João
Depois de a ver gargalhar e chorar
sozinha a Maria levantou-se, parecia que estava sozinha começou a caminhar e
quando passou por mim pegou na garrafa, resolvi não fazer nada, se quisesse que
a bebesse, e segui sempre junto a ela, no primeiro caixote do lixo que passamos
deixou a garrafa e seguiu e eu seguia-a a ela, passou no local onde os
deixamos, como não os encontramos continuou em direção a casa da prima, quando
lá entramos eles estavam a conversar mas assim que nos viram pararam a conversa
e olharam-nos a Maria ignorou-os e retirou o nosso menino do colo da Micas
sentando-se com ele mais afastada e enchendo o menino de mimos.
- Puto como
correu a conversa?
- Qual conversa?
- A vossa!
- Não houve
conversa…
- Ah foram mesmo
só matar saudades né?
- Fábio não me chateeis
se tou a dizer que não falamos foi porque não falamos, ou melhor não falamos o
que era e é preciso, a Maria não me que ouvir e muito menos aconteceu o que
estás para ai a insinuar - nesse momento
a Mica foi até ao andar de cima e o Rui juntou-se a nós - então… o casório é para quando?
- Não me lixes!
O pessoal caiu todo em cima do Rui e a
Maria ainda o avisou que ela e a prima estavam de olho nele o que gerou uma
gargalhada quando começamos a ouvir através do intercomunicador a conversa entre
a Micas e a Mariana…
Ruben
O desabafo da Mariana deixou-me
ligeiramente inquieto mas preferi respeitar o seu espaço e não fui atrás,
fiquei no jardim com os que restavam, uma vez que a Maria bazou e o João foi
atrás.
As horas passaram e foi quando já
estávamos todos na sala vi a Micas a subir as escadas, ainda pensei pedir-lhe
que desse um olhinho na Mari mas não o fiz, no entanto a rapariga fê-lo e sei
disso porque o intercomunicador que temos para ouvir o Filipe quando fica no
quarto estava ligado… o que para mal dos meus pecados revelou-se torturante ou
não fosse ouvir o desabafo da Mariana.
Ouvi tudo e quando terminou simplesmente
saí porta fora, precisava de ficar sozinho…
Mariana
Não sei o que me deu para falar o que
falei mas agora que estou no quarto com o meu pequenino percebi que já o devia
ter feito à muito mais tempo… Sei que foi algo inesperado mas tinha que deitar
cá para fora tudo… estou farta, farta de ser a menina crescida, aquela que
pensa antes de falar, a que coloca os outros em primeiro, estou farta que
estejam sempre à espera que consiga tolerar tudo, aceitar calada… sei que isto
só acontece porque nos últimos meses o permiti ao adotar uma postura de “forte”
mas até o “forte” mais resistente às tempestades do mar precisa que o conservem…
e eu… eu estou a precisar de conserto e urgente ou dou em louca…
Deixei-me ficar na cama com o meu filho,
o Filipe brincava com as suas mãozinhas e eu… eu observava-o.
Perdi a noção do tempo e só voltei à
realidade quando pressenti alguém a entrar no quarto
- Posso?
- Sim…
- Mariana queres
falar? - olhei-a - Ás vezes é mais fácil falarmos com alguém
que esteja mais distante… já percebi que tu, o Ruben, a Maria e o João têm
histórias complexas e que a Ana e o Fábio as acompanharam por isso se quiseres
falar com alguém que é isento… - suspirei
- Oh Micas…
falar… falar é tudo o que menos preciso…
- Será? Mariana
não foi isso que pareceu…
- Não é fácil…
- Esquece o
Filipe, o Ruben, a tua prima, os teus amigos e responde sinceramente - olhei-a - Quem
é a Mariana Mendes?
- Hã?
- Estou a pedir
que me apresentes a Mariana Mendes… não a do passado nem a do presente mas sim
aquela que está aí dentro - tocou com o
seu dedo indicador no meu peito - aquela
que há umas horas disse tudo aquilo ali junto da piscina!
- Não sei… não
sei mesmo quem é a Mariana Mendes - a Micas sorriu
- Sabes sim… - suspirei
- Sou… sou… olha
sou uma alma perdida dentro do seu próprio corpo… Micas não estou arrependida
de ter abdicado de mim pela minha prima, pelo Guigas até mesmo pelo João ou
pelo Ruben e mais tarde pelo Filipe porque todos eles são uma parte de mim,
todos eles contribuíram para aquilo que sou hoje mas… sei lá parece que estão
sempre à espera de uma Mariana forte, inabalável mas eu não sou assim… eu tenho
medos, receios, duvidas, desejos, vontades que vão muito para além de cuidar
deles todos… preciso de alguém que cuide de mim, que me perceba e eles não
percebem porque nem eu própria me percebo… a verdade é essa…
- Culpas o Ruben
e o João por teres perdido os gémeos? - olhei-a - A Maria contou-me vagamente que no dia que
o Guigas nasceu que perdeste os teus filhos e que isso aconteceu porque o Ruben
e o João resolveram armar para que se encontrassem porque estavam chateadas…
mas o que quero mesmo saber é se os culpas? Mariana ninguém nos está a ouvir e
juro que nunca contarei a ninguém…
Olhei para o Filipe e depois para a
Micaela mas não consegui responder de imediato
- Culpas os dois
ou algum em especial? Sim porque pela tua não resposta já percebi que culpas…
resta saber quem…
- Ruben… - admiti baixinho mas depois - sim culpo o Ruben - suspirei
pesadamente - no fundo culpo o Ruben e
sempre o culparei… ele sabia que devia evitar situações de stress… pior ainda
ele era o único que tinha real noção que estava no limite porque tinha
descoberto que mentiram-me desde que nasci… descobri que o meu pai não é meu
pai biológico e isso foi demais para mim… foi um duro golpe porque pura e
simplesmente deixei de saber quem era, aquela menina que todos chamavam de
Mendes afinal não o era… ainda hoje não sei nada da família do homem que
engravidou a minha mãe… não sei sequer se tenho irmãos… e o Ruben foi o único
que testemunhou o meu calvário nessa altura, ele sabia que bastava uma gotinha
para fazer transbordar a muralha que tinha construído à minha volta… e mesmo
assim… mesmo assim resolveu que tinha de ser forte o suficiente para encarar a
minha prima e contar que afinal não era sua prima, tinha que ter capacidade de
encaixe para a aceitar porque a Maria estava grávida e a precisar do meu apoio…
mas não correu bem… discuti com a Maria e com os nervos ela entrou em trabalho
de parto e mais uma vez vi o Ruben a meter-me de parte para apoiar a Maria, foi
assim durante toda a gravidez dela, aliás nós divorciamo-nos por causa disso
- a Micas ficou surpreendida - sim… nós
já fomos casados… - levantei-me da cama e fui até às portadas que dão
acesso à varanda, não estava a aguentar olhar para a cara da Micas e ver pena -
longa história… mas como estava a dizer
o Ruben ficou com a Maria e no fundo nem o condeno afinal era ela que estava em
trabalho de parto e eu… eu estava só a ser egoísta… o que ele não sabe é que
naquele momento percebi que não podia contar com ele, que era eu e os meus dois
bebés… estava sozinha e o único motivo que me prendia à vida era os gémeos… mas
até eles me deixaram porque fui incapaz de os proteger… daquela tarde poucas
recordações tenho… lembro-me de estar a caminhar pelo Parque das Nações numa tentativa
de acalmar-me quando comecei a sentir-me mal… sentei-me num banco e depois
apareceu o Rui não sei de onde… só sei que foi ele que me ajudou, levou-me ao
hospital e foi lá que tomei consciência que o que sentia não eram só nervos ou
ansiedade… eu estava a abortar… e até para isso não servi… não consegui matar
os meus dois filhos ao mesmo tempo… foi horrivel estar deitada naquela cama com
a consciência que o coração do menino já não batia e que o da menina estava
muito fraquinho… horas depois veio a confirmação do que não queria… a menina
também não resistiu e onde é que estava o pai deles? O pai deles estava do lado
da Maria a ver o Guigas nascer… não quer dizer que se tivesse do meu lado que
não perdesse na mesma os gémeos mas seria diferente… pelo menos teria com quem
dividir a dor, a revolta, a magoa, o ódio… se tudo isto podia ter sido evitado?
Talvez sim… talvez não… nunca saberei porque não me foi dada essa oportunidade…
- O Ruben sabe
que o culpas?
- Não… nem vai
saber! Tu prometeste!
- Sim… mas isso
não invalida que lhe contes.
- Para quê? Para
se sentir ainda mais culpado? Não… ele não precisa disso já chega a culpa que
sente…
- Mariana
responde com sinceridade - olhei-a - o Filipe é de alguma forma um substituto
dos teus filhos?
- Não! Os gémeos
são insubstituíveis… nenhum filho substitui outro…
***
Depois da Micaela sair ainda fiquei no
quarto algum tempo mas tive que sair, o Filipe tinha de beber o leite e por
isso desci as escadas com o meu pequenino ao colo…
Maria
Assim que ouvi a minha prima dizer que
culpava o Ruben pela perda dos gémeos e o vi derreter aproximei-me
- Ruben sabes que
ela me culpa no fundo a mim não sabes? - calei-me e ela
continuava a falar com a Micas e acabou mesmo por falar em toda a minha
gravidez - vês o que te digo, a culpada
de tudo sou eu… eu sempre fui a boneca de porcelana e a Mari sempre me
protegeu… por isso não ligues ao que ela está a dizer… e quanto a mim… prometo
que quando chegar a Portugal me afasto, não vos quero ver mal…
O Ruben não falou nada ouviu tudo e saiu
porta fora
- Maria queres ir
apanhar ar?
- Estás enjoada?
- Não estou bem,
triste por ver os meus amigos todos assim… a sofrerem e a magoarem-se sem
sentido, mas bem, já tu…
- Ana só quero
voltar para casa… preciso de me reorganizar e de voltar a minha rotina… e
prometo que não vou causar mais estragos
- Maria ouvi o
que disseste ao Ruben e muito sinceramente, não vou dizer-te que não tens
culpa, porque tens, mas sabes tão bem como eu que os quatro têm a mesma cota
parte de culpas em tudo o que vos aconteceu, quer de mau quer de bom e para a
tua prima isto é muito bom, ela está finalmente a conseguir deitar cá para fora
o que sente o que quer dizer que está a ultrapassar, Maria segue-lhe o exemplo
e faz o mesmo…
Não respondi porque a Mariana desceu
tentamos todos agir o mais naturalmente possível, mas quando o Ruben chegou ela
segui-o e quando ele voltou a aparecer vinha sozinho e minutos depois surgiu a
Mariana…
Ruben
Andei que me fartei e quando regressei
era de noite, fui direto ao quarto onde tomei um duche demorado e quando saí
encontrei a Mariana sentada na cama.
Tinha tanto para lhe dizer mas
simplesmente não consegui, por isso mesmo vesti-me e saí do quarto.
- A minha prima?
- Ficou no
quarto…
- Já lhe contaste
que ouvimos a conversa com a Micas?
- Não e nem faço
intenções de dizer…
Acho que teriam insistido mas a Mariana
apareceu e eles calaram-se. Fomos jantar e quando terminamos avisei que ia
descansar, ninguém abriu a boca para refutar, o que por um lado agradeci mas
por outro… por outro fiquei esmorecido porque a Mariana não se manifestou.
Estava deitado e por muito que quisesse
fechar os olhos e adormecer não conseguia, assim que o fazia vinha-me à memória
o que ouvi mas principalmente aqueles malditos dias seguintes que fiquei
sozinho em Braga, onde me passou tanta merda pela cabeça, onde me culpei pela
perda dos gémeos, onde me condenei por não estar do seu lado… e agora… agora
que de certa forma já estava a conseguir ultrapassar o nojo que sinto de mim
próprio tenho a confirmação do que mais temia… a Mariana culpa-me…
Acabei por ir até à varanda onde me perdi
a olhar o céu estrelado e quando percebi já tinha a Mariana do meu lado a
limpar-me as lágrimas… o que fez com que me sentir ainda pior e o choro até
agora silencioso revelou-se mais intenso.
A Mariana nada disse, limitou-se a
acolher-me nos seus braços e a reconfortar-me, enquanto chorava e pensava como
é que ela consegue estar do meu lado depois de tudo o que lhe fiz… e os minutos
que passaram não serviram só para regular a respiração depois de ter secado as
lágrimas… serviram para que a dúvida crescesse ainda mais e sem aguentar mais
- Como é que
consegues estar comigo culpando-me da perda dos gémeos?
- Ãh?
- Eu ouvi… tinhas
o intercomunicador ligado… - a Mariana
baixou o olhar - diz-me como é que
consegues fazer amor comigo quando me odeias, diz-me!
- Eu não te
odeio!
- Mas culpas-me
pela perda dos gémeos e o pior é que tens motivos e a razão do teu lado…
- Oh Ruben… - interrompi-a
- Esquece… não
tentes justificar o injustificável… tens razão fui mesmo o culpado por isso…
- Oh mor - a Mariana já chorava - não te odeio… e sim culpo-te a ti como me culpo a mim… nem mais nem
menos… podes ter provocado aquele encontro mas eu também não fiz nada para
proteger os nossos bebés… podia ter evitado a troca de bocas com a Maria, sei
lá podia simplesmente ter saído… não sei… podia ter feito tanto e não fiz nada…
a culpa é tanto tua como minha…
- Mas não foi
isso que falaste à Micas… - atirei
chateado, não com ela mas sim comigo mesmo
- Só respondi à
pergunta que fez… - olhei-a e
acabei por levantar-me da cadeira e aproximar-me do parapeito da varanda - Ruben… mor… - a Mariana aproximou-se e
abraçou-me - a pergunta da Micas foi se
culpo o João e a ti pela perda dos nossos bebés…
- Sério?! Tens
mesma essa necessidade de me atirares isso à cara?! Mariana ouvi à primeira que
não sou surdo!
- Surdo não és!
Mas também te digo que só ouves o que te dá jeito! - olhei-a
- Se te culpas de
igual forma porquê que não o disseste á Micas? - a Mariana respirou fundo
- Porque não
perguntou… e porque não é preciso dizer que me culpo… porque isso é visível…
sei lá ó Ruben simplesmente não disse… talvez porque dói falar sobre a perda,
porque sempre que sou obrigada a fazê-lo não consigo ter um discurso racional…
não consigo pensar e articular devidamente as palavras, muito menos escolhe-las,
porque a dor é tanta que unicamente deixo sair… hoje ouviste que te culpo mas
no fundo já o sabias… nunca te tinha dito com as letras todas mas já sabias… e
se negares é porque então só tiveste presente fisicamente nas consultas com a psicóloga…
Baixei o olhar, a Mariana tinha razão…
não consegui dizer mais nada e talvez por isso o meu amor se tenha afastado,
acho que no fundo resolveu dar-me espaço, porque percebi que estava no quarto.
Ainda fiquei uns minutos sozinho mas a
dúvida mantinha-se e precisava de resposta para a mesma, por isso mesmo voltei
para o quarto e encontrei-a a dar miminhos ao Filipe, o que mais uma vez fez
com que me sentisse a pior pessoa, até nisso a Mariana supera-me… ela ao
contrário de mim sempre amou o Filipe… deixei esses pensamentos de lado e
aproximei-me
- Preciso de uma
resposta - olhou-me - como é que consegues estar comigo… entregares-te desta forma quando a
única coisa que te fiz foi magoar? - a Mariana suspirou e depois de deitar
o Filipe no berço, puxou-me pela mão e fomos até á cama, onde nos sentamos
- Sim magoaste e
muito mas deste muito mais do que sofrimento, deste e dás amor, Ruben para mim
isso basta… sei que nestes últimos dias tenho feito demasiadas revelações e
algumas inesperadas mas só agora é que consegui verbalizar tudo o que vai
dentro de mim… desculpa…
- Oh Mariana não
peças desculpas que ainda me fazes sentir pior…
- O teu mal é
esse… continuas agarrado ao passado… Ruben isto não é fácil para nenhum dos
dois e por ter essa noção é que sempre quis ir devagar, nunca te escondi que
precisava de tempo e espaço… fizeste de tudo para que cedesse e não… não estou
a culpar-te disso, o que quero dizer é que lutaste por mim, o que fez com que
cedesse e se hoje estamos aqui é porque ambos o queremos, mas precisas deixar
de pensar nos teus erros, nos meus e nos nossos, vive o presente… sei não é
fácil porque temos sempre algo que nos puxa para o passado… desta vez foi o que
falei e não é querer desculpar a minha atitude mas mais uma vez obrigaste-me a
recordar o passado quando recusaste a ideia de engravidar… - senti necessidade de a interromper
- Da forma que
falas dás a entender que não quero ser pai mas isso não é verdade! Aliás
expliquei os meus motivos.
- Sim…
basicamente achas que não estamos preparados… mas então faço a pergunta ao
contrário - olhou-me nos olhos - achas que somos maus pais para o Filipe?
- Oh Mariana não
mistures os assuntos…
- Misturar
assuntos?! Ruben o assunto é o mesmo, porque o Filipe é MEU filho quer queiras
quer não querias e não te admito que digas o contrário! Não nasceu de mim mas é
MEU!
- Ei… não falei o
contrário! Mas para mim é diferente… Mariana nós somos bons pais para o Filipe
porque damos o nosso melhor e sim são assuntos diferentes porque não sei se
estou preparado para ser pai na verdadeira imensidão da palavra… eu olho para
ti e vejo-te segura de ti… desde o primeiro minuto de vida do Filipe que o
amaste, que lutaste por ele, que se fosse o caso terias dado a tua vida pelo
menino… mas eu… eu não… e é disso que tenho medo… eu não sei ser pai…
- Ruben tem dó de
mim!
- Eu pensei dar o
Filipe para adoção… - olhou-me com
uma magoa enorme mas agora que tinha começado não ia parar - no dia que nasceu e enquanto estive naquela
sala de espera para saber o que ia acontecer só um pensamento povoava o meu
cérebro… que o bebé não resistisse… eu não o desejava, não o amava, não o
queria… eu simplesmente passei a gravidez da Sofia a desejar que um camião lhe
passasse por cima ou que perdesse o bebé… e quando me obrigaste a vê-lo… a
única coisa que senti verdadeiramente foi repulsa… porque tinha diante de mim
um bebé indefeso mas que para mim era o responsável por te ter perdido… e
depois nos dias seguintes quanto mais tempo passavas com ele pior me sentia… eu
não o queria e tu… tu estavas lá do lado dele agarrada a uma esperança que era
muito escassa… naqueles dias pensei mesmo em dá-lo para adoção porque não
sentia nada por ele… por isso… não… eu não sei ser pai e sim tenho medo de
falhar contigo como falhei com o Filipe…
O choro já me tinha domado novamente e a
Mariana… a Mariana estava tão surpresa que se mantinha a olhar-me até ao
momento que me puxou para si e que acabei deitado com a cabeça nas suas pernas
- Amor o que
contaste não faz de ti mau pai… faz de ti humano e como tal cometes erros… mas
o que interessa é que reconheces e depois amas o Filipe, aprendeste a fazê-lo
dia após dia e não interessa se foi porque me viste a amá-lo ou se foi porque
em algum momento sentiste que aquele bebé frágil era uma parte de ti… o Filipe
é nosso filho e nós somos seus pais, NÓS SOMOS UMA FAMÍLIA… nunca te esqueças
disso… uma família louca e stressadinha que gosta de um dramazinho de vez em
quando mas que se ama - olhei-a
- Acreditas mesmo
que conseguimos vencer tudo e daqui a muitos anos vamos estar rodeados de netos
e quem sabe bisnetos? - sorriu e que
sorriso lindo
- Acredito! Se
não acreditasse não estaria aqui do teu lado.
- Queres mesmo
engravidar?
- Querer quero
mas para isso é preciso que tenhas a mesma certeza que eu… Ruben não vou
engravidar por “descuido” e muito menos obrigar-te a aceitar uma gravidez para
a qual não te sintas preparado…
- Podemos pensar
nisso depois do regresso a Lisboa?
- Sim…
- Obrigado…
- Não agradeças,
promete-me só que deixas essas ideias parvas de que não és bom pai… mor és o
melhor pai que o Filipe poderia ter, porque és o PAI dele, com todos os teus
defeitos e qualidades, serás sempre o melhor pai, pelo menos aos olhos dele e
aos meus!
Não respondi e por isso ficamos
simplesmente no silêncio a olharmo-nos, até ao momento que o cansaço levou a
melhor e por isso adormeci…
Maria
Durante o jantar tentamos todos agir o
mais naturalmente possível mas decididamente o dia hoje não estava para grandes
ramboias e por isso assim que o Ruben informou que se ia deitar todos o
seguimos.
Assim que entrei no meu quarto deitei o
Guilherme que já dormia e troquei de roupa, acabei por me sentar depois na zona
exterior da casa e voltei a pensar em tudo aquilo que se tinha tornado a minha
vida, passado alguns minutos reparei que estava acompanhada, mas tentei ignorar
ao maximo a presença do João até que
- Olá! - olhei-o com cara de quem o manda para um sitio
nada bonito, mas ele continuou - estás
por cá de férias? - voltei a olha-lo - chamo-me
João e tu?
- Eu Não tou com paciência
para joguinhos parvos já te disse que não te quero ouvir
- Eish não
consegui decorar o nome todo… - riu-se - mas o que te queria dizer é que vamos ficar
cá ainda uns dias e podíamos tentar que fossem agradáveis e como tal podíamos
pelo menos ser amigos…
- Já tentamos e
já vimos que não dá!
- Mas podíamos
tentar novamente… pelo Bruno, pelo Ruben e pela Mari…
- Ok por ele tudo
bem, mas amigos é pedir de mais… conhecidos e já vais com muita sorte!
- Ok… e achas que
este conhecido te pode oferecer uma bebida?
- NÃO! Porque o
que tu queres sei eu, mas podes tirar dai o cavalinho… que não me embebedas
para me levares para a cama!
- Não era isso
que queria, era mesmo só companhia ainda não tenho sono…
- Pronto está
bem… mas cada um na sua ponta do sofá…
- Estás com medo
de quê?
- De me
arrepender de te ter dado esta trégua… e agora vai lá buscar a bebida…
- A madame quer
cachaça, vodka, caipirinhas…
- Quero uma água
de coco ou um sumo natural desses que eles tem ai… não me olhes com essa cara!
O meu fígado e o meu estomago estão de relação cortada com o álcool - ele gargalhou - não tem piada
João
Consegui amolecer um bocadinho a Maria o
que deu para um serão de conversas banais e alguns momentos divertidos já que o
Bruno acordou e resolveu fazer um espetáculo completo com todo o seu repertorio
de gracinhas, acho que o menino ficou feliz ao ver-nos aos dois juntos. A noite
foi tranquila e o amanhecer também embora ambos estivéssemos com medo de como
estariam os nossos amigos.
Depois de
revelações intensas como ficará a relação do Ruben e da Mariana? Será que
depois de uma noite de sono a paz continuará…
E o João e a
Maria… os próximos dias serão tranquilos ou estas “tréguas” só duram mesmo umas
horas...
E porque hoje alguém especial faz anos este capítulo é
dedicado a ela... Adriana já lá vai três anos e uns meses de muitas
gargalhadas, de conversa “jogada fora”, de momentos de pura brincadeira como os
que temos partilhado recentemente lol, mas nunca esquecendo as conversas “sérias”
pois a amizade engloba de tudo um pouco. Amizade essa que não levou muito tempo
para passar de “virtual” para a “realidade”, ainda hoje quando penso nisso é
impossível não rir…
Mas deixando o lado mais “sentimentalista” de lado só me
resta dar-te os Parabéns por mais um aniversário… ah e espero que tenhas
gostado do capítulo pois este só saiu hoje porque a menina faz aninhos LOOL
Beijinhos

Fantástico...
ResponderEliminarQuero mais... Continua...
Tou super curiosa para ver o próximo...
Olá meninas:
ResponderEliminarSe gostei???? Amei :D :D :D
O tempo passa mesmo rápido, já lá vai 3 anos :D mas sem duvida o tempo que "passo" convosco é mt agradavel ;)
Amei a minha prenda, muito obrigadas Mendes ;)
Agora falando do capitulo.... isto não está nada facil, ai ceus que estava mesmo a ver a coisa preta e que o paraíso ia virar inferno... tive medo :)
Mas fiquei com esperanças que o acordar traga tranquilidade para os meus casalinhos, estou com fé no Joãozinho ;) e claro que no Ruben tb, apesar de achar que esse já tratou do assunto :D :D :D
Também tenho curiosidade como vai o casalinho Rui e Micas, espero que me dêem revelações no próximo capitulo ;)
Sim próximo capitulo porque só tenho vontade de ler mais ;)
Muito obrigada Mariana ;)
Beijinhos para as duas.
Olá!
ResponderEliminarBem aquele "desabafo" da Mariana à Micas era algo que eu nao estava nada à espera...e por momentos ainda pensei que fosse dar para o torto mas ainda bem que a Mari acabou por esclarecer as coisas com o Rúben :P
Fico à espera de novidades quanto ao tema baby e tambem quanto à Maria e ao João lool
Quero mais!!
Rita
Olá!
ResponderEliminarO vulcão Mariana entrou novamente em erupção, ela pensava que estava a ter uma conversa em privado com a Micas e afinal toda a gente ouviu, e os mais atingidos pelas palavras da Mari foram uma vez mais o Ruben e a Maria. É perfeitamente normal a atitude do Ruben, querer isolar-se, ficar sozinho com os seus pensamentos, afinal aquilo que ele no fundo sabia veio ao de cima, a Mari culpa-o da perda dos gémeos, mas apesar de tudo gostei da conversa deles, do consolo que a Mari lhe deu apesar de tudo, mas o que eu gostei mesmo foi o que ela lhe disse "NÓS SOMOS UMA FAMÍLIA… nunca te esqueças disso… uma família louca e stressadinha que gosta de um dramazinho de vez em quando mas que se ama". Stressadinha é favor, e descrever esta familia como louca é pouco, ou melhor não é defeito é feitio.
A vida destes 4 quer queiram ou não influenciam de alguma maneira a vida de todos, familia, amigos e afins.
Nestes dias no Brasil a Maria já teve alguns dissabores, já por duas vezes ouviu da boca da prima o que ela provavelmente não esperava, já viveu um momento intenso com o seu amor, e agora foge dele a 7 pés, ainda assim ele não "abuse" novamente da menina, quando ela souber realmente o que aconteceu...Gostava que também ela se visse livre dos seus fantasmas, que encare o futuro sem medo, resolva os problemas do passado e viva o presente junto daqueles que ama, ela sabe muito bem quem são. Que estas férias sirvam para torná-los todos mais fortes, mais unidos. Só há uma coisa que eu tenho medo, se o vulcão Mari entrou em erupção e foi o que foi, até tou com medo quando a Maria rebentar a bolha, sim que eu não tenho dúvidas que ela vai rebentar, e quando isso acontecer saiam da frente porque vai fazer estragos. Já não é novidade que eu gostava muito que a Maria e o JP se acertassem, mas também estou curiosa de como vai ficar a relação das primas depois de tanta revelação.
Meninas eu ADOREI, e hoje confesso que fiquei com a lagriminha no olho, este desabafo da Mari e depois o do Ruben deixaram-me ko, se calhar ando mais sensível, mas não deixa de ser um capitulo maravilhoso, só há um problema, acabou e não tenho mais para ler, por isso preciso muito do próximo.Continuem...
Beijocas
Fernanda
Uau eu não sei bem até que ponto estes meninos estão a aguentar a esta avalanche de emoções, mas eu ainda não recuperei. Jasus até a mim, que apenas leio, me dói ler o que eles ouvem uns dos outros (menos do João, desse não tenho pena nenhuma!)
ResponderEliminarEspero o próximo!
Ana Santos