quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

#117 - " - não estou a dar o meu melhor pela felicidade das duas pessoas que mais amo"

João 
Sugerir que a Maria e o Rui ficassem lá em casa foi engolir um sapo maior que eu principalmente porque enquanto o fazia via o MEU filho acalmar nos braços dele e apenas ele fez com que a Maria cedesse a ficar em vez de sair com o Bruno cheio de febre.
Os minutos seguintes foram de nervos enquanto a Maria tentava contactar o pediatra do Bruno que não atendia.
- E se fossemos ao hospital?
- Rui se for como em portugal só depois de 72h de febre é que fazem alguma coisa...
- Posso ligar para a Dra Eva
- E ainda não ligaste porquê?
Acabei por ligar a Dra e explicar-lhe o que se passava e passados poucos minutos ela estava a entrar em minha casa
- Boa Noite João,
- Boa Noite Dra Obrigado por ter vindo!
- Não tens nada que agradecer, eu não sou pediatra mas posso tentar ver o que o pequenino tem, onde é que ele está?
- Aqui no quarto.
Indiquei-lhe o caminho. Quando lá entramos a Maria estava com o Bruno ao colo e pela sua cara não estava nada satisfeita e não me pareceu que o problema fosse o estado do Bruno

Maria
O João acabou por chamar a medica do clube para ver o Guilherme já que o pediatra não atendia e levá-lo ao hospital com menos de 72h de febre é desnecessário uma vez que não o observam.
Até a campainha tocar permanecemos todos no quarto e o Guilherme acabou por pedir o meu colo algo que agradeci mentalmente, primeiro porque o meu inconsciente descansava com ele ao meu colo, ficava com a sensação de que o podia proteger e segundo porque percebi o desconforto do João em ver o filho ao colo de outro homem.
Quando finalmente a campainha se fez ouvir o João saiu para abrir a porta
- Achas mesmo que a medica do Valência vai saber o que fazer?
- É tão médica como o Dr Ricardo!
- Oh Maria mas é medica desportiva e o Ricardo - o pediatra do Guilherme descobri que é amigo pessoal do Rui - é pediatra
- Rui medico é medico! A formação base é a mesma! Alem disso o teu amigo Ricardo não está disponível!
- eu não acho que seja uma boa opção! Vou ligar para o número pessoal do Ricardo!
- Fazes o que quiseres não te vou impedir de ligar a um amigo, mas o Guilherme vai ser consultado pela medica que se deslocou cá sem hesitar. Quanto a ser uma boa ou má opção.... sabes que agradeço toda a ajuda que me tens dado com o Guilherme, mas ele tem Mãe e Pai que podem não ser os pais modelo, mas que neste momento estão os dois presentes e de acordo por tanto se não te importas guarda a tua opinião ou volta para Lisboa, mas deixa-me a cabeça em paz!
Assim que acabo de falar ouço a porta abrir e o João entra acompanhado da Dra
- Maria esta é... - o João ia apresentar-nos
- Nós já nos conhecemos... como está Maria?
- Assustada... - confessei - e a Dra? Obrigada por ter vindo!
- ora essa... - ela falou e olhou para o Rui como quem pergunta quem é ou o que faz ali
- Boa noite, Rui Jorge, sou... 
O Rui estendeu a mão na sua direcção e no momento que percebi que iria dizer que era meu namorado, inconsistentemente o interrompi
- É meu amigo e acompanhou-me este fim de semana
- Ah claro - a Dra percebeu o clima pesado e focou-se no pequenino - Então e o que é que o pequeno tem?
- Febre, que não baixa e está muito rabugento...
- Há quanto tempo esta assim?
- João?

João
 A Maria deixou para mim o tempo dos sintomas
- Que me tenha apercebido de algo realmente anormal, há cerca de 2 horas
- Como foi o dia dele? - a Dra ia perguntando enquanto o ia auscultando
- Nós saímos de Lisboa de manhã - a Maria começou - ele vinha sonolento mas não dei importância porque saímos cedo. No avião ele veio meio a dormir, mas era cedo... Quando chegamos ele despertou como sempre e como o João estava no aeroporto ficou logo animado depois não sei...
- Ele adormeceu logo no carro a caminho aqui de casa - tomei a palavra - por isso quando chegamos veio ao colo e só o acordei ligeiramente para lhe vestir o pijama e deixei-o dormir afinal ele vem sempre cansadinho da viagem, dormiu perto de uma hora foi quando o Rui cá veio e aí... - era hora de falar da queda e temi a reacção da Maria
- E aí?
- Bem enquanto falava com o Rui ouvimos um grande estrondo corri e encontrei o Bruno no chão a chorar
- O QUÊ??? - a Maria estava possessa - Como é que encontram o menino no chão a chorar e eu não sei de nada?!
- Ele estava bem foi só susto - o Rui justificou-nos - não foi nada de especial...
- Ai não? Como sabes? És medico tu? E tu? - voltou-se para mim - devem ser!
- Maria o menino ficou bem! 
- Já te disse para não opinares! E tu quanto mais o fazes mais te em terras! Cala-te!! - a Maria esta possessa com o Rui e senti um certo gozo apesar de saber que quando chegasse a minha vez a coisa ia ser feia
- Podes crer que me calo! - o Rui pegou a carteira e o telemóvel e saiu, mas antes de bater a porta teve de dar o ar da sua graça - sabes onde me podes encontrar quando te passar o stress e perceberes que estas a ser injusta
- Desaparece! E agora tu! Achas normal o menino cair e não fazeres nada? Sabes se ele bateu com a cabeça? Se tem algum traumatismo interno?
- Oh Maria vi logo que não...
- Ai sim? Como? Não me digas que tens aparelhos de RX na ponta os dedos!
- Desculpem interromper - salvo na hora h - Maria quanto a queda pode ficar descansada o menino não tem qualquer sinal e neurologicamente responde na normalidade... mas estas manchinhas já as tinham visto? - olhamos e o Bruno tinha algumas manchas avermelhadas na sua barriga, uma espécie de bolhinhas

- Esta manhã não tinha!
- Quando o troquei também não reparei em nada
A Dra continuou a examina-lo e depois fez um telefonema
- Tenho uma suspeita mas gostava que ele fosse visto por um colega de pediatria. Tenho um amigo que nos pode receber agora...
- Vamos! 
A Maria não hesitou e eu segui-a fomos até uma clínica no centro de Valência onde nos esperava um pediatra que depois de observar o Bruno dos pés a cabeça
- Como sempre não falhas - disse para a Dra Eva - Papas o que o vosso filho tem não é nada de grave é só chato para ele e para vocês... ele está com varicela...
Olhei para Maria e respiramos os dois fundo o que fez os restantes presentes sorrir. Acabaram por nos explicar o que tínhamos de fazer e saímos directos a farmácia. Com os remédios comprados seguimos até minha casa.

Maria
Varicela, uma semana em casa e nada de viajar, boa vou ter de ficar em Valência, pior ainda em casa do João!
- Vais deita-lo? - perguntou-me assim que chegamos a casa
- Sim... com o medicamento vai conseguir dormir... e tu vai dormir também tens treino amanhã
 Deitei o menino e voltei para a sala, tinha de avisar o meu tio e falar com o Rui agora que o stress passava percebi o quanto fui injusta.
- Não vais descansar? - dei um salto no sofá quando o ouvi, afinal estava perdida nas nossas memórias boas e más - desculpa não te queria assustar
- estava só distraída... a pensar como me vou organizar... importaste que fique aqui esta semana? Durmo no quarto do Guilherme e nem vais dar por mim...
- Já sabes a minha opinião sobre a tua presença aqui... não tens roupa pois não?
- Deixei a mala no hotel, vou ligar ao rui e peco para me trazer amanhã...
- E hoje dormes assim?
- Como Querias que dormisse? 
Ele não respondeu saiu da sala e quando voltou
- Toma... - atirou-me uma tshirt e uns calções dele que sabe são o meu pijama predilecto
- Obrigada... bem vou trocar-me e ligar para o boss...
Ele não disse nada sorriu e eu sai.
Entrei no quarto do menino que já dormia e troquei-me e fui invadida pelo cheiro dele e mais memórias boas me invadiram também até que o motivo de tudo ter terminado chegou acompanhado por lágrimas, as que o acompanham sempre.
Respirei fundo peguei no telefone e liguei para o meu tio
- Maria o que se passa para ligares a esta hora?
- Tio - solucei do choro - quero dizer Jorge...
- Maria estás a chorar o que se passa?
- Nada é só adrenalina a sair... o Guilherme esta doente
- Doente?
- Sim tem varicela... e agora vou ter que ficar com ele aqui em Valencia uma semana porque ele não pode viajar...
- E vais ficar onde?
- Em casa do João...
- Ah que sacrifício... - ouvi-o rir
- Tio o Guilherme está doente e só por isso é que fico, quero ficar perto dele e se ele tem um quarto e todo o conforto aqui não seria justo obrigá-lo a ficar num hotel...
- Calma Maria! Fazes bem, mas relaxa porque com toda essa "adrenalina" das duas três… ou o teu filho fica orfão, ou ganha um irmão ou as duas!
- Piada!
- O tio estava só a ver se te acalmavas… olha a tua prima foi hoje para Madrid!
- A sério?
- Sim… vá liga-lhe lá! e tá descansada qualquer coisa já sabes que te ligo ou envio e-mail e vai dando noticias do menino!
- Obrigada Tio…
Assim que desliguei e antes de iniciar a chamada para a minha prima fui até a cozinha, tinha de comer qualquer coisa porque desde o pequeno almoço que não comia. Quando entro na cozinha ele estava lá
- Sabia que vinhas…
- Sabias?
- Sim, na pilha de nervos em que ficaste sabia que quando começasses a relaxar ias querer comer, por isso… - afastou-se da mesa deixando-me ver tudo o que tinha em cima dela - podes atacar…
- Obrigada, não era preciso…
- Não fiz nada de especial… só meti os crepes no microondas e o chocolate também derreti no mesmo sitio - falou a rir - e agora vou-me deitar que amanhã tenho treino e tu queres que eu te desapareça da frente - falou calmamente - sabes o lugar de tudo aqui em casa e é tudo teu… - fuzilei-o - boa noite!
Finalmente saiu deixando-me sozinha na cozinha, voltei a pegar no telemóvel
- Tou…
- Rui, desculpa…
- Desculpa eu, devia ter contado logo da queda do menino e devia ter ficado calado, afinal tu tens razão os pais são vocês e estavam a fazer o melhor para ele… como é que ele está?
- Fomos a um pediatra… tem varicela…
- Varicela?
- Sim 
- E agora?
- Agora já está medicado, mas tem de ficar cá uma semana sem sair de casa…
- E tu vais ficar também?
- O que achas?
- Que fazes bem… ficam em casa do João claro?
- É…
- Queres que te leve as tuas coisas amanhã antes de ir para o aeroporto?
- Se não te importasses…
- Sabes que não e assim sempre me despeço de ti e do campeão
- Obrigada
- Sabes que não sou… vai dormir Amo-te
- Boa noite
Desliguei e iniciei nova chamada
- Mas tu não me largas?
- Onde é que estás?
- Acabei de chegar a Madrid porquê?
- Vem até Valência por favor!
- O quê? Tás parva só pode! Vou agora a Valência fazer o quê?
- Ajudar-me!
- Ajudar-te?!
- Sim… o teu afilhado resolveu “mostrar” que está com varicela quando chegou a casa do pai e agora vamos ter de cá ficar durante uma semana…
- Tu estás em casa do João?!
- Pois… e eu não sei se a minha sanidade mental vai resistir!
- Oh Maria… eu vim para me afastar do Ruben e manter a minha e agora queres que vá para ai?
- Então tanto estás longe dele aqui como em Madrid!!
- Ai… o que é que tu não me pedes que eu não faço! Agora diz-me onde vou arranjar um lugar para ficar?!
- Fácil! Isso já tens ficas cá em casa!
- E pronto já estás maluca! Maria a casa já não é tua!
- Pois não… eu sei e tu também, mas há quem insista em que eu estou “em minha” casa e por isso podes ficar cá o quarto de hospedes serve para alguma coisa…
- Então e tu? Ah espera não digas nada… estás na suite principal a dormir com os pezinhos quentes… - falou a gozar-me
- Eu fico no quarto do teu afilhado a tomar conta dele como é óbvio!
- Oh… menina! Eu aproveitava para matar saudades…
- É isso que tens feito com o pai do teu afilhado mais novo?
- Mau já falaste melhor!
- E tu também e agora despacha-te e vem!
Consegui convence-la alias eu sabia que podia contar com ela
- Quem é que vem ai?
- Ah… a Mariana… ela ia passar esta semana de férias em Madrid, por isso pedi-lhe que alterasse a rota… e que ficasse aqui comigo… espero que não te importes…
- A casa é tua…
- João…. 
- E ela deixou o Ruben e o Filipe? Tanto quanto sei isso é algo raro…
- Sim deixou e se queres que te diga fez muito bem! Esta aproximação dela ao Ruben ainda acaba mal…
- Mal? Desde quando eles ficarem juntos é acabar mal? 
- Desde que é óbvio que não há finais felizes e eles já coleccionam vários finais infelizes!
- Não concordo… acho que podemos sempre tentar reescrever o final… ou transformar apenas numa virgula… - começou a aproximar-se de mais
- Pois… opiniões já dizia o personagem do Herman José, são como vagina quem quiser dar, dá-la... e diz o ditado popular que se fossem boas não se davam vendiam-se… bom vou ver o menino…
Levantei-me e juntei-me ao nosso filho no seu quarto, deitei-me de forma a ficar bem junto a sua caminha e como ele dormia calmamente também eu fechei os olhos. exactamente no momento em que o João entrou, ainda o senti mimar o filho e ficar a observar-nos. A sensação de segurança que me deu, tê-lo a observar-nos e a proteger-nos fez com que adormecesse em pouco tempo acordando apenas quando o meu telemóvel deu sinal.
- Tou?
- Não acredito que estás a dormir!
- E não estou! Se tivesse não estava a falar contigo
- Engraçada e que tal deixares as piada e vires abrir a porta ao teu namorado e aqui ha cr7 das primas?! 
- Vou abrir a porta a mim própria porquê?
- Ah ah ah não venha abrir e vaia ver se não almoço em Madrid hoje
- Cala-te e sobe! - enquanto falava tinha ido até a porta e aberto. Nesse momento vi as horas
- Bem tava difícil abrires!
- O menino ta a dormir... e eu estava a aproveitar as férias forçadas... - falei enquanto entrava na cozinha e vai a mesa impecavelmente posta para o  pequeno almoço, sentei-me - são servidos?
- se estavas a dormir como é que preparaste isto?
- Oh Rui tá mais que visto que o meu compadre antes de sair para o treino deixou tudo pronto! Aliás deve ser isso que diz aqui neste bilhete! - a Mariana pegou num papel dobrado em quatro que me tinha passado despercebido em cima da mesa... - oh tão fofo para a Mia.... olha desde quando é que és Mia?
- Dá cá! - puxei o bilhete das mãos dela confesso que com medo do que lá pudesse estar escrito, sim que começar a chamar-me Mia era golpe baixo

Bom dia!
Que bela dupla de dorminhocos! Ok é a inveja a escrever, também queria mais umas horinhas de ronha, mas como não pode ser vou andando.
Mas deixo um miminho para os dois. Sim que o Bruninho ainda não come isto tudo, mas o humor da mamã sempre fica mais suportável! :p
Só treino de manhã, por isso ao almoço já cá estou com vocês.
 Beijinhos
João

- Então?
- Então o quê? 
- O parvo do teu ex-marido quer um momento saudade é?
- Deves pensar que os pais dos teus afilhados são todos iguais!
- Que não são tenho eu a certeza porque...
- As meninas desculpem interromper tão animada conversa, mas o avião não espera por mim.. Maria tão aqui as tuas coisas. Acho que não ficou nada no hotel.
- Obrigada! - levantei-me e encostei os meus lábios aos dele no mesmo momento que a porta de casa abre
- Ai que já podem ter avisado que a casa já estava em alerta vermelho.. - o João entrou logo a picar a Mariana que confesso não sei se respondeu já que eu optei por focar-me no Rui
- Não tens uns minutinhos?
- Para quê?
- Oh vieste fazer uma surpresa e mal estivemos juntos... queria mimo
- Eu sei Maria, mas até é bom isto acontecer assim.. 
- Isto o quê? Assim como?
- Toda esta situação... aproveita estes dias e pensa bem se o que queres é a família que vai ter aqui ou aquela que temos lá...
- Eu sei o que quero... e o qu quero está lá...
- Pensa! E agora anda lá comigo despedir-me do pintinhas! - enquanto falou abraçou-me por trás e foi assim que entramos no quarto onde o Guilherme já se pendurava na cama pra sair - AiAi que tu cais!
- UI!! Coça!!
- Não coça nada! O campeão tem de ser forte e não coçar sim?
- xim... - falou pouco convencido
- O Rui veio dar-te um beijinho filho porque ele vai voltar para a casa dele 
- E gente?
- Como tás doidoi voces ficam e quando tiveres bom voltam, por isso fica bom depressa e não vocês! Sim?
- Xim Guigas pomete!
Ainda os vi trocarem algumas brincadeiras e acabamos por voltar até ao hall de casa onde nos despedimos mais uma vez do Rui.
- Papá!! - o Guilherme gosta muito do Rui, mas o pai esse é sem duvida o seu grande amor
- Dorminhoco!
O menino passou de imediato para o colo do pai enquanto eu aproveitei para levar a Mariana até ao seu quarto e aproveitei também para me despedir do pijama.

João
Não era decididamente momento para pensar em "nós" por isso optei por tratar a Maria apenas como amiga, como trataria Mariana ou a Ana, com a diferença que conheço os vícios e manias da Maria bem de mais.
Optei por deixa-la a vontade embora tenha feito questão de lhe dar pequenos mimos que sei que ia gostar e a iam deixar mais tranquila, estive sempre por perto, dei-lhe um "pijama" e nem comentei a vinda da Mariana afinal sabia que era uma segurança para a Maria e ate para mim pois assim sabia que caso fosse necessária alguma coisa enquanto estivesse no treino a Maria não estaria sozinha.
Mas quando se deitou não resisti a matar as saudades de a ver dormir.
Na manhã seguinte voltei a vê-los e antes de sair deixei tudo preparado para a Maria não ter desculpa para o seu irritante hábito de não comer.
Quando voltei ao entrar em casa dei logo de caras com a Maria nos braços do outro, respirei fundo e ignorei seguindo directamente para junto da Mariana.
- Então a que se deve a honra da sua presença na nossa humilde residência?
- Nossa?? Tua e de quem?
- Do Bruno, Mariana... - 1-0 para ela - do Bruno...
- Ah! Então soube que o meu afilhado estava doente e que tinha de ficar por cá e isso implica a presença da Mãe dele aqui também e como tal vim protegê-la da pessoa que mais a fez sofrer...
- Eu?
- Tu!
- Mariana eu nunca iria magoar a Maria!
- Claro que não até porque já não há nada para magoar a não ser que agora te desse para a violência!
- É que nem em brincadeira!
- Ja tive essa certeza mas agora já não sei. 
- O que te fez perder a certeza?
- Tu...
- Eu não mudei em nada! 
- Então a desilusão ainda é maior...
- Mariana eu errei e sei disso. Errei muito! Eu sei que quando a Maria informou que estava grávida não me mexi a não ser meses depois e que quando a Cármen veio dizer eu...
- O problema não foi assumires o filho dela... se era teu só tinhas que o assumir era isso que todos esperavam de ti, o teu erro foi teres dado a hipótese de ela poder dizer que o filho era teu! Foi teres traído a minha prima só porque sim... ou só porque ela não se sentia tão confortável para te dar o que tu querias e pior tê-lo feito no dia em que não apareceste para comemorar o seu aniversário... e ainda por cima na cama dela! - olhei-a, pela primeira vez desde que começou a falar tive força para levantar o olhar - sim eu sei que ela nunca assumiu esta casa como sua, mas não era preciso fazê-lo já que se era a tua era também a dela!
- Nada disso foi premeditado eu quando percebi o que se passava já tinha a Maria na porta do quarto...
- E eu sou o coelhinho da páscoa!
- A sério Mariana...
- A Sério?! João é que nem tentes vires com essa conversa do foi sem pensar para cima de mim! Não quando tenho bem presente o quanto a Maria sofreu e sofre, o quanto se sentiu e sente humilhada pelo homem que ama, sim João a minha prima apesar de negar ainda te ama, sei do que falo por experiência própria, porque tal como ela também amo quem mais me magoou, também me senti humilhada e espezinhada por um otário como tu, infelizmente somos fracas e não conseguimos destruir o amor que sentimos por vocês - fiquei sem reacção, talvez por não esperar que a Mariana fosse confessar algo que todos sabemos mas que é visível que a magoa imenso - mas isso não significa que conseguimos esquecer… com o tempo sei que a Maria te vai perdoar e aceitar o que lhe fizeste porque foi isso que aconteceu comigo mas nunca esquecerá… nunca voltará a confiar plenamente em ti e por isso nunca será capaz de se entregar novamente sem reservas porque a dúvida estará sempre presente, vocês foram dois fracos que não souberam dar-nos valor e nós duas parvas que acreditamos em vocês…
- Chega! - olhou-me - Mariana ontem tomei uma decisão e que o que vi quando entrei só reforçou... vou ser o melhor pai que o Bruno poderia ter e o melhor amigo que a Maria alguma vez poderia imaginar e para o bem deles vou guardar tudo o que sinto só para mim e aceitar o castigo pelo meu erro. Eu...
- Realmente só desiludes! Mas pensando bem até bate certo com as demonstrações de que és um fraco que tens dado ultimamente…
- Mas afinal o que queres? Ah espera já sei, queres que seja como o Ruben e que rasteje aos pés da Maria como o Ruben anda a fazer contigo? Pois mas não sou como ele… - interrompeu-me
- O que é que estás a insinuar?
- Que sempre fizeste gato-sapato dele…
- Sim fiz! É verdade e não nego, no passado dei-lhe cabo do juízo mas também tive o retorno em menos de 24 horas perdi os meus filhos e o único homem que amei e amo! Tive que cuidar do meu afilhado porque a sua mãe estava com início de depressão pós-parto porque o pai do filho dela não teve os tomates no sítio e lutou pela sua família, João é que nem te atrevas a vires com moralismos para cima de mim quando também falhaste e desculpa dizê-lo mas para mim os teus erros foram muito piores que os meus, porque pelo menos eu nunca traí e iludi o Ruben, ele sempre soube a mulher que tinha do seu lado, nunca escondi aquilo que sou, ao contrário de vocês os dois que nos abandonaram e traíram…
- Só falta dizeres que agora és santa…
- Santa nunca foi nem quero ser! Mas orgulho-me de ter crescido, hoje sou mulher e tu és o quê? Um puto… continuas a ser um adolescente mas em corpo de homem… Cresce e luta pela tua família… faz algo pelo bem do teu filho!
- E é isso que estou a fazer! Vou afastar-me porque é o melhor para a felicidade das duas pessoas que mais amo
- Que desilusão…
- Desculpa não ser masoquista como tu… - olhou-me com as lágrimas nos olhos
- O que chamas de masoquismo, eu chamo de amor, amor pelo Filipe que não saiu de mim mas isso não muda em nada o que sinto por ele e quanto ao que sinto pelo Ruben... bem acho que podes fazer uma pequena ideia de como o amo... sim eu amo-o e tenho certeza absoluta disso e não tenho medo de o assumir tenho medo sim de estar com ele, com eles porque sei, tal como tu, que vou errar e eles vão sofrer e foi por isso que vim... para me afastar porque estando lá não consigo ficar longe do meu filho - quando ela se referiu ao Filipe como filho abri os olhos de espanto - sim eu disse o que ouviste... tudo mesmo mas se tu disseres a alguém eu desminto!
- Tu disseste o quê? Não disseste nada e eu também não...
- Desabafos partilhados e guardados... e agora conta lá aqui a je
as novidades...
- Novidades? Nenhumas tu é que estás por Lisboa....
Acabamos por ficar a conversar sobre algumas fofocas e futilidades até que a Maria resolveu raptar a prima.

Maria
Depois da chegada da minha prima por momentos, aqueles em que o Guilherme dormia voltei aos 15/16 anos onde tudo o que interessava era o comando da PlayStation e a palhaçadas com os meus dois melhores amigos. A semana passou até rapidamente embora andasse a evitar dormir já que sempre que adormecia a minha mente voava para o João para o seu corpo e para o prazer que só ele me sabe dar.
Era de mais um pesadelo com o João que tinha acabado de acordar quando ao entrar na cozinha para beber um copo de água para acalmar que o encontro a fazer exactamente o mesmo mas só de boxers e congelei fiquei petrificada na porta a observar cada milímetro do seu corpo de costas para mim enquanto observava alheio a minha presença a vista da janela.
Ainda fiquei a observar durante alguns instantes mas num impulso aproximei-me e fiz a minha mão deslizar pelas suas costas enquanto a minha boca tomou de assalto o seu pescoço. Não eu não estava a sonhar eu estava acordada e bem acordada e se dúvidas houvessem a reacção do João acabaria com elas...

João 
Os dias tem passado rapidamente e o Guilherme já está visivelmente melhor, mas esta noite tem sido difícil não consigo adormecer de maneira nenhuma e por isso resolvi ir ate a cozinha beber um copo de leite e acabei por me distrair a olhar pela janela até que sou surpreendido pelo toque da Maria nas minhas costas e pelos seus labios no meu pescoço por segundos ainda pensei em deixar-me ficar a aproveitar o momento, mas isso iria contra tudo aquilo que decidido e que me tinha obrigado a cumprir e por isso mesmo rodei, ainda a pensar se seria a opção mais correcta, sobre o meu corpo e quando fiquei cara-a-cara com ela ainda vacilei, mas consegui controlar-me e
- O Bruno tá bem? - perguntei afastando-a
- Está... - ela parece que acordou e respondeu baixando os olhos em sinal de que por ela se evaporava com a vergonha se pudesse - Desculpa... eu não sei o que me deu...
- Tá tudo bem... vou-me deitar... amanhã levo-vos ao aeroporto...
- Eu vou só beber um copo de agua e também vou ver se descanso...
Assim que ela terminou de falar sai da cozinha e fechei-me no quarto onde me arrependi por não ter deixado continuar algo que apesar de saber que ela não merece, nos ia deixar aos dois pelo menos durante umas horas a levitar.
O dia amanheceu e a hora de os levar até ao aeroporto chegou.
- Bruninho porta-te muito bem! E cuida da mamã e da madrinha sim?
- Xim Guigas gande! Conta mamã, madinha, padinho e Pipipo
- Boa filhote! - dei-lhe um beijo na cabeça que ele já encostava ao ombro da mãe - Faz boa viagem, qualquer com ele avisa... desculpa aquilo da queda...
- Obrigada... sim eu aviso... e desculpa eu aquilo de ontem a noite.... eu...
- Maria tá tudo bem... tu precisas de algum conforto ficaste em stress toda a semana, mas hoje já tens o Rui... - dizer aquilo queimava-me a garganta mas era o certo
- É... bom é o nosso voo... Guilherme diz xau ao papá diz...
O menino fez o gesto com a mão ao que eu respondi enquanto os via afastarem-se.



Como correra o regresso a Lisboa das primas?
Como serão os reencontros com Ruben e Rui?




quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

116 -"- em troca de nada que conhecendo-te como conheço sei bem que esses gemidos são dos mais mal fingidos que consegues!"

Rui
Quando finalmente ganhei coragem toquei a campainha, esperei longos minutos até ouvir a voz rouca do João pelo interfone
- Quem é? - depois deve ter olhado para o videoporteiro - Rui o que fazes aqui?! - percebi o seu espanto
- A Maria? Preciso falar com a Maria!
- A Maria?! Sei lá da Maria! O namorado dela não és tu?
- Deixa de ser engraçadinho e abre esta porta preciso falar com a Maria!
Confesso que já me estava a exceder, só de pensar que ela poderia estar com ele, e pelo tom de voz com que ele me falava, o João deve-o ter percebido e abriu a porta do prédio. Entrei e como o elevador ainda iria demorar a chegar optei por subir pelas escadas, corri como já não o fazia há alguns anos e quando finalmente cheguei ao andar certo o João já me esperava na porta do seu apartamento, mas no lado de fora olhei-o e pude reparar que estava despido
- A Maria? - disparei assim que o folego me permitiu
- Já te disse que não sei!
- Ai não?! Então porque é que me recebes no hall do prédio assim…

João
Esta visita era realmente inesperada e confesso que vê-lo tão desesperado em busca da Maria me deu um certo gozo. Acabei por lhe abrir a porta para evitar escandalos mas quando ouvi o Bruno a chamar-me para saber quem era e se era já a mamã decidi que não o deixaria passar do hall do prédio, enquanto tranquilizei o menino que como estava meio zonzo voltou a adormecer.
Abri a porta e voltei a fecha-la atras de mim no exacto momento em que ele chega esbafurido e de imediato começa a exigir respostas
- Porque em minha casa entra quem EU QUERO e não que tenhas alguma coisa a ver com isso, mas como sai do treino directo ao aeroporto para ir buscar o MEU filho ia agora que ele está a dormir tomar um duche, isto se o Sr Seleccionador não se importar de voltar a sua vida e deixar a minha em paz! Nem que seja estas 72h a cada 15 dias que tenho o direito de ver o meu filho!
Ele olhou-me e quando pensei que se iria embora, falou

Rui
Ao ouvi-lo percebi que estava inseguro e resolvi jogar com isso a meu favor como forma de tentar que ele no meio da furia me dissesse onde estava a Maria
- Deves-te achar o maior tu, não? Pois ficas a saber que não o és! És pequenino e não é só no tamanho! Foste do mais baixo que um homem pode ser! Fizeste a Maria, uma Mulher com todas as letras maiusculas, sentir-se lixo vi a Maria arder nas brazas do desgosto e da humilhação. Mas assim como a vi desfazer-se vi-a reerguer-se e não a deixei por um segundo! Ao contrario de ti que achas que ela não é o suficiente para ti, eu sei e não tenho problemas em assumi-lo que ela é demais para MIM, mas se é de mais para mim para ti nem se fala! Mas se tu és aquilo que ela quer para ser feliz… - parei para respirar - eu deixa-la-ei a ela e ao campeão… mas só o farei com ela a dizer-me isso a mim cara a cara da mesma forma que me disse que me queria na vida dela, percebes? Então agora abre a porcaria da porta que eu quero falar com ela!
- A Maria não está… - ele não acabou de falar ouvimos o barulho de algo a cair e depois um choro aflito - MERDA
Ele abriu a porta e correu em direcção a um dos quartos corri atrás dele e quando cheguei á porta do quarto vejo-o a pegar no Guilherme ao colo que chorava desesperado
- Bruno o que é que aconteceu? - o João sentou-se com ele no cadeirão que tinha no quarto que ao olhar em volta percebi ser o do menino e que estava maravilhosamente decorado com várias recordações do menino com o pai - Oh filho conta ao pai… - o João estava a desesperar e confesso que também me senti aflito ao perceber que o menino não parava de chorar, passamos alguns minutos só a olha-lo enquanto o choro foi acalmando
- Uí!! - o menino chamou-me esticando a sua mãozinha, aproximei-me - Ui tu faz qui?
- Vim ter contigo e com a mamã… mas isso não importa agora o que importa é saber o que aconteceu porque estavas no chão e a chorar?
- Guigas viu voz Ui e Guigas ter Ui! - o menino esticou os braços pedindo o meu colo
- Tás a ver porque ficaste na porta?! Agora que mais uma vez sou trocado por ti! Não te chegam todos os outros dias da vida dele?
- Eu não quis… eu só queria saber da Maria
- Mamã?
- Eu não sei dela já te disse! Ela entregou-me o menino no aeroporto e disse que ia para o hotel…
- Isso é mentira! Onde é que ela está escondida?
- Mas estás parvo?! Achas que se ela estivesse aqui ouvia o menino cair e chorar e não vinha logo? Trata-te!
- Não acredito… - sai daquele quarto e corri todos os outros comodos da casa até chegar a uma porta que o João tapava - deixa-me passar
- Nem penses! A casa é minha e não sou obrigado a ter alguem a vasculha-la! Já te deixei ver tudo, mas o meu quarto nem penses!
- Então é ai que ela está? E não está de livre vontade! Sim porque se estivesse como tu disseste teria socorrido o Guilherme
- Eu não te admito! Estás em minha casa com o meu filho ao colo e eu NÃO ADMITO que me insultes! NUNCA TÁS A PERCEBER NUUUNNNCAAAA FARIA NADA 
- Prova! Deixa-me entrar ai!

João
Ver o Bruno no chão deixou-me em panico felizmente e como se costume dizer “ao menino e ao borracho Deus mete sempre a mão por baixo” e da queda apenas resultou um grande susto para o menino e para nós. Além do susto voltei a ser preterido pelo colo do Uí algo que doeu. E ele, ele continuava alucinadamente a vasculhar-me a casa, mas no meu quarto não entraria. No meu quarto só entro eu! Barrei a passagem dele com o meu corpo e trocamos novas palavras até que ao insinuar que mantinha a Maria presa acabei por perder a cabeça e ele aproveitou-se disso para entrar. Senti-me derreter de vergonha, mesmo assim tentei não perder a pose
- Satisfeito?

Rui
Assim que abri a porta do quarto tremi. Aquele quarto, o quarto do João era a cara da Maria, com certeza ela tinha-o decorado e ele mantinha tudo intocado, vi em cima do móvel e da mesa de cabeceira coisas dela. Brincos, relogios, escovas parecia que ela tinha saido dali esta manhã depois de se despachar para mais um dia. Olhei em volta e fiquei pregado ao plasma que pendurado na parede ia passando várias imagens e não era um filme nem nenhum outro programa ou anuncio de tv, eram imagens deles, dele, dela, do Guilherme, os dois juntos ou com o Guilherme e os amigos despertei quando o ouvi
- Satisfeito? - não fui capaz de responder - Agora que já viste que não está aqui mais ninguém se não te importas sai!
- Mas…
- Nem mas nem meio mas sai! - percebi que tinha invadido um espaço que era só dele, algo que guardava, um refugio já que ele expulsava-me de casa mas não levantava os olhos pregados ao chão
- João… desculpa… não queria ter…
- Não querias mas fizeste… está feito agora usa a cabeça e talvez percebas que como sempre a Maria foi para o hotel!
- Ela não está lá! Não sabem dela viram-na chegar, ninguém a viu sair mas ela não abre a porta… antes que te lembres de sugerir o telemóvel, como é obvio ligar-lhe foi a primeira coisa que fiz, mas não atende…
- Lamento imenso que a tua namorada não atenda as tuas chamadas e muito provavelmente tenha pedido no hotel para que dissessem que não a encontram, mas eu não posso ser-te util em nada e agora se não te importas… - dirigiu-se até a porta abrindo-a
Acabei por sair, desci a escadaria do prédio e voltei a pé para o hotel na esperança de que a Maria tivesse saido para arejar as ideias e tivesse deixado o telemovel no quarto, esperava encontra-la no caminho, mas não fui feliz.
Ao chegar ao hotel expliquei ao Sr da recepção que a Maria estava “desaparecida”, posso ter dramatizado um pouco a historia, mas o que interessa é que funcionou uma vez que o Sr me  concedeu um cartão da porta da Maria voei até junto da mesma e abri-a
Entrei com algum receio do que poderia encontrar e acabei por vê-la deitada na cama, dormia serena vi que tinha o telemovel ao seu lado e nesse instante o mesmo apitou avisando bateria fraca.
A Maria começou a ficar agitada, mas continuava a dormir, pensei acorda-la mas sempre me disseram para não acordar ninguem a meio de um pesadelo já que o susto poderia ser grande. Optei apenas por lhe ir distribuindo carinhos até que ela começa a falar.
Fala, fala muito mesmo, mas não consigo perceber o que diz até que ela grita
- … o Guilherme quer um irmão e eu quero engravidar AGORA!
Confesso que tal informação me abalroou, não que não gostasse da ideia, mas nunca tinhamos abordado o assunto. Depois de tal desabafo a Maria continuou agitada por uns minutos e depois voltou a dormir serena como se nada se tivesse passado. Sei o stress em que tem vivido por isso optei por deixa-la descansar e fiquei apenas a mima-la até que a vejo despertar.

Maria
Quando despertei senti uns miminhos maravilhosos pelo meu corpo, sorri e fiquei a aproveita-los, mas aquelas não eram as mãos do João!
Abri os olhos devagarinho e a medo
- Boa tarde Rainda dorminhoca!
- Rui?! RUI! - saltei da cama - O que é que tu fazes aqui? - que raio fazia ele em casa do João, no quarto do João e ainda por cima a tocar-me?
- Ei modera lá a alegria sim? - falou a rir - Quando o jogo acabou resolvi fazer-te uma surpresa e vim ter contigo… 
- Mas…
- Mas apanhei um valente susto! A menina não atendia o telefone, no hotel ninguem sabia de ti e em casa do João… -quando ele falou na casa do João termi, mas nesse momento olhei em volta e fiquei gelada, eu estava no quarto de hotel, com a mesma roupa com que tinha chegado de viagem e as malas exactamente onde as tinha deixado
- Em casa do João? - pedi que continuasse enquanto eu ia juntando as peças
- Bem posso ter passado um bocado dos limites… - olhei-o assustada -  pensei que estivesses aqui serena a dormir, confesso que primeiro pensei que podias estar com ele, que vocês podiam… foi um alivio tão grande quando consegui chegar a ti… 
E pronto estava confirmado tudo não tinha passado de um sonho, senti-me ligeiramente desiludida para no momento seguinte me sentir com remorsos por ter tido o sonho que tive enquanto o Rui desesperava a minha procura como entretanto me contou.
Saimos para jantar e confesso que adorei não ter de passar este tempo sozinha em Valência, mas ao contrario do que o Rui esperava, talvez porque eu tenha dado algumas pistas nesse sentido enquanto partilhavamos a mesa do café com o Ricardo, o Helder e as meninas, assim que voltamos ao hotel voltei a deitar-me desta vez já de pijama e por entre os lençois e em poucos minutos fingi ter adormecido. Algo que não aconteceu porque o bem-dito sonho, ou melhor o maldito pesade-lo repetia-se vezes sem conta na minha mente.
Tinha que fazer algo e a unia solução que encontrei foi trocar uma recordação falsa, um sonho, por outra bem real e palpável e para ser sincera o Rui também já merecia.
 Levantei-me sem o acordar e fui até a casa de banho onde tirei o pijama de avozinha que tinha vestid trocando-o apenas por uma tshirt curta e foi assim que voltei para a cama onde de imediato iniciei uma acesa sessão de mimos que em pouco tempo acordaram o Rui
- Maria? O que se passa?
- Nada... quero miminhos posso?
- Podes... mas... isto não são miminhos dizia elce enquanto as minhas mãos iniciavam a oferta de caricias nada inocentes em pontos do seu corpo mais sensíveis
- São os miminhos que que eu quero, mas se não quiseres...
- é claro que quero!
Acabei sem conseguir terminar de falar já que num movimento rápido o Rui me colocou entre o seu corpo e a cama passando ele a oferecer-me aquilo que eu precisava para tentar apagar da memoria o maldito sonho.

João
Depois do Rui sair ainda fiquei uns minutos a explicar ao Bruno que  ficaria comigo e amanhã logo voltará para perto da Mae e do Uí.
Consegui com recurso a uma bola e a troco de umas bolachas que ele desistisse da ideia de ir ter com a mamã pelo menos durante o resto do final de tarde e até chegar o momento de dormir altura em que o mu pequeno resolveu mostrar-me todo o poder dos seus pulmões chorando
- Mamã.... ma-mã... Guigas mamã!
- Oh amor hoje dormes com o papa sim?
- Guigas mamã!
Tentei de todas as formas mas nada o demovia e vi-me por isso obrigado a ligar para a Maria
- Sim João... - ela atendeu e só pelo tom rouco e arrastado percebi que atrapalhava algo
- Maria o Bruninho não pára de chorar e chamar por ti
- oh João não é a primeira vez! É sempre assim e amanhã quando chegar a casa também vai ser igual! - eram audíveis os sons de beijos e gemidos
- Maria és capaz de deixar... -mordi a língua para não dizer o que queria

Maria
o plano até estava a resultar até ao momento em que recebo uma chamada do João a informar que o Guilherme não dormi a chorando por mim, pensei em ir ter com ele mas os carinhos que recebia fizeram-me vacilar e ele estava com o pai... até que
- Maria és capaz de deixar... - fez uma pausa - Maria o menino está a sufocar de tanto chorar e tu dizes que não vens em troca de... em troca de nada que conhecendo-te como conheço sei bem que esses gemidos são dos mais mal fingidos que consegues!
- João eu não
 - Não o quê?! não admites? E eu com isso agora faz um favor a ti própria levanta-te dessa cama 
- Quem te disse que estou numa cama?
- Isso é muito simples.. estás com ele e não comigo!
O João estava a conseguir dar-me cabo dos nervos e só não ouviu algo que não ia gastar porque ouvi o menino a chorar
- Mamã...
- Tas a ouvir?
- Estou ai em 10minutos
Desliguei e na mesma altura o Rui que se tinha fingido indiferente a toda a conversa tomou os meus labios de assalto
- Agora não!
- oh Maria! 
-  oh Maria nada! O meu filho esta a chorar...
- aposto como o paizinho dele fez de propósito! - nunca tinha visto o Rui assim ele estava descaradamente ruido de ciúmes.
- Rui...
- Pronto vai lá ter com o menino que tambem já no fico sossegado.. mas para que fique resgistado é a segunda vez que me deixas assim hoje!
- prometo que compenso.
- Se o menino ou o paizinho dele não arranjarem nada para impedir! - ignoreio levantei-me da cama e vesti-me o mais rapidamente possível e quando já me preparava para sair do quarto ouvi - espera vou contigo... - só ai voltei a olhar para ele e vai que realmente estava já pronto a sair.
Durante o tempo que levamos desde sair do quarto até arranjar um taxi o Rui tentou aproximações, desde pequenos gestos como dar-me a mão ou passar o braço por cima dos meus ombros, todos eles recusados por mim, até que a meio do percurso de taxi
- Maria desculpa... eu não queria dizer o que disse, sabes que adoro o Guilherme, mas... oh... quer dizer... - olheio - podia ter resolvido chorar noutra altura... bastava que fosse assim duas horinhas mais tarde... - foi impossível não gargalhar definitivamente os homens são todos iguais - tás-te a rir?!
- queres que chore? Oh Rui! Eu não prometi que compensava? Então.... 
Acabei por lhe dar um beijo rápido uma vez que não queria chegar a casa do João chateada com o Rui, não depois do que ele me tinha dito.
- ai como o odeio por me conhecer tão bem!
- o quê Maria? 
- Chegamos!
Depois de tudo resolvido combo taxista, subimos ate ao apartamento do João que nos esperava na porta
- O menino?
- Shiuuu! - fez-me sinal com o dedo para que falasse mais baixo - está no quarto dele, acalmou há uns minutos depois de eu ter dito que vinhas já aí, mas ele tá equisito...
Não fiquei a ouvi-lo conheço a casa bem o suficiente para saber onde era o quarto do pequeno e quando lá entrei
- Mamã!!
- Oh Guigas que raio de fita foi esta? 
- Guigas Mamã! Uiiiiiiii!
- então campeão o que se passa?
- Guigas mamã... Guigas mimos mamã!
 Enquanto eles falavam peguei no menino que estava muito molinho ao colo e
- João já lhe viste a febre?
- Não porquê?
- Ele está a arder! Arranja-me um termômetro!
 Ele mexeu em algumas gavetas e finalmente trouxe-me o termômetro, medi a temperatura do Guilherme e confirmei que tinha mesmo febre despi-lhe o pijama e comecei a vestir uma roupinha
- o que é que estás a fazer?!
- ele vai comigo! Nem penses que o deixo cheio de febre aqui contigo que nem que ele trava quente percebeste!
- Vai contigo para onde?
- para o hotel! Para a praia é que não é!
- deixa-te de ironias e pára porque o menino não vai sair daqui! É que nem me olhes assim! 
-não cabe na cabeça de ninguém ficar longe dele!
- e se ele ficar aqui ficas longe porque? alguém te Manou embora? Sabes perfeitamente que só vais para o hotel por birra tua porque cá em casa há sempre lugar para ti!
- pois mas também sabes perfeitamente que isso não faz sentido... sim que sentido faz nós - pela primeira vez aproximei-me do Rui - ficarmos cá? 
- vocês - disse engolindo em seco - podem ficar perfeitamente no quarto de hospedes... agora tirar o menino do quartinho dele para o meter num hotel é que está fora de questão...
- Maria - olhei para o Rui que passarinhava pelo quarto com o menino no colo enquanto nós discutiamos- sê um bocadinho só racional amor, olha bem o campeão? - o meu filho estava mais calminho mas sem reacção apenas movimentava os seus olhos na direcção de quem falava - não achas melhor perceber primeiro o que tem? Ficamos aqui enquanto ligas ao Dr Ricardo e vemos o que ele diz sim?
Fui obrigada a concordar com o Rui e de imediato peguei no telemóvel para ligar ao pediatra que supostamente estaria disponível 24h por dia mas que da primeira vez que precisava nao me atendia.

O que terá o Guilherme?
Como correrá a noite destes três juntos?
E a Maria terá tido um sonho isolado?

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

115 - "Foste a maior desilusão da minha vida, esquece-me e segue com a tua vida, deixa-me em paz!"

Ruben
Depois da Mariana sair não demorou muito para a Olga chegar e assim que chegou deixei o Filipe com ela e fui até ao SPA, uma vez que queria ver como estavam a correr as cenas e foi quando estava na mera cavaqueira com o meu irmão que este resolveu tocar num assunto que não queria comentar
- Mano como estão as cenas entre ti e a Mariana?
- Não te diz respeito!
- Oh deixa-te de tretas e conta!
- Não há nada para contar! Somos amigos... só isso!
- Puto se fosse só amizade vocês não se olhavam da forma que se olham!
- Sim amo-a e amarei sempre mas a Mariana só me quer como amigo.
- Vais desistir? - a pergunta da minha mãe fez com que desse um ligeiro pulo, afinal não a tinha visto chegar
- Chega! Não quero que se metam nesta decisão!
- Mas não podes desistir agora, mano a Mari ama-te e agora com o Filipe em casa já podem descontrair mais, além disso é inegável o amor que a Mari tem pelo menino...
- Prefiro tê-la como amiga do que não ter nada!
- Vais desistir e fazer o quê?
- Esquecê-la... mãe vou seguir com a minha vida e espero que respeitem a minha decisão!
Tanto a minha mãe como o Mauro não insistiram mais no assunto e por isso o momento do almoço até foi agradável. Sei que lhes menti descaradamente mas só o fiz por ter noção que a Mariana precisa mais do que nunca de espaço e tempo para assimilar o que se anda a passar connosco.
De tarde fui para o treino e no fim fiquei a dar uns toques numa bola, estava a precisar de libertar energias e até de colocar a cabeça em ordem, afinal a noite de ontem estava bem presente, tal como a forma como hoje a Mariana reagiu...
Estava em casa com o menino quando tentei ligar à Mariana mas não atendeu, voltei a insistir um tempo depois e nada, ainda assim não desisti e continuei a insistir até que percebi que devia estar a ignorar-me novamente.
Agarrei no Filipe e fui até ao seu apartamento, toquei e assim que a Mariana percebeu quem era informou-me de imediato que não queria falar comigo, não me dei por vencido e afirmei que não ia embora sem falar com ela, ainda lhe disse que o menino estava comigo e talvez por isso tenha aberto a porta do prédio.

Mariana
A ameaça da Sofia não saía de forma alguma do meu pensamento e por isso pouco tempo depois de chegar ao trabalho acabei por sair e dei como desculpa o facto de estar indisposta.
Passei a tarde toda fechada em casa sem saber o que fazer, por um lado queria contar ao Ruben mas por outro não, afinal a última coisa que quero é irritar a louca da Sofia, se acontece alguma coisa ao meu menino não me perdoarei...
Estava deitada no sofá quando o meu telemóvel começou a tocar e nem foi preciso ver o nome para saber que era o Ruben, deixei tocar de todas as vezes que ligou e quando já pensava que tinha desistido fui obrigada a abri-lhe a porta.
- O que queres? - perguntei assim que saiu do elevador
- Temos que falar... - o Ruben entrou e foi direto à sala
- Diz!
- Preciso que digas o que queres... Mariana, somos muito mais que amigos mas sinceramente não sei em que ponto estamos agora e preciso de saber, já não somos crianças e sinceramente quero mais - suspirou - mas para isso preciso de ter a certeza que também queres! Mariana olha para mim se faz favor - fiz o que pediu - esquece tudo o resto e responde-me com sinceridade - não sei porque mas sentia o coração acelerado - amas-me?
- Sim…
- Então porquê que continuas a fugir ao que sentes? Porquê que depois da noite maravilhosa que tivemos ontem hoje não atendes as minhas chamadas?
- Ruben preciso de espaço…
- Se fosse espaço que precisas não passavas tanto tempo comigo! Mariana consigo aceitar e compreender que não queiras contar à nossa família e amigos o que se passa, mas... - interrompi-o
- Foste a maior desilusão da minha vida, esquece-me e segue com a tua vida, deixa-me em paz! - ver a desilusão no olhar do Ruben consumiu-me por dentro e assim que o Ruben saiu levando com ele o menino entreguei-me ao choro compulsivo, não era nada disto que queria mas pelo Filipe sou capaz de tudo...

Ruben
Ouvir da boca da Mariana que fui a maior desilusão da sua vida doeu mas o que arrasou comigo naquele instante foi mesmo o pedido dela para a deixar em paz, pela primeira vez nos últimos meses perdi aquela réstia de esperança que sempre me acompanhou e por isso agarrei no meu filho e saí, naquele momento já não fazia nada ali...
Conduzi até casa e chorei... chorei durante grande parte da noite, por muito que tentasse percebê-la não conseguia, não quando sei que nos amamos, mas principalmente porque precisamos um do outro para vivermos, dependo dela como da água para sobreviver.
A noite serviu para decidir que não desistirei da Mariana e por isso levantei-me da cama determinado a fazer de tudo para que perceba que só seremos felizes juntos.

Mariana
Uma semana passou desde que disse ao Ruben para seguir com a sua vida e deixar-me em paz mas o que tem feito é exatamente o contrário, o Ruben não tem facilitado em nada e desde visitas surpresas quando estou em casa, a ramos de flores entregues no meu local de trabalho ou ainda a pequenas lembranças que me fazem recordar os nossos melhores anos quando ainda eramos umas crianças, tudo tem feito para que “quebre” e lhe dê a derradeira oportunidade.
E a verdade é que a cada dia que passa é mais difícil passar a imagem que sou indiferente a tudo... Hoje foi mais um dia desses, estava no trabalho quando o telemóvel começou a tocar.
- O que queres?
- Certificar-me que estás a ouvir a tua rádio preferida...
- Ãh?
- Escuta...

Não estava a entender nada mas bastou uns segundos para sentir os cabelos dos meus braços a arrepiarem-se todos quando ouvi a locutora da rádio anunciar que a próxima música vinha a pedido de um ouvinte e dedicada à mulher que ama...

Ouvi a letra com atenção e foi impossível segurar as lágrimas, só não sei se foram lágrimas de raiva por ter noção que o Ruben está a conseguir fragilizar-me cada vez mais ou se foram lágrimas de saudade... só sei que não lhe disse nada, ficamos simplesmente ao telemóvel a ouvir a respiração um do outro e assim que a música terminou
- Amo-te...
- Oh Ruben... - interrompeu-me
- Não digas nada, pensa só na letra da música e depois falamos...
Assim que terminou de falar desligou a chamada, fiquei feita parva a olhar para o telemóvel e sem acreditar que aquele otário depois de meter-me a chorar, desligou a chamada desta forma...
***
Estava em casa depois de mais um dia de trabalho quando o som da campainha anunciou nova visita que para mim não foi difícil de adivinhar quem seria, pela hora só podia ser ele...
- Olá... - o sorriso dele estava a arruinar o meu discernimento
- O que é que queres? - atirei sem paciência
- Sou simplesmente um homem com saudades da sua apaixonada... - interrompi-o
- Desaparece que estou sem paciência!
- Correu mal o dia no trabalho? - perguntou de mansinho o que irritou ainda mais
- E o que é que tens a ver com isso? Desaparece! - tentei fechar-lhe a porta na cara mas o Ruben meteu o pé impedindo
- Vim jantar - conforme falou mostrou os sacos que tinha na mão e que até então ainda não tinha reparado - por isso dá licença - forçou a sua entrada e foi até à cozinha onde pousou os sacos na bancada para de imediato retirar as embalagens da comida e coloca-la em travessas, deixando-me atónica a olhá-lo perante o seu atrevimento - vais ficar aí a olhar enquanto janto ou fazes companhia? - perguntou quando já estava sentado à mesa e antes de se servir...
- Mas julgas que isto é a casa da Joana que chegas aqui e é tudo teu? - resmunguei
- Da Joana não... mas é a casa da Mariana Mendes que é só a detentora do meu coração... - respirei fundo - Posso servir-te?
- Ruben sai!
O Ruben ignorou a minha ordem e começou a servir, primeiro colocou comida no que seria o meu prato e depois no dele, ainda teve o descaramento de tentar ser cavalheiro ao ponto de puxar a minha cadeira para que me sentasse mas hoje não estava de todo em dia “sim” e como tal a paciência para os joguinhos dele que a cada dia estavam a deixar-me mais vulnerável não era nenhuma, por isso mesmo deixei-o sozinho, fui ao meu quarto agarrei na mala e saí de casa, deixando-o lá...
Assim que abro a porta do prédio e olho em frente vejo-a... a Sofia estava em frente do prédio, fingi que não a tinha visto e entrei no meu carro, conduzi até à praia e foi a ouvir o som das ondas a bater contra as rochas que passei as horas seguintes. Regressei convencida que já tinha a minha casa só para mim mas assim que coloquei a chave à porta e abri, deparei-me com um cenário de todo inesperado...

Ruben
Nos últimos dias não dei descanso à Mari e fiz de tudo para que percebesse que o seu lugar é do meu lado, no entanto nestes dois últimos dias a Mariana tem andado mais irritada, diria mesmo stressada e por isso as suas reações às minhas surpresas nem sempre foram as melhores, como foi o caso de hoje que preferiu deixar-me sozinho e sair da sua própria casa, ainda assim não desisti e voltei a surpreende-la quando chegou a casa ou não fosse ter-lhe redecorado a casa...
Mal ouvi a porta a abrir carreguei no play da aparelhagem
E fui até ao fundo do corredor para ver a sua reação ao que tinha feito...
A Mariana não reagiu de imediato, ficou simplesmente imóvel, algo que deixou-me inquieto e por isso mesmo aproximei-me devagarinho, a cada passo que dava o meu coração batia a um ritmo cada vez maior, sentia o sangue a fervilhar mas ao mesmo tempo calafrios e nem sei explicar porquê...

Mariana
É verdade que nestes últimos dias o Ruben tem feito pressão de todas as formas e feitios para que lhe dê a tão desejada oportunidade mas até ao momento nunca tinha conseguido atingir-me tão profundamente, o certo é que vê-lo diante de mim e ouvir o que aquela letra da música dizia, fez-me recuar no tempo, em pouco mais de quatro minutos revivi tudo o que de bom passei do seu lado, senti cada beijo roubado, cada carícia recebida, cada toque puro, ouvi todas as convicções e promessas que fizemos um ao outro, voltei a sentir aquela sensação única que só se sente quando estamos nos braços da pessoa amada, voltei a sentir-me completa, voltei a querer gritar ao mundo o quanto o amo, o quanto o quero só para mim...
Ainda assim só consegui reagir quando o Ruben se aproximou, não perdi mais tempo e beijei-o, algo que o Ruben não negou muito pelo contrário retribuiu, para no fim ficarmos a olharmo-nos durante alguns minutos
- Nunca mas mesmo nunca mais voltarei a magoar-te ou a desistir de nós... és a minha vida Mariana, sem ti nada faz sentido...
- Esquece Ruben... - olhou-me - isto é tudo muito bonito e sim de cada vez que me surpreendes acabo por vacilar mas mesmo assim...
- Pára de fugir por favor...
- Ruben não dá!
- Porquê? - perguntou já a desesperar
- Porra não me sinto capaz de entregar-me sem reservas, o problema não é teu, é... simplesmente não consigo...
- Mas nós já tivemos juntos por isso não venhas dizer que não consegues...
- Nós tivemos juntos sempre em momentos que estava fragilizada, sim adorei e foram todos maravilhosos, senti-me bem mas depois... depois vem as recordações más... Ruben por muito que tente não consigo evitar e acabo sempre por pensar no outro reverso do amor...
- O que é que tenho de fazer mais para que acredites em mim? Diz... por favor! Faço tudo o que quiseres...
- Sai...
- Não! Chama a polícia, faz aquilo que quiseres mas daqui não saio!
Não estava para aturar mais aquilo e por isso fui até ao meu quarto, fechando a porta à chave e de lá só saí durante a madrugada porque tive de ir à casa de banho.
Abri a porta e petrifiquei perante o que os meus olhos viam, o Ruben estava meio sentado e meio deitado no chão em frente à porta, deve ter sido vencido pelo cansaço uma vez que dormia todo torto, não tive coragem para o deixar ali assim e por isso
- Ruben... oh Rubinho acorda - abanei-o e aos poucos foi acordando - sai do chão...
- Agora estás preocupada, é?
- Menos Ruben muito menos que estou sem paciência!
Atirei ao passar por cima das suas pernas, fui e vim da casa de banho e o Ruben mantinha-se sentado à porta do quarto
- Mas agora vais armar-te em cão de guarda?
- Já te disse que não desistirei!
- E eu já te disse que não estou preparada para namorar!
- Não... - levantou-se e veio até junto de mim que olhava pela janela - disseste que não conseguias dar-me uma oportunidade!
- E não é tudo a mesma coisa? - atirei aborrecida
- Não... porque se o problema é o peso que a palavrar namorar tem para ti, é simples de se revolver - o Ruben olhava-me de uma forma que estava a deixar-me fragilizada, subitamente tive vontade para lhe saltar para a espinha - posso sempre substituir a palavra namoro por “curte”, se te sentires mais confortável a relembrar a altura que só querias sexo por sexo tudo bem... estou disposto a tolerar isso desde que te tenha comigo!
- Mas não desistes?
- Não...
- Ruben percebe que sinto falta de ti, dos teus abraços, dos teus beijos, até dos momentos de puro prazer que me dás mas isso não significa que queira isso!
- Estás a falar de sexo? É isso? Andas a fugir de mim porque não queres fazer amor comigo?
- Ai Ruben já não sei aquilo que quero!
Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto, no dele estava um sorriso, que só estava a irritar-me e quando o ia mandar embora, o Ruben surpreendeu-me ao puxar-me até à cama, obrigando-me a deitar e sem que esperasse simplesmente abraçou-me, para nos minutos seguintes se dedicar a dar-me mimos inocentes, aquilo soube bem e por isso permiti que continuasse...

Ruben
Corro o sério risco de dar em louco antes de conseguir vergar a Mariana mas o certo é que não desistirei, nem que seja a última coisa que farei...
Acordei com a Mariana a mexer-se e ao abrir os olhos foi impossível não sorrir quando percebi que continuava a dormir serenamente, ainda fiquei uns minutos a olhá-la mas acabei por sair da cama com cuidado de forma a não a acordar.
Estava entretido na cozinha a preparar o nosso pequeno-almoço quando a vi entrar, já vestida para seguir para o trabalho.
- Bom dia - deu-me um beijo no rosto - que foi? - perguntou talvez por ter ficado a olha-la
- Nada... - respondi ao virar-me de costas para continuar a barrar as torradas com doce de morango tal como a Mariana gosta
- Alguma coisa foi...
- Ai queres ver que não sabes?! - retorqui e quando esperava uma resposta mais torta, a Mariana surpreendeu-me ao puxar-me pelo braço de forma que me virasse e assim que o fiz, foi dela a iniciativa de unir as nossas bocas num beijo carregado de intensidade e sentimento
- Já lhe passou a birra? - suspirei
- Definitivamente dás comigo em louco!
- Porta da rua é serventia da casa...
Atirou ao sentar-se na mesa, percebi que estava nitidamente a testar-me e por isso preferi ficar calado. Comemos tranquilamente e no fim despedi-me da Mari e fui até casa da minha mãe para buscar o Filipe
- Olá mãe! - cumprimentei-a assim que a encontrei na sala com o Filipe ao colo
- Olá...
- Está tudo bem?
- Estaria melhor se o meu próprio filho não andasse a mentir-me...
- O que é que se passa com o Mauro?
- Ruben Filipe mas ainda gozas! O que é que andas a esconder?
- Oh mãe... - interrompeu-me
- Ruben ultimamente andas muito estranho - olhei-a - ou te fechas em casa com o Filipe ou pedes para que fique com o meu neto e desapareces durante a noite... - interrompi-a
- Simplesmente estou a precisar de um tempo só para mim mas se não pode ficar com o Filipe basta dizê-lo...
- Ruben sabes bem que fico com o meu neto todas as vezes que precisares, não é isso que está em causa, mas sim o que andas a fazer com a tua vida - olhei-a - filho a única explicação que encontro é que tenhas alguém…
- Não, não tenho ninguém!
- De certeza?
- Sim…
- Filho só espero que seja verdade - aproximou-se - amas a Mariana por isso espero bem que não cometas mais erros…
- Não meta a Mariana na conversa! Somos só amigos…
- O problema é esse - voltei a olhá-la - desde que a Mariana definiu a vossa relação que tens andado cada vez mais estranho e por muito que negues algo me diz que andas com alguém...
- Já lhe disse que não tenho ninguém e páre com essa conversa se faz favor!
A minha mãe respeitou o meu pedido e mudou de tema, ainda fiquei na sua companhia durante uns minutos mas acabei por despedir-me dela, uma vez que tinha de deixar o Filipe em casa antes de ir para o treino.

Mariana
Passei o dia com um só pensamento, saber se o Ruben e o Filipe estão bem, afinal ontem quando saí de casa e deixei o Ruben lá, vi a Sofia...
Saí do trabalho e por muito que a razão apelasse para não o fazer não resisti e conduzi até ao apartamento do Ruben, precisava de vê-los para sossegar o meu coração. A ideia era vê-los e regressar para o meu apartamento mas isso não aconteceu, o Ruben convidou-me para jantar e não consegui recusar.
Aproveitei para mimar o Filipe e depois do jantar acabei por sentar-me junto do Ruben a ver um pouco de televisão. Estávamos entretidos à conversa quando ouvimos a campainha, o Ruben foi abrir e regressou acompanhado pela mãe. A Anabela cumprimentou-me e quando perguntou se o Filipe já estava despachado para o levar, uma vez que o Ruben tem jogo amanha, o filho surpreendeu-nos às duas quando
- Mãe o menino desta vez não fica consigo - olhou-me - a madrinha dele ofereceu-se para ficar com o afilhado...
- Ah... tudo bem.
A Anabela ainda ficou uns minutos connosco mas acabou por sair.
- Desde quando é que te pedi para ficar com o Filipe?
- Não pediste mas conheço-te e sei que queres...
Não respondi, o que fez com que o Ruben risse. Os minutos seguintes foram dedicados ao meu menino que acordou para comer e no final aproveitei que ainda estava acordado para avisar o pai dele que nos íamos embora.
- Embora? Mas achas mesmo que vos deixo irem embora? - aproximou-se de mim - Mariana não tens onde meter o Filipe a dormir por isso vão ficar cá...
- Isso é golpe baixo! Estás a usar o menino para...
- Tenho saudades tuas mas não seria capaz de arquitetar um plano destes só para ter-te na minha cama! Quando disse para ficarem cá estava a referir-me a ficares no quarto do Filipe mas se quiseres ficar no meu a cama é suficientemente grande para os dois!
- Ruben!!!
- O que é que queres? Sim sinto falta e sim não tenho qualquer problema em admitir! AMO-TE Mariana!
- Chega!
- Não, não chega! Mete uma coisa nessa cabeça não desistirei de ti e insistirei até conseguir provar-te que a nossa vida só faz sentido se for vivida um do lado do outro!
Não respondi e o resto do serão foi tranquilo até porque o Ruben se foi deitar cedo enquanto fiquei com o Filipe.
***
Acordei animada apesar de ter passado a noite a passarinhar com o Filipe nos braços pois o menino resolveu que não queria dormir e como tal fez uma birra de todo o tamanho.
- Bom dia - o Ruben deu-me um beijo na bochecha quando estava a preparar o nosso pequeno-almoço - ele não te deixou dormir nada…
- Oh… acontece - sorriu - e tu conseguiste dormir?
- Sim…
Partilhei o momento do pequeno-almoço com o Ruben e depois antes de sair fui com ele até ao quarto do Filipe, onde o vi a despedir-se do filho para depois também ser merecedora da sua atenção, sem esperar o Ruben abraçou-me por trás e foi assim que fomos até à porta. Despedi-me do Ruben com um beijo no rosto e depois fui dar mimos ao Filipe que estava acordado. Estava entretida a falar para o meu pequenino quando o meu telemóvel tocou, atendi e fui convidada pela minha mãe para almoçar na casa dos meus pais.
Com o aproximar da hora de almoço fui preparar tudo o que o menino podia precisar e finalmente saí com o meu amor. Assim que cheguei junto do prédio dos meus pais tive a sensação que estava a ser seguida e talvez por isso tenha optado por colocar o carro na garagem...
Acabei por afastar tais pensamentos e coloquei o menino na alcofa, retirando logo depois o seu saco do carro e a minha mala. Fechei o carro e fui até ao elevador, chamei-o e assim que a porta abriu entrei carregando no botão do piso dos meus pais.
Usei a minha chave para entrar e assim que o fiz fui de imediato procurar a minha mãe que é como quem diz fui até à cozinha.
- Olá mãe!! - falei animada e ao encontra-la de volta do fogão
- Olá filha - sorriu - não sabia que trazias o Filipe.
- Não ia deixar o menino sozinho!
- Mas o pai dele não cuida do filho?
- Oh mãe o Ruben tem jogo hoje!
- Ah e pediu-te para ficares com o Filipe? Não achas que estás a agarrar-te demasiado ao Filipe?
- Ãh?
- Oh filha - a minha mãe hesitou mas acabou por falar - o que a mãe mais quer é que sejas feliz e talvez este não seja o melhor caminho para encontrares essa felicidade, Mariana tens de te afastar um pouco do Ruben ou nunca encontrarás o teu caminho - doeu ouvi-la - filha estares constantemente com o teu afilhado não te faz bem...
Não consegui reagir, fiquei simplesmente a olhá-la e só despertei quando
- Filha! - o meu pai assim que entrou na cozinha brindou-me com o seu sorriso e antes de dar-me o meu beijinho espreitou para o carrinho onde o Filipe continuava deitado na alcofa
- Olá pai - dei-lhe um beijinho - tudo bem?
- Sim - sorriu - e contigo?
- Também!!!
Ainda ficamos todos uns minutos na cozinha mas acabei por avisar que ia até à sala, as palavras da minha mãe continuavam a matutar na minha cabeça...
Estava sentada no sofá com o carrinho do Filipe do meu lado quando o meu pai entrou e ao aproximar-se viu o menino acordado.
- Posso pegar no meu neto?
- Ãh? - fiquei especada a olhá-lo e talvez por isso tenha gargalhado
- Oh filha, não sou cego... - engoli em seco - vocês até podem não querer confirmar e apesar de não perceber o motivo, respeito a vossa vontade, mas não peças para fingir que não vejo!
- Lá está você... - o meu pai interrompeu-me
- Filha se não estou certo então porquê que tens o Filipe contigo quando sei que o menino fica com a avó paterna em dias de jogos, já para não falar que o que vi no dia que o meu neto - voltei a olhá-lo - teve alta foi muito mais que a madrinha a cuidar do afilhado - sorriu - o que vi foi a minha filha a cuidar do meu neto!
- É verdade o pai sempre vai para a frente com a ideia de abrir uma loja de decoração para a mãe? - o meu pai gargalhou
- Tens noção que acabaste de confirmar as minhas suspeitas, não tens?
- Não confirmei nada! - resmunguei
- Ai não? Filha mudaste de assunto e só o fazes quando não queres admitir algo... se não houvesse verdade no que falei terias desmentido!
- Oh pai... - suspirei - mudei de assunto porque não quero falar disso ou pelo menos não agora...
- Tudo bem... vou continuar à espera do dia que resolvam assumir que estão juntos para poder chamar livremente este pequenino de neto!
Não respondi e por isso o meu pai mudou de assunto partilhando comigo as novidades do projeto que tenciona iniciar com a minha mãe, a verdade é que o cota resolveu concretizar um sonho antigo à sua cota e vão abrir juntos uma loja de decoração.
A conversa estava a ser interessante mas teve que ser interrompida no momento que fui preparar o biberão do Filipe, ausentei-me da sala por uns minutos deixando o menino na alcofa mas quando regressei já com o seu biberão encontrei-o no colo do meu pai mas o que fez com que ficasse imóvel foi ouvir
- Oh pequenino vais ter que ter muita paciência com os teus papás, eles são assim um bocadinho complicados mas amam-se muito...
- Dê cá o menino! - o meu pai sorriu
- Posso dar-lhe o leite? - olhei-o abismada, o meu pai nunca foi de pegar em bebés muito menos em alimentá-los
- Oh pai...
- Posso pelo menos tentar?
- Ok...
Dei-lhe o biberão e fiquei atenta, não fosse o menino se engasgar mas até correu bem e no fim ainda vi o meu pai a colocar o menino para arrotar mas a parte de lhe trocar a fralda foi minha.
Cuidei do meu menino e no fim adormeci-o, colocando-o na alcofa.
- O que está a fazer?
- A observar o meu neto enquanto dorme!
- Oh pai...
- Sim sou teu pai desde que te assumi como filha ainda na barriga da tua mãe e por isso a mim não me enganas! Andei muitos anos cego e talvez o tenha andado em parte por culpa minha porque nunca houve abertura suficiente entre nós para falarmos de todos os assuntos, hoje arrependo-me disso mas a forma como pensava no passado, que por sinal era retrograda, não permitia que percebesse que só com o diálogo sincero e verdadeiro é que a relação entre um pai e uma filha ou filho se torna inquebrável, mas felizmente ainda fui a tempo de corrigir um erro que durou 28 anos - suspirei ao ouvi-lo, não esperava tais palavras - por isso hoje orgulho-me de dizer que te conheço e sei que esse coraçãozinho está a cada dia que passa mais sarado - olhou para o Filipe e depois voltou a encarar-me - e para isso muito contribui este anjinho, por isso sim o Filipe é meu neto quer queiras quer não queiras, além disso és a mãe dele desde os primeiros dias de vida do Filipe e não negues porque não tens como, Mariana sei perfeitamente o que é olhar para um bebé, ter a plena consciência que não é os nossos genes e sangue que lhe corre nas veias mas que ainda assim é uma parte de nós, a situação é um pouco diferente, porque te assumi ainda na barriga da tua mãe e acompanhei-te de perto desde a gravidez até agora, mas não deixa de ser parecida, assumiste o Filipe quando o viste pela primeira vez, ainda que tenha sido de forma inconsciente mas que dia após dia se tornou nítida para ti!
Agora só falta um pequeno passo que é assumirem que são uma família, sei que esse dia está cada vez mais perto e pode apanhar muitos de surpresa mas com certeza que não serei uma dessas pessoas - sorriu - filha o teu sorriso, a tua serenidade, esse brilho que tens no olhar, a forma como cuidas do Filipe não deixa dúvidas, estás feliz e isso só é possível porque finalmente estás completa!

Ruben
Cheguei a casa e encontrei a Mariana com o Filipe no colo e a observar o céu, estava tão concentrada que não deu pela minha presença, algo que aproveitei para abraça-la e de imediato colei os meus lábios na sua bochecha.
- Deu muito trabalho?
- Não… - sorriu ao olha-lo
- Obrigado…
- Não precisas de agradecer… - já nos olhávamos, olhos nos olhos, o que nos fragilizou a ambos, ainda mais quando tínhamos os rostos demasiados próximos e foi quando os nossos lábios se estavam a precipitar uns contra os outros - se quiseres jantar tens comer no frio que pedi à minha mãe para trazer um pouco...
- À tua mãe? - olhou-me
- Sim... fomos - desviou o olhar para o Filipe, sorrindo novamente - almoçar a casa deles e acabei por jantar com eles...
- Ah ok... e os teus pais estão bons?
- Sim...
- O que se passou? Pareces preocupada...
- Não é nada... - olhei-a e talvez por isso tenha falado - Desde que a Sofia saiu do hospital nunca mais a viste?
- Não! Aliás sabes bem que para registar o menino teve que ser através dos advogados que nem isso ela fez...
- E nunca conheceste os pais da Sofia?
- Porquê que te lembraste disso?
- Curiosidade…
- Porque será que não acredito que seja esse o motivo? - olhou-me - Mariana já percebi que estás com macaquinhos nessa cabeça…
- Oh… - suspirou - hoje lembrei-me disso, afinal o Filipe deve ter avós maternos…
- Pois não sei - olhou-me - a Sofia nunca falou da sua família e sinceramente não tenciono procura-los.
- Mas o menino tem direito a conhecer a família materna.
- Essa já conhece! - atirei e só no fim é que dei por isso, ainda assim não retirei palavra nenhuma muito pelo contrário pois reforcei - Mariana a família materna do Filipe são os Mendes - olhou-me - e não adianta refilares porque sabes que tenho razão, aliás até o teu pai já percebeu isso!
A Mariana não respondeu mas deixou-se ficar sentada ao meu lado, até ao momento que o Filipe voltou a acordar e que por isso fui vê-lo. Cuidei do meu pequenino para regressar à sala apesar do meu filho ter ficado acordado e assim que me sentei
- Tenho de ir…
- Fica...
- Oh Ruben não dá - olhou-me e percebi que não estava a contar tudo
- O que se passa?
- Tenho de ir a Madrid…
- Mas vais lá fazer o quê?
- Meti férias e vou até lá! Tenho saudades do pessoal que conheci durante os meses que estive lá!
- E vais assim?
- Tanto quanto sei não te devo satisfações! Mas sim vou assim! Apetece-me e vou!
- E quando é que voltas?
- Ainda não sei...
- Ok… anda que te acompanho á porta.
Até quando continuarão estes a brincar ao toque e foge? E a Sofia terá a preparar alguma?