quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

110 - "Mas posso sempre deixar-te com um miminho para te lembrares de vez em quando!"

Olá a todas
Antes demais queremos pedir desculpas pela demora em vos darmos novo capítulo mas tem-nos sido dificil conciliar as nossas vidas "reais" com as "imaginárias". Mas finalmente conseguimos terminar o capítulo e como "penitência" por vos termos feito esperar tanto tempo deixamos um capítulo um pouco maior...
Esperamos pelos vossos comentários...
Beijinhos
Mariana e Maria

João
Apesar de deixar sempre bem claro que nunca iria voltar a ter com ela nada mais que uma amizade, a Maria ter ficado por Valência enquanto tive doente e deixar-me aproveitar cada segundo com o nosso filho foi maravilhoso.
Dei por mim a viver aquilo com que tinha imaginado quando decidi vir para Valência e tentei que ela me acompanhasse, chegar a casa vindo do treino e ao abrir a porta em vez do silêncio ouvia gargalhadas, tinha companhia às refeições…
- Mas qual é mesmo a pressa para ires para casa? - perguntou o Hélder quando me ouviu recusar um “café” depois do treino
- A Maria volta para Lisboa amanhã… - ele e o Ricardo trocaram olhares e gargalhadas - e quero aproveitar estes últimos momentos com o Bruno…
- Se quiseres que o Bruno fique lá em casa esta noite… vão busca-lo amanhã!
- Muita piada Ricardo…
- Então meia-leca… vais dizer que vocês não fizeram as pazes?
- Claro que não Hélder… o puto chora sempre no momento H…
- Dois grandes palhaços que o circo nacional perdeu! Já não vos disse que estamos apenas a tentar manter uma relação de amizade como sempre tivemos por causa do nosso filho?
- E agora a verdade!
- Esta é a verdade Ricardo! Mas se queres saber se para mim chega… Não, não chega, mas é melhor que nada…
- E vais deixar as coisas assim?
- E querem que deixe como? Fui eu que as meti assim e agora… agora não posso obriga-la a trocar alguém que a trata bem, por alguém como eu…
- Alguém que a trata bem?! Mas ela já tem alguém?
- Ela diz que  não tem nada, que são amigos e tal… mas eu vejo como ela fica toda sorrisinhos quando fala com ele… e até o Bruno sente saudades dele…
- Ele tem nome?
- Eish oh Ricardo toda a gente sabe que ele se chama Rui… 
- Mas é mesmo serio ela e o Rui?.... Nunca quis acreditar…
- Pois mas pelo que vejo e oiço é mesmo… e agora deixem-me aproveitar enquanto o meu filho fica por cá.
Aproveitei cada minuto e quando a hora do voo chegou levei-os ao aeroporto. A partir deste dia sempre que o Bruninho me vinha visitar era a Maria que o trazia, embora nunca mais tenha aceitado ficar em nossa casa, preferindo sempre um hotel, tal não impedia que nos acompanhasse durante o dia em passeios ou mesmo assistindo aos jogos no estádio.
Mais uma vez chegou o momento de os deixar, mas desta vez apesar de mais cedo do que normalmente era por uma boa causa.
- Quando chegarem avisa…
- Sim, quando chegar a casa do Ruben digo qualquer coisa, antes não sei porque vou com o tempo contado ao segundo… 
- Só não refilo porque… porque até eu ia só para ver o Ruben trocar uma fralda!
- Não sejas assim! Segundo a minha prima e a Ana ele desenrasca-se muito bem mesmo… - ouvimos a chamada para o voo deles - bebé beijo no pai!
- Porta-te bem! E cuida da mamã!
Eles seguiram e mais uma vez eu fiquei.

Maria
Acabada de aterrar em Lisboa e enquanto seguia para o carro liguei ao Rui
- Já chegaram?
- Olá para ti também!
- Olá! Chegaram?
- Sim! Vou agora até casa do Ruben, de certeza que não queres vir também?
- De certeza… é um momento muito importante e intimo e ele não me grama lá muito…
- Oh que conversa… sabes que ele é sempre assim… é tímido! - disse a rir lembrando-me do Ruben que conheci há muitos anos
- Não é timidez Maria… é amizade… amizade ao João… e eu não o condeno… vão lá e quando chegares a casa toca na campainha que já tenho o jantar pronto para nós!
- A sério?
- Sim… 
- Boa! Vou desligar que vou arrancar! 
A chamada terminou e quando cheguei a casa do Ruben só tive mesmo tempo de cumprimentar os presentes e colocar o Guilherme a falar com o pai, fui até a varanda da casa e liguei em alta-voz
- Tou…
- Papá!
- Oh bebé! Já chegaste? Onde estás?
- Padinho! Pipipo!!
- Tás em casa do padrinho? E o Filipe já chegou?
- Não, nós chegamos agora e o Ruben ainda… olha chegaram… xau!
Nem ouvi mais nada e desliguei a chamada, segui até à sala onde os momentos seguintes foram para babar o pequenote e ver a felicidade da minha prima em chegar a casa com o filho, sim filho que diga ela o que disser eles já se adotaram mutuamente.
Acabei por sair mais cedo  do que o previsto já que o Guilherme resolveu ter ciúmes do pequeno Filipe já que este recebia todas as atenções, principalmente as que vinham dos seus padrinhos.

Ruben
Estávamos todos na conversa quando o Filipe acordou a choramingar, olhei para o relógio e percebi que devia ser de fome e por isso fui preparar o seu biberão mas como a experiência ainda é pouca levei mais tempo que o que o Filipe estava disposto a esperar e por isso a Mariana apareceu na cozinha já com o menino no colo.
- Então demora muito? - sorriu
- Não gozes! - trocamos um olhar cúmplice e fomos até à sala, onde peguei no Filipe e dei-lhe o biberão mas não correu propriamente bem pois o meu filho engasgou-se e acabou por deitar fora o pouco que já tinha bebido, tive que o trocar sempre sob o olhar atento dos presentes, nomeadamente da Mariana que por muito que tenha tentado disfarçar não conseguiu. Já com o Filipe mudado voltei a insistir para que bebesse o leite mas o meu filho não estava para aí virado, só chorava. Tentei acalma-lo mas revelou-se mais complicado e comecei mesmo a desesperar, não sabia o que ele tinha e sentia-me cada vez mais perdido
- Posso tentar? - ouvir a Mari foi um alivio
- Sim…
Pegou no meu filho e após uns longos e penosos minutos conseguiu acalmar o Filipe para depois aquecer novamente o leite para lhe dar, isto tudo com o meu filho ao colo, fiquei simplesmente a observar, perdido em pensamentos e em desejos, afinal tê-la a cuidar do Filipe é o que mais quero, primeiro porque a amo e segundo porque o meu filho merece uma mãe.
A Mariana regressou à sala e conseguiu que o Filipe bebesse o leite todo mas só porque teve uma paciência enorme para esperar pelo querer do meu filho, já que o Filipe parou imensas vezes. Já com a barriguinha cheia, coloquei-o a arrotar e depois troquei a fralda, tentei adormecê-lo mas isso foi mais complicado, tanto que acabei por deita-lo na alcofa e levá-lo comigo para a sala.
- Bem já vi o campeão e também já percebi que o pai dele tem na madrinha do filho o seu maior apoio - olhei para o Jorge - por isso já posso ficar descansado - sorriu - Ruben vou embora que isto já é agitação demais para o menino, qualquer coisa que precises liga!
- Obrigado Jorge.
- Nós também vamos… não é homem?
- Sim… sim… vá Ruben boa sorte para este novo desafio e faço das palavras do meu irmão as minhas, se precisares de alguma coisa não hesites…
Agradeci mais uma vez e acompanhei-os à porta, foi quando se estavam a despedir que o pai da Mari surpreendeu novamente
- Ruben é quando pegamos no nosso filho que percebemos que não somos nada… e que o nosso filho é tudo - olhei-o - nunca te esqueças disso!
Nada disse e depois de fechar a porta regressei à sala, onde o meu filho já andava a passear entre o colo do meu irmão e o da minha mãe, sempre sob o olhar atento da Mariana o que mais uma vez fez-me sorrir.
- Primo - olhei para a Maria que se riu - não precisas fazer esse ar de quem não espera ser chamado como tal - sorriu - tenho de admitir houve uma altura que perdi as esperanças mas sinceramente agora acho que já esteve mais longe do que está… só te peço para teres cuidado, não dês passo nenhum maior que a perna! E agora também vou que o Guigas está com uma crise de ciúmes...
Sorri ao ouvi-la para depois agradecer as palavras e o apoio da Maria para depois a acompanhar à porta.

Anabela
Desde que o meu neto nasceu que a vida do meu filho parece ter entrado novamente nos eixos, pelo menos agora que tem a Mariana do seu lado anda mais feliz...
É impossível não reparar no apoio incondicional que recebe da rapariga, mesmo depois de tudo o que passaram juntos e separados, a Mariana manteve-se do seu lado, emparando-o muitas vezes e obrigando-o a reagir. O certo é que o meu neto tem na Mariana o que mais se assemelha a uma mãe e ao fim de sessenta dias isso é mais do que evidente, a forma como a Mariana cuida do menino é estupenda e a ligação que ambos já criaram é enorme, tanto que o Filipe já a reconhece, também não é difícil tendo a Mariana passado imenso tempo com o menino.
O certo é que mais uma vez esteve presente em mais uma etapa da vida do meu neto, foi a Mariana que trazia o Filipe ao colo quando chegaram a casa e que conseguiu acalma-lo, a ele e ao Ruben, quando o menino começou a fazer birra. Confesso que senti mesmo uma pontinha de ciúmes mas o alívio foi bem superior, já que em determinado momento houve algo na forma como o meu filho e a Mariana se olhavam que sossegou o meu coração de mãe, pela primeira vez em meses tive esperanças que seja desta que estes dois se acertem...
Os minutos foram passando e as visitas foram saindo, foi quando já só estava o Mauro, a Mariana, eu e o Ruben que o menino começou a chorar, o que fez o meu filho lhe pegar ao colo na tentativa de o calar mas o meu neto cada vez chorava mais, de facto não estava a ser nada fácil estas primeiras horas...
- Oh Mariana o que é que faço? - sorri ao ouvi-lo, o Ruben simplesmente procurou auxilio naquela que ama
- O filho é teu...
- Sério... - a Mariana sorriu para logo de seguida pegar no menino
- Oh pequenino estás tramado... o teu pai saiu-me cá um atrofiado de primeira...
- Que lindo a falares mal de mim ao meu filho! - o Ruben resmungou mas sempre com um sorriso no rosto
- Quem confessa a verdade não merece castigo! - a Mariana estava nitidamente a desafia-lo - E prova disso é que ao meu colo o menino calou-se...
- Ai é?!
- É... - estavam no despique sem se incomodarem minimamente com a minha presença ou a do Mauro
- Oh mãe - olhei para o Mauro que falou de forma a não interromper o irmão e a Mariana - não quer ir andando?
- O teu irmão pode precisar de ajuda...
- Acha? Oh mãe neste momento já só estamos a empata-los - o Mauro sorriu e por isso olhei na direção do Ruben, encontrando-o abraçado à Mariana e a dar miminhos ao filho - vá vamos deixá-los!
- E se a Mariana depois vai embora?
- E que tal você deixar de interferir na vida do mano? Oh mãe, o mano é bem capaz de cuidar do menino e se precisar também sabe que pode ligar a pedir ajuda. Quanto a Mariana ir embora isso é com eles, deixe-os viver um dia de cada vez porque só assim é que podem decidir o rumo a dar à vida deles.
Não estava de todo satisfeita e por isso mesmo acabei por fazer o que o meu coração de mãe dizia.
- Ruben - assim que o chamei parece que despertei a Mariana para a realidade, uma vez que se afastou imediatamente do meu filho - queres que a mãe fique cá esta noite?
- Não...
- Tens a certeza? Oh filho a mãe pode ficar...
- Mãe agradeço o apoio e sem dúvida nenhuma que vou precisar dele mas hoje prefiro ficar sozinho...
 - Mas podes precisar de alguma coisa, não estás habituado a cuidar de um bebé, já para não dizer que tens o sono pesado...
- Oh Anabela, desculpe a frontalidade mas não acha que já chega? - olhei para a Mariana - O Ruben já está inseguro o suficiente não precisa que você dê a entender que não conseguirá cuidar do filho!
- Só estou preocupada com o meu neto...
- Então somos duas! Também estou preocupada com o Filipe mas não é por isso que tenho o direito de melindrar o pai dele! Se o Ruben já disse que quer ficar sozinho então deixe-o ficar!
- Já entendi... vocês querem ficar sozinhos!
- Oh mãe não é nada disso - o Ruben suspirou - a Mariana só reagiu porque tem sido ela que passou os últimos dias a ouvir as minha lamentações e receios...
- Vocês estão juntos e não querem admitir!
- Está enganada! Anabela a única ligação que tenho ao Ruben é a amizade e agradeço que não misture as coisas para isso já bem basta os atrasados dos jornalistas que tivemos que aturar!
O Ruben acabou por contar o que a Mariana se recusou, alegando que ia tentar adormecer o menino no quarto.
- Mano agora que a Mariana saiu e que contaste isso, vocês estão juntos?
- Não... infelizmente não!
- Mas nunca se passou nada entre os dois?
- Não! - a rapidez com que respondeu fez-me perder a esperança
- Vais desistir?
- Mauro não se trata de desistir... esqueçam! Eu e a Mariana já falamos e já nos acertamos, somos unicamente amigos e é assim que queremos continuar, nenhum dos dois está preparado para mais, simplesmente queremos paz!
- Mas amas a rapariga!
- Pois a amo... amo-a mais do que a mim mesmo mas do que adianta ama-la quando juntos só nos magoamos? Percebam de uma vez que decidimos pela amizade de comum acordo, neste momento é amizade o único sentimento que conseguimos dar e receber, amarei sempre a Mariana e disso não tenho dúvidas mas chegamos a um momento que não dá mais ou melhor só dá mesmo amizade! Espero que respeitem isso e nos deixem em paz, para especulações já basta as que vêm de fora, nós queremos e precisamos de sossego. A Mariana tem sido a minha tábua de salvação e não posso dar-me ao luxo de a perder, por isso mãe não se meta, sei que quer o melhor para mim por isso respeite a minha vontade e as minhas decisões.
Não respondi, simplesmente despedi-me do meu filho e fui até ao quarto do meu neto para lhe dar um beijinho, como o menino ainda estava de olho aberto acabei por ficar um tempo com o meu neto, enquanto a Mariana o tentava adormecer...
Ruben
Custou ser tão rígido com a minha mãe quando sei que só está preocupada comigo mas tenho que lhe colocar um travão ou então quando der por mim está a interferir nos cuidados com o Filipe e neste momento a última coisa que preciso é dela a opinar, não é que me sinta mais seguro, mas algo dentro de mim diz-me que a Mariana não reagirá bem a isso e agora mais do que nunca preciso do meu amor.
- Puto - olhei para o meu irmão - vocês não estão mesmo juntos?
- Não...
- De certeza? - olhei-o - Mano podes confiar em mim - suspirei - o que é que se passa?
- Mauro isto não sai daqui!
- Prometo!
- Nós não namoramos mas também não se pode dizer que somos só amigos - o meu irmão sorriu
- Vocês já...
- Não e está muito longe de acontecer... mas já tivemos alguns momentos de troca de carinho, mas a Mariana ainda está muito magoada com tudo o que aconteceu, ainda nem sequer recuperou da perda dos gémeos, nós temos andado a fazer umas sessões com uma psicóloga - pela expressão do meu irmão deu para entender que ficou surpreso - porque o que vi na noite que o Guigas fez  um ano foi doloroso e arrasador, vi a Mariana completamente desesperada, mano ela quebrou ao fim de um ano a acumular tudo para si... doeu tanto ter a perceção do que lhe fiz... destruí a Mariana...
- Mano não tiveste culpa...
- Tive Mauro, o pior é que tive mesmo! Mano a Mariana quando descobriu que o Sr. Manuel não é o pai biológico cortou qualquer contacto com a família Mendes e o Guigas só nasceu porque armei com o João delas se encontrarem, a Mariana ignorou a Maria, o que fez a prima se enervar e desencadeou o parto, senti-me culpado e por isso fiquei do lado da Maria quando devia ter ficado com a Mari... abandonei-a e por isso passou a noite sozinha no hospital, Mauro a Mari não perdeu os dois bebés ao mesmo tempo, ela quando chegou ao hospital a menina ainda estava viva, ela ouviu o seu coração bater... horas depois deram-lhe a notícia que a menina não tinha sobrevivido... e eu onde estava? Em casa a julga-la por ser tão insensível e quando tentou contar-me que já não íamos ser pais, voltei a sê-lo, mano quando a Mari contou que tinha passado a noite no hospital associei de imediato que tinha ido ver o Guigas, disse-lhe isso mesmo o que só a destruiu mais... horas depois descobri que tinha perdido os gémeos e não aguentei vê-la desfeita... fugi, abandonei-a completamente... a Mariana agarrou-se ao que conseguiu para esquecer o que nunca seremos capaz de esquecer, ela agarrou-se ao Guigas, cuidou do menino quando a Maria não conseguia e mais tarde quando deixou de ter o Guigas, ocupou a cabeça no trabalho, enquanto eu só a desiludia e a magoava ainda mais... na noite que antecedeu o casamento da Maria e do João, nós fizemos amor - o Mauro esbugalhou os olhos - e na manhã seguinte a Mariana acordou sozinha para encontrar-me depois com a Sofia agarrada ao meu pescoço, porque tinha acabado de contar-me que ia ser pai... aquele dia foi para esquecer, ver a Maria e o João tão felizes e saber que tinha perdido a Mari para sempre fez com que passasse a viver por viver, depois os meses seguintes foram de completa tortura e quando a Mariana pediu ou melhor implorou para que não me cassasse, disse-lhe que amava a Sofia porque simplesmente quis proteger o meu filho... nunca pensei que a Mariana fosse aparecer no dia do casamento para mais uma vez impedir-me de cometer um erro... depois disso e contra o que seria de esperar acabamos por nos aproximarmos... a Mariana revelou-se o meu maior apoio e voltou a agarrar-se a um filho que não é dela para ter uma razão para continuar a querer viver mas isso só a magoou mais, nem sei como é que conseguiu entrar dia após dia na unidade de neonatologia, só sei que o fez e impediu que o Filipe se sentisse depressado, ela ama o meu filho e nem no dia que fez um ano que perdeu os gémeos evitou de visitá-lo, por tudo isto... sim tenho culpa em tudo o que passou, tenho culpa por a Mariana ter perdido o seu sorriso, por ter desejado desaparecer, mano nós amamo-nos mas não estamos preparados para sermos mais do que amigos, ainda que as saudades sejam muitas e que o desejo aumente drasticamente sempre que estamos só os dois... não posso nem quero levá-la a fazer algo para o qual não esteja preparada e acredita a Mariana não está preparada para amar de novo...
- Nem sei o que dizer...
- Não digas nada, não há mesmo nada a dizer...
O meu irmão fez mesmo o que pedi e não disse nada, acabei por limpar as lágrimas que inevitavelmente molharam o meu rosto enquanto desabafei com o meu irmão e depois fui até à varanda, estava a precisar de ar...
A minha mãe regressou à sala uns minutos depois para sair com o meu irmão...
Estava na sala quando vi a Mariana regressar.
- Finalmente adormeceu... - falou ao sentar-se ao meu lado
- Queres ver um filme ou fazer alguma coisa?
- Vou ter que ir embora...
- Fica! - olhou-me
- Ruben...
- Por favor... Mariana fica comigo pelo menos até jantarmos, depois prometo que não peço mais mas pelo menos fica o resto da tarde...
- Ok...
As horas seguintes foram tranquilas, vimos um filme mas o sossego terminou quando o Filipe acordou, tentei dar-lhe o leite mas mais uma vez não consegui fazê-lo e isso começou a assustar-me, até porque quando estava internado só ao início é que tive dificuldade em fazê-lo. Tentei tudo para acalmar o menino mas acabou por ser a Mariana a fazê-lo, algo que revelou-se complicado, ainda assim conseguiu que o menino bebesse o leite e após largos minutos adormeceu-o, colocando-o no seu berço.
- O que é que lhe fazes? - olhou-me e sorriu
- Nada… tenho paciência e deixo-o cansar-se sem me stressar… - encolheu os ombros - Ruben os bebés precisam de chorar porque é a única forma que têm para se expressar e até gastar energias mas se entras em stress sempre que não o consegues acalmar não irás longe porque os bebés sentem isso… tens um longo caminho pela frente…
- Só espero estar à altura do desafio…
- Ruben és um pai excelente - olhei-a - só tens de deixar de ter medo… é normal que agora que o tens cá em casa te sintas mais inseguro e aches que não consegues cuidar do Filipe mas isso não é verdade.
- Sinto-me sozinho - suspirei - perdido…

Maria
Cheguei a casa tomei um duche e só depois dei “sinal de vida” ao vizinho.
- Só agora?
- Não… mas já tomei duche e o Guilherme vinha com sono e birra de ciúmes dos padrinhos por isso adormeci-o logo…
- Ahhh então podemos entrar?
- Aqui? Vamos lá para casa! Eu ajudo com as pizzas
- Quais pizzas?!
- As que mandas-te vir para o jantar!
- Lamento desiludi-la mas o jantar não é pizza e se vai ser na sua casa… terá de se fechar no quarto até que eu a chame!
- Mauuu… mas o que é que tas a tramar?
- Euuu?! Surpresa!
Acabei mesmo por ir até ao quarto e aproveitar para ler uns e-mails enquanto ouvia as movimentações, que eram muitas, na sala
- Já podes vir! - disse abrindo a porta do quarto
- Boa estava cheia de fome!

Segui-o e quando cheguei à sala deparei-me com algo que não esperava, e como não sabia bem como responder decidi partilhar com os meus amigos mais próximos de forma a tirar alguma carga simbólica
"Ele sabe que depois de mais um fim de semana tenso, sabe-me sempre bem um miminho!”
Claro que muitos “boatos” surgiram dentro do meu círculo de amigos, alguns apostando mesmo que o autor de tal proeza era o João, não respondi
- Posso saber a que se deve este jantar?
- Tinha saudades tuas… e bem… eu estive a pensar e… eu sei que o que sentes pelo João continua intacto apesar de tudo… mas também sei que o que sinto por ti, e também pelo Guilherme, cresce de dia para dia… e por isso achei que estava na hora de te perguntar se estás disposta a tentar… a deixar-me tentar mudar o dono do teu coração?
- Rui eu…
- Shiu… não respondas! Vamos jantar… pensa no assunto e…
- Eu já pensei e voltei a pensar, mas não chego a conclusão nenhuma… acho que não consigo faze-lo assim de um segundo para o outro de forma definitiva… acho que tem de ser algo gradual e natural… mas sim estou disposta a tentar… a deixar-te tentar… mas sem compromisso…
- Sem compromisso… prometo que não pressiono! 
Sorri, não sabia mais o que fazer, mas sabia que cada minuto a mais com o João era um minuto mais perto de voltar para ele e isso eu sabia que não queria, ou melhor o meu orgulho não deixava!
Tal como prometeu o Rui não pressionou, mas também não evitou alguns gestos de carinho mais íntimos que o normal entre nós. Foi já quando o jantar se aproximava do final que
- Um brinde?
- Nunca se nega! Mas a quê?
- A ti! A mim! Ao Guilherme e ao futuro que espero que seja pelo menos a três… mas que não me importo que seja a 4,5,6 ou 7 se isso significar que vamos encher o Guilherme de irmãos… - olhei-o sem saber mais uma vez o que responder - mas isso só o futuro o dirá… por isso brindamos só a mim, a ti, ao Guilherme e a que este seja o primeiro de muitos momentos felizes!
Fizemos os nossos copos tocarem-se e bebemos
- Rui! 
- Sim?
- Junta o teu copo ao meu!
- Para quê?
- Junta e já vês!

Ele fez o que lhe pedi e eu tirei uma foto que partilhei desta vez como todos os que me seguiam nas redes sociais
“Inícios, finais, reinícios e novos finais… é disso que a vida é feita de etapas… que esta seja mais uma feliz e longa, mas isso, isso só o futuro dirá!”
- A sério que queres meter isto aqui assim?
- Se pode sair em revistas quando era totalmente mentira porque não posso ser eu a partilhar um bom momento?
- Amo-te! - ao ouvi-lo senti um misto de emoções o primeiro culpa, por saber que não correspondo o sentimento apesar de todo o carinho que sinto por ele, o segundo de bem-estar, por me sentir amada 
- Obrigada…
- Não precisas agradecer… não precisas dizer nada…
Depois deste momento mais intenso e de um momento de silêncio que de desagradável nada teve voltamos ao clima de cumplicidade, leveza e animação que caracterizam as nossas conversas e assim foi até ao momento do café
- Bem tá na hora de ir embora - o Rui falou enquanto continuava o cafuné que fazia nos meus cabelos enquanto a minha cabeça se mantinha no seu colo, logo depois de mais um bocejo meu - que a Princesa quer dormir
- Lamento, mas aqui não há princesas… - ele olhou-me - só Rainhas! Sim que mãe de príncipe é Rainha!
- Como queira Vossa Alteza! - rimos - Mas vá vai lá dormir que eu arrumo isto tudo!
- Nem penses não tem assunto nenhum! Deixa isso ai amanhã eu limpo! - falar com o Rui ou com uma parede foi o mesmo já que o ouvi concordar comigo, para assim que me ouviu ir até ao quarto usar a sua chave e arrumar a sala, ouvi o barulho e já de pijama encontrei-o na cozinha - Mas eu falo chinês??
- Não… mas eu disse que arrumava! Vai dormir… - falou depois de me olhar de cima a baixo e dando-me um beijo na bochecha, muito perto dos lábios - que eu já acabei e não te incomodo mais… que também tenho de ir que a idade não perdoa e já tou aflito das costas…
- Sério?! Oh coitadinho a sorte é que euzinha sou uma excelente massagista!
- Ai és? 
- Sim sou! Anda! - fi-lo seguir-me até ao meu quarto - Tira a camisa e deita-te!
- Maria…
- Maria nada! Ah espera estás com vergonha de mim é?!
- Não é vergonha… é que…
- É que?
- Que estás assim vestida… e a mandar-me deitar na tua cama e… um homem não é de ferro e tu sabes que eu… bem eu gosto de ti e… prometi que não te pressionava, mas assim começa a ficar difícil!
- Parvo! Deixa de dizer e pensar asneiras! E deita-te sem camisa e com as costinhas para cima! Que eu vou vestir um fato de treino para não te incomodar tanto
- Deixa lá isso que não me incomodas nada! - era esquisito, estar a ser observada e a provocar desejo nítido e declarado a um homem que não era o João, mas estava-me a saber muito bem, estava a fazer maravilhas pela minha autoestima - antes pelo contrário…
- Ai sim?! Então vá na caminha já! - ele deitou-se e eu iniciei uma massagem sem segundas intenções que pretendia apenas relaxa-lo que era bem percetível toda a tenção que acumulava nas costas
- Acostumava-me a isto com facilidade!
- Nem penses! Que tenho mais que fazer da vida que cuidar de idosos!
- Má! 
- Pois sou! Mas posso sempre deixar-te com um miminho para te lembrares de vez em quando!
- Tás a falar de quê? - perguntou assustado quando sentiu a minha unha começar a percorrer-lhe as costas com intensidade
- De uma foto!! - respondi a rir para de seguida preparar o telemóvel e fazê-lo disparar sozinho - Já tá!


"Não há jantares grátis! Já me tinham dito… e agora tenho a certeza!"
- Tens mesmo a certeza disto?
- Do quê?
- De partilhar assim!
- Tenho total e absoluta!!!

Com o Filipe em casa muito vai mudar na vida do Ruben... terá ele preparado para ser pai e mãe? E a Mariana qual será o seu papel???
Maria e Rui... cada vez mais próximos... o que o futuro lhes reserva???
João... sozinho em Valência como reagirá aos momentos partilhados pela Maria??

7 comentários:

  1. Fantástico...

    Quero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...

    Continua...

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  2. Ai Maria que maldade, eu sabia que não ia gostar porque é que me estiveste a iludir? :)
    Ah e já estou a caminho de Valência para consolar o João quando ele for ver as fotos mazinhas da Maria (que maldade, que maldade).

    Gosto dos momentos com o bebé Filipe. O Ruben foi bastante corajoso ao admitir em voz tudo aquilo e a Mariana é mais corajosa ainda ao não abandona-lo (GOSTO) :) a mãe do Ruben é que foi mazinha e inconveniente, ciúmes?
    Também achei piada aquela parte de misturar a vida real com a vida imaginária loool
    Próximo please :)
    Beijinhos
    PatríciaQ

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  3. Confesso que já tinha saudades de ler um capítulo vosso, os momentos da Mari e do Ruben com o pequeno Filipe são um doce, e por muito que a Mari diga que não, ela é traída pelos próprios gestos de carinho com o Filipe e com o Ruben, já para não falar na troca de olhares que não passa despercebida a ninguém.
    Depois de tanta pressão familiar em redor da relação do Ruben e da Mariana, finalmente o Ruben num desabafo sentido contou tudo ao irmão, situações e momentos que o Mauro desconhecia, isto depois de uma ligeira crise de ciúmes da D.Anabela.
    O Filipe tá completamente dependente da Mari, e isso salta à vista de todos, só ela o acalma, só ela o consegue alimentar, por isso não sei se o Ruben se sairá bem na primeira noite se ficar sozinho com o filho, eu espero que ele fique muito bem acompanhado.
    Em relação à Maria e ao João, a conversa é outra, compreendo que nem sempre seja fácil escrever, o tempo não dá para tudo, agradeço o facto do capitulo ser um bocadinho maior, mas digo-te já que não é com um capitulo maior que me dás a volta. mas porque razão é que o Rui ainda não basou da vida da Maria?
    Não gostei nadinha da forma que isto terminou, então não quer assumir nada e depois anda a tirar fotos para o face ou para o twitter (uma coisa dessas), ainda por cima com frases assim tão sugestivas? Para quem não quer boatos nem tá a alimentá-los nem nada, não gostei, e se ainda por cima não tem o mesmo sentimento, mas ela endoideceu ou quê?
    O João tá a colher o que semeou, mas também não era preciso isto, já lhe basta estar longe do filho e da mulher que ama e ainda tem que levar com estas fotos e os vários comentários que os amigos e conhecidos fazem? Também não havia necessidade, se já não tava fácil eles se entenderem, com o desenrolar dos acontecimentos ainda é mais difícil.
    Espero bem que a Maria tenha um momento de lucidez e pense bem no que anda a fazer, porque como ela já o confirmou, mesmo em pensamento, só não está com o João por orgulho, e o Rui gosta mesmo dela, por isso ela que atine bem as ideias senão é mais um a sofrer por causa dos desvarios de uma Mendes.
    Agora o que quero mesmo é a resposta ás perguntinhas no final do capitulo, nem vou dar palpites, porque nunca se sabe o que vem dessas cabecinhas pensadoras, uma coisa eu sei quero o Rui longe da Maria, não te chateio mais, porque hoje tiveste um anjo da guarda que me pediu para não ser mázinha contigo, não sei se será o peso na consciência a falar mais alto...
    Adorei o capitulo, apesar do seu desenvolvimento, mas quero mais.
    Continuem, não demorem muito tá bem?

    Beijocas

    Fernanda

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  4. AI ME GUSTA TAAAAAAAANTO!
    É verdade devo ser a unica a gostar de Maria e Rui. Acho que tenho alguma "panca" por "casais de segunda", ou seja, por casais que supostamente nao deveriam casais. Ok, chega de definiçoes parvas. Eu gosto do Rui. Ele é querido, trata bem dela e acima tudo fa-la sentir mulher. Portanto dá 10-0 ao Joao! Quero ver isso continuar!!!
    Quanto à Mari e ao Ruben... keep calm, estou no ritmo deles, a passo e passo eles vao la chegar, nao é? é é é é???? Ok, calma xD
    Adorei e quero o proximo!!

    Beso
    Ana Santos

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  5. Olá!
    Adorei o capitulo!!
    Apesar de não estar 100% "vendida" ao casalinho Maria e Rui tenho de confessar que ele é um fofinho para ela!!!! :P
    Quero agora o resto rapidamente.
    Beijinhos
    Rita

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  6. Olá meninas:
    Desculpem o atraso ;) li o capitulo e só hj reparei que não tinha comentado :D
    Como é de esperar amei o capitulo, bem não estava nada à espera destes avanços todos da Maria... acho que o "nosso" Joãozinho vai sofrer...
    Agora da Mari e do Ru estou mortinha para grandes avanços... :D
    Adoro, adoro!!!
    Quero mais!!!
    Beijinhos.

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  7. Demorou, mas já está lido!
    Adorei!
    Quero mais!
    Bjs

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