segunda-feira, 22 de junho de 2015

190 - (...) A cama da mamã é da mamã! (...)

Ruben
Depois de a Mariana gozar comigo por ter ficado envergonhado e de ter terminado de dar a papa ao Filipe, regressamos à sala
- Parece que bazou… - olhei para a Mari
- Ainda bem… afinal não sei mesmo como vou olhar para a cara do meu pai! - gargalhou
- Amanhã já não se lembra…
Falou quando já saía da sala, fiquei a brincar com o Filipe até ao momento que começou a dar sinais de ter sono e por isso fui deitá-lo, para depois procurar a Mari, encontrei-a no nosso quarto, deitada na cama e a ler um livro.
- O menino?
- Está a dormir - respondi quando já estava deitado ao seu lado - O que estás a ler?
- Um livro que a Maria emprestou…
- E tens mesmo de ler agora… - olhou-me e sorriu, para depois fechar o livro e colocá-lo na mesa-de-cabeceira
- Queres miminhos, é? 
Sorri ao ouvi-la e nos minutos seguintes mimamo-nos mutuamente. Estávamos em plena sintonia mas assim que levei as mãos ao interior da sua camisola, o meu amor parou com a brincadeira e saiu da cama 
- Mor… oh Mariana - fui atrás dela - o que é que se passou? - olhou-me
- Nada de especial…
- Nada de especial?! Oh mor fugiste de mim!
- Eich… oh Ruben sem dramas… está tudo bem e não, não fugi de ti!
- Não fugiste? - olhou-me - Mor evitaste o contacto?
- Não evitei nada… muito menos o contacto e ainda menos os teus mimos… simplesmente estou com um problema de mãe e tenho as mamas quase a jorrar leite, como tal vim buscar os copos para tirar leite e acondiciona-lo para as nossas filhas! E agora senão te importas vou regressar ao quarto!
- Posso ir contigo? - olhou por cima do ombro, quando já ia a caminho do quarto
- Podes… se te dá prazer observar-me a ser ordenhada que nem vaca leiteira…
- Oh Mariana… - interrompeu-me
- Sim sei que a descrição não é nada sexy mas não encontrei nada melhor para descrever o momento! Mas fica a saber que estou a adorar ter virado uma vaquinha leiteira de duas pernas… afinal é sinal que posso alimentar as nossas filhas e ao mesmo tempo tenho um par de mamas que se apresente!! - gargalhei - Estás a rir? Falei alguma mentira, foi? Sim que já reparei que adoras os meus novos atributos… afinal perdeste a olhar para elas…
- Não estou a olhar para nada que não seja meu… - respondi quando já estávamos no nosso quarto
- Desculpa? Pagaste para que sejam tuas?!
- Não… mas contribuí para que crescessem…
- Grande lata! Fica a saber que a única coisa que contribui para o aumento avantajado das minhas mamas são as minhas hormonas e as tuas filhas, principalmente a Leonor que mais parece um aspirador assim que mete a boca nas minhas mamas
- Deve ser uma sensação boa… - a Mari que já estava a tirar o leite olhou-me
- Boa? Só falta pedires para experimentar! Oh Ruben ganha juízo! Até porque perdeste o direito às minhas mamas desde que as meninas nasceram…
- Já tiveste a falar melhor…
- Já não já? Pois meu tarado contenta-te a olhares que mais do que isso só em pensamento…
- Oh mor desculpa mas as tuas mamas são um alvo a abater… - desta foi a vez dela rir - Não tem piada… nunca tive razão de queixa mas agora… bem agora ainda estão mais apetitosas!
- És tão parvo - atirou com uma almofada à minha cara, lógico que teve retaliação e os minutos seguintes foram bem animados…


Animados até demais e talvez por isso a Mariana resolveu esfriar os ânimos ao avisar que ia para o duche. Fiquei na cama mas assim que ouvi a água a correr, não resisti em abrir a porta da casa de banho, o meu amor estava de costas e por isso não deu pela minha presença, ou pelo menos era o que pensava mas enganei-me porque ao fim de uns segundos a observá-la
- Em vez de estares a dar numa de rebarbado, se te aproximasses era bem mais engraçado!
- Posso?! - perguntei, afinal não quero que se sinta obrigada a nada
- Deixa de ser parvo! Nunca tivemos problemas em dividir a box do duche…
- Sim mas… - falei enquanto tirava a roupa
- Lá porque pari as nossas filhas, isso não me torna numa pessoa pudica! E se tiveres juízo não vejo mal nenhum em partilhar o duche contigo!
- Ainda bem… - olhou-me e sorriu assim que ao entrar na box, a abracei - ainda bem que pensas dessa forma…
- Estavas mesmo com medo que não reagisse bem a esta fase?
- Oh… um gajo pensa em tudo… e depois tens de concordar que nestas últimas semanas não andamos propriamente íntimos…
- Eu sei… mas o cansaço e a preocupação extrema não ajudaram… as horas no hospital dão cabo de mim e depois também andaste com uma carga de jogos elevada… foi tudo ao mesmo tempo… mas podias ter falado e tinhas evitado andar com dúvidas desnecessárias!
- Oh… tive receio que levasses a mal…
O meu amor abanou a cabeça e depois uniu as nossas bocas num beijo intenso… Estava com o gel de banho nas mãos quando a Mari pediu que lho desse mas
- Posso?! - perguntei por não querer abusar
- Podes… - sorriu, dando-me permissão para "lava-la" com o gel de banho… confesso  que já tinha saudades de sentir o seu corpo com as pontas dos meus dedos, tanto que aproveitei para sacia-las, mas quando aproximei a mão direita da cicatriz, provocada pelo procedimento a que foi submetida para lhe salvarem a vida e o útero, a Mariana encolheu-se
- Desculpa…
- Não faz mal… mas essa zona ainda está sensível - esclareceu - e sim… podes olhar que não me importo - suspirei - o que foi?
- Às vezes penso em como teria sido senão tivesses perdido os gémeos…
- Como assim?
- Oh… Nós à dois anos atrás éramos tão imaturos… tão crianças que sinceramente não sei se seríamos bons pais…
- Ao início seria complicado mas tal como aprendemos com o Filipe, teríamos aprendido com os gémeos…
- Sinceramente não sei… - olhou-me - acho que teria dado asneira… Nós nem de nós sabíamos cuidar… à mínima coisa stressávamos logo um com o outro…
- Prefiro não pensar nisso…
Respeitei o seu pedido e não toquei mais no assunto.

João
Assim que os miúdos começaram a “lutar” por quem dividiria o quarto comigo vi a Maria torcer a cara e deixar-nos para ir até a cozinha.
- Papá domes eu? Sim!!! - o Gustavo perguntava pela 10ª vez
- Não! Papá eu e ão-ão! - o Guigas já ameaçava um beicinho
- Meninos chega! - falei um pouco mais sério e os dois olharam-me - Primeiro, Guilherme o Gugu não dorme nos nossos quartos, o Gugu vai dormir na caminha dele ali… - falei enquanto apontava para uma zona perto da janela que dava acesso a grande varanda - e em segundo lugar eu não vou dormir no quarto de nenhum dos dois… - olharam-me com caras de maus, respirei fundo para não gargalhar com a cena e continuei - O papá vai dormir no quarto da mamã, que agora vai ser o quarto dos papás…
- Guigas mamen… - acabou por dizer resignado
- O Guigas também o quê filho?
- Guigas domi caminha mamã… mamã, papá, Guigas e…
- E eu! Assim dormimos todos! Mamã diz cama dela gande pa domir nós todos quando medo!
- Sim… quando tiverem medo podem dormir também na nossa cama, mas só quando tiverem medo!
- Jantar! - a Maria voltou a sala - a que se deve tanta animação?
- Chegamos a acordo…
- Sobre?
- O sítio onde eu e o Gugu vamos dormir!
- Ahh ainda bem que gostaste da marquise! - falou a rir enquanto levava os meninos para lavarem as mãos
- Piada! Tive algum trabalho, mas consegui que percebessem que a cama da mamã agora também é minha!
- E quem é que te disse essa mentira?! A cama da mamã é da mamã! E tu só vais ter acesso a ela se te portares bem caso contrário… sofá da sala… - falou a rir

Maria
O jantar foi animado, mas nada de muito anormal afinal os meninos já estavam habituados a jantarmos os quatro juntos. O mesmo não posso dizer do momento de os deitar miúdos voltaram a lutar pela atenção do pai e a eles ainda se juntou o saco de pulgas que queria brincar. Resultado, Maria sozinha na sala enquanto dos quartos vinham gargalhadas. Ao fim de mais de uma hora com o João a tentar adormecer os miúdos e a algazarra continuar acabei por ter de ser a “má” da fita e ir até eles, colocá-los nas respetivas camas e esperar que acalmassem e adormecessem. O primeiro a “cair” foi o Guigas e por isso já estávamos só no quarto do Gugas quando tive de me voltar a impor
- João Pedro para! - ele não parava de fazer cocegas ao miúdo - És pior que os miúdos! - olhou-me  e riu, deu-me um beijo na bochecha mas continuou - João para o quarto já! Que chatice pá! Vá para a cama já!
O João olhou-me admirado, mas levantou-se para fazer o que ordenava quando
- Éeeee o papá vai de castigo!! A mamã é que manda! - gargalhei com o miúdo e o João ficou piurso acabando mesmo por sair
- Gustavo já está tarde amor…
- Boa noite mamã! - falou enquanto lhe dava um beijo e minutos depois já dormia.
Deixei o quarto do Gugas e fui até ao meu encontrei o João de saída com uma almofada de baixo do braço
- Onde é que vais?
- Para a sala com o Gugu!
- Desculpa?! - franzi a cara - Vais-me dizer que o porta-pulgas saltitante não consegue adormecer sem o papá é?
- Não, mas já fui expulso do quarto do Gustavo com o miúdo a ver dispenso-te do trabalho de me mandares embora daqui afinal só posso dormir na cama se me portar bem… e como o miúdo disse devo estar de castigo… - gargalhei
- De castigo estás… mas tinha pensado em algo assim mais ao estilo trabalhos forçados na cama, se me faço entender… - falei enquanto lhe dava um beijo mais insinuador, senti-o rir
- A mamã manda!!
Foram segundos para ficar deitada na cama com ele em cima de mim e com as caricias a aumentarem, mas minutos foi o que precisei para saber que não seria hoje que voltaria a ter o meu marido a poder cumprir as suas funções na minha cama já que pelo intercomunicador foi possível ouvir o Guilherme choramingar…

Um mês depois…

Julieta
Há um mês que andamos a mentir ao Ruben e à Mariana, afinal ainda não contamos que visitamos a nossa neta. Hoje é mais um dia em que a consciência pesa mas ainda assim fomos visitá-la na mesma
- Olá avós! - deu-nos dois beijinhos - Como estão?
- Bem…
- Que carinha abatida é essa?
- Não é nada…
- Sofia, conhecemos-te, alguma coisa se passa! - suspirou pesadamente para depois nos surpreender
- Faz hoje um ano que o Filipe saiu do hospital e que… - hesitou por uns segundos - e que percebi que tinha perdido o Ruben… nesse dia jurei vingar-me e olhem só onde estou…
- Sofia o que interessa é que já percebeste que erraste, estás arrependida e quando saíres se tiveres paciência de certeza que tanto o Ruben como a Mariana vão acabar por perceber que mudaste e aí recuperarás o tempo perdido… - a Sofia interrompeu-me e surpreendeu com o que falou
- Isso não vai acontecer! No dia que sair da prisão não vou procurar o Ruben e muito menos vou aproximar-me do Filipe, para o menino a mãe é a Mariana, porque foi quem esteve sempre do seu lado, que o amou, que o acolheu nos seus braços e que é capaz de tudo pelo seu bem-estar - as palavras da Sofia, apesar de serem a mais pura das verdades, deixaram-nos completamente abismados, tanto que a nossa neta percebeu, talvez pelas nossas caras - não é preciso olharem-me como se fosse um extra terrestre! Sei que nunca fui mãe do Filipe, nem mesmo quando o tinha dentro da minha barriga, nunca o amei e muito menos senti-me mãe por uns segundos que fossem, por isso preferi deixá-lo, apesar de tudo sabia que o Ruben nunca o abandonaria…

Mariana
Acordei super, hiper bem-disposta, afinal as nossas princesas fazem um mês e vêm finalmente para casa. Estava a vestir o Filipe quando o pai dele agarrou-me pela cintura e puxou-me para ele, beijando-me de imediato
- Mor olha o menino - reclamei com receio que caísse da cama
- O menino está muito bem e entretido a brincar!
- Isso é tudo boa disposição? - sorriu
- É né… olha como queres fazer? - olhei-o - vais comigo ao treino, almoçamos e seguimos logo para Lisboa ou vais já para o hospital e depois vou lá ter?
- Pensei ficar em casa com o Filipe… e depois podemos leva-lo connosco!
- Não será muita confusão?
- Não… e temos que nos habituar a sair com a tropa toda… - sorriu
- Ok… mas podem vir na mesma ao treino!!!
- Ui filho que o teu pai quer plateia!
O Ruben sorriu e depois acabou de vestir o nosso príncipe, enquanto fui mudar de roupa e preparar o saco do Filipe, bem como o das princesas…
Vi o treino da bancada e de sorriso no rosto, a alegria do Ruben era contagiante… assim que terminou, o meu amor foi o primeiro a sair para o balneário, o que fez com que sorrisse, afinal isso nele é novidade…
Estava a dar o iogurte ao Filipe quando o João apareceu
- O que se passa? - olhei - o Ruben está cheio de bichinhos carpinteiros e tu deste-nos a honra da tua presença… em vez de correres para o hospital…
- O Filipe também precisa da mãe… - desviei o assunto e com a chegada do Ruben, o João não insistiu mais.
Ainda ficamos uns minutos à conversa mas assim que nos despedimos fomos direitinhos ao hospital…

Ruben
Passei o treino todo numa alegria extrema, tanto que o pessoal por diversas vezes, mandou piadas, uma vez que estão convencidos que a minha animação se deve à presença da Mari no treino…
Despachei-me rapidamente, ainda assim não tanto como o João, que quando cheguei junto dos meus amores, já lá estava a chatear a Mariana. Ainda ficamos na conversa durante uns minutos mas acabamos por seguir caminho.
Chegamos ao hospital e fomos ver as nossas meninas, mas se estávamos de sorriso no rosto e felizes até ao momento, perdemo-lo quando o Filipe, assim que entramos no berçário, começou a chorar.
- Oh filho… anda cá! - a Mariana tirou-mo dos braços, enchendo-o de beijinhos e miminhos
Estava a olha-los quando
- Continua ciumento? - a Ana falou
- Ah… estavas aí…
- Sim… vi-vos passar com o meu afilhado e não resisti em testemunhar este momento…
- Que seria perfeito se o menino não chorasse… - a Mariana falou esmorecida
- Oh amiga anima! O puto está habituado a ter a mamã só para ele mas com o tempo habitua-se a dividir…
- Espero bem que sim…
A Ana ainda trocou mais algumas palavras com a Mariana mas confesso que não prestei atenção, isto porque aproximei-me das nossas princesas que estavam acordadas.
Peguei na Carolina, por estar mais agitada e a Leonor de imediato abriu a goela, o que os fez rir
- Mas só tenho filhos ciumentos! - desabafei mas também ouvi de imediato
- Que admiração… saem ao pai! - olhei para a Mari - Sim e não me olhes assim que tenho razão… afinal ainda ontem demonstraste ciúmes enquanto tirava leite… - a Mari provocou e a Ana riu para
- Sério?! Oh amiga aqui o bebe água está com ciúmes porque a Leonor pode mamar sempre que quiser!
- Não Ana… o bebe água deve querer virar mama leite! - a Mari entrou na brincadeira
- Importam-se de parar! Não estou a achar piada!
- Tadinho… - o meu amor aproximou-se e deu-me um beijo - mas a verdade é que estou feita ao bife com vocês todos… que cambada de ciumentos!
Os minutos seguintes foram de troca de boquinhas e só paramos porque a Leonor reclamou com fome, a Ana ainda teve a iniciativa de pegar no afilhado para que a Mari pudesse dar de mamar à nossa filha mas
- Ana, pega antes na Carolina - olharam-me - que dou colo ao Filipe…
- É… talvez seja melhor… - a Ana concordou comigo e por isso o Filipe esteve o tempo todo ao meu colo e por incrível que pareça muito atento mas sossegadinho.
A Leonor mamou até ficar satisfeita e depois mais uma vez a Mariana tentou que a Carolina também mamasse mas a nossa piolha mais pequena é preguiçosa e prefere beber o leitinho do biberão, afinal custa muito menos do que se for do peito…
Cuidamos das nossas princesas e depois da Mari trocar a roupinha, foi a minha vez de as colocar no carrinho, isto tudo sempre sob o olhar muito atento do Filipe, que estava agora ao colo da madrinha…
Antes de sairmos do hospital, ainda estivemos à conversa com a Dra. Marta, que se disponibilizou para esclarecer eventuais duvidas que surgissem, confesso que tive vontade de sorrir, afinal já passamos pela experiência de ter um filho prematuro, ainda assim agradecemos a disponibilidade e a forma como sempre esteve presente no último mês.
Coube-me a mim a tarefa de empurrar o carrinho, isto porque o Filipe pediu colo à mãe, que deu sem problemas.
Saímos do hospital e ao contrário de há um ano, desta vez não tinha jornalistas à espera, algo que agradeci mentalmente, afinal é um momento só nosso…

Maria e João: A primeira noite juntos na mesma casa novamente não correu muito bem como correram as seguintes? E um mês depois será que está tudo no paraíso??

Ruben e Mariana: Qual será a reação quando descobrirem que os avós do Filipe visitam a neta na prisão? E como será as primeira horas das princesas em casa? Continuará o Filipe com ciúmes?

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Boa noite

Mais uma vez volto com um pedido de desculpa.

Mais uma vez volto para responder a um comentário
- SIM a história vai continuar
- SIM tencionamos finaliza-la
- Comecei outra FIC e quero muito continuar a história

Agradeço, mais uma vez, o vosso interesse e prometo que tão breve quanto possível traremos novidades.

Escrevo quase todo este texto na 1ª pessoa do singular porque sou eu a responsável por esta falha convosco e isto deve-se principalmente a situações inesperadas na minha vida profissional que me ocupam 30 das 24 horas de cada dia, tanto física como mentalmente deixando-me com pouca capacidade para conseguir juntar 2 letras seguidas quanto mais uma frase ou um capitulo por mais pequeno ou miserável que seja. Tendo em conta a falha do meu “plano A” para superar o inesperado e confesso que já vou no “plano W” e espero que até ao "Z" arranje algum.



Mais uma vez DESCULPEM e MUITO OBRIGADA por se manterem connosco

Maria

domingo, 15 de março de 2015

189 - "Xim!!! Guigas gota!!! Papá domi Guigas e ão-ão"


Boa tarde, Lamentamos a demora, mas como explicamos em "post" anterior a nossa vida real exigiu-nos cuidado e atenção redobrados que nos "roubo" tempo. Mas voltamos e esperamos que gostem. Bj M&M's

Ruben
Se por um lado ter consciência que a Mari já sabia a verdade deixou-me aliviado, afinal não lhe dei desilusão nenhuma, por outro deixou-me ainda mais preocupado, o facto de saber a verdade e não o ter partilhado comigo não é algo que agrade, uma vez que sei o que sofreu quando descobriu que não é filha biológica do Manuel, não sei como geriu as emoções durantes os últimos meses e isso sim preocupa-me, era nisso que pensava quando resolvi ligar ao João para que não revelasse à Maria, mas já não fui a tempo.
- O que é que tens? - a Mari perguntou ao regressar à sala
- A Maria já sabe…
- Como é que reagiu?
- Não reagiu… - partilhei o que o João falou - queres ir ter com ela?
- Não… - olhei-a admirado - a Maria precisa de tempo para interiorizar o que ouviu e depois se quiser olhar para a minha cara sabe onde estou!
- Estás com receio que fique chateada contigo?
O meu amor olhou mas não respondeu, isto porque o seu telemóvel tocou, agarrou nele e uns segundos depois sorriu, para mostrar-me de seguida a mensagem que recebeu
- Só espero que a conversa com os pais corra bem…
- Achas mesmo que a tua tia não sabe?
- Não sei… nem quero saber!
- Não respondes à mensagem?
- Não… amanhã falo com a Maria, agora vou dormir que estou de rastos!
Ainda fiquei na sala por não ter sono e quando cheguei ao quarto já o meu amor dormia serenamente, o que me fez pensar no quanto mudou. A Mariana simplesmente aceitou calada a verdade, não barafustou e muito menos se afastou ou julgou os pais e tios.
***
Acordei sem vontade nenhuma de ir treinar mas ainda assim saí da cama. Estava a comer quando a Mari entrou e
- Instagram! - agarrei no telemóvel e abri para ver as novidades, não resisti em comentar, algo que a Mari também fez
- Terá relacionado com o que descobriu?
- Provavelmente… no fundo a Maria só precisava de um último empurrão
- Vais ter com ela?
- Agora vou deixar o Filipe na creche e depois vou ao hospital, talvez vá ter com ela à hora de almoço.
- E com o… - hesitei e talvez por isso
- O meu pai é e continuará a ser o Manuel, o António é só o pai da minha prima e meu tio - olhava-a atento - Ruben não mudou rigorosamente nada e vê se te calas de uma vez com o assunto, não quero falar mais sobre isto!
- Preciso de saber só uma coisa - olhou - estás confortável?
A Mariana não respondeu, isto porque foi abrir a porta e quando terminei de comer fui ver quem era, cheguei à sala e
- … não deve estar à espera que o vá chamar de pai, não depois de desprezar-me, você nunca quis saber de mim, fui unicamente um acidente, um precalço que habilmente desviou do no seu caminho, que atirou para cima do seu irmão porque não lhe dava jeito assumir que traia a sua mulher com outra…
- Isso não é bem assim…
- Esqueça! Não quero ouvir desculpas, nada do que possa dizer para justificar o que aconteceu no passado vai fazer com que esqueça o que senti quando descobrir que não era filha de sangue do meu pai, quando coloquei em causa a minha existência, quando me senti completamente à deriva porque afinal não pertencia à Família Mendes… você teve a distinta lata de ver-me a afundar cada vez mais e nunca teve a decência de revelar a verdade, não passa de um badameco que nunca soube assumir as responsabilidades e que quando a sua filha sofreu na pele o mesmo que a sua mulher sofreu ainda teve a coragem de crucificar o João, você é igual a ele, vá puxar o lustro a outra que de mim a única coisa terá é certeza que para mim o meu pai é o Manuel, não quero nada de si, ou melhor quero, quero que meta nessa cabeça que ter descoberto que sou sua filha no dia que casei não mudou rigorosamente nada… só tenho pena é de uma coisa… é que nem você nem a minha mãe tiveram a decência de revelar-me a verdade, tive de a descobrir da pior forma, vocês deviam ter vergonha na cara, como é que conseguem partilhar o mesmo espaço durante estes anos todos? Como é que fingem que são só cunhados quando já foram amantes? Vocês enganaram durante anos o meu pai e a minha tia, vocês mentiram descaradamente só para encobrirem a traição… não percebo mas sinceramente também não quero perceber, aceito e sorriu, porque no fundo quem saiu a ganhar fui eu, porque por causa da vossa cobardia ganhei um PAI que ama de verdade e agora faça o favor de sair que tenho de levar o meu filho à creche!

Maria
Saímos de casa do João cada um para o seu trabalho, combinando chegarmos a casa juntos ao final do dia.
***
Como combinado ao final do dia ambos estávamos em frente da porta do apartamento
- Como achas que os miúdos vão reagir?
- Vão adorar!
- Achas?!
- Mas tás parvo?! Tenho a certeza João! Toma! - dei-lhe as chaves - faça favor! - ele gargalhou abriu a porta e entrou com as malas
- Uiii então é mesmo verdade não era só a gozar com a malta na net… - a Micas falou de imediato assim que entramos em casa
- Piada! Os meninos?
- Vou buscá-los agora… chegaram cedo!
- Temos de falar com eles… João nem penses! - avisei assim que o vi libertar o porta-pulgas na sala
- Oh Maria!
- Tomas conta dele e é bom que não se chegue muito para o meu lado e NEM PENSES em deixá-lo aproximar-se perto da porta do nosso quarto… muito menos a cama!!!
- Ok… - falou enquanto levantava os braços em sinal de rendição
Enquanto a Micas foi buscar os miúdos arrumamos as coisas do João no quarto e esperamos por eles na sala.
- Mamã!!! Papá!!!! - os meninos correram para o sofá
- O que foi? - o Gustavo perguntou assim que viu que tanto eu como o João não demos largas a granes brincadeiras
- Meninos nós temos de ter uma conversa muito séria
- Portamos mal papá? - novamente o Gustavo tomava a palavra enquanto o Guilherme aproveitava o colo do pai sem dar grande importância ao que dizíamos
- Não, não fizeram nada mal… o que eu e o papá temos para vos dizer é uma coisa boa
- Uma penda Guigas? - gargalhamos ao ouvi-lo
- Sim pode ser..
- O que é também tenho uma?
- Gustavo é uma prenda para todos… a mamã e o papá já foram namorados vocês sabem… e estavam um bocadinho zangados… mas agora fizeram as pazes e…
- E agora eu venho morar aqui com vocês!
- Papá domi qui casa xempe??
- Sim - assim que o João confirmou o pequenino deu pulos de alegria já o mais velho
- Vais dormir no meu quarto ou no do mano?
- No da mãe…
- O papá e a mamã na mesma cama?!
- Xim!!! Guigas gota!!! Papá domi Guigas e ão-ão
Gargalhamos e depois de muita brincadeira, fui tratar do jantar, hoje tivemos a casa só para nós, uma vez que a Mica avisou que tinha planos.
A noite foi animada, principalmente na hora dos miúdos dormirem, fizeram de tudo para nos convencerem a dormirem connosco...

Mariana
Para mim o assunto “pai biológico” sempre esteve mais do que resolvido, descobrir que sou irmã da minha prima não mudou em nada o que sinto por ela e para mim será sempre a minha prima, foi essa a razão que fez com que nunca comentasse o assunto, nem mesmo com o Ruben, mas agora que descobriu e que revelei tudo o que sei, sinto-me muito melhor.
Estava a despachar-me para levar o meu filho à creche quando fui abrir a porta ao meu tio, sim tio, é isso que sempre foi e continuará a ser, mesmo que venha agora pedir batatinhas com couves, aliás foi isso mesmo que falei, não deixei margens para dúvidas ao afirmar que o meu pai é e será sempre o Manuel.
Aproveitei, ainda, para dizer tudo o que sempre quis dizer mas que adiei por não querer ser responsável por mais um drama familiar. Esclareci tudo e depois pedi que saísse, afinal a minha prioridade sempre foi o meu filho.
- Estás bem? - o Ruben perguntou assim que fechei a porta ao meu tio
- Sim… - respondi tranquilamente
- Não queres mesmo falar sobre o assunto, né? - olhei e sorri
- Mor não se trata de querer ou não, simplesmente não tenho nada para falar, já falei mas repito, o meu pai é o Manuel e nada vai mudar isso.
- Sim… mas…
- Ruben descobrir que afinal sou Mendes de sangue não mudou rigorosamente nada… confesso que nos primeiros minutos só tive vontade de esmorrar o meu tio mas depois passou, sério… simplesmente percebi que se o fizesse, estaria a dar importância a algo que não tem. Amor, o que interessa não é os genes mas sim os afetos, pelo menos para mim é o que tem importância, e os afetos sempre os recebi do meu pai, é verdade que no passado meti muita vez em causa o amor do Manuel por mim, sabes bem a opinião que tinha dele, quantas e quantas vezes não demonstraste o teu desagrado quando o apelidava de velho do Restelo e de coisas bem piores, mas hoje sei que só estava a cumprir com as suas obrigações de pai, mas acima de tudo a proteger-me, o meu pai nunca quis o meu mal, muito pelo contrário e se hoje sou a mulher que sou, em parte devo-o a ele, não faz sentido nenhum passar a amar e chamar pai a outro, recuso-me a fazê-lo porque no meu coração é o Manuel que ocupa o lugar de pai e ocupará sempre, o António é só o meu tio e agora não quero mais falar sobre o assunto, pode ser?
- Pode… se estás confortável com esta situação para mim está tudo bem
- Estou… acredita que estou - aproximei-me do Ruben e abracei-o - a verdade é que se tivesse descoberto noutra altura provavelmente não compreenderia nenhum dos lados, tinha feito um drama do tamanho do mundo e afirmaria que os odiava a todos por terem mentido durante anos mas essa Mariana deixou de ser intempestiva, mor a vida ensinou-me que não devemos julgar os outros, que ninguém é perfeito, mas acima de tudo deu-me um filho de coração e talvez por isso entenda tão bem o meu pai.
- Tenho tanto orgulho em ti!
- Orgulho?! Hum… sempre pensei que fosse amor, tesão, amizade…
Não consegui continuar a falar, o Ruben reduziu o pouco espaço existente entre nós e beijou-me.
***
Deixei o Filipe na creche e segui para o hospital, fiquei o tempo todo junto das nossas filhas e só reparei nas horas quando vi o meu amor a entrar.
- Oi mor - beijou-me - como estão?
- Na mesma…
- Não fiques assim… - senti os seus braços em volta do meu corpo - as nossas filhas vão vencer esta batalha… só precisam do tempo delas
- Pois mas só estão aqui porque fui incapaz de aguentar mais umas semanas…
- Hey… mor… - obrigou-me a olhá-lo
- Não precisas ficar preocupado - falei de imediato, talvez por ver preocupação no seu rosto - que não estou deprimida… estou só a constatar um facto…
- Não gosto de te ver assim… prefiro quando estás a sorrir
- Nem sempre é fácil sorrir
- Mas nós temos motivos para sorrir, temo-nos um ao outro e três filhos lindos.
- Sim… mas enquanto não deixarem a incubadora, o aperto que sentimos nos nossos corações não desaparecerá, foi assim com o Filipe e será com a Leonor e a Carolina
- É diferente - olhei-o e talvez por isso - mor com o Filipe foi muito pior, o nosso filho nasceu demasiado cedo, teve complicações que felizmente as meninas não tiveram, com elas nunca tive medo de entrar no hospital ou de receber uma chamada a avisar que houve um revés, não consigo explicar mas desta vez estou muito mais sereno e com uma certeza inabalável que dentro de semanas as levaremos para casa, com o Filipe só consegui alguma serenidade quando o vi noite após noite no seu berço, a receber o nosso amor e cuidado.
- Compreendo o que falas, também sinto o mesmo, mas ainda assim tenho o coração apertado… - suspirei - acho que não merecíamos estar a passar por isto novamente… preciso de estar aqui do lado delas para sentir-me em paz comigo mesma mas ao mesmo tempo dói tanto… é impossível esquecer o que passamos com o Filipe, as primeiras semanas foram horríveis… acho que é essas recordações que deixa-me abatida… só queria uma gravidez e parto normal, ter alta e ir para casa a sentir-me completa, mas não… teve alta e deixei-as aqui…
- Daqui a umas semanas já as levaremos…
- Sim… só espero que para a próxima seja só um - estava a olhá-lo e por isso vi o seu sorriso quando falei - e que vá comigo para casa…
- Mas já pensas no próximo?! - olhamos e vimos a Ana ao nosso lado a sorrir - Isso é que é coragem…
- Vais dizer que não pensas em dar um mano ou mana ao meu afilhado?
- Sinceramente??? Mariana adorei estar gravida e amo o meu filho mas neste momento sou incapaz de pensar no próximo, preciso de algum descanso!
- Ser mãe é das melhores coisas que podem acontecer na vida de uma mulher e sim quero e penso em ter mais filhos, não é por ainda estar a recuperar da gravidez e do parto que deixo de pensar
- Ok… mas é bom que tenham calma! Mariana por favor dá oportunidade ao teu corpo de recuperar, não sejas louca ao ponto de engravidares já de seguida, no mínimo dois anos, porque tiveste as complicações que tiveste!
- Sim… sei disso mas como falei quero e serei novamente mãe!
O Ruben sorriu e talvez por isso
- Não te rias! Ruben, amigo sei que queres uma equipa de futebol e pelo que vejo já a convenceste a alinhar nessa loucura, mas tenham juízo! - gargalhamos
- Fica descansada! Ana, por muito que queira uma família numerosa, não necessito de uma equipa de futebol, além disso prefiro esperar e ter a certeza que já não haverá risco para a Mariana, do que engravidá-la e sofrer as consequências… não somos assim tão irresponsáveis!
- Hum… tem dias! - sorriu - Mas agora dêem aí um espacinho que quero ver estas beldades, sim que não há dúvida que são a cara da mãe delas!
Voltei a rir, principalmente porque o Ruben fingiu amuar.
***
Só saímos do hospital para almoçar, mas levamos companhia, uma vez que a Ana se colou.
- É mesmo verdade que a Maria e o João assumiram finalmente?
- Assumiram finalmente, o quê?
- Vai passear macacos! Mariana não sou burra e sei perfeitamente que a Maria e o João seguiram o exemplo de vocês, basicamente andaram a atirar areia para os olhos daqueles que deixaram!
- Esta conversa terás que a ter com a Maria…
- Hum… hum… vais dizer que não sabes de nada e que nem reparaste em nada?
- Reparei… e sim sei de muita coisa mas se queres detalhes falas com a Maria!
- Hum… ok… mas há outra coisa que não percebi - olhei - porquê que a Maria disse que os Pais e Tios são um exemplo?
- Prefiro não falar sobre isso!
- Agora fiquei curiosa!
- E continuarás curiosa! Ana, são assunto de família!
- Hey… Ruben tem lá calma contigo… desculpa se a minha curiosidade ofendeu
- Ana, não ligues… o meu Rubinho anda a acumular muita testosterona e depois sobe à cabeça - brinquei com a situação - mas ainda assim tenho de concordar, são assuntos de família e prefiro não falar disso agora, até porque envolve mais pessoas…
A Ana não insistiu e o assunto mudou ligeiramente, isto porque o Ruben resolveu partilhar o estado de espírito do João durante o treino, o que fez com que rissemos bastante.
Foi quando o Ruben já bebia o seu café que ao entrar no Instagram tive uma ideia, procurei a música que queria e depois partilhei
MMAmorim_ Porque há letras de músicas que nos ficam no ouvido… aqui deixou uma… “...Tudo o que eu sonhei sim,encontrei nela / A cabeça no corpo certo, sim, eu tenho nela / Oooohoooohhhhhhhhhhhh / Sim, sim, encontrei nela / Oooohoooohhhhhhhhhhhh / Sim, sim, encontrei nela / Pra que ter um grande carro / Se já tenho as curvas dela / O que a vida não me deu, sim, eu vejo nela / Oooohoooohhhhhhhhhhhh / Sim, sim eu vejo nela / Oooohoo,oohhhhhhhhhhhh / Sim, sim, eu vejo nela / Primeiro de tudo obrigado / Pelo amor, pela amizade / E por tares do meu lado…” @JP_47 @MariaMendes @ RAMendes
Assim que partilhei, o Ruben recebeu a notificação e quando viu, gargalhou, a Ana não perdeu tempo em comentar mas sinceramente não respondi.
***
Hoje faz três semanas que as nossas filhas nasceram e duas em que o meu dia-a-dia se dividi entre o hospital e dar mimos aos meus dois homens. O Filipe continua a demonstrar ciumes sempre que o levamos a ver as manas, algo que confesso preocupa-me.
Estava em casa com o meu filho quando ouvi a campainha e por isso fui abrir, não escondi a admiração, afinal das poucas vezes que nos visita, escolhe sempre um horário em que sabe que o filho está em casa.
- Posso?
- Sim… entre… mas o Ruben está no treino!
Seguimos até à sala
- Quer beber ou comer alguma coisa?
- Estou bem, obrigado!
Sentei-me no sofá, algo que também fez e após uns minutos de silêncio, respirou fundo para
- Mariana sei que não temos a melhor relação mas… - hesitou
- Diga! Independentemente da opinião que você tem a meu respeito, é o pai do meu marido e avô dos meus filhos - não resisti e tive de mandar a boca
- Pois… sobre isso acho que te devo um pedido de desculpa… Sei que tens todos os motivos para odiar-me, não fui correto e tenho noção disso, mas és a mulher do Ruben, és quem faz o meu filho feliz, és a mãe dos meus neto, és… - interrompi
- É assim não tenho tempo nem paciência para estar a ouvi-lo - olhou-me - a enumerar os motivos pelos quais acha que deve pedir desculpas, muito menos se os motivos forem esses, se vem pedir desculpas porque sou a mulher que faz o seu filho feliz e a mãe dos seus netos, pode dar meia volta e sair! Porque sou muito mais do que está a dizer, sou uma pessoa e foi a pessoa que você magoou com o que disse, é à pessoa que tem de pedir desculpa e não há mulher do seu filho!
- Tens razão… reconheço que errei e quero pedir-te desculpas não só pelas razões que já enumerei mas porque estava errado a teu respeito e porque tenho consciência que te magooei, espero que conseguias perdoar-me…
- O perdão não se pede… conquista-se! Faça por isso e pode ser que um dia o perdoe, até lá a nossa relação continuará igual, você é o pai do meu marido e avô dos meus filhos, respeito-o mas não o venero!
- É justo… mas podes ter a certeza que tudo farei para compensar… - voltei a interromper
- Não quero que compense nada, muito menos tudo o que disse a meu respeito, se for só um bom avô para os meus filhos já me chega!
O Virgilio não respondeu, até porque o Filipe aproximou-se do avô com um brinquedo e vi acontecer algo raro, o meu sogro a brincar com o neto. Ainda fiquei a observá-los durante um bocado mas acabei por sair, fui preparar o lanche do Filipe.
Estava entretida na cozinha quando
- Mor - senti os seus braços em volta da minha cintura e os seus lábios na minha bochecha esquerda - o que é que o meu pai faz na sala?
- Quando os deixei, brincava com o Filipe!
- E continua mas… - sorri e
- Não perguntes o motivo e nem o que fez com que mudasse de opinião, mas o teu pai veio cá pedir desculpas… basicamente reconheceu que no passado não foi propriamente um amor de pessoa comigo!
- Ãh?!
- Foi isso que ouviste! Mas mudando de assunto - olhou-me - O que achas de começar a frequentar o ginásio?
- Por mim não vejo mal nenhum mas já podes praticar exercício físico?
- Sinto-me bem… além disso estava a pensar começar com algo suave… acho que vai fazer-me bem à mente e ao corpo!
- Faz o que quiseres…
- Mas???
- Mas o quê???
- Esse “faz o que quiseres…” tem um mas algures que bem te conheço! Por isso desembucha!
- Promete que não vais abusar
- Por acaso estás a insinuar que a minha intenção em frequentar o ginásio está relacionada com o achar que estou gorda e feia?
- E não estás?
Como é possível uma simples pergunta magoar tanto, talvez por isso tive uma reação intempestiva, atirei a faca de forma brusca para cima da bancada e tentei sair da cozinha mas o Ruben agarrou-me pelo braço
- Larga-me seu anormal!
- Largo quando explicares o motivo de teres reagido assim?
- Só podes estar a gozar com a minha cara!
- Mariana… oh mor…
- Vai chamar mor ao raio que te parta…
- Desculpa?! Mas enlouqueceste, foi?
- Não… não estou louca… estou só desiludida contigo…
- Desiludida comigo? Porquê? Por estar preocupado contigo?
- Não gozes com a minha cara! Acabaste de afirmar que estou gorda e feia… - interrompeu
- Não foi isso que falei!
- Ai não? Então e o “e não estás” que respondeste depois de te questionar se estás a pensar que quero ir para o ginásio por achar que estou gorda e feia, foi o quê?
- Não afirmei que estás gorda e feia! Questionei se não estás a pensar nisso… acho que é um pouco diferente! Oh Mariana quantas vezes tenho de dizer que te desejo da mesma forma e com a mesma intensidade que sempre desejei! Caramba se estás assim tão satisfeita com a imagem que tens porquê que há mínima coisinha stressas logo?
- Porque vocês só pensam com a cabeça de baixo!
- Se achas que só penso com a cabeça de baixo, então não temos problema nenhum… porque a cabeça de baixo só pensa no dia em que vais dizer que já podes ou que queres sexo - suspirou - achas que é fácil adormecer todos os dias abraçado a ti, ver-te só em lingerie ou partilhar o duche contigo e não te amar de forma mais física? Pois mas fica a saber que não é nada fácil… porra além de te amar loucamente, desejo o teu corpo, anseio para voltar a possuí-lo, para te ouvir a gemer de prazer ou a implorares para que não pare porque queres mais…
Acho que o Ruben teria continuado a falar mas ouvimos o nosso filho a chamar por mim e quando olhamos, encontramo-lo ao colo do avô
- Diz filho! - falei serenamente para o meu piolho que
- Mama - falou enquanto esticava os bracinhos na minha direção
- Vamos papar! - peguei no meu filho e assim que o fiz o Virgílio saiu da cozinha, deixando-nos sozinhos - Estás bem? - não o perguntei no gozo, perguntei sim porque estava mesmo preocupada, afinal o Ruben continuava hirto e branco - mor…
- Diz-me que ele só chegou depois de ter-me calado…
- Como queres que saiba se estava de costas!
- Como é que vou olhar para a cara dele?
- Eich… menos… muito menos! Ruben pareces um adolescente que acabou de ser apanhado na cama com a namorada pelo pai…
- Não gozes que a sensação deve ser mesmo essa…
Acabei a gargalhar, foi impossível controlar-me… tê-lo diante de mim completamente envergonhado só fez com que risse sempre que o olhava, tanto que
- Continua… continua a gozar!
- Não estou a gozar mas confesso que tem a sua piada ver-te assim envergonhado…
- Queria ver se fosse contigo!

Parece que a bomba “Mari&Maria irmãs” rebentou sem causar muitos estragos, muito pelo contrário, fez a Maria admitir que quer o João do seu lado, agora resta saber como correu as últimas três semanas… afianal voltaram a partilhar o mesmo espaço diariamente…
Quanto ao Ruben e à Mariana… o que dizer destes dois?! Talvez que continuam igual a eles próprios… stressam por qualquer coisa mas amam-se loucamente… como reagirá o Ruben quando voltar à sala e encontrar o pai?