sábado, 9 de novembro de 2013

107 - "Há primeira tentativa tua salto fora!"

Mariana
Dez dias passaram desde que beijei o Ruben e que senti necessidade de afastar-me  novamente, a verdade é que ando extremamente confusa, por um lado preciso dele, dos seus beijos, carinhos de o ouvir dizer que me ama mas por outro contínuo a não conseguir confiar nele e isso faz com que me afaste. Ainda assim mantive-me por perto, até porque tenho uma outra necessidade de seu nome Filipe, aquele anjinho conquistou-me e já não consigo passar um dia sem o ver. Hoje completou quarenta dias e o Ruben deu-lhe primeiro banho ao filho, isto depois de ter passado os últimos dois dias a mentalizar-se para o momento, o que me proporcionou algumas gargalhadas. Confesso que me emocionei ao ver pai e filho e acabei por registar o momento através de vídeo para mais tarde poderem assistir os dois.
- Não é suposto o banho acalmar o bebé? - sorri ao ouvi-lo
- Teoricamente sim...
- Então porquê que o Filipe está tão irrequieto?
- Ai não sabes? - sorri - Quer mimo...
Peguei no menino e depois de sentar-me encostei-o ao meu peito, uns minutos bastaram para adormecer, algo que o Ruben voltou a fotografar

Rubenamorim_ o Filipe está cada dia maior e mais gordinho mas também com mais manias... @Marianamendes quero ver quem o cala quando for para casa...
Não consegui ignorar a forma como legendou a foto e por isso respondi
Marianamendes_ @Rubenamorim essa é simples de responder... EU!!! :P
No entanto arrependi-me imediatamente pois o Ruben não perdeu a oportunidade para mais uma vez demonstrar o que quer...
Rubenamorim_ @Marianamendes é o que mais quero...
Não tive coragem para responder ao que o Ruben escreveu e acabei por fingir que não tinha reparado, algo que ele não deixou passar pois na primeira oportunidade que teve aproximou-se de mim, “colando” o seu peito nas minhas costas e ainda teve o desplante de colocar as suas mãos na minha cintura, sussurrando-me ao ouvido
- Admite que também queres... - caí no erro de desviar a cara para o olhar, o que fez as nossas bocas ficarem demasiado perto - Não fujas ao que sentes, nós só funcionamos juntos, amamo-nos e merecemos ser felizes, já para não dizer que é inegável que já amas o Filipe - a proximidade dos nossos rostos e o olhar dele estavam a fragilizar-me
- Ruben pára! - tentei que me soltasse mas foi em vão
- Páro... páro no dia que me deixares de amar mas como esse dia não chegará...
- Desculpa? Mas quem és tu para dizer isso?
- Alguém com plena capacidade mental! Mariana depois de tudo o que te fiz continuas a amar-me por isso...
O Ruben teria continuado com aquele jogo de provocação mas a entrada de uma das médicas que seguem o Filipe fez com que se afastasse, uma vez que a doutora veio falar connosco para nos dizer as últimas novidades do Filipe.

***

O tempo passou e tivemos que nos despedir do Filipe e foi quando já estávamos a sair do hospital que o Ruben fez um pedido.
- Queres ir comigo às compras para o Filipe?
- Eu?!
- Sim... Mariana ainda não comprei nada e gostava que fosses comigo - olhei-o - não tenho jeito para essas cenas...
- Pede à tua mãe!
- Mas és tu que quero do meu lado!
- Ruben...
- Mariana senão fazes por mim, faz pelo Filipe!
- Isso é chantagem!
- Temos pena, se for a única forma que tiver para te convencer a acompanhares-me...
- Estúpido!
- Isso é um sim?
- Não devia de ser mas - sorriu, o que me irritou - não te metas com ideias! Há primeira tentativa tua salto fora!
- Ok...
O resto da tarde foi passada a entrar e sair de lojas para bebés mas conseguimos comprar tudo o que um recém-nascido precisa, no entanto tive algum trabalho a controlar o Ruben, pois para ele tudo fazia falta o que contribuiu para dar algumas gargalhadas.
- Bem agora que já compraste tudo o que achas de jantarmos?
- Onde queres ir?
- Sinceramente? Comprava uma pizza ou algo do género levava para casa e comíamos lá... estou toda rota!
O Ruben concordou com a minha ideia e por isso fomos comprar o jantar para seguirmos de imediato até ao meu apartamento por ser o mais perto.

***

- Shii esqueci-me - falei quando já estávamos na sala - queres um café? - sorriu
- Não... - olhou-me - o que quero é muito mais fácil de arranjar… - toda eu tremi ao ouvi-lo, ainda mais quando pegou na minha mão e puxou-me para o sofá - que tal uma sessão de cinema?
- Ah… sim pode ser! - sorriu o que foi suficiente para enlouquecer-me ainda assim controlei a vontade súbita que tive em saltar para o seu colo - escolhe o filme enquanto vou ver se tenho pipocas para fazer…
Dei a desculpa das pipocas para conseguir afastar-me uns minutos para ter tempo de retirar os pensamentos insanos da minha cabeça e quando regressei à sala já o Ruben estava sentado à minha espera.
Vimos o filme lado a lado e a partilhar a mesma taça de pipocas, o que fez com que volta e meia as nossas mãos se tocassem e sempre que acontecia a sensação de ter um formigueiro dentro do meu corpo aumentava.
O filme não era mais do que uma comédia romântica e não foi difícil entender o motivo da escolha do Ruben, ainda para mais não gostando ele de filmes lamechas. A intensão do Ruben foi sem dúvida fragilizar-me, o que acabou por acontecer e sem que desse bem conta de como aconteceu, já nos estávamos a beijar e o que começou com um simples beijo depressa tomou outras proporções e em segundos já o tinha deitado por cima do meu corpo
e beijo atrás de beijo, entramos por um caminho verdadeiramente perigoso, pois a lucidez era casa vez menor e o desejo maior, foi quando já estava completamente entregue à vontade louca de voltar a ter uma noite de sexo que o Ruben se afastou ligeiramente, ainda assim mantivemo-nos a trocar “mimos” até que

- É melhor ir embora… - o Ruben num momento de lucidez afastou-se e ainda bem.
Despedimo-nos como dois bons amigos com dois beijinhos um de cada lado do rosto…

 Ruben
Não sei como consegui mas a verdade é que a razão prevaleceu ao coração e consegui resistir ao desejo e à saudade de ser da Mari novamente, a verdade é que se não tivesse saído da sua casa provavelmente teríamos feito amor mas isso não significaria que a voltasse a ter de forma completa, o meu amor estava a reagir no impulso e a última coisa que quero é que se arrependa depois, só por isso saí e deixei-a sozinha. Algo que não me arrependo porque no dia seguinte ouvi-a a agradecer o meu gesto, admitindo mesmo que ainda não se sente preparada e muito menos sabe se é isso que quer.
Os dias continuaram a passar com o Filipe a ter cada vez mais melhorias, ainda assim ainda não deixou o oxigénio e também não tem o peso que os médicos acham ser o indicado para ele, só por isso é que ainda não teve alta porque felizmente não teve mais complicações.
Quem também anda a Flipar é o João porque finalmente abriu os olhos e percebeu a besta-quadrada que foi... agora que julga estar a perder a Maria, sim julga porque é tão otário que ainda não percebeu que a mãe do meu afilhado continua a amá-lo e a sofrer com tudo o que ele lhe fez, anda ruído de ciúmes e a chatear-me a cabeça pois quer informações, como se alguma vez as fosse dar...
***

Já se passaram cinquenta e um dias desde que o Filipe nasceu e hoje é um dia complicado, o Guigas comemora um ano de vida e faz precisamente um ano que a Mariana perdeu os gémeos.
Acordei triste, abatido e sem vontade de sair da cama, ainda assim levantei-me e fui treinar, mas nem isso consegui fazer em condições e acho que só não levei uma reprimenda do mister porque todos sabem o que se passou há um ano…
Saí do Seixal direto ao hospital e pela primeira vez em cinquenta e um dias desejei não cruzar-me com a Mariana, não imagino como esteja e sinceramente nem sei o que dizer, foi a pensar nisso que entrei no hospital, caminhei até junto do meu filho e mal abri a porta estagnei por completo, o meu amor estava com o Filipe ao colo, ela estava ali…
Aproximei-me devagar para não a assustar uma vez que percebi que estava a falar com o meu pequenino mas assim que percebi o teor da conversa estagnei novamente
- … conheço o teu papá já há muitos anos - um espasmo percorreu o meu corpo -  achava-o um menino e adorava implicar com ele porque ficava envergonhado mas depois com o tempo a implicância deu lugar à amizade, tornamo-nos os melhores amigos - quanto mais ouvia maior era a vontade de aproximar-me ainda mais - depois da minha prima é o teu papá que me conhece melhor, naquele tempo não percebi que o que nos ligava já não era só amizade, era algo mais forte, hoje sei que não entendi isso naquela altura porque era demasiado leviana, só queria divertir-me e estar com os rapazes sem ter cobranças, por isso nunca namorei, nunca soube o que era gostar de um rapaz, até ao dia que o teu papá mostrou-me o significado de fazer amor, foi com ele que aprendi, ele do seu jeito trapalhão declarou-se quando perguntou se o motivo por o ter convidado a ir ao meu baile de finalista foi por pena, disse-lhe que foi pela amizade e o teu papá ficou triste com a minha resposta, ainda tentei perceber o motivo mas disse para esquecer, foi o que fiz... esqueci mas não por muito tempo, porque quando fui mostrar a escola e já no ginásio a conversa desenrolou-se e o teu pai surpreendeu - foi impossível controlar as lágrimas, a Mariana falava de nós ao meu filho - o teu papá amou-me, assim de um jeito meio trapalhão ou não fosse a imagem de marca dele naquela altura, mas foi um trapalhão tão bom mas tão bom que ainda hoje recordo, sabes nunca disse a ninguém mas quando fecho os olhos sinto aquele friozinho na barriga, aquele nervosinho que só ele consegue provocar em mim, consigo até sentir o cheiro do seu perfume, aquele que na altura lhe ofereci nos anos e que reclamou porque não usava perfume mas depois passou a usar... ai Filipe porquê que a vida não é como nós queremos...
- Só não é se não quiseres!
- Estavas aí há muito tempo?
- Desde que começaste a contar ao Filipe como nos conhecemos - aproximei-me mais dela - como sem saber te fiz sentir especial - os meus dedos acariciaram o seu rosto, inicialmente nas bochechas para irem até aos lábios – como nos amamos...
- Ruben... não... – tentou apelar ao bom senso, àquele que nenhum dois tinha mais depois do desabafo sentido que teve
- Shiu... - a Mariana levantou-se talvez para fugir à conversa mas não deixei, sentei-me na cadeira e com cuidado, uma vez que tinha o Filipe nos seus braços,  fi-la sentar-se ao meu colo - acho que o Filipe merece ouvir a minha versão - a Mariana olhou-me - filho já sabes que nos conhecemos há muito tempo porque a Mariana já contou e também já sabes que ao inicio foi complicado porque o papá era tímido e a Mari sem vergonha, sofri bastante até perceber que quanto mais fugia mais a ela se grudava, percebi ainda que tinha a miúda mais batida da escola mas também aquela que qualquer gabiru queria, mas eu tinha-a de uma forma especial, sempre a tive por inteiro, ela comigo não era só aquela que queria se divertir, comigo mostrava as suas fraquezas, os seus medos, as suas virtudes mas acima de tudo o seu amor para com as pessoas que realmente são importantes para ela, foi assim que a nossa amizade cresceu e que mais tarde se tornou em amor sem nenhum dos dois perceber, era normal os beijinhos repenicados ou mesmo os beijinhos no cantinho dos nossos lábios ou ainda o darmos as mãos só porque nos apetecia, ou o rebolarmos na areia sempre que íamos à praia ou ainda o ficarmos simplesmente a olharmo-nos olhos nos olhos, tudo isto fazia parte do nosso dia-a-dia, até que ganhei coragem e dei o passo seguinte, amei a Mari mesmo não sabendo bem o que estava a fazer porque nunca o tinha feito, amei-a e estava longe de imaginar que aquilo que senti naquela noite se iria tornar em algo maior... mas nem tudo foi bom... nós separamo-nos e sofremos bastante para anos mais tarde o nosso caminho se cruzar novamente e aí não deu para disfarçar mais o que nos unia, ainda andamos um tempo meio parvos mas conseguimos encontrar o rumo certo, até ao momento que por uma sucessão de erros nos separamos, mas o amor foi mais forte e voltamos a fazer as pazes, foi nessa altura que fizemos os teus manos - desde o início que falava a olhá-la nos olhos e por isso sabia o quanto a estava a fragilizá-la, ainda assim não abrandei -  aqueles que por culpa do papá não nasceram e foi por culpa que o papá deixou a Mari, errei novamente e errei bastante mas pelo meio fiz algo muito certo, fiz-te a ti - peguei no meu filho - hoje agradeço por te ter aqui connosco, aprendi a amar-te e és tu que neste momento dás-me forças para continuar a lutar pelo amor da única mulher que alguma vez amei, sim Filipe infelizmente nasceste por descuido mas não tens culpa e hoje o papá ama-te, és uma parte de mim mas não só - suspirei - és também a razão pela qual o papá está a ter a oportunidade que tanto quis e que a Mariana evitou sempre… és tu a razão pela qual a Mari hoje está connosco - olhei-a, a Mariana continuava ao meu colo - perdoa-me... perdoa-me por todo o mal que te fiz... não fujas mais... nós merecemos ser felizes!
- É o que mais quero – falou por entre um soluçar intenso e um sorriso enorme surgiu no meu rosto para desaparecer logo depois – mas não dá... desculpa mas não consigo...
- Não consegues ou não queres?
- Não sei… Ruben magoaste-me imenso… contigo aprendi que o amor tem duas faces, a boa e a má… e não consigo esquecer a má…
- Não estás mesmo disposta a tentar pois não?
- A tentar o quê?
- A tentar ser feliz… Mariana nós amamo-nos…
- Só amor não chega e agora tens o Filipe… tens é mais que te concentrar nele e ama-lo!
- O Filipe merece uma mãe… e já a escolheu…
- NÃO! Não faças isso… chantagem dessa não… não quando perdi os meus filhos e nunca saberei o que é ser mãe…
- Perdeste os nossos filhos e sabes sim o que é ser mãe, caso contrário não estarias aqui, não tinhas alterado o teu dia-a-dia para conseguires passar o máximo de tempo com o Filipe, não passarias horas aqui a falar para o menino, não lhe tinhas contado a nossa história, não te sujeitarias a tanto... Mariana amas o Filipe e isso é inegável, tal como é inegável que esse é amor de mãe pois só assim consigo perceber o porquê que estás aqui hoje…
- Sim amo-o tal como amo o nosso filhado e por falar em afilhado tenho de ir - a Mariana saiu do meu colo - a Maria deve estar a precisar de ajuda…
- A Maria tem ajuda suficiente - falei ao agarrar o seu braço - e nós precisamos de ti… - suspirou - Mariana fica por favor…
- Fico a fazer o quê? A magoar-me ainda mais? Achas que não chega já? Achas que mereço isto? Achas? Ruben faz hoje um ano que perdi os gémeos, há um ano que não vivo para mim… vivo para os filhos dos outros… primeiro foi o Guigas e agora o Filipe… faço pelos filhos dos outros o que nunca poderei fazer pelos meus… não peças mais do que já dei… Ruben cada visita ao Filipe é uma faca que espeto diretamente no meu coração… mas mesmo assim não consigo evitá-lo porque te amo - a Mariana rompeu num choro profundo - mas isso não significa que consigo esquecer o que senti naquela manhã ao acordar ou o que senti ao ouvir que ias casar ou ainda quando te pedi para não o fazeres e que tiveste a indecência de afirmar que amavas a Sofia… Ruben não dá… perdi a confiança no teu amor… e o amor que sinto por ti já não é forte o suficiente para arriscar tanto, no fundo sei que mais dia menos dia irás desiludir… é só isso que sabes fazer… desiludir… além disso o teu filho merece um pai por inteiro e agora vou ter com a Maria! Adeus!
Não consegui reagir e a Mariana saiu sem sequer conseguir despedir-me dela, ainda assim sabia que a voltaria a ver logo no jantar de aniversário do Guilherme.
Passei as horas seguintes com o meu menino e quando saí do hospital fui direto à casa da Maria e assim que entrei na sala os nossos olhares cruzaram e imediatamente a Mari baixou o seu, ainda assim aproximei-me do meu afilhado que brincava alegremente no chão na companhia da madrinha mas mal me sentei a Mariana levantou-se e saiu da sala.
- O que é que se passou no hospital? - a pergunta da Maria despertou-me
- Nada…
- Nada? A minha prima saiu cá de casa abatida mas chegou aqui pior ainda, com os olhos vermelhos de tanto chorar e agora mal entras ela sai…
- Pedi-lhe desculpas por todo o mal que lhe fiz - suspirei - basicamente tivemos a falar…
- E ela?
- A Mari está decidida a continuar com a vida dela e não vou interferir mais…
- Vais desistir?
- Maria a tua prima está arrasada… destruí tudo o que tinha para destruir…
- Estás enganado… mas a decisão é vossa!
As últimas palavras da Maria deixaram-me a pensar e por isso durante o jantar foram mais os momentos que estive ausente do que presente, só voltei à realidade quando foi para cantarmos os parabéns ao Guigas. A Maria ajudou o filho a apagar as velas e depois partiu o bolo, foi enquanto o fazia que inevitavelmente olhei para a Mariana e percebi o esforço que fazia para segurar as lágrimas, aquele momento estava a destruí-la e só um cego é que não via, não aguentei mais assistir à dor do meu amor, levantei-me e retirei-a da mesa.
Fomos até à varanda e assim que ficamos só os dois, o meu amor agarrou-se a mim a chorar, naquele momento não foram precisas palavras, ambos sabíamos o que o outro estava a sentir, afinal sofremos os dois pelo menos motivo, por termos perdido os nossos filhos…
Não sei o tempo que ali ficamos, só sei que a Mariana acabou por limpar as suas lágrimas e regressar para a sala, teve a coragem que não tive e regressou para junto do nosso afilhado enquanto fiquei simplesmente a olhar para uma das muitas fotos que tenho do Filipe no meu telemóvel e só despertei quando a voz do pai da Mari despertou-me para a realidade.
- Estás bem? - limpei as lágrimas que continuavam a caírem
- Não…
- Ruben tem paciência com a Mariana, dá-lhe tempo…
- Acha que ainda posso ter esperanças?
- Se a amares de verdade saberás a resposta a essa pergunta…
- Sr. Manuel, amo a sua filha mais do que a mim mesmo e talvez seja por isso que começo a achar que devo afastar-me… a Mariana merece ser feliz e do meu lado nunca o será…
- Achas que não? - olhei-o - Ruben a minha filha fez a escolha dela há cinquenta e um dia, no dia que o teu filho nasceu a minha escolheu ficar do teu lado mesmo sofrendo diariamente manteve-se nunca vos abandonou, ajudou-te quando mais precisaste, tal como a ajudaste hoje ao retirá-la da mesa, ao trazê-la para aqui, vocês hoje fizeram o que já deviam ter feito há um ano, choraram juntos pela primeira vez a perda dos vossos filhos, por isso Ruben não digas que o melhor é se afastarem, o melhor é ficarem juntos, vocês nunca se deviam ter separado, deviam ter ultrapassado a perda dos meus netos unidos, mas não o conseguiram fazer, não interessa o motivo, o que interessa é que um ano depois estão aqui juntos e com o Filipe a unir-vos, dá tempo à Mariana mas acima de tudo não desistas agora ou então é que nunca mais recuperas a confiança dela…

***

Após uns minutos sozinho regressei à sala e encontrei a Mariana a brincar com o Guigas, fiquei a observá-la e só despertei quando o meu amor ao apanhar-me a olha-los mandou a bola para perto de mim
- Oh Guigas acho que vais ter de ir buscar a bola… - sorri para agarrar na bola e aproximar-me
- O padrinho dá a bola ao menino, né? - falei para o pequeno que se riu para agarrar na bola logo de seguida
Ficamos a brincar com nosso afilhado e quando o menino começou a ficar com sono a Mariana disponibilizou-se para o ir adormecer, algo que a Maria deixou e por isso voltei a ficar longe do meu amor, no entanto durou pouco, muito pouco ou não fosse ter saído pouco tempo depois. Fui até ao quarto do nosso afilhado e fiquei a observar remetido ao silêncio a tremenda capacidade que a Mari tem em conseguir transformar toda a dor que sente em amor para o menino.
- Não chores… - falou ao limpar-me as lágrimas que nem tinha percebido que caiam dos meus olhos
- Como é que consegues?
- Consigo o quê?
- Amar o Guigas e o Filipe desta forma…
- São amores diferentes… o Guigas é o meu eterno salvador, foi ele que não me deixou ir ao fundo e é nele que penso sempre que preciso de afastar a dor que sinto por ter perdido os gémeos, o Filipe… o Filipe é o teu filho… uma parte de ti… como tal amo-o…
- Sabes… gostava de ter essa tua força…
- Força?! O que chamas força eu chamo de viver um dia de cada vez…
A Mariana regressou à sala para se despedir da sua família, algo que também fiz pois precisava de ficar sozinho, saímos os dois ao mesmo tempo e por isso só nos despedimos junto dos nossos carros, mais uma vez fizemo-lo como dois bons amigos que somos…

Mariana
O dia hoje tem sido uma autentica montanha russa no que respeita a emoções, já chorei e já sorri para agora estar na minha cama sozinha e a sentir um vazio enorme, dei voltas e mais voltas na cama e cada reviravolta as imagens da noite de à um ano atrás pareciam mais reais na minha cabeça, não aguentei e tive que ligar para a única pessoa que provavelmente compreendia melhor o que se estava a passar, liguei para o Rui e estivemos imenso tempo a falar primeiro pelo telemóvel e depois pelo Skype, foi ele que viveu de perto a minha dor e foi ele que conseguiu acalmar-me, ainda assim estava longe de sentir-me capaz de desligar, não queria ficar sozinha e foi quando estava a confessar isso mesmo que a campainha tocou.
- Vai abrir… e tudo o que falaste comigo, fala com ele!
- Ãh? Como é que sabes quem está à porta?
- Amiga… não é de mim que precisas, é do Ruben!
- Avisaste-o?
- Sim!
- Para quê?
- Esquece Mariana não vou ficar a discutir isso contigo… não agora… porque agora vais desligar e abrir a porta ao Ruben, vocês têm é mais que curtir a dor da perda juntos, passaste as últimas semanas a apoiá-lo, agora é a vez dele retribuir isso… vocês precisam ambos disso… beijos!
Conforme falou desligou sem dar-me tempo de reagir, voltei a ouvir a campainha e ainda meio atordoada fui abrir a porta, primeiro a do prédio e depois a do apartamento. Minutos… minutos foi o que precisei para a porta do elevador abrir e de lá sair o Ruben, não tive coragem para o olhar, tinha consciência que estava um farrapo autêntico mas isso não foi impedimento para o Ruben abraçar-me, sentir o calor do seu corpo fez-me quebrar por completo, perdi as forças nas pernas e acho que só não caí porque o Ruben agarrou em mim ao colo, foi nos braços dele que fui até à cama e foi na cama agarrada a ele que chorei, chorei até não conseguir mais…

Ruben
Estava na cama sem conseguir adormecer quando recebi uma mensagem e assim que li o conteúdo da mesma saltei imediatamente da cama, vesti e saí com um só destino, o apartamento da Mari, uma vez que o Rui mandou mensagem a dizer que o meu amor estava a precisar de mim.
Não hesitei em ir ao seu encontro mas confesso que não esperava encontra-la naquele estado, doeu vê-la naquele desespero e só aí percebi o quanto sofre diariamente…
Fiquei remetido ao silêncio, a Mari precisava de tudo mesmo de falar, deixei-a descarregar a dor através das lágrimas e por fim adormeceu completamente exausta ainda assim agarrada.
Horas depois acordou e saiu da cama como se nada tivesse acontecido, algo que surpreendeu ainda mais quando ao entrar na cozinha a ouvi
- Vais ver o Filipe?
- Esquece o Filipe! - fi-la virar-se de modo a conseguir olhá-la nos olhos - Mariana nós daqui vamos mas é procurar ajuda…
- Ajuda?
- Sim, de um psicólogo!
- Para quê?
- Não adianta, amor nós precisamos disso, só assim conseguiremos ultrapassar a perda dos gémeos…
- Primeiro pára de falar no plural - olhou-me - eu e tu não temos nada muito menos de ultrapassar a perda dos meus filhos! Segundo não sou louca para precisar de um psicólogo! Terceiro desaparece da minha frente! RUA!
- Já acabaste? - falei serenamente
- Tu não me irrites!
- Irrita-te as vezes que quiseres mas daqui vamos ter com a Ana porque na clínica há uma psicóloga e vais fazer o favor de não dificultares!
- Mas quem és tu para dizeres o que devo ou não devo fazer? Ah espera… és aquele que há um ano não esteve presente… realmente tens muita mural para falar!!
- CHEGA!! Não posso mudar o passado mas no presente posso fazer algo para melhorar o futuro, amor o que vi ontem foi desesperante, mal conseguias respirar de tanto chorar, não sei nem sequer consigo imaginar o que sentiste quando te disseram que tinhas perdidos os nossos filhos, muito menos sei o quanto sofreste calada durante este ano inteiro, mas sei aquilo que vi e sei que não é isto que quero para a pessoa que amo, Mariana já se passou um ano e não conseguiste lidar com a perda e prova disso foi o que vi ontem, amor neste ano que passou agarraste-te a tudo para camuflares aquilo que estavas a sentir, nunca deixaste aqueles que te são mais próximos ajudar mas isso agora mudou, nem penses que vou deixar que te afundes cada vez mais… não vou deixar que fujas à realidade… vens e vens mesmo!
- Não quero!
- Lamento… Mariana depois do que vi deixou de ser uma questão de querer, por favor faz por ti, é só o que te peço…
- Ruben percebe uma coisa eu não me sinto preparada para falar do que se passou por isso não adianta ir a psicóloga nenhuma…
- Mas tens de ir…
- Não consigo!!!!!
- Vamos juntos… amor - aproximei-me ainda mais dela e limpei as lágrimas que escorriam pelo seu rosto - nós precisamos de ajuda… reconhece isso por favor!
- A única coisa que preciso é de um banho!
- Ok… vai tomar banho!
Resolvi não insistir e deixá-la tomar um banho, depois logo voltaria a falar com a Mari.
Será que a Mariana procurará ajuda?
E qual será o impacto deste episódio na “amizade/amor” destes dois?

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

106 - "Espero que isto não atrapalhe ainda mais o teu divorcio..."

João
Chegar a casa depois de ter deixado os meus pais e o Bruno no aeroporto foi o acordar para a realidade.
Sem a Carmen, que felizmente fez o que lhe pedi a casa estava  em paz mas uma paz mórbida. Uma paz de vazio. Olhei á voltar e senti-me perdido. Vagueei pela casa e acabei sentado no quarto do Bruninho. Estranhamente ali sentia-me menos só e menos perdido. Tinha naquele espaço o cheiro do meu bebé e ainda as últimas recordações da Maria, as poucas fotos que não rasguei assim que voltei de Lisboa depois de ter visto as fotos. Nesse dia todas as coisas dela acabaram ou no lixo ou em cinzas. E agora faziam-me falta para disfarçar a sua ausência.
Ironia do destino a única coisa da Maria que encontrei quando voltei ao nosso quarto foi o exemplar da revista. Finalmente abria-a percebi a posição do Ruben afinal aquelas fotos e a entrevista das Mendes era uma chapada de luva branca a estes dois palhaços. Confesso que me perdi largos minutos a olhar aquelas páginas e mais do que as fotos que confesso estarem muito boas foram as palavras da Maria que me prenderam, a forma como elegantemente afastava o assunto "nós" mas ao mesmo tempo era claro para quem a conhecia que a mensagem "estou magoada e não perdoo" era sem sombra de dúvida a que queria passar.
Este foi o primeiro dia de quase um mês de tortura. Cada dia que passava sentia-me mais sozinho o Bruno apenas voltou a visitar-me mais um fim de semana e acabou por trazer consigo algumas surpresas
- Mãe o que é isto??
- Um convite João!
- A sério?! Se a Mãe não dissesse eu não percebia!
- Tu é que perguntaste! - a forma irónica com que a minha Mãe me respondia tirava-me do serio - e ultimamente o que não tem faltado são provas de que és um bocado distraído, para não dizer mesmo burro!
- Acabaram os insultos? Posso saber porque raio estou a ser convidado para uma festa em casa do Jorge?
- Porque o teu filho faz 1 ano e a Mãe dele acha que não o deve privar da tua presença
- Mas vocês gozam muito aqui com o palhaço né?! Não sabem que não posso ir? Que pedi para o menino vir cá!
- João não faz sentido Maria ficar sem o menino nesse dia
- Nem foi isso que sugeri! Eu pedi para lhe dizeres mãe!
- E eu disse, mas Maria acha... e eu concordo... que o 1° aniversário do vosso filho deve ser comemorado junto daqueles que o vêm crescer todos os dias...
- Claro porque eu tenho é de ser castigado! Porque fui obrigado a passar a maioria dos 365 dias longe dele já para não falar da gravidez da qual só fui informado quase no fim...
- Menos João muito menos!
O menino chorou e paramos a conversa. Fui mima-lo e já depois do jantar percebi que tudo o que ia ouvindo do dia-a-dia do meu filho incluíam mais alguém alem dele da Mãe dos avos e dos padrinhos e não era um alguém qualquer, era um homem que me pareceu estar a ocupar o meu lugar.

Maria
A Teresa chegou a Lisboa com o pedido/convite do João para que o aniversário do Guilherme fosse passado em Valência para que ele também pudesse estar com o filho. Prometi-lhe que iria pensar no assunto mas já tinha decidido que era totalmente descabido. Afinal a família do menino aqueles que estão sempre com ele a ajudar-me nos momentos mais difíceis estão em Lisboa e não em Valência.
Os dias foram passando e com a minha prima cada vez mais empenhada no acompanhamento do Filipe o meu grande apoio passou a ser o meu vizinho Rui.
O Rui começou a fazer-me companhia diariamente quer fosse ao jantar ou ao serão. E gradualmente até nas tarefas relacionadas com o Guilherme.
Amanha o meu pequenote vai novamente para Valencia e por isso hoje resolvi tirar a tarde para passear com ele. Sai de casa apenas com a intenção de o levar até junto ao rio, mas depois de alguns minutos
- Oh pequeno e se fossemos fazer uma surpresa ao tio Rui? Vamos?
Voltei para casa coloquei o Guigas no carro e Arranquei em direção ao estádio nacional onde hoje jogará a Selecção de sub-21. Facilmente cheguei aos lugares mais reservados e quando já estava acomodada
"Tio Rui viemos buscar-te! Quando o jogo acabar esperamos por ti para festejar a vitória"
Minutos depois tinha perto de mim vários responsáveis da Federação entre eles o selecionador nacional e a mulher com quem perdi vários minutos à conversa.
No final do jogo tal como lhe disse na SMS o Rui veio ter connosco
- Boa noite! - deu-me um beijo no rosto e um na testa do Guilherme - a que devo esta surpresa?
- Lembramo-nos que não tens carro e resolvemos agradecer tudo o que tens feito por nós e viemos buscar-te e ver a vitória claro!
- Oh não faço para me agradeceres... - falou passando a sua mão pela minha cara enquanto me "penteava" uma madeixa de cabelo rebelde
- Rui...
- Desculpa... vamos?
- Sim... ajudas-me aqui?
- Leva-o ao colo que eu levo o carrinho e o saco
Quando chegamos juntos da saída para a garagem senti um flash e reparamos que tínhamos algumas objetivas apontadas para nós e o carro ainda longe. O Rui com uma mão levava o carro do Guilherme e com o outro braço rodeou-me a cintura para que ficasse com o menino no meio de nós e protegido das câmaras já que sabe que não o quero expor.
- Espero que isto não atrapalhe ainda mais o teu divorcio - disse assim que Arranquei com o carro deixando os "curiosos" para trás.
- Não atrapalhe mais queres tu dizer... achas mesmo?! Acho que não pode ser mais confuso.
- Então tudo bem?
- Tudo... bom tenho de ligar a Teresa para falar com ela sobre a ida ou melhor a NÃO ida do Guilherme a Valência no aniversário dele.
- Esse tom de voz... algo me diz que vem daí asneira
- Asneira?
- Sim o que tens em mente?
- Oh... - ele gargalhou
- Conta!
- Fiz um convite falso para a Teresa entregar ao João.
- Convite falso?
- Sim... vou enviar-lhe um convite para uma festa que não vou fazer... ele vai pensar que não vai ver o menino, mas a Teresa vai levá-lo a Valencia logo no dia seguinte... afinal pai é pai... - suspirei
- E tu com isso?
- Eu tou aqui... - no meio da conversa chegámos a casa - ceias connosco?
- Sabes que não recuso a vossa companhia
Assim que entrei em casa foram 5 minutos ate a Teresa chegar.
- Teresa podemos ir ate ao escritório? - ela seguiu-me - já tomei uma decisão sobre o aniversário do Guilherme
- Ai sim? E então?
- Então que a Teresa vai entregar ao João este convite
- Mas isto é uma festa...
- Que não vai existir... mas isso não interessa o que interessa é que o João vai pensar que sim
- Mas tu vais lá é isso?
- Não... mas o Guilherme vai...
- Vai?
- Sim mas só no dia seguinte... comprei já os vossos bilhetes...
- Nossos?!
- Sim seu e do Guigas
- Maria nesse dia não posso!
- Como não pode?
- Maria tenho uma consulta e não dá mesmo!
- Mas...
- Acho que vais ter de ser mesmo tu a ir...
- Não me parece...
- Vais deixar o menino sem o pai nessa data?
- Ahhh... eu… - comecei a chorar "do nada" a ideia de ter que me cruzar com o João deixava-me em pânico
- Calma.. eu vou ver se consigo mudar a consulta
- Obrigada! Obrigada!!!
- Agora limpa essas lágrimas que tens visitas na sala!
- Oh ele..
- Ele gosta de ti - olhei-a - eu não sou cega Maria!  Só ainda não percebi o que tu sentes. 
- Companhia? Conforto? Apoio? Amizade... é bom tê-lo por perto
- Mais nada?
- Teresa não sei.... sinto-me bem... mas o....
- O...? - não respondi - o João ainda ocupa esse coraçãozinho... Maria não me queria meter principalmente depois do rumo que a separação tomou mas não achas que deviam falar e tentar acertarem-se?
- Não sei Teresa... o João conseguiu desfazer-me... se não fosse o Guilherme e o apoio do Rui... acho que já não estava cá que não conseguia aguentar acordar todos os dias...
- Então linda?! Não vamos pensar nisso... vou levar o menino e tu vais tratar de ti! Passear e distrair-te e quanto ao convite não te preocupes.
A Teresa acabou mesmo por levar tanto o menino como o convite para mais um fim de semana com o pai.

João
Não conseguia culpar a Maria por ficar em Lisboa no aniversário do nosso filho... mas eu também queria tanto estar com ele. Amanheceu e para variar não dormi passei a noite entre observar o meu anjinho e pensar na Mãe dele e quando desperto para a realidade é com uma SMS da Carmen, de quem não sabia nada desde que fomos a consulta
" Vê aquilo de que te livrei! www.jornal xsdss.com"
Abri de imediato o link e fiquei sem chão tinha no ecrã do telemóvel um monte de fotografias, tiradas ontem, da Maria com o Bruno e o Rui Jorge.
" A jovem e bem-sucedida empresária desportiva, Maria Mendes, que atravessou um momento menos bom com o fim do seu casamento parece agora ter reencontrado a paz e a estabilidade necessária para criar o filho junto do selecionador nacional de sub-21.
O casal bem como o filho da empresária foram fotografados ontem a saída do estádio onde decorreu o jogo da equipa orientada por Rui Jorge. Os três formaram um quadro de família feliz surgindo abraçados. Confirmando assim os rumores que davam como certa a relação depois de várias aparições em locais públicos juntos e em clima de grande cumplicidade.
Horas depois e já com o bebé a caminho de Valencia onde visitará o pai na companhia dos avos paternos o casal foi novamente visto junto saindo da casa de Maria e passando o serão no cinema após um jantar a dois em clima de grande cumplicidade"
Não consegui resistir e acabei por ligar para a única pessoa que me poderia dar uma resposta sem me criticar
- Baixinho o que é que queres a estas horas?! Rápido que tou a chegar ao hospital
- Ruben já viste o que saiu hoje nos jornais?
- Tas a falar nas notícias sobre a Mãe do meu afilhado?
- Não tou a falar das sobre a minha mulher!
- Vai-te... olha vai ver se chove! Ela é ex-mulher
- Grande amigo!
- Não me lixes! Mas o que queres saber não te sei responder só posso confirmar que sim eles têm estado muito juntos... ele é vizinho dela e... 
- Já percebi...
- Bem vou ver o meu filho...
- Tchau...
Desliguei não sei se mais danado com o Ruben por ter sido tão desinteressado, se com a Maria por ter outro ou se comigo. Mas tinha de saber o que se passava e como se perguntasse a minha mãe já sabia a reposta, um valente raspanete, optei por procurar respostas diretamente na fonte e para isso resolvi enviar uma SMS a Maria.

Maria
Depois da saída da Teresa levando consigo o Guilherme acabei depois de grande insistência do Rui por aceitar acompanhá-lo ai jantar e numa sessão de cinema que se revelaram ótimas terapias para superar a ausência do meu bebé. De regresso a casa cada um seguiu para o seu apartamento sem qualquer tipo de ideia de outro nível já que já deixamos bem claros um ao outro os nossos sentimentos neste momento.
 Acordei na manhã seguinte com o toque do telemóvel, era uma SMS e do João, abri de imediato pensado poder estar a acontecer algo com o meu menino
"Para quem não gostava de aparecer... mais uma reportagem! Parabéns espero que sejam muito felizes! Agora é bom que não te esqueças que o pai do Bruno sou eu e que vou continuar a fazer tudo para o ter comigo. Quanto ao convite sabes perfeitamente que não poderei estar presente!"
- Reportagem? Mas qual reportagem?! Felicidades para quem?
 Fui interrompida dos meus pensamentos com uma chamada da Ana
- Tou
- Amiga vê o mail que te enviei e tem calma... ah e quero os detalhes sórdidos! Por isso almoçamos hoje. Não aceito um não como resposta e podes traze-lo a ele também. Bom vou dar Consultas
Desligou a chamada e eu já ligava o Tablet e assim que abri o link que a Ana me enviou fiquei atonita devia ser a esta notícia ridícula que o João se referia.
"Agradeço e retribuo as felicitações para ti e para a Carmen, alias penso que ainda não vos felicitei pelo bebé que vem a caminho... quanto ao meu filho nunca o Colocarei em situação de risco ou em que o pai não seja respeitado. É uma pena não poderes estar presente, mas o Guilherme já está habituado há tua ausência."
Respondi ao João e fui até ao apartamento em frente
- Bom dia vizinha! A que devo a honra
- Vê - passei-lhe o Tablet
- Mas.. quer dizer sabíamos já das fotos...
- Sim mas parece que não foi só nesse momento que nos viram!
- Maria temos a consciência tranquila... sabemos o que realmente se passa por isso ignora!
- Não posso
- Porquê? Também queres que isto seja verdade?
- NÃO! Desculpa já falamos sobre isso! Mas a primeira pessoa a falar-me disto foi o João
- O João?
- Sim lê... - passei-lhe o telemóvel
- Odeio ter que dizer isto porque... bem porque sabes já o que sinto, mas vocês deviam conversar
- Esquece! Tenho é de tratar disto
- Queres fazer um desmentido?
- Não não serve de nada a não ser para falarem mais... o truque é ignorar...
- A especialista és tu... -falou a rir- já comeste?
- NOP...
- anda...
- Rui eu não
- Não comes muito de manha eu sei! Mas um copo de leite vais beber...
- Sim paizinho
- Dou-te o paizinho!
Acabei por voltar para casa e o Rui respeitou o meu pedido para ficar sozinha. O assunto morreu ali.
Os dias passaram a voar. Para comemorar o aniversário do Guilherme preparei só um pequeno jantar com a família e os amigos.
- Maria tenho de falar contigo
- Diga Teresa
- Não posso levar o Guilherme amanhã... não consegui mudar a minha consulta
- Oh Teresa e agora?
- Agora vais tu!
- Sim prima vais tu amanhã
- Não quero ver o João... - comecei a chorar
- Calma - senti o Rui abraçar-me - queres que vá com vocês?
- Fazias isso por mim?
- Já te disse que faço qualquer coisa! Vou comprar o bilhete
- Rui desculpe, mas... não acho que o meu filho vá reagir bem...
- É Rui agradeço a preocupação com a minha prima, mas acho que tem de ser algo passado a três...
- É talvez tenham razão... Maria o meu telemóvel vai estar sempre disponível...
- Oh prima então vem tu comigo!
- Não vai dar prima... tenho o Filipe...
- Claro o Filipe
A conversa ficou por ali e apenas continuou a festa do pequeno que pouco tempo depois já dormia.
Algo se passava com os padrinhos do meu filho mas nenhum dos dois quis contar-me.
Mas foi notório para todos quando abandonaram a mesa a meio do jantar. E ainda mais quando depois de regressarem ficaram sentados no tapete com o afilhado até que a Mariana o foi deitar. Sim sei que é um dia difícil para eles.
Assim que todos saíram confirmei que o Guilherme dormia serenamente e preparei as minhas coisas enquanto pensava em tudo o que aconteceu nos últimos 365 dias e foram tantas coisas...
No dia seguinte, bem cedo, o caminho até ao aeroporto foi feito na companhia do Rui mas a cada metro mais perto de valência mais apertado o meu coração ficava.
A chegada foi calma e assim que cheguei ao prédio não tive coragem de tocar na campainha, aproveitei a saída dum vizinho para entrar e fiquei parada na porta do prédio com o menino ao colo e sem coragem de dar o próximo passo, até que...
O que será que aconteceu?
Como correrá a "surpresa"?

E quanto ao Ruben e à Mari como terão vivido este dia?