quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

071 - "Ninguém morreu mas... "

Ruben
Para quem passou quinze dias na melhor companhia possível passar uma semana sozinho tornou-se num tédio, a sorte foi o jogo ser fora e por isso ocupou-me o tempo no fim-de-semana.
Acordei na segunda-feira animado porque de tarde seguia para a concentração da selecção, felizmente tenho sido chamado constantemente à selecção o que me tem agradado imenso.
A tarde foi animada e deu para partilhar momentos divertidos com o pessoal, durante o jantar as conversas paralelas foram mais que muitas e no fim seguimos todos para a sala convívio.
***
Hoje o dia foi preenchido com os treinos e palestras ainda assim antes de jantar tive um bocado a falar com a Mariana, ela ainda não tinha dado a novidade da sua mudança aos pais e por isso as coisas andavam calmas.
No fim do jantar o Miguel desafiou-me para jogar uma partida de PES mas foi quando já ganhava que o João apareceu.
- Mano preciso falar contigo!
- Eish... É caso de vida ou morte que nem posso acabar o jogo? - brinquei
- Ninguém morreu mas... - olhei-o e no mesmo momento interrompi o jogo
- O que se passa?
- Vem comigo! - o pessoal olhou-nos com alguma curiosidade
- Diz! Estás a deixar-me preocupado - falei assim que nos afastamos deles.
- Mano não passou de um susto mas a Mari está no hospital...
- É o QUÊ? - não devo ter falado mas sim gritado porque o pessoal olhou todo - Como assim no hospital? - pode parecer exagero mas senti-me a perder as forças e só não caí porque o João agarrou-me.
- Ruben a única coisa que sei é que a Mariana desmaiou mas está tudo bem com ambos.
- Só acredito vendo! - falei e logo depois saí disparado da sala de convívio, fui falar com os responsáveis da selecção para saber se poderia ir até Lisboa, expliquei a situação e tendo em conta que o jogo é particular deram-me autorização para ausentar-me da concentração.
Fui directo ao quarto e quando abri a porta para sair.
- Vamos? - o João questionou-me
- Vamos?!
- Sim... o mister disse para ir contigo até porque não vais conduzir nessa pilha de nervos!
Não barafustei porque a única coisa que queria era chegar o quanto antes a Lisboa, pelo caminho ainda tentei ligar à Mari mas quem atendeu foi a Maria, inteirei-me do estado da Mariana ainda assim não consegui serenar, tinha a sensação que a Maria não estava a contar tudo.
Mariana
A última coisa que me lembro é de ter aquela sensação que o chão nos foge debaixo dos pés para acordar depois num sítio que não me era familiar, olhei em volta e percebi tratar-se de um hospital, algo que assustou-me imenso e só consegui pensar no meu bebé, levei imediatamente as mãos à barriga numa tentativa desesperada de perceber se estava tudo bem, lógico que fiquei na mesma, o que só contribuiu para a minha ansiedade aumentar, felizmente uma enfermeira apareceu.
- O meu bebé? - perguntei imediatamente e a senhora já de uma certa idade aproximou-se e muito serenamente disse.
- Tenha calma, vou já chamar a Dra. Ana - só quando ouvi o nome da minha amiga é que percebi que estava na clínica e não num hospital.
A enfermeira saiu e uns minutos depois a Ana entrou.
- O bebé? - ela sorriu.
- Mariana agora já está tudo bem mas quando chegaste vinhas com os valores da pressão arterial alterados e foi isso que provocou o desmaio, tens que ser seguida e hoje ficas em observação.
- Quem é que veio comigo?
- Os teus pais - olhei-a surpreendida - Sim o teu pai está lá fora e por sinal bastante preocupado.
- Não quero saber dele! Contaste da gravidez?
- Não... mas avisei a Maria e também está lá fora.
- O que é que contaste a eles?
- A verdade, que foi a pressão que alterou mas ocultei a gravidez, não sabia se já tinhas contado por isso achei melhor não mencionar a vinda do neto deles.
- Obrigada e por acaso sabes se avisaram o Ruben?
- Sim... e segundo o que a Maria falou já vem a caminho que ninguém o consegui segurar em Guimarães - sei que não devia mas sorri ao tomar conhecimento de tal, afinal estava mesmo a precisar do Ruben do meu lado - mas agora isso não interessa, tens de descansar e cuidar de ti...
A Ana deu-me um sermão enorme e depois ainda falou todos os cuidados que tenho de ter, tentei memorizar tudo o que falou mas confesso que foi informação demais para o meu estado de cansaço, algo que a Ana deve ter percebido porque acabou por abrandar o ritmo e dizer que quando estivesse melhor que falávamos, pedi-lhe que deixasse a minha mãe e a Maria entrar para que as duas serenarem, pois conheço-as e sei que só vendo com os seus olhos é que acalmavam.
- Filha!! - a minha mãe abraçou-me com alguma força.
- Hey tenha calma ou ainda me sufoca!
- Desculpa mas a mãe ficou tão preocupada quando percebeu que tinhas desmaiado.
- Pois... - baixei o olhar - Desculpe a confusão que arranjei - respirei profundamente - a mãe sabe que a adoro mas não dá mais... aquele a quem você chama de marido está cada vez mais intragável...
- Filha é o teu pai! - repreendeu-me e só não continuou porque
- Isso agora não interessa nada - a Maria aproximou-se de mim - Tia a Ana foi bem explícita quando nos disse que a Mari não se pode enervar - a minha prima agarrou-me a mão - o Ruben deve estar a chegar, avisei o João e assim que lhe contou já ninguém conseguiu segurá-lo em Guimarães.
- Oh não posso negar que estou contente por estar a chegar - sorri - sei que não devia mas...
- Sim... sei como é que isso funciona - a Maria sorriu e tal cumplicidade fez despertar a curiosidade da minha mãe.
- Posso saber o que é que vocês estão a esconder?
- Nada mãezinha... nada!
- Mariana! - olhei-a - Isto está tudo muito estranho, primeiro desmaias sem razão aparente, sim que não engoli totalmente o que a Ana falou, ainda para mais depois de ela ter feito questão de te acompanhar sempre desde que chegamos à clínica e que nos viu a entrar, agora estás a falar por meias palavras com a tua prima, filha estás...
A minha mãe não conseguiu concluir o raciocínio porque a entrada do Ruben a impediu.
Ruben
Nunca antes uma viagem de Guimarães a Lisboa tinha levado tanto tempo, parecia que as horas não passavam mas assim que o João estacionou o carro saí imediatamente e só parei na recepção para saber notícias da Mari seguindo depois para o seu quarto, entrei e encontrei-a acordada na companhia da sua mãe e da Maria.
- Amor - fui até junto da cama e naquele momento pouco me importei se a sua mãe já sabia ou não e por isso levei a mão à sua barriga, algo que a fez sorrir - pregaste-me um susto...
- Desculpa... - falou já com as lágrimas nos olhos.
- Hey... já passou, vocês estão bem e é  que interessa - voltei a unir as nossas bocas para depois depositar alguns beijinhos na sua barriga, ainda invisível, algo que a fez gargalhar.
- Amor - olhei-a - pára que estás a fazer-me cócegas - sorriu e fez-me sinal para que me deitasse ao seu lado, algo que fiz sem hesitar - parece que afugentamos a Maria e a minha mãe.
- A única coisa que me interessa agora é saber como é que estão, amor quando o João falou que estavas aqui senti-me... - hesitei por não saber qual a melhor palavra para descrever aquilo que tinha sentido mas foi a Mariana que a encontrou.
- Desesperado, angustiado, com medo e a sentiste a vida a escapar-te por entre os dedos...
- Sim foi isso...
- Pois... foi o que também senti quando acordei aqui nesta cama - suspirou - tive tanto medo, só de pensar até me dá calafrios... Ruben desculpa...
- Não tens culpa...
- Tenho - olhei-a - isto só aconteceu porque fui a casa dos meus pais - a Mariana desviou o olhar - queria despedir-me da minha mãe e avisá-los da mudança mas como deves imaginar a conversa depressa deu lugar à discussão e... - calou-se e percebi que não estava a contar tudo.
- Amor o que é que o teu pai fez? - a Mariana agarrou-me no braço com uma força tremenda como se tivesse medo que fugisse e só percebi o motivo quando a ouvi a contar o resto - ele o quê? Bateu-te? - tentei levantar-me mas a força com que a Mari agarrava-me era de tal ordem tanta que não consegui.
- Ruben peço-te por tudo ignora, só quero esquecer que tenho pai, aquele nem merece o ar que respira, doeu tanto ouvi-lo a dizer o que disse à minha mãe só porque ela se meteu no meio da nossa discussão, a sério por mim não irá conhecer nunca o neto ou neta!
Confesso que arrepiei-me ao ouvi-la, a Mariana pela primeira vez destilava ódio, sim pode parecer uma palavra muito forte mas acho que era isso que ela sentia naquele momento pelo pai, tentei ainda demovê-la de tal convicção mas desisti no momento que percebi que só a estava a enervar por isso mudei de assunto.
- E a tua mãe como reagiu à novidade de ser avó? - é incrível como a Mariana em segundos deixou de estar tensa para sorrir assim que ouviu-me a perguntar algo tão simples.
- Não sei... amor não lhe cheguei a dizer.
- Não?!
- Não... quando a minha mãe ia para perguntar se estou grávida entraste...
- Ah... pois então deve ter percebido que está certa - sorrimos e continuamos a conversar até sermos interrompidos pela Ana que entrou no quarto.
- Estás bem? - perguntou-me depois de cumprimentar-me.
- Sim... foi só um susto.
- É... a Mariana tem de ter juízo mas acredito que aprendeu a lição e agora tenho um miminho para os dois - sorriu - Mari senta a bunda nessa cadeira que vamos passear um pouco - olhámo-la desconfiados - vá não façam essa cara a menos que não queiram ver o que vos tenho para mostrar e acreditem vão amar - gargalhou.
- Vou fazer uma ecografia, é isso? - a Mariana perguntou visivelmente animada.
- É... quero mostrar-vos algo - a Ana sorria como se não fosse normal para ela ver bebés todos os dias.
Ajudei a Mariana a sentar-se na cadeira de rodas e depois empurrei-a sempre seguindo a Ana, entramos num gabinete que percebi ser o dela, a Mariana deitou-se na maca e assim que a Ana lhe colocou o gel na barriga o meu amor queixou-se que estava frio, o que levou a nossa amiga a rir e a comentar que as grávidas são todas iguais, afinal queixam-se sempre do mesmo.
A Mariana agarrou-me na mão e puxou-me ainda mais para si, estava com os olhos colados no monitor na tentativa de descobrir o nosso bebé no meio daquela mancha negra mas a tarefa revelou-se complicada, afinal para mim aquilo era tudo igual e só consegui identificar o nosso bebé porque a Ana parou assim que o encontrou.
Olhei para a Mariana e encontrei-a tal como eu estava, emocionada por ver o nosso feijãozinho, apertei-lhe ligeiramente a mão o que fez com que olhasse, sorri-lhe e como resposta tive um verdadeiro puxão na camisola, obrigando-me a baixar e assim que o fiz beijou-me com uma intensidade tremenda.
- É o nosso feijãozinho - suspirou - a sensação de vê-lo é... é... olha nem sei! - gargalhei acompanhado pela Ana afinal ver a Mari sem resposta é algo quase inédito.
- Sim... é o vosso bebé mas... - olhamo-la imediatamente enquanto movimentava a sonda.
- Está tudo bem? - perguntei ao ver a Ana a fixar muito o monitor.
- Sim está mas...
- Mas o quê? Não nos assustes... - pedi ao ver a Mari a ficar ansiosa.
- Ainda é cedo para ter a certeza mas parece que o feijãozinho - usou o termo que a Mari tinha usado momentos antes para se referir ao nosso bebé o que nos levou a sorrir - pode não estar sozinho...
- ÃH? - reagi de imediato já a Mariana estagnou ao ouvir a Ana - Gémeos?
- Sim...
- Ana não brinques!!
- Ruben não estou a brincar muito pelo contrário só não vos dou a confirmação porque de facto ainda é muito cedo para isso, além de que não dá para ver bem mas que parece lá isso parece, já para não falar que vocês quando as fazem fazem-nas sempre em grande... - gozou com a nossa cara mas nem lhe respondi até porque a Mari ainda não tinha reagido.
- Amor... Mariana estás bem?
- Bem? Ruben Filipe eu posso ter dois monstrinhos dentro de mim e tu tens o descaramento de perguntar se estou BEM? - não aguentei e desmanchei-me a rir talvez por não esperar tal reação da Mariana.
- Eish tem lá calma... isso só prova que sou muito BOM... - brinquei mas ouvi o que não esperava.
- Que és bom já sei eu e Lisboa inteira, agora que és tão produtivo é que desconhecia!
- Talvez porque só com uma certa monstrinha é que quis experimentar a minha produtividade - a Mariana olhou-me furiosa mas confesso que até estava a adorar a ideia de serem dois.
- Olha vai chamar monstrinha à senhora sua mãe! - bufou - Ana tu diz-me que estás só a gozar com a nossa cara!!!
- Mariana tem calma - a Ana falava enquanto limpava o gel da barriga da Mari - como falei ainda é muito cedo para se ter a certeza mas existe essa probabilidade, mas agora o que interessa é cuidarmos de ti, seja um ou mais, tens de seguir com o mesmo cuidado todas as indicações que te dei e como sei que não ouviste nem metade vou informar o Ruben para que ande atento, agora não descontes nele o medo que estás a sentir por achares que não serás capaz de ser mãe de gémeos, isso que estás a sentir é normal mas acredita que passa...
- Lógico que passa daqui a nove meses e isto porque não sou burra caso contrário teria que aguentar quase um ano - controlei-me para não rir - vou virar elefanta para ter dois monstrinhos...
- Se tiveres que ser elefanta para teres os nossos filhos então ficas desde já a saber que serás a elefanta mais resmungona que conheço mas também a única que é capaz de fazer com que me sinta vivo por isso deixa lá o drama para o momento em que eles nascerem e começarem a chorar ao mesmo tempo - olhou-me - amor a sério seja menino ou menina, um ou dois, o que interessa é que corra tudo bem, não penses em demasia que não adianta nada.
- Lógico para ti é tudo muito fácil... não és tu que os vais carregar durante meses!
- Olha sabes que mais?! Posso não levar com o peso da barriga mas levo com a mãe deles que é bem pior, irra que feitio o teu! Não querias um filho? Então fiz-te a vontade mesmo não sabendo que a estava a fazer por isso agora não te queixes!
A Mariana olhou-me e depois de bufar lá se calou o que permitiu que a Ana falasse tudo o que achou ser importante para esta nova fase, tentei assimilar o máximo que consegui e depois fomos finalmente para o quarto da Mari.
- Amor... Mariana queres falar? - perguntei assim que ficamos a sós.
- Não! Quero dormir, tenho sono!
- Ok... - a Mariana acomodou-se - posso pelo menos ficar contigo? - olhou-me
- Não podes! DEVES ou achas que isto é só fazê-los??
- Juro que ainda não consegui perceber se estás furiosa porque são gémeos ou porque ainda não temos a confirmação - sentou-se na cama a olhar-me.
- Tenho medo - baixou o olhar - e se for gémeos?
- O que tem? - aproximei-me da cama onde acabei por sentar-me do seu lado.
- Oh Ruben quero ser mãe mas tipo não era suposto ser aos pares...
- Não penses nisso agora até porque a serem gémeos não serás a primeira nem a última mulher a passar por isso e se estás com medo das possíveis complicações... amor complicações aparecem tanto em gravidezes só de um ou de mais mas não podemos estar a pensar nisso, independentemente de ser ou não gémeos vamos amá-los de igual forma, ok pode ser complicado porque são dois a crescer dentro de ti e depois dois a berrarem com fome ou porque tem a fralda suja mas também serão dois no momento do primeiro sorriso, da primeira papa, da primeira palavra,..., amor será sempre tudo a dobrar mas as coisas boas vão prevalecer às menos boas e no fundo o que interessa é que nos amamos e que vamos ser pais.
A Mariana não respondeu, simplesmente se deitou e pediu mimo, fiz-lhe a vontade e acabei por deitar-me ao seu lado, adormecemos os dois e só acordei de manhã com a Ana a chamar.
- Podemos falar?
- Sim - segui a Ana até ao corredor e vi-a a fechar a porta do quarto.
- Ruben não quis tocar no assunto ontem porque a Mari já estava ansiosa e nervosa demais mas agora mais do que nunca precisa de sossego, o que a fez desmaiar pode trazes sérios riscos tanto para ela como para os bebés caso não seja controlado, desculpa se te estou a assustar mas como vossa amiga mas principalmente como médica da Mari tenho a obrigação de o fazer.
- O que é que posso fazer?
- Dá-lhe muito mimo e evita bate bocas como o que tiveram ontem quando vos disse que podem ser gémeos, mas principalmente evita os encontros com o Sr. Manuel afinal e ao contrário do que a Mariana tenta passar isso mexe muito com ela e nesta fase pode ser prejudicial, fora isto é andares atento mas sem estares constantemente em cima, dá-lhe espaço mas tenta controlá-la para não abusar por exemplo no ritmo do trabalho...
- Pode começar já a trabalhar?
- Poder pode mas vou metê-la de baixa pelo menos até confirmarmos se são ou não gémeos e para ela descansar um pouco mas isso não será solução a Mariana vai stressar se ficar fechada em casa, prefiro que mantenha o ritmo dela desde que isso não prejudique a gravidez, entendes?
- Sim...
- Não estás muito convicto disso!
- Oh... se a Mari não fosse tão casmurra seria mais fácil - contei-lhe a “discussão” que tivemos sobre a possível mudança de casa.
- Tem calma... Ruben uma coisa de cada vez, agora concentra-te nela e deixa o resto para depois, a Mariana não vai aceitar ficar em Lisboa por isso terão que decidir o que for melhor para todos, ela vai acabar por ceder.
- Espero bem que sim!
Continuamos a conversar mas acabei por regressar para o quarto não fosse a Mari acordar. O tempo que levou até despertar serviu para pensar em tudo o que a Ana me disse e assim que já estávamos no carro a caminho do apartamento da Mariana resolvi perguntar como queria fazer as cenas.
- Ruben a única coisa que não tem discussão possível é a minha ida para Braga, o resto... vê-se depois, tenho que falar com o meu tio por causa do trabalho mas sinceramente agora estou sem cabeça - a Mariana ficou sentida quando a Ana lhe comunicou que tinha que ficar de repouso nos próximos dias, isso para ela é o mesmo que cortar as asas a um pássaro ainda assim não a ouvi reclamar e isso sim deixa-me reticente, a Mari não é de acatar calada as ordens que não lhe agradam...
Chegamos ao seu apartamento e quando entramos encontramos a sua mãe à nossa espera, confirmamos a gravidez mas ocultamos a possibilidade de serem gémeos, apesar de não termos ainda falado no assunto, sabia que a Mariana não queria falar disso pelo menos até termos a certeza.
Aproveitei que a mãe da Mari se ofereceu para ficar a fazer-lhe companhia para ir até ao meu apartamento, queria tomar um duche e mudar de roupa, antes de regressarmos a Braga.
Mariana
Quando a Ana insinuou que podem ser gémeos senti um medo tremendo, foi de tal forma que nem consigo explicar, sinto que não estou preparada para ser mãe de dois bebés e isso fez-me reagir de uma forma negativa. A sorte é que o Ruben ao contrário de mim reagiu bem, pelo menos sei que tenho nele o apoio que preciso para enfrentar esta nova fase das nossas vidas.
Mas se acordei ainda a mentalizar-me para esta realidade depressa tive que tomar conhecimento de outra, a de ficar de repouso pelo menos nas próximas semanas, percebi que não adianta barafustar e por isso acatei a ordem expressa da Ana para não abusar nos esforços, até porque não quero que nada aconteça com os meus bebés.
Da clínica fomos directos para o meu apartamento e quando lá chegamos encontramos a minha mãe à nossa espera, confirmei a gravidez mas não lhe disse da possibilidade de serem gémeos, acabei por ficar na sua companhia quando o Ruben foi até ao seu apartamento.
- Agora que estamos sozinhas - olhei-a - engravidaste com o consentimento do Ruben ou...
- A gravidez não foi planeada se é isso que quer saber!
- Estás de quanto tempo?
- Ainda é recente... aliás tem mesmo que ser tendo em conta que nós passamos uma fase conturbada...
- E como é que estão agora?
- Bem...
- Filha estás a contar tudo? É que tenho a sensação que estás a esconder alguma coisa!
- Está tudo bem mas a verdade é que não era suposto ser assim... quero muito ser mãe no entanto a novidade apanhou os dois desprevenidos, acho que ainda estou a mentalizar-me que serei mãe daqui a uns meses.
- Esta mudança para Braga é por causa da gravidez?
- Não, a verdade é que a gravidez é só mais um motivo para querer estar do lado do Ruben mas antes de saber que estou gravida já tinha decidido mudar-me para lá, aliás o tio antes de ir de férias deu-me a possibilidade de ir para os escritórios da Gesti no Porto e por falar no tio - suspirei - tenho que lhe contar da gravidez até porque isso vai alterar os planos...
- E ao teu pai - olhei-a - não vais contar?
- Não!
- Filha...
- Mãe o pai não quer saber da minha felicidade por isso não vou estar a enervar-me mais, neste momento tenho de pensar em mim e nos meus - olhou-me imediatamente - no meu filho - corrigi mas mãe é mãe e...
- Mariana estás grávida de gémeos?
- Há essa possibilidade - a minha mãe sorriu - a Ana ontem disse-nos que podem ser gémeos mas ainda é muito cedo para se ter a confirmação por isso não comente com ninguém, só o Ruben é que sabe e agora você...
- E ele? - sorriu - Está feliz? Já que pelo que vejo não pareces muito animada com essa possibilidade...
- Oh mãe - baixei o olhar - estou feliz mas também cheia de medo que aconteça alguma coisa... não sei explicar mas a ideia de ter dois bebés assusta.
- Tem calma... cada coisa a seu tempo preocupa-te agora em cuidares de ti para que o meu ou os meus netos venham com saúde - abraçou-me e como soube bem aquele abraço da minha mãe - mas acho que devias contar ao teu pai - afastei-me imediatamente e saí mesmo da sala, lógico que a minha mãe seguiu-me e quando já estava na cozinha a preparar uma sandes para comer - filha não vais conseguir esconder a gravidez e apesar de tudo o teu pai merece saber por vocês e não por terceiros.
- Esse senhor desde que teve a confirmação que estava com o Ruben nunca aceitou o nosso relacionamento por isso não vai ser agora que irá aceitar o neto e sinceramente neste momento não quero pensar nisso.
- Não digas isso, Mariana o teu pai ama-te, tem um feitio especial tal como tens o teu, aliás nisso são muito parecidos mas não há dia nenhum que não o apanhe a olhar para as tuas fotos, ele é orgulhoso e custa-lhe admitir que afinal errou no julgamento que fez do Ruben e do vosso namoro, filha eu própria ao início também fiquei de pé atrás, vocês conheceram-se quando ainda eram adolescentes e sempre tiveram os vossos conflitos, o Ruben nessa altura era um menino enquanto tu - olhou-me - já tinhas a “escola” toda, sim filha, sempre soube que não eras a menina ingénua que o teu pai pensava, nunca te disse mas cheguei a apanhar por exemplo preservativos por entre as tuas coisa, logo aquilo não estaria lá se não os andasses já a usar - gargalhei ao ver o ar de incomodada da minha mãe a falar de tal assunto - não sei onde está a piada!!
- Oh mãe não acha que agora já vem um bocado tarde? Agora é que vem falar disso? Mas sim tem razão... o Ruben do meu lado era mesmo um menino - sorri ao recordar - mas se voltasse ao passado fazia tudo igual, não me arrependo de ter iniciado a minha vida sexual com a idade que o fiz, compreendo que para si deve ser estranho mas fi-lo consciente do que estava a fazer, se quer saber foi com o Paulo, aquele rapaz que o pai tanto adorava e em que tinha plena confiança, até lhe digo mais, fizemo-lo mesmo debaixo das “barbas” do pai já que foi lá em casa e depois do Paulo - olhei-a - perdi a conta aos rapazes com quem fui para a cama, nunca fui santa nenhuma e se houve altura que acalmei foi nos meses seguintes a ter conheci o Ruben, ele no seu jeito de menino envergonhado conseguiu conquistar-me sem me ter apercebido, para mim era só um amigo mas a verdade é que deixei-me da vida que levava para passar a partilhar momentos com o Ruben, momentos esses que nem beijos tinham, as tardes passadas ao lado dele em que simplesmente víamos TV ou em que íamos ao cinema ou ainda as que ficava simplesmente sentada a vê-lo jogar, satisfaziam-me de tal forma que deixei de ter a mesma necessidade que tinha em procurar outros tipos de divertimentos, no entanto não me deixei completamente dessa vida, simplesmente acalmei um pouco, porque pelo menos nas horas que estava ao lado do Ruben se havia coisa que não existia entre nós eram momentos desses, é verdade que em certas alturas houve uns beijos mas foram todos “forçados” - a minha mãe sorriu e interrompeu-me mesmo.
- Mas vocês nunca...
- Oh mãe...
- O que foi? Sim, estou curiosa para conhecer um pouco mais da vossa história e se já confessaste que o fizeste com outros também podes falar do Ruben ou não?
- Poder posso mas...
- Tu não me digas que foste a primeira com quem ele - gargalhei ao ouvi-la.
- Sim - sorri - fui - suspirei - e se quer que lhe diga é talvez de todas a vez que melhor me recordo, oh mãe o que senti foi único... nós não namorávamos e até à noite do baile a única coisa que tinha acontecido foi uns beijos que lhe roubei e que sempre o deixavam atrapalhado mas na noite do baile de finalistas, o Ruben surpreendeu-me e... olhe aconteceu mas foi uma vez sem exemplo, aliás o Ruben acabou por se afastar completamente de mim nas semanas seguintes e só na noite e dia anterior a ir para Faro é que voltamos a falar, despedimo-nos com a “promessa” de nos voltarmos a ver mas isso não aconteceu durante os anos seguintes, perdi mesmo o contacto com o Ruben, o que sabia dele era através do Fábio mas a informação chegava sempre filtrada, tanto que não sabia que o Ruben se tinha tornado tão “livre”, foi uma surpresa para mim quando o voltei a reencontrar e tive noção da pessoa em que se tinha tornado, cheguei a sentir-me culpada e ao mesmo tempo triste pela volta que a nossa amizade tinha dado, as primeiras semanas depois do meu regresso a Lisboa não foram fáceis, andávamos constantemente a discutir, só porque não queríamos admitir tudo o que sentimos quando nos reencontramos, tudo aquilo que andamos anos a tentar esquecer veio ao de cima assim que nos vimos.
Acabamos por conseguir falar da noite que nos marcou para sempre e acordamos não tocar mais no assunto, recuperamos aos poucos a amizade que sempre existiu entre nós e com as horas de convívio foi impossível não cair em tentação, voltamos a nos envolver fisicamente e depois da primeira vez outras vieram, andamos numa de estarmos juntos quando nos apetecia mas sem nunca admitirmos para os outros que isso andava a acontecer, os meses foram passando e o sentimento que sempre nos uniu aumentou tanto que deixamos de ter forças para lutarmos contra ele, não foi fácil ao inicio porque os fantasmas do passado assombravam mas depois de muitas discussões decidimos assumir que nos amamos e iniciamos uma relação, foi nessa altura que vos contei, o meu namoro com o Ruben começou oficialmente durante as férias em Faro e quando cheguei a Lisboa contei-vos na primeira oportunidade que tive, ou seja nos anos do tio Jorge, mas o pai reagiu da forma que sabemos e nunca se preocupou em tentar perceber o nosso lado ou mesmo a dar o benefício da dúvida, ele crucificou o Ruben porque antes de mim andou a saltitar mas a verdade é que se andou nessa vida a culpa foi minha, foi para tentar esquecer-me que o Ruben rodou tanto...
- Mariana, filha, não julgues o teu pai dessa forma, acredita em mim, ele tem motivos para reagir assim - olhei-a - e para ser sincera apesar de nunca ter ido contra o teu namoro a ideia também não me agradou, também tive receio que a vossa história acabasse mal, vocês têm os dois um passado conturbado...
- Mas pelo menos você deu-nos o benefício da dúvida...
- Filha, não consigo condenar o teu pai por não ter dado esse benefício... Mariana dá uma oportunidade ao teu pai, ele ama-te tanto...
- Não! Agora tenho de pensar em mim e no meu bebé!
- Bebé que tem o direito de conhecer o avô materno! Filha, conta ao teu pai que estás grávida, por favor!
- Mãe, não insista! Se quiser contar-lhe não a vou impedir mas da minha boca não vai saber...
A minha mãe ainda tentou insistir mas o regresso do Ruben colocou fim à conversa, acabamos por nos despedir e quando a minha mãe saiu, o meu amor colocou algumas das minhas malas no meu carro e rumamos até Braga, uma vez que o João já tinha levado o carro do Ruben para Guimarães, uma vez que regressou para jogar pela selecção.
Como e quando saberá o Sr. Manuel que vai ser avô?
E a novidade de poderem ser gémeos será confirmada?
Que impacto terá isto na vida do casal?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

070-"Amor...O próximo temos que fazer uma menina né?"


(João)
O aniversário da Maria e depois o do Ruben, tal como tinha sido combinado foram um fim de semana passado a seis em Braga, tinha acabado de estacionar quando também o Fabio o faz e por isso em vez de subir logo dirigi-me a eles afinal estava mortinho de saudades da Maria e do Bruno.
- Então? E a Maria? - a Ana que tinha ficado para trás dá uma gargalhada
- Ela vinha toda animada, mas ai há uma hora adormeceu e agora olha ninguém a tira do carro...
- Tiro eu!
- Ai valente... nós vamos subindo, depois tranca-o
- Ok
Fui até ao carro e depois de tentar que de livre e espontânea vontade se levantasse, algo que não aconteceu, peguei-a ao colo e quando já estávamos dentro do prédio ela despertou e foi  tudo menos meiga já que me bateu nos braços e refilou para que a colocasse no chão algo que fiz e quando brinquei por ela estar mais pesada, brincadeira que queria que terminasse com um mimo ao nosso filho por estar a ficar grande acabei por aparentemente ofende-la já que me deixou sozinho nas escadas e subiu disparada para os braços da prima e mais valia não a ter seguido porque a conversa só piorou e quando mais uma vez amuada deixou a sala é que fiquei a saber pela Ana que com ao bebé estava tudo bem o mesmo não acontecia com ela que estava a perder peso constantemente
- E tu dizes-me isso com essa calma?
- João menos! Não é a melhor das circunstancias, nem a mais normal, mas a Maria por enquanto está clinicamente bem portanto sim digo-te isto com calma
- O que é que essa perda de peso pode influenciar?
- Para já nada, mas se continuar poderá provocar uma anemia ou qualquer outra patologia derivada da falta de nutrientes... João ela come, mas apenas o necessário para o Guilherme, quanto ao que ela precisa isso é pior e ela vai enganando-nos porque quando estamos presentes come normalmente, mas suspeito que quando está sozinha não o faz...
- Porquê? Só não percebo porquê? Não come e ainda tá com esta birra de estar gorda... juro que não a chamei de gorda... disse que estava pesada, mas ia brincar com o Bruno...
- Algumas grávidas passam-se quando a barriga começa a crescer e deixam de reconhecer o seu corpo – tentei falar, mas a Ana não deixou – sim João ela nunca ligou a isso do corpo ou nunca precisou ligar porque naturalmente o tem no sitio e agora pela primeira vez sentiu-se diferente e isso juntamente com todas as alterações da gravidez fê-la sentir-se menos confortável... e quanto a ti meu amigo... muita paciência e cuidadinho com o que dizes...
- Vou ter com ela...
Quando ia a chegar à cozinha consegui ouvir a Mariana a dar-lhe nas orelhas por causa da sua perda de peso algo que mentalmente agradeci já que se há pessoa que a Maria escuta é a prima.
- Oh Maria por favor! Tás grávida e como tal o meu afilhado precisa de espaço... e tás com essa barriguinha linda... dai a pareceres a Popota! - foi impossível não sorrir com o que a Mariana dizia para perder logo de seguida o sorriso
- Sim pois... já não me servem calças nenhumas e a sorte é que os vestidos vão “esticando” mas a continuar assim não falta muito e nem isso...- ela está assim por causa de roupa?! Não resisti ao ver a cara de total desanimo quando falou e aproximei-me explicando que apenas brincava quando falei
- Ohh fofa tava a brincar contigo! E vamos ter que ter uma conversa séria menina Maria... que historia é essa de estares a perder peso? - não consegui controlar o medo era maior
- Tá tudo bem com o bebé! - desculpou-se de imediato enquanto vi a Mariana deixar-nos sozinhos
- Não foi isso que te perguntei!
- Ai oh João!
- Oh João nada! Explica-te!
- Tenho comido tudo certo...
- Sim...
- Estive contigo 15 dias não comi?
- Comeste!
- Então...- percebi que não iria conseguir arrancar-lhe nada e por isso decidi agir normalmente até arranjar uma forma de a convencer a comer
- Anda cá!!
- Hum?
- Beijo!
Ficamos ainda uns minutos a trocar mimos e depois seguimos com o resto do pessoal para a rua onde almoçamos e acabei por convencer a Maria a aceitar um passeio afinal há já alguns anos que não o fazia e Braga foi uma cidade que me acolheu muito bem.
Se o passeio pelo centro histórico foi animado com os cinco sempre em algazarra quando chegamos ao Bom Jesus o meu telemóvel tocou
- Olá Mãe!
- Olá... o meu neto?
- Sim mãe estou bem... a viagem correu bem e não, não estou muito cansado
- Quero lá saber disso! - ouvi-a rir e gargalhei também - Quero é saber como o meu neto chegou ai
- O teu neto bem... - suspirei ao lembrar-me da paranóia da Maria - já a mãe dele...
- O que se passa com a Maria?
- Segundo a Ana o bebé está a crescer bem,  mas a Maria está a perder peso...
- E isso tem alguma explicação?
- Sim ela meteu na cabeça que está gorda... até já apanhei hoje por causa disso...
- O que é que fizeste João Pedro?
- Nada de especial só uma brincadeira, mas ela levou a mal! Mas não se preocupe que eu não volto para Valência sem resolver o assunto
- Tá bem... Qualquer coisa liga, manda beijinhos ao Guilherme e à Maria!
- Oh mãe é Bruno!
- Oh João... não stresses a Maria!
Nem dissemos mais nada voltamos a rir e desligamos a chamada quando o fiz senti alguém jogar-se ao meu pescoço e  quando vi quem era fiquei espantado
- João!!! Ai que saudades!!!  
- Monica?! Por aqui? 
- Isso pergunto eu! Por aqui?
- É... - nem sabia bem o que lhe dizer a ultima vez que nos tínhamos encontrado tinha-a expulsado lá de casa e agora ela parecia que não se tinha passado nada.
- Ainda bem que estás aqui precisava tanto de um amigo!
- Ah...
- Bem tu estás no ponto como sempre - disse passando a mão pelos meus braços e como já a conheço afastei-me um pouco
- Tu também... mas tavas a dizer que precisavas dum amigo? Então onde estão os teus?
- Queria dizer que precisava de ti... - ela voltou a aproximar-se de mais para o meu gosto e nem queria imaginar como estava a Maria por isso resolvi chama-la, para que entrasse na conversa e deixasse de inventar macaquinhos e assim acalmar também a Monica que estava ligeiramente assanhada
- Maria chega aqui! - vi-a forçar o sorriso e aproximar-se
- Sim?
- Já conheces a Monica?
- Já! Conheci-a em tua casa daquela vez que a expulsaste de lá! - já devia esperar que ela tocasse logo na ferida, afinal azeda já ela estava...
- Pois foi... foi um dia bastante forte... mas oh estás grávida? - a Monica está a querer brincar com o fogo pergunta o óbvio?!
- Não... fui picada por uma abelha e inchou-me a barriga! - confesso que a vontade de rir foi enorme, mas controlei-a para não piorar a situação, se bem que
- Adoro o teu sentido de humor... 
- E eu a tua capacidade de representar!
- Maria - tentei acalma-la quando percebi que a conversa ia descambar mas acho que apenas consegui fazer pior já que a Maria lançou-se numa resposta bastante clara para todos
- Desculpa... sim estou grávida... e sim MESMO grávida, a barriga está mesmo a crescer e está mesmo um bebé aqui dentro!
- aaaa... eu...
- Bem peço imensa desculpa mas eu quero ver a vista cá de cima porque adoro! E tu vens ou ficas?
- Ah... eu... eu vou já...- decidi ficar de forma a tentar minimizar os danos com a Monica que também conheço e sei que por ela fazia a Maria rolar escadas do Bom Jesus abaixo, quando a Maria já estava a alguma distancia - desculpa, as hormonas deixam-na assim sem papas na língua...
- Sem problema eu fazia o mesmo no lugar dela... - esta não esperava eu -  achas que se te roubar mais  uns minutinhos ela vai morder?
- A ti não... já a mim - tentei sorrir - mas o que tens?
- Ah.. é que... bem eu também estou grávida...
- A sério?! Parabéns!
- Pois...
- Não é parabéns?
- Pode ser... 
- Explica-te...
- Não sei quem é o pai... e sim entre 4 ou 5 ex-colegas teus e mais alguns “amigos” meus tenho muito por onde escolher...- fiquei a olha-la e nem sabia o que lhe dizer - e essa é a cara que tenho encontrado em todos a quem conto... essa e a reacção do desaparece da minha frente não te quero ver nem pintada... que alem dos possíveis papás foi tida também pelos meus pais
- Os teus pais?
- Sim depois da ultima vez que estivemos juntos quando cheguei a casa resolvi contar-lhes o que tinha feito e depois de uma valente descompostura as coisas nunca mais ficaram iguais, mas deu para ir vivendo. Mas agora quando lhes contei que estava grávida primeiro desconfiaram de mim algo que não os condeno dado o meu histórico, e depois de ter de fazer um exame na sua frente quando lhes confidenciei que não sabia quem era o pai não ficaram muito satisfeitos com a ideia e... e bem o meu pai meteu-me fora de casa e nem quer ouvir falar de mim já a minha mãe...  bem pelo menos tem tentado saber como estou...
- E como estás?
- Sozinha, a viver aqui em Braga, como já fazia parte do grupo de dança aproveitei e mudei-me... e para já dá para ir mantendo - Neste momento a Monica é interrompida pela Maria que informa que vão andando para o estádio - vai lá... encontramos-nos no estádio
- Também vais? 
- Sim temos actuação no inicio...
- Estás sozinha
- Sim
- Então vou só falar com a Maria - apesar de tudo tinha pela Monica alguma amizade que não me permitia deixa-la sozinha - não saias daqui! - fui até perto deles e como esperava a Maria não reagiu muito bem. - Bem espero que tenhas carro que não me apetece ir a pé até ao estádio
- Tenho sim... não precisavas...
- Precisava sim e agora conta-me lá tudo bem
O caminho foi passado a tentar perceber como era a situação da Monica, mas realmente ela estava metida numa bela confusão e eu além de ouvi-la não tive intenções de ajuda-la de outra forma e por isso quando chegamos ao estádio corri para perto da Maria e quando cheguei ao camarote ela estava no exterior com a Mariana
- O que se passa?
- A Mariana está mal disposta...
- Ah...
- João quem é ela?
- Ela quem?
- A tua amiga...
- Ah... é...
- É alguém que mexe com o sistema nervoso da Maria por isso vê lá o que fazes se não for por mais nada só por hoje ser o aniversário dela...
- Ana na boa... tá tudo controlado e não fiz nada de mal...e agora vou lá falar com ela
Juntei-me a Maria assim que a Mariana colou os olhos no Ruben e consegui perceber que o grande problema dela era, para não variar a forma física da  Monica em comparação com a sua, não sabendo ela que só leva umas semanas de avanço. Ainda pensei esclarecê-la, mas achei que não era tema para conversa e se lhe contasse a Maria ia começar a fazer grandes filmes. Por isso expliquei-lhe de  forma indirecta que a Monica já tinha feito várias cirurgias plásticas e que eu preferia de longe a sua forma... e como preferia... a gravidez estava a deixar a Maria ainda mais sexy e não me coibi que lhe dizer e tentar provar tal coisa, mas ela cortou-me as asas assim que o jogo começou e durante as horas seguintes as coisas pareciam ter regressado à normalidade. Mas isso era bom de mais durante o jantar a Maria atirou-se a tudo o que tinha chocolate e ainda vez uma encomenda para levar o que gerou mais algumas palavras entre nós e confesso  que mais uma vez fui eu que meti a pata na possa e para melhorar ainda voltamos a encontrar a Monica que mais uma vez meteu conversa, nada de especial apenas conversa de encher, ela estava realmente sozinha e precisava de alguns minutos de atenção tentei dá-los enquanto ao longe via a Maria a passar-se e por isso acabei por me despedir dela e entrar tambem eu em casa e o momento que se seguiu foi todo centrado na minha princesa que lá superou as velas e abriu as prendas e depois de alguns minutos o Ruben repetiu-lhe os gestos e finalmente “cama” pensava eu.  Mas  a Maria deu-me para trás com todas as desculpas esfarrapadas que tinha e mais algumas enquanto se deliciava com as sobremesas que tinha trazido do restaurante, o que me deixava maravilhado já que a cara de deliciada e feliz dela eram algo indescritível, quando terminou o repasto pensei que finalmente teria a minha chance, mas ela acabou mesmo por desaparecer por largos minutos, mas quando voltou lá consegui domar a fera e ainda trocamos alguns miminhos bastante agradáveis. Acordamos relativamente cedo e a manhã foi de novidades boas.

(Maria)
Com a entrada dos donos da casa na cozinha a única coisa que eu e a Ana queríamos  era saber o resultado do teste da Mariana, mas como o João e o Fábio não sabiam de nada e também não imaginávamos a reacção do Ruben ficamos caladas até que no  meio de  uma conversa super banal sobre tomar-mos o pequeno almoço na rua a minha resolve soltar a bomba ainda demorei uns segundos a assimilar mas fui a primeira a saltar-lhe para o braços o que levou a mais uma informação eu seria a madrinha do bebé algo que me deixou radiante só conseguia pensar que mais uma vez as primas Mendes iam passar por mais uma experiência em conjunto. E para melhorar o quadro e depois da Ana e do Fábio terem reagido a Mari teve que provocar o “Padrinho”  ou seja o João para que também ele dissesse algo.
As horas seguintes foram de alegria em níveis astronómicos e quando depois de regressados do pequeno almoço o Ruben resolve saber de quanto tempo é a gravidez da Mariana e começam numa conversa animada sobre o  assunto com a Ana, a conversa para o meu lado ficou centrada a dois
- Tá-te a rir do quê?
- Da cara de parvo do Ruben!
- Já viste a tua quando falas com o Guilherme?
- Oh... - disse a rir para passado alguns momentos - Deve ser tão fixe!
- O quê?
- Esperar que aqueles pauzinhos de plástico tenham riscos ou não... e saber o que querem dizer... e... - senti um remorso apoderar se de mim sabia perfeitamente o que ele me estava a querer dizer por isso levantei-me e abandonei a sala e o convívio com os nossos amigos, enfiando-me no quarto fingindo trabalhar colocando o tablet no colo para se alguém desse pela minha falta estar minimamente credível

Não esperei muito até a porta do quarto abrir, levantei  os olhos do ecrã e vi o João, ignorei-o ai sim iniciei sessão da minha conta de e-mail e comecei a ler alguns que tinha recebido, a maioria de “Parabéns”, outros de publicidade  mas abri-os a todos enquanto o João se sentava ao meu lado e se deixou ficar alguns minutos, poucos até que me retirou o tablet da mão para desatar a rir quando viu a capa que o protegia 
- Eu estava a falar contigo...
- Não tu estavas a falar...
- Deixa de ser casmurra, não podemos conversar agora? 
- Podes conversar sobre o que quiseres... mas também deves imaginar que se te  custou não ver o teste... a mim custou-me fazê-lo sozinha, custou-me imaginar que teria que contar... que contar-te a ti! - ele olhou-me admirado - tu deves achar que é fácil depois do que sempre disse sobre ter filhos num futuro próximo descobrir que estou grávida numa altura em que nem nos falamos, em que queremos distancia um do outro em que ouvi sobre mim os mais carinhosos adjectivos vindos de ti... Saber que só existia uma hipótese desta gravidez ter sido criada e saber perfeitamente, até porque mantenho guardado o maravilhoso bilhete de amor que li quando acordei, a forma como ela acabou deixou-me como  podes  calcular seguríssima .. e imaginar tudo aquilo que devem pensar  ir dizer... “olha para ela se é parva... ele foi-se embora e ela usou o velho truque da barriga... separados como estavam nem deve ser dele” achas que se  digere isso como? Até tu irias pensar nisso, se é que ainda não pensas... até porque os dois sabemos o que pensaste quando viste a “noticia” no Facebook...- tentava falar calmamente e realmente esta conversa faltava-nos
- Eu nunca coloquei em causa que o Bruno era meu... NUNCA!
- Ai não? Então foi o pessoal que inventou tudo o que dizias do Espanhol?
- Não eu sempre disse que podia ser do Sergio porque era a forma de me proteger, tu nunca te deste ao trabalho de me dizeres que estavas grávida quanto mais que suspeitavas... querias o quê? 
- Que me perguntasses... que falasses comigo... os dois sabíamos o que aconteceu naquela noite não?
- Tive medo! Preferi esconder-me atrás da desculpa do Sérgio que até era credível já que andavam sempre os dois muitos juntinhos e não correr o risco de ouvir que aquilo que sonhava afinal era a realidade de outro! - estávamos os dois sentados na cama frente-a-frente e se até aqui a conversa tinha sido mais dura, quando ele se focou na minha barriga a voz começou a sair-lhe mais melosa - desde a primeira eco que meteste no Facebook que sabia que aquela ervilhinha era nossa! fiquei horas... noites a olhar para o ecrã preenchido com aquela imagem, aquela e todas as outras que foste publicando... passei noites a conversar com vocês os dois... a contar como tinha passado os dias e como estavam a correr as coisas, a marcar datas de visitas a Lisboa só para vos ver e... mesmo sem grande proximidade sempre que fui a Lisboa pude ver-te... ver-vos - já estava a chorar - fofa não chores... olha naquele bem dito almoço que os nossos compadres organizaram.. quando me pediste um favor, só desejei que fosse que te ouvisse e que me dissesses que era meu... mas depois chegou o Sérgio...
- Desculpa... desculpa ter sido um fraca e não te ter dito logo, desculpa... mas eu não  dei  hipótese de mais ninguém ser o pai do nosso bebé!  O Sergio quando lhe disse que não te iria contar ainda tentou fazer-me mudar de ideias para acabar dizendo que se quisesse ele assumia...agradeci o gesto mas ou eras tu... ou não tinha pai! E foi por tua causa que partilhei tudo aquilo no Facebook... foi para ires vendo... sempre soube cá no fundo que tu irias saber... - continuava a chorar - e também me custou horrores não te ter pertinho de mim... sim que uma pessoa tar enjoada e ter o Ruben a tentar ajudar... nada contra foi um querido, mas o Ruben não és tu... já para não falar que obrigar a Mariana a levantar-se de madrugada para me comprar chocolates também tinha muito menos piada que se te levantasse a ti! - acabei por sorrir com a cara dele -e sim naquele bem dito almoço, não ia falar porque não ia conseguir... queria só que... queria sentir nem que fosse só essa vez a tua mão na minha barriga...
- Também devias ter uma sorte comigo... - o clima esta decididamente relaxado entre nós - mas eu prometo que nos próximos eu vou... vou comprar os chocolates, aturar os enjoos, até os testes sou eu que vou comprar! - não lhe respondi só lhe dei um beijo no alto da cabeça já que ele já estava entretido a beijar-me a barriga - Amor...
- Diz...
- O próximo temos que fazer uma menina né?
- Desculpa? Ainda este está aqui já estás a pensar em próximo?
- Oh deixa-te de ficar ofendida que sei perfeitamente que depois deste ainda nos faltam 4 - foi impossível não gargalhar afinal eu sempre disse que queria 5 filhos
- Eu não estou ofendida só estou a  dizer que tem que ser com calma... além disso quando o Guilherme sair eu logo-te digo se volto a repetir a experiência... sim que para ti é só fazê-los...
- Tás com medo? Medo do parto?
- Tou!
- Porquê?
- Não sei, mas tou... há sempre qualquer coisa que pode correr mal... e tenho principalmente medo de não conseguir aguentar as dores... ou de não ter força para o “mandar cá pra fora” - ele sentou-se encostado na cabeceira da cama e puxou-me para o meio das suas pernas encostei as minhas costas ao seu peito
- Não tenhas fofinha... eu vou estar lá contigo... 
- Vais?! - ele acenou afirmativamente com a cabeça que mantinha encaixada no meu ombro - como é que sabes que consegues?
- Tá previsto para  dia 8 venho logo a 5 ou assim... não me olhes assim peço autorização logo que se lixe...
- Oh... mas pode ser duas semanas antes ou duas depois...
- Ele não fazia isso ao papá! Pois não Bruno?
- Esse tal de Bruno talvez não, o Guilherme já não sei...
- Se fizer assim que sentires qualquer coisinha tu avisas logo! E eu teletransporto-me de imediato para ao pé de ti.
- Amo-te - dei-lhe um pequenino beijo
- E eu a ti... amo-vos - deu-me um beijo e uma festa na barriga
- Desculpem interromper o momento lamechas, mas alguém tem um avião para apanhar! - o Fábio veio despertar-nos para a realidade
- Eish pois é vou já... - ele pegou na mala e seguimos para a sala quando lá chegamos o João lembrou-se de picar os nossos amigos - ahh oh Fabinho já só faltas tu!  
- Falto eu o quê?
- Deixares de seres um menino e fazer um bebé à Ana... faz algum sentido não estarem as três da vida airada grávidas ao mesmo tempo!
- Ei oh João toma lá conta da tua vida... que se te fazemos a vontade quem é que vai estar em condições de tirar o Guilherme do conforto da barriga da mamã... eu não sou, mas talvez a aquele meu colega - piscou-me o olho - aquele Maria alto, moreno, de olho azul
- Ai sei qual é! Só de lembrar até dá calor!
- Ui se dá! - a Mariana meteu-se e abanamos-nos as três com calores provocados pelo colega da Ana
- Pronto... pronto... Fabinho logo pensas em bebés depois dos nossos nascerem né João? - o João confirmou - Que eu não dispenso a presença da Ana muito menos substituída por um “colega”
- Afinal menino não sou eu são vocês!
- São todos Fabinho todos! Dos três, apesar aqui do padrinho do Guilherme ter fama mundial de menino... vocês os dois não se ficam atrás!
- Assino em baixo tudo o que a Maria disse!
- Oh Ana!
- Oh Fabio!
- Meninos a discussão está muito gira, mas eu tenho mesmo de ir apanhar o avião.
Seguimos até ao aeroporto do Porto onde o João se despediu do pessoal deixando-me a mim para o fim
- Vocês portem-se bem! - deu-me um beijo na barriga e um nos lábios - até já...
- Até já!!
- Amo-te e é bom que tires da cabeça a ideia que tás gorda porque não estás... estás linda!!
- Amo-te mesmo sendo esse grande mentiroso
Demos um ultimo beijo e ele embarcou enquanto que eu, a Ana e o Fábio  iniciamos viagem até a Lisboa.
Ainda passei uns dias sozinhas, algo a que me tinha da habituar já que a Mariana irá mesmo para Braga.
O dia em que ela veio até Lisboa para tratar de tudo com o meu tio e para “fazer a mudança” deixou-me nas nuvens tinha pensado fazer um passeio de grávidas pelas lojas de puericultura dos shoppings todos de Lisboa e ainda pelas da Baixa, mas depois da reunião com o nosso tio chegou a altura da visita e informação seus pais e estava eu esperando por ela para o lanche e passeio  quando recebo uma chamada da minha tia a informar-me que estava a levar a Mariana para a clínica porque esta tinha desmaiado, liguei para a Ana e também eu voei para lá.
Assim que cheguei à recepção 
- Tia!
- Ai Maria...
- Como ela está?
- A Ana já estava à nossa espera entrou com ela e pediu para aguardarmos aqui...
- Eu preciso falar com ela
- Maria chega aqui
- Ana como está a minha prima? - a Ana colocou-me ao corrente da situação da Mariana e depois ainda perguntou quem avisava o Ruben - O João!
- O João?
- Sim eles estão juntos no estágio da selecção eu ligo e peço a ele para avisar.
Iniciei de imediato a chamada
- Tou!
- Amor tou no hospital!
- O que é que se passou? O Bruno? Amor estás bem?
- Calma!!! Connosco está tudo bem, a minha prima é que desmaiou e veio cá parar, foi falar com os meus tios... 
- Eish o Ruben vai-se passar!
- Falas tu com ele?
- Falo... falo...
- Qualquer coisa ligo-te ou então liga tu assim que tiveres novidades!
- Amo-te
- Amo-vos!
Desliguei a chamada e fiquei à espera na sala de mais novidades, confesso que evitei qualquer conversa com os meus tios dado que percebi que a Mariana não tinha contado a “novidade”.

Como contará o João a noticia ao Ruben? Como ele reagirá?
E o casal João e Maria como serão os próximos tempos?