Mariana
Estas últimas
semanas passaram com o Ruben a mimar-me imenso, bastava abrir a boca para dizer
que me apetecia algo para no instante seguinte o ter a fazer das “tripas
coração” para conseguir satisfazer-me os desejos, estes foram de todas as
formas e feitios, desde comida, a passeios, a compras ou a momentos de maior
intimidade mas sem nunca chegarmos a vias de facto, a verdade é que depois de
ter deixado de ser o fruto proibido também deixei de ter vontade.
Os enjoos têm
dado cabo de mim, nunca pensei que fosse enjoar tanto e talvez por isso o meu
humor nem sempre é o melhor, mas felizmente na última semana a coisa melhorou
um pouco, o que tem dado para aproveitar para também eu mimar o Ruben, afinal
não pode ser só receber, ele também merece atenção.
Se nos outros
dias tenho acordado animada, hoje nem se fala, afinal vou finalmente voltar a
ver os meus bebés.
- Ruben despacha-te! - refilei dado que o pai dos bebés estava mais
lento que tartaruga - Assim nunca mais
chegamos a Lisboa!
- Amor tem calma... a consulta é só de tarde!
Ainda refilei mas
de pouco adiantou, o Ruben continuou a despachar-se devagar, devagarinho, o que
irritou-me e deixou mal disposta, lógico que depois deve que aturar a minha
birra pelo caminho, birra essa que só passou já na presença da Ana.
- Então amiga conta lá como tens passado.
- Oh... enjoos atrás de enjoos, ando super
cansada, rabujenta e mais um rol de adjetivos nada abonatórios mas o pai das
crianças não se queixa - a Ana
gargalhou, já o Ruben.
- E adianta de alguma coisa queixar-me? - olhei-o - Sim...
que aqui esta menina pouco se importa se para lhe satisfazer os desejos tenho
que fazer km ou se basta só virar a esquina ou ainda se estou cansado depois de
um jogo...
- Cala-te! Homem serve para satisfazer os desejos
de mulher grávida! - a nossa amiga
voltou a rir - além disso não és atleta?
Então tens mais é que ter resistência...
- Bem... estou a ver que animação para o vosso
lado não tem faltado...
- Oh amiga animação para o nosso lado foi coisa
que nunca faltou... logo não vai ser agora que vai faltar.
- Pena é essa animação não ser em todos os
campos... - o Ruben murmurou mas ainda assim a Ana
ouviu.
- O que estás a querer dizer? - a nossa amiga olhou-me - Não me digam que a Mariana resolveu fazer greve - gargalhou ao ver
a cara do Ruben - amiga - olhou-me
novamente - mesmo sério andas a castigar
dessa forma o Ruben?! Logo tu que estavas impossível de aturar porque querias e
não era aconselhável...
- Oh - baixei o olhar
- Essa falta de vontade tem algum fundamento? - olhei-a
- A conversa está boa mas quero ver os bebés - refilei não só por estar desejosa de os ver
mas também porque não queria estar a falar sobre os motivos pelos quais ando a
fugir aos momentos de sexo com o Ruben.
A Ana ainda
tentou continuar a conversa mas voltei a pedir para se calar, algo que fez
depois de olhar para o Ruben. Acabei por ir até à marquesa e assim que me
deitei dei a mão ao Ruben.
- É a primeira vez que te vejo ansiosa para os
ver - olhei para a Ana - finalmente começas a ter atitudes de uma grávida
“normal”...
- Vai chamar anormal a outra... - eles gargalharam
- Realmente davas um excelente caso de estudo...
- Vai gozar com outra e mostra-me mas é os bebés!
O Ruben
manteve-se sempre calado mas sempre de sorriso no rosto, tal como eu estava atento
ao monitor e assim que a Ana nos mostrou o primeiro bebé senti-o a apertar-me a
mão, o que foi suficiente para o olhar e assim que desviei por segundos os
olhos do monitor e virei a cara para o Ruben, ele beijou-me calmamente, o que
transmitiu-me uma sensação de serenidade enorme e talvez por isso consegui
sossegar um pouco.
- O que estás a fazer? - o Ruben perguntou talvez porque a Ana estava
concentrada a olhar para o monitor - Está
tudo bem, certo?
- Acalma-te lá que está tudo bem - olhou-nos com um sorriso enorme - estive só a fazer as medições para ver o
desenvolvimento e agora vamos lá ver o mano ou mana - sorri toda babada.
- Ainda não dá para ver se são meninos ou
meninas? - o Ruben perguntou o que levou a Ana a
rir
- Para já este não deixou... pode ser que o
próximo deixe - sorriu.
- É... isso só prova que este herdou uma das
costelas do pai - resmunguei
afinal queria saber o quanto antes o sexo dos meus bebés.
- E posso saber porquê que a culpa é minha?
- Ruben... talvez porque tal como tu também a
cria se gosta de fazer de difícil! - a Ana
gargalhou, já o Ruben
- É que nem te respondo!
- Nem tens como - meti a língua de fora, o que fez com que o Ruben sorrisse mas
depressa nos concentramos novamente no monitor ou não fosse a Ana estar a
mostrar-nos o segundo bebé, mais uma vez fez as medições todas connosco
completamente embevecidos a olhar.
- Bem tenho-vos a dizer que está tudo muito bem
com os bebés, estão a desenvolverem-se perfeitamente - sorriu, talvez porque viu-me feita parva a
babar para o monitor - mas as notícias
não se ficam por aqui... - calou-se o que fez com que olhasse imediatamente
para ela.
- O que foi?
- É que este bebé está muito orgulhoso do seu
sexo e como tal resolveu deixar aqui a tia Ana ver...
- Então e é menino ou menina? - o Ruben perguntou imediatamente.
- Não sei se digo... a mãe é que manda!
- Ai oh Ana diz de uma vez! - não pedi, ordenei!
- Então tenho a dizer que é... - a Ana estava a fazer suspense mas ao ver-me a
ficar cada vez mais ansiosa lá falou - menino!
- Porra! - saiu-me
imediatamente o que fez o Ruben gargalhar - Não acho piada... agora tenho que ter o dobro do trabalho... sim que se
não for aqui a mãe a explicar à cria como se engata as miúdas, o monstrinho
ainda me sai tapado que nem o pai! - a Ana gargalhou, já o Ruben... bem o
Ruben nem abriu a boca, simplesmente olhou e encolheu os ombros.
O resto do tempo
que estivemos com a Ana serviu para ouvir mais algumas recomendações e para
metermos as cusquices em dia ou não fosse a nossa amiga ter alinhado num lanche
connosco, uma vez que tinha algum tempo livre até à próxima consulta.
Ruben
O momento em que
descobrimos que um dos bebés é rapaz foi talvez um dos mais felizes que tive
até hoje, a verdade é que sempre desejei que o primeiro filho fosse rapaz,
talvez por ter aquela ideia de lhe puder ensinar tudo o que sei, de o ver a
seguir os meus passos e talvez um dia vê-lo com o manto sagrado, era nisso que
estava a pensar depois da Mariana ter-me deixado a mim e à Ana na mesa enquanto
foi ao WC, quando a nossa amiga resolveu acordar-me para a realidade.
- Ruben como é que vocês estão?
- Bem.
- Então porquê que fiquei com a sensação que algo
se passa... - olhei-a - Ruben se quiseres falar só estou de
ouvidos... - suspirei
- Oh... a Mariana anda a evitar - calei-me o que fez a Ana sorrir - tu sabes do que falo.
- Mas vocês já se amaram depois de descobrirem
que a Mariana está grávida, certo? - baixei o olhar
- Não?! Ruben isso é verdade ou estás a
gozar comigo?
- Antes fosse gozo...
- Mas há algum motivo para isso?
- Não... quer dizer acho que não... pelo menos a
Mariana diz que só não lhe apetece ou então que está cansada ou enjoada,
resumindo tudo serve de desculpa para evitar-me.
- Mas vocês estão tão bem... sinceramente se não
me falasses nem me passaria pela cabeça que estão assim tão afastados.
- E não estamos... Ana a única coisa que não há é
sexo propriamente dito porque de resto está tudo bem - voltei a suspirar - aliás nunca esteve tão bem - encolhi os ombros.
- Mas já tentaste perceber as razões da Mari?
Quer dizer nós estamos a falar da Mari, ela quando vos aconselhei a evitarem
momentos desses andava impossível porque queria e não podia e agora foge assim?
- Sempre que tento algo mais das duas uma ou nega
logo à partida ou deixa fluir mas nunca deixa ir até ao fim... já tentei
perceber mas como te disse as desculpas são sempre as mesmas.
- Ela tem reagido bem às mudanças do corpo?
- Como assim? - não tinha entendido a pergunta
- Alô Ruben... tipo a barriga já se nota, o peso
aumentou, as roupas daqui a nada deixam de servir... - interrompi
- A Mariana anda desejosa de ver a barriga maior,
aliás já foi comprar roupa para grávida e anda toda orgulhosa pela barriga já
se notar por isso não acredito que o problema dela seja esse, além disso não
tem qualquer problema em despir-se à minha frente ou de me convidar para tomar
duche com ela...
- Bem... é raro mas pode acontecer - olhei-a - à
casos em que as mulheres quando engravidam deixam de sentir desejo pelo
parceiro...
- Ãh?!
- Ruben tenta falar com ela para perceberes...
- Já tentei, ela comigo não fala ou melhor só
fala o indispensável...
- Então vai dar uma volta que ela vem aí e pode
ser que comigo fale...
Aceitei a ideia
da Ana e afastei-me.
Ana
O desabafo do
Ruben deixou-me preocupada, a Mariana não é nada de fugir ao assunto sexo e se
o estava a fazer algum motivo teria, por isso decidi pedir ao Ruben que se
afastasse de modo a conseguir puxar o assunto com a Mari.
- Onde é que o Ruben foi? - perguntou assim que se sentou
- Não sei... só disse que já regressava.
- Ah...
- Então e conta coisas... quero saber como te
andas a sentir.
- Estou bem, super contente com a vinda dos
minimeus - sorri ao ouvi-la, a forma como falava
transmitia de facto felicidade - a
desejar que a barriga cresça depressa... opa oh Ana tens que ir a Braga para te
mostrar as roupas lindas que comprei para mim - gargalhei - a sério nunca tinha parado para ver as
cenas lindas que existem para as grávidas, já só penso no Verão e nas idas à
praia onde vou poder mostrar a barriga - voltei a gargalhar, a Mariana
estava mesmo feliz - e quando não estou
a pensar nisso estou a idealizar o quarto dos minimeus ou a ver roupinhas em
lojas ou ainda à procura do melhor carrinho para gémeos... o Ruben nem sonha
mas perco-me no centro comercial... há coisas tão mas tão fofas - foi
impossível conter a gargalhada - oh pára
de rir...
- Desculpa mas ver-te assim tão empolgada com a
gravidez só faz com que dê gargalhadas, amiga a verdade é que nunca pensei que
isto fosse possível, logo tu aquela que não queria filhos... realmente mudaste
imenso...
- Pois... mas mudei para melhor... acho eu!
- Muito melhor - sorriu - mas se estás a
encarrar as mudanças do teu corpo assim tão bem porquê que andas a deixar o
Ruben na mão - fui direta ao assunto o que fez com que a Mariana desviasse
o olhar - queres falar? - suspirou
- Oh... eu juro que tento... ok não tento todas
as vezes quantas as que o Ruben quer mas faço um esforço para lhe dar o que
quer mas - fez cara de enjoada o que fez com que
me tivesse que controlar para não rir - só
de pensar em... tu sabes... perco logo a pouca vontade que tenho... sei que
ando a falhar como mulher - a Mariana já estava com as lágrimas nos olhos o
que fez com que percebesse que afinal não anda assim tão bem - mas não consigo... só de imaginar ele
dentro de mim dá-me arrepios... e o pior é que não lhe posso dizer isso -
suspirou pesadamente - ele não merece e
nem tem culpa... o problema sou eu... eu sinto repulsa dele...
- Mas ao início querias...
- Eu sei... mas acho que só queria porque estava
proibida... sei lá... não sou normal...
- Não digas isso! Mariana não és a primeira
grávida a sentir-se assim, afinal a mulher sofre muitas mudanças durante a
gravidez, mas se não te sentes preparada para ter relações tens de lhe dizer
isso, explica ao Ruben o que sentes, o rapaz merece uma justificação e nem
venhas com a desculpa que não te vai compreender ou que não o queres desiludir,
porque ambas sabemos que o Ruben sofrerá mais se o mantiveres na ignorância do
que se lhe contares a verdade. Tens de resolver este problema juntamente com o
Ruben, afinal são um casal... Quanto ao que sentes, isso não é mais do que
coisas da tua cabeça, amiga vocês podem e devem voltar a ter os vossos
momentos, lógico que com um pouco mais de calma e até de imaginação dado que a
barriga vai começar a dificultar a tarefa mas se falarem como sempre falaram
abertamente sobre o assunto vais ver que te sentes muito mais confiante e
deixas essa ideia de repulsa de lado...
Mariana
A Ana aproveitou
a ausência do Ruben para perguntar como estava a sentir-me, acabei por
desabafar com ela e ouvi aquilo que já esperava, que tenho mesmo de falar com o
Ruben mas tenho receio que não perceba e se afaste, a verdade é que ando
confusa com tudo o que sinto só de pensar em fazer sexo com ele... Estava a
pensar nisso quando o vi a aproximar-se, por isso pedi à Ana que se calasse,
algo que a nossa amiga fez.
- Toma! - o Ruben deu-me
um saco
- O que é isto?!
- Abre e ficas a saber...
- Ohh - foi impossível
não sorrir ao retirar do saco uma almofada onde estava estampado uma foto nossa
com a inscrição “O amor quando
verdadeiro... tudo vence” - obrigada - aproveitei que o Ruben já se
tinha sentado ao meu lado para o beijar - estragas-me
com mimos...
O Ruben
simplesmente sorriu para logo depois se levantar para pagar a despesa uma vez
que a Ana tinha de regressar ao consultório, despedimo-nos da nossa amiga e
seguimos até ao carro.
- E agora a minha rainha, o meu príncipe - o Ruben abraçou-me e levou a mão à minha
barriga - e a indefinição - olhei-o
imediatamente.
- Indefinição? Mas isso lá é coisa para se chamar
ao bebé? - indignei-me o que levou o Ruben a
gargalhar.
- Fala aquela que chama o menino de monstrinho...
- Ohh mas monstrinho é fofinho...
- Fofinho?! Só se for na tua cabeça...
- Acabou! - olhou-me - Não quero cá mais
conversas eu posso chamar aquilo que quiser aos bebés mas tu não podes...
afinal quem os carrega sou eu!
- Essa é boa... podes carregá-los mas 50% do
trabalho foi meu... além disso não é o homem que define o sexo das crias...
então tenho tanto direito como tu a apelidá-los do que quiser!
- Chato! - o Ruben sorriu.
- Adoro ver-te assim amuadinha - beijou-me o pescoço provocando algumas cócegas
- ficas ainda mais sexy...
- Vai gozar com outra... - afastei-o afinal já tínhamos chegado ao carro
- e agora vamos que ainda quero passar
pelo meu apartamento para levar umas cenas para Braga!
O Ruben fez-me a
vontade e conduziu direto ao meu apartamento, assim que lá entramos fui direta
ao meu quarto, onde coloquei tudo o que queria dentro de um saco e quando já me
preparava para pegar nele o Ruben não deixou, nem questionei e saímos.
- Queres ir já para Braga? - olhei para o Ruben à espera que continuasse - É que ainda é cedo e já que estamos aqui
podíamos aproveitar para passear um pouco à beira rio...
- Por mim...
O Ruben
estacionou o carro e iniciamos o nosso passeio em pleno Parque das Nações,
andamos que nos fartamos e quando reclamei que estava a ficar cansada, o Ruben
sentou-se num dos primeiros bancos que encontrou puxando-me para o seu colo,
não recusei por saber que no jardim ele não tentaria nada de extraordinário.
Estava a receber os mimos dele quando e sem aviso prévio ele questiona-me.
- Porquê que te recusas a fazer amor? - desviei o olhar para o Rio - Mariana... - como não olhei o Ruben
levou a sua mão ao meu rosto obrigando-me a olhá-lo - não estou a cobrar nada... só preciso de perceber porquê que andas a
fugir de mim - engoli em seco - amor
nós nunca tivemos problemas em falar de sexo não vamos começar agora, né?
- Não consigo encontrar as palavras certas para
explicar...
- Então não procures as palavras certas... fala
simplesmente! Amor, fiz alguma coisa que não gostaste, é isso?
- Não...
- Tens medo de magoar os bebés? - baixei o olhar - amor é isso?
- Não...
- Então é o quê?
- Ruben... não consigo... só de pensar em sexo
dá-me nojo - o Ruben ficou
surpreso - sinto falta mas ao mesmo
tempo sinto repulsa... não sei explicar mas só de imaginar fico toda
arrepiada...
- Isso não está relacionado com a gravidez, pois
não? - olhei-o confusa - O problema sou eu... já não sentes desejo por mim, é isso não é? -
doeu ouvi-lo, não era nada disso mas custou perceber que por causa da minha
atitude sem nexo nenhum o estava a magoar.
- Não! Ruben continuo a amar-te e se queres saber
mais a cada dia, o problema não é teu mas sim meu... sei lá não me sinto
confortável mas também não consigo explicar o porquê, só de pensar em ter-te
dentro de mim perco logo a pouca vontade que tenho...
- Mas é algo que faço que não gostas?
- Ruben nunca fizeste nada que não tenha gostado
mas agora parece que perdi a vontade... não sei explicar... sinto falta do teu
toque, dos teus beijos, das tuas carícias, de ter o teu corpo junto ao meu, de
sentir o calor da tua pele contra a minha mas do resto sinto repulsa - falei a medo, afinal não o queria magoar mas
ao contrário do que temia o Ruben sorriu, o que fez com que ficasse a olhá-lo.
- Oh pshiu... vocês aí - o Ruben levantou ligeiramente a minha camisola
e beijou a barriga - bem que podiam
facilitar e deixar de enjoar a vossa mãe e de alterar os apetites dela... não
acham que têm tempo demais para nos atrapalharem o exercício físico quando
nascerem... vá portem-se mas é com juízo e deixem de obrigar a vossa mãe a
enjoar o pai... - acabei a rir com a conversa que o Ruben estava a ter com
a minha barriga - sabem o pai ama-vos
muito mas já sente falta de amar de outra forma por isso liberem lá a vossa mãe
ou então quando nascerem vamos ter que ter uma conversa muito séria - se
até aqui simplesmente sorria agora gargalhei ao ver a tentativa do Ruben em
demonstrar que estava mesmo a ficar chateado com os nossos minimeus - isto realmente... estou tramado convosco...
já não vos chega enjoarem a vossa mãe como ainda contribuem para estas mudanças
de humor, ela que já nem gostava de gozar com a minha cara nem nada agora ainda
vos tem aos dois dentro dela a aguçarem mais esse seu lado...
O Ruben teria
continuado a mandar vir com os minimeus mas calei-o com um beijo, não sei
porquê mas naquele momento foi o que me apeteceu, algo que o Ruben não negou e
por isso passamos os minutos seguintes a trocar alguns beijos que de inocentes
tiveram muito pouco, a verdade é que a “conversa de pai e filhos” deixou-me
tranquila, deu-me a paz de espirito necessária para entender que o Ruben
percebeu-me apesar de não lhe ter conseguido explicar em condições tudo o que
andava a sentir.
- Desculpa! - olhou-me - Por andar a
falhar... - o Ruben calou-me com mais um beijo.
- Não tens culpa... isso são só as hormonas aos
saltos - voltou a unir os nossos lábios - mas para a próxima fala comigo, não deixes
arrastar... Mariana não tenho forma de saber aquilo que andas a sentir se não
falares e ambos sabemos que a gravidez mexe com as tuas emoções... Quanto ao
resto, é lógico que já sinto falta, ainda mais quando te vejo a pavonear pelo
quarto só em lingeri porque te metes em frente ao espelho a olhar para a
barriga mas se tiver que aguentar sem nada, aguento, só quero é que te sintas
bem...
- Estás a querer dizer que continuo atraente? - olhou-me.
- Se continuas?! Não... estás ainda mais atraente - o Ruben percorreu o meu corpo com o olhar - Não sei se com os outros acontece o mesmo
mas ver-te de barriguinha só desperta ainda mais o desejo de te ter -
suspirou - de te tocar, de te fazer
minha mas se não te sentes preparada para isso vou respeitar - encolheu os
ombros - porque te amo acima de tudo!
Fiquei sem saber
o que responder e talvez pelo o Ruben ter percebido isso mesmo, resolveu pedir
que fizesse algumas poses para tirar algumas fotos para mais tarde recordarmos,
acabei por lhe fazer a vontade e no fim coloquei uma das fotos no facebook, mas
desta vez fiz algo que de todas as outras vezes não tinha feito, afinal não
“bloqueei” só aos amigos chegados e família, o que deu origem de imediato a
falatório, uma vez que as poucas “fãs” que tenho do Ruben se aperceberam de
imediato da barriga que já se começa a notar, ainda questionaram mas não
respondi.
- Agora que a menina já lançou a bomba - sorri ao vê-lo a ler os comentário das
“miúdas” - já deve estar mais
satisfeita!
- Oh... Ruben sabes bem que só não deixei que
contasses a “meio mundo” porque queria esperar pelo menos que chegasse ao fim
do primeiro trimestre... e também agora começa a ser difícil esconder... afinal
a barriga já se começa a notar - falei toda
orgulhosa da minha barriga.
- Ok... ok... - olhou-me e bastou isso para perceber que iria voltar à carga - Mariana quando é que dás uma oportunidade
ao teu pai - bufei - Amor não adies
mais... caramba o teu pai está farto de insistir para falar contigo, ele quer
resolver as cenas e apesar de termos todos os motivos para não o querer ver nem
ouvir, a verdade é que é o teu pai e avô dos nossos bebés - olhei-o - não temos o direito de os afastar do avô...
- suspirei e baixei o olhar, no fundo o Ruben tem razão.
- Tudo bem... pelos nossos bebés aceito
ouvi-lo...
- Ainda bem que cedeste - o Ruben levou a mão ao meu queixo obrigando-me
a encará-lo - amor é mesmo o melhor a
fazer... a nossa família já merece sossego, já basta o passado... agora para o
futuro quero é paz e harmonia...
Acabei por
concordar com o Ruben e pedi-lhe para irmos a casa dos meus pais.
Ruben
Finalmente
consegui entender o porquê da Mariana andar a “fugir” de mim, afinal são só os
nossos filhos a mexerem com as emoções da mãe. A conversa acabou por correr
bem, tanto que quando dei por isso tinha a Mariana a mimar-me por iniciativa
própria, algo que deixou-me feliz.
Acabei por conseguir
convencê-la a ouvir o pai e por isso rumamos de imediato a casa dos seus pais,
antes que mudasse de ideias. Chegamos e ao tocarmos à campainha percebemos que
não estava ninguém, uma vez que não nos abriram a porta, ainda assim a Mariana
estava decidida a não adiar mais a conversa e como tal usou as chaves que ainda
tem daquela casa para entrarmos.
Fomos até à sala
onde ficamos algum tempo mas a Mariana acabou por surpreender-me ao arrastar-me
para o seu antigo quarto, o que serviu para constatarmos que estava
praticamente igual, acabamos deitados na cama a namorar, a Mariana desta vez
não estava a dar sinais de querer parar, ainda assim contive-me para não a
deixar desconfortável, talvez por isso tenha sido dela a iniciativa de procurar
algo mais e foi quando já estávamos sem as respetivas camisolas que ouvimos a
porta a fechar, lógico que terminamos de imediato o que podia muito bem ter
sido o regresso aos nossos momentos e depois de nos vestirmos, saímos do
quarto.
Jorge
Nestas últimas
semanas tenho andado ausente devido ao trabalho mas ainda assim sei que o meu
irmão Manuel tem andado cada vez mais deprimido, o facto da Mariana se recusar
a ouvi-lo não ajuda, principalmente depois da filha ter revelado que está
grávida e como tal será avô, algo que o Manuel sempre desejou e agora que é
realidade, a filha não o deixa aproximar-se.
Hoje por ter um
tempo livre na agenda resolvi aparecer pelo seu trabalho para o desafiar a
beber um copo mas acabamos por ir até à sua casa.
- A Mariana é de ideias fixas... tens que
continuar a insistir - tentei passar
alguma força ao meu irmão por o ver sem saber o que fazer.
- Insistir ainda mais? Jorge a Mariana recusa
ouvir-me, sabes bem que as únicas pessoas que ainda ouve, são a Maria que se
recusa a meter-se no meio e que sinceramente até compreendo dado a relação que
tem com a Mariana, o Ruben que apesar de tudo, de ter sido injusto com o rapaz
até tem feito um esforço para convencê-la, algo que está complicado e depois só
sobras tu, que por sinal também não consegues fazê-la mudar de ideias... como é
que queres que não desista?
- Sei que está complicado mas pode ser que a
Mariana quando for mãe fique mais tolerável...
- Duvido!
- Realmente... a minha sobrinha não podia ser
mais parecida contigo - o meu irmão
baixou o olhar algo que estranhei ainda assim continuei - sim que se tu és o casmurro mor da família, ela é o júnior!
- A Mariana não herdou esse gene de mim...
- Lá porquê... ela só não tem as tuas ideias
antiquadas porque se tivesse era o teu retrato uns anos mais nova!
- Isso não é possível... - não o estava a entender - a Mariana é teimosa, orgulhosa, dona do seu nariz e tudo o mais mas não
é responsabilidade minha...
- O que é que estás a querer dizer com isso?
- Nada... esquece!
- Mas andaste a beber? Não falas coisa com coisa!
- Jorge - olhei-o, o meu
irmão hesitou nos primeiros segundos mas acabou por falar algo que deixou-me
perplexo - a Mariana não é uma Mendes de
sangue!
- Como assim? - perguntei chocado com aquilo que ouvi - explica! - voltei a pedir - Manuel
fala... prometo que isto não sai daqui mas fala de uma vez! - vi o meu
irmão a respirar profundamente e por fim a contar.
- Não sou o pai biológico da Mariana - atirou de uma só vez - eras muito novo por isso não te deves recordar de como conheci a
Fernanda - estava ainda em choque com a revelação e como tal simplesmente
respondi com um acenar de cabeça - conheci-a
através de amigos em comum e com o passar dos meses construímos uma amizade
forte mas acima de tudo uma relação de irmãos, contávamos tudo um ao outro sem
vergonha e a cumplicidade que nos unia era tanta que com um simples olhar
percebíamos o que o outro queria dizer ou se simplesmente estava a precisar de
um ombro amigo... - parou para respirar - nunca existiu nada para além da amizade mas os pais e amigos chegados
pensaram sempre que nós namorávamos e quando a Fernanda se perdeu de amores
- falou amores com alguma magoa - por um
rapaz acabei por ajudá-la a esconder isso do seu pai, porque ele era demasiado
conservador e se sonhasse que a filha tinha um namorico era bem capaz de a
proibir de sair de casa, por isso e como desde o início caí nas suas boas
graças, concordei com a Fernanda de lhe mentir, ou seja, a filha dizia que ia
sair comigo quando na verdade ia ter com o pai da Mariana - percebi o
quanto lhe estava a custar revelar o passado ainda assim não o interrompi - correu sempre tudo bem até ao dia em que a
Fernanda desconfiou que pudesse estar grávida - voltou a fazer uma pausa,
dei-lhe tempo para se recompor e - fui a
primeira pessoa a quem contou e acabei por incentivá-la a falar com o
responsável... algo que a Fernanda fez e até ia feliz porque sempre quis ser
mãe e na cabeça dela nunca pensou que o verdadeiro pai da Mariana a abandonasse
mas foi isso que aconteceu quando a Fernanda lhe disse que estava grávida, o
pai da Mariana tratou-a como se fosse lixo e desapareceu sem deixar rasto, foi
talvez a pior altura da minha vida, ver a minha amiga desesperada por estar
grávida mas principalmente por saber que o seu pai nunca a aceitaria em casa
sabendo que seria mãe solteira - fez uma nova pausa - nessa altura passou-lhe tudo pela cabeça, desde fugir a abortar, vi a
Fernanda como nunca a tinha visto e culpei-me por isso, afinal se não tivesse
compactuado com ela de todas as vezes que mentiu ao pai, ela não teria
conseguido estar com o animal que quase lhe destruiu a vida e por sentir-me
culpado acabei por lhe dizer que assumia o bebé mesmo não sendo meu - as
lágrimas escorriam-lhe pelo rosto - a
Fernanda recusou e chegou mesmo a decidir abortar mas no último instante
desistiu, não conseguiu, não lhe restou outra solução que enfrentar os pais e
contar da gravidez, nesse dia não consegui abandoná-la e fui com ela, lógico
que assim que a filha lhe disse que ia ser avô, o seu pai assumiu de imediato
que o responsável era eu, afinal era comigo que a sua filha passava o tempo,
era em mim que ele confiava e fui eu que o desiludi, nesse dia assumi o
compromisso de casar com a Fernanda mesmo sem nos amarmos, só para não ver a
vida dela destruída - estava completamente estarrecido perante o que ouvia
- casámos umas semanas depois e a nossa
família nunca desconfiou de nada, até porque aos vossos olhos sempre fomos um
casal perfeitamente normal, ou pelo menos tentamos ser semrpe que estávamos
convosco mas quando estávamos só os dois éramos simplesmente dois amigos, nunca
partilhamos a mesma cama... os meses
foram passando e a barriga cresceu, acompanhei a gravidez com entusiasmo e
ansiedade como se fosse minha filha de verdade, aprendi a amar a Mariana ainda
na barriga da Fernanda e quando nasceu pedi uma oportunidade à Fernanda para
sermos verdadeiramente uma família mas ela ainda estava muito magoada e levou
meses até concordar em tentar construir uma família de verdade comigo, acho que
só aceitou quando ouviu a sua filha a chamar-me de pai... não foi fácil
lutarmos contra os fantasmas do passado mas com os anos aprendemos a amar-nos
verdadeiramente...
- Nunca pensaram contar isso à Mariana?
- No dia que a Mariana nasceu e a tive pela
primeira vez nos meus braços a Fernanda fez-me jurar que nunca mas mesmo nunca
em circunstância alguma revelaria isto, só há três pessoas que sabem - olhou-me - eu e a Fernanda e agora tu - baixou o olhar - se a Mariana descobre nunca nos irá perdoar e assim sim será o fim...
não posso perder as duas únicas pessoas que amo...
Teria continuado
a insistir para que contasse à filha a verdade mas ao ouvirmos a porta a bater
e a pedido do meu irmão calei-me, pois não queria que a Fernanda descobrisse
que tinha falado.
Estranhamos a
demora da Fernanda em aparecer e por isso o Manuel foi ver o que se passava,
voltando minutos depois a dizer que não estava mais ninguém em casa, achamos
estranho mas ao mesmo tempo nenhum dos dois se recordava de termos fechado a
porta como tal não demos muita importância ao assunto.
Mariana
Quanto mais ouvia
maior era a vontade de desaparecer mas por mais que quisesse as minhas pernas
não obedeciam às ordens do meu cérebro, senti-me aprisionada no meu próprio
corpo e sem capacidade de reagir, ouvir que afinal toda a minha vida é uma
mentira, que não sou filha daquele a quem sempre chamei de pai, que fui
rejeitada mesmo antes de nascer e que aquela que sempre julguei incapaz de
mentir fê-lo sem só nem piedade retirou-me toda e qualquer capacidade de
raciocinar, senti-me a perder as forças, não as físicas mas as mentais e só
despertei do transe em que entrei quando senti os braços do Ruben a envolverem-me.
- Amor... Mariana... - o Ruben chamava-me e apesar de o ouvir não
conseguia responder, por muito que tentasse, por muito que abrisse e fechasse a
boca as palavras simplesmente não saiam, olhei-o desesperada, tenho noção
disso, queria sair dali o quanto antes mas o meu corpo não me obedecia - amor fala... diz qualquer coisa mas fala...
- o Ruben começou a desesperar.
Não consegui
falar mas sei que olhei para o Ruben e com o olhar implorei que me retirasse
daquele espaço, não sei se percebeu ou se foi mesmo só o instinto do Ruben a
falar, só sei que puxou-me pela mão e só a largou quando chegamos ao carro,
entrei sem dizer uma única palavra e foi assim que passei as horas seguintes,
foi muita informação para processar de uma só vez, informação essa que alterou
toda a minha vida, vinte e oito anos de mentiras, tempo demais a viver uma vida
que não é minha...
E Agora? Como será o futuro?
Irá esta revelação prejudicar a gravidez?