sábado, 6 de julho de 2013

080 - " Ela é um bocado de mim eu nunca soube o que é viver sem a ter ao meu lado!"

(João)
Dias depois de regressar a Valência fui informado pela Maria que tínhamos sido capa de uma revista, ao que parece a ida da Maria ao aeroporto foi registada e um resumo da nossa historia bastante verídico e com alegadas fontes algo que deixou a Maria um pouco chateada por se sentir traída por um amigo/a, confesso que também fiquei um pouco desapontado, mas nada de especial.
Os dias foram passando e a Maria ia-me mantendo a par de todas as novidades quanto às “obras” da nossa casa. A Maria andava ansiosa pela próxima visita da prima, é impressionante como estas duas não conseguem viver longe uma da outra muito tempo, são primas mas parecem gémeas siamesas!
O dia da ida do Ruben e da Mari a Lisboa chegou e quando ao fim do dia e por ainda não ter noticias de nenhum dos 3 resolvi ligar ao Ruben por achar que as primas estariam ocupadas de mais a babarem a barriga uma da outra sou surpreendido com a informação de que já estavam de regresso a Braga. De imediato liguei para a Maria e não gostei muito do que ouvi.
A Maria estava preocupada porque a Mariana estaria em Lisboa e ainda não lhe tinha dito nada, enquanto que eu já tinha falado com o Ruben, sabia que a consulta tinha corrido bem e que um dos “monstrinhos” como a Mariana os apelidou será um menino mas também tinha percebido que algo estranho se passava o Ruben estava esquisito e já tinham regressado a Braga mesmo sem terem dito nada à Maria, contei-lhe tudo o que sabia e a Maria ficou preocupada com a prima e estranhou imenso, mas para não a deixar ansiosa acabei por mudar o tema da conversa para o desenrolar da decoração da nossa casa e como estava a nossa pipoquinha.
Mantive com o Ruben o contacto que sempre tive uns e-mails, umas bocas nas redes sociais e uns jogos on-line e claro uns telefonemas, mas notava-o pouco comunicativo, ele por nós perguntava queria saber tudo, sobre a carreira também falava sem problemas, mas se lhe perguntava pela Mariana e pelos “monstrinhos” ele começava a engasgar-se
- Oh puto vais continuar a engasgar-te sempre que te pergunto pela Mari?!
- Eu não me engasgo quando perguntas por ela!
- Nãaaa agora isso! 
- Oh pá ela tá bem e os meninos também!
- E porque é que não atende o telefone à Maria?
- Eish sei lá! Isso são coisas delas!
- Não vais falar mesmo pois não?!
- E o meu afilhado como está? - mais uma vez ele desconversou e eu não insiti, quando quiser ele sabe que pode falar
Os dias foram passando tudo sempre com o mesmo ritmo e com a Maria dia-a-dia a ficar mais triste, não sabia o que poderia fazer para anima-la ainda por cima com tantos km’s de distancia.

(Maria)
Assim que desliguei a chamada do João liguei para a minha prima que tinha o telemóvel desligado, deixei-lhe uma mensagem no voice mail e fiquei ainda mais preocupada, tentei ligar ao Ruben, mas o telefone chamou... chamou e ninguém atendeu
 "Ruben o que se passa? Vocês estiveram cá e não disseram nada! A minha prima tem o telemóvel desligado, tu não atendes... e o João disse-me que falaste com ele... Ruben por favor assim que puderes diz-me alguma coisa! Estou super preocupada!!"
Deixei mensagem também ao Ruben e passei a noite acordada na esperança que algum dos dois me dissesse algo, tendo mesmo indo tentando ligar para a minha prima que mantinha o telemóvel desligado.
Quando a hora de acordar chegou eu ainda nem tinha dormido. Acabei por tomar um duche rápido e seguir para o escritório
- Bom dia - cumprimentei todos assim que entrei, algo que faço normalmente, mas desta vez
- Bom dia Maria tudo bem? - a Cristina recepcionista olhou-me admirada
- Sim e contigo?
- Está tudo bem, mas tu não pareces nada bem!
- Não dormi nada... olha sabes se a minha prima ontem passou por cá?
- Que eu tenha visto não...
- Ok... vou para o meu gabinete...
- Se precisares de alguma coisa diz, é que não tás mesmo nada com boa cara
Apenas acenei afirmativamente com a cabeça e segui para o meu gabinete assim que lá entrei fui imediatamente ver o meu e-mail e ainda as redes sociais para ver se tinha alguma noticia da minha prima já que o seu telemóvel continuava desligado e o Ruben também ainda não me tinha respondido, mas também nada. Fiquei a manhã toda lá fechada a resolver questões que tinha pendentes, mas sempre com uma sensação esquisita e com a Mariana no pensamento, por isso perto do fim da manhã liguei para a Ana
- Olá mamã!
- Olá tia Ana!
- Que vozinha é essa? Passa-se alguma coisa?
- Não sei... diz-me tu!
- Eu?!
- Sim... a minha prima não teve consulta contigo ontem?
- Teve... e?
- E ela não me disse nada ontem, e tem o telemóvel desligado e o Ruben não me atende... falou só com o João... Ana diz-me que não se passa nada com a minha prima e que eles estão a esconder-me para não me enervar!
- Maria calma!!! A tua prima está óptima ! Saiu daqui a comentar que estava com saudades tuas e que queria ver a pipoquinha por isso o que me estas a contar é tão esquisito para ti como para mim, mas podes ficar descansada que está tudo bem com ela e como sei que não é quebra de sigilo posso dizer-te que o Guigas vai ter pelo menos mais um pilas para brincar que o outro não consegui ver! - depois gargalhou - Oh Maria já sei o que se passa!
- E estás à espera do quê para me dizeres? 
- A tua prima e o Ruben andavam com falta de exercício físico, cá pra mim estão a recuperar o tempo perdido por isso não te dizem nada!
- Será?! E achas que iam para Braga? Até ai no parque de estacionamento eles tratavam disso!! - acabei a gargalhar também - mas sim tem lógica que seja isso, mesmo assim continuo preocupada!
- Deixa-te de coisas! Olha como está a decoração da casa?
- A andar, mas falta ainda umas coisinhas e todo o quarto do Guilherme!
- Se quiseres ajuda...
- Claro que quero!! Quando é que tens tempo?
- Para o almoço hoje! E ai podemos marcar o resto!
- Ok combinado - acabei por aceitar o almoço, para arejar a cabeça e esquecer que a Mariana me estava a deixar em pânico só para temperar o corpo! - no sitio do costume às 13h?
- Oh yes!
Assim que desliguei a chamada, batem-me na porta
- Entre
- Bom dia Sobrinha! Bom dia Guigas!
- Sobrinha?! - franzi o sobrolho afinal estávamos “ao serviço”
- Sim venho como tio posso?
- Podes... 
- O que se passa?
- Nada! Isto está tudo parado! - fiz uma careta
- E é por isso que estás com essas olheiras e essa carinha?
- Ah... isso...
- Sim isso...
- A Mari veio ontem a uma consulta com a Ana e voltou com o Ruben para cima e nem uma sms me mandaram e para melhorar a Mari tem o telemóvel desligado e o Ruben não me atende! - ele olhou-me com duvida como quem diz “estás a exagerar” - e sim não me atende porque com o João falou! E eu falei com a Ana sei que tá tudo bem com os bebés, mas a Mari não quer falar comigo - estava a falar com o meu tio e as lágrimas corriam, realmente as benditas hormonas e este feeling de que algo de anormal se passava estavam a dar cabo de mim
- Então Maria o que é isso?? A tua prima e o Ruben já sabemos que são assim de flashes, devem tar a armar alguma maluquice das deles e tu vais ser a vitima, vais ver que quando te disserem alguma coisa vai ser “bombástica” de certeza
- É talvez... -enquanto falava tentava mais uma vez sem sucesso ligar para a minha prima - ... mas que não é norma ela estar tanto tempo com o telemóvel desligado desculpa mas não é!
- Ei... eu já lhe ligo agora tu acalma-te se fazes favor porque se os “monstrinhos” estão bem o Guigas não tarda nada fica mal! - falou sério - vá pega lá na mala e vamos almoçar, a tua tia vai adorar ver-te!
- Obrigada pelo convite, mas combinei almoçar com a Ana, preciso de umas opiniões para o quarto do Guigas, tinha pensado que a Mariana ia ontem comigo às compras... assim tenho mesmo de aproveitar o tempinho que a Ana tem livre...
- Só desculpo a nega porque vais arejar a cabeça! - levantou-se e quando ia a sair - Eu vou ver se consigo falar com a tua prima, e tu se entretanto falares diz-me qualquer coisa
- Ok... Tio? - ele olhou novamente para trás - O que se passa contigo? Sim que se eu tou com má cara tu...
- És tu preocupada com a tua prima e eu com o teu tio Manuel!
- O que se passa?
- Nada Maria, nada... - acabou de falar e fechou a porta de forma a cortar a conversa afinal ele sabia que aquela resposta era tudo menos convincente e eis que mais uma duvida se levanta na minha cabeça, será que a Mariana e o pai...?! Não ela se não falou comigo ainda menos falou com ele, não é? É Maria, é! 
Peguei na mala e rumei até à zona de Belém onde me encontrei com a Ana numa das esplanadas junto ao rio.
- Olá!!! Como vai a pipoquinha da tia? Está quase a ir fazer uma visita para a tia te ver!
- É... prá semana - mostrei-lhe a língua
- Como é que estás?
- Bem! Sem enjoos e com muito poucos desejos, em compensação as costas...
- O normal portanto - riu - mas estava a falar dos teus nervos, já tás mais calma? Já falaste com a maluquinha?
- Não... ainda não falei e não é normal ela ainda ter o telemóvel desligado e o Ruben a mim não me atende, mas falou com o João! 
- Maria tem calma, vais ver que devem tar a armar para cima de ti, sim que aqueles dois em silencio é sinonimo de asneirada! - gargalhei - onde está a piada?! Estou a falar a sério!
- Eu sei, mas o meu tio Jorge disse-me exactamente o mesmo! Espero que tenham razão!
- Vais ver que temos razão e que tu é que estás a fazer uma tempestade num copo de água. E acabou aqui o tema Mariana! Agora quero saber de ti, de ti e do João, do João e de ti... E vá da pipoquinha também - falou a rir
- Eu estou aqui, o trabalho está o normal, a pipoquinha está o bem, acho eu... E o João está em Valência , ainda não sabe se pode vir na próxima consulta e tirando isso também está tudo bem. Mas preciso muitoooo da tua ajuda preciso de uma opinião sobre a casa e de ajuda com o quarto do Guigas porque o menino João tudo o que lhe mostro, sim q passo a vida a tirar fotos ou a procurar catálogos online para lhe mostrar as coisas e depois ele diz-me que sim a tudo!
- E estás a queixar-te quer dizer que tens bom gosto!
- Não quer dizer que ele se está a marimbar porque no outro dia fiz o teste mostrei-lhe várias coisas para meter no mesmo sítio todas diferentes e nenhuma ficava bem com as outras e ele disse-me que ia ficar um conjunto espectacular! Achas normal?!
- Acho... Estamos a falar do João! - disse a rir
- Ok tens razão! - acabei a rir também
O resto do almoço continuou todo.neste clima de conversa calma e divertida e sempre fiquei a saber em primeira mão que os meus amigos iriam dar mais um passo e viver juntos também eles
- E um jr vosso é para quando??
- Ei calma aí com os cavalos!!
- Não queres?
- Quero mas ainda é cedo! 
- Cedo?? 
- Sim ao contrário de uns e outros eu e o Fábio não temos um amor desde a adolescentes! Estamos ainda muito atrás no que toca a pontos de relação comparando com vocês...
- Oh sim porque eu e o João estávamos num lindo ponto quando isto - aponte para a barriga - aconteceu 
- Isso só aconteceu porque vocês estavam no ponto certo - disse a rir
Corremos todas as lojas de decoração infantil e acabei mesmo por arranjar todo o quarto do Guigas.
Os dias foram passando, a consulta com a Ana correu bem, tudo como esperávamos, o João conseguiu vir e por isso estreamos finalmente como deve ser a nossa casinha com as nossas coisas. Fizemos um jantar para a família e para os amigos mais chegados, para variar a minha prima apesar de já ter ligado o telemóvel não atende as minhas chamadas e não responde a mensagens, por isso no dia que fiz o jantar e que de Braga apenas o João recebeu uma sms que dizia
"Que este seja o primeiro de muitos e felizes jantares na vossa casa. Que essa seja o quartel general de uma família que aqui o tio Ruben quer que seja enorme! Bjs e abraços ass. Ruben, monstrinho e  indefinição"
apesar do que me custou deixei de ser eu a tentar provocar qualquer contacto.
Uns dias depois quando chego à empresa a depois do almoço Cristina chama-me
- Oh Maria, desculpa sei que não tenho nada com isso, mas o que é que a tua prima vai fazer agora?
- Fazer agora?! A minha prima? Do que é que estás a falar?
- Tu não sabes? A tua prima enviou por correio registado a carta de demissão! O teu tio recebeu-a hoje
- Tens a certeza?
- Absoluta, fui eu que a recebi!
- O meu tio está no gabinete dele?
- Sim...
- Então não deixes ninguém lá entrar nem passes nenhuma chamada a não ser que seja da Mariana ou que eu te diga o contrario ok?
- Está descansada.
Assim que ela concordou comigo entrei de rompante no gabinete do meu tio, nem bati na porta e ele olhou-me com ar reprovador ignorei-o e quando vi que tinha uma folha A4 na mãe retirei-a bruscamente
- MARIAAAAA!!!
- MARIA UM OVA! TU SABES O QUE SE PASSA! - ele baixou a cabeça, como que assumindo - E NÃO TENS UM PINGO DE REMORSO POR SABERES QUE EU ESTOU ASSIM SEM SABER DE NADA? - sentei-me e respirei fundo quando senti o Guigas agitado, ele apenas me olhava - Tu sabes o que eu tenho passado, que não percebo porque ela se afastou de tudo e todos, mas principalmente porque se afastou de mim! De mim Tio! Porquê?! FALA!!!! DIZ-ME POR FAVOR! - voltei a sentir o Guilherme agitado e ao jogar a mão à barriga como forma de o acalmar finalmente provoquei uma reacção do meu tio.
- Maria desculpa mas não posso! - olhei-o incrédula - Desculpa, não me olhes assim e por favor acalma-te olha o menino! - tentei falar - Maria eu sei o que se passa, mas não posso... tem de ser a tua prima a falar. Tem de ser ele a organizar os seus pensamentos e os sentimentos e depois sim falar com quem ela achar que deve falar
- E eu?! E o Guigas?? Sabes que ela é a madrinha?? Será que ainda é? Ou terei de escolher outra pessoa? E eu ela ainda me quererá para madrinha de um dos monstrinhos? Oh tio... por favor!
- Desculpa Maria, mas não posso - levantou-se e depois de pegar em todas as suas coisas - Agora se não te importas vou até Braga resolver um problema contratual com uma das nossas funcionarias.
Acabou de falar e saiu porta fora. Acabei por segui-lo e só parei no meu gabinete onde liguei ao João que acabou por ficar tão surpreendido como eu, mas que me aconselhou o mesmo que o meu tio, dar tempo à Mari para que ela organize o que precisa organizar.
Passaram-se mais duas semanas e estava eu a meio do estudo de um processo que poderia estourar a qualquer momento quando o meu tio me entra pelo gabinete a dentro, ele que desde que me confessou que sabia o que se passava, mas não me contava eu, evitava a todo o custo tendo mesmo lhe dito que só me dirigisse a palavra quando me quisesse contar o que estava a acontecer à nossa volta
- Maria temos de falar - olhei-o na expectativa
- O que é que aconteceu?!
- A tua prima... - assim que ele tocou na Mariana o meu coração disparou
- O que é que ela tem? É grave? Os bebés? FALA!!!
- Eu já sei, como tu sabes, porque é que ela cortou relações contigo, comigo e com o resto da família. Maria a tua prima ouviu uma conversa entre mim e o tio Manuel em que ele me confidenciava que ele não é o pai da Mariana...
- Ela ouviu o quê?!
- Calma Maria... É parece que o teu tio guardou este segredo todos estes anos... 
- E ela não me diz nada?! Ela deve estar desfeita! Eu devia estar ao pé dela! Ela é mais que minha prima! Ela é um bocado de mim eu nunca soube o que é viver sem a ter ao meu lado! Estes dias tem sido horríveis, eu preciso dela e agora estás-me a dizer que ela de certeza que precisa de mim... 
- Maria a tua prima acha que a vida dela é toda uma mentira e recusa aceitar continuar a fazer parte da família... Para ela se o sangue não é o mesmo então não é família...
- O quê??? Estás a dizer-me que ela apagou tudo o que viveu porque os pais lhe mentiram?! E eu? Eu também lhe menti?? Ah já sei ela é que me mentiu... vivi 28 anos a acreditar que ela também gostava de mim como uma irmã e afinal já que o sangue não é o mesmo... - as lágrimas rolavam, mas só agora a ficha caiu - O tio Manuel não é pai dela? Como é que é isso?!
- Maria é a vida dos teus tios, mas muito resumidamente o teu tio e a tua tia sempre foram muito amigos e quando o namorado dela a abandonou grávida o teu tio não pensou duas vezes em assumir esse bebé... Maria pelo que o teu tio me contou ele sempre amou a tua tia e a tua prima apesar de não ser sangue do seu sangue é o maior tesouro do teu tio que sempre a quis proteger como sempre achamos de forma exagerada para que ela não passasse pelo mesmo que a tua tia passou! - fui ouvindo o meu tio e a forma como tentava justificar o irmão
- E agora com a Mariana grávida ele lembrou-se de soltar a bomba??
- Não Maria, o teu tio ao fim de 28 anos desabafou pela primeira vez com alguém... comigo e ao que parece a Mariana ouviu toda a conversa...
O meu tio acabou por receber uma chamada e deixou-me sozinha
- Amor! - falei entre lágrimas
- Maria o que se passa?
- Já sei porque a Mariana, não quer falar comigo...
- Já? O que se passa?... Maria fala estás-me a deixar nervoso!
- A minha prima descobriu que não é filha do meu tio!
- O quê?
- Ao que parece a minha tia foi abandonada gravida e o meu tio que alem de amigo já era apaixonado por ela assumiu-a a ela e à bebé!
- Bem que historia!
- E agora a Mariana meteu na cabeça que a vida dela foi toda uma mentira e que como não somos do mesmo sangue afinal não somos família!
- É o quê??
- Isso mesmo! A Mariana apagou-me da vida dela só porque não tenho o mesmo sangue que ela! - cada vez que repetia esta realidade sentia uma facada no peito e o choro só aumentava
- Maria, calma amor olha o menino! A tua prima rebentou-lhe uma bomba nas mãos... e que bomba... - só consegui-a soluçar - amor fazes-me um favor?
- Diz?
- Liga à Ana, vai ter com ela! Fala com ela... amor faz-me esse favor... para eu ficar descansado aqui...
- Sim... preciso mesmo falar com ela!
- Óptimo tenho treino agora, mas assim que acabar ligo-te! Beijinhos para ti e pro campeão! Amo-vos!
- Beijinhos grandes!! Nós também te ama-mos!
Fiz o que o João e que me pediu e que eu sabia que seria o mais correto já que depois do João e da própria Mariana a Ana era a minha confidente.
Liguei-lhe e fui ter com ela acabei por lhe contar tudo, ela como todos nós ficou super espantada e depois de me acalmar aconselhou-me a falar com a Mariana e quando lhe pedi que me dissesse quando era a próxima consulta que a Mariana teria ela recusou-se alegando o segredo profissional.
Mas eu teria de arranjar uma maneira de saber, nem que tivesse de me fazer passar por ela numa chamada para o consultório.

(João)
Assim que desliguei a chamada da Maria, como ainda tinha meia hora até ao treino liguei para o Ruben
- Puto a que devo chamada a esta hora?
- A Maria já sabe o que se passa o Jorge contou-lhe, ela ligou-me agora desesperada porque a Mariana a apagou da vida dela
- Eish oh João! Isso não é assim...
- Eu imagino que não, mas explica isso a uma das Primas Mendes com as hormonas aos saltos a ver se consegues
- João as primas Mendes já não existem!
- Oh Ruben!
- João a sério... a Mariana bloqueou mesmo toda a família e o assunto é completamente proibido! Ainda outro dia quando foi o jantar em vossa casa, tentei falar com ela para irmos, mas ela recusou-se a sequer tocar no assunto!
- A Maria só vai aceitar isso dito pela Mariana! Aliás isso e já agora que também não será a madrinha do Guilherme!
- Ei... vocês já tem padrinhos novos para o miúdo?
- Nós não! Mas se a Mariana não quer saber de nós...
- Deixa-a acalmar e depois elas logo falam... a Mariana no outro dia não se apercebeu que eu a estava a ver e estava a olhar as fotos que tem com a prima no telemóvel, ela tem saudades, mas não está a saber lidar com isto tudo... são 28 anos a acreditar numa coisa que afinal.... 
- Achas que não podemos mexer uns cordelinhos para elas se encontrarem... assim sem querer?
- Achar até acho... mas como? A Mariana não sai daqui por razão nenhuma a não ser a consulta na Ana
- É isso mesmo!!! Quando é a próxima consulta?
- Tenho de confirmar porquê?
- Porque a Maria, podia ir ao consultório da Ana exactamente nesse dia...
- É isso!! Eu vou ver quando é a consulta e depois digo-te!
- Obrigado! E como tá o ambiente?
- A Mariana está a começar a relaxar...
- E vocês e o meu afilhado?
- Tá tudo bem, tirando o stress da Maria... bom tenho que desligar que vou começar aqui! Não te esqueças de dizer a data
- Vai lá que eu também! Já te mando uma mensagem!
Desliguei a chamada com o Ruben e depois do treino liguei para a Maria que estava mais calma depois de ter falado com a Ana e quando lhe contei a conversa com o Ruben deixou de estar stressada com a tristeza de não saber o que a prima tinha pela ansiedade de colocar em pratica o plano de encontro com a prima.
Os dias passaram dentro da mesma rotina e o dia da consulta da Mariana em Lisboa chegou. Esperava ansioso pela chamada da Maria a contar-me o que se teria passado, mas quando atendi o telefone ia morrendo.

O que será que aconteceu para que o João fique assim ao atender a chamada?
Como correrá o encontro entre as primas?





quarta-feira, 3 de julho de 2013

079 - "amor fala... diz qualquer coisa mas fala..."

Mariana
Estas últimas semanas passaram com o Ruben a mimar-me imenso, bastava abrir a boca para dizer que me apetecia algo para no instante seguinte o ter a fazer das “tripas coração” para conseguir satisfazer-me os desejos, estes foram de todas as formas e feitios, desde comida, a passeios, a compras ou a momentos de maior intimidade mas sem nunca chegarmos a vias de facto, a verdade é que depois de ter deixado de ser o fruto proibido também deixei de ter vontade.
Os enjoos têm dado cabo de mim, nunca pensei que fosse enjoar tanto e talvez por isso o meu humor nem sempre é o melhor, mas felizmente na última semana a coisa melhorou um pouco, o que tem dado para aproveitar para também eu mimar o Ruben, afinal não pode ser só receber, ele também merece atenção.
Se nos outros dias tenho acordado animada, hoje nem se fala, afinal vou finalmente voltar a ver os meus bebés.
- Ruben despacha-te! - refilei dado que o pai dos bebés estava mais lento que tartaruga - Assim nunca mais chegamos a Lisboa!
- Amor tem calma... a consulta é só de tarde!
Ainda refilei mas de pouco adiantou, o Ruben continuou a despachar-se devagar, devagarinho, o que irritou-me e deixou mal disposta, lógico que depois deve que aturar a minha birra pelo caminho, birra essa que só passou já na presença da Ana.
- Então amiga conta lá como tens passado.
- Oh... enjoos atrás de enjoos, ando super cansada, rabujenta e mais um rol de adjetivos nada abonatórios mas o pai das crianças não se queixa - a Ana gargalhou, já o Ruben.
- E adianta de alguma coisa queixar-me? - olhei-o - Sim... que aqui esta menina pouco se importa se para lhe satisfazer os desejos tenho que fazer km ou se basta só virar a esquina ou ainda se estou cansado depois de um jogo...
- Cala-te! Homem serve para satisfazer os desejos de mulher grávida! - a nossa amiga voltou a rir - além disso não és atleta? Então tens mais é que ter resistência...
- Bem... estou a ver que animação para o vosso lado não tem faltado...
- Oh amiga animação para o nosso lado foi coisa que nunca faltou... logo não vai ser agora que vai faltar.
- Pena é essa animação não ser em todos os campos... - o Ruben murmurou mas ainda assim a Ana ouviu.
- O que estás a querer dizer? - a nossa amiga olhou-me - Não me digam que a Mariana resolveu fazer greve - gargalhou ao ver a cara do Ruben - amiga - olhou-me novamente - mesmo sério andas a castigar dessa forma o Ruben?! Logo tu que estavas impossível de aturar porque querias e não era aconselhável...
- Oh - baixei o olhar
- Essa falta de vontade tem algum fundamento? - olhei-a
- A conversa está boa mas quero ver os bebés - refilei não só por estar desejosa de os ver mas também porque não queria estar a falar sobre os motivos pelos quais ando a fugir aos momentos de sexo com o Ruben.
A Ana ainda tentou continuar a conversa mas voltei a pedir para se calar, algo que fez depois de olhar para o Ruben. Acabei por ir até à marquesa e assim que me deitei dei a mão ao Ruben.
- É a primeira vez que te vejo ansiosa para os ver - olhei para a Ana - finalmente começas a ter atitudes de uma grávida “normal”...
- Vai chamar anormal a outra... - eles gargalharam
- Realmente davas um excelente caso de estudo...
- Vai gozar com outra e mostra-me mas é os bebés!
O Ruben manteve-se sempre calado mas sempre de sorriso no rosto, tal como eu estava atento ao monitor e assim que a Ana nos mostrou o primeiro bebé senti-o a apertar-me a mão, o que foi suficiente para o olhar e assim que desviei por segundos os olhos do monitor e virei a cara para o Ruben, ele beijou-me calmamente, o que transmitiu-me uma sensação de serenidade enorme e talvez por isso consegui sossegar um pouco.
- O que estás a fazer? - o Ruben perguntou talvez porque a Ana estava concentrada a olhar para o monitor - Está tudo bem, certo?
- Acalma-te lá que está tudo bem - olhou-nos com um sorriso enorme - estive só a fazer as medições para ver o desenvolvimento e agora vamos lá ver o mano ou mana - sorri toda babada.
- Ainda não dá para ver se são meninos ou meninas? - o Ruben perguntou o que levou a Ana a rir
- Para já este não deixou... pode ser que o próximo deixe - sorriu.
- É... isso só prova que este herdou uma das costelas do pai - resmunguei afinal queria saber o quanto antes o sexo dos meus bebés.
- E posso saber porquê que a culpa é minha?
- Ruben... talvez porque tal como tu também a cria se gosta de fazer de difícil! - a Ana gargalhou, já o Ruben
- É que nem te respondo!
- Nem tens como - meti a língua de fora, o que fez com que o Ruben sorrisse mas depressa nos concentramos novamente no monitor ou não fosse a Ana estar a mostrar-nos o segundo bebé, mais uma vez fez as medições todas connosco completamente embevecidos a olhar.
- Bem tenho-vos a dizer que está tudo muito bem com os bebés, estão a desenvolverem-se perfeitamente - sorriu, talvez porque viu-me feita parva a babar para o monitor - mas as notícias não se ficam por aqui... - calou-se o que fez com que olhasse imediatamente para ela.
- O que foi?
- É que este bebé está muito orgulhoso do seu sexo e como tal resolveu deixar aqui a tia Ana ver...
- Então e é menino ou menina? - o Ruben perguntou imediatamente.
- Não sei se digo... a mãe é que manda!
- Ai oh Ana diz de uma vez! - não pedi, ordenei!
- Então tenho a dizer que é... - a Ana estava a fazer suspense mas ao ver-me a ficar cada vez mais ansiosa lá falou - menino!
- Porra! - saiu-me imediatamente o que fez o Ruben gargalhar - Não acho piada... agora tenho que ter o dobro do trabalho... sim que se não for aqui a mãe a explicar à cria como se engata as miúdas, o monstrinho ainda me sai tapado que nem o pai! - a Ana gargalhou, já o Ruben... bem o Ruben nem abriu a boca, simplesmente olhou e encolheu os ombros.
O resto do tempo que estivemos com a Ana serviu para ouvir mais algumas recomendações e para metermos as cusquices em dia ou não fosse a nossa amiga ter alinhado num lanche connosco, uma vez que tinha algum tempo livre até à próxima consulta.

Ruben
O momento em que descobrimos que um dos bebés é rapaz foi talvez um dos mais felizes que tive até hoje, a verdade é que sempre desejei que o primeiro filho fosse rapaz, talvez por ter aquela ideia de lhe puder ensinar tudo o que sei, de o ver a seguir os meus passos e talvez um dia vê-lo com o manto sagrado, era nisso que estava a pensar depois da Mariana ter-me deixado a mim e à Ana na mesa enquanto foi ao WC, quando a nossa amiga resolveu acordar-me para a realidade.
- Ruben como é que vocês estão?
- Bem.
- Então porquê que fiquei com a sensação que algo se passa... - olhei-a - Ruben se quiseres falar só estou de ouvidos... - suspirei
- Oh... a Mariana anda a evitar - calei-me o que fez a Ana sorrir - tu sabes do que falo.
- Mas vocês já se amaram depois de descobrirem que a Mariana está grávida, certo? - baixei o olhar - Não?! Ruben isso é verdade ou estás a gozar comigo?
- Antes fosse gozo...
- Mas há algum motivo para isso?
- Não... quer dizer acho que não... pelo menos a Mariana diz que só não lhe apetece ou então que está cansada ou enjoada, resumindo tudo serve de desculpa para evitar-me.
- Mas vocês estão tão bem... sinceramente se não me falasses nem me passaria pela cabeça que estão assim tão afastados.
- E não estamos... Ana a única coisa que não há é sexo propriamente dito porque de resto está tudo bem - voltei a suspirar - aliás nunca esteve tão bem - encolhi os ombros.
- Mas já tentaste perceber as razões da Mari? Quer dizer nós estamos a falar da Mari, ela quando vos aconselhei a evitarem momentos desses andava impossível porque queria e não podia e agora foge assim?
- Sempre que tento algo mais das duas uma ou nega logo à partida ou deixa fluir mas nunca deixa ir até ao fim... já tentei perceber mas como te disse as desculpas são sempre as mesmas.
- Ela tem reagido bem às mudanças do corpo?
- Como assim? - não tinha entendido a pergunta
- Alô Ruben... tipo a barriga já se nota, o peso aumentou, as roupas daqui a nada deixam de servir... - interrompi
- A Mariana anda desejosa de ver a barriga maior, aliás já foi comprar roupa para grávida e anda toda orgulhosa pela barriga já se notar por isso não acredito que o problema dela seja esse, além disso não tem qualquer problema em despir-se à minha frente ou de me convidar para tomar duche com ela...
- Bem... é raro mas pode acontecer - olhei-a - à casos em que as mulheres quando engravidam deixam de sentir desejo pelo parceiro...
- Ãh?!
- Ruben tenta falar com ela para perceberes...
- Já tentei, ela comigo não fala ou melhor só fala o indispensável...
- Então vai dar uma volta que ela vem aí e pode ser que comigo fale...
Aceitei a ideia da Ana e afastei-me.

Ana
O desabafo do Ruben deixou-me preocupada, a Mariana não é nada de fugir ao assunto sexo e se o estava a fazer algum motivo teria, por isso decidi pedir ao Ruben que se afastasse de modo a conseguir puxar o assunto com a Mari.
- Onde é que o Ruben foi? - perguntou assim que se sentou
- Não sei... só disse que já regressava.
- Ah...
- Então e conta coisas... quero saber como te andas a sentir.
- Estou bem, super contente com a vinda dos minimeus - sorri ao ouvi-la, a forma como falava transmitia de facto felicidade - a desejar que a barriga cresça depressa... opa oh Ana tens que ir a Braga para te mostrar as roupas lindas que comprei para mim - gargalhei - a sério nunca tinha parado para ver as cenas lindas que existem para as grávidas, já só penso no Verão e nas idas à praia onde vou poder mostrar a barriga - voltei a gargalhar, a Mariana estava mesmo feliz - e quando não estou a pensar nisso estou a idealizar o quarto dos minimeus ou a ver roupinhas em lojas ou ainda à procura do melhor carrinho para gémeos... o Ruben nem sonha mas perco-me no centro comercial... há coisas tão mas tão fofas - foi impossível conter a gargalhada - oh pára de rir...
- Desculpa mas ver-te assim tão empolgada com a gravidez só faz com que dê gargalhadas, amiga a verdade é que nunca pensei que isto fosse possível, logo tu aquela que não queria filhos... realmente mudaste imenso...
- Pois... mas mudei para melhor... acho eu!
- Muito melhor - sorriu - mas se estás a encarrar as mudanças do teu corpo assim tão bem porquê que andas a deixar o Ruben na mão - fui direta ao assunto o que fez com que a Mariana desviasse o olhar - queres falar? - suspirou
- Oh... eu juro que tento... ok não tento todas as vezes quantas as que o Ruben quer mas faço um esforço para lhe dar o que quer mas - fez cara de enjoada o que fez com que me tivesse que controlar para não rir - só de pensar em... tu sabes... perco logo a pouca vontade que tenho... sei que ando a falhar como mulher - a Mariana já estava com as lágrimas nos olhos o que fez com que percebesse que afinal não anda assim tão bem - mas não consigo... só de imaginar ele dentro de mim dá-me arrepios... e o pior é que não lhe posso dizer isso - suspirou pesadamente - ele não merece e nem tem culpa... o problema sou eu... eu sinto repulsa dele...
- Mas ao início querias...
- Eu sei... mas acho que só queria porque estava proibida... sei lá... não sou normal...
- Não digas isso! Mariana não és a primeira grávida a sentir-se assim, afinal a mulher sofre muitas mudanças durante a gravidez, mas se não te sentes preparada para ter relações tens de lhe dizer isso, explica ao Ruben o que sentes, o rapaz merece uma justificação e nem venhas com a desculpa que não te vai compreender ou que não o queres desiludir, porque ambas sabemos que o Ruben sofrerá mais se o mantiveres na ignorância do que se lhe contares a verdade. Tens de resolver este problema juntamente com o Ruben, afinal são um casal... Quanto ao que sentes, isso não é mais do que coisas da tua cabeça, amiga vocês podem e devem voltar a ter os vossos momentos, lógico que com um pouco mais de calma e até de imaginação dado que a barriga vai começar a dificultar a tarefa mas se falarem como sempre falaram abertamente sobre o assunto vais ver que te sentes muito mais confiante e deixas essa ideia de repulsa de lado...

Mariana
A Ana aproveitou a ausência do Ruben para perguntar como estava a sentir-me, acabei por desabafar com ela e ouvi aquilo que já esperava, que tenho mesmo de falar com o Ruben mas tenho receio que não perceba e se afaste, a verdade é que ando confusa com tudo o que sinto só de pensar em fazer sexo com ele... Estava a pensar nisso quando o vi a aproximar-se, por isso pedi à Ana que se calasse, algo que a nossa amiga fez.
- Toma! - o Ruben deu-me um saco
- O que é isto?!
- Abre e ficas a saber...
- Ohh - foi impossível não sorrir ao retirar do saco uma almofada onde estava estampado uma foto nossa com a inscrição “O amor quando verdadeiro... tudo vence”  - obrigada - aproveitei que o Ruben já se tinha sentado ao meu lado para o beijar - estragas-me com mimos...
O Ruben simplesmente sorriu para logo depois se levantar para pagar a despesa uma vez que a Ana tinha de regressar ao consultório, despedimo-nos da nossa amiga e seguimos até ao carro.
- E agora a minha rainha, o meu príncipe - o Ruben abraçou-me e levou a mão à minha barriga - e a indefinição - olhei-o imediatamente.
- Indefinição? Mas isso lá é coisa para se chamar ao bebé? - indignei-me o que levou o Ruben a gargalhar.
- Fala aquela que chama o menino de monstrinho...
- Ohh mas monstrinho é fofinho...
- Fofinho?! Só se for na tua cabeça...
- Acabou! - olhou-me - Não quero cá mais conversas eu posso chamar aquilo que quiser aos bebés mas tu não podes... afinal quem os carrega sou eu!
- Essa é boa... podes carregá-los mas 50% do trabalho foi meu... além disso não é o homem que define o sexo das crias... então tenho tanto direito como tu a apelidá-los do que quiser!
- Chato! - o Ruben sorriu.
- Adoro ver-te assim amuadinha - beijou-me o pescoço provocando algumas cócegas - ficas ainda mais sexy...
- Vai gozar com outra... - afastei-o afinal já tínhamos chegado ao carro - e agora vamos que ainda quero passar pelo meu apartamento para levar umas cenas para Braga!
O Ruben fez-me a vontade e conduziu direto ao meu apartamento, assim que lá entramos fui direta ao meu quarto, onde coloquei tudo o que queria dentro de um saco e quando já me preparava para pegar nele o Ruben não deixou, nem questionei e saímos.
- Queres ir já para Braga? - olhei para o Ruben à espera que continuasse - É que ainda é cedo e já que estamos aqui podíamos aproveitar para passear um pouco à beira rio...
- Por mim...
O Ruben estacionou o carro e iniciamos o nosso passeio em pleno Parque das Nações, andamos que nos fartamos e quando reclamei que estava a ficar cansada, o Ruben sentou-se num dos primeiros bancos que encontrou puxando-me para o seu colo, não recusei por saber que no jardim ele não tentaria nada de extraordinário. Estava a receber os mimos dele quando e sem aviso prévio ele questiona-me.
- Porquê que te recusas a fazer amor? - desviei o olhar para o Rio - Mariana... - como não olhei o Ruben levou a sua mão ao meu rosto obrigando-me a olhá-lo - não estou a cobrar nada... só preciso de perceber porquê que andas a fugir de mim - engoli em seco - amor nós nunca tivemos problemas em falar de sexo não vamos começar agora, né?
- Não consigo encontrar as palavras certas para explicar...
- Então não procures as palavras certas... fala simplesmente! Amor, fiz alguma coisa que não gostaste, é isso?
- Não...
- Tens medo de magoar os bebés? - baixei o olhar - amor é isso?
- Não...
- Então é o quê?
- Ruben... não consigo... só de pensar em sexo dá-me nojo - o Ruben ficou surpreso - sinto falta mas ao mesmo tempo sinto repulsa... não sei explicar mas só de imaginar fico toda arrepiada...
- Isso não está relacionado com a gravidez, pois não? - olhei-o confusa - O problema sou eu... já não sentes desejo por mim, é isso não é? - doeu ouvi-lo, não era nada disso mas custou perceber que por causa da minha atitude sem nexo nenhum o estava a magoar.
- Não! Ruben continuo a amar-te e se queres saber mais a cada dia, o problema não é teu mas sim meu... sei lá não me sinto confortável mas também não consigo explicar o porquê, só de pensar em ter-te dentro de mim perco logo a pouca vontade que tenho...
- Mas é algo que faço que não gostas?
- Ruben nunca fizeste nada que não tenha gostado mas agora parece que perdi a vontade... não sei explicar... sinto falta do teu toque, dos teus beijos, das tuas carícias, de ter o teu corpo junto ao meu, de sentir o calor da tua pele contra a minha mas do resto sinto repulsa - falei a medo, afinal não o queria magoar mas ao contrário do que temia o Ruben sorriu, o que fez com que ficasse a olhá-lo.
- Oh pshiu... vocês aí - o Ruben levantou ligeiramente a minha camisola e beijou a barriga - bem que podiam facilitar e deixar de enjoar a vossa mãe e de alterar os apetites dela... não acham que têm tempo demais para nos atrapalharem o exercício físico quando nascerem... vá portem-se mas é com juízo e deixem de obrigar a vossa mãe a enjoar o pai... - acabei a rir com a conversa que o Ruben estava a ter com a minha barriga - sabem o pai ama-vos muito mas já sente falta de amar de outra forma por isso liberem lá a vossa mãe ou então quando nascerem vamos ter que ter uma conversa muito séria - se até aqui simplesmente sorria agora gargalhei ao ver a tentativa do Ruben em demonstrar que estava mesmo a ficar chateado com os nossos minimeus - isto realmente... estou tramado convosco... já não vos chega enjoarem a vossa mãe como ainda contribuem para estas mudanças de humor, ela que já nem gostava de gozar com a minha cara nem nada agora ainda vos tem aos dois dentro dela a aguçarem mais esse seu lado...
O Ruben teria continuado a mandar vir com os minimeus mas calei-o com um beijo, não sei porquê mas naquele momento foi o que me apeteceu, algo que o Ruben não negou e por isso passamos os minutos seguintes a trocar alguns beijos que de inocentes tiveram muito pouco, a verdade é que a “conversa de pai e filhos” deixou-me tranquila, deu-me a paz de espirito necessária para entender que o Ruben percebeu-me apesar de não lhe ter conseguido explicar em condições tudo o que andava a sentir.
- Desculpa! - olhou-me - Por andar a falhar... - o Ruben calou-me com mais um beijo.
- Não tens culpa... isso são só as hormonas aos saltos - voltou a unir os nossos lábios - mas para a próxima fala comigo, não deixes arrastar... Mariana não tenho forma de saber aquilo que andas a sentir se não falares e ambos sabemos que a gravidez mexe com as tuas emoções... Quanto ao resto, é lógico que já sinto falta, ainda mais quando te vejo a pavonear pelo quarto só em lingeri porque te metes em frente ao espelho a olhar para a barriga mas se tiver que aguentar sem nada, aguento, só quero é que te sintas bem...
- Estás a querer dizer que continuo atraente? - olhou-me.
- Se continuas?! Não... estás ainda mais atraente - o Ruben percorreu o meu corpo com o olhar - Não sei se com os outros acontece o mesmo mas ver-te de barriguinha só desperta ainda mais o desejo de te ter - suspirou - de te tocar, de te fazer minha mas se não te sentes preparada para isso vou respeitar - encolheu os ombros - porque te amo acima de tudo!
Fiquei sem saber o que responder e talvez pelo o Ruben ter percebido isso mesmo, resolveu pedir que fizesse algumas poses para tirar algumas fotos para mais tarde recordarmos, acabei por lhe fazer a vontade e no fim coloquei uma das fotos no facebook, mas desta vez fiz algo que de todas as outras vezes não tinha feito, afinal não “bloqueei” só aos amigos chegados e família, o que deu origem de imediato a falatório, uma vez que as poucas “fãs” que tenho do Ruben se aperceberam de imediato da barriga que já se começa a notar, ainda questionaram mas não respondi.
- Agora que a menina já lançou a bomba - sorri ao vê-lo a ler os comentário das “miúdas” - já deve estar mais satisfeita!
- Oh... Ruben sabes bem que só não deixei que contasses a “meio mundo” porque queria esperar pelo menos que chegasse ao fim do primeiro trimestre... e também agora começa a ser difícil esconder... afinal a barriga já se começa a notar - falei toda orgulhosa da minha barriga.
- Ok... ok... - olhou-me e bastou isso para perceber que iria voltar à carga - Mariana quando é que dás uma oportunidade ao teu pai - bufei - Amor não adies mais... caramba o teu pai está farto de insistir para falar contigo, ele quer resolver as cenas e apesar de termos todos os motivos para não o querer ver nem ouvir, a verdade é que é o teu pai e avô dos nossos bebés - olhei-o - não temos o direito de os afastar do avô... - suspirei e baixei o olhar, no fundo o Ruben tem razão.
- Tudo bem... pelos nossos bebés aceito ouvi-lo...
- Ainda bem que cedeste - o Ruben levou a mão ao meu queixo obrigando-me a encará-lo - amor é mesmo o melhor a fazer... a nossa família já merece sossego, já basta o passado... agora para o futuro quero é paz e harmonia...
Acabei por concordar com o Ruben e pedi-lhe para irmos a casa dos meus pais.

Ruben
Finalmente consegui entender o porquê da Mariana andar a “fugir” de mim, afinal são só os nossos filhos a mexerem com as emoções da mãe. A conversa acabou por correr bem, tanto que quando dei por isso tinha a Mariana a mimar-me por iniciativa própria, algo que deixou-me feliz.
Acabei por conseguir convencê-la a ouvir o pai e por isso rumamos de imediato a casa dos seus pais, antes que mudasse de ideias. Chegamos e ao tocarmos à campainha percebemos que não estava ninguém, uma vez que não nos abriram a porta, ainda assim a Mariana estava decidida a não adiar mais a conversa e como tal usou as chaves que ainda tem daquela casa para entrarmos.
Fomos até à sala onde ficamos algum tempo mas a Mariana acabou por surpreender-me ao arrastar-me para o seu antigo quarto, o que serviu para constatarmos que estava praticamente igual, acabamos deitados na cama a namorar, a Mariana desta vez não estava a dar sinais de querer parar, ainda assim contive-me para não a deixar desconfortável, talvez por isso tenha sido dela a iniciativa de procurar algo mais e foi quando já estávamos sem as respetivas camisolas que ouvimos a porta a fechar, lógico que terminamos de imediato o que podia muito bem ter sido o regresso aos nossos momentos e depois de nos vestirmos, saímos do quarto.

Jorge
Nestas últimas semanas tenho andado ausente devido ao trabalho mas ainda assim sei que o meu irmão Manuel tem andado cada vez mais deprimido, o facto da Mariana se recusar a ouvi-lo não ajuda, principalmente depois da filha ter revelado que está grávida e como tal será avô, algo que o Manuel sempre desejou e agora que é realidade, a filha não o deixa aproximar-se.
Hoje por ter um tempo livre na agenda resolvi aparecer pelo seu trabalho para o desafiar a beber um copo mas acabamos por ir até à sua casa.
- A Mariana é de ideias fixas... tens que continuar a insistir - tentei passar alguma força ao meu irmão por o ver sem saber o que fazer.
- Insistir ainda mais? Jorge a Mariana recusa ouvir-me, sabes bem que as únicas pessoas que ainda ouve, são a Maria que se recusa a meter-se no meio e que sinceramente até compreendo dado a relação que tem com a Mariana, o Ruben que apesar de tudo, de ter sido injusto com o rapaz até tem feito um esforço para convencê-la, algo que está complicado e depois só sobras tu, que por sinal também não consegues fazê-la mudar de ideias... como é que queres que não desista?
- Sei que está complicado mas pode ser que a Mariana quando for mãe fique mais tolerável...
- Duvido!
- Realmente... a minha sobrinha não podia ser mais parecida contigo - o meu irmão baixou o olhar algo que estranhei ainda assim continuei - sim que se tu és o casmurro mor da família, ela é o júnior!
- A Mariana não herdou esse gene de mim...
- Lá porquê... ela só não tem as tuas ideias antiquadas porque se tivesse era o teu retrato uns anos mais nova!
- Isso não é possível... - não o estava a entender - a Mariana é teimosa, orgulhosa, dona do seu nariz e tudo o mais mas não é responsabilidade minha...
- O que é que estás a querer dizer com isso?
- Nada... esquece!
- Mas andaste a beber? Não falas coisa com coisa!
- Jorge - olhei-o, o meu irmão hesitou nos primeiros segundos mas acabou por falar algo que deixou-me perplexo - a Mariana não é uma Mendes de sangue!
- Como assim? - perguntei chocado com aquilo que ouvi - explica! - voltei a pedir - Manuel fala... prometo que isto não sai daqui mas fala de uma vez! - vi o meu irmão a respirar profundamente e por fim a contar.
- Não sou o pai biológico da Mariana - atirou de uma só vez - eras muito novo por isso não te deves recordar de como conheci a Fernanda - estava ainda em choque com a revelação e como tal simplesmente respondi com um acenar de cabeça - conheci-a através de amigos em comum e com o passar dos meses construímos uma amizade forte mas acima de tudo uma relação de irmãos, contávamos tudo um ao outro sem vergonha e a cumplicidade que nos unia era tanta que com um simples olhar percebíamos o que o outro queria dizer ou se simplesmente estava a precisar de um ombro amigo... - parou para respirar - nunca existiu nada para além da amizade mas os pais e amigos chegados pensaram sempre que nós namorávamos e quando a Fernanda se perdeu de amores - falou amores com alguma magoa - por um rapaz acabei por ajudá-la a esconder isso do seu pai, porque ele era demasiado conservador e se sonhasse que a filha tinha um namorico era bem capaz de a proibir de sair de casa, por isso e como desde o início caí nas suas boas graças, concordei com a Fernanda de lhe mentir, ou seja, a filha dizia que ia sair comigo quando na verdade ia ter com o pai da Mariana - percebi o quanto lhe estava a custar revelar o passado ainda assim não o interrompi - correu sempre tudo bem até ao dia em que a Fernanda desconfiou que pudesse estar grávida - voltou a fazer uma pausa, dei-lhe tempo para se recompor e - fui a primeira pessoa a quem contou e acabei por incentivá-la a falar com o responsável... algo que a Fernanda fez e até ia feliz porque sempre quis ser mãe e na cabeça dela nunca pensou que o verdadeiro pai da Mariana a abandonasse mas foi isso que aconteceu quando a Fernanda lhe disse que estava grávida, o pai da Mariana tratou-a como se fosse lixo e desapareceu sem deixar rasto, foi talvez a pior altura da minha vida, ver a minha amiga desesperada por estar grávida mas principalmente por saber que o seu pai nunca a aceitaria em casa sabendo que seria mãe solteira - fez uma nova pausa - nessa altura passou-lhe tudo pela cabeça, desde fugir a abortar, vi a Fernanda como nunca a tinha visto e culpei-me por isso, afinal se não tivesse compactuado com ela de todas as vezes que mentiu ao pai, ela não teria conseguido estar com o animal que quase lhe destruiu a vida e por sentir-me culpado acabei por lhe dizer que assumia o bebé mesmo não sendo meu - as lágrimas escorriam-lhe pelo rosto - a Fernanda recusou e chegou mesmo a decidir abortar mas no último instante desistiu, não conseguiu, não lhe restou outra solução que enfrentar os pais e contar da gravidez, nesse dia não consegui abandoná-la e fui com ela, lógico que assim que a filha lhe disse que ia ser avô, o seu pai assumiu de imediato que o responsável era eu, afinal era comigo que a sua filha passava o tempo, era em mim que ele confiava e fui eu que o desiludi, nesse dia assumi o compromisso de casar com a Fernanda mesmo sem nos amarmos, só para não ver a vida dela destruída - estava completamente estarrecido perante o que ouvia - casámos umas semanas depois e a nossa família nunca desconfiou de nada, até porque aos vossos olhos sempre fomos um casal perfeitamente normal, ou pelo menos tentamos ser semrpe que estávamos convosco mas quando estávamos só os dois éramos simplesmente dois amigos, nunca partilhamos a mesma cama... os meses foram passando e a barriga cresceu, acompanhei a gravidez com entusiasmo e ansiedade como se fosse minha filha de verdade, aprendi a amar a Mariana ainda na barriga da Fernanda e quando nasceu pedi uma oportunidade à Fernanda para sermos verdadeiramente uma família mas ela ainda estava muito magoada e levou meses até concordar em tentar construir uma família de verdade comigo, acho que só aceitou quando ouviu a sua filha a chamar-me de pai... não foi fácil lutarmos contra os fantasmas do passado mas com os anos aprendemos a amar-nos verdadeiramente...
- Nunca pensaram contar isso à Mariana?
- No dia que a Mariana nasceu e a tive pela primeira vez nos meus braços a Fernanda fez-me jurar que nunca mas mesmo nunca em circunstância alguma revelaria isto, só há três pessoas que sabem - olhou-me - eu e a Fernanda e agora tu - baixou o olhar - se a Mariana descobre nunca nos irá perdoar e assim sim será o fim... não posso perder as duas únicas pessoas que amo...
Teria continuado a insistir para que contasse à filha a verdade mas ao ouvirmos a porta a bater e a pedido do meu irmão calei-me, pois não queria que a Fernanda descobrisse que tinha falado.
Estranhamos a demora da Fernanda em aparecer e por isso o Manuel foi ver o que se passava, voltando minutos depois a dizer que não estava mais ninguém em casa, achamos estranho mas ao mesmo tempo nenhum dos dois se recordava de termos fechado a porta como tal não demos muita importância ao assunto.

Mariana
Quanto mais ouvia maior era a vontade de desaparecer mas por mais que quisesse as minhas pernas não obedeciam às ordens do meu cérebro, senti-me aprisionada no meu próprio corpo e sem capacidade de reagir, ouvir que afinal toda a minha vida é uma mentira, que não sou filha daquele a quem sempre chamei de pai, que fui rejeitada mesmo antes de nascer e que aquela que sempre julguei incapaz de mentir fê-lo sem só nem piedade retirou-me toda e qualquer capacidade de raciocinar, senti-me a perder as forças, não as físicas mas as mentais e só despertei do transe em que entrei quando senti os braços do Ruben a envolverem-me.
- Amor... Mariana... - o Ruben chamava-me e apesar de o ouvir não conseguia responder, por muito que tentasse, por muito que abrisse e fechasse a boca as palavras simplesmente não saiam, olhei-o desesperada, tenho noção disso, queria sair dali o quanto antes mas o meu corpo não me obedecia - amor fala... diz qualquer coisa mas fala... - o Ruben começou a desesperar.
Não consegui falar mas sei que olhei para o Ruben e com o olhar implorei que me retirasse daquele espaço, não sei se percebeu ou se foi mesmo só o instinto do Ruben a falar, só sei que puxou-me pela mão e só a largou quando chegamos ao carro, entrei sem dizer uma única palavra e foi assim que passei as horas seguintes, foi muita informação para processar de uma só vez, informação essa que alterou toda a minha vida, vinte e oito anos de mentiras, tempo demais a viver uma vida que não é minha...
E Agora? Como será o futuro?

Irá esta revelação prejudicar a gravidez?