele achava que eu devia ter pedido autorização. Autorização essa que não me seria dada uma vez que já tinha brincado o suficiente às mulheres modernas e independentes e por isso estava na hora de casar e engravidar muito depressa para encher a casa de crianças de quem eu tomaria conta enquanto ele trabalhava. Como de imediato refutei tal ideia a atitude do Pedro foi inesperada. Ele agarrou-me pelos braços e apertou-mos com forças sacudindo-me - olhei para o João quando falei e percebi que ele tinha percebido toda a reacção de mais cedo - para em seguida dar-me a primeira de várias chapadas que me deu naquela noite - comecei a chorar como nunca o tinha feito depois disto acontecer -só não apanhei ainda mais porque a Mariana ouviu-me e acabou por o correr lá de casa à vassourada... a minha prima é a minha heróia! 
- Ele bateu-te dessa maneira porque tu aceitaste um trabalho que já todos percebemos que é o que te deixa feliz?
- Sim Ruben por isso e porque segundo ele, e até tinha razão, isto só me ia fazer voltar para perto do meu “amiguinho” que me ofereceu o porta-chaves para quem ninguém podia olhar e muito menos tocar... - foi a vez do João se manifestar engasgando-se - nesse dia depois de sair lá de casa ele teve a decência de nunca mais me ligar ou aparecer e eu ainda passei um mês de férias maravilhoso no Algarve antes de atacar o mercado de transferências. 
Pensava  eu que os desabafos tinham acabado ali, com o abraço inesperado que recebi do João, mas que como sempre me deixou a levitar, mas a Mariana resolveu também ela, para minha grande surpresa, revelar o que de mais assustador a tinha marcado nestes anos. Confesso que  assim que a ouvi previ tempestade e infelizmente não me enganei.

O que contará a Mariana? Como reagiram os amigos?

terça-feira, 16 de outubro de 2012

023 - "Espero sinceramente que agora seja para todo o sempre..."

(Mariana)

As semanas passaram e como o Natal este ano seria na casa dos meus pais na véspera fui logo cedo para a casa deles uma vez que prometi à minha mãe que a ajudava, isto estragou os meus planos de passar o dia com o Ruben que não ficou muito satisfeito mas acabou por perceber o meu lado e as cenas lá se compuseram ainda assim andamos uns dias aborrecidos, algo que se notou nas saídas com o pessoal já que aproveitamos todas as oportunidades para nos picarmos mutuamente.
Estava a terminar de decorar a mesa do nosso jantar quando o meu telemóvel tocou, apressei-me a ir atender ou não fosse saber que era o meu amigo.
- Oi jeitoso.
- Ena tão bem dispostinha que ela está - gargalhou.
- Bem dispostinha e super ocupada por isso conta lá qual é o motivo desta chamada.
- Estás mesmo a despachar-me?
- O que é que achas? Ruben estou na casa dos meus pais e com a minha mãe a buzinar aos meus ouvidos que está tudo atrasado portanto a menos que queiras ouvir os gritos dela é melhor despachares-te!
- Ok, liguei só para desejar-te um feliz Natal a ti e à restante família.
- Agradeço e retribuo os desejos - suspirei.
- Que se passa?
- Oh… queria que… nada esquece - arrependi-me no último segundo.
- Sim… também queria estar aí do teu lado - atirou assim que ouviu o silêncio do meu lado - mas o Natal é para passarmos com a família…
- Ya!
Ainda falamos durante alguns minutos mas acabamos por desligar porque a minha mãe já estava a stressar que a família estava a chegar e ainda não tinha terminado de colocar a loiça na mesa, fui a correr fazer o que me foi pedido e consegui concluir a tarefa a tempo da chegada dos meus entes queridos.
Os minutos iniciais foram de algazarra completa todos queriam o seu “tempo de antena” para contar as novidades mas ao fim de uns minutos acalmamos e por isso o jantar foi tranquilo.
O momento que se seguiu foi o da troca de presentes o que instalou a confusão novamente, dei e recebi diversos embrulhos, abri-os todos e agradeci as lembranças, foi nesse instante que notei mais uma vez nesta noite a ausência do Ruben, queria mesmo poder vê-lo nem que fosse só para dar um beijo e desejar-lhe Feliz Natal pessoalmente, era nisso que estava a pensar quando a minha prima falou qualquer coisa que não percebi.
- Repete que não ouvi.
- Pudera… afinal estás longe… diria mesmo que o teu pensamento está na Margem Sul… - gargalhou despertando a curiosidade dos restantes.
- Queres mesmo entrar por aí? É que se for para isso também posso dizer onde é que querias estar a esta hora…
A Maria parou com as piadas até porque a nossa prima casula se veio sentar no meio de nós, quis brincadeira e por isso dedicamos os minutos seguintes à pequenina.
Estava tão entretida que só despertei para a realidade quando ouvi o meu telemóvel, saí da sala para atender e assim que o Ruben informou que estava na porta do prédio à espera que a abrisse não hesitei um segundo e corri até ao intercomunicador, abri imediatamente a porta do prédio e depois a do apartamento, encostei-me na ombreira à espera dele e uns minutos depois vi a porta do elevador a abrir.
- Feliz Natal - desejei ao atirar-me para os braços do Ruben beijando-o calmamente.
- Ena devia ser Natal todos os dias - gozou.
- Oh deixa de ser parvo - bati-lhe no braço.
- Hum… só perdoo esta tentativa de agressão se…
Não o deixei continuar e voltei a unir as nossas bocas em mais um beijo demorado, cada vez é mais frequente isso acontecer pelo menos sempre que nos apanhamos sozinhos fica impossível desgrudarmo-nos.
Passei alguns minutos ali mesmo na porta a trocar alguns mimos com o Ruben até que resolvi convidá-lo a entrar.
- Tens a certeza? - olhei-o sem entender - A tua família está toda aí… o que é que vão pensar?
- Que somos amigos…
- Ya até porque é perfeitamente normal os amigos virem visitar as amigas na noite de Natal.
- Oh… deixa-te de cenas - beijei-o - primeiro somos amigos e segundo quero lá saber o que pensam ou deixam de pensar - puxei-o pela mão e entramos finalmente, fechei a porta e assim que virei-me o Ruben puxou-me novamente para ele beijando-me inicialmente foi só um encosto mas acabamos por intensificar o beijo - anda vamos até ao meu antigo quarto…
- És louca! - sorri ao ver a cara dele - nós estamos na casa dos teus pais…
- Então e depois… eles nem sabem que estás cá!
- É arriscado...
- Deixa-te de cenas - beijei-o - até porque tenho a tua prenda no quarto.
O Ruben acabou por ceder e depois de mais uns beijos trocados fomos de mãos dadas até ao meu antigo quarto, entrei e dei imediatamente a volta à chave o que foi suficiente para o meu amigo olhar-me surpreendido.
- Qual é a tua ideia? - sorri ao ouvi-lo.
- Estar uns minutinhos contigo sem correr o risco de sermos apanhados - empurrei-o para a cama e logo depois sentei-me entre as suas pernas - tenho saudades de estar assim numa boa contigo - suspirei.
- Então - beijou-me - agora podes matá-las - voltou a unir os nossos lábios agora durante mais tempo - tenho que confessar que também já sentia saudades disto... - senti as suas mãos a irem até ao interior da minha camisola - andamos estes dias armados em parvos, foi o que foi!
- Oh... se não fosse assim isto não tinha piada - gargalhamos os dois.
- Vais ficar hoje por aqui?
- Népia... vou dormir a casa porquê?
- Não, não vais! Daqui vais mas é direta lá para casa!
- Isso é uma ordem??
- Não - sorriu - é um pedido ou desejo de Natal conforme queiras encarar.
- Sendo assim... vou pensar no teu caso - beijei-o - mas agora tenho que regressar à sala antes que dêem pela minha falta.
Tentei sair da cama mas o Ruben não facilitou prendendo-me com os seus braços, ficamos mais uns minutos numa troca de mimos intensa mas acabamos por nos levantarmos, já estava a abrir a porta quando o Ruben falou.
- Onde é que a menina pensa que vai sem abrir o seu presente? - olhei-o - Toma! - deu-me um pequeno saco.
- Oh não precisavas incomodar-te!
- Deixa-te de tretas e abre!
- Ok chefe - sorrimos - o que é isto? - perguntei ao ver uma pequena caixa.
- Abre que ficas a saber! - o Ruben estava com um sorriso lindo que fez com que suspirasse ao vê-lo.
- Bem... - fiquei sem reacção o que levou o Ruben a falar.
- Não gostas?
- É lindo - sorri - ajudas-me? - pedi ao virar-me de costas para ele com a intenção do Ruben ajudar-me com o colar.

- Espero sinceramente que agora seja para todo o sempre... - virou-me de frente para ele - Mariana...
- Toma é a minha! - dei-lhe o saco que estava na cómoda com receio do que o Ruben pudesse vir a dizer ou fazer.
- É seguro abrir isto?
- Piadinha... mas sim é seguro! - o Ruben abriu o saco e retirou o embrulho rasgando logo de seguida o papel e assim que viu o conteúdo do livro gargalhou - espero que dês utilidade a isso...

- Só se for para ter o prazer de te ter mais vezes lá por casa - aproximou-se - aceitas ser a minha cobaia?
- Só com uma condição... experimentas sempre primeiro a comida e ao fim de uma hora se continuares vivo então aí aceito ser tua cobaia!
- Andas cheia de piada... mas agora anda cá - puxou-me novamente para ele - já pensaste na minha proposta?
- Qual?
- A de acordares do meu lado amanhã?
- Ruben, decido quando sair daqui... depende das horas.
- Hum... ok.
- Mas podíamos combinar qualquer coisa para amanhã, tipo de tarde estou livre...
- Tudo bem, então quando tiveres despachada liga-me e logo vemos onde nos encontramos - beijou-me - mas agora tenho de ir...
Concordei com o Ruben e acompanhei-o à porta onde ficamos vários minutos a despedirmo-nos.
Ao regressar à sala passei pela minha prima que estava ao telemóvel trocamos um sorriso cúmplice e prossegui caminho.
- Prima - a Matilde sentou-se ao meu colo na primeira oportunidade - deixas-me ver o teu telemóvel?
- Para quê?
- Para eu ver se também tens a foto de um menino.
- Hã?
- A prima Maria tem a foto de um menino e quando pareceu o nome tava com um coração junto, tu também tens?
A vontade que tive de gargalhar foi enorme mas não o fiz porque a Maria entrou na sala e gerou-se imediatamente mais um dos nossos momentos ou não fosse ter iniciado uma picardia com a minha prima que serviu para desviarmos as atenções dos nossos supostos namoros.
A noite prosseguiu e com o avançar das horas avisei que estava no momento de regressar ao meu doce lar, despedi-me dos meus pais para depois despedir-me dos meus tios (pais da Maria) deixando para o fim a minha prima Matilde e os seus pais, foi quando despedia-me do meu tio Jorge que ouvi algo inesperado.
- O Ruben tem bom gosto - sorriu.
- Ó tio pare lá com isso.
- Ok... mas fica o aviso à primeira que fizer junto-me à tua prima e mando-o para bem longe!
- Ora a minha vida... estou bem tramada com os dois! Preocupem-se com a vossa vida e deixem a minha em paz.
Ainda troquei mais algumas palavras com o meu tio mas acabei por sair. Quem aproveitou a “boleia” foi a Maria apesar de seguirmos caminhos opostos uma vez que alertei-a que não iria para casa, lógico que mesmo sem lhe dizer a Maria soube imediatamente qual o meu destino.
- Avisa lá aquele coxo que ofendeu-me... custava-lhe muito ter chegado à sala e desejar um Feliz Natal... ah espera... o menino da mama teve medo de enfrentar o tio...
- Olha pelo menos o meu ainda veio...
- Alto e pára o baile - gargalhou talvez pela cara que fiz - teu menino?? Mas já há avanços e não contaste, foi?
- Meu é uma forma de dizer...
- Pois, pois...
Por vontade da Maria tínhamos continuado com o bate boca mas decidi ignorá-la e meter-me ao caminho. Conduzi até à casa do Ruben e assim que estacionei deu para perceber que se já estivesse em casa provavelmente estaria a dormir uma vez que não se via uma única luz acesa, entrei com as chaves que me deu quando foi de férias com o David e que nunca mais as devolvi.
Fui directa ao seu quarto e assim que entrei pude comprovar que dormia serenamente, ainda fiquei uns minutos a observá-lo mas não resisti e no fim de desfazer-me da minha roupa deitei-me ao seu lado, ainda pensei em acordá-lo mas desisti da ideia por o ver a dormir tão bem, no entanto percebi que afinal não dormia tão profundamente quanto isso ou não fosse ter-se virado imediatamente assim que sentiu a presença do meu corpo na sua cama.
- Julgava que já dormias - falei depois de separarmos os nossos lábios.
- Passei pelas “brasas” mas como a esperança é a última a morrer... digamos que tentei manter-me acordado - sorri ao ouvi-lo para de imediato iniciarmos mais um momento dos nossos onde a entrega foi completa.
Adormeci nos seus braços para acordar com os seus lábios colados aos meus.
- Bom dia! - sorriu
- Bom dia? Só se for para ti... para mim ainda é boa noite... - refilei ao virar-me para o outro lado, queria dormir no mínimo mais oito horas.
- Deixa de ser menina que já são horas de sair da cama!
- Ai sim? Olha e eu a pensar que podíamos continuar por aqui - sorriu quando aninhei-me nos seus braços - está tão bom assim.
- Hum... podia ficar bem melhor - sossurou enquanto muito ao de leve os seus dedos passeavam pela pele dos meus ombros.
- Poder até podia se não tivesse com tanta preguiça - gargalhou - de mim só consegues arrancar algo se formos até à casa de banho para um duche a dois assim daqueles hiper relaxantes... - sorriu
- Os seus desejos são ordens - beijou-me - vou preparar as cenas - o Ruben levantou-se e só o voltei a ver uns minutos depois - anda - deu-me a mão ajudando-me a levantar e assim que coloquei os dois pés no chão senti de imediato os seus braços a envolverem-me o corpo, beijamo-nos demoradamente para finalmente seguirmos até à casa de banho, pelo caminho ficou a pouca roupa que tínhamos vestida.
- Bem esmeraste-te sim senhora...
- Sabes que quando a companhia está à altura por norma esmero-me sempre - atirou de uma só vez para começar de imediato a provocar-me, acabamos dentro da banheira a partilhar um momento a dois calminho, não houve sexo mas sim trocas de mimos sem segundas intenções, o Ruben cumpriu com o que lhe pedi e proporcionou-me um banho hiper relaxante.

****

Estávamos na sala comigo sentada por entre as pernas no Ruben e a receber mimos enquanto metíamos a conversa em dia quando os nossos telemóveis tocaram lógico que gargalhamos ao ver que quem nos ligava era a Maria e o João, se já desconfiávamos que estivessem juntos tivemos a certeza quando ambos nos convidaram para almoçar, sendo que a minha prima avisou-me que o João iria enviar-me uma mensagem com o local.
Como ainda tínhamos algum tempo até à hora que combinamos com eles decidimos ir dar um passeio, estava a começar a sufocar dentro do meu próprio corpo, talvez por já não me reconhecer sempre que estou com o Ruben, isto porque é cada vez mais frequente procurar os mimos mas sobretudo o conforto que sinto quando o tenho junto de mim do que sexo propriamente dito.
- O que é que tens? - suspirei ao ouvi-lo - Ultimamente tens andado estranha, diria mesmo ausente.
- Não é nada - tentei desviar o assunto mas o Ruben insistiu.
- E agora a verdade... - parou de andar e colocou-se bem na minha frente - Mariana não te esqueças nunca que és muito mais do que aquelas todas que já levei para a cama - olhavamo-nos mutuamente - conheço-te de olhos fechados e não estou a falar só fisicamente por isso não venhas com tretas, alguma coisa se passa e está a deixar-te incomodada - desviei o olhar - é disso que falo...
- Ruben o que é que isto - agarrei no fio que tinha ao pescoço - significa para ti?
- Que quero que a nossa amizade seja eterna - fez uma pequena pausa no seu discurso - pelo menos a amizade...
- O que queres dizer com isso?
- Que se não puder ser mais nada que seja a eterna amizade!
- Ruben nós fizemos um acordo ou melhor aceitamos umas determinadas condições para que a nossa amizade colorida resultasse - interrompeu-me.
- Queres afastar-te é isso não é? Achas que isto está a fugir ao nosso controlo né?
- O que é que achas? - perguntei sem nunca desviar o meu olhar do dele mas quando o Ruben ia para responder fomos interrompidos por um grupo de adolescentes que ao reconhecerem o Ruben quiseram uns autógrafos.
A conversa acabou por cair no esquecimento uma vez que tivemos que regressar aos carros e seguir caminho, encontramo-nos com o João e a Maria para almoçar.
Durante a refeição a animação teve sempre presente mas no caminho de regresso aos carros não resisti e impliquei com a Maria por não ver o seu carro, algo que originou uns minutos de troca de “bocas” connosco mais uma vez a não admitir-mos o que andamos a fazer.
Antes de seguirmos caminho ainda acordamos que a passagem de ano seria lá em casa e por isso os dias seguintes foram a organizar tudo para que nada faltasse na última noite do ano.

Como irá correr a noite? Haverá surpresas? E quando é que o casal Ruben e Mariana assumem de uma vez que estão “apanhadinhos” um pelo outro? 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

022 - "Então também não é preciso chorares!"

(Maria)

Durante o tempo que o João esteve em Vegas andei num corrupio. Apenas encontrava a Mariana para assistir os jogos da selecção ainda sofremos uns bons minutos.
O João voltou  a Portugal já o Mundial tinha começado e assim que chegou procurou-me, eu estava mesmo muito chateada porque as fotografias das farras tinham sido mais que muitas mas ele acabou por me “convencer” a relevar a viagem e acabou por ficar tudo bem.

***

Com o inicio da época e o fecho do mercado as coisas acalmaram e era agora facílimo estarmos juntos. Cada vez havia mais suspeitas sobre nós e neste momento já nem nos preocupávamos em  desmenti-las.
As suspeitas aumentaram quando chegamos juntos à inauguração do SPA do Ruben, onde acabamos por ser fotografados juntos e ouvimos alguns comentários dos presentes sobre ficarmos “fofinhos juntos”

***

Os meses até ao Natal passaram a voar, numa paz relativa uma vez que esta  situação de “secretismo” que ao inicio era muito engraçada começou a tornar-se desconfortável pois ambos andávamos com os ciumes em níveis alarmantes.
O meu Natal seria em casa dos pais da Mariana por isso almocei com o João no dia 24.
Aproveitamos a “folga” para irmos até Sintra onde almoçamos e passeamos durante toda a tarde entre muita conversa e mimos.
- Estás entregue!
- Obrigada! - Dei-lhe uma beijo e quando já saia do carro
- Não te esqueceste de nada?!
- Feliz natal e muitas prendinhas!
- Exactamente prendinhas... toma! - passou-me um embrulho
- Espera... -retirei da minha mala a prenda que tinha para ele - leva...
Acabei por subir e trocar de roupa para ir até casa dos meus tios.
O jantar correu normalmente em família e passado algum tempo a Mariana desapareceu assim que o seu telemóvel tocou, estranhei a ausência mas nem comentei nada, para não levantar suspeitas. E passados alguns minutos foi a vez do meu telemóvel tocar
- Oh terceiro M passa lá ai o telemóvel da prima! - pedi à mais nova da família que me chegasse o  telemóvel para me arrepender no minuto seguinte
- Que nome tão giro! Que desenho tão giro! Ensinas-me a fazer prima? É o menino da fotografia não é prima?
-  Que nome? Que desenho? Que fotografia?? - tinha acabado de ser apanhada pela pulga que falava e parecia que estava ligada ao sistema de som
- Diz aqui João e depois tem um <3 este João é teu namorado prima? É o menino que tá na fotografia que tens no telemóvel??
 - A prima depois ensina!- sorri e tirei-lhe o telefone das mãos - com licença!- sai disparada para a varanda e atendi

- Tou 
-  Isso é tudo alegria por falares comigo?
- Não é tudo preparação para explicar à família porque é que tenho no fundo do telemóvel uma  fotografia com um menino e porque é que quando o telefone tocou apareceu escrito o teu nome e um coração 
- E como é que eles sabem que isso aconteceu?
- A minha prima Matilde fez-me o favor de me chegar o telemóvel e aproveitou para fazer o relato! - ouvi-o a rir
- E agora vais abrir o jogo ai em casa?
- Queres saber se me perguntarem sim, mas muito  provavelmente quando voltar para a sala já mudaram de tema. E nós? De certeza que não foi para isto que me ligaste...
- Não... foi mesmo só para saber  se gostas da prenda...
- Não sei...  deixei em casa.. vou abrir só quando chegar... e tu já abriste?  Gostas?
- Não...
- Não?!
- Não abri... também deixei em casa, pensei abrir quando fosses lá a casa estrear a tua assim abria contigo...
- Quando for estrear a minha?! Tenho que ir a tua  casa para estrear a minha?! Porquê? 
- Porque sim...-começou-se a rir
- Porque será que tenho a impressão que dai vem coisa... - neste momento a Mariana passou por  mim e só da forma como sorrimos percebemos  que ambas estávamos nos nossos “segredos” - Mas se era só isso eu agora tenho de desligar...
- Tás a despachar-me?
- Sim! É que a Mariana teve mais de uma hora desaparecida e acabei de ouvir a porta da rua fechar e ela passou aqui por mim com cara de caso...  humm algo me diz que ela recebeu visitas...
- Achas que foi o... nã?! Será?
- Eu não disse nada! Beijo!!!
- Olha e quando é que posso abrir a minha prenda?
- Quando eu abrir a minha e depois decidir quando a vou estrear!
- Má!
- Feio
- BEIJO!!!
- O meu é MAIOR!

Não o deixei responder desliguei e  voltei para a sala, quando entrei  percebo que a conversa para no mesmo momento
- O que é que estavam a conspirar contra mim?
- Não era nada eu estava a perguntar se a Mariana também tem um menino na foto do telemóvel e se o nome dele também aparecia com um coração como o teu aparece - ouvi os mais velhos rirem às  gargalhadas
- Ai sim e o que ela te respondeu?
- Nada!
- Pois porque tu tens de lhe perguntar é onde é que ela esteve este tempo todo e quem lhe deu aquele colar que ela tem agora... ohh não  espera não perguntes! - disse assim que vi a atrapalhação da minha prima, mas não consegui não comentar o colar novo dela que gritava Ruben por todos os lados - Mariana tu não me digas que aquele coxo teve aqui e nem um boa noite e feliz natal me deu?! Tá tão lixado para o ano arranjo maneira de o meter a jogar no Dhaka Mohammedan Sporting Club que é um mimo!!
- Pões onde?!
- No Bangladesh!
- Ahhh arranjaste colocação para o matraquilho com que estavas ao telemóvel foi? Finalmente!
- Matraquilho é... a prima!
- A prima não é, mas parece que é primo!
- Palhaça! Já viste que posso dizer o mesmo?
- Não, não podes!
- Posso sim e tanto quanto tu!
Claro que a conversa já tinha passado apenas para uma implicância entre ambas já que nenhuma das duas assumia a “derrota” e que por isso nos levou às gargalhadas nossas e do resto da família que no fim parecia ter esquecido o motivo da disputa, mas não toda.
- Maria? - o meu tio chamou-me quando eu estava já bem longe daquela sala sentada na varanda enrolada numa manta
- Sim tio?
- Posso saber quem é que vais mandar para o Bangladesh? Só numa de ir preparando o mercado...- rimos-nos os dois
- Que engraçado que o meu tio é! Mas não te conhecia esta veia fofoqueira... alem  disso isto é  uma negociação exclusiva aqui da sobrinha!
- Olha lá por acaso... por mero acaso o rapaz da foto do telemóvel não é o mesmo que vi em vossa casa e com quem foste de férias ou será que é?
- Será???... 
- Já percebi que não me vais dizer e acho que se é assim que querem estar o que desejo é que assim fiquem, desde que... - fez uma pausa longa demais acho queria mesmo enervar-me
- Desde que...?
- Estejas feliz tudo bem! No dia que te vir triste  meto-o no Siri-Lanka!
Dei uma gargalhada alta de mais o que despertou a atenção de todos e acabou por desviar a conversa novamente.
A noite acabou tardíssimo, já só queria chegar a casa e atirar-me para cima da cama e era o que já estava a fazer quando me dou de caras com o presente do João, não esperei nem um minuto para abri-lo e quando abri a pequena caixa em forma de casa encontrei um porta-chaves, igual ao que ele me tinha dado quando fui para Faro, olhei para o local onde ele deveria estar mas não estava lá nada, por  isso só poderia ser o mesmo, mas como é que  ele  o tinha?! Retirei-o da caixa e vi que tinha um conjunto de chaves penduradas. Só podiam ser as chaves de casa dele pela conversa que tínhamos tido ao telefone. Resolvi não lhe dizer nada, limitei-me a enviar-lhe uma sms a dizer que já estava em casa mas que iria “apagar” pois estava cansada. E foi o  que fiz.
No dia seguinte levantei-me mais cedo para depois de um banho e de um cuidado extra na escolha da lingerie e da roupa sair de casa directa a uma pequena padaria que sabia estar aberta no dia de Natal. Comprei alguns (muitos!) mimos para seguir depois até Alcochete, estacionei o carro e sem quaisquer reticencias abri a porta do prédio já a do apartamento tive mais cuidado pois não queria fazer nenhum ruído para não acorda-lo. Pousei  o saco na entrada e pé-ante-pé fui até ao quarto confirmei que  ainda dormia. Peguei então no saco e preparei tudo para lhe levar à cama.
Quando cheguei ao quarto pousei a bandeja na cómoda e deitei-me ao lado do João, comecei devagarinho a tentar acorda-lo com alguns mimos, as pequenas caricias e beijos que lhe fiz foram suficientes para que se começasse a mexer, parei e apenas o observei a despertar para  assim que abriu os olhos
- Bom dia dorminhoco!! 
- Bom dia princesinha! - falou ainda com a voz rouca de quem acaba de acordar - já usaste o teu presente?
- Não achas?! Quando te deitaste ontem o Pai Natal como tu te portas-te bem e  pediste muitooo lá te concedeu o desejo e trouxe-me! Deixou-me na chaminé!!
- Oh coitadinha passou a noite toda na chaminé sozinha!
- Pois foi acho que só por isso merecia um beijo!
- Todos os que quiseres - acabamos por nos distrair num momento só nosso até que o estômago do João resolveu dar os bons dias
- Como já  sabia que ias acordar esfomeado... olha o que eu trouxe?
Peguei na bandeja e levei para a cama, o João comeu e quando terminou
- Onde é que está?
- O quê?
- A prenda que te dei ontem!  - ele esticou-se e pegou-a de cima da mesa de cabeceira - Abre!!
- Mas afinal a prenda é para quem?
- Para ti... mas eu quero  saber se gostas!!
Ele lá me satisfez o desejo e abriu e assim que abriu a pequena caixinha riu-se
- Qual é a piada?
- Nenhuma mas não me tinha passado que podia ser isto
- Tás a esperar o quê para experimentar?
- Calma!
- Não tenho! Quero ter a certeza de uma coisa!
- Ele lá os colocou
- Tal como eu pensava! - olhou-me admirado - eu tirava-os de vez, mas já que usas... olha que sejam assim, mais maneirinhos e que dês a reforma às bolas da árvore de natal!
- Bolas da Árvore?!
- Sim! A minha tia ontem tinha umas na árvore dela que eu até comentei com a Mariana que eram iguaizinhas às que tu metes nas orelhas!
- Olha por ontem e por falares de mim... falaste com mais quem tirando a pequena perspicaz? 
- Com o pai dela... eu não te disse que a Mariana tinha tido visitas? Recebeu um colar todo fofinho e foi impossível não me meter com ela levei logo com a resposta para não ter a mania que sou esperta - ele desatou a rir - claro que falávamos dentro das nossas meias palavras e mais ninguém percebeu a não ser o meu tio que ao final da noite fez  questão de me dizer que tinha percebido
- Só isso?
- Sim! - depois parei e ao lembrar-me da palavras do meu  tio gargalhei - afinal há mais... acho que se me fizeres ficar triste acabas a jogar no campeonato distrital do Siri Lanka!! Sim que o meu tio disse, e passo a citar “No dia que te vir triste  meto-o no Siri-Lanka”
- Esse risco não corro! - falou enquanto subia e descia os ombros - Nunca te vou deixar ficar triste eu acho é que ele podia começar a mexer os  cordelinhos para ser eu a ganhar a Bola de Ouro FIFA 2010 porque eu vou é fazer-te muito feliz!!
- Uii o que virá por ai para estares tão mimoso?... E Bola de Ouro... pois então não se tá mesmo a ver!
- Agora fiquei ofendido  achas que eu não mereço um prémio!
- Amor tu mereceres, mereces mas para ti é mais o Caneleiras de Ouro UFCEP 2010
- UFCEP?! 
- União dos Fabricantes de Caneleiras e Equipamentos de Protecção! Porque convenhamos és cá um caceteiro de nível apenas superável pelo Bruno Alves!
- Ai é assim que tu me tratas?! Caceteiro?! Sei hás-de cá vir!
- Vou... vou... achas que posso ir agora ?
Falei já a empurra-lo na cama deitando-o de forma a que me pudesse sobrepor e começar mais uma manhã cheia de momentos maravilhosos. Que apenas terminaram porque a nossa resistência física nos traiu ao fim de algumas horas.
Estávamos “aninhados” um no outro enquanto recuperávamos o fôlego quando
- Tens planos para hoje?
- Sim passar o resto do dia aqui...
- Tentador... muito tentador, mas já tou cheio de fome outra vez!
- E agora uma novidade se faz favor! - ele começou a fazer-me cocegas, algo com que sofro um bocadinho - Pára!!!
Quanto mais eu esperneava mais ele fazia só parou quando viu que já me escorriam lágrimas pela cara.
- Então também não é preciso chorares!
- Sabes perfeitamente que não gosto disso... se tu não tens bom p’ra ti! - falava enquanto recuperava o fôlego - eu não gosto e sinto-me mal
Se estava tudo perfeito ele ter-me deixado sem ar com as bem-ditas cocegas tinha-me chateado a sério, acabei por sair da cama directa para a casa de banho e enfiei-me na banheira e fiquei  uns tempos só com a agua quente a correr sobre o corpo para relaxar antes de me “atirar” ao João e as coisas iam ficar feias. Passados poucos minutos senti a porta abrir e logo de seguida a do “box” também, olhei por cima do olho só para confirmar que era ele.
- Mas já não se pode tomar um banho descansada?
- Pode-se mas parecias tão tensa que resolvi vir ajudar-te a relaxar - chegou-se perto e encostou-me na parede
- Não preciso de ajuda, muito menos tua...
- Tens a certeza? - disse começando a beijar-me o pescoço e espalhar caricias por todo o corpo - Desculpa eu estava só a brincar... ficas tão fofinha quando não consegues parar de rir não resisti! - ia falando no meio das caricias
- Pois... sim... mas quem ficou com falta de ar fui eu!
- Oh se eu fosse ficar chateado contigo sempre que me deixas sem ar...
Assim que acabou de falar levou as mãos as minhas coxas fazendo pressão para que eu desse um pequeno salto entrelaçando as pernas na sua cintura e acabamos por nos entregar-mos ao prazer ali mesmo com a àgua a cair sobre nós.
Depois de tomarmos o nosso duche e de nos vestirmos, fomos até à cozinha
- É pá João! Não acredito nisto!
- O quê?
- Não tens nada que se coma! Nada que dê para fazer uma refeição
- Esqueci-me de passar no supermercado... agora morremos de fome!
- Ou então pegamos nas nossas coisas e vamos almoçar fora
- Também me parece boa ideia...
- Olha liga lá ai para o Ruben que eu vou ligar para a Mariana e almoçamos os quatro
- E combinamos onde?
- Hum... não sei....
- Mas sei eu... eu combino com o Ruben...
- E o que eu digo à Mariana vá diz lá!
- Diz que eu já lhe mando uma mensagem com o local
Não insisti mais e passado poucos minutos já tínhamos a confirmação de que ambos iriam. Almoçamos num hotel da capital num o restaurante com vista para o rio. Foi super animado o almoço que se estendeu pela tarde e por um passeio à beira rio onde acabamos por nos divertir imenso e tirar muitas fotografias. Já regressávamos aos carros
- Oh prima onde é que deixaste o teu carro? É que os nossos estão perto, mas não vi o teu...
- Em casa! - ela olhou-me admirada - vim com o João
- Ahh claro veio com o João! - disse ironicamente para o Ruben que lhe respondeu
- Claro que veio! Então é óbvio...  eles moram juntos, não havia necessidade de trazerem os dois carros dahh -  seguindo o mesmo tom
- Não vás por ai porque eu moro com esta menina e ela ontem depois de receber uma visita misteriosa durante a ceia algures entre a casa dos pais e a nossa perdeu-se... sim porque eu sei onde passei a noite... em CASA e tu prima?
- Eu só te perguntei pelo carro... quem quer saber onde andas e com quem andas a dormir... ou será melhor dizer passar as noites não sou eu! E não me olhes com essa casa porque tás ai cheia de ti porque dormiste em casa, mas nós sabemos que isso tem sido pouco frequente nos últimos tempos! - olhei como que pedindo para se calar - E escusas de me olhar assim porque sabemos que é verdade!
- E queres publicar isso nos jornais é? - o João respondeu antes que eu  tivesse hipótese de abrir a boca
- E se quiser o que é que tu tens com isso João? - assim que o Ruben reage quem perdeu a reacção foi o João vi-o abrir e fechar a boca comicamente sem que de lá saísse um único som - pois bem me parecia... sabes que quem cala consente não sabes Joãozinho?! - As palavras do Ruben foram pronunciadas já junto aos carros - Então e onde é que vais passar o ano puto?
- Estou a estudar as várias opções....
- Quem o ouve falar pensa que é importante!
- E não sou?
- És... nem que seja prós teus pais!
- E para a minha namorada não?
- Para essa coitada também és capaz de ter alguma importância...
- Parou tudo!!! Namorada?! Joãozinho o que é que tu não contaste aqui à Marianita??
- Mas o que é que isso te interessa? - acabei por ser eu a interromper
- Priminha interessa-me tudo que eu tenho de zelar pelo bem estar dos meus amigos... por isso tenho de avaliar e aprovar qualquer candidata ao posto... Vá tu diz lá  quem é ela!- a Mariana estava  nitidamente a testar os nosso limites
- E depois ficavas a saber tanto quanto eu não?
- Olha a moral do meia-leca! 
- Meia-leca é...
- Então e tu onde vais passar o ano Ruben?  - desviei a conversa quando percebi que íamos entrar na espiral de “mimos” que nunca acabam e que são tão tipicas em nós
- Não sei por aqui... tenho treino no dia 1 e vocês?
- Eu também não posso sair daqui... mercado de inverno... e se prima desculpa não ter falado contigo antes, mas e se juntássemos o pessoal todo e ficássemos lá em casa?
- I’m totally in! E como sou uma querida, mesmo sem ter sido consultada antes ainda me ofereço para ajudar a organizar
- Bem... eu também alinho... - o Ruben aceitou o convite
- Agora só falta o Sr “tenho muitos convites”...- quando falei ele olhou-me com cara de mau - ai ai que medo... Ruben deixa-me  esconder atrás de ti que ele fez cara feia!! - enquanto falava escondia-me mesmo atrás do Ruben para de seguida enquanto todos riam sair, quem nos visse em momentos como aquele pensava que tínhamos fugido do centro de saúde mental mais próximo - Cara feia para mim é fome! Como é contamos contigo?
- Vou pensar no vosso caso e depois digo qualquer coisa.
- Bom então se está tudo decidido beijos e abraços que amanhã é dia de trabalho! 
A Mariana despediu-se e o Ruben seguiu-a.
- Agora nós! - chegou-se pertinho de mim
- O que é?
- Já amuaste outra vez?
- Eu não estou amuada!
- Não sou eu que tou com umas trombas de fazer inveja a qualquer elefante do zoo
- Também gosto muito de ti!... Podemos ir? É que ainda tenho de ir buscar o carro a tua casa!
- E ficaste assim com tanta pressa só porque eu disse que não sabia onde ia passar o ano?
- Não... fiquei porque tal como nas férias te esqueceste de me dizer que tinhas convites... dá para irmos agora?!
O  João destrancou o carro e eu entrei fomos quase todo o caminho em silencio o que me deu para pensar e perceber que ando insuportável. Quando chegamos o João parou o carro e saiu de imediato, sai também e ele sem nada dizer encaminhou-se para a porta do prédio
- Vais-te embora assim sem nem um “xau”?!
- Ahh posso despedir-me? Deixas? Vê lá posso pedir autorização antes...
- Desculpa... eu sei que ando um bocadinho refilona, mas esta altura do ano é um stress e como não posso controlar  as movimentações do mercado gosto de saber com o que conto “em casa”
- Tu achas mesmo que eu tenho muitas coisas para escolher?
- Só o pessoal é que comentou no treino que era uma boa ideia juntarmos-nos todos porque também treinamos dia 1... e como percebi que o Ruben vinha com alguma ideia brinquei... mas sendo a nova opção passar em vossa casa, já nem penso duas vezes... - acabamos por dar um pequeno beijo
- Mas podes sempre convidar o pessoal que quiseres...-acabei por voltar a unir as nossas bocas e as coisas começaram a sair do nosso controlo terminei o beijo - agora tenho mesmo de ir...
Despedimos-nos mais uma  vez e entrei no carro rumo a Lisboa.
A semana foi passada numa correria para conseguir convidar todos os amigos e para arranjar tudo em casa, mas felizmente tudo correu bem e estou já a preparar-me  para receber os primeiros convidados

Quem terá estado com a Mariana no Natal? Como correrá esta noite? Que surpresas trará este novo ano?