terça-feira, 23 de julho de 2013

084 - "Eu tenho medo de não conseguir tomar conta do Guilherme..."

(Maria)
Depois de todos saírem senti-me ser vencida pelo cansaço, posso dizer que apaguei mesmo.
Quando voltei a acordar estava já num quarto e assim que abri os olhos
- Filhota como estás? - ouvi a minha mãe, mas sinceramente não sabia o que responder esta tarde tinha sido toda surreal e ainda a juntar à “festa” sentia que a minha barriga tinha sido esmagada por um camião TIR. Olhei em volta - Está aqui! O menino está aqui! É lindo filha, Parabéns!
- Ah... - olhei o pequeno berço e vi-o já lavadinho e vestidinho ainda o quis ir pegar mas assim que me tentei mexer
- Nem penses Maria! - desta quem falou foi a Teresa - a Ana pediu que evitasses grandes movimentos por causa dos pontos!
- Mas eu queria-o aqui mais perto
- Ui que ela acordou logo a querer mimo! - a Ana entrou neste momento - Queres perto? Então prepara-te que vamos alimentar o pequenote
- Vamos?
- Vais Tu! - riram-se as três
- Como se não me posso mexer?!
- Calma... - uma enfermeira que entrou com a Ana mexeu na cama e em mim de forma a que ficasse numa posição confortável - Estás confortável?
- Acho que sim... mas a barriga...
- Doi-te, mas prometo que vais ter uma cicatriz linda, sim que sempre fui boa em trabalhos manuais - a Ana gozava-me - fiz-te ai um quadro em ponto cruz que nem te conto! - A curiosidade foi maior que tudo e enquanto ela pegava o Guilherme eu levantei o lençol e descolei um bocado do penso - Maria!!!!
- Ana isto é... horroroso!
- Oh Maria ainda está inchado e é normal que com pouco mais de duas horas não está com o aspecto que ficará no final além disso não podes tirar o penso assim! Só eu ou uma das enfermeiras volta a mexer aqui estás a perceber?! - a Ana passou o bebé para os braços da enfermeira e falava-me agora num tom nada simpático - Maria se fazes isso aumentas o risco de uma infecção na incisão! E todas as complicações que tal te trará! E tu não precisas disso! Correu tudo bem apesar de inesperado, tu e o Guilherme estão opitimos e o João vem a caminho por isso agora se não te importas páras de inventar asneiras, porque te juro que fiz um excelente trabalho e quando sarar definitivamente, vais ver porque isso vês sempre mas será algo que se notará pouco!
- Ei calma só tinha curiosidade e tens de concordar que ver isto na tua barriga não é propriamente agradável!
- Concordo e por isso sei que não é boa ideia estares a espreitar! E agora vamos alimentar este lindão da tia que tá visto que nasceu com o apetite do pai - falou assim que o Guilherme choramingou, pegou e passou-me para os meus braços e afastou-se
- Onde é que vais?
- A lado nenhum! Estou aqui!
- Mas isso é muito longe e se eu perco a força e ele cai? Ana eu não estou com muita força! - ouvi novamente todas a rirem
- Qual das avós babadas vai ajudar a mamã em panico?
- Oh Ana tu não me gozes!
- Calma filha a mummy tá aqui! - a minha mãe sentou-se junto a mim
- Maria é normal sentires tudo o que estás a sentir e não és a primeira recém-mamã que vejo a passar-se por isso sei que me posso afastar até aqui e confesso que ver a Srª Drª Maria Mendes em panico dá-me um certo gozo porque nunca te vi assim!
- Maria relaxa querida - desta foi a Teresa a chegar perto de mim - Vês como está tudo bem... e olha que só me lembro de ver alguém a mamar assim com tanto gosto quando metia o pai dele ao peito! - falou a rir e foi impossível eu não gargalhar
- Ai bebé... - falei fazendo uma pequena festa na carequinha - vamos lá a ter calma que isso doi... -falei já que o pequenino sugava o meu peito com alguma velocidade, mas acabei por sorrir, quando ele perdeu o mamilo e, mesmo sabendo que não me via parece que me olhou - vá pequenino come...
- Oh tanto medo e afinal até tem jeitinho - a Ana e as avós continuavam a gozar-me e ficaram assim durante todo o tempo que o Guilherme levou na sua primeira refeição que não acabou antes de
- Oh Ana em vez de gozares se pegasses no meu telemóvel e tirasses uma foto aqui ao esfomeado!
- Que vicio!
- Não é vicio é só para mostrar ao pai que ele já comeu!!
- Ah se é por isso!
A Ana tirou a foto e depois acabou por me ajudar colocando o Guilherme para arrotar enquanto eu convenci as avós corujas a deixarem-me sozinha com o pequenino e a Ana, elas refilaram, mas lá aceitaram.
- Ana... - ela olhou-me assim que colocou o menino no berço
- Diz?
- A Mariana?
- Oh Maria não penses nela agora, o teu filhote nasceu é lindo e precisa que tu tenhas as energias todas para gastar com ele e não que as gastes com outros assuntos
- Mas... oh Ana é a Mari!
- Pois é! Mas ela está a precisar deste tempo Maria! E tu já fizeste mais doque o que devias! E o que é que ganhaste com isso?! Uma valente humilhação, sim que eu sei que ouvir o que ela te disse, como disse e onde disse te deixou humilhada já para não falar na desilusão monstruosa e no facto de o Guilherme estar já cá fora. Maria ambas gostamos muito da Mariana e como vossa amiga também não gosto de ver tudo pelo que estão a passar, mas..., olha mas aqui esta bata branca que visto obriga-me a agir como tua médica única e exclusivamente e é nessa qualidade que te proíbo, PROÍBO estás a perceber? De falares com a tua prima pelo teu bem e pelo bem dela!
Maria por favor, não fiques assim...
- Ana a culpa do Guilherme ter nascido antes do tempo é minha! Por acaso estavas presente e salvas-te-nos e se não estivesses?! E se eu estivesse sozinha e não conseguisse chegar aqui a tempo? E se o Guilherme tivesse....
- Maria não aconteceu nada disso, por favor eu sei que tudo está a mexer com os teus nervos, é normal, mas agora relaxa. Respira fundo, limpa essa carinha e vamos lá receber os avôs e os tios-avós e a priminha que estão ansiosos lá fora, para depois descansares um bocadinho para tares lindona quando o papá chegar!
- Eles que venham! - sorri
- Ah bom assim gosto mais!
Passados uns minutos entraram o meu pai e o pai do João e ainda os meus tios e a pequena M
- Prima o teu bebé é muitoooo lindo! - falou toda animada junto ao berço
- Matilde! - a minha tia ralhou-lhe - fala baixo o menino está a dormir e a prima ainda está cansada
- Desculpa prima eu não queria acorda-lo - a Matilde sentou-se na cama junto a mim - Porque é que tu tás cansada?
- Porque a prima precisou fazer força para o Guilherme sair - sei que era uma resposta muito pouco explicita para a idade dela, mas não tinha cabeça para nada melhor
- Ah... não percebi - todos se riram
- A mãe depois explica-te sim? Agora dá beijinho à prima e vamos que a prima e o Guilherme têm de descansar - a pequenina assim o vez e a mãe também - Parabéns querida o menino é lindo!
- Obrigada tia!
- Pequenina do tio eu disse-te que não era boa ideia, não disse? - fiz só que sim com a cabeça - o miúdo é lindo, modéstia à parte tem Mendes escrito na testa! - falou a rir - Parabéns! Dá um abraço meu ao João quando ele chegar
- Obrigada por tudo tio!
Eles saíram e ainda ficaram os dois avôs que depois de babarem muito o menino e discutirem a qual dos dois o menino saía acabaram por também se despedir.
Fiquei sozinha no quarto e pude ver o pequenote a dormir. E só ai comecei a juntar as peças todas do que aconteceu neste dia e o peso na minha consciência começou a crescer uma vez que a minha casmurrice tinha provocado o nascimento do Guilherme, tinha feito o João vir de Valência à pressa, tinha feito o Ruben estar no lugar dele e como será que a Mariana tinha reagido a isso?! Sim que depois de se terem divorciado e afastado por minha culpa ...
Eu só desejava que a Mariana mesmo sem querer que eu soubesse tivesse estado na sala de espera, que a Mariana tivesse visto o afilhado e que tivesse dado força para que o Ruben me acompanhasse. Senti uma lágrima a cair-me no rosto e preferi seguir o conselho da Ana e centrar-me no meu bonequinho sim era isso que tinha ali naquele pequeno berço junto a mim um bonequinho que eu confesso que tinha algum receio de não conseguir saber cuidar, defender, educar... Fiquei a olhar para o pequeno e como a Ana previra acabei por sentir os olhos a fecharem-se ainda tentei lutar contra de forma a estar acordada quando o João chegasse, mas mesmo assim acabei por ceder.

Não sei quanto tempo passou, sei que quando voltei a abrir os olhos senti a porta abrir também de imediato olhei e vi quem esperava foi impossível não sorri, ele entrou devagarinho e aproximou-se do berço
- Olá papá! Eu não consegui esperar! - senti necessidade de me desculpar por tudo o que tinha provocado principalmente depois de ele me ter avisado que isto podia acontecer e mesmo me ter pedido para que não o fizesse - Podex pegar eu! Eu não choro!
- Eu não sei... - era notório o desconforto e atrevo-me a dizer o medo que o João sentia
- Oh João?! 
- É tão pequenino e se o deixo cair?! - a vontade que tive foi de gargalhar ou mesmo de me jogar a ele abraça-lo e enche-lo de beijos
- João Pedro! Eu não me posso mexer desta cama tou perdida de dores e já o peguei e já lhe dei de mamar por isso ganha mas é vergonha na cara! - quando falei fi-lo de forma a que percebesse que se eu sem me mexer consegui já pegá-lo e alimenta-lo ele também conseguia e consegui o meu objectivo e ver o João com o Guilherme no colo foi das cenas mais.... nem sei bonita, emocionante, apaixonante, nem sei como classificar e vê-lo babar quando o menino adormeceu ainda me deixou mais encantada.
O João sentou-se na cabeceira da minha cama e eu não hesitei em trocar a almofada pelo peito do João que adivinhou que apesar de ambos sabermos que tínhamos muito que falar preferiu deixar-me relaxar, sim, foi o que aconteceu sentir o seu cheiro, o seu toque e o bater do seu coração acabou por me relaxar por me limpar o pensamento de coisas menos felizes e por me levar no caminho de mais um sono desta vez calmo e tranquilo pelo menos de inicio.

Quando acordei, novamente sem saber se muito ou pouco tempo depois de adormecer, estava no meio de um pesadelo. Sonhava que o Guilherme não mamava no meu peito, não comia de forma nenhuma e vá-se lá saber porquê a única solução era que a Mariana o alimentasse e nesse momento, no momento em que pedia que a minha prima o fizesse ela dava gargalhadas histéricas enquanto me dizia que não. Ainda fiquei uns minutos atordoada até que percebi que acordei porque o menino chorava, consegui com alguma dificuldade chegar perto dele e quando o tive no colo e senti um grande alivio quando ele de forma natural pegou no peito e se alimentou estava a relaxar dos pensamentos e do sonho louco quando o João voltou a entrar no quarto

- Bom dia - sussurrou
- Bom dia papá! Eu tou aqui a tomar o pequeno almoço depois já falo contigo
- Come sim bebé! - falou fazendo uma festa na cabecinha do pequenote enquanto me dava um pequeno beijo nos lábios.
Passamos toda a manhã a babar o pequenote e apesar de tudo estar a correr bem os meus pensamentos continuavam a ser dominados pela ausência da Mariana

- João?
- Precisas de alguma coisa? - ele desviou o olhar do Guilherme olhando para mim expectante
- Não... - respondi prontamente para tranquiliza-lo, e depois ainda a medo, com muito medo da resposta - a minha prima disse-te alguma coisa?
- A mim não... Maria faz-me um favor esquece a Mariana ESQUECE-A! - comecei a chorar não só pela forma ríspida como falou mas pelo que me pedia - Amor não chores! - saiu de perto do bebé e voltou a sentar-se na cabeceira da minha cama, aconchegando-me no seu peito - Desculpa a rispidez, mas essa tua paranóia com a tua prima serve de quê?! De nada só trouxe chatices! - respirou fundo, percebi que estava a controlar o raspanete que me queria dar - E não, não estou a falar do nascimento que podia ter sido evitado, mas que correu bem. Estou a falar dos nervos em que andas e do facto de há mais de um mês que não sei onde está a Maria, a minha Maria desapareceu! Sentes a falta da tua prima? Eu sinto falta de TI! - ele tinha razão, e eu sabia, sabia que desde que soube o que se passava que estava completamente apática e só conseguia pensar em como poderia alterar o “cenário de guerra” em que a minha vida estava a decorrer - Maria desculpa, mas agora está na hora de parares de pensar nela! Ela disse-te com todas as letras que não quer saber de ti nem do Bruno e por isso por muito que me custe e custa porque tu sabes que adoro a tua prima ela tomou a posição dela, a Ana já me contou aquilo que ela te disse e desculpa, mas agora vamos ser os três e quem quiser ser e estar junto de nós. Maria eu acho mesmo que devemos repensar os padrinhos - fuzilei-o com o olhar - ou melhor a madrinha! Desculpa Maria, mas não acho saudável para ninguém fazermos questão de manter presente nas nossas vidas alguém que pura e simplesmente não quer fazer parte delas - o João ia continuar a falar e eu já nem tentava controlar as lágrimas quando bateram na porta e em segundos a Ana entrou
- O que é que se passa? Maria estás com dores? Sentes-te bem?
- Si... sim
- Sente-se Ana ela sente-se bem... só não gostou de ouvir a verdade!
- João sai daqui! - gritei e ele olhou-me assustado
- João é melhor saíres mesmo por favor! - a Ana lá o convenceu e ele saiu - Maria calma o que é que se passou?
- O João não quer que eu fale da minha prima - vi-a bufar e revirar os olhos - e tu tás igual vocês não percebem que eu não consigo?! Não percebem que a queria aqui?! EU PRECISO DA MINHA PRIMA! PORRA EU NÃO SEI VIVER SEM ELA!!! Eu sei que vocês não percebem, mas eu também não consigo explicar! - sentia-me imputente - Mas a minha vida foi toda cruzada com a dela e esta gravidez só chegou aqui bem porque a Mariana deu muito dela também e eu... eu sempre imaginei que agora aqui nesta situação.... que eu podia contar com a ajuda dela. Desculpem se me custa que a minha prima ainda não conheça o meu filho, desculpa se não consigo aceitar aquilo que ela me disse... - já chorava novamente
- Maria eu percebo juro amiga, mas se não afastas a Mariana dos teus pensamentos isso vai-te fazer mal... vai fazer-te mal a ti, ao João, a vocês os dois e ao Guilherme - quando falou no nome dele ele choramingou  - Maria pelo pequenote promete-me que vais evitar pensar nisso
- Prometo...
- Não fiquei convencida, mas depois voltamos a falar porque há aqui alguém com fome! 
- Anda cá bebé da mamã! - a Ana passou-o para o meu colo - Tia Ana chama o papá pró pé de mim!
- Chamo sim!
Assim que a Ana saiu o João entrou
- Desculpa! Eu não consigo deixar de pensar nela...
- Eu sei, também exagerei! - demos um beijo e ele ficou sentado aos pés da cama enquanto observava minuciosamente o nosso pequenino a mamar
- Agora pega no teu filho e fá-lo arrotar!
- Eu não sei....
- Saaaabes!!!!!!!
Ele pegou no menino e depois de fazer o que lhe ia dizendo o pequenote arrotou mesmo
- Oh viste! Sou muito BOOOOOOOM!!!
Desatei a rir
- E agora uma novidade?? Que tu és bom já eu sabia!
- Isso foi um elogio?
- Amoooor!! - ele olhou-me - I lóve i uuuuuuuuuuuuuu!!!
Foi a vez dele gargalhar
- Bruninho a mamã flipou do juízo.... os neurônios queimaram de vez! - ele fala enquanto ria muito e embalava o pequenote e nesse momento mais uma vez alguém bate na porta
- Entra Ana.... entra!!!!!!
- Lamento a desilusão, mas não é a Ana...
- Olha Bruninho o padrinhou veio ver-te! - o João chegou perto do Ruben para o cumprimentar sempre com o bebé no colo
- Olá! O padrinho bem dizia que depois do banho ficavas mais bonito - foi impossível não gargalhar
- Olha lá oh padrinho babão e o meu beijo?? - ele aproximou-se deu-me um beijo na testa e eu não resisti - Vieste sozinho?
- Vim Maria... vim... - percebi que algo se passava e que ele não me queria dizer, mas não pude insistir já que o João voltou a demonstrar todo o seu desagrado pela minha insistência
- Maria por amor de Deus CHE-GA! - ele gritou mesmo - Esquece a Mariana! Amor eu não aguento mais ver-te ai a amargurares quando devia ser o memento mais feliz das nossas vidas só porque a tua prima para não variar está a ser egoísta
- É optimo saber que somos bem consideradas pelos amigos João é muito bom mesmo! - olhei e foi impossível não chorar, mas pela primeira vez de hoje era de pura alegria agora naquele quarto tinha as pessoas mais importantes da minha vida
- Pri... Mariana! Eu queria poder levantar-me e abraçar-te, mas eu não posso! Vem aqui por favor! Eu preciso de um abraço teu!
Não precisei dizer mais nada a Mariana chegou-se perto de mim e deu-me um abraço,
- Achas que posso conhecer o meu afilhado ou o pai além de não te querer a falar comigo também não quer que o filho me conheça?
- Claro que podes conhecer aliás deves! Oh prim... -ela olhou-me - Mariana isto tá tudo a flipar dos neurónios por causa das “novidades” - enquanto falava com a Mariana vi-a o Ruben a olhar-nos com um sorriso cúmplice e o João foi-se chegando perto de nós com o menino no colo
- Bruninho esta aqui é a maluca, chanfrada, destrambelhada e completamente alucinada da tua madrinha, mas o papá assim como a mamã e o padrinho adoram-na e tu vais adorar também! - enquanto ele falava eu e a Mariana chorávamos - Desculpa amiga, mas convenhamos que não tens sido fácil...
- É eu sei... agora dá-me cá o Guigas que eu quero ver, sentir e cheirar a minha pipoquinha!!
A Mariana pegou no Guilherme e ficou também ela a baba-lo aliás esta foi a tarde dos “tios” conhecerem o meu príncipe sim que passados alguns minutos a Ana juntou-se a nós e consigo trouxe o Fábio que acabou por raptar o João e o Ruben deixando-nos apenas a nós “meninas” no quarto enquanto o Guilherme dormia. Estava feliz por finalmente ter todos à minha volta, mas algo na minha prima, sim ela não quer que a chame assim, mas eu não sei chama-la de outra forma, a minha prima não está bem o olhar está perdido e ela está distante, parece por momentos um bloco de gelo.
Os rapazes acabaram por nos deixar sozinhas,
- Mariana o que se passa pri... ? - consegui corrigir a tempo - Porque é que estás tão fria com o Ruben? É porque ele veio comigo? Oh Mariana desculpa ter pedido para ele estar comigo no bloco, mas na ausência do João não me sentia bem com mais ninguém que não fosse ele ou tu... e não sabia onde estavas... - ela não me respondeu, afastou-se e ficou por alguns momentos a olhar pela janela do quarto - Pri... Mari - olhou-me - anda para aqui! - assim que se sentou do meu lado - daqui a uns meses és tu - fiquei com a sensação que iria dizer-me algo, mas foi interrompida pela chegada de mais uma visita e ainda o regresso dos nossos homens.

Aquele fim de dia no meu quarto foi uma autentica festa, acabamos por conversar e mimar muito o meu pequenote, embora tenha notado um clima esquisito entre o Ruben e a Mariana. A festa só acabou quando a Ana resolveu voltar a vestir a bata de minha médica
- Bom meus senhores e minha senhora está na hora de desampararem a loja que tanto a mãe como o bebé precisam de descansar e de ser observados
- Eu não vou a lado nenhum  - o João fez cara de puto com birra e cruzou os braços sentando-se aos meus pés
- Também ninguém falou consigo... Mas fica avisado que não vai se eu não decidir que vai... porque se o fizer garanto-lhe que nem que tenha que chamar a policia, mas aqui não fica - a Ana falava num tom bastante formal o que nos levou todos a gargalhar e quando os vejo sair resolvi perguntar algo que me estava a deixar morta de curiosidade,
- Voltas cá?! – perguntei à Mariana
A sua resposta acabou por gerar um “estalar de verniz” entre a própria e o Ruben o que me deixou ainda com mais certezas de que algo se passava.

Assim que todos, menos o João, saíram, a Ana examinou-me para grande frustração minha que não queria que o João visse a cicatriz, se bem que como ambos me disseram ele ia acabar por vê-la. E depois da pediatra avaliar o Guilherme e nos dizer que tudo estava bem voltamos a ficar apenas os três sozinhos
- O príncipe já dorme, agora está na hora da rainha descansa também
- Fica aqui comigo - bati num espacinho na cama e ele não hesiitou deitou-se ao meu lado
- Fala..
- Não tenho nada para dizer... ou melhor tenho tanta coisa...
- Isso sei eu! Tens uma tabeleta na testa a dizer tenho a cabeça a mil e preciso deitar tudo cá para fora... sou todo ouvidos...
- É tanta, mas tanta coisa... - suspirei e fiquei a repensar tudo o que se assolava

Realmente estava com a cabeça a mil eram todas as conversas com a Mariana hoje, era o estado dela que não precisava que ela abrisse a boca para saber que estava no lodo, era a forma estranha como ela e o Ruben estavam a relacionar-se e ainda a forma cúmplice com que interagia com outra das visitas, mas o que me deixava a cabeça acelerada neste momento em que apenas estávamos os três no quarto e que apenas o escuro do céu se via pela janela era o facto de ir ficar sozinha com o Guilherme, não no hospital, mas em casa, naquela que era a nossa casa e onde apenas estaria eu e o pequenino que irá precisar de mim para tudo e eu? Bem eu agora mal me mexo se bem que a Ana já me avisou que amanhã acabou-se a moleza e tenho de começar a andar, mais do que hoje que só fui até ao duche, e se ele chorar e eu não conseguir ir até ele? Se não aguentar com ele ao colo? Se for preciso mudar-lhe a fralda? Sim hoje mudei uma, com ajuda da minha mãe e da Teresa e a outra quem mudou foi a madrinha! E se ele tiver cólicas, ou alguma dor...

- Maria... fala amor eu tento, mas ainda não consigo ler pensamentos - o João falava enquanto me fazia um “cafuné” delicioso que me acalmava um bocadinho os pensamentos
- Eu... - hesitei, não sabia o que sentia por isso não sabia como descrever - eu... - voltei a parar e respirar fundo - eu... eu tenho medo João! É isso tenho medo!
- Medo?! - perguntou-me espantado - medo de quê?!
- De tudo! De ter voltado a interferir na relação da minha prima com o Ruben, viste como eles estavam? - ele revirou os olhos - eu já sei que não posso pensar nisso, mas viste?
- Vi Maria, vi e perguntei ao Ruben o que aconteceu mas ele não entrou em detalhes, mas se te descansa acho que é só mesmo o estado de confusão total em que a tua prima deve estar...
- E o resto?
- Qual resto?
- Tu também estranhaste aquela proximidade entre...
- Sim Maria estranhei e tentei saber o que se passa, mas não obtive qualquer resposta... de certeza que é impressão nossa... Mas não é só isso que te deixa assim pois não?
- Eu tenho medo de não conseguir tomar conta do Guilherme... - confessei num suspiro quase inaudível
- Tens medo de quê?
- De não conseguir tomar conta do Guilherme! - desta vez gritei - Eu não me consigo mexer! Isto dói! Eu tenho medo de não conseguir ficar com ele sozinha em casa! De não conseguir acalmar-lhe uma cólica, ou que ele se engasgue e eu não consiga fazer nada! Tenho medo de o deixar cair! De o deixar afogar-se enquanto lhe dou banho! De adormecer e não acordar quando for hora de mamar ou com o choro dele por algum outro motivo! Eu tenho medo! Medo... - comecei a chorar
- Calma Maria! A Ana já tinha falado comigo sobre isso, é normal sentires tudo isso ainda mais porque eu vou ter de ir embora amanhã e tu vais ficar com ele, mas não vais ficar sozinha Maria! A tua mãe, a minha, as tuas tias e até parece que a Mariana também vão estar sempre por perto! E se não te sentes confiante em ficares sozinha em casa... confesso que também fico preocupado porque tu não podes fazer grandes esforços... podias aceitar o convite dos teus pais e ficar lá em casa deles até estares mais segura... vais ver que com duas noites lá já vais para nossa mais segura! Tu vais ser... já és... a melhor mãe do Mundo! - enquanto ele falava eu continuava a soluçar - calma fofa, tu vais conseguir, nós vamos! - deu-me um pequeno beijo e não dissemos mais nada ficamos os dois no silencio.
Um silencio acolhedor que só foi interrompido pelo nosso pequenino a anunciar que tinha fome, alimentei-o e depois assisti à cena mais hilariante da minha vida, o João de livre e espontânea vontade, só isto já assusta, resolveu trocar a fralda do Guilherme SOZINHO!


(João)

O dia foi cheio de emoções desde a minha tomada de posição sobre a presença da Mariana nas nossas vidas que deixou a Maria melindrada, até ao aparecimento da Mariana que acabou ao seu jeito trapalhão por matar as saudades que já matavam as duas e ainda conheceu o Bruninho que é decididamente o bebé mais bonito do mundo! Passando pela relação do Ruben e da Mariana que decididamente não está bem e pela sua proximidade com quem menos esperaria. Terminando no choro compulsivo da Maria enquanto confessava todo o medo que tinha de não conseguir tomar conta do Bruno sozinha o que me deixou um pouco assustado embora já tivesse sido avisado pela Ana de que a Maria estava tinha todos os pré-requisitos para entrar em depressão pós-parto, dadas todas as circunstâncias que a acompanharam desde o inicio.
Acabei por conseguir que acalmasse e apenas voltamos a falar quando o Bruno teve fome e nesse momento a Maria mais uma vez lhe deu de mamar e era impressionante como aquela imagem dela com o nosso pequenino me deixava completamente nas nuvens e com um sorriso ridículo nos lábios. Assim que ela se levanta para lhe trocar a fralda não deixei que continuasse
- Eu troco!
- Tu o quê? - disse a rir - Deita-te mas é que o teu mal é sono! Além disso é bom que te tapes bem que a qualquer altura pode entrar por ai a dentro uma enfermeira que não tem nada de te ver nesses preparos! - foi impossível não sorrir com o ar indignado e com ciumes dela - olha lá porque raio estás só de boxers?! A tua mãe nunca te apresentou o pijama??
- Apresentou... apresentou... -falei enquanto a abraçava por trás ao mesmo tempo que ela colocava o Bruno no trocador, ou lá como se chama aquilo onde trocam as fraldas - mas a mãe do meu filho fez-me cortar relações com ele! -disse dando-lhe um beijo no pescoço
- Parvo! - falou indignada - E ainda estás assim?? Se queres trocar a fralda é bom que te vistas e muito rapidamente!
- Sim mamã!
Acabei por aceder ao seu pedido por ter consciência que não estava em casa, assim que acabei de me vestir a Maria tinha acabado de despir o body do Bruno, num movimento rápido mas doce afastei-a do menino e tomei em mãos a tarefa de ser eu a troca-lo. Claro está que se quando a mãe e a madrinha o fizeram as fraldas estavam limpinhas, ou praticamente, comigo tal não aconteceu o que levou às gargalhadas da Maria, que só aumentaram conforme a minha óbvia falta de pratica e jeito se revelava. Mas não a deixei interferir e demorando um pouco mais de tempo e com um resultado um pouco menos perfeitinho completei com sucesso a tarefa e já não deixei que ela pegasse no menino o que a fez refilar
- Olha lá! O filho é meu!
- Sim... sim que tu és a primeira mulher da historia a conseguir engravidar sozinha! - falei a gozar
- Não... não engravidei sozinha, mas ele é meu e eu quero-o no meu colo já!
- Temos pena né Bruninho? - falava enquanto o ia embalando - Porque ele também é meu filho e eu também o quero ao meu colo!
- Oh amor dá lá o bebé a mim... -ele olhava-me com cara de criança e fazia voz de mimo enquanto esticava os braços na nossa direcção
- Nem comeces com essa carinha que não dou! - ela olhou-me a fingir-se amuada - vá lá amor... amanhã tenho de voltar e tu ficas com ele...
- Oh... -fez uma carinha agora sim realmente triste - só por isso... - acabou de falar e riu-se - Mas para me compensar - vi-a pegar no telemóvel - vamos apresentar o menino ao mundo!
- És impossível tu!
- Cala-te e volta lá o menino para mim!!
Acabei por lhe fazer a vontade e tiramos umas quantas fotografias que ela de imediato “montou” e publicou

@_MariaMMendes_ Olá! Nasci ontem às 16:58 com 46cm e 2,600kg!! O papá e a mamã ainda não pararam de me babar e estamos todos muito felizes!! #Guigas

As reacções não tardaram a chegar, mas nenhum dos dois deu grande atenção uma vez que o Bruno adormeceu e nós seguimos-lhe o exemplo.

Um par de horas depois já estávamos de novo todos acordados já que o pequenote voltou a pedir comida, enquanto ele saciava a fome eu fui-me despachar já que era hora de voltar a Valência, uma vez que já teria de comparecer no treino da tarde. Quando voltei para perto deles a Maria ia troca-lo e pedi para que me deixasse ser eu a fazê-lo, desta vez ela não reclamou nem me gozou aproveitou apenas para registar o momento e quando o deitei na cama e o telemóvel da sinal vejo uma notificação e o ultimo post da Maria


@_MariaMMendes_ Não a mamã não enlouqueceu de vez, só está a calar o papá! 
Assim como assim ele vai já embora :( e depois a mamã põe a minha fraldinha bem ;) 
We <3 you Daddy!!!!!! #Guigas

- Muito engraçada sem duvida nenhuma!! - rimos os dois - Agora tem mesmo de ser...- ela aproximou-se de nós, estava visivelmente melhor já se mantinha levantada e mexia-se muito melhor, e deu-me um beijo
- Boa viagem... nós ficamos aqui... ou melhor nós esperamos por ti em casa... - deu-me outro beijo e praticamente me expulsou do quarto - vai já antes que te prenda ao pé da cama... 
Acabei por sair mesmo e seguir caminho a Valência, sem conseguir imaginar o que seriam os próximos tempos.

Como serão os primeiros tempos de vida do Guilherme Bruno?
Como será o regresso da Maria a casa? E a relação com a Mariana?
Como estarão realmente a Mariana e o Ruben?

7 comentários:

  1. Olá! :D
    Bem que capitulos fofo, "confuso", cheio de emoções.
    O pesadelo da Maria deixou-me completamente :o Cruzes! O que anda naquela cabeça!
    Foi tao fofo ver estes primeiros momentos do Guigas. O medo dos papás, a Maria que esta com os medos naturais das mamãs, o Joao que é mais medo de principiante do que outra coisa.
    A visita que anda muito amiguinha da Mari é o Rui nao é? Ainda estou para ver o que aconteceu do outro lado!

    Venha o proximo!!

    Beso
    Ana Santos

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  2. Oh!! Já acabou??
    Quero mais!!!
    Fiquei tão feliz pela Mariana ter aparecido! Não gostei nada da "visita verde". Não é bom sinal essa cumplicidade toda...
    O Ruben que acorde para a vida!
    Beijinhos

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  3. Adorei o capitulo e os momentos ternurentos da Maria com o seu bebé e com o João. Afinal eu não me enganei, o assunto que a Ana tanto queria falar com o João em relação à Maria era uma possível depressão pós-parto. Espero bem que isso não aconteça, é perfeitamente normal o medo da Maria, ainda para mais quando ao contrário da maioria dos casais ela vai ficar sozinha com o bebé, vai precisar de muito apoio e de muito mimo e paciência.
    Finalmente a Mariana teve uma atitude decente, pesou-lhe a consciência, só pode, agora voltou-se contra o Ruben e a Maria reparou que se passava algo entre eles e ainda para mais a proximidade dela com a visita, que só pode ser o Rui Patrício, é que era mesmo só o que faltava na vida destes dois.
    Fartei-me de rir quando imaginei o João a mudar a fralda ao seu Bruninho, sim, que acho o máximo a mãe chama-lhe Guilherme e o pai chama-lhe Bruno, coitado do puto, tão pequeno e já lhe andam a atazanar o juízo.
    Adorei mesmo, mas agora preciso também de saber o que se passa com o outro casal maravilha, e não me parece que seja coisa boa.
    Continuem

    Beijocas

    Fernanda

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  4. Bem adorei o capitulo, foi muito fofo!!
    E que grande surpresa a Mariana ter aparecido no hospital, até estranhei sendo ela tão teimosa!! E deu para reparar que as coisa entre ela e o Ruben não estão muito bem :$
    Mas eles têm que resolver as coisas!!
    Espero que os primeiros dias da Maria como mamã corram lindamente :)
    Estou ansiosa pelo próximo :)

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  5. Gostei do capítulo, um bocadinho confuso, só porque não sei o que raio se passa com a Mariana e tenho medo que seja algo com os bebés. Rio-me sempre quando leio Guilherme Bruno é um nome insólito. Bem espero que sejam ligeiras a publicar o próximo.
    Abreijos
    PatríciaQ

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  6. Fantástico...

    Quero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...

    Continua...

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  7. Olá.
    Até eu me babei a ler tudo o que se passava com os papás à volta do Guigas *-*
    E fiquei surpreendida com esta visita da Mari.
    Mas espero é que o Rúben e a Mariana não fiquem com problemas e resolvam tudo.
    Quanto ao Rui, ó arranjam-lhe uma namorada para ver se ele desgruda da Mariana.

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