sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

122 - "Tio eu vi tu e a ela aos beijinhos!"

Ruben
Nestes últimos quatro dias a Mariana tem andado estranha, sendo a desculpa sempre a mesma ou seja cansaço, no entanto tenho receio que seja a Sofia que a ande a chatear mas que não queria admitir, ainda assim temos partilhado momentos a dois, se bem que só ontem é que aceitou ficar a dormir no meu apartamento.
Acordei com os raios de sol a invadirem o quarto e quando abri os olhos não a encontrei, fui à sua procura e vi-a no quarto do nosso pequenino enternecida a olhá-lo.
- Bom dia - beijei-a
- Não me canso de olha-lo… - sorri ao ouvi-la
Ainda ficámos uns minutos no quarto do nosso pequenino mas como a Mariana tinha de ir trabalhar, fui com ela até à cozinha onde preparamos o nosso pequeno-almoço.
Foi enquanto comíamos que fui surpreendido com uma revelação feita por parte da Mari.
- Vou ao Brasil!
- Como?? - respirou fundo
- A Maria pediu-me ou melhor implorou que vá com ela…
- Desculpa?! Ela que leve o Rui!
- Pois…
- O que é que se passa?
- Oh mor… - a Mariana hesitou e isso fez-me pensar no pior
- O que é que aquele otário lhe fez?
- Hey calma… também não é preciso essa agressividade toda!
- Então porquê que estou com a sensação que estás a esconder alguma coisa?
- Ruben, a Maria vai a trabalho mas não está confortável para ir sozinha e pediu-me para a acompanhar…
- E tu não conseguiste negar-lhe isso…
- Não! E sabes porquê? Porque sinto que andei estes meses todos a falhar, não lhe dei apoio nenhum - olhei-a sem perceber se estava a querer dizer que se sente arrependida por ter abdicado da prima em prol da nossa família mas o meu receio não se confirmou - amor a verdade é que concentrei-me em nós, na nossa família - sorri ao ouvi-la - porque senti essa necessidade desde o momento que admiti para mim mesma que não sou ninguém sem ti e sem o Filipe, mas isso fez com que esquecesse a Maria e só há uns dias quando fui almoçar com ela é que tive noção do caos que está a vida dela… Ruben a minha prima ao contrário do que pensamos não ultrapassou a traição do João e o Rui foi só uma marionete nas mãos dela…
- Foi?! Estás a falar no passado?
- Estou… mas sinceramente acho que o Rui nunca foi presente…
- Está assim tão mal?
- Não sei… sinceramente não sei e é por isso que não lhe consegui negar o pedido - suspirou - Ruben espero que consigas perceber o meu lado… não me agrada a ideia de ir para o Brasil e ficar longe de ti e do Filipe mas a Maria precisa de mim…
- Mor lógico que compreendo mas apanhaste-me “na curva”, até porque tinha pensado que podíamos aproveitar uns dias a três… - olhou-me - mas se a Maria precisa de ti, lógico que apoio-te e depois quando regressares a Lisboa vamos nem que seja um fim de semana só os dois…
A Mariana concordou comigo e o assunto “morreu”, até porque o meu amor já estava a ficar atrasada para o trabalho, ainda assim e quando já ia a sair chamei
- Diz - olhou para trás
- Toma - estiquei o braço e dei-lhe um porta-chaves - não faz sentido continuares a tocar à campainha de todas as vezes que queres entrar…
- Não posso aceitar!
- Porquê?
- Achas mesmo que vou usar um porta-chaves assim tão foleiro! - gargalhou
- Tão engraçada que ela está - puxei-a para mim - mas isso é fácil de resolver - olhou-me - basta que as coloques no teu porta-chaves!
- É… sabes muito! - sorriu e depois vi-a mesmo a colocar as chaves no seu porta-chaves
- Logo vens ter connosco? - olhou-me
- Logo quero ir ao ginásio quando sair do trabalho e dado que já não meto os meus presuntos lá há imenso tempo, quando sair só devo querer cama!!!!
- Presuntos?! Hum hum ainda estou para descobrir onde os tens!!!
- Porquê? Queres dar umas dentadinhas? - confesso que fiquei sem reação pois a Mariana além do seu tom de voz ser de provocação, ainda conseguiu ir mais longe, ao aproveitar que estávamos próximos para acariciar-me
- Mariana!!! - gargalhou - Não sei onde está a piada, provocas-me e depois foges!
- Logo falamos!!!
Sorriu e voltou a unir os nossos lábios agora num beijo demorado, para depois sair como se nada fosse, ainda fiquei por casa mas acabei por passar pelo SPA. Estava entretido na conversa com o meu irmão quando recebi uma mensagem da Mari a pedir que fosse ter com ela ao trabalho, que queria companhia para almoçar.
- Ui... quem é ela?
- Também tu?
- Oh mano sei que a mãe te anda a moer o juízo mas tens de concordar que também lhe dás motivos, aliás ainda agora ficaste a sorrir para o telemóvel...
- Vocês andam a ver cenas onde não existem!
- Será?
Não respondi, decidi ignorar ou então o assunto nunca mais terminava e comecei a arrumar as cenas do Filipe.
- Deixa o menino cá - olhei-o - mano vou almoçar a casa se quiseres levo-o e ele fica com o Gabriel, assim ficas livre para fazeres o que quer que seja...
- Não te importas?
- Népia, na boa!
Agradeci a oferta e quando já estava a sair do SPA
- Onde vais? - respirei fundo antes de virar-me para trás e responder à minha mãe
- Ai oh mãe já não sou criança!
- De corpo não és mas de cabeça…
- O que está a insinuar?
- Que no último ano nem sempre as tuas decisões foram as melhores…
- Sei bem disso! Não precisa estar constantemente a relembrar-me!
- Só espero que saibas o que andas a fazer...
Não respondi, preferi sair do que voltar a mentir. Conduzi calmamente e quando cheguei ao meu destino avisei a Mariana que desceu pouco tempo depois.
- Oi - falou ao entrar no meu carro e sem que esperasse beijou-me demoradamente - O Filipe? - sorri ao ouvi-la
- Ficou com o meu irmão…
- Ohhh mas tenho saudades dele!
- E o pai dele tem saudades tuas! - estranhamente sorriu - Logo já o tens contigo…
- Egoísta! - gargalhei ao vê-la tão bem disposta
- Deixa de ser torta!
- O menino nunca atrapalhou e tenho saudades dele!
- Ainda de manhã tiveste com ele…
A Mariana simplesmente sorriu para depois avisar-me que o almoço seria no seu apartamento, olhei-a intrigado mas fiz-lhe a vontade e conduzi até lá... Entramos e ao contrário do que esperava não fomos para a cozinha mas sim para a sala, sempre por entre beijos intensos que aliado às saudades de tê-la de forma completa fez com que perdesse o controlo
e segundos bastaram para as nossas roupas começarem a encontrar o chão, o certo é que não perdemos muito mais tempo e rapidamente fomos até ao quarto, onde a “atirei” para cima da cama para voltar a unir as nossas bocas

mas se não estava disposto a esperar muito mais, o mesmo não posso dizer da Mari que resolveu explorar o meu corpo com a sua boca,
levando-me ao completo desespero…

Mariana
Passei a manha toda a pensar no Ruben, sei que compreende o meu lado, até porque também é amigo da Maria mas no fundo sei que o desiludi. Foi a pensar nisso que acabei por o convidar para o almoço.
A ideia era comermos num restaurante perto do escritório mas assim que entrei no carro do Ruben mas principalmente que senti o cheiro do seu perfume, uma vontade louca de fazer amor com ele tomou conta de mim, por isso mesmo fomos até ao meu apartamento, onde acabei por satisfazer o meu desejo…
Acabamos por almoçar pela zona do Parque das Nações e no final ainda demos um passeio a pé pelos jardins. No regresso ao apartamento do Ruben, desviamos caminho e fomos buscar o nosso pequenino, no entanto fiquei à espera dos meus amores no carro, para que não dessemos mais razões ao Mauro para desconfiar de nós…
O resto da tarde e noite foi de mimo, inicialmente a três e depois a dois, sim que depois do Filipe adormecer pedinchei por mimos, afinal estarei pelo menos uma semana longe do Ruben, dado que segunda tenho voo para o Brasil.

Ruben
Acordei com o sol a entrar pela janela e ao olhar para a Mariana foi impossível não sorrir, afinal é o amor da minha vida! Estava a observá-la quando a vi a esfregar os olhos com as mãos antes de os abrir. Lógico que quando acordou não nos privamos de trocar mimos que foram interrompidos pelo Filipe.
A manhã estava a ser dedicada aos meus dois amores e por mim teria continuado senão fosse a visita da Maria e do Guigas.
- A minha prima? - questionou assim que abri a porta
- Ai não sabes da tua prima e vens procura-la aqui?
- Ahahah piadinha! Vais dizer que não a raptaste novamente! - olhei-a - Sim que desde que a Mari regressou de Valência só vai ao seu apartamento buscar a correspondência! - sorri - Só não percebo é porquê que não assumem mas isso é problema vosso…
Voltei a sorrir enquanto caminhávamos para a sala e encontramos a Mari a dar o biberão ao Filipe.
- Madinha pipipo - o Guigas foi de imediato ter com a Mariana que lhe deu um beijinho - padinho mamã passeio!
- Queres ir passear com a madrinha e com o padrinho, é?
- Xim e Pipipo
A Mariana olhou para a prima
- Não me olhes com essa cara! O teu afilhado é que acordou com saudades vossas - olhou-nos à vez - e como até é dia da criança lembrei-me que podíamos passear um pouco pela Costa…
A ideia agradou e por isso fomo-nos despachar. Saímos de casa diretos à praia, onde nos sentamos numa das esplanadas a apanhar um pouco de sol e a meter a conversa em dia, que serviu para perceber que a Maria não tinha contado à Mari o verdadeiro motivo da sua ida ao Brasil…
Estavamos a decidir onde seria o almoço quando a minha mãe ligou a convidar-me para almoçar, ainda recusei alegando que já tinha planos mas a Belinha foi insistente e “obrigou-me” a revelar que estava com as primas Mendes e ainda dei como desculpa querer passar o dia da criança com o meu afilhado, algo que não foi suficiente para a convencer e como tal acabamos todos por almoçar na casa da minha mãe, uma vez que assim podia estar com os dois netos e eu com o meu afilhado…
O almoço revelou-se divertido com as primas Mendes a implicarem uma com a outra e a contarem algumas recordações que têm deste dia quando eram miúdas.
***
Estava no jardim à conversa com o meu irmão quando reparei que a Mariana brincava com o Filipe e não resisti em tirar algumas fotos, foi num desses momentos que captei o sorriso do Filipe, não relutei e partilhei a primeira foto do meu filho com os meus fãs, usando para isso a minha página no facebook

Olhem só quem sorriu... Um filho é sem dúvida a nossa maior alegria
A Mariana assim que viu não hesitou em fazer das delas ao comentar
Oh pai babado... esqueceste de dizer que o menino só sorriu porque estava ao meu colo :P resumindo sorriu para mim e não para a foto, muito menos para o pai ahahaha
A Paula gargalhou, provavelmente ao ler a nossa troca de mimos e mostrou à minha mãe, algo que não impediu que tivesse respondido à Mari mas desta vez cara a cara e deixando o facebook de lado, o que originou mais um momento de pura brincadeira nosso que terminou connosco deitados na relva, momento registado pelo Mauro e que só reparamos quando os nossos telemóveis deram sinal de nova notificação
MauroAmorim_ Olhem só quem voltou à adolescência... pá @Rubenamorim olha que agora és pai... e tu @Marianamendes vê lá vê... mas é o que fazes ao pai do teu… AFILHADO!!!
Assim que li a legenda à foto olhei de imediato para a Mariana que sorriu ao aproximar-se ainda mais de mim e sem que esperasse tirou uma foto de nós que a partilhou
Marianamendes_ já que o @MauroAmorim está tão preocupado com o que posso fazer com o pai do meu menino tenho a declarar que só faço o que o @Rubenamorim quer e deixa...
Li e reli o que escreveu mas não respondi, até porque se o fizesse só serviria para aumentar o falatório.
As horas passaram sempre connosco na brincadeira uns com os outros e com algumas piadas do meu irmão por causa da Mariana.
O momento do lanche chegou e a Maria atirou para o ar que queria crepes, o que resultou numa incursão por parte da Mari até à cozinha da minha mãe. Ainda fiquei na sala mas assim que o Mauro começou novamente com as piadas, resolvi ver se o meu amor precisava de ajuda...

Mariana
Estava na cozinha a preparar a massa para fazer crepes quando o Ruben entrou e sem qualquer acanhamento abraçou-me.
- Queres ajuda? - deu-me um beijinho no rosto o que fez com que sorrisse
- Tratas do sumo?
- Yap...
O Ruben fez sumo de laranja e no fim ainda derreteu o chocolate para os crepes. Estava já a limpar o que sujei quando o Ruben achou por bem reclamar por mimos, ainda tentei resistir mas acabei por

Lógico que não nos ficamos só por um simples beijo e

antes que descarrilássemos
- Amor... Rubinho... RUBEN! - olhou-me - os crepes estão a arrefecer... - falei nada convicta o que o fez gargalhar ainda assim parou de me provocar
- Vou colocar a mesa para lancharmos - beijou-me para se afastar
Durante o lanche veio à tona a nossa viagem ao Brasil e mais uma vez ouvimos uma piada mas desta vez da Anabela
- Oh filho e tu não vais ao Brasil? - olhamos lá - Sim... que ultimamente onde está a Mariana estás tu e vice versa! - falou à rir
- Tem alguma coisa contra? - Não me contive
- Nada... muito pelo contrário - sorriu - pelo menos sei que enquanto tiver contigo não anda por aí a fazer disparates!
- Oh mãe!!!
- Falei alguma mentira? Sabes bem que quando estás longe da Mariana que perdes o norte! Foi assim quando a Mariana foi para Faro e... - interrompi antes que desçam asse
- Anabela já chega! - olhou-me - Já nos basta ter consciência do quanto às nossas atitudes nos magoaram a nós e aos que nos amam - suspirei - não precisamos que estejam sempre a mencionar isso...
- É para ver se ele não se esquece...
- Se é com esse objectivo pode ficar descansada que não esqueço - olhei-o - e você melhor que ninguém devia saber isso... ou por acaso durante estes últimos 30 anos esqueceu o pai e o que se passou?  Esqueceu os seus erros e os dele???
- Ruben! Não te admito!
- Então somos dois! Porque também não admito que continuem a chafurdar no meu passado!
O Ruben assim que falou pediu licença e saiu da mesa. Acabei por segui-lo e foi quando já estávamos no jardim que
- Mor… - olhou-me
- Sim sei que exagerei mas estou farto de andarem constantemente a apontar-me o dedo!
- Sabes… nestes últimos dias tenho pensado muito em tudo… na nossa vida, na nossa família e por muito receio que tenha do que a Sofia possa tentar fazer, tenho de admitir que neste momento já não faz sentido escondermos o namoro, pelo menos dos nossos familiares e amigos próximos - o Ruben sorriu - nós praticamente vivemos juntos, somos um casal que já tem um filho, nós já temos a nossa própria família e andamos a mentir sem necessidade… e depois se a nossa família souber acabará por ser mais uma segurança, porque teremos mais uns quantos pares de olhos atentos ao Filipe e ao que aquela louca poderá fazer…
- Estás a dizer que queres contar aos nossos pais?
- Sim! - falei determinada - Sabes… a conversa no outro dia com a minha prima fez com que percebesse não só que não a apoiei mas também serviu para entender que quando o amor existe e é verdadeiro nada o destrói… Além disso nós merecemos viver o nosso amor, depois de tudo o que ultrapassamos não faz sentido vivermos escondidos, até porque quero assumir de uma vez por todas o meu lugar na vida do nosso filho, o Filipe merece uma mãe a tempo inteiro e eu… eu preciso de o ser…
- Oh mor… nem sei o que dizer… tens noção que acabaste de dar-me uma das melhores notícias dos últimos tempos - gargalhei ao ouvi-lo
- Que exagerado…
- Não é exagero! Desde o dia 27 de Janeiro de 2014 que ansiava ouvir da tua boca o que acabei de ouvir…
- Esse dia… - sorri ao recordar um momento em concreto - aquela foto no teu quarto deu cabo de mim - desta foi o Ruben que gargalhou - e depois o menino soube aproveitar isso na perfeição…
- Não podia deixar escapar a oportunidade…
- Ai sim?!
- Hum… Hum…
Murmurou enquanto se aproximava mais de mim, algo que só serviu para que nos beijássemos
- Quando é que contamos?
- Por mim contamos quando regressarmos do Brasil, tipo convidávamos os nossos pais para almoçar ou jantar para confirmarmos o que já sabem!
- Ok…
Ainda ficamos uns minutos no jardim mas acabamos por regressar para o interior da casa e assim que nos sentamos na sofá, lado a lado, o Mauro e a Anabela olharam-nos de uma forma que pareciam estar à espera que confirmássemos alguma coisa.
- O que é que se passa? - o Ruben acabou por questionar
- Nada… - o Mauro respondeu mas nitidamente estava a mentir e quando o Ruben insistiu a resposta veio de quem menos esperávamos
- Tio eu vi tu e a ela aos beijinhos!
O pequeno Gabriel falou na inocência dos seus dois aninhos o que provocou o riso nos adultos e sem escapatória possível acabamos por confirmar que namoramos.
- Sério? - o Ruben sorriu perante o ar de felicidade da sua mãe
- Sim... mas você sempre soube ou vai negar que lá no fundo não desconfiava?
- Ruben lógico que nunca acreditei quando negavas a existência de uma mulher na tua vida, filho andavas diferente e por muito que negasses algo dentro de mim dizia que mentias mas para ser sincera nunca pensei que fosse a Mariana, não depois de tudo mas ainda bem que conseguiram superar e agora contém lá desde quando estão juntos.
Acabamos por de forma resumida contar tudo, incluindo a parte do meu pai nos apoiar incondicionalmente, o que surpreendeu a Anabela e no final
- Bem está na minha hora… - a Maria anunciou
- Dás-me boleia? - o Ruben olhou-me assim que falei
- Sim…
Despedi-me do Mauro, da Paula e do pequeno Gabriel para depois procurar pela Anabela para também lhe dizer adeus, para o fim ficou mesmo os meus dois amores, dei um beijinho no Filipe que dormia serenamente e quando ia para despedir-me do Ruben
- Acompanho-vos à porta… - tive que controlar a vontade de rir ou não fosse saber o motivo pelo qual falou
Saímos da sala e quando nos aproximamos da porta
- Vá Guigas dá xau ao padrinho que ele e a madrinha precisam ter uma conversinha! - a Maria gozou-nos e depois do nosso afilhado se despedir do padrinho, foi a vez da minha prima e assim que o fez saiu
- Vais lá para casa, certo? - olhei-o
- Não… Ruben tenho de fazer a mala por isso vou para o meu apartamento!
- Oh… mas…
- Mas se quiseres aparece por lá e jantamos juntos.
- Ok!
Dei um beijo ao Ruben e depois saí. A Maria deixou-me no meu apartamento e seguiu para o dela.
Estava entretida a fazer as malas quando ouvi a campainha, não foi difícil adivinhar que era o Ruben e por isso não perdi tempo em ir abrir a porta aos meus dois amores.
***
Assim que fechei a mala o Ruben puxou-me de imediato para ele, lógico que nos estatelamos na cama e só não ficamos por lá porque reclamei com fome. O Ruben desafiou-me para jantarmos fora, algo que não aceitei, preferi antes encomendar o jantar.
Estávamos entretidos a namorar quando ouvimos a campainha e por julgar ser o jantar fui abrir enquanto o Ruben foi à cozinha buscar uns pratos.
- Ah… são vocês! - exclamei assim que vi os meus pais.
- Bem filha até parece que não nos queres cá em casa!
- Oh mãe não é nada disso mas… mas não vos esperava cá, é só isso!
- Pois se tivesses passado lá em casa para te despedires… - a minha mãe teria continuado a refilar mas assim que ouviu o Filipe a chorar - Tens cá o teu afilhado? - olhei-a e sem ter tempo para responder ouvi
- Mor deixa tar que vou lá…
O Ruben falou da cozinha e assim que o cérebro da minha mãe processou a informação que os seus ouvidos escutaram arremelgou os olhos na minha direcção
- Sim mãe… o Filipe está cá e o Ruben também! E sim… namoro com o Ruben e o Filipe não é meu afilhado mas sim filho! E agora entrem!
O meu pai sorriu, já a minha mãe ficou estática a olhar-me para uns segundos depois
- Que novidade é esta?
- Ai… oh mãe não é novidade nenhuma! Podemos nunca ter admitido mas no fundo tanto você como a Anabela sabiam por isso vamos atalhar e ir diretos ao assunto, nós namoramos, o Filipe é meu filho e somos uma família!
A minha mãe não abriu mais a boca e segui-me até à sala. Assim que entramos vimos o Ruben a trocar a fralda ao nosso pequenino.
- Boa noite genro! - o meu pai atirou assim que entramos o que deixou o Ruben estupefacto a olhá-lo
- Já lhes contei! - esclareci - Até porque se há algo que os meus pais não são é surdos… - o Ruben sorriu e depois de terminar de vestir o Filipe cumprimentou os meus pais.
Os minutos seguintes foram para resumirmos novamente o que foram os últimos meses para “matar” a curiosidade da minha mãe e no fim jantamos enquanto o Filipe recebia mimos da “avó” Fernanda o que nos deixou aos dois felizes.
Os meus pais acabaram por sair e o resto da noite foi aproveitada a três mas com o avançar da hora fui obrigada a despedir-me dos meus amores, uma vez que decidi ficar no meu apartamento de forma a facilitar a minha ida para o aeroporto.
***
Horas depois saí da cama, despachei-me, agarrei na mala e saí com destino ao aeroporto, onde encontrei a Maria, o Guigas a dormir e a Micas.
Aproveitei o voo para dormir e assim que chegamos fomos diretas ao hotel…

Como correrá a estadia das Mendes por Terras de Vera Cruz?

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

121 - " já que vou quero sol, praia, samba e caipirinhas…."

Maria
Depois de passar numa farmácia com a Micaela e de ter a certeza de que tudo tinha sido só um pequeno corte. Consegui convencê-la a ir comigo até um shopping do Porto onde comemos.
- Oh Maria não era necessário...
- Claro que era... e mesmo que não fosse eu achei que sim... E agora?
- Agora?
- Sim... ficaste desempregada... e morava lá também, tens para onde ir?
- Sim posso ir para casa dos meus pais...
- Mas não te apetece muito pois não?
- Eu sai de lá de forma meio complicada...
- Se quiseres falar...
- Os meus pais não são ricos, antes pelo contrário e sempre me deixaram ir a escola até ao 9° ano porque era obrigatório depois ate ao 12° porque já não se arranja emprego em lado nenhum, mas eu como sempre tive boas notas e como sempre quis ser professora primaria, consegui candidatar-me a universidade, fui colocada e consegui bolsa. Comecei as aulas, mas os meus pais queriam era que fosse trabalhar e que ajudasse com as despesas da casa. Durante um tempo ainda consegui conciliar as aulas com um part-time, mas não conseguia ser o suficiente nem num lado nem no outro e o ambiente em casa foi-se degradando ate que vi a oferta de emprego em casa da Dona Constança... na altura ela só precisava de alguem para servir os jantares, porque a antiga governanta ainda tratava de todo o resto, mas como era para estar disponível durante a noite oferecia quarto e comida, aceitei e quando contei aos meus pais eles não aceitaram muito bem. De qualquer das formas, mudei-me para la e quando a antiga governanta se reformou acabei por ficar a tempo inteiro, interna....
- E o curso?
- Tenho estatuto de trabalhadora estudante, mas este ano pouco lá fui... e agora...
- Agora divides o quarto comigo esta noite e depois logo se vê ...
- Oh Maria...
Depois de muito insistir a Mica, é assim que a tratam, la aceitou ficar comigo,. O dia amanheceu sem que eu tenha conseguido dormir e vi-me obrigada a abandonar os pensamentos sobre tudo o que tinha acontecido desde que fiz 30 anos quando o telemóvel deu sinal de chamada
- Tou...
- Rainha... estou aqui no hall do hotel... precisamos falar...
- Vou tomar duche... dá-me 20minutos... - desliguei a chamada e tomei um duche rápido quando voltei ao quarto a minha companheira de quarto já estava também acordada - Mica o Rui esta lá em baixo... eu vou falar com ele e depois tomamos o pequeno almoço pode ser?
- Maria... o menino Rui gosta de si... de ti... ele é diferente da mãe e sempre nos tratou bem...
- Eu sei... e é por isso que... bem quando tiveres pronta desce...
Desci e assim que o elevador abriu as portas
- Rainha!!!!
- Rui, menos... muito menos!
- Esta noite foi tão esquisita... passei-a com um pressentimento... não me vais deixar por causa do que a minha mãe fez pois não? - não respondi - Maria tu conheces-me...
- Vamos até lá fora? - sugeri quando reparei nalguns pares de olhos postos em nós - Rui, eu... bem... tudo isto me fez pensar e... eu gosto muito de ti... adoro-te mesmo, mas...
- Mas não me amas... Maria nunca me mentiste, sei bem disso... e nunca foi impedimento.....
- Rui eu pensei que conseguiria mudar isto, mas nada mudou eu juro que tentei, mas... gosto de ti como do Ruben... e devia gostar de ti como do João.... eu... eu não suporto o peso na consciência por te andar a iludir e trair...
- Trair?!
- Quase eu sei que são só sonhos, mas... Rui eu sonho...
- Com o João eu sei... - fiquei abismada
- Sabes?! 
- Maria tu... bem tu... falas enquanto sonhas... e já sabia que andavas a ter sonhos... chamemos animados... e sempre pensei que fossem comigo... ou quis pensar... mas ontem quando adormeceste na casa dos meus pais ... deixaste bem claro com quem sonhava... e na altura quase perdi a cabeça e te acordei, mas... tu nunca me mentiste e eu acredito que com o tempo passo eu a ser o actor principal dos teus sonhos... - quanto mais compreensivo ele se mostrava mais mal eu me sentia
- Rui eu não consigo...
- Não consegues o quê? 
- Ai Rui eu só te consigo ver como amigo, pior como irmão... sim que nem animação consigo sentir... desculpa isto é horrível de ouvir e acredita péssimo de dizer mas....
- Mas nós já...
- Já Rui... já... - suspirei e senti-me mirrar de vergonha, mas era hora de esclarecer tudo
- Mas?
- Mas eu nunca estive realmente contigo... ou melhor na minha cabeça não eras tu e... bem felizmente as mulheres têm a capacidade de fingir porque para mim, mentalmente era bom, mas fisicamente... não estou a por defeitos, mas... 
- Ok chega... não precisas pisar mais! Podias antes dizer o que esta mal que eu mudo...
- Consegues transformar-te no João? Então... não podes fazer nada... desculpa....
- Estás a acabar é isso? Agora que te apresentei aos meus pais?
- Depois de tudo o que te disse eras capaz de continuar a aturar-me? A beijar-me?? E quanto aos teus pais... ele vão adorar a noticia. Nenhum foi antipático comigo antes pelo o contrario, mas...
- Eu deixo-te sozinha... e quando voltar a Lisboa falamos....
- Rui  eu não vou mudar de ideias...
- Ate amanha... - deu-me um beijo nos lábios que eu não deixei prolongar - amo-te
Vi-o abandonar o hotel e subi para o quarto assim que fechei a porta
- AHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!
- Maria tudo bem?
- Desculpa mas o Rui conseguiu tirar-me do serio!
- Então?
Contei-lhe a conversa que tinha tido, precisava desabafar e ela pareceu-me de confiança.
- Ui... Maria o menino Rui não esta habituado a ouvir não...
- mas vai ter que se habituar ou então eu enlouqueço... para bebe já tenho o meu Guilherme...
- Tens uma foto dele?
- Tenho queres ver?
- Claro
Mostrei-lhe a foto e ficamos a falar de crianças e foi nesse momento enquanto a ouvia falar sobre educação que tive uma ideia
- Micaela se te surgisse a hipótese de trabalhares em Lisboa aceitavas?
- Não sei acho que sim... depende das condições... 
- Casa,  comida, roupa lavada, horário q dê para ires as aulas se mudares para Lisboa...
- A fazer o quê?
- A ajudar-me com o Guilherne e a casa... o meu horário é muito incerto... ah e quanto ao ordenado não te preocupes cubro o que a Dona Constança de te pagava... aceitas?
- E para começar quando?
- Agora?
- Posso despedir-me dos meus pais?
- Deves... vai que espero por ti aqui e vamos para baixo quando voltares.
- Obrigada Dona Maria
- MARIA! Chamas-me Dona ou tratas por você e vais pedir nos semáforos e morar debaixo da ponte - rimos as duas e a Micaela seguiu ate casa dos pais.
A viagem até Lisboa foi tranquila, apresentei a Micaela á casa e á cidade e na segunda de manhã ele foi comigo até ao aeroporto, para conhecer o Guilherme a empatia entre ambos foi imediata e acabei por deixá-los em casa enquanto voltei a rotina do dia a dia.

Passaram-se meia dúzia de dias de tranquilidade, apesar de o Rui tentar que retomássemos a relação não o aceitei uma vez que não conseguia conceber viver a minha vida a enganar alguém, sim que se sabia que era incapaz de voltar para o João, também sabia que era insuportável ter outro homem no “lugar dele”.
Felizmente o Rui acabou por perceber, mas também felizmente não perdi a sua amizade e companhia.

***

- Micaela vens?
- Onde?
- Vou levar o Guilherme ao pai… o João chegou esta manhã e vai amanhã para estágio por isso pediu para passar o dia com o filho… podias vir comigo e depois de o deixar-mos ia-mos dar um volta o que dizes?
- O Rui não está disponível?
- Não sei… nem quero saber…
- Vou sim - respondeu a rir
- Boa vou ligar para a minha prima e para a Ana e almoçamos as quatro.
A Mica tinha sido bem recebida no nosso grupo e além de empregada domestica, babysistter do Guilherme tornou-se na quarta mosqueteira.
Depois de deixar o Guilherme com o pai e de recusar o convite deste para passar o dia com eles segui com a Mica para o almoço de raparigas que correu como correm todos os almoços entre quatro amigas.
@MariaMMendes E que programa melhor depois de um almoço a 4?!
Só mesmo uma tarde de compras! Vamos a elas meninas!!! @MarianaMendes @ANNA @MMica

@MariaMMendes para nós… para os nossos príncipes e para mais alguns sapos!! :p



João
O fim da época, pelo menos da clubística chegou e de há uns tempos para cá que uma só ideia me povoava a cabeça. Cheguei a Lisboa e pouco depois já tinha a Maria a tocar a campainha
- Queres entrar? Podes vir passear connosco e depois almoçar em casa dos meus pais… Eles iam adorar… e nós também né filhão? - falei com a Maria enquanto brincava com o Bruninho que já estava ao meu colo
- Obrigada, mas parece-me que hoje é dia de programa de homens, pelo menos foi o que me disseram ontem - disse a rir repetindo o que lhe tinha dito quando me perguntou o que iria fazer com o menino - e por isso nós vamos fazer um de meninas… ah João esta é a Micaela a minha secretária pessoal ou melhor o meu braço direito e o esquerdo também e ainda as pernas, Mica é o João o pai do Guilherme… - cumprimentei a Mica de quem já conhecia a origem e vi-as partir.
Fiquei a manhã por casa a brincar com o menino, fui até casa dos meus pais com quem almocei e depois desafiei os “tios” Ruben e Fábio e ainda o Pipipo para lanchar num parque da cidade e passei a tarde a meter a conversa em dia.
A noite chegou e depois de dar um banhinho e o jantar ao meu menino deitei-o e ele em minutos ficou a dormir. 
Como ainda não tinha sono fiquei pelo computador e voltei a pensar na ideia que me povoava a mente e resolvi colocá-la em pratica. 
Só precisava de alguns telefonemas para dar andamento, um não já eu tinha de qualquer forma…

Maria
A tarde foi animada e quando cheguei a casa despedi-me da Mica e enfiei-me na cama. Dormi tranquilamente e acordei na manhã seguinte com um telefonem do meu tio
- Bom dia Tio, ou será Jorge?
- Olá Sobrinha… Maria precisamos reunir…
- Hoje?
- Sim…
- Mas passa-se alguma coisa urgente? Tenho de ir buscar o Guilherme ao João…
- Então vai e trá-lo a ele e a Mica, assim depois de falarmos podemos juntar-nos ao resto da família e passar o domingo juntos o que dizes?
- Pois lá terá que ser!
Levantei-me despachei-me e segui com a Mica até casa do João.
- Bom dia!
- Oi… Guilherme vamos? - o João olhou-me espantado - Desculpa mas o meu tio ligou-me cedo precisa de mim e levo o Guilherme porque passamos o dia com os meus primos depois…
- JÁ?! Quer dizer o teu tio ligou-te tão cedo?
- Sim. parece que o mercado vai começar a mexer mais cedo do que pensava... 
- Ah… ok então… - o João foi com o Guilherme até ao quarto e quando voltou o menino já estava pronto - sempre dá para falarmos pelo Skype?
- Claro… se eu não tiver a Mica já tem as password’s todas é só combinarmos as horas que te derem mais jeito…
- Ok… adeus filhão!
- Sáu papa!
- Boa viagem e boa sorte por lá!
- Obrigado…
Segui até casa do meu tio e a negociação em que tinha de me envolver obrigava-me a envolver de corpo e alma, já que me fará viajar até ao Brasil.
A tarde foi passada na brincadeira com a família e depois mais uma noite desta vez pouco tranquila já que quando consegui finalmente adormecer fui assaltada pelos sonhos menos calmos com o João.
Passei a manhã toda a tratar das burocracias para ir até ao Brasil, mas tinha que falar com alguém e só uma pessoa poderia ser. 
Como é óbvio o meu convite não foi recusado e na hora marcada quando cheguei ao restaurante lá estava ela
- Priminha!! 
- Bem mas que aflição é essa?
- Ai Mari…
- Desembucha!
- O tio arranjou-me um caldinho dos bons…
- Então?
- Vou ter que ir para o Brasil… para negociações… 
- A sério?
- Sim…
- Queres que fique com o Guilherme?
- Não quero que venhas comigo…
- Ãh? 
- Oh prima eu tou a precisar tanto de ti! Eu sei que tens o Ruben e o Filipe e que eles precisam de ti, mas… - não aguentei e comecei a chorar
- Ei ei… então?! Mendes não chora! - dizia-me a rir
- Pois não passou já - respirei fundo e limpei as lágrimas
- Então o que se passa, eu vou contigo mas adianta-me o que te fez chegar a este estado de chorar em publico, que isto decididamente não condiz contigo….
- Aii… enquanto estava com o Rui
- Espera! Estavas? Já não estás?
- Não…
- E isso desde quando? Porquê? Ele fez-te mal?
- Calma… não ele não fez mal nenhum eu é que fiz…
- Não estou a perceber…
- Eu nunca gostei do Rui… assim como ele gosta de mim… como gosto do João…
- “Como gosto”?!
- Sim! Eu não consigo esquecer o que ele fez, mas não consigo deixar de o amar, e parece que cada dia mais… e bem quando estava com o Rui obrigava-me a distrair e só mesmo quando adormecia… é que o meu sub-consciente me traia e sonhava com ele e que sonhos… - eu suspirei e ela gargalhou
- A sério?! Tinhas sonhos calientes com o João enquanto estavas com o Rui?? 
- Tinha… e pior é que falava durante eles e o Rui sabia… e ainda pior só conseguia estar com o Rui se fechasse os olhos e imaginasse o João e mesmo assim…
- Uiii… mas acabaram quando?
- Quando fui a casa dos pais dele, aquela cena da mãe dele foi a gota de agua para perceber que aquele não é decididamente o meu filme… mas agora… agora só consigo pensar no João… ai prima porque é que ele me fez aquilo? Porquê? Fui assim tão má namorada e mulher? Eu sei… sei que ainda por cima fui eu que a meti a ela na vida dele… mas eu acho que não merecia… ou merecia?
- Mas qual merecias! Tás maluca! Não merecias e as duas sabemos disso, se ele estava mais carente tu também e não foi por isso que engravidaste de outro… agora vamos a animar essa carinha porque as primas Mendes vão mostrar aquelas ‘zucas como se diverte… sim que eu não vou para lá para te ver a trabalhar e gramar horas de futebol… já que vou quero sol, praia, samba e caipirinhas….
- Combinado!
@MariaMMendes @MariMendes OBRIGADA! Por estares comigo hoje, ontem e sempre! 

De tarde voltei ao escritório tratei de tudo e tirei os dias que tinha até a viagem para ficar em casa com o meu filhote.

Qual terá sido a ideia do João?
Como correrá a viagem da Maria?
E as coisas entre o Ruben e a Mariana continuarão em mar de rosas?


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

120 - "Micaela que modos são esses?!"

Mariana

Pela reação do Ruben percebi que ficou magoado por não ter esclarecido que sou a mulher com quem anda, por isso mesmo retirei o Filipe do seu carro e levei-o comigo, sabia que o Ruben nos seguiria mas isso não fez com que mudasse de ideias, fui até ao meu apartamento. 
Entrei direta na garagem do prédio, algo que o Ruben também fez e estacionou o seu carro ao lado do meu.
- Já lhe passou a azia? - o meu amor sorriu
- Sabes bem que és a única que consegue dar-me a volta tão facilmente - gargalhei
- Tadinho do meu menino - beijei-o quando já estávamos no elevador, algo que o Ruben aproveitou para
- Se sou teu porquê que tenho a sensação que continuo a correr atrás de ti? - olhei-o
- Outra vez esta conversa?
- Mor a Sofia não pode ser motivo para deixarmos de viver a nossa vida! Caramba já perdemos tanto tempo por erros de ambos…
Não respondi e assim que entramos no apartamento pedi-lhe que trocasse a roupa ao menino enquanto lhe preparava o biberão, algo que o pai fez sem hesitar.
Com o leite preparado, fui até ao meu quarto e quando estava a entrar ouvi algo que me fez parar.
- O pai errou muito e um dos maiores erros foi não te amar desde o início mas hoje és uma das razões do meu viver, a outra é a tua mamã, sempre a amei imenso e pensava que era impossível amá-la mais mas a cada dia que passa descubro que a amo um pouco mais... se hoje sei o que é amor de pai o devo a ela, foi a Mariana que lutou mais por ti, que se manteve sempre do teu lado desde que nasceste, foi ela que fez com que reagisse e começasse a amar-te, a tua mamã foi incansável, não hesitou em amar-te, em ficar do teu lado, em trocar-te as fraldas, em pegar em ti ao colo quando ainda eras tão pequenino, em dar-te de comer, foi ela que não dormiu nos dias seguintes a teres nascido porque estava preocupada contigo e mais uma vez foi ela que não hesitou em tomar uma decisão que sabia que não era a correta mas que era a única que naquele momento te protegia, filho a tua mamã escolheu afastar-se de nós para que nada de mal te acontecesse, mais uma vez deu uma enorme prova do seu amor por ti... mas agora chegou o momento de deixarmos de fugir, nós temos o direito a ser felizes por isso prometo que tudo farei para que cresças do lado da única mulher que conheces como mãe, porque mãe é quem ama e não quem traz ao mundo, prometo que não desistirei da tua mamã, por muito que haja alguém que queira obrigar-me a escolher entre ti e a Mariana não consigo porque ambos são a minha vida... Oh filho o que mais desejo é poder chegar a casa e encontrar a família toda reunida...
- Ruben, não aguento mais - assim que falei o Ruben olhou-me - amo-te mas tenho medo do que a Sofia possa fazer por isso não podemos assumir nada mas também já não consigo estar afastada de vocês, nós temos o direito a ser felizes e temos a obrigação de proteger o nosso filho...
- Por isso mesmo é que temos de ficar juntos, só assim conseguimos protegê-lo...
- Ruben isso é impossível - suspirou - já por diversas vezes vi a Sofia, ela segue-me para ter a certeza que não vos visito...
- Temos de ter mais cuidado e se tentar alguma coisa por mais pequena que seja já podemos apresentar queixa contra ela...
- Tenho medo que não seja suficiente...
Admiti e depois dei o leite ao nosso pequenino, para no fim trocar-lhe a fralda algo que aproveitei para o mimar


Maria
Desde que regressei a Lisboa as coisas com o Rui foram ganhando seriedade afinal o facto de me envolver fisicamente com ele sempre que sonhava com o João levou-me a fazê-lo várias vezes e claro que todas as outras rotinas se intensificaram ao ponto de ele usar o apartamento do lado só como armário e escritório pois já praticamente vivia no meu. Felizmente o Guilherme voltou a visitar o pai na companhia dos avós. 
E foi num fim de semana "sozinhos" que sou surpreendida
- Rainha?
- hum? - mal levantei os olhos do tablet
- Os meus pais convidaram-nos a ir visita los este fim de semana o que dizes?
- Convidaram-NOS?! Oh Rui eles nem me conhecem...
- Mas sabem que existes... que existe uma namorada...
- este fim de semana?! Isso já é muito apertado...
- Nem por isso... - olhei-o finalmente 
- O que é que estas a tramar?
- Ooh é hora de almoço de sexta, o Guilherme já foi para Valência, podíamos sair depois do almoço e já dormíamos lá e no domingo de manhã voltávamos...
- Se te disser para ires tu ficas muito chateado?
- Fico... triste porque eu conheço a tua família toda e tu não te interessas minimamente pela minha...
- Isso é mentira! Sabes que te pergunto sempre por eles! Mas vá... vou arrumar uma mala e vamos...
Não era o que mais me apetecia, mas dado que tinha decidido apostar nesta relação não tinha outra solução.
A viagem até ao norte foi calma o Rui conduziu enquanto eu fui trabalhando.
- Chegamos! 
Olhei em volta e deparei-me em frente a um portão de uma grande propriedade


- É aqui?
- Sim... - respondeu enquanto já manobrava o carro e já uma senhora com um aspecto tipicamente da alta sociedade portuguesa nos aguardava, saiu do carro e abriu-me a porta - Vamos? Mãe! Como está? - abraçou-a - Mãe apresento-lhe  a Maria, minha namorada. - a senhora olhou-me de cima a baixo - Maria apresento-te a minha mãe, Constança...

- Muito gosto... - tentei cumprimentar a senhora mas fiquei-me por ai
- Entrem... estejam a vontade... o seu pai está no escritório. Vou avisar a criada que chegaram. Para servir o lanche... o menino sabe como o seu pai respeita os horários das refeições.
O Rui nada disse e seguiu para uma porta mais afastada entrando após bater deixando-me para trás com a sua mãe. A senhora era uma anfitriã perfeita a casa estava impecavelmente arranjada assim como ela. Sentamos-nos as duas na sala de estar e já estava num silencio agonizante há alguns minutos quando surge uma rapariga pouco mais nova que eu completamente fardada

- O lanche está servido... 
- Micaela que modos são esses?! - confesso que quando ouvi Micaela saltei 
- Desculpe minha senhora... o lanche já está servido, quer que avise o patrão e o menino Rui? - menino?? Ele tem idade para ser irmão mais velho dela
- Quero! Diga-lhes que nós já os esperamos - a rapariga saiu - Desculpe Maria, mas a criadagem é um problema... cada vez mais insolentes... não concorda?
- Para dizer a verdade não faço ideia... - falei ainda a processar a cena a que tinha assistido - nunca tive empregados... nem mulher a dias.... 
- Nunca?! - a senhora olhou-me como se visse um ET
- Não...
- Desculpe... não sabia que era... - calou-se como que travando alguma coisa que não achava conveniente dizer
- que?
- Que a Maria era de uma camada social menos...
- Não... -interrompi - não precisa de se desculpar por não saber que sou pobre... - olhou-me chocada - até porque felizmente não sou... não vivi com tantos... - calei-me eu - com tantas condições... mas não passei necessidades... cresci a saber que o dinheiro não nasce do chão e que nem sempre posso ter o que quero de imediato... aprendi a cuidar da casa dividindo a tarefa com a minha mãe... e hoje em dia apesar de ter condições para tal, optei por não ter ninguém a ajudar-me e sou eu que cuido da minha casa...
- Rainha! - o Rui entrou e interrompeu a conversa - quero apresentar-te o meu pai Henrique... pai apresento-lhe a Maria
- Como está Maria?
- Bem obrigada e o senhor?
- Bem... e trate-me por Henrique por favor...
- Bem vamos lanchar?
Seguimos para a sala de jantar que era no mínimo do tamanho de todo o meu apartamento. A mesa estava assustadoramente bem arrumada com todos os pratos, pratinhos, talheres, copos, chávenas e afins e com alguns bolos caseiros, chás, café e sumos de fruta naturais. Enquanto todos lanchavamos o silêncio era constrangedor, pelo menos para mim já que todos os outros pareciam adaptados a não trocarem qualquer som. E eis que no meio de tanto silencio se ouve o som do meu telemóvel, todos me olham
- A Teresa...- disse para o Rui que sorriu
- vai lá atender...
- Teresa?
- Mamã! 
- Guilherme! Já tás com o pai?
- Já eles já chegaram... o Bruno é teu filho e por isso trocou-te pelo comando da PlayStation
- João ele é muito pequeno! 
- Achas que o meti a jogar?! Ele é que está a fingir que está a jogar...
- Ahh OK. Manda-lhe beijinhos meus...
- Ta tudo bem?
- Sim porquê? 
- pareces estranha...
- ah é que tou em casa dos pais do Rui e isto não é aquilo a que estamos habituados... 
- qualquer coisa podes sempre ligar...
- obrigada não vai ser preciso.
Desliguei o telefonema, tirei o som e voltei para a mesa.
- Peço imensa desculpa...
Ninguém me respondeu. Sentei-me e quando todos acabamos de comer
- Mãe, pai... eu vou com a Maria mostrar-lhe a casa e descansar um bocadinho antes do jantar...
- Com licença... - levantei-me atrás dele e segui-o escada a cima e pelo corredor até chegar a uma porta que abriu entramos
- Então?
- Então o quê?
- O que a Teresa disse?
- Ah? Nada... era o Guilherme e deixou-me pendurada, falei só com o João. Era só para dizer que chegaram bem...
- Hum...
- Pergunta o resto... 
- O que achas... 
- de?
- daqui... da casa... dos meus pais... - respirei fundo
- não esperava tudo isto... é muito...é diferente do "meu mundo" mas gostei... a casa é brutal... e "menino Rui" é lindo! 
- e os meus pais?
- não sei Rui não passei dos como está... 
- Com a minh mãe tiveste mais tempo...
- conheces a tua Mae melhor que eu para saberes que é reservada...
- é... anda cá! - bateu na cama onde já estava sentado e sentei-me ao seu lado - ficamos por aqui? - perguntou-me enquanto me beijava o pescoço - ou queres ver o resto da casa?
- Resto tipo?
- Jardim, piscina, horta...
- Quero ver mas para já prefiro ficar aqui na ronha... se não te importares claro...
- A Rainha manda...
Aproveitei que ele se tinha recostado na cabeceira da cama e aconcheguei-me para dormir. E foi o que fiz. Dormi até ser acordada pelo Rui por ser hora do jantar. Acordei com a estranha sensação de que tinha tido um sonho intenso, mas sem me lembrar de nada.

Rui
Deixar a Maria em Valência custou-me, mas era algo que realmente tinha de fazer. Precisava que ela finalmente percebesse o que realmente sente. Foi um risco que felizmente não me saiu caro. 
O regresso da Maria trouxe-nos finalmente um relacionamento de casal "normal" e ainda uma Maria muito mais disposta a demonstrações públicas, e outras nem tanto, de carinho.
Neste tempo apenas uma coisa faltava para tudo estar perfeito. Apresentá-la aos meus pais. A oportunidade surgiu num fim de semana em que o campeão visitou o pai. Consegui , até mais facilmente do que previra, convencer a Maria a vir comigo até ao Norte.
Assim que chegamos percebi que ficou surpreendida com o local, mas manteve-se sempre na sua postura calma. A nossa espera na porta de casa estava a minha mãe, com quem deixei a Maria antes de ir até ao escritório para cumprimentar o meu pai
- Posso?
- Claro filho, estava só aqui a ver nas revistas da Micaela a minha nora... - mostrou-me uma revista cor de rosa - muito bonita e pelo que sei muito competente... - fui incapaz de não sorrir - sim senhor... uma excelente escolha pena que...
- que?
- é divorciada e tem um filho!
- sim o Guilherme o pai tem de o conhecer 
- Rui não estarás a tomar uma responsabilidade que não é tua?
- onde é que quer chegar?
- ela precisa de um namorado, gosta de ti como tal ou precisa de um pai para o filho?
- o filho da Maria tem pai! E está com ele neste momento. Sim dou-me bem com o Guigas, mas porque é um miúdo incrível e quanto a Maria... não tenho duvidas que não sou o amor da vida dela e o pai se lê isso - apontei para a revista - deve saber também, mas eu amo-a e ela da sua forma gosta de mim e é o suficiente para sermos felizes...
- e onde está ela?
- na sala com mãe...
- Rui a tua mãe não lê estas coisas - riu - e eu só li porque o Armando no outro dia me disse que vinhas na revista... bem a tua Mãe não imagina a existência de Guilherme's e deve pensar que a Maria é herdeira de algum império...
Já não respondi porque a Micaela nos chamou para o lanche. Entrei na sala acompanhado pelo meu pai e encontrei a Maria e a minha a conversarem não percebi sobre o que falavam, mas gostei de vê-las juntas. O lanche estava a decorrer de forma natural em casa dos meus pais quando o telemóvel da Maria tocou, sei que para a minha mãe tal era o fim do mundo, mas também sei que PR questões profissionais e principalmente por esta longe do Guilherme e ser impossível para a Maria desligá-lo.
Assim que a mari se ausentou
- Filho... a Maria já me disse que não é da nossa classe, embora se saiba comportar irrepreensivelmente, pelo menos até agora. O menino esqueceu-se de lhe ensinar que não se deixa o telemóvel ligado.
- Mãe a Maria por motivos profissionais tem de ter o Telemóvel ligado e estar contactável 24h por dias...
- Ai sim? Não sabia que era médica
- E não é...
-Então que outra profissão é tão importante....
- Mãe a Maria é gestora de carreiras de atletas de alta competição
Olhou-me com cara de quem comeu e não gostou , mas com a entrada da Maria voltou a calar-se.
O resto da refeição foi tranquila, mas assim que terminou tratei de "fugir" com a Maria para saber como estava o pequenino e como tinha sido a conversa com a minha mãe.
Apesar de não entrar em detalhes percebi que não tinha ficado apaixonada pela minha mãe pela forma como respondeu. E quando pensei que ia aceitar a minha provocação para "namorarmos" um bocadinho ela preferiu dormir e enquanto sonhava eu tinha um pesadelo.
Assim que adormeceu a Maria ficou agitada, primeiro sorria, depois murmurava algo imperceptivel e depois bem depois começaram as gargalhadas e os sons menos próprios.
- oh mor.... para... ai não... oh mor sabes que ai é golpe baixo... - falava entre suspiros Fui incapaz de não me rir ao perceber que apesar de me ter dado uma nega acordada enquanto dormia o seu sub-consciente pensava em mim, mas nesse momento começa o pesadelo - vá lá mor para... oh Zuãooooo... Zuão a sério..
E acabou por se entgar por completo a um sonho que de tranquilo teve pouco. Já não era a primeira vez que a ouvia chamar por ele, mas das outras vezes nunca consegui ter certeza por tambem estar meio a dormir desta vez foi muito claro. Pensei acorda-la, mas optei por nada fazer e ignorar o que ouvi para que o fim de semana em casa dos meus pais não acabasse estragado.
A Maria só acordou perto da hora de jantar. Quando abriu os olhos e viu que a olhava
- que foi?
- nada...
- se não fosse nada não me  olhavas com essa cara...
- estava só a ver a minha Rainha a dormir não posso?
- podes... isso e dar-me um beijo - Não lhe neguei o pedido. E no mesmo momento bateram na porta e do outro lado a Micaela avisou-nos que o jantar estava servido - oh eu queria mais beijinhos...
- Meus ou do João?
- Ah?! Que conversa é essa?
- Nada esquece...foi um pesadelo... vamos jantar?
Seguimos para aesa e ai o caldo entornou-se e de que forma.
Já o jantar ia quase no fim quando ao servir a mousse de chocolate a Micaela depois de lhe ter dado um ligeiro toque devido a umm movimento involuntário deixou cair a taça no chão
- MARIA MICAELA!!! - pela forma como gritou previ escândalo da minha mãe e sabia que a Maria não ia gostar.

Maria
Acordei com o Rui a olhar-me de foma esquisita, ainda tentei perceber porquê mas ele desviou o assunto e fomos chamados para jantar. Novamente se repetia o clima de silêncio absoluto do lanche. Até que quando a Micaela ia servir a sobremesa o Rui ao virar-se bateu-lhe e ela deixou cair a taça ao chão
- MARIA MICAELA!!! - escusado será dizer que automaticamente me meti "em sentido" para depois me lembrar que não era comigo até porque nunca ninguém me repreendeu chamado-me num tom que nem com os cães se usa - Devia limpar isso com a língua!!! - a rapariga estava aterrorizada e a mãe do Rui continuava - mas isso era o que queria, ficar com a sobremesa para si! Sua incompetente! Apanhe imediatamente tudo do chão e pode-se ir embora e não a quero voltar a ver nesta casa. Amanha acerto as suas contas e deposito o dinheiro na sua conta
- Mas Sra Dona Constança...
- Shiu cale-se!
A rapariga não abriu mais a boca mas ao apanhar os cacos da taça do chão cortou-se
- aiii
- Cale-se já disse! Cortou-se?! Bem feito! Para a próxima já não estraga o jantar dos patrões!
- CHEGA! - gritei quando vi que a rapariga chorava e o sangue corria da sua mão
- Maria
- Nem Maria nem meio Maria! Rui eu vou-me embora e é ja! Isto é inadmissível! Não se trata assim nem um cão abandonado, quanto mais uma pessoa! Não sou obrigada a assistir a isto e muito menos a compactuar
- Maria por favor!
- Rui a tua mãe foi muito explícita na forma como falou e eu posso não ter nascido rodeada de ouro mas prendi a valorizar o trabalho e as pessoas. Não te estou a pedir que venhas estou a informar que vou... ah Micaela eu vou buscar as minhas coisas e depois vamos que quero que algum medico ou enfermeiro te veja a mão!
- oh Dra..
- Maria.. ou Maria Micaela como preferires - sorri com a cara de espanto dela - sim temos o mesmo nome e agora vai la que não estou a gostar disso...
Ela seguiu para o seu quarto penso eu e eu fui buscar as minhas coisas para voltar a descer
- Maria vais mesmo?
- O que é que achas?
- Desculpa a minha mãe ela queria impressionar-te
- Parabéns! Conseguiu! Pena que pela negativa. Eu vou com a Micaela ao hospital - falei ao vê-la aproximar-se - e depois vou passar a noite no hotel onde costumo ficar quando venho a trabalho e amanha volto para casa.
- Maria eu...
- Tu ficas.. é a tua casa e a tu família...
Não disse mais nada e sai seguida da Micaela
- Como esta a mão?
- Melhor não precisa preocupar-se....
- Vamos passar pelo menos numa farmácia para desinfectar isso
- Se a Sra insiste....
- A Sra está no céu....


Como irão ficar as coisas entre o Rui e a Maria?
E os pais do Rui e a Maria?
E a família Mariana, Ruben e Filipe?