Ruben
Ver o sorriso da Mari quando percebeu que a casa que gostou será a nossa casa foi único mas as gargalhadas que deu enquanto fui mostrando cada divisão foram ainda mais gratificantes.
O jantar decorria dentro da normalidade possível, com a Mariana a provocar-me constantemente quando e sem que nada o previsse ouvi-a a confessar que está farta de estar grávida
- Oh mor…
- Que foi? É verdade! Fogo já nem uma podemos dar sem que seja com todo o cuidado do mundo - suspirou
- Não estás satisfeita, é isso?
- Não… estás a dar bem conta do recado se é isso que queres saber mas porra tenho saudades de algo mais físico, mais intenso… sei lá mais nosso e não tanto de Florzinhas! - gargalhei - Não tem piada! Sinto-me cada vez mais uma incubadora de duas sanguessugas que ainda por cima têm vontades próprias que vão contra as da mãe delas! Sim que quantas e quantas não são as vezes que me apetece mas que depois chego ao pé de ti e só de olhar-te perco a vontade… e isto tudo porque senti um pontapé… como quem diz estou acordada… raios das sanguessugas!
- Mariana… - olhou-me - mor não digas isso - desviou o olhar o que fez com que esticasse o meu braço e lhe agarrasse na mão - não tenho a mínima ideia do que é não termos controlo no nosso próprio corpo e vontades mas não fales assim das nossas pulguinhas - o meu amor gargalhou
- Ruben tens noção que uma pulga não deixa de ser uma sanguessuga, não tens! - acabei a rir também
- Mas pulguinhas sempre é mais fofinho que sanguessugas! - argumentei e a resposta veio de imediato
- Bebe água também é mais fofinho que Ruben e o menino detesta que o chame assim!
- Andas com uma definição de “fofinho” um bocado alterada, não? - voltou a rir
- Para mim é fofinho porque a tua alcunha de Bebe água traz-me recordações memoráveis! - gargalhou - Lembras-te do que me ri quando descobri que era assim que os teus colegas te chamavam dentro de campo?
- Lembro… ó se lembro… passaste os meses seguintes a chamar-me assim, independentemente de quem estivesse ao nosso lado!
- Tens noção que só o fazia porque detestavas, não tens?
- Tenho… sempre adoraste atrofiar comigo!
- É… mas isso não impediu que ficasses de beicinho por mim! - atirou convicta
- O que queres? És irresistível - sorriu
- Mor acho que nunca te perguntei mas o que fez com que te apaixonasses por mim?
- Sinceramente?
- Sim!
- Não sei…
- Isso não é resposta!
- Oh mor foi algo que aconteceu naturalmente mas que tentei não dar importância, achava que nunca teria qualquer hipótese porque era só o teu “mano”...
- E quando é que percebeste que o que sentias por mim era mais que amizade?
- Sempre pensei que tivesses sido algo gradual mas hoje sei que foi praticamente desde o principio - olhou-me surpreendida - Lembraste daquela tarde em que fui ter com o João à vossa escola e que acabaste por nos convidar para almoçar na tua casa?
- E que tentaste recusar mas que o João não deixou! - sorriu - E também recordo que ficaste todo envergonhadinho quando a Maria e o João foram até à casa da minha prima buscar a play… - interrompi
- Pudera quando dei por mim já te tinha no meu colo e a beijar-me - sorriu
- Não resisti… mas ainda não respondeste à questão que te fiz!
- Ainda não paraste de interromper-me - voltou a sorrir - mas para esclarecer a curiosidade da menina, foi nesse dia que comecei a olhar para ti com outros olhos, ainda que de forma inconsciente, não sei se te recordas mas depois de nos termos beijado quando ficamos a sós, o João acabou por vos convencer a irem ao nosso treino e foste mudar de roupa mas como nunca mais regressavas, fui chamar-te e quando entrei no teu quarto vi-te sem camisola, algo que mexeu comigo, desde esse dia que passei a olhar-te de outra forma - admiti e a reação da Mari foi novamente uma gargalhada para depois
- Queres com isso dizer que te conquistei porque viste-me só em soutien!
- Não quero dizer que pela primeira vez dei comigo a apreciar o corpo de uma miúda e a ter calores estranhos! - voltou a rir
- Ainda assim precisaste de meses para tomares a iniciativa de beijar-me… - gargalhei e mais uma vez recordei a noite em que fiz dezoito anos - o mesmo tempo que levei para te sentir excitado?
- Oh Mariana! - gargalhou - Não fiquei propriamente excitado - sorriu - e também foi a primeira vez que dormi abraçado a uma miúda, resumindo e concluindo foste a minha primeira em tudo
- Como? - olhei-a sem entender - Esclarece lá isso de ter sido a primeira em tudo!
- Qual é a parte que não percebeste?
- Olha a parte do TUDO!
- Então… foi contigo que tive a minha primeira relação, foste a primeira com quem partilhei cama, a primeira e única que amei, a primeira que beijei…
- Parou tudo que já chegaste onde queria! - olhei-a - Se bem me recordo na altura afirmaste que não tinha sido a primeira miúda que beijaste!
- E tu acreditaste nisso?
- Acreditei! E agora estou ofendida! - gargalhei
- Deixa de ser exagerada… só menti para a vergonha não ser ainda maior - a Mariana sorriu
- Eras mesmo um menininho quando te conheci!
- É… - a Mariana baixou o olhar - O que foi?
- Oh… foi comigo que começaste mas não foi comigo que… - calou-se mas percebi perfeitamente ao que se referia
- Ganhei experiência! - olhou-me - Sim de facto não foi contigo que adquiri certos conhecimentos mas sem dúvida que foi contigo que os testei até ao limite, não aprendi contigo mas reaprendi ou melhor descobri o que é ter um verdadeiro orgasmo - olhou-me chocada o que fez com que gargalhasse - oh mor é verdade… contigo é tudo diferente, muito mais intenso, a forma como nos entregamos sem pudores um ao outro é única e isto porque nos amamos.
- É…
A conversa continuou connosco a relembrar os primeiros meses depois de nos conhecermos e em determinado momento
- E lembraste daquele dia que foste comigo para a borga porque em conversa falei que ia sair sozinha uma vez que a minha prima não tinha coragem para sair de casa às escondidas dos meus tios?
- Lembro… faz hoje precisamente anos… meteste na cabeça que ias festejar o dia dos namorados independentemente de não teres nenhum - sorrimos - mas a Maria não alinhou porque os teus pais te proibiram de sair e como iam às escondidas ela não quis… sempre foste louca mas fugires de casa acho que supera tudo…
- Oh não fugi! Ausentei-me por umas horas!
- E obrigaste-me a mentir à minha mãe… tive de dizer que ficava a dormir na casa do João… tive foi muita sorte dela não ligar para casa dos pais dele para falar comigo!
- Não te obriguei a mentir… muito menos a ires comigo!
- Ya… mas não podia deixar-te ir sozinha… - a Mari sorriu
- Estás arrependido?
- Se queres saber sim! Arrependo-me de não ter aproveitado de outra forma… afinal acabei a noite no teu quarto e na tua cama… se naquela altura soubesse um oitavo do que sei hoje... - gargalhamos - teria sido uma noite memorável!
- É… mas deste luta! Primeiro que te conseguisse convencer a entrar…
- Oh mor convínhamos… estavas literalmente a meter-me na mira do caçador… se o teu pai nos tivesse apanhado…
- Então se nos tivesse apanhado ficava muito mais descansado… afinal a filha estava com o seu mosqueteiro… com o menino certinho…
- Opa agora que estamos a falar nisto não sei o que me passou pela cabeça para me deixar convencer por ti…
- Ai não sabes? Deixa-te de falsos moralismos! Ruben ambos sabemos bem o que foi aquele último ano…
Acabamos a gargalhar… sim de facto desde que fiz os 18 até à noite do baile tanta coisa se passou… mas isso são recordações que estão guardadas a sete chaves…
- Fónix como é que conseguimos ser tão burros…
- Pois não sei… - suspirou e saiu do seu lugar para se vir sentar ao meu colo - mas sei que neste momento quero uma noite como aquelas que me deste quando éramos dois putos… quero e preciso de sentir toda aquela segurança e paz interior que me davas…
- Oh mor - abracei-a e a Mariana deitou a cabeça no meu ombro, ficamos remetidos ao silêncio e minutos depois senti a minha camisola a ficar molhada, olhei-a e comprovei que chorava silenciosamente - anda…
A Mariana não disse nada, levantou-se e seguiu abraçada a mim até ao nosso quarto. Abri a cama e vi-a deitar-se tal como se deitou tanta vez no passado… vestida e em posição de conchinha… descalcei-me e aproximei-me, acolhendo-a nos meus braços e foi assim que adormecemos…
Maria
O João apareceu de surpresa na loja, mas só de o ver os meus pensamentos já se ocuparam de 1001 ideias assim que tive oportunidade arrastei-o para o meu escritório já a imaginar como o poderia levar à loucura, sim que eu só preciso que ele lá chegue para ser certinho que também chego, acho que nunca me deixou sem ser completamente satisfeita, mas ao contrario do que esperava ele cortou-me as intenções e acabei sentada do outro lado da secretária a ouvir tudo o que me queria dizer terminando com uma ameaça de que ou era tudo ou nada. Fiquei em pânico, não o posso perder e por isso, resolvi demonstrar o que queria da única forma que conseguia no momento, mimando-o até o deixar louco.
Sei que ando insaciável e por isso mais arrojada fiz tudo o que poderia fazer naquele escritório e mais alguma coisa até que terminei e dei comigo a recuperar energias aninhada no corpo dele, os carinhos eram muitos e confesso que me senti radiante por não o rejeitar, até que
- Fofinha… - falou-me ao ouvido -vamos vestir-nos e aproveitar que deixei os meninos em casa da minha para jantar-mos só os dois hum? - olhei-o sorri levantei-me e comecei-me a vestir, ele seguiu-me e quando estava praticamente pronta - hoje os restaurantes devem estar caoticos… vamos pra nossa casinha sim? - assim que ele falou em nossa casa só consegui ver o momento em que deixei de lá morar e tudo o que levou a que o fizesse, dai para não suportar o toque dele foi uma questão de segundos
- Larga-me!!! - falei assim que me abraçou por trás - Desaparece! - olhou-me em pânico - Quando chegar a MINHA casa quero os MEUS filhos lá!
- Maria!
- Desaparece já disse!
- Podes acreditar que o vou fazer… e ter a certeza absoluta que vou cumprir com o que disse! - saiu e eu fiquei mais uma vez desfeita em lágrimas.
Recordei toda a conversa dele esta tarde e uma coisa ficou presa na minha retina.
Voltei para casa e quando lá cheguei os meninos já lá estavam e com eles estava a Teresa
- Olá boa tarde! - cumprimentei-a como sempre
- Boa tarde… a Micas ia sair com o Rui por isso fiquei com os meninos espero que não te importes
- Oh Teresa a Teresa é da casa… - sentei-me e voltei a pensar em tudo o que aconteceu de tarde
- Maria - olhei - desculpa meter-me, mas o João deixou os meninos lá em casa para passarem a noite e depois ligou a pedir que os trouxesse, passou-se alguma coisa?
- Nada de novo… só eu que sou parva e… - comecei a chorar
A Teresa tirou-me da sala para que os meninos não me vissem naquele estado e levou-me para o quarto deixou-me chorar agarrada a ela e quando me acalmei
- Queres falar?
- Oh Teresa eu quero, juro que quero conseguir perdoar o João, mas eu não consigo! Ah sempre qualquer coisa que me faz lembrar tudo e nesse momento e nem o consigo ver na frente!
- Oh filha é normal! O que aconteceu magoou-te e reages para te proteger, tens medo que aconteça de novo… eu percebo apesar de por ti, por ele e pelos meus netos querer muito que se entendam, percebo que possas estar dividida…
Não conseguir responder apenas soluçar mais um bocadinho até que a Teresa saiu deixando-me entregue aos meus dois namorados.
A noite foi de cinema em casa e por unanimidade o filme foi o Rei Leão, fiz pipocas sentei-me no sofá com os dois que mais uma fez choramingaram com a morte do pai do Simba.
Passei pelas redes sociais era só fotografias de jantares em lugares paradisíacos ou prendas super amorosas, resolvi brincar com o assunto e tirei uma fotografia da televisão e partilhei
Fui incapaz de responder, aliás apenas consegui desligar as redes sociais e assim que o filme terminou peguei nos dois dorminhocos que nem o fim do filme viram e levei-os comigo para a minha cama…
Mariana
As recordações deixaram-me fragilizada tanto que a noite terminou sem qualquer tipo de “animação”.
Acordei e ao olhar para o lado tinha o Ruben a observar-me, sorri ao vê-lo a sorrir também.
- Bom dia minha Bela Adormecida!
- Uiii que está lamechas! - sorriu
- Lamechas e a ficar atrasado - obriguei-me a olhar para o relógio comprovando o que falava
- Dois minutos e saímos!
- Mor podes ficar… vou ao treino e depois regresso…
- Não… vou contigo! E como estás a ficar sem tempo podemos comer no Caixa…
- Queres ir ao treino?
- Sim… já não vou a um treino teu há tanto tempo…
- Bora!!
Percebi que a sugestão lhe agradou, afinal aquele sorriso de menino não engana ninguém.
Estava a descer as escadas quando tive de parar para respirar profundamente e talvez por isso ou por ter levado a mão à barriga
- Mor estás bem?
- Au…
- Estás a sentir alguma coisa?
Agarrei nas suas mãos e coloquei-as uma de cada lado, mal o fiz o Ruben sorriu
- Estão a mexer-se… - falou animado e de sorriso no rosto
- Não estão a torturar-me! - voltei a respirar profundamente
- Oh filhas - teria resmungado senão tivesse a ser brindada com pontapés - o papá gosta muito de sentir vocês mas pode ser assim uma de cada vez, não precisa ser as duas ao mesmo tempo que a mamã é só uma… - acabei por sorrir, só mesmo o Ruben… - vá lá não façam dói-dói na mamã…
O Ruben continuou a falar e coincidência ou não deixei de sentir as meninas a mexerem-se, o que permitiu que descesse o resto das escadas.
- Não preferes ficar deitada?
- Não… já passou…
Não insistiu e por isso fomos até ao Seixal, tal como tinha sugerido tomamos o pequeno-almoço no bar do Caixa e quando o estávamos a fazer o mister apareceu
- Bom dia - falou, ao qual o Ruben respondeu cordialmente e depois olhou-me
- Bom dia… - rosnei… sim rosnei literalmente e o mister continuou caminho
- Podias ter sido mais simpática!
- Desculpa? Lá que tenhas de ser cordial até entendo e apoio agora não me metas no mesmo saco… gosto tanto dele como um cão gosta de um gato! - o Ruben riu
- Não sejas assim… mor sabes perfeitamente o que se passou - olhei-o - atitudes dessas entendo e respeito às pessoas que não sabem o que se passou agora de ti custa um bocadinho a engolir!
- Ei parou! Muito antes de ires parar a Braga já o detestava… o homem todo ele é um atentado à minha sanidade mental… aquele cabelo mete medo… aquele jeito muito próprio de mastigar pastilha enoja-me e a forma como se exprime verbalmente deixa-me com urticária…
- Oh Mariana hoje estás no ponto!
- Tio?!
- O que é que está aqui a fazer?
- Assuntos profissionais… toma Ruben! - o meu tio colocou um envelope A4 na mesa e assim que o largou agarrei nele imediatamente - Isso não é teu Mariana!
- O que é do Ruben é meu também! - resmunguei e abri o envelope
- Ruben… não te impões? - o meu amor que estava a comer tranquilamente falou após engolir
- Jorge cada macaco no seu galho! Na sua casa manda você na minha… manda a sua sobrinha - gargalhei prazerosamente ao ouvi-lo
- Tome embrulhe! - retorqui
- Vocês dois realmente…
- Oh mor vais retomar os projetos de solidariedade? - questionei depois de ter percebido que o conteúdo do envelope era relacionado com os “Sorrisos Perfeitos” - E desde quando é que o tio serve de pompo correio?
- Oh Mariana hoje estás impossível! Marcação cerrada!
- Aiiii não quer responder não responda… se quer mesmo saber enfie as informações privilegiadas num sitio que eu cá sei! - o meu tio olhou-me escandalizado mas não teve tempo para reagir porque - Oh paixão - fiz sinal ao Rui que se riu
- Diz…
- A noite correu bem? Trataste a Micas como uma rainha? Onde é que a levaste mesmo a jantar?
- Sim a noite correu bem… não tratei a Micas como uma rainha ontem porque já a trato todos os dias e quanto ao local onde jantamos… lamento mas não te vou dizer porque depois já sei que tenho contar onde é que comemos a “sobremesa” - gargalhei
- Vês tio… aprende com o Rui… é assim que a tua sobrinha fica sem argumentos…
- Oh Ruben estou a ver que não a cansaste o suficiente… - o João que apareceu nas minhas costas mandou a farpa mas
- E tu abusaste o suficiente da minha prima?!
- Eich… oh mor - olhei para o Ruben - isso é considerado uma entrada a pés juntos!
- Temos pena… quem tem telhados vidros o melhor é não os pisar…
A animação continuou até ao momento que os rapazes tiveram que recolher ao balneário mas antes de se afastar o Ruben pediu-me para olhar com mais atenção para os papéis que o Jorge entregou de forma a fazer uma pré-selecção, uma vez que o Ruben não pode realizar todos os desejos e muito menos todos ao mesmo tempo…
Enquanto o menino esteve a treinar, tentei fazer a triagem que pediu mas confesso que não consegui, isto porque não consegui ficar muito tempo na mesma posição, parece que as gaiatas não estavam com muita vontade de ver o pai treinar e também porque fui invadida por uma recordação
Estava sentada nas primeiras filas e assim que entraram para o aquecimento, o Ruben sorriu ao ver-me e o pensamento que tive foi “é mesmo menino”... o jogo correu bem, afinal ganharam e no fim mandei sms a avisa-lo que o esperava no café do costume.
- Oi… - deu-me um beijinho
- Parabéns… - olhou-me - grande jogo… tiveste super bem!!! - gargalhou
- Até parece que percebes alguma coisa de futebol para falares que fiz um bom jogo! - dei-lhe um soco no braço - Auuu
- É para aprenderes a não gozar comigo… tá uma gaja a ressacar da excelente noite que teve e faz o sacrifício de vir ver o menino jogar e ainda tem de ouvir insultos!
- Não te insultei - ripostou - e se é um sacrifício muito grande estares comigo nem sei porquê que vieste!
- Shiiii como isto está hoje… tá sensível o menino… isso é falta de gaja! - suspirou
- Para ti resume-se tudo a sexo…
- Oh se resume… e ontem tive cá uma noite… aiiii que aquele merece uma medalha…
- Às vezes és tão estúpida! - olhei-o - E podes ficar ofendida que não me importo! És estúpida sim… és estúpida porque não dás valor a nada e usas o teu corpo de uma forma… - interrompi-o
- Tu vê lá o que vais dizer! - olhou-me - Sou livre para fazer o que quiser do meu corpo!
- Pois… livre és… mas lamento informar o corpo não é teu… é de todos os que querem abusar de ti! E és tão estúpida que não percebes isso…
- Sou estúpida, sou… e é por estar aqui contigo - agarrei na minha mala - FUI!!!
Deixei dinheiro em cima da mesa e bazei, não estava para o aturar. Dei uma corrida para apanhar o autocarro mas infelizmente não consegui
- MERDA!!!!
Estava a barafustar quando um carro parou bem do meu lado
- E não é que o meu dia melhorou…
Baixei-me ligeiramente e sorri ao olhar para o interior do carro
- Hum… não foi só o teu que melhorou… - dei um sorriso…
- Entra… levo-te a onde quiseres…
Abri a porta mas conforme o fiz, alguém a fechou
- Ela hoje já está ocupada! - olhei-o abismada
- E há-de ser contigo - o Paulo gargalhou, enquanto continuava sem reação, acho que estava simplesmente surpresa pela atitude do Ruben
- Anda! - agarrou-me pelo braço e puxou-me
- Larga-me! - reagi ao fim de uns passos dados
- Cala-te Mariana! Só podes ainda ter alcool no sangue… tu viste quem era? Mas tás parva ou quê? Nem morto te largo e menos ainda vou deixar-te entrar naquele carro… todos sabemos quem é o Paulo…
- Só sei o que oiço… e se quiser experimentar não és tu que vais impedir…
- A última que se meteu com ele acabou como acabou… Mariana não quero ir ao teu funeral porque morreste de overdose! - gritou-me e senti-me a estremecer que nem uma menina - Que abusem do teu corpo é uma cena que já aprendi a aceitar até porque o fazem com o teu consentimento… agora que vires uma drogada isso não… ganha juízo!
- Mas quem é que tu és… - não deixou que continuasse
- Sou teu amigo e preocupo-me contigo! Se tás com falta de sexo força… vai foder com quem quiseres menos com aquele… ele anda metido na droga é isso que queres para ti? Queres virar uma puta que vende o corpo para pagar o vício?
As palavras do Ruben feriram-me de morte… mas também me trouxeram um momento de lucidez…
- Desculpa… - olhou-me surpreendido - e obrigada… - baixei o olhar - obrigada por não teres deixado que… - senti os seus braços a envolver o meu corpo, o que fez com que chorasse… sim a Mariana toda senhora de si a chorar…
- Já passou… - limpou-me as lágrimas - mas promete que não vais fazer tamanha burrada… oh Mariana tu consegues os gajos todos que quiseres por isso não precisas recorrer aos asquerosos…
Não lhe disse nada… acho que não havia mesmo mais nada a dizer… o Ruben simplesmente trocou um abraço apertado por um entrelaçar de dedos e foi com a minha mão unida à dele que caminhei até casa… apesar dos longos minutos que tivemos pela frente…
Uma hora… uma hora foi o tempo que levamos a chegar a casa dos meus pais e durante esse tempo não ouvi a sua voz… ainda assim sabia que observava-me porque pelo canto do olho apanhei-o várias vezes a olhar-me…
Refugiei-me no meu mundo… mal entrei em casa larguei a sua mão e fui para o quarto, deixando-o para trás… estava deitada na cama quando abriram a porta
- Mari… - olhei-o e sorri, o Ruben vinha com um tabuleiro nas mãos - devo-te um lanche…
- Grande lata… tudo o que trazes aí transpira a Fernanda Mendes!!! - gargalhou
- Ok… fui apanhado… mas ficas a saber que só transpira a Fernanda Mendes porque a tua mãe não me deixou fazer nada! - defendeu-se, o que fez-me sorrir novamente, só mesmo o Ruben para fazer-me sentir assim tão bem…
A recordação não me deixou só com um sorriso bobo no rosto, afinal o Ruben sempre se preocupou comigo, deixou-me também com fome e por isso acabei por sair das bancadas e regressar ao bar, onde pedi um sumo natural e uma sandes, sim hoje acordei esganada de fome…
- Ah é aqui que te enfiaste! - sorri ao ouvir o Ruben para depois sentir os seus lábios conta os meus
- É… parece que hoje só querem comer - suspirei
- Não vais começar com as histórias que estás a ficar gorda, pois não? - gargalhei
- Não… mor podes ficar descansado que não é nada disso - puxei-o pela camisola e voltei a unir os nossos lábios
- Então o que é que se passa? Que suspiro foi aquele?
- Ah… digamos que hoje estou particularmente num daqueles dias de grávida… as filhas querem comer… a mãe está enjoada - fiz cara veia, o que provocou o riso no Ruben, bem como no João e no Rui que se tinham aproximado - as gaiatas estão para aqui a quererem festa e abanar o capacete, já a mãe delas só quer cama e que não a torturem… já para não falar das dores de costas…
- Hum… vamos então, para almoçares e descansares… ah depois do almoço faço-te uma massagem…
- Olha aí está uma grande ideia!!!
Despedimo-nos do pessoal com a intensão de irmos diretos para casa mas…
Ver o sorriso da Mari quando percebeu que a casa que gostou será a nossa casa foi único mas as gargalhadas que deu enquanto fui mostrando cada divisão foram ainda mais gratificantes.
O jantar decorria dentro da normalidade possível, com a Mariana a provocar-me constantemente quando e sem que nada o previsse ouvi-a a confessar que está farta de estar grávida
- Oh mor…
- Que foi? É verdade! Fogo já nem uma podemos dar sem que seja com todo o cuidado do mundo - suspirou
- Não estás satisfeita, é isso?
- Não… estás a dar bem conta do recado se é isso que queres saber mas porra tenho saudades de algo mais físico, mais intenso… sei lá mais nosso e não tanto de Florzinhas! - gargalhei - Não tem piada! Sinto-me cada vez mais uma incubadora de duas sanguessugas que ainda por cima têm vontades próprias que vão contra as da mãe delas! Sim que quantas e quantas não são as vezes que me apetece mas que depois chego ao pé de ti e só de olhar-te perco a vontade… e isto tudo porque senti um pontapé… como quem diz estou acordada… raios das sanguessugas!
- Mariana… - olhou-me - mor não digas isso - desviou o olhar o que fez com que esticasse o meu braço e lhe agarrasse na mão - não tenho a mínima ideia do que é não termos controlo no nosso próprio corpo e vontades mas não fales assim das nossas pulguinhas - o meu amor gargalhou
- Ruben tens noção que uma pulga não deixa de ser uma sanguessuga, não tens! - acabei a rir também
- Mas pulguinhas sempre é mais fofinho que sanguessugas! - argumentei e a resposta veio de imediato
- Bebe água também é mais fofinho que Ruben e o menino detesta que o chame assim!
- Andas com uma definição de “fofinho” um bocado alterada, não? - voltou a rir
- Para mim é fofinho porque a tua alcunha de Bebe água traz-me recordações memoráveis! - gargalhou - Lembras-te do que me ri quando descobri que era assim que os teus colegas te chamavam dentro de campo?
- Lembro… ó se lembro… passaste os meses seguintes a chamar-me assim, independentemente de quem estivesse ao nosso lado!
- Tens noção que só o fazia porque detestavas, não tens?
- Tenho… sempre adoraste atrofiar comigo!
- É… mas isso não impediu que ficasses de beicinho por mim! - atirou convicta
- O que queres? És irresistível - sorriu
- Mor acho que nunca te perguntei mas o que fez com que te apaixonasses por mim?
- Sinceramente?
- Sim!
- Não sei…
- Isso não é resposta!
- Oh mor foi algo que aconteceu naturalmente mas que tentei não dar importância, achava que nunca teria qualquer hipótese porque era só o teu “mano”...
- E quando é que percebeste que o que sentias por mim era mais que amizade?
- Sempre pensei que tivesses sido algo gradual mas hoje sei que foi praticamente desde o principio - olhou-me surpreendida - Lembraste daquela tarde em que fui ter com o João à vossa escola e que acabaste por nos convidar para almoçar na tua casa?
- E que tentaste recusar mas que o João não deixou! - sorriu - E também recordo que ficaste todo envergonhadinho quando a Maria e o João foram até à casa da minha prima buscar a play… - interrompi
- Pudera quando dei por mim já te tinha no meu colo e a beijar-me - sorriu
- Não resisti… mas ainda não respondeste à questão que te fiz!
- Ainda não paraste de interromper-me - voltou a sorrir - mas para esclarecer a curiosidade da menina, foi nesse dia que comecei a olhar para ti com outros olhos, ainda que de forma inconsciente, não sei se te recordas mas depois de nos termos beijado quando ficamos a sós, o João acabou por vos convencer a irem ao nosso treino e foste mudar de roupa mas como nunca mais regressavas, fui chamar-te e quando entrei no teu quarto vi-te sem camisola, algo que mexeu comigo, desde esse dia que passei a olhar-te de outra forma - admiti e a reação da Mari foi novamente uma gargalhada para depois
- Queres com isso dizer que te conquistei porque viste-me só em soutien!
- Não quero dizer que pela primeira vez dei comigo a apreciar o corpo de uma miúda e a ter calores estranhos! - voltou a rir
- Ainda assim precisaste de meses para tomares a iniciativa de beijar-me… - gargalhei e mais uma vez recordei a noite em que fiz dezoito anos - o mesmo tempo que levei para te sentir excitado?
- Oh Mariana! - gargalhou - Não fiquei propriamente excitado - sorriu - e também foi a primeira vez que dormi abraçado a uma miúda, resumindo e concluindo foste a minha primeira em tudo
- Como? - olhei-a sem entender - Esclarece lá isso de ter sido a primeira em tudo!
- Qual é a parte que não percebeste?
- Olha a parte do TUDO!
- Então… foi contigo que tive a minha primeira relação, foste a primeira com quem partilhei cama, a primeira e única que amei, a primeira que beijei…
- Parou tudo que já chegaste onde queria! - olhei-a - Se bem me recordo na altura afirmaste que não tinha sido a primeira miúda que beijaste!
- E tu acreditaste nisso?
- Acreditei! E agora estou ofendida! - gargalhei
- Deixa de ser exagerada… só menti para a vergonha não ser ainda maior - a Mariana sorriu
- Eras mesmo um menininho quando te conheci!
- É… - a Mariana baixou o olhar - O que foi?
- Oh… foi comigo que começaste mas não foi comigo que… - calou-se mas percebi perfeitamente ao que se referia
- Ganhei experiência! - olhou-me - Sim de facto não foi contigo que adquiri certos conhecimentos mas sem dúvida que foi contigo que os testei até ao limite, não aprendi contigo mas reaprendi ou melhor descobri o que é ter um verdadeiro orgasmo - olhou-me chocada o que fez com que gargalhasse - oh mor é verdade… contigo é tudo diferente, muito mais intenso, a forma como nos entregamos sem pudores um ao outro é única e isto porque nos amamos.
- É…
A conversa continuou connosco a relembrar os primeiros meses depois de nos conhecermos e em determinado momento
- E lembraste daquele dia que foste comigo para a borga porque em conversa falei que ia sair sozinha uma vez que a minha prima não tinha coragem para sair de casa às escondidas dos meus tios?
- Lembro… faz hoje precisamente anos… meteste na cabeça que ias festejar o dia dos namorados independentemente de não teres nenhum - sorrimos - mas a Maria não alinhou porque os teus pais te proibiram de sair e como iam às escondidas ela não quis… sempre foste louca mas fugires de casa acho que supera tudo…
- Oh não fugi! Ausentei-me por umas horas!
- E obrigaste-me a mentir à minha mãe… tive de dizer que ficava a dormir na casa do João… tive foi muita sorte dela não ligar para casa dos pais dele para falar comigo!
- Não te obriguei a mentir… muito menos a ires comigo!
- Ya… mas não podia deixar-te ir sozinha… - a Mari sorriu
- Estás arrependido?
- Se queres saber sim! Arrependo-me de não ter aproveitado de outra forma… afinal acabei a noite no teu quarto e na tua cama… se naquela altura soubesse um oitavo do que sei hoje... - gargalhamos - teria sido uma noite memorável!
- É… mas deste luta! Primeiro que te conseguisse convencer a entrar…
- Oh mor convínhamos… estavas literalmente a meter-me na mira do caçador… se o teu pai nos tivesse apanhado…
- Então se nos tivesse apanhado ficava muito mais descansado… afinal a filha estava com o seu mosqueteiro… com o menino certinho…
- Opa agora que estamos a falar nisto não sei o que me passou pela cabeça para me deixar convencer por ti…
- Ai não sabes? Deixa-te de falsos moralismos! Ruben ambos sabemos bem o que foi aquele último ano…
Acabamos a gargalhar… sim de facto desde que fiz os 18 até à noite do baile tanta coisa se passou… mas isso são recordações que estão guardadas a sete chaves…
- Fónix como é que conseguimos ser tão burros…
- Pois não sei… - suspirou e saiu do seu lugar para se vir sentar ao meu colo - mas sei que neste momento quero uma noite como aquelas que me deste quando éramos dois putos… quero e preciso de sentir toda aquela segurança e paz interior que me davas…
- Oh mor - abracei-a e a Mariana deitou a cabeça no meu ombro, ficamos remetidos ao silêncio e minutos depois senti a minha camisola a ficar molhada, olhei-a e comprovei que chorava silenciosamente - anda…
A Mariana não disse nada, levantou-se e seguiu abraçada a mim até ao nosso quarto. Abri a cama e vi-a deitar-se tal como se deitou tanta vez no passado… vestida e em posição de conchinha… descalcei-me e aproximei-me, acolhendo-a nos meus braços e foi assim que adormecemos…
Maria
O João apareceu de surpresa na loja, mas só de o ver os meus pensamentos já se ocuparam de 1001 ideias assim que tive oportunidade arrastei-o para o meu escritório já a imaginar como o poderia levar à loucura, sim que eu só preciso que ele lá chegue para ser certinho que também chego, acho que nunca me deixou sem ser completamente satisfeita, mas ao contrario do que esperava ele cortou-me as intenções e acabei sentada do outro lado da secretária a ouvir tudo o que me queria dizer terminando com uma ameaça de que ou era tudo ou nada. Fiquei em pânico, não o posso perder e por isso, resolvi demonstrar o que queria da única forma que conseguia no momento, mimando-o até o deixar louco.
Sei que ando insaciável e por isso mais arrojada fiz tudo o que poderia fazer naquele escritório e mais alguma coisa até que terminei e dei comigo a recuperar energias aninhada no corpo dele, os carinhos eram muitos e confesso que me senti radiante por não o rejeitar, até que
- Fofinha… - falou-me ao ouvido -vamos vestir-nos e aproveitar que deixei os meninos em casa da minha para jantar-mos só os dois hum? - olhei-o sorri levantei-me e comecei-me a vestir, ele seguiu-me e quando estava praticamente pronta - hoje os restaurantes devem estar caoticos… vamos pra nossa casinha sim? - assim que ele falou em nossa casa só consegui ver o momento em que deixei de lá morar e tudo o que levou a que o fizesse, dai para não suportar o toque dele foi uma questão de segundos
- Larga-me!!! - falei assim que me abraçou por trás - Desaparece! - olhou-me em pânico - Quando chegar a MINHA casa quero os MEUS filhos lá!
- Maria!
- Desaparece já disse!
- Podes acreditar que o vou fazer… e ter a certeza absoluta que vou cumprir com o que disse! - saiu e eu fiquei mais uma vez desfeita em lágrimas.
Recordei toda a conversa dele esta tarde e uma coisa ficou presa na minha retina.
Voltei para casa e quando lá cheguei os meninos já lá estavam e com eles estava a Teresa
- Olá boa tarde! - cumprimentei-a como sempre
- Boa tarde… a Micas ia sair com o Rui por isso fiquei com os meninos espero que não te importes
- Oh Teresa a Teresa é da casa… - sentei-me e voltei a pensar em tudo o que aconteceu de tarde
- Maria - olhei - desculpa meter-me, mas o João deixou os meninos lá em casa para passarem a noite e depois ligou a pedir que os trouxesse, passou-se alguma coisa?
- Nada de novo… só eu que sou parva e… - comecei a chorar
A Teresa tirou-me da sala para que os meninos não me vissem naquele estado e levou-me para o quarto deixou-me chorar agarrada a ela e quando me acalmei
- Queres falar?
- Oh Teresa eu quero, juro que quero conseguir perdoar o João, mas eu não consigo! Ah sempre qualquer coisa que me faz lembrar tudo e nesse momento e nem o consigo ver na frente!
- Oh filha é normal! O que aconteceu magoou-te e reages para te proteger, tens medo que aconteça de novo… eu percebo apesar de por ti, por ele e pelos meus netos querer muito que se entendam, percebo que possas estar dividida…
Não conseguir responder apenas soluçar mais um bocadinho até que a Teresa saiu deixando-me entregue aos meus dois namorados.
A noite foi de cinema em casa e por unanimidade o filme foi o Rei Leão, fiz pipocas sentei-me no sofá com os dois que mais uma fez choramingaram com a morte do pai do Simba.
Passei pelas redes sociais era só fotografias de jantares em lugares paradisíacos ou prendas super amorosas, resolvi brincar com o assunto e tirei uma fotografia da televisão e partilhei
MariaMMendes_ Cinema com os meus namorados! Reencontros que marcam!!
AnaDr eish oh @MariaMMendes reencontraste o teu Simba foi??
MariaMMendes @AnaDr vai divertir-te com o teu namorado vai!!
JP47 é os filmes da Disney ensinam muito… esse por exemplo dá um excelente conselho…
Timon: Hakuna Matata, é lindo dizer
Pumba: Hakuna Matata!!, sim vai entender!!
Timon: Os seus problemas,você deve esquecer
Timon/Pumba: Isso é viver, é aprender
Timon: Hakuna Matata!!
#FicaADica #Reencontros
AnaDr @JP47 like a Boss #FicaADica amiga! @MariaMMendes
Fui incapaz de responder, aliás apenas consegui desligar as redes sociais e assim que o filme terminou peguei nos dois dorminhocos que nem o fim do filme viram e levei-os comigo para a minha cama…
Mariana
As recordações deixaram-me fragilizada tanto que a noite terminou sem qualquer tipo de “animação”.
Acordei e ao olhar para o lado tinha o Ruben a observar-me, sorri ao vê-lo a sorrir também.
- Bom dia minha Bela Adormecida!
- Uiii que está lamechas! - sorriu
- Lamechas e a ficar atrasado - obriguei-me a olhar para o relógio comprovando o que falava
- Dois minutos e saímos!
- Mor podes ficar… vou ao treino e depois regresso…
- Não… vou contigo! E como estás a ficar sem tempo podemos comer no Caixa…
- Queres ir ao treino?
- Sim… já não vou a um treino teu há tanto tempo…
- Bora!!
Percebi que a sugestão lhe agradou, afinal aquele sorriso de menino não engana ninguém.
Estava a descer as escadas quando tive de parar para respirar profundamente e talvez por isso ou por ter levado a mão à barriga
- Mor estás bem?
- Au…
- Estás a sentir alguma coisa?
Agarrei nas suas mãos e coloquei-as uma de cada lado, mal o fiz o Ruben sorriu
- Estão a mexer-se… - falou animado e de sorriso no rosto
- Não estão a torturar-me! - voltei a respirar profundamente
- Oh filhas - teria resmungado senão tivesse a ser brindada com pontapés - o papá gosta muito de sentir vocês mas pode ser assim uma de cada vez, não precisa ser as duas ao mesmo tempo que a mamã é só uma… - acabei por sorrir, só mesmo o Ruben… - vá lá não façam dói-dói na mamã…
O Ruben continuou a falar e coincidência ou não deixei de sentir as meninas a mexerem-se, o que permitiu que descesse o resto das escadas.
- Não preferes ficar deitada?
- Não… já passou…
Não insistiu e por isso fomos até ao Seixal, tal como tinha sugerido tomamos o pequeno-almoço no bar do Caixa e quando o estávamos a fazer o mister apareceu
- Bom dia - falou, ao qual o Ruben respondeu cordialmente e depois olhou-me
- Bom dia… - rosnei… sim rosnei literalmente e o mister continuou caminho
- Podias ter sido mais simpática!
- Desculpa? Lá que tenhas de ser cordial até entendo e apoio agora não me metas no mesmo saco… gosto tanto dele como um cão gosta de um gato! - o Ruben riu
- Não sejas assim… mor sabes perfeitamente o que se passou - olhei-o - atitudes dessas entendo e respeito às pessoas que não sabem o que se passou agora de ti custa um bocadinho a engolir!
- Ei parou! Muito antes de ires parar a Braga já o detestava… o homem todo ele é um atentado à minha sanidade mental… aquele cabelo mete medo… aquele jeito muito próprio de mastigar pastilha enoja-me e a forma como se exprime verbalmente deixa-me com urticária…
- Oh Mariana hoje estás no ponto!
- Tio?!
- O que é que está aqui a fazer?
- Assuntos profissionais… toma Ruben! - o meu tio colocou um envelope A4 na mesa e assim que o largou agarrei nele imediatamente - Isso não é teu Mariana!
- O que é do Ruben é meu também! - resmunguei e abri o envelope
- Ruben… não te impões? - o meu amor que estava a comer tranquilamente falou após engolir
- Jorge cada macaco no seu galho! Na sua casa manda você na minha… manda a sua sobrinha - gargalhei prazerosamente ao ouvi-lo
- Tome embrulhe! - retorqui
- Vocês dois realmente…
- Oh mor vais retomar os projetos de solidariedade? - questionei depois de ter percebido que o conteúdo do envelope era relacionado com os “Sorrisos Perfeitos” - E desde quando é que o tio serve de pompo correio?
- Oh Mariana hoje estás impossível! Marcação cerrada!
- Aiiii não quer responder não responda… se quer mesmo saber enfie as informações privilegiadas num sitio que eu cá sei! - o meu tio olhou-me escandalizado mas não teve tempo para reagir porque - Oh paixão - fiz sinal ao Rui que se riu
- Diz…
- A noite correu bem? Trataste a Micas como uma rainha? Onde é que a levaste mesmo a jantar?
- Sim a noite correu bem… não tratei a Micas como uma rainha ontem porque já a trato todos os dias e quanto ao local onde jantamos… lamento mas não te vou dizer porque depois já sei que tenho contar onde é que comemos a “sobremesa” - gargalhei
- Vês tio… aprende com o Rui… é assim que a tua sobrinha fica sem argumentos…
- Oh Ruben estou a ver que não a cansaste o suficiente… - o João que apareceu nas minhas costas mandou a farpa mas
- E tu abusaste o suficiente da minha prima?!
- Eich… oh mor - olhei para o Ruben - isso é considerado uma entrada a pés juntos!
- Temos pena… quem tem telhados vidros o melhor é não os pisar…
A animação continuou até ao momento que os rapazes tiveram que recolher ao balneário mas antes de se afastar o Ruben pediu-me para olhar com mais atenção para os papéis que o Jorge entregou de forma a fazer uma pré-selecção, uma vez que o Ruben não pode realizar todos os desejos e muito menos todos ao mesmo tempo…
Enquanto o menino esteve a treinar, tentei fazer a triagem que pediu mas confesso que não consegui, isto porque não consegui ficar muito tempo na mesma posição, parece que as gaiatas não estavam com muita vontade de ver o pai treinar e também porque fui invadida por uma recordação
*** Recordação ***
Hoje estava a ser mais uma tarde igual a tantas outras, comigo em casa a ressacar de uma sexta-feira agitada, quando recebi uma mensagem do Rubinho
Oi linda, td bem? Hoje jogamos em casa não queres aparecer? bjs
Sorri ao ler o “oi linda” só mesmo ele… mudei de roupa e fui chatear a minha prima mas por incrível que pareça não aceitou o convite, ainda assim
Oi aceito o convite, diz horas!!! Ah mas no fim vais ter que recompensar-me… sim que tou de ressaca e ainda assim vou ver o menino :P beijinhos
***
Estava sentada nas primeiras filas e assim que entraram para o aquecimento, o Ruben sorriu ao ver-me e o pensamento que tive foi “é mesmo menino”... o jogo correu bem, afinal ganharam e no fim mandei sms a avisa-lo que o esperava no café do costume.
- Oi… - deu-me um beijinho
- Parabéns… - olhou-me - grande jogo… tiveste super bem!!! - gargalhou
- Até parece que percebes alguma coisa de futebol para falares que fiz um bom jogo! - dei-lhe um soco no braço - Auuu
- É para aprenderes a não gozar comigo… tá uma gaja a ressacar da excelente noite que teve e faz o sacrifício de vir ver o menino jogar e ainda tem de ouvir insultos!
- Não te insultei - ripostou - e se é um sacrifício muito grande estares comigo nem sei porquê que vieste!
- Shiiii como isto está hoje… tá sensível o menino… isso é falta de gaja! - suspirou
- Para ti resume-se tudo a sexo…
- Oh se resume… e ontem tive cá uma noite… aiiii que aquele merece uma medalha…
- Às vezes és tão estúpida! - olhei-o - E podes ficar ofendida que não me importo! És estúpida sim… és estúpida porque não dás valor a nada e usas o teu corpo de uma forma… - interrompi-o
- Tu vê lá o que vais dizer! - olhou-me - Sou livre para fazer o que quiser do meu corpo!
- Pois… livre és… mas lamento informar o corpo não é teu… é de todos os que querem abusar de ti! E és tão estúpida que não percebes isso…
- Sou estúpida, sou… e é por estar aqui contigo - agarrei na minha mala - FUI!!!
Deixei dinheiro em cima da mesa e bazei, não estava para o aturar. Dei uma corrida para apanhar o autocarro mas infelizmente não consegui
- MERDA!!!!
Estava a barafustar quando um carro parou bem do meu lado
- E não é que o meu dia melhorou…
Baixei-me ligeiramente e sorri ao olhar para o interior do carro
- Hum… não foi só o teu que melhorou… - dei um sorriso…
- Entra… levo-te a onde quiseres…
Abri a porta mas conforme o fiz, alguém a fechou
- Ela hoje já está ocupada! - olhei-o abismada
- E há-de ser contigo - o Paulo gargalhou, enquanto continuava sem reação, acho que estava simplesmente surpresa pela atitude do Ruben
- Anda! - agarrou-me pelo braço e puxou-me
- Larga-me! - reagi ao fim de uns passos dados
- Cala-te Mariana! Só podes ainda ter alcool no sangue… tu viste quem era? Mas tás parva ou quê? Nem morto te largo e menos ainda vou deixar-te entrar naquele carro… todos sabemos quem é o Paulo…
- Só sei o que oiço… e se quiser experimentar não és tu que vais impedir…
- A última que se meteu com ele acabou como acabou… Mariana não quero ir ao teu funeral porque morreste de overdose! - gritou-me e senti-me a estremecer que nem uma menina - Que abusem do teu corpo é uma cena que já aprendi a aceitar até porque o fazem com o teu consentimento… agora que vires uma drogada isso não… ganha juízo!
- Mas quem é que tu és… - não deixou que continuasse
- Sou teu amigo e preocupo-me contigo! Se tás com falta de sexo força… vai foder com quem quiseres menos com aquele… ele anda metido na droga é isso que queres para ti? Queres virar uma puta que vende o corpo para pagar o vício?
As palavras do Ruben feriram-me de morte… mas também me trouxeram um momento de lucidez…
- Desculpa… - olhou-me surpreendido - e obrigada… - baixei o olhar - obrigada por não teres deixado que… - senti os seus braços a envolver o meu corpo, o que fez com que chorasse… sim a Mariana toda senhora de si a chorar…
- Já passou… - limpou-me as lágrimas - mas promete que não vais fazer tamanha burrada… oh Mariana tu consegues os gajos todos que quiseres por isso não precisas recorrer aos asquerosos…
Não lhe disse nada… acho que não havia mesmo mais nada a dizer… o Ruben simplesmente trocou um abraço apertado por um entrelaçar de dedos e foi com a minha mão unida à dele que caminhei até casa… apesar dos longos minutos que tivemos pela frente…
Uma hora… uma hora foi o tempo que levamos a chegar a casa dos meus pais e durante esse tempo não ouvi a sua voz… ainda assim sabia que observava-me porque pelo canto do olho apanhei-o várias vezes a olhar-me…
Refugiei-me no meu mundo… mal entrei em casa larguei a sua mão e fui para o quarto, deixando-o para trás… estava deitada na cama quando abriram a porta
- Mari… - olhei-o e sorri, o Ruben vinha com um tabuleiro nas mãos - devo-te um lanche…
- Grande lata… tudo o que trazes aí transpira a Fernanda Mendes!!! - gargalhou
- Ok… fui apanhado… mas ficas a saber que só transpira a Fernanda Mendes porque a tua mãe não me deixou fazer nada! - defendeu-se, o que fez-me sorrir novamente, só mesmo o Ruben para fazer-me sentir assim tão bem…
*** Fim de recordação ***
A recordação não me deixou só com um sorriso bobo no rosto, afinal o Ruben sempre se preocupou comigo, deixou-me também com fome e por isso acabei por sair das bancadas e regressar ao bar, onde pedi um sumo natural e uma sandes, sim hoje acordei esganada de fome…
***
- Ah é aqui que te enfiaste! - sorri ao ouvir o Ruben para depois sentir os seus lábios conta os meus
- É… parece que hoje só querem comer - suspirei
- Não vais começar com as histórias que estás a ficar gorda, pois não? - gargalhei
- Não… mor podes ficar descansado que não é nada disso - puxei-o pela camisola e voltei a unir os nossos lábios
- Então o que é que se passa? Que suspiro foi aquele?
- Ah… digamos que hoje estou particularmente num daqueles dias de grávida… as filhas querem comer… a mãe está enjoada - fiz cara veia, o que provocou o riso no Ruben, bem como no João e no Rui que se tinham aproximado - as gaiatas estão para aqui a quererem festa e abanar o capacete, já a mãe delas só quer cama e que não a torturem… já para não falar das dores de costas…
- Hum… vamos então, para almoçares e descansares… ah depois do almoço faço-te uma massagem…
- Olha aí está uma grande ideia!!!
Despedimo-nos do pessoal com a intensão de irmos diretos para casa mas…
O que se terá passado?
E o acordar da Maria?? Pacífico ou turbulento???

















