quarta-feira, 13 de agosto de 2014

165 - estamos, como sempre, juntos!

Mariana
Parece karma mas há muito que não sei o que é uma passagem d’ano tranquila, num ano foi porque o Ruben descobriu que no passado temi estar infectada com o virus da sida, no outro foi todo o stress provocado pela agitada saída do Ruben do Benfica, no seguinte mais parecia uma “morta-viva”, pois a minha vida tinha deixado de fazer sentido e esta… bem esta tudo indicava que fosse tranquila mas não… o Ruben arranjou forma de atormentar-me o juízo, primeiro com a história da creche e depois com o preconceito que tem em relação ao Rodrigo, que neste caso agravou quando soubemos que o António é o seu actual namorado, juro que não o entendo… ok é verdade que o António foi o único rapaz que tive na minha vida mais próximo do que se pode apelidar de namorado e que foi com ele que atravessei o calvário provocado pela dúvida de ter ou não sida mas apesar de tudo foram talvez os únicos meses em que a minha vida teve algum sentido, ainda assim o mimado do Ruben não tem motivos nenhuns para ter ciúmes, porque amo-o…

***

Os primeiros dias de 2015 foram cansativos, muito por minha culpa que meti na cabeça que temos de encontrar a nossa nova casa o mais rapidamente possível, para que haja tempo de a decorar, uma vez que quando os bebés nascerem já quero ter tudo orientado e de preferência já estar a viver naquela que será o novo ninho da família Mendes Amorim.
Hoje foi mais um dia que visitamos mais algumas casas, entre as quais estava uma que adorei mas que o traste do Ruben não gostou e para ser sincera nem percebi bem os seus motivos, só sei que por culpa do seu excelentíssimo senhor terei que continuar à procura…
Estava a descansar no quarto quando o Ruben entrou com o Filipe, inevitavelmente sorri ao ver o meu pequenino e ainda mais quando o pai dele o sentou na cama, bem pertinho da minha barriga e o menino no seu jeitinho trapalhão fez festinhas. Os momentos de mimos que o meu filho me proporciona enche-me o coração e despeja as reservas de lágrimas, sim se há coisa que não consigo controlar ultimamente são as emoções, a mais pequena coisa faz-me chorar, então se for algo relacionado com o Filipe a situação agrava drasticamente…
- Mariana - olhei-o - amanhã depois do treino venho buscar-te!
- Para?
- Estive a falar com o Gonçalo e aconselhou a creche onde anda o filho.
- É o quê?
- É isso que ouviste! Não desisti nem vou desistir de procurar uma creche para o Filipe!
- Mas agora é assim? - olhou-me - Mandas e eu obedeço? Voltamos ao tempo em que a mulher obedecia ao estupor que tinha do seu lado e que apelidava de esposo e se não obedecesse levava nos cornos? Sim que ter cornos já sei como é… só falta apanhar!
- Nem resposta mereces!
- Nem resposta nem ser ouvida… isto realmente…
- Realmente digo eu! Mariana estás a ser infantil! Até parece que é o fim do mundo querer que o menino conheça outra realidade! Dá-me um motivo lógico e pode ser que pondere em não o meter já na creche, caso contrário vai e vai mesmo, porque não quero o meu filho o tempo inteiro fechado em casa!
- O teu filho…
- Mariana volta aqui!
O Ruben bem que ordenou mas a mim ninguém dá ordens, como tal não só não voltei para o quarto como agarrei na mala e saí de casa…

Ruben
Desde a passagem d’ano que a Mariana anda insuportável, tudo a irrita e em parte sei que tenho alguma culpa, principalmente porque continuo a insistir em querer colocar o Filipe na creche.
Hoje para variar foi mais um dia para esquecer… A Mariana preferiu arejar as ideias a ficar e falar de uma vez os motivos que justifiquem a posição dela em relação ao assunto, ainda assim estou determinado e vou mesmo colocar o menino na creche!
A casmurra regressou a casa ao final da tarde e tal como esperava não abriu a boca, chegou e foi directa ao nosso pequenino que estava sentado a ver desenhos animados, brincou com o Filipe e quando lhe fui dar banho, preferiu ficar pela sala.
Durante o jantar a sensação que tive era que estava no pólo Norte tal era o “gelo” que se formou entre nós, bem tentei meter conversa mas da Mariana só ouvi uns “hum hum”, acabei por desistir…
Estava na sala quando recebi um telefonema que deixou-me preocupado, bem sei que teoricamente não me são nada e que só recentemente é que os conheci mas a verdade é que não consegui ficar indiferente à notícia, afinal sei que o Sr. Augusto e a D. Julieta são o apoio um do outro… Pensei e repensei em contar ou não à Mariana mas acabei por fazê-lo, fui até ao quarto e informei que a Rita tinha ligado a avisar do internamento da D. Julieta devido a uma pneumonia…

***

Hoje tivemos a consulta das 24 semanas e o momento da ecografia foi talvez aquele que mais próximo estive da Mariana nos últimos dias, porque desde que lhe disse que o Filipe vai para a creche já em Fevereiro que resolveu fechar-se “em copas” e por muito que aproxime-me para a mimar a Mariana simplesmente não reage, deixa que mime a sua barriga, que fale para os bebés mas tirando isso mais parece uma pedra de gelo.
Estava na sala a brincar com o Filipe quando o meu amor entrou a falar ao telefone e assim que desligou
- O que se passa? - olhou-me e por incrível que pareça respondeu
- Estava a falar com a Rita, a D. Julieta continua internada e o Sr. Augusto está cada vez mais deprimido, não quer sair de casa a não ser para visitá-la e depois vem de lá sempre a chorar… 
- Ohh é compreensível… apesar da Rita e dos pais dela darem apoio, na verdade só têm um ao outro.
- Ainda se tivessem mais perto… - olhei-a
- Não estás a sugerir irmos a Braga, pois não? Mariana sabes bem que é impossível por causa dos jogos!
- Não preciso que vás!
- Nem penses! Não te quero a fazer a viagem sozinha e ainda por cima a conduzir
- Também não estava a contar contigo! Peço a alguém que vá comigo!
- Cê razoável! Não vais lá fazer nada! A D. Julieta está internada por causa da pneumonia por isso enquanto não melhorar não há nada a fazer…
- Não quero saber! Vou ligar ao meu pai e se for comigo vou lá! 
A Mariana não respondeu, simplesmente agarrou no telemóvel e ligou primeiro para a Maria que se cortou, depois para o pai e como não teve sorte, ligou a uma terceira pessoa, que com o desenrolar da conversa percebi que tinha aceite, para descobrir no fim que falava com a mais recente “borboleta”... sim o senhor perfeito de seu nome António aceitou o favorzinho que a Mari lhe pediu…

João
A passagem de ano foi um momento mais ou menos tranquilo a Maria começou a voltar aos eixos e já se organizou de forma a ter uma vida tranquila com os miúdos e felizmente deixa-me  fazer parte dessa sua organização.
O mês e o ano começou em velocidade cruzeiro entre treinos e finais de tarde com os miúdos e muitas vezes com a Maria a acompanhar-nos. Chegamos a meio do mês e estávamos em mais um encontro a 4 e enquanto brincava com os miúdos ia dando um olhinho à  Maria que voltava a estar enjoada apesar de todas as suas tentativas de disfarçar, quando o telemóvel dela tocou percebi que era a Mariana e nem liguei muito até que ela desliga
- Passou-se de vez…
- Quem?
- A louca da minha prima! - falou enquanto se sentou no tapete da sala de casa dela onde eu e os meninos já estavamos - diz que vai a Braga buscar os avós da maluca!
- São bisavós do Filipe…
- São dois velhos que não conhece de lado nenhum e que podem muito bem ter inventado a historia dos coitadinhos em combinação com a neta!
- Oh Maria… pareceram-me simpáticos! 
- Não disse que eram antipaticos, mas… não sei tenho medo… além disso não acho nada boa ideia ela ir agora daqui para Braga… 
- Ela sabe o que faz e se já meteu isso na cabeça… olha pode ser que até lhe faça bem… 
- Mas ela anda mal? O que se passa??
- Calma! Acho que anda aziada com o Ruben por causa da ida do Filipe para a creche…
- Oh… custa muito tá bem?!
- Acredito… acredito!!!
- Demorei um mês… um mês!!! A deixar de chorar quando deixava lá o Guilherme…
- Oh… - tentei brincar com ela mas voltou a sair disparada e eu aproveitei que os meninos estavam distraidos com a tv para a seguir assim que abriu a porta do wc - Maria…
- Caiu-me mal o almoço ok? - disparou enquanto ia directa a cozinha - escusas de me olhar assim!
- A sério??
- Sim!!! Jantas conosco?
- Se não incomodar…
- A Micas já conta com o emplastro!
- Obrigadinho sim!
- Pronto ok ela conta com os emplastros!! - falou assim que ouvimos a Micas a entrar com o Rui
- Boa tarde - falaram em unissono assim que entraram na cozinha
- Chazinho outra vez Boss? Mas esse estômago nunca mais tá bom? - olhei-a porque a “apanhei”
- Ai que chatos que são! eu vou ter com os miúdos e tu menina trata lá disso que eu estou esganada de fome!!

Mariana
Os meus pais sempre ensinaram-me que a família é o que temos de mais sagrado e que devemos estar sempre disponíveis para ajudar, por isso mesmo não desisti enquanto não arranjei quem pudesse ir a Braga comigo. Esse alguém foi o António, apesar de ter ligado ao Rodrigo mas como não pode o seu amor ofereceu-se, quem detestou a ideia foi o Ruben mas com a azida dele passo bem…
Arranjei uma mala com roupa minha e outra com tudo o que o Filipe precisa, uma vez que decidi levar o menino comigo e foi o melhor que fiz, pois foi o único que conseguiu arrancar uns sorrisos ao Sr. Augusto. A verdade é que está ainda mais abatido do que pensava, algo que preocupa-me, tanto que em conversa com a mãe da Rita e depois com o médico que acompanha a D. Julieta, decidi pedir transferência dela para Lisboa, de forma a conseguir levar o Sr. Augusto, pelo menos terá a companhia do neto para se distrair.

***

Estava a arrumar a roupa do Sr. Augusto no armário quando
- Mariana - olhei para a porta e encontrei o Ruben encostado à ombreira - não sei o que se passa contigo mas estamos cada vez mais afastados - olhei-o - sim que não penses que não percebi o motivo da tua fuga para Braga ou de teres insistido na vinda deles! - baixei o olhar e em segundos tinha a sua mão no meu rosto, obrigando-me a olhá-lo - Mariana o menino precisa de conviver com outra realidade, com outras pessoas, de brincar com outras crianças, já para não falar que nas horas que o Filipe estiver na creche podes descansar… - interrompi-o
- Não te admito! Estás a insinuar que tenho de abandonar o Filipe porque estou grávida? - o Ruben revirou os olhos
- Não, estou a afirmar que o nosso filho precisa de conhecer outra realidade e que a mãe dele precisa deixar de ser tão galinha e pensar um pouco mais nela e na restante família! Mariana nós também precisamos de tempo para nós… falo por mim que sinto falta de ter algum tempo só para mim, nós temos vivido em função do Filipe e daqui a um tempo temos que nos dividir ainda mais porque assim que os bebés nascerem são mais dois a dependerem de nós… Mariana o que quero dizer é que precisamos de tempo para nós ou vamos dar em malucos, mor se já vives em função do Filipe e de mim quando os bebés nascerem nem quero imaginar… agradeço-te imenso por estares aqui do nosso lado, por teres decidido abdicar um pouco de ti em função de nós mas caramba o que é demais também aborrece!
- Estás farto de mim?
- Não! Estou farto da rotina! Há quanto tempo não temos um programinha só nosso? Já nem ao cinema queres ir porque o menino se satura quando pode muito bem ficar com uma das avós! É disso que falo, estás tão concentrada no Filipe que até te esqueces de ti!
- Estás assim porque não te tenho aberto as pernas?
- Esquece! Já percebi que falar contigo ou com um burro é exactamente a mesma coisa!
O Ruben virou costas e saiu do quarto. Terminei de arrumar tudo e quando regressei à sala foi impossível não sorrir ao encontrar o Sr. Augusto a tentar brincar com o Filipe que estava algo irrequieto, acabei por sentar-me e ficar simplesmente a observar, não sei o tempo que passou só sei que acordei para a realidade quando
- Mariana - olhei-o - agradeço do fundo do coração tudo o que fez por mim e pela Julieta, o ter deixado que conhecêssemos o menino foi talvez a única coisa boa que aconteceu nas nossas vidas nos últimos anos mas já percebi que a nossa presença está a atrapalhar-vos… - interrompi-o
- Está enganado!
- Mariana não vos conheço à muito tempo mas já percebi que alguma coisa se passa… o Ruben saiu chateado… ele não nos quer perto do Filipe, pode ser sincera… é compreensível porque a nossa presença deve recordá-lo da Sofia e de tudo o que aconteceu…
- Sr. Augusto não se preocupe que o problema não é a vossa presença nas nossas vidas… para o Ruben ando a viver em função do Filipe…
- E não terá razão? - olhei-o - Mariana o menino não poderia ter melhor mãe, ama o Filipe como já ama esses bebés mas talvez o Ruben tenha alguma razão, um casamento para dar certo é preciso ser cuidado, é como uma flor que se não for regada com o tempo morre… com o amor acontece o mesmo… 
- Mas será que ninguém me compreende? É assim tão estranho querer cuidar do meu filho? Já não posso dar-lhe banho, andar com o menino nos braços sempre que está de birra e agora ainda vou ter que deixá-lo numa creche? - o Sr. Augusto sorriu
- A creche não faz mal… o que faz mal é os pais não terem tempo para estar com os filhos depois de os irem buscar às creches… mas isso não acontecerá com o Filipe porque quando chegar a casa vai encontrar a mãe dele com saudades e cheia de energia porque passou o dia a descansar… Mariana o meu bisneto nunca sentirá que o está a abandonar porque o ama como mais ninguém ama… o Ruben ama o filho, a Anabela o neto e a restante família e amigos também o amam mas não amam da mesma forma que o ama, o seu amor pelo menino será sempre diferente, é amor de mãe e esse é único, no caso do Filipe ainda mais especial porque se escolheram mutuamente para se amarem mas não se esqueças nunca que também ama o pai dele mas principalmente que precisa desse amor… - voltei a interromper
- Estou a exagerar, é isso não é? - sorriu gentilmente
- Está só a ser uma mãe muito protetora mas proteção a mais também faz mal! Tem de distribuir essa proteção por todos, pelo Filipe, pelos bebés, pelo Ruben mas principalmente por si… se estiver bem a sua família também estará nunca se esqueças disso!
Agradeci o conselho e depois fui preparar o lanche do Filipe, dei-lhe a papa de fruta e deitei-o no berço para dormir a sesta. Regressei à sala com um álbum de fotos que entreguei ao sr. Augusto, eram fotos do neto que viu atentamente, enquanto me mantinha ocupada a pensar nas suas palavras e quanto mais pensava mais certezas tinha…
As horas passaram e o momento de deixar o Filipe com os meus pais chegou, sim decidi acatar o “abre-olhos” do Ruben, afinal de modo trapalhão, como sempre, avisou-me que também precisa de mimos e por isso depois de ponderar liguei à minha mãe para que ficasse com o neto, de forma a poder ir ao jogo e ter uma noite mais serena, ainda assim desafiei o Sr. Augusto a acompanhar-me para que não ficasse sozinho.
- Prima mas agora também vais ser babá de idosos?
- Oh Maria!
- Desculpa mas sabes o que penso!
Bufei mas não respondi e a minha prima não insistiu, até porque o Sr. Augusto aproximou-se. Seguimos para o estádio, sim que a Maria veio buscar-me a casa.
Chegamos ao camarote e a presença do Sr. Augusto deixou muita gente curiosa, algo que passou assim que o apresentei como bisavô do Filipe, mais concretamente avô da louca da Sofia.
Durante o jogo percebi que tinha o inimigo do meu lado, sim que foi visível a azia do Sr. Augusto quando o Benfica marcou o primeiro, então depois do Porto estar a perder por 2 ainda mais… mas preferi não comentar…
Os minutos passaram e já estava farta de esperar quando vi o Ruben aproximar-se, vinha entretido na conversa com o Salvio e só quando já estava próximo de mim é que deu pela minha presença
- Não sabia que vinhas… Se tivesses avisado tinha-me despachado! - gargalhei, algo que o surpreendeu, talvez porque nos últimos dias nem um sorriso lhe dei quanto mais uma gargalhada
- Como se isso fosse possível!
- O menino? - perguntou ao olhar em volta
- Ficou com os meus pais… não o quis trazer para o frio - reduzi por completo a distância que nos separava e coloquei os braços em volta do seu pescoço - e também vai dormir lá… 
O Ruben puxou-me pela mão e quando já estávamos mais afastados
- O que é que se passa? - olhei-o - Quando saí de casa estavas mais azeda que limão verde!
- Hum… desculpa… sei que andei insuportável e que temos de conversar mas hoje não…
- Ok… mas amanhã conversamos sem falta! - acenei que sim com a cabeça - E agora anda cá… - puxou-me ainda mais para si, beijando-me calmamente para depois - se o Filipe fica com os teus pais isso quer dizer que estamos por nossa conta? - sussurrou ao ouvido, algo que provocou a gargalhada em mim
- Hum… mor o Sr. Augusto anda por aí…
- Veio contigo?
- Sim… não o quis deixar sozinho…
- Hum… o pessoal vai jantar, alinhas?
- Alinho - beijei-o - hoje estou por conta do menino - sorriu - mas aviso já que vão jantar com o inimigo - olhou-me - sim que durante o jogo percebi que é portista… - o Ruben gargalhou
- Sério que ainda não tinhas percebido?
- Não! Mas desde quando é que sabes?
- Foi das primeiras conversas que tive com ele! Ou melhor das primeiras conversas descontraídas…
- Muito me contas…
- Deixa esse ar de enjoada e anda procurá-lo ou ainda o vamos buscar ao Porto… sim que é bem capaz de entrar no autocarro dos tripeiros! - gargalhei
- Deixa de ser parvo!
O meu amor sorriu e depois de mãos unidas fomos procurá-lo, encontramo-lo à conversa com o Mauro e com a Anabela, o que nos fez sorrir.
Seguimos para o restaurante, onde partilhamos alguns momentos de gargalhadas com o pessoal e no fim fomos para casa, onde acabei por ter uma noite bem serena ou não fosse ter adormecido assim que me deitei…

João
A Maria ao mesmo ritmo que se aproxima o aniversário dela anda mais nervosa, e comigo está cada vez mais ríspida, não preciso pensar muito para saber o motivo. Hoje jogamos com o Porto, tentei saber se a Maria iria ao jogo, não que lhe interesse que eu sei que não, mas para saber se o meninos iam.
Ela não me disse nada, mas no final do jogo quando cheguei às garagens fui abalroado pelos miudos que estavam animadissimos e mais a trás lá vi a Maria com a prima e a Micas
- Boa noite meninas! Viva a animação!!
- Boa noite… - a Micas respondeu-me e saiu em direcção ao Rui e minutos depois a Mari seguiu em direcção ao Ruben que ficou todo felizinho de a ver.
- Bem meninos vamos?’- a Maria chamou os miudos
- Não querem vir jantar? - a Maria torceu o nariz - Vá anda lá… vamos todos!
- Ok… tens carro?
- Nop vim com o Ruben…
- Então ‘bora… - iniciou caminho para o carro e eu segui-a ajudei-a com os meninos e ela arrancou não ia para grandes conversas e respeitei.
O jantar foi super agradavel, mas o final podia ter sido diferente, ou então não.

Maria
O aproximar do meu aniversário tem-me dado cabo dos nervos, sim que o raio da implicancia de todos em que tenho de festejar é exactamente o oposto daquilo que me apetece, se até ao ano passado era uma data que gostava de celebrar, desde o ano passado que é um dia que quero esquecer, mas parece que ninguém me percebe.
- Pronto mãe… faça lá o jantar… mas é só um jantar, simples e com pouca gente só mesmo a familia! Por favor mummy!!
- Ok ok… - não fiquei convencida, mas tudo bem…

***

Hoje é dia de derby, não me apetecia nada ir, afinal eram lampiões versus dragões, mas depois de os miúdos ficarem a saber pelo João que iria haver jogo já não me deixaram a cabeça em paz e por isso, bem por isso fui obrigada a ir ver o jogo. No final fomos até ás garagens onde a ideia era só dar um “olá” ao João, mas tal não aconteceu já que acabei por ceder ao convite para jantar com o grupo do costume.
O jantar foi agradável e estava a terminar o café quando o meu telemóvel tocou
Atendi e o que ouvi deixou-me estarrecida, assim que desliguei e enquanto procurava pela Micas
- Maria o que aconteceu?? - ouvi o João
- Não sei… preciso da Micas!!
- Está lá fora o que se passa? - sai e ele seguiu-me
- Micas preciso que fiques com os meninos… desculpa sei que tinha dito que podias ter folga, mas…
- O que se passa?
- Ligaram-me da PSP - respirei fundo - partiram a montra da loja e não sabem o que se passou lá dentro porque só entram com a minha presença… vou para lá
- Ok eu fico com os meninos… qualquer coisa avisa!
- Eu vou contigo
- Não é preciso João! 
- Já disse que vou! Não estás em estado de ires a conduzir… dá-me a chaves!
Tirou-me as chaves da mão e entrou no lugar do condutor do meu carro e arrancou, felizmente conduziu rapidamente e em poucos minutos estava na loja, aproximei-me dos Policias no local e entramos revirei a loja e não faltava nada, mas estava TUDO fora do lugar e quando me aproximei da caixa tinha um bilhete

“Olá amor!!!
Tenho tantas saudades tuas!
Desculpa a confusão, mas queria ver como anda a correr o negócio e esta foi a única forma de o fazer.
Vou dando noticias
Beijos
Pedro
PS - Os meninos estão lindos… aquela escola é que não é lá muito segura, lamento informar-te”

Enquanto lia percebi que o João lia também
- Não acredito nisto!
- Calma! Agora a escola…
- Vão ficar comigo! Vou organizar os horários e ou eu ou a Micas vamos estar sempre em casa… mas agora… 
Entreguei o bilhete aos agentes e depois de eles o lerem de eu explicar quem era o Pedro, acabaram por me garantir que tanto eu como os meninos estaríamos protegidos, mas isso não me acalmou.
Assim que pude sair da loja e entrei no carro liguei para a Micas, os meninos  estavam em casa com ela e com o Rui e já dormiam. Não me apercebi, mas o João arrancou e só quando desliguei é que o ouvi dizer-me
- Vamos? - olhei à volta e foi impossível não perceber onde estava
- O que estamos aqui a fazer?
- Precisas de acalmar e se te levasse para tua casa estão lá eles, vão querer saber tudo e tu não vais parar essa cabeça por isso…
Acabei por concordar, mas não disse uma única palavra, segui-o.
E depois de subir assim que ele entrou fiquei parada na porta, respirei fundo e finalmente entrei naquela casa, desde que tinha voltado de Valência naquele dia infeliz que aquela casa tinha deixado de ser acolhedora, mas neste momento voltar ali sabia-me muito bem e foi nesse momento que percebi que tal como planeei quando a comprei aquele poderia realmente ser o meu porto seguro.
- Senta-te… está à vontade… sabes o lugar de tudo… eu volto já - deixou-me sozinha na sala e desapareceu para a cozinha para voltar minutos depois - Toma!
- Obrigada! Foste tu que fizeste?
- Não foi a empregada que tenho trancada na dispensa! - gargalhamos - e sai mais uma foto!!!
- Posso? Deixas?? - ele apenas sorriu e como é bom o calorzinho que sinto no peito quando ele sorri - Vá mete lá a tua aqui!

uipi-_chocolate-quente-26112010.jpg
MariaMMendes_ Para grandes males, grandes quantidades de chocolate!!!

Sei que tive comentários mas não liguei, dediquei-me ao chocolate que estava muito bom e quando terminei de beber
- Mais calma?
- Estranha…
- Estranha?!
- Sim, estou calma… estar aqui assim deixa-me calma… esta casa, este sofá, nós… - ele sorriu e aproximou-se e eu nem pensei duas vezes e beijei-o - desculpa… - pedi assim que me afastei - nós aqui nesta casa… comprei-a a pensar também em momentos destes… acabei por ficar mais…
- Shiu… foi… bom… 
Ele voltou a aproximar-se e desta a iniciativa foi dele repetimos e continuávamos, mas acabei por sair a correr com direcção à casa de banho e por habito fui directa a do quarto vomitei e quando voltei a sair o João estava sentado na cama olhou-me e eu só consegui começar a chorar
- Shiiiiu… está tudo bem! Calma… a policia tem tudo controlado…
- Não é só isso… 
- Promete que vais a uma consulta com a Ana? Maria só assim é que vamos descansar… - falou a encher-me de festinhas no cabelos enquanto eu aconchegava a cara no seu peito 
- Não é isso… é que…
- Que…?
- Eu falhei… eu… eu… estive sempre tão convencida que estava certa que… a familia que sempre quis fui eu que fiz ir pelo cano… 
- Maria…
- João eu preciso… eu sei que é tarde… que o devia ter feito há um ano atrás ou até evitar ter que o fazer, mas… desculpa… desculpa as cenas todas que fiz, a começar no dia que me contaste da proposta do vale… - ele tentou interromper-me - não deixa-me… por favor a Dra Vanessa diz que só quando o fizer vou conseguir avançar… foi a reacção egoista quando foste para lá… o não ter avisado do Guilherme assim que soube… e depois tudo o que aconteceu desde que ele nasceu… eu não sei o que se passou comigo… eu… eu preciso… precisava precisAVA - corrigi rapidamente - tanto de ti para me sentir equilibrada que só pensar que tu não ias estar… eu… a minha falta de coragem… os meus medos… eu mereci…
- Maria não faças isto! Erramos os dois… fomos os dois casmurros… levamos os dois as nossas inseguranças à frente de tudo… por favor não faças isso, não te culpes por tudo… a grande, a maior asneira fui eu que a fiz… a Carmen… eu devia ter percebido que… 
- Fui eu que a chamei e que a meti lá em casa… fui eu que te afastei por causa da maldita cicatriz e…
- E sem razão porque essa cicatriz ficou perfeita…
- Oh linda…
- Do que me lembro ficou!
- A tua memória sempre foi fraquinha… 
- Não me queres mostrar?
A proximidade e os beijos de há uns minutos estavam a deixar-me  descontrolada e aquele pedido dele com voz manhosa foi o acender do rastilho por isso levantei-me e muito devagar fiz desaparecer o vestido que trazia para ficar apenas em roupa interior

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Ele ficou a olhar olhou-me de cima a baixo e quando dei por mim ele estava de joelhos e ia beijando delicadamente a cicatriz para minutos depois estarmos totalmente entregues um ao outro, naquela cama, naquele quarto, naquela casa, a nossa casa.
A noite foi longa e muito muito agitada. Adormeci já de madrugada aninhada nos braços do João
E foi da mesma forma que acordei, mas assim que abri os olhos a culpa por de mais uma vez cedido começou a corroer-me, por isso mesmo levantei-me cuidadosamente e depois de revirar as gavetas encontrei uma sweat e umas calças que sabia que tinha esquecido lá fui até ao duche e quando sai da casa de banho ainda de toalha já o João estava acordado, sentado na cama a olhar a porta de onde sai, fiquei sem saber o que fazer e por isso disse apenas 
- Bom dia… 
Ele respondeu e manteve-se impávido, nitidamente à espera do meu proximo movimento e eu aproveitei para fazer o que tinha planeado, vestir-me e sair como se ele ainda dormisse.
Tirei a toalha e comecei a vestir-me, mas em todos os movimentos senti os olhos dele colados em mim. Quando finalmente me vesti aproximei-me da porta e assim que joguei a mão à maçaneta ele reagiu e num impulso aproximou-se e puxou-me apenas o olhei
- Nem penses! Desculpa, mas não vais sair daqui assim… não depois de tudo o que dissemos… não depois do que o Gustavo e o Guilherme - assim que ele disse o nome do nosso filho senti as lagrimas a sairem dos olhos e só segundos depois percebi que era porque finalmente o chamava pelo primeiro nome - pediram no ano novo, não agora que finalmente conseguimos começar a apanhar as pontas que fomos deixando soltas… Maria…
- João eu não consigo! Eu juro que quando acordei e me senti completamente enroscada em ti me senti no céu, mas na mesma altura as recordações daquele dia me assaltaram e eu não consigo… desculpa, mas não dá! - baixei o olhar, não conseguia ver a decepção no dele - Obrigada… - disse depois de uns segundos de silencio - obrigada por me fazeres sentir viva… por me relembrares como é bom… e principalmente por chamares o nosso filho pelo nome dele, finalmente…
- Maria eu não vou insistir, mas… - tentei falar - pronto, pronto… não tens que agradecer o prazer… literalmente - falou a rir - foi meu… e quanto ao nome do nosso filho… acho que era só mais uma birra… uma maneira de te provocar de te ver reagir… Toma a chave… queres ir vai… mas esta casa é e sempre será a NOSSA casa… volta sempre… afinal é nela que a NOSSA familia devia estar…
- João, eu mudei, tu mudaste… a minha familia já não é só o nosso filho, agora tenho o Gustavo…
- Temos Maria! Temos! Adorei aquele miúdo no dia em que o conheci e acho que ele também gosta de mim por isso…
- João eu preciso… - apontei para a porta - preciso mesmo tenho a montra e a loja… e os miúdos e…
- A consulta com a Ana, Maria a sério se dizes que não estás grávida eu acredito, mas algo se passa e estou preocupado! - aproximou-se deu-me um beijo todo meloso bem no canto dos lábios - vou tomar duche e vou buscar o putos… vamos ter um dia de homens!!
- Ok  já percebi vai ser o dia todo no sofá a comer pizza chocolates e a jogar play station… João não te esqueças que o teu filho ainda nem 2 anos tem!
- Sim mamã…

Deixou-me plantada e foi mesmo tomar duche. acabei por ir até a loja e tratar de tudo já estava a regressar a casa quando o meu telemovel avisou a chegada de uma notificação abri a imagem e só consegui sorrir

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JP47 @MariaMMendes_ estamos, como sempre, juntos!



Estará a Maria gravida ou não? 
Este reaparecimento do Pedro será preocupante? E a relação com o João?
Aceitará a Mariana que o Filipe vá para a creche? 
Quem terá razão sobre os bisavós do Filipe a Maria ou a Mariana?


4 comentários:

  1. Olá!
    Bem posso vos dizer que estava mesmo a precisar de um capitulo vosso!!:P E como é obvio ADOREI!! ;D
    As coisas entre o Rúben e Mariana estavam meias azedas...mas a conversa que ela teve com o Sr.Augusto lá fez mudar de ideias e o Rúben acabou por receber miminho loool (e acho que ela ainda vai ceder quanto à creche :P)
    Quanto aos avós da maluca não partilho a mesma opinião que a Maria...veremos se não terei "surpresas" lol
    Agora o reaparecimento do Pedro é que não gostei nadinha!! Vamos lá como vão correr os proximos tempos!
    Quero mais!!
    Beijinhos

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  2. Fabuloso...

    Quero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...

    Continua...

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  3. Olá!

    Adorei mais uma vez este maravilhoso capitulo, mas desta vez vou começar pelo fim que por acaso também é o principio, a última foto e a mensagem do João que também é o titulo deste capitulo. Sábias palavras as da mensagem do João, e não há dúvidas de que ele é esse Homem sério. A Maria aos poucos vai cedendo e vai deixando o João entrar na sua vida, e espero que esta tenha sido a primeira de muitas noites de amor. Há males que vêem por bem, e se a besta do Pedro fez das suas (só espero que pague por isso, ainda por cima teve a inteligência de deixar um bilhete com uma ameaça e assinado, que inteligente) ao menos que tenha servido para aproximar ainda mais a Maria e o João. Ela ainda anda com macaquinhos na cabeça, mas com o tempo isso passa, e adorei quando o João chamou o filho pelo 1º nome e confirmou que só não o chamava assim por birra e por saber que tava a picar a Maria, os homens são piores do que os putos, não há dúvidas.
    Em relação à Mari, continua casmurra como sempre, meteu na cabeça que não quer o puto na creche e não há quem lhe tire essa ideia da cabeça, pelo menos até aparecer o Sr.Augusto, parece que esse sim lhe tocou no ponto fraco, e parece que finalmente ela cedeu um bocadinho, até deixou a criança nos avós par ir à bola e tudo, já é uma melhoria. Mas achei piada ela dizer ao Ruru que tinham voltado ao antigamente em que o homem mandava e a mulher obedecia, isto vindo dela que sempre gostou de mandar e de controlar, até é um bocado irónico, enfim são as Mendes no seu melhor.
    Ninguém é perfeito e as primas não são excepção, porque se uma teve (pelo menos por enquanto, vamos ver até quando) uma Sofia na sua vida, a outra arranjou um Pedro, que veio para fazer estragos, só espero que eles desapareçam de vez da vida delas.
    Eu adorei, mas o que eu vou adorar mesmo é o próximo capitulo e de preferência com as resposta às perguntinhas do final, por isso meninas toca de dar aos dedinhos.
    Continuem
    Beijocas

    Fernanda

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  4. Olá meninas:
    Que mais posso dizer?! Que adoro? Já disse vezes sem conta... mas nunca é demais, por isso: adoro!!!!!
    Quero mais!!!!!
    Beijinhos.

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