sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

111 - "Não é correto duas pessoas que se amam partilharem momentos destes?"

Mariana
Os últimos dias não têm sido fáceis, porque reviver tudo o que passei quando perdi os meus filhos não foi fácil, ainda assim tenho que admitir que estou a sentir-me melhor.
Hoje acordei feliz por saber que o Filipe vai finalmente para casa mas nunca pensei que o Ruben se fosse sentir tão inseguro e o menino está a sentir isso mesmo ou pelo menos acredito que sim e que seja esse o motivo pelo qual o pai não o consegue calar.
- Jantas?
- Sim…
- Vou ver o que se arranja!
- Faço companhia!
Ajudei-o a preparar o nosso jantar e foi quando estávamos a comer que o Filipe acordou.
- Vai lá ter com ele enquanto preparo o biberão!
- Obrigado!
Sorri sozinha porque consegui ver o pavor que o Ruben estava a sentir em não conseguir cala-lo nos seus olhos, ainda assim não disse nada e fui preparar o biberão do Filipe.
- Toma…
O Ruben agarrou e deu o biberão ao filho que após algum tempo lá começou a beber.
- Porque será que agora é tão difícil dar-lhe o biberão?
- Oh Ruben o menino deve ter estranhado a mudança e depois chegar a casa e ter aquele aparato todo à sua espera também não deve ter ajudado…
- Pois…
- Vá, não penses mais nisso! O que interessa é que agora conseguiste e com a prática vais lá!
- É… mas até lá desespero!
- Deixa de ser exagerado… além disso já te disse que podes contar comigo…
Fiquei a vê-lo a adormecer o Filipe e depois regressamos para a mesa, aquecemos o jantar e comemos, no final ajudei-o a arrumar tudo e fomos até à sala onde começamos a ver um filme que foi interrompido quando ouvimos o Filipe, o seu pai foi ao quarto e como estava a demorar fui até lá
- Então? - aproximei-me devagarinho
- Já adormeceu… - sorri ao vê-lo a babar o filho
- Deves estar todo orgulhoso… - olhou-me - o menino é parecido contigo.
- Shiu… não o acordes!
- Ui… que o papá está com medo que o menino acorde e que não o consiga calar! - espicacei-o e arrependi-me de imediato
- Mas é para isso que aqui estás - olhou-me - fica connosco…
- Não sei se será boa ideia…
- Porquê?
- Tens de te habituar a ficar sozinho com ele!
- Só hoje…
Não consegui negar o pedido do Ruben e concordei em ficar no seu apartamento, mais concretamente no quarto do Filipe.

Ruben
Depois de convencer a Mariana a ficar esta noite no meu apartamento saímos do quarto do meu filho e fomos até à sala onde assistimos a mais um filme mas ainda não ia a meio e a Mariana já tinha por diversas vezes aberto a boca, o que fez com que comentasse
- Das duas uma ou não o filme é uma seca ou então é a companhia que  não presta! - olhou-me
- Oh… deixa de ser parvo! A companhia é excelente - sorri ao ouvi-la, a Mari foi espontânea mas depois ficou envergonhada, o que fez com que gargalhasse pois vê-la envergonhada não é fácil - não gozes…
- Não estou a gozar mas confesso que gostei de ver-te envergonhada…
- Parvo! - atirou-me com uma almofada à cara o que foi suficiente para querer-me vingar e quando dei por nós já estávamos deitados no sofá comigo sentado nas suas pernas e a fazer-lhe cocegas, a brincadeira durou até ao momento que
- Pára já não aguento mais - sorri por vê-la realmente aflita de tanto rir
- Pronto… já parei! - sentei-me no sofá, o que não esperava é que a Mariana fosse colocar a sua cabeça nas minhas pernas, deixando-se ficar deitada, mas o que arruinou com o meu autocontrolo foi mesmo a forma como me olhava, não resistir e
 uni as nossas bocas num beijo calmo ao qual a Mariana correspondeu inteiramente e quando separamos os nossos lábios para respirarmos ficamos a olharmo-nos de uma forma intensa.
- Isto não está certo… - a Mariana após uns minutos em que simplesmente recebia pequenas carícias minhas afastou-se
- Porquê? - olhou-me - Porquê que não está certo?
- Oh Ruben…
- Ruben nada! Ambos queremos isto e não negues!
- Lá porque queremos não significa que seja correto!
- Não é correto duas pessoas que se amam partilharem momentos destes? Mariana, não estamos a fazer nada de mal!
- Estamos! Estamos a magoar-nos…
- Fecha os olhos - pedi ao aproximar-me dela que olhava o luar
- Para quê?
- Faz o que te estou a pedir! - fechou os olhos - Agora recorda o dia do baile, recorda essa noite e o que sentiste, em como foi diferente e em como te fiz sentir especial… - quando reparei já as lágrimas molhavam o seu rosto - em como descobriste o verdadeiro significado da expressão “fazer amor”… ainda achas que o que temos não é correto? Mariana - abriu os olhos - o que nos une é amor… amor que precisa de amadurecer mas não deixa de ser amor…
- Não sei... - suspirou - juro que não sei o que pensar e muito menos dizer, Ruben só sei que continuo magoada, que dificilmente esquecerei o que sofri...
- Não estou a pedir que esqueças o que sofreste porque isso é impossível, estou a pedir que relembres o que de bom existiu enquanto tivemos juntos mas acima de tudo que nos dês uma nova oportunidade.
- Não sei se estou preparada...
- Então deixa rolar...
- É fácil falar mas se rolar posso acabar magoada!
- E se não rolar nunca serás feliz! Caramba o que preciso de fazer mais para que acredites em mim? Mariana amo-te mas para te provar que finalmente cresci tens de deixar... deixa fluir, deixa mimar-te... prometo que não forçarei nada, amor vamos ao teu ritmo... deixa acontecer naturalmente e de preferência longe dos olhares de terceiros...
- Estás a propor que regresse à adolescência e que esconda dos meus papás o facto de andar aos beijos a um rapazito envergonhado - o brilho que tinha no seu olhar fez-me sorrir - Oh Ruben tens noção que será impossível esconder da nossa família, não tens?
- Não há impossíveis! Além disso se conseguir ganhar essa oportunidade tudo farei para não a perder e sim estou disposto a esconder pela primeira vez algo da minha vida à minha mãe e ao meu irmão, porque não tenho a menor dúvida que é do teu lado que quero envelhecer mas para isso precisas de te sentir confortável mas acima de tudo de recuperares a plena confiança em mim, isso só será possível com o tempo e sem pressões... Mariana temos direito à nossa privacidade, caramba a nossa relação nunca foi só nossa, sempre foi do mundo, todos opinaram e não quero mais isso... quero-te só para mim e sim estou a ser egoísta mas é só porque quero dar-te tempo e só assumirei que estou contigo quando te sentires preparada... - gargalhou do nada - que foi?
- Opa... agora senti-me uma autentica virgem - falou por entre gargalhadas, gargalhadas essas que acabei por acompanhar quando ouvi o que falou
- Só tu...
- Oh é verdade... - continuava a rir - se queres saber quando perdi a virgindade não senti metade das duvidas que tenho neste momento, lá está sempre fui inconsciente e agora que penso antes de fazer as duvidas mais parvas aparecem...
- Estás portanto a dizer com isso que vou desvirginar-te - só pela gargalhada que mandou valeu o disparate que falei
- Oh meu menino... tenho cá para mim que de nós os dois o único que tem alguma coisa ainda virgem és tu...
- Eich... essa até doeu!
- É mentira... queres ver?
- Não... não é - sorri de forma traçada - mas o Filipe não precisa ouvir estas coisas...
- Deixa de ser parvo! O menino nem sequer está aqui mas isso só prova que estás com medinho que o menino aprenda comigo aquilo que também aprendeste... - não a deixei continuar e fui o mais sincero possível no que lhe disse
- Não… até porque quero que o Filipe te tenha como exemplo a seguir, que dê tanto à rapariga que escolher para namorada como me deste, no entanto espero que herde de mim o discernimento... - interrompeu-me
- Estás portanto a chamar-me leviana?
- Não... estou a dizer que quero que o Filipe saiba escolher e esperar pela pessoa certa, que saiba amar e ser amado, que viva a infância e a adolescência sem saltar etapas, que perca a virgindade da forma que o pai perdeu, com a pessoa que ame, que o faça conscientemente pois só assim aproveitará o momento ao máximo.
- Oh vida - olhei para a Mariana - o menino ainda nem anda e já falamos do momento que vai perder a virgindade - gargalhou
- Onde é que está a piada?
- Desculpa... imaginei a tua cara quando o Filipe comunicar que namora - voltou a gargalhar - já estou mesmo a ver nós os dois sentados a ver a novela mais ramelosa que existirá nessa altura e o menino chegar já com a dita-cuja e informar-nos que vai para o quarto e que não quer ser incomodado  - a Mariana ria que nem perdida acabando por me contagiar também - sim... porque filho meu faz em casa, por isso habitua-te à ideia de veres gabirus a entrar e a sair cá de casa - o cenário não é de todo agradável de imaginar mas ouvi-la a fazer planos para daqui a uns anos e englobar-me neles desta forma fez-me sorrir, ainda para mais quando falou do Filipe como “meu filho”, a Mariana falou tão naturalmente que nem percebeu o que disse mas isso deixou-me a rejubilar, porque é quando está descontraída que baixa as defesas, o que permite que perceba que se continuar a insistir que mais cedo ou mais tarde terei a oportunidade de ser verdadeiramente feliz do seu lado - é... agora ris na altura choras!
- Quando esse momento chegar veremos quem será mais coruja... tenho cá para mim que vais querer controlar muito mais o Filipe - parou de rir e olhou-me - amor - falei espontaneamente e mais espontâneo foi o sorriso da Mari - sabes o que fizeste e algo me diz que tentarás impedir que outra faça o mesmo ao menino...
- Vou aconselhar o Filipe o melhor que conseguir mas não quero ser dessas… - a Mariana calou-se talvez porque pela primeira vez deu conta que já estava a falar como mãe do Filipe
- Mães - baixou o olhar - era isso que ias dizer
- Desculpa… - a Mari tentou fugir mas agarrei-a pela cintura e puxei-a para o meu colo - não tenho o direito de ocupar um lugar que não é meu - as lágrimas apareceram - não sou mãe do teu filho…
- Não… não és mas podes ser… basta que queiras…
A Mariana não respondeu mas percebi que ficou a pensar no que lhe disse.

Mariana
Não fiquei no apartamento do Ruben com o objectivo de voltar a beijá-lo mas a verdade é que está cada vez mais difícil manter a distância, pior fica quando somos os dois a contribuir para que momentos de maior aproximação aconteçam. Voltamos a beijar-nos bem como a falar, o Ruben tem razão quando afirma que o que se passa connosco não é errado, errado é impedir que o nosso amor amadureça e mais errado é tentar negar o quanto já amo o Filipe, a verdade é que sinto pelo menino amor de mãe...
Era nisso que pensava quando o Filipe acordou, o Ruben foi ver o filho enquanto fiquei novamente perdida em pensamentos, que foram interrompidos pelo som da campainha, resolvi ver quem era porque o Ruben estava ocupado
- Boa noite - o senhor olhou-me
- Não esperava que fosses tu a abrir a porta da casa do meu filho...
- O Ruben está com o seu neto - conforme falei desviei-me da porta para que entrasse - quer um café? - tentei ser afável - ou outra coisa?
- O que é que estás aqui a fazer?
- Como?
- Venho visitar o meu filho e neto mas quem abre a porta és tu, perguntas se quero algo para beber... só estou a perguntar se já estão novamente juntos? Afinal sou sempre o último a saber...
- Desculpe Sr. Virgílio mas se tem contas a acertar faça-o com o seu filho, não me meta nessa... e quanto ao que quer saber - olhei-o - não voltamos coisíssima nenhuma e agora se não se importa vou ver se o Ruben ainda demora
Não lhe dei tempo para dizer nada e saí da sala, a verdade é que nunca tive grande relação com o pai do Ruben, talvez porque quando pediu ajuda para se aproximar do filho recusei por saber que o Ruben naquela altura estava magoado com o pai, o certo é que desde esse momento e já lá vão mais de dez anos o Sr. Virgílio nunca mais foi o mesmo comigo.
- Tens o teu pai na sala! - comuniquei assim que entrei no quarto
- O que é que te disse?
- Nada...
- Não mintas! Sei que vocês não se cozem... - bufei, odeio-o por conhecer-me tão bem - o que é que se passou?
- Nada de especial...
- A verdade Mariana!
- A sério não se passou nada... o teu pai só achou estranho ter aberto a porta e perguntou se voltamos... - desviei o olhar do dele - mas não gostei do seu tom de voz, é isso!
- Não lhe ligues... sabes como é o Sr. Virgílio...
- Sei... sei que não me grama mas que é teu pai e por isso tenho de o aturar - o Ruben sorriu - onde é que está a piada?
- Na parte “sei que não me grama mas que é teu pai e por isso tenho de o aturar” gostei de saber que o tens de aturar mas deixa-me ver o que quer e já continuamos a conversa.
- Ele não gosta de mim - o Ruben calou-me com um beijo que me “desconsertou” por não esperar que o fosse fazer
- Não é ele que tem de gostar! Sou eu! E agora anda - deu-me a mão - quero que estejas comigo
- Ruben... - parou de andar e olhou-me
- Prefiro ficar com o Filipe… a sério!
- Ok não insisto - sorriu - até já!
Não respondi e o Ruben saiu. Fiquei no quarto do Filipe mas com o passar dos minutos não resisti em aproximar-me da sala e assim que o fiz ouvi
- Não te chega o que já sofreste? - as palavras do pai do Ruben bateram bem fundo mas pior foi o que disse depois - Ela não é mulher para ti! 
- CHEGA! - o Ruben exaltou-se - Você não é ninguém para apontar o dedo, meta a mão na consciência e pense antes de falar, também não é santo nenhum ou já se esqueceu que largou a minha mãe com dois filhos pequenos porque estava perdidamente apaixonado por outra, que a engravidou e que me deu a mim e ao Mauro uma meia-irmã que aprendemos a amar para uns anos depois lhe ampararmos a queda e as lágrimas quando você chegou a casa e comunicou a frio, sem a mínima preparação que ia sair de casa porque tinha outra mulher...
- Filho...
- Filho a porra! Você nunca foi pai para nenhum de nós, tem três filhos e nunca teve presente a cem por cento na vida de nenhum, por isso não venha agora dizer quem é a mulher certa para mim! Você nem deve saber o que é amar alguém! Se é para criticar a pessoa que amo pode sair, não preciso de mais ninguém a meter-se entre nós, a nossa situação já está complicada que chegue para que venha você meter mais veneno…
Perceber que o Ruben estava mais uma vez a discutir com o pai por minha culpa fez com que interviesse e apesar de correr o enorme risco de piorar a situação acabei por entrar na sala
- Ruben! - assim que o chamei olhou-me
- Ruben nada! Mariana não o defendas... sabes que tenho razão - aproximei-me dele, sentando-me do seu lado.
- Sei... sei que estás magoado, que nunca o conseguiste perdoar por vos ter abandonado, que cresceste a aprender a aceitar uma realidade que não escolheste e que sofreste imenso quando descobriste que a tua meia-irmã estava a passar pelo mesmo que tu e o Mauro passaram, com a agravante que com ela foi em plena fase da adolescência e que por isso tiveste medo que escolhesse o caminho errado, por isso mantiveste-te do seu lado e reviveste a tua própria história mas de forma diferente porque quando o teu pai saiu de casa eras só uma criança, por isso afastaste-te dele... mas caramba tudo isto faz parte do passado, do vosso passado e como tal não o podem mudar... mas podem aceitá-lo e retirar algo de positivo...  o Filipe precisa crescer rodeado de amor e não de magoa... - o Ruben baixou o olhar - e quanto a si - olhei para o Sr. Virgílio - ao contrário do que pensa nunca incentivei o Ruben a revoltar-se contra si, é verdade que não aceitei ajudá-lo mas nunca fiz nada para vos afastar, simplesmente naquele momento sabia que o meu amigo não estava preparado para o entender e perdoar, preferi ficar do lado do Ruben e certificar-me que não iria a baixo do que azucrinar-lhe a paciência para que o ouvisse, só protegi um amigo, se foi o melhor não sei mas foi o que a minha consciência ditou na altura e com os meus dezassete anos muita maturidade tive para não deixar o Ruben se afundar, agora se não entende o problema é seu…
Depois de falar o que tinha para falar saí da sala, fui novamente para junto do meu pequenino que dormia serenamente, fiquei a observa-lo e por isso perdi a noção do tempo, no entanto quando o Ruben se juntou a nós despertei novamente para a realidade e logo com um pedido de desculpas, o que me fez sorrir pois percebi que o Ruben pensava que estava chateada com ele e antes que continuasse a perder tempo com palavras desnecessárias
- Não estou chateada contigo! - olhou-me admirado - Ruben só saí da sala porque a minha presença incomoda o teu pai, não é novidade nenhuma que o senhor não me grama, tal como também não o tolero - o Ruben sorriu - sim agora já o posso admitir porque teoricamente o teu pai já não me é nada… - teria continuado mas o Ruben interrompeu
- Teoricamente?! - aproximou-se de mim - Então e na prática? - sorriu - Sim que se não teoria não é nada… - suspirei por ter noção que fui apanhada
- Na prática é o pai do homem que amo…
- E esse homem não merece uma oportunidade?
Não respondi por palavras mas sim por um impulso e beijei-o
lógico que o que era um beijo quase inocente passou a algo mais, pois o Ruben não teve qualquer acanhamento de juntar as nossas línguas
para depois diminuir a urgência destemida com que imponha aos beijos, limitando-se a dar-me pequeno beijos mas que ainda conseguiram deixar-me com mais desejo de o ter
tanto que foi minha a iniciativa de sairmos do quarto do Filipe, caminhamos até ao dele de forma “atabalhoada” ou não fosse percorremos a curta distância entre beijos, assim que chegamos ao nosso destino voltei a tomar a iniciativa e retirei-lhe a camisola, momento esse que aproveitou para
- Tens a certeza? - sorri com a pergunta e a resposta chegou através de mais um beijo ternurento
mas ainda assim foi suficiente para que percebesse que queria... queria ser dele, tanto que acabou por deitar-me na sua cama
a sensação de voltar a sentir o peso do seu corpo fez-me sentir viva novamente e os momentos seguintes foram para saciar saudades dele… beijamo-nos como há muito não o fazíamos
o que só serviu para perder o controlo sob o meu corpo, passei a reagir por impulso e depressa nos livramos da nossa roupa
o Ruben fez-me suspirar por mais e foi isso mesmo que lhe pedi, mas quando se preparava para unir os nossos corpos
- Espera... - parou com os beijos que  distribuía pelo meu corpo fazendo-me suspirar e olhou-me - Tens preservativos?
- Ãh?? - afastei-o e saí da cama e logo depois do quarto para regressar
- Toma!! - atirei-lhe com um preservativo, que colocou sem mais demoras, retomando com as caricias que provocaram uma nova onda de prazer e os gemidos que fui incapaz de controlar fizeram com que sorrisse, estava disposto a enlouquecer-me e tive mesmo que implorar para que parasse com aquilo, o Ruben não se fez de esquisito e uniu os nossos corpos
amamo-nos até as forças nos faltarem e no fim deixamo-nos ficar a trocar simples mimos
Ruben
Quando pedi mais uma oportunidade não foi com a intenção de nos amarmos mas ainda bem que aconteceu, já tinha saudades de sentir-me especial e amado desta forma. Mas a Mariana surpreendeu ao exigir que usássemos proteção, algo que acabei por concordar e finalmente amamo-nos...
Adormeci com ela nos meus braços e com um só pensamento, porque raio quis se proteger desta forma, quando sei que tal como eu prefere sem nada...
Acordei com o Filipe a chorar e assim que abri os olhos percebi que a Mari já não estava ao meu lado, o meu primeiro pensamento é que tinha fugido tal como a abandonei no passado mas depressa percebi que estava errado quando a vi a entrar com o Filipe ao colo.
- Estás a ver Filipe aquilo que falava… estás tramado com o pai que te calhou - olhou-me e a sorrir de traçada continuou - primeiro que acorde para te dar mimo vai lá vai - a Mariana já estava sentada na beira da cama e por isso muito perto de mim que aproveitei para reduzir ainda mais o espaço entre nós - hey… chega-te pra lá!
- Porquê?
- Porque fui eu que o fui buscar, fui eu que acordei para o calar por isso sou eu que tenho direito a mimá-lo - gargalhei ao ouvi-la
- Mas é meu filho! - o sorriso da Mari desapareceu
- É tens razão… toma o menino! - o meu amor deitou o Filipe na cama e levantou-se de imediato
- O que é que estás a fazer?
- Não vês? A apanhar a minha roupa do chão do teu quarto!
Conforme falou também se trancou na casa de banho saindo de lá já vestida.
- Onde é que pensas que vais? - coloquei-me à sua frente de forma a não deixar que saísse
- Agora que já estás aliviado vou embora porque tens o TEU filho para cuidar!
- Desculpa… não o falei com intensão de te magoar…
- Esquece… - tentou sair
- Esqueço nada… desculpa a sério… não medi as palavras…
- O teu problema é que nunca medes nada - baixou o olhar - nem as palavras nem os actos e depois no fim quem se fode sou eu - atirou com magoa - mas a culpa nem é tua… é minha que sou fraca e burra… deixo sempre que me dês a volta… que me uses… sim porque é só isso que sabes fazer, usaste no passado para teres sexo e no presente para calar o TEU filho… ah e pelo meio já te safaste porque aqui a burra voltou a abrir-te as pernas! Sou simplesmente algo que usas a teu belo prazer…
- Não… és a pessoa que amo, aquela que me completa, a única que quero do meu lado… Mariana não digas que foi sexo o que fizemos porque sabes bem que não foi, nós amamo-nos e não foste burra coisíssima nenhuma… e quanto ao Filipe é verdade que é meu filho biológico mas o que isso interessa quando comparado a ser filho de coração? Mariana podes não querer admitir mas já o amas como se fosse teu… e nem adianta negares porque a forma como cuidas do menino, como sempre te preocupaste com ele, como estiveste do meu lado e ajudaste-me a ultrapassar todos os medos e receios, não deixa margem para dúvidas…

Mariana
Não resisti e entreguei-me ao Ruben afinal as saudades já eram imensas, voltei a sentir-me uma Deusa, senti-me amada, acarinhada, respeitada mas acima de tudo senti-me viva como há muito não sentia, talvez por isso tenha adormecido serena nos braços do Ruben, para acordar horas depois com o choro do Filipe e foi com um sorriso na cara que fui até ao quarto do menino, afinal o Ruben nem se mexeu, algo que já desconfiava que aconteceria e com o qual brinquei quando regressei ao quarto do pai com o seu filho nos braços mas o que começou com uma brincadeira acabou comigo mais uma vez magoada, não por ter a noção que voltei a deixar o Ruben usar-me mas sim porque doeu ouvir o meu amigo a reclamar o seu filho para ele, o Ruben só disse a verdade ao dizer que o Filipe é filho dele mas não deixou de doer… afinal nunca saberei o que é dizer “meu filho” porque perdi os meus.
Não gostei do que ouvi e tentei sair mas o Ruben não deixou e acabamos por falar, ouvir o Ruben a dizer que já amo o seu filho como se fosse meu só serviu para ficar ainda mais confusa, a verdade é que tenho medo de querer o universo quando só tenho direito a uma estrela.
Não sabia o que responder por isso mesmo aproveitei que o Filipe estava a chorar com fome para afastar-me, fui até à cozinha preparar-lhe o biberão. Estava entretida entre limpar as lágrimas que caiam sem controlo e a aquecer o leite do menino quando senti o Ruben a abraçar-me, o que fragilizou-me por completo e acabei por abraça-lo, para sentir de imediato as suas mãos a tocarem a minha pele
- Mariana não chores…
- Não vos quero perder… - murmurei e o Ruben sentiu necessidade de olhar-me nos olhos para ter certezas do que ouviu - mas ainda não me sinto preparada para assumir nada - um sorriso tímido surgiu nos lábios do Ruben - estou tão confusa… preciso de ti… do teu amor mas depois há uma parte de mim que não esquece o que se passou…
- Tempo… tempo é o que nós precisamos e é o que terás… Mariana precisas do teu espaço e prefiro não forçar nada e ter-te por completo daqui a um tempo do que insistir agora e perder-te depois… entendes o que estou a tentar dizer?
- Sim… queres que me decida…
- Sim…
- Mas eu não sei…
- Não estou a pedir uma resposta imediata, estou só a dizer que vou respeitar…
***
Acordei na cama do Ruben e apesar de não estar confortável com esta situação não estou arrependida, ainda assim não consegui ficar mais tempo do seu lado. Saí da cama e fui vestir-me para a sala de forma a não o acordar, despedi-me do Filipe com um beijinho na sua testa e saí sem dizer nada ao Ruben.
Passei a manhã com a cabeça “enterrada” no trabalho de forma a afastar o Ruben do meu pensamento mas não foi fácil já que o rapaz passou a manhã a ligar-me e apesar de nunca ter atendido não foi suficiente para que tivesse desistido.
- Olá pai! - cumprimentei-o
- Tudo bem filha?
- Sim…
- Então que carinha é essa?
- Não é nada… coisas minhas!
- Ruben portanto!
- Como?
- Oh filha não precisas dizer para saber que o motivo por estares triste é o Ruben!
- Pai vim ter consigo para almoçarmos e não para falarmos dele…
O meu pai respeitou o meu pedido e mudou de assunto durante o almoço mas no final voltou à carga quando
- Tens de ultrapassar essa dor - olhei-o - e a melhor forma de o fazeres é encarar de frente… andas a fugir há mais de um ano… Mariana o que vi ontem foi muito mais que uma amiga a ajudar um amigo… o que vi foi a minha filha a cuidar do filho do homem que ama… o que vi foi vocês os dois completamente embasbacados… filha pensa bem se queres continuar a fugir ao que sentes
- Tenho medo de voltar a sofrer, de voltar a ser abandonada…
- Não é medo de sofrer que tens - olhei-o - o que tens é medo de ser feliz, porque se fosse medo de sofrer não terias apoiado o Ruben da forma que fizeste, não terias visitado o Filipe, não terias obrigado o Ruben a reagir, não terias acompanhado o evoluir da situação do filho dele e muito menos terias consentido que o Ruben voltasse a ter-te nos seus braços, sim porque não acredito que convosco a passarem tanto tempo juntos que nunca se tenha passado algo mais do que uns beijos - engoli em seco - vocês estão os dois a sofrerem por não se poderem amar livremente e não preciso que nenhum dos dois o confirme porque vocês já não conseguem disfarçar, filha a forma como o Ruben fala de ti espelha sofrimento, ele quer-te por inteiro e não aos bocadinhos.
- Vai ficar do lado dele? Agora vai defendê-lo? Foi o Ruben quem fez a porcaria!
- A porcaria foram ambos que a fizeram! Além disso não estou nem do teu lado nem do lado do Ruben, estou do lado do Filipe que merece uma mãe e tu mereces um filho, Mariana sei o que estou a dizer… sei o quanto custa assumir um filho que não é nosso - as lágrimas vieram-me aos olhos - porque no momento que antecede essa decisão passa-nos tudo pela cabeça mas também sei o quanto é gratificante ouvir pela primeira vez “papá”, no teu caso “mamã”, filha já amas o Filipe tal como o menino já te ama mesmo sem ter consciência disso e sabes porquê que o digo? Porque o menino por muito rabugento que esteja quando está contigo acalma… o Filipe já escolheu a mãe tal como me escolheste para pai porque fui o único que estive sempre presente, tal como estiveste para o Filipe… Filha o menino precisa que os pais ganhem juízo de uma vez! Mariana esta situação é insuportável, vocês estão os dois a sofrerem, porque não sabes o que queres, o Ruben já reconheceu que errou e demonstra por actos e palavras o que quer, faz o mesmo e decide de uma vez se queres dar a derradeira oportunidade ao vosso amor, mas decide rápido, não arrastes mais esta situação que só serve para se magoarem! Filha, o único que precisa de saber da tua decisão é o Ruben, Mariana nem que façam aquilo que nunca fizeram, namorem às escondidas, dêem a vocês mesmo a oportunidade de se conhecerem enquanto namorados porque só assim sentirás segura na decisão de tornarem publica a vossa reconciliação…
- O pai fala como se fosse simples!
- E é… basta que lhe dês a oportunidade que o rapaz te pediu no dia do seu aniversário, mas dá de forma sincera e não da boca para fora…
Não respondi mas fiquei a matutar nas palavras do meu pai, talvez tenha mesmo medo de ser feliz e não medo de sofrer novamente, o certo é que que fiquei o resto da tarde a pensar nos últimos meses e assim que saí do trabalho não resisti em desviar caminho e passar pela casa do Ruben
- Mariana?! - o Ruben sorriu assim que abriu a porta e viu-me
- Posso?!
- Ah… sim - sorriu - entra
- O Filipe? - perguntei depois de receber um beijinho no rosto que deixou-me com um sorriso estupidamente parvo, talvez porque o Ruben não abusou no atrevimento
- Está a dormir…
- Ah… vinha vê-lo…
- Podes ir até ao quarto… mas se quiseres esperar daqui a mais ou menos uma hora acorda para comer…
- Hum… então espero - o Ruben sorriu e por momentos só tive vontade para lhe saltar para o colo
- Bebes ou comes alguma coisa?
- Não…
Assim que respondi um clima estranho instalou-se, de repente ficamos sem assunto e foi quando já pensava ir até ao quarto do Filipe para fugir que o Ruben voltou a falar.
O que terá dito o Ruben?

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

110 - "Mas posso sempre deixar-te com um miminho para te lembrares de vez em quando!"

Olá a todas
Antes demais queremos pedir desculpas pela demora em vos darmos novo capítulo mas tem-nos sido dificil conciliar as nossas vidas "reais" com as "imaginárias". Mas finalmente conseguimos terminar o capítulo e como "penitência" por vos termos feito esperar tanto tempo deixamos um capítulo um pouco maior...
Esperamos pelos vossos comentários...
Beijinhos
Mariana e Maria

João
Apesar de deixar sempre bem claro que nunca iria voltar a ter com ela nada mais que uma amizade, a Maria ter ficado por Valência enquanto tive doente e deixar-me aproveitar cada segundo com o nosso filho foi maravilhoso.
Dei por mim a viver aquilo com que tinha imaginado quando decidi vir para Valência e tentei que ela me acompanhasse, chegar a casa vindo do treino e ao abrir a porta em vez do silêncio ouvia gargalhadas, tinha companhia às refeições…
- Mas qual é mesmo a pressa para ires para casa? - perguntou o Hélder quando me ouviu recusar um “café” depois do treino
- A Maria volta para Lisboa amanhã… - ele e o Ricardo trocaram olhares e gargalhadas - e quero aproveitar estes últimos momentos com o Bruno…
- Se quiseres que o Bruno fique lá em casa esta noite… vão busca-lo amanhã!
- Muita piada Ricardo…
- Então meia-leca… vais dizer que vocês não fizeram as pazes?
- Claro que não Hélder… o puto chora sempre no momento H…
- Dois grandes palhaços que o circo nacional perdeu! Já não vos disse que estamos apenas a tentar manter uma relação de amizade como sempre tivemos por causa do nosso filho?
- E agora a verdade!
- Esta é a verdade Ricardo! Mas se queres saber se para mim chega… Não, não chega, mas é melhor que nada…
- E vais deixar as coisas assim?
- E querem que deixe como? Fui eu que as meti assim e agora… agora não posso obriga-la a trocar alguém que a trata bem, por alguém como eu…
- Alguém que a trata bem?! Mas ela já tem alguém?
- Ela diz que  não tem nada, que são amigos e tal… mas eu vejo como ela fica toda sorrisinhos quando fala com ele… e até o Bruno sente saudades dele…
- Ele tem nome?
- Eish oh Ricardo toda a gente sabe que ele se chama Rui… 
- Mas é mesmo serio ela e o Rui?.... Nunca quis acreditar…
- Pois mas pelo que vejo e oiço é mesmo… e agora deixem-me aproveitar enquanto o meu filho fica por cá.
Aproveitei cada minuto e quando a hora do voo chegou levei-os ao aeroporto. A partir deste dia sempre que o Bruninho me vinha visitar era a Maria que o trazia, embora nunca mais tenha aceitado ficar em nossa casa, preferindo sempre um hotel, tal não impedia que nos acompanhasse durante o dia em passeios ou mesmo assistindo aos jogos no estádio.
Mais uma vez chegou o momento de os deixar, mas desta vez apesar de mais cedo do que normalmente era por uma boa causa.
- Quando chegarem avisa…
- Sim, quando chegar a casa do Ruben digo qualquer coisa, antes não sei porque vou com o tempo contado ao segundo… 
- Só não refilo porque… porque até eu ia só para ver o Ruben trocar uma fralda!
- Não sejas assim! Segundo a minha prima e a Ana ele desenrasca-se muito bem mesmo… - ouvimos a chamada para o voo deles - bebé beijo no pai!
- Porta-te bem! E cuida da mamã!
Eles seguiram e mais uma vez eu fiquei.

Maria
Acabada de aterrar em Lisboa e enquanto seguia para o carro liguei ao Rui
- Já chegaram?
- Olá para ti também!
- Olá! Chegaram?
- Sim! Vou agora até casa do Ruben, de certeza que não queres vir também?
- De certeza… é um momento muito importante e intimo e ele não me grama lá muito…
- Oh que conversa… sabes que ele é sempre assim… é tímido! - disse a rir lembrando-me do Ruben que conheci há muitos anos
- Não é timidez Maria… é amizade… amizade ao João… e eu não o condeno… vão lá e quando chegares a casa toca na campainha que já tenho o jantar pronto para nós!
- A sério?
- Sim… 
- Boa! Vou desligar que vou arrancar! 
A chamada terminou e quando cheguei a casa do Ruben só tive mesmo tempo de cumprimentar os presentes e colocar o Guilherme a falar com o pai, fui até a varanda da casa e liguei em alta-voz
- Tou…
- Papá!
- Oh bebé! Já chegaste? Onde estás?
- Padinho! Pipipo!!
- Tás em casa do padrinho? E o Filipe já chegou?
- Não, nós chegamos agora e o Ruben ainda… olha chegaram… xau!
Nem ouvi mais nada e desliguei a chamada, segui até à sala onde os momentos seguintes foram para babar o pequenote e ver a felicidade da minha prima em chegar a casa com o filho, sim filho que diga ela o que disser eles já se adotaram mutuamente.
Acabei por sair mais cedo  do que o previsto já que o Guilherme resolveu ter ciúmes do pequeno Filipe já que este recebia todas as atenções, principalmente as que vinham dos seus padrinhos.

Ruben
Estávamos todos na conversa quando o Filipe acordou a choramingar, olhei para o relógio e percebi que devia ser de fome e por isso fui preparar o seu biberão mas como a experiência ainda é pouca levei mais tempo que o que o Filipe estava disposto a esperar e por isso a Mariana apareceu na cozinha já com o menino no colo.
- Então demora muito? - sorriu
- Não gozes! - trocamos um olhar cúmplice e fomos até à sala, onde peguei no Filipe e dei-lhe o biberão mas não correu propriamente bem pois o meu filho engasgou-se e acabou por deitar fora o pouco que já tinha bebido, tive que o trocar sempre sob o olhar atento dos presentes, nomeadamente da Mariana que por muito que tenha tentado disfarçar não conseguiu. Já com o Filipe mudado voltei a insistir para que bebesse o leite mas o meu filho não estava para aí virado, só chorava. Tentei acalma-lo mas revelou-se mais complicado e comecei mesmo a desesperar, não sabia o que ele tinha e sentia-me cada vez mais perdido
- Posso tentar? - ouvir a Mari foi um alivio
- Sim…
Pegou no meu filho e após uns longos e penosos minutos conseguiu acalmar o Filipe para depois aquecer novamente o leite para lhe dar, isto tudo com o meu filho ao colo, fiquei simplesmente a observar, perdido em pensamentos e em desejos, afinal tê-la a cuidar do Filipe é o que mais quero, primeiro porque a amo e segundo porque o meu filho merece uma mãe.
A Mariana regressou à sala e conseguiu que o Filipe bebesse o leite todo mas só porque teve uma paciência enorme para esperar pelo querer do meu filho, já que o Filipe parou imensas vezes. Já com a barriguinha cheia, coloquei-o a arrotar e depois troquei a fralda, tentei adormecê-lo mas isso foi mais complicado, tanto que acabei por deita-lo na alcofa e levá-lo comigo para a sala.
- Bem já vi o campeão e também já percebi que o pai dele tem na madrinha do filho o seu maior apoio - olhei para o Jorge - por isso já posso ficar descansado - sorriu - Ruben vou embora que isto já é agitação demais para o menino, qualquer coisa que precises liga!
- Obrigado Jorge.
- Nós também vamos… não é homem?
- Sim… sim… vá Ruben boa sorte para este novo desafio e faço das palavras do meu irmão as minhas, se precisares de alguma coisa não hesites…
Agradeci mais uma vez e acompanhei-os à porta, foi quando se estavam a despedir que o pai da Mari surpreendeu novamente
- Ruben é quando pegamos no nosso filho que percebemos que não somos nada… e que o nosso filho é tudo - olhei-o - nunca te esqueças disso!
Nada disse e depois de fechar a porta regressei à sala, onde o meu filho já andava a passear entre o colo do meu irmão e o da minha mãe, sempre sob o olhar atento da Mariana o que mais uma vez fez-me sorrir.
- Primo - olhei para a Maria que se riu - não precisas fazer esse ar de quem não espera ser chamado como tal - sorriu - tenho de admitir houve uma altura que perdi as esperanças mas sinceramente agora acho que já esteve mais longe do que está… só te peço para teres cuidado, não dês passo nenhum maior que a perna! E agora também vou que o Guigas está com uma crise de ciúmes...
Sorri ao ouvi-la para depois agradecer as palavras e o apoio da Maria para depois a acompanhar à porta.

Anabela
Desde que o meu neto nasceu que a vida do meu filho parece ter entrado novamente nos eixos, pelo menos agora que tem a Mariana do seu lado anda mais feliz...
É impossível não reparar no apoio incondicional que recebe da rapariga, mesmo depois de tudo o que passaram juntos e separados, a Mariana manteve-se do seu lado, emparando-o muitas vezes e obrigando-o a reagir. O certo é que o meu neto tem na Mariana o que mais se assemelha a uma mãe e ao fim de sessenta dias isso é mais do que evidente, a forma como a Mariana cuida do menino é estupenda e a ligação que ambos já criaram é enorme, tanto que o Filipe já a reconhece, também não é difícil tendo a Mariana passado imenso tempo com o menino.
O certo é que mais uma vez esteve presente em mais uma etapa da vida do meu neto, foi a Mariana que trazia o Filipe ao colo quando chegaram a casa e que conseguiu acalma-lo, a ele e ao Ruben, quando o menino começou a fazer birra. Confesso que senti mesmo uma pontinha de ciúmes mas o alívio foi bem superior, já que em determinado momento houve algo na forma como o meu filho e a Mariana se olhavam que sossegou o meu coração de mãe, pela primeira vez em meses tive esperanças que seja desta que estes dois se acertem...
Os minutos foram passando e as visitas foram saindo, foi quando já só estava o Mauro, a Mariana, eu e o Ruben que o menino começou a chorar, o que fez o meu filho lhe pegar ao colo na tentativa de o calar mas o meu neto cada vez chorava mais, de facto não estava a ser nada fácil estas primeiras horas...
- Oh Mariana o que é que faço? - sorri ao ouvi-lo, o Ruben simplesmente procurou auxilio naquela que ama
- O filho é teu...
- Sério... - a Mariana sorriu para logo de seguida pegar no menino
- Oh pequenino estás tramado... o teu pai saiu-me cá um atrofiado de primeira...
- Que lindo a falares mal de mim ao meu filho! - o Ruben resmungou mas sempre com um sorriso no rosto
- Quem confessa a verdade não merece castigo! - a Mariana estava nitidamente a desafia-lo - E prova disso é que ao meu colo o menino calou-se...
- Ai é?!
- É... - estavam no despique sem se incomodarem minimamente com a minha presença ou a do Mauro
- Oh mãe - olhei para o Mauro que falou de forma a não interromper o irmão e a Mariana - não quer ir andando?
- O teu irmão pode precisar de ajuda...
- Acha? Oh mãe neste momento já só estamos a empata-los - o Mauro sorriu e por isso olhei na direção do Ruben, encontrando-o abraçado à Mariana e a dar miminhos ao filho - vá vamos deixá-los!
- E se a Mariana depois vai embora?
- E que tal você deixar de interferir na vida do mano? Oh mãe, o mano é bem capaz de cuidar do menino e se precisar também sabe que pode ligar a pedir ajuda. Quanto a Mariana ir embora isso é com eles, deixe-os viver um dia de cada vez porque só assim é que podem decidir o rumo a dar à vida deles.
Não estava de todo satisfeita e por isso mesmo acabei por fazer o que o meu coração de mãe dizia.
- Ruben - assim que o chamei parece que despertei a Mariana para a realidade, uma vez que se afastou imediatamente do meu filho - queres que a mãe fique cá esta noite?
- Não...
- Tens a certeza? Oh filho a mãe pode ficar...
- Mãe agradeço o apoio e sem dúvida nenhuma que vou precisar dele mas hoje prefiro ficar sozinho...
 - Mas podes precisar de alguma coisa, não estás habituado a cuidar de um bebé, já para não dizer que tens o sono pesado...
- Oh Anabela, desculpe a frontalidade mas não acha que já chega? - olhei para a Mariana - O Ruben já está inseguro o suficiente não precisa que você dê a entender que não conseguirá cuidar do filho!
- Só estou preocupada com o meu neto...
- Então somos duas! Também estou preocupada com o Filipe mas não é por isso que tenho o direito de melindrar o pai dele! Se o Ruben já disse que quer ficar sozinho então deixe-o ficar!
- Já entendi... vocês querem ficar sozinhos!
- Oh mãe não é nada disso - o Ruben suspirou - a Mariana só reagiu porque tem sido ela que passou os últimos dias a ouvir as minha lamentações e receios...
- Vocês estão juntos e não querem admitir!
- Está enganada! Anabela a única ligação que tenho ao Ruben é a amizade e agradeço que não misture as coisas para isso já bem basta os atrasados dos jornalistas que tivemos que aturar!
O Ruben acabou por contar o que a Mariana se recusou, alegando que ia tentar adormecer o menino no quarto.
- Mano agora que a Mariana saiu e que contaste isso, vocês estão juntos?
- Não... infelizmente não!
- Mas nunca se passou nada entre os dois?
- Não! - a rapidez com que respondeu fez-me perder a esperança
- Vais desistir?
- Mauro não se trata de desistir... esqueçam! Eu e a Mariana já falamos e já nos acertamos, somos unicamente amigos e é assim que queremos continuar, nenhum dos dois está preparado para mais, simplesmente queremos paz!
- Mas amas a rapariga!
- Pois a amo... amo-a mais do que a mim mesmo mas do que adianta ama-la quando juntos só nos magoamos? Percebam de uma vez que decidimos pela amizade de comum acordo, neste momento é amizade o único sentimento que conseguimos dar e receber, amarei sempre a Mariana e disso não tenho dúvidas mas chegamos a um momento que não dá mais ou melhor só dá mesmo amizade! Espero que respeitem isso e nos deixem em paz, para especulações já basta as que vêm de fora, nós queremos e precisamos de sossego. A Mariana tem sido a minha tábua de salvação e não posso dar-me ao luxo de a perder, por isso mãe não se meta, sei que quer o melhor para mim por isso respeite a minha vontade e as minhas decisões.
Não respondi, simplesmente despedi-me do meu filho e fui até ao quarto do meu neto para lhe dar um beijinho, como o menino ainda estava de olho aberto acabei por ficar um tempo com o meu neto, enquanto a Mariana o tentava adormecer...
Ruben
Custou ser tão rígido com a minha mãe quando sei que só está preocupada comigo mas tenho que lhe colocar um travão ou então quando der por mim está a interferir nos cuidados com o Filipe e neste momento a última coisa que preciso é dela a opinar, não é que me sinta mais seguro, mas algo dentro de mim diz-me que a Mariana não reagirá bem a isso e agora mais do que nunca preciso do meu amor.
- Puto - olhei para o meu irmão - vocês não estão mesmo juntos?
- Não...
- De certeza? - olhei-o - Mano podes confiar em mim - suspirei - o que é que se passa?
- Mauro isto não sai daqui!
- Prometo!
- Nós não namoramos mas também não se pode dizer que somos só amigos - o meu irmão sorriu
- Vocês já...
- Não e está muito longe de acontecer... mas já tivemos alguns momentos de troca de carinho, mas a Mariana ainda está muito magoada com tudo o que aconteceu, ainda nem sequer recuperou da perda dos gémeos, nós temos andado a fazer umas sessões com uma psicóloga - pela expressão do meu irmão deu para entender que ficou surpreso - porque o que vi na noite que o Guigas fez  um ano foi doloroso e arrasador, vi a Mariana completamente desesperada, mano ela quebrou ao fim de um ano a acumular tudo para si... doeu tanto ter a perceção do que lhe fiz... destruí a Mariana...
- Mano não tiveste culpa...
- Tive Mauro, o pior é que tive mesmo! Mano a Mariana quando descobriu que o Sr. Manuel não é o pai biológico cortou qualquer contacto com a família Mendes e o Guigas só nasceu porque armei com o João delas se encontrarem, a Mariana ignorou a Maria, o que fez a prima se enervar e desencadeou o parto, senti-me culpado e por isso fiquei do lado da Maria quando devia ter ficado com a Mari... abandonei-a e por isso passou a noite sozinha no hospital, Mauro a Mari não perdeu os dois bebés ao mesmo tempo, ela quando chegou ao hospital a menina ainda estava viva, ela ouviu o seu coração bater... horas depois deram-lhe a notícia que a menina não tinha sobrevivido... e eu onde estava? Em casa a julga-la por ser tão insensível e quando tentou contar-me que já não íamos ser pais, voltei a sê-lo, mano quando a Mari contou que tinha passado a noite no hospital associei de imediato que tinha ido ver o Guigas, disse-lhe isso mesmo o que só a destruiu mais... horas depois descobri que tinha perdido os gémeos e não aguentei vê-la desfeita... fugi, abandonei-a completamente... a Mariana agarrou-se ao que conseguiu para esquecer o que nunca seremos capaz de esquecer, ela agarrou-se ao Guigas, cuidou do menino quando a Maria não conseguia e mais tarde quando deixou de ter o Guigas, ocupou a cabeça no trabalho, enquanto eu só a desiludia e a magoava ainda mais... na noite que antecedeu o casamento da Maria e do João, nós fizemos amor - o Mauro esbugalhou os olhos - e na manhã seguinte a Mariana acordou sozinha para encontrar-me depois com a Sofia agarrada ao meu pescoço, porque tinha acabado de contar-me que ia ser pai... aquele dia foi para esquecer, ver a Maria e o João tão felizes e saber que tinha perdido a Mari para sempre fez com que passasse a viver por viver, depois os meses seguintes foram de completa tortura e quando a Mariana pediu ou melhor implorou para que não me cassasse, disse-lhe que amava a Sofia porque simplesmente quis proteger o meu filho... nunca pensei que a Mariana fosse aparecer no dia do casamento para mais uma vez impedir-me de cometer um erro... depois disso e contra o que seria de esperar acabamos por nos aproximarmos... a Mariana revelou-se o meu maior apoio e voltou a agarrar-se a um filho que não é dela para ter uma razão para continuar a querer viver mas isso só a magoou mais, nem sei como é que conseguiu entrar dia após dia na unidade de neonatologia, só sei que o fez e impediu que o Filipe se sentisse depressado, ela ama o meu filho e nem no dia que fez um ano que perdeu os gémeos evitou de visitá-lo, por tudo isto... sim tenho culpa em tudo o que passou, tenho culpa por a Mariana ter perdido o seu sorriso, por ter desejado desaparecer, mano nós amamo-nos mas não estamos preparados para sermos mais do que amigos, ainda que as saudades sejam muitas e que o desejo aumente drasticamente sempre que estamos só os dois... não posso nem quero levá-la a fazer algo para o qual não esteja preparada e acredita a Mariana não está preparada para amar de novo...
- Nem sei o que dizer...
- Não digas nada, não há mesmo nada a dizer...
O meu irmão fez mesmo o que pedi e não disse nada, acabei por limpar as lágrimas que inevitavelmente molharam o meu rosto enquanto desabafei com o meu irmão e depois fui até à varanda, estava a precisar de ar...
A minha mãe regressou à sala uns minutos depois para sair com o meu irmão...
Estava na sala quando vi a Mariana regressar.
- Finalmente adormeceu... - falou ao sentar-se ao meu lado
- Queres ver um filme ou fazer alguma coisa?
- Vou ter que ir embora...
- Fica! - olhou-me
- Ruben...
- Por favor... Mariana fica comigo pelo menos até jantarmos, depois prometo que não peço mais mas pelo menos fica o resto da tarde...
- Ok...
As horas seguintes foram tranquilas, vimos um filme mas o sossego terminou quando o Filipe acordou, tentei dar-lhe o leite mas mais uma vez não consegui fazê-lo e isso começou a assustar-me, até porque quando estava internado só ao início é que tive dificuldade em fazê-lo. Tentei tudo para acalmar o menino mas acabou por ser a Mariana a fazê-lo, algo que revelou-se complicado, ainda assim conseguiu que o menino bebesse o leite e após largos minutos adormeceu-o, colocando-o no seu berço.
- O que é que lhe fazes? - olhou-me e sorriu
- Nada… tenho paciência e deixo-o cansar-se sem me stressar… - encolheu os ombros - Ruben os bebés precisam de chorar porque é a única forma que têm para se expressar e até gastar energias mas se entras em stress sempre que não o consegues acalmar não irás longe porque os bebés sentem isso… tens um longo caminho pela frente…
- Só espero estar à altura do desafio…
- Ruben és um pai excelente - olhei-a - só tens de deixar de ter medo… é normal que agora que o tens cá em casa te sintas mais inseguro e aches que não consegues cuidar do Filipe mas isso não é verdade.
- Sinto-me sozinho - suspirei - perdido…

Maria
Cheguei a casa tomei um duche e só depois dei “sinal de vida” ao vizinho.
- Só agora?
- Não… mas já tomei duche e o Guilherme vinha com sono e birra de ciúmes dos padrinhos por isso adormeci-o logo…
- Ahhh então podemos entrar?
- Aqui? Vamos lá para casa! Eu ajudo com as pizzas
- Quais pizzas?!
- As que mandas-te vir para o jantar!
- Lamento desiludi-la mas o jantar não é pizza e se vai ser na sua casa… terá de se fechar no quarto até que eu a chame!
- Mauuu… mas o que é que tas a tramar?
- Euuu?! Surpresa!
Acabei mesmo por ir até ao quarto e aproveitar para ler uns e-mails enquanto ouvia as movimentações, que eram muitas, na sala
- Já podes vir! - disse abrindo a porta do quarto
- Boa estava cheia de fome!

Segui-o e quando cheguei à sala deparei-me com algo que não esperava, e como não sabia bem como responder decidi partilhar com os meus amigos mais próximos de forma a tirar alguma carga simbólica
"Ele sabe que depois de mais um fim de semana tenso, sabe-me sempre bem um miminho!”
Claro que muitos “boatos” surgiram dentro do meu círculo de amigos, alguns apostando mesmo que o autor de tal proeza era o João, não respondi
- Posso saber a que se deve este jantar?
- Tinha saudades tuas… e bem… eu estive a pensar e… eu sei que o que sentes pelo João continua intacto apesar de tudo… mas também sei que o que sinto por ti, e também pelo Guilherme, cresce de dia para dia… e por isso achei que estava na hora de te perguntar se estás disposta a tentar… a deixar-me tentar mudar o dono do teu coração?
- Rui eu…
- Shiu… não respondas! Vamos jantar… pensa no assunto e…
- Eu já pensei e voltei a pensar, mas não chego a conclusão nenhuma… acho que não consigo faze-lo assim de um segundo para o outro de forma definitiva… acho que tem de ser algo gradual e natural… mas sim estou disposta a tentar… a deixar-te tentar… mas sem compromisso…
- Sem compromisso… prometo que não pressiono! 
Sorri, não sabia mais o que fazer, mas sabia que cada minuto a mais com o João era um minuto mais perto de voltar para ele e isso eu sabia que não queria, ou melhor o meu orgulho não deixava!
Tal como prometeu o Rui não pressionou, mas também não evitou alguns gestos de carinho mais íntimos que o normal entre nós. Foi já quando o jantar se aproximava do final que
- Um brinde?
- Nunca se nega! Mas a quê?
- A ti! A mim! Ao Guilherme e ao futuro que espero que seja pelo menos a três… mas que não me importo que seja a 4,5,6 ou 7 se isso significar que vamos encher o Guilherme de irmãos… - olhei-o sem saber mais uma vez o que responder - mas isso só o futuro o dirá… por isso brindamos só a mim, a ti, ao Guilherme e a que este seja o primeiro de muitos momentos felizes!
Fizemos os nossos copos tocarem-se e bebemos
- Rui! 
- Sim?
- Junta o teu copo ao meu!
- Para quê?
- Junta e já vês!

Ele fez o que lhe pedi e eu tirei uma foto que partilhei desta vez como todos os que me seguiam nas redes sociais
“Inícios, finais, reinícios e novos finais… é disso que a vida é feita de etapas… que esta seja mais uma feliz e longa, mas isso, isso só o futuro dirá!”
- A sério que queres meter isto aqui assim?
- Se pode sair em revistas quando era totalmente mentira porque não posso ser eu a partilhar um bom momento?
- Amo-te! - ao ouvi-lo senti um misto de emoções o primeiro culpa, por saber que não correspondo o sentimento apesar de todo o carinho que sinto por ele, o segundo de bem-estar, por me sentir amada 
- Obrigada…
- Não precisas agradecer… não precisas dizer nada…
Depois deste momento mais intenso e de um momento de silêncio que de desagradável nada teve voltamos ao clima de cumplicidade, leveza e animação que caracterizam as nossas conversas e assim foi até ao momento do café
- Bem tá na hora de ir embora - o Rui falou enquanto continuava o cafuné que fazia nos meus cabelos enquanto a minha cabeça se mantinha no seu colo, logo depois de mais um bocejo meu - que a Princesa quer dormir
- Lamento, mas aqui não há princesas… - ele olhou-me - só Rainhas! Sim que mãe de príncipe é Rainha!
- Como queira Vossa Alteza! - rimos - Mas vá vai lá dormir que eu arrumo isto tudo!
- Nem penses não tem assunto nenhum! Deixa isso ai amanhã eu limpo! - falar com o Rui ou com uma parede foi o mesmo já que o ouvi concordar comigo, para assim que me ouviu ir até ao quarto usar a sua chave e arrumar a sala, ouvi o barulho e já de pijama encontrei-o na cozinha - Mas eu falo chinês??
- Não… mas eu disse que arrumava! Vai dormir… - falou depois de me olhar de cima a baixo e dando-me um beijo na bochecha, muito perto dos lábios - que eu já acabei e não te incomodo mais… que também tenho de ir que a idade não perdoa e já tou aflito das costas…
- Sério?! Oh coitadinho a sorte é que euzinha sou uma excelente massagista!
- Ai és? 
- Sim sou! Anda! - fi-lo seguir-me até ao meu quarto - Tira a camisa e deita-te!
- Maria…
- Maria nada! Ah espera estás com vergonha de mim é?!
- Não é vergonha… é que…
- É que?
- Que estás assim vestida… e a mandar-me deitar na tua cama e… um homem não é de ferro e tu sabes que eu… bem eu gosto de ti e… prometi que não te pressionava, mas assim começa a ficar difícil!
- Parvo! Deixa de dizer e pensar asneiras! E deita-te sem camisa e com as costinhas para cima! Que eu vou vestir um fato de treino para não te incomodar tanto
- Deixa lá isso que não me incomodas nada! - era esquisito, estar a ser observada e a provocar desejo nítido e declarado a um homem que não era o João, mas estava-me a saber muito bem, estava a fazer maravilhas pela minha autoestima - antes pelo contrário…
- Ai sim?! Então vá na caminha já! - ele deitou-se e eu iniciei uma massagem sem segundas intenções que pretendia apenas relaxa-lo que era bem percetível toda a tenção que acumulava nas costas
- Acostumava-me a isto com facilidade!
- Nem penses! Que tenho mais que fazer da vida que cuidar de idosos!
- Má! 
- Pois sou! Mas posso sempre deixar-te com um miminho para te lembrares de vez em quando!
- Tás a falar de quê? - perguntou assustado quando sentiu a minha unha começar a percorrer-lhe as costas com intensidade
- De uma foto!! - respondi a rir para de seguida preparar o telemóvel e fazê-lo disparar sozinho - Já tá!


"Não há jantares grátis! Já me tinham dito… e agora tenho a certeza!"
- Tens mesmo a certeza disto?
- Do quê?
- De partilhar assim!
- Tenho total e absoluta!!!

Com o Filipe em casa muito vai mudar na vida do Ruben... terá ele preparado para ser pai e mãe? E a Mariana qual será o seu papel???
Maria e Rui... cada vez mais próximos... o que o futuro lhes reserva???
João... sozinho em Valência como reagirá aos momentos partilhados pela Maria??