quarta-feira, 1 de maio de 2013

076 - "Bem me pareceu que capar-me não seria a melhor opção..."


Mariana
Passei as últimas semanas a desejar, ainda que em silêncio, que fosse só um bebé mas a verdade é que assim que ouvi a Ana a confirmar que são dois o que senti foi indescritível, saber que posso ter dois Rubenzinhos é algo único, sim que apesar de ter dito ao pai deles que quero duas Marianinhas na verdade a ideia de serem dois pilas também agrada bastante, fiquei de tal forma contente que não perdi a oportunidade para brincar com o Ruben, ele é que não achou muita piada mas temos pena, diverti-me ao ver a sua cara e isso é que interessa.
A Ana ainda nos esclareceu algumas dúvidas e depois deu a minha carta de alforria, tanto para poder regressar ao trabalho como aos momentos de sexo, que tanta saudade já tenho, lógico que sempre que tento imaginar os próximos dias acabo por rir sozinha, o que deve levar o Ruben a pensar que endoidei de vez.
Saímos do consultório e demos de caras com a Maria, lógico que fizemos imediatamente uma “festa” das nossas o que levou o Ruben a rir para depois nos tirar uma foto em que a Ana também pousou. A Maria partilhou-a e após uns comentários seguimos finalmente para o café, já que a minha prima resolveu raptar-nos.
Passei a tarde toda na companhia da Maria, primeiro para decidirmos qual seria a prenda do João e depois para lhe comprar a roupa para o momento que se esperava ser o auge da noite.
Confesso que fiquei sem palavras ao ver a forma mas principalmente o cuidado do João em preparar tudo para pedir a Maria em casamento de uma forma original. Mas se ele a pediu, ela também lhe respondeu de forma original e que serviu de mote para o resto da noite ser animada...
***
No fim do jantar e depois de algum esforço para comer alguma coisa, dado que estava enjoada, acabei por afastar-me dos restantes e fui até à varanda, precisava de ar ou talvez só de uns minutos sem estar a levar com o olhar do Sr. Manuel, não sei o que lhe estava a dar mas hoje não parava de olhar-me. Fiquei ainda uns minutos sossegada mas depressa o Ruben se aproximou.
- Estás bem? - sorri ao ouvi-lo.
- Sim... - olhou-me - estou só farta de estar sob o olhar daquele que nós sabemos - interrompeu-me.
- Amor, estás a falar do teu pai! - repreendeu-me - Não achas que já é tempo de um de vocês ceder?
- Queres meninos ou meninas? - perguntei animada e depois de colocar os braços em volta do seu pescoço numa tentativa de desviar o assunto que não resultou.
- Não mudes de assunto - bufei, não estava mesmo numa de falar sobre a minha relação com o meu pai - sabes que mais cedo ou mais tarde terás que resolver a situação.
- Então que seja mais tarde! Agora quero dedicar-me inteiramente a ti e aos bebés.
- Tudo bem mas quero que os bebés tenham uma relação saudável com o avô - olhei-o - Mariana o teu pai tem o direito de saber.
- Também tinha o direito ou melhor o dever de querer a minha felicidade e não foi isso que fez, logo para mim este assunto está encerrado! E agora responde à pergunta que fiz... meninos ou meninas? - o Ruben sorriu e acabou por fazer-me a vontade, “esquecendo” o outro assunto, pelo menos por agora.
- Para quem não queria gémeos estás muito animada... - falou enquanto entravamos novamente na sala onde estava a restante família.
- Oh seu asno não foi isso que perguntei!! - ripostei o que fez com que o Ruben gargalhasse, despertando assim as atenções.
- Ena tão amorosa que estás hoje... - sentou-se no sofá e puxou-me para o seu colo.
- Oh deixa-te de coisas e responde - pedinchei, estava mesmo curiosa para saber a preferência do Ruben.
- Amor se pudesse escolher seria um casal - respondeu-me quase em surdina afinal tinha noção que não estávamos sozinhos.
- Isso lá tem piada? - resmunguei.
- Não tem? Ficávamos já com um casal...
- Ohhh mas depois ele quer brincar com bolas e ela com bonecas...
- Qual é o mal?
- O mal é que eu quero duas crianças não dois monstrinhos à guerra porque não se entendem quanto a gostos... - o Ruben gargalhou
- Isso é relativo... amor lembro-me perfeitamente das guerras que tinha com o meu irmão porque não queria brincar ao mesmo que ele e vice-versa por isso não é por serem de sexos opostos que não podem brincar ao mesmo.
- Ya... falas isso agora mas já estou a imaginar a dar-te os cinco minutos se o teu filho HOMEM preferir brincar com bonecas do que com uma bola...
- Estás a insinuar alguma coisa?
- Eu?! Não!!! Tou mesmo a afirmar...
- Sabes... se for menina pode muito bem gostar de futebol... olha temos a tua prima como um belo exemplo disso! - não sei se ouviu ou se foi só coincidência mas a Maria aproximou-se, sentando-se mesmo ao nosso lado, ainda assim não tive problemas em responder ao Ruben.
- Mas a Maria bateu com a cabeça à nascença - a minha prima olhou-me imediatamente, já o Ruben voltou a gargalhar - filha minha que se livre de jogar futebol ou de andar de fatos de treino e sapatilhas... interno-a imediatamente!! - assim que acabei de falar a Maria já me fuzilava com o olhar mas foi o Ruben quem respondeu.
- Livra-te tu de fazeres a nossa filha de árvore natal ambulante - a Maria e o João riram - e ainda por cima fora de época - olhei-o escandalizada - e não me olhes assim...
- Estás a querer dizer que tenho mau gosto?! Deve ser essas pindéricas que andam atrás de ti que têm bom gosto...
- Pindéricas?!
- Não te faças de desentendido que ainda não esqueci aquela da caneta...
- Caneta??? Oh prima conta lá essa que ainda não sei mas deve ser linda - o João meteu-se, o que levou o Ruben a tentar acabar ali com o assunto.
- Eish... isso é assunto passado...
- Ai agora contam... que também quero saber e grávida não pode ficar ansiosa - a Maria meteu a língua de fora tal como se fosse criança, acabei por contar o que se tinha passado e como resposta tive uma tremenda gargalhada por parte da Maria e do João, já o Ruben como sempre teve que colocar a cereja no topo do bolo ou seja teve mais uma “saída” das dele.
- Ficaste mesmo a remoer nisso, não ficaste?
- Não gostei e admito! - resmunguei mas fui ainda mais longe ao esclarecê-lo - Desculpa lá mas neste mundo só à duas pessoas que aí podem tocar ou agarrar... uma és tu e a outra SOU EU estamos entendidos? É que se não estamos... resolve-se és capado e acaba-se a brincadeira...
- Mariana Andréia e depois com o que é que te consolavas??? - gargalhou talvez por me ter deixado sem resposta - Bem me pareceu que capar-me não seria a melhor opção... - assim que o Ruben falou também senti de imediato os olhos da minha família em “cima” de nós, principalmente do meu pai e da minha avó paterna.
- Oh seu camelo e falares mais baixo não? - refilei enquanto a Maria e o João riam às gargalhadas.
- Ena... sempre a consideras-me - o Ruben ripostou - ele é asno... ele é camelo... estou para ver o que vem a seguir - falou sempre a sorrir o que foi sinal de que não estava chateado - mas não deixa de ser interessante que é sempre aqui que vens ter... ah e nunca te ouvi a queixares-te! - olhei boquiaberta, o Ruben estava a falar demais - então? Não respondes?
- O que queres que diga? Sabes bem que se tivesse algo a apontar teria sido na noite do baile - deitei-lhe a língua de fora ao relembrar o que aconteceu nessa noite - porque depois disso - suspirei - só tenho coisas boas a dizer...
Com a minha resposta consegui calar o Ruben, talvez porque assim que falei em noite de baile o meu pai olhou-o e se o olhar matasse...
- Bem... oh prima queres que o tio cometa assassinato só pode! - a Maria falou entredentes assim que o Ruben e o João se afastaram.
- Porquê?
- Foste falar da noite do baile... tipo... o teu pai ouviu.
- Era mesmo para ouvir! Temos pena!
- Não mudas mesmo, quando é que paras de implicar com o tio?
- Maria, hoje não... - levantei-me e fui até à mesa dos doces que hoje estava particularmente a chamar por mim.
Estava entretida a comer um bocadinho de cada um quando o Ruben se aproximou, abraçando-me.
- Isso é tudo fome?
- Não é só os teus filhos a precisarem de umas doses extras de açúcar - respondi e vi um sorriso lindo aparecer no rosto do Ruben.
- Pois... agora a culpa é dos bebés!!
- Pronto... se queres mesmo saber a culpa é tua porque foste tu que os fizeste - falei já com os braços em volta do seu pescoço - mas não vamos perder tempo a discutir este assunto quando podemos usar estes minutos para... - reduzi por completo o espaço que ainda nos separava e beijei-o calmamente para logo depois o puxar pela mão com o intuito de nos irmos sentar novamente, algo que o Ruben acedeu e por isso sentei-me no seu colo, não me coibi no que toca a pedir mimo ainda assim foi de uma forma contida, afinal não estávamos sozinhos.
Os minutos passaram e o momento de cantarmos os parabéns ao João chegou, lógico que comportou-se que nem criança e assim que partiu o bolo foi a correr para o “monte” dos presentes, passou os minutos seguintes a desembrulhar e a agradecer as prendas mas confesso que estava ansiosa para ver a reação dele à prenda da Maria, algo que o Ruben deve ter percebido porque falou.
- Posso saber o porquê que tanto olhas para a Maria?! - sorri ao ouvi-lo.
- Podes... - sussurrei ao seu ouvido - estou curiosa para ver a reação do João à prenda da Maria...
- Porquê?
- Oh... vais perceber quando souberes o que é...
Calei-me e esperei que o momento chegasse, como é lógico o João adorou e “correu” para o PC para ver algumas fotos, foi quando o estava a fazer que o Ruben se lembrou de algo.
- Também vamos ter que pensar em mudar de casa... - olhei-o imediatamente - com a vinda dos minimeus - sorri ao ouvi-lo a chamar os bebés de minimeus - vamos precisar de espaço.
- Já pensei nisso - olhou-me curioso.
- E posso saber o que decidiste?
- Podes! - sorri - Mas ainda não é nada definitivo até porque a tua opinião também conta... mas agora que a Maria comprou casa pensei em comprar a parte dela do nosso apartamento que apesar de tudo é mais espaçoso que o teu e assim ficamos perto deles...
- Ah! - percebi pela reação dele que não era o que tinha em mente.
- Não queres?
- Não é não querer mas preferia uma vivenda, sempre tínhamos mais espaço... sinceramente faz mais sentido por ser um espaço maior para as crianças puderem brincar à vontade...
- Oh... mas para os primeiros meses o apartamento dá perfeitamente... pelo menos enquanto são bebés...
O Ruben teria argumentado contra mas a pergunta da Matilde fez com que o ZumZum que se fazia notar na sala acabasse e se concentrassem todos em nós.
- Prima vais ter um bébé como a prima Maria? - olhei para o Ruben e engoli em seco, da nossa família só mesmo a Maria, o João, a minha mãe e o meu tio Jorge é que já sabiam, logo os restantes ficaram todos na expetativa de ouvirem a resposta - Então? Não respondes? - percorri com o olhar todos os elementos da família e ao perceber que não tinha mesmo escapatória possível lá falei.
- Sim... - senti o Ruben a apertar-me a mão - estou grávida! - assim que confirmei houve dois tipos de reações, a da maioria da família que foi darem-nos os parabéns e depois a de um único elemento que foi ficar parado a olhar-nos.
- Então mas estás de quantas semanas? - a pergunta da mãe da Maria fez com que despertasse do “transe” em que entrei por mais uma vez aquele a quem deveria chamar de pai me ter desiludido ao não nos felicitar.
- Estou de onze semanas - olhei para o Ruben e encontrei-o a sorrir para além de estar todo babado.
- Onze semanas?! - olhamos para a minha tia - Ora isso faz com que nasça em Setembro... - sabia ao que se estava a referir, afinal já há um elemento da família a fazer anos nesse mês, que por sinal é o Sr. Manuel.
- Ou então não... - olhei para o Ruben que percebeu imediatamente que iria revelar o que faltava mas antes de o fazer fui interrompida.
- A tua tia tem razão - olhei para a minha mãe - o meu neto deve nascer em Setembro - hesitou uns segundos - no mês do avô!
- Teoricamente sim... na prática e dado que nós quando as fazemos não é por menos - o Ruben gargalhou o que fez com que todos ficassem especados a olharem - duvido que aguente os nove meses... já me dou por contente se aguentar oito dado que são gémeos!
- Gémeos?! - disseram quase todos ao mesmo tempo o que fez com que gargalhasse acompanhada pelo Ruben, afinal as caras deles estavam cómicas.
- Sim...
- Prima isso quer dizer que tens dois bebés na tua barriga? - a Matilde aproximou-se de mim e ficou a olhar para a barriga
- Sim.
- Posso tocar? - o Ruben sorriu.
- Podes!
- E posso levantar a camisola para ver a barriga? - gargalhei mas fiz-lhe a vontade, sai do colo do Ruben e puxei a camisola para cima mostrando assim a ligeira barriguinha que tenho, o que fez o meu amor mais uma vez babar, já a Maria aproveitou para se meter connosco.
- Bem prima... se aí o sr. seu marido já andava a babar na tua barriga então depois de hoje é que temos de ter cuidado com os níveis de baba...
- Depois de hoje?! - falei ao mesmo tempo que o Ruben o que os fez gargalhar.
- Sim... então hoje tiveste consulta devem ter apanhado um justo quando a Ana vos contou...
- Ah! Pois... - olhei para o Ruben - nós já vínhamos mentalizados para recebermos a confirmação que são dois...
- Mau... vocês já sabiam que podia ser dois e nunca contaram? - a Maria reclamou
- Sim... já sabíamos desde o dia que fui parar ao hospital - olhei para o responsável - aquele dia em que supostamente iria dar uma boa notícia à minha mãe e a um tal de Manuel Mendes mas que acabei por não dar afinal fui mais uma vez maltratada e até mesmo renegada... acabando na clínica e com ordens da Ana que ou acalmava ou podia colocar a minha vida e a dos bebés em risco... como deves calcular não tinha propriamente motivos para andar a espalhar a possível gravidez de gémeos quando ainda nem sequer tínhamos a certeza... pois esta obtivemos hoje e agora que já te esclareci, bem como aos restantes, agradecia que não fizessem grande alarido porque apesar de estarmos - olhei para o Ruben - os dois felizes com a novidade queremos mantê-la por mais algum tempo só entre a família e amigos próximos!
A minha prima depois da forma como respondi não abriu mais a boca para reclamar por ter sido informada ao mesmo tempo que a restante família, não a quis magoar mas a verdade é que acabei por descontar nela o que andava a “engolir” já há algum tempo e não pude deixar de mandar a boca na primeira oportunidade que tive, porque se o tal de Manuel pode espezinhar-me eu também tenho o direito de o fazer, talvez assim lhe pese na consciência e páre de tentar destruir a minha relação com o Ruben.

Ruben
O aniversário do João estava a ser muito fixe, ele além de comemorar os anos ainda aproveitou para pedir a Maria em casamento, algo que apanhou a família toda de surpresa e serviu ainda para perceber que talvez a Mariana ande mesmo a “sonhar” calada com o dia que também a peça em casamento, o brilho no seu olhar ao ver o João a pedir a mão da Maria não deixou muitas dúvidas, ainda assim fingi não ter percebido, até porque se for para pedi-la será também algo inesperado.
Os momentos que se seguiram ao pedido teve de tudo, estava a ser de facto uma noite divertida e nem o facto de ter o olhar do pai da Mariana sempre sob nós os dois fez com que me sentisse incomodado, afinal não estávamos a fazer nada de mal e ele tem é mais que se habituar que nada pode fazer para que me afaste da sua filha, muito menos agora que seremos pais.
***
O momento após a Maria ter revelado qual era a sua prenda para o João foi de uma conversa a dois, aproveitei a oportunidade para falar com a Mariana sobre o assunto, afinal também temos que começar a pensar nisso, dado que os bebés vão precisar do seu espaço. Acabei por ser informado dos planos do meu amor e quando estava a refutar a ideia fomos apanhados pela Matilde que não perdeu oportunidade para perguntar se a prima está grávida, a Mariana confirmou a gravidez bem como a novidade que são dois, não perdendo a oportunidade de mandar a boca ao seu pai, todos percebemos qual foi a intenção e ninguém ousou repreende-la, talvez porque no fundo a Mariana não deixa de ter razão para estar magoada com o seu pai...
***
Estávamos sentados num dos sofás e numa de trocar mimos inocentes quando fomos interrompidos pelo pai da Mariana que se aproximou de nós por iniciativa própria.
- Filha... - a Mariana ignorou-o - Mariana quero falar contigo.
- Não tenho nada para falar consigo e caso ainda não tenha percebido de si quero distância...
- Mariana! - chamei-a o que fez com que olhasse.
- O que foi?! - falou-me no mesmo tom que momentos antes tinha falado com o pai.
- Primeiro moderas o tom que não sou o teu pai - bufou - e segundo não achas que já está na altura de vocês resolverem de uma vez por todas esta birra parva?
- É que nem mereces resposta! - tentou sair do meu colo mas agarrei-a pelo braço - larga-me!
- Amor - olhou-me - não custa ouvir o que o teu pai tem para dizer - falei de forma calma afinal não queria aborrecê-la.
- Já falamos vezes demais sobre o assunto... sabes bem o que penso por isso não tenho mais nada a dizer... e agora larga-me que tenho de ir à casa de banho!
Sabia que estava só a fugir mas acabei por deixá-la ir, afinal força-la não iria adiantar de nada e só serviria para irritá-la ou mesmo enervá-la, algo que não é de todo recomendável.
- Precisa de alguma coisa? - perguntei ao ver que o Manuel continuava no mesmo sítio, ou seja, diante de mim em pé e a olhar-me
- Sei que não fui correto contigo mas... - ele teria continuado mas não estava para o aturar e por isso
- Esqueça! Não quero ouvir desculpas esfarrapadas... neste momento a única coisa que importa é a minha família e com família estou a falar da Mari e dos seus netos. A Mariana acabou de deixar bem nítido que não quer falar consigo e sinceramente não vou meter-me mais no meio... vou respeitar a vontade dela apesar de não concordar mas tenho de pensar no bem de todos e neste caso pode ser a vida da Mariana e dos bebés que está em jogo, a sua filha tem ordens expressas da Ana para não se enervar por isso agradeço que se mantenha à distância, pelo menos enquanto a sua filha estiver magoada consigo!
- Mas preciso que ela me oiça... aliás que vocês os dois me escutem...
- Sr. Manuel com todo o respeito que tenho por si, apesar de nem sempre o merecer - não consegui deixar de mandar a farpa - você está a pedir o impossível, pelo menos para já, a Mariana apesar de não demonstrar à vossa frente, ela sofre com tudo o que você já fez e disse desde que descobriu a nossa relação, por isso não insista...
- Sei que errei mas estou arrependido e só quero uma oportunidade para pedir perdão...
- Você não parou um minuto que fosse para nos tentar compreender, pior ainda acusou e maltratou a sua filha gratuitamente e só porque assumimos o sentimento que nos une há tanto tempo, logo não espere que a sua filha o desculpe assim do nada, acho que não preciso dizer-lhe o quanto teimosa a Mariana é, sabe perfeitamente que quando encasca uma ideia dificilmente muda de opinião...
- Será que ninguém percebe que só quis protegê-la?
- De quem? De mim que sempre a amei?
- Se sempre a amaste porquê que não lutaste por ela? Porquê que preferiste andar com umas e com outras? - olhei-o estupefacto tal foi a lata dele em puxar o meu passado, ainda assim respondi.
- Porque naquela altura era um puto e mais tarde fui um cobarde, não tive coragem para lutar e por isso fui pelo caminho mais fácil, andei mesmo com umas e com outras, se quer mesmo saber nem o nome delas me recordo, sim arrependo-me disso mas é passado e não o posso alterar, só eu sei o que custa olhar para trás e perceber que desperdicei anos inutilmente porque apesar de muito tentar nunca consegui esquecer a Mariana mas o que chateia mesmo é perceber que por erros que cometi no passado a Mariana é que sofre.
- Nunca foi minha intenção magoar a Mariana mas sim protegê-la...
- Não o consigo compreender! Tudo bem que como pai deve querer sempre o melhor para a Mariana e até tolero a ideia de que para si posso não ser esse melhor mas o que não aceito mesmo é o facto de ter visto a Mariana a sofrer devido à sua teimosia e insistir. Não seria mais fácil mesmo não concordando com o nosso namoro apoiá-la e se realmente fosse você a ter razão depois lhe amparar a queda?
- Tens razão provavelmente deveria ter feito mesmo isso mas sou humano e também cometo erros...
- Se já tem consciência que errou então seja homem e agora lide com as consequências!
Assim que acabei de falar resolvi sair da sala e ir procurar a Mariana mas o seu pai veio atrás de mim, chamando-me o que fez com que parasse e o olhasse.
- Ajuda-me a aproximar-me novamente da minha filha... Ruben és o único que pode ajudar... a Mariana a ti ouve... se lhe pedires que me perdoe pode ser que ela o faça - ouvi-lo a implorar mexeu comigo, a verdade é que nunca pensei ouvir tal coisa - por favor... peço-te por tudo, pelo amor que sentes pela minha filha ajuda-me...
- Desculpe mas não posso fazê-lo - baixou o olhar - pelo menos enquanto não conseguir entender os seus motivos... e não venha com essa história que foi o meu passado porque não acredito que seja só isso - os seus olhos espelhavam uma tristeza enorme - você não está a ser sincero...
- Tens razão... não estou mesmo a contar tudo mas estou a ser sincero quando falo que já percebi que amas verdadeiramente a minha filha, que apesar do teu passado tens princípios, percebi isso na noite de Natal quando diante da nossa família imploraste por uma nova oportunidade, quando reconheceste que erraste por isso peço-te que me ajudes, sei que só queres o bem da minha filha...
- Como quer que acredite em si quando admite que não está a contar tudo? Mas que merda de razões são essas que o levaram a magoar tanto a Mariana?!
- O passado...
- Sempre a mesma conversa... para si o passado é desculpa para tudo... realmente é bem mais fácil culparmos os outros pelas nossas próprias falhas, apontar o dedo ao outro é sempre o caminho mais fácil mas nem sempre o mais justo e o que magoa menos, você errou e agora só tem que sofrer as consequências...
- E não achas que viver vinte e oito anos a mentir à minha filha não é já castigo suficiente... - olhei-o no momento que ouvi tal coisa e percebi que conforme falou também se arrependeu ainda assim
- Mentir? Como assim?
- Esquece...
- Agora que começou explique...
- Não posso... jurei nunca falar disso...
- Sempre pensei que você não aceitava o nosso namoro porque nem sempre fui homem de uma mulher só mas afinal o motivo deve ser outro!
- Esquece por favor - implorou
- Não! - aproximei-me dele - Agora que começou... nem pense que sai daqui sem saber de tudo... tenho esse direito!
- Não posso... por muito que queira contar... não posso... não posso quebrar a promessa que fiz... se desenterrar este assunto então é que perco tudo... a Mariana nunca irá perdoar...
- Manuel - olhou-me - fale - baixou o olhar - agora sou eu que lhe imploro, conte-me o que tanto o atormenta, só assim é que posso ajudá-lo... - fui sincero, vê-lo naquele desespero fez-me perceber o quanto ama a Mariana.
- Não posso... não posso correr o risco de perder de vez a minha filha - as palavras custavam-lhe a sair - sei que compreendes o que quero dizer, também já perdeste a Mariana uma vez e apesar de serem ainda umas crianças já se amavam, talvez tanto quanto amo a minha mulher... eu é que fui cego e não percebi...
- Você não perdeu a Mariana - olhou-me - ela ama-o e apesar de dizer que não o quer ver mais isso não é verdade por isso não desperdice a oportunidade de ser sincero e revelar o que tanto o atormenta...

Mariana
Depois de sair da casa de banho fui até à cozinha, deu-me uma vontade louca de comer pão quente com manteiga e açúcar, algo que a minha avó paterna fazia quando era mais pequena e por isso coloquei pão no forno e no fim de estar quente meti manteiga e açúcar, comi e no fim voltei à sala, onde pensava que estava o Ruben mas percebi que se tinha ausentado. Acabei por me sentar a um canto da sala e uns segundos depois já tinha o meu tio Jorge do meu lado a olhar-me.
- Precisa de alguma coisa? - questionei dado que estava com aquele olhar de quem quer falar mas não sabe como começar.
- Porquê que não falas com o teu pai? - mais direto não podia ter sido.
- Tio estou sem cabeça para discussões... sabe que não posso enervar-me...
- Mariana ninguém está a dizer que te vais enervar - olhei-o - deixa de ser casmurra e dá uma oportunidade ao teu pai de se justificar.
- Não preciso de justificações! Só preciso que me deixem em paz, tenho esse direito!
- Não insisto mais mas vais privar os bebés de conhecerem o avô?
Olhei para o meu tio mas não respondi, talvez porque no fundo não quero isso, no entanto sinto-me sem forças para encarar o meu pai e ouvir o que quer que seja, já me magoou o suficiente e neste momento o que menos preciso são de discussões, tenho de pensar no que é melhor para mim e para os bebés.
A conversa acabou por “morrer” porque assim que o Ruben entrou na sala informei-o que queria ir embora, afinal estava cansada e a precisar urgentemente de uma cama, o meu amor fez-me a vontade e depois de nos despedirmos saímos com destino ao apartamento do Ruben.
O resto da noite foi tranquila, o que resultou num sono rejuvenescedor, foi de tal ordem que acordei com energia demais, lógico que quem pagou as favas foi o Ruben porque o fiz levantar-se da cama para fazer-me companhia, dado que apeteceu-me caminhar à beira-mar antes de regressar a Braga, ele ainda refilou mas acabou por fazer-me a vontade.
O que esconde o pai da Mariana?
Será que alguma vez a filha o vai perdoar?
E os próximos tempos serão calmos?

10 comentários:

  1. Ai, agora fiquei curiosa!
    O que será que o Sr. Manuel esconde?
    Próximo, por favor!
    Bjs

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  2. Fiquei bastante curiosa para saber o que o pai da Mariana esconde! E o Ruben e a Mariana são um casal mesmo fofo :)
    Fico á espera do próximo :)

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  3. Adorei adorei adorei.Quero o proximo.bjs

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  4. Por momentos pensei que estava a ler um livro do Harry Potter em que quando se querem referir ao Voldemort é sempre "...aquele que nós sabemos...", e foi assim que a Mariana se referiu ao pai.
    Ainda bem que o João gostou da surpresa da Maria.
    A M mais nova não deixa escapar nada, a gaiata tá sempre atenta e topou logo a conversa do Ruben com a Mariana, foram apanhados e tiveram que contar à família da chegada dos novos membros, e claro que a Mariana não perdeu a oportunidade de mandar a boca ao pai, apesar da vítima ter sido a Maria, mas elas entendem-se bem.
    Acho que os tempos vão ser calmos até ao momento da bomba estoirar e aí não sei se a Mariana irá querer perdoar o pai, eu acho que ela o vai perdoar mas vai demorar mais um tempinho.
    Adorei, e acreditem que hoje soube-me mesmo bem ler este capítulo, ao menos durante este bocadinho não tive a minha cabeça ocupada com outras coisas.
    Continuem

    Beijocas

    Fernanda

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  5. Fabuloso...

    Quero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...

    Continua... Cada vez tá melhor...

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  6. Olá.
    Fiquei mesmo curiosa sobre o que esconde o pai dela.
    Acho difícil ela o perdoar, mas nada é impossível.
    Até porque ela continua a gostar muito dele.

    Beijinhos
    Daniela^^

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  7. Ameeeeeeeeeeeeeeei!
    Quem bom que o João também gostou do presente da Maria, parece até que combinaram não é? Afinal, ''Quem casa, quer casa'' hahaha :P
    O Ruben e a Mariana são tão: ♥_♥ E a Matilde não deixa mesmo nada passar despercebido haha #adoro Mas agora fiquei curiosa, muito curiosa. O que é que o vovô Manuel esconde? Oo pelo seu desespero, quando isso vim à tona não vai ser lá muito agradável, e olha que a situação dele com a filha já não é muito boa.
    O próximo, please!! *-* Beijinhos.
    Gabi

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  8. Olá :D

    Adorei!!! Ai, estou super curiosa para saber o que tanto esconde o pai da Mariana!!! :O

    Ainda bem que o João gostou da prenda da Maria e que esta aceitou o pedido de casamento dele! Agora só falta o pequeno nascer e eles casarem-se!
    Espero que não seja nada de grave e que finalmente a Mariana e o pai se reconciliem!!! E os próximos tempos tem de correr super bem, nada de emoções muito fortes, pois podem prejudicar a Mariana e os bebés! :s

    Quero rápido o próximo, sff!!!

    Beijinhos
    Beatriz

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  9. Quando é que voltam a publicar?

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  10. Desistiram da FIC?????

    Digam alguma coisa só para saber se merece a pena vir cá todos os dias ou simplesmente resolveram deixar de escrever!

    Obrigada

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