terça-feira, 1 de abril de 2014

133 - "O teu mal é esse… continuas agarrado ao passado…"

João
Depois de a ver gargalhar e chorar sozinha a Maria levantou-se, parecia que estava sozinha começou a caminhar e quando passou por mim pegou na garrafa, resolvi não fazer nada, se quisesse que a bebesse, e segui sempre junto a ela, no primeiro caixote do lixo que passamos deixou a garrafa e seguiu e eu seguia-a a ela, passou no local onde os deixamos, como não os encontramos continuou em direção a casa da prima, quando lá entramos eles estavam a conversar mas assim que nos viram pararam a conversa e olharam-nos a Maria ignorou-os e retirou o nosso menino do colo da Micas sentando-se com ele mais afastada e enchendo o menino de mimos.
- Puto como correu a conversa?
- Qual conversa?
- A vossa!
- Não houve conversa…
- Ah foram mesmo só matar saudades né?
- Fábio não me chateeis se tou a dizer que não falamos foi porque não falamos, ou melhor não falamos o que era e é preciso, a Maria não me que ouvir e muito menos aconteceu o que estás para ai a insinuar - nesse momento a Mica foi até ao andar de cima e o Rui juntou-se a nós - então… o casório é para quando?
- Não me lixes!
O pessoal caiu todo em cima do Rui e a Maria ainda o avisou que ela e a prima estavam de olho nele o que gerou uma gargalhada quando começamos a ouvir através do intercomunicador a conversa entre a Micas e a Mariana…

Ruben
O desabafo da Mariana deixou-me ligeiramente inquieto mas preferi respeitar o seu espaço e não fui atrás, fiquei no jardim com os que restavam, uma vez que a Maria bazou e o João foi atrás.
As horas passaram e foi quando já estávamos todos na sala vi a Micas a subir as escadas, ainda pensei pedir-lhe que desse um olhinho na Mari mas não o fiz, no entanto a rapariga fê-lo e sei disso porque o intercomunicador que temos para ouvir o Filipe quando fica no quarto estava ligado… o que para mal dos meus pecados revelou-se torturante ou não fosse ouvir o desabafo da Mariana.
Ouvi tudo e quando terminou simplesmente saí porta fora, precisava de ficar sozinho…

Mariana
Não sei o que me deu para falar o que falei mas agora que estou no quarto com o meu pequenino percebi que já o devia ter feito à muito mais tempo… Sei que foi algo inesperado mas tinha que deitar cá para fora tudo… estou farta, farta de ser a menina crescida, aquela que pensa antes de falar, a que coloca os outros em primeiro, estou farta que estejam sempre à espera que consiga tolerar tudo, aceitar calada… sei que isto só acontece porque nos últimos meses o permiti ao adotar uma postura de “forte” mas até o “forte” mais resistente às tempestades do mar precisa que o conservem… e eu… eu estou a precisar de conserto e urgente ou dou em louca…
Deixei-me ficar na cama com o meu filho, o Filipe brincava com as suas mãozinhas e eu… eu observava-o.
Perdi a noção do tempo e só voltei à realidade quando pressenti alguém a entrar no quarto
- Posso?
- Sim…
- Mariana queres falar?  - olhei-a - Ás vezes é mais fácil falarmos com alguém que esteja mais distante… já percebi que tu, o Ruben, a Maria e o João têm histórias complexas e que a Ana e o Fábio as acompanharam por isso se quiseres falar com alguém que é isento… - suspirei
- Oh Micas… falar… falar é tudo o que menos preciso…
- Será? Mariana não foi isso que pareceu…
- Não é fácil…
- Esquece o Filipe, o Ruben, a tua prima, os teus amigos e responde sinceramente - olhei-a - Quem é a Mariana Mendes?
- Hã?
- Estou a pedir que me apresentes a Mariana Mendes… não a do passado nem a do presente mas sim aquela que está aí dentro - tocou com o seu dedo indicador no meu peito - aquela que há umas horas disse tudo aquilo ali junto da piscina!
- Não sei… não sei mesmo quem é a Mariana Mendes - a Micas sorriu
- Sabes sim… - suspirei
- Sou… sou… olha sou uma alma perdida dentro do seu próprio corpo… Micas não estou arrependida de ter abdicado de mim pela minha prima, pelo Guigas até mesmo pelo João ou pelo Ruben e mais tarde pelo Filipe porque todos eles são uma parte de mim, todos eles contribuíram para aquilo que sou hoje mas… sei lá parece que estão sempre à espera de uma Mariana forte, inabalável mas eu não sou assim… eu tenho medos, receios, duvidas, desejos, vontades que vão muito para além de cuidar deles todos… preciso de alguém que cuide de mim, que me perceba e eles não percebem porque nem eu própria me percebo… a verdade é essa…
- Culpas o Ruben e o João por teres perdido os gémeos? - olhei-a - A Maria contou-me vagamente que no dia que o Guigas nasceu que perdeste os teus filhos e que isso aconteceu porque o Ruben e o João resolveram armar para que se encontrassem porque estavam chateadas… mas o que quero mesmo saber é se os culpas? Mariana ninguém nos está a ouvir e juro que nunca contarei a ninguém…
Olhei para o Filipe e depois para a Micaela mas não consegui responder de imediato
- Culpas os dois ou algum em especial? Sim porque pela tua não resposta já percebi que culpas… resta saber quem…
- Ruben… - admiti baixinho mas depois - sim culpo o Ruben - suspirei pesadamente - no fundo culpo o Ruben e sempre o culparei… ele sabia que devia evitar situações de stress… pior ainda ele era o único que tinha real noção que estava no limite porque tinha descoberto que mentiram-me desde que nasci… descobri que o meu pai não é meu pai biológico e isso foi demais para mim… foi um duro golpe porque pura e simplesmente deixei de saber quem era, aquela menina que todos chamavam de Mendes afinal não o era… ainda hoje não sei nada da família do homem que engravidou a minha mãe… não sei sequer se tenho irmãos… e o Ruben foi o único que testemunhou o meu calvário nessa altura, ele sabia que bastava uma gotinha para fazer transbordar a muralha que tinha construído à minha volta… e mesmo assim… mesmo assim resolveu que tinha de ser forte o suficiente para encarar a minha prima e contar que afinal não era sua prima, tinha que ter capacidade de encaixe para a aceitar porque a Maria estava grávida e a precisar do meu apoio… mas não correu bem… discuti com a Maria e com os nervos ela entrou em trabalho de parto e mais uma vez vi o Ruben a meter-me de parte para apoiar a Maria, foi assim durante toda a gravidez dela, aliás nós divorciamo-nos por causa disso - a Micas ficou surpreendida - sim… nós já fomos casados… - levantei-me da cama e fui até às portadas que dão acesso à varanda, não estava a aguentar olhar para a cara da Micas e ver pena - longa história… mas como estava a dizer o Ruben ficou com a Maria e no fundo nem o condeno afinal era ela que estava em trabalho de parto e eu… eu estava só a ser egoísta… o que ele não sabe é que naquele momento percebi que não podia contar com ele, que era eu e os meus dois bebés… estava sozinha e o único motivo que me prendia à vida era os gémeos… mas até eles me deixaram porque fui incapaz de os proteger… daquela tarde poucas recordações tenho… lembro-me de estar a caminhar pelo Parque das Nações numa tentativa de acalmar-me quando comecei a sentir-me mal… sentei-me num banco e depois apareceu o Rui não sei de onde… só sei que foi ele que me ajudou, levou-me ao hospital e foi lá que tomei consciência que o que sentia não eram só nervos ou ansiedade… eu estava a abortar… e até para isso não servi… não consegui matar os meus dois filhos ao mesmo tempo… foi horrivel estar deitada naquela cama com a consciência que o coração do menino já não batia e que o da menina estava muito fraquinho… horas depois veio a confirmação do que não queria… a menina também não resistiu e onde é que estava o pai deles? O pai deles estava do lado da Maria a ver o Guigas nascer… não quer dizer que se tivesse do meu lado que não perdesse na mesma os gémeos mas seria diferente… pelo menos teria com quem dividir a dor, a revolta, a magoa, o ódio… se tudo isto podia ter sido evitado? Talvez sim… talvez não… nunca saberei porque não me foi dada essa oportunidade…
- O Ruben sabe que o culpas?
- Não… nem vai saber! Tu prometeste!
- Sim… mas isso não invalida que lhe contes.
- Para quê? Para se sentir ainda mais culpado? Não… ele não precisa disso já chega a culpa que sente…
- Mariana responde com sinceridade - olhei-a - o Filipe é de alguma forma um substituto dos teus filhos?
- Não! Os gémeos são insubstituíveis… nenhum filho substitui outro…
***
Depois da Micaela sair ainda fiquei no quarto algum tempo mas tive que sair, o Filipe tinha de beber o leite e por isso desci as escadas com o meu pequenino ao colo…

Maria
Assim que ouvi a minha prima dizer que culpava o Ruben pela perda dos gémeos e o vi derreter aproximei-me
- Ruben sabes que ela me culpa no fundo a mim não sabes? - calei-me e ela continuava a falar com a Micas e acabou mesmo por falar em toda a minha gravidez - vês o que te digo, a culpada de tudo sou eu… eu sempre fui a boneca de porcelana e a Mari sempre me protegeu… por isso não ligues ao que ela está a dizer… e quanto a mim… prometo que quando chegar a Portugal me afasto, não vos quero ver mal…
O Ruben não falou nada ouviu tudo e saiu porta fora
- Maria queres ir apanhar ar?
- Estás enjoada?
- Não estou bem, triste por ver os meus amigos todos assim… a sofrerem e a magoarem-se sem sentido, mas bem, já tu…
- Ana só quero voltar para casa… preciso de me reorganizar e de voltar a minha rotina… e prometo que não vou causar mais estragos
- Maria ouvi o que disseste ao Ruben e muito sinceramente, não vou dizer-te que não tens culpa, porque tens, mas sabes tão bem como eu que os quatro têm a mesma cota parte de culpas em tudo o que vos aconteceu, quer de mau quer de bom e para a tua prima isto é muito bom, ela está finalmente a conseguir deitar cá para fora o que sente o que quer dizer que está a ultrapassar, Maria segue-lhe o exemplo e faz o mesmo…
Não respondi porque a Mariana desceu tentamos todos agir o mais naturalmente possível, mas quando o Ruben chegou ela segui-o e quando ele voltou a aparecer vinha sozinho e minutos depois surgiu a Mariana…

Ruben
Andei que me fartei e quando regressei era de noite, fui direto ao quarto onde tomei um duche demorado e quando saí encontrei a Mariana sentada na cama.
Tinha tanto para lhe dizer mas simplesmente não consegui, por isso mesmo vesti-me e saí do quarto.
- A minha prima?
- Ficou no quarto…
- Já lhe contaste que ouvimos a conversa com a Micas?
- Não e nem faço intenções de dizer…
Acho que teriam insistido mas a Mariana apareceu e eles calaram-se. Fomos jantar e quando terminamos avisei que ia descansar, ninguém abriu a boca para refutar, o que por um lado agradeci mas por outro… por outro fiquei esmorecido porque a Mariana não se manifestou.
Estava deitado e por muito que quisesse fechar os olhos e adormecer não conseguia, assim que o fazia vinha-me à memória o que ouvi mas principalmente aqueles malditos dias seguintes que fiquei sozinho em Braga, onde me passou tanta merda pela cabeça, onde me culpei pela perda dos gémeos, onde me condenei por não estar do seu lado… e agora… agora que de certa forma já estava a conseguir ultrapassar o nojo que sinto de mim próprio tenho a confirmação do que mais temia… a Mariana culpa-me…
Acabei por ir até à varanda onde me perdi a olhar o céu estrelado e quando percebi já tinha a Mariana do meu lado a limpar-me as lágrimas… o que fez com que me sentir ainda pior e o choro até agora silencioso revelou-se mais intenso.
A Mariana nada disse, limitou-se a acolher-me nos seus braços e a reconfortar-me, enquanto chorava e pensava como é que ela consegue estar do meu lado depois de tudo o que lhe fiz… e os minutos que passaram não serviram só para regular a respiração depois de ter secado as lágrimas… serviram para que a dúvida crescesse ainda mais e sem aguentar mais
- Como é que consegues estar comigo culpando-me da perda dos gémeos?
- Ãh?
- Eu ouvi… tinhas o intercomunicador ligado… - a Mariana baixou o olhar - diz-me como é que consegues fazer amor comigo quando me odeias, diz-me!
- Eu não te odeio!
- Mas culpas-me pela perda dos gémeos e o pior é que tens motivos e a razão do teu lado…
- Oh Ruben… - interrompi-a
- Esquece… não tentes justificar o injustificável… tens razão fui mesmo o culpado por isso…
- Oh mor - a Mariana já chorava - não te odeio… e sim culpo-te a ti como me culpo a mim… nem mais nem menos… podes ter provocado aquele encontro mas eu também não fiz nada para proteger os nossos bebés… podia ter evitado a troca de bocas com a Maria, sei lá podia simplesmente ter saído… não sei… podia ter feito tanto e não fiz nada… a culpa é tanto tua como minha…
- Mas não foi isso que falaste à Micas… - atirei chateado, não com ela mas sim comigo mesmo
- Só respondi à pergunta que fez… - olhei-a e acabei por levantar-me da cadeira e aproximar-me do parapeito da varanda - Ruben… mor… - a Mariana aproximou-se e abraçou-me - a pergunta da Micas foi se culpo o João e a ti pela perda dos nossos bebés…
- Sério?! Tens mesma essa necessidade de me atirares isso à cara?! Mariana ouvi à primeira que não sou surdo!
- Surdo não és! Mas também te digo que só ouves o que te dá jeito! - olhei-a
- Se te culpas de igual forma porquê que não o disseste á Micas? - a Mariana respirou fundo
- Porque não perguntou… e porque não é preciso dizer que me culpo… porque isso é visível… sei lá ó Ruben simplesmente não disse… talvez porque dói falar sobre a perda, porque sempre que sou obrigada a fazê-lo não consigo ter um discurso racional… não consigo pensar e articular devidamente as palavras, muito menos escolhe-las, porque a dor é tanta que unicamente deixo sair… hoje ouviste que te culpo mas no fundo já o sabias… nunca te tinha dito com as letras todas mas já sabias… e se negares é porque então só tiveste presente fisicamente nas consultas com a psicóloga…
Baixei o olhar, a Mariana tinha razão… não consegui dizer mais nada e talvez por isso o meu amor se tenha afastado, acho que no fundo resolveu dar-me espaço, porque percebi que estava no quarto.
Ainda fiquei uns minutos sozinho mas a dúvida mantinha-se e precisava de resposta para a mesma, por isso mesmo voltei para o quarto e encontrei-a a dar miminhos ao Filipe, o que mais uma vez fez com que me sentisse a pior pessoa, até nisso a Mariana supera-me… ela ao contrário de mim sempre amou o Filipe… deixei esses pensamentos de lado e aproximei-me
- Preciso de uma resposta - olhou-me - como é que consegues estar comigo… entregares-te desta forma quando a única coisa que te fiz foi magoar? - a Mariana suspirou e depois de deitar o Filipe no berço, puxou-me pela mão e fomos até á cama, onde nos sentamos
- Sim magoaste e muito mas deste muito mais do que sofrimento, deste e dás amor, Ruben para mim isso basta… sei que nestes últimos dias tenho feito demasiadas revelações e algumas inesperadas mas só agora é que consegui verbalizar tudo o que vai dentro de mim… desculpa…
- Oh Mariana não peças desculpas que ainda me fazes sentir pior…
- O teu mal é esse… continuas agarrado ao passado… Ruben isto não é fácil para nenhum dos dois e por ter essa noção é que sempre quis ir devagar, nunca te escondi que precisava de tempo e espaço… fizeste de tudo para que cedesse e não… não estou a culpar-te disso, o que quero dizer é que lutaste por mim, o que fez com que cedesse e se hoje estamos aqui é porque ambos o queremos, mas precisas deixar de pensar nos teus erros, nos meus e nos nossos, vive o presente… sei não é fácil porque temos sempre algo que nos puxa para o passado… desta vez foi o que falei e não é querer desculpar a minha atitude mas mais uma vez obrigaste-me a recordar o passado quando recusaste a ideia de engravidar… - senti necessidade de a interromper
- Da forma que falas dás a entender que não quero ser pai mas isso não é verdade! Aliás expliquei os meus motivos.
- Sim… basicamente achas que não estamos preparados… mas então faço a pergunta ao contrário - olhou-me nos olhos - achas que somos maus pais para o Filipe?
- Oh Mariana não mistures os assuntos…
- Misturar assuntos?! Ruben o assunto é o mesmo, porque o Filipe é MEU filho quer queiras quer não querias e não te admito que digas o contrário! Não nasceu de mim mas é MEU!
- Ei… não falei o contrário! Mas para mim é diferente… Mariana nós somos bons pais para o Filipe porque damos o nosso melhor e sim são assuntos diferentes porque não sei se estou preparado para ser pai na verdadeira imensidão da palavra… eu olho para ti e vejo-te segura de ti… desde o primeiro minuto de vida do Filipe que o amaste, que lutaste por ele, que se fosse o caso terias dado a tua vida pelo menino… mas eu… eu não… e é disso que tenho medo… eu não sei ser pai…
- Ruben tem dó de mim!
- Eu pensei dar o Filipe para adoção… - olhou-me com uma magoa enorme mas agora que tinha começado não ia parar - no dia que nasceu e enquanto estive naquela sala de espera para saber o que ia acontecer só um pensamento povoava o meu cérebro… que o bebé não resistisse… eu não o desejava, não o amava, não o queria… eu simplesmente passei a gravidez da Sofia a desejar que um camião lhe passasse por cima ou que perdesse o bebé… e quando me obrigaste a vê-lo… a única coisa que senti verdadeiramente foi repulsa… porque tinha diante de mim um bebé indefeso mas que para mim era o responsável por te ter perdido… e depois nos dias seguintes quanto mais tempo passavas com ele pior me sentia… eu não o queria e tu… tu estavas lá do lado dele agarrada a uma esperança que era muito escassa… naqueles dias pensei mesmo em dá-lo para adoção porque não sentia nada por ele… por isso… não… eu não sei ser pai e sim tenho medo de falhar contigo como falhei com o Filipe…
O choro já me tinha domado novamente e a Mariana… a Mariana estava tão surpresa que se mantinha a olhar-me até ao momento que me puxou para si e que acabei deitado com a cabeça nas suas pernas
- Amor o que contaste não faz de ti mau pai… faz de ti humano e como tal cometes erros… mas o que interessa é que reconheces e depois amas o Filipe, aprendeste a fazê-lo dia após dia e não interessa se foi porque me viste a amá-lo ou se foi porque em algum momento sentiste que aquele bebé frágil era uma parte de ti… o Filipe é nosso filho e nós somos seus pais, NÓS SOMOS UMA FAMÍLIA… nunca te esqueças disso… uma família louca e stressadinha que gosta de um dramazinho de vez em quando mas que se ama - olhei-a
- Acreditas mesmo que conseguimos vencer tudo e daqui a muitos anos vamos estar rodeados de netos e quem sabe bisnetos? - sorriu e que sorriso lindo
- Acredito! Se não acreditasse não estaria aqui do teu lado.
- Queres mesmo engravidar?
- Querer quero mas para isso é preciso que tenhas a mesma certeza que eu… Ruben não vou engravidar por “descuido” e muito menos obrigar-te a aceitar uma gravidez para a qual não te sintas preparado…
- Podemos pensar nisso depois do regresso a Lisboa?
- Sim…
- Obrigado…
- Não agradeças, promete-me só que deixas essas ideias parvas de que não és bom pai… mor és o melhor pai que o Filipe poderia ter, porque és o PAI dele, com todos os teus defeitos e qualidades, serás sempre o melhor pai, pelo menos aos olhos dele e aos meus!
Não respondi e por isso ficamos simplesmente no silêncio a olharmo-nos, até ao momento que o cansaço levou a melhor e por isso adormeci…

Maria
Durante o jantar tentamos todos agir o mais naturalmente possível mas decididamente o dia hoje não estava para grandes ramboias e por isso assim que o Ruben informou que se ia deitar todos o seguimos.
Assim que entrei no meu quarto deitei o Guilherme que já dormia e troquei de roupa, acabei por me sentar depois na zona exterior da casa e voltei a pensar em tudo aquilo que se tinha tornado a minha vida, passado alguns minutos reparei que estava acompanhada, mas tentei ignorar ao maximo a presença do João até que
- Olá! - olhei-o com cara de quem o manda para um sitio nada bonito, mas ele continuou - estás por cá de férias? - voltei a olha-lo - chamo-me João e tu?
- Eu Não tou com paciência para joguinhos parvos já te disse que não te quero ouvir
- Eish não consegui decorar o nome todo… - riu-se - mas o que te queria dizer é que vamos ficar cá ainda uns dias e podíamos tentar que fossem agradáveis e como tal podíamos pelo menos ser amigos…
- Já tentamos e já vimos que não dá!
- Mas podíamos tentar novamente… pelo Bruno, pelo Ruben e pela Mari…
- Ok por ele tudo bem, mas amigos é pedir de mais… conhecidos e já vais com muita sorte!
- Ok… e achas que este conhecido te pode oferecer uma bebida?
- NÃO! Porque o que tu queres sei eu, mas podes tirar dai o cavalinho… que não me embebedas para me levares para a cama!
- Não era isso que queria, era mesmo só companhia ainda não tenho sono…
- Pronto está bem… mas cada um na sua ponta do sofá…
- Estás com medo de quê?
- De me arrepender de te ter dado esta trégua… e agora vai lá buscar a bebida…
- A madame quer cachaça, vodka, caipirinhas…
- Quero uma água de coco ou um sumo natural desses que eles tem ai… não me olhes com essa cara! O meu fígado e o meu estomago estão de relação cortada com o álcool - ele gargalhou - não tem piada

João
Consegui amolecer um bocadinho a Maria o que deu para um serão de conversas banais e alguns momentos divertidos já que o Bruno acordou e resolveu fazer um espetáculo completo com todo o seu repertorio de gracinhas, acho que o menino ficou feliz ao ver-nos aos dois juntos. A noite foi tranquila e o amanhecer também embora ambos estivéssemos com medo de como estariam os nossos amigos.

Depois de revelações intensas como ficará a relação do Ruben e da Mariana? Será que depois de uma noite de sono a paz continuará…

E o João e a Maria… os próximos dias serão tranquilos ou estas “tréguas” só duram mesmo umas horas...


E porque hoje alguém especial faz anos este capítulo é dedicado a ela... Adriana já lá vai três anos e uns meses de muitas gargalhadas, de conversa “jogada fora”, de momentos de pura brincadeira como os que temos partilhado recentemente lol, mas nunca esquecendo as conversas “sérias” pois a amizade engloba de tudo um pouco. Amizade essa que não levou muito tempo para passar de “virtual” para a “realidade”, ainda hoje quando penso nisso é impossível não rir…
Mas deixando o lado mais “sentimentalista” de lado só me resta dar-te os Parabéns por mais um aniversário… ah e espero que tenhas gostado do capítulo pois este só saiu hoje porque a menina faz aninhos LOOL
Beijinhos 

5 comentários:

  1. Fantástico...

    Quero mais... Continua...

    Tou super curiosa para ver o próximo...

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  2. Olá meninas:
    Se gostei???? Amei :D :D :D
    O tempo passa mesmo rápido, já lá vai 3 anos :D mas sem duvida o tempo que "passo" convosco é mt agradavel ;)
    Amei a minha prenda, muito obrigadas Mendes ;)
    Agora falando do capitulo.... isto não está nada facil, ai ceus que estava mesmo a ver a coisa preta e que o paraíso ia virar inferno... tive medo :)
    Mas fiquei com esperanças que o acordar traga tranquilidade para os meus casalinhos, estou com fé no Joãozinho ;) e claro que no Ruben tb, apesar de achar que esse já tratou do assunto :D :D :D
    Também tenho curiosidade como vai o casalinho Rui e Micas, espero que me dêem revelações no próximo capitulo ;)
    Sim próximo capitulo porque só tenho vontade de ler mais ;)
    Muito obrigada Mariana ;)
    Beijinhos para as duas.

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  3. Olá!
    Bem aquele "desabafo" da Mariana à Micas era algo que eu nao estava nada à espera...e por momentos ainda pensei que fosse dar para o torto mas ainda bem que a Mari acabou por esclarecer as coisas com o Rúben :P
    Fico à espera de novidades quanto ao tema baby e tambem quanto à Maria e ao João lool
    Quero mais!!
    Rita

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  4. Olá!

    O vulcão Mariana entrou novamente em erupção, ela pensava que estava a ter uma conversa em privado com a Micas e afinal toda a gente ouviu, e os mais atingidos pelas palavras da Mari foram uma vez mais o Ruben e a Maria. É perfeitamente normal a atitude do Ruben, querer isolar-se, ficar sozinho com os seus pensamentos, afinal aquilo que ele no fundo sabia veio ao de cima, a Mari culpa-o da perda dos gémeos, mas apesar de tudo gostei da conversa deles, do consolo que a Mari lhe deu apesar de tudo, mas o que eu gostei mesmo foi o que ela lhe disse "NÓS SOMOS UMA FAMÍLIA… nunca te esqueças disso… uma família louca e stressadinha que gosta de um dramazinho de vez em quando mas que se ama". Stressadinha é favor, e descrever esta familia como louca é pouco, ou melhor não é defeito é feitio.
    A vida destes 4 quer queiram ou não influenciam de alguma maneira a vida de todos, familia, amigos e afins.
    Nestes dias no Brasil a Maria já teve alguns dissabores, já por duas vezes ouviu da boca da prima o que ela provavelmente não esperava, já viveu um momento intenso com o seu amor, e agora foge dele a 7 pés, ainda assim ele não "abuse" novamente da menina, quando ela souber realmente o que aconteceu...Gostava que também ela se visse livre dos seus fantasmas, que encare o futuro sem medo, resolva os problemas do passado e viva o presente junto daqueles que ama, ela sabe muito bem quem são. Que estas férias sirvam para torná-los todos mais fortes, mais unidos. Só há uma coisa que eu tenho medo, se o vulcão Mari entrou em erupção e foi o que foi, até tou com medo quando a Maria rebentar a bolha, sim que eu não tenho dúvidas que ela vai rebentar, e quando isso acontecer saiam da frente porque vai fazer estragos. Já não é novidade que eu gostava muito que a Maria e o JP se acertassem, mas também estou curiosa de como vai ficar a relação das primas depois de tanta revelação.
    Meninas eu ADOREI, e hoje confesso que fiquei com a lagriminha no olho, este desabafo da Mari e depois o do Ruben deixaram-me ko, se calhar ando mais sensível, mas não deixa de ser um capitulo maravilhoso, só há um problema, acabou e não tenho mais para ler, por isso preciso muito do próximo.Continuem...
    Beijocas

    Fernanda

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  5. Uau eu não sei bem até que ponto estes meninos estão a aguentar a esta avalanche de emoções, mas eu ainda não recuperei. Jasus até a mim, que apenas leio, me dói ler o que eles ouvem uns dos outros (menos do João, desse não tenho pena nenhuma!)
    Espero o próximo!

    Ana Santos

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