Carmen
Ir a Lisboa no
dia de anos do João foi uma tentativa de mostrar a todos os seus amigos e
familiares que eu existia e estava grávida, mas ao contrario do que esperava
não fui “oficialmente” apresentada a ninguém, durante o jogo fiquei sempre no
camarote praticamente isolada, vi ao longe a Maria e depois vi que a Paula e a
Filipa estavam bastante divertidas enquanto liam algo numa revista e quando me
aproximei elas esconderam-na, mas consegui tira-la e assim que vi fiquei
estupefata afinal a Maria tinha arrasado e sabendo como o João a ama tinha a
certeza que assim que visse ia reagir.
Estava a pensar
em como iria usar este trunfo a meu favor quando
- Carmen o que é isso?
- Uma revista... Com a sua norinha! E que bem que
ela ficou! Sou obrigada a admitir que mesmo depois da peste nascer o corpo não
ficou nada mal!
- Carmen se não te importas exijo respeito!
Comigo, com a minha nora e com o meu neto!
E lá estava ela,
mas quem pensa que será? Minha mãe não?!
- Pensa que está a falar com quem?! Eu não lhe
admito que fale comigo assim!
- Carmen não abuses da nossa paciência! Estás
gravida de um neto nosso, mas não tens o direito de falares assim com a minha
mulher e para falares da Maria ainda tens muita sopa que comer!
Depois de mais
uma conversa simpática com os meus sogros, acabei por me entregar ao jogo e no
final “Bem dito, bem feito”. No final o João assim que saiu do balneário foi direto
à Maria e a conversa realmente descambou até que o Ruben lá os separou e
seguimos até casa. Quando chegamos a casa era realmente a cara deles, do João e
da Maria e mesmo depois de ter sido “mandada” para aquilo que é um quarto de hóspedes
muito mal-arranjado consegui ouvir que a Maria tinha retirado as suas coisas o
que não evitava que a casa gritasse “Maria” em todas os cantos!
Fiquei a ouvir a
conversa atrás da porta e percebi que o João está realmente a sofrer por estar
longe da Maria, mas não gostei nada de saber que ele tinha resolvido levar o
diabinho para Valência! É que não faltava mais nada a não ser ter que ter a cria
da outra a toda a hora a relembrar-nos da sua existência! E ainda gostei menos
da ideia de ter que ir a uma consulta na amiguinha deles e como não sabiam que
me ouviam…
- Carmen despacha-te!
- Ai João estou tão enjoada! Deixa-me ficar aqui
quieta
- Vá lá, tenho pressa!
- Para quê? Nós não vamos só no avião do fim da
tarde?
- Sim, mas quero ir ver uns amigos e não te quero
deixar aqui sozinha
- Ai João… - deixei-o sozinha e corri para o wc fingindo que vomitava, hoje nem
estava enjoada, mas tinha que ser.
Enrolei o enjoo
durante todo o dia e só sai de casa mesmo quando estava na hora limite para o
voo.
- Estás muito animada!
- Sim!
- Nem parece que estiveste tão mal a manhã toda…
E logo hoje que...
- Oh estou a voltar para casa finalmente! Não
gosto muito de Lisboa! O que tem hoje?
- Tinha uma surpresa para ti… mas deixa… - ele falava como sempre fala comigo, engolindo a
raiva e tentando ser amável, mas completamente distante e frio.
João
Ao contrário do
que esperava não consegui ir até ao consultório da Ana já que a Carmen enjoo e
não a consegui arrancar do wc. Aproveitei o tempo que lá esteve fechada para
estar com o meu príncipe.
- Bebé do pai! - falei assim que o vi entrar na sala já acordado ao colo da minha mãe
e ele riu - ai que saudades que o papá
tinha tuas!
- Ele também tinha tuas filho!
- Anda colinho do papá… vem! - o pequenino estendeu os braço e acabei por
ficar a brincar com ele - papá! vá diz lá!... pronto já percebi que não vais
dizer, mas o papá queria tanto… o papá tá cheio de saudades tuas… tuas e da
mamã! E tu como é que deixaste a mamã e a madrinha fazerem aquelas
fotografias?! Estão bem giras, mas… mas só o papá e o padrinho é que podem ver!
E agora o papá vai mesmo ter que te levar com o papá… vais com o papá para
Valência e vamos viver lá os quatro sim? O papá, tu e a Carmen e o mano ou
mana! E tu vais ajudar a tomar conta do bebé sim? Quando o papá tiver que ir
trabalhar…
- Vais mesmo com essa ideia para a frente?
- Claro! - a minha mãe
demonstrou o seu desagrado pela cara com que me olhou - a Maria passou-se! É noitadas, é fotos destas e… e o que será que não
sei mais? Com certeza algum amigo…
- A Maria tem amigos sim! Sempre os teve e são
eles que a ajudam e a amparam sempre que tu te lembras de fazer asneira!
- Para quem não a podia nem ver…
- Não a podia ver porque não a conhecia, mas ela
conseguiu conquistar-me e muito se deve as tuas atitudes completamente
indecentes! João a Maria sofreu no passado e está a sofrer agora por causa da
tua falta de noção de consequências e convenhamos que uma sessão como a que ela
e a prima fizeram não tem um decimo das consequências para a vossa, ou melhor
para a vida do vosso filho do que o que tu fizeste! e se queres que te diga
mais o Ruben tem sido muito mais homem do que tu! Apesar de toda a porcaria que
também fez, teve uma atitude bastante adulta no que toca a esta revista!
- Claro que teve, não é a mulher dele nem a mãe
do filho dele que aparece naquelas fotos
- Pois não, mas também não é a tua! João a Maria
já tratou de todos os papéis do divórcio e se ainda estão casados é porque tu
te “esqueces” de os assinar! Filho… - suspirou - o que fizeste é muito difícil de perdoar,
para não dizer impossível, por isso agora sê homenzinho assume a consequência e
deixa a Maria tentar refazer a vida dela. Ligados vão estar sempre porque o
pequeno - fez uma festa no Bruno que observava a conversa como se
percebesse a importância - obrigar-vos-á
a dividirem acontecimentos, mas isto que estás a fazer é pior para todos! João
levares o teu filho é descabido! Vais tira-lo da mãe que foi a pessoa que
sempre fez tudo por ele para o levares para um local completamente desconhecido
para ele e deixa-lo entregue aos cuidados de uma…
- De uma nada! Mãe quer queiramos quer não a
Carmen vai ter um filho meu! E vive comigo e por isso é uma espécie de madrasta
do Bruno… além disso até lhe fará bem a ela tomar conta do Bruno, é um teste
para quando o bebé nascer!
- João o teu filho não é um boneco, para as
gravidas fazerem “test dirve”! E ficas já a saber que se essa parvoíce de
pedido de custódia avançar eu testemunharei a favor da Maria! - dito isto saiu batendo a porta
Ainda fiquei mais
algum tempo com o Bruno até que tive de o deixar com a minha mãe e voltar a
Valência na companhia da Carmen, não sem antes ligar para a Ana a agradecer a
disponibilidade em receber-nos e agendando para uma próxima oportunidade quem
sabe. Assim que cheguei a Valência recebi a notícia de que o filho do Ruben
tinha nascido, tentei falar com ele mas foi impossível.
Fui sabendo do
que se passava com o Ruben através do Fábio. Que também me ia dando algumas
novidades sobre a Maria mesmo que eu dissesse vezes sem conta
- Fábio na boa,
não quero saber!
- Não queres
mesmo? Então porque não assinas já a porcarias dos papéis e envias pela tua
mãe, ela vai ai este fim de semana não é?
- Vem… tenho
tantas saudades do Bruno! Nunca mais sai a bendita decisão…
- Vais mesmo
manter isso?
- Vou e não vou
discutir a minha decisão com alguém que nem pensou duas vezes antes de
testemunhar contra mim!
- João não foi
contra ninguém! Disse só a verdade e neste caso tu não tens razão nenhuma! E
pior tu sabes isso muito bem! Que assim que viste a revista tivesses ameaçado ainda
percebo apesar de achar que o menino nunca devia ter sido metido nisso, agora
levar isto adiante, desculpa mas não concordo! e agora tenho de desligar que
vou ter com…
- Com?
- A Maria e o Rui
eles vem jantar cá a casa
- A Maria e quem?
Mas isso já está assim é? Já fazem jantarinhos a quatro e tudo?! Muito me
contas!
- João…
- Tchau não te
atrases!
Mariana
Ser obrigada a
retirar o Ruben para que não visse a equipa médica a socorrer o filho não foi
fácil, até porque pela primeira vez vi o meu amigo a reagir como pai, o Ruben
desesperou e lutou para ficar próximo do filho, não tive outra solução que
quase o arrastar mas para isso contei com a ajuda da Ana.
Os minutos que
passaram até termos notícias foram desesperantes, o Ruben não conseguiu ficar
sentado e por isso andava pela sala de espera de um lado para o outro, não
consegui dizer nada, porque simplesmente não consegui colocar-me no seu lugar,
a verdade é que o Ruben passou os últimos quatro dias a renegar o filho e no
dia que o sente pela primeira vez, assiste a um episódio traumático…
Felizmente o
Filipe recuperou, apesar de ter sofrido uma paragem cardiorrespiratória, mas
não deixou de ser complicado gerir as emoções que daí resultaram. O Ruben ficou
verdadeiramente abalado e por isso acabou por ficar no meu apartamento.
***
Seis, seis foram
os dias que passaram desde que o Filipe teve a paragem cardiorrespiratória e
faz hoje precisamente dez dias que nasceu, os últimos dias têm sido animadores
com o pequenino a dar sinais de ser um lutador e talvez seja isso que tem
contribuído para que o Ruben ande menos tenso, o meu amigo já retomou os
treinos e acredito que a pouco e pouco consiga voltar a ser convocado.
Aproveitei a
pausa do almoço para visitar o Filipe e quando estava a entrar no hospital vejo
o Ruben a chegar, abrandei o passo e segundos depois já o tinha do meu lado
- Oi - dei-lhe dois
beijinhos
- Vieste vê-lo?
- Sim... afinal dez dias de vida só se fazem uma
vez! - sorriu - ena que o papá já sorri!!!!
- Oh... contigo do meu lado é impossível não
sorrir...
- Ruben...
- Desculpa - baixou o olhar - é mais
forte - suspirou - mas não deixa de
ser verdade - olhou-me - contigo do
meu lado tudo fica mais fácil, dás-me segurança, não sei explicar...
- Então não expliques e vamos lá ver o Filipe - falei animada e talvez por isso voltou a
sorrir
- Vamos! - o Ruben
conforme falou aproximou-se e sem esperar colocou o braço por cima dos meus
ombros, confesso que senti um arrepio a percorrer o meu corpo, ainda assim não
consegui ter coragem para terminar com aquilo, muito pelo contrário acabei por
também eu o abraçar, colocando o meu braço nas suas costas, o que mais uma vez
o fez sorrir.
Ruben
Faz hoje dez dias
que o Filipe nasceu e finalmente estou a conseguir reagir, já regressei aos
treinos mas acima de tudo ando mais calmo.
Saí do treino
direto ao hospital e para surpresa minha o meu amor também estava a chegar,
trocamos algumas palavras e acabamos por entrar no hospital abraçados. Fomos
diretos à unidade de neonatologia com a intenção de vermos de imediato o Filipe
mas infelizmente não aconteceu, ouvir da boca do médico que o estado de saúde
do meu filho piorou nas últimas horas foi demasiado duro, ainda assim fiz um
esforço para ouvir tudo o que o médico falava, o Filipe estava com uma infeção
generalizada e as próximas horas seriam cruciais...
- Não fiques assim... tens de acreditar...
- Acreditar no quê? Ouviste o médico!
- Hey... Ruben vamos entrar ali dentro como
entramos nos últimos nove dias, com esperança que o Filipe vença esta luta...
- Não é justo... porquê? Porquê que isto está a
acontecer?
- Não sei... mas não adianta estarmos a fazer
estas perguntas... - a Mariana
abraçou-me - é perca de tempo e agora
mais do que nunca o Filipe precisa de sentir o pai presente, anda - deu-me
a mão - vamos!
Entrei de mãos
dadas com a Mariana e a cada passo que dava sentia-a a apertar-me um pouco mais
a mão.
Ver o meu filho
novamente ligado ao ventilador e a receber uma transfusão de sangue foi
horrível mas pelo menos tinha-a comigo, a Mariana tem sido sem dúvida um enorme
apoio, tanto para mim como para o Filipe, pelo menos é no que quero acreditar,
afinal o menino não precisa só de sentir o pai, também precisa de sentir a
presença maternal e esta sem dúvida está a senti-la através da Mariana, o meu
amor é o que o menino tem de mais parecido com uma mãe uma vez que a Sofia
rejeitou-o completamente. Se por um lado é mau porque o meu filho tem o direito
de conhecer a mãe por outro estou aliviado, pelo menos não terei que aturar a
Sofia, uma vez que legalmente fiquei com a guarda do Filipe.
Carmen
Já passou quase
um mês desde que estivemos em Lisboa. Felizmente o João não conseguiu a
custodia do Guilherme, estar fora do pais e sempre ausente de casa e bem… e eu…
não o ajudaram muito, confesso que festejei loucamente quando soube o
resultado.
O diabo veio cá
apenas um fim de semana e acompanhado pela bruxa da avó!
E durante duas
noites não preguei olho já que a criatura resolveu chorar e ainda chamar a
“Mamã” o que deixou o pai com um humor de cão.
Se já não me liga
muito, quando o filho está cá o João esquece-me, ou melhor tem o telemóvel
programado para não o deixar esquecer-se de mim e lá pergunta se estou bem ou
preciso de algo quando o aparelho apita.
Hoje é dia do
pai, o meu continua a vida dele como se eu tivesse morrido e o do meu filho ou
filha, pelo menos finge que se preocupa, e eu bem eu vou fazer-lhe uma surpresa
já que o outro filho não vai estar cá.
- Feliz dia papá! - disse assim que o vi entrar na cozinha e já
tinha o pequeno-almoço especial todo preparado
- ãh?! Ah… obrigado… foste tu que fizeste isto?
- E quem mais seria? Porque estaria de avental? - olhou-me e juro que vi faísca a saírem-lhe dos
olhos
- Não sei, mas como andas tão enjoada… O que
fazes com esse avental?! Tira-o já!!
- Era o único que havia!
- Mas não é teu! Estava ai por algum motivo!
Tira-o imediatamente! E que seja a ultima vez que fazes a gracinha de usar algo
da Maria que esteja cá em casa! Acho que já falamos sobre isso! - levantou-se e ia a sair da cozinha quando a
campainha da porta toca, olhou-me pensando que seria mais alguma coisa
preparada por mim, mas esta surpresa seria para os dois
João
Hoje é dia do
Pai, convidei o meu para vir até cá, já que tinha que estar longe do meu filho,
que pelo menos tivesse o meu pai por perto.
Quando a
campainha tocou confesso que fiquei bastante contente já que se tal não tivesse
acontecido as coisas com a Carmen iam acabar mal, já que mais uma vez tinha
repetido a gracinha de usar coisas da Maria que eu tinha deixado estrategicamente
guardadas, para não dizer escondidas, pela casa.
Fui até à porta e
quando a abri foi impossível não sorrir tinha como esperava o meu pai, mas
também a minha mãe e o meu filho
- Feliz dia do pai! - a minha mãe disse fazendo-se passar pelo
Bruno, para antes que eu conseguisse falar - Quem é este que está aqui? Diz lá à vó Té quem é este?
- Papá! - fui
completamente surpreendido e invadido por um mar de lagrimas nunca imaginei que
ouvir aquele meio palmo de gente reconhecer-me e chamar-me fosse tão… tão…
especial
- Eeeee que o meu filho é um chorão! - olhei-o sem conseguir parar apenas tirei o
menino do colo da minha mãe
- Obrigado… - sussurrei
- Papá!
- Filho!
Acabei por o
deitar no sofá enquanto o enchia de cocegas e assim passei uns minutos até que
- Ah não sabia que vinha e que traziam apêndices!
- Carmen!
- Estoy bromando! Que guapo! - disse chegando-se perto do Bruno e tentando
brincar com ele, algo que não conseguiu já que assim que o fez o meu pequenote
resolveu chorar só se calando quando ela se afastou
- João toma! - a minha mãe estendeu-me um envelope-embrulho do qual retirei
o pequeno quadro
ainda me deixou mais encantado, mas não acabava ali tinha mais um DVD
- E isto pequenino? Foste tu que filmaste? - disse a rir
- Não isso fomos mesmo nós eu e o teu pai… sem
que os actores principais dessem por ele. Aliás acho que se soubessem iam
boicotar e confesso que com razão… vê!
Meti o cd no
leitor e comecei a ver uma sequências de imagens e de pequenos vídeos feitos
pelo telemóvel e nitidamente camuflado em que aparecia a Maria sempre
acompanhada com o Bruno e em que lhe mostrava fotografias e vídeos em que me
mostrava ao menino e ia repetindo “papá! vá Guilherme tu consegues! Diz lá!”
até que ao fim de algumas tentativas e enquanto apenas o colocava a ver um jogo
meu em direto o menino e quando surjo em primeiro plano o diz! Tinha o coração
cheio de alegria, mas ao mesmo tempo apertado de ver na cara da Maria o esforço
que fazia para que o nosso filho me visse
- Ah e tal não te quero ver mais, mas depois
passa horas com a desculpa do filho a ver fotos e tv…
Acordei quando
ouvi a Carmen
- Se não tens nada de interessante para fazer
despacha-te! Vou fazer o mesmo e depois vamos sair todos!
- Vamos onde? - perguntou ela surpreendida por a incluir num plano com os meus pais
- Surpresa!
- Adoro surpresas!
Assim como lhe
pedi ela foi-se despachar e eu também e em pouco tempo saiamos os cinco com
destino incógnito para os restantes já que apenas eu sabia onde iríamos
- O que estamos a fazer aqui? - perguntou a Carmen assim que nos viu na
entrada de uma Maternidade
- Acho que era uma boa ideia conhecer o meu filho
ou filha hoje, não concordas?! - ela estava
pálida - Afinal sempre que vens ao
médico eu não consigo vir contigo e sei que está tudo bem, mas nunca o ou a vi!
- Ah sim… concordo, mas assim do nada? Não devem
poder atender-nos…
- Podem! Afinal não é do nada que aparecemos
aqui… como não sabia como contactar o teu medico mistério, perguntei á Paula
quem a acompanhou e marquei consulta, só tinham para hoje e achei que a
coincidência não podia ser melhor!
- Ah… mas… podias ter dito… eu tinha marcado no
meu…
- O teu nunca pode quando eu posso!
- Como queiras!
Entramos e depois
de nos identificar na receção em poucos minutos fomos chamados, achei a Carmen
muito tensa, mas não conseguia perceber porquê
Carmen
O dia que podia
ter sido calmo revelou-se um terramoto. Além dos sogros tinha ainda de levar
com o “diabo” e o João ainda resolveu armar-se em esperto e arranjar-me uma
surpresa. Não tive como fugir e segui até á consulta
A primeira parte
da consulta consegui controlar, afinal sabia perfeitamente quais os sintomas
que qualquer grávida saudável deveria ter neste período da gravidez
- Muito bem Carmen aparentemente está tudo bem.
Mas disse-me que o médico que a segue é?
- Ah é o Dr.…. o Dr…
- Realmente
nunca me disseste o nome….
- É…
- Está com um lapso de memória? Acontece, relaxe…
tem o seu livro de gravida consigo?
- Não… não imaginava ao que vinha e por isso
deixei-o em casa…
- Isso é que fez mal deve andar sempre com ele…
- Pois eu sei… foi mesmo um lapso…
- Bem então vamos lá até á marquesa para vermos
esse ou essa pequeno
Seguimos para a
sala onde tinha o ecógrafo e o que temia aconteceu…
- Carmen teve alguma perda de sangue ou dor fora
do normal desde a sua ultima consulta?
João
A questão
colocada pelo Dr fez-me ficar ainda maus assustado, afinal já tinha assistido
às ecos da Maria e algo estava estranho no que se via, ou melhor não via
- Não… nunca tive problema nenhum porquê?
- Porque…
- Diga Doutor por favor há algum problema com o
meu filho ou com a Carmen?
- Bem… nem sei como lhe dizer isto, mas a Carmen
não está grávida… - olhei-a
espantado e ela forçava um choro tão falso que só me apetecia…
- Não está? Como não está?! Não estás?? - olhei-a e só conseguia lembrar-me de algo
porque já passei há uns anos atrás
- Não está… e pelo que consigo observar, bem… - o senhor estava visivelmente constrangido - a Carmen ou nunca esteve grávida ou já não
o está há muito tempo, uma vez que além de não haver qualquer alteração do seu
útero ela está em pleno período menstrual
- O QUÊ?!!! - o Dr explicou que ela não
estava grávida e que o mais provável era ter sido psicológico tentei mostrar-me
o mais compreensivo possível, mas quando sai - Vou passear com os meus pais e o meu filho, tens 45 minutos para tirares
tudo o que é teu de minha casa e deixares a chave na portaria!
- Pero...
- Pero o raio que te parta! É assim e rápido porque já só tens 44 minutos!
- Pero...
- Pero o raio que te parta! É assim e rápido porque já só tens 44 minutos!
Será que a Carmen cumpre a "ordem"? Como ficará o João depois de passar pela segunda vez pelo mesmo golpe desta vez
perdendo a Maria? E a Maria como terá passado este mês?
E quanto ao trio Ruben, Mariana e Filipe como andarão
eles? E o que terá o destino reservado para o Ruben no seu primeiro “dia do
pai” como pai?

