sexta-feira, 12 de julho de 2013

082 - "FALA!!! Diz que tenho razão! Diz que não queres saber mais de nós! Que não queres saber mais de MIM"

(Maria)
Os dias tem sido longos desde que a minha prima cortou relações comigo, mas mais longos ainda desde que tomei conhecimento do motivo. O João como prometeu falou com o Ruben que lhe acabou por confessar não conseguir fazer a Mariana tocar no assunto.
Durante todo este tempo coloquei-me na posição da Mariana, percebo-a, percebo que sinta que tudo foi uma mentira e que esteja baralhada. Mas não consigo aceitar porque me magoa muito que ela me corte assim da sua vida, afinal foi por essa mentira que nos conhecemos mas não foi ela que nos uniu. Quantas primas "de sangue" existem por esse mundo fora que até podem viver juntas 24h/dia 365 dias por ano e mesmo assim não se suportam?! Até irmãos quanto mais primos! Sim nós somos, éramos, sei lá... Primas mas o que nos unia era amizade, era a cumplicidade que criamos ao longo de todos estes anos e que para mim conta mais do que uma mera semelhança de adn.
Era isto que repetia pela milésima vez ao meu tio
- Maria eu já percebi isso! E acha que deixei de gostar da tua prima ou que gosto de vocês as duas de maneira diferente só porque afinal não somos biologicamente da mesma família?! Mas não podemos fazer nada ela decidiu que para ela e para a gravidez dela esta é a melhor solução...
- Que seja! Mas para mim e para a minha gravidez não é! Tio sabes perfeitamente aquilo que passei nas últimas 37 semanas... E por isso sabes que se não fosse ela... Eu preciso da Mari! Sabes quanto tempo falta para o meu filho nascer?! Onde está a madrinha? Tou a ser egoísta? Tou! E depois?! Se ela pode eu também e por isso mesmo podes parar de gastar saliva porque assim que o Ruben me der o toque que combinou com o João dar assim que chegar à clínica eu vou direta para lá!
- Não mudas de idéias? -  neguei com um movimento de cabeça - então vou contigo... Vocês não estão em condições de se meterem numa situação dessas e só vou ficar descansado se lá estiver!
- É que nem penses! Esta conversa vai ser só nossa! E além disso está lá o Ruben e a Ana! - nesse exato momento o meu telemóvel dá sinal - tá na hora...
- Já que não te consigo fazer mudar de idéias só espero que essa loucura corra bem! Ahhh e quando caírem nos braços uma da outra não te esqueças de dar notícias aqui ao velho!
- Ok! Txau!!!
Sai disparada, pelo menos tanto quanto o meu barrigão deixava. No carro esqueci os limites de velocidade e assim que estacionei voltei a voar até ao consultório da Ana, sabia que não podia perder um minuto pois se a consulta estivesse a horas como era ponto de honra da Ana e eu me atrasasse já não a apanharia.
Durante todo o caminho só conseguia prever a conversa, o que eu ia dizer e ela responder, conosco sempre tinha sido tudo muito natural éramos muito intuitivas no que se relacionava com a outra e agora eu estava completamente perdida, não imaginava como ela iria reagir com esta minha “surpresa” e muito menos como eu própria iria reagir caso ela me rejeitasse assim cara-a-cara. Estava já parada na porta da clínica quando oiço a voz do Ruben a despedir-se da Ana, nesse mesmo instante entro na sala de espera e vejo-os novamente a minha prima está com a barriguinha já tão grande e apesar de tudo era notória a sua felicidade, óptimo a Ana devia-lhe ter dado boas noticias sobres os “monstrinhos”. Ainda a olhei durante uns minutos apenas para matar saudades, sabia que assim que me fizesse notar as coisas iriam mudar, mas não aguentei mais
- Boa tarde! - entrei fingindo que não sabia que a encontraria ali, só o Ruben sabia que iria, já que a Ana não iria compactuar com tal principalmente como nossa médica e assim que me ouviu olhou-me admirada, o Ruben discretamente me piscou o olho já a Mariana depois de confirmar que era mesmo eu apressou-se a despedir-se da Ana.
- Bom Ana então volto daqui a um mês! Beijinhos que já vi que hoje não sou a ultima paciente. - assim que terminou de falar dirigiu-se de imediato à porta
- Mariana! - chamei-a e ela ignorou-me por isso cheguei-me perto dela e com um movimento mais brusco fi-la olhar para mim - Prima olha para mim! - ela baixou a cabeça e tentou afastar-se - Mariana! Vais mesmo voltar-me as costas?! Mariana se é isso que queres juro-te que nunca mais me vais ver na tua vida! E que o Guilherme nem se quer vai imaginar que existe alguém com o teu nome, quanto mais que poderia ter sido a sua madrinha, que ele está aqui ainda na minha barriga e que vai nascer e crescer porque quando era microscópico TU fizeste das tripas coração para que ele estivesse bem. - eu já chorava e a Mariana fingia que não me ouvia com a cara voltada para o chão, agora já entre os braços do Ruben que a abraçou
- Maria pára!
- Maria pára nada! Ana desculpa, mas ela não pense que toma as decisões que quer e que afectam a vida dos outros sem nem sequer informar os visados e ninguém lhe diz nada! - a Ana apenas se aproximou de mim e senti-a pousar a sua mão no meu ombro, sabia que era uma forma de me transmitir força, mas acima de tudo calma - E tu? Vais continuar ai a fingir-te de morta? Eu estou a falar contigo!! - esperei alguns segundos e nada - Já vi que sim! Olha que até agora cheguei a sentir-me mal por imaginar o que deves estar a sofrer - finalmente reagiu olhou-me admirada, pelos vistos o Ruben não lhe tinha dito que eu já sabia - Tás a olhar assim porquê?! Achas mesmo que ninguém ia ter o mínimo de piedade de mim e contar-me o que se passava? Pois enganaste-te o tio Jorge depois de semanas a ver-me penar por não imaginar o que raio teria eu feito para que do nada me tivesses deixado de falar, para que nem um “morre” por sms te dignasses a mandar e depois de horas a implorar-lhe que o fizesse acabou por me contar o que se passa. - ela olhava-me mas parecia que eu estar a falar com ela ou com uma parede era a mesma coisa - E sabes o que aconteceu?! Fiquei a sentir-me péssima! Porque eu andava preocupada comigo quando tu devias estar mal, e eu não conseguia deixar de ser egoísta e pensar que... aahhhh - senti uma dor relativamente forte e anormal no fim das costas - pensar que o Guilherme está a crescer e a madrinha não está a acompanhar! Que o meu ou minha afilhada está a crescer e eu não posso ver! Isto claro quando não estava a pensar se ainda teria madrinha para o meu filho ou se ainda teria afilhado/a! E tu?! Fugiste!! Jogaste fora os laços que nos uniam! E não falo dos familiares e de sangue porque esses apesar de não concordar percebo que os cortes, mas sempre pensei que antes de tudo fossemos amigas... aquela historia das “irmãs de mães diferentes” aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhh - voltei a sentir agora mais forte e a apanhar também a barriga, confesso que me assustei e por isso joguei a mão à barriga
- Maria!! - ouvi o Ruben e a Ana ao mesmo tempo
- Eu estou bem! - respondi-lhes e continuei - “irmãs de mães diferentes” e as “irmãs que nós escolhemos” a AMIZADE! Deixou tudo de existir?? Jogaste fora porque alguém errou por te amar?? ai... ai... aiiiiin - respirei fundo - FALA!!! Diz que tenho razão! Diz que não queres saber mais de nós! Que não queres saber mais de MIM - as lágrimas pulavam dos meus olhos não só pela raiva e pela tristeza que aquela postura da Mariana me provocava, mas também por este desconforto e por vezes mesmo dor que me estava a assustar
- É isso que queres?! Pois bem! Eu não te quero mais ver! Tu não me és nada! Ou melhor és só mais um dos detalhes que compunha a mentira toda em que vivi! - voltou as costas e saiu, depois de ter falado como se nada fosse
- AAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII! - senti uma dor mais forte a Ana de imediato pediu à assistente que lhe chamasse com urgência uma ambulância, não percebi porquê e achei que fosse um exagero, o Ruben que tinha saído atrás da Mariana voltou atrás
- Maria? O que é que tens? - não lhe respondi - Ana??
- Ruben, não sei! Mas pela postura corporal dela tenho medo que o Guilherme nasça agora ou que seja sinal de que não está bem, eu vou com ela para o hospital! 
- Não! Ana eu não vou para lado nenhum! É só um susto... são contrações de treino né? Tu avisaste-me que elas podiam aparecer... leva-me só para casa
- Maria a médica aqui sou eu! E depois do estado em que tens estado e do que eu vi aqui... desculpa, mas vamos para o hospital nem sequer te vou avaliar aqui!
- Dra a ambulância vai demorar...
- Cancela! Ruben ajuda-me aqui a leva-la até ao meu carro
Eles apoiaram-me os dois mas ao fim de dois passos o Ruben acabou mesmo por me pegar ao colo, passamos pela Mariana que estava junto do carro que estava estacionado ao lado do da Ana, ela para variar nem se torceu nem amolgou. Assim que a Ana abriu a porta o Ruben sentou-me no banco de trás
- Ana eu conduzo!
- Ruben esquece!
- Maria ninguém te perguntou nada!
- Ruben desaparece a tua mulher e os teus filhos estão à tua espera e eu não quero que tenhas problemas outra vez por nossa casa!
- Tens a certeza?
- Tenho! Desaparece! - ele meteu-se dentro do carro deu-me um beijo na testa - tem calma, vai correr tudo bem... bebé o padrinho quer conhecer-te mas ainda é cedo fica lá quietinho!
- Ruben ele não vai nascer!!! - disse irritada - Ele não pode nascer já! Ainda faltam 3 semanas! E o João não está cá! - neste momento acho que me caiu a ficha, comecei a chorar - ele não pode, não vai nascer... eu tou sozinha...
- Maria calma por favor! Nós vamos já para o hospital e vemos o que se passa e sozinha não estás! Nós estamos aqui contigo... Ruben liga ao João por favor... e vai lá que se não fores eu não sei se consigo salvar os três juniores!
- Ok eu ligo ao João... Maria eu ligo-lhe e fico à espera de saber como estás... e só te livras de mim porque nem eu nem a Ana aguentamos as duas em crise!
Ele acabou por ir embora e Ana que já estava no lugar de condutor saiu disparada.

(João)
O telefone tocou, era o Ruben pensei que as noticias só podiam ser as melhores
- Puto já te deixaram sozinho, para meterem a conversa em dia?
- João! -a voz dele assustou-me - Onde estás?
- Em casa! O que é que se passa?
- As coisas correram mal, a Mariana não quis falar com a Maria e acabou mesmo por dizer que já nunca mais a queria ver que não queria saber dela e do bebé e a Maria com o stress com que estava...
- Não pares agora!!!
- A Ana está a leva-la para o hospital! Ela acha que pode ser um parto prematuro! 
- O QUÊ?!!
- A Maria estava... começou com contracções enquanto falava com a Mari e ... - ouvi uma porta de carro a fechar - e a Ana pensa que o Guilherme vai chegar mesmo mais cedo, puto eu tentei ir com elas para o hospital, mas a Maria não me deixou... João???
- O que é que eu faço?! Como é que eu chego ai agora?? - estava desesperado não sabia em que pensar e muito menos o que fazer, estava cheio do medo... parto prematuro pode ser complicado e....
- De avião! Nem penses em meter-te no carro! Eu só vou para cima amanhã qualquer coisa estou aqui por isso tem calma
- Calma?! O meu filho vai nascer... antes do tempo! E eu estou aqui! E a Maria deve estar em pânico porque ela anda cheia de medo do parto
- João eu tenho de desligar agora, já te ligo, mas não arranques daí à parva a Maria está acompanhada!
- Sim... sim!
Assim que desliguei a chamada liguei para a minha mãe, ela ficou de ir ter com a Maria ao hospital, liguei também aos pais da Maria e ao Jorge, precisei garantir que a Maria não estaria sozinha de maneira nenhuma. Depois de todos alertados liguei ao clube e obtive as devidas autorizações para me ausentar, voos para Lisboa não são muitos a sair daqui por isso atirei meia dúzia de coisas para a mala e arranquei para a estrada afinal tinha centenas de km’s e mais de oito horas pela frente.

(Maria)
Quando chegamos ao hospital a Ana entrou directamente comigo para uma sala de observação de obstetrícia ligou-me a um imenso mar de fios avaliou todos os dados vitais, meus e do Guilherme, fez-me uma eco e
- Maria o Guilherme quer mesmo nascer amiga!
- E agora? - eu estava em pânico - Ainda é cedo né?
- Calma amiga! Ele está com 46cm e com 2600kg por isso pode nascer... 
- Eu quero esperar! Eu quero o João! - nisto o telemóvel da Ana tocou
- E tás cheia de sorte - passou-me o telemóvel para a mão
- Amor!!!
- Maria! Onde estás? Como estás? O menino?? 
- Amor... eu tou no hospital - temia a reacção do João, ele tinha-me avisado sobre isto poder acontecer
- Eu já sei Maria - falou num suspiro - o Ruben ligou-me... como é que estás? 
- A Ana diz que o Guilherme quer mesmo nascer... e que tem tamanho e peso para que aconteça sem problemas, mas eu tenho medo! Eu tou sozinha! Eu quero-te aqui! - falava a uma velocidade louca e chorava também
- Calma eu já vou a caminho! Achas que ele aguenta mais umas horinhas? - o telemóvel estava em alta-voz a pedido da Ana que acabou por responder
- Não papá ele em principio não vai esperar! E tu vem com calma!
- Ana como é que ela está?
- Em pânico! Mas é normal foram muitas emoções! E a juntar o medo que sempre teve deste momento...
- Olhem vocês os dois eu estou aqui.... aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
- João vem com calma que eu vou tratar da chegada do teu filho e a Maria não pode estar ao telemóvel!
- Amoor vem devagar! Nós estamos aqui à tua espera! - estava assustada com o João vir a conduzir
- Não te preocupes comigo Maria! Calma adoro-vos!!!
- Desculpa!!
- Esquece Maria! Força eu tou já a chegar!!!
A Ana desligou a chamada
- Desculpa, mas está na hora amiga! E quanto a essa ideia de que estás sozinha, bem se eu não chego ficas a saber que lá fora a sala tá cheia temos dois avôs e duas avós ansiosas, um tio avô a tentar acalmar tudo, mas igualmente nervoso e um padrinho que por ele estava aqui...
- Oh mas aqui és minha médica e não minha amiga, estás cá para garantir que o Guilherme nasce bem, não para me agarrar a mão e dar-me força...
- Ok estás desculpada, mas podes ter um acompanhante queres que chame alguém?
- Disseste que o Ruben estava ai?
- Sim...
- Chama-o por favor! Afinal os padrinhos servem para substituir o pai e o Ruben prometeu-me que estava aqui comigo, quando eu descobri que estava grávida...
- Só vocês! Eu vou lá chama-lo

(João)
Consegui falar com a Maria e passado poucos minutos o telemóvel tocou novamente,
- Tou 
- Puto tou aqui no hospital
- E?
- E... a tua namorada acabou de me mandar chamar! Segundo a Ana ela diz que se o pai não está o padrinho assume o lugar... se não te importares, eu vou!
- Importar?! Mas ainda estás ao telefone porquê?? Vai ter com ela! Diz-lhe que está tudo bem... eu estou já a chegar!
- Tem calma! Eu vou e juro que filmo tudo... tem de ser é com o telemóvel que não tava preparado, mas tu vais ver tudo!
- Obrigado mano!
Ele desligou e secretamente saber que ela não estava sozinha deixou-me mais calmo.

(Maria)
- Já estás maquilhada e penteada? - o Ruben entrou no bloco junto com a Ana já todo “equipado” e quando olhei na sua direcção vinha a filmar com o telemóvel
- O que é que tás a fazer? Tás parvo?! Desliga isso!!!
- Nem penses prometi ao pai que filmava tudo! - consegui neste momento vê-lo bem e estava todo verde das batas
- O verde fica-te bem!
- Sim... sim! Isso é do menino estar a nascer... como estás? - sentou-se numa cadeira que uma enfermeira lhe passou
- Com medo! Com dores! Eu não tenho nada para o menino vestir!!! - ouvi-o gargalhar
- Tem calma a tua mãe passou por tua casa tens lá fora as vossas malas!
- E tu o que fazes aqui? - estava a conversar com ele para me abstrair do procedimentos da Ana que me deixavam mais assustada
- Diz que a minha comadre queria companhia!
- E a tua mulher?? - onde é que ela terá ficado?!
- Maria agora não! Pensa só em ti
- Maria! - a Ana chamou-me a atenção eu olhei - Mudança de planos vamos ter de passar para uma cesariana!
- O quê? Porquê? - eu e o Ruben falamos em simultâneo
- O Guilherme tem o cordão em volta do pescoço e eu não quero arriscar... amiga confia em mim... é mesmo só precaução! 
- OH Ana...
- O meu colega da anestesia já foi chamado ... não sentes nada e se quiseres ainda vamos a tempo de epidural e ai podes ver logo o menino como num parto normal... e o Ruben também pode ficar...
- Eu quero ficar!
- Tu não apitas! Ana o que aconselhas? 
- Epidural para poderes ver logo o menino! Estás em condições para a receber e com o Guilherme também tirando a colocação do cordão não há mais riscos...
- Que seja!
Os momentos seguintes foram para me prepararem para a intervenção cirúrgica, sim que é isso que uma cesariana é, além da anestesia que foi bastante eficaz, tinha o Ruben a manter-me distraída, sim que se eu tava ansiosa, nervosa, cheia de medo mas o Ruben não estava melhor!
- Maria vou começar - a Ana falou por trás do lençol que tinha em baixo do peito de forma a tapar a visão do que se passava a mim e ao Ruben
- Ok...
- Primi... Maria tou aqui! - ele deu-me a mão - um sorrisinho aqui pró papá ver!
- Pró papá só deixo uma coisa, um aviso! Nem penses que vou passar por isto outra vez! O Guilherme vai ser filho único!
- Oh Maria! - a Ana gritou-me - tu não me faças rir! Olha que quem fica com uma cicatriz feia és tu!
- Já me calei!
E calei-me mesmo, aliás fez-se silencio na sala, não sentia nada do que a Ana e os colegas me faziam mas podia ver, ia acompanhando todos os seus movimentos através das sombras que passavam o lençol e alguns momentos de pois, impossíveis de quantificar porque perdi completamente a noção do tempo desde que entrei na clínica e vi a minha prima, pude ouvir um som finalmente um som e era o som de um chorinho, o Ruben mexeu-se de imediato para voltar a câmara do telemóvel em direcção da Ana que já tinha nas mãos o meu menino ainda não o via, mas já o ouvia e sentia as lágrimas a correr-me pela cara.
- Nasceu... - ouvi o Ruben num sussurro e só consegui rir, ele espreitou e voltou à posição inicial - é... é...
- É lindo! E aparentemente saudável, - a voz da Ana ia-se aproximando - Olá mamã! - assim que falou colocou-o sob o meu peito
- Olá! Amor lindo! A mamã estava desejosa de ver a tua carinha! - só conseguia olhar para aquele rostinhho lindo - O papá vem já... mas olha aqui quem está... é o maluquinho do padrinho! Que ainda passou umas quantas por nossa causa não foi bebé?! Diz ola padrinho! - segurei na mão do meu menino e tentei fazer um adeus
- Olá Campeão! O padrinho vai ali fora e logo volta para te ver quando tiveres limpo sim?! - o Ruben estava com uma cara de nojo hilariante
- Bem campeão anda cá que a tia Ana vai levar-te ao banho e vai vestir-te antes que o padrinho desmaie - rimos todos - Amiga vou leva-lo para os primeiros exames e para o vestir, enquanto tens que ficar aqui um bocadinho no recobro, aproveita a anestesia e dorme, assim que puderes levo-te para um quarto e prometo que tens lá o príncipe à espera!
- Ana... obrigada!!
- Oh...
- Mostra-o aos avós e ao tio sim?
- Sim! E nem precisas pedir que o papá tem entrada liberada a qualquer hora!
Levaram finalmente o meu menino e o Ruben saiu também, prometeu-me ligar ao João assim que chegasse à sala de espera

(João) 
Passou mais de uma hora quando volto a ter noticias, novamente do Ruben
- PARABÉNS PAPÁ!!!! - senti as lágrimas a correr - É um rapagão com 46cm e 2595g  nasceu de cesariana...
- Nasceu de quê?!
- Cesariana!
- O que é que aconteceu?
- O cordão estava em volta do pescoço a Ana teve medo e preferiu não arriscar, mas a Maria levou epidural esteve e está acordada, viu o menino e agora está no recobro o menino está a tomar banho... nasceu todo nojento mano! - não consegui não gargalhar - Tás a conduzir ou vais parar agora?
- Tenho uma estação de serviço acho que vou parar...
- A chorar puto?? Pára lá que assim que olhares vais ter a primeira foto do teu filho!
- Obrigado mano! Tou a chorar sim! Quando os teus nascerem logo me contas!
Parei uns km’s à frente numa estação de serviço, e como o prometido tinha a foto do Guilherme e mensagens da minha mãe, do meu pai e dos pais da Maria.
As horas a seguir foram um tormento e quando finalmente cheguei ao hospital tinha a Ana à minha espera
- Parabéns papá!!!
- Obrigado amiga! 
- Anda! Vamos lá vê-los - ela levou-me directamente ao quarto - É esta a porta, entra conhece o bonitão, dá uns mimos na mamã e depois logo falamos, mas temos mesmo de falar
- Estás a assustar-me passa-se alguma coisa?
- Calma, para já está tudo bem, mas tendo em conta todas as circunstâncias em que aconteceu o parto e um ou dois sinais já dados pelo Maria acho melhor prevenirmos para não termos de remediar...
- Estás a falar de quê?
- Vai lá... goza-os aos dois! Aproveitem estes momentos únicos os três e depois já falamos
Fiz o que me disse e assim que abri a porta a Maria desviou o olhar do pequeno berço e assim que me viu sorriu, foi impossível não sorri também ela fez-me um gesto para me chegar perto dela sem barulho, vi pela primeira vez o meu filho que dormia, mas assim que me sentei na cama ao lado da Maria ele abriu os olhos
- Olá papá! Eu não consegui esperar! - a Maria falava por ele - Podex pegar eu! Eu não choro!
- Eu não sei...
- Oh João?!
- É tão pequenino e se o deixo cair?!
- João Pedro! Eu não me posso mexer desta cama tou perdida de dores e já o peguei e já lhe dei de mamar por isso ganha mas é vergonha na cara!
Não tive resposta peguei o pequenino cheio de medo e ele realmente não chorou e acabou mesmo por voltar a adormecer, deitei-o novamente no berço para estar mais confortável e sentei-me na cabeceira da cama da Maria ela trocou de imediato a almofada pelo meu peito e estava visivelmente cansada e com dores por isso optei por apenas lhe dar alguns mimos e acabei por a ver adormecer.
Depois de alguns minutos quando percebi que nem mãe nem filho iam acordar, fui procurar pela Ana para saber afinal o que se estava a passar porque tinha ficado preocupado.


O que será que a Ana anda a prever? Que sinais terá dado a Maria?
E o Ruben terá recuperado do “susto”?
A Mariana como será que vai reagir a todos estes acontecimentos e ao marido ter novamente estado junto da prima?

terça-feira, 9 de julho de 2013

081 - " ah e tu devias estar orgulhoso afinal os teus bichinhos são hipersónicos"

Ruben
Ouvir que toda a vida da Mariana tem sido uma mentira deixou-me sem reação, pelo menos nos primeiros minutos mas acabei por despertar ao vê-la a não conseguir reagir, chamei-a mas não obtive resposta e como tal resolvi retirá-la de lá o quanto antes, afinal a última coisa que precisávamos agora era de um confronto com aquele que ela sempre chamou de pai.
Agarrei-a pela mão e saímos. Apesar da Mariana nada falar percebi que o melhor seria rumar direto a Braga, o meu amor precisava de tempo e espaço para gerir tudo o que tinha ouvido, como tal só parei mesmo quando chegamos ao nosso destino. A Mariana acabou por adormecer durante a viagem e custou-me ter que despertá-la, afinal sabia que estaria a obrigá-la a acordar para a realidade, ainda assim fi-lo.
- Amor... - fiz-lhe algumas festinhas no seu rosto - Mariana - mexeu-se e logo depois abriu os olhos.
- Já chegamos?! - questionou calmamente o que deixou-me intrigado
- Sim...
Não falou mais, simplesmente saiu do carro entrando direta em casa, mais concretamente para o nosso quarto e quando lá cheguei encontrei-a a trocar de roupa, o meu amor estava a vestir o pijama mas assim que deu pela minha presença olhou-me, doeu ver o tamanho da dor que os seus olhos espelhavam, ainda assim calculei que quisesse ficar sozinha e foi isso mesmo que lhe perguntei.
- Acabei de descobrir que a única coisa verdadeira em toda a minha vida é o amor que nos une logo é impossível não querer que fiques aqui comigo, não serei grande companhia mas neste momento estou a precisar de ti mais do que nunca, és a única verdade que tenho, tu e os nossos bebés... e é a essa verdade que vou agarrar-me para dar um novo rumo à minha vida!
Arrepiei-me ao ouvi-la a ser tão fria mas nem abri a boca, simplesmente deitei-me ao seu lado e por lá fiquei, acabei por vê-la a adormecer novamente e só depois é que sai do quarto, estava com fome e por isso fui até à cozinha.
Estava já na sala a ver um pouco de televisão quando sou acordado para a realidade pelo toque de chamada do meu telemóvel, atendi de imediato por ser o meu irmão.
- Então puto vens a Lisboa e nem visitas a família! - reclamou assim que teve oportunidade.
- Desculpem - suspirei
- Está tudo bem?
- Se queres que te diga a verdade não... não está nada bem... mas espero que fique...
- Estás a assustar-me, é alguma coisa com a Mariana e com os bebés?
- Com os bebés está tudo bem mas... - calei-me porque não tinha o direito de revelar algo que ouvi por acidente
- Ruben! Estás aí? Fala de uma vez!
- Mano a única coisa que posso dizer é que estamos os quatro bem, não te preocupes.
- Ruben Filipe! Bem é coisa que não estás... nem é preciso olhar para ti para perceber isso, basta ouvir-te!
- Mauro não insistas, não vou contar pelo menos para já, é um assunto da Mariana e como tal não vou comentar contigo, desculpa não te queria deixar preocupado.
- Mas está mesmo tudo bem, certo?
- Sim...
- Então e como correu a consulta?
- Correu bem... os bebés estão a desenvolverem-se bem, com a Mari também está tudo bem por isso melhor seria impossível.
- Oh mas não deu para ver se são meninos ou meninas? - gargalhei com a pergunta.
- Mais ou menos! Um dos bebés não quis mostrar mas o outro... bem o outro não deixou duvidas - falei todo babado - é um puto!!!
- Shiii a cota é que tinha razão...
- Ãh?
- Mano a mãe sempre disse que eram meninos...
- Tem lá calma contigo que ainda só sabemos o sexo de um dos minimeus... o outro pode ser menina - um sorriso surgiu no meu rosto.
- Ui que ele quer um casal e nem tentes negar que apesar da distância sei que deves estar com um sorriso parvo no rosto só de te imaginares com um casal...
- Sim... estou mesmo de sorriso parvo mas um parvo orgulhoso - o meu irmão gargalhou - a sério mano seja menino ou menina a alegria que sinto sempre que olho para a eco é imensa, são uma parte de mim...
- Sim... sei o que é isso ou já te esqueceste que já sou pai!
- Pois... - sorri - e o meu sobrinho como anda?
- Cada vez mais reguila mas está tudo bem... vê mas é se da próxima vez apareces cá para o ver!
- Fica prometido - olhei para a porta da sala e encontrei a Mari a observar-me - mano vou ter que desligar, dá beijinhos aí ao puto e à Paula.
- Serão entregues mas vê se ligas para a mãe...
- Ok!
Despedi-me dele e desliguei a chamada.
- Não precisavas de ter desligado! - a Mariana falou depois de se ter sentado no meu colo.
- Oh... já tinha falado o que interessava - olhou-me - queria saber como correu a consulta - informei-a.
- Ah! - aconchegou-se melhor nos meus braços - já comeste?
- Sim... queres que te faça alguma coisa?
- Não... - olhei-a - amor sinto-me incapaz de engolir o que quer que seja - baixou o olhar - talvez daqui pouco coma umas torradas e beba um chá...
Não insisti devido ao momento, acabei por ficar a mimá-la mas depois de uns minutos lá liguei para a minha mãe que ficou toda babada por um dos bebés ser mais um menino. Terminei a chamada e ainda pensei perguntar se não queria avisar os seus pais mas dado o que descobrimos esta tarde, achei melhor nem dizer nada.
O resto da noite foi passada na cama mas dormir foi coisa que não fiz, primeiro porque a Mariana não parava quieta, estava com insónias e depois quando finalmente conseguiu adormecer, não consegui deixar de pensar no que está por vir.

Mariana
O dia que tinha tudo para ser perfeito ou não fosse um dos minimeus se ter revelado aos pais e a conversa com o Ruben sobre a minha pouca vontade de fazer sexo ter corrido tão bem, mas como nem tudo é perfeito tive que descobrir que afinal sou filha de um descuido e ainda por cima fui enganada a vida toda.
Estava a remoer no assunto quando o Ruben entra na sala, depois de regressar do treino, com um saco.
- Toma... mas aviso já que a gracinha não é minha! - olhei-o sem perceber - É um mimo dos rapazes que hoje estavam particularmente engraçados...
Não liguei muito ao que falava e abri o saco, lógico que assim que vi bem o presente tive que gargalhar.

- Ah mas fica o aviso que isto é só uma lembrança - olhei-o - até tenho medo de pensar o que vem por aí...
- Oh deixa de implicar até achei fofo - gargalhei - ah e tu devias estar orgulhoso afinal os teus bichinhos são hipersónicos - olhou-me - sim... que em vez de ter sido brincada com o mais rápido fui com os dois mais rápidos...
- É tão engraçada que ela está - o Ruben começou a fazer algumas cócegas e só parou quando lhe implorei - como é que estás? - suspirei por saber ao que se referia.
- Nem sei... parece que estou a viver um pesadelo sem fim à vista - suspirei pesadamente.
- Amor... tens de reagir...
Deixei-o a falar sozinho não porque a conversa estivesse a chatear-me mas sim porque deu-me uma vontade louca de comer, desde que acordei que ando assim, só me apetece devorar tudo o que me aparece à frente. Estava a deliciar-me a comer uma banana quando o Ruben entrou.
- Banana?! - olhei-o de lado - oh filhos vocês dão cabo da vossa mãe - falou já com as suas mãos na minha barriga - para vossa informação existem coisas que não devem desejar... como por exemplo banana já que a vossa mãe detesta...
- Mas tu importaste de parar de desencaminhar os nossos bebés?! Eles têm é mais que comer de tudo! - o Ruben gargalhou
- Muito me contas... onde vai o tempo em que falavas o contrário? - olhei-o com vontade de lhe torcer o pescoço, afinal estava a gozar com os desejos de uma grávida e ainda por cima em dia que acordou carente - ah e não me olhes assim que não metes medo - deitou-me a língua de fora - muito pelo contrário... - começou a dar-me beijinhos no pescoço - ficas ainda mais irresistível - senti as suas mãos a subirem pela minha barriga e a sua boca a descer cada vez mais no meu pescoço - e depois aqui o pai dos bebés fica em brasa - tocou com os seus lábios no meu peito e sem que conseguisse controlar um gemido escapou-me por entre os lábios - a menos que os filhos liberem a mãe... - as mãos do Ruben continuaram a percorrer o meu corpo de uma forma liberal como há muito não o faziam, muito por culpa minha que não deixava mas a verdade é que hoje aquilo tudo estava a saber-me muito bem, tanto que não o impedi de continuar e quando dei por mim já eu própria o estava a despir - tens a certeza... - ouvi-o a perguntar mas ignorei, o Ruben já tinha conseguido despertar em mim um desejo incalculável e já só pensava em satisfazê-lo, acabei por arrastá-lo até ao quarto e foi lá que iniciamos o regresso aos treinos, o Ruben teve todo o cuidado comigo, levou-me ao limite com as carícias que fez mas só quando uniu os nossos corpos é que conseguiu satisfazer-me ao máximo, amámo-nos como há semanas não o fazíamos, completámo-nos e no fim ainda fui brindada com um conjunto de mimos extras, o Ruben estava empenhado em tornar o momento único, como se isso fosse difícil dado que para mim todos os momentos com ele são únicos e inesquecíveis.
- Amo-te - afirmei ao olhá-lo e por isso vi o sorriso que tanto adoro.
- Também te amo - beijou-me calmamente para logo depois começar a beijar a minha barriga - e a vocês os dois também - fez algumas festinhas - apesar de andarem a dificultar aqui a vida ao vosso pai - gargalhei ou não fosse ter entendido ao que se referia - mas vá lá que hoje até se portaram bem... - voltou a beijar-me a barriga para iniciar um trajeto com a sua boca e língua até chegar aos meus lábios, onde uniu novamente as nossas bocas e línguas em mais um beijo intenso - estás bem? - questionou ao mesmo tempo que levou uma das mãos à minha barriga.
- Sim... - suspirei - Obrigada!
- Estás a agradecer o quê?
- Oh... tudo... a tua paciência para me aturares e o teu amor por nós os três - levei também eu as mãos à minha barriga - tenho consciência que nem sempre sou fácil de aturar... - o Ruben calou-me com um beijo demorado.
- Shiuu não tens de agradecer nada... até porque o amor não se agradece... simplesmente se retribui
Não lhe respondi, limitei-me a enroscar no seu corpo e assim passamos os minutos seguintes mas acabamos por nos vestir quando reclamei com fome, o Ruben gargalhou talvez porque momentos antes lhe tinha contado que hoje não tenho feito outra coisa que não comer.
- Não gozes...
- Desculpa - beijou-me - então e os minimeus querem alguma coisa em especial?
- Ui... hoje como isto anda acho que comem de tudo... por isso desde que seja para comer tudo marcha!
O Ruben acabou por rir novamente mas lá parou quando lhe fiz cara de má e por isso acabamos por ir os dois até à cidade, onde comemos um belo de um bacalhau à Narcisa.
- Queres ir já para casa?
- Tens alguma coisa em mente?
- Se não tiveres muito cansada pensei em irmos passear um pouco...
- Oh só se for até ao centro comercial - olhou-me de lado - amor... anda lá... quero mostrar-te uma coisa!
- Mariana não vais comprar mais roupa, certo?
- Não! É que no outro dia lá no Porto vi um carrinho para gémeos mesmo fofinho e gostava que o visses também...
- Ok... não era bem este género de passeio que tinha em mente mas tudo bem...
O Ruben fez-me a vontade e por isso fomos ver o tal carrinho, que por sinal também agradou ao Ruben no entanto decidimos não comprar já, pois queríamos ver outras opções.
De tarde resolvi acompanhá-lo ao treino mas fiquei pelo carro à sua espera, não estava com paciência para vê-los a correr atrás de uma bola e devo mesmo ter passado pelas “brasas” porque acordei quando ouvi o Ruben a falar com os minimeus.
- Oh filhotes vocês estão mesmo a desregular a vossa mãe... agora já a metem a dormir em pleno dia e tudo - apesar de ter despertado mantive-me de olhos fechados, estava a saber-me bem ouvi-lo a conversar com os bebés - o pai ama-vos muito - sorri ao ouvi-lo o que fez com que percebesse que afinal estava acordada - olha que bem... a menina a fingir que dormia...
- Para sua informação estava mesmo a dormir mas um certo pai babadão acordou-me! - o Ruben sorriu
- Babadão mesmo! É verdade os rapazes estão a combinar no próximo sábado depois do jogo um jantar, alinhas?
- Sim... quer dizer se os minimeus resolverem colaborar por mim é na boa.
Ainda trocamos algumas palavras mas acabamos por seguir até casa e assim que chegamos tivemos uma pequena grande surpresa...

Ruben
Apesar de tudo o dia de hoje correu melhor do que pensei, a Mariana está a reagir de uma forma inesperada à realidade que nos assombrou e apesar de não tocar no assunto também não está no fundo do poço, no entanto tenho receio que de um momento para o outro quebre, afinal de contas ignorar nunca é solução...
Depois do resto de manha algo animada que tivemos, fomos almoçar fora para depois a Mari acompanhar-me ao treino mas em vez de o ir ver preferiu ficar no carro a dormir, não a condenei até porque dormir foi coisa que não vez durante a noite e por isso deixei-a à vontade. Quando regressei iniciei uma conversa com os minimeus mas depressa percebi que estava a ser ouvida pela mãe deles, trocamos algumas palavras mas acabamos por seguir até casa e foi quando chegamos que deparamo-nos com os seus pais à nossa espera.
- Tem calma... - falei ao vê-la com as lágrimas nos olhos.
- Mas afinal o que é que eles querem?!
- Não sei... queres que diga para voltarem depois?
- Não! Eles podem ficar - olhei admirado - afinal a rua é mesmo pública... agora lá em casa garanto que não entram! E agora se não te importares mete o carro na garagem assim evitamos tentativas de aproximação!
Fiz o que pediu, não adiantava contradizê-la e assim que estacionei a Mariana saiu imediatamente do carro.
- Espera! - pedi quando o meu amor já estava no elevador e com a porta a fechar
- Tanto tempo! - reclamou
- Amor... sei que não queres falar com eles mas temos a obrigação de pelo menos mandá-los embora... não os vais deixar à porta.
- Faz o que quiseres mas lá em casa não entram e muito menos quero falar com eles!
A Mariana estava decidida a adiar a conversa e no fundo era também essa a minha opinião, a última coisa que precisa é de se enervar e por isso acabei por sair no rés-do-chão enquanto a Mari seguiu para o piso do nosso apartamento.
- Ruben! - a mãe da Mariana chamou-me assim que abri a porta - O que se passa? - olhei-os - A minha filha tem o telemóvel desligado desde ontem, para o telefone da vossa casa não adianta ligar que não dá, o teu telemóvel chama mas ninguém atende e agora a minha filha nem sequer olha para nós...
- Pois... - calei-me por não saber como lhes dizer o que se passa na realidade e apesar de saber que a Mariana não os quer em casa, não tive outra solução que não convidá-los a subir, afinal não iria dizer-lhes no meio da rua que a filha descobriu toda a verdade e que por isso não os quer ver - subam...
- O que se passa? Estás estranho? Mal nos olhas? - a D. Fernanda debitava a uma velocidade louca as perguntas e por isso tive que a interromper quando já estávamos a entrar no apartamento
- Não há outra forma de o dizer... por isso... - hesitei ao ver a Mariana a passar quase a correr no corredor, talvez por ter percebido que vinha acompanhado por quem não queria ver.
- Mas o que se passa? Ruben vocês ontem tiveram consulta... está tudo bem com os meus netos? - olhei para o Sr. Manuel, estava de facto preocupado.
- Com os bebés está tudo bem e com a Mariana também, pelo menos em termos clínicos...
- Estás a assustar-nos!
- D. Fernanda e Sr. Manuel - respirei fundo antes de continuar - ontem depois da consulta consegui convencer a Mariana a ouvir o que você - olhei para o pai dela - tinha para lhe dizer, tanto que fomos até à vossa casa mas como ainda não tinham chegado, a vossa filha resolveu usar a chave que tem para entrarmos...
- Mas nós não vos encontramos! - a mãe da Mariana falou mas foi interrompida pelo marido.
- Ruben... vocês estavam lá quando cheguei com o Jorge?! - a Fernanda olhou-o sem entender, ao contrário de mim, que sabia perfeitamente ao que se referia - Fala!
- Estávamos... - assim que confirmei também vi o desespero apoderar-se do Manuel, o que levou a Fernanda a perguntar o que se passava - nós ouvimos sem querer a conversa...
- Qual conversa? Não estou a entender nada!
- Fernanda não aguentei mais e acabei por contar a verdade toda ao Jorge... contei que a Mariana não é...
- Não! - a Fernanda começou a chorar - não tinhas esse direito... - a mãe da Mari virou-se contra o Manuel e disse uma quantidade de disparates que só terminaram quando a interrompi e pedi que se acalmasse - Ruben, estou desesperada - olhei-a, no fundo percebia o receio que tinha em perder a filha - não posso perder a minha filha... nem consigo imaginar no que deve estar a pensar a uma hora destas!
- Tenham calma - olhei-os à vez - D. Fernanda não imagino sequer o que vai na cabeça da Mariana ou o que está a sentir porque a vossa filha ainda não conseguiu deitar cá para fora tudo o que lhe vai no pensamento, só sei que pouco dormiu durante a noite, que hoje anda em pé nem sei bem como e que as únicas palavras que proferiu a respeito do assunto é que não vos quer ver, não quer ouvir e muito menos falar convosco, para a Mariana neste momento a única verdade que conhece e que se vai agarrar é ao nosso amor e aos nossos filhos, por favor peço que respeitem isso e se afastem, para o bem dos vossos netos não procurem a Mariana...
- Mas eu preciso de lhe explicar... - sentou-se no sofá, acho que só o fez porque as forças lhe faltaram.
- D. Fernanda... desculpe mas vou respeitar o pedido da sua filha, a Mariana está de rastos apesar de não o demonstrar, a verdade é que quando ouviu o seu marido a contar toda a verdade ficou sem chão, não conseguiu reagir e só horas depois é que falou, para dizer que a partir de ontem a única família que conhece sou eu e os bebés que carrega, por isso respeite a vontade da Mariana, afinal tudo em que acreditava desmoronou como um castelo de cartas...
- O Manuel não tinha o direito de mexer no passado... - levantou-se e começou a andar de um lado para o outro, estava desesperada e isso foi notório.
- D. Fernanda - aproximei-me dela e abracei-a fazendo-a parar e olhar-me - não diga isso... a Mariana tinha o direito de saber tudo e depois este passado que tanto quis esconder já nos trouxe tantos dissabores, mesmo sem termos culpa o vosso passado interferiu com o nosso passado, presente e com toda a certeza futuro porque nada vai ser igual, a Mariana agora tem a possibilidade de finalmente perceber o pai, entender que afinal o seu marido só a quis proteger, é verdade que não o fez da melhor forma mas ninguém o pode julgar... nem a ele nem a si, vocês os dois amam a Mariana e ela também vos ama, só precisa de tempo para assimilar tudo e aprender a viver nesta nova realidade.
Enquanto falava percebi que a Fernanda olhava para a porta, algo que fiz também e encontrei a Mari a olhar-nos mas assim que a sua mãe deu um passo em frente para ir ao seu encontro o meu amor saiu a correr.
- Fique aqui - pedi ao perceber que a Fernanda tinha intenção de seguir a filha
- Mas...
- Fernanda - ouvimos pela primeira vez a voz do Manuel - deixa ser o Ruben a ir ter com a Mariana... ela não nos vai ouvir...
- E a culpa é TUA só TUA! - a Fernanda acusou-o e antes que iniciassem uma discussão
- Hey... acabou! - olharam-me - Pensem na vossa filha... e D. Fernanda pare de culpar o Sr. Manuel porque ambos tiveram culpa! Agora fiquem aqui que vou ter com a vossa filha... assim que puder volto - falei já a sair da sala.
Fui directo ao quarto mas não a encontrei, foi quando percebi que estava na casa de banho, abri a porta e encontrei-a sentada completamente alheia.
- Amor... - ainda tentei falar mas assim que sentei-me do seu lado a Mariana agarrou-se a mim a chorar desesperadamente, deixei-a acalmar, o que levou algum tempo mas assim que pelo menos parou de soluçar - os teus pais estão na sala - levantou-se imediatamente
- Não sei do que falas... não conheço essa personagem do sexo masculino a quem supostamente devia chamar de pai - olhei-a - e mãe?! Pois... mãe é coisa que ela não é... se fosse não deixava a filha viver uma mentira e muito menos deixava aquele com quem se casou infernizar a nossa vida... por isso agradeço que os vás mandar embora... não quero respirar o mesmo ar que eles... não quero os nossos filhos a conviverem com a mentira...
- Chega! - agarrei-a pelos dois braços - É mesmo pelos nossos filhos que terás que assimilar tudo o que descobriste, amor é verdade que eles te mentiram desde sempre, que não tinham esse direito mas também é verdade que tens na sala duas pessoas capazes de darem a sua vida por ti, a tua mãe podia ter ido pelo caminho mais fácil, podia ter abortado mas não o fez e o teu pai... o teu pai amou-te desde a altura em que estavas na barriga da tua mãe... ele nunca te abandonou, esteve lá para assumir uma responsabilidade que não era dele, não se importou em abdicar da sua vida em prol da tua por isso não os condenes...
- Não percebes... - afastou-se
- Não percebo o quê? Que tens ali na sala duas pessoas que te amam, que tiveram a coragem de lutarem contra as adversidades só para te terem nos seus braços, que te mentiram porque não queriam que estivesses a passar por tudo isto, que te deram a possibilidade de cresceres com os teus pais unidos, que te deram uma infância normal...
- Vivi uma mentira... como é que isso pode ser normal?
- Uma mentira? Consideras que o que viveste é uma mentira? Mariana não é o sangue do Manuel que corre nas tuas veias mas é o amor e a dedicação dele a ti que te conduziu até aqui, foi ele que esteve do teu lado quando estavas doente, foi ele que esteve sempre presente quando precisaste, foi ele que te educou por isso é ele que tem todo o direito de ser chamado de pai e não aquele que simplesmente engravidou a tua mãe e desapareceu sem sequer olhar para trás - a Mariana olhava-me de uma forma estranha ainda assim continuei - amor não viveste uma mentira, viveste a tua vida, a vida que te ofereceram sem pedirem nada em troca, compreendo que estejas magoada, revoltada e até mesmo a pensares que estás sozinha mas não estás... amor tens duas pessoas que sempre te amaram à espera que lhes perdoes este erro... Mariana não quer dizer que o faças já mas pensa antes de tomares uma decisão...
- Não sei o que pensar...
- Então não penses - olhou-me sem entender o que falei - ouve simplesmente o lado deles... não os julgues... tenta só compreende-los... tens a oportunidade de ir até à sala e ouvires da boca dos teus pais as razões que os levaram a mentir, a esconder da família toda a verdade...
- Não sei se consigo...
- Amor consegues sim... tu amas os teus pais e não vai ser por descobrires agora que não é o sangue de um Mendes que te corre nas veias que vai mudar isso.
- Não sei... - respirou profundamente - preciso de tempo...
- E terás todo o tempo que precisares mas dá uma oportunidade à tua mãe para te contar a sua versão...
- Não consigo... pelo menos hoje não...
- Tudo bem... vou só avisá-los que neste momento não queres falar com eles e já venho ter contigo.
A Mariana concordou comigo e enquanto foi até ao quarto eu fui até à sala informar os seus pais, lógico que receberam a notícia com tristeza mas respeitaram o pedido da filha e foram embora. Estava a regressar ao quarto quando o meu telemóvel voltou a tocar, mais uma vez a Maria tentava saber noticias nossas mas fui incapaz de atender, só eu sei o que já me custa falar com o João e desviar sempre o assunto quando o meu amigo tenta entender o que se passa, por isso voltei a ignorar a chamada e fui ter com a Mariana.


Mariana
No fundo mas bem lá no fundo sei que o Ruben tem razão no que falou mas também sei que “à flor da pele” não é isso que sinto, a verdade é que toda a minha vida foi uma mentira, a família que sempre conheci como sendo minha afinal não é. Sinto-me perdida, abandonada mas acima de tudo uma estranha a mim mesma, afinal quem sou eu? Alguém que nasceu por um erro? Ou simplesmente alguém que nem deveria ter nascido? Tenho a cabeça em “água”, não consigo raciocinar e muito menos chegar a conclusões...
***
Dois dias passaram e depois de muito pensar tomei uma decisão, mas antes de a anunciar tinha que perceber se teria o apoio do Ruben, por isso aproveitei o jantar para lhe comunicar e perguntar a sua opinião.
- Amor - olhou-me - andei a pensar e se concordares comigo - hesitei afinal se concordar vou desistir de algo que me dá prazer.
- Diz...
- Ruben... pensei e talvez o melhor seja enviar a minha carta de despedimento ao Jorge Mendes - o Ruben que bebia água engasgou-se - estás bem? - perguntei preocupada
- Eu estou... já tu... mas o que é que te deu para te demitires?
- Talvez ter descoberto que não sou ninguém... que vivi anos e anos uma vida que não é a minha, que estou farta de mentiras, que só quero desaparecer - não aguentei e chorei... chorei talvez tudo o que não chorei em anos de vida, naqueles anos em que tudo fazia sentido, em que julgava ter uma família, em que sabia se precisasse que eles estariam lá.

Ruben
A novidade que a Mariana me deu apanhou-me de surpresa e acabei por ter uma saída infeliz ao perguntar o que lhe estava a dar para se querer demitir, mas ainda bem que a tive, afinal serviu para a Mariana deitar cá para fora tudo o que andou a acumular durante os últimos dias, deixei-a chorar que nem criança ao meu colo, senti que era disso que precisava e quando acalmou voltei a falar.
- Amor se achas que o melhor para ti neste momento é deixares de trabalhar com o teu tio - olhou-me para logo depois sair do meu colo
- Não tenho tio... aliás nem sei se aquele a quem devia chamar de pai tem irmãos... afinal não o conheço! E quanto a trabalhar para um tal de Jorge Mendes não me parece que seja boa ideia...
- E porque não? Gostas do que fazes...
- Pois mas ambos sabemos que não andei anos a queimar pestanas para trabalhar nesta área...
- O problema não é esse e ambos sabemos! Mariana não é por te despedires que vais conseguir esquecer que não és uma Mendes de sangue... mas faz o que quiseres...
- Vou despedir-me mas fica descansado que não pretendo ficar a viver às tuas custas - atirei já chateada e quando tentei sair da mesa o Ruben impediu-me ao colocar-se diante de mim - sai!
- Que estejas na lama com tudo o que descobriste compreendo mas agora que te vires contra mim já é abuso, não tenho culpa nenhuma por te terem mentido a vida toda, por o homem a quem chamaste de pai não ser o teu biológico, por quereres a todo o custo afastares-te da família Mendes que por sinal é a única que conheces e que te acolheu sempre de braços abertos - já chorava novamente - caramba amo-te e só quero o melhor para ti... sinceramente duvido muito que te despedires seja o melhor e não... não estou a falar do dinheiro que felizmente problemas desses nós não temos, não tenho qualquer problema em te sustentar enquanto não encontrares um trabalho mas será que é mesmo isso que queres? Mariana não tens feitio para viver às custas de ninguém e nos dias que corre não é fácil arranjar trabalho muito menos quando estás grávida... tem calma... não tomes decisão nenhuma de cabeça quente...
A Mariana não falou, simplesmente procurou o conforto dos meus braços, acabei por sentar-me e puxá-la novamente para o meu colo, onde passou os minutos seguintes para depois despertá-la para a realidade com alguns mimos, afinal tinha que jantar e foi por entre mimos que consegui convencê-la a comer alguma coisa.
O meu amor acabou por se ir deitar, ultimamente come e dorme ou melhor tenta dormir, o que tem-me deixado preocupado e por isso resolvi ligar à Ana, disse-lhe que a Mari anda a atravessar uma fase complicada, que tem estado nervosa mas nunca revelei o verdadeiro motivo. A nossa amiga acabou por dizer que no fim-de-semana vinha-nos visitar, talvez assim animasse a Mariana e ainda pediu que vigiasse a Mariana mas sem que ela se apercebesse e que ao mínimo sinal de que algo possa não estar tão bem que lhe ligasse, a conversa serviu para também eu serenar um pouco ainda assim mantive-me em alerta nos dias seguintes.

Mariana
Desde que descobri que não sou ninguém que os dias têm custado a passar, ainda assim tenho no Ruben o meu grande apoio, o meu amor tem estado sempre do meu lado mesmo que nem sempre concorde com as minhas decisões. Sei que o João tem ligado para o Ruben numa tentativa de saber o que se passa mas o meu amor desvia sempre o assunto, sei disto não porque o Ruben conta mas sim porque por vezes oiço as conversas sem querer. A Maria é que finalmente deixou de tentar ligar-me, nos primeiros dias insistia diversas vezes mas agora finalmente percebeu que não vou atender e por isso parou. O Jorge, no dia que tomou conhecimento da minha carta de demissão ainda teve o desplante de aparecer por Braga, julgava ele que vinha com a conversa que quem cria é que é pai e que esquecia que afinal sou uma mentira na vida deles, corri com o senhor cá de casa e dessa vez não contei ao Ruben, ele desconhece este fato e nem quero que sonhe quanto mais que descobra, estou farta de tentar fazer com que entenda o meu lado.
***
Com o passar dos dias a sensação de impotência perante o que descobri foi diminuindo, agora já sorrio pelo menos sempre que o Ruben se coloca a ter infindáveis conversas com os nossos minimeus, anda cada dia mais babado e orgulhoso da minha barriga de 15ª semana. Quem se farta de gozar com a cara dele são os colegas ainda assim o meu amor não muda em nada e faz com cada figurinha quando resolve começar a mimar-me que só contribui para que as gargalhadas apareçam.
Hoje acordei com um mau humor daqueles, talvez por ter acordado sozinha e com a sensação que a nossa ida a Lisboa não irá correr como o planeado, apesar de ter pedido encarecidamente à Ana para não abrir a boca...

Como irá correr a consulta?
Será que vão descobrir o sexo do outro minimeu?
Irá a Mariana encontrar algum dos elementos do clã Mendes?

sábado, 6 de julho de 2013

080 - " Ela é um bocado de mim eu nunca soube o que é viver sem a ter ao meu lado!"

(João)
Dias depois de regressar a Valência fui informado pela Maria que tínhamos sido capa de uma revista, ao que parece a ida da Maria ao aeroporto foi registada e um resumo da nossa historia bastante verídico e com alegadas fontes algo que deixou a Maria um pouco chateada por se sentir traída por um amigo/a, confesso que também fiquei um pouco desapontado, mas nada de especial.
Os dias foram passando e a Maria ia-me mantendo a par de todas as novidades quanto às “obras” da nossa casa. A Maria andava ansiosa pela próxima visita da prima, é impressionante como estas duas não conseguem viver longe uma da outra muito tempo, são primas mas parecem gémeas siamesas!
O dia da ida do Ruben e da Mari a Lisboa chegou e quando ao fim do dia e por ainda não ter noticias de nenhum dos 3 resolvi ligar ao Ruben por achar que as primas estariam ocupadas de mais a babarem a barriga uma da outra sou surpreendido com a informação de que já estavam de regresso a Braga. De imediato liguei para a Maria e não gostei muito do que ouvi.
A Maria estava preocupada porque a Mariana estaria em Lisboa e ainda não lhe tinha dito nada, enquanto que eu já tinha falado com o Ruben, sabia que a consulta tinha corrido bem e que um dos “monstrinhos” como a Mariana os apelidou será um menino mas também tinha percebido que algo estranho se passava o Ruben estava esquisito e já tinham regressado a Braga mesmo sem terem dito nada à Maria, contei-lhe tudo o que sabia e a Maria ficou preocupada com a prima e estranhou imenso, mas para não a deixar ansiosa acabei por mudar o tema da conversa para o desenrolar da decoração da nossa casa e como estava a nossa pipoquinha.
Mantive com o Ruben o contacto que sempre tive uns e-mails, umas bocas nas redes sociais e uns jogos on-line e claro uns telefonemas, mas notava-o pouco comunicativo, ele por nós perguntava queria saber tudo, sobre a carreira também falava sem problemas, mas se lhe perguntava pela Mariana e pelos “monstrinhos” ele começava a engasgar-se
- Oh puto vais continuar a engasgar-te sempre que te pergunto pela Mari?!
- Eu não me engasgo quando perguntas por ela!
- Nãaaa agora isso! 
- Oh pá ela tá bem e os meninos também!
- E porque é que não atende o telefone à Maria?
- Eish sei lá! Isso são coisas delas!
- Não vais falar mesmo pois não?!
- E o meu afilhado como está? - mais uma vez ele desconversou e eu não insiti, quando quiser ele sabe que pode falar
Os dias foram passando tudo sempre com o mesmo ritmo e com a Maria dia-a-dia a ficar mais triste, não sabia o que poderia fazer para anima-la ainda por cima com tantos km’s de distancia.

(Maria)
Assim que desliguei a chamada do João liguei para a minha prima que tinha o telemóvel desligado, deixei-lhe uma mensagem no voice mail e fiquei ainda mais preocupada, tentei ligar ao Ruben, mas o telefone chamou... chamou e ninguém atendeu
 "Ruben o que se passa? Vocês estiveram cá e não disseram nada! A minha prima tem o telemóvel desligado, tu não atendes... e o João disse-me que falaste com ele... Ruben por favor assim que puderes diz-me alguma coisa! Estou super preocupada!!"
Deixei mensagem também ao Ruben e passei a noite acordada na esperança que algum dos dois me dissesse algo, tendo mesmo indo tentando ligar para a minha prima que mantinha o telemóvel desligado.
Quando a hora de acordar chegou eu ainda nem tinha dormido. Acabei por tomar um duche rápido e seguir para o escritório
- Bom dia - cumprimentei todos assim que entrei, algo que faço normalmente, mas desta vez
- Bom dia Maria tudo bem? - a Cristina recepcionista olhou-me admirada
- Sim e contigo?
- Está tudo bem, mas tu não pareces nada bem!
- Não dormi nada... olha sabes se a minha prima ontem passou por cá?
- Que eu tenha visto não...
- Ok... vou para o meu gabinete...
- Se precisares de alguma coisa diz, é que não tás mesmo nada com boa cara
Apenas acenei afirmativamente com a cabeça e segui para o meu gabinete assim que lá entrei fui imediatamente ver o meu e-mail e ainda as redes sociais para ver se tinha alguma noticia da minha prima já que o seu telemóvel continuava desligado e o Ruben também ainda não me tinha respondido, mas também nada. Fiquei a manhã toda lá fechada a resolver questões que tinha pendentes, mas sempre com uma sensação esquisita e com a Mariana no pensamento, por isso perto do fim da manhã liguei para a Ana
- Olá mamã!
- Olá tia Ana!
- Que vozinha é essa? Passa-se alguma coisa?
- Não sei... diz-me tu!
- Eu?!
- Sim... a minha prima não teve consulta contigo ontem?
- Teve... e?
- E ela não me disse nada ontem, e tem o telemóvel desligado e o Ruben não me atende... falou só com o João... Ana diz-me que não se passa nada com a minha prima e que eles estão a esconder-me para não me enervar!
- Maria calma!!! A tua prima está óptima ! Saiu daqui a comentar que estava com saudades tuas e que queria ver a pipoquinha por isso o que me estas a contar é tão esquisito para ti como para mim, mas podes ficar descansada que está tudo bem com ela e como sei que não é quebra de sigilo posso dizer-te que o Guigas vai ter pelo menos mais um pilas para brincar que o outro não consegui ver! - depois gargalhou - Oh Maria já sei o que se passa!
- E estás à espera do quê para me dizeres? 
- A tua prima e o Ruben andavam com falta de exercício físico, cá pra mim estão a recuperar o tempo perdido por isso não te dizem nada!
- Será?! E achas que iam para Braga? Até ai no parque de estacionamento eles tratavam disso!! - acabei a gargalhar também - mas sim tem lógica que seja isso, mesmo assim continuo preocupada!
- Deixa-te de coisas! Olha como está a decoração da casa?
- A andar, mas falta ainda umas coisinhas e todo o quarto do Guilherme!
- Se quiseres ajuda...
- Claro que quero!! Quando é que tens tempo?
- Para o almoço hoje! E ai podemos marcar o resto!
- Ok combinado - acabei por aceitar o almoço, para arejar a cabeça e esquecer que a Mariana me estava a deixar em pânico só para temperar o corpo! - no sitio do costume às 13h?
- Oh yes!
Assim que desliguei a chamada, batem-me na porta
- Entre
- Bom dia Sobrinha! Bom dia Guigas!
- Sobrinha?! - franzi o sobrolho afinal estávamos “ao serviço”
- Sim venho como tio posso?
- Podes... 
- O que se passa?
- Nada! Isto está tudo parado! - fiz uma careta
- E é por isso que estás com essas olheiras e essa carinha?
- Ah... isso...
- Sim isso...
- A Mari veio ontem a uma consulta com a Ana e voltou com o Ruben para cima e nem uma sms me mandaram e para melhorar a Mari tem o telemóvel desligado e o Ruben não me atende! - ele olhou-me com duvida como quem diz “estás a exagerar” - e sim não me atende porque com o João falou! E eu falei com a Ana sei que tá tudo bem com os bebés, mas a Mari não quer falar comigo - estava a falar com o meu tio e as lágrimas corriam, realmente as benditas hormonas e este feeling de que algo de anormal se passava estavam a dar cabo de mim
- Então Maria o que é isso?? A tua prima e o Ruben já sabemos que são assim de flashes, devem tar a armar alguma maluquice das deles e tu vais ser a vitima, vais ver que quando te disserem alguma coisa vai ser “bombástica” de certeza
- É talvez... -enquanto falava tentava mais uma vez sem sucesso ligar para a minha prima - ... mas que não é norma ela estar tanto tempo com o telemóvel desligado desculpa mas não é!
- Ei... eu já lhe ligo agora tu acalma-te se fazes favor porque se os “monstrinhos” estão bem o Guigas não tarda nada fica mal! - falou sério - vá pega lá na mala e vamos almoçar, a tua tia vai adorar ver-te!
- Obrigada pelo convite, mas combinei almoçar com a Ana, preciso de umas opiniões para o quarto do Guigas, tinha pensado que a Mariana ia ontem comigo às compras... assim tenho mesmo de aproveitar o tempinho que a Ana tem livre...
- Só desculpo a nega porque vais arejar a cabeça! - levantou-se e quando ia a sair - Eu vou ver se consigo falar com a tua prima, e tu se entretanto falares diz-me qualquer coisa
- Ok... Tio? - ele olhou novamente para trás - O que se passa contigo? Sim que se eu tou com má cara tu...
- És tu preocupada com a tua prima e eu com o teu tio Manuel!
- O que se passa?
- Nada Maria, nada... - acabou de falar e fechou a porta de forma a cortar a conversa afinal ele sabia que aquela resposta era tudo menos convincente e eis que mais uma duvida se levanta na minha cabeça, será que a Mariana e o pai...?! Não ela se não falou comigo ainda menos falou com ele, não é? É Maria, é! 
Peguei na mala e rumei até à zona de Belém onde me encontrei com a Ana numa das esplanadas junto ao rio.
- Olá!!! Como vai a pipoquinha da tia? Está quase a ir fazer uma visita para a tia te ver!
- É... prá semana - mostrei-lhe a língua
- Como é que estás?
- Bem! Sem enjoos e com muito poucos desejos, em compensação as costas...
- O normal portanto - riu - mas estava a falar dos teus nervos, já tás mais calma? Já falaste com a maluquinha?
- Não... ainda não falei e não é normal ela ainda ter o telemóvel desligado e o Ruben a mim não me atende, mas falou com o João! 
- Maria tem calma, vais ver que devem tar a armar para cima de ti, sim que aqueles dois em silencio é sinonimo de asneirada! - gargalhei - onde está a piada?! Estou a falar a sério!
- Eu sei, mas o meu tio Jorge disse-me exactamente o mesmo! Espero que tenham razão!
- Vais ver que temos razão e que tu é que estás a fazer uma tempestade num copo de água. E acabou aqui o tema Mariana! Agora quero saber de ti, de ti e do João, do João e de ti... E vá da pipoquinha também - falou a rir
- Eu estou aqui, o trabalho está o normal, a pipoquinha está o bem, acho eu... E o João está em Valência , ainda não sabe se pode vir na próxima consulta e tirando isso também está tudo bem. Mas preciso muitoooo da tua ajuda preciso de uma opinião sobre a casa e de ajuda com o quarto do Guigas porque o menino João tudo o que lhe mostro, sim q passo a vida a tirar fotos ou a procurar catálogos online para lhe mostrar as coisas e depois ele diz-me que sim a tudo!
- E estás a queixar-te quer dizer que tens bom gosto!
- Não quer dizer que ele se está a marimbar porque no outro dia fiz o teste mostrei-lhe várias coisas para meter no mesmo sítio todas diferentes e nenhuma ficava bem com as outras e ele disse-me que ia ficar um conjunto espectacular! Achas normal?!
- Acho... Estamos a falar do João! - disse a rir
- Ok tens razão! - acabei a rir também
O resto do almoço continuou todo.neste clima de conversa calma e divertida e sempre fiquei a saber em primeira mão que os meus amigos iriam dar mais um passo e viver juntos também eles
- E um jr vosso é para quando??
- Ei calma aí com os cavalos!!
- Não queres?
- Quero mas ainda é cedo! 
- Cedo?? 
- Sim ao contrário de uns e outros eu e o Fábio não temos um amor desde a adolescentes! Estamos ainda muito atrás no que toca a pontos de relação comparando com vocês...
- Oh sim porque eu e o João estávamos num lindo ponto quando isto - aponte para a barriga - aconteceu 
- Isso só aconteceu porque vocês estavam no ponto certo - disse a rir
Corremos todas as lojas de decoração infantil e acabei mesmo por arranjar todo o quarto do Guigas.
Os dias foram passando, a consulta com a Ana correu bem, tudo como esperávamos, o João conseguiu vir e por isso estreamos finalmente como deve ser a nossa casinha com as nossas coisas. Fizemos um jantar para a família e para os amigos mais chegados, para variar a minha prima apesar de já ter ligado o telemóvel não atende as minhas chamadas e não responde a mensagens, por isso no dia que fiz o jantar e que de Braga apenas o João recebeu uma sms que dizia
"Que este seja o primeiro de muitos e felizes jantares na vossa casa. Que essa seja o quartel general de uma família que aqui o tio Ruben quer que seja enorme! Bjs e abraços ass. Ruben, monstrinho e  indefinição"
apesar do que me custou deixei de ser eu a tentar provocar qualquer contacto.
Uns dias depois quando chego à empresa a depois do almoço Cristina chama-me
- Oh Maria, desculpa sei que não tenho nada com isso, mas o que é que a tua prima vai fazer agora?
- Fazer agora?! A minha prima? Do que é que estás a falar?
- Tu não sabes? A tua prima enviou por correio registado a carta de demissão! O teu tio recebeu-a hoje
- Tens a certeza?
- Absoluta, fui eu que a recebi!
- O meu tio está no gabinete dele?
- Sim...
- Então não deixes ninguém lá entrar nem passes nenhuma chamada a não ser que seja da Mariana ou que eu te diga o contrario ok?
- Está descansada.
Assim que ela concordou comigo entrei de rompante no gabinete do meu tio, nem bati na porta e ele olhou-me com ar reprovador ignorei-o e quando vi que tinha uma folha A4 na mãe retirei-a bruscamente
- MARIAAAAA!!!
- MARIA UM OVA! TU SABES O QUE SE PASSA! - ele baixou a cabeça, como que assumindo - E NÃO TENS UM PINGO DE REMORSO POR SABERES QUE EU ESTOU ASSIM SEM SABER DE NADA? - sentei-me e respirei fundo quando senti o Guigas agitado, ele apenas me olhava - Tu sabes o que eu tenho passado, que não percebo porque ela se afastou de tudo e todos, mas principalmente porque se afastou de mim! De mim Tio! Porquê?! FALA!!!! DIZ-ME POR FAVOR! - voltei a sentir o Guilherme agitado e ao jogar a mão à barriga como forma de o acalmar finalmente provoquei uma reacção do meu tio.
- Maria desculpa mas não posso! - olhei-o incrédula - Desculpa, não me olhes assim e por favor acalma-te olha o menino! - tentei falar - Maria eu sei o que se passa, mas não posso... tem de ser a tua prima a falar. Tem de ser ele a organizar os seus pensamentos e os sentimentos e depois sim falar com quem ela achar que deve falar
- E eu?! E o Guigas?? Sabes que ela é a madrinha?? Será que ainda é? Ou terei de escolher outra pessoa? E eu ela ainda me quererá para madrinha de um dos monstrinhos? Oh tio... por favor!
- Desculpa Maria, mas não posso - levantou-se e depois de pegar em todas as suas coisas - Agora se não te importas vou até Braga resolver um problema contratual com uma das nossas funcionarias.
Acabou de falar e saiu porta fora. Acabei por segui-lo e só parei no meu gabinete onde liguei ao João que acabou por ficar tão surpreendido como eu, mas que me aconselhou o mesmo que o meu tio, dar tempo à Mari para que ela organize o que precisa organizar.
Passaram-se mais duas semanas e estava eu a meio do estudo de um processo que poderia estourar a qualquer momento quando o meu tio me entra pelo gabinete a dentro, ele que desde que me confessou que sabia o que se passava, mas não me contava eu, evitava a todo o custo tendo mesmo lhe dito que só me dirigisse a palavra quando me quisesse contar o que estava a acontecer à nossa volta
- Maria temos de falar - olhei-o na expectativa
- O que é que aconteceu?!
- A tua prima... - assim que ele tocou na Mariana o meu coração disparou
- O que é que ela tem? É grave? Os bebés? FALA!!!
- Eu já sei, como tu sabes, porque é que ela cortou relações contigo, comigo e com o resto da família. Maria a tua prima ouviu uma conversa entre mim e o tio Manuel em que ele me confidenciava que ele não é o pai da Mariana...
- Ela ouviu o quê?!
- Calma Maria... É parece que o teu tio guardou este segredo todos estes anos... 
- E ela não me diz nada?! Ela deve estar desfeita! Eu devia estar ao pé dela! Ela é mais que minha prima! Ela é um bocado de mim eu nunca soube o que é viver sem a ter ao meu lado! Estes dias tem sido horríveis, eu preciso dela e agora estás-me a dizer que ela de certeza que precisa de mim... 
- Maria a tua prima acha que a vida dela é toda uma mentira e recusa aceitar continuar a fazer parte da família... Para ela se o sangue não é o mesmo então não é família...
- O quê??? Estás a dizer-me que ela apagou tudo o que viveu porque os pais lhe mentiram?! E eu? Eu também lhe menti?? Ah já sei ela é que me mentiu... vivi 28 anos a acreditar que ela também gostava de mim como uma irmã e afinal já que o sangue não é o mesmo... - as lágrimas rolavam, mas só agora a ficha caiu - O tio Manuel não é pai dela? Como é que é isso?!
- Maria é a vida dos teus tios, mas muito resumidamente o teu tio e a tua tia sempre foram muito amigos e quando o namorado dela a abandonou grávida o teu tio não pensou duas vezes em assumir esse bebé... Maria pelo que o teu tio me contou ele sempre amou a tua tia e a tua prima apesar de não ser sangue do seu sangue é o maior tesouro do teu tio que sempre a quis proteger como sempre achamos de forma exagerada para que ela não passasse pelo mesmo que a tua tia passou! - fui ouvindo o meu tio e a forma como tentava justificar o irmão
- E agora com a Mariana grávida ele lembrou-se de soltar a bomba??
- Não Maria, o teu tio ao fim de 28 anos desabafou pela primeira vez com alguém... comigo e ao que parece a Mariana ouviu toda a conversa...
O meu tio acabou por receber uma chamada e deixou-me sozinha
- Amor! - falei entre lágrimas
- Maria o que se passa?
- Já sei porque a Mariana, não quer falar comigo...
- Já? O que se passa?... Maria fala estás-me a deixar nervoso!
- A minha prima descobriu que não é filha do meu tio!
- O quê?
- Ao que parece a minha tia foi abandonada gravida e o meu tio que alem de amigo já era apaixonado por ela assumiu-a a ela e à bebé!
- Bem que historia!
- E agora a Mariana meteu na cabeça que a vida dela foi toda uma mentira e que como não somos do mesmo sangue afinal não somos família!
- É o quê??
- Isso mesmo! A Mariana apagou-me da vida dela só porque não tenho o mesmo sangue que ela! - cada vez que repetia esta realidade sentia uma facada no peito e o choro só aumentava
- Maria, calma amor olha o menino! A tua prima rebentou-lhe uma bomba nas mãos... e que bomba... - só consegui-a soluçar - amor fazes-me um favor?
- Diz?
- Liga à Ana, vai ter com ela! Fala com ela... amor faz-me esse favor... para eu ficar descansado aqui...
- Sim... preciso mesmo falar com ela!
- Óptimo tenho treino agora, mas assim que acabar ligo-te! Beijinhos para ti e pro campeão! Amo-vos!
- Beijinhos grandes!! Nós também te ama-mos!
Fiz o que o João e que me pediu e que eu sabia que seria o mais correto já que depois do João e da própria Mariana a Ana era a minha confidente.
Liguei-lhe e fui ter com ela acabei por lhe contar tudo, ela como todos nós ficou super espantada e depois de me acalmar aconselhou-me a falar com a Mariana e quando lhe pedi que me dissesse quando era a próxima consulta que a Mariana teria ela recusou-se alegando o segredo profissional.
Mas eu teria de arranjar uma maneira de saber, nem que tivesse de me fazer passar por ela numa chamada para o consultório.

(João)
Assim que desliguei a chamada da Maria, como ainda tinha meia hora até ao treino liguei para o Ruben
- Puto a que devo chamada a esta hora?
- A Maria já sabe o que se passa o Jorge contou-lhe, ela ligou-me agora desesperada porque a Mariana a apagou da vida dela
- Eish oh João! Isso não é assim...
- Eu imagino que não, mas explica isso a uma das Primas Mendes com as hormonas aos saltos a ver se consegues
- João as primas Mendes já não existem!
- Oh Ruben!
- João a sério... a Mariana bloqueou mesmo toda a família e o assunto é completamente proibido! Ainda outro dia quando foi o jantar em vossa casa, tentei falar com ela para irmos, mas ela recusou-se a sequer tocar no assunto!
- A Maria só vai aceitar isso dito pela Mariana! Aliás isso e já agora que também não será a madrinha do Guilherme!
- Ei... vocês já tem padrinhos novos para o miúdo?
- Nós não! Mas se a Mariana não quer saber de nós...
- Deixa-a acalmar e depois elas logo falam... a Mariana no outro dia não se apercebeu que eu a estava a ver e estava a olhar as fotos que tem com a prima no telemóvel, ela tem saudades, mas não está a saber lidar com isto tudo... são 28 anos a acreditar numa coisa que afinal.... 
- Achas que não podemos mexer uns cordelinhos para elas se encontrarem... assim sem querer?
- Achar até acho... mas como? A Mariana não sai daqui por razão nenhuma a não ser a consulta na Ana
- É isso mesmo!!! Quando é a próxima consulta?
- Tenho de confirmar porquê?
- Porque a Maria, podia ir ao consultório da Ana exactamente nesse dia...
- É isso!! Eu vou ver quando é a consulta e depois digo-te!
- Obrigado! E como tá o ambiente?
- A Mariana está a começar a relaxar...
- E vocês e o meu afilhado?
- Tá tudo bem, tirando o stress da Maria... bom tenho que desligar que vou começar aqui! Não te esqueças de dizer a data
- Vai lá que eu também! Já te mando uma mensagem!
Desliguei a chamada com o Ruben e depois do treino liguei para a Maria que estava mais calma depois de ter falado com a Ana e quando lhe contei a conversa com o Ruben deixou de estar stressada com a tristeza de não saber o que a prima tinha pela ansiedade de colocar em pratica o plano de encontro com a prima.
Os dias passaram dentro da mesma rotina e o dia da consulta da Mariana em Lisboa chegou. Esperava ansioso pela chamada da Maria a contar-me o que se teria passado, mas quando atendi o telefone ia morrendo.

O que será que aconteceu para que o João fique assim ao atender a chamada?
Como correrá o encontro entre as primas?