quarta-feira, 3 de julho de 2013

079 - "amor fala... diz qualquer coisa mas fala..."

Mariana
Estas últimas semanas passaram com o Ruben a mimar-me imenso, bastava abrir a boca para dizer que me apetecia algo para no instante seguinte o ter a fazer das “tripas coração” para conseguir satisfazer-me os desejos, estes foram de todas as formas e feitios, desde comida, a passeios, a compras ou a momentos de maior intimidade mas sem nunca chegarmos a vias de facto, a verdade é que depois de ter deixado de ser o fruto proibido também deixei de ter vontade.
Os enjoos têm dado cabo de mim, nunca pensei que fosse enjoar tanto e talvez por isso o meu humor nem sempre é o melhor, mas felizmente na última semana a coisa melhorou um pouco, o que tem dado para aproveitar para também eu mimar o Ruben, afinal não pode ser só receber, ele também merece atenção.
Se nos outros dias tenho acordado animada, hoje nem se fala, afinal vou finalmente voltar a ver os meus bebés.
- Ruben despacha-te! - refilei dado que o pai dos bebés estava mais lento que tartaruga - Assim nunca mais chegamos a Lisboa!
- Amor tem calma... a consulta é só de tarde!
Ainda refilei mas de pouco adiantou, o Ruben continuou a despachar-se devagar, devagarinho, o que irritou-me e deixou mal disposta, lógico que depois deve que aturar a minha birra pelo caminho, birra essa que só passou já na presença da Ana.
- Então amiga conta lá como tens passado.
- Oh... enjoos atrás de enjoos, ando super cansada, rabujenta e mais um rol de adjetivos nada abonatórios mas o pai das crianças não se queixa - a Ana gargalhou, já o Ruben.
- E adianta de alguma coisa queixar-me? - olhei-o - Sim... que aqui esta menina pouco se importa se para lhe satisfazer os desejos tenho que fazer km ou se basta só virar a esquina ou ainda se estou cansado depois de um jogo...
- Cala-te! Homem serve para satisfazer os desejos de mulher grávida! - a nossa amiga voltou a rir - além disso não és atleta? Então tens mais é que ter resistência...
- Bem... estou a ver que animação para o vosso lado não tem faltado...
- Oh amiga animação para o nosso lado foi coisa que nunca faltou... logo não vai ser agora que vai faltar.
- Pena é essa animação não ser em todos os campos... - o Ruben murmurou mas ainda assim a Ana ouviu.
- O que estás a querer dizer? - a nossa amiga olhou-me - Não me digam que a Mariana resolveu fazer greve - gargalhou ao ver a cara do Ruben - amiga - olhou-me novamente - mesmo sério andas a castigar dessa forma o Ruben?! Logo tu que estavas impossível de aturar porque querias e não era aconselhável...
- Oh - baixei o olhar
- Essa falta de vontade tem algum fundamento? - olhei-a
- A conversa está boa mas quero ver os bebés - refilei não só por estar desejosa de os ver mas também porque não queria estar a falar sobre os motivos pelos quais ando a fugir aos momentos de sexo com o Ruben.
A Ana ainda tentou continuar a conversa mas voltei a pedir para se calar, algo que fez depois de olhar para o Ruben. Acabei por ir até à marquesa e assim que me deitei dei a mão ao Ruben.
- É a primeira vez que te vejo ansiosa para os ver - olhei para a Ana - finalmente começas a ter atitudes de uma grávida “normal”...
- Vai chamar anormal a outra... - eles gargalharam
- Realmente davas um excelente caso de estudo...
- Vai gozar com outra e mostra-me mas é os bebés!
O Ruben manteve-se sempre calado mas sempre de sorriso no rosto, tal como eu estava atento ao monitor e assim que a Ana nos mostrou o primeiro bebé senti-o a apertar-me a mão, o que foi suficiente para o olhar e assim que desviei por segundos os olhos do monitor e virei a cara para o Ruben, ele beijou-me calmamente, o que transmitiu-me uma sensação de serenidade enorme e talvez por isso consegui sossegar um pouco.
- O que estás a fazer? - o Ruben perguntou talvez porque a Ana estava concentrada a olhar para o monitor - Está tudo bem, certo?
- Acalma-te lá que está tudo bem - olhou-nos com um sorriso enorme - estive só a fazer as medições para ver o desenvolvimento e agora vamos lá ver o mano ou mana - sorri toda babada.
- Ainda não dá para ver se são meninos ou meninas? - o Ruben perguntou o que levou a Ana a rir
- Para já este não deixou... pode ser que o próximo deixe - sorriu.
- É... isso só prova que este herdou uma das costelas do pai - resmunguei afinal queria saber o quanto antes o sexo dos meus bebés.
- E posso saber porquê que a culpa é minha?
- Ruben... talvez porque tal como tu também a cria se gosta de fazer de difícil! - a Ana gargalhou, já o Ruben
- É que nem te respondo!
- Nem tens como - meti a língua de fora, o que fez com que o Ruben sorrisse mas depressa nos concentramos novamente no monitor ou não fosse a Ana estar a mostrar-nos o segundo bebé, mais uma vez fez as medições todas connosco completamente embevecidos a olhar.
- Bem tenho-vos a dizer que está tudo muito bem com os bebés, estão a desenvolverem-se perfeitamente - sorriu, talvez porque viu-me feita parva a babar para o monitor - mas as notícias não se ficam por aqui... - calou-se o que fez com que olhasse imediatamente para ela.
- O que foi?
- É que este bebé está muito orgulhoso do seu sexo e como tal resolveu deixar aqui a tia Ana ver...
- Então e é menino ou menina? - o Ruben perguntou imediatamente.
- Não sei se digo... a mãe é que manda!
- Ai oh Ana diz de uma vez! - não pedi, ordenei!
- Então tenho a dizer que é... - a Ana estava a fazer suspense mas ao ver-me a ficar cada vez mais ansiosa lá falou - menino!
- Porra! - saiu-me imediatamente o que fez o Ruben gargalhar - Não acho piada... agora tenho que ter o dobro do trabalho... sim que se não for aqui a mãe a explicar à cria como se engata as miúdas, o monstrinho ainda me sai tapado que nem o pai! - a Ana gargalhou, já o Ruben... bem o Ruben nem abriu a boca, simplesmente olhou e encolheu os ombros.
O resto do tempo que estivemos com a Ana serviu para ouvir mais algumas recomendações e para metermos as cusquices em dia ou não fosse a nossa amiga ter alinhado num lanche connosco, uma vez que tinha algum tempo livre até à próxima consulta.

Ruben
O momento em que descobrimos que um dos bebés é rapaz foi talvez um dos mais felizes que tive até hoje, a verdade é que sempre desejei que o primeiro filho fosse rapaz, talvez por ter aquela ideia de lhe puder ensinar tudo o que sei, de o ver a seguir os meus passos e talvez um dia vê-lo com o manto sagrado, era nisso que estava a pensar depois da Mariana ter-me deixado a mim e à Ana na mesa enquanto foi ao WC, quando a nossa amiga resolveu acordar-me para a realidade.
- Ruben como é que vocês estão?
- Bem.
- Então porquê que fiquei com a sensação que algo se passa... - olhei-a - Ruben se quiseres falar só estou de ouvidos... - suspirei
- Oh... a Mariana anda a evitar - calei-me o que fez a Ana sorrir - tu sabes do que falo.
- Mas vocês já se amaram depois de descobrirem que a Mariana está grávida, certo? - baixei o olhar - Não?! Ruben isso é verdade ou estás a gozar comigo?
- Antes fosse gozo...
- Mas há algum motivo para isso?
- Não... quer dizer acho que não... pelo menos a Mariana diz que só não lhe apetece ou então que está cansada ou enjoada, resumindo tudo serve de desculpa para evitar-me.
- Mas vocês estão tão bem... sinceramente se não me falasses nem me passaria pela cabeça que estão assim tão afastados.
- E não estamos... Ana a única coisa que não há é sexo propriamente dito porque de resto está tudo bem - voltei a suspirar - aliás nunca esteve tão bem - encolhi os ombros.
- Mas já tentaste perceber as razões da Mari? Quer dizer nós estamos a falar da Mari, ela quando vos aconselhei a evitarem momentos desses andava impossível porque queria e não podia e agora foge assim?
- Sempre que tento algo mais das duas uma ou nega logo à partida ou deixa fluir mas nunca deixa ir até ao fim... já tentei perceber mas como te disse as desculpas são sempre as mesmas.
- Ela tem reagido bem às mudanças do corpo?
- Como assim? - não tinha entendido a pergunta
- Alô Ruben... tipo a barriga já se nota, o peso aumentou, as roupas daqui a nada deixam de servir... - interrompi
- A Mariana anda desejosa de ver a barriga maior, aliás já foi comprar roupa para grávida e anda toda orgulhosa pela barriga já se notar por isso não acredito que o problema dela seja esse, além disso não tem qualquer problema em despir-se à minha frente ou de me convidar para tomar duche com ela...
- Bem... é raro mas pode acontecer - olhei-a - à casos em que as mulheres quando engravidam deixam de sentir desejo pelo parceiro...
- Ãh?!
- Ruben tenta falar com ela para perceberes...
- Já tentei, ela comigo não fala ou melhor só fala o indispensável...
- Então vai dar uma volta que ela vem aí e pode ser que comigo fale...
Aceitei a ideia da Ana e afastei-me.

Ana
O desabafo do Ruben deixou-me preocupada, a Mariana não é nada de fugir ao assunto sexo e se o estava a fazer algum motivo teria, por isso decidi pedir ao Ruben que se afastasse de modo a conseguir puxar o assunto com a Mari.
- Onde é que o Ruben foi? - perguntou assim que se sentou
- Não sei... só disse que já regressava.
- Ah...
- Então e conta coisas... quero saber como te andas a sentir.
- Estou bem, super contente com a vinda dos minimeus - sorri ao ouvi-la, a forma como falava transmitia de facto felicidade - a desejar que a barriga cresça depressa... opa oh Ana tens que ir a Braga para te mostrar as roupas lindas que comprei para mim - gargalhei - a sério nunca tinha parado para ver as cenas lindas que existem para as grávidas, já só penso no Verão e nas idas à praia onde vou poder mostrar a barriga - voltei a gargalhar, a Mariana estava mesmo feliz - e quando não estou a pensar nisso estou a idealizar o quarto dos minimeus ou a ver roupinhas em lojas ou ainda à procura do melhor carrinho para gémeos... o Ruben nem sonha mas perco-me no centro comercial... há coisas tão mas tão fofas - foi impossível conter a gargalhada - oh pára de rir...
- Desculpa mas ver-te assim tão empolgada com a gravidez só faz com que dê gargalhadas, amiga a verdade é que nunca pensei que isto fosse possível, logo tu aquela que não queria filhos... realmente mudaste imenso...
- Pois... mas mudei para melhor... acho eu!
- Muito melhor - sorriu - mas se estás a encarrar as mudanças do teu corpo assim tão bem porquê que andas a deixar o Ruben na mão - fui direta ao assunto o que fez com que a Mariana desviasse o olhar - queres falar? - suspirou
- Oh... eu juro que tento... ok não tento todas as vezes quantas as que o Ruben quer mas faço um esforço para lhe dar o que quer mas - fez cara de enjoada o que fez com que me tivesse que controlar para não rir - só de pensar em... tu sabes... perco logo a pouca vontade que tenho... sei que ando a falhar como mulher - a Mariana já estava com as lágrimas nos olhos o que fez com que percebesse que afinal não anda assim tão bem - mas não consigo... só de imaginar ele dentro de mim dá-me arrepios... e o pior é que não lhe posso dizer isso - suspirou pesadamente - ele não merece e nem tem culpa... o problema sou eu... eu sinto repulsa dele...
- Mas ao início querias...
- Eu sei... mas acho que só queria porque estava proibida... sei lá... não sou normal...
- Não digas isso! Mariana não és a primeira grávida a sentir-se assim, afinal a mulher sofre muitas mudanças durante a gravidez, mas se não te sentes preparada para ter relações tens de lhe dizer isso, explica ao Ruben o que sentes, o rapaz merece uma justificação e nem venhas com a desculpa que não te vai compreender ou que não o queres desiludir, porque ambas sabemos que o Ruben sofrerá mais se o mantiveres na ignorância do que se lhe contares a verdade. Tens de resolver este problema juntamente com o Ruben, afinal são um casal... Quanto ao que sentes, isso não é mais do que coisas da tua cabeça, amiga vocês podem e devem voltar a ter os vossos momentos, lógico que com um pouco mais de calma e até de imaginação dado que a barriga vai começar a dificultar a tarefa mas se falarem como sempre falaram abertamente sobre o assunto vais ver que te sentes muito mais confiante e deixas essa ideia de repulsa de lado...

Mariana
A Ana aproveitou a ausência do Ruben para perguntar como estava a sentir-me, acabei por desabafar com ela e ouvi aquilo que já esperava, que tenho mesmo de falar com o Ruben mas tenho receio que não perceba e se afaste, a verdade é que ando confusa com tudo o que sinto só de pensar em fazer sexo com ele... Estava a pensar nisso quando o vi a aproximar-se, por isso pedi à Ana que se calasse, algo que a nossa amiga fez.
- Toma! - o Ruben deu-me um saco
- O que é isto?!
- Abre e ficas a saber...
- Ohh - foi impossível não sorrir ao retirar do saco uma almofada onde estava estampado uma foto nossa com a inscrição “O amor quando verdadeiro... tudo vence”  - obrigada - aproveitei que o Ruben já se tinha sentado ao meu lado para o beijar - estragas-me com mimos...
O Ruben simplesmente sorriu para logo depois se levantar para pagar a despesa uma vez que a Ana tinha de regressar ao consultório, despedimo-nos da nossa amiga e seguimos até ao carro.
- E agora a minha rainha, o meu príncipe - o Ruben abraçou-me e levou a mão à minha barriga - e a indefinição - olhei-o imediatamente.
- Indefinição? Mas isso lá é coisa para se chamar ao bebé? - indignei-me o que levou o Ruben a gargalhar.
- Fala aquela que chama o menino de monstrinho...
- Ohh mas monstrinho é fofinho...
- Fofinho?! Só se for na tua cabeça...
- Acabou! - olhou-me - Não quero cá mais conversas eu posso chamar aquilo que quiser aos bebés mas tu não podes... afinal quem os carrega sou eu!
- Essa é boa... podes carregá-los mas 50% do trabalho foi meu... além disso não é o homem que define o sexo das crias... então tenho tanto direito como tu a apelidá-los do que quiser!
- Chato! - o Ruben sorriu.
- Adoro ver-te assim amuadinha - beijou-me o pescoço provocando algumas cócegas - ficas ainda mais sexy...
- Vai gozar com outra... - afastei-o afinal já tínhamos chegado ao carro - e agora vamos que ainda quero passar pelo meu apartamento para levar umas cenas para Braga!
O Ruben fez-me a vontade e conduziu direto ao meu apartamento, assim que lá entramos fui direta ao meu quarto, onde coloquei tudo o que queria dentro de um saco e quando já me preparava para pegar nele o Ruben não deixou, nem questionei e saímos.
- Queres ir já para Braga? - olhei para o Ruben à espera que continuasse - É que ainda é cedo e já que estamos aqui podíamos aproveitar para passear um pouco à beira rio...
- Por mim...
O Ruben estacionou o carro e iniciamos o nosso passeio em pleno Parque das Nações, andamos que nos fartamos e quando reclamei que estava a ficar cansada, o Ruben sentou-se num dos primeiros bancos que encontrou puxando-me para o seu colo, não recusei por saber que no jardim ele não tentaria nada de extraordinário. Estava a receber os mimos dele quando e sem aviso prévio ele questiona-me.
- Porquê que te recusas a fazer amor? - desviei o olhar para o Rio - Mariana... - como não olhei o Ruben levou a sua mão ao meu rosto obrigando-me a olhá-lo - não estou a cobrar nada... só preciso de perceber porquê que andas a fugir de mim - engoli em seco - amor nós nunca tivemos problemas em falar de sexo não vamos começar agora, né?
- Não consigo encontrar as palavras certas para explicar...
- Então não procures as palavras certas... fala simplesmente! Amor, fiz alguma coisa que não gostaste, é isso?
- Não...
- Tens medo de magoar os bebés? - baixei o olhar - amor é isso?
- Não...
- Então é o quê?
- Ruben... não consigo... só de pensar em sexo dá-me nojo - o Ruben ficou surpreso - sinto falta mas ao mesmo tempo sinto repulsa... não sei explicar mas só de imaginar fico toda arrepiada...
- Isso não está relacionado com a gravidez, pois não? - olhei-o confusa - O problema sou eu... já não sentes desejo por mim, é isso não é? - doeu ouvi-lo, não era nada disso mas custou perceber que por causa da minha atitude sem nexo nenhum o estava a magoar.
- Não! Ruben continuo a amar-te e se queres saber mais a cada dia, o problema não é teu mas sim meu... sei lá não me sinto confortável mas também não consigo explicar o porquê, só de pensar em ter-te dentro de mim perco logo a pouca vontade que tenho...
- Mas é algo que faço que não gostas?
- Ruben nunca fizeste nada que não tenha gostado mas agora parece que perdi a vontade... não sei explicar... sinto falta do teu toque, dos teus beijos, das tuas carícias, de ter o teu corpo junto ao meu, de sentir o calor da tua pele contra a minha mas do resto sinto repulsa - falei a medo, afinal não o queria magoar mas ao contrário do que temia o Ruben sorriu, o que fez com que ficasse a olhá-lo.
- Oh pshiu... vocês aí - o Ruben levantou ligeiramente a minha camisola e beijou a barriga - bem que podiam facilitar e deixar de enjoar a vossa mãe e de alterar os apetites dela... não acham que têm tempo demais para nos atrapalharem o exercício físico quando nascerem... vá portem-se mas é com juízo e deixem de obrigar a vossa mãe a enjoar o pai... - acabei a rir com a conversa que o Ruben estava a ter com a minha barriga - sabem o pai ama-vos muito mas já sente falta de amar de outra forma por isso liberem lá a vossa mãe ou então quando nascerem vamos ter que ter uma conversa muito séria - se até aqui simplesmente sorria agora gargalhei ao ver a tentativa do Ruben em demonstrar que estava mesmo a ficar chateado com os nossos minimeus - isto realmente... estou tramado convosco... já não vos chega enjoarem a vossa mãe como ainda contribuem para estas mudanças de humor, ela que já nem gostava de gozar com a minha cara nem nada agora ainda vos tem aos dois dentro dela a aguçarem mais esse seu lado...
O Ruben teria continuado a mandar vir com os minimeus mas calei-o com um beijo, não sei porquê mas naquele momento foi o que me apeteceu, algo que o Ruben não negou e por isso passamos os minutos seguintes a trocar alguns beijos que de inocentes tiveram muito pouco, a verdade é que a “conversa de pai e filhos” deixou-me tranquila, deu-me a paz de espirito necessária para entender que o Ruben percebeu-me apesar de não lhe ter conseguido explicar em condições tudo o que andava a sentir.
- Desculpa! - olhou-me - Por andar a falhar... - o Ruben calou-me com mais um beijo.
- Não tens culpa... isso são só as hormonas aos saltos - voltou a unir os nossos lábios - mas para a próxima fala comigo, não deixes arrastar... Mariana não tenho forma de saber aquilo que andas a sentir se não falares e ambos sabemos que a gravidez mexe com as tuas emoções... Quanto ao resto, é lógico que já sinto falta, ainda mais quando te vejo a pavonear pelo quarto só em lingeri porque te metes em frente ao espelho a olhar para a barriga mas se tiver que aguentar sem nada, aguento, só quero é que te sintas bem...
- Estás a querer dizer que continuo atraente? - olhou-me.
- Se continuas?! Não... estás ainda mais atraente - o Ruben percorreu o meu corpo com o olhar - Não sei se com os outros acontece o mesmo mas ver-te de barriguinha só desperta ainda mais o desejo de te ter - suspirou - de te tocar, de te fazer minha mas se não te sentes preparada para isso vou respeitar - encolheu os ombros - porque te amo acima de tudo!
Fiquei sem saber o que responder e talvez pelo o Ruben ter percebido isso mesmo, resolveu pedir que fizesse algumas poses para tirar algumas fotos para mais tarde recordarmos, acabei por lhe fazer a vontade e no fim coloquei uma das fotos no facebook, mas desta vez fiz algo que de todas as outras vezes não tinha feito, afinal não “bloqueei” só aos amigos chegados e família, o que deu origem de imediato a falatório, uma vez que as poucas “fãs” que tenho do Ruben se aperceberam de imediato da barriga que já se começa a notar, ainda questionaram mas não respondi.
- Agora que a menina já lançou a bomba - sorri ao vê-lo a ler os comentário das “miúdas” - já deve estar mais satisfeita!
- Oh... Ruben sabes bem que só não deixei que contasses a “meio mundo” porque queria esperar pelo menos que chegasse ao fim do primeiro trimestre... e também agora começa a ser difícil esconder... afinal a barriga já se começa a notar - falei toda orgulhosa da minha barriga.
- Ok... ok... - olhou-me e bastou isso para perceber que iria voltar à carga - Mariana quando é que dás uma oportunidade ao teu pai - bufei - Amor não adies mais... caramba o teu pai está farto de insistir para falar contigo, ele quer resolver as cenas e apesar de termos todos os motivos para não o querer ver nem ouvir, a verdade é que é o teu pai e avô dos nossos bebés - olhei-o - não temos o direito de os afastar do avô... - suspirei e baixei o olhar, no fundo o Ruben tem razão.
- Tudo bem... pelos nossos bebés aceito ouvi-lo...
- Ainda bem que cedeste - o Ruben levou a mão ao meu queixo obrigando-me a encará-lo - amor é mesmo o melhor a fazer... a nossa família já merece sossego, já basta o passado... agora para o futuro quero é paz e harmonia...
Acabei por concordar com o Ruben e pedi-lhe para irmos a casa dos meus pais.

Ruben
Finalmente consegui entender o porquê da Mariana andar a “fugir” de mim, afinal são só os nossos filhos a mexerem com as emoções da mãe. A conversa acabou por correr bem, tanto que quando dei por isso tinha a Mariana a mimar-me por iniciativa própria, algo que deixou-me feliz.
Acabei por conseguir convencê-la a ouvir o pai e por isso rumamos de imediato a casa dos seus pais, antes que mudasse de ideias. Chegamos e ao tocarmos à campainha percebemos que não estava ninguém, uma vez que não nos abriram a porta, ainda assim a Mariana estava decidida a não adiar mais a conversa e como tal usou as chaves que ainda tem daquela casa para entrarmos.
Fomos até à sala onde ficamos algum tempo mas a Mariana acabou por surpreender-me ao arrastar-me para o seu antigo quarto, o que serviu para constatarmos que estava praticamente igual, acabamos deitados na cama a namorar, a Mariana desta vez não estava a dar sinais de querer parar, ainda assim contive-me para não a deixar desconfortável, talvez por isso tenha sido dela a iniciativa de procurar algo mais e foi quando já estávamos sem as respetivas camisolas que ouvimos a porta a fechar, lógico que terminamos de imediato o que podia muito bem ter sido o regresso aos nossos momentos e depois de nos vestirmos, saímos do quarto.

Jorge
Nestas últimas semanas tenho andado ausente devido ao trabalho mas ainda assim sei que o meu irmão Manuel tem andado cada vez mais deprimido, o facto da Mariana se recusar a ouvi-lo não ajuda, principalmente depois da filha ter revelado que está grávida e como tal será avô, algo que o Manuel sempre desejou e agora que é realidade, a filha não o deixa aproximar-se.
Hoje por ter um tempo livre na agenda resolvi aparecer pelo seu trabalho para o desafiar a beber um copo mas acabamos por ir até à sua casa.
- A Mariana é de ideias fixas... tens que continuar a insistir - tentei passar alguma força ao meu irmão por o ver sem saber o que fazer.
- Insistir ainda mais? Jorge a Mariana recusa ouvir-me, sabes bem que as únicas pessoas que ainda ouve, são a Maria que se recusa a meter-se no meio e que sinceramente até compreendo dado a relação que tem com a Mariana, o Ruben que apesar de tudo, de ter sido injusto com o rapaz até tem feito um esforço para convencê-la, algo que está complicado e depois só sobras tu, que por sinal também não consegues fazê-la mudar de ideias... como é que queres que não desista?
- Sei que está complicado mas pode ser que a Mariana quando for mãe fique mais tolerável...
- Duvido!
- Realmente... a minha sobrinha não podia ser mais parecida contigo - o meu irmão baixou o olhar algo que estranhei ainda assim continuei - sim que se tu és o casmurro mor da família, ela é o júnior!
- A Mariana não herdou esse gene de mim...
- Lá porquê... ela só não tem as tuas ideias antiquadas porque se tivesse era o teu retrato uns anos mais nova!
- Isso não é possível... - não o estava a entender - a Mariana é teimosa, orgulhosa, dona do seu nariz e tudo o mais mas não é responsabilidade minha...
- O que é que estás a querer dizer com isso?
- Nada... esquece!
- Mas andaste a beber? Não falas coisa com coisa!
- Jorge - olhei-o, o meu irmão hesitou nos primeiros segundos mas acabou por falar algo que deixou-me perplexo - a Mariana não é uma Mendes de sangue!
- Como assim? - perguntei chocado com aquilo que ouvi - explica! - voltei a pedir - Manuel fala... prometo que isto não sai daqui mas fala de uma vez! - vi o meu irmão a respirar profundamente e por fim a contar.
- Não sou o pai biológico da Mariana - atirou de uma só vez - eras muito novo por isso não te deves recordar de como conheci a Fernanda - estava ainda em choque com a revelação e como tal simplesmente respondi com um acenar de cabeça - conheci-a através de amigos em comum e com o passar dos meses construímos uma amizade forte mas acima de tudo uma relação de irmãos, contávamos tudo um ao outro sem vergonha e a cumplicidade que nos unia era tanta que com um simples olhar percebíamos o que o outro queria dizer ou se simplesmente estava a precisar de um ombro amigo... - parou para respirar - nunca existiu nada para além da amizade mas os pais e amigos chegados pensaram sempre que nós namorávamos e quando a Fernanda se perdeu de amores - falou amores com alguma magoa - por um rapaz acabei por ajudá-la a esconder isso do seu pai, porque ele era demasiado conservador e se sonhasse que a filha tinha um namorico era bem capaz de a proibir de sair de casa, por isso e como desde o início caí nas suas boas graças, concordei com a Fernanda de lhe mentir, ou seja, a filha dizia que ia sair comigo quando na verdade ia ter com o pai da Mariana - percebi o quanto lhe estava a custar revelar o passado ainda assim não o interrompi - correu sempre tudo bem até ao dia em que a Fernanda desconfiou que pudesse estar grávida - voltou a fazer uma pausa, dei-lhe tempo para se recompor e - fui a primeira pessoa a quem contou e acabei por incentivá-la a falar com o responsável... algo que a Fernanda fez e até ia feliz porque sempre quis ser mãe e na cabeça dela nunca pensou que o verdadeiro pai da Mariana a abandonasse mas foi isso que aconteceu quando a Fernanda lhe disse que estava grávida, o pai da Mariana tratou-a como se fosse lixo e desapareceu sem deixar rasto, foi talvez a pior altura da minha vida, ver a minha amiga desesperada por estar grávida mas principalmente por saber que o seu pai nunca a aceitaria em casa sabendo que seria mãe solteira - fez uma nova pausa - nessa altura passou-lhe tudo pela cabeça, desde fugir a abortar, vi a Fernanda como nunca a tinha visto e culpei-me por isso, afinal se não tivesse compactuado com ela de todas as vezes que mentiu ao pai, ela não teria conseguido estar com o animal que quase lhe destruiu a vida e por sentir-me culpado acabei por lhe dizer que assumia o bebé mesmo não sendo meu - as lágrimas escorriam-lhe pelo rosto - a Fernanda recusou e chegou mesmo a decidir abortar mas no último instante desistiu, não conseguiu, não lhe restou outra solução que enfrentar os pais e contar da gravidez, nesse dia não consegui abandoná-la e fui com ela, lógico que assim que a filha lhe disse que ia ser avô, o seu pai assumiu de imediato que o responsável era eu, afinal era comigo que a sua filha passava o tempo, era em mim que ele confiava e fui eu que o desiludi, nesse dia assumi o compromisso de casar com a Fernanda mesmo sem nos amarmos, só para não ver a vida dela destruída - estava completamente estarrecido perante o que ouvia - casámos umas semanas depois e a nossa família nunca desconfiou de nada, até porque aos vossos olhos sempre fomos um casal perfeitamente normal, ou pelo menos tentamos ser semrpe que estávamos convosco mas quando estávamos só os dois éramos simplesmente dois amigos, nunca partilhamos a mesma cama... os meses foram passando e a barriga cresceu, acompanhei a gravidez com entusiasmo e ansiedade como se fosse minha filha de verdade, aprendi a amar a Mariana ainda na barriga da Fernanda e quando nasceu pedi uma oportunidade à Fernanda para sermos verdadeiramente uma família mas ela ainda estava muito magoada e levou meses até concordar em tentar construir uma família de verdade comigo, acho que só aceitou quando ouviu a sua filha a chamar-me de pai... não foi fácil lutarmos contra os fantasmas do passado mas com os anos aprendemos a amar-nos verdadeiramente...
- Nunca pensaram contar isso à Mariana?
- No dia que a Mariana nasceu e a tive pela primeira vez nos meus braços a Fernanda fez-me jurar que nunca mas mesmo nunca em circunstância alguma revelaria isto, só há três pessoas que sabem - olhou-me - eu e a Fernanda e agora tu - baixou o olhar - se a Mariana descobre nunca nos irá perdoar e assim sim será o fim... não posso perder as duas únicas pessoas que amo...
Teria continuado a insistir para que contasse à filha a verdade mas ao ouvirmos a porta a bater e a pedido do meu irmão calei-me, pois não queria que a Fernanda descobrisse que tinha falado.
Estranhamos a demora da Fernanda em aparecer e por isso o Manuel foi ver o que se passava, voltando minutos depois a dizer que não estava mais ninguém em casa, achamos estranho mas ao mesmo tempo nenhum dos dois se recordava de termos fechado a porta como tal não demos muita importância ao assunto.

Mariana
Quanto mais ouvia maior era a vontade de desaparecer mas por mais que quisesse as minhas pernas não obedeciam às ordens do meu cérebro, senti-me aprisionada no meu próprio corpo e sem capacidade de reagir, ouvir que afinal toda a minha vida é uma mentira, que não sou filha daquele a quem sempre chamei de pai, que fui rejeitada mesmo antes de nascer e que aquela que sempre julguei incapaz de mentir fê-lo sem só nem piedade retirou-me toda e qualquer capacidade de raciocinar, senti-me a perder as forças, não as físicas mas as mentais e só despertei do transe em que entrei quando senti os braços do Ruben a envolverem-me.
- Amor... Mariana... - o Ruben chamava-me e apesar de o ouvir não conseguia responder, por muito que tentasse, por muito que abrisse e fechasse a boca as palavras simplesmente não saiam, olhei-o desesperada, tenho noção disso, queria sair dali o quanto antes mas o meu corpo não me obedecia - amor fala... diz qualquer coisa mas fala... - o Ruben começou a desesperar.
Não consegui falar mas sei que olhei para o Ruben e com o olhar implorei que me retirasse daquele espaço, não sei se percebeu ou se foi mesmo só o instinto do Ruben a falar, só sei que puxou-me pela mão e só a largou quando chegamos ao carro, entrei sem dizer uma única palavra e foi assim que passei as horas seguintes, foi muita informação para processar de uma só vez, informação essa que alterou toda a minha vida, vinte e oito anos de mentiras, tempo demais a viver uma vida que não é minha...
E Agora? Como será o futuro?

Irá esta revelação prejudicar a gravidez?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

078 - "olha achas que me podes dar um autografo aqui... agora que és famosa!"

(João)
Ao contrario do que esperava a Maria não ficou muito animada com a ideia de estrearmos a nossa casa de imediato, mas acabou por aceder ao meu pedido. Quando lá chegamos abri a porta e quando fui pegar a Maria ao colo para entrar-mos, sim queria ser romântico, ela já estava dentro de casa, aliás estava mesmo já a entrar numa das divisões segui-a e vi-a já a atirar-se para cima de uma cama, olhou-me sorriu
- Boa noite!
- A sério?! Nem vens ver a casa??
- Já vi! - respondeu com pouco entusiasmo enquanto se acomodava na cama
- Tu já, mas eu não e podias vir mostrar-me não?
- Oh desculpa... - olhou para mim fez uma carinha de menina mimada - vemos amanhã de manhã sim? - bateu no lado vago da cama com a palma da mão - anda... vamos dormir!
- Dormir?? - não era propriamente dormir que me povoava o pensamento
- Sim! Papá Guilherme tem sono!!!
- Se o Guilherme tem sono o que é que o papá pode fazer? Dormir claro!
A Maria nem trocou de roupa apenas tirou os sapatos e em minutos adormeceu. Acabei por me deitar junto dela e adormecer enquanto ia sentido os pequenos movimentos do Bruno na sua barriga.

(Maria)
Tinha pensado em mimar um pouco o João, as saudades eram muitas e o tempo era pouco mas o durante o jantar e depois do pico de adrenalina provocado pelo seu inesperado pedido acabei por ficar a sentir-me bastante cansada e assim que chegamos à nossa casa a única coisa que fui capaz de fazer foi mesmo descalçar-me e dormir. Acordei na manhã seguinte com o braço do João em volta da minha cintura e a sua mão pousada na  minha barriga. Ainda pensei em deixar-me ficar assim, mas a fome e a posição menos agradável em que me encontrava obrigaram-me a um movimento que logo o acordou
- Desculpa... mas agora que acordaste vamos?
- Vamos?! Onde? - falou ainda meio a dormir
- Vamos embora tenho fome e não há nada que se coma aqui!
- Bem... e eu posso conhecer a casa ou nem por isso?!
- Oh é verdade!! Vamos então mostrar tudo ao papá! - mostrei todos os cantinhos da casa ao João e percebi que ele também a tinha achado como eu perfeita para nós
- Qual é o problema?
- Qual problema?
- Da casa... o que é que não gostas? - parou e depois de parecer se ter lembrado de algo - ou é comigo que estás chateada? Sim que essa animação toda - falou irónico - não engana!
- Oh não há problema nenhum com a casa e muito menos contigo - dei-lhe um beijo - e estou animada, mas esta decoração não tem nada de “nós” - aquela decoração “brinde” da casa era completamente deslocada da nossa personalidade, nada me fazia sentir “em casa” e isso era estranho - e por isso tenho a sensação que estou em casa de estranhos é só isso!
- Maluquinha... mas realmente temos de mudar isto! - olhou o relógio - mas na próxima folga venho ter com vocês e tratamos disso que já tou atrasado!
- Já??
- Sim... - fez beicinho - levas-me ao aeroporto?
- Que remédio!
Saímos de casa e ainda passamos numa pastelaria para tomar o pequeno-almoço, sempre em conversa animada sobre o que tinha sido o jantar de aniversário dele e quem o tinha ajudado com a surpresa.
Acabei por leva-lo e como normalmente costumava acontecer não tivemos qualquer tipo de troca de carinho em publico, mas  enquanto esperávamos pelo embarque ficamos a trocar alguns miminhos que me souberam muito bem.
Com o regresso do João a Valência, regressei ao trabalho e à rotina solitária do dia-a-dia com a Mariana em Braga definitivamente, ou assim pensava eu.
Mas a rotina tranquila foi quebrada dois dias depois assim que saio de casa e ao passar pelo quiosque vejo nos escaparates uma foto minha, ou melhor nossa, minha e do João no aeroporto

(Imaginem o João e estas duas imagens numa capa de revista)

com letras garrafais “caçado o ultimo solteirão do futebol português” para em subtítulo poder ler “João Pereira e a sua Agente FIFA vão ser pais” só isto me tirou logo do sério, mas antes de mais nada tinha que ler tudo.

Entrei comprei a revista e agradeci o facto de estar de costas na foto e não ser reconhecida, se bem que a funcionaria me sorriu de forma diferente. Quando abri a revista na pagina indicada com o resto da noticia, assim que me sentei no carro antes de arrancar, vejo que afinal ela me pode ter reconhecido já que o que não faltavam era fotos!
    
(o casal chegou junto ao aeroporto onde o jogador contou com a presença e os mimos da companheira até embarcar podia ler-se em legenda do primeiro conjunto de fotos)

 
(a Agente deixou o aeroporto sozinha e visivelmente bem disposta legendava duas fotos minhas)

Onde aparecia junto com o João ou sozinha e sem que tenha dado por qualquer uma delas. Ia começar a ler o artigo quando o João me liga
- Já sabes??
- Bom dia para ti também! Sei o quê?
- Da revista!
- Qual revista??
- Aquela de que somos CAPA!!!
- Somos o quê?? - perguntou a rir
- Capa João!
- Somos... eu e tu?
- Não somos tu e o coelho da pascoa!
- Tás a falar a sério?!
- Sim... acabei de ver e comprar
- E o que diz?
- Ainda não li estava a ver as fotos
- Fotos? No plural?
- Yap... no aeroporto no dia a seguir aos teus anos
- Mas o que diz!
- Bem a capa diz que foi “caçado o ultimo solteirão do futebol português” - ouvi-o rir - e continua a explicar que “João Pereira e a SUA Agente FIFA vão ser pais”... importas-te de parar de rir que não tem piada!
- Desculpa continua...
- “O defesa do Valência e da Selecção Nacional que durante o Euro’12 foi considerado o ultimo solteirão do nosso futebol está afinal comprometido. 
João Pereira foi visto no passado dia 26 de Fevereiro no aeroporto de Lisboa na companhia da jovem e promissora Agente FIFA Maria Mendes. Os dois mostraram-se bastante cúmplices  não deixando qualquer margem de duvidas quanto à paternidade do bebé que Maria espera para o próximo mês de Maio. Fontes próximas do casal afirmam que este é um relacionamento que vem desde a adolescência e que após alguns anos de afastamento foi retomado tendo mesmo o jogador pedido a namorada em casamento, pedido ao que nos foi contado bastante original tanto na forma como foi proposto como na resposta que teve. Quanto ao bebé, tanto quanto conseguimos apurar Maria está grávida de 30 semanas (aproximadamente 6 meses) e o casal espera a chegada de um menino.” tu achas isto normal??? Fontes próximas?! É que tem de ser alguém mesmo próximo João... alguém que esteve connosco a jantar! E que nos traiu...
- Oh se queres que te diga até acho que 3 anos sem nunca terem dito nada é muito... e também não dizem mentira nenhuma! E traição Maria não é muito forte?
- Não, não é muito forte porque é alguém em quem confiamos e que não teve a decência sequer de nos informar que tinha prestado estas declarações... e além disso era escusado tantas fotos e ainda para mais ser capa! 
- Tenho que ver isso! Mas não me disseste ainda como estão os meus amores...
- Estamos bem! Com saudades!
- Também tenho... já viste alguma coisa lá para casa?
- Nop... tenho algumas ideias mas não vi nada de especial... 
- Domingo tou ai de manhã!
- BOA!!!... amor tenho de desligar ainda estou no carro na porta de casa e tenho uma reunião agora de manhã tou atrasada! Amo-te beijooooooo
- Ok vai com cuidado.... o meu beijo é maior amo-vos!
Quando desliguei arranquei rumo ao escritório e assim que cheguei fui informada que o meu tio me esperava no seu gabinete, bati na porta e quando ouvi “entre”
- Querias falar comigo Jorge?
- Queria... não quero! Senta-te - o tom com que falava assustou-me
- O que se passa?
- Será que a Sra Dra se importava de me... - enquanto falava metia um exemplar da revista em cima da mesa e eu deduzi que o resto da frase fosse “explique isto!” por isso respondi sem nem esperar terminar
- Oh Jorge eu não sabia de nada também fui apanhada de surpresa hoje de manhã e aviso já que também não gostei!
- Calma!!! Eu realmente não gostei - ele falava num tom demasiado sério - ADOREI! - acabou por dizer a gargalhar - ficaram muito fofinhos nas fotos sim senhora.... olha achas que me podes dar um autografo aqui... agora que és famosa! - olhei-o tentando fuzila-lo - pronto estou só a brincar! Como estás? Sei que não querias isso...
- Bem... tirando o ser palhaça de serviço porque além de ti já o João gozou comigo... mas vinha agora a pensar que talvez nem seja mau, afinal o que tá na moda agora são as mulheres e  ex-mulheres de jogadores em programas de tv... vai-se a ver e isto é o inicio de uma nova carreira... - falei a rir
- Só tu realmente!
- Olha eu tou a tentar esquecer que há alguém que esteve num momento onde só deviam ter estado pessoas de confiança e que afinal veio contar o que se passou...
- Não entrou em detalhes Maria...
- Mas não tinham que ter contado nem prestado declarações tio... a vida é nossa e além disso o que eu não estou a engolir mesmo é o facto de nem ter tido a ombridade de depois dizer “olha perguntaram-me e eu contei”
- Percebo-te mas não é o fim do mundo! Agora vamos trabalhar?
- Vamos!
Saímos para a reunião marcada.
Depois do episódio da revista e de algum alvoroço por mais detalhes do pedido de casamento ou declarações quer minhas quer do João, que nunca foram dadas, tudo voltou ao normal. 
Tal como previsto o João voltou a Lisboa na folga e percorremos tudo o que era lojas de decoração atelier's de design de interiores e claro está as nossas actuais casas e as casas dos pais de onde trouxemos aqueles que eram as recordações que não queríamos deixar de ter presentes ao longo da vida, entre elas a infindável colecção de camisolas do João.

Hoje vou ter novamente em Lisboa a presença dos meus priminhos a Mariana tem consulta com a Ana e por isso vai dar os ares da sua graça por Lisboa, finalmente. Estou morta de saudades da minha prima e sim do Ruben também já para não falar que estou super curiosa por saber o sexo dos minimeus como eles chamam à dupla que esperam.
Passei o dia ansiosa mas acabei por não ter qualquer noticia da minha prima e se durante o dia achei normal já que além da viagem tinham a consulta e depois da consulta eu sei como é bom ficar a digerir as emoções no caso deles a 4, quando perto da hora do jantar o João me liga
- Amor!!!
- Oioi! Essa boa disposição toda é por ter estado com a prima é?
- Não... ainda estou à espera que apareçam ou digam alguma coisa, mas a expectativa de a ver sabes que me deixa assim.... - o João suspirou e ficou um silencio pesado assim que me calei que se prolongou por segundos - João o que se passa?
- Maria a tua prima já está em Braga
- O quê? Como?
- Não sei... falei com o Ruben tinha acabado de chegar a Braga...
- Mas ela não me disse nada!
- O Ruben tambem estava estranho...
- Será alguma coisa com os bebés?
- Não... está tudo bem! Aliás um deles é um menino!
- A sério? E o outro?
- A Ana não conseguiu ver... - ele ficou calado e eu também - Maria?
- Diz?
- O que tens?
- A minha prima, nem uma sms me mandou... - falei já a sentir as lágrimas a correr
- Oh fofa vais ver que ela amanhã te liga... se calhar não tiveram tempo para ficar.
- É...


Ruben
Com o regresso a Braga, depois do aniversário do João, a nossa vida voltou à normalidade possível, a Mariana começou finalmente a trabalhar, o que têm-me deixado mais preocupado afinal não quero que nada de mal aconteça a nenhuma das três razões do meu viver, ainda assim tento manter-me o mais concentrado possível nos treinos e jogos, mas se nos últimos isso tem sido possível já nos treinos nem sempre, algo que os meus colegas já notaram e talvez por isso hoje o Hugo no regresso ao balneário resolveu perguntar
- O que se passa contigo? - olhei-o
- Nada - continuei a andar
- Desculpa... alguma coisa é - desviei o olhar para o Custódio - tens andado mais aéreo apesar do esforço que fazes para manter a concentração.
- Já para não falar das tuas ausências em alguns treinos - desta foi o Alan
- E a Raquel também já comentou comigo que tem achado a Mariana estranha - o Hugo voltou a falar - está tudo bem convosco?
- Melhor impossível - sorri com aquele sorriso de orelha a orelha - a sério está tudo muito bem mas agora desculpem mas tenho que despachar-me, a Mari está à minha espera.
- Ela está cá?
- Não... vou ter com ela ao Porto mas porquê?
- Por nada... nós é que já não a vemos há uns dias - olhei para o Hugo - quer dizer nem nós nem as raparigas...
- Pois... a Mari ontem estava cansada e por isso não veio ao jogo.
Os rapazes não insistiram mais e pude despachar-me sem mais demoras, mas quando estava a sair do balneário lembrei-me que tinha de falar com o mister para lhe pedir um dia de folga para a semana dado que a Mari tem consulta em Lisboa, como previa fui autorizado a ausentar-me, algo que disse ao meu amor assim que cheguei junto dela.
- Hum... então tenho de confirmar com a Ana a consulta - falou quando já estava concentrado na sua barriguinha cada vez mais saliente
- É verdade... hoje os rapazes perguntaram o que se passa - olhou-me - andam a estranhar a tua ausência e o meu estado de lunático - gargalhou.
- Oh... temos mesmo que contar até porque daqui a nada descobrem sozinhos - sorri ao vê-la a colocar as mãos na sua barriga.
- É... os minimeus estão cada vez mais espaçosos - beijei-a calmamente.
- E por falar em espaçosos - olhei-a - amor nem sabes o que vi na hora de almoço - a Mariana estava toda empolgada
- Não... mas vais-me contar!
- Oh... passei pelo centro comercial com uma colega cá do trabalho e entramos numa dessas lojas de roupas para bebés - sorri ao vê-la feliz - porque a Rita queria comprar alguma coisa para oferecer ao afilhado e enquanto andou a ver, aproveitei para dar um olhinho também... e... olha deparei-me com uma secção de roupa para grávidas - suspirou - opa tem coisas tão mas tão lindas - os olhos da Mariana brilhavam - acho que me vou perder lá - foi impossível não rir perante o ar de culpa do meu amor.
- Perde-te à vontade... - olhou-me - eu deixo - a Mariana sorriu para logo depois modo que se atirar para os meus braços, como se ela precisasse da minha autorização para alguma coisa, enfim cada vez convenço-me mais que os nossos minimeus vão mudar a mãe para melhor, já lá vai o tempo em que a Mari fazia as cenas sem sequer informar-me e muito menos pedia a opinião.
- Fixe... e o que dizes de passarmos por lá agora - a Mariana estava mesmo empolgada, por isso resolvi alinhar, afinal a última coisa que quero é que meta na cabeça as mesmas parvoíces que a Maria meteu...
- Por mim é na boa...
A Mariana simplesmente agarrou na mala e no casaco para sairmos logo depois do seu gabinete, ainda cruzamo-nos com o Jorge que pelos vistos veio ao Porto mas mal tive tempo de o cumprimentar, afinal a sobrinha estava desejosa de se ir perder numa loja para grávidas, no entanto ainda deu para o convidar a passar lá por casa e assim jantávamos os três.
As horas seguintes foram para a Mari escolher alguma roupa para vestir num futuro próximo, o meu amor estava de facto feliz e isso deixou-me aliviado, pelo menos de uma coisa tenho certeza, esta não vai ser como a Maria que meteu na cabeça que devia caber nas mesmas roupas que usava quando não estava grávida.
- Então já te decidiste? - perguntei ao vê-la a olhar para as roupas que já tinha pré-selecionado.
- Não... gosto de todas! - gargalhei ao ver o beicinho que fez.
- Então leva tudo e resolve-se o teu problema! - tentei ser prático mas acabei a ouvir
- Ya... já agora levo a loja toda... oh Ruben só vou estar uns meses grávida e por sinal a barriga vai estar sempre a crescer por isso não vou levar esta roupa toda quando sei que depressa vai deixar de servir... sim que os minimeus precisam de espaço e eu estou desejosa de me ver assim com uma híper mega barriga - voltei a sorrir a Mariana nestes últimos dias só fala no quanto quer ver a barriga enorme, até já dei com ela em frente do espelho a “espetar” a barriga para a frente...
- Então leva só as que gostaste mais...
- Gosto de todas!
- Então tira à sorte!
- É... talvez seja mesmo melhor - sorri ao vê-la a fazer o um-dó-li-tá - vamos!
- Ok...
Ajudei-a a levar a roupa e no fim de pagar saímos finalmente da loja.
- E amor...
- Qual é o desejo desta vez? - perguntei de imediato afinal aquele tom de voz diz tudo.
- Oh... não é desejo... é mesmo fome - gargalhei - Ruben segura aqui nos sacos que vou ao supermercado comprar comida!
Olhei-a abismado, será que tinha assim tanta fome para ter que ir ao supermercado?! No entanto nem questionei, agarrei nos sacos e fui-me sentar num dos bancos disponíveis e um tempo depois vi a Mariana regressar, trazia um saco e dentro deste tinha iogurtes e fruta.
- Ui... tão saudável que a minha menina está - olhou-me de lado
- Acho que informei o meu menino que tinha fome e não desejos! - reclamou o que fez com que sorrisse novamente.
- É... tens razão!
A Mariana já não reclamou e seguimos para o carro, conduzi direto a casa e quando lá cheguei levei os sacos todos para o quarto enquanto a Mariana foi até à cozinha começar os preparativos para o jantar.
O jantar foi animado, com o Jorge a querer não só saber como tem sido a adaptação da sobrinha ao novo trabalho como também a querer tirar nabos da púcara sobre a nossa relação, lógico que o assunto Manuel surgiu mais uma vez mas novamente a Mariana se recusou a falar disso.
Com o fim do jantar despedimo-nos do Jorge e assim que se foi embora ajudei a Mariana a arrumar a cozinha. Assim que concluímos a tarefa, o meu amor quis se ir deitar algo que concordei e segui os seus passos, talvez na esperança de hoje dar-me algo mais do que tem dado, a verdade é que desde que a Ana nos liberou que todo aquele fogo da Mariana por mim simplesmente desapareceu, agora é raríssimo pedir mimos que vão para além dos beijinhos e festinhas e quando pede no momento “chave” corta-se...
***
Acordei sem a Mariana ao meu lado e não foi difícil adivinhar onde estava ou não fosse o barulho vindo da casa de banho denunciá-la, o que permitiu deduzir que despertou novamente enjoada.
- Posso? - perguntei antes de entrar e como resposta tive só um aceno de cabeça em sinal afirmativo.
- O que foi? - perguntou quando já estava a preparar-se para lavar os dentes.
- Nada - encolhi os ombros - não gosto de te ver assim - olhou-me - será que não há nada que dê para tomares de forma a diminuir os enjoos?
- Ruben... a Ana já me deu aquilo que podia - suspirou - além disso enjoos fazem parte do pacote de ter um filho - falou enquanto se despia - vais ficar aí só a olhar ou vens fazer companhia aos minimeus? - sorriu.
Acabei dentro da banheira com a Mariana, partilhamos o momento do duche mas foi mesmo só o duche que partilhamos, o meu amor recusou novamente alegando que ainda estava enjoada, respeitei e mais uma vez fiquei sem nada.
- Não vais trabalhar? - perguntei ao vê-la escolher uma roupa mais prática para vestir.
- Não... sinto-me sem forças
- Queres ir ao hospital? - sorriu
- Deixa de ser alarmista... estou só cansada porque não consegui dormir quase nada e estes enjoos dão cabo de mim mas de resto sinto-me bem.
- Tens a certeza?
- Sim!
Não insisti mais mas a verdade é que fui para o treino preocupado, no entanto este até correu bem. Regressei a casa e encontrei-a a terminar o nosso almoço, comemos e passamos a tarde enrolados no sofá.
***
- Oh Ruben que pressa... - o Hugo constatou ao ver a rapidez com que me despachava - quem te vir com esta energia toda não diz que jogaste 90 minutos...
- Pára lá de gozar...
- Essa pressa toda só pode querer dizer que a Mariana está cá... - desta foi o Custódio que se meteu.
- Deixem lá as piadas e mexam-se... isto é se quiserem saber o motivo pelo qual a Mari tem andado ausente e eu no mundo da lua.
- Como assim?! - o Hugo e o Custódio falaram ao mesmo tempo o que fez com que gargalhasse
- Deixem de ser duas Amélias a falarem ao mesmo tempo e despachem-se antes que a Mari queira ir embora!
Acabei de colocar tudo dentro do saco e saí do balneário, encontrei o meu amor na companhia das raparigas e assim que aproximei-me, a Mariana abraçou-me de imediato beijando-me de seguida. Estivemos, todos, alguns minutos à conversa até que eles chegaram.
- Pronto agora que já cá estamos podes finalmente dizer o que tanto andas a esconder - olhei para a Mariana que sorriu
- Não se vê? - olharam-me sem perceber - Sei que ainda está pequenina mas já se nota - falei ao colocar as mãos na barriga da Mariana puxando um pouco a camisola, o que fez com que se notasse melhor a barriguinha.
- Parabéns!! - falaram tanto os rapazes como as raparigas
- Estás de quantas semanas?
- De 13 - a Mariana respondeu à pergunta da Raquel.
- Ui... que vais ser daquelas grávidas que fazem uma barriga enorme! - a nossa amiga constatou o que nos fez gargalhar - onde está a piada?
- Raquel - olhei para a Mariana que ria - há vários motivos que nos levaram a ocultar a gravidez nestas primeiras semanas mas o principal deles todos é que a Mari está grávida de gémeos...
- Sério?
- Sim! - a Mariana conformou toda babada.
Lógico que as piadas começaram logo depois mas nenhum dos dois ligamos e quando os nossos amigos acalmaram despedimos-nos deles e seguimos para casa.

Porque será que a Mariana não falou com a Maria? 
Como terá corrido a consulta?
Como será que corre o resto da gravidez da Maria?