quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

119 - "Mariana, isto não foi uma despedida, pois não?"

Maria
Assim que chegamos a zona de chegadas do aeroporto o Ruben esperávamo-nos depois de ver os meus primos a mata tem saudades e de a Mariana "fugir" com o Pipipo acabei por me meter com o Ruben
- Sim padrinho galinha o menino já esta mesmo bom... não, não corre mais perigo nenhum de recaída...
- O Bruninho diz lá para a tua mamã não me chatear a cabeça
- Mamã padrinho cabeça não! - rimo-nos os dois
- Pois não amor o teu padrinho não tem cabeça nenhuma... perdeu-a com a tua madrinha....
- Mas que engraçada... isso foi a semana com o João foi? - perdeu o sorriso e olhou-me seria - Eish o que é que ele fez agora? Sim que se não perguntei como o menino estava é porque sei que uma semana com a mamã e o papá deve ter sido uma semana no paraíso...
- Esquece... não quero falar nisso... só lá estive porque o Guilherme não podia vir - tínhamos chegado junto do carro dele onde a Mariana já instalava o Filipe - achas que me podes dar boleia ou tenho que apanhar um táxi?
Acabei por entrar e quando paramos junto do meu prédio e esperava que a minha prima me acompanhasse vi-a a matar saudades do seu "homem" e deixando para trás todos os receios de que falamos em Valência.
 Acabei por subir
- Mamã madinha?
 - A madrinha ficou com o padrinho!
- Oh Guigas que...
- O Guigas não quer porque agora é o padrinho que está dodói e precisa da madrinha sim?
- O Ruben lesionou-se? - olhei e vi o Rui junto da porta do seu apartamento
- Não... é só falta de mimo...
- Ah não sabia que eles...
- Não sabias porque eles nada - pisquei o olho aproximei-me dele e dei-lhe um pequeno beijo
- E nós?
- Eu estou mortinha por mimos... - ele sorriu
- Somos dois!
Enquanto falávamos entramos em minha casa e depois de colocar o Guilherme a brincar no chão da sala aninhei-me ao colo do Rui no sofá.
- Pensaste no que te disse?
- Não... não foi preciso disse-te lá e só confirmei ao longo dos dias que o que preciso está aqui! - dei-lhe um beijo nos lábios
- O que precisas? Pensava que era o que queiras...
- E não é tudo o mesmo?
- Não... eu também preciso de muita coisa, mas nem sempre quero aquilo que preciso...
- Agora perdi-me...
- Maria... todos precisamos de comer certo? - assenti - mas isso não quer dizer que comemos o que queremos....
- Essa analogia é um bocado porca! Mas que preciso "comer" - usei a mesma expressão mas com um segundo sentido - lá isso preciso e como sou uma sortuda tenho aqui exatamente o que preciso e QUERO! - ele sorriu e eu iniciei algumas caricias mais contidas já que o Guilherme estava connosco, mas que o animaram
- Antes que me faças perder completamente o raciocínio... - olhei-o - durante a semana... com uma rotina quase de casal... tu não... ele não... sei lá vocês não cederam?
- NÃO! Claro que não! Mas tu não me conheces?? - fingi-me indignada para esconder a culpa por saber os sonhos que tive e o episodio na cozinha.
E não o deixei mais falar, ali mesmo no sofá da sala deixei-o em ponto de rebuçado antes de ir deitar o Guilherme e voltar para me entregar definitivamente ao prazer, ou melhor ao primeiro de muitos momentos de autopunição pelos sonhos que me continuavam a acompanhar...

Mariana
Depois de revelar parte do meu medo, o Ruben acabou por se conformar e terminou com a conversa, até porque fomos jantar. No final despedi-me da família dele e saí, ainda não tinha chegado ao carro e já tinha recebido uma mensagem do Ruben a pedir que fosse até ao seu apartamento, estava a responder-lhe quando o vi a sair com o Filipe.
Acabei por segui-lo e passei mesmo a noite na sua cama ainda que sem nos amarmos. Na manhã seguinte despedi-me dos meus dois amores e saí pois tinha que trabalhar.
Durante a tarde recebi um telefonema da Ana a convidar-me para jantar, convite esse que aceitei
- Bem estão a planear a terceira guerra mundial e precisam de reforços? - gozei ao constatar que não era a única convidada, na sala já estava a Maria, o Guigas, o Ruben e o Filipe.
- Andas mesmo muito bem-disposta!!! - olhei para a Ana que sorriu
- Será que anda passarinho no ar? - olhei para o Fábio
- Não tens muito com o assunto mas já que insistes… sim há passarinho!!! -
- CONTAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!
- Eich… tenham lá calma que ainda me assustam o passarinho!! - olharam os quatro, sim que o Ruben também olhou, talvez por ter ficado surpreso mal sabia ele o que tinha reservado…
- Finalmente ganharam juízo!!! - gargalhei com o comentário do Fábio e antes que começasse com grandes alaridos
- Não sei do que falas mas o passarinho responsável por andar tão bem humorada é aqui o pequeno Filipe!!!
- Ohhhh - a vontade de rir perante o ar desanimado dos nossos amigos foi imensa mas consegui disfarçar
- E agora que já vos informei do motivo de andar tão bem disposta que tal dizerem vocês o motivo pelo qual nos chamaram aqui!!!
- Vamos jantar que está combinado com o João iniciarmos uma chamada via Skype depois…
- Ãh? Mas afinal o que vem por aí???
Ainda tentei que contassem mas foi em vão e por isso fomos jantar, lógico que a animação esteve sempre presente e à hora combinada com o João a dita chamada via Skype teve início, os primeiros minutos foram dedicados à completa palhaçada para finalmente e depois de várias tentativas para que contassem o motivo daquilo tudo ouvimos o Fábio
- Bem… já nos conhecemos todos há imenso tempo, de certa forma crescemos juntos e ao longo dos anos testemunhamos não só as alegrias uns dos outros como também as tristezas, amparamo-nos uns nos outros e as nossas vidas sofreram diversas reviravoltas, nomeadamente umas trocas de parezinhos - o nosso amigo olhou para mim e para o Ruben - o que quero dizer é que depois do regresso das primas Mendes a Lisboa - sorri ao recordar essa altura - as nossas vidas entraram finalmente no rumo certo, a Maria e o João têm o Guigas, a Mariana e o Ruben finalmente conseguem conviver civilizadamente e bem nós - olhou para a Ana que sorria - nós assumimos um sentimento que sempre andou disfarçado de amizade, fortalecemo-lo ao longo dos últimos anos e… - o Fábio quis fazer suspense mas
- Tanto rodeio para dizer que vai ser pai!!! - falei e conforme o fiz todos olharam-me
- Fogo!!! Desmancha prazeres!!! - gargalhei para depois aproximar-me da Ana
- Oh Fábio nunca foste bom a enrolar… e agora dá lá licença - afastei-o da minha amiga - PARABÉNS!!!! - falei de coração - Finalmente terás o teu piolho - sorriu - já não era sem tempo!!!
- Obrigada - abracei-a
Os minutos seguintes foram de alegria, afinal estávamos todos felizes pelos nossos amigos.
- Estás bem? - olhei-a
- Sim… mas porquê que perguntas?
- Oh… - apesar de não falar percebi ao que se referia
- Ana, estou muito feliz por vocês e deixa de ser taralhouca que não tens culpa do que aconteceu, perdi os gémeos e isso marcou-me imenso mas já entendi que ninguém tem culpa - olhei-a - que se aconteceu foi porque tinha de acontecer!
- Estou a ver que as consultas com a Verónica fizeram efeito - sorriu
- Sim… aprendi a lidar com o sentimento de culpa e a reduzi-lo…
- E o Ruben?
- O que tem?
- Vocês andavam a ter as sessões em conjunto…
- Sim…
- Então e ele também já superou?
- Ana nós não superamos porque nunca vamos esquecer - olhou-me - simplesmente aprendemos a aceitar e a viver com a certeza que apesar de nunca terem nascido sempre foram amados, mas agora não quero falar mais disso…
A Ana acabou por respeitar o meu pedido e por isso o assunto morreu por ali. Aproximamo-nos dos restantes e ficamos todos na conversa até ao momento que avisei que me ia embora.

Ruben
Uma semana passou desde que a Mari revelou que tem medo que a Sofia reapareça nas nossas vidas e por isso tenho respeitado a sua vontade, percebi que se a quero terei que dar-lhe espaço, mas a cada dia que passa torna-se mais complicado esconder da minha mãe a verdade, tanto que hoje quando a fui visitar ao SPA, mais uma vez questionou quem é a mulher com quem ando a sair.
- Vai recomeçar? É que se for vou já embora!
- Tudo bem... mudando de assunto o que achas da ideia de comemorarmos os três meses de vida do Filipe logo com um jantar.
- Mas só para nós?
- Pensei convidar a Maria, a Mariana e a Ana e o Fábio...
- Ok...
- Falas com eles?
- Sim, trato disso!
Agarrei no telemóvel e mandei mensagens para todos à exceção da Mariana, a ela ligaria quando saísse de casa da minha mãe.
- Mãe vou embora... - avisei assim que a D. Anabela regressou à sala
- Já?
- Sim... vou aproveitar para dar um passeio com o Filipe...
- Então depois avisa se todos vêm ao jantar.
- Ok...
Despedi-me da minha mãe e fui dar um passeio com o Filipe até à praia e com o aproximar da hora de almoço liguei à Mari a desafia-la para almoçar, algo que aceitou após alguma insistência minha e por isso fui até ao parque das Nações, uma vez que foi esse o local escolhido por ela.
- Oi!!!
- Estás bem? - olhou-me
- Sim... - não pareceu muito convicta mas resolvi não insistir
- Onde queres almoçar? - olhou-me e começou a rir - Ui... o que vem aí?
- Apetece-me algo diferente!!!
- Diferente?!
- Yap!!! O que dizes de ir até ao Mac comprar o nosso almoço e comermos num dos jardins?
- Ãh? Mac e comer no jardim??? Mas estás boa dessa cabeça?
- Opa!!! - bufou - Hoje não me apetece enfiar-me num restaurante!!!
- Ah e portanto queres Mac? Que assim só por acaso é algo que não comes porque dizes que faz mal...
- Olha não queres não venhas!
Assim que falou saiu de “rabo alçado” deixando-me a mim e ao Filipe para trás, respirei fundo e fui tipo “cãozinho sem dono” atrás.
- Espera! - parou de andar e olhou - Ok... aceito a sugestão! - um sorriso enorme surgiu no seu rosto e acabei por dizer-lhe o que queria para o almoço.
Fiquei à sua espera e quando regressou fomos procurar um cantinho para almoçarmos.
- Isso é que é vontade de comer!!!
- Cala-te!
- Fonix Mariana - olhou-me - não precisas falar dessa forma!
- Desculpa - suspirou - mas hoje não tive uma manhã nada fácil...
- Então?
- Oh foi uma cena que se passou esta manhã no trabalho
- Queres falar?
- Não...
Não insisti e no fim de terminarmos de comer a Mariana apeteceu-lhe andar a pé e por isso coube-me a mim a tarefa de empurrar o carrinho do Filipe, caminhamos à beira rio e só paramos quando o Filipe refilou com fome

Mariana
O dia começou mal logo com um stresse num projeto que estou envolvida, mas parece que tudo despareceu no momento que o Ruben ligou a convidar-me para almoçar.
Aceitei o convite e ainda exigi que a ementa e o local fossem aqueles que me estava a apetecer, algo que o Ruben acabou por concordar.
Saí do escritório e antes de entrar para o carro olhei em todas as direções para ter a certeza que a louca não estava por perto,  verdade é que ando novamente com a sensação que estou a ser seguida. Conduzi calmamente até ao destino e respirei de alivio quando percebi que não fui seguida...
Foi quando já dava o biberão ao Filipe, isto depois de almoçarmos e darmos um passeio a pé, que acabei por perguntar algo já tinha pensado por diversas vezes.
- Nunca te perguntei mas ficaste triste por não ires ao mundial?
- Não…
- Sério?
- Sim… quer dizer não sei bem…
- Então?
- Oh por um lado queria ir mas por outro não… o Filipe ainda é muito pequenino e acho que me ia custar imenso deixá-lo tanto tempo sozinho
- O Filipe nunca ficaria sozinho - olhei-o - se por acaso fosses convocado ias?
- Não sei… sinceramente pensei nessa hipótese e acho que se por muita sorte fosse convocado recusaria…
- Se fizesses isso corrias o risco de não voltar a ser convocado.
- Não sei o que seria pior se não ser mais convocado ou se ser mau pai…
- Não és mau pai, muito pelo contrário, Ruben és um excelente pai, fazes o melhor que sabes e que consegues por isso não precisas de ficar inseguro.
- Isso não diminui a sensação de que estaria a abandonar o meu filho - voltou a suspirar
- Não és o único… tens colegas teus que também são pais…
- Mas esses têm as mulheres que amam como mães dos seus filhos mas principalmente têm nelas os seus maiores alicerces...
Depois do que falou não respondi, preferi voltar a ignorar o que falou, até porque continuava com o meu menino nos braços. Teria continuado a dar miminhos ao meu pequenino mas ao ouvi-la foi impossível não estagnar.
- Olá amor - olhei para o lado e vi-a agarrada ao Ruben
- Larga-me! - afastou-a
- Oh amor - estava completamente atónica perante o que via, a Sofia simplesmente ignorou-me a mim e ao menino - não te faças de difícil que sei que já tinhas saudades minhas… - agarrou na mão do Ruben que a voltou a repelir
- Sofia poupa-me! E pára de fazer figuras tristes!
- Isto é tudo por causa desta!- o Ruben olhou-me - Mas tu és meu!!! Mete isso na cabeça, até porque senão fores meu não serás de ninguém!
- Sofia de ti a única coisa que quero é distância!
- Quem tem de perceber alguma coisa aqui és tu ou és meu ou não és de ninguém!
- Não adianta vires com ameaças porque não tenho medo de ti!
- Ai não? Então veremos... e a culpa é tua - olhou-me - avisei-te e não quiseste saber por isso... - o Ruben interrompeu-a
- Avisaste-a? Sofia o que é que fizeste?
- Nada amor - sorriu - só tive uma conversinha com estazinha mas parece que é burra e não percebeu o recado!
- Dobra a língua antes de falares da Mariana!
- Ai tão lindo... o Romeu a defender a Julieta... pena é que escolheste a Julieta errada!
A Sofia assim que falou virou costas e desapareceu, nem sequer olhou para o Filipe mas por um lado ainda bem.
- Mariana o que é que se passou? Conta-me tudo!
- Aqui não...
- Anda!
O Ruben agarrou no saco do Filipe e pediu que colocasse o menino no carrinho mas não consegui, a ameaça da Sofia estava bem presente...
Caminhamos até aos nossos carros e pedi ao Ruben para seguir-me, conduzi até ao escritório da empresa e esperei por ele, acabamos por ir até ao meu gabinete onde lhe contei tudo.
- Foi por isso que te afastaste? E que falaste no reaparecimento da Sofia se nós assumíssemos?
- Foi...
- Porquê que escondeste isso de mim? Porquê que não falaste que tinhas sido ameaçada?
- Ruben porque tive medo... porque sou capaz de tudo para proteger o Filipe - não aguentei e “rompi” num choro aflitivo - vocês são tudo para mim e nunca me perdoaria se acontecesse alguma coisa a um de vocês por culpa minha, por isso fugi para Valência mas só serviu para ter a certeza que preciso dos dois para ser feliz...
- Oh mor - o Ruben abraçou-me - devias ter dito, teríamos encontrado a melhor solução - limpou-me as lágrimas
- A melhor solução é cada um seguir a sua vida... Ruben juro que tentei e estas semanas têm sido as melhores que tive no último ano mas...
- Nem penses! Não vou deixar uma louca decidir a minha vida!
- É a vida do nosso filho que está em jogo!
- Tens razão é a vida do nosso filho e por isso mesmo não o vou privar à presença da mãe dele, Mariana nós precisamos os três uns dos outros e isso está mais do que provado!
- A Sofia é louca...
- Nisso concordo contigo mas não vou deixar de viver...
- Então vais fazer o quê? Meter em risco a vida do Filipe?
- Não... vou ligar ao meu advogado e perceber o que posso fazer para a manter à distância...
- Isso não é solução! Se ela quiser fazer mal ao menino arranjará sempre uma forma de o conseguir...
- Por favor não entres por aí... Mariana juntos encontraremos uma forma de proteger o Filipe.
- Tenho medo...
- Eu sei - suspirou - também tenho por isso é que agora mais do que nunca preciso de ti...
***
Depois do Ruben sair tentei concentrar-me no trabalho mas não consegui. Horas depois saí do trabalho e fui a casa mudar de roupa para finalmente ir até casa da Anabela, assim que cheguei encontrei todos à exceção do Ruben que estava atrasado, fiquei à conversa com a Ana.
- É impressão minha ou estás a olhar muito para a porta?
- Vai passear macacos!
Ela continuou com as piadas mas desliguei e só voltei à realidade quando vi o meu anjinho a entrar ao colo do pai, levantei-me de imediato e fui buscá-lo, respirando de alívio por os encontrar a ambos bem.
Jantamos com muita conversa à mistura e no final fui adormecer o Filipe no antigo quarto do Ruben, estava entretida a observá-lo e só quando senti os braços do Ruben em torno da minha cintura é que dei pela sua presença.
- Já falei com o advogado mas as notícias não são muito animadoras - olhei-o - infelizmente não há muito que se pode fazer a menos que a Sofia tente alguma coisa...
- Há muita coisa a fazer e uma delas é afastar-me de vocês, vai doer mas... - o Ruben puxou-me para ele - larga-me! - pedi porque as suas mãos por baixo do meu top estavam a deixar-me com desejos...
- Tens a certeza? - provocou ao falar junto do meu ouvido direito, acabando por beijar-me o pescoço, o que fez com que suspirasse involuntariamente
- Ruben... - ele continuava com os seus lábios na pele do meu pescoço e as suas mãos na minha barriga - pára!!!
Não estava disposto a facilitar por isso mesmo soltei-me dos seus braços empurrando-o de forma a conseguir afasta-lo mas o Ruben surpreendeu-me ao puxar-me para si e assim que a distância permitiu beijou-me, não resisti e deixei-me levar, apesar do momento não ser o mais adequado acabei por ceder
A intensidade com que nos beijávamos reduziu, muito por culpa do Ruben

mas agora que tínhamos começado já só havia um desfecho possível e por isso afastei-me para fechar a porta à chave
- Mariana…
Não sei o que ia dizer mas também não lhe dei hipótese porque fi-lo sentar-se e ocupei o meu lugar no seu colo, para o beijar de seguida, o que serviu de rastilho para que o Ruben se rendesse a mim e procurasse por mais, naquele momento estávamos os dois em sintonia
mas assim que ouvimos o Filipe a choramingar o Ruben tentou parar no entanto não deixei ao dizer que já se calava, algo que serviu para que se esquecesse que o filho estava acordado e continuou com um beijinho aqui outro acolá que nos levou rapidamente a outro patamar, era inegável que estávamos ambos ansiosos pela entrega plena, tanto que depois de libertarmos alguns gemidos de prazer
retirei a camisola ao Ruben
e o meu amor aproveitou esse momento para quebrar o ritmo, não percebi o porquê e muito menos deixei que levasse a dele avante, inverti a posição, deixando-o agora por baixo e assim que retirei a minha camisola voltei a beija-lo com intensidade
o que fez com que deixasse todo o cuidado que estava a ter até ao momento e rapidamente retirou as últimas peças de roupa que nos impediam de consumar o que tanto queríamos…
- Mariana - olhei-o quando já estava a vestir-me - isto não foi uma despedida, pois não? - baixei o olhar quando o ouvi - Mariana não... por favor não me faças isso... não aguentarei sem te ter do meu lado...
- Shiuu - aproximei-me dele e beijei-o para que se calasse - desde a nossa adolescência que queria fazê-lo aqui… - sorriu - Oh Ruben aconteceu porque nos amamos - olhei-o nos olhos - não foi despedida nenhuma mas por enquanto continuará a ser algo só nosso...
O Ruben já não respondeu e depois de darmos um ar mais decente ao quarto regressamos à sala e assim que entramos senti de imediato o olhar deles preso em nós mas fingi que não tinha percebido e fui até à mesa comer, as sobremesas hoje estavam a chamar por mim de uma forma doentia. Estava a saborear um pedaço de bolo de chocolate quando senti alguém aproximar-se
- Prima bolo de chocolate?
- O que tem?
- O que tem?! Só tem o facto de detestares bolo de chocolate!!!
- Tenho de repor energias que o dia foi puxado...
A Maria não insistiu mais e uns minutos depois já tinha o Ruben do meu lado, uma vez que se aproximou.
- Vens connosco para casa? - perguntou na primeira oportunidade que teve
- Não!
- Porquê? - olhei-o - Podíamos…
- Usa a mão! - olhou-me estupefacto - Que hoje já te dei e não me apetece mais!
- Sinceramente... - percebi que o magoei com o que falei e por isso fui atrás dele quando saiu da sala.
- Espera!
O Ruben ignorou e sentou-se num dos bancos do jardim
- Foi desnecessária aquela boca - olhou-me
- Desculpa...
- Senti-me lixo! - suspirou - Deste a entender que só quero sexo quando isso não é verdade! Ou pior... deste a entender que é um sacrifício muito grande estares comigo...
- Isso não é verdade!
- Mas foi o que senti - aproximou-se perigosamente de mim - Mariana quando perguntei se ficavas comigo nem foi com essa intenção, simplesmente quero estar contigo sem ter que disfarçar!
- Então cala-te! - olhou-me confuso - E aproveita os minutos que temos antes que venham à nossa procura...
O Ruben abraçou-me e acabei sentada ao seu colo a trocar mimos inocentes mas tivemos o discernimento suficiente para não alongar demasiado o momento, por isso regressamos à sala e uns minutos depois os nossos amigos despediram-se do Ruben.

Ruben
Assim que o pessoal saiu pedi à minha mãe para ficar com o Filipe
- Porquê filho?
- Ah... é que o pessoal convidou-me para beber um copo... - a Mariana olhou-me
- O pessoal? Que pessoal?
- Ai oh mãe se não quer ficar com o seu neto diga de uma vez!
- Filho andas estranho - olhei-a - sei que ultimamente andas a esconder-me algo...
- Você está a ver cenas onde não existem!
- Será que estou mesmo?
- Está!
- Quem é a mulher com quem andas a sair?
Olhei para a Mariana que sorriu e foi apanhada pelo meu irmão que não perdeu a oportunidade para meter veneno
- Aposto que a Mari sabe quem é! - a minha mãe olhou-a
A Mariana olhou-me mas não falou e por isso acabei por sair da sala, se ela não quer revelar o melhor é respeitar. Fui buscar o Filipe ao quarto e quando fui à sala despedir-me deles
- O meu neto pode cá ficar.
- Deixe não é preciso! Até amanhã!
Virei costas e saí porta fora levando comigo o Filipe, estava a coloca-lo na cadeirinha quando a Mari apareceu
- Posso saber porquê que querias deixar cá o menino? - olhei-a
- Queres que te faça um boneco? - sorriu
- Ena tão engraçado que o papá está - a Mariana basicamente deu-me um encontrão o que fez com que conseguisse desviar-me e foi ela que prendeu o nosso menino na cadeirinha, momento que aproveitou para falar com o Filipe - talvez seja melhor vires com a mamã - olhou-me de esguelha - ou ainda és contagiado por este humor de quinta categoria - provocou e vi-a mesmo a tirar a cadeirinha do meu carro e a colocar no dela.
- Posso saber o que estás a fazer?
- A levar o nosso filho para casa! - foi impossível não sorrir ao ouvi-la tão determinada - E a dar-te a oportunidade de ires ter com a tua conquista… - gozou o que nos levou aos dois a gargalhar
Acabei por entrar no meu carro e a ficar à espera que fosse embora para a seguir e por isso percebi que não estava a ir na direção do meu apartamento mas sim do dela...

Qual será a ideia da Mariana?

domingo, 19 de janeiro de 2014

118 - "Continua... continua a fugir ao que sentes!"

Mariana
Não fui honesta com o Ruben quando afirmei que o motivo que me levava até Madrid eram as saudades do pessoal, não é que não as tenha, mas o que fez tomar essa decisão era a necessidade de afastar-me dele, no entanto nem cheguei a aquecer o lugar em Madrid e muito menos a ver o Cris, dado que assim que a minha prima implorou que fosse até Valência não hesitei nem um pouco, já bem basta nestas últimas semanas não a ter apoiado.
Nos primeiros dias as saudades até foram toleráveis e as conversas noturnas via skype foram suficientes para sossegar o meu coração de mãe, sim a verdade é que cada vez tenho mais certeza que amo o Filipe como se fosse meu filho, mas agora que já se passou praticamente uma semana é frequente dar comigo a pensar constantemente neles e já nem as tentativas falhadas do João em amolecer o coração da minha prima conseguiam distrair-me, tanto que decidi acompanha-la no regresso a Lisboa e foi quando estava a fazer a mala na companhia dela que o meu telemóvel começou a tocar.
- Bem chegou aquele momento em que bazo!!! - olhei-a - Sim… que os meus preciosos pés não precisam de tocar na tua baba!! - atirei com uma almofada às suas trombas - Vá… fica aí a falar com o meu priminho que vou à sala! - deu-me um beijo na bochecha e saiu o que permitiu que atendesse o telefonema
- Oi…
- Tudo bem?
- Sim e o Filipe como está?
- Bem… muito melhor agora que sabe que só ele é que interessa! - gargalhei ao ouvi-lo
- Deixa de ser exagerado…
- Então e já sabes quando regressas a Lisboa? - mudou de assunto
- Não! - menti porque não quero que saiba...
- Tenho saudades tuas... - o desabafo do Ruben fez o meu coração bater mais depressa e talvez por receio de admitir que também as tenho
- Olha vou ter de desligar, beijos!
Desliguei a chamada e assim que o fiz percebi que a Maria ouviu pelo menos a última parte da conversa
- Prima já te disse mas repito, pára de fugir ao que sentes - olhei-a completamente desagradada com o tema da conversa - não adianta fazeres essa cara! Desculpa mas como tua prima, amiga e irmã tenho o dever de tentar abrir-te os olhos! Vocês amam-se, provavelmente nem percebes mas quando falas com o Ruben só não derretes porque é humanamente impossível… já para não dizer que o meu priminho - fuzilei-a com o olhar - já ganhou o estatuto de ter um toque só para ele!
Não respondi e a minha prima também não insistiu. No fim de fazer a minha mala saímos finalmente...
***
O avião aterrou na capital portuguesa à hora estimada e quando já caminhavamos na direção dos táxis
- As meninas precisam de ajuda? - olhei por cima do ombro e encontrei-o a sorrir
- O que é que fazem aqui?
- Não é óbvio? - aproximou-se e deu-me dois beijinhos um de cada lado do meu rosto
- Maria!!!! - estava fula com a minha prima, não tinha o direito de ter avisado o Ruben e só não se defendeu porque o Ruben antecipou-se
- Não culpes a Maria - olhei-o - parece que temos muita gente a torcer por nós... - suspirei e o Ruben tomou a liberdade de puxar a minha mala, isto depois de ter dado um “chega pra lá” e obrigado a largar o carrinho do meu príncipe que estava acordado e a olhar-me - eich não precisas recorrer à violência! E agora venham que vos deixo em casa…
Ainda tentei recusar mas a Maria não deixou. Do aeroporto ao apartamento da Maria foi uma questão de minutos, algo que agradeci mentalmente, uma vez que a minha prima “obrigou-me” a ir no banco do pendura e hoje não sei porquê o cheiro do seu perfume juntamente com o seu sorriso estava a arruinar o meu autocontrolo.
- Onde pensas que vais? - o Ruben falou assim que abri a porta
- Hoje fico com a minha prima!
- Não, não ficas! - a determinação dele irritou-me
- Mas desde quando pensas que me dás ordens? Mas afinal quem és…
Não consegui terminar de falar porque o Ruben voltou a surpreender, desta vez beijou-me sem que tivesse hipóteses de negar, mas a verdade seja dita mesmo que tivesse duvido que negasse… Entreguei-me ao beijo, as saudades eram mais que muitas e naquele momento esqueci tudo, tanto que quando paramos com a troca de saliva reparamos que a Maria já tinha bazado sem se ter despedido de nós…
- Já estás mais convencida?
Olhei-o e simplesmente sorri timidamente, o que fez com que gargalhasse. A viagem até ao seu apartamento foi rápida e assim que chegamos fui directa ao quarto do meu anjinho para o deitar.

Ruben
Estes dias longe da Mariana foram complicados, senti a falta da amiga mas acima de tudo da mulher, sim para mim a Mari é a minha mulher, é verdade que ainda não ouvi da sua boca o que mais quero mas não é isso que muda aquilo que sinto, por isso mesmo quando o João ligou-me a avisar que a Mari estava a regressar não pensei duas vezes e fui até casa da minha mãe.
- Olá mãe - cumprimentei-a
- Olá Ruben!
- Está tudo bem consigo?
- Sim… diz o que queres que estou ocupada! - realmente desde que tinha chegado só retirou os olhos dos papéis que tinha na sua frente para ver quem tinha entrado na sua sala
- A mãe pode ficar com o Filipe hoje à noite?
- Se a tua mais recente conquista não gosta de ser ama é melhor procurares outra porque tens um filho - olhei-a abismado - sim porque não julgues que ficarei com o meu neto sempre que te quiseres divertir com um rabo de saias!
- Olhe sabe que mais? Fiquei aí com as suas teorias sem nexo nenhum que cá me desenrasco!
- Filho - chamou quando já ia a sair - não te esqueças dos preservativos em casa!
- Mãe!!!
- Sim sou tua mãe e avó do teu filho mas dispenso sê-lo outra vez nas mesmas circunstâncias!
Não respondi e saí, tinha que preparar o nosso jantar e foi isso que fiz, isto depois de ter dispensado os serviços da Olga mais cedo para que não visse o que estava a planear…
Com tudo encaminhado, chegou o momento de pegar no Filipe e rumei até ao aeroporto. Chegamos mesmo a tempo, vi as primas Mendes a sairem da zona de desembarque e a caminhar na direção dos táxis, aproximei-me e a vontade que tive foi de beijá-la mas controlei-me, até porque vinha com a Maria e estávamos num local demasiado exposto.
Mas se controlei essa vontade naquele momento, o mesmo não posso dizer que tenha conseguido quando a Mari tentou ficar com a prima, aí não deu mais para segurar e quando reparamos já estávamos sozinhos.
Conduzi calmamente até ao meu apartamento e assim que entramos pedi à Mari que fosse deitar o Filipe uma vez que o menino tinha adormecido, algo que o meu amor fez sem desconfiar do que tinha planeado para a nossa noite... já com tudo preparado fui até ao quarto do Filipe onde a Mariana continuava a observá-lo mas assim que me viu
- O que se passa? - definitivamente conhece-me muito bem
- Nada…
- Nada?! Estás estranho… - sorri
- E isso é bom ou mau?
- Não sei… diz-me tu!
- Toma... - estiquei o braço
- O que é isso?
- Algo que vai-te deixar muito mais tranquila! - olhou-me para depois abrir o envelope, retirando outro mais pequeno
- Análises? - olhou-me novamente - Isto não é o que penso que é?
- Vê!
A Mariana abriu e ao comprovar que eram mesmo as análises que pensava baixou o olhar.
- Espero que agora acredites em mim quando digo que não tenho doença nenhuma mas se continuares com dúvidas posso esclarecer que a última vez que fiz sexo com a Sofia muito provavelmente foi na noite que fiz o Filipe por isso os ditos seis meses de incubação dos vírus já passaram e agora anda… - coloquei as minhas mãos à frente dos seus olhos de forma a não ver de imediato o que tinha preparado, o que fez a Mari refilar mas nem liguei e assim que chegamos à sala retirei as minhas mãos, os olhos da Mari fixaram de imediato a mesa da sala que estava decorada a rigor para um jantar romântico
- És tão louquinho - falou já com os seus braços em volta do meu pescoço e com os seus lábios a roçarem os meus, algo que confesso que surpreendeu-me, afinal tinha receio que não fosse reagir tão bem...
- Ainda não viste nada…
- Sério?! - o .seu sorriso levou-me a levitar completamente
- Hum… hum… - murmurei por entre beijos - toma…
Dei-lhe um pequeno embrulho e assim que rasgou o papel e viu o conteúdo um sorriso enorme surgiu no seu rosto, afinal tinha-lhe dado uma moldura com uma foto nossa e com uma frase inscrita
- Gostas?
- É lindo! - sorriu - Mas agora o que dizes de jantarmos?
- Eich… onde anda o romantismo? - impliquei
- Esse se chegar é só depois de me encheres o estômago que estou esganada de fome!!! - e pronto em segundos deixou o seu lado lamechas e revelou outro... o de rabugenta, ainda assim ignorei essa mudança de humor
- Não seja por isso!!!
Encaminhei-a até à mesa e puxei-lhe a cadeira, depois de devidamente acomodada ausentei-me por uns minutos para buscar o nosso jantar
- Hum… - a Mariana saboreava a pequena quantidade que levou à boca – está delicioso - o meu amor inclinou-se ligeiramente e bastou esse gesto para saber o que queria, facilitei e uni de novo os nossos lábios - anda para aqui… - fiz-lhe a vontade e sentei-me mais perto de si, o que permitiu uma troca intensa de mimos que foi quebrada quando o Filipe resolveu chorar - vou lá!
Nem questionei por saber que não adiantaria e como já tínhamos terminado de jantar aproveitei esse tempo para ir preparar a sobremesa.
- Shiii Filipe olha o papá esmerou-se!!! - sorriu
- É… e o filho resolveu estragar os planos!
- Deixa de ser assim! O menino não estragou nada - aproximou-se unindo os nossos lábios para se sentar ao meu colo - sabes o que isto faz lembrar? - olhei-a e sorri afinal já estava a deliciar-se com a sobremesa
- A nossa noite em Faro… a primeira vez que nos amamos sem ser pelo sexo em si… a primeira vez que desejei nunca mais perder-te…
- É… - suspirou - mas depois dessa noite tanta coisa se passou…
Não respondi, preferi antes ignorar o que falou beijando-a, para de imediato começarmos a saborear a sobremesa
que terminou connosco sujos e peganhentos, tanto que aproveitei que a Mariana foi adormecer o menino para tomar um duche

Mariana
Por muito que tente não consigo afastar-me do Ruben, cada vez tenho mais a certeza que é um esforço inglório, nós amamo-nos e pode passar anos que nada vai mudar, foi com este pensamento que depois de adormecer o Filipe fui procurar o Ruben, entrei no seu quarto e ouvi a água a correr, não pensei duas vezes e fui ter com ele
- Mariana… - encolheu-se assim que o toquei - o que é que estás a fazer… - falou quando já o brindava com algumas carícias alternando entre o lento e o mais rápido
- O que achas… - sussurrei-lhe ao ouvido para de imediato unir as nossas bocas
e os minutos seguintes foram mais do mesmo, beijos atrás de beijos e as nossas mãos a passearem pelo corpo um do outro, mas foi quando voltei a tocá-lo onde sei que lhe dou mais prazer que o Ruben deixou de lado todo o cuidado que estava a ter comigo e encostou-me a uma das extremidades da box, beijando-me de uma forma mais intensa
enquanto as suas mãos se dedicaram a tocar e a apertar as minhas nádegas, tal como só o Ruben sabe e sem que conseguisse controlar cravei as minhas unhas nas suas costas, o que o fez por momentos separar as nossas bocas e olhar-me
- Não pares... - ordenei quase a desesperar, a verdade é que naquele momento queria tudo o que estava a acontecer, queria-o mais do que tudo, queria-o de forma física, queria simplesmente o prazer carnal sem grandes demonstrações do sentimento que nos une, algo que percebeu nitidamente ou não fosse ter sorrido, o que ainda me descontrolou mais, o Ruben continuou a beijar-me mas agora pelo meu corpo, à medida que a sua boca se apoderava de partes tão sensíveis, como o meu pescoço onde sabe que tenho imensas cócegas ou do meu peito ou ainda da minha barriga, ia-me contorcendo e sentido uma sensação de prazer a invadir-me, tanto que foi impossível não gemer, o que fez o Ruben sorrir de forma traçada, estava a adorar ver-me desesperada...

Ruben
Estava a aproveitar o momento do duche quando ouvi a porta da box a abrir para de imediato o meu amor demonstrar ao que vinha, não tive como impedir, até porque também a quero por inteiro, os momentos que se seguiram foram únicos e voltamos a relembrar o passado em que as nossas entregas eram sexo por sexo, aproveitei para reexplorar o seu corpo, levando-a ao desespero, algo que só me deixou ainda com mais vontade de terminar com a espera e unir os nossos corpos rapidamente, mas não o fiz, aproveitei ao máximo o momento e continuei a brindá-la com carícias, que a Mari foi retribuindo sempre que deixava, estivemos bastante tempo em joguinhos para finalmente unir os nossos corpos e ali mesmo atingimos o orgasmo.
***
Acordei e ao abrir os olhos foi impossível não sorrir, tinha o meu amor do meu lado a dormir serenamente. Levantei-me e passei pelo quarto do Filipe, também ele dormia, fiquei a observá-lo até ao momento que senti os braços da Mariana a envolver o meu corpo.
- Bom dia - deu-me um beijo nas minhas costas despidas - está cada dia mais parecido contigo - a Mariana sorria a olhá-lo
- É dizem que sim...
Ainda ficamos uns minutos a olhá-lo mas acabamos por sair do quarto para comermos uma vez que estávamos os dois com fome.
A manhã foi passada na cama, dado que a Mari estava com os níveis de preguiça elevados ao máximo, mas isso não foi impedimento para colocar o Filipe na nossa cama, o meu amor passou a manhã toda a brincar com o nosso menino, algo que aproveitei para tirar diversas fotos.
***
- Ruben vou embora!
- Já?!
- Tenho de passar por casa dos meus pais, prometi que almoçava com eles...
- Ok... mas depois voltas?
- Não! Tenho de organizar umas cenas lá em casa...
- Amanhã vais ao jogo?
- Prefiro ficar com o Filipe do que ir enfiar-me no estádio Nacional...
- Assim não nos vês a festejar!
- Presunção e água benta... oh meu menino primeiro têm de ganhar e só depois é que podem festejar!
Atirou ao sair da sala, acabei por correr atrás dela, apanhando-a já na porta e antes que conseguisse abri-la, puxei-a para mim, beijando-a.

Mariana
Não tinha de todo planeado regressar para os braços do Ruben mas depois da noite de ontem, percebi que não adianta fugir mais, ainda assim não lhe vou facilitar a vida, porque se o assumo já, sei que o Ruben vai querer assumir o namoro e ainda não estou confortável para enfrentar a ira da Sofia, até porque antes disso tenho que contar a verdade ao Ruben...
Saí do seu apartamento direta à casa dos meus pais, almocei com os cotas e passei a tarde a receber mimos. No final da noite regressei para junto do Ruben e do Filipe, sim sei que lhe disse o contrário, mas a verdade é que não resisti e fui até lá.
Acabei por dormir com o Ruben e na manhã seguinte quando a Anabela apareceu para levar o Filipe escondi-me para que não me visse.
- Posso saber o porquê que te fechaste no quarto? - olhei-o
- O que é que a tua mãe pensaria se me visse aqui a esta hora?
- Olha pensaria que afinal a mulher que anda a desencaminhar o seu filho é aquela que sempre quis e quer para Nora! - o Ruben atirou sem o mínimo cuidado
- Vou embora!
- Continua... continua a fugir ao que sentes!
Não respondi e sai, batendo a porta do seu apartamento e só parei quando aterrei no sofá do meu apartamento.
Passei a manhã nas tarefas domésticas, só saí para almoçar e foi quando almoçava que vi o Mauro e a Paula, que acabaram por se sentarem na minha mesa e assim tive companhia. Falamos de tudo um pouco mas nunca do Ruben, até ao momento das despedidas, uma vez que o Mauro convidou-me para ir até lá a casa ver o jogo com eles.
Aceitei com a desculpa de estar com o Filipe e com o aproximar da hora do jogo fui até à casa do Mauro.
Estava na conversa com a Paula quando a Anabela entrou com o neto, não resisti em tirá-lo do colo da avó e em mimá-lo bastante.
Vi o jogo todo com o meu anjinho ao colo e no final festejamos a vitória, apesar da época irregular do Benfica conseguiram conquistar a Taça de Portugal.

Ruben
Apesar da Mariana se ter escondido da minha mãe não fiquei chateado mas sim triste, mas acabei por esquecer tal situação e concentrar-me no jogo, que para nossa alegria ganhamos, conquistando a Taça de Portugal.
Estava a festejar a vitória no campo com os meus colegas quando fui abordado por um jornalista à procura de uma reação minha ao jogo, respondi o que me ia no coração, que estava feliz pela conquista num ano que foi complicado para a equipa e inevitavelmente o assunto fugiu para a mina vida privada, quando o jornalista mencionou que não foi só para a equipa que o ano tinha sido complicado.
- É verdade, tive um ano complicado mas já passou e agora tenho o maior tesouro que um pai pode ter, tenho o meu filho comigo e só isso interessa!
- Esta vitória é dedicada a ele?
- Lógico que sim! Dedico-a ao meu filho, à minha família e a todas as pessoas que sempre estiveram do meu lado.
- E à Mariana Mendes... - olhei-o
- Não vai querer que mencione o nome de todas as pessoas que sempre tiveram do meu lado ou quer? É porque se assim for vou levar uns minutos porque felizmente tenho muitos amigos e sim a Mariana Mendes é sem dúvida um desses amigos!
Com a minha resposta o jornalista já não insistiu mais, até porque fui chamado para receber a medalha do jogo. Quando chegamos ao balneário o pessoal quis tirar uma foto de equipa e foi quando agarrei no telemóvel para também registar o momento que vi que entre as muitas mensagens que já tinha a felicitar-me pela conquista mas principalmente pelo golo da vitória que vi o nome da Mari, abri de imediato e foi impossível não sorrir
Parabéns papá!!!! Vem depressa pra casa do tio que eu e a mamã estamos cá...
- Oh palhaço larga lá o telemóvel e vem para aqui!
Estava tão feliz pela mensagem que recebi que nem respondi ao André Almeida e fui para junto deles, tiramos as fotos e partilhamo-las pelas redes sociais.
Rumamos todos até à Luz onde os meus colegas tinham as namoradas, esposas e filhos à espera.
- Bem pessoal até amanhã!
- Não vens jantar connosco?
- Népia... Garay convosco já festejei agora é hora de festejar com a família...
- Tá certo...
Saí do estádio da Luz directo a casa do meu irmão, queria mais do que tudo vê-la para perceber o que quis dizer com tal mensagem...
Entrei na sala e encontrei-a a um canto a falar com a minha mãe, acabei por aproximar-me e ouvi algo inesperado

Mariana
Estava sentada a observar o Gabriel que brincava na sala quando a Anabela se aproximou pedindo para falar comigo a sós
- Diga!
- Mariana o que tenho para dizer não é fácil e sei que o meu filho já é crescido e independente mas… - hesitou
- Mas?!
- Mas gosto de ti e não te quero ver sofrer mais pelo meu filho - olhei-a sem entender o que tentava dizer
- Vá direta ao assunto!
- O Ruben anda estranho, nomeadamente a pedir-me demasiadas vezes para ficar com o menino à noite - suspirou pesadamente - o que estou a tentar dizer é que tenho a certeza que ele tem alguém - olhei-a sem saber o que responder mas felizmente não o tive de fazer uma vez que o Ruben chegou e não perdeu tempo em aproximar-se, colocando o seu braço por cima dos meus ombros
- Hey! Não sou encosto! - reclamei de sorriso no rosto por ver os seus olhos a brilhar, não precisei que falasse para saber que tal brilho em parte era pela mensagem que lhe enviei
- Irra que feitio… olha que assim não arranjarás gajo nenhum que te consiga aturar
- Isso a mim não me preocupa… - olhei-o - até porque esse tal de gajo já existe… - o Ruben sorriu, já a Anabela olhou-nos intrigada e talvez por isso o filho tenha desviado as suspeitas dela
- Ui… quem é ele? Não me digas que é madrileno? - gargalhei ao ouvi-lo
- Não queiras ser mais papista que o papa! - a Anabela olhou-nos e arrisco dizer que vi uma pontinha de tristeza no seu olhar, algo que fez-me vacilar afinal sei o quanto sempre me quis para nora.
A mãe do Ruben acabou por se afastar dando assim a oportunidade que o filho esperava para
- Mariana - olhei-o e bastou para perceber que o Ruben se preparava para voltar à carga - quero assumir o que se passa! - suspirou - Quero poder chamar-te de minha namorada, mas para isso preciso que concordes em revelar a verdade! Quero mais, quero poder beijar-te quando chego perto de ti, quero simplesmente poder abraçar-te sem ter que me preocupar em disfarçar, quero amar-te livremente!
- Não me sinto confortável para assumir nada...
- Porquê? - olhei-o - O que é que se passa? Diz-me a verdade - suspirei
- Ruben, és amigo, namorado, amante, ex-marido, aquele que sempre me teve por inteiro, o primeiro e único homem que amei e amarei, o pai do meu filho, espero também que um dia deixes de ser ex-marido e passes a ser marido mas tenho medo de tudo o que virá assim que assumirmos...
- Do que é que falas? - baixei o olhar - Amor o que é que te preocupa verdadeiramente?
- A Sofia... - admiti o meu maior medo
- A Sofia?!
- Sim... Ruben tenho pavor que assim que tornarmos publica a nossa reconciliação que isso provoque o seu aparecimento... nós até podemos só contar à nossa família e amigos próximos mas sejamos realistas quando o fizermos rapidamente se tornará público porque deixaremos de namorar às escondidas e mais cedo ou mais tarde haverá alguém que nos apanhará...

A Mariana aos poucos vai cedendo e até revelando o verdadeiro motivo pelo qual foge do Ruben mas será que vão conseguir manter a Sofia longe?