segunda-feira, 8 de abril de 2013

074 - "... Se não queres sexo é bom que não te aproximes..."


Maria
Infelizmente a ida ao Norte acabou por ser útil em termos profissionais (para mim) já agradável nem tanto uma vez que o jogo acabou com uma derrota da Selecção Nacional contra um adversário que não se poderá considerar “difícil” e ainda com uma exibição, no mínimo, menos conseguida por parte do João que acabou mesmo por marcar um autogolo.
Confesso que ao final do jogo estava um bocadinho azeda, mas ninguém deu muita importância já que a culpa seria certamente do Guilherme. Guilherme que foi mesmo o tema central das conversas ao intervalo, aliás ele e a ausência do Ruben e da Mariana que foram bastante comentadas.
O João demorou imenso tempo a sair do balneário e adivinhava-lhe uma azia tão grande ou maior que a minha, mas para meu espanto quando finalmente deu o ar da sua graça vinha calmo, acenou a alguns adeptos ainda presente e dirigiu-se até ao carro sem dizer uma palavra tirou-me a chave da mão enquanto eu falava com a Jéssica e o Eduardo e como já tinha percebido que a troca de palavras entre ambos depois do golo tinha sido “feia” não disse nada. O João guardou a mala no porta-bagagens e voltou até perto de nós entrando na conversa e deixando-me perceber que afinal não tinha passado de uma jogada infeliz de ambos. Falamos ainda alguns minutos sobre a vinda do Guilherme e a nossa reconciliação, mas acabamos por nos despedir.
Seguimos para o carro em silêncio o João sem hesitação ocupou o lugar do condutor e eu para o do pendura agradecendo ele não se importar de conduzir visto que já tinha algum sono. Fizemos assim em silêncio os primeiros metros do caminho que nos levaria até ao hotel onde passaríamos a noite, até que ao ligar o rádio ouvimos alguns comentários sobre o lance do jogo, o João de imediato desligou-o e eu tive de perguntar
- Queres falar?
- Não tenho nada a dizer! - tirou os olhos da estrada para me olhar enquanto me acariciou a barriga - Lances infelizes acontecem a todos e felizmente não foi por este erro de perdemos a final do Campeonato do Mundo...- sorri ao ouvi-lo tão calmo já que há uns anos seria motivo para praguejar este mundo e o outro e não resisti a mais uma daquelas que posso chamar “saídas à Maria” ou seja a piada mais “macabra” no momento menos provável
- É verdade... - falei enquanto colocava a minha mão sobre a sua cocha direita - além de que se tivesse rematado para a baliza certa... - ele olhou-me serio já que tínhamos chegado ao destino e ele já deveria esperar o que dali vinha - bem se fosse na baliza certa tinha sido um golaço!!!! - ainda o vi “endurecer” a expressão, mas acabou por gargalhar
- Só tu!!
- É verdade! Que nós vimos! - fiz um ar ingénuo
- Vamos?
Saímos do carro e sem grandes demoras dirigimos-mos ao nosso quarto onde depois de “pijaminhas” vestidos acabamos por adormecer bem agarradinhos.
O dia seguinte foi de despedida, o João voltou para Valência e eu para Lisboa onde já não encontrei a minha prima.

Ruben
Depois da conversa sobre o passado que terminou com o meu pedido para que a Mari pense bem sobre o assunto casamento fomos para a cama.
Acordei preocupado com a ideia da Mariana ficar sozinha durante o tempo que estiver no treino mas disfarcei de forma que não percebesse, tomei o pequeno-almoço com a Mari e depois segui para o estádio.
- Ruben! - olhei para trás quando já estava a entrar no balneário e esperei pelo Hugo - Está tudo bem?
- Sim...
- Ficámos todos preocupados com a tua saída intempestiva da concentração da seleção...
- Pois... tive um assunto urgente para resolver.
- Mas agora já está tudo bem, certo? Desculpa estar a insistir mas como saíste daquela forma com o João e quando ele regressou vinha sozinho e com a novidade que já não regressavas mas sem dar nenhuma explicação lógica, o pessoal ficou preocupado.
- Pois... - olhei-o e ao perceber que estava verdadeiramente preocupado - não quero alongar-me no assunto, pelo menos por agora, mas podes ficar tranquilo que já está resolvido.
O Hugo já não insistiu e acabamos por entrar no balneário, onde acabei por ser novamente questionado pelos outros que também foram à seleção e para acabar de uma vez com o assunto.
- Agradeço a vossa preocupação mas neste momento não quero falar sobre o assunto, até porque envolve outras pessoas e prefiro não comentar.
Eles compreenderam e não insistiram mais no assunto no entanto no final do treino pedi para falar com o treinador, onde o informei da gravidez da Mari uma vez que preciso da sua autorização para ausentar-me dos treinos de forma a poder acompanhá-la nas consultas, o mister compreendeu mas avisou-me que quanto ao falhar os treinos só na altura é que autoriza ou não consoante os dias, lógico que percebi e nem reclamei pois sei que tenho obrigações a cumprir.
Regressei a casa e encontrei a Mari deitada no sofá a ver televisão e por sinal aborrecida, por isso acabei por convidá-la para almoçarmos fora, algo que aceitou e desta forma espaireceu.
Aproveitei que não tinha treino de tarde para mimar a Mariana, passamos a tarde no sofá a ver filmes ou melhor a fingir que víamos dado que a maior parte do tempo foi usado para trocarmos mimos.
***
Os dias foram passando connosco a tentar lidar com os níveis de ansiedade da melhor forma possível, afinal a cada dia que passa estamos mais próximos de descobrir se serão um ou dois bebés e isso sim anda a deixar a Mari nervosa, ela continua em negação por muito que tente abordar o assunto e fazê-la cair na realidade não consigo porque simplesmente se recusa a falar sobre o tema.

Mariana
Se por um lado estes dias têm sido aborrecidos por estar obrigada a repouso por outro têm sido maravilhosos, ter os mimos do Ruben só para mim é algo que agrada-me cada vez mais, reconheço que há dias em que estou impossível de aturar e mesmo assim o Ruben tem uma paciência de santo para aturar-me.
Com o avançar dos dias a ansiedade tem aumentado e ter a consciência que o momento da confirmação se é um ou dois bebés está cada vez mais perto tem contribuído para andar mais irritada, algo que se torna cada vez mais difícil de disfarçar e hoje com a nega do Ruben durante o nosso duche ainda agravou mais a minha neura.
Estava a aboborar na sala quando ouvi a campainha, achei estranho pois não esperava ninguém mas assim que olhei pelo intercomunicador um sorriso surgiu no meu rosto.
- Oi - falei algo surpreendida por ver o Mauro, a Paula e o sobrinho do Ruben.
- Está tudo bem? - o Mauro perguntou talvez pela minha falta de reação.
- Sim... entrem - desviei-me para que pudessem entrar.
- Está mesmo tudo bem?
- Sim... desculpem mas fiquei surpreendida por vos ver.
- O meu irmão não te avisou que vínhamos?
- Não... deve ter-se esquecido - falei já sentada no sofá e com o pequenino ao colo.
- Mas se tivermos a incomodar... - interrompi a Paula
- Hey deixem-se disso, vocês nunca incomodam e até é bom que tenham vindo assim tenho com quem me entreter - falei enquanto mimava o sobrinho do Ruben - mas vão ficar cá muitos dias?
- Não, viemos só ver o jogo.
A conversa continuou, almocei com eles e no fim segui para o estádio. Assim que entramos no camarote, o Mauro juntou-se ao Hugo, que hoje não jogava, enquanto eu e a Paula nos fomos sentar.
- Está tudo bem convosco? - olhei-a - Desculpa estar a perguntas mas achei estranho o Ruben não te ter dito que vínhamos.
- Sou só eu que ando um bocado irritadiça e até mesmo parva - baixei o olhar ao admitir que neste caso a culpa é minha uma vez que o Ruben tudo tem feito para melhorar o meu humor.
- Isso é normal nestas primeiras semanas - olhei-a novamente - o Mauro contou-me - baixei o olhar - Mariana, vais ver que te habituas, isso são só as hormonas a falarem.
- Ohh mas até habituar-me... - calei-me o que fez a Paula falar.
- O Ruben não tem outro remédio que é aguentar - sorriu.
- E se não aguentar? O Ruben pode fartar-se... sei que não sou propriamente meiga quando estou aborrecida...
- O Ruben ama-te como nunca amou ninguém por isso acredita que o rapaz aguenta o teu mau feitio e muito mais.
- Não sei...
- Ai essas hormonas que andam mesmo descontroladas - sorriu - porquê que não planeias um fim-de-semana a dois? - olhei-a - Vais ver que te passa logo essa insegurança toda - gargalhou talvez pela cara que fiz - Mariana sossega porque se há coisa que o Ruben já aprendeu foi a dar valor à vossa relação por isso acredita que irá suportar todos os dias em que acordares com os pés do lado de fora.
A conversa continuou mas para ser sincera pouco adiantou porque as dúvidas mantiveram-se, acabamos por nos calarmos porque vi a Raquel a aproximar-se de nós. As conversas seguintes foram sobre diversos assuntos, sinceramente entretive-me mais a “dar à língua” do que a ver o jogo e no final não levou muito tempo a começar a resmungar porque o Ruben nunca mais aparecia, esperei e desesperei, acabei mesmo por deixar o Mauro no estádio e segui até casa com a Madalena e o menino.

Ruben
Hoje a Mari acordou híper bem-disposta, tanto que quem pagou a fava fui eu ou não fosse o meu amor se ter enfiado no duche comigo, a Mariana passou-o todo nitidamente a provocar-me, não sei o que estava a passar naquela cabeça, só sei que tive que controlar-me ao máximo para não ceder à provocação mas acima de tudo às saudades que já tenho de a sentir, afinal desde que a Ana nos avisou que o melhor seria evitarmos certo tipo de exercício até ordens em contrário não o voltamos a fazer, mas hoje a Mari parece que acordou com vontade de infringir esse conselho, o que fez com que fosse o mau da fita e ao negar-lhe o que tanto queria tive que aturar logo de seguida uma birra descomunal que durou até sair de casa.
Durante o dia não falei mais com a Mariana, afinal tinha noção que se lhe ligasse o mais provável era ouvi-la a mandar-me para um sítio nada bonito e como sabia que iria estar acompanhada pelo meu irmão e pela Paula fiquei descansado. O jogo correu-nos bem, ganhamos e conquistamos três pontos importantes, acabei por demorar-me mais tempo no balneário e quando cheguei ao camarote já só encontrei o Mauro, cumprimentei-o e fui informado que a Mariana já tinha ido embora.
- Puto está tudo bem? - o Mauro questionou-me quando já íamos a caminho do meu apartamento.
- Sim... mas porquê que perguntas?
- Sinceramente? - não me deixou responder  e continuou - Pareces preocupado... - olhei-o por segundos - É impressão minha ou as cenas com a Mariana não estão assim tão bem?
- Estes dias não têm sido fáceis, a Mariana anda mais sensível e com umas mudanças de humor lixadas mas está tudo bem, ela amua várias vezes mas acaba por passar - encolhi os ombros - e hoje deve estar capaz de me esganar porque lhe neguei algo antes de sair de casa... - não quis aprofundar o assunto mas o Mauro insistiu e por isso acabei por dizer o que se tinha passado o que provocou a gargalhada nele - não gozes que não tem piada nenhuma...
- Mesmo sério o que te deu para lhe dares uma tampa dessas? Puto... tipo estamos a falar da Mari que no seu estado normal já é o que é então grávida deve estar... - interrompi-o
- Vê lá o que vais dizer! - gargalhou.
- Mano sempre falaste de sexo comigo... vais dar numa de santo agora, é?
- Uma cena é falar das noites que tive no passado outra é falar da minha vida intima com a Mariana...
- Qual é a diferença? - riu à descarada na minha cara - Vais dizer que não fazes o mesmo com a Mari que fazias com as outras, é?
- Mauro! Controla-te - gargalhou - por acaso alguma vez te perguntei o que fazes e como fazes com a Paula? Menos...
- Uiiii que o meu maninho virou novamente menino ao fim de dez anos a rodar...
- Mas afinal o que é que te está a dar? Deixa de ser parvo...
- Ok... já não brinco mais mas afinal de contas porquê que lhe negaste sexo? Sim porque é disso que estamos a falar e depois se queres um conselho aproveita agora porque acredita que elas gravidas são ainda mais...
- Podes parar por aí! - voltou a rir na minha cara.
- É verdade... esqueço-me que pertences ao grupo dos que têm uma diva na mesa e uma louca na cama - olhei-o estupefacto - o que foi? És capaz de negar? Puto podes ter começado tarde mas quando o fizeste foi logo em grande... mano não foste propriamente santo e sempre o admitiste em conversa comigo por isso se hoje estás tão sossegado é porque a Mari te satisfaz caso contrário duvido muito que lhe conseguisses ser fiel...
- Eish... tens-me mesmo em má conta!
- Puto conheço-te por isso nem tentes negar que sei bem que enquanto namoraste com a Ana, já para não falar das outras, sempre deste uns “passeios” por fora e com a Mari isso não acontece, primeiro porque realmente amas a rapariga mas também porque no fundo ela dá-te tudo o que queres - olhou-me fixamente - ou estou enganado?
- Não deves estar à espera que te confirme isso pois não? É que não estamos a falar de uma qualquer, é bom que percebas isso e que te cales de uma vez porque já não estou a achar piada à conversa, sempre falei de sexo contigo mas nunca questionei o desempenho de nenhuma das gajas que levaste para a cama e muito menos da Paula, por isso respeita a Mariana!
- Desculpa não queria ofender mas não deixa de ser cómico ver-te assim todo melindrado... - olhei-o - de qualquer forma resolve isso com a rapariga que deve andar em brasa...
- E achas que não ando também? - suspirei - Ainda hoje não sei como aguentei - o Mauro tentou controlar o riso - não gozes...
- Então mas se também queres porquê que lhe negas?
- Porque a Ana aconselhou-nos a não o fazer...
- Porquê? Tipo a médica da Paula nunca nos proibiu até pelo contrário retirou-nos as dúvidas todas a respeito disso... sabes que sexo não prejudica o bebé, não sabes?
- Sei... sei... mas as gravidezes não são todas iguais...
- Estás a querer dizer que... - olhei-o - foi por isso que pediste para não contarmos a ninguém nem mesmo ao pai sobre a gravidez dela?
- Não... pedi para não contarem porque ainda é muito recente mas de qualquer forma a gravidez pode ser especial e o facto de a Mari já ter ido parar ao hospital deixou-nos mais atentos, além disso a Ana colocou a Mariana em repouso daí nos ter aconselhado a não ter relações pelo menos nestas primeiras semanas.
- O que queres dizer com especial? É de risco, é isso?
- Mano - hesitei mas acabei por contar até porque estava mesmo a precisar de falar sobre o assunto sem ser com a Mari - há uma forte possibilidade de serem gémeos - sorri ao vê-lo a abrir a boca perante a novidade.
- Sério?
- Sim...
- Para quem não queria filhos num futuro próximo descobrir que vai ser pai e ainda a dobrar não deve ter sido fácil de digerir tal novidade.
- Se queres mesmo saber a Mari é que está em negação por mais que tente não consigo que aceite a possibilidade de serem dois, ela reagiu mal quando a Ana nos disse e desde esse dia que se recusa a falar no plural.
- Shiii que cena...
- E isso sim preocupa-me... tipo quando a Ana nos contou dessa possibilidade juro que fiquei feliz, sei que por mim esperávamos mais uns meses mas se a Mari engravidou é porque tinha que ser e estou verdadeiramente contente com a novidade por isso ser um ou dois não me assusta.
- Mano não és tu que os vais carregar, nem és tu que vais cuidar deles 24 horas por dia... puto o medo da Mari deve ser esse e por isso está em negação.
- Sinceramente estou com receio da reação da Mari se a Ana nos confirma que são dois...
- Mas achas que haverá problema?
- Não sei - suspirei - mano a Mari não está mentalizada para abdicar já da sua vida em prol da dos três... sei que o fará mas tenho medo das consequências...
- Como assim?
- Mauro a Mariana anda frágil, sinto-a insegura e juro que não percebo porquê.
- A Mari está com dúvidas do que sentes por ela, é isso?
- Se conseguisse entender o motivo da sua insegurança seria tudo muito mais fácil... mano tento dar-lhe o máximo de atenção mas mesmo assim parece que não chega...
A conversa acabou por “morrer” porque entramos em casa e dei imediatamente de caras com a Mariana, o que deu para perceber que estava chateada comigo só pela forma como olhou, cumprimentei a Paula e o meu afilhado, para depois tentar aproximar-me da Mariana, algo que deixou mas se tivesse beijado a parede teria sido exatamente o mesmo, dado que não correspondeu.
Jantamos todos juntos mas se ouvi a voz da Mariana três ou quatro vezes foi muito.
- Onde vais? - perguntei assim que saiu da mesa depois de terminar de comer.
- Para o quarto...
- Amor - olhou-me - estás bem?
- Ya...
A Mariana saiu sem dizer mais nada o que deu origem a uma conversa longa com a Paula e o Mauro, a minha cunhada tentou que percebesse o lado da Mariana, mas o problema não é perceber, porque isso consigo, o que não dá para perceber é esta insistência da Mariana negar que podem ser gémeos.
Estive algum tempo à conversa mas acabei por despedir-me deles, estava cansado do jogo e queria ver como estava a Mariana. Cheguei ao quarto e encontrei-a já a dormir, ainda assim não me contive e envolvi o seu corpo com o meu braço.

Mariana
Acabei de jantar e fui imediatamente para o quarto, onde acabei por remoer nas minhas últimas atitudes, algo que contribuiu para perceber que tenho mesmo que começar a controlar-me mais, porque a verdade é que o Ruben não tem culpa por andar mais irritada e até mesmo ansiosa para saber se são um ou dois.
Acabei por adormecer sozinha mas quando acordei durante a noite estava já nos braços do Ruben, não sei como lá fui parar mas tinha a minha cabeça no seu peito e os seus braços a envolverem-me o corpo, fiquei a observa-lo enquanto dormia, o Ruben estava sereno e isso tranquilizou-me, acabei por tentar afastar-me dele pois aquela posição estava a deixar-me desconfortável e quando o fiz despertei-o.
- Estás bem? - ouvi-o a questionar enquanto voltava a aproximar-se de mim
- Sim - suspirei.
- Então que suspirou foi esse? - perguntou já com a luz acesa e a olhar-me.
- Desculpa... sei que tenho andado impossível de aturar mas hoje tive mesmo intragável... - sorriu.
- Deixa de ser tonta - puxou-me ainda mais para si - sim hoje estiveste um dia menos bom mas esses também fazem parte - beijou-me calmamente - e não é um dia mau que vai destruir o amor que sinto por ti mas - hesitou o que fez com que olhasse - é bom que aprendas a controlar essas hormonas para bem de todos, sei que haverá dias mais difíceis que outros mas caramba não podem ser todos como os de hoje - afastei-me dele mas depressa o Ruben fez o favor de aproximar o seu corpo do meu - porque não sou de ferro e sim também me custa esta abstinência em que temos andado - sorri ao perceber onde o Ruben queria chegar com este pedido, ele não se referia ao meu humor mas sim à “tortura” que lhe fiz durante o duche, o que só serviu para avivar ainda mais a vontade com que andei o dia todo.
- Ruben... - voltei-me para o seu lado e assim que tentei aproximar-me o Ruben saiu da cama - onde vais?
- Perdi o sono... vou até à sala - assim que falou saiu.
- O que é que te deu para fugires de mim desta forma? - questionei ao entrar na sala e ao sentar-me no seu colo.
- Mariana... - suspirou assim que sentiu os meus lábios no seu pescoço - saí do quarto já por causa disto - afastou-me ligeiramente e olhou-me - o que queres não é propriamente mimo - sorri - conheço esse olhar e por isso saí do quarto antes de tentares alguma coisa por isso facilita e controla-te!
- Aiiiiiiii - olhou-me - só uma vez não faz mal... - beijei-o algo que o Ruben correspondeu e até se deixou levar durante uns minutos mas quando as minhas mãos foram passear até aos seus boxers reagiu de imediato e voltou a afastar-me.
- Chega!
- Ruben!
- Nem Ruben nem meio Ruben se estás com calor toma um banho com água fria que isso passa - falou ao levantar-se do sofá.
- Não serves mesmo para nada! - resmunguei ao sair da sala mas ao contrário do que pensava o Ruben veio atrás de mim e sem contar com isso agarrou-me, encostando-me à parede.
- Foda-se Mariana será que não percebes que só estou a pensar nos nossos filhos e em ti? Que prefiro não ter sexo e vos ter bem do que por uns minutos de alívio perder alguém que amo - olhei-o - porque os nossos filhos podem ainda não ter nascido mas já os amo por isso controla-te!
- Também não precisas falar assim!
- E tu pára de chorar que não te fiz mal nenhum - ando mesmo desregulada e por uma coisinha mínima desato logo a chorar - Mariana será assim tão difícil perceberes que só quero o bem de todos, se neste momento não podemos ter sexo então não temos e quanto mais depressa perceberes isso melhor, facilitas a vida aos dois!
- Esquece! - afastei-o e fui para o quarto.
- Amor... Mariana... oh linda desculpa se fui bruto mas também não facilitas.
- Larga-me! - retirei suas mãos da minha cintura - Se não queres sexo é bom que não te aproximes... - o Ruben olhou-me algo desiludido - e não me olhes dessa forma que não tenho culpa se só com o teu toque fico em brasa - baixei o olhar ao admitir que ando mesmo descontrolada e talvez pelo facto de estar envergonhada o Ruben gargalhou - não tem piada...
- Ohh até tem... - afastou-se ligeiramente - nunca pensei ver-te assim tão... tão... olha tão desesperada.
- A culpa é tua! - olhou-me com cara de gozo.
- Minha?!
- Sim tua... afinal és demasiado competente e eu já não estou habituada a incompetências - gargalhou o que fez com que amuasse ainda mais - é isso... continua a gozar com a mãe dos teus filhos... que bonito!
- Finalmente! - olhei-o sem perceber - Finalmente falas no plural - sorriu - estava difícil encascares nessa cabeça que podem ser dois!
- Não desvies a conversa...
- E tu pares de fugires ao tema...
- Chega! Vou dormir!
O Ruben não insistiu e por isso deitei-me finalmente mas afastada dele, já que só o som da sua respiração mexe comigo e o cheiro... o cheiro então não se fala, cada vez convenço-me mais que pareço um animal qualquer, porque só os animais é que reagem por instinto...
***
Não consegui dormir e por isso levantei-me ainda mais rabugenta mas fiz um esforço para controlar o meu mau feitio de forma a não atrofiar com o Ruben. Não sei se percebeu que não estava nos meus dias ou se foi só coincidência, a única coisa que sei é que o Ruben respeitou o meu silêncio e pouco ou nada falou.
O dia de domingo foi estranho, não estava chateada com o Ruben mas a verdade é que sempre que ele se aproximava só não fugia se não pudesse, acho que era o perfume dele que estava a deixar-me enjoada ou então é mesmo só uma desculpa para ter espaço para respirar, o certo é que já não me reconheço a mim própria.
Passei o dia todo enjoada, ainda assim acompanhei-os no passeio por Braga que nos ocupou a tarde toda, lanchamos e no final seguimos para Lisboa. Acabamos por jantar na casa da Anabela e no final seguimos para o apartamento do Ruben, como estava cansada fui direta à cama algo que o Ruben respeitou.
Acordei animada por duas razões, a primeira e mais importante é que vamos finalmente ficar a saber se são gémeos e a segunda é por saber que hoje vai ser um dia importante para a Maria, apesar de ela nem sequer desconfiar....
Estava já a preparar o nosso pequeno-almoço quando o Ruben apareceu, comemos juntos e depois fomo-nos vestir, lógico que foi mais um tormento para mim, afinal vê-lo a pavonear-se pelo quarto só de boxers agravou a minha vontade de fazer sexo e antes que me atirasse a ele fugi para a casa de banho, segui o conselho dele e tomei mesmo um duche com água morna já que fria seria insuportável. Despachei-me e fui procura-lo, encontrei o Ruben na sala.
- Vamos?
- Sim - sorriu - estou desejoso de ver os nosso filhos - abraçou-me.
- Ruben... - desviei o olhar para os seus braços que continuavam em volta da minha cintura.
- Desculpa - afastou-se - esqueci-me...
Não lhe respondi e saímos finalmente com destino à clínica, a viagem foi um tormento e tive mesmo que abri um pouco o vidro, algo que fez o Ruben sorrir, percebi isso mas nem abri a boca para comentar.
Chegamos à clínica e enquanto o Ruben ficou a estacionar o carro, entrei e fui direta à receção, avisei que já tinha chegado e pediram para agradar uns minutos, tempo suficiente para o Ruben chegar e assim que fui chamada entrei no gabinete da Ana.
- Bom dia - a Ana falou alegremente.
- Só se for para ti! - ripostei o que fez a nossa amiga olhar para o Ruben e como resposta teve simplesmente um encolher de ombros.
- Isso é tudo indisposição de grávida?
- Aiii oh Ana! - olhou-me a rir - Pára lá de gozar que estou sem paciência.
- E essa falta de paciência deve-se mesmo a quê? - o Ruben sorriu
- A nada... vamos mas é despachar isto que quero saber se sempre são dois monstrinhos! - a Ana olhou-me
- Não lhe ligues - o Ruben falou o que contribuiu para irritar-me.
- Tu cala-te que a culpa é toda tua!
- Ui... o que é que lhe fizeste?
- Nada Ana... o problema é mesmo esse não lhe fiz nada!
- Vocês importam-se de deixar a conversa para depois?! - resmunguei.
- Ok... vamos lá então tratar do que vos trouxe cá - sentei-me finalmente na cadeira diante da Ana que me fez uma enxurrada de perguntas que respondi sem grande vontade para no final - Mariana vai andando para a outra sala e deita-te na maca para fazermos a eco.
Apesar de saber que o objetivo da Ana seria ficar a sós com o Ruben para lhe fazer algumas perguntas ignorei e fiz o que pediu.
Terá a Mariana grávida de gémeos?
Como será os próximos tempos?
E o que irá acontecer para que o dia da Maria seja especial?

segunda-feira, 1 de abril de 2013

073 - "Queres casar de novo, é isso?"


Ruben
As horas passaram e como a Mari continuava a dormir fui preparar o nosso jantar, fi-lo com todo o amor e carinho mas o certo é que quando entrou na cozinha também saiu disparada, fui atrás de si e depressa percebi o motivo.

A Mariana olhou-me, o que foi suficiente para rodar sobre os meus calcanhares e meter-me a milhas, naquele momento estava a rogar-me uma praga e antes que lhe desse os cinco minutos deixei-a sozinha, fui até à cozinha e preparei-lhe um chá com umas torradas, apesar de estar enjoada já há muita hora que não come nada e isso não pode ser.
Coloquei a chávena do chá bem com o prato com as duas torradas num tabuleiro e fui à sua procura, encontrei-a deitada na cama e só quando a chamei é que abriu os olhos.
- SAI! Deixa-me sozinha e leva contigo essa porcaria que só o cheiro enjoa!
- Amor...
- Amor o catano! Deixa-me sozinha e de preferência longe de cheiros que me agoniam!
- Mas tens de comer...
- Ruben - respirou profundamente - sei que tenho de comer mas percebe que agora não desce nada... Ruben só de pensar em comia... - fechou os olhos - a sério dá-me uns minutos e pode ser que isto passe...
- Ok...
Saí do quarto e levei o tabuleiro apesar de contrariado resolvi facilitar, até porque se está enjoada só tenho que esperar que passe e depois sim mais que não seja obrigo-a a comer.
Os minutos passaram e como não havia meio da Mari aparecer, fui espreitá-la, acabei por entrar no quarto e sentei-me na cama a olhá-la.
- O que queres?
- Saber se estás melhor...
- Mais ou menos - suspirou - desculpa a forma como te falei à pouco...
- Shiuu - fiz-lhe uma carícia no rosto - já passou - encolhi os ombros - percebi que só falaste daquela forma porque estás enjoada mas caramba preocupo-me contigo, é normal que tente tomar conta de ti afinal vocês - levei a mão à sua barriga - são o bem mais precioso que tenho - sorriu.
- Anda cá... - chegou-se mais para o centro da cama de forma a ter espaço para deitar-me do seu lado - sabes - olhou-me - às vezes dou comigo a pensar o que seria de mim se o meu tio não tivesse oferecido trabalho à Maria, provavelmente não teríamos regressado a Lisboa e hoje continuávamos afastados...
- Onde queres chegar com esta conversa?
- A algo tão simples como já não sei viver sem ti... és chato, teimoso, embirrento, mimado mas também amoroso, cuidadoso, amigo e principalmente és a minha vida!!! A minha e a do bebé...
- Amor porquê que falas sempre no singular? - olhou-me - A Ana disse que...
- Sei bem o que a Ana disse mas também sei que falou que ainda era muito cedo para ter certeza e como tal prefiro a ideia de que se enganou...
- E se viermos a ter a confirmação que serão dois...
- Neste momento prefiro pensar que é só um... e agora pára com esta conversa que só me deixa ansiosa.
- Ok, mas se forem dois já não há volta a dar por isso teremos que falar na mesma...
A Mariana não respondeu, ainda ficamos um bocado deitados mas acabei por levantar-me para jantar, o meu amor ficou na cama e quando já estava a arrumar a cozinha depois de comer, apareceu.
- Precisas de alguma coisa? - perguntei ao vê-la a sentar-se e a apoiar os cotovelos na mesa.
- Podes fazer-me um chá e umas torradas... que as outras já estão frias - falou nada convicta o que deu para perceber que estava a fazer o esforço para meter alguma coisa no estômago, algo que deixou-me contente pelo menos não a posso acusar de não tentar.
- Trato já disso... se quiseres volta para a cama que depois levo.
- Prefiro comer aqui... estou farta de estar deitada.
A Mariana esperou que fizesse as torradas e depois de comer fomos até ao sofá onde passamos as horas seguintes, vimos o jogo da selecção e por sinal vimo-los a perder, como também percebemos que a minha ausência tinha sido notada mas justificaram como assuntos urgentes mas do foro pessoal e como tal autorizaram a minha saída.
- Os teus colegas perceberam o motivo pelo qual desapareceste? - olhei para a Mariana.
- Não sei... quando recebi a notícia estava na sala de convívio e confesso que não fui discreto mas também como saí à pressa assim que me foi dada autorização não tive tempo para falar com ninguém e hoje mantive o telemóvel desligado por isso duvido que estejam a par do verdadeiro motivo.
- Ah... ok.
- Mas porquê?
- Curiosidade...
- Sim... Amor o que é que te está a incomodar?
- Não é nada...
- Pois... e agora a verdade! - olhou-me - Mariana conheço-te por isso sei que algo está a incomodar-te.
- Posso pedir-te uma cena?
- Podes!
- Não contes sobre a gravidez a mais ninguém - olhei-a - Ruben sei que fui a primeira a contar ao Fábio e ao João mas - calou-se por uns segundos, segundos esses que foram suficientes para perceber o motivo do seu pedido.
- Amor não penses nisso - suspirou - o teu desmaio foi algo isolado, só tens de seguir à risca todas as indicações da Ana e não vai acontecer nada aos bebés.
- Tenho medo...
- Hey... não te vou mentir e dizer que não tenho receio mas não podemos estar constantemente a pensar nisso.
- E se... - não a deixei continuar a falar
- Mariana não quero ouvir-te e muito menos ver-te assim desanimada, desmaiaste porque enervaste-te e o teu corpo reagiu mas agora aqui ninguém te vai incomodar, somos só nós os dois, amor só tens de descansar e vais ver que corre tudo bem.
- E se não correr tudo bem?!
- Vai correr tudo bem mas se por um azar muito grande isso não acontecer vou estar na mesma do teu lado e juntos ultrapassamos tudo mas agora não quero que penses nisso... amor não gosto de ver-te assim desanimada.
- Não era isto que tinha em mente... Ruben nunca pensei ter que deixar de trabalhar tão cedo, ter que deixar de fazer a minha vida normalmente, caramba gravidez não é doença mas...
- Mas nada! Mariana não és a primeira e não serás a última grávida a ficar de repouso desde o início da gravidez, lembra-te que agora já não és só tu, neste momento tens pelo menos uma vida a crescer dentro de ti mas sabes muito bem que pode ser duas por isso é bom que tenhas juízo e por muito que te custe ficar parada vais ficar e aproveita estes dias para encascares nessa cabeça dura que podes estar grávida de gémeos porque quanto mais depressa te mentalizares para essa realidade melhor - a Mariana já estava com as lágrimas nos olhos - sei que estou a ser bruto mas caramba achas que para mim está a ser fácil?? Amor estou muito feliz por estares grávida mas não te esqueças que nenhum dos dois estava minimamente preparado para esta realidade, para mim também está a ser uma fase de reajustamento, a partir do momento que engravidaste as nossas vidas mudaram, agora só nos temos que adaptar e quanto mais depressa melhor. E já que estamos a falar disso lembra-te que se para ti foi complicado acordares naquele quarto sem saberes nada do nosso bebé para mim não foi muito melhor, estava a quilómetros de distância de ti, a sensação de impotência foi enorme, já para não falar do medo que tive em vos perder, só descansei quando entrei naquele quarto e vi com os meus olhos que estavam ambos bem por isso Mariana faz o que tiveres que fazer mas cumpre todas as indicações da Ana para bem da minha sanidade mental mas acima de tudo para o teu bem e dos nossos filhos.
- Vou deitar-me!
Saiu da sala sem dizer mais nada, sei que fui demasiado duro mas tive que o ser, a Mariana tem que perceber que agora já não é só ela e quanto mais depressa se mentalizar que terá que abdicar dela para o bem de todos melhor. Fiquei pela sala a fazer tempo para que reflectisse pois tinha consciência que se entrasse no quarto naquele momento que a Mari começaria a disparatar, algo que nesta altura é completamente dispensável.

Mariana
Ouvir o Ruben a dizer aquilo chateou-me, não por estar a ser bruto mas porque no fundo sei que tem razão em tudo o que disse e foi isso que aborreceu-me. Fui para o quarto a matutar nas palavras dele e desejosa que viesse atrás de mim algo que não aconteceu, afinal conhece-me tão bem que por ter consciência que se viesse tipo cãozinho atrás da dona que levaria uma rebocada não veio algo que neste momento sinto raiva.
Passei vários minutos sozinha e por ver que o Ruben nunca mais vinha acabei por meter o rabo entre as pernas e fui chamá-lo.
- Não vens para a cama? - olhou-me
- Já te passou a birra?
- Ohh
- Ohhh nada! Mariana só consigo ir descansado para os treinos e jogos se souber que terás cuidado...
- Fica tranquilo - aproximei-me dele e sentei-me no seu colo - vou cumprir na integra todas as indicações da Ana por mais que isso custe vou segui-las - beijei-o - mas prepara-te porque não vai ser fácil - sorriu - vou andar insuportável...
- Insuportável já andas - olhei-o - aliás sempre foste insuportável - gargalhou talvez por ver a minha cara de amuo - amor lembraste do quanto me fizeste a vida negra?
- Ãh?!
- Ao início... quando nos conhecemos - gargalhei ao recordar o dia em que fomos apresentados.
- Porquê que te lembraste disso agora?
- Porque quando penso no passado o presente parece-me surreal, naquele dia saí de casa a pensar que seria só mais um jogo para afinal ser o dia que mudou toda a minha vida, aquele beijo roubado despertou em mim um conjunto de sensações que nunca havia experimentado - interrompi-o.
- Espera aí... estás a querer dizer que nunca tinhas beijado ninguém? - sorriu - Que fui a tua primeira experiência a nível de sexo sempre soube agora...
- Não! Não foste a primeira que beijei mas foste a primeira que conseguiu transmitir-me algo mais... não posso dizer que foi esse beijo que levou-me a amar-te porque não foi, mas talvez tenha sido o que me fez perceber o que os rapazes falavam e que nunca tinha sentido antes.
- Posso fazer-te uma pergunta?
- Diz!
- O que te fez avançar naquela noite?
- Sinceramente? - abanei a cabeça em sinal afirmativo - não sei - suspirou - talvez o desespero...
- Ãh?
- Sim... desespero de saber que estava a perder-te - encolheu os ombros - a verdade é que aquela noite significava o fim de um ciclo, sabia que não tinhas concorrido para a faculdade em Lisboa, logo dentro de meses ias embora e sabendo o quanto eras despegada das coisas e mesmo das pessoas muito dificilmente teria oportunidade de mais tarde dizer-te que gostava de ti, ao contrário do que pensas não foi aquela noite que despertou em mim a certeza que gostava de ti, essa já a tinha, não sei como aconteceu mas a verdade é que quando dei conta já gostava de ti, sempre me trataste de igual para igual, nunca ligaste ao rótulo de envergonhado que tinha, para ti era só mais um amigo que ao contrário dos outros não andava atrás de tudo o que era rabo de saia, foste das poucas pessoas que sempre respeitou a minha escolha, é verdade que ao início fizeste de tudo para envergonhares-me mas com o tempo acabamos por nos tornar cumplices, entre nós deixou de haver constrangimento, sempre que estava contigo sentia-me bem, mesmo quando te dava a travadinha e te sentavas ao meu colo ou me cumprimentavas com um beijo no canto dos meus lábios sentia-me bem, descontraído, livre… acho que sentia-me simplesmente eu e depois com o passar dos meses fui percebendo que afinal eras mais importante para mim do que pensava, doía ver-te com outros mas ao mesmo tempo pensava que não era ninguém para impedir-te, afinal sabia que para ti sexo era algo banal mas ao mesmo tempo algo de que sentias falta, por isso andei meses a remoer se algum dia iria conseguir oferecer o que querias, levei tempo demais a decidir e talvez tenha sido esse o meu erro, adiei durante meses com medo que fosse gozado que quando consegui ter coragem para iniciar-me nesse campo e percebi o que tinha perdido não consegui lidar com isso, ter a certeza que por uma estúpidez minha te tinha perdido deixou-me lixado, a noite do baile foi única não por ter sido a minha primeira vez mas sim por ter percebido que afinal não te era indiferente.
- Como é que percebeste?
- Talvez pela forma como esperaste por mim… Mariana naquele momento confesso que não percebi talvez por estar com a cabeça a mil e preocupado em não falhar mas a verdade é que naquela noite não procuraste a tua satisfação mas sim a minha - olhei-o surprrendida - não faças essa cara… amor já te tinha ouvido falar de sexo com as raparigas por isso tinha assim uma pequena ideia dos teus limites logo sei que não andei perto... mas mesmo assim não te importaste, naquela noite fizeste-me sentir único ao estares só preocupada em diminuíres ao máximo os meus nervos que como deves calcular eram mais que muitos, isso fez-me perceber mais tarde que talvez tivesse sido especial para ti também, mas quando percebi já era tarde ou pelo menos sempre pensei que fosse, sabia que tinhas regressado à vida que levavas antes de te ter conhecido e isso fez-me colocar uma pedra sobre o assunto, foi a partir desse momento que decidi gozar a vida, aproveitar ao máximo o facto de ter raparigas atrás de mim para tentar esquecer-te mas a verdade é que nunca consegui e isso magoava-me porque fizesse o que fizesse no fim era em ti que pensava, eras tu que desejava, era contigo que queria estar a experimentar todo um conjunto de sensações, emoções e mesmo posições, era contigo que queria ter evoluído nesse sentido e não com uma rapariga diferente todas as noites, andei meses nesta vida até que acabei por cair na estupidez de escolher a Ana como vitima... sei que a magoei e muito, hoje arrependo-me mas naquela altura não pensei o quanto as minhas atitudes podiam magoá-la.
- E apesar disso tudo nunca pensaste em procurar-me?
- Pensei... pensei tanta vez nisso mas coragem para o fazer nunca tive.
- Porquê?!
- Oh Mariana porque não sabia o que iria encontrar... não tinha a menor ideia se irias querer falar comigo mas principalmente porque tinha medo...
- Medo?!
- Sim... medo... medo do nosso reencontro, medo de não conseguir dizer-te o que queria, medo de te encontrar com alguém, só a ideia que pudesses ter namorado assombrava-me, preferi ser cobarde do que apanhar-te nos braços de outro... aí sim não me perdoaria nunca...
- Explica-me só mais uma coisa - o Ruben olhava-me de uma forma que estava a desconcentrar-me, talvez pelos seus olhos espelharem sinceridade - porquê que no dia que nos reencontramos naquele bar reagiste daquela forma? Foste um autêntico filha da mãe para não dizer outra coisa...
- Fui? Engraçado só te respondi no mesmo tom de provocação... Mariana o problema não foi o que disse ou fiz mas sim o facto de pensares que irias encontrar o mesmo Ruben que tinhas deixado em Lisboa anos atrás... Reagi daquela forma porque foi a única que encontrei para proteger-me, apesar de querer muito estar novamente contigo também tinha noção que se o fizesse o mais provável era magoar-me.
- Porquê que tivemos de ser tão complicados?! Perdemos anos...
- Não penso assim - olhei-o sem entender o que queria dizer - amor se passamos por isto tudo talvez tenha sido porque precisámos de crescer separados para agora dar-mos valor ao sentimento que nos une, afinal loucos como somos talvez se fossemos pelo caminho “normal” aquele em que iniciássemos um namoro na adolescencia hoje não estaríamos aqui porque não teríamos a maturidade que temos, não iríamos dar valor ao que construimos porque simplesmente não saberíamos o que é não ter nada e desejar tudo.
- Ohh mas ainda hoje somos tão imaturos...
- Achas?
- Não acho... tenho a certeza! Ruben se tivéssemos aprendido alguma coisa com estes anos de ausência não nos teríamos divorciado à primeira contrariedade, não teríamos deixado a gravidez da Maria interferir na nossa vida e muito menos teria deixado que viesses para Braga sozinho...
- Pois... talvez tenhamos errado se virmos as cenas por esse prisma  mas se olhares para o resto verás que crescemos... onde é que está aquela Mari que só queria sexo? Onde está a miúda que via nos rapazes objectos de prazer? Onde está aquela que enchia a boca para dizer “Casar e filhos nem pensar” Mas principalmente onde está aquela mulher que ao inicio fugiu de mim porque tinha noção que o sentimento que nos une é demasiado forte e que por ter medo de se magoar preferiu fugir?
- Isso não invalida tudo o que falei... a verdade é que fomos dois putos ao recusarmos lutar pelo nosso casamento.
- Amor só não somos casados no papel porque realmente fomos putos e mais uma vez imaturos mas não digas que não lutamos, isso não é verdade, tanto que não é que hoje estamos aqui e vamos ser pais, Mariana sempre falaste que o casamento não é mais que um contrato...
- Pois... mas falhamos.
- Queres casar de novo, é isso? - baixei o olhar - Amor... Mariana não é vergonha admitires que mudaste de opinião e se for realmente importante para ti oficializarmos a nossa relação então terei todo o gosto de o fazer mas se o fizermos desta vez não será como dois fugitivos - olhei-o - amor se assinarmos novamente os papeis terá que ser algo feito com cabeça tronco e membros, primeiro porque quero, segundo porque as nossas famílias nunca nos perdoariam se voltássemos a casar sem a presença deles e terceiro porque nós merecemos de uma vez por todas algo dito “normal”, por isso pensa e se quiseres casar são estas as condições.
E agora o que dirá a Mariana?
Aceitará ela as condições do Ruben?
E se aceitar para quando será o casamento?
E o que dirá o Sr. Manuel...