sexta-feira, 13 de setembro de 2013

094 - "Vais casar porque és parvo!"

Ruben

Depois de ver a Mariana com o Rui percebi que já nada nos ligava, afinal todo o amor que a Mariana dizia sentir por mim depressa o jogou fora, por isso assim que cheguei a Portugal pedi a Sofia em casamento, mesmo sem a amar é ela que está grávida de um filho meu e como tal vou ter que aprender a ama-la, não sei o tempo que levará mas esquecerei a Mari e tentarei ser feliz com a mãe do meu filho.
As semanas passaram e o dia da consulta chegou, infelizmente cruzamo-nos com a Mariana e mais uma vez tive a certeza que já não significo nada para ela, aquela que amo simplesmente ignorou-me e não consegui ver nem uma ponta de tristeza por ver-me com a Sofia. Mas se para a Mari, este nosso reencontro foi completamente indiferente, para mim não o foi, senti o castelo de cartas que construí nas últimas duas semanas com a Sofia a desmoronar, afinal rever a Mariana mexeu mais do que seria suposto com os meus sentimentos, mas tive que disfarçar e fingir que o que sinto por ela desapareceu, a Sofia precisa de mim e agora é nela e no nosso filho que tenho de pensar.
A consulta com a Ana correu bem, a Sofia está de doze semanas mas ainda não consegui aprender a amar o nosso filho, talvez porque quando olho para a sua barriga imagino a Mari grávida, quando fecho os olhos é o sorriso do meu eterno amor que vejo e não a euforia da Sofia por estar à espera do nosso filho.
Sei que tenho a obrigação de acompanhar mais de perto a Sofia mas está cada vez mais complicado…

Ana

Depois da minha última paciente, que por sinal foi a noiva do Ruben, fui informada que tinha a Mariana à minha espera no jardim que pertence à clínica.
- Oi! - sentei-me ao seu lado - tudo bem? - perguntei por a ver tão pálida
- Nem por isso… - suspirou - estou enjoada - encolheu os ombros
- Enjoada?!
- Sim… consequências de ter levado com o mel dos outros! - a forma magoada como falou deu para perceber que se referia ao Ruben e à Sofia
- Viste-os?
- Sim… mas não te preocupes porque já sei há uns dias que está noivo e que vai ser pai… - calou-se por uns segundos - que seja muito feliz - atirou verdadeiramente magoada, doeu ver a minha amiga assim
- Quero é saber de ti! - desviei o assunto
- Então… não há muito a contar - voltou a encolher os ombros - finalmente tive um tempinho e resolvi visitar a minha amiga - sorriu ainda que tenha sido um sorriso bem triste
- Almoçamos?
- Ya… e pode ser na Portugália? É que está mesmo a apetecer um dos bifes deles - a Mari quase que salivava - assim cheio de molhos e de batatas fritas com maionese… - gargalhei
- Estás bem?
- Ótima mas ficarei bem melhor depois de almoçar - levantou-se - vamos?
Achei a sua reacção estranha mas nem questionei no entanto não é de todo normal estar a deprimir por completo e uns segundos depois só porque falei em almoçar parece que tudo desapareceu, agora estava mais interessada em satisfazer o seu desejo quando momentos antes tinha afirmado estar enjoada.
- Então mas conta lá… os londrinos são jeitosos?
- Bah… que nojo! - gargalhei perante o ar de enfadada dela - não têm piadinha nenhuma… feinhos… irra…
- Oh amiga isso nem parece teu…
- A sério… só tive vontade de fugir deles… gentinha sem interesse…
Não sei o que se estava a passar com a minha amiga mas que estava a comédia lá isso estava, já para não dizer que assim que chegou o nosso almoço, o devorou em três tempos.
- Isso é que é fome!!!
- Eich… nem me fales em comida…
- Então?
- Epa andei aí uns dias super enjoada, tudo o que metia na boca acabava na sanita!
- E não foste ao médico?
- Para quê?! Já passou! Além disso isto foi da comida dos Ingleses de um raio…
- Bem… viestes mesmo com um pó a eles… vai lá vai!
- Só serviram para chatear-me os cornos - olhei-a - sim… que se há coisa que tenho é um grande par de cornos! - toda a boa disposição da Mari desapareceu em segundos dando lugar a um choro que apesar de discreto partiu-me o coração, a minha amiga não está bem de todo...
- Oh amiga… esquece-o...
- Como… como é que se esquece o amor da nossa vida… - arrepiei-me ao ouvi-la, a intensidade com que falou foi enorme
- Não sei… mas o Ruben seguiu a vida dele… tens de fazer o mesmo!
- Dói tanto… - fungou - mas tens razão… tenho de seguir em frente e vou descobrir como… mas até lá…
- Até lá tens os teus amigos e família para te apoiar, amiga chorar não é vergonha, vergonha é enterrar a cabeça e não lutar pela nossa felicidade, Mariana não és assim… onde anda aquela miúda que levava tudo à frente?
- Morreu… Mataram-na aos poucos…
- Mariana!
- Sim… sei que estou com um discurso demasiado mórbido…
Ainda a tentei animar com a parte da sobremesa já que a Mari adora um doce mas a única coisa que consegui foi metê-la a correr para o WC, fui atrás e encontrei-a a vomitar.
- Melhor?!
- Sim…
- Isso não é normal… pelo que contas andas a vomitar muito… - não a quis alarmar mas o receio de que esteja a “autodestruir-se” apoderou-se de mim
- Oh… a culpa é minha… ando com o estomago sensível mas não consigo controlar esta vontade súbita de comer fritos, doces e afins… depois o estomago não aguenta… - suspirou pesadamente
- Mas andas assim há muito tempo?
- Começou quando estive em Londres…
- Vais ao médico e nem se discute!
- Eich… oh Ana…
- Isso não é normal…
- Ok… Ok… só para não chateares faço a vontade!
A Mariana cedeu e quando já estava melhor saímos, pagamos a despesa e a pedido da minha amiga fomos dar um passeio a pé, junto ao rio Tejo. Sentamos-nos num dos bancos e estávamos à conversa, a falar de mim e do Fábio, quando do nada se sai com uma que deixou-me alerta
- Bem… nem sabes… mas as minhas mamas andam bué sensíveis - olhei-a - e maiores… - tive que controlar a vontade de rir, ainda assim percebeu - podes rir… ri à vontade…
- Oh amiga… desculpa mas estava a falar de mim e do Fábio e atiras essa pérola assim para o ar querias que chorasse?
- É… realmente não escolhi a melhor altura para falar das minhas mamas mas olha que até gosto de as ter assim - olhei-a incrédula a Mari não anda de todo bem - ficam melhor nos decotes!!!
- Pois…
A conversa continuou mas deixou de ser sobre as mamas da Mari e passou a ser sobre o novo desafio profissional dela e do quanto está a adorar, talvez porque assim ocupa a cabeça e não pensa em quem não deve.

***

Três dias passaram e já tinha comigo o resultado das análises ao sangue da Mariana, sim consegui convencê-la a fazer exames, entre os quais análises. Abri o envelope e assim que vi os resultados saí da clínica e fui direta ao seu apartamento, mal entrei a Mari informou que ainda estava a terminar de arrumar a sua roupa, uma vez que se tinha mudado recentemente, e como tal fomos até ao seu quarto.
- Então conta coisas - perguntou animada, ao contrário de ontem que quando falei com ela ao telemóvel estava desanimada
- Já tenho os teus resultados…
- Resultados?! De quê?
- Das análises ao sangue…
- Ah… então diz lá daqui a quanto tempo é que bato as botas!
- MARIANA!!! - olhou-me
- Que foi?! Morta viva já sou eu mesmo por isso…
- CHEGA! - respirei fundo - Amiga chega aqui… - bati com a mão na cama para que se sentasse - amiga os resultados estão todos normais...
- Vês, tinha razão... não era preciso nada disto mas pelo menos serve para desemparares a minha loja e agora vê se paras com as manias das doenças!
- Amiga os resultados podem não revelar nada mas esses vómitos e enjoos não são normais - bufou - isso pode ser o teu sistema nervoso...
- É... é isso e iscas saquetas... sei que não sou o exemplo de serenidade em pessoa mas também sei que isso vai mudar portanto podes descansar!
Ainda tentei convencê-la a procurar ajuda mas a Mari fez ouvidos de mercador, no entanto nos dias seguintes tentei mantê-la de baixo de olho.

Ruben

Três semanas é o tempo que passou desde que vi a Mari pela última vez, nunca mais soube nada dela porque ninguém me diz e a própria bloqueou-me nas redes sociais.
Hoje apesar de estar em estágio junto com os meus colegas de seleção consegui a devida autorização para acompanhar a Sofia à consulta, no entanto já estava atrasado e por isso mandou-me mensagem, foi quando respondia que fui contra alguém, o instinto fez com que agarrasse a pessoa e só no fim é que percebi que tinha novamente nos meus braços a Mariana, o meu amor estava diante de mim, por momentos pensei estar a viver um sonho mas depressa percebi que era realidade e como tal cruel...
- Estava a ver que nunca mais chegavas! - a Sofia reclamou assim que entrei no gabinete da Ana
- Atrasei-me! - respondi abruptamente
- Também não precisas falar assim!
- Ai... oh Sofia! Hoje estou sem paciência para os teus melodramas por isso vamos mas é despachar isto que tenho mais que fazer! - a Ana olhou-me
- O isto a que te referes é o teu filho!
- Que seja! Ana dá para despachar?
- Sim... Sofia deita-te na marquesa para mostrar o vosso bebé - a minha amiga condenou-me com o olhar mas depois do reencontro com a Mari fiquei sem uma pinga de paciência para aturar a Sofia
A Ana como sempre foi profissional, teve atenção a todos os detalhes e foi explicando o que vi-a à Sofia, sim à Sofia porque eu estava noutra dimensão, tinha o meu pensamento na Mariana e por isso só percebi que a Ana já tinha terminado quando ouvi a Sofia a reclamar
- Podias pelo menos disfarçar em frente dos outros!
- Estás a falar do quê?
- De ignorares o teu filho e de que a cada dia que passa o frete de me aturares é maior...
- Outra vez esta conversa... Sofia não te amo nem vou amar nunca... porque a única que amo é a Mariana - respirei profundamente - só estou contigo porque engravidaste, vamos casar porque assim o exigiste e sim hoje não estou com a mínima paciência para te aturar... o que é que queres que faça?
- Que me respeites... não engravidei sozinha!
- Infelizmente!
- És tão porco! - a Sofia saiu disparada do gabinete
- Ruben o que ouvi é verdade? - a Ana perguntou-me quase me choque - vais casar? E obrigado?
- Sim…
- Mas enlouqueceste de vez?
- Não…
- NÃO?!
- Ana… não tenho outra hipótese…
- Como não?
- A Sofia diz que se não caso que desaparece e que nunca mais vejo o meu filho…
- Isso é chantagem… além disso a Sofia não te pode impedir de ver o menino, como pai tens direito…
- Não a amo mas o meu filho merece que faça este sacrifício…
- Ruben… amigo não cometas esse erro…
- Não é um erro… é o certo… sei o que sofri por ter os meus pais separados por isso não vou permitir que o meu filho passe pelo mesmo.
- O teu filho precisa de ti em condições e não completamente amargurado porque não ama a mãe dele!
- Esquece!
Não respondi e saí com a intenção de regressar para Óbidos e juntar-me de novo aos meus colegas mas antes ainda tive que aturar a Sofia por uns minutos.
- Finalmente! - falou quando cheguei junto do meu carro, onde esperava por mim
- Estou sem paciência!
- E eu estou grávida de um filho teu!
- Já sei... fica difícil esquecer quando fazes o favor de relembrar constantemente...
- Estás a falar do teu filho...
- Sim...
- E falas desta forma?
- Sofia... cala-te! Por amor de Deus cala-te... deixa-me... não estou com cabeça para nada... só quero desaparecer... será que não entendes?
- Ruben... mas... o que se passou? - a Sofia aproximou-se talvez porque me viu completamente desesperado
- Sofia a sério não insistas… - falei agora mais calmo - mais do que nunca preciso ficar sozinho no meu canto... desculpa - não lhe dei hipótese de falar pois desapareci dali o quanto antes.

Mariana

Desde que levei um tremendo puxão de orelhas da minha amiga passei a ter mais cuidado com a alimentação e nas últimas semanas todo o desconforto desapareceu mas no fundo acho que não foi só por ter cuidado com a comida, sinceramente acho que o que me ajudou foi mesmo ter saído de Lisboa, passei estas semanas nos escritórios de Madrid e aproveitei para ocupar a cabeça a conhecer melhor tanto Madrid como outras cidades de Espanha, já que nos fim-de-semanas aproveitei para espairecer.
Cheguei a Portugal e fui direta ter com a Ana, precisava de uns conselhos e ninguém melhor que a minha amiga, a verdade é que perdemos a noção do tempo e só percebemos isso quando a recepcionista ligou a avisar que a grávida seguinte já estava à espera, notei pela reação da Ana que algo lhe tinha escapado ao controlo e tive a confirmação quando
- Amiga desculpa... mas distraímo-nos à conversa e... e quando saíres daqui encontrarás o Ruben e a Sofia...
- Ok! Vou embora... depois falamos!
Saí do gabinete com a intensão de conseguir escapar sem cruzar-me com o Ruben mas não tive essa sorte, uma vez que fui literalmente abalroada por ele e só não caí redonda no chão porque teve reflexos rápidos e segurou-me, resultado acabamos com os rostos próximos e a olharmo-nos olhos nos olhos
- Larga-me! - afastei-o assim que consegui recuperar do susto
- Desculpa... vinha entretido a mexer no telemóvel e não te vi... estás bem?
- Sim!
- Tens a certeza... é que estás com uma cara...
- Tenho! - tentei passar para sair dali mas o Ruben agarrou-me o braço - larga o osso!
- Tu e o Rui… - não o deixei terminar
- Epá desaparece! Tenho mais que fazer do que andar a aturar putos da tua idade!
- Sei que errei mas...
- Mas nada! Esquece que existo... e vai... vai ter com a mãe do teu filho e tua noiva!
Não estava para atura-lo e por isso assim que lhe respondi continuei o meu caminho, o reencontro com o Ruben abalou mas não derrubou, assim que cheguei ao meu mundo, ao meu apartamento consegui serenar e teria passado uma tarde calmíssima se não fosse o telefonema do Rui a desafiar-me a ir ter com ele e mesmo correndo o risco de cruzar-me novamente com o Ruben aceitei, mais do que nunca estava a precisar de dar umas valentes gargalhadas e o Rui é um pró nessa matéria, na matéria de fazer-me rir
- Oi linda - falou e sorri quando ainda vinha a descer as escadas de acesso à recepção do hotel
- Ena… só por esse sorriso já valeu a pena vir de Lisboa aqui - falei também com um sorriso no rosto.
- E ainda não viste nada… anda!
O Rui agarrou-me na mão e foi assim que caminhamos até à entrada principal do hotel mas assim que chegamos à rua demos de cara com o Ruben que vinha a chegar, o meu amigo podia muito bem ter largado a minha mão mas não o fez, muito pelo contrário, abraçou-me pois percebeu que senão o fizesse provavelmente quebraria, uma vez que quando falei com o Rui ao telemóvel contei do encontro que tive com aquele que agora estava diante de nós a olhar-nos, o Ruben assim que deu pela minha presença estagnou, ficou simplesmente parado a olhar-nos.
Passamos por ele sem dizer um ai que fosse e iniciamos assim o nosso passeio pelo jardim. Andamos que nos fartamos mas soube bem, porque durante a caminhada desabafei com o Rui, o meu amigo tem sido incansável e o apoio que dá mesmo à distância tem sido enorme.
- Vai com calma! - sorri
- Sim… paizinho… vou com muito cuidado - gozei perante o aviso que o Rui fez quando já estávamos na recepção do hotel a despedirmo-nos pois tinha de regressar a Lisboa
- Não gozes… Não te esqueças que preciso de ti... - falou de sorriso no rosto
- Ui... essa é para rir - gargalhei - Tu o Sr. Sabe tudo e um aprendiz de garanhão a precisar de mim para conquistar a sua donzela - gozei
- Não gozes... sabes bem que aquela é das difíceis... - sorriu - mas vá vai lá embora que também tenho de ir jantar mas depois liga a avisar que chegaste bem!
- Sim chefe! - falei ao mesmo tempo que fiz o gesto de continência o que provocou a gargalhada ao Rui, gargalhada essa que acompanhei para depois receber os meus dois beijinhos e o desejo de boa viagem.

Ruben

Encontrar a Mariana na clínica já foi péssimo mas chegar a Óbidos e vê-la de mão dada ao Rui foi arrasador, já não resta dúvidas, estão juntos e ao que tudo indica felizes.
Acabei por isolar-me no meu quarto, mais concretamente na varanda, não me apetecia ver ninguém, só queria desaparecer mas infelizmente não só não posso desaparecer como ainda voltei a vê-los, horas depois, quando tive que descer para jantar, passei pela recepção e presenciei o que seria a despedida deles, o Rui estava agarrado à Mari, ambos sorriam bastante e não aguentei ficar a assistir, saí antes que os meus olhos vissem o que o coração não quer.

***

Quatro… quatro foram os dias que passaram desde que vi a Mariana e o mesmo tempo que levei a mentalizar-me que hoje provavelmente voltarei a vê-la, uma vez que há jogo em Alvalade e como tal deve ir apoiar o Rui.
O jogo correu bem, felizmente conseguimos os três pontos fundamentais para segurar o segundo lugar. Lógico que estávamos todos contentes, apesar de termos noção que nada está ganho, e por isso demoramos mais algum tempo no balneário, tanto que recebi mensagem da Sofia a reclamar a minha demora.
- Que cara é essa? - o João perguntou assim que viu o meu ar de frete ao olhar para o telemóvel
- A Sofia… está lá fora à minha espera…
- Então mas isso é bom - olhei-o, só podia estar a gozar - tens a tua noiva à espera desejosa de encher-te de beijinhos…
- João poupa-me!
- Que foi… tens a tua noiva… aquela que amas à tua espera… queres melhor?
- Sabes bem que não a amo - atirei chateado
- Ninguém diria… vais casar…
- João pára! Sabes bem que vou casar porque é a única coisa que me resta… a Sofia está grávida e não a posso abandonar…
- Vais casar porque és parvo! Amas a minha prima!
Não respondi, fechei o meu saco e saí, não é que tivesse vontade de ver a Sofia mas já não aguentava ficar naquele balneário a levar com os olhares dos meus colegas.
Cheguei à zona destinada às nossas famílias e foi literalmente abalroado pela Sofia que assim que me viu correu para os meus braços, beijando-me de imediato, correspondi não pelo sentimento que nos une mas sim por hábito. Estava a ouvi-la ou melhor a fingir que a ouvia porque se há coisa que não consigo é acompanhar a Sofia quando se mete a falar, consegue em minutos despejar uma avalanche de palavras que resume o seu dia, neste caso os seus últimos dias como se não soubesse já tudo, uma vez que faz questão de ligar-me mais que uma vez no mesmo dia. Tentei demonstrar algum interesse e até estava a conseguir fingir mas o momento que a Mari entra com o Rui e chamou-me fez com que esquecesse a Sofia...

Mariana
Mesmo sabendo que voltaria a ver o Ruben fui ao jogo e no final tive o desprazer de ter que aturar a Sofia que pregava alto e bom som as maravilhas de se sentir o nosso filho a crescer dentro de mim, bem como o trabalho que dá organizar um casamento, juro que por momentos tive vontade de a jogar para dentro de campo, atirando-a da varanda do camarote para o relvado, afinal redonda como já está, de tão gorda, podia ser que os jogadores de Israel a confundissem com a bola e mandassem um pontapé que a atirasse para bem longe da minha vista e dos meus ricos ouvidos, ainda assim controlei-me e mantive-me na minha até ao momento que tal pessoa falou comigo
- Ah não sei se o Ruben já disse - olhei-a - mas o convite de casamento é extensível ao teu par… isto é se tiveres alguém que te pegue - respirei fundo mas mesmo assim não consegui evitar e tive de responder
- Não preciso que ninguém me pegue… mas agradeço a oportunidade de poder levar alguém.
- Ok… depois confirma se vais sozinha ou acompanhada!
- Sim!
Felizmente não tive que a aturar muito tempo porque fui salva pelas outras raparigas que apesar de não imaginarem o tormento em que vivo conhecem-me o suficiente para saberem da minha ligação ao Ruben. Passei o tempo todo rodeada de pessoas que apesar de não as considerar “amigas do peito” são pessoas com quem privo sem grande esforço e por isso a conversa fluiu entre todas, o que deve ter contribuído para a Sofia se sentir peixe fora de água.
No final do jogo acompanhei-as até à sala destinada à família dos jogadores e mais uma vez foi por entre conversas que esperei pelo Rui, que mal chegou arrastou-me de imediato com ele.
- Bem… ganharam fará se perdessem - reclamei pois nem um beijinho recebi
- Mariana - hesitou - só te vou dizer isto uma vez e só o faço porque não aguento mais ver o vosso sofrimento - respirou fundo - tu e o Ruben amam-se - tentei acabar com a conversa mas - nem penses! - levou os dedos à minha boca impedindo que falasse - agora vais ouvir e no fim faz o que achares melhor - já tentava controlar a vontade de chorar - Mariana o Ruben não ama a Sofia, ninguém me contou… ouvi o próprio a falar… o rapaz continua a amar-te e só tu podes impedir que se case e que cometa um erro enorme… vocês só serão felizes juntos… faz qualquer coisa… mas não o deixes cometer este erro!
- Não posso…
- PODES E DEVES! Mariana não penses em mais nada que não em vocês os dois, sério fecha os olhos, respira fundo e quando voltares a abri-los faz o que mais queres, vai ter com o Ruben e pede-lhe para não casar…
- Estás louco!
- Louco? Eu?! Louca andas tu porque já não aguentas estar afastada dele ou já te esqueceste que sei que sonhas com ele? Mariana foste tu própria que o admitiste! Cê egoísta e pela primeira vez faz algo pela tua felicidade… luta pelo Ruben, a outra pode carregar um filho dele mas és tu a detentora do amor dele, é a ti que o rapaz ama e és tu que mereces ser feliz do seu lado, um filho não é impedimento para nada…
As palavras do Rui, não sei porquê, fizeram todo o sentido e se o Ruben me ama… porque não ficar comigo em vez de ficar com a outra… foi este o pensamento que ocupou a minha cabeça assim que fechei os olhos, tal como o Rui disse, e assim que os abri agi por impulso… entrei de rompante na sala onde estavam os jogadores e família
- Ruben! - chamei-o de imediato deixando todos a olharem-me
- Diz…
- Precisamos de falar… - olhou-me surpreendido - podes vir lá fora? - falei com receio que não aceitasse
- Posso… - o Ruben ainda deu um passo na minha direção mas
- Não vais a lado nenhum! - a Sofia falou e o Ruben estagnou imediatamente
- É rápido…
- Deves pensar que te deixo ficar a sós com o MEU NOIVO! - a outra atirou de imediato - Se queres dizer alguma coisa diz à minha frente! - o seu tom de voz era de quem estava a dar uma ordem, o que irritou-me tanto que acabei por perder a paciência
- ANDA! - agarrei na mão do Ruben e puxei-o, já estávamos quase a sair quando
- Se fosse a ti não fazia isso… - a voz da outra fez-se ouvir e foi o suficiente para o Ruben parar, olhei-o e percebi que olhava a Sofia, algo que fiz também e encontrei-a a fazer “festas” na barriga
- Desculpa Mariana… - o Ruben falava de olhar baixo - se queres dizer alguma coisa - suspirou - diz… mas diz aqui… - olhei o Rui e encontrei o que precisava, coragem, o meu amigo encorajou-me simplesmente só com um olhar
- Não te cases… - atirei de imediato antes que perdesse a coragem e a forma como o Ruben olhou foi suficiente para voltar a sentir-me no céu… infelizmente foi só por segundos
- Lamento… Mariana esquece-me… é o melhor para os dois…
- Mas tu não a amas!
- AMO… amo a Sofia - doeu imenso ouvi-lo mas doeu mais vê-lo a regressar para junto dela e ainda teve o displante de beijá-la

Saí a correr daquela sala…
Será que é desta que a Mariana aprende e percebe de uma vez que o Ruben não a merece?

15 comentários:

  1. Mas o que foi isto?! Posso saber??? não entendi a reacção do Ruben, tive que voltar a ler a última parte... Caso contrário não tinha acreditado! Então a Mariana quer falar com ele e o menino, com medinho, vai a correr p'ra bruxa!!! REALLY?! Estou ainda sem palavras...

    É desta que a Mariana nunca mais o quer ver à frente, que humilhação!!! Que o Ruben sofra, que chore, que se esfole por ela...

    (já estou à espera do próximo e que este venha rápido)

    beijinho

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  2. entao mas a Mariana não está grávida ? epá tudo indica que sim ... ou indicava...
    e esta atitude do ruben? que balde de água fria, que desilusão... mais se enterra

    estão a deixar-me confusa com isto tudo por isso venha de lá mais um capítulo

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  3. Eu nem sei por onde começar, estes dois tiram-me do sério, então quando finalmente a Mariana tem a iniciativa de falar com o Ruben e tudo graças ao S.Patrício (sim que este subiu e muito na minha consideração) aquele estúpido diz que ama a Sofia? Tá louco, só pode, e esta Sofia saiu melhor do que a encomenda, com que então chantagista? Usou o velho truque de que (se não ficas comigo nunca irás ver o teu filho), não é fácil para o Ruben, ele tá entre a espada e a parede, se de um lado tem a mulher que ama do outro tem o filho. Em relação ao mau estar da Mari, não fiquei totalmente convencida, acho que ali há coisa.
    Eu acho que o caso não é se o Ruben a merece ou não, são as circunstancias da vida e as atitudes deles que os deixaram neste estado, espero bem que eles sejam fortes o suficiente para ultrapassarem estes maus momentos, porque haja o que houver eles merecem estar juntos, porque ninguem pode negar que o amor deles é lindo, eu pelo menos acho que é. Se a Mari sofre de Rubenite Crónica o Ruben sofre de Marianite aguda, e a cura destas doenças é juntá-los.
    Mariana eu sei que adoras trocar-nos as voltas, e por mim podes fazê-lo à vontade, assim a história até ganha mais emoção, mas tu sabes bem aquilo que eu quero, ou melhor aquilo que eu gosto, por isso podes continuar.
    Adorei, quero o próximo.

    Beijocas

    Fernanda

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  4. Este ruben e mesmo um banana em fazer o que a doida manda.Espero por o próximo. bjs

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  5. Como é que é isto???? Querem matar as leitoras de coração????
    Ai que vontade de matar o Ruben.... que nervos...
    Para a saude do meu coração publiquem rápido por favor!!!
    Quero mais!!!!

    Beijinhos

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  6. Ai isto partiu-me o coração! Aquela Sofia devia ser atropelada por um camião!! Ai detesto-a mesmo! Tadinha da Mari... e do Ruben. Opah eles andam os dois tão tristes!
    Olhem lá de certeza que a Mari não está grávida!?
    Estou ansiosa pelo próximo :)

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  7. Ó pá que lindo, gosto tanto do Rui, que querido espero que a tal rapariga perceba isso. Grande Mariana, corajosa a miúda, acho que o ato dela merecia outra reação. Continuação please :)
    Beijo
    PatríciaQ

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  8. Olá :)
    Venho aqui avisar que te marquei num selo no meu blogue espero que possas responder :)
    Beijinhos,
    Tatiana Chagas

    Post : http://eavidinhadela.blogspot.pt/2013/08/versatile.html

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  9. Opá! Vocês são tão más! (Acho que da última vez também comecei o comentário assim...)
    E eu a pensar que a Ana ia dar uma "certa notícia" à Mariana...
    Que a outra não estava mesmo grávida...
    Que o Rúben ia ganhar juízo...
    E afinal quem tem juízo aqui é mesmo o Rui, pois é o único que pensa com as ideias clarificadas. E a Mari é uma querida e não merecia que o Rúben lhe fizesse isto no final.
    Mas aquela Sofia não se cala?? Só me apetecia mandar-lhe com qualquer coisa para cima sempre que ela falava! Não sei se é essa a imagem que vocês querem passar da personagem, mas só me lembra aquelas pessoas super irritantes com um tom de voz muito estridente e que não se calam por um segundo.
    Pronto, agora sou eu que me vou calar.
    Mas antes... Próximo!!!
    Beijinhos

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  10. Olá!
    Nao comentei o 93 por isso ainda tenho coisas a dizer sobre isso. Dividindo isto por casais: [ando tão organizada que até mete nojo!]

    Maria e Joao: Bem, esta Carmen...hum...a fazer companhia ao Joao, vinte aninhos, nada feiinha. Acho que ja faltou mais para o Joao cair em tentação!

    Mariana e Ruben: ui estes tinha um testamento para eles. Aprecio a força dela quando tem de o encarar, a forma como finge despreza-lo, estar feliz e indiferente à vida dele. Ele é um camelo, verdade seja dita! Ficar com a Sofia é uma atitude cobarde. Ele tem outras alternativas, simplesmente faltam-lhe tomates para ser homenzinho e resolver as coisas! A serio, aquela mulher tira-me do serio. A ideia de a atirar para o relvado ate que nao era nada má! Mas esta ultima parte...fogo a Mari como sempre a surpreender e o outro como sempre a ser otário! Primeiro deixa-se domar pela outra e fica ali, depois mente à Mari e ainda beija a outra e diz com todas as palavras que a ama. Mas que gajo otário!!!

    Vá quero o proximo!

    Beso
    Ana Santos

    P.S. Quanto aos enjoos da Mari, aos desejos, à comida que acaba na sanita...bem, podia estar gravida... Era uma hipotese. Mas isso apareceria nas analises nao? Ou ela daria pela falta de algo... E ao que parece nao deu pela falta de nada. E como tu me disseste que mudaste os teus planos... Grrrrr

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  11. Olá!!
    Ok,isto foi sem dúvida a forma mal cruel de terminar um capitulo!
    O Rúben não deve estar bem normal,é que só pode!Só me dá vontade de lhe chamar uma data de nomes loool
    A única pessoa que aqui tem de ser esquecida é a Sofia!!E é bom que ele se apreceba disto.
    Bem vou esperar pelo próximo! :P
    Beijinhos
    Rita

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  12. olha agora apetecia-me dar-lhe um par de estalos ao ruben!! oh que vá encher chouriços, sinceramente!!! nabiça, é o que ele é!!! a Mariana ali a implorar pra voltar e ele recusa! apesar de e achar que há esturro...cá para mim a Sofia anda a chantagea-lo...agora quero o restoooo, please!!!!!

    ah, e essa carmen ainda vai fazer das suas, nao?! aquela aproximaçao, hum!!!

    fico à espera, rapidooooooooooooooooooooooooooooooooooooo :) :)

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  13. já sinto falta de um capitulo, quero novidades da mariana e do ruben :)

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  14. Fabuloso...

    Quero mais...

    Continua... Tou super curiosa para ver o próximo...

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