Maria
Infelizmente a
ida ao Norte acabou por ser útil em termos profissionais (para mim) já
agradável nem tanto uma vez que o jogo acabou com uma derrota da Selecção
Nacional contra um adversário que não se poderá considerar “difícil” e ainda
com uma exibição, no mínimo, menos conseguida por parte do João que acabou
mesmo por marcar um autogolo.
Confesso que ao
final do jogo estava um bocadinho azeda, mas ninguém deu muita importância já
que a culpa seria certamente do Guilherme. Guilherme que foi mesmo o tema central
das conversas ao intervalo, aliás ele e a ausência do Ruben e da Mariana que
foram bastante comentadas.
O João demorou
imenso tempo a sair do balneário e adivinhava-lhe uma azia tão grande ou maior
que a minha, mas para meu espanto quando finalmente deu o ar da sua graça vinha
calmo, acenou a alguns adeptos ainda presente e dirigiu-se até ao carro sem
dizer uma palavra tirou-me a chave da mão enquanto eu falava com a Jéssica e o
Eduardo e como já tinha percebido que a troca de palavras entre ambos depois do
golo tinha sido “feia” não disse nada. O João guardou a mala no porta-bagagens
e voltou até perto de nós entrando na conversa e deixando-me perceber que
afinal não tinha passado de uma jogada infeliz de ambos. Falamos ainda alguns
minutos sobre a vinda do Guilherme e a nossa reconciliação, mas acabamos por
nos despedir.
Seguimos para o
carro em silêncio o João sem hesitação ocupou o lugar do condutor e eu para o
do pendura agradecendo ele não se importar de conduzir visto que já tinha algum
sono. Fizemos assim em silêncio os primeiros metros do caminho que nos levaria
até ao hotel onde passaríamos a noite, até que ao ligar o rádio ouvimos alguns
comentários sobre o lance do jogo, o João de imediato desligou-o e eu tive de
perguntar
- Queres falar?
- Não tenho nada a dizer! - tirou os olhos da estrada para me olhar
enquanto me acariciou a barriga - Lances
infelizes acontecem a todos e felizmente não foi por este erro de perdemos a
final do Campeonato do Mundo...- sorri ao ouvi-lo tão calmo já que há uns
anos seria motivo para praguejar este mundo e o outro e não resisti a mais uma
daquelas que posso chamar “saídas à Maria” ou seja a piada mais “macabra” no
momento menos provável
- É verdade... - falei enquanto colocava a minha mão sobre a sua cocha direita - além de que se tivesse rematado para a
baliza certa... - ele olhou-me serio já que tínhamos chegado ao destino e
ele já deveria esperar o que dali vinha - bem
se fosse na baliza certa tinha sido um golaço!!!! - ainda o vi “endurecer”
a expressão, mas acabou por gargalhar
- Só tu!!
- É verdade! Que nós vimos! - fiz um ar ingénuo
- Vamos?
Saímos do carro e
sem grandes demoras dirigimos-mos ao nosso quarto onde depois de “pijaminhas”
vestidos acabamos por adormecer bem agarradinhos.
O dia seguinte
foi de despedida, o João voltou para Valência e eu para Lisboa onde já não
encontrei a minha prima.
Ruben
Depois da
conversa sobre o passado que terminou com o meu pedido para que a Mari pense
bem sobre o assunto casamento fomos para a cama.
Acordei preocupado
com a ideia da Mariana ficar sozinha durante o tempo que estiver no treino mas
disfarcei de forma que não percebesse, tomei o pequeno-almoço com a Mari e
depois segui para o estádio.
- Ruben! - olhei para
trás quando já estava a entrar no balneário e esperei pelo Hugo - Está tudo bem?
- Sim...
- Ficámos todos preocupados com a tua saída
intempestiva da concentração da seleção...
- Pois... tive um assunto urgente para resolver.
- Mas agora já está tudo bem, certo? Desculpa
estar a insistir mas como saíste daquela forma com o João e quando ele
regressou vinha sozinho e com a novidade que já não regressavas mas sem dar
nenhuma explicação lógica, o pessoal ficou preocupado.
- Pois... - olhei-o e ao perceber que estava verdadeiramente preocupado - não quero alongar-me no assunto, pelo menos
por agora, mas podes ficar tranquilo que já está resolvido.
O Hugo já não
insistiu e acabamos por entrar no balneário, onde acabei por ser novamente
questionado pelos outros que também foram à seleção e para acabar de uma vez
com o assunto.
- Agradeço a vossa preocupação mas neste momento
não quero falar sobre o assunto, até porque envolve outras pessoas e prefiro
não comentar.
Eles
compreenderam e não insistiram mais no assunto no entanto no final do treino
pedi para falar com o treinador, onde o informei da gravidez da Mari uma vez
que preciso da sua autorização para ausentar-me dos treinos de forma a poder
acompanhá-la nas consultas, o mister compreendeu mas avisou-me que quanto ao
falhar os treinos só na altura é que autoriza ou não consoante os dias, lógico
que percebi e nem reclamei pois sei que tenho obrigações a cumprir.
Regressei a casa
e encontrei a Mari deitada no sofá a ver televisão e por sinal aborrecida, por
isso acabei por convidá-la para almoçarmos fora, algo que aceitou e desta forma
espaireceu.
Aproveitei que
não tinha treino de tarde para mimar a Mariana, passamos a tarde no sofá a ver
filmes ou melhor a fingir que víamos dado que a maior parte do tempo foi usado
para trocarmos mimos.
***
Os dias foram
passando connosco a tentar lidar com os níveis de ansiedade da melhor forma
possível, afinal a cada dia que passa estamos mais próximos de descobrir se
serão um ou dois bebés e isso sim anda a deixar a Mari nervosa, ela continua em
negação por muito que tente abordar o assunto e fazê-la cair na realidade não
consigo porque simplesmente se recusa a falar sobre o tema.
Mariana
Se por um lado
estes dias têm sido aborrecidos por estar obrigada a repouso por outro têm sido
maravilhosos, ter os mimos do Ruben só para mim é algo que agrada-me cada vez
mais, reconheço que há dias em que estou impossível de aturar e mesmo assim o
Ruben tem uma paciência de santo para aturar-me.
Com o avançar dos
dias a ansiedade tem aumentado e ter a consciência que o momento da confirmação
se é um ou dois bebés está cada vez mais perto tem contribuído para andar mais
irritada, algo que se torna cada vez mais difícil de disfarçar e hoje com a
nega do Ruben durante o nosso duche ainda agravou mais a minha neura.
Estava a aboborar
na sala quando ouvi a campainha, achei estranho pois não esperava ninguém mas
assim que olhei pelo intercomunicador um sorriso surgiu no meu rosto.
- Oi - falei algo
surpreendida por ver o Mauro, a Paula e o sobrinho do Ruben.
- Está tudo bem? - o Mauro perguntou talvez pela minha falta de
reação.
- Sim... entrem - desviei-me para que pudessem entrar.
- Está mesmo tudo bem?
- Sim... desculpem mas fiquei surpreendida por
vos ver.
- O meu irmão não te avisou que vínhamos?
- Não... deve ter-se esquecido - falei já sentada no sofá e com o pequenino ao
colo.
- Mas se tivermos a incomodar... - interrompi a Paula
- Hey deixem-se disso, vocês nunca incomodam e
até é bom que tenham vindo assim tenho com quem me entreter - falei enquanto mimava o sobrinho do Ruben - mas vão ficar cá muitos dias?
- Não, viemos só ver o jogo.
A conversa
continuou, almocei com eles e no fim segui para o estádio. Assim que entramos
no camarote, o Mauro juntou-se ao Hugo, que hoje não jogava, enquanto eu e a
Paula nos fomos sentar.
- Está tudo bem convosco? - olhei-a - Desculpa
estar a perguntas mas achei estranho o Ruben não te ter dito que vínhamos.
- Sou só eu que ando um bocado irritadiça e até
mesmo parva - baixei o olhar
ao admitir que neste caso a culpa é minha uma vez que o Ruben tudo tem feito
para melhorar o meu humor.
- Isso é normal nestas primeiras semanas - olhei-a novamente - o Mauro contou-me - baixei o olhar - Mariana, vais ver que te habituas, isso são só as hormonas a falarem.
- Ohh mas até habituar-me... - calei-me o que fez a Paula falar.
- O Ruben não tem outro remédio que é aguentar - sorriu.
- E se não aguentar? O Ruben pode fartar-se...
sei que não sou propriamente meiga quando estou aborrecida...
- O Ruben ama-te como nunca amou ninguém por isso
acredita que o rapaz aguenta o teu mau feitio e muito mais.
- Não sei...
- Ai essas hormonas que andam mesmo
descontroladas - sorriu - porquê que não planeias um fim-de-semana a
dois? - olhei-a - Vais ver que te
passa logo essa insegurança toda - gargalhou talvez pela cara que fiz - Mariana sossega porque se há coisa que o
Ruben já aprendeu foi a dar valor à vossa relação por isso acredita que irá
suportar todos os dias em que acordares com os pés do lado de fora.
A conversa
continuou mas para ser sincera pouco adiantou porque as dúvidas mantiveram-se,
acabamos por nos calarmos porque vi a Raquel a aproximar-se de nós. As
conversas seguintes foram sobre diversos assuntos, sinceramente entretive-me
mais a “dar à língua” do que a ver o jogo e no final não levou muito tempo a
começar a resmungar porque o Ruben nunca mais aparecia, esperei e desesperei,
acabei mesmo por deixar o Mauro no estádio e segui até casa com a Madalena e o
menino.
Ruben
Hoje a Mari
acordou híper bem-disposta, tanto que quem pagou a fava fui eu ou não fosse o
meu amor se ter enfiado no duche comigo, a Mariana passou-o todo nitidamente a
provocar-me, não sei o que estava a passar naquela cabeça, só sei que tive que
controlar-me ao máximo para não ceder à provocação mas acima de tudo às
saudades que já tenho de a sentir, afinal desde que a Ana nos avisou que o
melhor seria evitarmos certo tipo de exercício até ordens em contrário não o
voltamos a fazer, mas hoje a Mari parece que acordou com vontade de infringir
esse conselho, o que fez com que fosse o mau da fita e ao negar-lhe o que tanto
queria tive que aturar logo de seguida uma birra descomunal que durou até sair
de casa.
Durante o dia não
falei mais com a Mariana, afinal tinha noção que se lhe ligasse o mais provável
era ouvi-la a mandar-me para um sítio nada bonito e como sabia que iria estar
acompanhada pelo meu irmão e pela Paula fiquei descansado. O jogo correu-nos
bem, ganhamos e conquistamos três pontos importantes, acabei por demorar-me
mais tempo no balneário e quando cheguei ao camarote já só encontrei o Mauro,
cumprimentei-o e fui informado que a Mariana já tinha ido embora.
- Puto está tudo bem? - o Mauro questionou-me quando já íamos a
caminho do meu apartamento.
- Sim... mas porquê que perguntas?
- Sinceramente? - não me deixou responder e
continuou - Pareces preocupado... -
olhei-o por segundos - É impressão minha
ou as cenas com a Mariana não estão assim tão bem?
- Estes dias não têm sido fáceis, a Mariana anda
mais sensível e com umas mudanças de humor lixadas mas está tudo bem, ela amua
várias vezes mas acaba por passar - encolhi os
ombros - e hoje deve estar capaz de me
esganar porque lhe neguei algo antes de sair de casa... - não quis
aprofundar o assunto mas o Mauro insistiu e por isso acabei por dizer o que se
tinha passado o que provocou a gargalhada nele - não gozes que não tem piada nenhuma...
- Mesmo sério o que te deu para lhe dares uma
tampa dessas? Puto... tipo estamos a falar da Mari que no seu estado normal já
é o que é então grávida deve estar... - interrompi-o
- Vê lá o que vais dizer! - gargalhou.
- Mano sempre falaste de sexo comigo... vais dar
numa de santo agora, é?
- Uma cena é falar das noites que tive no passado
outra é falar da minha vida intima com a Mariana...
- Qual é a diferença? - riu à descarada na minha cara - Vais dizer que não fazes o mesmo com a Mari
que fazias com as outras, é?
- Mauro! Controla-te - gargalhou - por acaso alguma vez te perguntei o que fazes e como fazes com a Paula?
Menos...
- Uiiii que o meu maninho virou novamente menino
ao fim de dez anos a rodar...
- Mas afinal o que é que te está a dar? Deixa de
ser parvo...
- Ok... já não brinco mais mas afinal de contas
porquê que lhe negaste sexo? Sim porque é disso que estamos a falar e depois se
queres um conselho aproveita agora porque acredita que elas gravidas são ainda
mais...
- Podes parar por aí! - voltou a rir na minha cara.
- É verdade... esqueço-me que pertences ao grupo
dos que têm uma diva na mesa e uma louca na cama - olhei-o estupefacto - o que foi? És capaz de negar? Puto podes ter começado tarde mas quando
o fizeste foi logo em grande... mano não foste propriamente santo e sempre o
admitiste em conversa comigo por isso se hoje estás tão sossegado é porque a
Mari te satisfaz caso contrário duvido muito que lhe conseguisses ser fiel...
- Eish... tens-me mesmo em má conta!
- Puto conheço-te por isso nem tentes negar que
sei bem que enquanto namoraste com a Ana, já para não falar das outras, sempre
deste uns “passeios” por fora e com a Mari isso não acontece, primeiro porque
realmente amas a rapariga mas também porque no fundo ela dá-te tudo o que
queres - olhou-me fixamente - ou estou enganado?
- Não deves estar à espera que te confirme isso
pois não? É que não estamos a falar de uma qualquer, é bom que percebas isso e
que te cales de uma vez porque já não estou a achar piada à conversa, sempre
falei de sexo contigo mas nunca questionei o desempenho de nenhuma das gajas
que levaste para a cama e muito menos da Paula, por isso respeita a Mariana!
- Desculpa não queria ofender mas não deixa de
ser cómico ver-te assim todo melindrado... - olhei-o - de qualquer forma
resolve isso com a rapariga que deve andar em brasa...
- E achas que não ando também? - suspirei - Ainda hoje não sei como aguentei - o Mauro tentou controlar o riso
- não gozes...
- Então mas se também queres porquê que lhe
negas?
- Porque a Ana aconselhou-nos a não o fazer...
- Porquê? Tipo a médica da Paula nunca nos
proibiu até pelo contrário retirou-nos as dúvidas todas a respeito disso...
sabes que sexo não prejudica o bebé, não sabes?
- Sei... sei... mas as gravidezes não são todas
iguais...
- Estás a querer dizer que... - olhei-o - foi
por isso que pediste para não contarmos a ninguém nem mesmo ao pai sobre a
gravidez dela?
- Não... pedi para não contarem porque ainda é
muito recente mas de qualquer forma a gravidez pode ser especial e o facto de a
Mari já ter ido parar ao hospital deixou-nos mais atentos, além disso a Ana
colocou a Mariana em repouso daí nos ter aconselhado a não ter relações pelo
menos nestas primeiras semanas.
- O que queres dizer com especial? É de risco, é
isso?
- Mano - hesitei mas
acabei por contar até porque estava mesmo a precisar de falar sobre o assunto
sem ser com a Mari - há uma forte
possibilidade de serem gémeos - sorri ao vê-lo a abrir a boca perante a
novidade.
- Sério?
- Sim...
- Para quem não queria filhos num futuro próximo
descobrir que vai ser pai e ainda a dobrar não deve ter sido fácil de digerir
tal novidade.
- Se queres mesmo saber a Mari é que está em
negação por mais que tente não consigo que aceite a possibilidade de serem
dois, ela reagiu mal quando a Ana nos disse e desde esse dia que se recusa a
falar no plural.
- Shiii que cena...
- E isso sim preocupa-me... tipo quando a Ana nos
contou dessa possibilidade juro que fiquei feliz, sei que por mim esperávamos
mais uns meses mas se a Mari engravidou é porque tinha que ser e estou verdadeiramente
contente com a novidade por isso ser um ou dois não me assusta.
- Mano não és tu que os vais carregar, nem és tu
que vais cuidar deles 24 horas por dia... puto o medo da Mari deve ser esse e
por isso está em negação.
- Sinceramente estou com receio da reação da Mari
se a Ana nos confirma que são dois...
- Mas achas que haverá problema?
- Não sei - suspirei - mano a Mari não
está mentalizada para abdicar já da sua vida em prol da dos três... sei que o
fará mas tenho medo das consequências...
- Como assim?
- Mauro a Mariana anda frágil, sinto-a insegura e
juro que não percebo porquê.
- A Mari está com dúvidas do que sentes por ela,
é isso?
- Se conseguisse entender o motivo da sua
insegurança seria tudo muito mais fácil... mano tento dar-lhe o máximo de
atenção mas mesmo assim parece que não chega...
A conversa acabou
por “morrer” porque entramos em casa e dei imediatamente de caras com a Mariana,
o que deu para perceber que estava chateada comigo só pela forma como olhou,
cumprimentei a Paula e o meu afilhado, para depois tentar aproximar-me da
Mariana, algo que deixou mas se tivesse beijado a parede teria sido exatamente
o mesmo, dado que não correspondeu.
Jantamos todos
juntos mas se ouvi a voz da Mariana três ou quatro vezes foi muito.
- Onde vais? - perguntei assim que saiu da mesa depois de terminar de comer.
- Para o quarto...
- Amor - olhou-me - estás bem?
- Ya...
A Mariana saiu
sem dizer mais nada o que deu origem a uma conversa longa com a Paula e o
Mauro, a minha cunhada tentou que percebesse o lado da Mariana, mas o problema
não é perceber, porque isso consigo, o que não dá para perceber é esta
insistência da Mariana negar que podem ser gémeos.
Estive algum
tempo à conversa mas acabei por despedir-me deles, estava cansado do jogo e
queria ver como estava a Mariana. Cheguei ao quarto e encontrei-a já a dormir,
ainda assim não me contive e envolvi o seu corpo com o meu braço.
Mariana
Acabei de jantar
e fui imediatamente para o quarto, onde acabei por remoer nas minhas últimas
atitudes, algo que contribuiu para perceber que tenho mesmo que começar a
controlar-me mais, porque a verdade é que o Ruben não tem culpa por andar mais
irritada e até mesmo ansiosa para saber se são um ou dois.
Acabei por
adormecer sozinha mas quando acordei durante a noite estava já nos braços do
Ruben, não sei como lá fui parar mas tinha a minha cabeça no seu peito e os
seus braços a envolverem-me o corpo, fiquei a observa-lo enquanto dormia, o
Ruben estava sereno e isso tranquilizou-me, acabei por tentar afastar-me dele
pois aquela posição estava a deixar-me desconfortável e quando o fiz
despertei-o.
- Estás bem? - ouvi-o a questionar enquanto voltava a aproximar-se de mim
- Sim - suspirei.
- Então que suspirou foi esse? - perguntou já com a luz acesa e a olhar-me.
- Desculpa... sei que tenho andado impossível de
aturar mas hoje tive mesmo intragável... - sorriu.
- Deixa de ser tonta - puxou-me ainda mais para si - sim hoje estiveste um dia menos bom mas
esses também fazem parte - beijou-me calmamente - e não é um dia mau que vai destruir o amor que sinto por ti mas -
hesitou o que fez com que olhasse - é
bom que aprendas a controlar essas hormonas para bem de todos, sei que haverá
dias mais difíceis que outros mas caramba não podem ser todos como os de hoje
- afastei-me dele mas depressa o Ruben fez o favor de aproximar o seu corpo do
meu - porque não sou de ferro e sim
também me custa esta abstinência em que temos andado - sorri ao perceber
onde o Ruben queria chegar com este pedido, ele não se referia ao meu humor mas
sim à “tortura” que lhe fiz durante o duche, o que só serviu para avivar ainda
mais a vontade com que andei o dia todo.
- Ruben... - voltei-me para o seu lado e assim que tentei aproximar-me o Ruben
saiu da cama - onde vais?
- Perdi o sono... vou até à sala - assim que falou saiu.
- O que é que te deu para fugires de mim desta
forma? - questionei ao entrar na sala e ao
sentar-me no seu colo.
- Mariana... - suspirou assim que sentiu os meus lábios no seu pescoço - saí do quarto já por causa disto -
afastou-me ligeiramente e olhou-me - o
que queres não é propriamente mimo - sorri - conheço esse olhar e por isso saí do quarto antes de tentares alguma
coisa por isso facilita e controla-te!
- Aiiiiiiii - olhou-me - só uma vez não
faz mal... - beijei-o algo que o Ruben correspondeu e até se deixou levar
durante uns minutos mas quando as minhas mãos foram passear até aos seus boxers
reagiu de imediato e voltou a afastar-me.
- Chega!
- Ruben!
- Nem Ruben nem meio Ruben se estás com calor
toma um banho com água fria que isso passa - falou ao levantar-se do sofá.
- Não serves mesmo para nada! - resmunguei ao sair da sala mas ao contrário do
que pensava o Ruben veio atrás de mim e sem contar com isso agarrou-me,
encostando-me à parede.
- Foda-se Mariana será que não percebes que só
estou a pensar nos nossos filhos e em ti? Que prefiro não ter sexo e vos ter
bem do que por uns minutos de alívio perder alguém que amo - olhei-o - porque
os nossos filhos podem ainda não ter nascido mas já os amo por isso
controla-te!
- Também não precisas falar assim!
- E tu pára de chorar que não te fiz mal nenhum - ando mesmo desregulada e por uma coisinha
mínima desato logo a chorar - Mariana
será assim tão difícil perceberes que só quero o bem de todos, se neste momento
não podemos ter sexo então não temos e quanto mais depressa perceberes isso
melhor, facilitas a vida aos dois!
- Esquece! - afastei-o e fui para o quarto.
- Amor... Mariana... oh linda desculpa se fui
bruto mas também não facilitas.
- Larga-me! - retirei suas mãos da minha cintura - Se não queres sexo é bom que não te aproximes... - o Ruben olhou-me
algo desiludido - e não me olhes dessa
forma que não tenho culpa se só com o teu toque fico em brasa - baixei o
olhar ao admitir que ando mesmo descontrolada e talvez pelo facto de estar
envergonhada o Ruben gargalhou - não tem
piada...
- Ohh até tem... - afastou-se ligeiramente - nunca pensei ver-te assim tão... tão... olha tão desesperada.
- A culpa é tua! - olhou-me com cara de gozo.
- Minha?!
- Sim tua... afinal és demasiado competente e eu
já não estou habituada a incompetências - gargalhou o que fez com que amuasse ainda mais - é isso... continua a gozar com a mãe dos
teus filhos... que bonito!
- Finalmente! - olhei-o sem perceber - Finalmente
falas no plural - sorriu - estava
difícil encascares nessa cabeça que podem ser dois!
- Não desvies a conversa...
- E tu pares de fugires ao tema...
- Chega! Vou dormir!
O Ruben não
insistiu e por isso deitei-me finalmente mas afastada dele, já que só o som da
sua respiração mexe comigo e o cheiro... o cheiro então não se fala, cada vez
convenço-me mais que pareço um animal qualquer, porque só os animais é que
reagem por instinto...
***
Não consegui
dormir e por isso levantei-me ainda mais rabugenta mas fiz um esforço para
controlar o meu mau feitio de forma a não atrofiar com o Ruben. Não sei se
percebeu que não estava nos meus dias ou se foi só coincidência, a única coisa
que sei é que o Ruben respeitou o meu silêncio e pouco ou nada falou.
O dia de domingo
foi estranho, não estava chateada com o Ruben mas a verdade é que sempre que
ele se aproximava só não fugia se não pudesse, acho que era o perfume dele que
estava a deixar-me enjoada ou então é mesmo só uma desculpa para ter espaço
para respirar, o certo é que já não me reconheço a mim própria.
Passei o dia todo
enjoada, ainda assim acompanhei-os no passeio por Braga que nos ocupou a tarde
toda, lanchamos e no final seguimos para Lisboa. Acabamos por jantar na casa da
Anabela e no final seguimos para o apartamento do Ruben, como estava cansada
fui direta à cama algo que o Ruben respeitou.
Acordei animada
por duas razões, a primeira e mais importante é que vamos finalmente ficar a
saber se são gémeos e a segunda é por saber que hoje vai ser um dia importante
para a Maria, apesar de ela nem sequer desconfiar....
Estava já a
preparar o nosso pequeno-almoço quando o Ruben apareceu, comemos juntos e
depois fomo-nos vestir, lógico que foi mais um tormento para mim, afinal vê-lo
a pavonear-se pelo quarto só de boxers agravou a minha vontade de fazer sexo e
antes que me atirasse a ele fugi para a casa de banho, segui o conselho dele e
tomei mesmo um duche com água morna já que fria seria insuportável.
Despachei-me e fui procura-lo, encontrei o Ruben na sala.
- Vamos?
- Sim - sorriu - estou desejoso de ver os nosso filhos -
abraçou-me.
- Ruben... - desviei o olhar para os seus braços que continuavam em volta da
minha cintura.
- Desculpa - afastou-se - esqueci-me...
Não lhe respondi
e saímos finalmente com destino à clínica, a viagem foi um tormento e tive
mesmo que abri um pouco o vidro, algo que fez o Ruben sorrir, percebi isso mas
nem abri a boca para comentar.
Chegamos à
clínica e enquanto o Ruben ficou a estacionar o carro, entrei e fui direta à receção,
avisei que já tinha chegado e pediram para agradar uns minutos, tempo
suficiente para o Ruben chegar e assim que fui chamada entrei no gabinete da
Ana.
- Bom dia - a Ana falou alegremente.
- Só se for para ti! - ripostei o que fez a nossa amiga olhar para o
Ruben e como resposta teve simplesmente um encolher de ombros.
- Isso é tudo indisposição de grávida?
- Aiii oh Ana! - olhou-me a rir - Pára lá de
gozar que estou sem paciência.
- E essa falta de paciência deve-se mesmo a quê? - o Ruben sorriu
- A nada... vamos mas é despachar isto que quero
saber se sempre são dois monstrinhos! - a Ana olhou-me
- Não lhe ligues - o Ruben falou o que contribuiu para
irritar-me.
- Tu cala-te que a culpa é toda tua!
- Ui... o que é que lhe fizeste?
- Nada Ana... o problema é mesmo esse não lhe fiz
nada!
- Vocês importam-se de deixar a conversa para
depois?! - resmunguei.
- Ok... vamos lá então tratar do que vos trouxe
cá - sentei-me finalmente na cadeira diante
da Ana que me fez uma enxurrada de perguntas que respondi sem grande vontade
para no final - Mariana vai andando para
a outra sala e deita-te na maca para fazermos a eco.
Apesar de saber
que o objetivo da Ana seria ficar a sós com o Ruben para lhe fazer algumas
perguntas ignorei e fiz o que pediu.
Terá a Mariana grávida de gémeos?
Como será os próximos tempos?
E o que irá acontecer para que o dia da Maria
seja especial?
