Mariana
Os últimos dias não têm sido fáceis,
porque reviver tudo o que passei quando perdi os meus filhos não foi fácil,
ainda assim tenho que admitir que estou a sentir-me melhor.
Hoje acordei feliz por saber que o
Filipe vai finalmente para casa mas nunca pensei que o Ruben se fosse sentir
tão inseguro e o menino está a sentir isso mesmo ou pelo menos acredito que sim
e que seja esse o motivo pelo qual o pai não o consegue calar.
- Jantas?
-
Sim…
-
Vou ver o que se arranja!
-
Faço companhia!
Ajudei-o a preparar o nosso jantar e
foi quando estávamos a comer que o Filipe acordou.
-
Vai lá ter com ele enquanto preparo o biberão!
-
Obrigado!
Sorri sozinha porque consegui ver o
pavor que o Ruben estava a sentir em não conseguir cala-lo nos seus olhos,
ainda assim não disse nada e fui preparar o biberão do Filipe.
-
Toma…
O Ruben agarrou e deu o biberão ao
filho que após algum tempo lá começou a beber.
-
Porque será que agora é tão difícil dar-lhe o biberão?
- Oh
Ruben o menino deve ter estranhado a mudança e depois chegar a casa e ter
aquele aparato todo à sua espera também não deve ter ajudado…
-
Pois…
-
Vá, não penses mais nisso! O que interessa é que agora conseguiste e com a
prática vais lá!
- É…
mas até lá desespero!
-
Deixa de ser exagerado… além disso já te disse que podes contar comigo…
Fiquei a vê-lo a adormecer o Filipe
e depois regressamos para a mesa, aquecemos o jantar e comemos, no final
ajudei-o a arrumar tudo e fomos até à sala onde começamos a ver um filme que
foi interrompido quando ouvimos o Filipe, o seu pai foi ao quarto e como estava
a demorar fui até lá
-
Então? - aproximei-me devagarinho
- Já
adormeceu… -
sorri ao vê-lo a babar o filho
-
Deves estar todo orgulhoso… -
olhou-me - o menino é parecido contigo.
-
Shiu… não o acordes!
-
Ui… que o papá está com medo que o menino acorde e que não o consiga calar! - espicacei-o e arrependi-me de
imediato
-
Mas é para isso que aqui estás -
olhou-me - fica connosco…
-
Não sei se será boa ideia…
-
Porquê?
-
Tens de te habituar a ficar sozinho com ele!
- Só
hoje…
Não consegui negar o pedido do Ruben
e concordei em ficar no seu apartamento, mais concretamente no quarto do
Filipe.
Ruben
Depois de convencer a Mariana a
ficar esta noite no meu apartamento saímos do quarto do meu filho e fomos até à
sala onde assistimos a mais um filme mas ainda não ia a meio e a Mariana já
tinha por diversas vezes aberto a boca, o que fez com que comentasse
-
Das duas uma ou não o filme é uma seca ou então é a companhia que não presta! - olhou-me
-
Oh… deixa de ser parvo! A companhia é excelente - sorri ao ouvi-la, a Mari foi
espontânea mas depois ficou envergonhada, o que fez com que gargalhasse pois
vê-la envergonhada não é fácil - não
gozes…
-
Não estou a gozar mas confesso que gostei de ver-te envergonhada…
-
Parvo! - atirou-me com uma almofada
à cara o que foi suficiente para querer-me vingar e quando dei por nós já
estávamos deitados no sofá comigo sentado nas suas pernas e a fazer-lhe
cocegas, a brincadeira durou até ao momento que
-
Pára já não aguento mais -
sorri por vê-la realmente aflita de tanto rir
-
Pronto… já parei! -
sentei-me no sofá, o que não esperava é que a Mariana fosse colocar a sua cabeça
nas minhas pernas, deixando-se ficar deitada, mas o que arruinou com o meu
autocontrolo foi mesmo a forma como me olhava, não resistir e
-
Isto não está certo… - a
Mariana após uns minutos em que simplesmente recebia pequenas carícias minhas
afastou-se
-
Porquê? - olhou-me - Porquê que não está certo?
- Oh
Ruben…
-
Ruben nada! Ambos queremos isto e não negues!
- Lá
porque queremos não significa que seja correto!
-
Não é correto duas pessoas que se amam partilharem momentos destes? Mariana,
não estamos a fazer nada de mal!
-
Estamos! Estamos a magoar-nos…
-
Fecha os olhos -
pedi ao aproximar-me dela que olhava o luar
-
Para quê?
-
Faz o que te estou a pedir! - fechou os olhos -
Agora recorda o dia do baile, recorda essa noite e o que sentiste, em como foi
diferente e em como te fiz sentir especial… - quando reparei já as lágrimas
molhavam o seu rosto - em como
descobriste o verdadeiro significado da expressão “fazer amor”… ainda achas que
o que temos não é correto? Mariana - abriu os olhos - o que nos une é amor… amor que precisa de amadurecer mas não deixa de
ser amor…
- Não sei... - suspirou - juro que não sei o que pensar e muito menos dizer,
Ruben só sei que continuo magoada, que dificilmente esquecerei o que sofri...
- Não estou a pedir que esqueças o que sofreste porque isso é
impossível, estou a pedir que relembres o que de bom existiu enquanto tivemos
juntos mas acima de tudo que nos dês uma nova oportunidade.
- Não sei se estou preparada...
- Então deixa rolar...
- É fácil falar mas se rolar posso acabar magoada!
- E se não rolar nunca serás feliz! Caramba o que preciso de fazer
mais para que acredites em mim? Mariana amo-te mas para te provar que
finalmente cresci tens de deixar... deixa fluir, deixa mimar-te... prometo que
não forçarei nada, amor vamos ao teu ritmo... deixa acontecer naturalmente e de
preferência longe dos olhares de terceiros...
- Estás a propor que regresse à adolescência e que esconda dos
meus papás o facto de andar aos beijos a um rapazito envergonhado - o brilho que tinha no
seu olhar fez-me sorrir - Oh Ruben tens noção que será impossível esconder
da nossa família, não tens?
- Não há impossíveis! Além disso se conseguir ganhar essa
oportunidade tudo farei para não a perder e sim estou disposto a esconder pela
primeira vez algo da minha vida à minha mãe e ao meu irmão, porque não tenho a
menor dúvida que é do teu lado que quero envelhecer mas para isso precisas de
te sentir confortável mas acima de tudo de recuperares a plena confiança em
mim, isso só será possível com o tempo e sem pressões... Mariana temos direito
à nossa privacidade, caramba a nossa relação nunca foi só nossa, sempre foi do
mundo, todos opinaram e não quero mais isso... quero-te só para mim e sim estou
a ser egoísta mas é só porque quero dar-te tempo e só assumirei que estou contigo
quando te sentires preparada... - gargalhou do nada - que foi?
- Opa... agora senti-me uma autentica virgem - falou por entre
gargalhadas, gargalhadas essas que acabei por acompanhar quando ouvi o que
falou
- Só tu...
- Oh é verdade... - continuava a rir - se queres saber quando perdi a virgindade
não senti metade das duvidas que tenho neste momento, lá está sempre fui
inconsciente e agora que penso antes de fazer as duvidas mais parvas
aparecem...
- Estás portanto a dizer com isso que vou desvirginar-te - só pela gargalhada que
mandou valeu o disparate que falei
- Oh meu menino... tenho cá para mim que de nós os dois o único
que tem alguma coisa ainda virgem és tu...
- Eich... essa até doeu!
- É mentira... queres ver?
- Não... não é - sorri de forma traçada - mas o Filipe não precisa ouvir estas
coisas...
- Deixa de ser parvo! O menino nem sequer está aqui mas isso só
prova que estás com medinho que o menino aprenda comigo aquilo que também
aprendeste... - não a deixei continuar e fui o mais sincero possível no que lhe
disse
- Não… até porque quero que o Filipe te tenha como exemplo a
seguir, que dê tanto à rapariga que escolher para namorada como me deste, no
entanto espero que herde de mim o discernimento... - interrompeu-me
- Estás portanto a chamar-me leviana?
- Não... estou a dizer que quero que o Filipe saiba escolher e
esperar pela pessoa certa, que saiba amar e ser amado, que viva a infância e a
adolescência sem saltar etapas, que perca a virgindade da forma que o pai
perdeu, com a pessoa que ame, que o faça conscientemente pois só assim
aproveitará o momento ao máximo.
- Oh vida - olhei para a Mariana - o menino ainda nem anda e já falamos
do momento que vai perder a virgindade - gargalhou
- Onde é que está a piada?
- Desculpa... imaginei a tua cara quando o Filipe comunicar que
namora
- voltou a gargalhar - já estou mesmo a ver nós os dois sentados a ver a
novela mais ramelosa que existirá nessa altura e o menino chegar já com a
dita-cuja e informar-nos que vai para o quarto e que não quer ser incomodado -
a Mariana ria que nem perdida acabando por me contagiar também - sim...
porque filho meu faz em casa, por isso habitua-te à ideia de veres gabirus a
entrar e a sair cá de casa - o cenário não é de todo agradável de imaginar
mas ouvi-la a fazer planos para daqui a uns anos e englobar-me neles desta
forma fez-me sorrir, ainda para mais quando falou do Filipe como “meu filho”, a
Mariana falou tão naturalmente que nem percebeu o que disse mas isso deixou-me
a rejubilar, porque é quando está descontraída que baixa as defesas, o que
permite que perceba que se continuar a insistir que mais cedo ou mais tarde
terei a oportunidade de ser verdadeiramente feliz do seu lado - é... agora
ris na altura choras!
- Quando esse momento chegar veremos quem será mais coruja...
tenho cá para mim que vais querer controlar muito mais o Filipe - parou de rir e
olhou-me - amor - falei espontaneamente e mais espontâneo foi o sorriso
da Mari - sabes o que fizeste e algo me diz que tentarás impedir que outra
faça o mesmo ao menino...
- Vou aconselhar o Filipe o melhor que conseguir mas não quero ser
dessas… -
a Mariana calou-se talvez porque pela primeira vez deu conta que já estava a
falar como mãe do Filipe
- Mães - baixou o olhar - era isso que ias dizer
- Desculpa… - a Mari tentou fugir mas agarrei-a pela cintura e puxei-a para o
meu colo - não tenho o direito de ocupar um lugar que não é meu - as
lágrimas apareceram - não sou mãe do teu filho…
- Não… não és mas podes ser… basta que queiras…
A Mariana não respondeu mas percebi
que ficou a pensar no que lhe disse.
Mariana
Não fiquei no apartamento do Ruben
com o objectivo de voltar a beijá-lo mas a verdade é que está cada vez mais
difícil manter a distância, pior fica quando somos os dois a contribuir para
que momentos de maior aproximação aconteçam. Voltamos a beijar-nos bem como a
falar, o Ruben tem razão quando afirma que o que se passa connosco não é
errado, errado é impedir que o nosso amor amadureça e mais errado é tentar
negar o quanto já amo o Filipe, a verdade é que sinto pelo menino amor de
mãe...
Era nisso que pensava quando o
Filipe acordou, o Ruben foi ver o filho enquanto fiquei novamente perdida em
pensamentos, que foram interrompidos pelo som da campainha, resolvi ver quem
era porque o Ruben estava ocupado
-
Boa noite - o senhor olhou-me
-
Não esperava que fosses tu a abrir a porta da casa do meu filho...
- O
Ruben está com o seu neto -
conforme falei desviei-me da porta para que entrasse - quer um café? - tentei ser afável - ou outra coisa?
- O
que é que estás aqui a fazer?
-
Como?
-
Venho visitar o meu filho e neto mas quem abre a porta és tu, perguntas se
quero algo para beber... só estou a perguntar se já estão novamente juntos?
Afinal sou sempre o último a saber...
-
Desculpe Sr. Virgílio mas se tem contas a acertar faça-o com o seu filho, não
me meta nessa... e quanto ao que quer saber - olhei-o - não
voltamos coisíssima nenhuma e agora se não se importa vou ver se o Ruben ainda
demora
Não lhe dei tempo para dizer nada e
saí da sala, a verdade é que nunca tive grande relação com o pai do Ruben,
talvez porque quando pediu ajuda para se aproximar do filho recusei por saber
que o Ruben naquela altura estava magoado com o pai, o certo é que desde esse
momento e já lá vão mais de dez anos o Sr. Virgílio nunca mais foi o mesmo
comigo.
-
Tens o teu pai na sala! -
comuniquei assim que entrei no quarto
- O que
é que te disse?
-
Nada...
-
Não mintas! Sei que vocês não se cozem... - bufei, odeio-o por conhecer-me tão bem - o que é que se passou?
-
Nada de especial...
- A
verdade Mariana!
- A
sério não se passou nada... o teu pai só achou estranho ter aberto a porta e
perguntou se voltamos... -
desviei o olhar do dele - mas não gostei
do seu tom de voz, é isso!
-
Não lhe ligues... sabes como é o Sr. Virgílio...
-
Sei... sei que não me grama mas que é teu pai e por isso tenho de o aturar - o Ruben sorriu - onde é que está a piada?
- Na
parte “sei que não me grama mas que é teu
pai e por isso tenho de o aturar” gostei de saber que o tens de aturar mas
deixa-me ver o que quer e já continuamos a conversa.
-
Ele não gosta de mim - o
Ruben calou-me com um beijo que me “desconsertou” por não esperar que o fosse
fazer
-
Não é ele que tem de gostar! Sou eu! E agora anda - deu-me a mão - quero que estejas comigo
-
Ruben... - parou de andar e olhou-me
-
Prefiro ficar com o Filipe… a sério!
- Ok
não insisto -
sorriu - até já!
Não respondi e o Ruben saiu. Fiquei
no quarto do Filipe mas com o passar dos minutos não resisti em aproximar-me da
sala e assim que o fiz ouvi
-
Não te chega o que já sofreste? -
as palavras do pai do Ruben bateram bem fundo mas pior foi o que disse depois -
Ela não é mulher para ti!
-
CHEGA! - o Ruben exaltou-se - Você não é ninguém para apontar o dedo,
meta a mão na consciência e pense antes de falar, também não é santo nenhum ou
já se esqueceu que largou a minha mãe com dois filhos pequenos porque estava
perdidamente apaixonado por outra, que a engravidou e que me deu a mim e ao
Mauro uma meia-irmã que aprendemos a amar para uns anos depois lhe ampararmos a
queda e as lágrimas quando você chegou a casa e comunicou a frio, sem a mínima
preparação que ia sair de casa porque tinha outra mulher...
-
Filho...
-
Filho a porra! Você nunca foi pai para nenhum de nós, tem três filhos e nunca
teve presente a cem por cento na vida de nenhum, por isso não venha agora dizer
quem é a mulher certa para mim! Você nem deve saber o que é amar alguém! Se é
para criticar a pessoa que amo pode sair, não preciso de mais ninguém a
meter-se entre nós, a nossa situação já está complicada que chegue para que
venha você meter mais veneno…
Perceber que o Ruben estava mais uma
vez a discutir com o pai por minha culpa fez com que interviesse e apesar de
correr o enorme risco de piorar a situação acabei por entrar na sala
-
Ruben! - assim que o chamei
olhou-me
-
Ruben nada! Mariana não o defendas... sabes que tenho razão - aproximei-me dele, sentando-me do
seu lado.
-
Sei... sei que estás magoado, que nunca o conseguiste perdoar por vos ter
abandonado, que cresceste a aprender a aceitar uma realidade que não escolheste
e que sofreste imenso quando descobriste que a tua meia-irmã estava a passar
pelo mesmo que tu e o Mauro passaram, com a agravante que com ela foi em plena
fase da adolescência e que por isso tiveste medo que escolhesse o caminho
errado, por isso mantiveste-te do seu lado e reviveste a tua própria história
mas de forma diferente porque quando o teu pai saiu de casa eras só uma
criança, por isso afastaste-te dele... mas caramba tudo isto faz parte do
passado, do vosso passado e como tal não o podem mudar... mas podem aceitá-lo e
retirar algo de positivo... o Filipe
precisa crescer rodeado de amor e não de magoa... - o Ruben baixou o olhar - e quanto a si - olhei para o Sr.
Virgílio - ao contrário do que pensa
nunca incentivei o Ruben a revoltar-se contra si, é verdade que não aceitei
ajudá-lo mas nunca fiz nada para vos afastar, simplesmente naquele momento
sabia que o meu amigo não estava preparado para o entender e perdoar, preferi
ficar do lado do Ruben e certificar-me que não iria a baixo do que
azucrinar-lhe a paciência para que o ouvisse, só protegi um amigo, se foi o
melhor não sei mas foi o que a minha consciência ditou na altura e com os meus
dezassete anos muita maturidade tive para não deixar o Ruben se afundar, agora
se não entende o problema é seu…
Depois de falar o que tinha para
falar saí da sala, fui novamente para junto do meu pequenino que dormia
serenamente, fiquei a observa-lo e por isso perdi a noção do tempo, no entanto
quando o Ruben se juntou a nós despertei novamente para a realidade e logo com
um pedido de desculpas, o que me fez sorrir pois percebi que o Ruben pensava
que estava chateada com ele e antes que continuasse a perder tempo com palavras
desnecessárias
-
Não estou chateada contigo! -
olhou-me admirado - Ruben só saí da sala
porque a minha presença incomoda o teu pai, não é novidade nenhuma que o senhor
não me grama, tal como também não o tolero - o Ruben sorriu - sim agora já o posso admitir porque
teoricamente o teu pai já não me é nada… - teria continuado mas o Ruben
interrompeu
-
Teoricamente?! -
aproximou-se de mim - Então e na prática?
- sorriu - Sim que se não teoria não
é nada… - suspirei por ter noção que fui apanhada
- Na
prática é o pai do homem que amo…
- E
esse homem não merece uma oportunidade?
Não respondi por palavras mas sim
por um impulso e beijei-o
lógico que o que era um beijo quase
inocente passou a algo mais, pois o Ruben não teve qualquer acanhamento de
juntar as nossas línguas
para depois diminuir a urgência
destemida com que imponha aos beijos, limitando-se a dar-me pequeno beijos mas
que ainda conseguiram deixar-me com mais desejo de o ter
tanto que foi minha a iniciativa de
sairmos do quarto do Filipe, caminhamos até ao dele de forma “atabalhoada” ou
não fosse percorremos a curta distância entre beijos, assim que chegamos ao
nosso destino voltei a tomar a iniciativa e retirei-lhe a camisola, momento
esse que aproveitou para
-
Tens a certeza? -
sorri com a pergunta e a resposta chegou através de mais um beijo ternurento
mas ainda assim foi suficiente para que percebesse que queria...
queria ser dele, tanto que acabou por deitar-me na sua cama
a sensação de voltar a sentir o peso do seu corpo fez-me sentir
viva novamente e os momentos seguintes foram para saciar saudades dele…
beijamo-nos como há muito não o fazíamos
o que só serviu para perder o controlo sob o meu corpo, passei a
reagir por impulso e depressa nos livramos da nossa roupa
o Ruben fez-me suspirar por mais e foi isso mesmo que lhe pedi,
mas quando se preparava para unir os nossos corpos
- Espera... - parou com os beijos
que distribuía pelo meu corpo fazendo-me
suspirar e olhou-me - Tens
preservativos?
- Ãh?? - afastei-o e saí da
cama e logo depois do quarto para regressar
- Toma!! - atirei-lhe com um
preservativo, que colocou sem mais demoras, retomando com as caricias que provocaram
uma nova onda de prazer e os gemidos que fui incapaz de controlar fizeram com
que sorrisse, estava disposto a enlouquecer-me e tive mesmo que implorar para
que parasse com aquilo, o Ruben não se fez de esquisito e uniu os nossos corpos
amamo-nos até as forças nos faltarem e no fim deixamo-nos ficar a
trocar simples mimos
Ruben
Quando pedi mais uma oportunidade não foi com a intenção de nos
amarmos mas ainda bem que aconteceu, já tinha saudades de sentir-me especial e amado
desta forma. Mas a Mariana surpreendeu ao exigir que usássemos proteção, algo
que acabei por concordar e finalmente amamo-nos...
Adormeci com ela nos meus braços e com um só pensamento, porque
raio quis se proteger desta forma, quando sei que tal como eu prefere sem
nada...
Acordei com o Filipe a chorar e assim que abri os olhos percebi
que a Mari já não estava ao meu lado, o meu primeiro pensamento é que tinha
fugido tal como a abandonei no passado mas depressa percebi que estava errado
quando a vi a entrar com o Filipe ao colo.
- Estás a ver Filipe aquilo que falava… estás tramado com o pai
que te calhou - olhou-me e a sorrir de traçada continuou - primeiro que
acorde para te dar mimo vai lá vai - a Mariana já estava sentada na beira
da cama e por isso muito perto de mim que aproveitei para reduzir ainda mais o
espaço entre nós - hey… chega-te pra lá!
- Porquê?
- Porque fui eu que o fui buscar, fui eu que acordei para o calar
por isso sou eu que tenho direito a mimá-lo - gargalhei ao ouvi-la
- Mas é meu filho! - o sorriso da Mari desapareceu
- É tens razão… toma o menino! - o meu amor deitou o Filipe na cama e
levantou-se de imediato
- O que é que estás a fazer?
- Não vês? A apanhar a minha roupa do chão do teu quarto!
Conforme falou também se trancou na casa de banho saindo de lá já
vestida.
- Onde é que pensas que vais? - coloquei-me à sua frente de forma a não
deixar que saísse
- Agora que já estás aliviado vou embora porque tens o TEU filho
para cuidar!
- Desculpa… não o falei com intensão de te magoar…
- Esquece… - tentou sair
- Esqueço nada… desculpa a sério… não medi as palavras…
- O teu problema é que nunca medes nada - baixou o olhar - nem
as palavras nem os actos e depois no fim quem se fode sou eu - atirou com
magoa - mas a culpa nem é tua… é minha que sou fraca e burra… deixo sempre
que me dês a volta… que me uses… sim porque é só isso que sabes fazer, usaste
no passado para teres sexo e no presente para calar o TEU filho… ah e pelo meio
já te safaste porque aqui a burra voltou a abrir-te as pernas! Sou simplesmente
algo que usas a teu belo prazer…
- Não… és a pessoa que amo, aquela que me completa, a única que
quero do meu lado… Mariana não digas que foi sexo o que fizemos porque sabes
bem que não foi, nós amamo-nos e não foste burra coisíssima nenhuma… e quanto
ao Filipe é verdade que é meu filho biológico mas o que isso interessa quando
comparado a ser filho de coração? Mariana podes não querer admitir mas já o
amas como se fosse teu… e nem adianta negares porque a forma como cuidas do menino,
como sempre te preocupaste com ele, como estiveste do meu lado e ajudaste-me a
ultrapassar todos os medos e receios, não deixa margem para dúvidas…
Mariana
Não resisti e entreguei-me ao Ruben afinal as saudades já eram
imensas, voltei a sentir-me uma Deusa, senti-me amada, acarinhada, respeitada
mas acima de tudo senti-me viva como há muito não sentia, talvez por isso tenha
adormecido serena nos braços do Ruben, para acordar horas depois com o choro do
Filipe e foi com um sorriso na cara que fui até ao quarto do menino, afinal o
Ruben nem se mexeu, algo que já desconfiava que aconteceria e com o qual
brinquei quando regressei ao quarto do pai com o seu filho nos braços mas o que
começou com uma brincadeira acabou comigo mais uma vez magoada, não por ter a
noção que voltei a deixar o Ruben usar-me mas sim porque doeu ouvir o meu amigo
a reclamar o seu filho para ele, o Ruben só disse a verdade ao dizer que o
Filipe é filho dele mas não deixou de doer… afinal nunca saberei o que é dizer
“meu filho” porque perdi os meus.
Não gostei do que ouvi e tentei sair mas o Ruben não deixou e
acabamos por falar, ouvir o Ruben a dizer que já amo o seu filho como se fosse
meu só serviu para ficar ainda mais confusa, a verdade é que tenho medo de
querer o universo quando só tenho direito a uma estrela.
Não sabia o que responder por isso mesmo aproveitei que o Filipe
estava a chorar com fome para afastar-me, fui até à cozinha preparar-lhe o
biberão. Estava entretida entre limpar as lágrimas que caiam sem controlo e a aquecer
o leite do menino quando senti o Ruben a abraçar-me, o que fragilizou-me por
completo e acabei por abraça-lo, para sentir de imediato as suas mãos a tocarem
a minha pele
- Mariana não chores…
- Não vos quero perder… - murmurei e o Ruben sentiu necessidade de olhar-me nos olhos
para ter certezas do que ouviu - mas ainda não me sinto preparada para
assumir nada - um sorriso tímido surgiu nos lábios do Ruben - estou tão
confusa… preciso de ti… do teu amor mas depois há uma parte de mim que não
esquece o que se passou…
- Tempo… tempo é o que nós precisamos e é o que terás… Mariana
precisas do teu espaço e prefiro não forçar nada e ter-te por completo daqui a
um tempo do que insistir agora e perder-te depois… entendes o que estou a
tentar dizer?
- Sim… queres que me decida…
- Sim…
- Mas eu não sei…
- Não estou a pedir uma resposta imediata, estou só a dizer que
vou respeitar…
***
Acordei na cama do Ruben e apesar de não estar confortável com
esta situação não estou arrependida, ainda assim não consegui ficar mais tempo
do seu lado. Saí da cama e fui vestir-me para a sala de forma a não o acordar,
despedi-me do Filipe com um beijinho na sua testa e saí sem dizer nada ao
Ruben.
Passei a manhã com a cabeça “enterrada” no trabalho de forma a
afastar o Ruben do meu pensamento mas não foi fácil já que o rapaz passou a
manhã a ligar-me e apesar de nunca ter atendido não foi suficiente para que
tivesse desistido.
- Olá pai! - cumprimentei-o
- Tudo bem filha?
- Sim…
- Então que carinha é essa?
- Não é nada… coisas minhas!
- Ruben portanto!
- Como?
- Oh filha não precisas dizer para saber que o motivo por estares
triste é o Ruben!
- Pai vim ter consigo para almoçarmos e não para falarmos dele…
O meu pai respeitou o meu pedido e mudou de assunto durante o
almoço mas no final voltou à carga quando
- Tens de ultrapassar essa dor - olhei-o - e a melhor forma de o fazeres
é encarar de frente… andas a fugir há mais de um ano… Mariana o que vi ontem
foi muito mais que uma amiga a ajudar um amigo… o que vi foi a minha filha a
cuidar do filho do homem que ama… o que vi foi vocês os dois completamente
embasbacados… filha pensa bem se queres continuar a fugir ao que sentes
- Tenho medo de voltar a sofrer, de voltar a ser abandonada…
- Não é medo de sofrer que tens - olhei-o - o que tens é medo de ser
feliz, porque se fosse medo de sofrer não terias apoiado o Ruben da forma que
fizeste, não terias visitado o Filipe, não terias obrigado o Ruben a reagir,
não terias acompanhado o evoluir da situação do filho dele e muito menos terias
consentido que o Ruben voltasse a ter-te nos seus braços, sim porque não
acredito que convosco a passarem tanto tempo juntos que nunca se tenha passado
algo mais do que uns beijos - engoli em seco - vocês estão os dois a
sofrerem por não se poderem amar livremente e não preciso que nenhum dos dois o
confirme porque vocês já não conseguem disfarçar, filha a forma como o Ruben
fala de ti espelha sofrimento, ele quer-te por inteiro e não aos bocadinhos.
- Vai ficar do lado dele? Agora vai defendê-lo? Foi o Ruben quem
fez a porcaria!
- A porcaria foram ambos que a fizeram! Além disso não estou nem
do teu lado nem do lado do Ruben, estou do lado do Filipe que merece uma mãe e
tu mereces um filho, Mariana sei o que estou a dizer… sei o quanto custa
assumir um filho que não é nosso - as lágrimas vieram-me aos olhos - porque no momento que
antecede essa decisão passa-nos tudo pela cabeça mas também sei o quanto é
gratificante ouvir pela primeira vez “papá”, no teu caso “mamã”, filha já amas
o Filipe tal como o menino já te ama mesmo sem ter consciência disso e sabes
porquê que o digo? Porque o menino por muito rabugento que esteja quando está
contigo acalma… o Filipe já escolheu a mãe tal como me escolheste para pai
porque fui o único que estive sempre presente, tal como estiveste para o
Filipe… Filha o menino precisa que os pais ganhem juízo de uma vez! Mariana
esta situação é insuportável, vocês estão os dois a sofrerem, porque não sabes
o que queres, o Ruben já reconheceu que errou e demonstra por actos e palavras
o que quer, faz o mesmo e decide de uma vez se queres dar a derradeira
oportunidade ao vosso amor, mas decide rápido, não arrastes mais esta situação
que só serve para se magoarem! Filha, o único que precisa de saber da tua
decisão é o Ruben, Mariana nem que façam aquilo que nunca fizeram, namorem às escondidas,
dêem a vocês mesmo a oportunidade de se conhecerem enquanto namorados porque só
assim sentirás segura na decisão de tornarem publica a vossa reconciliação…
- O pai fala como se fosse simples!
- E é… basta que lhe dês a oportunidade que o rapaz te pediu no
dia do seu aniversário, mas dá de forma sincera e não da boca para fora…
Não respondi mas fiquei a matutar nas palavras do meu pai, talvez
tenha mesmo medo de ser feliz e não medo de sofrer novamente, o certo é que que
fiquei o resto da tarde a pensar nos últimos meses e assim que saí do trabalho
não resisti em desviar caminho e passar pela casa do Ruben
- Mariana?! - o Ruben sorriu assim que abriu a porta e viu-me
- Posso?!
- Ah… sim - sorriu - entra
- O Filipe? - perguntei depois de receber um beijinho no rosto que deixou-me
com um sorriso estupidamente parvo, talvez porque o Ruben não abusou no
atrevimento
- Está a dormir…
- Ah… vinha vê-lo…
- Podes ir até ao quarto… mas se quiseres esperar daqui a mais ou
menos uma hora acorda para comer…
- Hum… então espero - o Ruben sorriu e por momentos só tive vontade para lhe saltar
para o colo
- Bebes ou comes alguma coisa?
- Não…
Assim que respondi um clima estranho instalou-se, de repente
ficamos sem assunto e foi quando já pensava ir até ao quarto do Filipe para
fugir que o Ruben voltou a falar.
O que terá dito o Ruben?













