terça-feira, 23 de abril de 2013

075- olha que se fosse aqui o pai dele os joelhinhos já tinham berrado!

(Ruben)

Assim que a Mariana foi até à outra sala a Ana olhou-me.
- Nem me digas nada... - sorriu - Ainda agora está no início e já estou a desejar que os nove meses passem depressa...
- Está assim tão complicado?
- Ohh... a Mariana no seu estado normal por vezes já é difícil de se aturar, então grávida anda insuportável, ainda assim tento ignorar certas coisas que diz e faz para não nos chatearmos.
- Não queres dar mais detalhes? - olhei-a - Talvez possa ajudar em alguma coisa...
Teria desabafado se a Mari não regressasse e por sinal aborrecida porque a Ana estava a levar muito tempo.
- Calma... vamos já fazer a eco!
A Ana encaminhou-se para a tal sala e assim que a Mari se deitou na maca colocou de imediato o gel na sua barriga.
A vontade em aproximar-me da Mari e lhe dar a mão foi enorme mas controlei-me pois não queria irritá-la, algo que a Ana estranhou e por isso...
- Não te aproximas?
- Posso? - perguntei a olhar para a Mari.
- Mas vocês estão parvos?! - olhámos para a Ana - Só falta dizerem que estão chateados um com o outro...
- Antes estivesse chateada com ele - a Mari resmungou o que fez com que gargalhasse
- Importam-se de explicar o que se passa?
- O que se passa? É isso que queres saber? Então o que se passa é que quero saltar-lhe para a espinha e o Ruben não deixa - a Mari atirou de rajada o que provocou uma enorme gargalhada à Ana - é continuem a gozar com as vontades de uma grávida... tem uma piada louca!
- Está tramado - a Ana olhou-nos à vez - é melhor começares a tomar uns suplementos alimentares ou ainda vais parar ao hospital... - interrompeu a Ana afinal o que falou deve ter sido como música aos seus ouvidos.
- Isso quer dizer que posso fazer sexo?! - a forma e tom que perguntou fez a nossa amiga gargalhar.
- Estás assim tão desesperada?
- Aiiiiiiiii responde à pergunta que fiz! - a Ana olhou-me e sorriu quando simplesmente abanei a cabeça da esquerda para a direita.
- Já me aconteceu muita coisa... mas juro que uma grávida desesperada por sexo nunca me tinha passado pelas mãos - gargalhou novamente - amiga... sabes que normalmente as futuras mamãs quando se deitam nesta maca estão preocupadas é em ver os seus bebés e em saber se está tudo bem - a Mari interrompeu-a
- Mas eu não sou normal - bufou - vocês já deviam saber disso! E sim o Ruben deixa-me desesperada só com um simples toque por isso para bem da minha sanidade mental tu diz-me que posso usá-lo à vontade!
Se a Ana gargalhou prazerosamente eu se tivesse um buraco tinha-me enfiado nele, sei que é nossa amiga e que conhece a Mari mas juro que naquele momento em que a Mariana falou senti-me um peixe fora de água tal foi a vergonha que senti perante o descaramento dela.
- Animação não vos falta e por este andar Braga ainda vem a baixo nos próximos meses - a Mariana revirou os olhos - mas deixemos a conversa e vamos ao que interessa...
A Ana concentrou-se no seu trabalho e ao contrário do que esperava a Mariana esticou o braço na minha direcção, percebi que me queria do seu lado e por isso aproximei-me, demos as mãos e foi assim que vimos o nosso bebé.
- Está tudo bem? - a Mariana perguntou talvez por a Ana não falar nada.
- Está - sorriu e explicou-nos tudo o que estava a ver mas sem nunca falar aquilo que queria ouvir por isso acabei por perguntar
- É só um?
- Estás a pedi-las - olhei para a Mariana - ai estás... estás!
- Continuas a não querer gémeos? - a Ana perguntou enquanto movimentava a cena que nos permitia ver o bebé no monitor - Mariana não faças disto um drama, amiga uma gravidez dupla não é um bicho de sete cabeças...
- Pois não é de DUAS! - foi impossível não gargalhar com a resposta da Mari mas assim que a Ana parou de percorrer a sua barriga com aquela cena e concentrou-se novamente no monitor perdi a vontade de rir ao ver as lágrimas a formarem-se nos olhos da Mariana.
- Amor - olhou-me e ao contrário do que esperava vi um sorriso tímido lhe surgir no rosto.
- Confirma-se - olhamos os dois para a Ana - são mesmo dois.
Fiquei sem reacção, é verdade que já esperava tal confirmação mas o facto de não saber se a Mariana iria aceitar numa boa fez com que ficasse meio bloqueado e acabei por acordar para a realidade quando ouvi a Mari.
- Já que são dois - olhei para a Mariana que sorria maquiavelicamente - só espero que sejam gajas pelo menos seremos três para azucrinar-te o juízo - a Ana gargalhou, só não sei se foi pelo que a Mari falou ou se pelo puxão que me deu na camisola obrigando-me a baixar de forma a conseguir beijar-me - e tu pára de rir ­- falou para a Ana assim que separamos as nossas bocas - porque acabaste de ganhar uma afilhada.
- Pois fica a saber que serei uma madrinha super babada mas principalmente feliz - olhamo-la já que estávamos novamente concentrados um no outro enquanto a Ana limpava a barriga da Mariana - vocês merecem tudo de bom e a vinda destes dois bebés irá contribuir e muito para isso.
- Só espero que corra tudo bem...
- Amiga vai correr desde que te comportes com juízo pode bem ser uma gravidez normal.
- Isso quer dizer que posso voltar a fazer a minha vida normalmente?
- Vamo-nos sentar para falarmos sobre isso - a Mariana suspirou mas acatou o pedido da Ana e fomos até à sua secretária onde nos sentamos nas cadeiras à sua frente - Mariana lógico que uma gravidez dupla tem um risco associado maior mas não é sinónimo de que corra menos bem, tens de ter um acompanhamento diferente e cuidados redobrados mas não é impedimento de continuares normalmente com a tua vida, tens que te mentalizar que a palavra MODERAÇÃO terá que estar SEMPRE presente mas podes voltar a “usar” o Ruben - a Mariana gargalhou só não sei se foi pela escolha de palavras da Ana ou se pela notícia que tanto queria ouvir - como também podes regressar ao trabalho mas atenção ao mínimo sinal de cansaço terás de abrandar, nestas primeiras semanas é natural que te sintas exausta por isso é essencial que percebas os teus limites, só assim é que te deixo retomares a tua vida normalmente, amiga essa ideia de que aguentas sempre mais um pouco não é verdade e agora tens duas vidas a dependerem de ti...
- Ana - a Mariana interrompeu-a e perguntou algo que surpreendeu - se não me conhecesses de lado nenhum aconselhavas-me a voltar a trabalhar?
- Tudo o que falei foi como médica e não como amiga! Mariana coloquei-te de repouso durante estas semanas porque estavas mesmo a precisar de descanso mas principalmente por haver a hipótese de serem gémeos, nestas primeiras semanas o risco de perder um ou até os dois é maior por isso quis que abrandasses mas desde que cumpras tudo o que te recomendar e que não haja alteração no teu quadro clínico podes continuar com a tua vida normalmente.
- Isso também se aplica a - a Mariana olhou-me o que foi suficiente para a Ana gargalhar - não gozes - o meu amor ficou ligeiramente envergonhada - vocês riem porque nem vos passa pela cabeça a vontade que tenho...
- Essa vontade toda é normal ainda mais em ti que nunca escondeste que gostas de sexo e agora com as hormonas é provável que um simples toque do Ruben te desperte desejo como também é perfeitamente normal que te apeteça e quando tiverem para consumar o acto te passe a vontade e que deixes o Ruben literalmente na mão...
- Shiii isso se acontecer aviso já que a culpa é das tuas filhas que ainda não sabem o que é bom - a Mariana atirou de rajada o que fez com que risse - ri-te... ri-te... quando elas te deixarem na mão depois choras...
- E se for meninos? - meti-me com ela mas arrependi-me imediatamente ao ver o seu olhar preservo
- Se forem meninos só prova que serão como o pai deles... uns putos envergonhados que só irão acordar para a vida quando encontrarem alguém que os desemburre - a Ana gargalhou.
- Piada...
- Piada?! Nah... verdade verdadinha... e como não quero que as meninas ou os meninos herdem uma costela do pai no que toca a este assunto mentaliza-te que vamos ter que exemplificar muitoooooooo bemmmmmmmm como se faz...
- Mariana cala-te!
Enquanto estava a ficar sem jeito a Ana e a Mariana gargalhavam que nem duas loucas mas lá se controlaram quando perceberam que não estava a achar piada e por isso pararam de rir. Os minutos que se seguiram foram para a Ana nos dar mais algumas indicações e para nos despedirmos dela. Saímos do seu gabinete encontramos a Maria, lógico que as Mendes deram logo estrilho mas pior ficou quando a Ana se juntou, acabei por tirar uma foto das três para no fim despedir-me delas, afinal tinha dito ao João que o ajudava a preparar a surpresa da noite...

(Maria)
Mas em compensação encontrei várias piadinhas sobre o João, principalmente entre o pessoal do escritório que pararam no exacto momento em que usei de uma “arma baixa”
- Vocês são todos muito engraçadinhos, mas esquecem-se que estão a falar do pai do meu pipoquinha e que ele não está a gostar de ouvir!
Foi o suficiente para que tudo passasse a ser apenas “história”.
Os dias seguintes foram mais do mesmo, trabalho-casa-trabalho alternadas por vezes com algumas visitas aos avós de ambos os lados e foi assim que cheguei ao aniversário do João. Como este calhou a uma segunda-feira e com a devida autorização do “boss” meti a sexta e a segunda de férias e tencionava partir rumo a Valência, mas ainda passei pelo consultório da Ana de forma a garantir que era segura a viagem uma vez que já me encontrava com 29 semanas
- Bons olhos a vejam! O que a trás por cá fora das consulta de rotina?
- O João faz anos na segunda...
- E agora uma novidade!
- Estava a pensar ir até lá... amanhã!
- Ah prenda de anos para o papá? - disse a rir
- Sim, mas preciso da tua autorização
- Gostei! Muito consciente sim Sra.... anda vamos ver como está o pipoquinha!
Segui com ela para a sala de Eco depois dos exames mais simples, como medição de tensão e peso das perguntas de “praxe”
- Ora muito bem... temos aqui um rapagão com 1,148 e com 37 cm
- E o rapagão pode ir de avião ver o pai?
- Não! - olhei-a assustada - Deve! - disse a rir - porque tanto o papá como a mamã estão mortinhos de saudades certo?
- O papá não sei... mas eu... ai que saudades de dormir enroscadinha! - falei a suspirar - dos miminhos e das conversas “de homens” e... bem tenho de ver se me dão uns apetites jeitosos!
- És terrivel!!! Mas vá... vai lá preparar as coisas para a viagem que pelo o que o Fábio me falou o João anda impossível que só fala nas saudades da Mariazinha e do campeão! - senti um sorriso parvo nascer-me no rosto
- É... é uma saudadezinha lixada... mas vou sim! Beso Tia Ana
- Besazo Campeon!
Sai do consultório da Ana directa para o aeroporto e quando lá ia a chegar recebo o uma chamada do

(João)
- Olá papá!
- Olá amor! Onde é que tu pensas que vais?
- Eu?! - fiz-me de desentendida como é que ele saberia?! - eu fui a uma consulta com a Ana e agora vou para casa porquê?
- A uma consulta com a Ana e nem dizes nada? É bom que fiques em casa e não te armes em engraçada e passes pelo aeroporto antes de chegar aqui
- Mau! Mas o que é que se passa?
- Não de faças de desentendida! Amor prometi aos meus pais que passava ai o dia de anos por estar de folga por isso não venhas! É desnecessário fazeres esta viagem...
- Oh...
- Nem oh nem meio oh Maria...
- Mas eu...
- Adorei saber da surpresa, mas fiquem ai a sério! Eu já-já estou ai também!
- Podias ter avisado logo...
- Oh fofa não precisas ficar assim...
- Eu não fiquei de maneira nenhuma!
- Tás amuadinha que eu sei!
- Querias o quê?
- Vá ‘mor eu tou já a chegar! Agora tenho de desligar que vai começar o treino, beijo!!!
- Beijo enormeeeeeeeeeeeee!
- O meu é maior!
- O meu é que é mais grande que é tamanho de dois!
Ouvi-o rir e desligamos, fiquei a matutar em quem o teria avisado que eu ia, mas acabei por esquecer o assunto assim que cheguei a casa e resolvi dormir umas horinhas, horinhas essas que passaram a ser toda a noite já que só acordei no sábado de manhã.
Estava completamente à nora, não tinha nada para fazer já que tinha toda a minha vida planeada para estar em Valência e não em Lisboa por isso acabei por ficar a preguiçar.
Quando dei por mim estava a pensar nas conversas que tenho tido com o João sobre o local onde morar com o nascimento do Guilherme.
Acabei por pegar no portátil e começar uma pequena pesquisa em sites de imobiliárias daquela que iria ser a prenda de aniversário do João.
O domingo foi o tipico “lazy day” em que a tarde foi passada no sofá a ver aquelas comédias românticas que normalmente dão ao domingo na tv e ao fim do dia o jogo do João. Ainda pensei ficar acordada até às 23h, 0h em Espanha, ou às 0h portuguesas para ser a primeira a dar-lhe os parabéns, mas não consegui cai ferrada no sono assim que o jogo terminou.
Segunda feira, dia de aniversário do João acordei animada olhei ao relógio e vi que ele deveria estar a chegar ao aeroporto, mas tinha coisas combinadas e não poderia falhar se lhe queria dar mesmo a prenda de anos que tinha planeado no sábado.
Sai de casa em direção a casa dos meus pais onde tomei o pequeno-almoço e onde acabei por almoçar assim que tive ordem de liberdade liguei finalmente ao João, o telefone ainda demorou algum tempo para que atendesse
- PARABÉNS!!!!
- Obrigado! Acordaram agora foi?
- Nop já almoçamos em casa dos avós e agora vamos raptar a madrinha para passear connosco e aproveitar que ela está por cá!
- Ah e só te lembraste de mim agora foi?
- Achas?! Mas era cedo e devias estar em viagem e depois em casa dos meus pais perdi-me nas horas... onde estás?
- Em casa dos meus pais, vais ter com a Mariana? E eu?
- Então tu... oh João sei lá o que não te deve faltar é o que fazer! Mas posso ir ter contigo ao fim da tarde para te ajudar com o jantar...
- Não!!!!!! - ele respondeu muito aflito o que estranhei, mas como não sabia quanto tempo iria necessitar de tarde agradeci e nem liguei muito - Deixa lá isso! Vai com a tua prima... diverte-te e depois encontramos-nos às 20h lá em casa
- Ok... beijo!
- Beijo 
Terminei a chamada e arranquei em direcção ao consultório da Ana onde raptei a Mariana à saída da consulta e ao contrario do que esperava o Ruben agradeceu-me
- Surpresa!  - disse assim que a vi sair
- Prima! - foi impossível não nos abraçarmos que nem loucas e mimar-mos a barriga uma da outra
- Oh que lindo!  - o Ruben ria - Reencontro da família Mendes!
- Olá para ti também! - cumprimentei o Ruben com os dois beijinhos da praxe - Faz um favor aqui ao teu afilhado e tira lá uma foto a nós! - passei o meu telemóvel ao Ruben e nesse momento aparece a Ana o que foi óptimo para ficarmos todas na foto, quando voltei a ter a posse do telemóvel de imediato partilhei-a e aproveitei para espicaçar a Ana e o Fábio
Depois de mais uma troca de palavras animadas
- Aninha ainda tens muitas consultas?
- Não, acabaram de desmarcar a próxima que era a ultima
- Optimo preciso da vossa ajuda!
- Da nossa ajuda? Para quê? Eu tenho fome!
- Eu também prima por isso vamos até ao café que eu vou-vos contando
- Vou só despir a bata
Ana foi buscar as coisas dela e quando chegamos ao café
- Vá tu desembucha lá que o teu afilhado está a ficar inquieto!
- O João tem andado a dar-me cabo da cabeça porque não concorda que eu fique lá em casa - a Mariana fez um ar indignado - e eu concordo com ele - fiz eu uma cara de enjoada - porque não tem sentido continuarmos a dividir a casa as duas quando já não somos só nós e também não temos espaço para todos...
- É lá nisso... - disse a Ana como que concordando
- Mas eu agora tou em Braga...
- E quando voltares prima? Vamos tar os 6 no apartamento? E podemos andar à vontade, mais ou menos despidos com os outros em casa? E os miúdos, dividem o mesmo quarto?
- Lá isso é verdade, não te quero a pavonear em lingerie em frente ao Ruben! - falou bastante exaltada já acabando depois por rir - mas para estares com essa conversa é porque já decidiste ceder ao João só resta agora dizeres que vais para Valência!
- Maria tu vais para lá?? Diz-me que só vais depois de ser eu a fazer o parto do Guilherme!!
- Calma suas loucas! Não vou nada para Valência! E também não te quero a pavonear em frente ao João - esclareci a minha prima - a minha ideia é mesmo comprar uma casa que será a NOSSA casa! - ouvias fazer um “uhhhh” conjunto - e no sábado como não tinha nada para fazer fiz uma pré-selecção e cheguei a dois locais que para mim são perfeitos e é ai que entram preciso da vossa ajuda para escolher um dos dois para fechar negócio antes do jantar para poder oferecer ao João esta noite! 
- Isso não devia ser o João a fazer contigo?
- Devia Ana, mas assim perdia a piada!
- Então e onde é que são esses locais?
- Vamos? - levantei-me e paguei a conta e elas seguiram-me, no caminho o assunto mudou para outros temas, como as gravidezes, a vida da Mariana por Braga e a tentativa de convencer a Ana a “juntar-se a nós” - Chegamos ao primeiro!
- Prima isto eu ainda não vi dentro mas só o local é a tua cara!
- Concordo amiga
Estávamos no Alto de Santa Catarina, e de imediato encontrei o agente imobiliário que nos mostrou todo o condomínio e a quem fiquei de dar uma resposta mais tarde
- Então o que acharam? - perguntei assim que entrei no carro e elas foram dando as suas opiniões quase todas positivas - E aqui está o segundo! - tínhamos acabado de chegar a um novo condomínio no Parque das Nações (http://www.condominiometrocity.com), vimos todos os detalhes dos apartamentos e dos loft’s e no final fomos até uma das esplanadas do Parque - Então meninas que me dizem?
- Ai Maria eu gosto dos dois!
- Grande ajuda Ana!
- Oh...
- Prima eu gosto dos dois, mas este ganha por dois motivos 1º eu vou comprar a tua parte da nossa casa por isso aqui ficas pertinho! - disse a rir - 2º acho que este tem uma localização melhor para o Guilherme crescer com muito espaço ao ar livre para brincar...
- É dois pontos bastante importantes! Concordo com a tua prima!
- Está escolhido! - acabei de falar e liguei para os agentes imobiliários e em minutos estava novamente com o segundo com quem fechei todos os trâmites legais necessários ficando logo com as chaves. - bem e agora é hora de tomar um duche e preparar para os anos do papá!
- É eu também estou no ir que combinei com o Fábio lá em casa para irmos juntos! Beijos Beijos! - a Ana acabou por nos deixar
- E nós vamos às compras! Para preparar os anos do meu Compadre!
- Compras?!
- Sim uma roupinha toda txaran! 
- Oh prima!
- Nem prima nem meio prima! Bora!!
Acabei por ceder e passamos umas horas de volta de tudo quanto era loja de pré-mamã e puericultora
- Mas tu importas-te de explicar o porquê de toda esta produção?
- Então o teu “homem” e o papá da pipoquinha faz anos e é o jantar/festa dele não queres ir toda escrafelosa?
- Oh é só um jantar com o pessoal mais próximo...
- Isso é o que vamos ver...
- O que é que tu sabes?
- Eu nada! Estás pronta? Podemos ir?
- Sim...
Fui no meu carro e quando estávamos a estacionar o João já estava na entrada do prédio
- Amor!!!!!!! Parabéns!!! - joguei-me nos braços dele e dei-lhe uma enorme beijo que me despertou para outros desejos
- Eish!!! Que animação! Devia fazer anos todos os dias!- falou enquanto acariciava a minha barriga
- Tens cá umas razões de queixa!
- Queixas não tenho, mas saudades...- falou com um sorriso de canto
- Piadinha! A minha prima? 
- Deve ter-se assustado com a tua entrada! E foi ter com o Ruben... Mas vamos lá entrar! - o João não estava normal, algo nele estava inquieto
- Mau?! Que falta de luz é esta? E este silêncio? Ainda não chegou ninguém? O Ruben e a minha prima?
- Vamos... - falou calmamente enquanto me dava a mão e me encaminhava para dentro de casa e assim que chegamos à porta da entrada vi algumas velas no chão
- Que decoração é esta? - ele não respondeu e continuou ao longo do corredor e a decoração também - Oh João importas-te de me dar uma resposta? - parei a meio do corredor, não ouvia qualquer som naquela casa, e as luzes estavam todas apagadas apenas se via com a pequena luminosidade das chamas das velas, o João voltou a não me responder apenas me puxou pela mão e eu continuei atrás dele até chegas à sala onde vi algo que me deixou completamente sem palavras escrito com velas estava “CASA COMIGO?” e no momento em que entramos o João ajoelhou-se e tirou uma caixa do bolso e abriu-a tirando um anel lindo

que ficou a segurar enquanto esperava uma resposta. Que demorou já que eu não cosegui dizer palavra, até que
- Oh Maria importas-te de dar uma resposta ao desgraçado? É que o teu afilhado está em pulgas e olha que se fosse aqui o pai dele os joelhinhos já tinham berrado! 
Quando a Mari falou é que percebi que já não estávamos sozinhos e que tinha toda a familia e amigos a olharem-me, claro que a resposta só poderia ser uma, mas decidi que se o pedido foi feito sem um unico som a resposta também assim seria ou pelo menos sem um unico som saido da minha boca. Peguei no telemóvel e depois de procurar na minha playlist coloquei no play quando encontrei

Sim

Tudo sempre foi sobre mim, eu e eu mesma
Eu pensava que relacionamentos não eram nada além de um desperdício de tempo
Eu nunca quis ser a outra metade de alguém
Eu estava feliz dizendo que nosso amor não ia durar
Esse era o único caminho que eu conhecia até te encontrar

Você me faz querer dizer sim, sim, sim, sim sim sim sim sim sim sim
Yeah, sim, sim, sim, sim, sim sim sim sim sim sim

Porque todas as outras vezes foram algo como
Talvez sim e talvez não
Eu posso viver sem isso, eu posso deixar pra lá
Ooh, no que foi eu me meti

Você me faz querer dizer sim, sim, sim, sim, sim, sim

Diga-me, sou só eu?
Você sente o mesmo?
Você me conhece bem o suficientemente para saber que não estou fazendo joguinho
Eu prometo que não vou voltar atrás e que não vou te magoar
Você pode confiar que eu nunca me senti como eu me sinto agora
Meu amor, não há nada, não há nada que não possamos aguentar

Então podemos dizer
Sim, sim, sim, sim sim sim sim sim sim sim?
Oh baby, sim, sim, sim, sim, sim sim sim sim sim sim

Porque todas as outras vezes foram algo como
Talvez sim e talvez não
Eu não vou viver sem isso, eu não vou deixar pra lá
Wooh eu posso fazer parte disso?

Você me faz querer dizer
Conhecer minha família, como é sua família?
Ooh, podemos ser uma família?
E quando eu for bem velhinha, vou estar sentada ao seu lado
E vamos nos lembrar de quando dissemos

Sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim
Oh baby, sim, sim, sim, sim, sim sim sim sim sim

Por que todas as outras vezes foram algo como
Talvez sim e talvez não
Eu não vou viver sem isso, eu não nos deixarei passar
Olha só no que foi que a gente se meteu

Você me faz querer dizer sim, sim, sim, sim, sim, sim
Eu te amo

Como correrá o resto do jantar?
E os próximos tempos das primas Mendes?









segunda-feira, 8 de abril de 2013

074 - "... Se não queres sexo é bom que não te aproximes..."


Maria
Infelizmente a ida ao Norte acabou por ser útil em termos profissionais (para mim) já agradável nem tanto uma vez que o jogo acabou com uma derrota da Selecção Nacional contra um adversário que não se poderá considerar “difícil” e ainda com uma exibição, no mínimo, menos conseguida por parte do João que acabou mesmo por marcar um autogolo.
Confesso que ao final do jogo estava um bocadinho azeda, mas ninguém deu muita importância já que a culpa seria certamente do Guilherme. Guilherme que foi mesmo o tema central das conversas ao intervalo, aliás ele e a ausência do Ruben e da Mariana que foram bastante comentadas.
O João demorou imenso tempo a sair do balneário e adivinhava-lhe uma azia tão grande ou maior que a minha, mas para meu espanto quando finalmente deu o ar da sua graça vinha calmo, acenou a alguns adeptos ainda presente e dirigiu-se até ao carro sem dizer uma palavra tirou-me a chave da mão enquanto eu falava com a Jéssica e o Eduardo e como já tinha percebido que a troca de palavras entre ambos depois do golo tinha sido “feia” não disse nada. O João guardou a mala no porta-bagagens e voltou até perto de nós entrando na conversa e deixando-me perceber que afinal não tinha passado de uma jogada infeliz de ambos. Falamos ainda alguns minutos sobre a vinda do Guilherme e a nossa reconciliação, mas acabamos por nos despedir.
Seguimos para o carro em silêncio o João sem hesitação ocupou o lugar do condutor e eu para o do pendura agradecendo ele não se importar de conduzir visto que já tinha algum sono. Fizemos assim em silêncio os primeiros metros do caminho que nos levaria até ao hotel onde passaríamos a noite, até que ao ligar o rádio ouvimos alguns comentários sobre o lance do jogo, o João de imediato desligou-o e eu tive de perguntar
- Queres falar?
- Não tenho nada a dizer! - tirou os olhos da estrada para me olhar enquanto me acariciou a barriga - Lances infelizes acontecem a todos e felizmente não foi por este erro de perdemos a final do Campeonato do Mundo...- sorri ao ouvi-lo tão calmo já que há uns anos seria motivo para praguejar este mundo e o outro e não resisti a mais uma daquelas que posso chamar “saídas à Maria” ou seja a piada mais “macabra” no momento menos provável
- É verdade... - falei enquanto colocava a minha mão sobre a sua cocha direita - além de que se tivesse rematado para a baliza certa... - ele olhou-me serio já que tínhamos chegado ao destino e ele já deveria esperar o que dali vinha - bem se fosse na baliza certa tinha sido um golaço!!!! - ainda o vi “endurecer” a expressão, mas acabou por gargalhar
- Só tu!!
- É verdade! Que nós vimos! - fiz um ar ingénuo
- Vamos?
Saímos do carro e sem grandes demoras dirigimos-mos ao nosso quarto onde depois de “pijaminhas” vestidos acabamos por adormecer bem agarradinhos.
O dia seguinte foi de despedida, o João voltou para Valência e eu para Lisboa onde já não encontrei a minha prima.

Ruben
Depois da conversa sobre o passado que terminou com o meu pedido para que a Mari pense bem sobre o assunto casamento fomos para a cama.
Acordei preocupado com a ideia da Mariana ficar sozinha durante o tempo que estiver no treino mas disfarcei de forma que não percebesse, tomei o pequeno-almoço com a Mari e depois segui para o estádio.
- Ruben! - olhei para trás quando já estava a entrar no balneário e esperei pelo Hugo - Está tudo bem?
- Sim...
- Ficámos todos preocupados com a tua saída intempestiva da concentração da seleção...
- Pois... tive um assunto urgente para resolver.
- Mas agora já está tudo bem, certo? Desculpa estar a insistir mas como saíste daquela forma com o João e quando ele regressou vinha sozinho e com a novidade que já não regressavas mas sem dar nenhuma explicação lógica, o pessoal ficou preocupado.
- Pois... - olhei-o e ao perceber que estava verdadeiramente preocupado - não quero alongar-me no assunto, pelo menos por agora, mas podes ficar tranquilo que já está resolvido.
O Hugo já não insistiu e acabamos por entrar no balneário, onde acabei por ser novamente questionado pelos outros que também foram à seleção e para acabar de uma vez com o assunto.
- Agradeço a vossa preocupação mas neste momento não quero falar sobre o assunto, até porque envolve outras pessoas e prefiro não comentar.
Eles compreenderam e não insistiram mais no assunto no entanto no final do treino pedi para falar com o treinador, onde o informei da gravidez da Mari uma vez que preciso da sua autorização para ausentar-me dos treinos de forma a poder acompanhá-la nas consultas, o mister compreendeu mas avisou-me que quanto ao falhar os treinos só na altura é que autoriza ou não consoante os dias, lógico que percebi e nem reclamei pois sei que tenho obrigações a cumprir.
Regressei a casa e encontrei a Mari deitada no sofá a ver televisão e por sinal aborrecida, por isso acabei por convidá-la para almoçarmos fora, algo que aceitou e desta forma espaireceu.
Aproveitei que não tinha treino de tarde para mimar a Mariana, passamos a tarde no sofá a ver filmes ou melhor a fingir que víamos dado que a maior parte do tempo foi usado para trocarmos mimos.
***
Os dias foram passando connosco a tentar lidar com os níveis de ansiedade da melhor forma possível, afinal a cada dia que passa estamos mais próximos de descobrir se serão um ou dois bebés e isso sim anda a deixar a Mari nervosa, ela continua em negação por muito que tente abordar o assunto e fazê-la cair na realidade não consigo porque simplesmente se recusa a falar sobre o tema.

Mariana
Se por um lado estes dias têm sido aborrecidos por estar obrigada a repouso por outro têm sido maravilhosos, ter os mimos do Ruben só para mim é algo que agrada-me cada vez mais, reconheço que há dias em que estou impossível de aturar e mesmo assim o Ruben tem uma paciência de santo para aturar-me.
Com o avançar dos dias a ansiedade tem aumentado e ter a consciência que o momento da confirmação se é um ou dois bebés está cada vez mais perto tem contribuído para andar mais irritada, algo que se torna cada vez mais difícil de disfarçar e hoje com a nega do Ruben durante o nosso duche ainda agravou mais a minha neura.
Estava a aboborar na sala quando ouvi a campainha, achei estranho pois não esperava ninguém mas assim que olhei pelo intercomunicador um sorriso surgiu no meu rosto.
- Oi - falei algo surpreendida por ver o Mauro, a Paula e o sobrinho do Ruben.
- Está tudo bem? - o Mauro perguntou talvez pela minha falta de reação.
- Sim... entrem - desviei-me para que pudessem entrar.
- Está mesmo tudo bem?
- Sim... desculpem mas fiquei surpreendida por vos ver.
- O meu irmão não te avisou que vínhamos?
- Não... deve ter-se esquecido - falei já sentada no sofá e com o pequenino ao colo.
- Mas se tivermos a incomodar... - interrompi a Paula
- Hey deixem-se disso, vocês nunca incomodam e até é bom que tenham vindo assim tenho com quem me entreter - falei enquanto mimava o sobrinho do Ruben - mas vão ficar cá muitos dias?
- Não, viemos só ver o jogo.
A conversa continuou, almocei com eles e no fim segui para o estádio. Assim que entramos no camarote, o Mauro juntou-se ao Hugo, que hoje não jogava, enquanto eu e a Paula nos fomos sentar.
- Está tudo bem convosco? - olhei-a - Desculpa estar a perguntas mas achei estranho o Ruben não te ter dito que vínhamos.
- Sou só eu que ando um bocado irritadiça e até mesmo parva - baixei o olhar ao admitir que neste caso a culpa é minha uma vez que o Ruben tudo tem feito para melhorar o meu humor.
- Isso é normal nestas primeiras semanas - olhei-a novamente - o Mauro contou-me - baixei o olhar - Mariana, vais ver que te habituas, isso são só as hormonas a falarem.
- Ohh mas até habituar-me... - calei-me o que fez a Paula falar.
- O Ruben não tem outro remédio que é aguentar - sorriu.
- E se não aguentar? O Ruben pode fartar-se... sei que não sou propriamente meiga quando estou aborrecida...
- O Ruben ama-te como nunca amou ninguém por isso acredita que o rapaz aguenta o teu mau feitio e muito mais.
- Não sei...
- Ai essas hormonas que andam mesmo descontroladas - sorriu - porquê que não planeias um fim-de-semana a dois? - olhei-a - Vais ver que te passa logo essa insegurança toda - gargalhou talvez pela cara que fiz - Mariana sossega porque se há coisa que o Ruben já aprendeu foi a dar valor à vossa relação por isso acredita que irá suportar todos os dias em que acordares com os pés do lado de fora.
A conversa continuou mas para ser sincera pouco adiantou porque as dúvidas mantiveram-se, acabamos por nos calarmos porque vi a Raquel a aproximar-se de nós. As conversas seguintes foram sobre diversos assuntos, sinceramente entretive-me mais a “dar à língua” do que a ver o jogo e no final não levou muito tempo a começar a resmungar porque o Ruben nunca mais aparecia, esperei e desesperei, acabei mesmo por deixar o Mauro no estádio e segui até casa com a Madalena e o menino.

Ruben
Hoje a Mari acordou híper bem-disposta, tanto que quem pagou a fava fui eu ou não fosse o meu amor se ter enfiado no duche comigo, a Mariana passou-o todo nitidamente a provocar-me, não sei o que estava a passar naquela cabeça, só sei que tive que controlar-me ao máximo para não ceder à provocação mas acima de tudo às saudades que já tenho de a sentir, afinal desde que a Ana nos avisou que o melhor seria evitarmos certo tipo de exercício até ordens em contrário não o voltamos a fazer, mas hoje a Mari parece que acordou com vontade de infringir esse conselho, o que fez com que fosse o mau da fita e ao negar-lhe o que tanto queria tive que aturar logo de seguida uma birra descomunal que durou até sair de casa.
Durante o dia não falei mais com a Mariana, afinal tinha noção que se lhe ligasse o mais provável era ouvi-la a mandar-me para um sítio nada bonito e como sabia que iria estar acompanhada pelo meu irmão e pela Paula fiquei descansado. O jogo correu-nos bem, ganhamos e conquistamos três pontos importantes, acabei por demorar-me mais tempo no balneário e quando cheguei ao camarote já só encontrei o Mauro, cumprimentei-o e fui informado que a Mariana já tinha ido embora.
- Puto está tudo bem? - o Mauro questionou-me quando já íamos a caminho do meu apartamento.
- Sim... mas porquê que perguntas?
- Sinceramente? - não me deixou responder  e continuou - Pareces preocupado... - olhei-o por segundos - É impressão minha ou as cenas com a Mariana não estão assim tão bem?
- Estes dias não têm sido fáceis, a Mariana anda mais sensível e com umas mudanças de humor lixadas mas está tudo bem, ela amua várias vezes mas acaba por passar - encolhi os ombros - e hoje deve estar capaz de me esganar porque lhe neguei algo antes de sair de casa... - não quis aprofundar o assunto mas o Mauro insistiu e por isso acabei por dizer o que se tinha passado o que provocou a gargalhada nele - não gozes que não tem piada nenhuma...
- Mesmo sério o que te deu para lhe dares uma tampa dessas? Puto... tipo estamos a falar da Mari que no seu estado normal já é o que é então grávida deve estar... - interrompi-o
- Vê lá o que vais dizer! - gargalhou.
- Mano sempre falaste de sexo comigo... vais dar numa de santo agora, é?
- Uma cena é falar das noites que tive no passado outra é falar da minha vida intima com a Mariana...
- Qual é a diferença? - riu à descarada na minha cara - Vais dizer que não fazes o mesmo com a Mari que fazias com as outras, é?
- Mauro! Controla-te - gargalhou - por acaso alguma vez te perguntei o que fazes e como fazes com a Paula? Menos...
- Uiiii que o meu maninho virou novamente menino ao fim de dez anos a rodar...
- Mas afinal o que é que te está a dar? Deixa de ser parvo...
- Ok... já não brinco mais mas afinal de contas porquê que lhe negaste sexo? Sim porque é disso que estamos a falar e depois se queres um conselho aproveita agora porque acredita que elas gravidas são ainda mais...
- Podes parar por aí! - voltou a rir na minha cara.
- É verdade... esqueço-me que pertences ao grupo dos que têm uma diva na mesa e uma louca na cama - olhei-o estupefacto - o que foi? És capaz de negar? Puto podes ter começado tarde mas quando o fizeste foi logo em grande... mano não foste propriamente santo e sempre o admitiste em conversa comigo por isso se hoje estás tão sossegado é porque a Mari te satisfaz caso contrário duvido muito que lhe conseguisses ser fiel...
- Eish... tens-me mesmo em má conta!
- Puto conheço-te por isso nem tentes negar que sei bem que enquanto namoraste com a Ana, já para não falar das outras, sempre deste uns “passeios” por fora e com a Mari isso não acontece, primeiro porque realmente amas a rapariga mas também porque no fundo ela dá-te tudo o que queres - olhou-me fixamente - ou estou enganado?
- Não deves estar à espera que te confirme isso pois não? É que não estamos a falar de uma qualquer, é bom que percebas isso e que te cales de uma vez porque já não estou a achar piada à conversa, sempre falei de sexo contigo mas nunca questionei o desempenho de nenhuma das gajas que levaste para a cama e muito menos da Paula, por isso respeita a Mariana!
- Desculpa não queria ofender mas não deixa de ser cómico ver-te assim todo melindrado... - olhei-o - de qualquer forma resolve isso com a rapariga que deve andar em brasa...
- E achas que não ando também? - suspirei - Ainda hoje não sei como aguentei - o Mauro tentou controlar o riso - não gozes...
- Então mas se também queres porquê que lhe negas?
- Porque a Ana aconselhou-nos a não o fazer...
- Porquê? Tipo a médica da Paula nunca nos proibiu até pelo contrário retirou-nos as dúvidas todas a respeito disso... sabes que sexo não prejudica o bebé, não sabes?
- Sei... sei... mas as gravidezes não são todas iguais...
- Estás a querer dizer que... - olhei-o - foi por isso que pediste para não contarmos a ninguém nem mesmo ao pai sobre a gravidez dela?
- Não... pedi para não contarem porque ainda é muito recente mas de qualquer forma a gravidez pode ser especial e o facto de a Mari já ter ido parar ao hospital deixou-nos mais atentos, além disso a Ana colocou a Mariana em repouso daí nos ter aconselhado a não ter relações pelo menos nestas primeiras semanas.
- O que queres dizer com especial? É de risco, é isso?
- Mano - hesitei mas acabei por contar até porque estava mesmo a precisar de falar sobre o assunto sem ser com a Mari - há uma forte possibilidade de serem gémeos - sorri ao vê-lo a abrir a boca perante a novidade.
- Sério?
- Sim...
- Para quem não queria filhos num futuro próximo descobrir que vai ser pai e ainda a dobrar não deve ter sido fácil de digerir tal novidade.
- Se queres mesmo saber a Mari é que está em negação por mais que tente não consigo que aceite a possibilidade de serem dois, ela reagiu mal quando a Ana nos disse e desde esse dia que se recusa a falar no plural.
- Shiii que cena...
- E isso sim preocupa-me... tipo quando a Ana nos contou dessa possibilidade juro que fiquei feliz, sei que por mim esperávamos mais uns meses mas se a Mari engravidou é porque tinha que ser e estou verdadeiramente contente com a novidade por isso ser um ou dois não me assusta.
- Mano não és tu que os vais carregar, nem és tu que vais cuidar deles 24 horas por dia... puto o medo da Mari deve ser esse e por isso está em negação.
- Sinceramente estou com receio da reação da Mari se a Ana nos confirma que são dois...
- Mas achas que haverá problema?
- Não sei - suspirei - mano a Mari não está mentalizada para abdicar já da sua vida em prol da dos três... sei que o fará mas tenho medo das consequências...
- Como assim?
- Mauro a Mariana anda frágil, sinto-a insegura e juro que não percebo porquê.
- A Mari está com dúvidas do que sentes por ela, é isso?
- Se conseguisse entender o motivo da sua insegurança seria tudo muito mais fácil... mano tento dar-lhe o máximo de atenção mas mesmo assim parece que não chega...
A conversa acabou por “morrer” porque entramos em casa e dei imediatamente de caras com a Mariana, o que deu para perceber que estava chateada comigo só pela forma como olhou, cumprimentei a Paula e o meu afilhado, para depois tentar aproximar-me da Mariana, algo que deixou mas se tivesse beijado a parede teria sido exatamente o mesmo, dado que não correspondeu.
Jantamos todos juntos mas se ouvi a voz da Mariana três ou quatro vezes foi muito.
- Onde vais? - perguntei assim que saiu da mesa depois de terminar de comer.
- Para o quarto...
- Amor - olhou-me - estás bem?
- Ya...
A Mariana saiu sem dizer mais nada o que deu origem a uma conversa longa com a Paula e o Mauro, a minha cunhada tentou que percebesse o lado da Mariana, mas o problema não é perceber, porque isso consigo, o que não dá para perceber é esta insistência da Mariana negar que podem ser gémeos.
Estive algum tempo à conversa mas acabei por despedir-me deles, estava cansado do jogo e queria ver como estava a Mariana. Cheguei ao quarto e encontrei-a já a dormir, ainda assim não me contive e envolvi o seu corpo com o meu braço.

Mariana
Acabei de jantar e fui imediatamente para o quarto, onde acabei por remoer nas minhas últimas atitudes, algo que contribuiu para perceber que tenho mesmo que começar a controlar-me mais, porque a verdade é que o Ruben não tem culpa por andar mais irritada e até mesmo ansiosa para saber se são um ou dois.
Acabei por adormecer sozinha mas quando acordei durante a noite estava já nos braços do Ruben, não sei como lá fui parar mas tinha a minha cabeça no seu peito e os seus braços a envolverem-me o corpo, fiquei a observa-lo enquanto dormia, o Ruben estava sereno e isso tranquilizou-me, acabei por tentar afastar-me dele pois aquela posição estava a deixar-me desconfortável e quando o fiz despertei-o.
- Estás bem? - ouvi-o a questionar enquanto voltava a aproximar-se de mim
- Sim - suspirei.
- Então que suspirou foi esse? - perguntou já com a luz acesa e a olhar-me.
- Desculpa... sei que tenho andado impossível de aturar mas hoje tive mesmo intragável... - sorriu.
- Deixa de ser tonta - puxou-me ainda mais para si - sim hoje estiveste um dia menos bom mas esses também fazem parte - beijou-me calmamente - e não é um dia mau que vai destruir o amor que sinto por ti mas - hesitou o que fez com que olhasse - é bom que aprendas a controlar essas hormonas para bem de todos, sei que haverá dias mais difíceis que outros mas caramba não podem ser todos como os de hoje - afastei-me dele mas depressa o Ruben fez o favor de aproximar o seu corpo do meu - porque não sou de ferro e sim também me custa esta abstinência em que temos andado - sorri ao perceber onde o Ruben queria chegar com este pedido, ele não se referia ao meu humor mas sim à “tortura” que lhe fiz durante o duche, o que só serviu para avivar ainda mais a vontade com que andei o dia todo.
- Ruben... - voltei-me para o seu lado e assim que tentei aproximar-me o Ruben saiu da cama - onde vais?
- Perdi o sono... vou até à sala - assim que falou saiu.
- O que é que te deu para fugires de mim desta forma? - questionei ao entrar na sala e ao sentar-me no seu colo.
- Mariana... - suspirou assim que sentiu os meus lábios no seu pescoço - saí do quarto já por causa disto - afastou-me ligeiramente e olhou-me - o que queres não é propriamente mimo - sorri - conheço esse olhar e por isso saí do quarto antes de tentares alguma coisa por isso facilita e controla-te!
- Aiiiiiiii - olhou-me - só uma vez não faz mal... - beijei-o algo que o Ruben correspondeu e até se deixou levar durante uns minutos mas quando as minhas mãos foram passear até aos seus boxers reagiu de imediato e voltou a afastar-me.
- Chega!
- Ruben!
- Nem Ruben nem meio Ruben se estás com calor toma um banho com água fria que isso passa - falou ao levantar-se do sofá.
- Não serves mesmo para nada! - resmunguei ao sair da sala mas ao contrário do que pensava o Ruben veio atrás de mim e sem contar com isso agarrou-me, encostando-me à parede.
- Foda-se Mariana será que não percebes que só estou a pensar nos nossos filhos e em ti? Que prefiro não ter sexo e vos ter bem do que por uns minutos de alívio perder alguém que amo - olhei-o - porque os nossos filhos podem ainda não ter nascido mas já os amo por isso controla-te!
- Também não precisas falar assim!
- E tu pára de chorar que não te fiz mal nenhum - ando mesmo desregulada e por uma coisinha mínima desato logo a chorar - Mariana será assim tão difícil perceberes que só quero o bem de todos, se neste momento não podemos ter sexo então não temos e quanto mais depressa perceberes isso melhor, facilitas a vida aos dois!
- Esquece! - afastei-o e fui para o quarto.
- Amor... Mariana... oh linda desculpa se fui bruto mas também não facilitas.
- Larga-me! - retirei suas mãos da minha cintura - Se não queres sexo é bom que não te aproximes... - o Ruben olhou-me algo desiludido - e não me olhes dessa forma que não tenho culpa se só com o teu toque fico em brasa - baixei o olhar ao admitir que ando mesmo descontrolada e talvez pelo facto de estar envergonhada o Ruben gargalhou - não tem piada...
- Ohh até tem... - afastou-se ligeiramente - nunca pensei ver-te assim tão... tão... olha tão desesperada.
- A culpa é tua! - olhou-me com cara de gozo.
- Minha?!
- Sim tua... afinal és demasiado competente e eu já não estou habituada a incompetências - gargalhou o que fez com que amuasse ainda mais - é isso... continua a gozar com a mãe dos teus filhos... que bonito!
- Finalmente! - olhei-o sem perceber - Finalmente falas no plural - sorriu - estava difícil encascares nessa cabeça que podem ser dois!
- Não desvies a conversa...
- E tu pares de fugires ao tema...
- Chega! Vou dormir!
O Ruben não insistiu e por isso deitei-me finalmente mas afastada dele, já que só o som da sua respiração mexe comigo e o cheiro... o cheiro então não se fala, cada vez convenço-me mais que pareço um animal qualquer, porque só os animais é que reagem por instinto...
***
Não consegui dormir e por isso levantei-me ainda mais rabugenta mas fiz um esforço para controlar o meu mau feitio de forma a não atrofiar com o Ruben. Não sei se percebeu que não estava nos meus dias ou se foi só coincidência, a única coisa que sei é que o Ruben respeitou o meu silêncio e pouco ou nada falou.
O dia de domingo foi estranho, não estava chateada com o Ruben mas a verdade é que sempre que ele se aproximava só não fugia se não pudesse, acho que era o perfume dele que estava a deixar-me enjoada ou então é mesmo só uma desculpa para ter espaço para respirar, o certo é que já não me reconheço a mim própria.
Passei o dia todo enjoada, ainda assim acompanhei-os no passeio por Braga que nos ocupou a tarde toda, lanchamos e no final seguimos para Lisboa. Acabamos por jantar na casa da Anabela e no final seguimos para o apartamento do Ruben, como estava cansada fui direta à cama algo que o Ruben respeitou.
Acordei animada por duas razões, a primeira e mais importante é que vamos finalmente ficar a saber se são gémeos e a segunda é por saber que hoje vai ser um dia importante para a Maria, apesar de ela nem sequer desconfiar....
Estava já a preparar o nosso pequeno-almoço quando o Ruben apareceu, comemos juntos e depois fomo-nos vestir, lógico que foi mais um tormento para mim, afinal vê-lo a pavonear-se pelo quarto só de boxers agravou a minha vontade de fazer sexo e antes que me atirasse a ele fugi para a casa de banho, segui o conselho dele e tomei mesmo um duche com água morna já que fria seria insuportável. Despachei-me e fui procura-lo, encontrei o Ruben na sala.
- Vamos?
- Sim - sorriu - estou desejoso de ver os nosso filhos - abraçou-me.
- Ruben... - desviei o olhar para os seus braços que continuavam em volta da minha cintura.
- Desculpa - afastou-se - esqueci-me...
Não lhe respondi e saímos finalmente com destino à clínica, a viagem foi um tormento e tive mesmo que abri um pouco o vidro, algo que fez o Ruben sorrir, percebi isso mas nem abri a boca para comentar.
Chegamos à clínica e enquanto o Ruben ficou a estacionar o carro, entrei e fui direta à receção, avisei que já tinha chegado e pediram para agradar uns minutos, tempo suficiente para o Ruben chegar e assim que fui chamada entrei no gabinete da Ana.
- Bom dia - a Ana falou alegremente.
- Só se for para ti! - ripostei o que fez a nossa amiga olhar para o Ruben e como resposta teve simplesmente um encolher de ombros.
- Isso é tudo indisposição de grávida?
- Aiii oh Ana! - olhou-me a rir - Pára lá de gozar que estou sem paciência.
- E essa falta de paciência deve-se mesmo a quê? - o Ruben sorriu
- A nada... vamos mas é despachar isto que quero saber se sempre são dois monstrinhos! - a Ana olhou-me
- Não lhe ligues - o Ruben falou o que contribuiu para irritar-me.
- Tu cala-te que a culpa é toda tua!
- Ui... o que é que lhe fizeste?
- Nada Ana... o problema é mesmo esse não lhe fiz nada!
- Vocês importam-se de deixar a conversa para depois?! - resmunguei.
- Ok... vamos lá então tratar do que vos trouxe cá - sentei-me finalmente na cadeira diante da Ana que me fez uma enxurrada de perguntas que respondi sem grande vontade para no final - Mariana vai andando para a outra sala e deita-te na maca para fazermos a eco.
Apesar de saber que o objetivo da Ana seria ficar a sós com o Ruben para lhe fazer algumas perguntas ignorei e fiz o que pediu.
Terá a Mariana grávida de gémeos?
Como será os próximos tempos?
E o que irá acontecer para que o dia da Maria seja especial?