quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

069 - "...se amasse a mãe percebia o que sinto pelo Ruben..."


Mariana
A reacção do Ruben foi muito melhor do que esperava e talvez por isso consegui serenar completamente ao ponto de aproveitar na plenitude os primeiros mimos do papá babado, ainda assim tive que o contrariar, já que por ele ficávamos na cama o dia inteiro mas o nosso filho já reclamava com fome.
Partilhamos o momento do duche e no fim seguimos para a cozinha sempre agarrados e aos beijos, foi assim que entramos e por isso.
- Eish... pá controlem-se que não somos obrigados a levar com esse mel todo! - o Fábio foi o primeiro a reclamar seguido do João.
- Realmente sei que fazes anos mas não precisamos de presenciar este tipo de cenas!
- E estarem caladinhos, não?
- Oh Mari nós sabemos que aí o “bebe água” - gargalhei ao ouvir o João a chamar o Ruben pela alcunha que teve quando andava nas escolinhas do Benfica - faz anos logo é bebé e precisa muito de mimos mas aqui o pessoal quer é comer, por isso deixa aí o caramelo e dá-nos de comer!
- João, primeiro tens mãozinhas e pezinhos para te conseguires desenrascar sozinho, segundo vai chamar caramelo a outro... sim sei que o Ruben é bem apetitoso e confesso que volta e meia dá-me assim umas “ganas” de o comer - suspirei levando-os a todos a gargalhar - mas daí a ser caramelo... bah ainda por cima caramelo que só de pensar enjoo...
- Enjoas?! Ui não me digas que estás grávida! - o João atirou de forma imediata o que fez-me olhar para a Maria numa de perceber se lhe tinha dito alguma coisa e vi-a de imediato a negar por gestos.
- E se deixássemos a conversa dos caramelos para depois e fossemos tomar o pequeno-almoço fora?
- Ena que o padrinho está a falar tão nas tão bem!!! - a Maria falou levando-nos a rir.
- É também concordo! - olhei para o Ruben e sorri - E o primo do Guilherme também - falei de rajada e com o Ruben agarrado à minha cintura, talvez por isso só uns segundos depois é que tivemos a primeira reacção.
- PRIMAAAAAAAAA repete lá isso - o sorriso da Maria era enorme - eu ouvi bem?! - perguntou já a apertar-me - AIIIIIIIII tou tão contente por ti prima...
- Pois já vi que sim... mas agora não apertes mais o teu afilhado ou afilhada, boa?
- Tás a falar a sério?
- Lógico!!! - respondi quando a Maria já estava a fazer festas na minha barriga inexistente perante o ar de incrédulos dos rapazes - Então e o padrinho não diz nada? - reclamei ao ver o João a olhar-nos.
- Vocês estão a falar a sério? - tanto eu como o Ruben gargalhamos perante a pergunta do João.
- Sim! A Mariana está grávida - o Ruben “encheu” a boca para confirmar e a partir daí fomos cercados por duas autênticas crianças, sim que tanto o João como o Fábio festejaram a novidade como se fosse filho deles.
- Oh tu que estás aí dentro - olhei para o Fábio que falava para a minha barriga - vê se nasces com mais juízo que os teus pais, sim que para sem juízo já basta eles - gargalhamos - agora a sério fico super contente por vocês, já mereciam - voltou a abraçar-me - quem te viu e quem te vê... a Mari louca mãe de família!
- Não entres por aí - o Ruben falou - ou vou ter que te relembrar que foste o último a perceber que a amizade que tinhas com a Ana há muito que tinha deixado de ser só AMIZADE! - o meu amor jogou “sujo” o que deu origem a algumas gargalhadas por parte de todos e foi a rir que saímos de casa.
O caminho até à pastelaria foi feito a pé, já que era relativamente perto e durante o mesmo as raparigas resolveram inteirar-se sobre a forma como lhe contei da gravidez, expliquei que o Ruben apanhou-me com o teste nas mãos e disse-lhes qual tinha sido a sua reacção.
- Como vês não tinhas motivos nenhuns para teres receio!
- Sim Ana mas depois de tudo...
- Depois de tudo vocês continuam juntos para mim isso diz tudo.
Concordei e o assunto “morreu” até porque o Ruben colou-se a mim. Comemos com muita conversa há mistura e no fim regressamos a casa, assim que vi o sofá sentei-me imediatamente sempre com o Ruben do meu lado a dar-me mimo.

- Amor - olhei para o Ruben quando já estava sentada ao seu colo - de quanto tempo é que estás?
- Sei lá! - respondi muito naturalmente o que levou a Ana, que estava ao nosso lado, a gargalhar.
- Ruben também fazes com cada pergunta - olhamos para ela - a Mari ainda nem tinha dado por falta de nada como é que queres que saiba de quantas semanas está...
- Piadinha!
- É né?! Mas vá diz lá quando é que foi a última vez que o tiveste para a malta perceber de quanto tempo estás - olhei-a sem grande vontade de estar a comentar a minha vida intima à frente de todos mas acabei por lhe dizer já que o Ruben estava muito interessado em saber - hum... então deves estar de cinco semanas ou seja foi feito na noite que fizeram as pazes ou nas seguintes... mas só depois dos exames e de uma eco é que teremos a certeza...
- Sim... sei disso!
- Por isso quero-te ver nos próximos dias no meu consultório!
- Sobre isso temos que falar...
- Como assim?
Olhei para o Ruben e depois para a minha prima antes de dar a segunda novidade do dia.
- Não sei se vai dar para acompanhares a minha gravidez - a Ana olhou-me admirada - é que há uma cena que ainda não te contei mas antes de vir de férias o meu tio pediu que tomasse uma decisão, basicamente colocou à minha consideração aceitar ou não ser transferida para os escritórios do Porto e se já estava a pensar em aceitar agora é que venho mesmo...
- Ah se é por isso não há grande problema, posso acompanhar a gravidez, é uma questão de combinarmos e nos dias que puderes vais até Lisboa visita os amigos e a família e aproveitamos para ver se está tudo bem com o bebé, porque se não houver complicações não precisas que te acompanhe constantemente.
- Fixe – falei animada uma vez que queria mesmo que fosse a Ana a minha médica.
- E para facilitar até podes fazer os primeiros exames aqui em Braga e quando fores já levas os resultados.
- Ok.
Estávamos já a falar de alguns detalhes quando o Ruben se meteu na conversa e relembrou que quer acompanhar-me a todas as consultas o que dificulta no momento de marcarmos um dia que dê para os três.
- Amor não fiques assim... Podemos sempre tentar marcar para que consigas ir a todas as consultas.
- Oh e se não der? Não podes adiar eternamente as consultas...
- Ruben não compliques... se explicares o motivo não estou a ver o treinador a impedir-te de ir a Lisboa por umas horas... nem que vás só à consulta e venhas logo embora...
- É... talvez tenhas razão! Quando souberes a data da consulta falo com o treinador e logo vemos.
- Ruben prefiro que fales antes - olhou-me já que estava concentrado a fazer festinhas e a babar na barriga que ainda não se nota - amor podes dar o toque ao treinador para percebermos se existe ou não receptividade por parte dele, até porque assim posso marcar a consulta consoante o melhor dia para ti...
A conversa continuou em torno do mesmo assunto mas acabou por mudar quando os rapazes começaram a picarem-se e para ser sincera nem percebi bem o motivo. A animação tinha tudo para continuar mas o momento do João regressar a Valência chegou e como tal fomos levá-lo até ao aeroporto, para depois nos despedirmos também do Fábio, da Ana e da Maria que seguiram para Lisboa.

Ruben
Tínhamos acabado de chegar a casa depois de deixar o João no aeroporto e nos termos despedido do pessoal quando a Mari lhe apeteceu mimos, como tal resolveu arrastar-me para a cama onde nos deitamos e ficamos simplesmente a “jogar conversa fora” enquanto a mimava um pouco, estávamos naquilo já há um bocado quando lembrei-me de algo.
- Quando é que fazes a tua mudança? - olhou-me - Amor temos que ver como fazemos isso.
- Como assim?
- Ohh não acho boa ideia andares a fazer todos os dias as viagens Braga-Porto-Braga - sentou-se na cama de frente para mim - sei que gravidez não é doença mas fazeres todos os dias esse caminho é cansativo.
- Deixa de ser exagerado.
- Não é exagero.
- Ok então e qual é a solução que já arranjaste? Sim que para vires com essa conversa é porque já pensaste no assunto!
- Ohh por acaso ainda não pensei em nada, lembrei-me disso agora mas temos que arranjar uma solução porque não gosto da ideia de andares de um lado para o outro sozinha.
- Ah... então isso resolve-se... contratas uma babá para mim que assim passo a andar acompanhada!
- Não gozes! Isto é sério...
- Tudo bem mas se o problema são as viagens de carro posso fazê-las de comboio assim já vou acompanhada e teoricamente já não é tão desgastante.
- Oh então podemos sempre nos mudarmos.
- Hey não estás a sugerir que vive e trabalhe no Porto, pois não? É que já chega ter que trabalhar lá quanto mais viver - gargalhei ao ver a cara de enjoada dela, Porto para a Mari é sinónimo de passeio e nunca de cidade para se viver, nunca percebi o porquê mas não é sitio pelo qual morra de amores, se gostasse de futebol ainda poderia estar relacionado com a rivalidade entre os clubes mas no caso dela isso não se aplica de todo - não sei onde está a piada!
- Viver no Porto não me parece mas podíamos dividir o mal pelos dois.
- Ãh?
- Tipo para não ser só um de nós o sacrificado podíamos mudar-nos tipo para Famalicão ou Santo Tirço e assim dividíamos o caminho pelos dois.
- Isso não faz muito sentido.
- Lógico que não... o que faz mesmo sentido é andares todos os dias a fazeres viagens de uma hora duas vezes por dia!
- Também não precisas falar nesse tom - resmungou - ao sair da cama.
- Mariana - chamei-a mas não ligou nenhuma e saiu do quarto - amor - voltei a chamar ao segui-la mas ignorou-me e sentou-se no sofá - estás a ouvir-me? - olhou-me e cruzou os braços que nem criança quando faz birra - só estou preocupado convosco - levei a mão à sua barriga - desculpa se fui bruto na forma como falei mas só quero o melhor para ti, será assim tão difícil entenderes isso?
- É! Tal como para ti é difícil entenderes que também estou preocupada contigo.
- Comigo?! Amor quem está grávida és tu não sou eu...
- Vai gozar com outra!
- Não estou a gozar, estou a constatar factos. Mariana tens de ser razoável e concordares comigo.
- Acho que estás a exagerar - olhou-me - amor o que não faltam são grávidas por esse mundo fora a fazerem viagens de uma hora ou mais para irem trabalhar e eu não sou diferente delas, desde que esteja tudo bem com a gravidez não há motivo nenhum que justifique esta mudança, além disso daqui a quatro meses podes ter que regressar a Lisboa por isso não faz sentido andar numa correria à procura de casa algures em Famalicão ou no raio que parta, por mim ficamos mesmo aqui mas se for para deixar de te ouvir então mudamo-nos mas aviso já que não mexo uma palha por isso se queres mudar tratas de toda a logística, arranjas casa e fazes a mudança, porque garanto que a única mudança que farei é de Lisboa para Braga!
- Casmurra!
- Pois sou! E agora com o teu filho corres o risco de eu ficar ainda mais por isso habitua-te! - assim que terminou de falar saiu da sala e foi impossível conter o riso, a Mari está mesmo irritada mas sei que aquilo passa-lhe assim que pare para pensar, pois chegará à mesma conclusão que eu, se nos mudarmos fica com a vida mais facilitada.
Fiquei pela sala a ver TV e um tempo depois a Mari regressou já com uma taça de leite com cereais na mão, acabei por rir afinal se há coisa que não come é leite com cereais.
- Não gozes! Apeteceu-me! - reclamou ao sentar-se ao meu colo.
- É também te apeteceu massacrar as minhas pernas? - olhou-me de lado
- Estás a insinuar que estou gorda?
- Para bom entendedor meia palavra basta - continuei a brincadeira mas ao vê-la a melindrada - amor estou a brincar - beijei-a - estás na mesma.
- Oh por enquanto!
- Ainda bem - olhou-me - estou desejoso de ver a barriga a crescer - sorriu - vais ser uma grávida linda!
- Graxista!
Gargalhei mas não respondi, fiquei a observar a Mariana a comer feliz da vida e no final dei-lhe mimo, mas se ao início eram inocentes com o passar dos minutos tornaram-se mais intensos, foi de tal forma que acabei por levá-la até ao quarto, onde partilhamos mais um momento a dois.
O resto da tarde foi passada na cama, connosco a falar sobre a mudança dela para Braga, decidimos que a Mariana irá para Lisboa amanhã para começar a orientar a mudança e regressa na próxima semana, assim dá tempo dela passar o trabalho que tem em mãos e depois do jogo da selecção vou a Lisboa busca-la.

Mariana
Estava deitada ao lado do Ruben a falar sobre a mudança de Lisboa para Braga quando comecei a ficar enjoada, tentei não pensar muito nisso mas acabei por ter que correr para a casa de banho.
- Que foi? - refilei ao vê-lo a olhar-me assim que deitei-me novamente na cama e do seu lado.
- Estás melhor?
- Não... raios parta aos enjoos - o Ruben gargalhou - não sei onde está a piada!
- Sabes que ainda só agora começaram...
- Ena tão animador... obrigadinha por relembrares tal coisa... ah e já agora obrigada por teres ido ver se estava bem!
- Ui... já começou - sorriu - se tivesse ido atrás de ti era porque fui e não querias que te visse naquele estado, como não fui é porque devia ter ido, deves pensar que não sei como funciona essas mudanças de humor. Amor já fiz o estágio com a Maria por isso não esperes que vá a correr atrás de ti para o WC sempre que enjoas até porque serei corrido ou tens lata para negares que não tenho razão??
- Apetece-me amendoins... - o Ruben gargalhou ao ouvir-me - que foi?! É o teu possível filho que quer...
- Tens uma lata... como não queres admitir que tenho razão dá-te para os desejos ainda por cima culpas o nosso bebé!
Não respondi, primeiro ele tinha razão mas nunca o iria admitir e segundo sabia que havia amendoins algures por isso fui procurá-los, não sei se é só o meu psicológico a falar ou se já são os ditos desejos de grávida, só sei que estavam a saberem muito bem.
- Bem... para quem não liga nenhuma a amendoins... vai lá vai!
- Oh mor... isto está a saber-me que nem nozes - o Ruben gargalhou prazerosamente
- Sim... sei... sabem a nozes... ainda vais explicar-me como é isso possível...
- Não gozes! Foi forma de falar... - respondi enquanto continuava a descascar amendoins e a comer.
O Ruben já não chateou mais e quando finalmente senti o meu desejo saciado resolvi começar a preparar o nosso jantar, hoje estou uma fome avassaladora e quanto mais como mais fome tenho.
O resto da noite foi pacífica e depois de jantarmos ainda ficamos um pouco pela sala mas acabei por ir até ao quarto, uns minutos bastaram para que o tivesse do meu lado.
Acordei com o Ruben a despachar-se para ir para o treino e como queria aproveitar os últimos minutos fui até à cozinha onde tomamos o pequeno-almoço para no fim despedir-me dele com a promessa que assim que chegasse a Lisboa lhe ligava, algo que fiz assim que meti os pés no meu apartamento.
Estava cansada da viagem mas depois de almoçar obriguei-me a mim mesma a sair de casa, fui até aos escritórios da Gesti à procura do meu tio mas quando cheguei fui informada que ainda não tinha regressado do almoço por isso fui até à sala da Maria mas pedi para ser avisada assim que o Sr. Jorge Mendes chegasse.
- Primaaaa - sorri ao ver a animação da Maria assim entrei no gabinete dela - Está tudo bem?
- Sim... - sorri ao vê-la a olhar para a minha barriga.
- Que sim murcho foi esse?
- Estou cansada não é nada que não passe.
- É só isso ou anda aí qualquer coisa a incomodar-te? - olhei-a, de facto conhece-me muito bem - vá conta - suspirei - é com o Ruben?
- Não, com o Ruben está tudo bem... quer dizer tirando a ideia louca que teve em querer mudar-se para Famalicão ou Santo Tirso para que fique mais perto do Porto - a Maria gargalhou - vês até tu achas que é disparate - continuou a rir - a sério se o Ruben continuar a stressar tanto como já stressou até agora estou feita!
- É fofinho - gargalhou - está preocupado contigo e com o júnior...
- Maria tem dó de mim! Estou grávida não estou a morrer! Posso muito bem continuar com a minha vida normalmente e o Ruben parece que quer meter-me numa redoma de vidro.
- Pois... não vai ser fácil - olhei-a - a verdade é que comigo teve todo aquele cuidado por isso contigo vai ser muito pior, afinal é o filho dele mas não reclames de barriga cheia porque nem todas têm a tua sorte!
- Não estou a reclamar... mas não vai ser fácil...
Teríamos continuado a conversa mas o meu tio interrompeu quando entrou no gabinete da Maria, acabei por segui-lo até ao seu onde nos sentamos.
- Quando é que te mudas? - olhei-o - Não faças essa cara de admirada que quando te dei a hipótese de escolher entre a Polaris e a Gesti já sabia que tinha de recrutar alguém para a Polaris, por isso como teu chefe informo-te que durante esta semana terás alguém a trabalhar contigo para passares trabalho e agora como tio quero saber como reagiu o Ruben à novidade - gargalhei, de facto o meu tio é um cusco por natureza.
- Se quer mesmo saber deixou nas minhas mãos a decisão porque não queria influenciar-me.
- Estás certa da decisão que tomaste?
- Estou! Sei que o Ruben pode daqui a quatro meses ter que regressar a Lisboa mas agora preciso mais do que nunca de o ter do meu lado, por isso se tiver que abdicar de algo não hesitarei.
- Compreendo que queiras estar do lado dele mas não te esqueças de avisar os teus pais dessa mudança...
- Sim... sei que tenho de falar com o seu irmão.
- Com o teu pai queres tu dizer! E podias aproveitar a oportunidade para fazerem as pazes.
- Duvido que isso venha a acontecer ainda mais agora...
- Por isso mesmo, por ires para Braga é que deviam conversar como dois adultos e resolverem esta birra de putos!
- Oh tio acredite em mim esta não é de todo a melhor altura.
- Qualquer altura é boa para se pedir e aceitar as desculpas.
- Não insista, a sério depois vai entender o que quis dizer.
O meu tio acabou por não insistir mais e aproveitamos o tempo para acertar detalhes sobre a minha ida para o Porto. No final da tarde segui com a Maria para casa onde metemos a conversa em dia, afinal desde o fim do ano que não passamos tempo nenhum a “duas”, dado que quando chegou a Lisboa já eu estava em Braga.
Nos dias seguintes andei numa roda-viva para conseguir orientar tudo para a minha mudança, primeiro no trabalho e depois em casa a preparar as malas para levar para Braga.
A segunda-feira chegou num abrir e fechar de olhos e com ela o momento de revelar aos meus pais a decisão que tomei, por isso depois do jantar resolvi passar pela casa deles.
- Filha - a minha mãe sorriu e abraçou-me quando abriu a porta - ainda bem que vieste, estou cheia de saudades tuas - sorri-lhe.
- Também tenho saudades suas mas esta semana foi de loucos.
- Não faz mal - sorriu - entra - deu-me espaço para entrar - já jantaste?
- Já - olhei-a - o Sr. Manuel está? - a minha mãe desaprovou primeiro com o olhar e depois com palavras a forma como falei.
- Sim o teu pai está em casa mas isso não é forma de perguntares por ele!
- Mãe não comece até porque para drama já vai chegar o que está por vir.
- Como assim?
- Tenho algo para vos comunicar mas prefiro falar com os dois.
- Tudo bem, anda então que o estamos a acabar de jantar.
Segui atrás da minha mãe e ao entrar na cozinha vi que a minha presença não era do agrado do Sr. Manuel, ainda assim resolvi fingir que não tinha reparado até porque não posso enervar-me.
- Boa noite - falei para ele mas não obtive resposta.
- Senta-te - a minha mãe falou - Não queres mesmo comer nada? - olhei para a mesa e ao ver a minha sobremesa preferida não resisti e servi-me.
- Vou ao café! - o Sr. Manuel informou ao sair da mesa.
- Pode esperar um pouco? - olhou-me - Tenho algo a comunicar e queria que ouvisse.
- Duvido que a minha opinião seja levada em conta por isso é perca de tempo.
- Você é que sabe mas olhe que até tenho uma boa notícia para lhe dar afinal vai deixar de se cruzar comigo - a minha mãe olhou-me - vou viver para Braga - atirei de uma só vez.
- Vais o quê? - o meu pai voltou-se para mim - Não tens mesmo vergonha nessa cara? Ele largou-te e depois bastou meia dúzia de palavras para voltares para ele, achas que isso é amor?
- É... e só não reconhece isso porque na verdade o único que nunca amou foi você, se amasse a mãe percebia o que sinto pelo Ruben, se a amasse nunca a faria sofrer com estas discussões parvas, você não a ama simplesmente a usa - passei-me e falei o que não devia mas também recebi aquilo que não esperava o Sr. Manuel deu-me um valente estalo, fiquei agarrada à cara sem qualquer reacção, já a minha mãe veio em meu socorro o que originou uma discussão feia entre eles e por mais que pedisse para pararem não ouviam, aquilo atingiu tal proporção que senti-me a perder as forças e quando recuperei estava deitada na cama de um hospital.
E agora quais serão as consequências desta discussão?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

068 - "ela é toda recauchotada... há carros de chuning com menos alterações ao material de origem..."



(Maria)
A viagem até Braga acabou por ser feita não na tarde/noite de sexta, mas apenas na manhã de sábado o que ainda me permitiu uns beijinhos de parabéns da família Mendes durante o pequeno-almoço.
A manhã foi toda passada em viagem  entre os momentos que ia dormitando e os que íamos os três na galhofa o tempo  felizmente passou rápido.
- Maria!!! - senti ser-me abanada e ouvi a Ana
- Oh pa... só mais um bocadinho! - virei-me para o outro lado do carro
- Tu é que  sabes... mas aviso já que não tenciono impedir um papá ansioso de matar saudades do filho seja onde for...- nem a ouvi, estava a dormir mesmo bem e queria lá saber se era no carro ou noutro sitio qualquer. Até que senti a porta do carro voltar a abrir e alguém a pegar-me ao colo. Alguém não aquele perfume não enganava era mesmo o João.
- Põe-me no chão - falei enquanto lhe dava chapadas nos braços
- Maria quieta! Vais cair!
- Por isso estou a MANDAR que me metas no chão!
- Cala-te e dorme...- agora já me tinha acordado e pior tinha acordado o Guilherme que já dava pulos
- Agora? Era isso era... se o teu filho deixasse! - ele gargalhou e estávamos parados no hall de entrada do prédio do Ruben - vá mete-me lá no chão! 
- Com todo o prazer... que já não te aguentava!
- Tás a chamar-me gorda?
- Gorda não amor... pesada é diferente! - falou a rir
- Olha ficas a saber que quem pesa é o teu filho tás a perceber?!
Aproveitei que ele me tinha posto no chão e já nem ouvi o que ele dizia corri escada a cima para abraçar a minha prima que não via desde a passagem de ano o que era algo que decididamente não era hábito em nós
- Prima! 
- Calma! - disse a rir e a abraçar-me
- Ui que a Bela Adormecida acordou toda espevitada com a chegada do Principe Encantado... - o Fabio metia-se depois de  cumprimentar o João que tinha  acabado de entrar
- Bela Adormecida? Príncipe Encantado? Não estás a falar de mim! - ele riu-se e confirmou que falava de nós - Tu tas mas é louco! Aparentemente tou mais para Fiona versão ogre e o meu filho tem um pai com a sensibilidade de um Shrek numa loja de cristais...


- Eish primo o que é que  tu fizeste?
- Eu nada! Ela é que tá muito sensível -falou em tom de gozo e eu amuei - tás a ver?!
- Mas o que é que se passou? - perguntava a Ana - Ela vinha toda bem disposta...
- Vinha e  continuo só não gasto o meu bom-humor com quem não merece!
- Oh Ana tás a ver? A menina amuou porque eu lhe disse que estava mais pesada!
- Não! Tu disseste que eu estava gorda!
- Maria!
- Maria a tua tia! - sai da sala onde estávamos e fui até à cozinha mas ainda ouvi a Ana
- Mas tu és parvo? Chamas gorda a uma grávida? Ainda para mais uma grávida que tem andado sempre a baixo do peso recomendado?! Sim que o teu filho está a crescer nos percentis esperados já a mãe dele está a perder peso!
- Prima?- olhei para a porta da cozinha
- Desculpa o teu afilhado tinha fome - falei enquanto acabava de fazer uma mega sandes
- Estás em casa... mas não achas que estás a dar importância de mais a uma brincadeira?
- Não foi o Ruben a chamar-te gorda a ti!
- Oh... ele tava só a provocar-te!
- Mas eu não gostei! Pareço a Popota e ele ainda vem lembrar-me disso!

- Oh Maria por favor! Tás grávida e como tal o meu afilhado precisa de espaço... e tás com essa barriguinha linda... dai a pareceres a popota!
- Sim pois... já não me servem calças nenhumas e a sorte é que os vestidos vão “esticando” mas a continuar assim não falta muito e nem isso...
- O fofa tava a brincar contigo! - falou a abraçar-me - e vamos ter que ter uma conversa séria menina Maria... que historia é essa de estares a perder peso? 
- Tá tudo bem com o bebé!
- Não foi isso que te perguntei!
- Ai oh João!
- Oh João nada! Explica-te!
- Tenho comido tudo certo...
- Sim...
- Estive contigo 15 dias não comi?
- Comeste!
- Então...
- Anda cá!!
- Hum?
- Beijo!
Comecei a rir-me e lá lhe dei o beijo e acabamos por resolvendo pelo menos para já as minhas inseguranças quanto aquilo que é a minha imagem.
Acabamos por sair os cinco com destino a um restaurante e no final do almoço
- E agora vamos dar uma volta por ai?
- Oh amor? Vamos para casa tenho de dormir!
- Oh fofinha vamos dar uma voltinha para matar eu saudades... ainda por cima o dia está bom e...
- E?
- Lembrei-me agora que ainda não fiz uma coisa!
- Qual? - ele puxou-me e rodeando-me a cintura com os seus braços - Parabéns! - sussurrou-me ao ouvido
- Obrigada! - respondi no mesmo tom
- Oh vocês ai! Nós estamos aqui boa?
- Bem então vamos lá fazer o favor ao menino e vamos lá dar uma volta!
Acabamos mesmo por dar umas voltas pelo centro histórico de Braga e depois seguimos até ao Bom Jesus.
Quando lá chegamos cruzei-me com uma rapariga que não me era de todo desconhecida mas não identifiquei logo quem seria até que ouvi
- João!!! Ai que saudades!!! - e quando olhei para trás vejo-a pendurada no pescoço dele que tinha terminado uma chamada com a mãe
- Monica?! Por aqui? 
- Isso pergunto eu! Por aqui? 
Não podia ser... já sabia perfeitamente quem ela era e não achava grande piada a tanta “amizade” e ainda fiquei a achar menos quando a conversa se focou na impecável forma física da “querida”
- Maria chega aqui! - engoli em seco e forcei o meu melhor sorriso amarelo
- Sim?
- Já conheces a Monica?
- Já! Conheci-a em tua casa daquela vez que a expulsaste de lá! - falei com um sorriso que engasgou o João e deixou-a incomodada
- Pois foi... foi um dia bastante forte... mas oh estás grávida?
- Não... fui picada por uma abelha e inchou-me a barriga!
- Adoro o teu sentido de humor... 
- E eu a tua capacidade de representar!
- Maria - ouvi o João sussurrar
- Desculpa... sim estou grávida... e sim MESMO grávida, a barriga está mesmo a crescer e está mesmo um bebé aqui dentro!
- aaaa... eu...
- Bem peço imensa desculpa mas eu quero ver a vista cá de cima porque adoro! - falei para ele e depois voltei-me para o João - E tu vens ou ficas?
- Ah... eu... eu vou já...- ele respondeu-me e quando me afastei ainda o consegui ouvir desculpar-se com a Monica e pude ve-los depois continuarem a conversar animadamente enquanto eu me juntei aos nossos amigos
- Bom já podemos voltar para casa?
- Oh prima que, é a caramela?
- A Monica...
- Mónica? Não faço ideia quem seja - comentou a Ana
- Nem eu... era suposto conhecê-la? - perguntou o Fabio
- É a ex-namorada dele... é de Barcelos...
- Ah oh prima a ex-namorada... AQUELA ex?
- Essa mesmo!
- Mas eles não estavam de relações cortadas?
- Pois parece que não... prima se não quiserem ir é na boa apanho um taxi, mas será que me podes emprestar as chaves de tua casa para me ir deitar um bocado?
- Não... está na hora de ir para o estádio!
- Eish é mesmo! Então podemos ir de vez? É que estou super cansada... e assim sento-me lá
- Vamos... queres que chame o João?
- Chamar? Não eu trato disso - sem sair de onde estava uns metros afastada deles que falavam sempre entre constantes toques - João! - ele olhou e com um gesto de cabeça perguntou o que queria - Nós vamos para o estádio! - assim que acabei de falar arranquei em direcção ao carro e tanto a minha prima como a Ana e o Fábio me seguiram.
Já estava a entrar no carro quando o João a correr me apanha o braço e me puxa com ele para ficar um pouco mais afastada
- Podias ter esperado...
- Pois, mas pareceu-me  que estavas demorado e  como estou cansada...
- Pareceu-te mal...
- Então se me pareceu mal e já estás aqui já podemos ir - encaminhei-me para o carro
- Ah... eu vou com a Mónica... ela também vai para o estádio porque vai actuar... e assim não  vai sozinha...
- Como queiras - voltei costas e entrei no carro- vamos? - a minha prima olhou-me - ele vai com a amiga...
Os nossos amigos perceberam que não era altura de falar sobre o assunto e por isso seguimos caminho.
Quando chegamos ao estádio, novas atitudes da Mariana levantaram em mim e na Ana a suspeita que ela estaria grávida, algo que ela recusou e quando ficou a babar o marido, ou melhor ex-marido, e subiram as cheerleadrs ao relvado dou de caras com a Mónica, bem que o outro falou que ela actuava...
- Podemos falar?
- Poder até podemos eu é que não tenho nada para te dizer
- Maria...
- O que foi? Não tenho nada para dizer queres que invente?
- Maria, ela pediu desculpa... e... e tem a vida dela... e nós temos a nossa - fez-me uma festa na barriga - e já não a via há imenso tempo, além disso era chato deixa-la vir sozinha...
- Claro... claro... como queiras... - sentei-me e fixei  os olhos naquela mulher que neste momento tinha tudo o que eu tinha saudades, leia-se o corpo todo no sitio, e ainda se “abanava” de forma sensual com um à vontade que nunca tive
- Fofa tou a falar contigo - disse dando-me um ligeiro abanão
- O que é João?
- Fala comigo por favor!
- Queres que te diga  o quê? Aquilo que penso, a verdade mesmo? - ele acenou-me positivamente - Pois desculpa não vai ser possível! Infelizmente não consigo abdicar da tua presença nas próximas 15 semanas e se disser o que penso já sei que vais chamar-me de egocêntrica para cima e vais desaparecer... por isso deixa-me ver o jogo e larga-me os cornos!
- Maria... fala por favor... não te consigo ver assim...
- Não gostei! Não gostei de te ver com ela pendurada no teu pescoço e tu com sorrisinhos e ainda mais quando ela tem aquele corpão e eu... eu tou mais para baleia branca...
Ouvi-o gargalhar e fuzilei-o com o olhar
- Amor... ela é toda recauchotada... há carros de chuning com menos alterações ao material de origem... e tu... tu... o fofa eu não acredito que estás com problemas desses achava que já te tinha explicado que... - calou-se e ficou a olhar para mim, mais concretamente para  o meu decote 
- Que?
- Ai fofinha mantendo a temática automobilística... eu não tenho travões para tantas curvas! - dito isto deu-me um beijo no pescoço e mais alguns em sentido descendente
- João pára!
- Eu disse que não tinha travões - falou a rir o que me levou a rir também - ahh assim sim! O meu sorriso lindo! Oh fofinha ela tem passado por umas cenas meio maradas e está sozinha, até a familia... coitada!
- Coitado do rato que nasceu pelado no meio do mato! - gargalhou - o teu filho quer mimo e eu quero ver o jogo por isso vamos fazer uma pausa no assunto, mas nem penses que fica por aqui...
- És tão teimosa!
- Olha o jogo!
No meio de toda esta minha “ inconstância” com o João ainda deu para perceber que a minha prima não andava bem e durante o jogo comecei a ter algumas suspeitas do motivo para esta indisposição e depois da derrota do Braga ainda demos umas boas gargalhadas com a implicância da Mariana com o perfume que o Ruben não tinha posto.
Mas foi ao final do jantar quando a Mariana ficou agoniada com a sobremesa do Ruben que tudo ficou claro para mim e para a Ana que sem falarmos apenas com um olhar confirmamos uma a outra que estávamos de acordo e enquanto eu fiquei na mesa com os rapazes ela foi até ao wc ver como estava a minha prima.
- Maria o que se passa?
- Como queres que saiba se estou aqui?
- Maria...
- Ruben...
- Chata
- Parvo
- Mas vocês param?
- Eu não estou a fazer nada! - respondi rapidamente ao João - Quero um doce!
- Acabaste de comer a tua mousse e metade da minha?
- Mas o teu filho não ficou satisfeito! - nisto o empregado vem recolher os pratos - olhe desculpe de chocolate que sobremesas tem mais? - o sr muito simpaticamente me enumerou todas as sobremesas
- Vai desejar alguma?
- Sim... todas! Se não se importa queria uma dose de cada para levar! - os “meninos” olharam-me abismados mas nenhum se atreveu a pronunciar-sem até porque com a volta da minha prima e da Ana à mesa alterou o tema de conversa.
Depois dos cafés tomados e quando eles já saiam todos ainda fiquei no balcão a recolher a minha encomenda
- Eu não acredito que vais mesmo levar isso
- Porquê?
- É só porcarias e depois refilas que estás gorda!
- Não gostas não comas! E não estou a falar só das sobremesas! De certeza que a tua amiga Monica está em forma muito melhor!
- Olá!!! - não queria acreditar
- Olá! Então por cá?
- Sim viemos jantar no final do jogo...
- Mas oh John ainda não disseste o que estás a fazer por cá hoje
- Ah.. a Maria faz anos hoje e o Ruben amanhã e resolvemos juntar-nos todos cá...
- Ah Parabéns Maria!
- Obrigada Mónica! - tinha ficado junto aos dois por imposição do João que me rodeou a cintura e não me deixou afastar, mas felizmente a Ana percebeu - Bem vão-me desculpar mas a Ana está a chamar-me - afastei-me para junto dela - obrigada
- Já percebi que estavas capaz de matar, mas não te chamei por isso... olha! - Desatei a rir quando vi o teste de gravidez - agora só precisamos de a raptar
- Isso é facil é só meter os “meninos” todos na caminha e depois rapta-la
- Tratas do teu?
- Tenho outro remédio?
- Maria o que se passa?
- O que  se passa eu estou uma elefanta! E ele põe-se todo sorrisos com aquela prototipo de barbie!
- Tás a exagerar...
- Sim pois... - acabamos por ali a conversa uma vez que o casalzinho e o Fábio juntaram-se a nós e por  isso alteramos o tema da conversa quanto ao João continuou em animada conversa com a “amiga” acompanhando-nos sempre uns metros mais atrás até que chegamos à porta do prédio - bom eu vou subir que não tenho estômago para certas cenas...
- Prima não te estou a reconhecer
- Não sei porquê?
- Porque no inicio do ano em Valência não tiveste problema nenhum em mostrar quem manda no pedaço e hoje...
- Ai oh Ruben... não sou só eu que sabe quem ela é pois não?
- Não, mas também sei como já a meteste no lugar dela uma vez!
- Pois parece que afinal o lugar dela é mais presente do que eu pensava e eu não tou para isso... vou subir que tenho os gelados a derreter
Assim que falei o Ruben abriu a porta e subimos todos menos o “outro” que ainda demorou alguns minutos e quando finalmente nos deu a honra da sua companhia acabaram por me fazer passar por aquele que acho que é o momento mais embaraçoso de um aniversário os Parabéns, afinal nunca sei muito bem o que fazer nesta altura. E acabei por receber as minhas prendas algo que os levou às gargalhadas afinal sei que neste campo sou uma autentica criança. Ainda ficamos uns minutos a brincar principalmente com a prenda que o João me deu
e que permitiu várias fotos que de imediato inundaram as nossas redes sociais e foi quando colocava uma foto que vi que o João tinha mais uma “amiga” e voltei a perder a animação, mas continuei na sala para cantar os parabéns ao Ruben e depois assim que foi possível fazer todos irem para a cama o que foi rápido
Assim que entrei no quarto sentei-me em cima da cama e ataquei o saco das sobremesas e no mesmo momento o João entrou e ficou a olhar-me rindo
- Não tou a ver onde possa estar a piada!
- Oh fofinha já te tinha visto com desejos, mas hoje está particularmente divertida a satisfazer esse... tão fofa toda sujinha de chocolate - e ao dizer isto aproximou-se de mim dando-me um beijo e depois limpando com a boca dele todos os bocadinhos de chocolate que me sujavam a cara e ainda uma ou outra migalha que me tinha caído no peito onde ele se demorou já que o que queria mesmo era brincadeira
- Mas tu importaste que eu coma? - falei afastando-o e colocando na boca mais uma colherada de um doce estranho com chocolate, natas, bolacha e sei lá mais o quê
- Oh amor... então... - ele ia tentando aproximações e eu ia evitando-as principalmente porque não me sentia propriamente atraente em comparação com a amiga dele e também porque tinha o plano Mariana para colocar em pratica com a Ana  - porra Maria não queres diz logo agora tares a fazer-te de desentendida não tem piada nenhuma... - olhei-o - oh fofa tou com saudades - deu um toque especial quando disse saudades apontando para o seu baixo ventre algo que me levou a gargalhar
- Temos pena... escusas de vir com miminhos agora porque não me esqueci que estou pesada e que estou gorda por comer assim... logo podes esquecer a não ser que queiras morrer esmagado por esta popota...
- Mas tu deixas-te de parvoíces  Sabes perfeitamente que estava a brincar além disso temos mesmo de falar a sério que não estou a achar piada a essa tua ideia fixa de que estás gorda principalmente depois da Ana me ter dito que estás a perde peso... o que é que tu queres? Que o Guilherme nasça e tu não consigas tomar conta dele por estares com uma anemia? 
- Deixa-te de exageros! E não vai ser por dares uma de pai responsável e de preocupado comigo que te vou aliviar! Queres matar saudades liga para a Monica ou manda-lhe uma mensagem no Facebook... - dito isto levantei-me já que a Ana deu o toque que tínhamos combinado na porta - Não esperes por mim acordado ou pelo menos não com a esperança de que tenhas sorte!
Sai e os minutos foram dedicados à minha prima.
Quando voltei ao quarto tal como esperava o João estava acordado e visível mente desconfortável com o volume que tinha, sim confesso que só me apetecia alivia-lo de tal sofrimento, mas controlei-me ao máximo já que aquela “aparição” da Monica e a sua simpatia com ela me deixava danada e a única vontade que tinha era a de o castigar e neste momento este era o castigo que tinha mais à mão.
- Princesa não sejas má... -  falou enquanto eu me despia e me agarrava por trás a barriga - estava só a brincar... tu tás mesmo mais pesada... e estás maior sim - disse enquanto de joelhos na minha frente acariciava e beijava a minha barriga - mas não estás menos sexy por isso! Aliás... antes pelo contrário... - ele tinha começado um percurso ascendente com a boca que se viu obrigado a parar quando o Guilherme resolveu fazer uma rave na minha barriga e eu desatei a rir - oh bebé... Bruno... - ele parecia querer acalma-lo já que fazia festas e festinhas na minha barriga, mas sem sucesso - Guilherme Bruno! Eu não estou a brincar! Vai lá dormir imediatamente que já passa da tua hora e o papá tem de ter aqui uma conversa muito importante com a mamã! - tentava zangar-se com o bebé embora o seu tom fosse mesmo de desespero o que me levou a brincar com ele
- Tu não falas nesse tom com o meu filho tás a ouvir! Ainda para mais só porque me queres saltar em cima - consegui a muito esforço controlar a gargalhada principalmente quando vi a sua cara de assustado quando ouviu o que lhe dizia
- NOSSO é nosso filho e eu... - assim que falou muito sério não consegui controlar mais e ri-me - e eu nem te posso saltar em cima por causa dele! Agora só te posso mesmo puxar para cima de mim - enquanto falava fazia o que dizia e puxou-me juntamente com ele para a cama onde acabei por ceder já que  ele não era o único com saudades.
Acordamos relativamente cedo e ainda bem já que tínhamos poucas horas para estarmos juntos e quando chegamos à cozinha para o pequeno-almoço ainda só estavam lá a Ana e o Fábio, mas passados poucos minutos chegaram a Mariana e o Ruben e a minha prima deu-nos a boa noticia.

Como será a reacção dos amigos à novidade?
Será que esta aparição da Mónica foi rápida ou ela ficará mais tempo?
E a Maria e o João com isso?




sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

067 - "Sim estou grávida e também sei que não queres..."

Ruben
Durante os primeiros quinze dias de Janeiro e sempre que falava com a Mari ao telemóvel notava-a estranha mas nunca consegui perceber o porquê, dado que a Mariana simplesmente desviava o assunto, o que fazia com que não insistisse com ela, até porque tinha intenções de falar sobre isso quando estivéssemos cara-a-cara, no entanto não foi preciso ter puxado o assunto, a Mari acabou por dizer que se sente sozinha, o que atingiu-me ainda mais quando fui informado que o Jorge lhe deu a hipótese de mudar-se para os escritórios no Porto, obrigar a Mari a afastar-se de Lisboa sabendo que dentro de meses posso regressar custa-me pois querendo ou não obrigo-a a andar ao “sabor da maré” e isso só a prejudica profissionalmente.
A Mariana quis saber a minha opinião e fui sincero por isso acabamos por decidir que só voltaríamos a pensar no assunto no fim das suas férias de forma a aproveitarmos os dias.
Mariana
Os primeiros dias em Braga foram perfeitos, pelo menos no que toca a matar todas as saudades do Ruben, confesso que tem sido incansável em satisfazer-me todos os caprichos, já para não falar nos elevados mimos que tenho recebido, o assunto da minha possível mudança não foi mais tema de conversa mas já nem isso incomoda-me, talvez porque nos últimos dias o cansaço, as náuseas e mesmo um desconforto são cada vez mais frequentes, o que está a deixar-me preocupada mas ocultei isso ao Ruben, não o queria alarmar sem motivo e por isso decidi marcar uma consulta e depois logo lhe digo alguma coisa.
***
Hoje acordei animada afinal dentro de horas terei a Maria, o João, a Ana e o Fábio comigo, uma vez que este ano combinamos que os aniversários da Maria e do Ruben são comemorados em Braga, até porque o Ruben tem jogo.
Passei a manhã toda enfiada na cama e cheguei a uma conclusão estes dias em Braga andam a fazer-me mal afinal estou cada vez mais molengona.
Durante a tarde e já na companhia do pessoal fui passear pela cidade, o João estava numa de matar saudades do tempo em que viveu em Braga e por isso decidimos fazer-lhe companhia num passeio pelo centro. As horas passaram e o momento de irmos até ao estádio chegou, já estávamos no camarote quando comecei a sentir-me indisposta, algo que nestes últimos dias tem sido cada vez mais frequente, tentei abstrair-me mas acabei por afastar-me deles e ir até ao exterior do camarote apanhar um pouco de ar.
- Que cara é essa?! - assustei-me ao ouvir a Maria - calma... sou só eu! Mas o que tens?
- Nada - respondi a custo uma vez que a vontade em vomitar era mais que muita.
- Não parece... - desta foi a Ana que falou - Tens a certeza que estás bem?
- Sim.. tou - menti descaradamente ainda assim não insistiram o que permitiu que concentrasse-me a ver o Ruben a aquecer mas em determinado momento tive que sentar-me.
- Mariana! - olhei para a Maria - Tu não estás nada bem! Essa cara não engana!
- Aiii que exagero... estou só indisposta... deve ter sido daquele bolo cheio de creme que comi à tarde!
- Sim... pois... e diz-me uma coisa essa indisposição é coisa passageira?! - olhei para a Ana - Mariana... não és de ter indisposições...
- Chatas! Ok eu conto mas não sai daqui porque não quero o Ruben alarmado! Tenho andado mais cansada e nestes últimos dias ando com a sentir o corpo estranho - elas entreolharam-se - mas isto não deve ser nada de qualquer forma já marquei uma consulta!
- Ok... mas marca uma comigo também!
- Olha endoidou!! Oh Ana desde quando és médica de clínica geral?! - a Maria gargalhou e quando a Ana ia para responder as equipas entraram em campo, o que fez com que me concentrasse no jogo e deixasse a conversa para depois.
Os primeiros 45 minutos passaram e golos nem vê-los mas em contrapartida a indisposição passou dando lugar a uma fome avassaladora, por isso levantei-me e fui até ao bar.
- Então já te passou o enjoo?! - a Maria meteu-se comigo ao ver-me com uma sandes na mão.
- Não estava enjoada... só indisposta!
- Pois...
O jogo reiniciou e com a segunda parte veio os golos mas infelizmente o Braga perdeu, ainda assim a noite seria de comemoração pelo menos para nós os seis, do estádio iríamos para o restaurante para festejarmos o aniversário da Maria.
- Bem... aquele já se despachava! - bofei de impaciência
- Oh prima - olhei para o João - sempre pensei que já tivesses habituada às secas monumentais que o Ruben te prega!
- Olha e estares caladinho, não?!
- Shiiii estás rabugenta!
- Não... o que estou é mesmo com falta de paciência para te aturar! - resmunguei e ao virar-me dou de caras com uma cena que não esperava, o Ruben todo de sorrisinhos para as raparigas que por ali andavam a pedir autógrafos - Aiiiiiiiii que aquele está a pedi-las! - o pessoal gargalhou todo ao perceber o porquê do meu desabafo - Não sei onde está a piada! Tou cheia de fome e aquele está ali a bajular-se! - respirei profundamente
- Acho que vou lá chamá-lo antes que haja mortes... sim que a Mariana está capaz de matar só com o olhar! - o Fábio atirou e só não lhe respondi porque foi mesmo chamar o Ruben.
Não sei o que lhe disse, só sei que o Ruben quando chegou perto de mim puxou-me antes que conseguisse dizer o que quer que fosse e beijou-me calmamente, algo que nunca antes tinha feito diante dos adeptos, aquilo se por um lado deixou-me a babar e com um sorriso triunfante, afinal aquelas loucas viram bem que aquele pedaço de mau caminho já tem dona, por outro também me deixou novamente enjoada.
- Oh mor hoje abusaste um bocado no perfume! - resmunguei ao afastar-me dele - que pivete! - o Ruben olhou-me estupefacto
- Eu?!
- Não fui eu!
- Hoje nem um bocadinho coloquei!
- Ya... ya...
- Sério! Amor esqueci-me do perfume em casa por isso é impossível que tenha colocado!
- Pois... sim... deve ser só o meu nariz que anda a funcionar mal...
- Não duvides!
- Ai é?! Então vais no carro com eles que eu vou no carro com elas e acabou-se a conversa!
Entrei de imediato para o carro deixando todos especados a olharem-me e uns minutos depois lá entrou a Maria e a Ana.
- Bem... hoje estás impossível!
- Oh Maria! Tu não me stresses!
- Eu?! Essa é boa... já agora qual foi a tua de implicares com o Ruben?
- Não tivesse exagerado no perfume...
- Exagerado?! O rapaz fez questão de dizer que não colocou nem uma pinga...
- Pois... mas o meu nariz não se engana!
- Pois... e por falar nisso tenho uma pergunta para te fazer - olhei pelo retrovisor para a Ana - Mariana mesmo sério ainda não paraste para pensar?
- Ãh!
- Hello acorda! - desta foi a Maria
- Vocês estão as duas loucas! E agora vamos mas é sair que eles também já chegaram!
Assim que falei saí do carro e caminhei até ao do Ruben, aproveitando a distância para respirar profundamente várias vezes e assim encher os meus pulmões de ar minimamente respirável, afinal sabia que iria precisar de usar a “reserva” assim que estivesse perto do Ruben.
- Já te passou a implicância com o meu suposto perfume! - o Ruben falou por entre um sorriso de menino traquina - não teria sido bem mais fácil falares que preferes a companhia delas à minha?!
- Eish!!! Aviso já que estou sem paciência para melodramas! E agora vamos entrar que estou cheia de fome!
O Ruben gargalhou mas acabou por seguir-me, entramos e depois de escolhermos os pratos iniciamos uma conversa animada que durou o jantar todo mas quando chegou o momento da sobremesa a coisa piorou drasticamente, ver o Ruben a deliciar-se com a baba de camelo deu-me a volta ao estômago e tive mesmo que sair da mesa.
Fui até ao WC onde molhei a cara com água e quando já me preparava para regressar vejo a Ana a entrar.
- Mari estás de quanto tempo?! - olhei para a Ana com cara de parva - E não faças essa cara que tanto eu como a Maria já percebemos...
- Mas perceberam o quê?
- Que vais ser uma grávida insuportável - gargalhei ao ouvi-la - ainda te ris... desgraçado do Ruben...
- Hello posso saber de onde tiraram essa ideia???
- Talvez do cansaço, náuseas, indisposições, enjoos, mudanças de humor,... só não sei é de quanto tempo estás ou vais dizer que não estás?!
Engoli em seco quando ouvi a Ana e de imediato fiz contas, a verdade é que ainda não tinha parado para juntar as peças todas e muito menos tinha notado o atraso considerável que já tenho, acabei por deixar o meu corpo escorregar pela parede e sentei-me no chão com os joelhos flectidos e a cara escondida neles.
- Mariana! - senti de imediato a Ana a abraçar-me - mesmo sério ainda não tinhas percebido?
- O Ruben...
- O que tem o Ruben?
- Ele... ele não quer ser pai!
- Tem calma! Primeiro ainda não sabes se estás e segundo quando lhe dizeres vai delirar!
- Não estás a perceber... Ana eu prometi ao Ruben não falar mais de filhos pelo menos até a época terminar e agora... agora posso estar grávida!
- A estares não o fizeste sozinha!
- Mas ele não quer...
- Não quer? Tens a certeza?!
- Tenho!
- Assim só por acaso ocultaste-lhe o facto de teres deixado de tomar a pílula?
- Não!
- Então ele que não venha dizer que não quer ou que foi esquema teu! Amiga, se tiveres mesmo grávida o descuido foi dos dois! O Ruben não pode dizer que não sabia...
- Tenho medo da reacção dele - baixei o olhar - nós já tivemos tantas discussões por causa deste assunto.
- Ohhh mas isso é porque são os dois umas cabeças duras mas vocês amam-se, por isso vais-te levantar, passas a cara por água e vamos regressar para a mesa, não penses mais no assunto e amanhã fazes um teste.
Acabei por concordar com a Ana e a custo lá consegui recompor-me minimamente. Saímos do WC e assim que sentei-me ao lado do Ruben, este perguntou-me o porquê de ter levado tanto tempo, a Ana veio em meu socorro e disse que a culpa tinha sido dela, que nos metemos à conversa, algo que o Ruben acreditou e por isso não insistiu.
Ruben
Estes dias para mim foram como se tivesse no paraíso, ter a Mari do meu lado diariamente tem contribuído para serenar um pouco, agora mais que nunca temos de aproveitar o máximo de tempo juntos para consolidarmos a nossa reconciliação e sem duvida foi o que fizemos nestas duas semanas, no entanto tenho notado a Mariana meio abatida nestes últimos dias mas associei ao facto do momento de tomarmos uma decisão sobre a vinda ou não dela para o porto estar a chegar.
- Bem a Mari hoje está requintada... - o João comentou ao entrarmos no carro, isto depois do meu amor ter implicado com o cheiro do meu suposto perfume, sim suposto porque na verdade hoje não coloquei nem uma gota.
- Oh... deu-lhe para implicar! - respondi tranquilamente.
- Então e como é que estão as cenas entre vocês? - desta foi o Fábio que falou.
- Bem.
- Que raio de bem foi esse? Onde é que anda o entusiasmo?
- Ohh...
- Ohh?! Passa-se alguma coisa?
- Mano a Mariana está a pensar em mudar-se para cá.
- Mas isso é bem fixe! Olha quem me desse que a Maria pensasse no mesmo!
- Sim puto não entendo qual é o drama.
- Fábio o drama está no facto que enquanto o João sabe que ficará por Valência durante os próximos anos, eu não sei onde vou estar daqui a meses, é complicado pedir à Mari que venha para cá quando sei que pode ser só uma solução temporária, ela não pode andar constantemente a saltitar entre os escritórios do Porto e os de Lisboa, a verdade é que não consigo ser egoísta a esse ponto mas também sei que a Mariana anda no limite.
- Como assim?
- João - hesitei por segundos mas acabei por desabafar - a Mariana chegou a Braga à quinze dias a dizer que se sente sozinha e que o estado de espírito dela está a afectar o seu trabalho, tanto que o Jorge mandou-a de férias o resto do mês e ainda a encostou entre a espada e a parede para que decida o que quer fazer.
- Não estás a exagerar? Tipo estamos a falar da Mari, aquela que sempre foi dona do seu nariz.
- Acredita que não estou, sinto-a insegura no fundo acho que está com receio que a distância destrua o nosso amor e por muito que tente argumentar o contrário parece que não ouve.
- É normal - olhei pelo retrovisor para o Fábio - que foi?! Ruben, tens de ser realista, vocês os dois não são santos nenhuns, durante anos andaram a rodar constantemente, à primeira contrariedade separam-se, é normal que a Mari tenha medo que algum de vocês não aguente a pressão de se verem de semana a semana ou mesmo de quinze em quinze dias.
- Se fosse assim também tenho motivos para ficar inseguro e não estou porque confio nela!
- Mano é diferente!
- João diferente onde?
- Onde?! Queres mesmo que te diga? Até parece que não tens constantemente gajas atrás de ti, a Mari não é cega, ela vê bem a forma como as tuas “fãs” - gargalhei ao vê-lo a fazer aspas quando disse fãs - se atiram...
- Não tenho culpa! Além disso a Mariana só tem de confiar em mim!
- Ok, tens razão mas agora responde-me se a Mari de um momento para o outro fosse para Faro trabalhar, onde estaria sozinha, conseguias ter a mesma serenidade que tens? Sabendo que ia estar rodeada de “amigos” e mais susceptível a ter uma recaída, porque e agora desculpa vocês os dois adoram uma boa noite...
- Sim gosto e não nego mas só faz sentido se for com a Mariana!
- Não foi isso que perguntei!
- Ok! Tens razão - suspirei.
- Então não julgues a Mari e muito menos venhas com a conversa que só tem de confiar em ti.
A conversa continuou mas só até ao momento de nos juntarmos às raparigas, já no restaurante que escolhemos para jantar. Os momentos que se seguiram foram de algumas brincadeiras e gargalhadas mas também aproveitamos para metermos a conversa em ordem.
A noite estava a ser agradável mas e inesperadamente a Mariana saiu da mesa disparada e com ela foi a Ana, ainda tentei perceber o que se tinha passado mas a Maria não se descoseu, atitude que deixou-me desconfiado que alguma coisa se passa mas quando a Mari chegou vinha bem e por isso acabei por esquecer o assunto.
No fim do jantar decidimos passear um pouco pelo centro da cidade e na primeira oportunidade que tive puxei a Mariana para mim.
- Amor estás bem? - olhou-me
- Sim!
- De certeza?
- Sim mas porquê que perguntas?
- Não sou cego! E já percebi que algo anda a incomodar-te - parei de andar e coloquei-me à sua frente - tens andado abatida nestes últimos dias - suspirou - amor estás assim por causa da decisão que tens a tomar ou passa-se mais alguma coisa?
- Ruben... - a Mariana olhou-me e quando ia para falar o pessoal aproximou-se - depois falamos.
Não insisti e seguimos até casa, onde cantamos os parabéns à Maria e vimos a alegria dela a abrir os presentes, sim que a Maria é pior que criança no que respeita a prendas. Esperamos uns minutos e a seguir foi a minha vez de apagar as velas e de abrir os meus presentes.
Ainda ficamos um bocado à conversa mas quando a Maria avisou que se ia deitar seguimos o seu exemplo e fomos para os respectivos quartos mas foi quando já estava deitado e agarrado à Mari que a prima resolveu interromper porque tinha algo para falar e que não podia adiar, ainda refilei mas não serviu de nada pois fiquei sozinho, acabei por adormecer pois estava de facto cansado do jogo.
Mariana
Lógico que passei o resto do jantar a pensar na possibilidade de estar grávida e apesar de tentar disfarçar o Ruben percebeu que algo se passa, perguntando com as letras todas se estou assim só pela decisão que tenho de tomar ou se é mais alguma coisa, teria contado naquele momento da probabilidade de sermos pais em breve mas fomos interrompidos e o assunto acabou por ser esquecido pelo Ruben, no entanto para mim está cada vez mais presente.
Já estávamos deitados quando a Maria veio até ao nosso quarto com a desculpa que tinha de falar comigo, acabei por segui-la até à sala.
- Aqui está a fugitiva! - a Maria falou assim que entramos na sala onde encontramos a Ana
- Maria para quem estava com sono estás bem animada! - reclamei, já elas entreolharam-se e riram.
- Isso foi só desculpa para mandarmos os rapazes para a cama!
- Eish... vocês não sei mas não tenciono deixar o Ruben adormecer sozinho por isso... - foi interrompida pela Ana.
- Toma! - olhei para o pequeno saco de farmácia que tinha nas mãos - Como sei que por ti não compravas teste nenhum fi-lo por ti!
- Contaste-lhe? - olhei de imediato para a Maria que sorria feita parva.
- Não! Mas a Maria tal como eu juntou os sintomas todos e comentou comigo, por isso decidimos comprar-te o teste porque estamos as duas desejosas de termos a confirmação!
- Quando é que compraste isso? Ana, tens noção que ainda não falei com o Ruben, não tens?
- Hey parou! Primeiro os rapazes não perceberam o que fui fazer, aliás nem tu, que fui à farmácia e nem deste pela minha ausência por isso não venhas com essa de ter dado nas vistas, vai mas é fazer o teste!
- Não!
- Prima nem penses que vais fazer o mesmo que fizeste da outra vez, não é por fazeres o teste que morres por isso...
- Vocês não entendem que primeiro quero falar com o Ruben.
- Prima, por acaso estás com medo que o Ruben não aceite?
- Não é bem isso - baixei o olhar - sei que se tiver o Ruben vai aceitar mas também sei que lhe prometi esperar mais uns meses.
- Mariana esquece isso! Amiga o Ruben até pode dizer o contrário mas no fundo quer ser pai o quanto antes, porque garanto-te que se não quisesse nunca teria facilitado.
- Ohh isso não é bem assim...
- Sei que quando estamos em “altas” por vezes não queremos saber de mais nada mas o Ruben não é desses, acredita em mim, sei bem do que falo - olhei-a - se há coisa em que o Ruben é muito cuidadoso é no que toca a proteger-se nesse sentido, namorei tanto tempo com ele e nem uma única vez se descuidou e olha que sempre tomei a pilula, algo que o Ruben sabia perfeitamente, por isso se contigo deixou de ser tão picuinhas nesse aspecto ainda mais sabendo que não tomas a pílula é porque quer ser pai mesmo dizendo o contrário.
- Tenho as minhas dúvidas - baixei novamente o olhar - até porque quando nos envolvemos a primeira vez o Ruben no momento não se preocupou com isso, só depois é que questionou se havia algum risco de termos alguma surpresa e para ser sincera mesmo naquela altura em que nos envolvemos sem namorarmos foram muito poucas as vezes que usamos preservativo.
- E ainda tens duvidas que quer ser pai? Mariana, o Ruben há muito que te escolheu para mulher e mãe dos seus filhos, porque de uma coisa podes ter a certeza, és a única com quem nunca se preocupou em se proteger, o Ruben ama-te mais do que a ele próprio, a vida dele esteve suspensa durante anos, no fundo o Ruben esperou por ti tal como esperaste por ele, hoje percebo que se passaram pelo que passaram foi porque tiveram que crescer para conseguirem admitir que se amam.
Amiga, o Ruben ainda tentou usar o nosso namoro para esquecer o sentimento que nutria por ti, partilhou casa comigo mas eras tu que aparecias nos seus sonhos enquanto dormia, perdi a conta às vezes que chamava por ti enquanto dormia, sempre foste a dona do seu destino, tal como ele foi do teu, tanto que foi que casaram quando sempre o ouvi a dizer que não era um dos seus objectivos mas a verdade é que casaram e sem darem cavaco a ninguém, vocês casaram porque no fundo foi a forma que encontraram para demonstrarem ao teu pai que não vivem uma brincadeira, que é real e bem real, que se amam e não têm a menor dúvida, o que vocês chamam de um acto de loucura eu chamo de AMOR, vocês não precisam que o mundo vos aceite ou vos compreenda, vocês só precisam um do outro e por isso casaram, porque no fundo vocês completam-se por isso não tenho a certeza que o Ruben quer ser pai.
Não respondi mas fiquei a pensar em tudo o que a Ana falou e a juntar a isso tinha a recordação daquela vez em que desconfiei que pudesse estar grávida, o Ruben apesar de tudo reagiu melhor do que esperava e foi com isto tudo no pensamento que acabei por ir até ao quarto.
Deitei-me do seu lado e comprovei que tinha adormecido, algo que agradeci pois não conseguiria esconder-lhe a dúvida que paira sobre as nossas cabeças mas também ainda não estou preparada para lhe dizer.
Escusado será dizer que pouco dormir durante a noite e assim que começou o dia começou a clarear saí da cama, fui buscar o teste e resolvi fazê-lo.
Ruben
Acordei e ao esticar o braço para procurar a Mariana percebi que já se tinha levantado mas como ouvi barulho vindo da casa de banho deixei-me ficar de olhos fechados à sua espera e uns minutos depois pressenti que se tinha sentado na beira da cama, acabei por abrir os olhos e ao vê-la de costas completamente imóvel tentei perceber o que se passava e ao colocar-me de joelhos atrás de si vi o que não esperava, a Mariana tinha nas mãos um teste de gravidez.
- Desculpa - falou antes de se afastar de mim e começar a andar de um lado para o outro.
- Estes dois traços querem dizer que estás grávida? - perguntei ao pegar no teste que tinha deixado em cima da cama.
- Sim estou grávida e também sei que não queres... - a Mariana debitava uma quantidade de disparates enquanto andava de um lado para o outro e por isso fui obrigado a fazê-la parar, para tal coloquei-me diante dela impedindo que continuasse aos círculos mas mesmo assim continuou a falar enquanto as lágrimas corriam pelo seu rosto - deves estar a pensar que fiz de propósito mas juro que não...
- Amor pára! - olhou-me pela primeira vez desde que acordei - Mariana não estou chateado e muito menos penso que fizeste de propósito - limpei-lhe o rosto húmido - vamos ser pais! - falei de sorriso no rosto, sim é verdade que sempre disse que não queria ser pai já mas ver aqueles dois tracinhos fez-me sentir o homem mais sortudo - vamos ter o nosso bebé - levei a outra mão à sua barriga e vi um sorriso enorme surgir-lhe no rosto para no instante seguinte beijá-la calmamente - Amo-te - suspirou - ou melhor amo-vos - ajoelhei-me à sua frente e pela primeira vez beijei a sua barriga com o desejo de beijar o meu filho.
- Estás feliz? - perguntou-me algo surpresa.
- Não se nota? - não a deixei responder, simplesmente a puxei para mim beijando-a agora com mais intensidade, cambaleamos até à cama onde nos deitamos e passamos os minutos seguintes a trocar mimos, mas desta vez concentrei-os praticamente todos na sua barriga, o que lhe provocou algumas gargalhadas mas assim que parei - Mariana se estás grávida foi porque facilitamos mas também se não tivesse sido assim continuaríamos neste impasse e gravidez não é doença e muito menos uma dor de cabeça pelo menos não no nosso caso, nós amamo-nos - beijei-a calmamente - achaste mesmo que ia ficar chateado? - perguntei quando já a tinha nos meus braços e mais calma.
- Oh... para ser sincera pensei em tanta coisa.
- Há quantos dias é que andavas desconfiada?
- Pois... - começou a rir feita tonta
- Onde é que está a piada?
- Foi preciso ser a Ana e a Maria a juntarem as peças e a dizerem com as letras todas para ter percebido.
- Como assim?
- Há uns dias que tenho andado a sentir-me estranha, tipo cansada e indisposta mas nunca passou-me pela cabeça que pudesse estar grávida, aliás tenho consulta marcada porque achei que isto não era normal, só não disse para não te preocupar mas a verdade é que ontem depois delas perceberem que não ando bem e após a Ana perguntar de quanto tempo estou é que parei e fiz as contas, chegando à conclusão que o atraso já é considerável.
- Porquê que não falaste logo comigo?
- Porque tive medo - a Mariana escondeu o rosto no meu tronco - tu não querias...
- Sabes bem o motivo pelo qual pedi para adiarmos a vinda do nosso primeiro filho logo sabes que nunca foi por não querer mas sim por não conseguir acompanhar todos os momentos da gravidez.
- Agora que falas nisso - olhou-me - tenho de comunicar ao meu tio que venho para o Porto, se já tinha intenções de vir por querer estar do teu lado agora é que não tem sentido continuar em Lisboa.
- Tens a certeza?
- Tenho mas porquê? Não queres?
- Quero, aliás sempre quis mas nunca o iria admitir porque se o fizesse sabia que no mesmo momento informavas o Jorge da escolha e sinceramente a decisão tinha que ser só tua.
- A decisão tem que ser dos dois, só assim faz sentido, afinal somos um casal e espero bem que penses da mesma forma que eu, ou seja, as decisões que afectam os dois têm que ser sempre tomadas em conjunto.
- Concordo contigo e foi por isso que te dei a minha opinião quando abordaste este assunto comigo mas também tens de concordar que não é fácil pedir-te que abdiques da tua vida profissional em prol da minha, até porque se fosse ao contrário também não me pedirias tal coisa, foi neste sentido que falei que a decisão tinha que ser só tua.
- Pois mas agora já não somos só os dois - sorriu ao colocar as mãos na barriga - por isso temos que pensar no melhor para os três e o melhor é sem dúvida estarmos juntos, por isso a decisão está tomada.
Não contestei e muito menos tentei demovê-la da ideia, até porque esta era a decisão que queria ouvir da sua boca. Aproveitei o facto de tê-la nos meus braços para a mimar, talvez assim percebesse de uma vez o quanto estou feliz com a vinda do nosso bebé.
- Amor temos que nos levantar! - a Mariana informou quando a minha intenção era outra.
- Eish... oh mor agora?!
- Sim... agora! Temos o pessoal cá e além disso não vais passar a manhã do teu dia de anos enfiado na cama!
 - Por isso mesmo - olhou-me - podíamos ficar aqui e - comecei a dar-lhe alguns beijinhos no seu pescoço - e... comemorá-los a três!
- Deixa de ser egoísta! - gargalhei ao ouvi-la.
- Não é ser egoísta... é mesmo querer a mãe do meu filho SÓ para mim... afinal tenho que aproveitar bem os próximos meses porque depois vou ter que te dividir com... - hesitei uns segundos mas acabei por perguntar - queres menino ou menina?? - a Mariana sorriu.
- Não sei... acho que ainda não tive tempo para assimilar que estou grávida quanto mais para pensar se é menino ou menina.
- Ohhh se pudesse escolher queria menino!
- Uiii já estou a imaginar ainda a criança não sabe andar e já estarás a tentar ensinar-lhe a jogar...
- E isso é mau?!
- Não... mas agora temos mesmo que nos levantar!
- Tudo bem... mas depois quero mimos a dobrar!
- Sim... papá - sorri ao ouvi-la.
Fiz-lhe companhia no duche e no fim saímos do quarto directos para a cozinha já que a Mariana estava a reclamar com fome.
Como terminará este dia? E a novidade da gravidez da Mari será bem recebida por todos?