domingo, 19 de janeiro de 2014

118 - "Continua... continua a fugir ao que sentes!"

Mariana
Não fui honesta com o Ruben quando afirmei que o motivo que me levava até Madrid eram as saudades do pessoal, não é que não as tenha, mas o que fez tomar essa decisão era a necessidade de afastar-me dele, no entanto nem cheguei a aquecer o lugar em Madrid e muito menos a ver o Cris, dado que assim que a minha prima implorou que fosse até Valência não hesitei nem um pouco, já bem basta nestas últimas semanas não a ter apoiado.
Nos primeiros dias as saudades até foram toleráveis e as conversas noturnas via skype foram suficientes para sossegar o meu coração de mãe, sim a verdade é que cada vez tenho mais certeza que amo o Filipe como se fosse meu filho, mas agora que já se passou praticamente uma semana é frequente dar comigo a pensar constantemente neles e já nem as tentativas falhadas do João em amolecer o coração da minha prima conseguiam distrair-me, tanto que decidi acompanha-la no regresso a Lisboa e foi quando estava a fazer a mala na companhia dela que o meu telemóvel começou a tocar.
- Bem chegou aquele momento em que bazo!!! - olhei-a - Sim… que os meus preciosos pés não precisam de tocar na tua baba!! - atirei com uma almofada às suas trombas - Vá… fica aí a falar com o meu priminho que vou à sala! - deu-me um beijo na bochecha e saiu o que permitiu que atendesse o telefonema
- Oi…
- Tudo bem?
- Sim e o Filipe como está?
- Bem… muito melhor agora que sabe que só ele é que interessa! - gargalhei ao ouvi-lo
- Deixa de ser exagerado…
- Então e já sabes quando regressas a Lisboa? - mudou de assunto
- Não! - menti porque não quero que saiba...
- Tenho saudades tuas... - o desabafo do Ruben fez o meu coração bater mais depressa e talvez por receio de admitir que também as tenho
- Olha vou ter de desligar, beijos!
Desliguei a chamada e assim que o fiz percebi que a Maria ouviu pelo menos a última parte da conversa
- Prima já te disse mas repito, pára de fugir ao que sentes - olhei-a completamente desagradada com o tema da conversa - não adianta fazeres essa cara! Desculpa mas como tua prima, amiga e irmã tenho o dever de tentar abrir-te os olhos! Vocês amam-se, provavelmente nem percebes mas quando falas com o Ruben só não derretes porque é humanamente impossível… já para não dizer que o meu priminho - fuzilei-a com o olhar - já ganhou o estatuto de ter um toque só para ele!
Não respondi e a minha prima também não insistiu. No fim de fazer a minha mala saímos finalmente...
***
O avião aterrou na capital portuguesa à hora estimada e quando já caminhavamos na direção dos táxis
- As meninas precisam de ajuda? - olhei por cima do ombro e encontrei-o a sorrir
- O que é que fazem aqui?
- Não é óbvio? - aproximou-se e deu-me dois beijinhos um de cada lado do meu rosto
- Maria!!!! - estava fula com a minha prima, não tinha o direito de ter avisado o Ruben e só não se defendeu porque o Ruben antecipou-se
- Não culpes a Maria - olhei-o - parece que temos muita gente a torcer por nós... - suspirei e o Ruben tomou a liberdade de puxar a minha mala, isto depois de ter dado um “chega pra lá” e obrigado a largar o carrinho do meu príncipe que estava acordado e a olhar-me - eich não precisas recorrer à violência! E agora venham que vos deixo em casa…
Ainda tentei recusar mas a Maria não deixou. Do aeroporto ao apartamento da Maria foi uma questão de minutos, algo que agradeci mentalmente, uma vez que a minha prima “obrigou-me” a ir no banco do pendura e hoje não sei porquê o cheiro do seu perfume juntamente com o seu sorriso estava a arruinar o meu autocontrolo.
- Onde pensas que vais? - o Ruben falou assim que abri a porta
- Hoje fico com a minha prima!
- Não, não ficas! - a determinação dele irritou-me
- Mas desde quando pensas que me dás ordens? Mas afinal quem és…
Não consegui terminar de falar porque o Ruben voltou a surpreender, desta vez beijou-me sem que tivesse hipóteses de negar, mas a verdade seja dita mesmo que tivesse duvido que negasse… Entreguei-me ao beijo, as saudades eram mais que muitas e naquele momento esqueci tudo, tanto que quando paramos com a troca de saliva reparamos que a Maria já tinha bazado sem se ter despedido de nós…
- Já estás mais convencida?
Olhei-o e simplesmente sorri timidamente, o que fez com que gargalhasse. A viagem até ao seu apartamento foi rápida e assim que chegamos fui directa ao quarto do meu anjinho para o deitar.

Ruben
Estes dias longe da Mariana foram complicados, senti a falta da amiga mas acima de tudo da mulher, sim para mim a Mari é a minha mulher, é verdade que ainda não ouvi da sua boca o que mais quero mas não é isso que muda aquilo que sinto, por isso mesmo quando o João ligou-me a avisar que a Mari estava a regressar não pensei duas vezes e fui até casa da minha mãe.
- Olá mãe - cumprimentei-a
- Olá Ruben!
- Está tudo bem consigo?
- Sim… diz o que queres que estou ocupada! - realmente desde que tinha chegado só retirou os olhos dos papéis que tinha na sua frente para ver quem tinha entrado na sua sala
- A mãe pode ficar com o Filipe hoje à noite?
- Se a tua mais recente conquista não gosta de ser ama é melhor procurares outra porque tens um filho - olhei-a abismado - sim porque não julgues que ficarei com o meu neto sempre que te quiseres divertir com um rabo de saias!
- Olhe sabe que mais? Fiquei aí com as suas teorias sem nexo nenhum que cá me desenrasco!
- Filho - chamou quando já ia a sair - não te esqueças dos preservativos em casa!
- Mãe!!!
- Sim sou tua mãe e avó do teu filho mas dispenso sê-lo outra vez nas mesmas circunstâncias!
Não respondi e saí, tinha que preparar o nosso jantar e foi isso que fiz, isto depois de ter dispensado os serviços da Olga mais cedo para que não visse o que estava a planear…
Com tudo encaminhado, chegou o momento de pegar no Filipe e rumei até ao aeroporto. Chegamos mesmo a tempo, vi as primas Mendes a sairem da zona de desembarque e a caminhar na direção dos táxis, aproximei-me e a vontade que tive foi de beijá-la mas controlei-me, até porque vinha com a Maria e estávamos num local demasiado exposto.
Mas se controlei essa vontade naquele momento, o mesmo não posso dizer que tenha conseguido quando a Mari tentou ficar com a prima, aí não deu mais para segurar e quando reparamos já estávamos sozinhos.
Conduzi calmamente até ao meu apartamento e assim que entramos pedi à Mari que fosse deitar o Filipe uma vez que o menino tinha adormecido, algo que o meu amor fez sem desconfiar do que tinha planeado para a nossa noite... já com tudo preparado fui até ao quarto do Filipe onde a Mariana continuava a observá-lo mas assim que me viu
- O que se passa? - definitivamente conhece-me muito bem
- Nada…
- Nada?! Estás estranho… - sorri
- E isso é bom ou mau?
- Não sei… diz-me tu!
- Toma... - estiquei o braço
- O que é isso?
- Algo que vai-te deixar muito mais tranquila! - olhou-me para depois abrir o envelope, retirando outro mais pequeno
- Análises? - olhou-me novamente - Isto não é o que penso que é?
- Vê!
A Mariana abriu e ao comprovar que eram mesmo as análises que pensava baixou o olhar.
- Espero que agora acredites em mim quando digo que não tenho doença nenhuma mas se continuares com dúvidas posso esclarecer que a última vez que fiz sexo com a Sofia muito provavelmente foi na noite que fiz o Filipe por isso os ditos seis meses de incubação dos vírus já passaram e agora anda… - coloquei as minhas mãos à frente dos seus olhos de forma a não ver de imediato o que tinha preparado, o que fez a Mari refilar mas nem liguei e assim que chegamos à sala retirei as minhas mãos, os olhos da Mari fixaram de imediato a mesa da sala que estava decorada a rigor para um jantar romântico
- És tão louquinho - falou já com os seus braços em volta do meu pescoço e com os seus lábios a roçarem os meus, algo que confesso que surpreendeu-me, afinal tinha receio que não fosse reagir tão bem...
- Ainda não viste nada…
- Sério?! - o .seu sorriso levou-me a levitar completamente
- Hum… hum… - murmurei por entre beijos - toma…
Dei-lhe um pequeno embrulho e assim que rasgou o papel e viu o conteúdo um sorriso enorme surgiu no seu rosto, afinal tinha-lhe dado uma moldura com uma foto nossa e com uma frase inscrita
- Gostas?
- É lindo! - sorriu - Mas agora o que dizes de jantarmos?
- Eich… onde anda o romantismo? - impliquei
- Esse se chegar é só depois de me encheres o estômago que estou esganada de fome!!! - e pronto em segundos deixou o seu lado lamechas e revelou outro... o de rabugenta, ainda assim ignorei essa mudança de humor
- Não seja por isso!!!
Encaminhei-a até à mesa e puxei-lhe a cadeira, depois de devidamente acomodada ausentei-me por uns minutos para buscar o nosso jantar
- Hum… - a Mariana saboreava a pequena quantidade que levou à boca – está delicioso - o meu amor inclinou-se ligeiramente e bastou esse gesto para saber o que queria, facilitei e uni de novo os nossos lábios - anda para aqui… - fiz-lhe a vontade e sentei-me mais perto de si, o que permitiu uma troca intensa de mimos que foi quebrada quando o Filipe resolveu chorar - vou lá!
Nem questionei por saber que não adiantaria e como já tínhamos terminado de jantar aproveitei esse tempo para ir preparar a sobremesa.
- Shiii Filipe olha o papá esmerou-se!!! - sorriu
- É… e o filho resolveu estragar os planos!
- Deixa de ser assim! O menino não estragou nada - aproximou-se unindo os nossos lábios para se sentar ao meu colo - sabes o que isto faz lembrar? - olhei-a e sorri afinal já estava a deliciar-se com a sobremesa
- A nossa noite em Faro… a primeira vez que nos amamos sem ser pelo sexo em si… a primeira vez que desejei nunca mais perder-te…
- É… - suspirou - mas depois dessa noite tanta coisa se passou…
Não respondi, preferi antes ignorar o que falou beijando-a, para de imediato começarmos a saborear a sobremesa
que terminou connosco sujos e peganhentos, tanto que aproveitei que a Mariana foi adormecer o menino para tomar um duche

Mariana
Por muito que tente não consigo afastar-me do Ruben, cada vez tenho mais a certeza que é um esforço inglório, nós amamo-nos e pode passar anos que nada vai mudar, foi com este pensamento que depois de adormecer o Filipe fui procurar o Ruben, entrei no seu quarto e ouvi a água a correr, não pensei duas vezes e fui ter com ele
- Mariana… - encolheu-se assim que o toquei - o que é que estás a fazer… - falou quando já o brindava com algumas carícias alternando entre o lento e o mais rápido
- O que achas… - sussurrei-lhe ao ouvido para de imediato unir as nossas bocas
e os minutos seguintes foram mais do mesmo, beijos atrás de beijos e as nossas mãos a passearem pelo corpo um do outro, mas foi quando voltei a tocá-lo onde sei que lhe dou mais prazer que o Ruben deixou de lado todo o cuidado que estava a ter comigo e encostou-me a uma das extremidades da box, beijando-me de uma forma mais intensa
enquanto as suas mãos se dedicaram a tocar e a apertar as minhas nádegas, tal como só o Ruben sabe e sem que conseguisse controlar cravei as minhas unhas nas suas costas, o que o fez por momentos separar as nossas bocas e olhar-me
- Não pares... - ordenei quase a desesperar, a verdade é que naquele momento queria tudo o que estava a acontecer, queria-o mais do que tudo, queria-o de forma física, queria simplesmente o prazer carnal sem grandes demonstrações do sentimento que nos une, algo que percebeu nitidamente ou não fosse ter sorrido, o que ainda me descontrolou mais, o Ruben continuou a beijar-me mas agora pelo meu corpo, à medida que a sua boca se apoderava de partes tão sensíveis, como o meu pescoço onde sabe que tenho imensas cócegas ou do meu peito ou ainda da minha barriga, ia-me contorcendo e sentido uma sensação de prazer a invadir-me, tanto que foi impossível não gemer, o que fez o Ruben sorrir de forma traçada, estava a adorar ver-me desesperada...

Ruben
Estava a aproveitar o momento do duche quando ouvi a porta da box a abrir para de imediato o meu amor demonstrar ao que vinha, não tive como impedir, até porque também a quero por inteiro, os momentos que se seguiram foram únicos e voltamos a relembrar o passado em que as nossas entregas eram sexo por sexo, aproveitei para reexplorar o seu corpo, levando-a ao desespero, algo que só me deixou ainda com mais vontade de terminar com a espera e unir os nossos corpos rapidamente, mas não o fiz, aproveitei ao máximo o momento e continuei a brindá-la com carícias, que a Mari foi retribuindo sempre que deixava, estivemos bastante tempo em joguinhos para finalmente unir os nossos corpos e ali mesmo atingimos o orgasmo.
***
Acordei e ao abrir os olhos foi impossível não sorrir, tinha o meu amor do meu lado a dormir serenamente. Levantei-me e passei pelo quarto do Filipe, também ele dormia, fiquei a observá-lo até ao momento que senti os braços da Mariana a envolver o meu corpo.
- Bom dia - deu-me um beijo nas minhas costas despidas - está cada dia mais parecido contigo - a Mariana sorria a olhá-lo
- É dizem que sim...
Ainda ficamos uns minutos a olhá-lo mas acabamos por sair do quarto para comermos uma vez que estávamos os dois com fome.
A manhã foi passada na cama, dado que a Mari estava com os níveis de preguiça elevados ao máximo, mas isso não foi impedimento para colocar o Filipe na nossa cama, o meu amor passou a manhã toda a brincar com o nosso menino, algo que aproveitei para tirar diversas fotos.
***
- Ruben vou embora!
- Já?!
- Tenho de passar por casa dos meus pais, prometi que almoçava com eles...
- Ok... mas depois voltas?
- Não! Tenho de organizar umas cenas lá em casa...
- Amanhã vais ao jogo?
- Prefiro ficar com o Filipe do que ir enfiar-me no estádio Nacional...
- Assim não nos vês a festejar!
- Presunção e água benta... oh meu menino primeiro têm de ganhar e só depois é que podem festejar!
Atirou ao sair da sala, acabei por correr atrás dela, apanhando-a já na porta e antes que conseguisse abri-la, puxei-a para mim, beijando-a.

Mariana
Não tinha de todo planeado regressar para os braços do Ruben mas depois da noite de ontem, percebi que não adianta fugir mais, ainda assim não lhe vou facilitar a vida, porque se o assumo já, sei que o Ruben vai querer assumir o namoro e ainda não estou confortável para enfrentar a ira da Sofia, até porque antes disso tenho que contar a verdade ao Ruben...
Saí do seu apartamento direta à casa dos meus pais, almocei com os cotas e passei a tarde a receber mimos. No final da noite regressei para junto do Ruben e do Filipe, sim sei que lhe disse o contrário, mas a verdade é que não resisti e fui até lá.
Acabei por dormir com o Ruben e na manhã seguinte quando a Anabela apareceu para levar o Filipe escondi-me para que não me visse.
- Posso saber o porquê que te fechaste no quarto? - olhei-o
- O que é que a tua mãe pensaria se me visse aqui a esta hora?
- Olha pensaria que afinal a mulher que anda a desencaminhar o seu filho é aquela que sempre quis e quer para Nora! - o Ruben atirou sem o mínimo cuidado
- Vou embora!
- Continua... continua a fugir ao que sentes!
Não respondi e sai, batendo a porta do seu apartamento e só parei quando aterrei no sofá do meu apartamento.
Passei a manhã nas tarefas domésticas, só saí para almoçar e foi quando almoçava que vi o Mauro e a Paula, que acabaram por se sentarem na minha mesa e assim tive companhia. Falamos de tudo um pouco mas nunca do Ruben, até ao momento das despedidas, uma vez que o Mauro convidou-me para ir até lá a casa ver o jogo com eles.
Aceitei com a desculpa de estar com o Filipe e com o aproximar da hora do jogo fui até à casa do Mauro.
Estava na conversa com a Paula quando a Anabela entrou com o neto, não resisti em tirá-lo do colo da avó e em mimá-lo bastante.
Vi o jogo todo com o meu anjinho ao colo e no final festejamos a vitória, apesar da época irregular do Benfica conseguiram conquistar a Taça de Portugal.

Ruben
Apesar da Mariana se ter escondido da minha mãe não fiquei chateado mas sim triste, mas acabei por esquecer tal situação e concentrar-me no jogo, que para nossa alegria ganhamos, conquistando a Taça de Portugal.
Estava a festejar a vitória no campo com os meus colegas quando fui abordado por um jornalista à procura de uma reação minha ao jogo, respondi o que me ia no coração, que estava feliz pela conquista num ano que foi complicado para a equipa e inevitavelmente o assunto fugiu para a mina vida privada, quando o jornalista mencionou que não foi só para a equipa que o ano tinha sido complicado.
- É verdade, tive um ano complicado mas já passou e agora tenho o maior tesouro que um pai pode ter, tenho o meu filho comigo e só isso interessa!
- Esta vitória é dedicada a ele?
- Lógico que sim! Dedico-a ao meu filho, à minha família e a todas as pessoas que sempre estiveram do meu lado.
- E à Mariana Mendes... - olhei-o
- Não vai querer que mencione o nome de todas as pessoas que sempre tiveram do meu lado ou quer? É porque se assim for vou levar uns minutos porque felizmente tenho muitos amigos e sim a Mariana Mendes é sem dúvida um desses amigos!
Com a minha resposta o jornalista já não insistiu mais, até porque fui chamado para receber a medalha do jogo. Quando chegamos ao balneário o pessoal quis tirar uma foto de equipa e foi quando agarrei no telemóvel para também registar o momento que vi que entre as muitas mensagens que já tinha a felicitar-me pela conquista mas principalmente pelo golo da vitória que vi o nome da Mari, abri de imediato e foi impossível não sorrir
Parabéns papá!!!! Vem depressa pra casa do tio que eu e a mamã estamos cá...
- Oh palhaço larga lá o telemóvel e vem para aqui!
Estava tão feliz pela mensagem que recebi que nem respondi ao André Almeida e fui para junto deles, tiramos as fotos e partilhamo-las pelas redes sociais.
Rumamos todos até à Luz onde os meus colegas tinham as namoradas, esposas e filhos à espera.
- Bem pessoal até amanhã!
- Não vens jantar connosco?
- Népia... Garay convosco já festejei agora é hora de festejar com a família...
- Tá certo...
Saí do estádio da Luz directo a casa do meu irmão, queria mais do que tudo vê-la para perceber o que quis dizer com tal mensagem...
Entrei na sala e encontrei-a a um canto a falar com a minha mãe, acabei por aproximar-me e ouvi algo inesperado

Mariana
Estava sentada a observar o Gabriel que brincava na sala quando a Anabela se aproximou pedindo para falar comigo a sós
- Diga!
- Mariana o que tenho para dizer não é fácil e sei que o meu filho já é crescido e independente mas… - hesitou
- Mas?!
- Mas gosto de ti e não te quero ver sofrer mais pelo meu filho - olhei-a sem entender o que tentava dizer
- Vá direta ao assunto!
- O Ruben anda estranho, nomeadamente a pedir-me demasiadas vezes para ficar com o menino à noite - suspirou pesadamente - o que estou a tentar dizer é que tenho a certeza que ele tem alguém - olhei-a sem saber o que responder mas felizmente não o tive de fazer uma vez que o Ruben chegou e não perdeu tempo em aproximar-se, colocando o seu braço por cima dos meus ombros
- Hey! Não sou encosto! - reclamei de sorriso no rosto por ver os seus olhos a brilhar, não precisei que falasse para saber que tal brilho em parte era pela mensagem que lhe enviei
- Irra que feitio… olha que assim não arranjarás gajo nenhum que te consiga aturar
- Isso a mim não me preocupa… - olhei-o - até porque esse tal de gajo já existe… - o Ruben sorriu, já a Anabela olhou-nos intrigada e talvez por isso o filho tenha desviado as suspeitas dela
- Ui… quem é ele? Não me digas que é madrileno? - gargalhei ao ouvi-lo
- Não queiras ser mais papista que o papa! - a Anabela olhou-nos e arrisco dizer que vi uma pontinha de tristeza no seu olhar, algo que fez-me vacilar afinal sei o quanto sempre me quis para nora.
A mãe do Ruben acabou por se afastar dando assim a oportunidade que o filho esperava para
- Mariana - olhei-o e bastou para perceber que o Ruben se preparava para voltar à carga - quero assumir o que se passa! - suspirou - Quero poder chamar-te de minha namorada, mas para isso preciso que concordes em revelar a verdade! Quero mais, quero poder beijar-te quando chego perto de ti, quero simplesmente poder abraçar-te sem ter que me preocupar em disfarçar, quero amar-te livremente!
- Não me sinto confortável para assumir nada...
- Porquê? - olhei-o - O que é que se passa? Diz-me a verdade - suspirei
- Ruben, és amigo, namorado, amante, ex-marido, aquele que sempre me teve por inteiro, o primeiro e único homem que amei e amarei, o pai do meu filho, espero também que um dia deixes de ser ex-marido e passes a ser marido mas tenho medo de tudo o que virá assim que assumirmos...
- Do que é que falas? - baixei o olhar - Amor o que é que te preocupa verdadeiramente?
- A Sofia... - admiti o meu maior medo
- A Sofia?!
- Sim... Ruben tenho pavor que assim que tornarmos publica a nossa reconciliação que isso provoque o seu aparecimento... nós até podemos só contar à nossa família e amigos próximos mas sejamos realistas quando o fizermos rapidamente se tornará público porque deixaremos de namorar às escondidas e mais cedo ou mais tarde haverá alguém que nos apanhará...

A Mariana aos poucos vai cedendo e até revelando o verdadeiro motivo pelo qual foge do Ruben mas será que vão conseguir manter a Sofia longe?

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

#117 - " - não estou a dar o meu melhor pela felicidade das duas pessoas que mais amo"

João 
Sugerir que a Maria e o Rui ficassem lá em casa foi engolir um sapo maior que eu principalmente porque enquanto o fazia via o MEU filho acalmar nos braços dele e apenas ele fez com que a Maria cedesse a ficar em vez de sair com o Bruno cheio de febre.
Os minutos seguintes foram de nervos enquanto a Maria tentava contactar o pediatra do Bruno que não atendia.
- E se fossemos ao hospital?
- Rui se for como em portugal só depois de 72h de febre é que fazem alguma coisa...
- Posso ligar para a Dra Eva
- E ainda não ligaste porquê?
Acabei por ligar a Dra e explicar-lhe o que se passava e passados poucos minutos ela estava a entrar em minha casa
- Boa Noite João,
- Boa Noite Dra Obrigado por ter vindo!
- Não tens nada que agradecer, eu não sou pediatra mas posso tentar ver o que o pequenino tem, onde é que ele está?
- Aqui no quarto.
Indiquei-lhe o caminho. Quando lá entramos a Maria estava com o Bruno ao colo e pela sua cara não estava nada satisfeita e não me pareceu que o problema fosse o estado do Bruno

Maria
O João acabou por chamar a medica do clube para ver o Guilherme já que o pediatra não atendia e levá-lo ao hospital com menos de 72h de febre é desnecessário uma vez que não o observam.
Até a campainha tocar permanecemos todos no quarto e o Guilherme acabou por pedir o meu colo algo que agradeci mentalmente, primeiro porque o meu inconsciente descansava com ele ao meu colo, ficava com a sensação de que o podia proteger e segundo porque percebi o desconforto do João em ver o filho ao colo de outro homem.
Quando finalmente a campainha se fez ouvir o João saiu para abrir a porta
- Achas mesmo que a medica do Valência vai saber o que fazer?
- É tão médica como o Dr Ricardo!
- Oh Maria mas é medica desportiva e o Ricardo - o pediatra do Guilherme descobri que é amigo pessoal do Rui - é pediatra
- Rui medico é medico! A formação base é a mesma! Alem disso o teu amigo Ricardo não está disponível!
- eu não acho que seja uma boa opção! Vou ligar para o número pessoal do Ricardo!
- Fazes o que quiseres não te vou impedir de ligar a um amigo, mas o Guilherme vai ser consultado pela medica que se deslocou cá sem hesitar. Quanto a ser uma boa ou má opção.... sabes que agradeço toda a ajuda que me tens dado com o Guilherme, mas ele tem Mãe e Pai que podem não ser os pais modelo, mas que neste momento estão os dois presentes e de acordo por tanto se não te importas guarda a tua opinião ou volta para Lisboa, mas deixa-me a cabeça em paz!
Assim que acabo de falar ouço a porta abrir e o João entra acompanhado da Dra
- Maria esta é... - o João ia apresentar-nos
- Nós já nos conhecemos... como está Maria?
- Assustada... - confessei - e a Dra? Obrigada por ter vindo!
- ora essa... - ela falou e olhou para o Rui como quem pergunta quem é ou o que faz ali
- Boa noite, Rui Jorge, sou... 
O Rui estendeu a mão na sua direcção e no momento que percebi que iria dizer que era meu namorado, inconsistentemente o interrompi
- É meu amigo e acompanhou-me este fim de semana
- Ah claro - a Dra percebeu o clima pesado e focou-se no pequenino - Então e o que é que o pequeno tem?
- Febre, que não baixa e está muito rabugento...
- Há quanto tempo esta assim?
- João?

João
 A Maria deixou para mim o tempo dos sintomas
- Que me tenha apercebido de algo realmente anormal, há cerca de 2 horas
- Como foi o dia dele? - a Dra ia perguntando enquanto o ia auscultando
- Nós saímos de Lisboa de manhã - a Maria começou - ele vinha sonolento mas não dei importância porque saímos cedo. No avião ele veio meio a dormir, mas era cedo... Quando chegamos ele despertou como sempre e como o João estava no aeroporto ficou logo animado depois não sei...
- Ele adormeceu logo no carro a caminho aqui de casa - tomei a palavra - por isso quando chegamos veio ao colo e só o acordei ligeiramente para lhe vestir o pijama e deixei-o dormir afinal ele vem sempre cansadinho da viagem, dormiu perto de uma hora foi quando o Rui cá veio e aí... - era hora de falar da queda e temi a reacção da Maria
- E aí?
- Bem enquanto falava com o Rui ouvimos um grande estrondo corri e encontrei o Bruno no chão a chorar
- O QUÊ??? - a Maria estava possessa - Como é que encontram o menino no chão a chorar e eu não sei de nada?!
- Ele estava bem foi só susto - o Rui justificou-nos - não foi nada de especial...
- Ai não? Como sabes? És medico tu? E tu? - voltou-se para mim - devem ser!
- Maria o menino ficou bem! 
- Já te disse para não opinares! E tu quanto mais o fazes mais te em terras! Cala-te!! - a Maria esta possessa com o Rui e senti um certo gozo apesar de saber que quando chegasse a minha vez a coisa ia ser feia
- Podes crer que me calo! - o Rui pegou a carteira e o telemóvel e saiu, mas antes de bater a porta teve de dar o ar da sua graça - sabes onde me podes encontrar quando te passar o stress e perceberes que estas a ser injusta
- Desaparece! E agora tu! Achas normal o menino cair e não fazeres nada? Sabes se ele bateu com a cabeça? Se tem algum traumatismo interno?
- Oh Maria vi logo que não...
- Ai sim? Como? Não me digas que tens aparelhos de RX na ponta os dedos!
- Desculpem interromper - salvo na hora h - Maria quanto a queda pode ficar descansada o menino não tem qualquer sinal e neurologicamente responde na normalidade... mas estas manchinhas já as tinham visto? - olhamos e o Bruno tinha algumas manchas avermelhadas na sua barriga, uma espécie de bolhinhas

- Esta manhã não tinha!
- Quando o troquei também não reparei em nada
A Dra continuou a examina-lo e depois fez um telefonema
- Tenho uma suspeita mas gostava que ele fosse visto por um colega de pediatria. Tenho um amigo que nos pode receber agora...
- Vamos! 
A Maria não hesitou e eu segui-a fomos até uma clínica no centro de Valência onde nos esperava um pediatra que depois de observar o Bruno dos pés a cabeça
- Como sempre não falhas - disse para a Dra Eva - Papas o que o vosso filho tem não é nada de grave é só chato para ele e para vocês... ele está com varicela...
Olhei para Maria e respiramos os dois fundo o que fez os restantes presentes sorrir. Acabaram por nos explicar o que tínhamos de fazer e saímos directos a farmácia. Com os remédios comprados seguimos até minha casa.

Maria
Varicela, uma semana em casa e nada de viajar, boa vou ter de ficar em Valência, pior ainda em casa do João!
- Vais deita-lo? - perguntou-me assim que chegamos a casa
- Sim... com o medicamento vai conseguir dormir... e tu vai dormir também tens treino amanhã
 Deitei o menino e voltei para a sala, tinha de avisar o meu tio e falar com o Rui agora que o stress passava percebi o quanto fui injusta.
- Não vais descansar? - dei um salto no sofá quando o ouvi, afinal estava perdida nas nossas memórias boas e más - desculpa não te queria assustar
- estava só distraída... a pensar como me vou organizar... importaste que fique aqui esta semana? Durmo no quarto do Guilherme e nem vais dar por mim...
- Já sabes a minha opinião sobre a tua presença aqui... não tens roupa pois não?
- Deixei a mala no hotel, vou ligar ao rui e peco para me trazer amanhã...
- E hoje dormes assim?
- Como Querias que dormisse? 
Ele não respondeu saiu da sala e quando voltou
- Toma... - atirou-me uma tshirt e uns calções dele que sabe são o meu pijama predilecto
- Obrigada... bem vou trocar-me e ligar para o boss...
Ele não disse nada sorriu e eu sai.
Entrei no quarto do menino que já dormia e troquei-me e fui invadida pelo cheiro dele e mais memórias boas me invadiram também até que o motivo de tudo ter terminado chegou acompanhado por lágrimas, as que o acompanham sempre.
Respirei fundo peguei no telefone e liguei para o meu tio
- Maria o que se passa para ligares a esta hora?
- Tio - solucei do choro - quero dizer Jorge...
- Maria estás a chorar o que se passa?
- Nada é só adrenalina a sair... o Guilherme esta doente
- Doente?
- Sim tem varicela... e agora vou ter que ficar com ele aqui em Valencia uma semana porque ele não pode viajar...
- E vais ficar onde?
- Em casa do João...
- Ah que sacrifício... - ouvi-o rir
- Tio o Guilherme está doente e só por isso é que fico, quero ficar perto dele e se ele tem um quarto e todo o conforto aqui não seria justo obrigá-lo a ficar num hotel...
- Calma Maria! Fazes bem, mas relaxa porque com toda essa "adrenalina" das duas três… ou o teu filho fica orfão, ou ganha um irmão ou as duas!
- Piada!
- O tio estava só a ver se te acalmavas… olha a tua prima foi hoje para Madrid!
- A sério?
- Sim… vá liga-lhe lá! e tá descansada qualquer coisa já sabes que te ligo ou envio e-mail e vai dando noticias do menino!
- Obrigada Tio…
Assim que desliguei e antes de iniciar a chamada para a minha prima fui até a cozinha, tinha de comer qualquer coisa porque desde o pequeno almoço que não comia. Quando entro na cozinha ele estava lá
- Sabia que vinhas…
- Sabias?
- Sim, na pilha de nervos em que ficaste sabia que quando começasses a relaxar ias querer comer, por isso… - afastou-se da mesa deixando-me ver tudo o que tinha em cima dela - podes atacar…
- Obrigada, não era preciso…
- Não fiz nada de especial… só meti os crepes no microondas e o chocolate também derreti no mesmo sitio - falou a rir - e agora vou-me deitar que amanhã tenho treino e tu queres que eu te desapareça da frente - falou calmamente - sabes o lugar de tudo aqui em casa e é tudo teu… - fuzilei-o - boa noite!
Finalmente saiu deixando-me sozinha na cozinha, voltei a pegar no telemóvel
- Tou…
- Rui, desculpa…
- Desculpa eu, devia ter contado logo da queda do menino e devia ter ficado calado, afinal tu tens razão os pais são vocês e estavam a fazer o melhor para ele… como é que ele está?
- Fomos a um pediatra… tem varicela…
- Varicela?
- Sim 
- E agora?
- Agora já está medicado, mas tem de ficar cá uma semana sem sair de casa…
- E tu vais ficar também?
- O que achas?
- Que fazes bem… ficam em casa do João claro?
- É…
- Queres que te leve as tuas coisas amanhã antes de ir para o aeroporto?
- Se não te importasses…
- Sabes que não e assim sempre me despeço de ti e do campeão
- Obrigada
- Sabes que não sou… vai dormir Amo-te
- Boa noite
Desliguei e iniciei nova chamada
- Mas tu não me largas?
- Onde é que estás?
- Acabei de chegar a Madrid porquê?
- Vem até Valência por favor!
- O quê? Tás parva só pode! Vou agora a Valência fazer o quê?
- Ajudar-me!
- Ajudar-te?!
- Sim… o teu afilhado resolveu “mostrar” que está com varicela quando chegou a casa do pai e agora vamos ter de cá ficar durante uma semana…
- Tu estás em casa do João?!
- Pois… e eu não sei se a minha sanidade mental vai resistir!
- Oh Maria… eu vim para me afastar do Ruben e manter a minha e agora queres que vá para ai?
- Então tanto estás longe dele aqui como em Madrid!!
- Ai… o que é que tu não me pedes que eu não faço! Agora diz-me onde vou arranjar um lugar para ficar?!
- Fácil! Isso já tens ficas cá em casa!
- E pronto já estás maluca! Maria a casa já não é tua!
- Pois não… eu sei e tu também, mas há quem insista em que eu estou “em minha” casa e por isso podes ficar cá o quarto de hospedes serve para alguma coisa…
- Então e tu? Ah espera não digas nada… estás na suite principal a dormir com os pezinhos quentes… - falou a gozar-me
- Eu fico no quarto do teu afilhado a tomar conta dele como é óbvio!
- Oh… menina! Eu aproveitava para matar saudades…
- É isso que tens feito com o pai do teu afilhado mais novo?
- Mau já falaste melhor!
- E tu também e agora despacha-te e vem!
Consegui convence-la alias eu sabia que podia contar com ela
- Quem é que vem ai?
- Ah… a Mariana… ela ia passar esta semana de férias em Madrid, por isso pedi-lhe que alterasse a rota… e que ficasse aqui comigo… espero que não te importes…
- A casa é tua…
- João…. 
- E ela deixou o Ruben e o Filipe? Tanto quanto sei isso é algo raro…
- Sim deixou e se queres que te diga fez muito bem! Esta aproximação dela ao Ruben ainda acaba mal…
- Mal? Desde quando eles ficarem juntos é acabar mal? 
- Desde que é óbvio que não há finais felizes e eles já coleccionam vários finais infelizes!
- Não concordo… acho que podemos sempre tentar reescrever o final… ou transformar apenas numa virgula… - começou a aproximar-se de mais
- Pois… opiniões já dizia o personagem do Herman José, são como vagina quem quiser dar, dá-la... e diz o ditado popular que se fossem boas não se davam vendiam-se… bom vou ver o menino…
Levantei-me e juntei-me ao nosso filho no seu quarto, deitei-me de forma a ficar bem junto a sua caminha e como ele dormia calmamente também eu fechei os olhos. exactamente no momento em que o João entrou, ainda o senti mimar o filho e ficar a observar-nos. A sensação de segurança que me deu, tê-lo a observar-nos e a proteger-nos fez com que adormecesse em pouco tempo acordando apenas quando o meu telemóvel deu sinal.
- Tou?
- Não acredito que estás a dormir!
- E não estou! Se tivesse não estava a falar contigo
- Engraçada e que tal deixares as piada e vires abrir a porta ao teu namorado e aqui ha cr7 das primas?! 
- Vou abrir a porta a mim própria porquê?
- Ah ah ah não venha abrir e vaia ver se não almoço em Madrid hoje
- Cala-te e sobe! - enquanto falava tinha ido até a porta e aberto. Nesse momento vi as horas
- Bem tava difícil abrires!
- O menino ta a dormir... e eu estava a aproveitar as férias forçadas... - falei enquanto entrava na cozinha e vai a mesa impecavelmente posta para o  pequeno almoço, sentei-me - são servidos?
- se estavas a dormir como é que preparaste isto?
- Oh Rui tá mais que visto que o meu compadre antes de sair para o treino deixou tudo pronto! Aliás deve ser isso que diz aqui neste bilhete! - a Mariana pegou num papel dobrado em quatro que me tinha passado despercebido em cima da mesa... - oh tão fofo para a Mia.... olha desde quando é que és Mia?
- Dá cá! - puxei o bilhete das mãos dela confesso que com medo do que lá pudesse estar escrito, sim que começar a chamar-me Mia era golpe baixo

Bom dia!
Que bela dupla de dorminhocos! Ok é a inveja a escrever, também queria mais umas horinhas de ronha, mas como não pode ser vou andando.
Mas deixo um miminho para os dois. Sim que o Bruninho ainda não come isto tudo, mas o humor da mamã sempre fica mais suportável! :p
Só treino de manhã, por isso ao almoço já cá estou com vocês.
 Beijinhos
João

- Então?
- Então o quê? 
- O parvo do teu ex-marido quer um momento saudade é?
- Deves pensar que os pais dos teus afilhados são todos iguais!
- Que não são tenho eu a certeza porque...
- As meninas desculpem interromper tão animada conversa, mas o avião não espera por mim.. Maria tão aqui as tuas coisas. Acho que não ficou nada no hotel.
- Obrigada! - levantei-me e encostei os meus lábios aos dele no mesmo momento que a porta de casa abre
- Ai que já podem ter avisado que a casa já estava em alerta vermelho.. - o João entrou logo a picar a Mariana que confesso não sei se respondeu já que eu optei por focar-me no Rui
- Não tens uns minutinhos?
- Para quê?
- Oh vieste fazer uma surpresa e mal estivemos juntos... queria mimo
- Eu sei Maria, mas até é bom isto acontecer assim.. 
- Isto o quê? Assim como?
- Toda esta situação... aproveita estes dias e pensa bem se o que queres é a família que vai ter aqui ou aquela que temos lá...
- Eu sei o que quero... e o qu quero está lá...
- Pensa! E agora anda lá comigo despedir-me do pintinhas! - enquanto falou abraçou-me por trás e foi assim que entramos no quarto onde o Guilherme já se pendurava na cama pra sair - AiAi que tu cais!
- UI!! Coça!!
- Não coça nada! O campeão tem de ser forte e não coçar sim?
- xim... - falou pouco convencido
- O Rui veio dar-te um beijinho filho porque ele vai voltar para a casa dele 
- E gente?
- Como tás doidoi voces ficam e quando tiveres bom voltam, por isso fica bom depressa e não vocês! Sim?
- Xim Guigas pomete!
Ainda os vi trocarem algumas brincadeiras e acabamos por voltar até ao hall de casa onde nos despedimos mais uma vez do Rui.
- Papá!! - o Guilherme gosta muito do Rui, mas o pai esse é sem duvida o seu grande amor
- Dorminhoco!
O menino passou de imediato para o colo do pai enquanto eu aproveitei para levar a Mariana até ao seu quarto e aproveitei também para me despedir do pijama.

João
Não era decididamente momento para pensar em "nós" por isso optei por tratar a Maria apenas como amiga, como trataria Mariana ou a Ana, com a diferença que conheço os vícios e manias da Maria bem de mais.
Optei por deixa-la a vontade embora tenha feito questão de lhe dar pequenos mimos que sei que ia gostar e a iam deixar mais tranquila, estive sempre por perto, dei-lhe um "pijama" e nem comentei a vinda da Mariana afinal sabia que era uma segurança para a Maria e ate para mim pois assim sabia que caso fosse necessária alguma coisa enquanto estivesse no treino a Maria não estaria sozinha.
Mas quando se deitou não resisti a matar as saudades de a ver dormir.
Na manhã seguinte voltei a vê-los e antes de sair deixei tudo preparado para a Maria não ter desculpa para o seu irritante hábito de não comer.
Quando voltei ao entrar em casa dei logo de caras com a Maria nos braços do outro, respirei fundo e ignorei seguindo directamente para junto da Mariana.
- Então a que se deve a honra da sua presença na nossa humilde residência?
- Nossa?? Tua e de quem?
- Do Bruno, Mariana... - 1-0 para ela - do Bruno...
- Ah! Então soube que o meu afilhado estava doente e que tinha de ficar por cá e isso implica a presença da Mãe dele aqui também e como tal vim protegê-la da pessoa que mais a fez sofrer...
- Eu?
- Tu!
- Mariana eu nunca iria magoar a Maria!
- Claro que não até porque já não há nada para magoar a não ser que agora te desse para a violência!
- É que nem em brincadeira!
- Ja tive essa certeza mas agora já não sei. 
- O que te fez perder a certeza?
- Tu...
- Eu não mudei em nada! 
- Então a desilusão ainda é maior...
- Mariana eu errei e sei disso. Errei muito! Eu sei que quando a Maria informou que estava grávida não me mexi a não ser meses depois e que quando a Cármen veio dizer eu...
- O problema não foi assumires o filho dela... se era teu só tinhas que o assumir era isso que todos esperavam de ti, o teu erro foi teres dado a hipótese de ela poder dizer que o filho era teu! Foi teres traído a minha prima só porque sim... ou só porque ela não se sentia tão confortável para te dar o que tu querias e pior tê-lo feito no dia em que não apareceste para comemorar o seu aniversário... e ainda por cima na cama dela! - olhei-a, pela primeira vez desde que começou a falar tive força para levantar o olhar - sim eu sei que ela nunca assumiu esta casa como sua, mas não era preciso fazê-lo já que se era a tua era também a dela!
- Nada disso foi premeditado eu quando percebi o que se passava já tinha a Maria na porta do quarto...
- E eu sou o coelhinho da páscoa!
- A sério Mariana...
- A Sério?! João é que nem tentes vires com essa conversa do foi sem pensar para cima de mim! Não quando tenho bem presente o quanto a Maria sofreu e sofre, o quanto se sentiu e sente humilhada pelo homem que ama, sim João a minha prima apesar de negar ainda te ama, sei do que falo por experiência própria, porque tal como ela também amo quem mais me magoou, também me senti humilhada e espezinhada por um otário como tu, infelizmente somos fracas e não conseguimos destruir o amor que sentimos por vocês - fiquei sem reacção, talvez por não esperar que a Mariana fosse confessar algo que todos sabemos mas que é visível que a magoa imenso - mas isso não significa que conseguimos esquecer… com o tempo sei que a Maria te vai perdoar e aceitar o que lhe fizeste porque foi isso que aconteceu comigo mas nunca esquecerá… nunca voltará a confiar plenamente em ti e por isso nunca será capaz de se entregar novamente sem reservas porque a dúvida estará sempre presente, vocês foram dois fracos que não souberam dar-nos valor e nós duas parvas que acreditamos em vocês…
- Chega! - olhou-me - Mariana ontem tomei uma decisão e que o que vi quando entrei só reforçou... vou ser o melhor pai que o Bruno poderia ter e o melhor amigo que a Maria alguma vez poderia imaginar e para o bem deles vou guardar tudo o que sinto só para mim e aceitar o castigo pelo meu erro. Eu...
- Realmente só desiludes! Mas pensando bem até bate certo com as demonstrações de que és um fraco que tens dado ultimamente…
- Mas afinal o que queres? Ah espera já sei, queres que seja como o Ruben e que rasteje aos pés da Maria como o Ruben anda a fazer contigo? Pois mas não sou como ele… - interrompeu-me
- O que é que estás a insinuar?
- Que sempre fizeste gato-sapato dele…
- Sim fiz! É verdade e não nego, no passado dei-lhe cabo do juízo mas também tive o retorno em menos de 24 horas perdi os meus filhos e o único homem que amei e amo! Tive que cuidar do meu afilhado porque a sua mãe estava com início de depressão pós-parto porque o pai do filho dela não teve os tomates no sítio e lutou pela sua família, João é que nem te atrevas a vires com moralismos para cima de mim quando também falhaste e desculpa dizê-lo mas para mim os teus erros foram muito piores que os meus, porque pelo menos eu nunca traí e iludi o Ruben, ele sempre soube a mulher que tinha do seu lado, nunca escondi aquilo que sou, ao contrário de vocês os dois que nos abandonaram e traíram…
- Só falta dizeres que agora és santa…
- Santa nunca foi nem quero ser! Mas orgulho-me de ter crescido, hoje sou mulher e tu és o quê? Um puto… continuas a ser um adolescente mas em corpo de homem… Cresce e luta pela tua família… faz algo pelo bem do teu filho!
- E é isso que estou a fazer! Vou afastar-me porque é o melhor para a felicidade das duas pessoas que mais amo
- Que desilusão…
- Desculpa não ser masoquista como tu… - olhou-me com as lágrimas nos olhos
- O que chamas de masoquismo, eu chamo de amor, amor pelo Filipe que não saiu de mim mas isso não muda em nada o que sinto por ele e quanto ao que sinto pelo Ruben... bem acho que podes fazer uma pequena ideia de como o amo... sim eu amo-o e tenho certeza absoluta disso e não tenho medo de o assumir tenho medo sim de estar com ele, com eles porque sei, tal como tu, que vou errar e eles vão sofrer e foi por isso que vim... para me afastar porque estando lá não consigo ficar longe do meu filho - quando ela se referiu ao Filipe como filho abri os olhos de espanto - sim eu disse o que ouviste... tudo mesmo mas se tu disseres a alguém eu desminto!
- Tu disseste o quê? Não disseste nada e eu também não...
- Desabafos partilhados e guardados... e agora conta lá aqui a je
as novidades...
- Novidades? Nenhumas tu é que estás por Lisboa....
Acabamos por ficar a conversar sobre algumas fofocas e futilidades até que a Maria resolveu raptar a prima.

Maria
Depois da chegada da minha prima por momentos, aqueles em que o Guilherme dormia voltei aos 15/16 anos onde tudo o que interessava era o comando da PlayStation e a palhaçadas com os meus dois melhores amigos. A semana passou até rapidamente embora andasse a evitar dormir já que sempre que adormecia a minha mente voava para o João para o seu corpo e para o prazer que só ele me sabe dar.
Era de mais um pesadelo com o João que tinha acabado de acordar quando ao entrar na cozinha para beber um copo de água para acalmar que o encontro a fazer exactamente o mesmo mas só de boxers e congelei fiquei petrificada na porta a observar cada milímetro do seu corpo de costas para mim enquanto observava alheio a minha presença a vista da janela.
Ainda fiquei a observar durante alguns instantes mas num impulso aproximei-me e fiz a minha mão deslizar pelas suas costas enquanto a minha boca tomou de assalto o seu pescoço. Não eu não estava a sonhar eu estava acordada e bem acordada e se dúvidas houvessem a reacção do João acabaria com elas...

João 
Os dias tem passado rapidamente e o Guilherme já está visivelmente melhor, mas esta noite tem sido difícil não consigo adormecer de maneira nenhuma e por isso resolvi ir ate a cozinha beber um copo de leite e acabei por me distrair a olhar pela janela até que sou surpreendido pelo toque da Maria nas minhas costas e pelos seus labios no meu pescoço por segundos ainda pensei em deixar-me ficar a aproveitar o momento, mas isso iria contra tudo aquilo que decidido e que me tinha obrigado a cumprir e por isso mesmo rodei, ainda a pensar se seria a opção mais correcta, sobre o meu corpo e quando fiquei cara-a-cara com ela ainda vacilei, mas consegui controlar-me e
- O Bruno tá bem? - perguntei afastando-a
- Está... - ela parece que acordou e respondeu baixando os olhos em sinal de que por ela se evaporava com a vergonha se pudesse - Desculpa... eu não sei o que me deu...
- Tá tudo bem... vou-me deitar... amanhã levo-vos ao aeroporto...
- Eu vou só beber um copo de agua e também vou ver se descanso...
Assim que ela terminou de falar sai da cozinha e fechei-me no quarto onde me arrependi por não ter deixado continuar algo que apesar de saber que ela não merece, nos ia deixar aos dois pelo menos durante umas horas a levitar.
O dia amanheceu e a hora de os levar até ao aeroporto chegou.
- Bruninho porta-te muito bem! E cuida da mamã e da madrinha sim?
- Xim Guigas gande! Conta mamã, madinha, padinho e Pipipo
- Boa filhote! - dei-lhe um beijo na cabeça que ele já encostava ao ombro da mãe - Faz boa viagem, qualquer com ele avisa... desculpa aquilo da queda...
- Obrigada... sim eu aviso... e desculpa eu aquilo de ontem a noite.... eu...
- Maria tá tudo bem... tu precisas de algum conforto ficaste em stress toda a semana, mas hoje já tens o Rui... - dizer aquilo queimava-me a garganta mas era o certo
- É... bom é o nosso voo... Guilherme diz xau ao papá diz...
O menino fez o gesto com a mão ao que eu respondi enquanto os via afastarem-se.



Como correra o regresso a Lisboa das primas?
Como serão os reencontros com Ruben e Rui?