segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

#114 - o Guilherme quer um irmão e eu quero engravidar AGORA!

Mais do que um Benfiquista, despedimos-nos hoje de um símbolo do Futebol Português que merece o respeito e a admiração de todos os que gostam de futebol.
Deixamos aqui a nossa humilde homenagem e as condolências a família, ao SLB e a todos os que admiravam Eusébio.




Rui 

Passado pouco tempo de chegar a casa o telefone tocou atendi e como a Maria já tinha previsto era o João depois de nos cumprimentarmos de forma bastante formal
- Será que posso falar com a minha ex-mulher?
- A Maria ainda não chegou.
- Ela ainda não chegou e tu estás em casa dela? Faz-me um favor e quando ela chegar pede-lhe que ligue para falar com o Bruninho.
- Ah mas para isso não precisas que ela chegue... - afastei o telefone e - Guigas! Anda aqui ao Ui... - o menino olhou - o papa ao telefone - vi o menino sorrir e na sua maneira ainda trapalhona levantou-se e veio o mais rápido possível até mim. Sem dizer mais nada passei-lhe o telefone


João

Depois de todas as novas informações de ontem o dia hoje foi esquisito. Tinha tomado uma decisão e iria leva-la a diante, mas isso não significava que era fácil.
Ao final do dia e depois de me mentalizar que iria ouvir a voz dela. Marquei o numero e ouvi o sinal de chamada ate que atendem do outro lado da linha e ao contrário do que me tinha mentalizado não foi a Maria a atender mas sim o... o Rui. Mantive sempre uma conversa cardeal mas confesso que ao perceber que ele estava em casa dela sozinho com o meu filho a ideia me fez ter vontade de mandar dois gritos e só não o fiz porque no mesmo momento
- Xim? Que?? Eu xou o Guigas... - esqueci a raiva e sorri ao ouvi-lo, o meu bebe está cada dia que passa mais crescido, mais esperto e mais comunicativo
- Bruninho é o papá filho
- Papáaaaa! Guigas papá qui!!!
- oh amor o papá também queria estar contigo mas já sabes que assim que o papá puder estamos juntos não sabes?
- Xim...
- então conta lá como foi conhecer o Filipe?
- Pipipo Guigas gosta não
- Não gostas do Filipe porquê?
 - Padinho madinha só Pipipo e Guigas não! - percebi pela sua vozinha que estava tristinho
- O padrinho e madrinha só ligaram ao Filipe?
- Xim
- oh filho isso é porque o Filipe é pequenino e teve muito tempo doente os padrinhos precisam de cuidar muito dele e precisam que tu os ajudes!
- Guigas juda?
- Sim bebé tens de ajudar a tomar conta do Filipe porque já és grande! Prometes ao papá que ajudas os padrinhos?
- Xim Guigas pomete toma conta Pipipo
- então e como foi o teu dia foste a escolinha?
- xim papá o UI e a mamã levaram eu... xabes papá o UI e a mamã xinhos!
Ouvir o que o menino me dizia deixou-me sem chão
- ai sim?
- xim papá Guigas domi mamã e UI caminha mamã e acodou UI xinhos mamã!
- Dormiste na caminha da mamã e o Rui também e eles deram beijinhos? 
- Xim! E UI foi escar mim colinha e agora binca ate mamã gar 
A vozinha do menino era agora animada
- Ai sim?
- xim! E vamos binca bola!
- Vão jogar a bola? 
- Xim po ixo Guigas adeus papá!
- Vais dizer adeus ao papa para brincar com o Rui a bola?
- xim!! 
Depois disto ouvi o telefone a ser colocado no gancho mas como o pequenote não deve ter colocado bem a chamada não desligou e fiquei a ouvi-los brincar ate ouvir a voz da Maria que se apercebeu que o telefone não estava bem e por fim terminou com a chamada.
Deixei-me ficar exactamente onde estava sem ter coragem de me mexer tentei fechar os olhos e passado algum tempo voltar a abri-los para perceber que afinal tinha adormecido enquanto esperava que atendessem do outro lado, mas tal não aconteceu e acabei por me deitar reforçando a ideia de que a decisão tomada tinha sido a mais correcta afinal os meus amores mereciam ser felizes com alguém que estivesse ao lado deles.


Maria

Quando cheguei a casa o Rui ensinava o Guilherme a jogar futebol algo que me provocou algumas gargalhadas já que com o seu aninho o meu campeão ainda não tem a coordenação motora necessária e a maioria das vezes que acertava com o seu pé na pequena bola acabava por  cair sentado no chão. Assim que me pressentiu o menino olhou para mim
- Mamã Guigas bola papá!! - o menino estava radiante
- o Guigas joga a bola como o papá? E como o padrinho e o Rui... sabias que o Rui também jogou?
- xim UI? 
- Sim...
O pequenote não quis falar mais voltou a jogar.
- Rui? 
- Diz?
- Jantas conosco? 
- Será um prazer! 
- Então vou convidar a minha prima e o Rúben se não te importares
- Nada mesmo...
Já que o Rui não se importava convidei a Mariana e o Ruben a juntarem-se a nós. E poucos minutos depois já os tinha na nossa companhia.


Rui

Assistir ao telefonema entre pai e filho foi estranho principalmente quando o menino na sua inocência resolveu contar ao pai que nos tinha visto a beijar-nos e que dormimos juntos. Mas com o fim do telefonema e o inicio da brincadeira nem me voltei a lembrar de tal e quando a Maria chegou confesso que me surpreendeu ao perguntar se me importava que convidasse a prima e o Ruben para jantarem conosco. Sabendo eu o relacionamento que eles tem e a importância que os dois tem na vida da Maria confesso que fiquei bastante animado.
A Maria convidou-os e passado alguns minutos eles chegaram. Elas isolaram-se na cozinha e  nós ficamos com os miúdos na sala, o Guilherme que até então continuava de roda da bola assim que viu o padrinho.
- padinho Guigas bola! Padinho papa Uí!
- espera Bruninho que o padrinho já fala contigo deixa só meter bem o Filipe
- padinho juda pipipo?
- não o padrinho não precisa de ajuda e tu ainda és pequenino para ajudar - o Rúben depois de colocar o "ovo" do Filipe bem sentou-se no sofá com o Guilherme ao colo
- mas papá dixe Guigas juda padinho madinha conta pipipo!
- ai o teu papa disse?
- xim... 
- então depois o Bruno ajuda porque agora o Filipe esta a dormir pode ser? 
- xim... 
O pequeno saiu do colo do padrinho e foi brincar com os brinquedos no seu tapete de actividades.
O ambiente ficou estranho eu e o Ruben falávamos banalidades, mas eu precisava de saber o que ele achava da minha relação com a Maria
- Ruben eu e a Maria...
- Eu tenho redes sociais...
- Eu sei que és amigo do João e que ...
- Rui eu tinha decidido não me meter, mas se puxaste o assunto... - ele fez uma pausa respirou fundo e depois disparou - nós os quatro temos uma historia com anos quer queiramos quer não vamos estar todos ligados o resto das nossas vidas. O João é um dos meus melhores amigos e a Maria é como uma irma e adorava que eles se entendessem e ficassem juntos por eles mas principalmente pelo Bruno. Mas eles realmente já passaram por muito a Maria já sofreu e engoliu mais do que devia e sei, porque eu e Mariana também somos assim, que apesar de se amarem - voltou a parar olhou-me - tu sabes que ela ainda o ama?
- sei - baixei o olhar
- como estava a dizer sei que se amam, mas também sei que a Maria não vai conseguir superar o que aconteceu principalmente porque o João se sente tão arrependido que não tem força para lutar pela mulher e pelo filho... Rui eu contínuo dia após dia a lutar pela Mariana mas o João apesar de sentir ciumes não tem coragem de voltar a lutar... e a Maria merece muito ser feliz e se tu estás disposto a fazê-la feliz tens todo o meu apoio mas a primeira escorregadela garanto-te que te parto todo!
- obrigado! 
- sou mesmo...
Percebi que apesar de não dar saltos de contentamento o Ruben não seria contra e isso era um ponto mais a meu favor. Terminada a conversa seria e visto que elas iam eorar resolvemos jogar uma partidinha de FIFA


Maria

Assim que entrei na cozinha
- bem que o priminho novo tem cá uns olhinhos... sim sra que ainda não o tinha visto de perto!
- Mariana! 
- que é tenho olhos na cara! - rimos as duas - tens a certeza?
- ele é amoroso comigo e o Guilherme adora-o e ele adora o Guigas... dão-se super bem quando cheguei a casa estavam...
- Maria o Guilherme tem pai e padrinho não precisa de mais nenhum homem... quero saber se tu tens a certeza se é o que TU queres? - suspirou - oh prima eu sei que não tenho estado a altura... que não estive ao teu lado quando precisaste de apoio
- Mariana eu estou bem... e não preciso de apoio e ambas sabemos que estamos mais afastadas porque tens o teu filho que precisa muito da mamã...
- Maria!
- OK não digo mais nada!
- Como foi o fim de semana em Valência?
 - O costume... deixei o Guilherme com o pai e fui para o hotel vegetar durante dois dias. 
- O pai? Mas agora deixou de ter nome foi?
- Mariana é o pai dele não é?
- tu dizes que sim... como tu é que sabes com quem dormiste eu acredito... se bem que o teu amigo Sese também é bem jeitoso
Foi impossível não gargalharmos e acabamos por mudar de tema para assuntos mais banais até que chegou o momento de irmos para a mesa.
Todo o jantar foi bastante agradável e o momento em que o Filipe acordou e a minha prima assumiu os seus cuidados só me confirmou que mais dia menos dia os três seriam uma família. Com os meninos já a dormir o serão foi passado a quatro e na companhia de um filme.
Quando as visitas saíram ainda troquei algumas palavras com o Rui antes deste se despedir e seguir para sua casa. Algo que agradeci mentalmente visto não estar preparada para dividir a cama com ele definitivamente.
Os dias foram passando e a minha relação com o Rui seguia em velocidade cruzeiro. Os mais próximos sabiam que estávamos juntos os outros não nos interessava muito.
Com o passar do tempo chegou o momento de nova ida a Valência.
- A Teresa tem a certeza que não quer ir?
- Maria o que se passa?
- Nada. 
- então porque não queres ir?
- ai oh Teresa... é uma seca passar o fim de semana fechada num hotel...
- pois mas não posso mesmo...
Deixei de insistir peguei nas malas e entrei no carro onde o Rui esperava para nos levar até ao aeroporto.
A viagem foi tranquila e quando cheguei a Valência ao contrario do esperado o João estava no aeroporto.
- Papá!!!
- Filho! - tirou o menino do meu colo - Olá Maria. Vens sozinha?
- olá... sim como normalmente porquê?
- por nada pensei que o teu namorado viesse também.
- pois... pensar nunca foi o teu forte! Bom mas já que vieste até aqui toma estas são as coisas do Guilherme. Bebé a mamã vai buscar-te amanhã sim? 
Dei um beijo no menino que já só queria saber do pai e afastei-me sem permitir mais qualquer conversa. Aquela proximidade do João tinha-me deixado esquisita, triste, carente... Cheguei ao hotel e deitei-me enviando só uma SMS ao Rui avisando que tinha chegado bem. Foi o tempo de ele receber a SMS para me ligar. Tirei o som do telemóvel e fechei os olhos precisava desesperadamente de me isolar e afastar de toda esta montanha russa que era a minha vida sentimental. Passei uns minutos a tentar pensar em nada mas a única coisa que conseguia era ter flashs de imagens do João o seu cheiro parecia que dominava o quarto e as imagens dele povoavam-me a cabeça num acto irreflectido peguei na minha mala e corri para casa do João.
Assim que ele me abriu a porta joguei-me nos seus braços e beijei-o com fulgor quando o oxigénio teimou em acabar afastei ligeiramente a minha cara da sua
- Maria...
- Shiu não digas nada! Ou melhor o menino?
- Vinha cansado adormeceu no carro está no quarto dele porquê? - não lhe respondi voltei a beija-lo até perder o fôlego novamente. - Maria...
- Cala-te e mexe-te! - ele continuava a olhar-me - João mexe-te!!! O Guilherme quer um irmão e eu quero engravidar AGORA!
- Maria... 
As tentativas de ele me chamar a razão estavam quase a ser bem sucedidas por isso resolvi recorrer a tudo o que sabia que o deixava louco. Como é óbvio fui muito bem sucedida, tão bem que no final só me lembro de cair no colchão completamente sem forças e adormecer.


João

Depois do telefonema atendido pelo Rui cada vez que ligava para falar com o meu menino quase que morria só de pensar que poderia ser ele a atender novamente. Felizmente tal não voltou a acontecer embora o Uí não saísse das conversas do meu filho.
Num dos telefonemas já depois de ter conversado com o Bruno que me despachou a correr porque tinha de ir ver o padrinho na televisão com o Rui
- João podemos falar?
- Por mim...
- Este fim de semana o menino devia ir ai, mas a mim não me dá muito jeito... o Rui tem jogo e eu prometi ir... 
- Desculpa?! Tas a dizer que eu não posso ver o MEU filho porque tu prometeste ir ver o jogo do teu vizinho?
- Não eu estou a dizer-te que tenho um jogo dos sub-20 dos quais o MEU NAMORADO é seleccionador nacional e gostava de ir com o Guilherme
- Pois mas eu no próximo jogo fora e...
- Pronto ok eu falo com a tua mãe
- Tu é que sabes!
Dito isto desliguei, mas ela que não pensasse que isto ficava assim de imediato liguei para a minha mãe
- Mãe preciso de um favor teu
- Diz?
- Aconteça o que acontecer recusa-te a vir a Valência pela Maria
- João...
- João nada! Eu sei o que estou a fazer
Acabei por convencer a minha Mãe. Ela ficou a pensar que estava a ajudar-me a juntarmos-nos mas eu já só queria atrapalhar a relação dela com o vizinho.
Os dias passaram e a minha mãe ia-me contando que a Maria "coitadinha" lhe pedia para a substituir. Como já conheço as duas sabia que a Maria podia convencer a minha mãe e por isso não resisti a ir ate ao aeroporto onde esperei o meu filho e não pude deixar de ficar radiante ao vê-lo ao colo da mãe.
A conversa com a Maria não correu muito bem, mas só o tê-la na mesma cidade que ela já não era mau.
- então filhote como foi a viagem?
Tentei meter conversa com o pequenote, mas ele não respondeu olhei para trás e ele dormia.
Cheguei a casa peguei-o ao colo deitei-o na caminha e fiquei a vê-lo dormir e a ver como o tempo tinha voado desde que vi a primeira foto da Maria a dizer que estava gravida até hoje e foi impossível não me perder a imaginar como poderia ter sido tudo tão diferente do que é e em como o Bruno era a maior prova de que eu e a Maria não sabíamos viver um sem o outro e mesmo assim continuava-mos tão separados. Perdi-me a imaginar como seria se tivesse estado com ela no momento que descobriu que estava grávida, no primeiro e em todos os seus enjoo e desejos, em como gostava de ter estado em todas as ecografias.... enfim percebi o quanto falhei, como pai e principalmente como amigo, namorado, marido... estava a auto flagelar-me mentalmente quando ouço a campainha e uma secreta esperança de que fosse a Maria agitou-me a alma.


Rui

O aproximar de uma nova visita do Guilherme ao pai agitou-me confesso sem problemas que ainda não me sinto seguro e que tremo com a hipótese de o João resolveu acordar e reaver a família por isso apoiei na ideia de o Guilherme ir com a avo paterna.
Infelizmente a mãe do João não pode acompanhar o neto e como o João não acedeu em trocar a data da visita eu resolvi embarcar para Valência assim que o jogo terminou.
Quando lá cheguei liguei para a Maria mas ela não atendeu nenhuma das dezenas de tentativas. Fiquei preocupado e resolvi perguntar a Mariana em que hotel a prima costuma ficar hospedada e fui até lá.
No hotel sabiam que ela tinha chegado, mas ela não respondia nem pelo telefone nem quando foram bater na porta do seu quarto.
Comecei a tremer só de pensar que ela pudesse estar com o João por isso voltei a pegar novamente no telemóvel desta vez apelei para o Ruben e foi ele que me deu a morada do João para onde segui de imediato embora congelado de medo com o que poderia vai a encontrar. Parei na porta do prédio e durante uns minutos não tive coragem em tocar...

O que ira encontrar o Rui?
E como ficarão a Maria e o João?
Como estarão a Mariana e o Ruben?



quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

113 - "A única coisa que é tua por direito é um internamento no Júlio de Matos!"

BOM ANO!!!

Ruben
Passei a manhã toda a tentar ligar à Mariana, só parei mesmo durante o tempo que tive no treino ainda assim nunca atendeu, motivo suficiente para ter entendido que não quer falar, acabei por desistir e dar-lhe tempo para assimilar o que se passou ontem.
Estava em casa quando ouvi a campainha e para meu espanto a visita era a Mari e após alguns minutos não aguentei e tive que esclarecer uma dúvida
- Porquê que não atendeste nenhuma das minhas chamadas e nem respondeste às mensagens?
- Porque… olha porque tive um dia complicado no trabalho… mas aqui estou eu para visitar o Filipe
- Não acredito… mas tudo bem…
- Acredita naquilo que quiseres!
O seu tom de voz só confirmou o que já sabia, a Mariana não veio só ver o Filipe e por isso voltei à carga.
- Chega para lá! - ordenou
- Porquê? - não a deixei responder - Ah já sei porque depois não resistes e a culpa é minha porque te obrigo - provoquei
- Mas queres apanhar?!
- Se a tareia for tão boa como a de ontem - a Mariana olhou-me com vontade de bater - sim quero apanhar e muito!
- Vou embora! - levantou-se do sofá mas conforme o fez também a puxei para mim, o que fez com que caísse sobre o meu corpo - Ruben…
Não a deixei continuar a falar pois uni as nossas bocas mesmo correndo o risco de levar um estalo mas confesso que foi um risco calculado pois já esperava que fosse retribuir, algo que aconteceu mesmo e os minutos seguintes foram mais do mesmo, connosco a beijarmo-nos. Não resisti e acabei por “animar-me”, as minhas mãos foram até ao interior da sua camisola mas assim que o fiz a Mariana deu sinais de que estava a abusar e por isso retraí-me, ficamos simplesmente deitados e abraçados.
A Mariana tinha a sua cabeça no meu peito, algo que aproveitei para lhe fazer um cafuné, ao qual se seguiu nova troca de beijos mas sem “abusos” da minha parte, afinal não queria pressioná-la e muito menos deixá-la desconfortável, ainda assim acabei por lhe perguntar algo em que andava a remoer desde manhã.
- Porquê que ontem - assim que mencionei “ontem” a Mariana olhou-me - obrigaste-me a usar… - não precisei de terminar para ter a resposta
- Já há muito que deixei de ser irresponsável - atirou - além disso só me protegi!
- Não estás a tomas a pílula?
- Estou! Mas a pílula é só um contracetivo!
- Estás a insinuar que posso… - voltei a não terminar porque a Mariana interrompeu
- Não estou a insinuar nada! Mas desde que tiveste sexo com outra sem te protegeres…
- Oh Mariana não tenho doença nenhuma…
- Já alguma vez fizeste análises específicas?
- Não…
- Então não afirmes o que não sabes!
- Queres que faça as análises? - olhou-me - Tudo bem… eu faço! - voltou a deitar a cabeça no meu peito
- Faz o que quiseres!
Não respondi mas uns minutos depois outra dúvida surgiu
- Mariana agora andas com preservativos? - sem que esperasse a Mariana levantou-se - Onde vais?
- Embora!
- Hey porquê?
- Porquê? Ainda perguntas? Acabaste de insinuar que voltei à vida que tinha no passado - olhei-a estupefacto, ainda mais quando vi as lágrimas a molharem o rosto - pois mas fica a saber que só tinha a merda do preservativo dentro da mala porque desde o momento que passamos tanto tempo juntos que sei que o que se passou ontem era inevitável - sorri ao ouvi-la - mas também te garanto que foi uma vez sem exemplo!
- Não digas isso - olhou-me - sabes perfeitamente que não é verdade!
- Ruben… - desta foi a minha vez de a interromper
- Pode não ser hoje nem amanhã, até pode levar dias, semanas ou meses mas haverá o dia que acontecerá de novo porque nós amamo-nos e o que aconteceu ontem é inevitável por muito que fujas…
- Metes nojo sabes?
- Meto?! - aproximei-me dela, rodeando a sua cintura com os meus braços - Não é isso que vejo e sinto de todas as vezes que estamos assim pertinho um do outro…
A Mariana suspirou mas não teve coragem para refutar a afirmação que tinha feito e talvez por isso puxei-a de novo até ao sofá, onde acabamos novamente deitados lado a lado.
Os minutos passaram e só nos afastamos quando o Filipe acordou, fui preparar-lhe o biberão e quando ia a chegar ao quarto ouvi
- Ai Filipe, Filipe na alhada que estou a meter-me… - sorri ao ouvi-la e não resisti em espreitar para o interior do quarto, o meu amor estava com o menino ao colo e sentada no cadeirão que tenho no seu quarto - será que algum dia conseguirei perdoar os erros do teu papá e viver com os meus? Ai filho… filho que a tua mamã está tão confusa…
Ouvi-la a falar para o Filipe e a referir-se ao menino como filho mas principalmente ouvi-la novamente a admitir que já se sente a mamã do nosso pequenino deixou-me radiante, ainda assim tentei disfarçar o sorriso de modo que não percebesse que ouvi a conversa e entrei no quarto
- Finalmente! Tanto tempo para preparar o biberão! - refilou mas não teve resposta da minha parte, talvez por isso tenha mudado de assunto - Como é que correu o dia? - perguntou quando já estava a dar o biberão ao meu filho
- Mais ou menos!
- Então?
- Oh… foi estranho ter que deixá-lo com a Olga durante as horas que tive a treinar…
- Mas não confias na senhora?
- Confio… pelo menos tem boas referências mas custa deixá-lo, ainda agora veio para casa e já o estou a abandonar…
- Deixa de ser exagerado! Não o estás a abandonar, vais trabalhar como qualquer pai!
- Pois…
- O que foi?
- Ohhh tenho que arranjar solução para os dias dos jogos e para as alturas que estou de estágio, a Olga só trabalha durante a semana e só faz os dias...
- Sempre que precisares é só dizeres...
Sorri ao ouvi-la mas não respondi e no fim de trocar a fralda ao Filipe perguntei se queria pegar, algo que fez sem hesitar. Estava com um sorriso lindo e não resisti em tirar uma foto, que a Mari reclamou mas de pouco adiantou. O meu amor adormeceu o Filipe e depois saímos do seu quarto, já estávamos novamente na sala quando os nossos telemóveis deram sinal de mensagem recebida.
- Uiiii a Maria a convocar-nos para um jantar...
- Só espero que não seja aquilo que acho... - a Mariana desviou o olhar
- Estás a falar de quê?
- Não viste as últimas fotos que partilhou? Depois de chegar de Valência?
- Vi... e mesmo que não tivesse visto o João fez questão de avisar-me da existência delas mas o que isso tem a ver com o jantar?
- Queres que te faça um desenho?
- Nah... achas que a Maria e o Rui...
- Não sei - respirou pesadamente - nestes últimos meses tenho sido uma péssima prima, irmã e amiga...
- Hey - aproximei-ma da Mariana e levei os dedos ao seu rosto de forma a limpar-lhe as lágrimas que caíram sem aviso prévio - não fiques assim... a Maria de certeza que compreende
- Será? Ruben abandonei a minha prima... - interrompi-a
- Estás enganada! Não abandonaste a Maria - vi-la olhar para mim - e a tua prima sabe disso porque no passado também teve que escolher entre o filho e a prima... a Maria também teve que fazer a mesma escolha que fizeste, meteste o teu filho em primeiro tal como ela meteu o nosso afilhado, também tu nessa altura precisavas dela mais do que tudo e tiveste que procurar noutra pessoa o apoio que sempre te deu, é isso que o Rui é para a Maria, o apoio que momentaneamente não lhe consegues dar, não acredito que passe disso mas mesmo que passe podes ter a certeza que a apoiarei, independentemente do João ser como um irmão para mim, a Maria é minha amiga e prima - o meu amor desviou o olhar mas não negou o que deixou-me esperançoso - e merece ser feliz!

Sofia
Assisti à distância ao espetáculo que os jornalistas montaram à saída do hospital e ver a ladra de namorados a ser enxovalhada foi único mas a determinado momento vê-los tão próximos fez com que percebesse que vou ter algum trabalho para os separar...
Vi o Ruben desaparecer e ainda pensei segui-lo mas preferi não o fazer... para conseguir desfazer-me da queridinha dele o melhor é não revelar o meu regresso... ainda assim decidi manter-me atenta e por isso tenho vigiado o Ruben...

Mariana
Não sei o que pensar e muito menos fazer, só sei que se continuar a este ritmo enlouqueço em três tempos, a verdade é que já não consigo estar longe do Ruben e muito menos do Filipe, algo que o Ruben já percebeu e não tem qualquer acanhamento em usar esse trunfo a seu favor, tenho noção que sou cada vez mais uma marioneta nas suas mãos, basta que se aproxime para que ceda e me entregue a ele...
***
Depois da curta conversa que tive com o Ruben sobre a aproximação da minha prima ao Rui, acabamos por sair com destino ao apartamento da Maria. Fui no meu carro para desagrado do Ruben que ainda tentou convencer-me a irmos juntos, a ideia dele era mais do óbvia, queria que fosse com ele para depois ter que regressar e assim teria a sua oportunidade de tentar a sua sorte, mas não lhe dei essa abébia e levei o meu carro.
Durante o jantar tive que levar com o Ruben do meu lado e não sei porquê hoje o seu perfume estava a dar cabo de mim, isso e a forma como sorria...
No final do jantar enquanto fiquei a ajudar a minha prima, os rapazes foram até à sala e quando nos juntamos a eles, encontramo-los no vício, o que fez a Maria sorrir.
Mantivemo-nos à conversa até ao momento que o Filipe acordou e que fui de imediato ter com o menino
- Não largas mesmo o puto!!! Será por ser filho de quem é?
- Vai pastar cabras! - resmunguei quando já tinha o menino no colo
- Hey! - olhei para o Ruben - olha a linguagem!
- Cala-te! O único que não tem mural para falar és tu! Ainda agora disseste um palavrão daqueles bem cabeludos!
O Ruben não respondeu e os minutos seguintes foram para cuidar do Filipe e quando já o adormecia o momento “surpresa” chegou quando o Guilherme resolveu fazer uma pequena birra porque queria que o Rui fosse adormece-lo, o que fez com que ficasse a sós com o Ruben, uma vez que a Maria foi atrás do filho e do amigo...
***
- O que é que foi? - resmunguei ao vê-lo a olhar-me
- Nada... estou só a olhar para a mulher que amo!
- Chega! - sorriu o que ainda mexeu mais comigo
- Não vou desistir! - bufei e teria ripostado mas a Maria entrou na sala, desafiando-nos para ver um filme, algo que o Ruben aproveitou para voltar a provocar pois sempre que colocava a mão dentro da taça das pipocas ele também o fazia mas com um único objetivo, ou seja agarrar a minha mão.
As horas passaram na companhia da Maria, do Rui e do Ruben e a cada pequena provocação dele a vontade só aumentava, algo que piorou drasticamente quando percebi que teria de partilhar o elevador com ele, uma vez que assim que avisei que ia embora o Ruben também se despediu. Entramos no elevador e assim que as portas se fecharam

Ruben
Conheço a Mariana por isso não foi difícil adivinhar que quer tanto como eu, por isso mesmo não perdi a oportunidade e quando a porta do elevador fechou beijei-a com fulgor, beijo esse que foi totalmente correspondido pela Mariana e só terminamos com a troca de saliva quando a porta se voltou a abrir
- Tem uma boa noite - despedi-me dela com dois beijinhos deixando-a sem reação e entrei no meu carro.
Conduzi calmamente até casa e assim que cheguei deitei o Filipe no berço e fui até à sala. Estava numa de fazer zapping quando ouvi a campainha, fui ver quem era e mal abri a porta a Mariana atirou-se para os meus braços, beijando-me fugazmente

e foi por entre beijos que chegamos ao quarto, onde acabamos deitados
não perdemos muito tempo com os “mimos” iniciais, até porque nenhum dos dois estava disposto a isso, tanto que a Mari depressa começou a livrar-se das nossas roupas

e assim que já nada nos impedia, amamo-nos de uma forma mais “louca” ainda assim muito prazerosa…
Estávamos dispostos a prolongar ao máximo aquela entrega mas esta teve que ser interrompida quando o Filipe acordou a chorar.

Mariana
Se o atrevimento do Ruben ao beijar-me no elevador já me tinha deixado desconcertada quando se despediu de mim daquela forma só agravou mais a vontade de ter uma boa noite de sexo, tentei repelir tais pensamentos mas confesso que a cada minuto que passava a vontade só aumentava.
Juro que aguentei ao máximo mas esse máximo não foi tempo suficiente para que chegasse a casa, pois a dado momento inverti a marcha e rumei a casa do Ruben, precisava de uma noite de sexo por sexo, por isso mesmo assim que abriu a porta não lhe dei tempo para perguntar ao que vinha, pois demonstrei imediatamente ao beijá-lo mas principalmente ao “conduzi-lo” até ao seu quarto, onde rapidamente tive aquilo que tanto precisava sexo!
Ainda não estava minimamente satisfeita quando o Filipe acordou mas não tive outra solução que deixar o Ruben ir até ao seu quarto, vestindo unicamente os boxers o que fez com que suspirasse, algo que provocou a gargalhada ao Ruben seguida por mais um beijo
Fiquei no quarto à sua espera mas acabei a rir sozinha quando o ouvi pelo intercomunicador
- Oh filho… que sentido de oportunidade!
Ainda fiquei na cama uns minutos mas ao perceber que o Filipe continuava rabugento e o Ruben sem o conseguir calar fui ver o que se passava
- Dá cá o menino que está visto que não o vais conseguir calar! - falei mal entrei no quarto do menino
- Nem penses! - olhei o Ruben - Isso não são preparos para pegares no Filipe ao colo! - gargalhei
- Deixa de ser picuinhas… o Filipe ainda não distingue o que vê… logo ver-me nua ou com roupa é igual - conforme falei peguei no menino e assim que o fiz o Filipe levou a mão ao meu peito
- É… é… tão igual que o puto está… - voltei a rir
- Estás com ciúmes do teu filho? - atirei ao passar ao seu lado e algo que aproveitou para agarrar-me pela cintura
- Não são ciúmes… - sussurrou ao ouvido aproveitando para dar pequenos beijos e mordidelas - só acho que não há necessidade de... - olhou-me de cima a baixo - estares a provocar-me enquanto tens o menino nos braços!
- Cala-te! - sorriu - que quero adormecer o Filipe!
O Ruben não abriu mais a boca e aproveitou enquanto embalava o menino para continuar a provocar-me com beijos distribuídos pelo meu pescoço, ombros, rosto e lábios…
- Pára… - pedi sem vontade que parasse mas se não o fizesse dificilmente conseguiria adormecer o menino
- Tens a certeza que queres que páre? - olhei-o de esguelha e vi-o a sorrir de traçado
- Epa desaparece! Ou ficas sozinho com ele que vou embora!
Não estava a brincar e talvez pelo meu tom de voz o Ruben tenha percebido que o melhor era mesmo deixar-me sozinha com o Filipe e por isso acabou por sair, o que permitiu que concentrasse-me na tarefa de adormecer o Filipe algo que demorou mais do que previa ainda assim consegui e quando regressei ao quarto do Ruben não o encontrei na cama mas ouvi a água a correr, sinal que devia estar no duche.

Ruben
Acordei sem a Mariana do meu lado mas percebi o motivo quando ouvi o meu amor a falar para o Filipe, vi as horas e entendi que o menino deve ter acordado com fome, fiquei na cama à sua espera e assim que regressou encontrando-me acordado voltou a procurar-me

Não demorei muito a reagir e mudei de posição, deitando-a na cama para dedicar os minutos seguintes a beijar cada parte do seu corpo, a Mariana gemia baixinho, o que só estava a deixar-me louco de desejo, tanto que não demorei muito em unir novamente os nossos corpos
e só os voltei a separar quando estávamos os dois satisfeitos, ainda assim as carícias não diminuíram, continuamos a trocar mimos até ao momento que a Mari adormeceu nos meus braços.
***
Acordar com a Mariana na minha cama e ainda por cima ser de imediato brindado com o sorriso lindo do meu amor deixou-me sereno, a forma como a Mariana olhava fez-me sorrir e tentar a sorte ao aproximar o meu rosto do seu na tentativa de lhe dar os bons dias de forma ainda mais carinhosa mas
- Estou com fome!
A Mariana assim que percebeu a minha intenção saiu da cama, suspirei involuntariamente levando o meu amor que já estava perto da porta a parar, voltou-se e brindou-me com um sorriso que correspondi, o que fez com que ficássemos a olhar um para o outro durante alguns segundos e sem que esperasse a Mariana voltou a aproximar-se da cama, onde se sentou e ao inclinar-se sob o meu corpo uniu os nossos lábios num beijo ternurento ainda assim profundo.
- Não queres fazer companhia no pequeno-almoço? - sorri perante o convite
- Quero!
- Então porquê que ficaste na cama quando avisei que ia comer?
- Porque pensei que quisesses ficar sozinha... porque ia beijar-te e fugiste com a desculpa de estares com fome
- Não foi desculpa - falou indignada - estou mesmo com fome!
Assim que falou saiu do quarto, acabei por segui-la e comemos o pequeno-almoço por entre algumas brincadeiras. Depois de comer fui até ao quarto vestir-me e quando entrei na sala o meu amor estava a ver televisão, não resisti e num impulso provocado pelo sentimento que nos une aproximei-me do sofá e ao inclinar-me, beijei-a
beijo esse correspondido, que deu lugar a algumas provocações de ambas as partes o que serviu para animar-me mas
- Vou trabalhar!
- Espera! - fui atrás dela - Nem um beijo de despedida mereço? - pedinchei o que fez com que sorrisse para depois se aproximar de mim
- Satisfeito?!
- Por agora sim…

Mariana
Passei a manhã numa azáfama terrível, tanto que nem tive tempo para fazer a pausa do café. Saí para o almoço e hoje ao contrário do que é hábito fui sozinha, uma vez que não me apeteceu ir ao restaurante que os meus colegas queriam.
Estava a olhar a ementa quando pressenti que alguém estava a olhar-me, elevei a cabeça e se não tivesse sentada acho que tinha caído, afinal tinha diante de mim a Sofia que com a maior naturalidade puxou a cadeira e sentou-se à minha frente.
- O que queres? - não sei como consegui mas a verdade é que falei
- O que achas?
- Sofia, estou sem paciência!
- Tadinha da menina…
- Deixa-me em paz!
- Ai tão stressadinha que ela está - sorriu cinicamente - Mas tem calma porque só vim avisar-te - olhou-me de uma forma que arrepiou-me - voltei para recuperar o que é meu por isso é melhor desapareceres!
- O menino não é troféu…
- Mas achas mesmo que quero saber desse monstro para alguma coisa? - olhei-a abismada - Por mim até podes ficar com ele todo para ti, até é um favor que me fazes! Quero o Ruben e vou fazer por isso!
- Monstro? Como é que consegues ser tão desumana?
- Não vim falar de humanidade ou desumanidade - o olhar dela espelhava loucura - Só vim recuperar o que é meu por direito!
- A única coisa que é tua por direito é um internamento no Júlio de Matos! - gargalhou de forma doentia
- Estás com umas piadas muito boas - voltou a sorrir - mas ficas avisada se volto a ver-te com o Ruben... - interrompi-a
- Estás a ameaçar-me?
- Não estou só a avisar-te que não olharei a meios para atingir o meu objectivo!
- Que é?
- O Ruben é meu e só meu! Afasta-te!
- O Ruben não é de nenhuma das duas, ele é livre para escolher quem quiser... - interrompeu-me
- Lá livre é mas no final a escolha será só uma... EU - falou confiante
- Sofia o Ruben nunca na vida voltará para ti!
- É o que veremos... não queiras medir forças comigo porque tenho um trunfo que nunca terás - sorriu vitoriosamente - tenho o monstro que posso sempre usar a meu belo prazer
- Nem penses, no Filipe não tocas!
- Hum... parece que o monstro tem que o defenda - gargalhou - já percebi que gostas imenso dele por isso afasta-te ou já sabes quem sofrerá...
- Quê? Sofia como é que és capaz?
- Fui eu que fiquei desformada para o ter por isso posso fazer tudo o que quiser... Só te aviso uma vez afasta-te do Ruben ou quem sofrerá é o monstro, estamos entendidas?
Não estava a acreditar no que ouvia, a Sofia estava a ameaçar o próprio filho, o meu menino, fiquei tão chocada que acabei por lhe dizer o que queria ouvir e assim que o fiz saiu, deixando-me em completo estado de nervos...
E agora o que fará a Mariana? Desistirá do amor entre homem e mulher em prol do amor entre mãe e filho?

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

112 - "Tou-me a rir de vocês meus palhacinhos!"

João
Esperei que começassem a chegar noticias de Lisboa afinal também gostava de estar presente neste momento importante da vida do meu amigo, mas tal foi mais uma vez impossível, mas sabia que mais cedo ou mais tarde começariam a chegar noticias pelas redes sociais. Esperei, esperei mas as únicas novidades que tive foram a de um jantar romântico da minha mulher, apesar da especulação fosse de que eu o teria preparado eu sabia muito bem que não o tinha feito. E passadas algumas horas, já depois de informar quem a conhecia de que iniciara uma nova relação, partilhou una fotografia com quem a acompanhava. Confirmei as suspeitas que tinha e decidi que não iria voltar a fazê-la sofrer e para isso o melhor a fazer é mesmo cumprir com o prometido e ser apenas seu amigo enquanto o nosso filho nos mantiver ligados, ou seja, para o resto das nossas vidas.
Tudo o que fazemos tem consequências e eu vou ter que assumir as consequências por ter sido burro e fraco.

Maria
Depois de terminar a massagem o Rui resolveu retribuir e quando senti as suas mãos nas minhas costas comecei a relaxar, ele sabia o que fazia e em pouco tempo já me sentia adormecer
- Bem tu sabes mesmo o que fazes... - falei com a voz arrastada do sono
- E tu tás mesmo de rastos... -sorriu - vou deixar-te dormir - deu-me um beijo carinhoso nos lábios - até amanhã! Obrigado por me teres feito um homem mais feliz... antes de sair vou passar no quarto do menino se não te importares ... - falava enquanto me ia cobrindo com o lençol
- Não me importo que vás ao quarto do Guilherme antes pelo contrário até agradeço, mas... - sentia que queria e que o que lhe ia pedir era o certo, mas tinha vergonha - mas depois não vás para casa... volta para aqui... - fiz voz de mimo - tou farta de dormir sozinha...
- Estás a pedir-me de durma aqui?
- Sim! Mas se não quiseres...
- Quero, quero muito... mas depois de me pedires tempo confesso que não o esperava tão cedo...
- Tenho sono quero mimo... e sim é provável que se não me sentisse tão carente não te pediria porque sei que te posso magoar mas...
- Mas eu vou ver o campeão e volto já!
Passados alguns minutos ele voltou naturalmente despiu-se e deitou-se a meu lado apenas de t-shirt e boxers. Passou o braço por cima da minha cintura e deu-me um beijo carinhoso na bochecha e sussurrou um "boa noite rainha". Não disse mais nada nem forçou nada e eu dormi tranquila como não o fazia há muito tempo.
Acordei acompanhada, algo que já não acontecia há imenso tempo. E assim que consegui abrir os olhos percebi que não havia apenas um mas sim dois corpos a mais na minha cama. Já não tinha o braço do Rui a "proteger-me" porque esse aninhava agora o meu filho que dormia serenamente no meio de nós. Foi impossível não sorrir
- Bom dia!
- Bom dia! Como é que ele veio aqui parar? Não dei por nada!
- Depois de adormeceres ele acordou a choramingar e a chamar pelo pai, fui até ao quarto e tentei acalma-lo perguntou por ti e achei melhor trazê-lo para cá.

Rui
Decidi que estava na hora de definir as coisas com a Maria já que da forma que andávamos eu já não sabia o que fazer, pensar, sentir. Por isso acabei por resolver organizar uma pequena surpresa sabendo que fora de casa não a conseguiria levar acabei por tratar de tudo em casa mesmo. Quando ela chegou tive de alterar os planos e trocar tudo para casa dela, mas compensou.
A Maria resolveu retribuir a surpresa dando-me uma oportunidade de a conquistar. Apesar de saber que os sentimentos dela por mim não eram nem de perto nem de longe os mesmos que tem pelo pai do filho sei que vou conseguir aos poucos conquistá-la.
Mas quem me surpreendeu ainda mais foi ela que depois de me conceder a chance de a conquistar ainda resolveu partilhar com quem a segue a decisão que tomou e ainda me brindou com alguns momentos de relaxe e mimo e convidou-me para ficar com ela.
Sabia que era apenas carência, mas não fui capaz de recusar. Minutos depois ela adormeceu e eu ouvi o Guilherme. Como não queria que a Maria acordasse fui eu até ao quarto do menino e este chamava pelo pai
- Pequenino o que se passa?
- Papá!
- Já sabes que o papá tá na casa dele não é? Agora descansa e dorme que o Rui fica aqui...
- Ui mamã?
- A mamã tá a dormir e tu também vais dormir agora?
- Mamã...
Acabei por ceder ao pedinchão que fazia um beicinho lindo e peguei nele levando-o ao colo para o quarto da Maria
- Vês campeão a mamã está a dormir
- Mamã domi Guigas domi mamã UI domi mamã e Guigas?
- Queres dormir com a mamã?
- Xim e Ui
- E eu também?
- Xim
- Então deita ai ao pé da mamã que o Rui deita aqui.
O pequeno em pouco tempo já dormia e eu depois de os ver dormir durante um tempo adormeci também para acordar com a Maria a olhar-nos. Acabei por lhe explicar o que fazíamos ali os três e com a nossa conversa acordamos o pequenote que seguiu com a Mae para a casa de banho enquanto eu invadi a sua cozinha e preparei o nosso pequeno-almoço. Estava concentrado a colocar a mesa certificando-me de que não faltaria nada
- Bom dia!
- Bom dia outra vez!
- Não agora sim bom dia… só agora é que estou a acordar… acho eu…
- Achas?!
- É que tenho a ligeira sensação de que cheguei a casa tomei duche e adormeci e como sabia que tinha combinado contigo jantarmos sonhei tudo isto…
- Achas tudo assim tão irreal? Bem pelo menos chamas de sonho e não de pesadelo!
- Não é que seja irreal é que… confesso que no dia que tomei a decisão de me separar do João nunca pensei que tão depressa tivesse outro homem na minha cama…
- Maria eu só fiquei porque pediste! - interrompia com medo de que se tivesse sentido pressionada
- Calma eu sei, pedi porque quis e soube-me muito bem, mas…
- Com o tempo as dúvidas vão passar e eu vou conseguir conquistar-te de vez! - voltei a encostar os nossos lábios mas não aprofundei mais o gesto
- Uiiii!!! Mamã!!!
- Diz amor? - a Maria afastou-se de mim indo em direcção do filho
- Ui xinho mamã não!
- Não posso dar beijinhos na mamã? - ele fez-me que não com a cabeça - e no bebé posso? - não o deixei responder e enchi-o de beijinhos nas bochechas enquanto lhe fazia algumas cocegas
- Uii páaaa! - pedia a rir
- Pronto eu paro… mas só porque temos de comer!
Neste momento voltei a olhar para a Maria que nos observava a sorrir.

Maria
Enquanto me despachei a mim e ao Guilherme fui invadida de dúvidas sobre o que tinha decidido na última noite. E quando entro na cozinha e o Rui já tinha tudo preparado senti que talvez não o merecesse. A conversa desenrolou por ai, com poucas palavras da minha parte nem eram precisas afinal ele lê-me o pensamento, mas foi quando o Rui uniu os nossos lábios que o Guilherme se manifestou. Depois dos ciúmes dos padrinhos era a vez de ter ciúmes da mãe, mas o Rui resolveu o problema com muito jeito e em segundos já os dois riam e brincavam de forma cúmplice e dei por mim a sorrir, estava finalmente a ter uma noite e um início de dia em “família” como as famílias normais e sem ser vivido a correr e com a necessidade de aproveitar cada segundo antes que chegasse a hora de mais uma despedida.
- O que é que te ris? Também vens comer tu!
- Tou-me a rir de vocês meus palhacinhos! E sim vou comer porque - olhei ao relógio - estou a ficar atrasada e ainda tenho de levar o Guilherme ao infantário e preciso que a reunião acabe cedo para o ir buscar antes do infantário fechar que a madrinha tem o Filipe e as avós hoje estão as duas indisponíveis
- Se quiseres eu posso ir busca-lo sem problema…
- Obrigada, mas além de não te querer incomodar, também não to deixavam leva-lo… precisas de autorização para o fazer
- E tu não ma dás?
- Dou…
- Então qual é o problema?
- Nenhuma, mas como tens de ir comigo lá porque precisam dos teus documentos e de te verem bem… - falei a rir
- Então vamos! Vou só trocar de roupa enquanto vocês comem - vi-o sair porta fora super descontraído e voltar minutos depois - estou pronto!
- Nós também… vamos Guigas?
- Xim… - o meu pequenote falou desanimado
- O que é que se passa que estás tão desanimado tu que adoras a escolinha…
- Guigas qué papá… mamã… caja!
- Oh amor a mamã já te explicou que não pode ser… que o papá está a trabalhar lá longe e tem a casa dele e nós temos a nossa… não foi?
- Xim, mas Guigas qué!
- Oh Guilherme a mamã hoje também queria ficar aqui em casa a brincar contigo e com o Rui se ele pudesse ficar connosco e íamos ver o Filipe, mas não pode ser, depois outro dia ficamos sim? - não me respondeu, estendeu só os braços pedindo colo e assim foi até ao carro. - Vais connosco? - perguntei quando vi o Rui sentar-se no lugar do “pendura”
- Não foi o que combinamos?
- Sim… mas pensei que levasses o teu carro…
- Queres que leve?
- Não, podes vir connosco… mas e depois como voltas?
- A pé! Não é assim tão longe…
Chegamos rapidamente ao infantário onde o Guilherme se juntou aos coleguinhas sem refilar mais uma única vez, eu já sabia que ia ser assim, sempre que voltava de Valência queria ficar em casa com o pai e não ir para o infantário. Tratei com o Rui das burocracias sob o olhar algo reprovador da diretora da escola, uma senhora de idade já avançada e completamente contra o divórcio e novas relações que já me tinha dado em outra ocasião os parabéns por ter terminado a relação e não ter arranjado logo outro homem como essas levianas que por ai andam e que nitidamente se arrependia do que me tinha dito. Ignorei-a, aliás apresentei o Rui como amigo e vizinho e alguém em que podia confiar os cuidados do Guilherme em dias como os de hoje em que tanto avós como madrinha não o poderiam fazer e eu temia não conseguir terminar a reunião a horas.
Assim que saímos do infantário e dirigi-me ao carro
- Então adeus! Se precisares que venha buscar o menino liga ou envia sms - olhei-o
- Desculpa! Estou tão habituada a sair e enfiar-me no carro que… tens a certeza que não queres que te deixe em casa?
- Sim tenho… vai lá para a reunião e tá descansada qualquer coisa eu venho busca-lo
- Nem sei como te agradecer…
- Eu sei!
- Ai sim? Como?
- Que tal aproveitar que nenhum palmo de gente nos vai chamar e… - não o deixei acabar sabia o que ele queria e a mim não me parecia nada má ideia cada vez me sentia menos constrangida em beija-lo alias cada vez me sentia melhor ao fazê-lo e fi-lo sem problemas
- Até logo!
- Até já! Vai com cuidado!
- Sim papá!
Estar com o Rui fazia-me sentir bem, mas estava na hora de voltar ao mundo real, ao mundo do trabalho e assim que entrei na empresa
- Bom dia Maria, o Jorge espera-a no seu gabinete e parece urgente
Corri para o gabinete afinal era estranho o meu tio precisar de algo urgente
- Bom dia Jorge! O que se passa para estares aqui a esta hora, não estou atrasada pois não?
- Maria sabes que o tio não gosta de - o tio? a conversa é pessoal? o que terá acontecido? - se meter na tua vida, mas aquilo que partilhaste ontem… Maria tens a certeza? É que sei perfeitamente que ainda não superaste o que aconteceu e tenho medo que te estejas a precipitar…
- Tio… o tio não gosta de se meter e eu não gosto que se meta, mas percebo que está preocupado e só por isso lhe digo que sim, sei o que estou a fazer. E pode ficar descansado que as cartas estão todas na mesa, ambos sabemos o que sentimos e o que esperamos desta relação
- Ainda bem… e o Guilherme?
- O que tem o Guilherme?
- Como é que ele reagiu?
- Ele ainda não percebe bem o que se passa e não tem idade para que eu lhe explique, mas hoje viu-nos a beijarmos-nos e refilou, mas refilava fosse quem fosse incluindo o pai. Mas depois passou-lhe no mesmo minuto, o Rui gosta muito dele e ele do Rui…
- Bem com a calma que falas de tudo parece que tens tudo bem resolvido na cabeça espero que o coração não te traia… vamos para a reunião?
- Tenho dois minutos para o café ali da maquina?
- Tens… mas só dois!
- Sim chefe!
Acabei por engolir o café a correr e seguir para a reunião, estava na altura de começar a preparar a nova época dos nossos representados ainda para mais muitos deles irão estar presentes no Mundial do Brasil.
Como previra a reunião estendeu-se ao longo de todo o dia, não tendo nem sequer pausa para almoço, já que este foram pizzas entregues na sala de reuniões. Eram já perto das 17:30
- Bem os colegas vão-me desculpar, mas os meus deveres de mãe obrigam-me a ausentar-me por uns minutos - sai da sala peguei no telemóvel - Tou Rui!
- Olá Rainha! A que horas queres que vá buscar o príncipe?
- A sério que não te faz diferença?
- Nenhuma! Vou lá busca-lo e depois trago-o para casa e quando chegares passas por cá
- Importavas-te muito se fosses para minha casa? É que o Guilherme tem lá os brinquedos, além disso o João deve ligar…
- Como preferires….
- Obrigada!!!
- Já te disse como é que agradeces não já?
- Já… já! Quando chegar falamos… beijo
- Beijo Adoro-te
Desliguei e voltei para a reunião que se atrasou mesmo, mas não tanto como esperava
- Bom meus senhores por hoje é tudo… Maria vai buscar o Guilherme e venham jantar lá a casa que a tua tia e a tua prima tem saudades vossas!
- Obrigada pelo convite, mas… o Guilherme está já em casa com o Rui e estão a minha espera… fica para a próxima… - vinha a despedir-me do meu tio e a sair da empresa quando oiço
- Mas já estão assim?
- Boa noite para ti também Dra. Ana!
- Boa noite! - a Ana cumprimentou-me a mim e ao meu tio que se afastou de imediato - Agora conta lá esta bomba!
- Ai oh Ana… não há muito que contar, mas agora - olhei em volta e vi algumas colegas com atenção de mais ao que falava - não é a altura certa - a Ana percebeu porquê - além disso o Rui foi buscar o Guilherme ao infantário, mas deixa-lo de ama seca enquanto te conto as novidades é abuso…
- Bem vem uma pessoa até aqui para ser mal tratada!
- Deixa-te de fitas! Almoçamos amanhã pode ser? Prometo que conto tudinho!
- Ahhh assim já gosto mais! Ás 13h?
- Combinadíssimo sua louca! Ás 13h no teu consultório!

Rui
Fui buscar o Guilherme ao infantário e seguimos para casa sempre a conversar, o miúdo é mesmo bem-disposto e um grande tagarela. Quando chegamos a casa foi logo agarrar-se aos brinquedos enquanto eu meti a televisão no JimJam.

Como terá corrido o resto do tempo que ficaram sozinhos em casa?
Telefonará o João para falar com o filho?
E o que terá mais a Maria para falar com a Ana que marca o encontro no consultório?

E a Mariana, o Ruben e o Filipe como estarão?