quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

066 - "Não é isso que tens gemido todas as noites!!"


(Maria)
O segundo dia do ano amanheceu cedo de mais para mim, já que sentia ter umas horas de sono a menos. Mexi-me e senti que estava sozinha na cama despertei de imediato esquecendo o sono e dando um pequeno salto de forma a ficar sentada olhei em volta e pude ver em cima da cómoda do quarto as chaves, a carteira e o telemóvel do João sinal que ainda não tinha saído de casa no mesmo momento
- Os meus amores já acordaram?! - devo ter feito uma cara nada simpática - Estás a sentir-te bem fofinha?
- Não... não gostamos - afaguei a barriga - de acordar sozinhos na cama!
- Oh - falou a rir - estavas a dormir tão bem... até eu tinha ficado mais umas horinhas  a dormir... 
- Tens treino agora já né? - ele acenou-me afirmativamente enquanto deixava cair a toalha que tinha enrolada na cintura e vestia os boxers e eu babava com a cena “Maria Micaela ele tem treino e tu tens de começar a dar melhores exemplos ao teu filho por isso muda de pensamentos já” pensava enquanto senti um sorriso bastante perverso nascer-me no rosto
- Que sorrisinho é esse? - suspirei profundamente - uii que estamos lindas...
- Não é sorriso nenhum ou melhor tinha saudade de acordar assim.... acompanhada... por ti! - levantei-me e dei-lhe um beijo - vou tomar um duche e tomamos o pequeno-almoço juntos? 
- Se não tomares o banho do século!
Sai para a casa de banho e depois de um duche “despertador” quando voltei ao quarto este estava vazio escolhi algo bem prático para vestir já que ia ficar em casa
e dirigi-me para a cozinha, quando cheguei na porta vi o João todo empenhado em fazer o pequeno-almoço e um cheiro maravilhoso a café e torradas já se espalhava pelo ar
- Eeee que pai tão prendado que tu tens ãh Guilherme! - o João olhou assim que me ouviu e riu-se deu-me um beijo e puxou-me para a mesa - pena é não podermos comer isto tudo. - peguei uma torrada onde barrei manteiga e num copo de leite branco que bebi de uma só vez
- Só isso?
- Já devias saber que de manhã pouco me desce pela garganta além de que não posso beber café...
- Eish esqueci-me
- Não faz mal... e tu não comes mais nada? - ele estava também a terminar de comer
- Nop estou já de saída e se comer mais alguma coisa não consigo treinar - levantou-se e começou a arrumar a loiça
- Não estavas de saida?
- Estava não, estou
- Então o que estás  a fazer?
- A deixar isto arrumado...
- Desaparece mas é daqui que eu trato disso!
- Oh amor...
- Oh amor nada! Eu trato disto antes de ligar ao meu tio a avisá-lo que fico por cá e de ver como está o mercado
- Não abuses!
- Sim papá! - dei-lhe um beijo já que fomos falando enquanto ele pegava nas suas coisas e estava já na porta para sair
- E tu toma conta dela! - fez uma festa e depois falando junto à barriga em tom baixo como se eu não ouvisse - se ela começar a abusar dá-lhe uns pontapés ou mete-a mesmo enjoada... depois o papá trata de a meter boa logo...
- Piadinha... mete-te mas é já ao caminho... - ele voltou a levantar-se e deu-me um beijo - Bom treino!
- Obrigado... qualquer coisa liga... até já!
O João saiu mesmo e eu fui até à cozinha onde em minutos arrumei as poucas coisas que sujamos no pequeno almoço
- Ai Guilherme... Guilherme... ainda é cedo para ligar ao Tio Jorge sem lhe provocar um AVC por isso vamos arranjar qualquer coisa para passar o tempo...
Ia falando com o meu pipoquinha enquanto começava a percorrer toda a casa , já que com a presença dos nossos amigos pouco tempo tinha tido para a conhecer e para a sentir como minha, não que fosse, mas se lá ia passar as próximas duas semanas queria conhecer bem os cantos à casa e ainda mais às gavetas e armários, por isso durante a hora seguinte revirei a casa do avesso e até que me senti minimamente inteirada de tudo.
Com a curiosidade mais saciada sentei-me no sofá da sala e peguei no telemovel ligando assim para o meu tio
- Olá sobrinha! Olá Guilherme
- Olá! 
- Está tudo bem com vocês?
- Sim... porquê?
- Acabei de passar no teu gabinete e não estavas, algo que a esta hora não é normal
- Ah pois foi mesmo por isso que te liguei...
- Passa-se alguma coisa Maria?
- Já disse que está tudo bem Tio, acalma-te... Jorge?
- Sim Maria
- Queria avisá-lo que durante os próximos 15 dias não irei até ao escritório mas estarei sempre em serviço en mi oficina doméstica en Valencia - ouvi-o gargalhar 
- Muy bien... então foste raptada foi?
- Não viemos passar o fim de ano como sabias e resolvi ficar... 
- E essa decisão é definitiva?
- Claro que não tio... são só 15 dias para conhecer isto... e para o Guilherme estar com o pai...
- Ah está bem... controlas as tuas coisas por ai?
- Sim está descansado que está tudo sob controlo...
- Ok... divirtam-se e manda um abraço ao papá
- Será entregue quando voltar do treino... beijo
-  Beijo
Terminada a chamada liguei o computador e resolvi alguns assuntos profissionais que tinha e acabei por ir até ao facebook

Depois de exibir com todo o orgulho a minha barriguinha resolvi ser uma “dona de casa” prendada e retribuir o pequeno almoço e fui até à cozinha preparar o almoço, não tinha noção das horas a que acabaria o treino do João e muito menos quanto tempo demoraria a chegar a casa depois do mesmo por isso remexi nos armários e encontrei tudo o que precisava para preparar uma lasagna. Preparei tudo enquanto ia conversando  com o Guilherme, sim desde que tudo tinha ficado bem  com o João que me sentia mais leve e tinha passado a viver a gravidez de forma mais divertida, mantive um animado monologo em que ia contando pequenas histórias minhas e do João à Pipoquinha. E quando tinha acabado de colocar o tabuleiro no forno e me volto em direcção da porta  para me atirar no sofá dou de caras com o João encostado na ombreira da porta com um sorriso parvo e babão na cara
- Queres um dos babetes que já tenho para o Guilherme?
- Não é preciso obrigado...- respondeu  a rir e deu-me um beijo
- Tu é que sabes... e pode-se saber que sorrisinho é esse? E há  quanto tempo estavas a cuscar a conversa dos outros?
- Cheguei há uns minutinhos, mas vocês estavam tão entretidos que preferi não interromper... e o que tem o sorriso já não se pode rir é?
- Poder pode, mas eu acho que não tenho cara de palhaça! - sai para a sala e deitei-me no sofá, ele seguiu-me e sentou-se no chão onde me encheu de beijinhos a barriga
- Estava... estou só muitooooo feliz - gargalhou - tu não tens noção de como tem sido bom adormecer contigo nos braços e acordar contigo ainda coladinha a mim e sair com um beijo teu e voltar contigo aqui... em casa... a falar  com o nosso bebé...e na cozinha... 
- ahhh agora disseste tudo! Andavas a precisar de uma cozinheira confessa - disse fingindo-me ofendida 
- Não foi isso que eu disse por mim até podias nem ter feito nada... só o estares aqui... estarem aqui é maravilhoso! - beijou-me a barriga e depois uniu os nosso labios
- Sabes muito tu! - ouvi o temporizador do forno - almoçar! Sim que já que perdi o meu tempo agora  vais comer!
- Pronto eu faço o sacrifício...
Seguimos para a mesa onde acabamos por ter uma refeição bastante animada que terminou com o João a arrumar tudo enquanto eu já ocupava o meu lugar na cama.
- Amooor!
- Shiu fala baixo o Guilherme está a dormir e eu também vou dormir “la siesta” no?
- “la siesta”? Perguiçosos!... - disse a rir - arranjem lá ai um espacinho para mim - disse deitando-se na cama e abraçando-me por trás ficando com a as mãos na minha barriga que acariciou durante longo tempo enquanto íamos conversando sobre banalidades até que acabei mesmo vencida pelo sono.

(João)
A presença da Maria em Valência tem sido o melhor que podia acontecer, depois do fim-de-ano animado o ela ter ficado foi muito bom mesmo e os dias repetiram-se a uma velocidade avassaladora! 
Enquanto saia de manhã para o treino deixava-a já em grande agitação por causa do trabalho, o que me fez ver que realmente não seria fácil para ela poder vir a compatibiliza-lo com uma mudança definitiva para cá ainda para mais grávida, quando  voltava almoçávamos e dormíamos a sesta já que segundo a Maria o Bruno tinha que se habituar a dormir para quando estiver cá fora ser mais fácil, desculpas de  uma grávida muitoo preguiçosa, e depois acabávamos por dar umas voltas por Valência e em alguns momentos por nos encontrarmos com alguns dos meus colegas e famílias, principalmente com o Ricardo.
Hoje é dia de jogo grande, Valência x Real e a Maria iria assistir ao jogo antes de regressar amanhã a Lisboa. Sai para o estádio e ela já estava também pronta a sair

- Onde é que vocês vão tão cedo?
- Levar o papá porque precisamos do carro!
- Ai sim? Pode saber-se para quê?
- Vamos ver o tio Cris e o tio Sérgio!
- Oh ‘tadinha anda distraída e nem percebeu que o amigo tá castigado
- Tá castigado, mas está em Valência! Vou agora ao hotel ver o pessoal e depois vou almoçar com o Sérgio - ela falou enquanto seguia para o carro - vá anda lá!
- Não acho piada
- Não achas piada a quê João?
- A ires almoçar com ele!
- Podes parar já por ai! Tá-te a dar é? Já tínhamos falado sobre isso!
- Não gosto....
- Ai... ai... haja paciência né Guilherme?!
- A tua sorte é que o Bruninho vai tomar conta de ti se não logo vias! Prendia-te no pé da cama! - ela deu uma gargalhada 
- Era de homem! - falou ainda a rir
- Tás a dizer que não sou?!
- És...  és um menino é o que és!
- Não é isso que tens gemido todas as noites!! - a Maria andava insaciável e endiabrada, as noites têm sido muito “calientes” e movimentadas, mas durante o dia ficava muito púdica e foi impossível não gargalhar com a cara de envergonhada com que ficou
- Tens cá uma piada!
- Oh amor devias ver a tua cara! - mostrou-me a lingua
- É né?? Eu logo falo sobre caras amanhã à noite quando tiveres sozinho na cama!
- Vou estar com um ar muito tranquilo e relaxado, afinal já estou a precisar de um descanso...
- Lá está... menino! - voltou a mostrar-me a língua e depois deu-me um beijo - e agora fazes o favor de sair do carro  que eu tenho mais que fazer!
- Sim patroa! Portem-se bem...
- Boa sorte!
Sai e ela arrancou.

(Maria)
Estas semanas têm sido excelentes e o poder contar com todos os mimos do João então tem valido cada segundo de stress por me encontrar em pleno mercado de inverno e longe do gabinete o que dificultava o acesso a algumas informações. 
Infelizmente chegou a hora de voltar a Lisboa, já amanhã. Mas antes ainda tinha um dia que prometia ser animado pela frente, depois de deixar o João com a equipa segui até ao hotel onde se concentrava a equipa do Real Madrid e assim que lá cheguei dou de cara com o Iker e o Cristiano no hall do hotel numa conversa super animada
- Vou fotografar a cena e enviar para a comunicação social! “Afinal o ambiente é do melhor!”
- E ela que não entrasse logo a abrir! - falou dando-me um beijo
- Hola Cariño!! - repetiu o gesto
- Então prontos para perderem?
- Ah ah ah... deve ser isso! Só falta dizeres que vai ser  o pai do teu filho a marcar! - o Cris ria e o Iker acompanhava - Devia ser lindo... oh Mariazinha este é o quarto jogo! E temos um saldo bastante positivo...
- Ainda te vais calar! E eu se fosse a ti reforçava as caneleiras!
- Falamos no fim do jogo então
- Hasta que lo hagamos otra cosa, si el padre de tu hijo para disparar juro que no defiendo
- Obrigada mas podes defender tudo
- Ya porque o pai do puto não chega lá!
- Isso é o que veremos... mas é bom que dês luta porque se não, não tem piada.
Estávamos nesta discussão quando sinto umas mãos na minha barriga e de imediato o Guilherme se mexe
- Bem! - disse a rir - Só três homens conseguem este feito
- Que feito? - questionou o Cris
- Chegar perto e fazer o Guilherme mexer-se logo
- E quem são?
- O pai ÓBVIO, o padrinho e o  Tio Sese - enquanto respondia já o Sérgio estava de joelhos a falar com a minha barriga 
Os momentos que se seguiram foram de mais tricas já que o Sergio resolveu alinhar com eles no ataque ao Valência em geral e ao João em particular e um amuo tanto do Cris como do Iker pelo Guilherme não reagir com a presença  ou mesmo as festas de qualquer um deles
- Oh puto então pá?! - o Cris refilava a falar para a minha barriga enquanto “carinhosamente” a agitava - Deves ter a mesma mania que o teu pai! Então  o melhor do Mundo está aqui a falar contigo e tu nada?
- O Messi? Onde?
- Engraçadinha! - falou mostrando-me a língua e acabamos por mudar de assunto já que quis saber como estava o seu Jr e a conversa foi por ai já que ele é definitivamente um babado  pelo filho, até que a equipa teve de se reunir com o Mourinho e nós saímos para almoçar, não conhecia Valência assim tão bem por isso levei o Sergio a um restaurantezinho bastante acolhedor perto “lá de casa” onde aproveitamos para colocar toda a conversa em dia, afinal desde que tinha estado doente e feito as pazes com o João nunca mais tinha estado com o Sergio e ele qual fofoqueira queria saber como estava tudo.
A tarde passou nesse clima e juntos seguimos para o Mestalla. O jogo foi animado embora a equipa da casa parecesse não estar em campo. O Real acabou com 9 jogadores em campo, sem o Iker que se lesionou e sem o Fábio e o Di Maria expulsos e a expulsão do Di Maria deu pano para mangas no  camarote já que tinha “dedo” do João claro está que o Sérgio e eu tínhamos visões completamente opostas do lance o que levou quem nos rodeava e nos ouvia discutir a dar umas valentes gargalhadas. 
No final do jogo desci de imediato para as garagens rezando para  que o João fosse rápido já que a contagem decrescente para o meu voo tinha começado e eu tencionava ainda dar uma bela estafa ao João antes de me ir embora, de forma a deixa-lo sem vontade de procurar “por fora” satisfazer-se.
Estava já a bufar junto ao carro depois de quase todos terem abandonado o estádio quando sinto a sua presença, naquele momento apenas nos encontrávamos na garagem nós e alguns adeptos entre eles a rapariga que tinha visto no primeiro treino a que assisti rodeada de mais algumas que consoante ela falava me olhavam incrédulas. Foi fácil perceber que duvidavam do ela lhes dizia e isso muito provavelmente era quem eu era, por isso assim que se aproximou de mim resolvi esclarecer todas as duvidas e de imediato me dei ao luxo de receber um longo e apaixonado beijo onde posso ter deixado bem claras, tanto a quem beijava, quanto a quem assistia as minhas intenções para o resto da noite.
- Vou só ali... já volto - falou referindo-se à zona onde estavam os adeptos e onde também já se encontrava o Sergio Canales 
- Rápido! - fiquei  a vê-lo conversar com alguns adeptos enquanto assinava cachecóis e blusas e quando chegou perto do ”mulherio” espantei-me quando depois de uma troca de palavras com  miúda do treino, me chamou. Ainda que na duvida se o deveria fazer aproximei-me - Sim?
- Hola!
- Hola! - cumprimentei a rapariga que me falava como se me conhecesse desde sempre
- Yo pedí que llame...- ela de imediato começou a falar com enorme à vontade - otro día durante el entrenamiento no hemos tenido mucho tiempo para hablar y todavía está bien porque vos ha visto estos días y le gustaba decir que ahora lo entiendo porque las WAG tienen club de fans -“percebes tu mas não percebo eu, nem isso nem o porquê desta conversa!” pensei enquanto a ouvia e ela deve ter percebido a admiração  - Te digo esto porque como has visto en el entrenamiento soy un gran fan de cuando vi a João y yo acabé tratando de encontrar más acerca de usted y pude ver su facebook y su twitter y me dio cuenta de que eres todo lo que quiero ser cuando sea grande - estava abismada a rapariga deu-se ao trabalho  de me investigar  e ainda queria ser como eu?! estava mesmo em choque e senti a mão do João passar-me pela cintura olhei-o e percebi que tal como eu queria ver onde a conversa acabava mas em vez de assustado ele estava divertido - Entonces me di cuenta de que es fácil para una fan a revisar en la novia del ídolo y ella se convierte automáticamente en Diva...y ahora yo soy tu fan! - fiquei abismada ouvindo-a não sabia o que dizer aquilo era tudo um bocadinho surreal olhei-a durante uns segundo e depois olhei para o João que sorria e vi que o Canales e o Ricardo que tinha chegado entretanto esperavam por uma resposta minha
- Mira cariño ... No sé qué decir .... Nunca esperé escuchar algo asi - era a mais pura das realidades eu não sabia o que fazer -No creo haber hecho nada especial para ser una diva o un ejemplo, espero no decepcionarte ... mira estoy sin saber qué decir ni qué hacer...
- No hay necesidad de decir nada ... y sé que no me va a decepcionar ... hacer, aceptar este regalo ... es para Guilherme - pronto agora é que ela me punha a chorar presentes para o Guilherme são golpes baixos, ela estendeu-me um embrulho que o João agarrou assim que percebeu que eu já não iria ter grande reacção
- Amor... queres que seja eu a abrir? - “acordei” quando ele falou
- Não... Não eu abro - tirei-lhe das mãos o embrulho e de imediato - No sé desenvolver regalos sin romper el papel ... soy como los niños - ela sorriu e eu acabei de abrir e de onde tirei 

- Oh tão fofos! - disse enquanto mostrava ao João que estava já tão babado quanto eu - Oh tan lindo! Al llegar a Lisboa mañana serán las primeras cosas a tener en el armario de Guilherme...¡Gracias! No había necesidad ... ¡Gracias!
- ¿Mañana? ¿No estás aquí? - perguntou admirada
- No, sólo de paso regresó a Lisboa mañana y el trabajo
- Oh .. Me gustaría mucho seguir para estar con usted y ver su embarazo
- No me encontrarán en twitter y facebook?
- ¿Puedo agregar en facebook? Ya seguirte por Twitter? - perguntou-me admirada
- Sí, pero no dar por ahí
- ¡Por supuesto! Gracias por haberme dado este honor
- No es nada! Muchísimas gracias por este regalo ... Ahora disculpar pero Guilherme tiene hambre
- ¡Oh, sí! Lo siento por el tiempo que usted llevó a cabo. Te quiero María
- Mira cariño Todavía no sé cuál es tu nombre!
- Carmen pero me llaman Carmencita
- Entonces Carmencita - dei-lhe dois beijinhos nas buchechas - gracias! Venga a vernos en las redes sociales
- ¡Por supuesto!
- Beso!
- Besos!
Acabei por me afastar daquele pequeno aglomerado e  seguir directa para o carro o João seguiu-me sempre próximo mas manteve-se calado acho que percebeu que eu ainda estava a digerir toda esta informação. Já estávamos perto de casa quando
- Amor? - ele olhou-me - Isto foi tão esquisito!
- Oh esquisito... foi estranho... mas fofinho... Diva! - falou a rir
- É... os peluches são amorosos!
- Podias deixa-los cá!
- Não!
- Porquê?
- Porque são do  Guilherme e vão ficar no quartinho dele!
- Que tu já decidiste onde é claro! - não gostei do tom com que falou e adivinhei uma discussão pela frente, como tínhamos acabado de parar o carro sai de imediato do mesmo - Tou a falar contigo!
- Decidi João! O quarto do Guilherme vai ser na casa onde ele vai morar e que como é óbvio será na minha e da minha prima
- Isso não tem assunto!
- Não?
- Claro que não! Tem algum assunto continuares a morar lá... a Mariana tem a vida dela com o Ruben e...
- E??
- E eu acho que devias mudar-te para minha, para NOSSA casa.... tem mais lógica não?! E tem um quarto para o Guilherme e lá vai metê-lo a dormir onde? No escritório? 
- Deixa de ser parvo! Durante este tempo todo a vida da minha prima e a minha adaptaram-se muito bem uma à outra e além disso não vou mudar para o fim do mundo onde tens a tua casa quando moro perto de tudo o que preciso ou posso precisar
- Pois... tou a ver muito giro quando puder ir ter com vocês fico de hospede em vossa casa ou vou dormir sozinho na minha...isso tem cá uma piada! Então se a tua prima e o Ruben lá estiverem...- pois ele tinha razão realmente lá em casa era difícil podermos ter uma rotina como  a das ultimas semanas já que teremos sempre de dividir o espaço, mas também não me quero mudar para a sua casa 
- Oh... tens um bocadinho de razão, mas tens de admitir que a tua casa não é a melhor localizada para ficar sozinha com o menino, fica longe de tudo e de todos...
- Se o problema é esse podemos sempre encontrar soluções o que dizes?
- Vamos pensar nisso com calma... e depois porque agora... agora estou mais preocupada com outro assunto de extrema importância - falei num tom que deixava bem claras as minhas intenções mas a ele juntei ainda um streep bem lento
- Ai sim? Qual? - perguntou a rir-se enquanto me puxava para o seu colo
- Dar-te cabo de qualquer reserva de energia que possas ter e deixar-te bem satisfeitinho até... até nos ires visitar!
Ele riu-se mas nem respondeu, também não lhe dei tempo colei as nossas bocas e os nossos corpos e a noite foi tal como tinha previsto longa e prazerosa.
Na manhã seguinte acordei bastante desanimada, mas lá forcei um sorriso para que o João não ficasse com a pulga atrás da orelha
- Vais mesmo bem? - acenei-lhe afirmativamente afinal era a milésima vez que me questionava desde que tínhamos saído de  casa com direcção ao aeroporto - quando chegares avisa!
- Está descansado! Está tudo bem! Vemos-nos nos meus anos?
- Sim! Vou da La Curunha directo para Braga...
- Ok - ouvi o anuncio do meu voo - é agora! - dei-lhe um beijo que prolongamos ao máximo e depois de umas festinhas e uns beijinhos no Guilherme que estava irrequieto acabei por finalmente deixa-lo e entrar no avião.
A viagem foi tranquila e a chegada a Lisboa também, fui directa para o escritório onde reuni com o meu tio para saber como andavam as coisas  e ainda fui informada da possível transferência da Mariana, ideia do nosso tio com a qual eu não poderia concordar mais.
A semana passou a voar e era já sexta-feira, véspera do meu  aniversário e hoje seguia para Braga na companhia da Ana e do Fábio.

Como correrá o fim de semana de aniversários em Braga? E este clima de  paz entre o casalzinho? Como estarão a Mariana e o Ruben?




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

065 - “…lamento mas não sou teu pai para te ter que educar…”


Mariana
O primeiro dia do ano foi bastante animado ou não fosse a ida ao treino do João ter rendido umas belas gargalhadas mas com o regresso a Portugal chegou também o momento de despedir-me do Ruben, algo que não estava a agradar-me nem um pouco no entanto não tive outro remédio que não fazê-lo.
***
A primeira semana de Janeiro foi completamente parada com a minha prima em Valência e o Ruben em Braga os meus dias resumiram-se a casa-trabalho-casa mas foi num desses dias que…
- Mariana vamos almoçar?
- Eihs oh tio tem mesmo que ser?
- Tem! E nem venhas com essa que almoças aqui porque sei bem que comer é coisa que não tens feito estes dias!
- Que exagerado! – bufei – Só ando com menos apetite mas se para não o ouvir tenho que ir consigo... então vamos!
Peguei na minha mala e saí atrás dele, o meu tio escolheu o restaurante e foi quando já estávamos a almoçar que a conversa surgiu.
- Posso saber o que se passa contigo?
- Comigo?! Nada!
- Quem nada não se afoga e tu… tu pareces que estás a afondar-te – respirei profundamente – Mariana o que se passa contigo? Nunca foste de ficar fechada em casa...
- Ohh
- Ohh não é resposta! - baixei o olhar - Estou a ficar preocupado...
- Tio - voltei a respirar fundo - se quer mesmo saber esta não é propriamente a vida que quero para mim e ultimamente ando a pensar demasiado nisso mas não é nada que não passe...
- Não queres explicar isso melhor?
- Se quer mesmo saber sinto-me sozinha... é isso!
- Sozinha?
- Sim... oh tio estes dias tenho andado a pensar em tudo o que se passou nos últimos dois anos e chego sempre à mesma conclusão - encolhi os ombros - estou sozinha - não sei o que estava a dar-me mas as lágrimas vieram-me aos olhos - tenho o Ruben mas é o mesmo que não tivesse, ele está em Braga e daqui a uns meses pode ainda estar mais longe - suspirei - a Maria... a Maria está finalmente a entrar nos eixos e a seguir com a sua vida... e eu... eu continuo para aqui largada a um canto que nem cão abandonado... e depois há toda esta situação com o meu pai... nunca pensei que fosse realmente virar-me as costas só porque não sou o melhor exemplo de virtude!
- Oh Mariana estás a exagerar - olhei-o - primeiro não estás sozinha e segundo a situação com o teu pai só chegou a este extremo porque és o retrato dele mas uns anos mais novo, vocês chocam porque são exactamente iguais, dois casmurros e orgulhosos, já para não dizer que se julgam senhores da verdade! Mariana reconhece que nem sempre agiste bem e vais ver que metade dos vossos problemas desaparecem!
- Tio... você não entende mas dói ouvir certas coisas da boca dele quando não são verdade, porra ainda se todas estas acusações viessem no tempo certo, se ele tivesse tentado abrir-me os olhos quando deveria mas não... andei anos e anos a ter comportamentos menos decentes e agora que resolvi assumir uma relação, construir um futuro ao lado da pessoa que amo, ele resolve dificultar?
- E porquê que ele não fez exactamente o que está a fazer agora no passado?! Talvez porque no passado fingiste ser quem não eras... Mariana não sei nem quero saber quantos foram os namorados ou curtes como vocês chamam mas sempre os escondeste, nunca deste hipóteses ao teu pai de reclamar e quando apareces com alguém é jogador de futebol que por sinal tem o mesmo currículo que tu no que toca à vida pessoal, currículo esse que o teu pai até sabe porque o Ruben nunca se preocupou muito em esconder que um dia estava com uma e no outro a seguir era outra, por isso é normal que na cabeça dele seja um problema o teu namoro com o Ruben.
- Isso não lhe dá o direito de nos julgar aos dois!
- Pois não... mas como pai está preocupado, é verdade que não escolheu a melhor forma de o demonstrar mas também não facilitaste...
- Ah agora a culpa é minha?
- Não! A culpa é dos dois! Tua e do teu pai que são os dois casmurros e não conseguem sentar e conversar como dois adultos mas tens de reconhecer que podias ter escolhido outra forma para comunicares ao teu pai a relação com o Ruben, vocês já namoravam há algum tempo por isso devias ter pelo menos preparado o teu pai para a notícia.
- Isso não é verdade! - o meu tio olhou-me - se quer saber vocês souberam pouco tempo depois de ter iniciado o namoro porque namorar mesmo só começamos naquelas férias no Algarve antes dos seus anos!
- Queres atirar areia para os olhos de quem? Mariana a vossa história não é recente e nem começou com o teu regresso a Lisboa...
- Mas namoro é só desde esse verão e como é óbvio não iria apresentar o Ruben ao meu pai enquanto não tivesse certezas...
- Mas quando as tiveste podias pelo menos ter tido uma conversa a três, tu o Ruben e o teu pai, mas não, entraste logo em rota de colisão com o teu pai e agora se estás arrependida só tens é de reconhecer isso e tentar remendar a situação, vai falar com ele!
- Não sei se será boa ideia, pelo menos para já.
O meu tio acabou por não insistir mais e como tal o almoço até foi agradável. O resto do dia foi mais do mesmo, comigo com a cabeça enterrada no trabalho e foi assim que a segunda semana de Janeiro se passou.
Com o fim-de-semana a chegar e uma vez que o Ruben joga no sábado em Braga, resolvi ir até lá mas foi quando estava a despedir-me do meu tio, ao final do dia de sexta, que recebi um “mimo” dele ou melhor uma ordem.
- Mariana só te quero ver cá no mês que vem! - olhei-o surpreendida - Sim estás oficialmente de férias impostas pelo teu chefe que andas com a cabeça em Braga e os pés em Lisboa, usa estes dias para pensares bem no que queres fazer e depois comunica!
- Como assim?
- Não preciso de funcionários que não deem o máximo de si por isso decide se queres continuar em Lisboa ou se o melhor não será ires para Braga, é lá que tens o Ruben e pelo que vejo deve ser o único que consegue meter-te nos eixos!
- Sabe bem que não posso ir para Braga! O meu trabalho é aqui!
- É aqui se fores útil, agora se continuares como tens andado nestes últimos dias... Mariana estás cada vez mais apática e isso no nosso trabalho só prejudica por isso vê se percebes o que realmente te faz falta e se decides!
- Está a dar a entender que ou passo a andar de sorriso no rosto ou sou despedida, é?
- Não, estou a pensar em transferir-te para o Porto, a Gesti precisa de mais um funcionário e para o cargo que é tens capacidades mas principalmente conhecimentos técnicos para o ocupar, no entanto também fazes falta aqui na Polaris por isso pensa e depois diz.
Fiquei uns segundos a olhá-lo mas acabei por agradecer a oportunidade e informá-lo que assim que decidisse lhe dizia.
Saí da empresa e fui directa ao apartamento, fiz as malas, sim malas já que ia ficar mais de quinze dias em Braga e a Mari sem a sua roupa e acessórios não funciona, e no fim de jantar iniciei a viagem, no entanto não avisei o Ruben para que não ficasse acordado à minha espera uma vez que amanhã tem jogo.
***
Cheguei a Braga e como esperava o Ruben já dormia, deitei-me do seu lado, sem o acordar mas mesmo assim e sem que estivesse à espera abraçou-me, ainda o chamei a pensar que estava acordado mas a sua respiração profunda foi a única resposta que obtive.
Acordei com os beijos do Ruben por todo o meu rosto mas só quando uniu os nossos lábios é que reagi e aprofundei o beijo,

lógico que foi só o rastilho para tudo o que se passou a seguir, pude finalmente voltar a sentir a minha pele contra a do Ruben, mas principalmente senti-lo de novo dentro de mim, com o desejo minimamente satisfeito, fiz-lhe companhia no duche e depois no pequeno-almoço, passamos a manhã toda enroladinhos nos braços um do outro, numa troca de mimos inocente mas que para mim foram perfeitos, almoçamos e depois tive que  despedir-me dele.
Passei a tarde de sábado sozinha e a pensar na sugestão do meu tio mas só consegui chegar a uma conclusão, não iria decidir nada sozinha, afinal o Ruben também é parte interessada no assunto e como tal resolvi ocupar o tempo a arrumar a minha roupa no armário e ainda fui ao supermercado para no final da tarde seguir até ao estádio AXA para assistir ao jogo do Ruben.
- Boa noite! - falei alegremente ao entrar no camarote e encontrar algumas das mulheres e/ou namoradas de alguns colegas do Ruben com quem já consegui alguma afinidade mas acabei por aproximar-me da Raquel e da Sara que são as duas com quem já estreitei os laços da amizade.
- Olhem quem é ela... agora está explicado o bom humor do Ruben - a Raquel meteu-se comigo.
- Como sabes que está de bom humor?!
- Falei com o Hugo e fui informada que o Sr. Amorim chegou deveras animado ao ponto de ter passado a tarde toda a pregar partidas aos colegas.
- Porra cada vez está mais puto - aquilo saiu-me sem ter dado conta o que levou-as a rirem.
Acabei por ver o jogo do lado delas e aproveitei para meter a conversa em dia, falámos de tudo um pouco mas quando o jogo terminou fiquei sozinha, uma vez que nenhuma das duas ficou para esperar os respectivos uma vez que estavam com carro.
Ainda tentei manter a calma mas o passar dos minutos e nem sinal do Ruben estava a irritar-me como tal acabei por ir procurá-lo.
- Amor! - exclamei ao abraça-lo.
- Por aqui?!
- Ena que entusiasmo... vê lá se queres que vá embora... ah espera já sei tens aí alguma dessas loucas que vocês chamam de fãs à tua espera, é? - brinquei com a situação o que originou a gargalhada por parte do Hugo e do Custódio que estavam à conversa com o Ruben.
- Ui... que vens “afinadinha” - sorriu para logo depois beijar-me.
- Eish parem com isso - ouvi o Hugo a reclamar quando unimos as nossas bocas e por isso fiz pior ou seja permiti que a minha língua fosse de encontro à do Ruben, algo que o próprio não só não negou como alinhou - Oh Custódio vamos mas é embora que estes já estão noutra e antes que chegue aí a louca que nós chamamos de fã - gargalharam os dois.
- És tão parvinho! - o Ruben falou assim que terminamos com a troca de saliva
- Sou... sou... mas aqui quem se faz de parvinho és tu e é quando as loucas se... - olhei para o Ruben pelo canto do olho e apanhei-o a fazer sinais para o Hugo se calar
- Se??? Agora começaste acabas!
- Amor não lhe ligues!
- Ruben!!! Primeiro vi-te a fazer sinais para o Hugo se calar e segundo ele obedeceu portanto contas TU ou conta ELE mas daqui não saem até saber que história é essa!
- Ok...
- Sim... estou à espera! - estava a olhá-lo e percebi que procurava as palavras certas para dizer - Falas hoje ou só no próximo milénio?! - o Ruben coçou a cabeça e os outros dois só sorriam, o que deu para perceber que não seria nada de muito grave mas talvez embaraçoso ainda assim não desisti - DESENVOLVE!!!
- Ok mas aviso já que não tive culpa!
- CONTA!
- Foi... olha foi na terça depois do treino à porta aberta... à saída estava um grupo de miúdas a pedirem autógrafos e... - olhei-o com um olhar ameaçador - e... olha não agarrei na caneta que a miúda deu-me e esta caiu - voltou a coçar a cabeça - no espaço vago - o Hugo gargalhou - ou melhor caiu no banco do carro e sem perceber como a miúda pegou na caneta - interrompi
- Pegou no quê?!
- Na caneta...
- Tu diz-me que a caneta não estava onde PENSO que estava!! - o Ruben não respondeu simplesmente olhou-me e encolheu os ombros - Ruben Filipe!
- Oh mor não tenho culpa...
- Não tenho eu, queres ver!
- Amor... juro que nem percebi bem como aconteceu... foi tudo muito rápido...
- Rápido?! Só falta dizeres que essa... essazinha devia dar-te uma massagem, não?! - os outros dois gargalharam
- Massagem?!... Nah... essas são para serem dadas exclusivamente por ti - puxou-me para ele e falou ao meu ouvido - afinal quem já tem a melhor massagista em casa não precisa procurar fora...
- Sabes muito mas ainda estás a anos luz do que sei! - atirei mais alto do que o suposto porque se o Ruben olhou-me os outros dois gargalharam e...
- Shiiii fraquinho!!! - o Hugo gozou - Não tens vergonha nessa cara?! Então a mulher diz-te uma cena dessas e tu ficas pelas covas...
- Hey... oh tu aí - falei agora virada para o Hugo - preocupa-te em satisfazeres a Raquel e desampara-nos a loja, boa?! - o Hugo olhou-me algo surpreso - Que do Ruben trato eu... e ele de mim... e garanto que se há coisa que não tenho são queixas portanto deixa de opinar sobre o que não conheces...
- Eish!!! E quem fala assim não é gago e eu tou no ir antes que chegue a mim... bye bye e Ruben tem juízo... - gargalhou - não apareças cá segunda todo roto que depois o mister canta-te uma cantiga... - o Custódio falou e bazou imediatamente.
O Hugo tentou seguir o exemplo do Custódio mas antes despediu-se do Ruben com um aperto de mão e de mim com dois beijinhos, algo que aproveitou para
- Tavas a gozar ou a Raquel comentou alguma coisa? - é certo que o Hugo perguntou-me ao ouvido talvez para o Ruben não perceber mas não aguentei e gargalhei ao ouvir tal pergunta
- Rapaz... comigo não comentou nada... tava mesmo SÓ no gozo!! - o Ruben fez um esforço para controlar a gargalhada mas mesmo assim
- Ups... FRA-QUI-NHO!!!! Eu cá pelo menos ainda sei que dou conta do recado... já aí para os teus lados...
- Hey acabou! - o Ruben olhou-me - Hugo estava a gozar, se queres mesmo saber nunca tive conversas sobre sexo - pela expressão facial dele percebi que não estaria à espera que fosse tão directa ainda assim continuei - nem com a Raquel nem com as outras mulheres e/ou namoradas de vocês por isso não faço a menor ideia se anda ou não satisfeita mas uma coisa posso dizer - o Ruben sorriu - se o que falei deixou-te com dúvidas é melhor falares com ela - o Hugo olhou-me escandalizado como se tivesse dito algo de outro mundo - que foi?
- Nada! - respondeu-me de imediato
- Ah... vocês são desses casais que fazem o que têm que fazer e depois viram-se cada um para o seu lado?!
- Mariana!
- Oh Ruben desculpa lá mas aqui o Hugo está a cavar a sua própria cova... É bom que acorde para a vida...
- Amor... sabes nem todas têm o teu arcaboiço para falar desses assuntos.
- Hello!! Tipo são marido e mulher?! Se não falam um com o outro vão falar com quem? Desculpem lá mas se o casal não fala como é que se completam? Tipo há tanta forma de fazer o amor, já que dizer sexo parece que deixa-te incomodado, - falei para o Hugo que continuava algo surpreso talvez com o meu à vontade - de dar e receber prazer se não discutem o assunto também não colocam nada em prática... resumindo os teus miúdos foram ambos feitos na cama e da forma mais tradicional possível... ela em baixo e tu em cima - o Ruben gargalhou já o Hugo
- Não vou estar com detalhes...
- Detalhes? Se chamas fugir à rotina detalhes vou aí e já venho... estão a precisar de um Kama Sutra e isso só para começar... que falta de criatividade...
- Como é que tu a aguentas?! - o Hugo virou-se para o Ruben - Ou isto é só fogo de vista??
- Hugo... somos só um casal extremamente satisfeito! Damos e recebemos na mesma proporção e sim falamos sobre o assunto sem qualquer problema por isso aguento-a na boa!
- Agora entendo o porquê que paraste de rodar... encontraste alguém com a tua pedalada... - sorri ao perceber que até em Braga a fama de mulherengo do Ruben chegou
- Não desvies o assunto mas se queres saber não foi esse o motivo que fez com que ganhasse juízo... foi sim ter finalmente a possibilidade de partilhar a minha vida com a única rapariga que sempre amei - o Hugo fez uma cara de quem não percebeu - a minha história com a Mariana já vem desde a adolescência - sorrimos os dois de forma cúmplice.
- Ah não sabia!
- Só quem nos conhece dessa altura é que sabe mas voltando ao outro assunto... a Mari tem razão fala com a Raquel mais que não seja para perceberes se tem ou não algo a apontar ou mesmo tu algo que gostavas de mudar e/ou experimentar...
- Vocês são dois tarados!!! - gargalhamos os dois
- Tarados não... simplesmente aproveitamos em pleno tudo o que podemos dar e receber.
- Ya... mas tipo vocês falam nisso numa boa...
- Desculpa vou ter que ser prático, se não falas abertamente como é que sabes aquilo que ela gosta ou não gosta, como e onde prefere, ou simplesmente se lhe estás a dar prazer?! É que caso não saibas é muito mais fácil para a mulher fingir o orgasmo do que para nós... É que é naquela se for sexo por sexo pouco importa mas e falo por mim quando estou com a Mariana não é propriamente para aliviar-me mas sim para partilhar com ela um momento de intimidade, de afecto, amor ou chama lá aquilo que quiseres, sinceramente faz-me confusão como é que um casal não fala sobre sexo... ok não é assunto para ser discutido diariamente mas tipo nem uma única vez??? Não entendo!
O Hugo olhou-nos à vez e quando ia para responder o seu telemóvel tocou algo que aproveitou para se meter a milhas, o que para mim foi perfeito uma vez que fiquei finalmente a sós com o Ruben e pude aniquilar a vontade súbita que tive de o beijar sem ter mirones a ver.
- Amor estou com fome... - falei assim que separei as nossas bocas
- Que tipo de fome?! -gargalhou
- Deixa de ser assim... até parece que estou desesperada!!
- Aiiii tens coragem para negares??? - falou com uma certeza avassaladora
- Sim... quero e muito mas não ando a subir paredes por isso vamos jantar que temos muito tempo para o resto!
O Ruben sorriu para de imediato abraçar-me, foi assim que fomos até ao meu carro, uma vez que o Ruben tinha vindo para o estádio com um colega.
- Leva tu! - dei-lhe a chave do carro e entrei para o lugar do pendura.
- Posso parar?! - perguntou quando viu um grupo de adeptos à espera dos jogadores.
- Podes!
A vontade não era muita mas também não o ia impedir, o Ruben parou o carro e ao abrir o vidro não pude evitar de olhar para os “abutres”, no entanto fiquei no meu canto sossegada até que...
- Ah... já estás novamente com essa?!
Ouvir tal coisa obrigou-me a respirar profundamente mas segui o exemplo do Ruben e não respondi, pelo menos não por palavras porque se o olhar matasse... teria cometido homicídio com toda a certeza. Mas se pensava que não pudesse piorar eis que...
- Olá Ruben - olhei de imediato para a árvore de natal que tinha do lado de fora do carro - hoje só te quero pedir desculpas por causa do que se passou no outro dia - a gaja olhou-me e sorriu para o Ruben - foi sem querer... tipo só reagi e peguei a caneta!
- Ah - o “ah” saiu-me o que fez o Ruben olhar-me e a gaja rir - então foste tu que tiveste o desplante de... - fui interrompida por ela.
- Hey... não precisas ofender... só fui buscar a minha caneta!
- Ainda andavas tu de fraldas e já eu comia papas em cima da tua cabeça por isso podes parar com essa do foi sem querer que nem aqui nem na china acreditamos em ti!
- Oh Ruben... és capaz de arranjar melhor - olhei-a possessa - coisinha sem graça - a miúda estava a esticar demasiado a corda e quando já ia para responder
- Olha não te conheço de lado nenhum e não estou minimamente interessado, como já percebeste tenho do meu lado a minha mulher - a miúda interrompeu-o
- Que por acaso é aquela de quem já te divorciaste!
- Tens razão, divorciamos-nos mas como vês continuamos juntos, é a Mariana que amo e não outra qualquer que se atire para cima de mim, por isso faz-nos um favor e desaparece! Sempre respeitei os adeptos mas há limites e lamento mas não sou teu pai para te ter que educar! E agora se nos dás licença - o Ruben não a deixou falar e fechou de imediato o vidro para arrancar com o carro de seguida.
- É que nem abras a boca! - falei ao perceber que iria pedir desculpas - Tens tanta culpa quanto elas!
- Eu?!
- Sim TU! Precisas mesmo de sorrir tanto ou de ser tão simpático? Ãh?
- Eish adoro esses teus ciúmes... - o Ruben aproveitou o facto    de ter parado num sinal para depositar alguns beijinhos no meu pescoço, já que a cara estava voltada para a janela - amor... Mari não fiques assim!
- Não fico assim?! Então como queres que fique? Ãh? Porra estou em Lisboa, morro de saudades tuas e quando venho ter contigo tenho que presenciar cenas destas? Quer dizer... se elas quando estou do teu lado fazem esta merda quando não estou nem quero pensar!
- O que deveria interessar-te não é o que elas fazem mas sim o que EU FAÇO - olhei-o - Mariana sabes perfeitamente que o que um não quer dois não fazem e sinceramente quero acreditar que confias em mim...
- Sei disso tudo mas também sei que quando estamos mais vulneráveis por vezes cedemos mais facilmente...
- És louca se pensas que te vou trocar por estas amostras de mulheres, não tenho nada contra as miúdas mas só estando muito mas mesmo muito desesperado é que poderia pensar em ter um deslize e mesmo assim era preciso ter perdido a sanidade mental! Mariana amo-te e por favor pára com essas inseguranças sem sentido.
Não lhe respondi mas fiquei a pensar nas suas palavras mas principalmente na proposta que o meu tio tinha feito e por isso quando já estávamos a jantar.
- Ruben - olhou-me - tenho uma decisão a tomar mas é algo que vai afectar os dois por isso preciso saber o que achas.
- Diz!
- Não tenho andado bem, a verdade é que sinto-me sozinha em Lisboa e isto deixa-me em baixo, algo que se reflecte no trabalho e por isso o meu tio ontem deu-me a oportunidade de escolher continuar na Polaris e consequentemente em Lisboa ou então aproveitar o facto da Gesti estar a necessitar de um novo recurso nos escritórios do Porto e mudar-me para cá...
- Mas a Polaris tem mais a ver com a tua formação - olhei-o talvez desiludida afinal tínhamos a hipótese de ficarmos mais próximos ou até mesmo juntos porque Braga-Porto não é assim tão longe e poderia muito bem fazer a viagem todos os dias.
- Ou seja por ti fico em Lisboa!
- Não! Por mim vens para o Porto mas não posso exigir e muito menos obrigar-te a mudar, não é justo quando sei que pouco ou nada percebes de futebol, o que vens fazer para cá? Mariana a nível pessoal quero muito que venhas mas profissionalmente não sei se será o melhor para ti...
- Não sei grandes detalhes mas pelo que o meu tio falou é algo ligado à minha área...
- Tudo bem mas se daqui a uns meses regressar a Lisboa vamos ficar com o mesmo problema...
- Pois... - falei desanimada - por ser uma decisão que nos afecta aos dois é que não decidi nada sem falar contigo.
- Será que não dá para aguentarmos esta situação mais uns meses?
- Dar dá mas...
- Mas?!
- Mas eu sinto a tua falta!
- Oh Mariana também sinto a tua falta mas custa-me que mudes a tua vida toda por minha causa!
- Mas se é a única forma de estarmos juntos...
- Amor se a minha situação fosse certa, tipo se soubesse que iria ficar aqui durante mais tempo não hesitava em pedir-te que aceitasses a proposta do Jorge mas assim... isto pode ser só uma solução de curto prazo porque corremos o risco de daqui a uns meses voltarmos a ficar separados e aí vou sentir-me culpado...
- Não sei mesmo o que decidir - falei desanimada - por um lado quero aceitar mas por outro sei que tens razão...
- Quantos dias é que tens para decidir?
- Só tenho que dar uma resposta quando regressar a Lisboa que é no final do mês.
- Como assim?
- Ah... pois ainda não te disse mas além de ter sido encostada à parede, pelo meu tio, para que tome uma decisão ainda comunicou-me que estou de férias até ao fim de Janeiro.
- Gosto disso! - sorriu - Até porque assim dá para ponderarmos com calma a decisão a tomar - suspirou - também sinto saudades tuas e sim é complicado estar afastado de ti mas há muita coisa em jogo...
- Pois...
- Anda cá! - o Ruben afastou a cadeira da mesa dando-me espaço para sentar-me no seu colo onde recebi mimos, que era mesmo disso que estava a precisar, ficamos naquilo uns minutos mas terminamos de jantar e depois fomos para a sala, ainda tentei arrumar a cozinha mas o Ruben não deixou, segundo ele os pratos não fugiam e amanhã tratávamos do assunto.
O resto da noite foi calminha, comigo a receber os seus mimos, foi de tal forma que não me lembro de ter ido para o quarto pelo meu próprio pé, no entanto foi lá que acordei na manhã seguinte e por sinal indisposta.
Como serão estes dias em Braga? E a Maria em Valência como andará ela?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

064 - "tu assim desesperada e nessa de “dona do pedaço” ficas a comédia"


Maria
Assim que entramos na cozinha
- Bom dia!!! O que é que estavam a morder ai que pararam assim que entrei?
- Estávamos a ter conversas que não são para menores - respondeu a minha prima fazendo uma festa na barriga - bom dia Guilherme
- Eish depois do barulho que fizeste ontem estás agora com cuidados desses?! - ouvi o Fabio e a Ana gargalharem
- Engraçadinha!
- Olha em vez de ficares ofendidinha o que me dizem de irmos ver o treino ai do desgraçadinho que tem de trabalhar hoje?
- Desgraçadinho é o...
O pessoal acabou por concordar em ir e os minutos seguintes foram para todos nos arranjarmos.
Confesso que demorei algum tempo para escolher aquilo que iria vestir, já que ao contrario do que eu normalmente fazia desta vez tomei bastante atenção e além disso escolhi algo que evidencia-se a minha barriga. No fundo queria algo que era difícil de conciliar queria estar sexy, que se notasse bem a barriga e que obviamente não parecesse vulgar ainda andava pelo quarto apenas de lingerie
- Maria!! Despacha-te! - o João que já estava pronto há alguns minutos chamava-me da sala onde estava com os nossos amigos
- 5 minutinhos e estou pronta!
- Estás a dizer isso há... - ele falou enquanto entrava no e quarto e parou assim que me viu
- Sim?... Vais falar ou vais mesmo ficar ai a olhar-me tipo estátua? - perguntei-lhe depois de uns segundos com ele parado de boca aberta
- Eu... tu... eu... olha... despacha-te que eu vou até à sala antes que...
- Antes que? - em vez de me despachar resolvi provocá-lo - olha antes de ires dá aqui um bocadinho de atenção ao teu filho... - peguei-lhe na mão e coloquei na minha barriga onde ele foi depositando alguns carinhos e depois resolveu dar-me um pequeno beijo que ele tencionava que fosse rápido mas que acabou por apenas ser o primeiro de vários que foi depositando por toda a barriga e que acabou por levar a um caminho perigoso quando resolveu iniciar uma subida até suponho que a minha boca, mas que acabou por se perder quando chegou ao peito e acabamos por tornar uma troca inocente de carinhos em algo mais profundo e já estava sobe a cómoda com as pernas em volta da cintura do João enquanto lhe desapertava a camisa quando não sei bem de onde lhe surge uma lufada de sanidade
- Bem fofinha tu estás insaneável! Mas prometo que te sacio todos os desejos quando voltarmos 
- Não prometas aquilo que não podes cumprir!
- Ai não posso? 
- hum-hum - ia acenando negativamente com a cabeça
- E porque não?
- Porque... - senti-me envergonhar já que ainda há quem pense que grávidas "morrem" a esse nível  mas o que ia dizer era a mais pura das verdades - porque... acho que nem que passasse 15 dias ininterruptos naquela cama isso era possível - ele gargalhou
- Isso está assim tão critico?
- Não gozes!
- 15 dias ininterruptos não posso... mas se quiseres ficar cá esses 15 dias posso tentar na mesma... 
- Parece-me tão bem... - falei com a boca já perto da dele e assim que terminei voltei a uni-las 
- Vá... agora faz um favor grande a mim e despacha-te que estou a ficar atrasado! - disse afastando-se  - olha lá porque raio estás a demorar tanto hoje?
- Porque... olha porque nem penses que vou toda mal enjorcada lá para o pé das chicas da claque
- Uiii... a minha princesa está mesmo com as hormonas desreguladas... além de completamente insaciável ainda está insegura... isso é tudo ciumes é?
- Não! Mas nem penses que vou perder a oportunidade de mostrar às meninas que o senhor está mais do que comprometido e que não é nenhuma foleirosa, Maria Chuteira... ah já para não falar que convém que não tenham duvidas que o Guilherme vem a caminho!
- Oh maluquinha tás mesmo preocupada com isso?
- Sim! Imagina que vou toda desengonçada começam logo para ai a dizer que andas com uma foleira qualquer que é um desperdício e essas coisas todas... nem penses! Que isso é meio caminho para acharem que podem chegar perto para “mostrarem o que é bom” - joguei os dedos à boca simulando que provocava o vomito - É bom que percebam logo que aqui não há hipóteses de concorrência... - voltou a gargalhar
- Vá... faz lá o que quiseres mas despacha-te mesmo! Porque já só tenho meia hora para lá chegar!
- Então vai lá ter com eles que aqui só me estás a dar ideias... - acabei por empurra-lo para fora do quarto e finalmente consegui escolher algo para vestir e em 5 minutos estava já na sala
- Eh lá! Prima onde é que tu vais? Oh homem tu impõe-te! - disse batendo no braço do João - ou cá me quer parecer que...
- Que nada! Vamos embora que tou atrasado - levantou-se cercou-me a cintura com o braço e junto ao ouvido sussurrou-me - Não tinhas decote maior?
- Não... - disse fazendo carinha de cachorro perdido enquanto dando um pequeno jeito no peito o deixava ainda mais fora da blusa
- Eu dou-te o não! Se não tivesse atrasado garanto-te que não sais daqui assim!
- Sim paizinho!
Dividimos-nos em dois carros e a animação até ao local do treino foi muita quer entre nós que íamos apenas os dois no carro quer com os outros quatro que foram o caminho a fazer macacadas correspondidas por nós. Assim que o João estacionou o carro
- Então e agora?
- Agora o quê?
- Para onde é que eu vou João?!
- Para a bancada! - falou com ar de “óbvio!” 
- E isso fica onde?
Fomos falando enquanto saiamos do carro e quando chegamos perto do resto do pessoal o João lá nos explicou onde é que nos devíamos dirigir e antes que ele tivesse tempo de se virar e seguir o caminho dele puxei-o para mim fiz os braços dele envolverem a minha cintura e envolvi o seu pescoço com os meus levando as minhas mãos aos seus cabelos e espetando-lhe mesmo ali um enorme beijo, ao principio o João nem reagiu acho que da surpresa mas segundos depois já estava em plena sintonia que eu, paramos quando nos faltou o ar
- Amor se continuas assim morro! - disse antes de voltar a juntar os nossos lábios num “selinho” rápido
- Fraquinho!! - sorri e voltei as costas para me aproximar dos nossos amigos que se riam que nem uns perdidos - O que é que foi? Isto é um centro de treinos e não um circo! - continuei a andar em direcção das bancadas e a minha prima e a Ana “correram” até me apanharem enquanto os outros dois ainda gozavam com a cara do João - Falem!
- Oh prima tu estás...
- Um arraso! Amiga porque raio é que demoraste tanto tempo? Tá tudo bem?
- Está tudo óptimo .. tirando o facto de andar um bocado desesperada... -elas gargalharam as duas - riam-se da grávida isso! Além disso eu precisava arranjar-me é bom que estas meninas percebam que há quem tenha dona!
- Oh prima tu assim desesperada e nessa de “dona do pedaço” ficas a comédia, mas como sou tua amiga vou ajudar-te a espalhar a noticia!
- E eu! 
- O que é que vocês as três estão a arranjar?
- Nada Fabinho nada... - respondi-lhe a rir para de seguida me sentar e ver a equipa entrar em campo e o João e o Ricardo nos acenarem e nós retribuímos algo que levou os que assistiam ao treino mais próximos de nós nos olhassem e acabassem mesmo por ficar bastante atentos ao que fazíamos já que não fomos nada calmos. 
- Olha... Olha! - a minha prima começou a chamar a atenção a uma adolescente que via o treino mesmo colada ao relvado - já viram isto está a ignorar-me!
- Claro não é olha é mira! - a Ana esclarecia-a 
- Mas vocês calam-se que  um gajo quer ver?! - bufava o Ruben
- Oh amor! Mas eu preciso falar com a rapariga! E além disso até parece que é a final da Champions! - acabando de refilar com o Ruben a Mariana volta-se para a rapariga que tinha acabado de ficar a comer o João com os olhos já que ele tinha passado mesmo na nossa frente - Mira... Mira chica!  - a rapariga lá a olhou 
- Escusas de estar ai a babar e a abanar a cauda que esse osso já tem dona - desta vez  foi a Ana, elas hoje estavam realmente possuídas
- Qué? - a rapariga olhava-a admirada
- O João! Escusas de olhar para ele que já tem dona!
- Mira mira, no es nada que están locas - tentei que com esta intervenção a rapariga se esquecesse 
- Entonces porque me llamaron? Y me di cuenta de que hablaba de João...
- Lindo serviço... deviam ter metido um anuncio luminoso daqueles de neon a piscar acho que era mais discreto! - refilei enquanto a rapariga esperava uma resposta
- Oh Maria - o Ruben tirou os olhos do relvado - Deixa-te de cenas! Afinal não ficamos três quartos de hora plantados porque te estavas a despachar e muito menos te vimos engolir o João inteiro quando cá chegaste para agora vires com cenas! Tu estás mortinha para que ela saiba que és namorada dele e que veja bem a barriga e de preferência que espalhe de imediato a noticia - comecei-me a ria
- É assim tão óbvio?
- Nããã! - desta foi o Fábio - Tu até só demoraste tempo e fizeste o que fizeste porque com a abertura de mercado aproveitaste a presença do Ruben cá e vais negocia-lo com o Llorente!
- Puto! Vou dizer ao meu tio para te contratar é que tu tás mesmo muito à frente na visão do  mercado!
A Mariana olhava-me já com cara de má, o Ruben ria e acenava negativamente com a cabeça e a Ana ia observando tudo o que acontecia sem grandes animações
- Mira! - a rapariga voltou a chamar-nos a atenção e quando olhamos - Todavía estoy aquí! La espera de una respuesta!
- Lo siento ... pero somos amigos de João y al pasar le costó mucho la atención y que querían hacer una broma - novamente tentei explicar-me
- Ahh  así que son sus amigos de Portugal?
- Si
- Soy un fan de John
- ¿En serio?! Yo no sabía que tenía fans aquí - falei muito pouco animada
- Pero lo ha hecho. Me gustaba saber algunas cosas sobre él ... ¿me puede contestar algunas preguntas?
- Claro pergunta o que queres saber - a Ana prontamente se ofereceu para responder e o Ruben gargalhou
- Vocês são terríveis se ele sonha...
-  Quiero saberlo todo! - disse animada acabei por sorrir - Pero lo que más me intriga es si él tiene una novia? Porque busqué en Google y no aparece ninguna mujer con él ...
- Su novia es muy discreta. Y no les gusta hacer publicidad de su compromiso  - a Ana falou enquanto a minha prima continha o riso e a vontade de gritar que era eu, consegui decifrar-lhe essa vontade no olhar
- Así que él tiene una novia? Tenía la esperanza de que él no tenía... - a rapariga fez uma  cara tão triste que até cheguei a sentir-me culpada por ele não ser solteiro 
- Sí, él tiene una novia. Pero si lo desea, puede relajarse porque sé que ella no va a maltratar al menos no va a hacerlo otra vez - acabei por lhe dizer e realmente eu tinha abusado nos  últimos tempos... por isso só poderia garantir que não tinha tensões de o voltar a fazer, estava a pensar nisso quando o João aproveita uma pausa para agua  e corre até nós roubando-me um beijo nos lábios e dando um beijo e uma caricia na minha barriga voltando ao relvado onde os colegas se metiam com ele enquanto novamente tinha os olhos das  fãs da Valência colados em mim.
- Esto es? - disse-me apontando para a minha barriga ainda meio em choque - Quiero decir ... João es el padre? - devo ter feito uma cara nada simpática -Lo siento ... ¡felicidades!
- Gracias!- quando falei comecei a sentir-me bastante desconfortável com toda aquela situação - Voy al coche, me siento incómodo ... con náuseas …
Não dei espaço para que qualquer um deles me dissesse fosse o que fosse, apenas me relembrei de porque durante tanto tempo tinha feito questão de nunca me apresentar como namorada do João, aquele olhar da rapariga a examinar-me de alto a baixo deixou-me mesmo incomodada e a juntar a fome do Guilherme... Estava a chegar perto do carro quando sou abordada por um jornalista 
- ¡Buenos días! Usted es la Maria Mendes, ¿verdad? - olhei-o admirada já que não o conhecia - Soy un periodista de Marca y me gustaría tener unas declaraciones de usted. ¿Es posible?
- ¡Buenos días! Sí, lo soy. Mis declaraciones? ¿Sobre qué tema?
- Bueno, fue vista viendo el entrenamiento con un jugador portugués, que usted representa...- parece ter ouvido a brincadeira o do Fábio - Y a medida que el mercado se abre hoy ¿significa algo?
- No. .. no. Estamos aquí sólo a nivel personal. - falei arrependendo-me de imediato pensando que ele poderia explorar esse tema e não me apetecia nada
- Así que no hay posibilidad de una nueva contratación en Valencia?
- Que los dirigentes del club es que usted sabrá respuesta. Sólo sé que no estoy involucrada en ninguna negociación y estoy aquí sólo a nivel personal. Ahora bien, si no te importa lo que necesito sentarme … - estava já a começar a sentir uma enorme vertigem e por isso destranquei o carro enquanto falava, ele desviou-se deixando-me passar
- Seguro. Gracias por las declaraciones y felicidad a su bebé
Assim que terminou de falar eu abri a porta do carro e sentei-me no lado do pendura quando encostando a cabeça no assento e oiço alguém bater no vidro abri os olhos e vi a Paula, mulher do Ricardo de imediato sai do carro para cumprimenta-la
- Parabéns! Já  sabia da novidade - disse referindo-se à gravidez - é para quando?
- Obrigada, para o inicio de Maio
- E está a correr tudo bem?
- Sim está tudo optimo...
- Podias ter ido até lá dentro...
- Oh não... não conheço isto e como o pessoal acabou todo por ir até às bancadas... fica para a próxima...
- Olha e estás cá de passagem ou vens para ficar?
- De passagem... vim para o fim de ano mas  agora se a “agenda” permitir fico uns 15 dias... mas de vez não está nos meus planos, longe disso...
- Então temos  de combinar qualquer coisa antes de regressares...
- Claro...  acho que não tenho o teu numero...
Acabamos por trocar números de telemóvel e somos rodeadas pelo pessoal que já voltava da bancada depois das devidas apresentações ficamos todos à conversa e ainda fui informada que a Carmen, era assim que se chamava a rapariga, tinha de forma muito pouco discreta informado todas as amigas de quem era eu
- Ui que já vi que foi um treino animado - comentou a Paula quando lhe fizemos o resumo - elas aqui não são muito atiradiças... eu pelo menos tinha mais queixas no Porto... mas lá que gostam de saber quem somos e de nos avaliarem sempre que nos veem lá isso... e se tiveres um cabelo fora do sitio está a “má lingua” armada, mas tu... bem tu tens uma  primeira aparição memorável já que vens grávida e lindíssima! 
- É linda, mas é minha! - falou chegando por trás e abraçando-me - está tudo bem? - perguntou depois de um beijo rápido
- Sim... porquê?
- Porque saiste dali antes do fim...
- Estava só um bocadinho enjoada, mas já passou...  tenho é fome!
- E depois o aspirador sou eu!
- Deixa-te mas é estar caladinho que a culpa é do teu afilhado!
- Oh claro o Bruno é que paga! 
- Vamos? - o Ricardo já se tinha junto também a nós  e por  isso fomos os 8 até um restaurante bastante agradável
O almoço estendeu-se até tarde e ainda aproveitamos para um passeio bastante animado para ao fim da tarde ver os nossos amigos regressarem a Portugal.
Estávamos a caminho de casa, vindos do aeroporto, quando o João numa paragem num sinal o João me faz uma festa na barriga e depois me dá um beijo
- E agora  o que os meus amores querem fazer?
- Nada... - disse a rir - queremos fazer nada que é dos nossos passatempos preferidos não é Guilherme? - fiz uma pequena festa na barriga
- Hum... então tirando preguiça não têm nenhum desejo - entoou a palavra de forma a dar-lhe um significado mais dúbio - especial?
- Isso não se pergunta papá! Porque deixou de ser um desejo especial - fiz o gesto de aspas com as mão - e já se tornou mesmo numa necessidade vital - acabei por rir
- Necessidade vital é?... Nós não queremos que ninguém tenha carências a esse nível... - falou com a mão direita a passear-me pelo interior da coxa...
- Pois não... e como também não queremos acidentes tu vais meter as duas maozinhas no volante antes que eu deixe de responder por mim!
Ele sorriu traçado e em poucos minutos estávamos em casa, subimos no elevador já com um clima bastante animado e assim que a porta se fechou atrás de nós foram poucos os minutos que levaram as nossas roupas a desapareceram-nos do corpo para darmos inicio a uma longa sessão de sexo... sim podia dizer que o fim de tarde e a noite foram passados a fazer amor, mas confesso que tal expressão confere um tom romântico de mais para aquilo que se passou naquela casa.
A  hora de jantar já tinha passado há muito tempo quando sou assolada de uma fome avassaladora.
- João... - chamei-o pouco tempo depois de termos alcançado mais uma vez o ponto alto do prazer - amor!! - ele nem se mexia mas eu sabia que estava acordado e que me ouvia - oh paixão... eu preciso... - falei já colocando o meu corpo em cima do seu
- Fofinha... calma... - ele falava ainda com alguma dificuldade em controlar a respiração embora insinuando estar a recuperar fôlego para iniciarmos nova “ronda”
- Não posso ter calma o Guilherme e o meu estômago estão aqui a lembrar-me que tenho fome!
- Fome? É de comida que precisas?- falou ligeiramente aliviado enquanto eu gargalhei
- Sim... é... podes ficar descansado que já não te incomodo mais... - enquanto falava ia-o acariciando onde sabia que o deixaria com pena de tal informação o que foi notório já que quanto mais a minha mão se movia mais o seu volume era notório ele que se sentava com o intuito de se levantar puxou-me para o seu colo
- Não é incomodo nenhum fofinha... mas foram 4 meses sem treinos e agora este ritmo... - ainda gargalhei mais
- 4 meses?! Deves pensar que acredito nisso! 
- Não acreditas em quê?
- Que não arranjaste personal treiners durante este tempo... 
- Juro que não houve nada de treinos assistidos...
- Não?
- Nadinha! 
- Então não foste aos treino... hum... nota-se! - quando falei ele olhou para  mim chocado - que foi?
- Nota-se?? Um gajo está em má forma e tu  ainda humilhas?!
- Exagerado! E em má forma não sei onde... estás com pouca resistência... mas... - já o tinha voltado a deitar e estava pronta para reiniciar nova brincadeira tendo mesmo esquecido a fome - se dizes que não foste a treinos... - e de repente um detalhe da sua conversa chamou-me a atenção - ou melhor que historia é essa dos treinos assistidos?
- Oh Maria!
- Oh Maria nada! Explica-te!
- Oh treinos assim a sério com acompanhamento não fiz... mas não quer dizer que não tenha dado umas corridinhas sozinho... - vi-o corar o que  só me deu mais vontade de rir e bem... de o compensar pelas corridas solitárias - afinal tinha de manter um mínimo de ritmo né?
- Oh... tão fofinho! Acho que até mereces uma dose extra de exercícios específicos! 
Voltei a conduzir-nos ao prazer para assim que “cai” novamente na cama o meu estômago fazer um horroroso barulho gritando “tenho fome” o que nos levou a gargalhar e a levantar-nos para depois de um duche a dois novamente agitado dirigirmos-nos até à cozinha onde inventamos uma mistela qualquer para comer. 

Ficará a Maria mesmo os 15 dias em Valência? E esta necessidade vital manter-se-à? Como será a vida do casal depois do regresso da Maria a Portugal? E a Mariana e o Ruben estarão finalmente acertados e esclarecidos?