Não fui honesta
com o Ruben quando afirmei que o motivo que me levava até Madrid eram as
saudades do pessoal, não é que não as tenha, mas o que fez tomar essa decisão
era a necessidade de afastar-me dele, no entanto nem cheguei a aquecer o lugar
em Madrid e muito menos a ver o Cris, dado que assim que a minha prima implorou
que fosse até Valência não hesitei nem um pouco, já bem basta nestas últimas
semanas não a ter apoiado.
Nos primeiros
dias as saudades até foram toleráveis e as conversas noturnas via skype foram
suficientes para sossegar o meu coração de mãe, sim a verdade é que cada vez
tenho mais certeza que amo o Filipe como se fosse meu filho, mas agora que já
se passou praticamente uma semana é frequente dar comigo a pensar
constantemente neles e já nem as tentativas falhadas do João em amolecer o
coração da minha prima conseguiam distrair-me, tanto que decidi acompanha-la no
regresso a Lisboa e foi quando estava a fazer a mala na companhia dela que o
meu telemóvel começou a tocar.
- Bem chegou aquele momento em que bazo!!! - olhei-a - Sim…
que os meus preciosos pés não precisam de tocar na tua baba!! - atirei com
uma almofada às suas trombas - Vá… fica
aí a falar com o meu priminho que vou à sala! - deu-me um beijo na bochecha
e saiu o que permitiu que atendesse o telefonema
- Oi…
- Tudo bem?
- Sim e o Filipe como está?
- Bem… muito
melhor agora que sabe que só ele é que interessa! - gargalhei ao ouvi-lo
- Deixa de ser exagerado…
- Então e já
sabes quando regressas a Lisboa? - mudou de assunto
- Não! - menti porque
não quero que saiba...
- Tenho
saudades tuas... - o desabafo do
Ruben fez o meu coração bater mais depressa e talvez por receio de admitir que
também as tenho
- Olha vou ter de desligar, beijos!
Desliguei a
chamada e assim que o fiz percebi que a Maria ouviu pelo menos a última parte
da conversa
- Prima já te disse mas repito, pára de fugir ao
que sentes - olhei-a
completamente desagradada com o tema da conversa - não adianta fazeres essa cara! Desculpa mas como tua prima, amiga e
irmã tenho o dever de tentar abrir-te os olhos! Vocês amam-se, provavelmente
nem percebes mas quando falas com o Ruben só não derretes porque é humanamente
impossível… já para não dizer que o meu priminho - fuzilei-a com o olhar - já ganhou o estatuto de ter um toque só
para ele!
Não respondi e a
minha prima também não insistiu. No fim de fazer a minha mala saímos
finalmente...
***
O avião aterrou
na capital portuguesa à hora estimada e quando já caminhavamos na direção dos
táxis
- As meninas precisam de ajuda? - olhei por cima do ombro e encontrei-o a sorrir
- O que é que fazem aqui?
- Não é óbvio? - aproximou-se e deu-me dois beijinhos um de cada lado do meu rosto
- Maria!!!! - estava fula com a minha prima, não tinha o direito de ter avisado o
Ruben e só não se defendeu porque o Ruben antecipou-se
- Não culpes a Maria - olhei-o - parece
que temos muita gente a torcer por nós... - suspirei e o Ruben tomou a
liberdade de puxar a minha mala, isto depois de ter dado um “chega pra lá” e
obrigado a largar o carrinho do meu príncipe que estava acordado e a olhar-me -
eich não precisas recorrer à violência!
E agora venham que vos deixo em casa…
Ainda tentei
recusar mas a Maria não deixou. Do aeroporto ao apartamento da Maria foi uma
questão de minutos, algo que agradeci mentalmente, uma vez que a minha prima
“obrigou-me” a ir no banco do pendura e hoje não sei porquê o cheiro do seu
perfume juntamente com o seu sorriso estava a arruinar o meu autocontrolo.
- Onde pensas que vais? - o Ruben falou assim que abri a porta
- Hoje fico com a minha prima!
- Não, não ficas! - a determinação dele irritou-me
- Mas desde quando pensas que me dás ordens? Mas
afinal quem és…
Não consegui
terminar de falar porque o Ruben voltou a surpreender, desta vez beijou-me sem
que tivesse hipóteses de negar, mas a verdade seja dita mesmo que tivesse
duvido que negasse… Entreguei-me ao beijo, as saudades eram mais que muitas e
naquele momento esqueci tudo, tanto que quando paramos com a troca de saliva
reparamos que a Maria já tinha bazado sem se ter despedido de nós…
- Já estás mais convencida?
Olhei-o e
simplesmente sorri timidamente, o que fez com que gargalhasse. A viagem até ao
seu apartamento foi rápida e assim que chegamos fui directa ao quarto do meu
anjinho para o deitar.
Ruben
Estes dias longe
da Mariana foram complicados, senti a falta da amiga mas acima de tudo da
mulher, sim para mim a Mari é a minha mulher, é verdade que ainda não ouvi da
sua boca o que mais quero mas não é isso que muda aquilo que sinto, por isso
mesmo quando o João ligou-me a avisar que a Mari estava a regressar não pensei
duas vezes e fui até casa da minha mãe.
- Olá mãe - cumprimentei-a
- Olá Ruben!
- Está tudo bem consigo?
- Sim… diz o que queres que estou ocupada! - realmente desde que tinha chegado só retirou
os olhos dos papéis que tinha na sua frente para ver quem tinha entrado na sua
sala
- A mãe pode ficar com o Filipe hoje à noite?
- Se a tua mais recente conquista não gosta de
ser ama é melhor procurares outra porque tens um filho - olhei-a abismado - sim porque não julgues que ficarei com o meu neto sempre que te
quiseres divertir com um rabo de saias!
- Olhe sabe que mais? Fiquei aí com as suas
teorias sem nexo nenhum que cá me desenrasco!
- Filho - chamou quando
já ia a sair - não te esqueças dos
preservativos em casa!
- Mãe!!!
- Sim sou tua mãe e avó do teu filho mas dispenso
sê-lo outra vez nas mesmas circunstâncias!
Não respondi e
saí, tinha que preparar o nosso jantar e foi isso que fiz, isto depois de ter
dispensado os serviços da Olga mais cedo para que não visse o que estava a
planear…
Com tudo
encaminhado, chegou o momento de pegar no Filipe e rumei até ao aeroporto.
Chegamos mesmo a tempo, vi as primas Mendes a sairem da zona de desembarque e a
caminhar na direção dos táxis, aproximei-me e a vontade que tive foi de
beijá-la mas controlei-me, até porque vinha com a Maria e estávamos num local
demasiado exposto.
Mas se controlei
essa vontade naquele momento, o mesmo não posso dizer que tenha conseguido
quando a Mari tentou ficar com a prima, aí não deu mais para segurar e quando
reparamos já estávamos sozinhos.
Conduzi
calmamente até ao meu apartamento e assim que entramos pedi à Mari que fosse
deitar o Filipe uma vez que o menino tinha adormecido, algo que o meu amor fez
sem desconfiar do que tinha planeado para a nossa noite... já com tudo
preparado fui até ao quarto do Filipe onde a Mariana continuava a observá-lo
mas assim que me viu
- O que se passa? - definitivamente conhece-me muito bem
- Nada…
- Nada?! Estás estranho… - sorri
- E isso é bom ou mau?
- Não sei… diz-me tu!
- Toma... - estiquei o braço
- O que é isso?
- Algo que vai-te deixar muito mais tranquila! - olhou-me para depois abrir o envelope,
retirando outro mais pequeno
- Análises? - olhou-me novamente - Isto
não é o que penso que é?
- Vê!
A Mariana abriu e
ao comprovar que eram mesmo as análises que pensava baixou o olhar.
- Espero que agora acredites em mim quando digo
que não tenho doença nenhuma mas se continuares com dúvidas posso esclarecer
que a última vez que fiz sexo com a Sofia muito provavelmente foi na noite que
fiz o Filipe por isso os ditos seis meses de incubação dos vírus já passaram e
agora anda… - coloquei as
minhas mãos à frente dos seus olhos de forma a não ver de imediato o que tinha
preparado, o que fez a Mari refilar mas nem liguei e assim que chegamos à sala
retirei as minhas mãos, os olhos da Mari fixaram de imediato a mesa da sala que
estava decorada a rigor para um jantar romântico
- És tão louquinho - falou já com os seus braços em volta do meu
pescoço e com os seus lábios a roçarem os meus, algo que confesso que
surpreendeu-me, afinal tinha receio que não fosse reagir tão bem...
- Ainda não viste nada…
- Sério?! - o .seu sorriso levou-me a levitar completamente
- Hum… hum… - murmurei por entre beijos - toma…
Dei-lhe um
pequeno embrulho e assim que rasgou o papel e viu o conteúdo um sorriso enorme
surgiu no seu rosto, afinal tinha-lhe dado uma moldura com uma foto nossa e com
uma frase inscrita
- Gostas?
- É lindo! - sorriu - Mas agora o que
dizes de jantarmos?
- Eich… onde anda o romantismo? - impliquei
- Esse se chegar é só depois de me encheres o
estômago que estou esganada de fome!!! - e pronto em
segundos deixou o seu lado lamechas e revelou outro... o de rabugenta, ainda
assim ignorei essa mudança de humor
- Não seja por isso!!!
Encaminhei-a até
à mesa e puxei-lhe a cadeira, depois de devidamente acomodada ausentei-me por
uns minutos para buscar o nosso jantar
- Hum… - a Mariana
saboreava a pequena quantidade que levou à boca – está delicioso - o meu amor inclinou-se ligeiramente e bastou esse
gesto para saber o que queria, facilitei e uni de novo os nossos lábios - anda para aqui… - fiz-lhe a vontade e
sentei-me mais perto de si, o que permitiu uma troca intensa de mimos que foi
quebrada quando o Filipe resolveu chorar - vou
lá!
Nem questionei
por saber que não adiantaria e como já tínhamos terminado de jantar aproveitei
esse tempo para ir preparar a sobremesa.
- Shiii Filipe olha o papá esmerou-se!!! - sorriu
- É… e o filho resolveu estragar os planos!
- Deixa de ser assim! O menino não estragou nada - aproximou-se unindo os nossos lábios para se
sentar ao meu colo - sabes o que isto
faz lembrar? - olhei-a e sorri afinal já estava a deliciar-se com a
sobremesa
- A nossa noite em Faro… a primeira vez que nos
amamos sem ser pelo sexo em si… a primeira vez que desejei nunca mais
perder-te…
- É… - suspirou - mas depois dessa noite tanta coisa se
passou…
Não respondi,
preferi antes ignorar o que falou beijando-a, para de imediato começarmos a
saborear a sobremesa
que terminou
connosco sujos e peganhentos, tanto que aproveitei que a Mariana foi adormecer
o menino para tomar um duche
Mariana
Por muito que
tente não consigo afastar-me do Ruben, cada vez tenho mais a certeza que é um
esforço inglório, nós amamo-nos e pode passar anos que nada vai mudar, foi com
este pensamento que depois de adormecer o Filipe fui procurar o Ruben, entrei
no seu quarto e ouvi a água a correr, não pensei duas vezes e fui ter com ele
- Mariana… - encolheu-se assim que o toquei - o que é que estás a fazer… - falou quando já o brindava com algumas
carícias alternando entre o lento e o mais rápido
- O que achas… - sussurrei-lhe ao ouvido para de imediato unir as nossas bocas
e os minutos
seguintes foram mais do mesmo, beijos atrás de beijos e as nossas mãos a
passearem pelo corpo um do outro, mas foi quando voltei a tocá-lo onde sei que
lhe dou mais prazer que o Ruben deixou de lado todo o cuidado que estava a ter
comigo e encostou-me a uma das extremidades da box, beijando-me de uma forma
mais intensa
enquanto as suas
mãos se dedicaram a tocar e a apertar as minhas nádegas, tal como só o Ruben
sabe e sem que conseguisse controlar cravei as minhas unhas nas suas costas, o
que o fez por momentos separar as nossas bocas e olhar-me
- Não pares... - ordenei quase a desesperar, a verdade é que naquele momento queria
tudo o que estava a acontecer, queria-o mais do que tudo, queria-o de forma
física, queria simplesmente o prazer carnal sem grandes demonstrações do
sentimento que nos une, algo que percebeu nitidamente ou não fosse ter sorrido,
o que ainda me descontrolou mais, o Ruben continuou a beijar-me mas agora pelo
meu corpo, à medida que a sua boca se apoderava de partes tão sensíveis, como o
meu pescoço onde sabe que tenho imensas cócegas ou do meu peito ou ainda da
minha barriga, ia-me contorcendo e sentido uma sensação de prazer a invadir-me,
tanto que foi impossível não gemer, o que fez o Ruben sorrir de forma traçada,
estava a adorar ver-me desesperada...
Ruben
Estava a
aproveitar o momento do duche quando ouvi a porta da box a abrir para de
imediato o meu amor demonstrar ao que vinha, não tive como impedir, até porque
também a quero por inteiro, os momentos que se seguiram foram únicos e voltamos
a relembrar o passado em que as nossas entregas eram sexo por sexo, aproveitei
para reexplorar o seu corpo, levando-a ao desespero, algo que só me deixou
ainda com mais vontade de terminar com a espera e unir os nossos corpos
rapidamente, mas não o fiz, aproveitei ao máximo o momento e continuei a
brindá-la com carícias, que a Mari foi retribuindo sempre que deixava,
estivemos bastante tempo em joguinhos para finalmente unir os nossos corpos e
ali mesmo atingimos o orgasmo.
***
Acordei e ao
abrir os olhos foi impossível não sorrir, tinha o meu amor do meu lado a dormir
serenamente. Levantei-me e passei pelo quarto do Filipe, também ele dormia,
fiquei a observá-lo até ao momento que senti os braços da Mariana a envolver o
meu corpo.
- Bom dia - deu-me um beijo nas minhas costas despidas - está cada dia mais parecido contigo - a Mariana sorria a olhá-lo
- É dizem que sim...
Ainda ficamos uns
minutos a olhá-lo mas acabamos por sair do quarto para comermos uma vez que
estávamos os dois com fome.
A manhã foi
passada na cama, dado que a Mari estava com os níveis de preguiça elevados ao
máximo, mas isso não foi impedimento para colocar o Filipe na nossa cama, o meu
amor passou a manhã toda a brincar com o nosso menino, algo que aproveitei para
tirar diversas fotos.
***
- Ruben vou embora!
- Já?!
- Tenho de passar por casa dos meus pais, prometi
que almoçava com eles...
- Ok... mas depois voltas?
- Não! Tenho de organizar umas cenas lá em
casa...
- Amanhã vais ao jogo?
- Prefiro ficar com o Filipe do que ir enfiar-me
no estádio Nacional...
- Assim não nos vês a festejar!
- Presunção e água benta... oh meu menino
primeiro têm de ganhar e só depois é que podem festejar!
Atirou ao sair da
sala, acabei por correr atrás dela, apanhando-a já na porta e antes que
conseguisse abri-la, puxei-a para mim, beijando-a.
Mariana
Não tinha de todo
planeado regressar para os braços do Ruben mas depois da noite de ontem,
percebi que não adianta fugir mais, ainda assim não lhe vou facilitar a vida,
porque se o assumo já, sei que o Ruben vai querer assumir o namoro e ainda não
estou confortável para enfrentar a ira da Sofia, até porque antes disso tenho
que contar a verdade ao Ruben...
Saí do seu
apartamento direta à casa dos meus pais, almocei com os cotas e passei a tarde
a receber mimos. No final da noite regressei para junto do Ruben e do Filipe,
sim sei que lhe disse o contrário, mas a verdade é que não resisti e fui até
lá.
Acabei por dormir
com o Ruben e na manhã seguinte quando a Anabela apareceu para levar o Filipe
escondi-me para que não me visse.
- Posso saber o porquê que te fechaste no quarto? - olhei-o
- O que é que a tua mãe pensaria se me visse aqui
a esta hora?
- Olha pensaria que afinal a mulher que anda a
desencaminhar o seu filho é aquela que sempre quis e quer para Nora! - o Ruben atirou sem o mínimo cuidado
- Vou embora!
- Continua... continua a fugir ao que sentes!
Não respondi e
sai, batendo a porta do seu apartamento e só parei quando aterrei no sofá do
meu apartamento.
Passei a manhã
nas tarefas domésticas, só saí para almoçar e foi quando almoçava que vi o
Mauro e a Paula, que acabaram por se sentarem na minha mesa e assim tive
companhia. Falamos de tudo um pouco mas nunca do Ruben, até ao momento das
despedidas, uma vez que o Mauro convidou-me para ir até lá a casa ver o jogo
com eles.
Aceitei com a
desculpa de estar com o Filipe e com o aproximar da hora do jogo fui até à casa
do Mauro.
Estava na
conversa com a Paula quando a Anabela entrou com o neto, não resisti em tirá-lo
do colo da avó e em mimá-lo bastante.
Vi o jogo todo
com o meu anjinho ao colo e no final festejamos a vitória, apesar da época
irregular do Benfica conseguiram conquistar a Taça de Portugal.
Ruben
Apesar da Mariana
se ter escondido da minha mãe não fiquei chateado mas sim triste, mas acabei
por esquecer tal situação e concentrar-me no jogo, que para nossa alegria
ganhamos, conquistando a Taça de Portugal.
Estava a festejar
a vitória no campo com os meus colegas quando fui abordado por um jornalista à
procura de uma reação minha ao jogo, respondi o que me ia no coração, que
estava feliz pela conquista num ano que foi complicado para a equipa e
inevitavelmente o assunto fugiu para a mina vida privada, quando o jornalista
mencionou que não foi só para a equipa que o ano tinha sido complicado.
- É verdade, tive um ano complicado mas já passou
e agora tenho o maior tesouro que um pai pode ter, tenho o meu filho comigo e
só isso interessa!
- Esta vitória é dedicada a ele?
- Lógico que sim! Dedico-a ao meu filho, à minha
família e a todas as pessoas que sempre estiveram do meu lado.
- E à Mariana Mendes... - olhei-o
- Não vai querer que mencione o nome de todas as
pessoas que sempre tiveram do meu lado ou quer? É porque se assim for vou levar
uns minutos porque felizmente tenho muitos amigos e sim a Mariana Mendes é sem
dúvida um desses amigos!
Com a minha
resposta o jornalista já não insistiu mais, até porque fui chamado para receber
a medalha do jogo. Quando chegamos ao balneário o pessoal quis tirar uma foto
de equipa e foi quando agarrei no telemóvel para também registar o momento que
vi que entre as muitas mensagens que já tinha a felicitar-me pela conquista mas
principalmente pelo golo da vitória que vi o nome da Mari, abri de imediato e
foi impossível não sorrir
Parabéns papá!!!! Vem depressa pra casa do tio
que eu e a mamã estamos cá...
- Oh palhaço larga lá o telemóvel e vem para
aqui!
Estava tão feliz
pela mensagem que recebi que nem respondi ao André Almeida e fui para junto
deles, tiramos as fotos e partilhamo-las pelas redes sociais.
Rumamos todos até
à Luz onde os meus colegas tinham as namoradas, esposas e filhos à espera.
- Bem pessoal até amanhã!
- Não vens jantar connosco?
- Népia... Garay convosco já festejei agora é
hora de festejar com a família...
- Tá certo...
Saí do estádio da
Luz directo a casa do meu irmão, queria mais do que tudo vê-la para perceber o
que quis dizer com tal mensagem...
Entrei na sala e
encontrei-a a um canto a falar com a minha mãe, acabei por aproximar-me e ouvi
algo inesperado
Mariana
Estava sentada a
observar o Gabriel que brincava na sala quando a Anabela se aproximou pedindo
para falar comigo a sós
- Diga!
- Mariana o que tenho para dizer não é fácil e
sei que o meu filho já é crescido e independente mas… - hesitou
- Mas?!
- Mas gosto de ti e não te quero ver sofrer mais
pelo meu filho - olhei-a sem
entender o que tentava dizer
- Vá direta ao assunto!
- O Ruben anda estranho, nomeadamente a pedir-me
demasiadas vezes para ficar com o menino à noite - suspirou pesadamente - o que estou a tentar dizer é que tenho a certeza que ele tem alguém
- olhei-a sem saber o que responder mas felizmente não o tive de fazer uma vez
que o Ruben chegou e não perdeu tempo em aproximar-se, colocando o seu braço
por cima dos meus ombros
- Hey! Não sou encosto! - reclamei de sorriso no rosto por ver os seus
olhos a brilhar, não precisei que falasse para saber que tal brilho em parte
era pela mensagem que lhe enviei
- Irra que feitio… olha que assim não arranjarás
gajo nenhum que te consiga aturar…
- Isso a mim não me preocupa… - olhei-o - até
porque esse tal de gajo já existe… - o Ruben sorriu, já a Anabela olhou-nos
intrigada e talvez por isso o filho tenha desviado as suspeitas dela
- Ui… quem é ele? Não me digas que é madrileno? - gargalhei ao ouvi-lo
- Não queiras ser mais papista que o papa! - a Anabela olhou-nos e arrisco dizer que vi uma
pontinha de tristeza no seu olhar, algo que fez-me vacilar afinal sei o quanto
sempre me quis para nora.
A mãe do Ruben
acabou por se afastar dando assim a oportunidade que o filho esperava para
- Mariana - olhei-o e bastou para perceber que o Ruben se preparava para voltar
à carga - quero assumir o que se passa! -
suspirou - Quero poder chamar-te de
minha namorada, mas para isso preciso que concordes em revelar a verdade! Quero
mais, quero poder beijar-te quando chego perto de ti, quero simplesmente poder
abraçar-te sem ter que me preocupar em disfarçar, quero amar-te livremente!
- Não me sinto confortável para assumir nada...
- Porquê? - olhei-o - O que é que se
passa? Diz-me a verdade - suspirei
- Ruben, és amigo, namorado, amante, ex-marido,
aquele que sempre me teve por inteiro, o primeiro e único homem que amei e
amarei, o pai do meu filho, espero também que um dia deixes de ser ex-marido e
passes a ser marido mas tenho medo de tudo o que virá assim que assumirmos...
- Do que é que falas? - baixei o olhar - Amor o que é que te preocupa verdadeiramente?
- A Sofia... - admiti o meu maior medo
- A Sofia?!
- Sim... Ruben tenho pavor que assim que
tornarmos publica a nossa reconciliação que isso provoque o seu aparecimento...
nós até podemos só contar à nossa família e amigos próximos mas sejamos
realistas quando o fizermos rapidamente se tornará público porque deixaremos de
namorar às escondidas e mais cedo ou mais tarde haverá alguém que nos
apanhará...
A Mariana aos
poucos vai cedendo e até revelando o verdadeiro motivo pelo qual foge do Ruben
mas será que vão conseguir manter a Sofia longe?








