Maria
Assim
que chegamos a zona de chegadas do aeroporto o Ruben esperávamo-nos depois de
ver os meus primos a mata tem saudades e de a Mariana "fugir" com o
Pipipo acabei por me meter com o Ruben
- Sim padrinho galinha o menino já
esta mesmo bom... não, não corre mais perigo nenhum de recaída...
- O Bruninho diz lá para a tua mamã
não me chatear a cabeça
- Mamã padrinho cabeça não! - rimo-nos os dois
- Pois não amor o teu padrinho não
tem cabeça nenhuma... perdeu-a com a tua madrinha....
- Mas que engraçada... isso foi a
semana com o João foi? -
perdeu o sorriso e olhou-me seria - Eish
o que é que ele fez agora? Sim que se não perguntei como o menino estava é
porque sei que uma semana com a mamã e o papá deve ter sido uma semana no
paraíso...
- Esquece... não quero falar
nisso... só lá estive porque o Guilherme não podia vir - tínhamos chegado junto do carro
dele onde a Mariana já instalava o Filipe -
achas que me podes dar boleia ou tenho que apanhar um táxi?
Acabei
por entrar e quando paramos junto do meu prédio e esperava que a minha prima me
acompanhasse vi-a a matar saudades do seu "homem" e deixando para
trás todos os receios de que falamos em Valência.
Acabei por subir
- Mamã madinha?
- A madrinha ficou com o padrinho!
- Oh Guigas que...
- O Guigas não quer porque agora é o
padrinho que está dodói e precisa da madrinha sim?
- O Ruben lesionou-se? - olhei e vi o Rui junto da porta
do seu apartamento
- Não... é só falta de mimo...
- Ah não sabia que eles...
- Não sabias porque eles nada - pisquei o olho aproximei-me dele
e dei-lhe um pequeno beijo
- E nós?
- Eu estou mortinha por mimos... - ele sorriu
- Somos dois!
Enquanto
falávamos entramos em minha casa e depois de colocar o Guilherme a brincar no
chão da sala aninhei-me ao colo do Rui no sofá.
- Pensaste no que te disse?
- Não... não foi preciso disse-te lá
e só confirmei ao longo dos dias que o que preciso está aqui! - dei-lhe um beijo nos lábios
- O que precisas? Pensava que era o
que queiras...
- E não é tudo o mesmo?
- Não... eu também preciso de muita
coisa, mas nem sempre quero aquilo que preciso...
- Agora perdi-me...
- Maria... todos precisamos de comer
certo? - assenti - mas isso não quer dizer que comemos o que
queremos....
- Essa analogia é um bocado porca!
Mas que preciso "comer" -
usei a mesma expressão mas com um segundo sentido - lá isso preciso e como sou uma sortuda tenho aqui exatamente o que
preciso e QUERO! - ele sorriu e eu iniciei algumas caricias mais contidas
já que o Guilherme estava connosco, mas que o animaram
- Antes que me faças perder
completamente o raciocínio... -
olhei-o - durante a semana... com uma
rotina quase de casal... tu não... ele não... sei lá vocês não cederam?
- NÃO! Claro que não! Mas tu não me
conheces?? - fingi-me
indignada para esconder a culpa por saber os sonhos que tive e o episodio na
cozinha.
E
não o deixei mais falar, ali mesmo no sofá da sala deixei-o em ponto de
rebuçado antes de ir deitar o Guilherme e voltar para me entregar
definitivamente ao prazer, ou melhor ao primeiro de muitos momentos de
autopunição pelos sonhos que me continuavam a acompanhar...
Mariana
Depois de revelar
parte do meu medo, o Ruben acabou por se conformar e terminou com a conversa,
até porque fomos jantar. No final despedi-me da família dele e saí, ainda não
tinha chegado ao carro e já tinha recebido uma mensagem do Ruben a pedir que
fosse até ao seu apartamento, estava a responder-lhe quando o vi a sair com o
Filipe.
Acabei por segui-lo e passei mesmo a noite na sua cama ainda que sem
nos amarmos. Na manhã seguinte despedi-me dos meus dois amores e saí pois tinha
que trabalhar.
Durante a tarde
recebi um telefonema da Ana a convidar-me para jantar, convite esse que aceitei
- Bem estão a planear a terceira guerra mundial e
precisam de reforços? - gozei ao
constatar que não era a única convidada, na sala já estava a Maria, o Guigas, o
Ruben e o Filipe.
- Andas mesmo muito bem-disposta!!! - olhei para a Ana que sorriu
- Será que anda passarinho no ar? - olhei para o Fábio
- Não tens muito com o assunto mas já que
insistes… sim há passarinho!!! -
- CONTAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!
- Eich… tenham lá calma que ainda me assustam o
passarinho!! - olharam os
quatro, sim que o Ruben também olhou, talvez por ter ficado surpreso mal sabia
ele o que tinha reservado…
- Finalmente ganharam juízo!!! - gargalhei com o comentário do Fábio e antes
que começasse com grandes alaridos
- Não sei do que falas mas o passarinho
responsável por andar tão bem humorada é aqui o pequeno Filipe!!!
- Ohhhh - a vontade de
rir perante o ar desanimado dos nossos amigos foi imensa mas consegui disfarçar
- E agora que já vos informei do motivo de andar
tão bem disposta que tal dizerem vocês o motivo pelo qual nos chamaram aqui!!!
- Vamos jantar que está combinado com o João
iniciarmos uma chamada via Skype depois…
- Ãh? Mas afinal o que vem por aí???
Ainda tentei que
contassem mas foi em vão e por isso fomos jantar, lógico que a animação esteve
sempre presente e à hora combinada com o João a dita chamada via Skype teve
início, os primeiros minutos foram dedicados à completa palhaçada para
finalmente e depois de várias tentativas para que contassem o motivo daquilo
tudo ouvimos o Fábio
- Bem… já nos conhecemos todos há imenso tempo,
de certa forma crescemos juntos e ao longo dos anos testemunhamos não só as
alegrias uns dos outros como também as tristezas, amparamo-nos uns nos outros e
as nossas vidas sofreram diversas reviravoltas, nomeadamente umas trocas de
parezinhos - o nosso amigo
olhou para mim e para o Ruben - o que
quero dizer é que depois do regresso das primas Mendes a Lisboa - sorri ao
recordar essa altura - as nossas vidas entraram
finalmente no rumo certo, a Maria e o João têm o Guigas, a Mariana e o Ruben
finalmente conseguem conviver civilizadamente e bem nós - olhou para a Ana
que sorria - nós assumimos um sentimento
que sempre andou disfarçado de amizade, fortalecemo-lo ao longo dos últimos
anos e… - o Fábio quis fazer suspense mas
- Tanto rodeio para dizer que vai ser pai!!! - falei e conforme o fiz todos olharam-me
- Fogo!!! Desmancha prazeres!!! - gargalhei para depois aproximar-me da Ana
- Oh Fábio nunca foste bom a enrolar… e agora dá
lá licença - afastei-o da
minha amiga - PARABÉNS!!!! - falei
de coração - Finalmente terás o teu
piolho - sorriu - já não era sem
tempo!!!
- Obrigada - abracei-a
Os minutos
seguintes foram de alegria, afinal estávamos todos felizes pelos nossos amigos.
- Estás bem? - olhei-a
- Sim… mas porquê que perguntas?
- Oh… - apesar de não
falar percebi ao que se referia
- Ana, estou muito feliz por vocês e deixa de ser
taralhouca que não tens culpa do que aconteceu, perdi os gémeos e isso marcou-me
imenso mas já entendi que ninguém tem culpa - olhei-a - que se aconteceu
foi porque tinha de acontecer!
- Estou a ver que as consultas com a Verónica
fizeram efeito - sorriu
- Sim… aprendi a lidar com o sentimento de culpa
e a reduzi-lo…
- E o Ruben?
- O que tem?
- Vocês andavam a ter as sessões em conjunto…
- Sim…
- Então e ele também já superou?
- Ana nós não superamos porque nunca vamos
esquecer - olhou-me - simplesmente aprendemos a aceitar e a viver com a certeza que apesar de
nunca terem nascido sempre foram amados, mas agora não quero falar mais disso…
A Ana acabou por
respeitar o meu pedido e por isso o assunto morreu por ali. Aproximamo-nos dos
restantes e ficamos todos na conversa até ao momento que avisei que me ia
embora.
Ruben
Uma semana passou
desde que a Mari revelou que tem medo que a Sofia reapareça nas nossas vidas e
por isso tenho respeitado a sua vontade, percebi que se a quero terei que
dar-lhe espaço, mas a cada dia que passa torna-se mais complicado esconder da
minha mãe a verdade, tanto que hoje quando a fui visitar ao SPA, mais uma vez
questionou quem é a mulher com quem ando a sair.
- Vai recomeçar? É que se for vou já embora!
- Tudo bem... mudando de assunto o que achas da
ideia de comemorarmos os três meses de vida do Filipe logo com um jantar.
- Mas só para nós?
- Pensei convidar a Maria, a Mariana e a Ana e o
Fábio...
- Ok...
- Falas com eles?
- Sim, trato disso!
Agarrei no
telemóvel e mandei mensagens para todos à exceção da Mariana, a ela ligaria
quando saísse de casa da minha mãe.
- Mãe vou embora... - avisei assim que a D. Anabela regressou à sala
- Já?
- Sim... vou aproveitar para dar um passeio com o
Filipe...
- Então depois avisa se todos vêm ao jantar.
- Ok...
Despedi-me da
minha mãe e fui dar um passeio com o Filipe até à praia e com o aproximar da
hora de almoço liguei à Mari a desafia-la para almoçar, algo que aceitou após
alguma insistência minha e por isso fui até ao parque das Nações, uma vez que
foi esse o local escolhido por ela.
- Oi!!!
- Estás bem? - olhou-me
- Sim... - não pareceu
muito convicta mas resolvi não insistir
- Onde queres almoçar? - olhou-me e começou a rir - Ui... o que vem aí?
- Apetece-me algo diferente!!!
- Diferente?!
- Yap!!! O que dizes de ir até ao Mac comprar o
nosso almoço e comermos num dos jardins?
- Ãh? Mac e comer no jardim??? Mas estás boa
dessa cabeça?
- Opa!!! - bufou - Hoje não me apetece enfiar-me num
restaurante!!!
- Ah e portanto queres Mac? Que assim só por
acaso é algo que não comes porque dizes que faz mal...
- Olha não queres não venhas!
Assim que falou
saiu de “rabo alçado” deixando-me a mim e ao Filipe para trás, respirei fundo e
fui tipo “cãozinho sem dono” atrás.
- Espera! - parou de andar e olhou - Ok...
aceito a sugestão! - um sorriso enorme surgiu no seu rosto e acabei por
dizer-lhe o que queria para o almoço.
Fiquei à sua
espera e quando regressou fomos procurar um cantinho para almoçarmos.
- Isso é que é vontade de comer!!!
- Cala-te!
- Fonix Mariana - olhou-me - não precisas
falar dessa forma!
- Desculpa - suspirou - mas hoje não tive
uma manhã nada fácil...
- Então?
- Oh foi uma cena que se passou esta manhã no
trabalho
- Queres falar?
- Não...
Não insisti e no
fim de terminarmos de comer a Mariana apeteceu-lhe andar a pé e por isso
coube-me a mim a tarefa de empurrar o carrinho do Filipe, caminhamos à beira
rio e só paramos quando o Filipe refilou com fome
Mariana
O dia começou mal
logo com um stresse num projeto que estou envolvida, mas parece que tudo
despareceu no momento que o Ruben ligou a convidar-me para almoçar.
Aceitei o convite
e ainda exigi que a ementa e o local fossem aqueles que me estava a apetecer,
algo que o Ruben acabou por concordar.
Saí do escritório
e antes de entrar para o carro olhei em todas as direções para ter a certeza
que a louca não estava por perto, verdade é que ando novamente com a
sensação que estou a ser seguida. Conduzi calmamente até ao destino e respirei
de alivio quando percebi que não fui seguida...
Foi quando já
dava o biberão ao Filipe, isto depois de almoçarmos e darmos um passeio a pé,
que acabei por perguntar algo já tinha pensado por diversas vezes.
- Nunca te perguntei mas ficaste triste por não
ires ao mundial?
- Não…
- Sério?
- Sim… quer dizer não sei bem…
- Então?
- Oh por um lado queria ir mas por outro não… o
Filipe ainda é muito pequenino e acho que me ia custar imenso deixá-lo tanto
tempo sozinho
- O Filipe nunca ficaria sozinho - olhei-o - se
por acaso fosses convocado ias?
- Não sei… sinceramente pensei nessa hipótese e
acho que se por muita sorte fosse convocado recusaria…
- Se fizesses isso corrias o risco de não voltar
a ser convocado.
- Não sei o que seria pior se não ser mais
convocado ou se ser mau pai…
- Não és mau pai, muito pelo contrário, Ruben és
um excelente pai, fazes o melhor que sabes e que consegues por isso não
precisas de ficar inseguro.
- Isso não diminui a sensação de que estaria a
abandonar o meu filho - voltou a
suspirar
- Não és o único… tens colegas teus que também
são pais…
- Mas esses têm as mulheres que amam como mães
dos seus filhos mas principalmente têm nelas os seus maiores alicerces...
Depois do que
falou não respondi, preferi voltar a ignorar o que falou, até porque continuava
com o meu menino nos braços. Teria continuado a dar miminhos ao meu pequenino
mas ao ouvi-la foi impossível não estagnar.
- Olá amor - olhei para o lado e vi-a agarrada ao Ruben
- Larga-me! - afastou-a
- Oh amor - estava completamente atónica perante o que via, a Sofia simplesmente
ignorou-me a mim e ao menino - não te
faças de difícil que sei que já tinhas saudades minhas… - agarrou na mão do
Ruben que a voltou a repelir
- Sofia poupa-me! E pára de fazer figuras tristes!
- Isto é tudo por causa desta!- o Ruben olhou-me - Mas tu és meu!!! Mete isso na cabeça, até porque senão fores meu não
serás de ninguém!
- Sofia de ti a única coisa que quero é
distância!
- Quem tem de perceber alguma coisa aqui és tu ou
és meu ou não és de ninguém!
- Não adianta vires com ameaças porque não tenho
medo de ti!
- Ai não? Então veremos... e a culpa é tua - olhou-me - avisei-te e não quiseste saber por isso... - o Ruben interrompeu-a
- Avisaste-a? Sofia o que é que fizeste?
- Nada amor - sorriu - só tive uma
conversinha com estazinha mas parece que é burra e não percebeu o recado!
- Dobra a língua antes de falares da Mariana!
- Ai tão lindo... o Romeu a defender a Julieta...
pena é que escolheste a Julieta errada!
A Sofia assim que
falou virou costas e desapareceu, nem sequer olhou para o Filipe mas por um
lado ainda bem.
- Mariana o que é que se passou? Conta-me tudo!
- Aqui não...
- Anda!
O Ruben agarrou
no saco do Filipe e pediu que colocasse o menino no carrinho mas não consegui,
a ameaça da Sofia estava bem presente...
Caminhamos até
aos nossos carros e pedi ao Ruben para seguir-me, conduzi até ao escritório da
empresa e esperei por ele, acabamos por ir até ao meu gabinete onde lhe contei
tudo.
- Foi por isso que te afastaste? E que falaste no
reaparecimento da Sofia se nós assumíssemos?
- Foi...
- Porquê que escondeste isso de mim? Porquê que
não falaste que tinhas sido ameaçada?
- Ruben porque tive medo... porque sou capaz de
tudo para proteger o Filipe - não aguentei e
“rompi” num choro aflitivo - vocês são
tudo para mim e nunca me perdoaria se acontecesse alguma coisa a um de vocês
por culpa minha, por isso fugi para Valência mas só serviu para ter a certeza
que preciso dos dois para ser feliz...
- Oh mor - o Ruben
abraçou-me - devias ter dito, teríamos
encontrado a melhor solução - limpou-me as lágrimas
- A melhor solução é cada um seguir a sua vida...
Ruben juro que tentei e estas semanas têm sido as melhores que tive no último
ano mas...
- Nem penses! Não vou deixar uma louca decidir a
minha vida!
- É a vida do nosso filho que está em jogo!
- Tens razão é a vida do nosso filho e por isso
mesmo não o vou privar à presença da mãe dele, Mariana nós precisamos os três
uns dos outros e isso está mais do que provado!
- A Sofia é louca...
- Nisso concordo contigo mas não vou deixar de
viver...
- Então vais fazer o quê? Meter em risco a vida
do Filipe?
- Não... vou ligar ao meu advogado e perceber o
que posso fazer para a manter à distância...
- Isso não é solução! Se ela quiser fazer mal ao
menino arranjará sempre uma forma de o conseguir...
- Por favor não entres por aí... Mariana juntos
encontraremos uma forma de proteger o Filipe.
- Tenho medo...
- Eu sei - suspirou - também tenho por isso é que agora mais do
que nunca preciso de ti...
***
Depois do Ruben
sair tentei concentrar-me no trabalho mas não consegui. Horas depois saí do
trabalho e fui a casa mudar de roupa para finalmente ir até casa da Anabela,
assim que cheguei encontrei todos à exceção do Ruben que estava atrasado,
fiquei à conversa com a Ana.
- É impressão minha ou estás a olhar muito para a
porta?
- Vai passear macacos!
Ela continuou com
as piadas mas desliguei e só voltei à realidade quando vi o meu anjinho a
entrar ao colo do pai, levantei-me de imediato e fui buscá-lo, respirando de
alívio por os encontrar a ambos bem.
Jantamos com
muita conversa à mistura e no final fui adormecer o Filipe no antigo quarto do
Ruben, estava entretida a observá-lo e só quando senti os braços do Ruben em
torno da minha cintura é que dei pela sua presença.
- Já falei com o advogado mas as notícias não são
muito animadoras - olhei-o - infelizmente não há muito que se pode fazer
a menos que a Sofia tente alguma coisa...
- Há muita coisa a fazer e uma delas é afastar-me
de vocês, vai doer mas... - o Ruben
puxou-me para ele - larga-me! - pedi
porque as suas mãos por baixo do meu top estavam a deixar-me com desejos...
- Tens a certeza? - provocou ao falar junto do meu ouvido direito,
acabando por beijar-me o pescoço, o que fez com que suspirasse involuntariamente
- Ruben... - ele continuava com os seus lábios na pele do meu pescoço e as suas
mãos na minha barriga - pára!!!
Não estava
disposto a facilitar por isso mesmo soltei-me dos seus braços empurrando-o de
forma a conseguir afasta-lo mas o Ruben surpreendeu-me ao puxar-me para si e
assim que a distância permitiu beijou-me, não resisti e deixei-me levar, apesar
do momento não ser o mais adequado acabei por ceder
A intensidade com
que nos beijávamos reduziu, muito por culpa do Ruben
mas agora que
tínhamos começado já só havia um desfecho possível e por isso afastei-me para
fechar a porta à chave
- Mariana…
Não sei o que ia
dizer mas também não lhe dei hipótese porque fi-lo sentar-se e ocupei o meu
lugar no seu colo, para o beijar de seguida, o que serviu de rastilho para que
o Ruben se rendesse a mim e procurasse por mais, naquele momento estávamos os
dois em sintonia
mas assim que
ouvimos o Filipe a choramingar o Ruben tentou parar no entanto não deixei ao
dizer que já se calava, algo que serviu para que se esquecesse que o filho
estava acordado e continuou com um beijinho aqui outro acolá que nos levou
rapidamente a outro patamar, era inegável que estávamos ambos ansiosos pela
entrega plena, tanto que depois de libertarmos alguns gemidos de prazer
retirei a
camisola ao Ruben
e o meu amor
aproveitou esse momento para quebrar o ritmo, não percebi o porquê e muito
menos deixei que levasse a dele avante, inverti a posição, deixando-o agora por
baixo e assim que retirei a minha camisola voltei a beija-lo com intensidade
o que fez com que
deixasse todo o cuidado que estava a ter até ao momento e rapidamente retirou
as últimas peças de roupa que nos impediam de consumar o que tanto queríamos…
- Mariana - olhei-o quando já estava a vestir-me - isto não foi uma despedida, pois não? - baixei o olhar quando o
ouvi - Mariana não... por favor não me
faças isso... não aguentarei sem te ter do meu lado...
- Shiuu - aproximei-me
dele e beijei-o para que se calasse - desde
a nossa adolescência que queria fazê-lo aqui… - sorriu - Oh Ruben aconteceu porque nos amamos -
olhei-o nos olhos - não foi despedida
nenhuma mas por enquanto continuará a ser algo só nosso...
O Ruben já não
respondeu e depois de darmos um ar mais decente ao quarto regressamos à sala e
assim que entramos senti de imediato o olhar deles preso em nós mas fingi que
não tinha percebido e fui até à mesa comer, as sobremesas hoje estavam a chamar
por mim de uma forma doentia. Estava a saborear um pedaço de bolo de chocolate
quando senti alguém aproximar-se
- Prima bolo de chocolate?
- O que tem?
- O que tem?! Só tem o facto de detestares bolo
de chocolate!!!
- Tenho de repor energias que o dia foi puxado...
A Maria não
insistiu mais e uns minutos depois já tinha o Ruben do meu lado, uma vez que se
aproximou.
- Vens connosco para casa? - perguntou na primeira oportunidade que teve
- Não!
- Porquê? - olhei-o - Podíamos…
- Usa a mão! - olhou-me estupefacto - Que
hoje já te dei e não me apetece mais!
- Sinceramente... - percebi que o magoei com o que falei e por isso
fui atrás dele quando saiu da sala.
- Espera!
O Ruben ignorou e
sentou-se num dos bancos do jardim
- Foi desnecessária aquela boca - olhou-me
- Desculpa...
- Senti-me lixo! - suspirou - Deste a entender que só quero sexo quando isso não é verdade! Ou
pior... deste a entender que é um sacrifício muito grande estares comigo...
- Isso não é verdade!
- Mas foi o que senti - aproximou-se perigosamente de mim - Mariana quando perguntei se ficavas comigo
nem foi com essa intenção, simplesmente quero estar contigo sem ter que
disfarçar!
- Então cala-te! - olhou-me confuso - E aproveita os minutos que temos antes que venham à nossa procura...
O Ruben
abraçou-me e acabei sentada ao seu colo a trocar mimos inocentes mas tivemos o
discernimento suficiente para não alongar demasiado o momento, por isso
regressamos à sala e uns minutos depois os nossos amigos despediram-se do
Ruben.
Ruben
Assim que o
pessoal saiu pedi à minha mãe para ficar com o Filipe
- Porquê filho?
- Ah... é que o pessoal convidou-me para beber um
copo... - a Mariana olhou-me
- O pessoal? Que pessoal?
- Ai oh mãe se não quer ficar com o seu neto diga
de uma vez!
- Filho andas estranho - olhei-a - sei
que ultimamente andas a esconder-me algo...
- Você está a ver cenas onde não existem!
- Será que estou mesmo?
- Está!
- Quem é a mulher com quem andas a sair?
Olhei para a
Mariana que sorriu e foi apanhada pelo meu irmão que não perdeu a oportunidade
para meter veneno
- Aposto que a Mari sabe quem é! - a minha mãe olhou-a
A Mariana
olhou-me mas não falou e por isso acabei por sair da sala, se ela não quer
revelar o melhor é respeitar. Fui buscar o Filipe ao quarto e quando fui à sala
despedir-me deles
- O meu neto pode cá ficar.
- Deixe não é preciso! Até amanhã!
Virei costas e
saí porta fora levando comigo o Filipe, estava a coloca-lo na cadeirinha quando
a Mari apareceu
- Posso saber porquê que querias deixar cá o
menino? - olhei-a
- Queres que te faça um boneco? - sorriu
- Ena tão engraçado que o papá está - a Mariana basicamente deu-me um encontrão o
que fez com que conseguisse desviar-me e foi ela que prendeu o nosso menino na
cadeirinha, momento que aproveitou para falar com o Filipe - talvez seja melhor vires com a mamã -
olhou-me de esguelha - ou ainda és
contagiado por este humor de quinta categoria - provocou e vi-a mesmo a
tirar a cadeirinha do meu carro e a colocar no dela.
- Posso saber o que estás a fazer?
- A levar o nosso filho para casa! - foi impossível não sorrir ao ouvi-la tão
determinada - E a dar-te a oportunidade
de ires ter com a tua conquista… - gozou o que nos levou aos dois a
gargalhar
Acabei por entrar
no meu carro e a ficar à espera que fosse embora para a seguir e por isso
percebi que não estava a ir na direção do meu apartamento mas sim do dela...
Qual será a ideia
da Mariana?













